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A Antropologia No Brasil - Um Roteiro Por j. c. Melatti

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Série Antropologia
38
A Antropologia no Brasil:Um Roteiro
Julio Cezar Melatti
Fascículo escrito originalmente para integrar acoleção Curso de Introdução à Antropologia, peloConvênio Fundação Universidade de Brasília/OpenUniversity, que não chegou a ser publicada.Republicado no
 Boletim Informativo e Biblio- gráfico de Ciências Sociais
(BIB), nº 17, pp. 1-92,Rio de Janeiro, ANPOCS, 1984, com poucas modi-ficações. Novamente republicado em
O que se Deve Ler em Ciências Sociais no Brasil 
, vol. 3, pp. 123-211,São Paulo: Cortez e ANPOCS, 1990.Esta nova digitação da Série Antropologia, feitaem 2007, inclui as modificações do BIB e umas poucas correções.
Brasília1983
 
Índice
1.
 
Cronistas
...............................................................................................................3
2.
 
Etnologia
...............................................................................................................42.1. Até os anos 30...................................................................................................52.1.1. Transição para a Etnologia...................................................................52.1.2. A predominância alemã na Etnologia indígena....................................82.2. Dos anos 30 aos 60..........................................................................................112.2.1. Interpretações gerais do Brasil...........................................................122.2.2. Os estudos de mudança social, mudança cultural ou aculturação......132.2.3. Predominância do funcionalismo no estudo das culturase sociedades indígenas........................................................................152.2.4. Os estudos de comunidade.................................................................172.2.5. A abordagem funcionalista do folclore..............................................192.2.6. Relações sociais entre negros e brancos.............................................192.3. A partir dos anos 60........................................................................................212.3.1. Fricção interétnica e etnicidade..........................................................222.3.2. As sociedades indígenas como totalidades socioculturais..................252.3.3. Mitologia e ritual como sistemas ativos.............................................262.3.4. Estudos regionais e estudos em comunidades....................................282.3.5. Antropologia Urbana..........................................................................312.3.6. Artes e artesanato................................................................................33
3.
 
Arqueologia
.............................................................................................................343.1. Até os anos 50.................................................................................................343.2. A partir dos anos 50........................................................................................35
4. Lingüística
.............................................................................................................38
 
4.1. Até os anos 50.................................................................................................394.2. A partir dos anos 50........................................................................................40
5.
 
Antropologia Física
...................................................................................................415.1. De 1860 a 1910...............................................................................................425.2. De 1910 a 1930...............................................................................................435.3. De 1930 a 1950...............................................................................................445.4. A partir de 1950..............................................................................................45
6. Ensino, intercâmbio e divulgação
............................................................................47
7.
 
Bibliografia
.............................................................................................................502
 
Talvez a melhor maneira de dar conta do desempenho da Antropologia no Brasilseja traçar-lhe a história. Seria, porém, temerário tentar fazê-lo dentro dos limites deespaço e de tempo de que aqui dispomos, uma vez que essa tarefa exigiria o examecuidadoso de um número razoavelmente grande de livros e artigos que se vêmacumulando por mais de cem anos de atividade.Entretanto, uma vez que vários antropólogos e cientistas de áreas afins têmelaborado, ao longo desses anos, avaliações, comentários sobre períodos, orientações,temas, autores, relacionados ao desenvolvimento da Antropologia em nosso país,optamos por organizar um roteiro, curto, provisório e inevitavelmente cheio de falhas,em que procuramos encadear e aproveitar esses já numerosos trabalhos críticos e bibliográficos, cuja consulta recomendamos, arrolando-os no final deste trabalho.O leitor notará que um maior espaço é dedicado à Etnologia. Isso decorre de duasrazões: a existência (pelo menos é esta a nossa impressão) de um maior número detrabalhos e um mais amplo leque de temas etnológicos explorados do que de temasreferentes a outros ramos da Antropologia; e por ser este roteiro elaborado para umCurso que tem um interesse mais forte na Etnologia.
1. Cronistas
É comum entre os antropólogos brasileiros chamar de “cronistas” aqueles autoresque, apesar de não serem cientistas sociais, seja porque as Ciências Sociais ainda nãoexistissem, seja porque eles se dedicas
sem
a outros misteres, deixaram relatos em queregistram suas experiências com a população de determinados locais ou regiões doBrasil e suas observações a respeito dela. São, pois, cronistas, numerosos navegadores,missionários, diplomatas, empresários, militares, naturalistas, que, desde o momento emque Cabral tocou o litoral brasileiro até o presente século, visitaram o Brasil, ou aquimoraram temporariamente, ou mesmo chegaram a se estabelecer, deixando o registro deseus contatos com a população. Por conseguinte, a conhecida carta de Pero Vaz deCaminha teria sido a primeira dessas “crônicas”.Se tais autores não foram propriamente antropólogos, porque tratar deles nesteroteiro? É que, na inexistência ou ausência do cientista social, eles nos deixaramregistros de observações diretas, espontâneas, ainda que não controladas. Somente osnaturalistas tinham sido educados de maneira a manter uma certa disciplina em suasobservações, mas, de qualquer maneira, ao lidar com fenômenos sociais, deparavamcom um objeto cujas peculiaridades não permitem o mesmo tratamento que osfenômenos físicos e biológicos.O sociólogo Florestan Fernandes, que escreveu duas excelentes monografias sobreos Tupinambás, povo indígena que se extinguiu no século XVII, teve o cuidado de procurar demonstrar num artigo (Fernandes, 1949) como é rica a informação que oscronistas deixaram sobre esse povo e como é possível fundamentar sobre ela umareconstituição do sistema social Tupinambá, como ele fez, utilizando-se, no caso, dométodo funcionalista. Para mostrar a consistência do conteúdo etnográfico do relato doscronistas, Fernandes se demora no exame das informações e descrições que deixaramsobre a situação do prisioneiro no grupo local inimigo. Seu artigo é reforçado por duasgrandes tabelas em que assinala a presença ou não de informações, no relato de cadacronista que tratou dos Tupinambás, sobre tópicos do sistema guerreiro desse povo e onúmero de aspectos tratados em cada tópico.Outra interessante crítica dos cronistas foi a que Thekla Hartmann escreveu arespeito dos desenhos feitos por eles, ou por desenhistas que os acompanharam, no final3

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