Hoje, rumo aos 300 anos, o uxo intenso de carros segue naAvenida da Prainha, no sentido do Centro Político-Administra-tivo (CPA), e lá se encontra o que há de novo. É a verticalizaçãodos imponentes prédios da Avenida Historiador Rubens deMendonça (Avenida do CPA), lugar preferido para os migran-tes sulistas adquirirem a residência própria.Apesar de a conjuntura internacional apontar a crise, o setorde construção civil está indo bem. Os apartamentos de doisou três quartos, com espaçosas varandas e suas churrasquei-ras, estão com grande procura entre as famílias de classemédia, que através das facilidades do nanciamento estãoinvestindo entre R$ 80 mil e R$ 150 mil nesse tipo de imóvel. Abusca por esses grandes prédios tem mudado a identidade daantiga Cuiabá. Os quintais das casas e as famílias numerosasfaziam do espaço ao ar livre um local de encontro de amigose parentes, onde se reuniam para o churrasco com mandiocae a cerveja bem gelada para driblar o calor que chega a ultra-passar os 45º graus.“Cuiabá não é calorenta, é calorosa”, disse o diretor da Secre-taria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico eTurismo, Jaime Okamura, ao armar que a capital mato-gros-sense é conhecida em todo o Brasil pela temperatura máximados termômetros. Jaime aproveita a expressão para elogiara hospitalidade do povo cuiabano, que recebe bem seus mi-grantes, uns que chegam e criam raízes e outros que rapida-mente passam.Segundo o diretor, é preciso entender que a Cidade Verde nãotem como característica um turismo de férias, como no Riode Janeiro ou em Salvador. Mas, durante todo o ano o setor denegócios e a prestação de serviços fomentam a economia, ouseja, para Okamura, é disso que vive a Capital, desse entra-e-sai de gente, e não da agricultura, como os outros municípiosde Mato Grosso.Era uma vez uma vila quase fantasma,mas estrategicamente localizada nasmargens do Rio Cuiabá. Sua facilidadede acesso às águas garantia a comuni-cação com a região do Pantanal, zonade criação de gado bovino. Fundada em1719 pelos bandeirantes Pascoal MoreiraCabral e Miguel Sutil, nas beiras do Cór-rego da Prainha, seus descobridores seencantaram com o ouro. Conta a lendapopular que, diferentemente de MinasGerais, as pepitas brotavam nas ruas eno quintal das casas. A então “Lavras doSutil” atraía povoadores provenientestanto da Europa como dos estabe-lecimentos agrícolas do litoral do país.
Com o passar dos anos, sua riqueza seesgotou e o arraial que ia se formandocomeçou a entrar em decadência apartir da segunda metade do séculoXVIII.Na antiga Cuiabá não se trancava a por-ta da casa e o comércio e órgãos públi-cos fechavam no horário entre 11h e 14h.Era hora do almoço e o calor escaldantedava aos cuiabanos um ritmo menosacelerado no momento que o sol é maiscruel. Dava tempo de almoçar com afamília e dormir depois da refeição,como fazem os espanhóis em suas“siestas”. Hoje em dia, algumas portasde lojas ainda se fecham e as ruas decomércio cam vazias nesse horário.Muitos ainda preservam o hábito deirem almoçar no aconchego do lar, masexistem, como opção, os três shoppingsda cidade que são os locais de concen-tração de gente entre o nalzinho damanhã e o comecinho da tarde.
Um ritmodesacelerado
Rumo aos300 anos
Avenida Rubens de Mendonça|Foto: Chico Venâncio
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