Cada consciência individual tem uma perspectiva diferente do honesto e do desonesto, maspara constituir uma
moral administrativa
se leva em conta a relação do administrador com osseus subordinados e, em última análise, com os cidadãos dependes da atividade pública.Não basta atender ao disposto na lei para validar o ato administrativo, pois Meirelles (1997, p.83) lembra do brocardo latino no qual entendia que “nem tudo que é legal é honesto” (
“nonomne quod licet honestum est”
).Ainda na lição deste jurista, o princípio da moralidade foi consagrado de modo objetivo no textoconstitucional quando trata da improbidade administrativa:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988
“Art. 37. [...]§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dosdireitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens eo ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, semprejuízo da ação penal cabível [...]”
Na definição de Bernardi (2007, p. 195) ao se referir à administração pública o termoimprobidade “[...] significa de má qualidade, sem moral administrativa, que causa prejuízo aopúblico, que é prejudicial a toda coletividade. Este autor ainda lembra que a Lei de ImprobidadeAdministrativa (Lei n. 8.429/92) visa impor sanções aos agentes público que enriqueceremilicitamente no exercício dos seus respectivos mandatos, cargos, empregos ou função naadministração pública direta, indireta ou fundacional.Mesmo sendo de difícil definição e quantificação as fronteiras da moral administrativa, a mesmanão é muito distante dos valores que sobressaem na sociedade. Aliás, o Direito como um todo,na sua condição de produção cultural ética, é o reflexo de cada sociedade, assim como osprincípios morais.A moral administrativa tem nas suas raízes aquilo observado nas ruas fora da repartição, e,ainda, necessita ser uma moral lapidada para que seja justa ao lidar com os cidadãos de modoimpessoal, banindo da história brasileira os casos de abuso de poder e de corrupção motivadospela ganância e má fé de alguns indivíduos quando agindo na condição de “autoridades”.
1.1.4 Princípio da Publicidade
No dizer de Meirelles (1997, p. 86) a publicidade “[...] é a divulgação oficial do ato paraconhecimento público e início de seus efeitos externos”. Sendo assim, a publicidade, segundo omesmo jurista, “é requisito de eficácia e moralidade”.A publicidade dos atos administrativos tem por objetivo evitar que a opinião pública desconheçaas ações dos agentes públicos permitindo, assim, algum controle contra possíveis desvios. Osatos são públicos para gerar validade e informação entre partes e perante terceiros, justifica-seo sigilo apenas em determinados casos onde sobressai o interesse particular ou nacional emrelação ao geral, como em investigações policiais, e mesmo nestes casos há a necessidade dedeclaração expressa do sigilo.O povo tem por direito conhecer o conteúdo dos atos e contratos administrativos até mesmopara garantir o bem comum, conclamado com fim da administração pública, para tanto se valede remédios constitucionais quando não é respeitado este princípio, tais como: mandado desegurança, ação popular, e habeas data.Tratando-se de questões ambientais é de grande importância o princípio aqui estudado umavez que grandes riquezas naturais, de interesse coletivo, são entregues à iniciativa privada, por
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