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Costa, Sérgio. A Construção Sociológica da Raça no Brasil

Costa, Sérgio. A Construção Sociológica da Raça no Brasil

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A Construção Sociológica daRaça no Brasil
1
Sérgio Costa
Resumo
Partindo da constatação de que as adscrições raciais no Brasil im- plicam desigualdades sociais que podem ser reunidas de sorte a definir dois grupos populacionais polares, brancos e não brancos, alguns es tu- dos raciais adotam o conceito (não biogico) de raça como categoria so- ciogica e polí tica ampla. Válida e mesmo imprescindí vel no âmbito do estudo das desigualdades raciais, a categoria raça, quando transformada em instrumento geral de análise e desiderato normativo, leva a uma com- preensão incompleta da formação nacional brasileira, a uma visão ob je- tivista das relações sociais e à redução das identidades sociais a sua di- mensão polí tico-instrumental.
Palavras-chave
: desigualdades raciais, identidade cultural, re co nheci- mento social no Brasil
 Estudos Afro-Asiáticos
,
Ano 24, n
º
1, 2002, pp. 35-61
Revista Estudos Afro-Asiáticos1ª Revisão: 20.05.20022ª Revisão: 24.06.2002Cliente: Beth Cobra – Produção: Textos & Formas
 
Abstract
The Sociological Construction of Race in Bra zil
Establishing positively that race records in Brazil lead up to social inequalities that might permit a definition of two basic population groups – whites and non-whites –, some racial studies adopt the concept (non-biological) of race as a general sociological and political ca tegory. The race category, although essential for the studies of race inequalities, when transformed in a general instrument of analysis and normative desideratum, leads to an incomplete comprehension of the Brazilian national formation, to an ob jectivist vision of the race relations and to a reduction of the social identities to its political-instrumental dimension.
Keywords
: race inequalities, cultural identity, social acknowledgement in Brazil, race categories.
su
 La Construction Sociologique du Concept de Race au Bré sil
Après avoir constaté que les façons dont la notion de race a été construite au Brésil impliquent des inégalités sociales qui peuvent être assemblées de sorte à définir deux grands groupes de populations, Blancs et non-Blancs, quelques études sur les races ont adopté le concept (non pas sous l’aspect biologique) de race comme large cagorie sociale et politique. Bien qu’utile, voire incontournable, en ce qui concerne l’étude des inégalités raciales, la cagorie race – lorqu’elle est prise en tant qu’instrument géral d’analyse voué à dicter des normes – mène à une compréhension incomplète de la formation nationale brésilienne, à une vision ob jectiviste des rapports sociaux ainsi qu’à une réduction des identités sociales à leur dimension politique et instrumentale.
Mots-clé
: inégali tés raciales, identité culturelle, reconnaissance sociale au Brésil
Sérgio Costa
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Revista Estudos Afro-Asiáticos1ª Revisão: 20.05.20022ª Revisão: 24.06.2002Cliente: Beth Cobra – Produção: Textos & Formas
 
O primei ro ato moral consiste em não sobrepor a dupla do bem e do mal à dupla do ‘eu’ e do ‘outro’. (Tzevan Todorov).
T
anto pelos bons quanto pelos maus motivos a formação na- cional brasileira desde muito interessou pesquisadores e ideólogos para além das fronteiras nacionais. A mitologia da bra si- lidade mestiça, integradora de todas as etnias e ponto de equi lí brio das diferenças culturais, canonizada por Gilberto Freyre em
CasaGrande & Sen zala
, constituiu, em muitos momentos da hisria recente, a imagem contrastiva, ora latente, ora intrigante, dos dis- cursos identirios em nações que, sob todos os demais aspectos, pareciam, a seus próprios membros, muito melhores que o Brasil. Assim, no âmbito do “Pro jeto Unesco”, conforme se lê na re cons- trução esclarecedora de Maio (2000), as Nações Unidas buscavam estudar e apresentar ao mundo aquilo que se considerava uma ex- periência “singular e bem-sucedida” de acomodação de diferenças raciais e étnicas. Anos antes, por razões opostas, o modelo bra si lei- ro havia interessado aos pesquisadores raciais do Terceiro Reich (Krieger, 1940). Trata-se, nesse âmbito, da condenação entica e veemente do feste jamento polí tico da “mistura racial” e da ênfase na necessidade de preservação da “integridade getica” dos bran- cos de ascendência ariana, aos quais caberia liderar o processo de condução do Brasil ao desenvolvimento. Tratado, portanto, numa perspectiva hisrica, a crí tica con-  junta do sociólogo francês Pierre Bourdieu, recentemente fa le ci- do, e do antrologo Loïc Wacquant (Bourdieu & Wacquant, 1998) à nova geração de pesquisadores estadunidenses e bra si lei- ros dedicados ao estudo das “relações raciais” no Brasil não chega propriamente a constituir uma novidade. O que há de novo na po- mica é que o caso brasileiro é tomado pelos dois intelectuais fran- ceses com o ob jetivo de demonstração empí rica da tese mais am pla que procuram desenvolver, a saber, a constatação da existência de
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Revista Estudos Afro-Asiáticos1ª Revisão: 20.05.20022ª Revisão: 24.06.2002Cliente: Beth Cobra – Produção: Textos & Formas

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