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Paisagismo Moderno

Paisagismo Moderno

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PAISAGENS EM DEBATE 
revista eletrônica da área Paisagem e Ambiente, FAU.USP - n. 01, outubro 2003 
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O PAISAGISMO MODERNO BRASILEIRO – AM DE BURLE MARXDr. Silvio Soares Macedo
 
Arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, na qual é Professor Titular dePaisagismo, Editor da revista Paisagem e Ambiente: Ensaios, Coordenador do Laboratório daPaisagem e da pesquisa Quadro do Paisagismo no Brasil. Desenvolve, desde 1976, pesquisas na áreade paisagismo, tendo publicado quatro livros.
Resumo
Os anos 1930 e 1940 foram anos de rupturas na arquitetura, no urbanismo e,naturalmente, no paisagismo. A negação do passado recente era objetivo dasvanguardas. Esta se refletiu no tratamento do espaço livre urbano, público eprivado. A princípio as novas concepções e programas se restringiram à obra deRoberto Burle Marx e uns poucos autores. Dos anos 1950 em diante, em São Pauloe Rio de Janeiro, com o aumento da urbanização, da população de classe média ealta, as condições para o surgimento de novos autores e obras estavam feitas.Autores como Roberto Coelho Cardozo e Valdemar Cordeiro criaram bases para osurgimento de inúmeros outros projetistas que, em escritórios ou junto à órgãospúblicos, consolidaram preceitos formais e programáticos do paisagismo modernonacional. Nos anos 1970 e 1980, o aumento do mercado para os paisagistas,associado à expansão do mercado para arquitetura, consolida-se seu o trabalho esua identidade.
 
Por muito tempo, para nós brasileiros, a figura de Roberto Burle Marx foi sinônimo dePaisagismo. Ele com suas diversas equipes, foi responsável (por cerca de 50 anos) pelosmais importantes projetos paisagísticos do país concebidos e executados, para o Estadoe para as elites de então. A qualidade do arquiteto paisagista Burle Marx é inegável euma grande quantidade de suas criações são consideradas obras-primas da arquiteturapaisagística mundial do século XX, ao lado de nomes como Garret Eckbo, LawrenceHalprin, Thomas Church, Dan Kiley, Peter Walker, Bernand Tschumi e outros poucos mais.Burle Marx foi um dos pioneiros do “design” moderno no paisagismo moderno mundial,cuja origem está na década de 1930, período de intenso nacionalismo e transformaçõessociais, tendo participado no Brasil do projeto do Ministério da Educação e Saúde (1937)– marco da arquitetura nacional. Neste, aproveitando-se da nova concepçãoarquitetônica-urbanística do edifício-quadra, desenha um jardim-praça estruturado porcanteiros de formas rocambólicas, utilizando-se do movimento e da cor no desenho dospisos, executados no tradicional mosaico português e plantas tropicais.Este foi o primeiro de uma coleção de projetos de alto nível e qualidade formalindiscutível que, extremamente visíveis, bem mantidos e divulgados, transformaramRoberto no paisagista brasileiro e mundial do século XX. O rol de sua obra abrigaprojetos como os Parques do Flamengo (RJ) e Mangabeiras (BH), as Praças Salgado Filho(RE e RJ), parques particulares nas serras fluminenses, o Largo da Carioca (RJ), dezenas
 
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revista eletrônica da área Paisagem e Ambiente, FAU.USP - n. 01, outubro 2003 
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de jardins particulares de casas e prédios de apartamentos, os parques dos palácios deBrasília e muitos outros.Por outro lado, desde os primeiros tempos do modernismo e, em especial, após os anos1950, delineia-se pelo país o trabalho não tão conhecido, ou divulgado, de muitosprofissionais, em grande parte arquitetos de formação, que foram responsáveis, de fato,pela consolidação da arquitetura paisagística moderna brasileira.
Arquitetura Paisagística e Arquitetura Paisagística Modern
 
Arquitetura Paisagística
– um processo de criação e/ou readequação intencional eformal de um espaço livre urbano, que se direciona para a formalização de praças, pátios, jardins, calçadas, calçadões, parques e áreas de conservação, em especial.Cada época ou momento histórico tem características específicas de tratamento doespaço livre urbano, da antigüidade clássica, quando os jardins palacianos e das casaspatricias eram cuidadosamente elaborados e dos fóruns, grandes praças-secas,decoradas por colunatas, fontes e pisos e de intenso uso social; do período barroco, comos jardins palacianos estruturados por eixos ou as promenades arborizadas das cidadeseuropéias da época.A arquitetura paisagística, como a conhecemos hoje, tem sua formalização na Europa(França e Inglaterra, em especial) e nos Estados Unidos no século XIX. Foi um tempo degrandes mudanças sociais e urbanas e o crescimento populacional urbano induz, então, anovas demandas e entre elas a da projetação dos espaços livres urbanos.Foi um período de grande efervescência cultural, de abertura e criação para as massas,de espaços de recreação e lazer e da “urbanização” da vegetação. A arborização das ruase praças se consolida neste século e o parque público, o jardim privado de pequeno portee o boulevard (criações dos Oitocentos), sendo desde então figuras comuns da gramáticaurbana.Formalmente, o espaço público moderno do século XIX é tratado sob o ponto de vista deexposição de pessoas e objetos, destinado ao flanar das classes emergentes, novasparceiras da elite e para o divertimento das massas.A imagem genérica dos espaços urbanos ocidentais do final dos oitocentos e dosprimeiros anos dos novecentos é tipicamente cênica, romântica, uma colagem deinformações e formas, descobertas, criadas e recriadas e advinda das informaçõessintetizadas pela Europa Ocidental no período em questão.O século XX, no pós Primeira Guerra, marca o início do rompimento ocidental com velhasordens sociais e formais e nos anos 1930 (talvez de um modo um tanto tardio), osrompimentos surgem no Brasil, se consolidando na ordem cultural-nacional – na música,escultura, pintura, arquitetura e na arquitetura paisagística.
Arquitetura Paisagística Moderna
– pauta-se basicamente pelo atendimento de novasformas de uso e, portanto, de organização morfológica do espaço livre urbano, no qual éintroduzida uma nova figura – o automóvel, que exige uma reordenação dos tecidosurbanos existentes e a criação de outros especialmente tratados para a convivênciaveículo-pedestre. Ao espaço livre para a circulação de pedestre – calçadas e passeios epara lazer, são atribuídas novas configurações, agora de acordo com os padrõesurbanístico-sociais em voga.
 
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A arquitetura paisagística se torna, então, funcionalista, com a determinação de áreasequipadas especialmente para o lazer, recreativo ou esportivo, nacionalista com oabandono do uso de vegetação, anódina e com ênfase na tropicalidade do país: simples,com a “proibição” do uso de elementos decorativos do passado – pitorescos e temáticos– sendo execradas as cenarizações, as topiárias e qualquer lembrança do Ecletismorecente: geométrica – com o uso e abuso das formas geométricas livres, inspiradas nastemáticas da pintura da época, no qual Burle Marx foi o mestre inspirador nacional – ecolorida – com a introdução do uso intenso de pisos multicores.
Etapas
 O Paisagismo Moderno Brasileiro é regido por duas influências nítidas, a primeira – aobra isolada de Burle Marx e associados, com seu nacionalismo, representaçõesgeométricas e uso da vegetação nativa; a segunda – internacional, diretamentereferenciada às obras da vanguarda paisagística norte-americana da costa Oeste, quesintetizadas pelos diversos profissionais resultam em obras de caráter extremamenteparticular, típicas da produção paisagística nacional da segunda metade do século XX.Pode-se dividir o processo de formação da arquitetura paisagística brasileira moderna emtrês etapas distintas, que recobrem um período de 53 anos, do surgimento do projetomarco de Burle Marx – no Ministério da Educação e Saúde, até a construção da PraçaItália em Porto Alegre (1990), projeto de cunho fortemente cenográfico e que consolida aruptura com a linha projetual paisagística então vigente (autor Carlos Fayett).Etapa 01 (primórdios) – 1937-1950 – O projeto moderno paisagístico é pouco a poucodifundido junto às obras de arquitetura moderna, ou modernista, cujos espaços livresadjacentes e/ou complementares são por vezes objeto de um tratamento paisagístico devanguarda-funcional, simples e tropicalista.Nesta época o destaque principal pode ser atribuído à obra de Roberto Burle Marx, emPampulha (BH), e Otávio Teixeira Mendes, entre outros, sendo comum que o próprioarquiteto de edifícios fornecesse o desenho para os pátios e jardins dos seus projetosarquitetônicos (caso de Rino Levi).A característica principal dos novos projetos paisagísticos residenciais está baseada natransparência e visibilidade a ser dada à residência e a formalização do pátio ou jardimde estar da família, muitas vezes decorado por painéis azulejados, fontes de formasgeométricas ou orgânicas e esculturas de autores do período.Poucos são os projetos públicos modernos de grande porte e estes, em sua maioria, sãoda autoria de Roberto Burle Marx. Por outro lado, os projetos privados são muitos edivulgados em revistas de época, criando referenciais para sua popularização esurgimento de novos autores.Etapa 02 – 1950-1960 – Expansão com o crescimento e modernização urbana earquitetônica do período, com o expraiamento da verticalização (agora os prédios sãoisolados no lote), o aumento da demanda de projetos paisagísticos modernos é um fato.Nesta etapa, em São Paulo inicia seus trabalhos, o paisagista Roberto Coelho Cardozoque, como professor da FAUUSP e projetista, produz uma série de trabalhos junto aosarquitetos em evidência no período.Sua obra é nitidamente influenciada pelo traçado de pisos e canteiros dos paisagistasamericanos Halprin e Eckbo (com quem trabalhou ao final dos anos 1940) e pela

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