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Arqueologia e Imperialismo O Papel Da Arqueologia Na Construcao de Identidades Nacionais Fabricio J. Nazzari Vicroski

Arqueologia e Imperialismo O Papel Da Arqueologia Na Construcao de Identidades Nacionais Fabricio J. Nazzari Vicroski

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ARQUEOLOGIA E IMPERIALISMOO Papel da Arqueologia na Construção de Identidades Nacionais
*
 
Fabricio J. Nazzari Vicroski*
*
 
Resumo:
O processo de formação de identidades nacionais é contínuo e de naturezadinâmica, sua influência é perceptível nas formas como se estruturam as nações, osnacionalismos e os estados nacionais. Por sua importância, este processo muitas vezes temsido alvo de controle político por parte de governantes e forças colonizadoras, da mesmaforma tem servido como baluarte ante a eminência de práticas imperialistas. Considerando aspossibilidades de controle ideológico deste processo, não se pode ignorar a importância daarqueologia, pois sua própria efetivação como ciência está diretamente ligada à construção deidentidades nacionais. De fato a arqueologia tem sido utilizada ao longo da história compropósitos políticos, como instrumento construtor de identidades e de apropriação simbólicade territórios. O objetivo deste artigo é abordar de forma concisa a questão da utilizaçãopolítica das informações produzidas pela arqueologia, demonstrando o fortalecimento destarelação a partir do século XIX e de que forma tal empreitada tem sido posta em prática aolongo da história.
Palavras-chave:
Arqueologia. Imperialismo. Identidades.
*Artigo apresentado com requisito parcial de avaliação da disciplina
História, Fronteiras e Identidades
,ministrada pelo Prof. Dr. Luiz Carlos Tau Golin (Programa de Pós-Graduação em História, Universidade dePasso Fundo).** Mestre em História Regional pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo(UPF). Co-coordenador do Núcleo de Pré-História e Arqueologia (NuPHA/PPGH/UPF)http://arqueologiaupf.wordpress.comArqueólogo da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural(EPAHC/CMC/SMC) da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.fabricioarqueologia@hotmail.com 
 
 
Introdução
Ao longo do desenvolvimento da sociedade humana, diversas etapas evolutivaspropiciaram a evolução até seu estágio atual, ampliando as possibilidades de interação com anatureza e, conseqüentemente, promovendo alterações na forma de lidarmos com o meio quenos circunda, seja ele de ordem natural ou social.As transformações climáticas ocorridas ao longo do período holocênico
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propiciaram atransição dos grupos humanos estruturados como caçadores-coletores nômades paraceramistas-horticultores sedentários ou semi-sedentários. Em decorrência destedesenvolvimento gradual ocorreram diversas mudanças, entre as quais pode-se citar aprodução de excedentes alimentares que propiciaram o escambo e acabaram por estimular asprimeiras relações comerciais, e por conseguinte a necessidade de domínio ou delimitação defronteiras resguardando determinadas porções territoriais, alterando de forma substancial arelação do homem com a natureza.Lançaram-se então as bases para o processo de surgimento do capitalismo e dapopularização da nação como uma forma de comunidade, que entre outros fatores teve ocapitalismo como seu principal difusor (ANDERSON, 2008).Desde então a vastidão territorial do planeta e a necessidade comum de utilização dosrecursos naturais não parecem constituir argumentos válidos ao estabelecimento das formasde ocupação e domínios de territórios, tal impasse deve-se em grande parte à variedade defatores que contribuem para a definição do conceito de região. Segundo o entendimentodesenvolvido pela geografia crítica a partir dos anos 1950, “uma região se organiza a partir darelação que o homem estabelece com a natureza, principalmente através do seu trabalho,resultando dessa troca espaços geográficos, dotados de especificidades naturais, econômicas ehumanas” (REICHEL, 2006, p. 44).Da mesma forma a história (englobando aqui a arqueologia), contribui para a definiçãodo conceito de região, “ela destaca que as relações sociais, fundamentadas nas experiênciasvividas, nas idéias e nos sentimentos que os homens desenvolvem entre si, bem como a
 
 
cultura por eles produzida, são igualmente importantes para configurar um espaço delimitadoou, em outras palavras, para definir uma região” (idem, 2006, p. 44).O processo de delimitação de uma região é, portanto, extremamente dinâmico, envoltonuma série de elementos resultantes das formas de ocupação do espaço ao longo do tempo.Estendendo a discussão para a definição do conceito de fronteira, logo veremos que se trata deum fenômeno ainda mais complexo, pois além da “fronteira formal da linha, existem asfronteiras econômicas, sociais, culturais, ambientais, que podem limitar mais que a divisória”(GOLIN, 2002-2004, p. 15).O elemento importante a ser destacado é que a delimitação de regiões e fronteiraspossui implicações diretas sobre sua forma de ocupação e exploração econômica, bem comosobre o domínio da população ali presente, justificando assim o interesse pelo passado remotoda humanidade e a busca pelas origens das nações ainda na pré-história.Dispomos de inúmeros exemplos em que a ciência arqueológica foi utilizada parafortalecer, expandir ou até mesmo criar uma identidade nacional, com a intenção de nutriranseios nacionalistas e práticas imperialistas. O objetivo deste artigo é abordar de formaconcisa a questão da utilização política das informações produzidas pela arqueologia,demonstrando o fortalecimento desta relação a partir do século XIX e de que forma talempreitada tem sido posta em prática ao longo da história.
1 Nação, nacionalismo e estado nacional
A fim de introduzir a temática, faz-se necessária uma breve explanação acerca dosaspectos que envolvem a construção dos estados nacionais, destacando, sobretudo, aimportância da busca de suas origens para a formação de uma identidade nacional, utilizadaaqui de acordo com a definição de Anthony Smith.
Podemos definir a identidade nacional como sendo “a reprodução, transmissão ereinterpretação constante do conjunto de valores, símbolos, lembranças e mitos

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