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A filosofia da Negatividade em O Visível e o Invisível

A filosofia da Negatividade em O Visível e o Invisível

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 ARTIGOS
MERLEAU-PONTY E A FILOSOFIA DA NEGATIVIDADE EM
O VISÍVEL EO INVISÍVEL
 Adilson Xavier da Silva
Universidade Federal do Rio de Janeiroachavier@uai.com.br
Recebido em 4 de novembro de 2004 Aceito em 27 de maio de 2005
Resumo
: O artigo tem como objetivo descrever a crítica de Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) sobre a Filosofia da negatividade, especialmente em sua obra
O visível e o invisível
(1964) publicada após sua morte. Essa crítica é endereçada principalmente ao filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).Palavras-chave: Reflexão, filosofia da negatividade, ontologia, dialética.
I
NTRODUÇÃO
 A reflexão entre a relação do ser e do nada só encontra lugarno pensamento de sobrevôo, afirma Merleau-Ponty. Esse pensa-mento de sobrevôo quer descrever o nada como ser. Quer afirmarque o nada não é nada, mas uma certa condição do nada a ser, oupelo menos a vir a ser objeto de alguma coisa, porque o nada estáinscrito no ser. “O Ser tem necessidade do nada para vir ao mundo,e reciprocamente. Essa dupla relação define o Ser e ela não ésuscetível de trabalho, de fecundidade, de mediação” (M
ERLEAU
-P
ONTY 
, 2000, p. 222). Assim, as relações entre o ser e o nada não revelam quasenada, mas o objeto é, enquanto o ser e o nada são testemunhodesse esvaziamento do ser no mundo. O homem está escrito nessarelação, seja como paixão vã ou
paixão inútil 
(S
 ARTRE
, 1943, p. 708). A paixão, afirma Merleau-Ponty, é o retirar o véu das coisas comomero objeto, como coisificação de si mesmo, porque o homem é
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10 (1) : 1-22, jan./jun. 2005
 
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corroído pelo desejo do ser e tem nele mesmo a necessidade depreencher o vazio desse desejo inacabado. Mas o nada escorregaentre as mãos, não é compreendido em seu mistério. Essa paixãoinútil é vã, porque jamais um “poderá vir a ser o outro” (M
ERLEAU
-P
ONTY 
, 2000, p. 222). Nesse sentido, o homem é sempre um fracasso.Não existe diferença entre beber alguma coisa qualquer e ser umpolítico. O “sujeito engaja-se totalmente porque, sendo nada, precisacaminhar em direção ao mundo, onde tudo é interessante” (p. 223).O engajamento é imotivado e nunca é inteiramente efetivo porque,no fundo, não existe uma diferença entre uma reflexão filosóficaque vincula o homem ao exterior e uma reflexão filosófica que odistingue por completo dessa vinculação, às vezes, desvelando oenigma do ser.Portanto, a reflexão nunca é um mero regresso a um sujeitoabsoluto detentor das chaves do mundo; ela não possui os elementosconstitutivos do objeto atual, como também não pode examiná-lopor todos os lados. Mas é preciso tomar consciência do mundomediante um contato, mediante uma freqüentação que inicialmenteexcede os seus poderes de compreender as coisas, simplesmente,pela reflexão absoluta que temos sobre elas.Desse modo, as razões jamais nos impelem a recusar a própriaevidência perceptiva. E que ela, ao se confundir com as razões “quetemos para devolver-lhe algum valor depois que foi abalada”(M
ERLEAU
-P
ONTY 
, 1971, p. 58), nos força a admitir que a fé perceptiva“sempre foi resistência à dúvida, e o positivo, negação da negação”(p. 58). O pensamento reflexivo transforma o apelo ao interiorcomo uma recusa aquém do mundo, conduz a fé no mundo para ascoisas ditas como
explicitação,
que é uma “transformação semretorno, repousa sobre si própria, sobre a fé perceptiva de que elapretende nos dar o teor e a medida” (p. 58). Nesse caso, “creio nomundo e nas coisas que acredito na ordem e na conexão de meuspensamentos” (p. 58).Esse pensamento reflexivo, fundado na abertura do mundopela percepção, reivindica para si uma nova freqüentação ingênua
 
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O VISÍVEL E O INVISÍVEL
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do mundo e concebe de maneira diferente as noções do ser-sujeitoe do próprio-ser no horizonte do mundo, onde, diante do filósofo,somos levados a dizer as “razões para acreditar que ele procura emsi mesmo, em seus pensamentos, aquém do mundo” (M
ERLEAU
-P
ONTY 
, 1971, p. 58). Esse mesmo pensamento reflexivo busca o quequerem dizer para nós
as coisas,
na sua abertura inicial de
transcendente
e, ao mesmo tempo, estranha de toda interioridade.Para que esse pensamento obtenha sua abertura é necessário esvaziaro ser-sujeito “de todos os fantasmas de que a filosofia o entulhou”(p. 59). É mister assegurar meu acesso às próprias coisas e, porconseguinte “purificar inteiramente a minha noção de subjetivi-dade” (p. 59). No fundo – diz Merleau-Ponty – só há duas idéias dasubjetividade. A primeira é a da subjetividade vazia, desligada,universal, e a outra a da subjetividade plena, insinuada no mundo.Sartre parte dessa idéia do nada que
vem ao mundo
, que o nada bebeo mundo, que o nada “precisa do mundo para ser o que quer seja,mesmo nada, e que, no sacrifício que de si mesma, faz ao ser,permanece estrangeiro ao mundo” (M
ERLEAU
-P
ONTY 
, 1962, p. 230). Através dessa intuição do ser, como plenitude absoluta eabsoluta possibilidade, Sartre pensa explicitar nosso acesso primordialàs coisas “como uma ação impensável das coisas sobre nós” (M
ERLEAU
-P
ONTY 
, 1971, p. 59). No instante mesmo em que me concebo comonegatividade e gero o mundo como possibilidade, não existe maisinteração, “caminho eu próprio diante de um mundo maciço; entreele e mim não há encontro nem fricção, portanto ele é o Ser e eunada sou” (p. 59). Assim, o que se diz do ser, do mesmo modo, se diz do nada,eles se identificam, são o “direito e o avesso do mesmo pensamento”(p. 60), pois somos e permanecemos inversos e confundidos,“precisamente porque não somos da mesma ordem” (p. 59).Tratar de pensar o negativo como objeto de pensamento, ousimplesmente tentar dizer
o que é,
não é pensá-lo como negativo,mas “é fazer dele uma espécie de ser mais sutil ou delicado, éreintegrá-lo no ser” (p. 60). Ora só podemos pensar o negativo

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