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ARTES PLÁSTIAS NO NORDESTE - BY ALANA BRAUN

ARTES PLÁSTIAS NO NORDESTE - BY ALANA BRAUN

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Artes plásticas no Nordeste
ANA MAE BARBOSA
CONDIÇÃO POLÍTICA do Nordeste, considerado zona ultra-perigosa pelos militares durante a última ditadura, provocou uma diáspora cultural espalhando jovens artistas e intelectuais por entre os pólos dominantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, centros historicamente mais preparados para receber literatos do que artistas plásticos. Desde o Modernismo podemos detectar maior abertura de paulistas e cariocas para com os poetas, novelistas e críticos literár
Artes plásticas no Nordeste
ANA MAE BARBOSA
CONDIÇÃO POLÍTICA do Nordeste, considerado zona ultra-perigosa pelos militares durante a última ditadura, provocou uma diáspora cultural espalhando jovens artistas e intelectuais por entre os pólos dominantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, centros historicamente mais preparados para receber literatos do que artistas plásticos. Desde o Modernismo podemos detectar maior abertura de paulistas e cariocas para com os poetas, novelistas e críticos literár

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E
STUDOS
 
 A 
 VANÇADOS 11 (29), 1997
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CONDIÇÃO
 
POLÍTICA 
do Nordeste, considerado zona ultra-perigosa pelosmilitares durante a última ditadura, provocou uma diáspora cultural es-palhando jovens artistas e intelectuais por entre os pólos dominantes doRio de Janeiro e de São Paulo, centros historicamente mais preparados parareceber literatos do que artistas plásticos. Desde o Modernismo podemos detec-tar maior abertura de paulistas e cariocas para com os poetas, novelistas e críticosliterários que chegavam do Nordeste do que para com os artistas.Cícero Dias e Antonio Bandeira, embora tenham sido agraciados com al-guns elogios da crítica hegemônica do Sul, nunca tiveram nas Artes Plásticas umreconhecimento na mesma altura que tiveram José Lins do Rego, GracilianoRamos, Manuel Bandeira, Álvaro Lins, Jorge de Lima, Raquel de Queiroz, naLiteratura. Poucos aplausos e muito vácuo fizeram com que tanto Cícero Diasquanto Antonio Bandeira imigrassem para a Europa, onde obtiveram sucessomais contínuo e consistente. Mesmo assim foi preciso muita tenacidade de umanordestina, Vera Novis, para publicar, no ano passado, seu belíssimo livro sobre Antonio Bandeira. Foram quase sete anos de batalha, que começaram quandotrabalhamos juntas no
MAC
-
USP
. Todos a quem recorríamos reconheciam a qua-lidade antecipadora da pintura de Bandeira; os colecionadores disputam seusquadros, mas seu nome não faz parte do campo de ação publicitária dos críticosque ditam a moda. A obra de artistas como Carlos Oswald, Aloísio Magalhães ou Lula Cardo-so Ayres vai ter que esperar por outros teimosos críticos, fora do circuito domi-nante, como Vera, ou virar tese de algum estudante de pós-graduação para teremos livros e
/
ou as retrospectivas que merecem. Espero que não demore tantotempo como no caso de Vicente do Rego Monteiro, o mais original dos moder-nistas brasileiros. Tendo-se em vista que originalidade era um dos valores máxi-mos do Modernismo, demorou muito para que sua obra atingisse um patamaralém do mero reconhecimento. Isto só se deu na década de
70
porque o podernas Artes Plásticas naquela época estava nas mãos de um homem sem preconcei-tos, um historiador de olhar plural, Walter Zanini, que organizou uma inesque-cível retrospectiva de Rego Monteiro no
MAC
-
USP
. Acredito, entretanto, que certa dose de exclusão e distância dos artistas doNordeste com relação ao centro de poder das Artes Plásticas os torna hoje osmais bem preparados artistas para dialogarem com as correntes contemporâneasda multiculturalidade. Afastados do centro por discriminação política durante aditadura militar e, depois, pelas ditaduras do mercado e da crítica que teimamem só promover o abstrato, o matérico, o minimal, a arte
clean 
correspondente
 Artes plásticas no Nordeste
 A 
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ao código europeu ou norte-americano branco, os artistas do Nordeste continu-aram a desenvolver sua própria cultura visual, rejeitando ou assimilando as cor-rentes internacionais com autonomia pessoal e não por indução, construindouma trama de diversidade visual incomum, com qualidade, apontando para umpós-colonialismo muito mais definido que nas regiões dominadoras do país.
Francisco Brennand (Recife,
PE 
 
1927 
)
São Sebastião,
1974
cerâmica vitrificada,
125 
x
113 
– col. do artista Vicente do Rego Monteiro (Recife,
PE 
,
1899-1970 
)
Deposição, c.
1966
óleo sobre tela,
109 
x
134 
– col.
MAC 
USP 
 
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No caso de Pernambuco, a ação deduas brilhantes cabeças pensantes – por
sor-te, divergentes entre si –, Ariano Suassunae Jomard Muniz de Britto, foi muito bené-fica. De um lado, temos Ariano Suassuna,dramaturgo famoso no Sul e no exteriorque, como professor de Estética de váriasgerações de estudantes da UniversidadeFederal de Pernambuco, defendia umaabordagem cultural voltada para a visua-lidade do meio circundante, para a mitolo-gia da terra e para uma narrativa imaginante,que veio a constituir o que ele denominou
Movimento Armorial 
. Do outro lado,Jomard Muniz de Britto, também comenorme influência na formação da mentali-dade da juventude da Paraíba, de Pernam-buco e do Rio Grande do Norte, encarre-gou-se da divulgação crítica das teorias dapós-modernidade. Como artista, seus vídeos e suas
 performances 
têm chamado aatenção dos estudantes para a existência deuma linguagem internacional, enquanto Ariano os desperta para verem ao seu re-dor. É neste jogo dialógico, no espaçointercultural dessas duas posições, no trân-sito entre elas que hoje estão sendo defini-das as singularidades da Arte, até no Pri-meiro Mundo. As linhas que demarcam as diferen-ças culturais podem ser estabelecidas peloconsenso ou pelo conflito, mas, em ambosos casos, a discussão aberta qu
e voltou a serpraticada no Recife – graças, principalmen-te, a esses dois intelectuais – tem buscadoaclarar as definições de tradição e pós-modernidade, realinhando
os limites entre Arte Popular e Arte Erudita, entre o
 público 
e o
 privado 
e, principalmente, desa-fiando as noções de desenvolvimento e progresso. Ariano e Jomard vêm operando para a geração atual o que duas outras
escolas 
pernambucanas operaram para a minha geração. Uma foi a
escola 
de umhomem só, Abelardo Rodrigues, que não apenas como colecionador didata mas,principalmente, como formador de opinião da juventude, construiu uma visãosincrética entre barroco e Modernismo, antecipadora da contemporaneidade. A outra
escola 
informal de Arte e Estética foi o
Gráfico Amador 
, felizmente já estu-
Thereza Carmem Duarte (Recife,
PE 
,
1931
),
Olinda e Recife,
1965
 
– xilogravura,
115 
x
58 
col. particular 

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