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Revista dos Estudantes da Faculdade de Direito da UFC (on-line). a. 2, v. 5, fev./abr. 2008.
39
O
S DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NO
B
RASIL
:
PLENITUDEPEDAGÓGICA E EXIGIBILIDADE JUDICIAL
 
MATEUS GOMES VIANA
*
 Resumo:
Este trabalho aspira a demonstrar a relevância de uma educação plena emmeio à revolução científico-tecnológica e ao capitalismo globalizado, com ênfase nopapel dos juristas na efetivação do direito a essa educação. Após a exposição dosfundamentos desta pesquisa, observa-se uma descrição da nova educação proposta. Emseguida, uma apreciação histórica do direito à educação no Brasil leva à identificaçãodele como direito público subjetivo. Finalmente, o artigo ressalta a essencial atuaçãoconjunta entre Poder Judiciário e sociedade na consecução desse direito fundamental.
Palavras-chave:
Direito à Educação. Plenitude pedagógica. Exigibilidade judicial.
Abstract:
This work aspires to demonstrate the relevance of a complete educationamong the scientific-technological revolution and the global capitalism, with emphasison the function of jurists on the achievement of this education. After the exposition of the basis of this research, it is observed a description of the new education that isproposed. Afterwards, a historic appreciation of the right to education in Brazil conveyto the identification of him as a public subjective right. Finally, the article stands out theessential actuation between Judicial Power and society on the accomplishment of thisfundamental right.
 Keywords:
Right to education. Pedagogical plenitude. Judicial demand.
1.
 
Introdução
A relevância da educação em nossa sociedade é indiscutível. A instrução seconstitui em instrumento essencial, básico e determinante para a capacitação ao trabalhoe para a formação da consciência cidadã nas comunidades humanas. O atual estágio docapitalismo, pautado na revolução científico-tecnológica e na globalização, implicaatenção ainda maior à educação.O nível de formação de uma população é condição
sine qua non
para que hajadesenvolvimento, econômico e social, sustentável em qualquer nação. Parece cada vezmais evidente que a solução para a violência, a alienação, o incipiente desenvolvimentoeconômico ou para as desigualdades sociais é a educação.
*
Aluno da Graduação em Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC).
 
Revista dos Estudantes da Faculdade de Direito da UFC (on-line). a. 2, v. 5, fev./abr. 2008.
40Deve-se especificar, entretanto, que educação é essa e os meios pelos quais elapode ser, de forma universal, alcançada. Este trabalho intenta, nesse sentido,caracterizar a educação plena e demonstrar a intrínseca correlação entre ela e o Direito.A plenitude pedagógica consiste num conjunto de planos de ação doseducadores. O processo educacional deve abranger não só o âmbito cognitivo, mastambém o afetivo e o psicomotor. Ademais, ao discente devem ser concedidas asadequadas lições sobre tecnologia, com a apropriada infra-estrutura de laboratórios deciências e de Informática. Por fim, os espíritos investigativo e empreendedor devem serformados nos alunos.A consolidação da educação como direito fundamental embasa-se no princípioda dignidade humana e a efetividade desse direito junto à sociedade é primordial para oalcance da justiça social. Assim, o presente trabalho visa a analisar, do ponto de vista jurídico, o histórico do direito à educação no Brasil. O tratamento dado ao assunto nasConstituições brasileiras culmina com seu patamar de direito público subjetivo.Destarte, fica clara a exigibilidade judicial da educação. A efetivação do direitoà educação é dever do Estado, de forma concorrente entre os Poderes Executivo,Legislativo e, em destaque, Judiciário – com a aplicação da legislação existente. Oalcance dos níveis educacionais de que o Brasil necessita passa pelos instrumentos decontrole e fiscalização da sociedade e pela aplicação da tutela jurisdicional prevista porparte dos operadores do Direito.
2.
 
O caráter inseparável entre educação e desenvolvimento
Há um rol de benefícios inerentes à educação, o qual pode ser dividido emproveitos ao indivíduo, às empresas e ao país, todos eles com atuação convergente aodesenvolvimento.A educação representa requisito necessário para a capacitação profissional doindivíduo, além de embasar a cidadania cívica, política, econômica e social dele. Asidéias de que a educação potencializa as oportunidades de emprego, a renda e oprestígio social da pessoa são consensuais entre a população.É sabido que existe, em todo lugar, relação entre escolaridade e salário. Quantomaior é o nível educacional do trabalhador, maiores são suas competências e aptidõeslaborativas e, em decorrência disso, mais elevado é seu salário. Isso explica muito da
 
Revista dos Estudantes da Faculdade de Direito da UFC (on-line). a. 2, v. 5, fev./abr. 2008.
41desigualdade verificada no Brasil. Segundo pesquisa da UNESCO
1
, esse foi o país commaior discrepância na comparação entre salários de empregados com nível superior dosrendimentos de pessoas com conclusão apenas do ensino fundamental.Desde a abertura da economia, nos anos 90, as exigências das empresas porescolaridade da força de trabalho aumentaram substancialmente. Como as empresasprecisam de mais competência, exigem mais escolaridade, o que implica que a renda damaioria da população será determinada pelo investimento feito em educação.Além disso, educação de qualidade nos níveis fundamental e médio permite aevolução dos mercados de trabalho e de consumo. A educação propicia às empresasmão-de-obra mais esclarecida e especializada. Assim, profissionais qualificados podemser distribuídos ao longo das atividades econômicas, o que permite a ampliação daindústria, o aumento do valor agregado dos produtos e o incremento da produtividade.O próprio mercado consumidor é beneficiado com a oferta de níveis de educação maisaltos. Trabalhadores qualificados, cujos salários são dignos, relacionam-se com umconsumo mais intenso, o que incrementa os lucros das empresas.As conseqüências da educação não se verificam apenas em termos econômicos.Antônio Góis, jornalista da
Folha de São Paulo
especializado no tema, anota que: “OIBGE
2
prova que filhos de mães com mais escolaridade têm menos chance de morrerantes de completar um ano de idade” (GÓIS, 2005). Não só a mortalidade infantil, masoutros fatores de saúde – como deficiências nutricionais e prevenção de cânceres – temintrínseca relação com o grau de conhecimento do doente.Também é disseminada a idéia de que a falta de oportunidades na escola geraviolência. A desigualdade social – na qual a educação tem participação incontestável – éapontada reiteradamente como fator gerador de marginalização e violência. Apesar deevidentemente simplista, o raciocínio encontra fundamento em estudo do IPEA
3
: “Sabe-se que a criminalidade é função inversa do nível individual de escolaridade. Isso se deveà maior empregabilidade daqueles mais escolarizados, bem como à introjeção maisprofunda de valores de cidadania.”.
1
UNESCO. OECD. Investing in education. In: _____. World education indicators, 1999. Paris:UNESCO, OECD, 1999.
2
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
3
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Brasil o estado de uma nação. Brasília, ago.2005. Disponível em: < http://www.ipea.gov.br/default.jsp >. Acesso em: 18 de março de 2008.
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