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1 Cinco Ideias Equivocadas Sobre Indios PalestraCENESCH

1 Cinco Ideias Equivocadas Sobre Indios PalestraCENESCH

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CINCO IDÉIAS EQUIVOCADAS SOBRE OS ÍNDIOS
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José Ribamar Bessa Freire
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Introdução
Gostaria de iniciar a minha fala informando vocês sobre o lugar de onde estou falando. Sou ex-professor da Universidade do Amazonas, onde trabalhei de 1977 a 1986, inicialmente no cursode Comunicação Social e depois no curso de História, onde lecionei as disciplinas Etnohistória eHistória do Amazonas. Fui fundador e primeiro editor do
Porantim
, jornal do CIMI – ConselhoIndigenista Missionário, dedicado à causa indígena. Atualmente, sou professor da UERJ –Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde coordeno desde 1992 o Programa de Estudosdos Povos Indígenas. Na palestra de hoje, vou falar um pouquinho sobre o meu trabalho e,depois, penso refletir com vocês sobre cinco idéias equivocadas que muita gente no Brasil aindatem quando se refere aos índios.É importante discutir essas idéias equivocadas, porque com elas não é possível entender o Brasilatual. Se nós não tivermos um conhecimento correto sobre a história indígena, sobre o que
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Palestra proferida no dia 22 de abril de 2002 no curso de extensão de gestores de cultura dos municípios do Rio deJaneiro, organizado pelo Departamento Cultural. Parte dela havia sido tema de uma conferência em 22 de março de2000, gravada e transcrita pelo Centro de Estudos do Comportamento Humano (CENESCH), de Manaus (Am).Decidimos manter, no texto escrito, as marcas da oralidade, para preservar a estrutura do texto original. As duasinstituições – UERJ e CENESCH – publicaram o artigo em suas respectivas revistas. FREIRE, J.R. Bessa.
Cincoidéias equivocadas sobre o índio. In
Revista do Centro de Estudos do Comportamento Humano (CENESCH). Nº01 – Setembro 2000. P.17-33. Manaus-Amazonas. FREIRE, J.R. Bessa.
A herança cultural indígena: quem sãoos herdeiros?. In
CONDURU, R. e SIQUEIRA, V. B – Políticas públicas de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.Rio. Sirius/FAPERJ. 2003. Esta última versão, preparada em 2009, com algumas mudanças e acréscimos, é oresultado das oficinas realizadas com professores da rede pública de ensino para a implementação da Lei 11.645 demarço de 2008, uma delas em Japeri, em parceria com o professor Aloísio Monteiro da UFRRJ.
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Professor da Faculdade de Educação da UERJ e coordenador, desde 1992, do Programa de Estudos dos PovosIndígenas. Professor do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Riode Janeiro –UNI-Rio.
 
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aconteceu na relação com os índios, não poderemos explicar o Brasil contemporâneo. Associedades indígenas constituem um indicador extremamente sensível da natureza da sociedadeque com elas interage. A sociedade brasileira se desnuda e se revela no relacionamento com ospovos indígenas. É ai que o Brasil mostra a sua cara. Nesse sentido, tentar compreender associedades indígenas não é apenas procurar conhecer “o outro”, “o diferente”, mas implicaconduzir as indagações e reflexões sobre a própria sociedade em que vivemos.No entanto, constatamos que muito pouco foi feito para conhecermos a história indígena. Aprodução de conhecimentos nesta área não condiz com a importância do tema. As pesquisas sãode uma pobreza franciscana. O resultado disso é a deformação da imagem do índio na escola, nos jornais, na televisão, enfim na sociedade brasileira. Por que nós não temos história indígena? Porque os próprios cursos universitários de História não têm a disciplina história indígena nos seuscurrículos? Durante muito tempo, a academia justificou a ausência de pesquisas, alegando quenão existem documentos escritos relacionados à história indígena. A USP tentou verificar se issoera verdade e, em 1991, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha elaborou um projeto deâmbito nacional, dirigido pelo historiador John Monteiro. Coordenei este projeto no Rio deJaneiro, trabalhando com uma equipe de 12 pesquisadores. Nós passamos dois anos e meiovasculhando 25 grandes arquivos do Rio de Janeiro, procurando manuscritos sobre a históriaindígena.O resultado foi surpreendente. O Rio de Janeiro, como antiga capital, tem arquivos cujos acervosnão se limitam ao local, ao regional, mas cobrem todo o Brasil. O Arquivo Nacional, porexemplo, com essa denominação, dá uma idéia de sua abrangência. A Biblioteca também éNacional. O Instituto Geográfico e Histórico é Brasileiro, e assim por diante. No Rio estão osarquivos do Itamaraty, do Ministério do Exército, da Marinha, arquivos religiosos como o doMosteiro de São Bento ou o dos Capuchinhos, registrando informações sobre os índios em todo opaís. Num trabalho paciente, a equipe encontrou milhares de documentos sobre índios. A USPpublicou um livro com o resultado geral da situação dos arquivos nas capitais brasileiras. AUERJ publicou outro livro
Os Índios em Arquivos do Rio de Janeiro,
em dois tomos que estãoaqui, em minhas mãos. Estamos doando este exemplar para a biblioteca do CENESCH. Sehouver interesse, podemos conversar mais sobre isso na hora do debate. É um trabalho que serve
 
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de guia para os pesquisadores, porque diz para eles onde estão os documentos. Ele tem sidoconsultado por muitos estudiosos de universidades americanas, européias e brasileiras, entre osquais alguns professores da Universidade do Amazonas, como Luis Balkar Sá Peixoto Pinheiro,que defendeu em São Paulo tese de doutorado sobre a cabanagem, um importante movimento deresistência do século XIX e Francisco Jorge dos Santos, cuja dissertação de mestrado é sobre asguerras e rebeliões indígenas na Amazônia do século XIX.Quando fizemos essa pesquisa, encontramos documentos sobre índios em todo o territórionacional, desde 1500 até os dias de hoje, mas o que nos interessava mais de perto era o Rio deJaneiro. Descobrimos que no estado do Rio de Janeiro, até o início do século XX, existiam aindagrupos resistindo. No noroeste fluminense, na serra das Frecheiras, em 1830-40, índios Puri,Coroado e Coropó estavam nas mesmas condições que os Yanomami há 40 anos: sem maiorescontatos com a sociedade regional. Então, localizamos no mapa do Rio de Janeiro, no séculopassado, 15 aldeias. E aí procuramos saber como e porque esses índios foram varridos do mapa,o que afinal tinha acontecido com eles. Pensamos o seguinte: ora, se ainda no século passadoexistiam 15 aldeias indígenas, então é provável que hoje ainda pudéssemos encontrardocumentos nas cidades onde essas aldeias estavam situadas.Com esta probabilidade, organizamos outro projeto de pesquisa. Formamos uma equipe comalunos da UERJ, percorremos quinze cidades do interior do Rio de Janeiro, fuçando pequenosarquivos paroquiais, cartoriais e municipais. E aí fomos gratificados, porque encontramos umamassa expressiva de documentos nos livros de batismo, de casamento e de óbitos, nos processos judiciais e na documentação cartorial. Exploramos parte desse material, analisamos adocumentação e publicamos este livro aqui –
Os Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro
– queé um livro paradidático, destinado aos alunos das escolas de 1º e 2º graus. Também estamosdoando este exemplar para a biblioteca do CENESCH. Nos dois últimos anos, meu trabalhoconsiste em percorrer os municípios do Rio, fazendo oficinas com professores de História, queestão usando este livro na sala de aula. Desta forma, com esse trabalho de formiguinha,mpretendemos contribuir para mudar a imagem preconceituosa dos índios que, de uma formageral, é veiculada pela escola. Mas é necessário aprofundar a pesquisa.

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