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O Povo Brasileiro:A formação e o sentido do Brasil
Darcy Ribeiro
301.2981 – R484Texto proveniente de:Seção Braille - CAP da Biblioteca Pública do Paranáhttp://www.pr.gov.br/bppe-mail: braille@pr.gov.brPermitido o uso apenas para fins educacionais de pessoas com deficiência visualTexto-base digitalizado por:Marília - Curitiba - PREste material não pode ser utilizado com fins comerciais.Companhia da Letras - 1995Segunda ediçãoNota da contra-capa:"Para os que chegavam, o mundo em que entravam era a arena dos seus ganhos, emouro e glórias. Para os índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um luxo dese viver. Este foi o encontro fatal que ali se dera. Ao longo das praias brasileiras de1500, se defrontaram, pasmos de se verem uns aos outros tal qual eram, a selvageria ea civilização. Suas concepções, não só diferentes mas opostas, do mundo, da vida, da
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morte, do amor, se chocaram cruamente. Os navegantes, barbudos, hirsutos, fedentos,escalavrados de feridas de escorbuto, olhavam o que parecia ser a inocência e a belezaencarnadas. Os índios, esplêndidos de vigor e de beleza, viam, ainda mais pasmos,aqueles seres que saíam do mar.""Darcy Ribeiro é um dos maiores intelectuais que o Brasil já teve. Não apenas pelaalta qualidade do seu trabalho e da sua produção de antropólogo, de educador e deescritor, mas também pela incrível capacidade de viver muitas vidas numa só,enquanto a maioria de nós Tmal consegue viver uma."Antonio Candido, Folha de S.PauloNota das orelhas do livro:Por que o brasil ainda não deu certo? Darcy Ribeiro, ao chegar no exílio, noUruguai, em abril de 1964, queria é responder a essa pergunta na forma de um livro-painel sobre a formação do povo brasileiro e sobre as configurações que ele foitomando ao longo dos séculos. Viu logo, porém que essa era uma tarefa impossível,pois só havia o testemunho dos conquistadores. E sobretudo porque nos faltava umateoria crítica que tornasse explicável o mundo ibérico de que saímos, mesclados comíndios e negros.Afundou-se, desde então, na tarefa de produzir seus Estudos de antropologia dacivilização, que pretendem ser essa teoria. A propósito deles, Anísio Teixeiraobservou que "embora um texto introdutório, uma iniciação, não é reprodução desaber convencional, mas visão geral, ousada e de longa perspectiva e alcance. DarcyRibeiro é realmente uma inteligência-fonte e em livros desse tipo é que se sente àvontade. Considero Darcy a inteligência do Terceiro Mundo mais autônoma de quetenho conhecimento. Nunca lhe senti nada da clássica subordinação mental dosubdesenvolvido [...]."Mas Darcy continuou trabalhando sempre no seu texto sobre o Brasil e osbrasileiros, explorando tanto as fontes bibliográficas disponíveis como as amplasoportunidades que ele teve de observação direta de todos os tipos de gentes do Brasil.Recentemente, vendo-se em risco de morrer numa UTI, fugiu de lá para viver etambém para escrever este seu livro mais sonhado. Levou consigo, para uma praia deMaricá, as copiosas anotações feitas naqueles anos, que ele compaginou ali. Foramtrinta anos de mais quarenta dias.Trata-se de seu livro mais ambicioso, resultantes daqueles estudos prévios, mas
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independente deles. É uma tentativa de tornar compreensível, por meio de umaexplanação histórico-antropológica, como os brasileiros se vieram fazendo a simesmos para serem o que hoje somos. Uma nova Roma, lavada em sangue negro esangue índio, destinada a criar uma esplêndida civilização, mestiça e tropical, maisalegre, porque mais sofrida, e melhor, porque assentada na mais bela província daTerra.Antroplólogo, ensaísta, romancista e político, Darcy Ribeiro nasceu em MontesClaros, MG, em 1922. É autor de, entre outros, O processo civilizatório ( 1968), Osíndios e a civilização ( 1970 ), Maíra ( 1976), O mulo ( 1981), Utopia selvagem (1982 ) e Migo ( 1988).Agradeço aqui, muitíssimo, àqueles que mais me ajudaram a concluir este livro.A Mércio Gomes, meu colega, pela paciência de ler comigo página por página dotexto original.A Carlos Moreira, meu companheiro, cuja pré-leitura jamais dispenso, que também oleu, inteiro, e derramou sobre meu texto sua frondosa erudição.Confesso, porém, que agradecimento maior e mais fundo e sentido é a Gisele Jacon,minha assessora. Este livro é obra nossa. Se eu o pensei, ela o fez materialmente, lhedando a consistência física de coisa palpável e legível.Gratíssimo,DarcySUMÁRIOPrefácio, 11Introdução, 19I. O NOVO MUNDO1 MATRIZES ÉTNICASA ilha Brasil, 29A matriz tupi, 31A lusitanidade, 372 O ENFRENTAMENTO DOS MUNDOSAs opostas visões, 42
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