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Teoria Geral da Execução - Texto para Resumo - Proc. Civil IV

Teoria Geral da Execução - Texto para Resumo - Proc. Civil IV

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09/13/2013

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1
 
Esboço de uma teoria da execução civil
1
Fredie Didier Jr.
 
Mestre (UFBA) e Doutorando (PUC/SP) em Direito. Professor-mestre de Processo Civil da Universidade Federal da Bahia.Professor-Coordenador da Pós Graduação em Direito Processual Civil das Faculdades Jorge Amado/JusPodivm. Membro doInstituto Brasileiro de Direito Processual. Advogado na Bahia e em Pernambuco.
 
SUMÁRIO: 1 –
A função jurisdicional e as diversas modalidadesde tutela dos direitos ;
2
Direitos a uma prestação e direitos potestativos;
3 -
Direito fundamental à tutela executiva;
4 -
 Execução e processo de execução: os módulos processuaisexecutivos;
5
Cognição e atividade executiva;
6 -
Mérito e coisa julgada
; 7
Espécies de execução:
7.1.
- Execução por sub-rogação e execução por coerção indireta;
7.2. -
Execução de título judicial e execução de título extrajudicial;
7.3. -
Execução provisória e execução definitiva;
8
Princípios:
8.1. -
Princípio deque não há execução sem título;
8.2. -
Responsabilidade ou todaexecução é real;
8.3. –
Contraditório;
8.4.
– Princípio da proporcionalidade;
8.5. -
Princípio da menor onerosidade possívelao executado;
8.6. -
Princípio da disponibilidade da execução;
8.7. -
 Princípio da tipicidade dos meios executivos;
8.8. –
Princípio dautilidade;
8.9. –
Autonomia;
8.10. –
Responsabilidade doexeqüente;
8.11. –
Maior coincidência possível;
8.12. –
Dignidadeda pessoa humana.
 
1. A função jurisdicional e as diversas modalidades de tutela dos direitos
 A função jurisdicional é aquela pela qual os órgãos investidos de jurisdiçãoaplicam o direito objetivo ao caso concreto. Trata-se da função pela qual se tutelam os direitossubjetivos, resolvendo-se as crises jurídicas que porventura existam em derredor de taisdireitos.A partir do tipo de proteção (tutela) que se pretenda, podem ser identificadostrês tipos de tutela jurisdicional: a) de certeza, ou de conhecimento, ou declaratória: busca-sedo Poder Judiciário a certificação, com a coisa julgada, de determinada relação jurídica; b) deefetivação ou executiva: pretende-se a efetivação de direitos subjetivos; c) de segurança ou
1
Trata-se da reprodução da prova-escrita do concurso para provimento do cargo de Professor-Assistente(Mestre) de Processo Civil da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), realizada no dia23 de abril de 2004, que recebeu a nota 10 (dez) de todos os membros da banca examinadora: Wilson Alves deSouza (UFBA), Leonardo Greco (UFRJ) e Vallisney de Souza Oliveira (UFAM). Manteve-se o texto original,sem referências bibliográficas ou notas de rodapé — o pensamento dos doutrinadores é citado ao longo do texto,normalmente sem menção à obra.
 
2cautelar: busca-se do Estado-juiz uma providência que assegure/garanta a efetivação da prestação jurisdicional de certificação ou de execução, tendo em vista a circunstânciainexorável de que todo processo jurisdicional necessita de tempo – e o tempo pode fazer quedireitos sejam lesados ou perdidos. Nesse rápido painel, pode-se vislumbrar o papel da tutela executiva: promover a efetivação dos direitos subjetivos, garantindo com que o resultado prático, que o titular desse direito pretende almejar, seja, efetivamente, concretizado.
 2. Direitos a uma prestação e direitos potestativos
 Há uma clássica divisão dos direitos, muito utilizada pelos processualistas noestudo da tutela jurisdicional. Trata-se da distinção que se faz entre direitos a uma prestação edireitos potestativos.Direito a uma prestação é o poder jurídico, conferido a alguém, de exigir deoutrem o cumprimento de uma prestação – conduta –, que pode ser um fazer, um não-fazer,ou um dar coisa – prestação essa que se divide em dar dinheiro e dar coisa distinta dedinheiro. O direito a uma prestação precisa ser concretizado no mundo físico; a sua efetivaçãoé a realização da prestação devida. Quando o sujeito passivo não cumpre a prestação, fala-seem inadimplemento ou lesão. Como a autotutela é, em regra, proibida, o titular desse direito,embora tenha a pretensão, não tem como, por si, agir para efetivar o seu direito. Tem, assim,de recorrer ao Poder Judiciário, buscando essa efetivação, que, como visto, ocorrerá com aconcretização da prestação devida. São direitos a uma prestação. Por exemplo: a) direitosabsolutos (reais e personalíssimos), que têm sujeito passivo universal e cujo conteúdo é uma prestação negativa.; b) obrigações, que podem ter por conteúdo qualquer prestação.Direito potestativo é o poder jurídico conferido a alguém de alterar, criar ouextinguir situações jurídicas. O sujeito passivo de tais direitos nada deve; não há conduta que precise ser prestada para que o direito potestativo seja efetivado. O direito potestativo efetiva-se no mundo jurídico das normas, não no mundo dos fatos, como ocorre, de modo diverso,com os direitos a uma prestação. A efetivação de tais direitos consiste naalteração/criação/extinção de uma situação jurídica, fenômenos que só se operam juridicamente, sem a necessidade de qualquer ato material (mundo dos fatos). Exemplifique-se. O direito de anular um negócio jurídico é um direito potestativo; esta anulação dar-se-ácom a simples decisão judicial trânsito em julgado, não será necessária nenhuma outra providência material, como destruir o contrato, por exemplo. Como disse um autor, a
 
3efetivação, nesses casos, dá-se pelo verbo, não pelo ato concreto, material.Os direitos a uma prestação relacionam-se aos prazos prescricionais que, como prevê o art. 189 do CC. 2002, começam a correr da lesão/inadimplemento – não cumprimento pelo sujeito passivo do seu dever.Como nos direitos potestativos não há dever, prestação, conduta, a ser cumprida pelo sujeito passivo – a doutrina denomina de “estado de sujeição” a situação jurídica do sujeito passivo –, não se pode falar de lesão/inadimplemento; assim, a prescriçãonão está relacionada a tais direitos. Na verdade, os direitos formativos submetem-se, sehouver previsão legal, a prazos decadenciais.Pois bem.O que essa distinção tem a ver com tutela jurisdicional executiva?Quando se pensa em tutela executiva, pensa-se na efetivação de direitos a uma prestação; fala-se de um conjunto de meios para efetivar a prestação devida; fala-se emexecução de fazer/não-fazer/dar, exatamente os três tipos de prestação existentes. Não é por acaso, nem coincidência, que a tutela executiva pressupõe inadimplemento – fenômenoexclusivo dos direitos a uma prestação. Executar é forçar o cumprimento de uma prestação.Reputamos essa relação entre direito material e processo fundamental para a compreensão dofenômeno executivo.A efetivação de um direito potestativo carece de execução, no sentido do termoaqui utilizado. A sentença que reconheça um direito potestativo já o efetiva com o simplesreconhecimento e a implementação da nova situação jurídica almejada. A sentença que acolheuma demanda que veicule um direito potestativo é uma sentença constitutiva, que, portanto,exatamente por isso não gera atividade executiva posterior, em razão da absolutadesnecessidade.
 3. Direito fundamental à tutela executiva
 A teoria dos direitos fundamentais é considerada por muitos constitucionalistasa principal contribuição do constitucionalismo do pós Segunda Guerra Mundial.A processualística, desde muito cedo, apercebeu-se da importância de estudar-se o processo à luz da Constituição – veja, por exemplo, o trabalho de José Frederico Marquesainda na década de 50 do século XX.Mais recentemente, os processualistas avançaram no estudo do tema, agora

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