sentido de aferir do eventual não cumprimento, pelas empresas, das suas obrigaçõeslegais em matéria de pluralismo e independência.Mas qual é exactamente, para o legislador, a “matéria de pluralismo e independência”.Vamos tentar perceber: poderão ser à partida questões relativas à
“identificação dos poderes de influência sobre a opinião pública”
;
“consequências da eventual concentração de audiências em torno de um só grupo de comunicação”
, que num período de seis meses, as quotas de circulação ou audiência não podem ser iguais ousuperiores a 50%; e em matéria de independência na área da informação, retomando princípios estabelecidos no Estatuto do Jornalista, referindo que
“a orientação dosórgãos de comunicação social deve ser definida de forma genérica através do estatutoeditorial, ficando vedada a intervenção ou intromissão de pessoa que não exerça cargode chefia ou direcção na área da informação nos conteúdos de natureza informativa”
.
Digamos que estamos ainda longe do problema essencial, que é a própria definição doconceito. Realmente, face a esta “exposição de motivos” ficamos perplexos face a umaausência substantiva de definição de “Pluralismo”. E mais perplexos ficamos quando noArtigo 1.º - “Objecto e finalidade”, se diz que
“1 - A presente lei promove o pluralismo,a independência perante o poder político e económico, a divulgação da titularidade e anão concentração nos meios de comunicação social”
, sem que essa definição surja demodo taxativo. Mais perplexos ficamos quando no Artigo 2.º - ele próprio intitulado“Definições”, nada volta a constar especificamente sobre o conceito de “Pluralismo”.Há, entretanto, um ponto de grande relevância, neste novo quadro, que é exactamente odomínio do
online
.
Como se pode ver, no Artigo 3.º- “Âmbito de aplicação”, diz-se queestão sujeitos às regras estabelecidas na presente lei as pessoas e empresas que
“editem publicações periódicas, independentemente do suporte de distribuição que utilizem”
, bem como os
“operadores de rádio e de televisão, relativamente aos serviços de programas que difundam ou aos conteúdos complementares que forneçam, sob suaresponsabilidade editorial, por qualquer meio, incluindo por via electrónica”
, bemcomo, ainda,
“as pessoas singulares ou colectivas que disponibilizem regularmente ao público, através de redes de comunicações electrónicas, conteúdos submetidos atratamento editorial e organizados como um todo coerente”
.
Onde aparece algo mais específico relativamente ao conceito de “Pluralismo” é naSecção II, intitulada “Da intervenção da ERC no âmbito da concorrência”, onde, noArtigo 18.º, sobre a questão do “Parecer vinculativo”, se diz que (1) tal parecer só évinculativo
“quando verifique existir fundado risco para o pluralismo ou para aindependência perante o poder político ou económico”
e (2) que a ERC deve proceder àverificação respectiva designadamente em matéria de
“a) Existência de expressão econfronto das diversas correntes de opinião; b) Respeito pelo direito de constituição deconselhos de redacção ou por outras formas legítimas de intervenção dos jornalistas na
5
“Proposta de lei do pluralismo e não concentração nos meios de comunicação social”- Exposição de Motivos, p. 3.
6
Idem, p. 4.
7
Ibidem, p. 4.
8
De qualquer modo, de acordo com o Artigo 23.º, nº 4, “Quando as empresas destinatárias das medidasde salvaguarda ofereçam redes e serviços de comunicações electrónicas, a decisão final da ERC deve ser precedida de parecer obrigatório, mas não vinculativo, por parte da autoridade reguladora dascomunicações.”
9
“Proposta de lei do pluralismo e não concentração nos meios de comunicação social”, p. 8.
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