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Artigo Dívida Pública

Artigo Dívida Pública

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Published by: Orlando Penicela Júnior on Jul 11, 2012
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Por Orlando José Penicela Júnior. EVOLUÇÃO RECENTE E SUSTENTABILIDADE DA DÍVIDA PÚBLICA MOÇAMBICANA
2000 - 2010
Maputo, Fevereiro de 2012
 
I.
 
INTRODUÇÃO
O exercício pelo Estado das suas três tradicionais funções fiscais de
afectação, redistribuição
e
estabilização
(Musgrave & Musgrave, 1989), pressupõem que esse Estado disponha de recursos na quantidade e tempo desejados para o efeito. Daí que, o Estado recorre a diversas formas de financiamento, dentre as quais, podemos destacar as receitas fiscais, os donativos e a Dívida pública. Em Moçambique, não obstante o significativo volume de capitais externos em donativos (Apoio directo ao Orçamento), a incipiente base fiscal da economia tem contribuído de forma inevitável para o registo de recorrentes déficits orçamentais nas contas públicas, obrigando o Estado a recorrer a formas alternativas de financiamento, dentre as quais se pode destacar a dívida pública. Neste artigo, pretende-se abordar sumariamente a evolução da dívida pública moçambicana, analisando os desafios e as reais possibilidades de sustentabilidade dessa via financiamento do Estado a médio e longo prazos. O objectivo é fundamentalmente de compreender as implicações do recurso a dívida como via de financiamento da despesa pública. Aliás, a manutenção de níveis de dívida pública sustentáveis, constitui um dos grandes objectivos da política nacional de endividamento (MF, 2008), facto que justifica a pertinência do presente estudo. Devo alertar porém que, por limitações de tempo e de dados, embora reconhecendo a sua indispensabilidade, este artigo não oferece uma análise de séries intertemporais de progressão do stock e do serviço da dívida
vis-à-vis
 os demais agregados macroeconomicos relevantes. Recomendamos por isso, a leitura adicional de parte da Bibliografia citada neste breve artigo.
I.
 
PROBLEMA
As pressões de um contexto internacional de crise e incerteza económica, vêm nos últimos anos atiçando o debate em torno das alternativas de financiamento de um Estado já tradicionalmente deficitário como Moçambique. Se considerarmos a hipótese dos doadores ora em crise, reverem em baixa o seu volume ajuda ao país, a fiabilidade do já questionado mecanismo de financiamento externo (Apoio Directo ao Orçamento), pode ser posta a prova. Curiosamente, o sombrio cenário de crise internacional, aparece num momento em que Moçambique depara-se com uma uma crescente demanda de financiamento, com vista a responder as necessidades de de investimento em infra-estruturas que possam gerar um efeito
crowding-in
e viabilizar o crescente investimento privado nos diversos sectores da economia. Para a dimensão dos investimentos que se exigem ao Estado moçambicano, com um baixo nível de receitas fiscais e de poupanças internas (Osman, 2010), poucas alternativas de financiamento se impõem como tão óbvias tanto quanto o recurso a dívida pública. Entretanto, a mobilização de recursos através do endividamento público apresenta duas
faces
. O financiamento do Estado com recurso à dívida pode descambar numa crise fiscal, ou pode ser um complemento útil do financiamento público, dependendo da magnitude relativa da dívida, do seu peso no total da despesa pública, das suas condições comerciais (maturidades/período de pagamento e taxas de juro), da relativa estabilidade dos mercados de capitais e da estratégia e prática de utilização da dívida (Castel-Branco, 2011). Portanto, todas estas variáveis afectam directamente a sustentabilidade da dívida pública do Estado. Ora, face a este quadro, a pergunta de fundo que emerge é:
em que medida o recurso a dívida pública pode ser uma alternativa viável e racional de financiamento da despesa pública moçambicana?
 
II.
 
ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL
De acordo com o GMD (2004), dívida é uma promessa de pagamento futuro de determinada quantia emprestada, acrescida de respectivos juros. A dívida pública é uma dívida contraída por um determinado Estado e como qualquer dívida, é um (conjunto de) compromisso(s) financeiro(s), vencível(is) em dado(s) prazo(s). Em rigor conceptual, os vários autores são unânimes em definir a dívida pública como a dívida contraída pelo governo (sector público) para compensar o défice entre as receitas e as despesas, devendo por este ser paga (Stiglitz, 1999; Bhattacharya & Guha, 1999; Taylor, 1961). Em função da residência dos agentes envolvidos na contracção de empréstimos (proveniência do empréstimo) a dívida pública pode ser interna ou externa. A dívida é externa quando é contraída junto de agentes económicos não residentes (país ou instuição). Quando a mesma é contraída junto de agentes residentes, diz-se que a dívida é interna (GMD, 2004). Em Moçambique, é considerada dívida pública, toda a emissão de empréstimos cujo prazo de pagamentos seja superior a um ano
1
. De acordo com o GMD (2006), existem em Moçambique dois instrumentos principais que o governo emite no processo de contratação de empréstimos internos: títulos de tesouro e obrigações de tesouro:
Título de Tesouro (Bilhetes de Tesouro
 –
 BTs)
 –
 títulos de crédito emitidos a breve data pelo governo, geralmente vendidos a desconto em vez de pagarem juros, com um vencimento de um ano ou inferior a um ano. Também é possíveis os títulos de tesouro pagarem juros no termo do prazo de pagamento e serem emitidos ao par (100% do valor facial).
Obrigações de Tesouro (OTs)
 –
 
instrumento de médio e longo prazo emitidos ao par (100% do valor facial) e com juros pagáveis anual ou semestralmente. Por sua vez, a Dívida Pública Externa, é definida pela lei do Sistema de Administração Financeira do Estado (09/2002 de 12 de Fevereiro, como a
dívida contraída pelo Estado com outros Estados, organismos internacionais ou outras entidades de direito público ou privado, com residência ou domicílio fora do País, e cujo pagamento é exigível fora do território nacional 
. Na óptica do credor, a dívida pode ser:
 
Bilateral
, quando se trata de empréstimo entre governos;
 
Multilateral
, quando um governo deve a instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Banco Africano de Desenvolvimento) que representam interesses de diversos Governos;
 
Comercial
, quando o governo ou empresas recorrem a bancos comerciais internacionais para a contracção de crédito. As dívidas multilaterais e bilaterais apresentam-se geralmente em condições mais favoráveis (juros baixos e períodos de graça longos), comparativamente as dívidas comerciais que se guiam pelas condições do mercado.
Mas como é que se define a sustentabilidade da dívida pública?
A sustentabilidade da dívida é a capacidade de um país cumprir com todas as responsabilidades relativas ao serviço da dívida
 –
 externa e doméstica, publica e privada, de longo e de curto prazo
 sem afectar os seus objectivos de desenvolvimento económico e social.
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