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Política versus Ética

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Mestrado em Educação Social e Educação ComunitáriaUnidade Curricular de Ética e Deontologia em Intervenção SocialMaria de Lurdes Morgado Véstia
Política versus Ética
Introdução
O tema do meu trabalho surgiu quando, algures, deparei com o seguinte texto:
O paiz perdeu a intelligência e a consciencia moral. Os costumes estão dissolvidos,as consciencias em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniencia. Não há princípio que não seja desmentido. Nãohá instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhumasolidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente naimbecilidade e na inercia. O povo está na miséria. Os serviços publicos sãoabandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias augmenta em cadadia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indifferença de cima a baixo!
(…)
 As quebras succedem-se. O pequeno commercio definha. A industria enfraquece. Asorte dos operarios é lamentavel. O salario diminui. O Estado é considerado na suaacção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. N´este salve-se quem puder a burguezia proprietaria de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o
 juro. A ignorancia pesa sobre o povo como uma fatalidade. (…) Não é uma
existencia, é uma expiação. A certeza d´este rebaixamento invadiu todas asconsciencias. Diz-se por toda a parte: o
 paiz está perdido! (…) E que se faz?
 Attesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de norte a sul, no Estado, naeconomia, na mor 
al, o paiz está desorganizado…
e pede-se cognac!
 
in “Farpas" de 1871 de Eça de Queiroz e Ra
malho de Ortigão, pág. 4.Portugal está em crise. A Europa está em crise. O Mundo está em crise. Mas quando éque não houve crise? A crise já é normal, a corrupção sempre existiu, a indiferença nãoé invenção actual e a desorganização social existe há séculos.
Conceito da Política em Aristóteles
Aristóteles
1
começou a escrever a base das suas teorias políticas, enquanto professor de
Alexandre “O Grande”,
 
por volta de
 
356 a.C. Para Aristóteles, a Política representa aciência suprema, à qual as outras ciências estão submetidas e da qual todas se utilizam.A funcionalidade da Política é empenhar-se no sentido de encontrar a melhor forma para que governo e instituições sejam capazes de ser o garante da felicidade colectiva.Embora Aristóteles não tenha propriamente proposto um modelo de Estado, foi o
1
O Conceito de Política em Aristóteles, em http://pt.shvoong.com/law-and-politics.
 
primeiro grande defensor da coisa pública, afirmando que o Estado constitui a expressãomais feliz da comunidade na sua ligação com a natureza
2
.Para Aristóteles o Homem é um animal essencialmente político-social, pelo que não épossível concebê-lo sem o Estado, isto significa que existe a necessidade natural deconviver em sociedade, de promover o bem-comum e a felicidade. Além disso, paraAristóteles, quem vive fora da comunidade organizada ou é um ser menor ou um serdivino
O homem que não necessita de viver em sociedade, ou é um Deus ou uma Besta
”. Para Aristóteles
o EU é uma existência e uma prática que se efectiva porcondutas a quem tudo é permitido dentro do empenho por manter o bem comum ecolectivo, pois todas as acções humanas aspiram a algum bem comum, em que o maioré a felicidade.Segundo Aristóteles, o conceito de cidadão muda com o tipo de governo (monarquia,oligarquia ou democracia) e consoante se é ele quem participa activamente napreparação e execução das leis. No entanto, Aristóteles refere que nem todos os quemoram na cidade são cidadãos, ele distingue habitante de cidadão, habitantes são os queapenas habitam na cidade mas não participam dela, cidadãos são os que efectivamentepensam sobre ela e assumem o direito de deliberar e votar as leis que conservam esalvam o Estado, ou seja,
cidadão é aquele que tem o poder executivo, legislativo e judiciário.
Segundo o seu ponto de vista os idosos e as crianças não são realmentecidadãos, pois os idosos estão dispensados de qualquer serviço e as crianças não têmidade ainda para exercer as funções cívicas.Aristóteles define
 comunidade como um agrupamento de Homens unidos por um fim comum, relacionando-se através de um vínculo afectivo
” 
; na sua metafísica (serenquanto ser), determina, também, as causas que constituem uma comunidade.As quatro características da comunidade apontadas por Aristóteles:
Causa Material
: É a matéria de que é feita uma coisa (a matéria na qual consiste oobjecto). Lugares, sítios, etc. É a partir de onde nasce a cidade;
Causa Formal
: É a forma ou essência das coisas (um objecto define-se pela sua forma).O Regime ou a Constituição que ordena a relação entre as partes, dando-lhe forma;
Causa Eficiente
: É a origem das coisas (aquilo ou aquele que tornou possível oobjecto). Desenvolvimento natural. Para Aristóteles a cidade é um ser natural, umorganismo vivo;
2
O papel do Estado na educação ética em http://www.eses.pt/usr/ramiro/docs/etica_pedagogia
 
Causa Final
: É a razão de algo existir (a finalidade do objecto). A finalidade da cidadeé a Felicidade, ou seja, alcançar o bem soberano.Resumindo, para Aristóteles,
 
 toda a comunidade visa um bem
, isto é toda acomunidade tem um objectivo, uma relevância principal que contém todas as outras.Portanto, o maior proveito possível é o bem soberano
3
.A comunidade política, para Aristóteles, é a
cidade
(Causa Eficiente),
 
que inclui todasas outras formas de comunidade (Causa Material) que a compõe e sendo anterior aestas, ela deve prevalecer sobre as outras partes.
A cidade é soberana porque visa obem comum, soberano
(Causa Final).O
cidadão
é aquele que, por criar e votar e leis (Causa Formal), é melhor do que osoutros que não participam do governo, diferenciando, naturalmente, entre senhores eescravos.
O homem livre é soberano porque é senhor de si.
Ética: Aristotélica (aretaica) e Kantiana (deontológica)
Segundo Aristóteles os conceitos éticos são extraídos da experiência e do conhecimentoda Humanidade. Aristóteles afirmava que a ética e a política estão intrinsecamenteligadas uma vez que, atras delas, estudamos as práticas
 
do próprio Homem. Mas tambémafirmava que a política está acima da ética, pois o fim pretendido por meio do estudo daética é a felicidade do indivíduo e como já vimos no capítulo acima o bem ambicionadopelo estudo da política é a felicidade pública, a felicidade de todos aqueles quecompõem a cidade. Por esse motivo, ele propõe que, depois de se estudar a ética, se deveestudar a política, pensando, assim, na felicidade de todos.A ética de Aristóteles (ética aretaica - das virtudes) fornece uma resposta única sobrecomo se deve agir mas a partir do século XVIII
 
a ética de Kant
4
(deontológica - para ocumprimento do dever) vem facultar uma grande escolha e atenuar a importância dafelicidade em relação às acções morais que se pratica. Para se entender essa afirmação, énecessário conhecer alguns elementos da ética de Kant.
3
Amaral, António Campelo, Cidadania e Revolução na Política de Aristóteles, Universidade da BeiraInterior, Covilhã, 2008.
4
Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Konigsberg,1724-1804)foi um filósofo prussiano.

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