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EVOLUÇÃO DO DIREITO URBANISTICO_DEBORA COSTA

EVOLUÇÃO DO DIREITO URBANISTICO_DEBORA COSTA

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Published by: Debora Schioser Costa on Jun 28, 2012
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12/11/2014

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2- De que maneira o paradigma do Código Civil é prejudicial aosesforços de planejamento urbano e ambiental pelo poder público?Em que medida o Código Civil de 2003 tratou da questão de maneiradiferente?
Historicamente a propriedade vem sendo tratada como algo de caráterindividual, algo isolado dentro da cidade, onde o Estado não pode intervir oudar diretrizes para seu desenvolvimento social. O Código Civil de 1916 tinhaum caráter individualista, que se preocupava apenas em “proteger” o bem jurídico da atuação violenta e abusiva do Estado.A partir de 1930, com a industrialização, combinada com a migração campo-cidade os camponeses buscavam melhores condições de vida e de cidadania.A cidade não comportou o aumento populacional urbano vivido nessa época,pois não tinha parâmetros e diretrizes jurídicas que regulamentavam osavanços urbanos. A vida nas cidades mudou muito e os estudos e soluçõespara esses problemas sempre foram deixados de lado. Assim o direito quedevia ter um papel garantidor da Justiça, passava a ter um papel garantidorde liberdades negativas (propriedade privada urbana).Ao passar dos anos o paradigma de propriedade individual continuou, tinhadisposições que interessavam a classe dominante e caracterizava por umavida comum de disputas pela propriedade e pela riqueza, o Estado não podiaintervir na economia e alem disso não existia uma legislação que tratava dasquestões urbanas.Na década de 50/60 o pouco de planejamento urbano era pensado entremercado especulativo, política (troca de favores) e legislação urbanística,gerando muita ilegalidade e excluo social. Problema este que foi searrastando e atualmente nota-se problemas graves de planejamento urbano edesenvolvimento socioecomico. Muitas pessoas ainda se sentemprejudicadas, vivendo em sua própria burguesia, acreditando que suapropriedade é individual e que não há necessidade de se pensar nas outrasclasses. Esse pensamento, de ser um município rico e resolvido, com amentalidade individualista, acaba por expulsar os mais pobres, através dePlanos Diretores distorcidos e leis excludentes. Por exemplo, um caso nacidade em que resido (Jundiaí) que na década de 60 aprovou um plano diretorcompletamente excludente, fazendo com que a população escolhesse entremorar na irregularidade em Jundiaí ou comprar meio lote na cidade vizinha,Várzea Paulista, causando um inchaço urbano na cidade que não tinhacondições de absorver toda essa população (que foi em busca de melhorescondições de habitabilidade), por falta de infra estrutura urbana. Ainda hoje omunicípio tem muitos problemas habitacionais devido essa época. Todo esse paradigma do Código Civil faz com que as pessoas pensem sempreindividualmente na sua propriedade não levando em conta as legislações deordenamento territorial, nem a função social de sua propriedade, apenas seimportando com seus direitos e deveres, mas não se inserindo na cidade,
 
sendo assim o planejamento urbano-ambiental fica limitado a olhar apropriedade como algo isolado do todo.Esse paradigma individualista já não existe mais nas leis (teoria), porém amaioria dos gestores municipais ainda não conseguiu fazer a lei entrar emvigor como deveria, muitas vezes por falta de interesse e outras pelodesconhecimento. O Estatuto da Cidade foi uma vitória muito grande, ummarco no Direito Urbanístico, porem já aprovado a mais de 10 anos e aindapoucos municípios usam dessa importante ferramenta de planejamentourbano-ambiental.Muitos planos diretores, contendo muitas questões que tornam a propriedadecom função social, tais como zoneamento, perímetro urbano, índices deaproveitamento, etc, foram aprovados apenas para cumprir prazos e foramengavetados. Hoje o grande desafio é fazer esses planos diretores e osinstrumentos do Estatuto da Cidade neles contidos ser implementadosatravés de leis especificas e realmente entrar em vigor, mas para isso apopulação e o poder publico tem que deixar de lado o grande vilão (oretrocesso) para realmente funcionar.
4- Quais devem ser no seu entender, as bases de um novo paradigma jurídico para orientar a ação do poder público e da sociedade no quetoca ao controle do processo de desenvolvimento urbano-ambiental?
O novo paradigma ideal é baseado no Estatuto da Cidade, buscandosolucionar o déficit habitacional, o transporte publico, a segurança, o meioambiente, a informalidade, as cidades fragmentadas, o problema dacidadania como um todo. A Lei do Estatuto da Cidade implantada de formacorreta, com uma visão social e não individual seria o novo paradigma dodireito urbanístico a ser seguido, para resolver a questão habitacional, porémainda muitos relutam para isto.Devemos lutar pelo equilíbrio entre mercado, sociedade e Estado, fazendonovos pactos intergovernamentais, incentivando a população a participar elutar pelos seus direitos, gerando uma gestão urbana menos excludente.A propriedade não pode ser destinada a especulação imobiliária, é necessárioque ela arque com suas valorizações e benefícios. Com a propriedade decater individualista, a especulação imobilria ficava mais cil deacontecer, uma vez que os interesses de seus proprietários falava mais alto,sendo que ele não podia ser cobrado para dar um uso adequado para a área.Hoje, com o Estatuto da Cidade, esse tipo de especulação imobiliáriaconsegue ser controlada uma vez que existem instrumentos jurídicos paraisso, que também muitos ainda não acataram.Cabe dizer que o Estatuto da Cidade em sua teoria seria o ideal urbanístico esocial, porém ainda não é uma lei implantada na realidade urbana e social damaioria dos municípios e isso seria realmente a base do novo paradigma.

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