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1º-parte-Conceitos-lacanianos-Discurso-do-Metodo-Psicanalitico

1º-parte-Conceitos-lacanianos-Discurso-do-Metodo-Psicanalitico

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08/04/2014

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1º parte : Conceitos lacanianos
 
Discurso do Método Psicanalítico
 Segundo Jacques Alain Miller ao recebermos um novo paciente damos-lhe “boasvindas”; tanto por razões de dinheiro como por interesse de iniciar uma novainvestigação, um novo tratamento.
 
Devemos lembrar que aquele que nos procura como analista, paratratamento, não é um sujeito, mas alguém que quer ser um paciente.
 Na prática psiquiátrica ele pode ser designado pela família, pelos outros, pelasinstâncias sociais que lhe disseram para se tratar. Não é a mesma coisa naprática analítica, com exceção da análise com crianças, geralmente escolha dospais ou de outros.Temos uma diferença clara entre o paciente psiquiátrico, designado pelosoutros, e o da psicanálise. Que significa para o psicanalista estar diante dealguém que gostaria de ser seu paciente?Em analise não há paciente a reveliade si mesmo.
Em psicanálise, a primeira avaliação é feita pelo paciente, é ele quemprimeiro avalia seu sintoma, chega ao analista após a auto avaliação deseus sintomas e pede ao analista um aval para esta avaliação.
 O ato analítico começa ao avalizar esta auto avaliação.
Na prática analítica o paciente é quem procura o tratamento e quandoele chega já tem uma auto avaliação de seu problema. O ato analíticocomeça ao avalizar esta auto avaliação.
 Este primeiro tempo é chamado de entrevistas preliminares, é o tempo deestruturação das boas vindas. Este tempo pode se estender por uma semana,um mês ao até mais, não existe um padrão. Podemos distinguir três níveis dasentrevistas, cada um deles entrando no seguinte, sem haver a separaçãocompleta, pois eles se superpõem.
 
A avaliação clínica
 
A localização subjetiva
 
Introdução ao inconscienteExistem vínculos entre estes níveis e vamos chamá-los entre (1) e (2) desubjetivação e entre (2) e (3), de retificação.
Os três níveis das entrevistas preliminares:
 
 
1) A avaliação clínicaSubjetivação2) A localização subjetivaRetificação3) Introdução ao inconsciente
Avaliação clínica
 
As entrevistas preliminares se colocam para o analista como meio defazer o diagnóstico. A analista deve ser capaz de concluir de maneiraprévia, algo a respeito da estrutura clinica da pessoa que veio consultá-lo.
 Deve responder a partir das entrevistas preliminares, as seguintes perguntas:trata-se de um caso de neurose?de psicose? de perversão?Há casos em que é difícil diferenciar as estruturas e isto pode levar o analista aprolongar o tempo das entrevistas.A avaliação clínica tem importância vital, quando somos levados a pensar que opaciente possa ser um psicótico. Não é tão difícil quando a psicose já foideflagrada, porque, a partir daí, a questão que se coloca é se o analista podeou não fazer algo, se pode ou não curar o paciente. A questão torna-se crucial,porém, se a psicose ainda não se desencadeou, porque, a analise podedesencadeá-la.
Para se certificar de que não se trata de um paciente psicótico, quandoexiste suspeita devemos procurar os “fenômenos elementares”-categoria da clínica francesa, retomada por Lacan.
 São fenômenos que podem anteceder o delírio e o desencadeamento de umapsicose. São eles:
 
Fenômenos de automatismo mental – irrupção de vozes, de discursosalheios na mais intima esfera psíquica. Podem ser evidentes, quando apsicose já se desencadeou.Contudo, podem estar presentes, em silencio,durante anos, com apenas uma ou duas irrupções na infância ou naadolescência.
 
Fenômenos de automatismo corporal – é a decomposição do própriocorpo: estranheza (sentir o próprio corpo como estranho),desmembramento (sentir que partes do corpo não lhe pertencem).Distorção temporal no percorrer do tempo e deslocamento espacial.
 
Fenômenos concernentes ao sentido e à verdade: o testemunho dopaciente de vivencias inexprimíveis, ou de certeza absoluta e, maisainda, a respeito da identidade, da hostilidade de um estranho. É quando
 
o paciente diz que pode ler, no mundo, signos que lhe estão destinados,e que trazem uma significação que não pode precisar.
Os chamados fenômenos elementares são aqueles que na maioria dasvezes antecedem ao desencadeamento psicótico. A partir da presençadestes fenômenos é possível uma melhor avaliação diagnostica. Sãoeles: automatismo mental, automatismo corporal e fenômenosconcernentes ao sentido e à verdade.
 
Estes três pontos podem mostrar que, na avaliação clínica, há umaencruzilhada na escolha entre a psicose e a histeria.
 Um sujeito psicótico e um histérico podem num dado momento, expressar-seda mesma maneira. É bastante comum nas mulheres não saberem e nãopoderem expressar o que sentem e com o que gozam e, por isso, podem,durante alguns minutos, parecerem psicóticas. Não só no nível corporal, mastambém mental, a empatia, a simpatia histérica pelo desejo do Outro, pode serconfundia com o automatismo mental. Ou a possibilidade da histérica tomaremprestados os sintomas psicóticos, de pessoa da família ou do circulo deamizades. É possível que um sujeito histérico traga para consulta traços dooutro, e aí se coloca para as entrevistas preliminares o problema de distinguirentre o que pertence ao sujeito em questão e o que pertence ao outro. Háainda as alucinações histéricas, que nada têm a ver com as do psicótico. Énecessário distingui-las.
Há, igualmente, pontos que parecem comuns entre a psicose e neuroseobsessiva.
 É o que se observa quando o Homem dos Ratos chega a Freud, em pânico, comum “quase-delirio”. A história da dívida – hoje sabemos encontrar-se naneurose obsessiva – na época do encontro aparentava ser o delírio dadívida. O obsessivo, sempre retardatário, necessita de um estado de urgência ede pânico para a entrada em analise, e, muitas vezes, apresenta-se com traçosaparentemente psicóticos.
Pode-se também confundir psicose com perversão.
 Não é freqüente o verdadeiro perverso vir à analise, pois ele sabe o que para se saber sobre o gozo. Contrariamente, o neurótico com um gozo perversovem fazer analise. Não apenas porque não está satisfeito com a perversão,porque ambiciona ser curado, mas, sobretudo porque se pergunta sobre osentido de seu desejo, através de uma demanda para reconciliar-se com seulado perverso, e não para normalizá-lo. Como um homossexual que procura aanalise não para corrigir sua homossexualidade, mas para viver melhor comela.

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