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SILACC 2010 Ouroboros

SILACC 2010 Ouroboros

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SILACC 2010 – Simpósio Ibero Americano Cidade e Cultura: novasespacialidades e territorialidades urbanas
 
Título: Ouroboros: a cidade em Marshall Berman
Sessão temática: ST02 - Tensões, Relações e Liminaridades na Cidade Contemporânea
Resumo:
O presente artigo pretende empreender uma leitura espacial, urbana e arquitetônica, do livro
Tudo que sólido desmancha no ar 
de Marshall Berman, originalmente lançado no ano de 1982 epublicado no Brasil em 1986. Para além de uma leitura inovadora e controvertida do
Manifesto do Partido Comunista 
entendemos que Berman acolhe o dinamismo inato da economia econseqüentemente da cultura moderna no cerne do cotidiano urbano de maneira a colocar-nos nocentro de um torvelinho que aniquila tudo que cria – ambientes físicos, instituições sociais, idéiasmetafísicas, visões artísticas, valores morais – para infindavelmente criar o mundo de outra forma.Essa modernidade irremediavelmente atrelada à vida urbana só faz-se compreensível frente àutilização da própria cidade como instrumento de argumentação. Sua argumentação tem lastrosque pretendemos salientar para apresentar nossa leitura de seu trabalho, são estes, a cidadematerial e a vida urbana, associadas a elementos arquétipos e por vezes mitológicos. Nossoobjetivo é buscar na metáfora da Ouroboros um paralelo possível ao processo de destruição erenovação repetidamente assinalado no texto e enfaticamente ressaltado pela dialéticamodernização/modernismo. Assim, pensamos que associar a cidade ao arquétipo da Ouroboros,a serpente que devora a própria cauda e se alimenta de sua própria autodestruição, pode lançaralguma luz sobre nossa situação urbana histórica e contemporânea.Palavras-chave:
 
Ouroboros; Marshall Berman; modernidade; modernização.
 
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O livro examina o
Manifesto do Partido Comunista 
de forma eletrizante e perturbadora. SegundoBerman (1986) o texto de 1848 está impregnado de uma percepção de modernidade queultrapassa as linhas de Marx
2
e adentra o universo da sua intuição. A mecânica de criação edestruição impetrada pelo capitalismo burguês adquire autonomia voraz e contorno profético,dotada da capacidade de desestabilizar qualquer coisa, assombra a permanência de qualquerforma social, seja ela capitalista ou comunista
3
. O objetivo declarado de Berman (1986, p.14-15) écompreender melhor a modernidade contemporânea explorando e mapeando cinco séculos doturbilhão moderno alimentado em várias fontes, desde as descobertas científicas aos avançostecnológicos, a transformação de nossa imagem e do nosso lugar no mundo somada àindustrialização da produção que modifica a sociedade e suas relações, criando e destruindo seusambientes sociais, espirituais e finalmente seus espaços físicos. Sua argumentação tem lastrosque pretendemos salientar para apresentar nossa leitura de seu trabalho, são estes, a cidadematerial e a vida urbana, associadas a elementos arquétipos, por vezes mitológicos, todosdevidamente alinhavados a um conjunto literário heterogêneo; clássicos e contemporâneos,romancistas e acadêmicos, filósofos e políticos, poetas e jornalistas
4
. Neste sentido, o
Manifesto 
 como um arquétipo da modernidade contemporânea enuncia não apenas uma verdade, mastambém lutas e tensões interiores
5
.O
Manifesto 
declara Berman (1986, p.100), “contra as intenções do seu criador e provavelmentesem que ele se desse conta disso” reconstrói sua crítica imanente na própria visão da revolução esua resolução, assim novas contradições se insinuam no véu tecido por essa mesma visão.Segundo Ridenti (1998), Berman aponta no texto de Marx, oculto sob o enredo da luta de classes,um segundo enredo, menos explícito, mais profundo e atual, a tensão entre a visão “sólida” e avisão “diluidora” da vida moderna. “O
Manifesto 
mostra a emergência de um mercado mundial que
2
“A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, porconseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. A conservação inalterada do antigo modode produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores. Essasubversão continua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa faltade segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes.
Dissolvem-se todas as relações sociaisantigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de idéias secularmente veneradas, as relações que assubstituem tornam-se antiquadas antes mesmo de ossificar-se. Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo oque era sagrado é profanado e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condiçõesde existência e suas relações recíprocas
. Impelida pela necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invadetodo o globo. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte” (MARX;ENGELS, 1848, grifo nosso).
3
Ainda que os trabalhadores de fato construam um bem-sucedido movimento comunista e ainda que esse movimentogere uma bem-sucedida revolução, de que maneira, em meio às vagas impetuosas da vida moderna, poderão eleserguer uma sólida sociedade comunista? O que poderá impedir que as forças sociais que derretem o capitalismoderretam igualmente o comunismo? (BERMAN, 1986, p. 101).
 
4
Além de Marx temos Goethe, Nietzsche, Baudelaire, Dostoievski, James Joyce, Jane Jacobs, citando apenas os quede alguma cativaram nossa atenção.
5
Nas palavras do próprio Berman (1986, p. 88) o
Manifesto 
“expressa algumas das mais profundas percepções dacultura modernista e, ao mesmo tempo, dramatiza algumas de suas mais profundas contradições internas”.Compreendê-lo como arquétipo de um século inteiro de manifestos e movimentos modernistas que o sucederamsignifica adentrar um campo de tensões onde “os homens” são agentes e pacientes do processo diluidor quedesmancha no ar tudo o que é sólido.

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