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PÚBLICO / P22 de Maio 2009
Tratamentos para alterar orientação sexual não são uma coisa do passado
02.05.2009, Andreia SanchesHá terapeutas que defendem que é possível ajudar um gay a deixar de o ser. E quemgaranta que é grave e perigoso intervir. O presidente do Colégio de Psiquiatria daOrdem dos Médicos diz que compete ao clínico "avaliar a exequibilidade do pedido" dequem lhe entra pelo consultórioa Criou um site na Internet a que chamou SOS Ajuda Médica. Nele identifica-se comoDaniel Marques, um homem na casa dos 30 anos com um "enorme desgosto por sofrer de tendências homossexuais não desejadas". E pede ajuda: quer ser heterossexual.Gostava, explica, de sujeitar-se a um tratamento, caso ele existisse, para pôr fim à sua"tristeza pessoal". Um comprimido, uma injecção, o que fosse, desde que fosse eficaz.Em Julho de 2006, lançou uma petição on-line. Pretendia recolher assinaturas de pessoas que tal como ele são gay mas querem ser homossexuais. "Juntos podemossensibilizar a comunidade médica e científica, bem como os laboratórios farmacêuticose as empresas de biotecnologia de modo a criarem um tratamento ou um método dereorientação sexual", escreve. O documento não recebeu mais de 20 assinaturas. Não dá muitos pormenores sobre a sua identidade nos e-mails que troca com o P2. Dizque é empregado de escritório, que evita os contactos sociais, que vive em Lisboa e pouco mais. "O meu caso provavelmente corresponde a uma anomalia estatística",desabafa. "A maior parte dos GLBT [gay, lésbicas, bissexuais e transexuais] apenas quer ser aceite como é. Eventualmente, acabam por atingir um ponto de harmonia e de auto-aceitação, digo eu, e a vida continua." Com ele é diferente. "A minha esperança estátoda centrada na cura.""Cura" é, no entanto, uma palavra que há muito deixou de ser usada nestes casos.Porque há muito que a homossexualidade deixou de ser vista como doença. AAssociação Americana de Psiquiatria recomenda mesmo aos médicos que se abstenhamde tentar mudar a orientação sexual dos indivíduos.Ainda assim, Adriano Vaz Serra, psiquiatra, presidente da Sociedade Portuguesa dePsiquiatria e Saúde Mental, conta que já teve dois pedidos semelhantes ao de Daniel. Eacredita que, nalgumas circunstâncias, se a pessoa demonstrar grande vontade, é possível, através da terapia cognitiva comportamental, mudar a orientação sexual dealguém. "Num desses casos, a pessoa conseguiu mudar."O "tratamento da homossexualidade" voltou a ser notícia recentemente, no ReinoUnido, a propósito de um inquérito de um grupo de investigadores que, causandoalguma surpresa, revelou que 17 por cento profissionais de saúde mental assumiu já ter tentado "reorientar" lésbicas, gays e bissexuais.O P2 pediu a opinião de João Marques Teixeira, presidente do Colégio da Especialidadede Psiquiatria da Ordem dos Médicos. O psiquiatra defende que nalguns casos pode ser  possível "re-enquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento" dealguém que sente atracção por pessoas do mesmo sexo. Mas o tema é controverso.Como se verá.Lidar com a diferençaA Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista das perturbações psiquiátricas em 1973. Foi uma decisão tomada por votação e após umdebate acalorado e renhido, como lembra o psicólogo Pedro Frazão, membro da
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