característica do positivismo lógico-dedutivo” (BONAVIDES, 1997, p. 452). De qualquer sorte,não se pode negar que os teóricos contemporâneos têm o mérito de teorizar e procurar demonstrar racionalmente como esse processo de ponderação deve acontecer.
1.2. Direito por regras e direito por princípios
Lembrando sempre que a história não é linear, como, aliás, demonstram os exemplos – Aristóteles e Kelsen – citados no item precedente deste texto, pode-se dizer que a ciência jurídicaocupou-se
de modo precípuo,
até o início do Século XX, do Direito enquanto sistema de
regras jurídicas.
Construíram-se teorias sobre proposições que prevêem hipóteses e prescrevemcondutas a serem seguidas
se
e
quando
essas hipóteses se vierem a concretizar no mundofenomênico, e sobre o ordenamento que seria apenas o conjunto hierárquico e sistematizadodessas prescrições. Nesse contexto – que Paulo Bonavides denomina de primeira fase da juridicidade dos princípios (2003, p. 259) –, para os partidários do jusnaturalismo, as regras jurídicas deveriam ser interpretadas e aplicadas em conformidade com os princípios do direitonatural, que seriam deduzidos de um plano metajurídico variável conforme a corrente doutrináriaconsiderada (a razão humana, razão divina etc.) (RADBRUCH, SCHMIDTH e WELZEL, 1971).Já os positivistas refutam a existência de tais princípios de direito natural, pugnando pelaconsideração apenas das regras positivadas (
v.g.
Kelsen e o quadro ou moldura aqui já referidos). Note-se que o positivista não refuta a possibilidade de tais princípios de direito naturalinfluenciarem de fato na interpretação e na aplicação do direito: apenas afasta a possibilidade deessa influência contar com explicação científica.Considerando que alguns princípios poderiam ser induzidos
do ordenamento jurídico, a partir dos valores subjacentes às diversas regras, passou-se a admitir a aplicação subsidiária
dosmesmos. Esta foi a segunda fase na evolução da juridicidade dos princípios: em caso de lacuna(falta de uma regra jurídica), poder-se-ia recorrer aos “princípios gerais de direito”, que seriamnormas dotadas de elevadíssima generalidade e estariam implícitas no sistema. Não se estariarecorrendo a um plano metajurídico, mas descobrindo regras no próprio ordenamento existente.Mesmo assim, cabe observar que o princípio jurídico assumia, nesse contexto, papel secundário. Não se sobrepunha à lei, mas apenas auxiliava sua interpretação, e evitava o vazio normativo nahipótese de lacuna.Finalmente, nas últimas décadas do Século XX, inaugura-se a fase do assim chamado pós- positivismo. A jurisprudência das Cortes Internacionais de Justiça, seguida posteriormente peladoutrina, reconhece a força normativa de uma série de princípios fundamentais, que, a partir então, passam a ser considerados positivados nas Constituições. De uma posição subsidiária à lei,os princípios são transportados para o centro das Constituições. A partir de então, o dever deelaborar e interpretar as demais normas do ordenamento de acordo com os princípios deixa de ser uma recomendação, e passa a ser um
dever jurídico,
mesmo para os que não aceitam a existênciade um direito natural. Daí porque alguns autores chamam essa fase da Teoria do Direito de pós- positivismo: seria a superação dialética da divergência entre positivismo jurídico e jusnaturalismo.
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A expressão pós-positivismo é passível de diversas criticas, pois confunde positivismo com positividade, tendocomo superada a divergência apenas porque o ordenamento jurídico tem, atualmente, conteúdo consideradosatisfatório. O aprofundamento deste aspecto, contudo, apesar de dotado de inegável importância, não se comportanos limites deste artigo, nem seria relevante para as suas conclusões.
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