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1 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS
Neste capítulo introdutório serão estudados de forma sucinta os princípios processuaisque se encontram no texto da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, tendocomo referência o estudo do Direito Ambiental Brasileiro.No item 1.1 serão abordados alguns princípios que norteiam a administração públicabrasileira uma vez que os principais atos processuais das demandas ambientais odesenvolvidos por agentes do poder público em suas respectivas funções.Nos itens 1.1 a 1.10 serão analisados os principais princípios processais existentes na
Carta Magna
, tendo na palavra “princípio” a idéia da origem, ou dos elementos originais, queserve de base para toda uma construção lógica, neste caso, do direito processual.Pode-se dizer que é a “semente” da qual brota toda uma gama de valores que posteriormentesão regulados pela norma objetiva e adotados nas relações entre pessoas inseridas em dadasociedade, que uma vez infringidos revelam a clandestinidade e falta de legitimidade dos seusautores.Os princípios processuais aqui estudados são o reflexo de anos de evolução do direitoprocessual em todo o Ocidente, servindo de inspiração para o legislador pátrio que procurouexpressa-los objetivamente tendo em vista a opção pelo regime político brasileiro o qual seconsolidou num Estado Democrático e de Direito, como se expressa o Artigo 1º,
caput 
, daConstituição Federal de 1988
.
Após a análise dos princípios processuais, é apresentada uma recapitulação do conteúdoseguido por algumas questões de fixação, a ser elaborada pelo aluno em momento oportuno, e,finalmente, é proposta uma atividade prática.1.1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DOS ATOS ADMINISTRATIVOSAntes de abordar questões relativas especificamente ao processo, chamamos a atençãopara os princípios que norteiam os atos públicos que, aliás, são os mais relevantes dentro doDireito Ambiental.Esta afirmação encontra guarida no fato da tutela dos bens ambientais estar atrelada aoschamados Direitos Difusos e Coletivos, os quais mais adiante serão tratados.No Brasil são os órgãos públicos, compostos por agentes do poder público, que desempenhamimportante papel na defesa de tais direitos, uma vez que as iniciativas do Terceiro Setor aindasão muito tímidas para atender a tais demandas, e mesmo quando as Organizações Não-Governamentais (ONG´s) empreendem ões destinadas a proteger o meio ambientedependem do auxílio de um ou outro órgão do Poder Público Brasileiro, na esfera nacional,estadual ou municipal.Seja fiscalizando, multando, processando, ou educando, os agentes do poder blico,devidamente lotados em suas funções, encontram algumas limitações para seus atos.O texto constitucional procurou estabelecer alguns princípios encarregados de evitar o abusodo poder por parte de seus agentes que, na sua frágil condição humana, estão sujeitos aequívocos e exageros incompatíveis com um Estado pautado pelos princípios democráticos.Assim, o Artigo 37 da Constituição Federal de 1988 expressa como princípios a legalidade, aimpessoalidade, a moralidade, a publicidade, e a eficiência.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes daUnião, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aosprinpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade eeficiência e, também, ao seguinte:[...]
 
Conforme a lição de Meirelles (1997, p. 82) estes princípios básicos são “[...] os sustentáculosda atividade pública”. São destes que nascem os fundamentos da ação dos agentes públicoscriando um “padrão” pelo qual se deve pautar não só o agente como o administrador público.No dizer de Silva (1999, p. 646) tais princípios servem para orientar o administrador no sentidode uma “[...] correta gestão dos negócios públicos e no manejo dos recursos públicos. Por outrolado, os administrados provam de um ambiente de práticas administrativas “honestas e probas”.Onde impera esta relação harmônica entre governantes e governados se criam condições parauma efetiva pacificação social, pois o abuso do poder público, típico nos regimes políticos emprocesso de desenvolvimento, contribui para um sentimento coletivo de revolta e deinsegurança.Estabelecer o poder o é o suficiente para garantir a ordem e o funcionamento dasinstituições, é necessário saber usar este poder. Para tanto o legislador pátrio elencouprincípios que servem de paradigma para a atividade dos agentes do Estado:
1.1.1Prinpio da Legalidade
Este princípio determina que o agente público tem por dever seguir aquilo que a leiexpressão e não se valer dos interesses e motivações pessoais.Enquanto na iniciativa privada o cidadão dispõe de um vasto campo de possibilidades paraempreendimentos, desde que não agrida a lei, na administração pública as ações apenaspoderão ser executadas quando autorizados pela lei. Aliás, “a eficácia de toda atividadeadministrativa está condicionada ao atendimento da lei” (MEIRELLES, 1997, p. 82).Este apego à letra imperativa da lei vem da tradição do Estado de Direito Liberal o qual,conforme Silva (1999, p. 116-117), suas características básicas eram: a submissão ao impérioda lei, divisão de poderes, e garantia dos direitos individuais.A evolução do Estado Democrático fez com que a lei ganhasse maior importância na suaorganização, principalmente nas tradições de direito escrito, como a brasileira. A importânciadada ao texto legal serve para que haja maior controle sobre os atos da administração pública,uma vez que as leis administrativas são de ordem pública, visando o bem da coletividade.Descumpri-las é ir ao desencontro das finalidades do Estado Democrático de Direito,conclamado no Artigo 1º da Constituição Brasileira de 1988. Mais que um pensamento filosóficoou doutrina jurídica, este princípio é fundamental para a existência e eficácia de qualquer ato deum agente público.
1.1.2 Princípio da Impessoalidade
Este princípio trata da finalidade dos atos públicos. O Administrador público deve atender ao fimlegal previsto para cada ato, ou seja, impõe ao administrador que seja atendido os fins públicosdeclarados na legislação específica sem privilegiar sujeitos ou grupos, a atenção dispensadadeve ser de forma impessoal.Como lembra Meirelles (1997, p. 86) o prinpio da finalidade veda a prática de atosdesprovidos de interesse público ou conveniência para a Administração, apenas motivados por interesses privados, favoritismos, ou, ainda, perseguição de qualquer natureza, constituindo,assim, desvio de finalidade e abuso de poder.
1.1.3 Princípio da Moralidade
O
caput 
do Artigo 37 da Constituição de 1988 expressa que é “pressuposto de validade” do atoadministrativo a chamada moralidade administrativa. Considerando que o fim da AdministraçãoPública é o Bem Comum, a concepção daquilo que é moral no interior dos órgãos públicos deveseguir por estes parâmetros uma vez que um juízo moral (conjunto de valores) oscila em cadaindivíduo.
 
Cada consciência individual tem uma perspectiva diferente do honesto e do desonesto, maspara constituir uma
moral administrativa
se leva em conta a relação do administrador com osseus subordinados e, em última análise, com os cidadãos dependes da atividade pública.Não basta atender ao disposto na lei para validar o ato administrativo, pois Meirelles (1997, p.83) lembra do brocardo latino no qual entendia que “nem tudo que é legal é honesto” (
“nonomne quod licet honestum est” 
).Ainda na lição deste jurista, o princípio da moralidade foi consagrado de modo objetivo no textoconstitucional quando trata da improbidade administrativa:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 
“Art. 37. [...]§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dosdireitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens eo ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, semprejuízo da ação penal cabível [...]”
 Na definão de Bernardi (2007, p. 195) ao se referir à administração blica o termoimprobidade “[...] significa de má qualidade, sem moral administrativa, que causa prejuízo aopúblico, que é prejudicial a toda coletividade. Este autor ainda lembra que a Lei de ImprobidadeAdministrativa (Lei n. 8.429/92) visa impor sanções aos agentes público que enriqueceremilicitamente no exercício dos seus respectivos mandatos, cargos, empregos ou função naadministração pública direta, indireta ou fundacional.Mesmo sendo de difícil definição e quantificação as fronteiras da moral administrativa, a mesmanão é muito distante dos valores que sobressaem na sociedade. Aliás, o Direito como um todo,na sua condição de produção cultural ética, é o reflexo de cada sociedade, assim como osprincípios morais.A moral administrativa tem nas suas raízes aquilo observado nas ruas fora da repartição, e,ainda, necessita ser uma moral lapidada para que seja justa ao lidar com os cidadãos de modoimpessoal, banindo da história brasileira os casos de abuso de poder e de corrupção motivadospela ganância e má fé de alguns indivíduos quando agindo na condição de “autoridades”.
1.1.4 Princípio da Publicidade
No dizer de Meirelles (1997, p. 86) a publicidade “[...] é a divulgação oficial do ato paraconhecimento público e início de seus efeitos externos”. Sendo assim, a publicidade, segundo omesmo jurista, “é requisito de eficácia e moralidade”.A publicidade dos atos administrativos tem por objetivo evitar que a opinião pública desconheçaas ações dos agentes públicos permitindo, assim, algum controle contra possíveis desvios. Osatos são públicos para gerar validade e informação entre partes e perante terceiros, justifica-seo sigilo apenas em determinados casos onde sobressai o interesse particular ou nacional emrelação ao geral, como em investigações policiais, e mesmo nestes casos há a necessidade dedeclaração expressa do sigilo.O povo tem por direito conhecer o conteúdo dos atos e contratos administrativos até mesmopara garantir o bem comum, conclamado com fim da administração pública, para tanto se valede remédios constitucionais quando não é respeitado este princípio, tais como: mandado desegurança, ação popular, e habeas data.Tratando-se de questões ambientais é de grande importância o princípio aqui estudado umavez que grandes riquezas naturais, de interesse coletivo, são entregues à iniciativa privada, por 
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