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Titulo:
Gestão da escola: Como elaborar o plano deformação?
 Autor:
Rui Canário
Colecção:
Cadernos de Organização e Gestão Curricular
ISBN:
972-9380-83-x
Editora:
Instituto de Inovação Educacional
 
ÍNDICE
 
1NOTA DE APRESENTAÇÃO
A necessidade de conhecimento e reflexão sobre a
organização e gestão dasescolas
é cada vez mais assumida como uma condição indispensável ao processo dedesenvolvimento e melhoria do desempenho das escolas.Este reconhecimento exige um investimento na qualificação dos professores emgeral e dos profissionais com responsabilidades nos orgãos de gestão das escolas emespecial, sobre esse campo de estudo e de trabalho.O acesso a novas experiências e aos resultados a que a investigação vemchegando, devem corresponder a um recurso fundamental das escolas quando sepretende promover a substituição de práticas de organização e gestão baseadasfundamentalmente na reprodução de hábitos adquiridos, por uma prática reflectida,geradora de soluções inovadoras.Neste contexto, com a publicação da colecção
Cadernos de organização egestão escolar 
de que faz parte este “caderno”, pretende-se:— Possibilitar o
acesso
fácil a uma informação pertinente e actualizada sobrequestões fundamentais do funcionamento das escolas;— Disponibilizar recursos formativos/informativos capazes de serem utilizadosna
construção de quadros de inteligibilidade
da vida organizacional dasescolas;— Contribuir para que a
 fundamentação das decisões
a tomar pela escolaultrapasse o âmbito definido unicamente pelas determinações legislativas epela experiência directa dos actores para passar também a apoiar-se naanálise produzida sobre as questões em causa.Para o tratamento das questões abordadas em cada um dos
cadernos
foramconvidados investigadores e especialistas das matérias em causa que, tendo presenteproblemas das escolas relativamente aos temas seleccionados, dão conta dasexperiências e da reflexão que têm realizado de maneira a torná-las úteis ao trabalhoque se realiza nas escolas.O
 
 Instituto de Inovação Educacional
que tem como uma das suas finalidadescontribuir para a produção, sistematização e divulgação do conhecimento necessárioao desenvolvimento da qualidade da educação, isto é, contribuir para a resolução dosproblemas com que se defronta a educação para o processo de inovação educacional,com a estratégia de organização e publicação destes
Cadernos de organização egestão escolar 
cumpre a função fundamental de propiciar e promover a interacçãoentre o conhecimento e a prática dos actores.Berta Macedo
 
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INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, em Portugal, generalizou-se o uso, por parte de decisores eprofissionais da educação, de expressões como: «projecto educativo de escola»,«autonomia da escola», «formação centrada na escola». Embora este tipo de discursotenha, frequentemente, uma dimensão meramente retórica, ele não pode ser reduzido aum mero efeito de “moda”. Corresponde a uma tendência generalizada para encarar demodo diferente os estabelecimentos de ensino que, longe de se circunscrever aPortugal, marcou as ciências da educação a partir dos anos 80 e é habitualmentedesignada por «descoberta da escola».O estabelecimento de ensino, entendido durante muito tempo como umaunidade administrativa que prolongava a administração, passou a ser encarado comouma organização social, inserida num contexto local singular, com identidade ecultura próprias, produzindo modos de funcionamento e resultados diferenciados. Aacção dos professores deixa de ser perspectivada como uma resultante simples e lineardas decisões e das políticas estabelecidas a nível nacional ou regional. Oestabelecimento de ensino constitui uma realidade organizacional que funciona comoum «filtro» mediador entre a administração e os professores.Esta nova «maneira de ver» tem consequências ao nível do modo como sãoconcebidas as mudanças em educação: a uma lógica de reforma, em que as mudançassão impostas verticalmente, a partir da administração, tende a suceder uma lógica deinovação, em que as mudanças são produzidas no contexto organizacional da escola,por acção e interacção dos respectivos actores sociais.Tem ainda consequências ao nível do modo como é encarado o papel daformação na concretização de mudanças: o reconhecimento da ineficácia de práticasformativas escolarizadas e dirigidas a indivíduos tem vindo a traduzir-se pelavalorização de modalidades de formação «centradas na escola». Esta valorização vemsendo acolhida e traduzida, no caso português, no conjunto de normativos queregulamentam a gestão das escolas:Assim, conforme é explicitado no diploma legal que estabelece o regime jurídico da autonomia das escolas dos 2.oe 3.ociclos do ensino básico e do ensinosecundário, esta exerce-se através de competências próprias em vários domínios,nomeadamente no que diz respeito à «formação do pessoal docente» (art.o8.odo DL43/89). O art.o14 enuncia estas competências. Entre elas cite-se, a título de exemplos,a mobilização dos recursos necessários à formação contínua «através do intercâmbiocom escolas da sua área e da colaboração com entidades ou instituições competentes»,bem como a promoção da formação de «equipas de professores que possam orientar aimplementação de inovações educativas».Complementarmente, a regulamentação do funcionamento do conselhopedagógico (Desp. 8/SERE/89) define-o como o órgão de gestão no domínio daformação do pessoal docente. Entre as suas atribuições inclui-se a de «analisar,aprovar e avaliar o plano de formação do pessoal docente, apresentado pela respectivasecção de formação, assegurando uma formação permanente, participada e comrecurso crescente à inovação e investigação» (ponto 3.4).
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