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Cultura e Identidade Cultural

Cultura e Identidade Cultural

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07/17/2013

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A Concepção de Denys Cuche na diferenciãoteórica entre Cultura e Identidade Cultural
Texto por Luiz Bernardo BarretoEm sua reflexão, Denys Cuche tenta destrinchar o significado do que seria a chamada "moda"das identidades. Para o autor, as crises culturais são sinônimos de crise de identidade, queresultam, por exemplo, no enfraquecimento do modelo de Estado-Nação, da integração decunho político e da globalização da prática econômica. A sociedade multicultural nasce numa concepção de diferença ideológica, somente concebidaa partir dos anos setenta, que faz nascer a individualização e a diversidade no ideário culturaldo indivíduo, ou da sociedade. A noção de cultura é diferenciada da noção de identidadecultural. A cultura pode existir sem uma estrutura de identidade. Ou seja, ela depende, emmaior parte, de um processo inconsciente. Já nascemos em determinada cultura. Nos éimposta por via natural. Já a identidade cultural nos vincula aos nossos anseios existenciais,onde a prática do conhecimento e da vida determina nossa estrutura identitária. A identidadecultural é um componente da identidade social, que se articula com a classe sexual doindividuo, sua classe de idade, sua classe social. Enfim, seu sistema social.Dessa forma então, segundo Cuche, entendemos que a identidade, antes de qualquer coisa,serve para que nos localizemos como individuo, e localizemos pessoas ou grupos simbólicosao nosso padrão. Mas devemos apontar a afirmativa do autor, onde diz que a identidade socialé inclusão e exclusão. Da mesma forma que ela atrai, ela segrega. Nessa concepção, aperspectiva que se tem, é que a identidade cultural se apresenta como uma modalidadecategórica da distinção entre as práticas culturais, que se baseia, nada mais, que nasdiferenças culturais."Em uma abordagem culturalista (...) o individuo é levado a interiorizar os modelos culturais quelhe o impostos, até o ponto de se identificar com seu grupo de origem". Na teoriaprimordialista, defende-se que a identidade etno-cultural é primordial porque a vinculação aogrupo é a primeira e a mais fundamental de todas as ligações da sociedade. O autor cita quepara os objetivistas, determinado grupo só pode reivindicar sua autenticidade na construção desua identidade cultural, se esse for dotado de língua e cultura própria, e fenótipo próprio.Porém, ele também cita a posição dos mais subjetivistas, que afirmam que encarar o fenômenodessa forma, é como se parasse no tempo, sendo esse femeno algo estático, semdinamismo, sempre central e, por imposição, global. Seria uma coletividade invariável e, por vezes, imutável.Denys Cuche assegura que o mais viável é fazer uma abstração relacional do significado econceito de cultura, uma vez que tomando partida do objetivismo, ou, por contrário, osubjetivismo cultural, cairíamos no impasse. O contexto da relação entre as teorias nos dariauma explicação sobre a afirmação ou não da identidade. "A construção da identidade se faz nointerior de contextos sociais que determinam a posição dos agentes, e por isso mesmoorientam suas representações e suas escolhas". O autor vem por dizer que a identidade seconstrói e se reconstrói de forma constante no interior de trocas sociais.Dependendo da situação de relação, a auto-identidade pode ter maior ou menor legitimaçãodiante da hetero-identidade. Como nem todos os grupos têm o poder de identificação, aidentidade é o que está no cerne das batalhas sociais. Porém, o cientista deve explicar osprocessos de identificação sem julgá-los. Cabe dizer que o autor enaltece que a ideologianacionalista é uma forma de exclusão das diferenças culturais, pois sua lógica se mostraradical e de purificação étnica.Há uma flexibilidade na concepção de identidade em Estado-Nação mais novos, de forma quedeixam espaço para a novidade e inovação social. Em tais casos, a fusão e cisão étnicacomportam-se de uma forma a não fazer agir conflitos mais extremos. A maior identificaçãocom a coletividade, vai nascer da necessidade de solidariedade, que virá em busca doreconhecimento social. O indivíduo que faz parte de mais de uma cultura, constrói sua própria
 
identidade fabricando uma ntese inédita a partir desse novo olhar. Isso resulta numsincretismo cultural, não numa duplicidade, que se adiciona mais uma concepção dedeterminada identidade, e não a substitui.Quando a identidade se encaixa no padrão das lutas sociais de classificação perantedeterminado grupo de indivíduos, buscando a auto-afirmação, entra em voga o conceito de"estratégia de identidade", sendo esta vista como um meio para garantir e atingir um objetivo.Dessa forma, o conceito de identidade passa do absolutismo para o relativismo, ou seja, ela secomporta de acordo com a demanda de seu objetivo. Isso porque ela busca a reprodução oureviravolta das relações de dominação que a circunda. Os atores sociais que dão a direção desua própria imagem identitária, com o objetivo de usá-la de tal forma para atingir seu objetivo.Mas essa estratégia não é sinônima de liberdade total na escolha do seu padrão identitário,pois tais estratégias "levam em conta a situação social, a relação de força entre os grupos, asmanobras dos outros etc".De forma emblemática ou estigmatizada, a identidade pode servir de instrumento nas relaçõesentre os grupos sociais. É a vontade, simples sentimento humano, que é determinante naseparação, na "fronteira", de se diferenciar e de se fazer uso de traços culturais, comoapontadores em uma identidade específica. Denys Cuche foi feliz em seus argumentos quandocitou a análise de Barth, onde explicita que "a identidade etno-cultural usa a cultura, masraramente toda a cultura". Isso nos faz pensar que, podemos sim nos introduzir em culturasdiferentes e estranhas à nossa, porém nunca deixaremos nossa cultura, aquela arraigada denossos costumes e crenças, ser atropelada por uma cultura vivenciada em instantes.
IDENTIDADE CULTURAL
Segundo o antropólogo Denys Cuche (1999), cultura e identidade são dois conceitos que estãomuito imbricados. O autor expõe que é preciso levar em conta a cultura quando falamos emidentidades, mas que é preciso separar um e outro. No seu entendimento, culturas sãoprocessos inconscientes e identidades são processos conscientes. A cultura, segundo o autor,pode existir sem que haja uma consciência de uma identidade cultura. As estratégias deconstrução da identidade podem manipular e modificar a cultura.Cuche (1999) relata dois tipos de identidade a cultural e a social. A cultura (indivíduo), seria umconjunto de suas vinculações em um sistema social (classe sexual, classe de idade, classesocial, nacionalidade). Ou seja, permite que o indivíduo se localize num sistema social e sejalocalizado socialmente. Já a identidade social dos grupos (coletiva), corresponde à própriadefinição do grupo, situando o grupo no conjunto social, isto é, identificando que são osmembros do grupo ? ?nós?, os iguais ? e os distingue daqueles que não são membros ? ?osoutros?, os diferentes de nós. Para Cuche (1999) identidade cultural é uma modalidade decaracterização da distinção nós/eles, baseada na diferença cultural.Existem várias concepções de identidade cultural há determinista e essencialistas (objetivistas),há subjetivista e há relacional e situacional que ultrapassam a dicotomiaobjetivismo/subjetivismo. As concepções objetivistas de identidade culturais são divididas em duas teorias, agenética/biológica para qual a identidade é vista como uma condição imanente do individuo,definindo-o de maneira estável e definitiva ? as características e qualidades psicológicas sãovistas como herança biológica; racial. E a teoria Culturalista, a qual define identidade culturalpela socialização, pela interiorização de modelos culturais que são impostos pelos grupos deorigem e recebidos de forma definitiva pelos indivíduos ? a língua, a cultura, a religião, oterritório, a ?personalidade básica?.Já a concepção subjetiva define a identidade como sendo um sentimento de vinculação a umacoletividade imaginária (em maior ou menor grau). O que define a identidade o asrepresentações que os indivíduos fazem da realidade social e de suas divisões (escolhaarbitrária). Ou seja, as identidades culturais são variáveis e efêmeras.Já a concepção relacional e situacional de identidade cultural, que ultrapassa a dicotomiaobjetivismo e subjetivismo, tem como um dos principais teóricos Frederik Barth que conceituaidentidade como sendo uma construção que se elabora em uma relação que opõem um grupo

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