SINPRO
EP
Jornal do
Julho de 2008
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INFORMES JURÍDICOS
No contexto das nego-ciações do Fórum Nacional daPrevidência Social, em junho de2007, o DIEESE publicou umtrabalho explicativo sobre o ator previdenciário. Após um ano aentidade volta a discutir o temainstigada pelos debates iniciadosno Congresso Nacional, depoisda aprovação do PL de autoriado senador Paulo Paim (PT-RS),que propõe o m desse mecanis-mo iname que prejudica os tra-balhadores.A Constituição de1988 estabeleceu no CapítuloII, Título VIII – Ordem Social,o princípio da Seguridade Social.No artigo 194 dene SeguridadeSocial como um conjunto inte-grado de ações de iniciativa dosPoderes Públicos e da sociedade.Essas ações são destinadas a ga-rantir os direitos relativos à saúde, previdência e assistência social.A Constituição Federaldene que a Seguridade se assentano tripé: saúde, previdência e as-sistência social. Para atender essadenição o constituinte manteveo princípio do sistema de reparti-ção oriundo da Lei Elói Chaves.Um sistema solidário, em que ostrabalhadores, no seu conjunto,contribuem para pagar o segurodos que atingiram a idade de seaposentar.
CAPITALIZAÇÃOXREPARTIÇÃO
Com o advento doneoliberalismo nos anos 1990, oBanco Mundial passou a prescre- ver uma receita única para o sis-tema previdenciário no mundo.Principalmente para a AméricaLatina. A primeira investida deu-se no Peru. O governo peruanodesarticulou o sistema de repar-tição e implantou a orma decapitalização. Os trabalhadoresdaquele país, de uma hora paraoutra, perderam direitos sociaisde seguridade e viram seu sistematomado pelos grupos nanceirosnacionais e internacionais.Durante o processo de
Fator Previdenciário crimecontra os trabalhadores
O inciso VIII do arti-go 8° da CF diz que é vedada adispensa do empregado sindi-calizado a partir do registro dacandidatura a cargo de direçãoou representação sindical e, seeleito, ainda que suplente, atéum ano após o nal do mandato,salvo se cometer alta grave nostermos da lei.Apesar da clareza cris-talina do que diz a nossa Leimaior, os empregadores, comanuência de alguns magistrados,teimam em querer pôr abaixoesse direito dos trabalhadores.Durante o processoConstituinte, os componentesdo amigerado “Centrão”, grupoormado por uma “tropa de eli-te” (literal da palavra) reacioná-ria, a maioria hoje ormando oDEM e o PSDB, insistiam como saudoso Ulisses Guimarãesque o texto constitucional estavamuito detalhista, entrando emminúcias. Ulisses com a sua pers- picácia respondia: “se o que estáexplícito vocês não respeitam,que dirá o que não está”. Tinharazão o velho e inteligente Ulis-ses Guimarães. Sabia ele muitobem o que estava dizendo.O artigo 543 da Con-solidação das Leis do Trabalho,no seus parágraos 3° e 4°, tipi-ca como “vedada a dispensado empregado sindicalizado ouassociado, a partir do momentodo registro de sua candidaturaa cargo de representação sindi-cal...” .Quando o legisladoroptou por dar essa garantia aotrabalhador, ele tinha convicçãode que sem essa norma regula-dora, nenhum trabalhador ou-saria participar da diretoria doseu sindicato e se expor à sanhaselvagem patronal e perder seuemprego. E mais. Em certos ca-sos, não conseguir trabalhar emoutra empresa do mesmo ramo.O Brasil raticou asConvenções 87, 98 e 135 daOrganização Internacional doTrabalho (OIT), sendo que estaúltima especica claramente asgarantias para os Representan-tes dos Trabalhadores (Worker’sRepresentatives):
“Os representantes dostrabalhadores, em suas atribui- ções, deem gozar de efetia pro-teção contra qualquer ato que os prejudique, inclusie ato demis- sional em irtude de seu status ou atiidades enquanto representan-tes dos trabalhadores ou membrosde sindicatos ou participação em atiidades sindicais, desde que ajam em conformidade com a le- gislação igente ou normas coleti-as ou acordos.”
O que querem os se-nhores magistrados da nossa Jus-tiça do Trabalho que não reco-nhecem esse direito cristalino?Por acaso são analabetos? Semdúvida que não. Essa pequena parcela de juízes que desconhe-cem a lei, rasgam a Constituiçãoe passam por cima das resoluçõesde organismos internacionais,são movidos pelos interesses pa-tronais.
As Centrais sindicais precisam tomar uma posição firme contra essa trama queestá gerando o “oo da serpente” da liquida- ção do moimento sindical brasileiro. Sem as mínimas garantias para os dirigentes, ostrabalhadores estarão entregues à própria sorte. Aos poucos a Justiça ai formando ju-risprudência sobre o assunto. Lutemos en-quanto há tempo. Se não, quando abrirmosos olhos estaremos liquidados.
Apesar da estabilidade provisória dos dirigentes sindicais noemprego estar garantida no artigo 8°, inciso VIII da Constituição Federal de 1998 e no artigo 543, parágrafos 3° e 4° da CLT,uma Turma do TST, de forma absurda, se submete aos interesses patronais e desrespeita a nossa Carta Magna
Justiça do Trabalhorasga Constituição
discussão da Reorma Previden-ciária de 1998, no governo FHC,a inclusão do critério da idademínima para concessão de todoe qualquer tipo de aposentadoriaoi rejeitada pelo Congresso Na-cional.Na calada da noite aReorma oi aprovada. A emendaConstitucional de nº 20 alteroudiversas regras para as aposenta-dorias do Regime Geral da Previ-dência Social (RGPS).As principais alterações oram:
•Estabelecimentodova
-lor-teto para os beneícios (hojeem R$ 3.038,99);
•Eliminação,deforma
gradual, da aposentadoria espe-cial;
•Substituiçãodocon
-ceito de “tempo de serviço” pelo“tempo de contribuição”. Para asmulheres, a aposentadoria portempo de contribuição se dá com30 anos de contribuição e para oshomens, com 35 anos.O Executivo criou o“ator previdenciário” como umcritério alternativo para a idademínima, por intermédio da Leinº 9.876, que alterou a redaçãodo art. 29 da Lei nº 8.213, de1991 e modicou os critérios decálculo dos beneícios.Com o novo dispositi- vo adotado, o valor das aposen-tadorias pagas pela Previdência passou a ser calculado com basena média aritmética dos 80%maiores salários de contribuiçãoreerentes ao período de julho de1994 até o mês da aposentado-ria. A média é corrigida mone-tariamente e ajustada pelo “ator previdenciário”. O princípio é:retardar a aposentadoria paraconseguir um benecio maior.A denição que rege ainstituição do “ator previden-ciário” baseia-se no conteúdoideológico da reorma de 1998.Esse princípio trouxe para dentrodo sistema público de previdên-cia, criado com uma visão social,a partir de um ormato de re- partição, o caráter predatório dosistema privado de capitalização,na lógica do mercado e do lucro.Cada pessoa é responsável pelasua previdência.A criação do “ator previdenciário” em 1999 infuiudiretamente nas aposentadorias por tempo de contribuição. Re-baixou a média dos seus valoresem, pelo menos, 23% para os ho-mens e em mais de 30% para asmulheres.Pelo seu conjunto decontradições podemos armarque o “ator previdenciário”, alémdos impactos prejudiciais aostrabalhadores, advindos da suaaplicação, oi o “ovo da serpente”gerado pelo governo FernandoHenrique, que a gestão de Lulanão extirpou e abre caminho paraa entrega do sistema aos gruposeconômicos internacionais da previdência privada.Organizações de apo-sentados, tendo a rente a Cone-deração Brasileira dos Aposenta-dos e Pensionistas (Cobap), vêmlutando pela aprovação do proje-to do senador Paulo Paim (PT-RS), que extingue o amigerado“ator previdenciário”. O projeto já passou no Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputa-dos. Os trabalhadores da ativa sóagora acordaram para o proble-ma que os atinge diretamente ecomeçaram a mobilizar suas ba-ses por intermédio das CentraisSindicais.Os técnicos do IPEA(Instituto de Pesquisas e Estu-dos Aplicados), de visão conser- vadora que ainda permanecemnaquele instituto, começam adiundir a idéia perversa de que oFator Previdenciário é bom paraos trabalhadores mais pobres. O próprio ministro da Previdênciaestá endossando esse princípioque é um verdadeiro engodo.Será uma luta dura. O presidente Lula declarou que possivelmente vetará o projetose ele or aprovado. Vamos verse o Presidente está dispostoa passar para história como oresponsável pelo enterro daPrevidência Pública brasileira.Vamos pagar para ver.
Trajano Jardim – Jornalista
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