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CMS e a produção colaborativa de conteúdo
Yuri Almeida é jornalista, especialista em Jornalismo Contemporâneo, pesquisador do jornalismo colaborativo e edita o blog herdeirodocaos.com sobre cibercultura, novastecnologias e jornalismo. Contato:hdocaos@gmail.com/ twitter.com/herdeirodocaosCMS. Estas três letras foram fundamentais para potencializar escritas coletivas e a plurivocalidade na rede mundial de computadores. No início da Internet, a ausência desistemas e aplicativos de fácil manuseio impedia a apropriação pelos usuários das possibilidades de conversação e produção de conteúdo. A Web era mais “lida” do que“escrita”. Na década de 90, com o desenvolvimento dos primeiros
Sistemas de Gestão deConteúdo (CMS),
a liberação do pólo emissor é materializada, tendo em vista que asinterfaces de gerenciamento de conteúdo melhoram a usabilidade e experiência dousuário, e consequentemente, novas vozes ganharam visibilidade e ampliação na rede. Nessa evolução histórica, vale destacar a criação das primeiras plataformas de weblogsem 1999 pela Userland Software. Winer, fundador da empresa, comentava que a Webnão podia ser apenas lida, mas escrita de forma rápida e simples. O blog que começoucomo uma expreso do “eu” tornou-se a principal ferramenta para práticascolaborativas (apesar de quase sempre individuais) na rede e mais: na virada do século,os blogs constituíram um zona informacional importante para a formação da agenda pública.É do senso comum que a Internet foi o primeiro meio de comunicação a colocar na mãodos cidadãos as ferramentas para a produção e emissão de conteúdo, inclusive para alémda Web. dios onlines, jornais comunirios, galeria de imagens... todas asexperiências colaborativas e as próprias dias sociais contam com suporte demodernos e eficientes CMS. O CMS é um aspecto cnico, operacional, mas potencializou as escritas coletivas e, dificilmente, sem esses programas teríamos umazona informacional plural e participativa.Ao assumir o controle das narrativas nos discursos, os cidadãos-repórteres investem-sedo poder simbólico, antes hegemônico aos mass media tradicionais. Segundo JohnThompson (1998), o poder simbólico nasce na atividade de produção, transmissão erecepção do significado das formas simbólicas. Outra ruptura ocorre no que tange asinterações entre público e mídia. Se antes as relações sociais que eram mediadas pelosmeios de difusão de informação para massa se davam pelo sentido único do fluxo dacomunicação, atualmente, esta interação ocorre também de forma plural einterdependente, na qual os usuários superam a verticalidade e estrutura monológicasdos oligopólios da informaçãoO CMS, se o leitor me permitir uma metáfora, é uma arma, semelhante a dos super-heróis, na luta contra os vilões que ameaçam a vida na Terra. O vilão nessa batalhaépica é o silêncio e/ou a falta de espaços para expressão, tanto pessoal como coletivo,lembrando que os meios de comunicação de massa controlavam os pegiosinformacionais. De nada adiantaria a conexão desconectada da conversação.
 
CMS e blogsÉ impossível falar de CMS sem mencionar os blogs. De acordo com estudo doTechnorati, 79% dos blogs são de natureza pessoal, 46% profissionais e 12% blogscorporativos. Em 24 horas quase 1 milhão de posts são publicados. Os dados mostramque os blogs o ferramentas para publicão de informão e espaços para asociabilidade.O que seriam dos protestos em Honduras durante o golpe militar que depôs o presidenteeleito, por exemplo, se não contasse com os blogs para reverberar a tensão interna paraa comunidade internacional através da Web? No cotidiano, os blogs tem fortalecidotambém a produção de conteúdo hiperlocal, geralmente preenchendo lacunas deixadas pelos meios de comunicação de massa. E tudo isso não seria possível sem o CMS.CMS e o software livreWordPress, atualmente um dos CMS para a criação de blogs mais populares do mundo,sintetiza a filosofia do software livre. A abertura do código fonte para a comunidade,certamente, foi o principal elemento para a sua popularidade. Se a internet foi o primeiro meio a dar voz ao cidadão, podemos dizer que o WP é o megafone de diversosmovimentos e gritos individuais nessa babel informativa. O cidadão não precisa se preocupar com o desenvolvimento de temas, plugins e recursos multimídia, precisa sededicar apenas a produção de conteúdo. O que o Winer dizia em 1999 “escrever a Webde forma simples” foi materializada pelo WordPress e o seu CMS.“O WordPress é um projeto muito especial para mim. Todo desenvolvedor ecolaborador acrescenta algo único nessa mistura, e juntos nós criamos algo bonito doqual me orgulho de fazer parte. Milhares de horas foram investidas no WordPress, e nósnos dedicamos para melhorá-lo todos os dias”, diz Matt Mullenweg.E é justamente essa possibilidade de “acrescentar algo único nessa mistura”, da qual serefere o Mullenweg, que influenciou o desenvolvimento do jornalismo colaborativo.Para além das experiências colaborativas em grandes jornais e portais, novos espaçosforam criados para canalizar as novas vozes oriundas da liberação do pólo emissor. Acomunidade de colaboradores é fundamental para o êxito das escritas colaborativas, masum CMS é o “esqueleto” para tais práticas. Joomla, WordPress, Typo3... são osresponveis pela “abertura do digo-fontee materializão do jornalismocolaborativo.A base filosófica do jornalismo colaborativo é movimento do software livre iniciado em1984, por Richard Stallman, como contraponto ao software proprietário, que“aprisionava” e “restringia a liberdade” dos usuários. A proposta do software livre erade abrir o código-fonte para a análise e modificação por parte de qualquer utilizador,aprimorando desta forma, a usabilidade do programa. Além dos aspectos tecnicistas, omovimento trouxe consigo a luta pela liberdade, compartilhamento de conteúdo e acolaboração como processo produtivo, em substituição ao individualismo.O requisito essencial para liberdade do software é a disponibilização do código-fonte para o estudo, cópia, modificação e distribuição da “versão” atualizada, sem restrições,

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