Sherlock Holmes adaptado para Crianças 3-in-1: O Carbúnculo Azul, O Silver Blaze, A Liga dos Homens Ruivos by mark williams by mark williams - Read Online

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Sherlock Holmes adaptado para Crianças 3-in-1 - mark williams

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O Carbúnculo Azul

O Carbúnculo Azul 1.

––––––––

Londres, Inglaterra. 1889.

Era Boxing Day, o dia depois do Natal, quando eu caminhava, cuidadosamente, pelas ruas congeladas de Londres. Um vento frio soprava pequenos flocos de neve e eu estava esperançoso que não nevasse, com muita intensidade, naquela tarde.

Bati com as minhas botas no primeiro degrau de pedra, do número 221B, da Baker Street, pois não queria deixar um rasto de gelo e areia, no corredor da Senhora Hudson. Tinha ali vivido há já algum tempo, a dividir um apartamento com o meu querido amigo Srº Sherlock Holmes, e ainda tinha uma chave, então, abri a porta e entrei.

Senhora Hudson! Chamei, indo em direção à cozinha; eu sabia que era onde a dona da casa estaria ocupada, e queria, em parte, fazer a cortesia de dar-lhe a conhecer que eu tinha chegado e, também, na esperança que ela me visse a tremer e me oferecesse uma chávena de chá quente; o que foi que ela fez, naturalmente.

Feliz Natal, Drº Watson! A senhora Hudson estava a sorrir quando veio para o corredor, a limpar as mãos num avental sujo de farinha. Meu Deus! Você parece que está, completamente, congelado. Venha já, e chame o Sr. Holmes, que eu vou vos trazer um bule de chá.

Isso seria muito bem-vindo, Senhora Hudson! Disse eu.

Olhe para as minhas mãos. Continuou a dona da casa. Parece que o Dr. Watson sabia, com certeza, que eu ía fazer os seus scones favoritos, hoje. A primeira fornada estará pronta a qualquer momento!

Esplendido, senhora Hudson! Disse eu. Esplendido! A acompanhar com um pacotinho de manteiga fresca e com a sua maravilhosa geleia de morango! Claro!

É claro! A Sra Hudson riu-se.

Inclinei-me para ela e sussurrei: Não diga a ninguém que eu disse isto, Sra H., mas a senhora faz os scones muito melhores, do que os da minha querida esposa; que Deus a abençoe!

Oh, seja sincero, Dr. Watson! A senhora Hudson corou e voltou para a cozinha, a rir-se com ela própria.

Subi as escadas, para o piso onde morava o meu caro amigo, e bati uma vez à porta.

Entra, Watson! Disse o Holmes.

O Carbúnculo Azul 2.

Abri a porta, sorri e fiz a pergunta: E como sabias que era eu, Holmes? Foi, talvez, da maneira como subi as escadas? Ou foi pela forma como eu arrasto os pés quando caminho?

O Holmes respondeu às minhas perguntas com um aceno de mão.

Realmente, Watson! Disse ele. Não é preciso ter nenhuma habilidade especial de detetive, para saber que chegaste. Primeiro, a campainha não tocou, então, era evidente que a visita tinha uma chave. Apenas três pessoas têm o privilégio de ter a chave desta casa. A Srª Hudson e eu, claro, e tu próprio. E em segundo lugar, chamaste pela Senhora Hudson, no corredor, com o teu vozeirão. Acho que ouvi a vossa conversa sobre biscoitos e geleia de morango.

Estava a sorrir, quando fechei a porta. Era sempre muito óbvio, quando o Holmes explicava as coisas com uma lógica tão característica dele.

O Holmes estava recostado no sofá; estava vestido com o seu roupão favorito roxo. Ele tinha estado a fumar o seu cachimbo e tinha acabado de ler os jornais da manhã, que estavam amassados no chão.

Mas o que me chamou à atenção, de imediato, foi a lupa e a pinça numa cadeira de madeira, junto ao sofá, e um chapéu velho e estragado, pendurado na parte de trás da mesma cadeira.

Soube, imediatamente, que este chapéu não era do Holmes e que a lupa e a pinça, que estavam próximas, indicavam que o chapéu seria uma pista, de algum tipo de mistério, em que o Holmes estava a trabalhar.

Vejo que estás ocupado, Holmes. Disse, quando me aproximei da lareira, para ficar mais confortável. Tens um mistério de Natal para resolver?

Não é nada especial. Disse o Holmes. É, apenas, um chapéu abandonado que o Peterson, o porteiro, me entregou, juntamente com um ganso que tinha sido abandonado.

Olhei para o Holmes, perplexo. Disseste, um ganso?

O Holmes sorriu. Um grande e gordo ganso de Natal, Watson. Alguma pobre alma foi para casa sem o chapéu e sem o ganso de Natal, na véspera de Natal. Creio que a esposa dele não deve ter ficado satisfeita.

Olhei em volta do quarto, mas não vi o ganso.

Vejo o chapéu, Holmes... Disse eu. Mas não vejo o ganso.

Porque ele está, agora mesmo, a ser assado no forno da Srª Peterson. Disse o Holmes.

No forno da Srº Peterson? Olhei espantado para o Holmes. Mas e se o legítimo dono voltar para o vir buscar?

Mais importante que isso, Watson, e se ele não o fizer? Perguntou o Holmes. Se passasse mais um dia, o ganso não teria mais nenhuma utilidade para ninguém. È melhor que o Peterson e a sua família tenham bom proveito, do que mandá-lo para o lixo; pois foi o Peterson que o encontrou.

Mas como é que alguém perde o próprio chapéu e o ganso de Natal? Perguntei, incrédulo.

Foi assim, Watson. Disse o Holmes. Ouve, o Peterson saiu até tarde, na noite da véspera de Natal, para fazer algum negócio, ou outra coisa, e a caminho de casa presenciou uma discussão, entre um homem idoso e alguns jovens. O homem estava a usar este mesmo chapéu e tinha o ganso de Natal ao ombro.

Então, e o que aconteceu? Perguntei.

O Holmes estendeu-se no sofá. "Parece que os jovens estavam um pouco agitados, talvez tivessem bebido demais, porque é Natal, e atiraram com