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«MANIFESTO – BOLHÃO 2009»
 MEMÓRIA, HISTÓRIA E PATRIMÓNIOCOMÉRCIO TRADICIONAL E TURISMOANIMAÇÃO CULTURAL E RECREATIVADESENVOLVIMENTO ECONÓMICOREVITALIZAÇÃO DA “BAIXA”
PiCporto – PLATAFORMA DE INTERVENÇÃO CÍVICA DO PORTO
 
Movimento de Intervenção e Cidadania da Região do Porto
Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
Associação dos Inquilinos do Norte de Portugal
Associação do Comércio Tradicional “Bolha de Àgua”
Federação dos Feirantes do Distrito do Porto
Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo
Sindicato Nacional de Actividade Turística Tradutores e Intérpretes
 
I
Memória
1. A Plataforma de Intervenção Cívica do Porto (PiCporto), é um espaço de exercício dacidadania e, portanto, de debate e convergência democráticas no sentido da defesa doPatrimónio do Região do Porto. Integram-na, cidadãos em nome individual, movimentoscívicos e diversas organizações associativas da região.2. Na sua origem, esteve (e continua a estar) a defesa do Mercado do Bolhão como símbolomaior do património cultural e da memória colectiva da cidade quando, em Janeiro de2008, sobre ele se abateu a ameaça de demolição e consequente transformação numvulgar centro comercial por uma inexplicável e condenável decisão da Câmara Municipal doPorto.3. Então, para além de múltiplas acções de protesto, a Plataforma logrou reunir em poucosdias, mais de 50 000 assinaturas subscrevendo uma PETIÇÃO, formalmente entregue naAssembleia da República, em defesa do Mercado ameaçado, da sua verdadeira e urgentereabilitação e também da sua necessária modernização.4. Na circunstância e, em virtude de uma inacreditável campanha de alienação de PatrimónioMunicipal decidida pela Câmara Municipal do Porto (e na qual se integrava o próprioMercado do Bolhão), a Plataforma decidiu alargar a sua acção à defesa de todo opatrimónio da região, constituído por equipamentos sociais, culturais e desportivos dequalquer modo ameaçados de destruição.
 
5. Culminando um ano de luta, a Plataforma viu reconhecida a bondade e a justeza da sualuta no momento em que a Câmara Municipal do Porto foi obrigada a dar razão àPlataforma ao romper as negociações com a empresa que se propunha destruir o mercado(TCN) e ao ter de aceitar a participação activa do Ministério da Cultura no processo dereabilitação do Mercado.6. Transferido o epicentro do processo para o IGESPAR (Ministério da Cultura) e garantidaque estava a salvaguarda do Mercado como “património arquitectónico e cultural” nostermos em que a Plataforma sempre defendeu, a sua luta orientou-se no sentido dumamelhor definição do “programa”, assim como do seu enriquecimento com a significativaampliação das suas capacidades e potencialidades.
II
Princípios
1.Na sequência deste processo, a Plataforma considera que o Mercado do Bolhão, com tudoo que representa e com tudo o que passou a representar a partir da luta que a seupropósito foi desencadeada pelos cidaos de todo o país (e também de muitosestrangeiros), reúne as condições ideais para se transformar num elemento decisivo darevitalização da BAIXA do Porto pelo que o “projecto” que vier a ser adoptado deverá teresta dimensão claramente consagrada no seu “programa” e no seu “desenho”.2.Neste contexto, a Plataforma considera que, conjuntamente com a autêntica recuperação ea conveniente modernização do Mercado do Bolhão, deverão ser dados passos decisivos natão desejada revitalização do comércio em geral, do pequeno comércio de qualidade e dochamado comércio tradicional do centro da cidade, assim como no desenvolvimento daactividade cultural e recreativa e da reactivação económica e social da BAIXA que, como ébem sabido, interessa sobremaneira a toda a região.3.Cumulativamente, mas não negligenciável, é o capital de participação e criatividade que osutentes do Mercado compradores e vendedores granjearam durante a luta quemantiveram e suportaram sem desvanecimento, contra uma imensidão de interessesadversos mas que lograram vencer. A solidez das convicções, a seriedade dos propósitos edos procedimentos, assim como o assinavel esrito de sacrifício de todos mas,sobretudo, dos comerciantes – de dentro e de fora – são um elemento essencial e a terdefinitivamente em conta, em qualquer programa de regeneração da cidade, da sua BAIXAe, por extensão natural, de toda a região envolvente que o BOLHÃO tão genuinamenterepresenta.4.Finalmente, a Plataforma considera que não estão ainda garantidas todas as condições paraque a revitalização do Bolhão seja um facto e um êxito. Com efeito, é essencial assegurar:a) A celeridade do processo no que ao PROJECTO e à OBRA se refere;b) A consistência do FINANCIAMENTO (dos estimados 20 milhões de Euros);c) A definição atempada duma ESTRURA DE GESTÃO competente e profissional;d) A garantia de que essa gestão é MUNICIPAL e envolve os UTENTES do Mercado.e) A higienização urgente do Mercado (ainda que temporária) porque a SAÚDE PÚBLICAnão pode esperar pelas obras definitivas nem os comerciantes podem ser mais causticadospela inacção e pela negligência de quem sempre teve, tem e terá a obrigação de zelar pelo bempúblico.
 
III – Propostas
O MERCADO DO BOLHÃO E O PORTO”
O Mercado do Bolhão deverá manter as suas principais características que são as de um mercadotradicional e de frescos ao serviço da cidade e da sua região. Deve, no entanto, abrir-se a outrasvalências que sejam inovadoras e potenciadoras das capacidades que é possível e necessáriomobilizar para este lugar que se considera um pólo fundamental para a revitalização e para adinamização da cidade em que se insere.Neste sentido, o Mercado do Bolhão é um sinal importante na definição das políticas desalvaguarda do Património, é um elemento indispensável ao desenvolvimento do Comércio e doTurismo da região e é, sem dúvida, uma peça essencial para a animação cultural, recreativa eeconómica da “baixa” onde, em cooperação com a municipalidade e com as associações dosdiferentes sectores de actividade, poderão e deverão ser dinamizados espaços para a realização de“feiras temáticas”, sazonais ou periódicas, tal como existem em todas as cidades do mundo.O Mercado do Bolhão é, também, uma oportunidade que não pode ser perdida para o necessárioe urgente desenvolvimento das actividades económicas no centro da cidade, porque pode ser abase para a criação de espaços, lojas e oficinas do mais diverso tipo com capacidade para criaremprego e riqueza.
O MERCADO DO BOLHÃO E O PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL”
O Mercado do Bolhão é, para além do mais, um símbolo e um ícone do Património arquitectónico,histórico e cultural do Porto, da sua região e do país. Por isso a defesa e a manutenção desseespaço como “equipamento público municipal” significa também uma vigorosa chamada deatenção para a importância do património como bem colectivo inalienável mas que, infelizmente,se encontra ameaçado de destruição ou alienação em muitos lugares do território nacional porincúria, ignorância ou ganância de responsáveis sem ética.
O MERCADO DO BOLHÃO O COMÉRCIO TRADICIONAL E O TURISMO”
Todas as cidades do mundo que têm mercados do tipo do Bolhão e aí são considerados comorecursos turísticos importantes. O Porto não se pode dar ao luxo de prescindir dum activo tãovalioso. Há bem pouco tempo, a cidade de São Paulo (no Brasil) propôs a criação duma “Rota dasCidades com Mercados Antigos”. Este movimento é importante e sugere que o Porto se integrenele. Por isso, a Plataforma considera que devem ser ponderadas, no “projecto” do Bolhão, ainclusão das seguintes valências:
“Loja do Turista” como mais importante serviço de informação turística da região, podendocentralizar, por exemplo, a venda de bilhetes para cruzeiros no Douro, para os transportes(STCP, Metro, etc.) e para os espectáculos e acontecimentos da cidade e da região, entreoutros serviços similares.
Café-Bar “Erasmus”, como pólo de encontro e actividade lúdico-cultural dos numerososestudantes estrangeiros que frequentam as universidades portuenses.
Esquadra da PSP, para atendimento a estrangeiros e que, actualmente, funciona na CâmaraMunicipal do Porto.
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