2de aprendizagem é a idéia proposta por Guimarães dos Santos (1994, 1995, 1997,1998, 2000a, 2000b, 2002, 2003) segundo a qual tais transtornos -- assim comoqualquer outro tipo de alteração cognitiva -- não devem e não podem serconcebidos como entidades nosológicas autônomas e auto-suficientes, devendo,ao contrário, serem entendidos como pseudo-categorias, como partes inter-dependentes de estruturas muito mais complexas, necessariamente multiformes eessencialmente dinâmicas -- as disfunções cognitivas – que se caracterizam, emúltima análise, por alterações no funcionamento normal dos processos mentais eneurobiológicos
subjacentes ao fenômeno que se convencionou chamar decognição ou inteligência, alterações que se dão, invariavelmente, em um sujeitoespecífico e determinado – o paciente
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que estamos tratando – e que, por issomesmo, não podem ser pensadas de forma abstrata, ou seja, independentementedas características intrínsecas desse mesmo sujeito.Evidentemente, a completa compreensão do conceito acima enunciadopressupõe o conhecimento, por parte do leitor, do significado do termo cognição(humana) que, também segundo Guimarães dos Santos (1994, 1995, 1997, 1998,2000a, 2000b, 2002, 2003), deve ser entendido como nomeando a capacidadefundamental, exibida pelos indivíduos de nossa espécie, que nos faculta aadaptação às situações as mais diversas, e isso não somente através de nossaacomodação, mais ou menos passiva, a tais situações, mas, sobretudo, através daimplementação ativa de procedimentos destinados a modificá-las de modo a quese ajustem às nossas necessidades e objetivos.A conseqüência imediata da adoção dessa concepção mais ampla do queaquela comumente empregada é que, sob o rótulo cognição (humana), não seencontrarão somente as capacidades tradicionalmente classificadas comocognitivas ou inteligentes -- tais como a linguagem, a memória ou o raciocíniológico-matemático – mas, sob esse rótulo, também estarão uma série de outrasfunções cujo caráter cognitivo, mesmo que a nosso ver incontestável, não é ainda,de maneira unânime, reconhecido pela comunidade de pesquisadores -- tais comoa motivação, a emoção, a imaginação, a criatividade, a capacidade de serelacionar socialmente ou a habilidade de realizar as seqüências necessárias à
Reabilitação Neuropsicológica/URN. In Luiza Elena L. Ribeiro do Valle (Org.),
Temas multidisciplinares de Neuropsicologia e Aprendizagem
, 221-230. São Paulo: TECCI.
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A despeito das críticas que são freqüentemente feitas ao termo “paciente” - ele sugeriria a passividadedo indivíduo perante o profissional de saúde - ele será utilizado no presente artigo não somente poracharmos que tais críticas são desprovidas de fundamento, mas também por crermos que a alternativacomumente proposta - o termo “cliente” - acarreta, aí sim, problemas realmente complexos.
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