Ao falar deste primeiro movimento, na história quereivindicamos das lutas das mulheres pela cidadania eliberdade, seria injusta em não mencionar que desde sempre,em todas as épocas históricas, houve mulheres que lutaram,não por si individualmente, mas pelos direitos de todas asoutras mulheres. Esquecer aqui as mulheres da RevoluçãoFrancesa, que organizadas em clubes tentaram conseguir para si a liberdade que tinham ajudado a conquistar, seriaesquecer a história e cultura europeia que é a nossa. O nomede Olympe de Gouges, que primeiro escreveu umaDéclaration des Droits de Femmes, merece fazer parte danossa memória colectiva. Ou o de Mary Woolstonecraft quena Inglaterra do século XVIII se atreve a escrever "Thevindication of the rights of women", pelo que pagou toda avida, seria uma afronta. Ou a nossa Rainha D. Leonor queescolhe para um dos primeiros livros a ser impressos emPortugal o "Espelho de Cristina" de Cristine Pisan,defendendo já os direitos das suas companheiras de sexo, noséculo XVI.Mas voltemos ao feminismo. Distinguem-se regra geral trêsvagas de feminismo, nascidas quase sempre em países decultura anglo-saxónica, e seguidos depois no resto do mundo.A primeira de 1840-1860, a segunda de 1900-1920 e aterceira, a partir do fim da década de sessenta. A académicaAlice Rossi, que faz esta cronologia, considera haver umaespécie de dialéctica inter-geracional, pois cada movimento éseparado por duas gerações. Como que, depois de cadamovimento existisse um período de reacção, ou de pausa, emrelação a alguns direitos já conquistados.De facto nos primórdios do feminismo as exigênciasprendem-se com os ideais do iluminismo, aqui aplicados às
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