Nível bioclimatológico:
Nesse nível são estudadas as limitações devidas aos fatores do clima. Aação desses fatores (latitudes, distribuição dos continentes, relevo, depressões barométricas,correntes marinhas) faz-se sentir, principalmente, sobre as plantas, através de seus elementos(temperatura, precipitações, ventos). Assim, a latitude, condicionando a temperatura, acarreta adivisão da superfície da Terra em grandes zonas, nas quais o comportamento biológico é bemdiversificado equatorial, tropical, temperada e fria, com as respectivas subdivisões. A cada umadelas, em função também da umidade, correspondem diferentes faixas de vegetação. Quando aaltitude introduz modificações climáticas, também se estabelece um escalonamento (agora vertical)da vegetação, passando estas faixas a constituir os denominados andares de vegetação. Latitude ealtitude são, assim, os dois fatores que mais influenciam sobre a distribuição das espécies.Constitui objeto deste nível o estudo dos principais tipos de biócoros (floresta, savana, formaçõesherbáceas ou grassland e deserto), bem como a análise da distribuição da vegetação com base nasformas biológicas. Estas foram criadas por Raunkiaer, que procurou classificar as plantas de acordocom a localização dos órgãos regenerativos, o que lhes confere diferentes graus de defesa contra asintempéries. Estabelecendo, em várias áreas, a percentagem de cada uma dessas formas, verificouque, enquanto nas regiões tropicais úmidas predominavam as fanerófitas (com brotos altos e sem proteção), nas secas dominavam as terófitas (que produzem sementes que caem ao solo e ficaminativas durante a estação adversa) e nas temperadas úmidas as hemicriptófitas (nestas a parte aéreamorre até o nível do solo, onde fica o broto regenerativo). Além dessas formas, existem ainda ascaméfitas (cujos brotos estão perto do solo, sendo próprias dos climas secos ou frios; nestes últimos,a neve protege os brotos no inverno) e as geófitas (nas quais a parte aérea morre anualmente,ficando apenas o broto abaixo do solo, inteiramente protegido).Para os bioclimatologistas, uma das grandes preocupações é o estabelecimento dos isófenos (linhasque unem pontos onde determinada espécie tem igual periodicidade biológica: época de floração deuma planta, reprodução de um animal etc.). Pelo traçado dos isófenos poder-se-á ter uma idéia maisexata do clima do que pelos simples dados meteorológicos, pois as plantas, reagindo ao meio,servirão de índices. A melhor caracterização do clima é dada, porém, pelo clímax: tipo de vegetaçãoexpontânea (floresta, pradaria, etc.) que, sem a intervenção humana, vai atingir, de maneira estável,os seus próprios limites.Tendo em vista que os climas apresentaram grandes variações através dos tempos, o exame dessasalterações é do maior interesse. Pode ser feito pela análise dos varvitos, pelos exames dos anéis decrescimento das árvores e, sobretudo, pelo exame das turfeiras. Compõem-se estas, na maior partede musgos do gênero Sphagnum, que têm a propriedade de conservar o pólem das plantas que orodeiam. Com a interrupção vegetativa ocasionada pelo inverno, formam-se camadas bem distintase através da analise do pólen nelas contido, é possível chegar até a identificação de gêneros oumesmo de espécies. As glaciações, que assinalaram diferentes épocas geológicas, tiveramimportante papel na distribuição da vida na Terra e os estudos das flutuações pós-glaciais também pertence ao nível bioclimatológico. De diversas maneiras, fazem-se notar esses efeitos e os daúltima glaciação (que abrangeu no Pleistoceno, extensa área) são os mais sensíveis. Os principaisforam: (1) destruição de alguns gêneros (o Sequóia desapareceu completamente da Europa); (2)restrição (esse mesmo gênero Sequóia, que durante o Plioceno existia em quase toda a América do Norte, acha-se hoje limitado à Califórnia); (3) isolamento de grupos: em algumas áreas, que nãoforam cobertas pelos gelos, mas apenas cercadas, mantiveram-se determinadas espécies, que passaram a constituir relíquias; esse isolamento foi por vezes muito acentuado (nas ilhas que nãoforam glaciadas, por exemplo); e (4) endemismo, que constitui o último grau na restrição geográficadas espécies; é nas ilhas e nas altas montanhas que apresenta as mais altas percentagens.
Nível sinecológico:
Neste nível são estudadas a composição, estrutura e dinâmica dos ecossistemas
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