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09/04/08
Dasa amplia negócios nas classes populares
Depois de consolidar sua presença em todo o território brasileiro através de uma estratégiaagressiva de aquisições, a Diagnósticos da América (Dasa), agora quer reforçar sua participaçãono atendimento de baixo custo para pessoas que não possuem assistência médica privada. Aempresa, a maior da América Latina no setor, com mais de 10% do pulverizado mercado brasileirode exames em que opera com 15 marcas próprias, criou um projeto piloto instalado em São Pauloa partir de junho de 2006 com sua marca Lavoisier. "Nas unidades em que temos o LaboratórioPopular esta operação já representa entre 10% a 16% do faturamento", explica Milton Zymberg,diretor de medicina diagnóstica da empresa.Neste tipo de operação, os exames como raio-x têm um custo de R$ 30,00 e papanicolau, porexemplo, custa R$ 17,00. O de colesterol sai por R$ 4,20 e um teste de gravidez por R$ 19,50."Os descontos dos exames chegam 80% em relação aos custos normais dos exames", diz. Ogrande objetivo da Dasa é incorporar entre os clientes parcelas do imenso contingente do SUS quenão podem esperar, às vezes, mais de um mês para fazer exames diagnósticos. "Há no Brasilcerca de 37 milhões de pessoas que possuem planos de saúde. O nosso mercado, portanto é todoo restante", acrescenta o diretor.Depois do sucesso de São Paulo com o Lavoisier Popular, a Dasa encaminhou o projeto para outrosestados. No Rio do Janeiro, a empresa lançou o Bronstein Popular e o Pasteur Popular, e emCuritiba o da Santa Casa. "Nosso projeto prevê a expansão do serviço para todas as regionais,incorporando Salvador, Fortaleza e Florianópolis. No lugares em que não conseguirmos lançar oprojeto com as marcas já existentes, vamos comprar alguma unidade para o lançamento", dizZymberg. Atualmente o Laboratório Popular existe em 56 unidades em todo o país e atendeu maisde 80 mil pacientes em 2007. "A grande vantagem para a empresa é a utilização da capacidadeociosa para atender este segmento de mercado com exames que são processados com a mesmaqualidade do trabalho normal", completa o diretor. Em 2007, a Dasa obteve uma receita de R$930 milhões, um crescimento de 32% sobre o ano anterior. No total, a empresa realizou 7,7milhões de atendimento ou 26% a mais do que em 2006.Fonte: Gazeta Mercantil / SP 
Dasa inaugura 100ª unidade
A 100ª unidade da Diagnósticos da América (Dasa), na região metropolitana de São Paulo, acabade ser inaugurada, sendo o imóvel reformado para receber o novo Delboni Auriemo. Foram quase18 meses de obras até a abertura da unidade, que também marca a inauguração do primeiro ClubDA para atendimento à região dos Jardins e Itaim. O Club DA é um espaço exclusivo criado parapacientes que buscam privacidade.Fonte: Diário Comércio & Indústria / SP
Quem ganha dinheiro com saúde
| 15/12/2004
Os paradoxos de um setor que se expande como poucos, mas onde só alguns têmlucros
 
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Por Roberta Paduan
O ocaso da Interclínicas, no início de dezembro, é o mais recente sintoma de umagrave crise que há pelo menos cinco anos acomete o setor privado de saúde noBrasil. Depois de reinar durante um bom tempo como a maior operadora de planosde saúde do país, a Interclínicas acabou com uma dívida acumulada em 100milhões de reais. Sua carteira de 166 000 clientes foi vendida por cerca de 35milhões de reais ao Grupo Saúde ABC, líder em sua área de atuação no ABCpaulista. O caso da Interclínicas está longe de ser isolado. No ano passado, 34%das 2 200 empresas de planos de saúde do país tiveram prejuízo. De acordo com aAgência Nacional de Saúde Suplementar, que regula as operadoras, 300 dessasempresas estão em dificuldades financeiras. "Na verdade, elas estão à beira dafalência", afirma Herbert Gonçalves, diretor da área de negócios de saúde daconsultoria Booz Allen Hamilton.Como os planos médicos são um elo fundamental na cadeia da saúde, problemasnesse setor afetam todo o resto. "É um efeito em cascata", diz Gonçalves. Osplanos de saúde geram 91% das receitas dos hospitais particulares e 95% dofaturamento dos centros de diagnósticos. Os hospitais particulares têm, em média,seis meses de seu faturamento anual comprometidos com dívidas. As margens comque o setor vem trabalhando estão cada vez menores -- hoje estão em torno de5,5% e são consideradas apertadíssimas pelos profissionais do setor. "Com essesganhos é impossível fazer os investimentos obrigatórios em tecnologia, que sãopesadíssimos na nossa área", afirma Francisco Balestrin, vice-presidente daAssociação Nacional de Hospitais Privados. Boa parte dos centros de diagnósticospor imagem existentes no país também está endividada.Nesse cenário inóspito, existem algumas ilhas de eficiência que, até agora, vêmconseguindo se manter saudáveis e em crescimento. Na área de planos de saúde, aIntermédica, com mais de 1,2 milhão de clientes, faturou 528 milhões de reais elucrou 48 milhões em 2003. Com faturamento de 300 milhões de reais no anopassado, o laboratório Fleury colheu um lucro de 37,5 milhões de reais. ASociedade Israelita Albert Einstein, dona do Hospital Albert Einstein, um dosmelhores do país, teve receita de 481 milhões de reais e lucrou 76 milhões no anopassado. Todas essas empresas, de alguma forma, conseguiram escapar dasprincipais armadilhas do sistema brasileiro de saúde privada.Um ponto em comum em todas as organizações que vêm conseguindo bonsresultados é a profissionalização de suas administrações, assunto que sórecentemente ganhou importância no setor de saúde no Brasil. "Normalmente, omelhor médico do hospital virava gestor", afirma Carlos Alberto Suslik, coordenadordo curso de gestão da saúde do Ibmec São Paulo. "Quase sempre, perdia-se umgrande médico e ganhava-se um péssimo administrador." Um dos exemplos deprofissionalização nessa área é a Sociedade Israelita Albert Einstein. No início desteano, a Sociedade completou seu processo de profissionalização. O engenheiroGustavo Leite foi trazido da presidência da subsidiária brasileira da Monsanto comoo principal executivo da Sociedade.O Einstein vem seguindo o modelo de negócios apontado pelos hospitais de classemundial -- o da especialização. "Com o desenvolvimento da medicina em diversoscampos, ficou impossível fazer tudo e fazer tudo bem", diz Reynaldo Brandt,presidente do conselho do Albert Einstein. Os conselheiros e executivos do Einstein já definiram os quatro grandes campos de atuação em que o hospital deve seconcentrar -- oncologia, cardiologia, neurologia e transplantes. Isso significa que,com o tempo, o hospital deixará de realizar procedimentos simples, como cirurgiade amígdalas. "Ao se concentrar em algumas poucas áreas, é possível aumentar a
 
qualidade técnica e controlar melhor os custos", diz Brandt. Nos Estados Unidos,esse caminho já foi apontado por hospitais como o Mount Sinai, de Nova York,entre os mais conceituados no tratamento de câncer e transplantes. Atualmente, aestrutura do Mount Sinai reúne um hospital gigantesco, com 1 171 leitos, mais queo dobro do Einstein, e uma escola com mais de 400 alunos de medicina.
Retrato da crise
Desde a última década, o sistema privado de saúde brasileiro passa por umacrise sem precedentes. Eis algumas das dificuldades enfrentadas pelo setor
O número de usuários de planos de saúde diminuiu de
41 milhões, em 1998, para38 milhões, em 2004
A rentabilidade média das empresas de planos de saúde caiu de
8,4%, em 1995, para2,4%, em 2003
A dívida das clínicas e dos centros de diagnósticos por imagem comfornecedores de equipamentos é de cerca de
900 milhões de reais
Fontes: Federação Brasileira de Hospitais, Milliman Consultoria, ColégioBrasileiro de Radiologia
A especialização não elimina a possibilidade de crescer com diversificação -- desdeque isso seja feito ao redor de seus campos originais de atuação. Uma das grandesapostas do Fleury é o hospital-dia que será inaugurado no primeiro semestre de2005. Fruto de um investimento de 8 milhões de reais, o hospital-dia localizado emHigienópolis, na capital paulista, vai realizar pequenas cirurgias que não requereminternação, como vasectomias e implantes de prótese mamária. "Isso se encaixa nanossa estratégia como uma extensão natural da medicina diagnóstica, que, emalguns casos, permite a realização de procedimentos terapêuticos durante o próprioexame", afirma Marcos Ferraz, diretor do centro de diagnósticos do Fleury.Outro movimento relevante que vem ocorrendo nesse setor é o de consolidação. OCentro de Medicina Diagnósticos da América (Dasa), dono das redes de laboratóriospaulistas Delboni Auriemo e Lavoisier, é um símbolo dessa movimentação. O Dasafoi fundado em 1999, quando os centros de diagnósticos paulistas Delboni Auriemoe Lavoisier, que haviam se juntado naquele mesmo ano, receberam um aporte decapital de um fundo de investimentos. De lá para cá, o Dasa fez mais aquisições efechou seu faturamento em 373 milhões de reais em 2003. "Percebi que sozinhonão conseguiria dar conta dos investimentos necessários para permanecer nessemercado", diz o médico Caio Auriemo, um dos fundadores do Delboni Auriemo.Quando iniciou o laboratório, no começo da década de 60, Auriemo pouco dependiade tecnologia. Hoje, uma máquina de ressonância magnética custa entre 1 milhão e2 milhões de dólares. Em novembro deste ano, a empresa se tornou a primeira daárea da saúde a lançar ações na Bolsa de Valores de São Paulo. Nos EstadosUnidos, a consolidação está mais adiantada e atinge todo o setor. Nos últimos 15anos, cerca de 1 000 hospitais americanos fecharam. No caso das operadoras deplanos de saúde, as dez maiores empresas detinham 38% dos beneficiários em1986. Hoje possuem 55%. No Brasil, esse movimento ainda está no início -- as dezmaiores têm 25% do mercado.As fusões e aquisições são a resposta a uma realidade que é comum no mundotodo. "Os custos relacionados à medicina aumentam em uma escala muito maior
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