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O Modelo Padrão da Física de Partículas

O Modelo Padrão da Física de Partículas

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Revista Brasileira de Ensino de ısica,
v. 31, n. 1, 1306 (2009)www.sbfisica.org.br
O Modelo Padr˜ao da F´ısica de Part´ıculas
(The Standard Model of Particle Physics)
Marco Antonio Moreira
1
Instituto de F´ısica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil 
Recebido em 28/11/2007; Revisado em 17/7/2008; Aceito em 26/2/2009; Publicado em 30/4/2009Inicialmente, apresenta-se, de modo simplificado, o Modelo Padr˜ao como uma teoria sofisticada que identificaas part´ıculas elementares e suas intera¸oes. Depois, no ˆambito dessa teoria, focalizam-se aspectos - o v´acuo n˜ao ´e vazio; part´ıculas nuas e vestidas; mat´eria escura e vento escuro; mat´eria e antimat´eria; o campo e o oson deHiggs; neutrinos oscilantes - que podem ser motivadores do ponto de vista do ensino e da aprendizagem da f´ısica.Finalmente, discute-se a prov´avel supera¸ao dessa teoria por outra mais completa.
Palavras-chave:
Modelo Padr˜ao, part´ıculas elementares, ensino de f´ısica.Initially, the Standard Model is presented, in a simplified way, as a sophisticated theory that identifies theelementary particles and describes how they interact. Then, within the scope of this theory, some aspects -the vacuum is not empty; naked and dressed particles; dark matter and dark wind; matter and antimatter; theHiggs field and the Higgs boson; oscillating neutrinos - are approached as motivating topics for the teaching andlearning of physics. Finally, the eventual superseding of this theory by a more complete one is discussed.
Keywords:
Standard Model, elementary particles, physics teaching.
1. O Modelo Padr˜ao da F´ısica de Part´ı-culas
O chamado
Modelo Padr˜ ao
das part´ıculas elementaresao ´e propriamente um modelo, ´e uma teoria. E dasmelhores que temos. Ali´as, na opini˜ao de muitos f´ısicos,a melhor de todas sobre a natureza da mat´eria. Porexemplo, segundo Gordon Kane [1], um f´ısico toricoda Universidade de Michigan:...o Modelo Padr˜ao ´e, na hist´oria, a maissofisticada teoria matem´atica sobre a na-tureza. Apesar da palavra “modelo” em seunome, o Modelo Padr˜ao ´e uma teoria com-preensiva que identifica as part´ıculas asicase especifica como interagem. Tudo o queacontece em nosso mundo (exceto os efeitosda gravidade) resulta das part´ıculas do Mo-delo Padr˜ao interagindo de acordo com suasregras e equa¸oes. (p. 58)De acordo com o Modelo Padr˜ao,
eptons
e
quarks
ao part´ıculas verdadeiramente elementares, no sentidode n˜ao possu´ırem estrutura interna. Part´ıculas queem estrutura interna ao chamadas de
h´ adrons
; aoconstitu´ıdas de quarks:
b´ arions
quando formadas portrˆes quarks ou trˆes antiquarks, ou
esons
quando cons-titu´ıdas por um quark e um
antiquark 
.
2
a seis eptons (
eetro
,
m´ uon 
,
tau 
,
neutrino doeetro
,
neutrino do m´ uon e neutrino do tau 
) e seisquarks [quark
up
(
) quark
down 
(
), quark
charme
(
), quark
estranho
(
s
), quark
bottom 
(
) e quark
top
(
)]. Por´em, os quarks tˆem uma propriedadechamada
cor 
3
e podem, cada um, apresentar trˆes cores(vermelho, verde e azul). a, portanto, 18 quarks.Contudo, como a cada part´ıcula corresponde uma an-tipart´ıcula,
4
existiriam no total 12 eptons e 36 quarks.O el´etron ´e o epton mais conhecido e o pr´oton eo eutron os adrons mais familiares. A estrutura in-terna do pr´oton ´e
uud 
, ou seja, dois quarks
e um
;a do eutron ´e
udd 
, isto ´e, dois quarks
e um
. Om´eson
π
+
´e formado por um antiquark
e um quark
, o eson
π
´e constitu´ıdo por um antiquark
e umquark
. E assim por diante, ou seja, a grande maio-ria das chamadas part´ıculas elementares s˜ao h´adrons eestes s˜ao formados por trˆes quarks ou trˆes antiquarks
1
E-mail: moreira@if.ufrgs.br,
www.if.ufrgs.br/
 moreira
.
2
Antiquark ´e a antipart´ıcula do quark.
3
Trata-se de uma propriedade, n˜ao uma cor propriamente dita. Vermelho, verde e azul s˜ao apenas aspectos dessa propriedade. Assimcomo a carga el´etrica, que ´e tamb´em uma propriedade de certas part´ıculas, pode ser positiva ou negativa, a propriedade cor, que poderiaser chamada de carga cor, apresenta trˆes variedades que foram chamadas de vermelho, verde e azul.
4
De um modo geral, uma antipart´ıcula tem a mesma massa e o mesmo spin da part´ıcula em quest˜ao, por´em cargas opostas.
Copyright by the Sociedade Brasileira de F´ısica. Printed in Brazil.
 
1306-2
Moreira 
(b´arions) ou por um quark e um antiquark (m´esons).Em princ´ıpio, a teoria dos quarks, a CromodinˆamicaQuˆantica, n˜ao proibe a existˆencia de part´ıculas com es-trutura mais complexa do que trˆes quarks, trˆes anti-quarks ou um par quark-antiquark. Todavia, apenasrecentemente [2] f´ısicos experimentais em apresentadoevidˆencias de part´ıculas com cinco quarks, ou seja,
pen-taquarks
, como o
teta mais
, formado por quatro quarkse um antiquark. Mas isso ainda depende de resultadosexperimentais adicionais.Uma caracter´ıstica peculiar dos quarks ´e que elesem carga el´etrica fracion´aria, (+ 2/3
e
) para algunstipos e (-1/3
e
) para outros. No entanto,
quarks nunca  foram detectados livres, est˜ ao sempre confinados
emadrons, de tal modo que a soma alg´ebrica das car-gas dos quarks que constituem um determinado h´adron´e sempre um ultiplo inteiro de
e
. O pr´oton, por exem-plo, ´e formado por dois quarks de carga (+2/3
e
) e umquark de carga (-1/3
e
) de modo que sua carga ´e (2/3,+2/3, -l/3)
e
, ou, simplesmente,
e
. Quer dizer, o quan-tum da carga el´etrica continua sendo
e
(1,6
×
10
19
C).Resumindo, segundo o Modelo Padr˜aoa grande quantidade de part´ıculas ele-mentares at´e hoje detectadas, cerca de 300,em aceleradores/colisores de part´ıculas ouem raios c´osmicos, pode ser agrupada emeptons, quarks e adrons ou em eptons eadrons, visto que os quarks s˜ao constitu-intes dos adrons ou, ainda, em eptons,arions e esons, pois os adrons podemser divididos em b´arions e esons.Mas como foi dito no in´ıcio, o Modelo Padr˜ao ´e umateoria compreensiva que identifica as part´ıculas asicase especifica como elas interagem. Vamos ent˜ao `as in-tera¸oes.a na natureza quatro tipos de intera¸oes fun- damentais:
gravitacional 
,
eletromagn´etica 
,
forte
5
e
 fraca.
Cada uma delas ´e devida a uma propriedadefundamental da mat´eria:
massa 
(intera¸ao gravita-cional),
carga eetrica 
(intera¸ao eletromagn´etica),
cor 
(intera¸ao forte) e
carga fraca 
(intera¸ao fraca). Sechamarmos cada uma dessas propriedades de carga te-remos quatro cargas:
carga massa 
,
carga el´etrica, carga cor 
e
carga fraca.
Assim sendo, h´a tamb´em quatro for¸cas fundamen-tais na natureza:
for¸ca gravitacional 
,
for¸ca eletromag-etica 
,
for¸ca cor 
6
e
for¸ca fraca.
Todas aquelas for¸casque parecem ser distintas - como for¸cas el´asticas, for¸cas de atrito, for¸cas intermoleculares, interatˆomicas, in-teriˆonicas, for¸cas de viscosidade, etc. - s˜ao casos parti- culares ou resultantes dessas quatro for¸cas fundamen-tais.Mas como se d´a a intera¸ao? Quem “transmite a mensagem” da for¸ca entre as part´ıculas interagentes?Isso nos leva `as
part´ıculas mediadoras
ou
part´ıculas de for¸ca 
ou, ainda,
part´ıculas virtuais.
As interoes fundamentais ocorrem como se aspart´ıculas interagentes “trocassem” outras part´ıculasentre si. Essas part´ıculas mediadoras seriam os
f´ otons
na intera¸ao eletromagn´etica, os
gl´ uons
na intera¸aoforte, as
part´ıculas W e
na intera¸ao fraca e os
gr´ avitons
(ainda n˜ao detectados) na intera¸ao gravita- cional. Quer dizer, part´ıculas eletricamente carregadasinteragiriam trocando f´otons, part´ıculas com carga corinteragiriam trocando gl´uons, part´ıculas com cargafraca trocariam part´ıculas W e Z enquanto part´ıculascom massa trocariam gr´avitons.As part´ıculas mediadoras podem ao ter massa,mas em energia,
7
ou seja, s˜ao pulsos de energia. Porisso, ao chamadas de virtuais. Dos quatro tipos depart´ıculas mediadoras,
8
as do tipo W e Z em massa,mas ´e comum cham´a-las todas de part´ıculas virtuais.Poder-se-ia, ent˜ao, dizer que as part´ıculas demaeria ou part´ıculas reais
9
(l´eptons, quarks e adrons)interagem trocando part´ıculas virtuais (f´otons, gl´uons,
5
A intera¸ao forte pode ser dividida em
fundamental 
e
residual 
; a fundamental ´e a pr´opria intera¸ao forte, a residual decorre de balan¸cos imperfeitos das atra¸oes e repuls˜oes entre os quarks que constituem os h´adrons.
6
Assim como a intera¸ao forte pode ser distinguida entre
fundamental 
e
residual,
a for¸ca cor pode ser diferenciada em
for¸ca cor  forte
e
for¸ca cor residual.
Ou seja, a cada intera¸ao corresponde uma for¸ca, ent˜ao, se a intera¸ao forte pode ser interpretada como fundamental ou residual, correspondentemente, pode-se falar em for¸ca cor forte e for¸ca cor residual. A for¸ca cor residual pode ser entendida atrav´es de uma analogia com a for¸ca eletromagn´etica, a chamada for¸ca de Van der Waal’s, entre dois ´atomos neutros ou com a for¸ca intermolecular entre duas mol´eculas neutras. Assim como essas for¸cas resultam de um balan¸co imperfeito das atra¸oes e repuls˜oes entre as cargas el´etricas existentes nesses ´atomos e mol´eculas, a for¸ca forte entre duas part´ıculas sem cor (
i.e.
, neutras emrela¸ao `a propriedade chamada cor) ´e uma for¸ca (residual) decorrente de um balan¸co imperfeito das atra¸oes e repuls˜oes entre os quarks que constituem essas part´ıculas. [3, p.G-9]. Portanto a for¸ca forte entre h´adrons (part´ıculas sem cor) que est´a sendo aqui chamada de for¸ca cor residual ´e apenas uma manifesta¸ao de uma for¸ca mais forte e mais fundamental - a for¸ca cor - que atua entre quarks existentes dentro de cada h´adron.
7
Lembremos que h´a uma equivalˆencia entre massa e energia, respectivamente.
8
esons tamb´em podem atuar como part´ıculas mediadoras, mas no caso da intera¸ao forte residual. ao os quanta do campo mesˆonico, o qual n˜ao ´e um campo fundamental como o eletromagn´etico, o forte, o fraco e o gravitacional.
9
As part´ıculas que est˜ao aqui sendo consideradas reais porque em massa podem tamb´em ser virtuais como, por exemplo, os paresel´etron-p´ositron virtuais mencionados na se¸ao
o v´ acuo n˜ ao ´e vazio
, tudo depende da energia.
Part´ıculas reais podem ir de um pontoA a um ponto B, conservam energia e fazem clicks em contadores Geiger. Part´ıculas virtuais n˜ ao fazem nada disso. As part´ıculasmensageiras, ou part´ıculas de for¸ca, podem ser reais, mas mais frequentemente aparecem na teoria como virtuais, de modo que muitasvezes s˜ ao sinˆonimos, ou seja, considera-se que as part´ıculas mediadoras s˜ ao virtuais.
[4, p. 278]. Part´ıcula virtual ´e um construtoogico: part´ıculas podem ser criadas tomando energia “emprestada” de alguma fonte e a dura¸ao do empr´estimo ´e governada pela rela¸ao de incerteza de Heisenberg ∆
T > h/
2
π
, o que significa que quanto maior a energia “emprestada” menor o tempo que uma part´ıculavirtual pode existir (ibid). Por exemplo, se houver disponibilidade de energia, um el´etron pode emitir um f´oton real que far´a
click 
emum detector Geiger real (ibid). Em resumo, tanto as part´ıculas usuais (el´etrons, uons, quarks,...) como as part´ıculas mediadoraspodem reais ou virtuais, podem estar em um estado real ou virtual.
 
O Modelo Padr˜ ao da ısica de Part´ıculas
1306-3
W e Z, e gr´avitons). Aqui ´e preciso levar em contaque as part´ıculas de mat´eria podem ter mais de umacarga, de modo que experimentariam v´arias intera¸oes e for¸cas, mas o ˆambito da intera¸ao pode variar muito, a tal modo que em um determinado dom´ınio uma certaintera¸ao seja irrelevante. A for¸ca gravitacional, por exemplo, ´e negligenci´avel no dom´ınio subatˆomico. Querdizer, embora existam quatro intera¸oes fundamentais,quatro cargas e quatro for¸cas isso n˜ao quer dizer quetodas as part´ıculas tenham as quatro cargas e experi-mentem as quatro intera¸oes.Mas faltam os campos! Os quatro campos. Sabemosque, na gravita¸ao de Newton, um corpo com massa criaem torno de si um
campo gravitacional 
, um campo defor¸ca que exerce uma for¸ca sobre outro corpo massivo evice-versa. Analogamente, um corpo carregado eletri-camente, cria um
campo eletromagetico
(se estiver emrepouso, percebe-se apenas seu componente el´etrico, seestiver em movimento manifesta-se tamb´em o compo-nente magn´etico) e exerce uma for¸ca eletromagn´eticasobre outro corpo eletrizado e vice-versa.Da mesma forma, h´a o
campo da for¸ca forte
e o
campo da for¸ca fraca.
Ou seja, h´a quatro campos fun-damentais: o eletromagn´etico, o forte, o fraco e o gra-vitacional.
10
As part´ıculas mediadoras ao os quantados campos correspondentes: os f´otons s˜ao os quantado campo eletromagn´etico, os gl´uons s˜ao os quanta docampo forte, as part´ıculas W e Z do campo fraco e osgr´avitons seriam os quanta do campo eletromagn´etico.Em outras palavras, os quatro campos fundamentaisao o campo de f´otons (eletromagn´etico), o de gl´uons (forte), o de part´ıculas W e Z (fraco) e o de gr´avitons(gravitacional).O problema nessa bela simetria de
quatro car-gas
,
quatro intera¸c˜ oes
,
quatro for¸cas
,
quatro tipos depart´ıculas mediadoras
e
quatro campos
´e que nenhumgr´aviton foi ainda detectado e a gravidade, em si, aoencaixa bem nessa teoria que se convencionou chamarde Modelo Padr˜ao. Este assunto ser´a retomado maisadiante.Para finalizar esta se¸ao, apresenta-se, na Fig. 1,uma vis˜ao esquem´atica do Modelo Padr˜ao. Como cons- ta na legenda dessa figura, trata-se de uma simpli-fica¸ao.Feito isso, o restante deste trabalho ser´a dedicadoa abordar aspectos dessa teoria que poder˜ao ser moti-vadores do ponto de vista do ensino e da aprendizagemda ısica.
2. O acuo ao ´e vazio
Na se¸ao anterior falamos de part´ıculas virtuais, comoos f´otons e os glu´ons, ou seja, part´ıculas sem massa.Pois bem, quando a incerteza
11
na energia ´e mais queo dobro da massa do el´etron (tal como ocorre a umadistˆancia de aproximadamente 10
11
cm) algo muitoestranho pode ocorrer
no v´ acuo
: a produ¸ao de um parde part´ıculas consistindo de um el´etron e um ositron.Se, de alguma forma, houver um suprimento de ener-gia de fora do v´acuo esse par tornar-se-´a um par depart´ıculas reais, sem violar a conservao da energia.Se n˜ao acontecer isso, o par desaparecer´a ao r´apido quanto foi produzido. Ou seja, o par el´etron - ositron´e virtual, mas isso significa ent˜ao que o v´acuo est´a cheio de um grande n´umero (essencialmente infinito) de paresel´etron-ositron virtuais. [5, p. 146].Ent˜ao, al´em de otons e gl´uons h´a tamb´em el´etrons e ositrons virtuais, e outras part´ıculas como uons eantim´uons virtuais. De um modo geral, uma part´ıculavirtual ´e uma “part´ıcula que ao aconteceu”: aotem massa e existe apenas durante um curto per´ıodode tempo em uma pequena regi˜ao do espa¸co. Asrela¸oes de incerteza ao respons´aveis pelo apareci- mento de part´ıculas virtuais na f´ısica (ibid.). Elas emimportˆancia em disancias muito pequenas, mas ao ir-relevantes na f´ısica macrosc´opica.Por exemplo, podemos supor que o v´acuo est´a cheiode pares virtuais de m´uons e antim´uons que normal-mente n˜ao s˜ao detectados. Por´em, em um experimentode aniquila¸ao de um el´etron e um ositron (reais) em um acelerador/colisor de part´ıculas aparecem uonsreais que s˜ao observados nos detectores de part´ıculas.De onde vieram? Um par m´uon-antim´uon virtual re-cebeu a energia resultante da aniquila¸ao e deixou aregi˜ao (muito pequena) onde ocorreu a intera¸ao, como um par de m´uons reais.O interessante de tudo isso ´e que o acuo ent˜ao n˜ao ´e vazio. O que parece ao simples macroscopicamente´e um sistema muito complicado na teoria quˆantica.Na verdade, identificar v´acuo com espa¸co n˜ao ocu- pado por alguma coisa ´e uma concep¸ao errˆonea inclu-sive no dom´ınio da f´ısica cl´assica, pois, mesmo quandoao h´a mat´eria em uma regi˜ao do espa¸co ela continua preenchida e percorrida por campos e ondas.
N˜ ao ´e des-provido de qualidades o espa¸co onde est˜ ao e se movem objetos ou sistemas e, ainda que possamos dizer que um objeto se desloca no v´ acuo quando n˜ ao encontra outraspart´ıculas em seu trajeto, o espa¸co cl´ assico nunca ´e li-teralmente vazio
[6, p. 89].Mas n˜ao se trata do velho conhecido
´ete
que f´ısicosde outras ´epocas propuseram como preenchendo todoo espa¸co e servindo de meio de propaga¸ao da luz e de outras ondas eletromagn´eticas. Isso dever´a ficar claronas pr´oximas se¸oes.
10
O que se est´a buscando ´e manter a simetria, dizendo que h´a em quatro campos fundamentais, quatro cargas, quatro intera¸oes e quatro tipos de part´ıculas mediadoras; na verdade, ´e o na gravita¸ao newtoniana que um corpo com massa cria em torno de si um campo gravitacional, n˜ao na relatividade geral.
11
De acordo com as rela¸oes de incerteza de Heisenberg quanto mais precisas as medidas do momentum ou da energia de uma part´ıculamaiores as incertezas em medi¸oes no espa¸co e no tempo.

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