A CAMA DO CONSTRUTOR DE BARCOS by Kris Pearson by Kris Pearson - Read Online

About

Summary

Descrição do livro:

Um apaixonante romance na cidade capital da Nova Zelândia.

Um dia de vento... Um letreiro a voar... Um estrondo terrível. Sophie Calhoun não imagina como vai pagar os estragos causados no luxuoso carro.
Já com problemas de liquidez, está a lutar para lançar o seu novo estúdio de decoração de interiores e dar um lar à sua filha.
Intempestivo, sai do seu elegante Jaguar preto o magnata de iates Rafe Severino, a fumegar de raiva. Um homem bonito, desesperadamente à procura de um decorador de topo para a sua espetacular mansão junto ao porto de abrigo.
Sophie teme que o contrato dos seus sonhos dependa de ela estar disposta a ir para a cama do construtor de barcos. Seja qual for a forma como ela tente escapar, ele está sempre presente - implacável e irresistível.
Sabe que ele não quer uma mãe solteira preocupada, mas é cada vez mais difícil ocultar a existência da sua filha do homem por quem se está a apaixonar. Se ele descobre as suas mentiras, ela perderá tudo num instante.
Aviso: contém um homem de pele dourada determinado, que é um bom conhecedor de barcos, corpos e lençóis.

Published: Kris Pearson on
ISBN: 9781547508150
List price: $2.99
Availability for A CAMA DO CONSTRUTOR DE BARCOS
With a 30 day free trial you can read online for free
  1. This book can be read on up to 6 mobile devices.

Reviews

Book Preview

A CAMA DO CONSTRUTOR DE BARCOS - Kris Pearson

You've reached the end of this preview. Sign up to read more!
Page 1 of 1

Epílogo

A CAMA DO CONSTRUTOR DE BARCOS

Por Kris Pearson

Um dia de vento... Um letreiro a voar... Um estrondo terrível. Sophie Calhoun não imagina como vai pagar os estragos causados no luxuoso carro. Já com problemas de liquidez, está a lutar para lançar o seu novo estúdio de decoração de interiores e dar um lar à sua filha.

Intempestivo, sai do seu elegante Jaguar preto o magnata de iates Rafe Severino, a fumegar de raiva. Um homem deslumbrante, desesperadamente à procura de um decorador de topo para a sua espetacular mansão junto ao porto de abrigo.

––––––––

O meu carinho e gratidão a Philip pela ajuda fotográfica, pelo inabalável incentivo e por desenredar questões informáticas. Os meus agradecimentos a Joseph, que me contou como é crescer whangaied (adotado) – e deu vida a um novo livro.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e situações são produto da imaginação da autora e são fictícios. Qualquer semelhança com eventos reais, locais ou pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.

Direitos de autor © Kris Pearson

––––––––

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida sob qualquer forma ou por qualquer meio, ou armazenada num banco de dados ou sistema de recuperação, sem permissão prévia do autor.

Capítulo Um - Bum!

Capítulo Dois – Uma Proposta Surpresa

Capítulo Três - Passeio de Teleférico

Capítulo Quatro - Rabo com Poeira

Capítulo Cinco – O Batom da Ex-Mulher

Capítulo Seis - Comemoração com Champagne

Capítulo Sete - Subida da Pulsação

Capítulo Oito - Aprisionada e a Tremer

Capítulo Nove - Famílias Infelizes

Capítulo Dez – O Beijo de Boa Noite

Capítulo Onze - San Diego

Capítulo Doze - Amor à Distância

Capítulo Treze – Mentira Tem Perna Curta

Capítulo Catorze – O Jantar da Charcutaria

Capítulo Quinze – Ganho Eu/Ganhas Tu

Capítulo Dezasseis - Tarde Deliciosa

Capítulo Dezassete - Ponto Irreversível

Capítulo Dezoito - Suspeição

Capítulo Dezanove - Pérolas e Diamantes

Capítulo Vinte – A Bomba de Faye

Capítulo Vinte e Um – A Fada Faz Piruetas

Epílogo

CAPÍTULO UM - BUM!

Rafe Severino batia com o punho no volante ao ritmo do antigo hino dos Rolling Stones. Os Stones não estavam a ter uma ‘no satisfaction’ e ele também não. A sua companhia, Severino Superyachts Nova Zelândia, parecia imparável. Porém, pessoalmente, Rafe estava perdido no deserto. 

E ele sabia disso.

Odiava que o seu casamento tivesse sido um desastre. Odiava ser o último filho a formar a sua própria família. Odiava a maneira como os seus pais acarinhavam os seus irmãos mais novos e os filhos deles - e mal reconheciam a sua existência.

Odiava ainda mais permitir que isso o incomodasse.

À sua frente, um caminhão atravessou-se na estrada antes de entrar num beco em marcha atrás. Rafe diminuiu a velocidade e depois parou para dar espaço ao motorista para fazer a manobra.

O vento que vinha do mar tinha subido de intensidade. Uma bandeira ondulava e chocalhava num poste próximo. Um lata de coca-cola vazia rolava ao longo da sarjeta. Dentro do seu Jaguar, com o volume alto, Rafe via ambas mas não ouvia nada. A ‘satisfaction’ parecia estar muito distante.

Inspirou profundamente e tentou pensar noutra coisa.

O seu olhar desviou-se para as pernas de uma loira de salto alto que saía a porta de uma loja com uma placa publicitária na mão. O vento fustigava os longos cachos de cabelo, ocultando parte do seu rosto como um véu dourado sensual, mas algo nela pareceu-lhe familiar.

Então a barra da sua translúcida saia azul virou-se para cima e Rafe aguçou a atenção.

Para óbvia consternação da rapariga, a placa começou a cair, e Rafe pôde facilmente ler-lhe nos lábios um curto e agudo impropério. Ficou boquiaberto face à frustração da rapariga, que lutava para segurar o cabelo revolto com uma mão enquanto agarrava a placa com a outra.

De repente reconheceu-a: era uma assistente de Faye. Chama-se Josie, Susie ou qualquer outra coisa parecida.

Será que a sua ambiciosa ex-mulher tinha um novo estúdio que ele desconhecia? Estaria ela a subir na vida?

Uma combinação de curiosidade e código de cavalheirismo, há muito enraizado pela sua avó, fez com que estacionasse o enorme carro num lugar vago e desligasse o motor e o rádio. Nesse preciso momento uma rajada de vento arrancou a placa das mãos da rapariga lançando-a para o passeio. As duas metades separaram-se quando ela saltou para cima de uma delas para a segurar, como se fosse uma criança a brincar à macaca. A outra metade voou e bateu na frente do seu carro.

Houve um estrondo. Um ruído surdo. Um som que não agourava nada de bom. Rafe juntou o seu impropério ao dela e saiu do carro. Fechou a porta com estrondo e avançou em passos largos para avaliar os estragos.

A rapariga ficou gelada, toda ela era pernas, com a saia e os cabelos a esvoaçarem, como se estivesse empoleirada na sua prancha de surf.

Quando conseguiu apanhar os fios de cabelos brilhantes com ambas as mãos a sua boca tornou-se um perfeito o de horror e os seus olhos abriram-se ficando quase redondos.

A rápida inspeção de Rafe confirmou que o farolim lateral necessitava de ser reparado rapidamente. Lançou-lhe um olhar gélido. Lindo serviço.

Desculpe-me, disse ela com a voz dilacerada.

Tendo receio do que pudesse dizer se continuasse a falar, pegou no telemóvel e percorreu a lista de contactos até encontrar o agente da Jaguar.

Peço desculpa, repetiu ela. Eu pago o estrago, seja de que forma for.

Claro que vai pagar.

Foi meramente um acidente, acrescentou ela em tom de defesa.

Rafe fez-lhe sinal com a mão para que não falasse quando o agente atendeu a chamada. Virou-se para falar com ele e concluiu a conversa com a pergunta: por volta das duas? Obrigado, amigo; fico a dever-te uma.

Voltou o olhar para a rapariga. Ela estava agora muito ereta, agarrando a sua metade do letreiro com toda a força, como se estivesse à espera que a lâmina da guilhotina lhe caísse em cima a qualquer momento.

Por amor de Deus, homem, acalma-te! Não foi culpa dela e eles podem consertar o carro esta tarde.

Sim, tem razão, disse ele, suavizando o seu tom, à medida que compreendia o óbvio pânico dela. Ninguém teve culpa. Foi apenas a ideia de não poder usar o carro logo à noite noite.

Coisas más parecem acontecer às três de cada vez, disse ela. Pelo menos já aconteceram todas. Primeiro o farolim, depois não poder usar o seu carro e terceiro o meu letreiro partido. Preciso mesmo dele.

Rafe virou-se e apanhou a outra metade, sem outros danos além do topo basculante. Nunca vai ficar unido com esses minúsculos parafusos. É a Josie, não é?

Ela abanou a cabeça. Sophie. E o senhor chama-se Severino. Eu trabalhei para a Faye.

Sim eu sei. Vou consertar-lhe o letreiro.

Porque faria isso? Ainda mais, depois de lhe ter danificado o carro?

Ele ignorou a agudeza da sua pergunta. Tinha-se excedido na sua reação. Não admira que ela parecesse irritadiça.

Porque sou o tipo de pessoa que gosta de ajudar. A Faye está por cá?

A Faye? A Faye e eu... seguimos cada uma o seu caminho, murmurou ela, evitando os seus olhos.

Aparentemente é o que se faz hoje em dia. A Faye e eu também seguimos cada um o seu caminho.

Não! Quando? disse ela, olhando para ele novamente com aqueles olhos grandes cor cinza. Depois recuperou a sua postura. Desculpe. Estou surpreendida. Não sabia. Pensei que fossem o casal perfeito.

A boca dele esboçou um sorriso sombrio.

Isso era também o que eu pensava até há uns meses atrás.

Então Faye estava a esconder o facto de se terem separado? Interessante.

Ele olhou para o letreiro mais de perto. Este estúdio é bom?

Muito bom, efetivamente.

Ele sentiu o desafio ou a defesa nas três abruptas palavras. Esperou que ela dissesse mais alguma coisa, mas tal não aconteceu.

Pensou na sua casa quase acabada e no atual desprimorado interior. Preciso de um decorador. Alguém tão bom quanto a Faye.

Ela revirou os olhos. Eu sou melhor do que a Faye. Na verdade, eu escuto o que os clientes querem.

Trabalha para este estabelecimento?

Eu sou a dona deste estabelecimento. Virou-se e empurrou a porta, indicando que ele a deveria seguir. Apenas eu trabalho aqui. Abri hoje; ou teria aberto se o letreiro não se tivesse partido em dois.

Vou consertá-lo para si, repetiu ele, enquanto a seguia para o interior da loja. A placa estava bem pintada, mas o trabalho de carpintaria era horrível. Será que ao oferecer as suas competências compensava a sua explosão temperamental inicial? Esperava que sim. Suponho que usou os parafusos fornecidos com as dobradiças? perguntou, e depois surpreendeu-se ao acrescentar, "Tem uns sapatos mais confortáveis?

O quê? perguntou ela, aparentemente perplexa pela sua mudança de assunto.

Como disse, preciso de um decorador, agora que não tenho a Faye. Tenho deixado andar as coisas. Quer ver a minha casa e enviar-me uma proposta? Ainda parece uma zona que foi bombardeada. Não conseguirá andar por lá com esses sapatos. Olhou para as suas sandálias de salto alto, os tornozelos esbeltos e as pernas de um dourado claro, satisfeito por ter uma desculpa para a inspecionar livremente.

A sério? Uma proposta para decorar a sua casa? A casa da Faye? Depois de ter danificado o seu carro?

Esqueça o carro. Tem reparação. Sim, a casa do penhasco. Mas já não pertence à Faye.

Ele ficou a olhá-la, enquanto ela fechava os seus grandes olhos com força e enterrava os dentes brancos muito certinhos na almofada do seu lábio inferior.

Não posso simplesmente largar tudo, objetou ela, depois de uns segundos. Tenho coisas a tratar.

"Finja que ainda não tem a loja aberta ao público. Ainda são só nove e quinze.

Mas hoje tenho uma pequena festa de abertura com bebidas e aperitivos, para os clientes verem o meu novo estúdio. Enviei os convites a dizer que será às cinco horas da tarde de segunda-feira.

Então tem muito tempo. Estendeu-lhe a outra metade da placa. Vou buscar as minhas ferramentas.

Enquanto caminhava para o carro, pensou por que razão Sophie não se mostrara surpreendida quando ele se ofereceu para fazer trabalho de carpinteiro. Talvez Faye tenha escarnecido dos seus antecedentes? Uma breve reflexão e decidiu que não era o estilo de Faye. Ficava feliz por ser conhecida como a esposa do fundador da mega bem-sucedida Severino Superyachts, sim, mas apostava tudo em como ela não admitia ter-se casado com um carpinteiro meio-maori, oriundo de um pequeno povoamento florestal.

A ironia de entregar a decoração da casa de sonho da sua ex-mulher à sua assistente mais nova divertia-o. Poderá vir a fazê-lo se ela for uma boa profissional. Deus sabe que já era tempo de fazer algo com aquela casa.

***

Sophie quase caiu das sandálias abaixo com o choque. Rafe Severino? Aqui? E ele tinha-lhe oferecido uma oportunidade de trabalhar para ele?

Por que diabo tinha ela sido tão rude? Disse-lhe que não podia largar tudo? Submeter uma proposta de decoração para a sua casa era uma oportunidade única na vida - a forma ideal para lançar o seu novo negócio. Mesmo que não conseguisse o trabalho, quando se espalhasse a notícia de que ela tinha sido convidada para dar um orçamento, iria trazer-lhe imensos benefícios.

Mas ela tinha sido apanhada de surpresa pela sua súbita aparição. Tinha tanto receio das ondas de puro poder masculino que emanavam dele, como de estar a ser perseguida por um jato TomCat.

Ela ficou a olhá-lo, como um passarinho hipnotizado, enquanto ele se aproximou do seu luxuoso carro, abriu a mala da bagageira e tirou uma caixa de ferramentas metálica, muito usada. E viu-o olhar para cima enquanto a transportava para dentro. Por cima das suas vitrinas, um novo reclame brilhante anunciava SUBTIL em elegantes letras grandes e estúdio de decoração de interiores em letras muito mais pequenas.

Um nome interessante, disse ele, empurrando a porta e fechando-a contra o vento.

Resume o meu estilo, conseguiu dizer. Tranquilo, intemporal e moderno, sem ser ultrajante. É isto que está à procura para a sua casa?

Ele abanou a cabeça. "Neste momento só tenho a certeza do que não quero. Lançou-lhe um rápido olhar apreciativo. Apareceu-me um sujeito de lacinho e boné de lã que quer decorar a casa como um velho castelo inglês. Há um sujeito gay que insiste em acentuações cor-de-rosa brilhantes, porque são a última moda em Paris..."

Craig Kennedy? perguntou ela, sentindo um sorriso a repuxar-lhe os lábios.

Conhece-o?

Temos tendência a conhecermo-nos minimamente. Tentou sufocar o sorriso, esperando parecer profissional.

Tudo bem, também falei com a Hilda Bergermeyer, com uns dentes terríveis, e com a Willa Rushworth...

É difícil de contentar. A Willa é, supostamente, uma boa profissional.

Não estávamos no mesmo comprimento de onda. Fechou os olhos por um momento. Quero uma casa de família. Algo relaxante e informal. Um lugar para os meus filhos crescerem e se sentirem amados e seguros.

Sophie ficou surpreendida e sentiu um desconforto perverso passar-lhe através do corpo. O seu antigo chefe tinha uma família sobre a qual nunca tinha falado? Sophie teve de renunciar a sua própria querida filha. Porque é que algumas pessoas têm toda a sorte do mundo?

Respirou calmamente. Faye nunca me falou das crianças.

Não existem crianças. disse ele apoquentado. Ela não queria ter filhos, mas levou bastante tempo até me dizer.

Ah. Sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés e procurou algo mais para dizer enquanto considerava esta inesperada revelação pessoal. Os desconhecidos às vezes compartilham confidências surpreendentes. Lembrava-se de abrir o coração a uma simpática florista quando se tornou evidente que não poderia ficar com a pequena Camille em Wellington. Falar com aquela mulher que mal conhecia na loja de flores trouxera-lhe mais conforto do que discutir o enorme problema com o seu médico ou com a senhoria ou com a sua melhor amiga, Fran. E conhecia-os a todos muito melhor.

Às vezes, aqueles que os querem não conseguem, e vice-versa, arriscou ela, apercebendo-se do seu reflexo no vidro da montra e passando os dedos pelos cabelos despenteados tentando devolver-lhes um pouco de harmonia. Meu Deus, estava um caos!

Mas porque é que uma mulher não quereria ter filhos de Rafe? Seriam lindos - de cabelos e olhos escuros - e quanto a fazer amor com ele para os conceber... só o simples pensamento dava-lhe calores.

Olhou de relance para o seu rosto duro e liso.

Ele devolveu o olhar muito diretamente durante uns segundos, depois arregaçou as impecáveis calças ​​acima dos joelhos e agachou-se para arranjar o letreiro partido.

O tecido do dispendioso fato ameaçava entrar em contato com o chão de madeira, recentemente envernizado. Uma onda de pânico percorreu-a. E se as calças ficassem estragadas? Correu para a casa de banho e agarrou numa toalha velha azul-marinho.

Ajoelhe-se em cima disto, pediu ela. Só acabei de aplicar o verniz ontem.

Envernizou o chão? Olhou ao redor do estúdio com mais atenção.

"Eu fiz tudo. É um pouco mais pequeno do que queria, mas a localização é boa: mesmo no coração do distrito do design."

Também pintou?

Humm... Aluguei um andaime portátil, comprei a tinta e o verniz, e lancei-me ao trabalho.

Ficou muito bem. passou um dedo sobre o soalho e depois levantou-se alegremente. Sophie ficou na expectativa da sua opinião.

Os seus olhos escuros deambularam pelo arejado espaço.

É perigoso fazer isto sozinha - uma pessoa pequena como é.

Viu-o a calcular a altura do teto, e decidiu ignorar o comentário sobre o seu tamanho. Estava perfeitamente adequada ao seu um metro e sessenta. Ele tinha mais de um metro e setenta.

Não podia pagar a ninguém, admitiu ela. No início foi aterrorizante, mas tentei ser muito cuidadosa. Precisava preservar as minhas reservas para mandar pintar as letras da placa publicitária e coisas do género... Parou quando notou o olhar dele sobre o seu rosto novamente.

E um candelabro? Os seus olhos fitaram os dela durante uns aparentemente infinitos segundos, e ela desviou o olhar e engoliu antes de poder falar novamente.

Não; pura sorte. Encontrei-o aqui numa caixa velha. Pensei que era bom demais para deitar fora, então dei-lhe uma limpeza, comprei algumas contas de vidro na loja de artesanato e... prendi-os à volta.

Questionou-se porque lhe estava a dizer tudo isto. Ele poderia pagar qualquer coisa que quisesse no mundo, e certamente não estava interessado em saber dos seus sacrifícios.

Dá-lhe um toque bonito, concordou ele, olhando para as lantejoulas de luz branca e arco-íris de verde-maçã pálido e aqua dançando sobre a pintura fresca iluminada pelo sol. Muito luxuoso para alguém com um orçamento apertado.

Estava a brincar com ela? Sophie lançou-lhe um olhar de soslaio, enquanto ele se punha de pé: alto, pele morena, com um ar tranquilo de autoridade absoluta. Qualquer outra pessoa com uma camisa branca como a neve e um fato preto Armani ficaria ridículo a agarrar uma robusta ferramenta elétrica. Na sua enorme mão parecia perfeitamente aceitável.

Belo brinquedo para um rapaz," retorquiu ela, indicando o berbequim e questionando-se de onde lhe tinha vindo a coragem.

Ganhou uns pontos. Um sorriso repentino suavizou o seu rosto austero. Porque pôs a mesa de trabalho tão lá atrás? Parece muito profissional. As pessoas iriam gostar de a ver a trabalhar.

Ela abanou a cabeça e tentou parecer sensata. Sensata? A maior parte de si estava no limite extremo, e sentia a cabeça cheia de neblina.

Não. Posso ligar o candeeiro e o computador lá atrás. E eu realmente não gosto de me sentir como um peixinho dourado num aquário. De qualquer forma, pensei que era mais importante ter os tecidos e os painéis semânticos onde as pessoas os pudessem ver.

Ele assentiu e começou a passear-se pelos painéis montados na parede com fotos brilhantes e pequenas amostras de cores de tinta, de tapetes, de azulejos e de tecidos.

Reconheço este. É um dos trabalhos de Faye. Apontou o dedo para uma foto de uma sala de jantar branca e prateada.

Sophie ergueu o queixo e olhou para ele. Cerca de metade deles são da Faye. Os clientes são dela, mas são absolutamente minhas, as ideias e a execução.

Ele dirigiu-lhe outro sorriso devastador. Não seja tão sensível.

Eu trabalhei arduamente nestes projetos. Inspirou profundamente e expirou lentamente, não querendo parecer irritada e nervosa num momento em que necessitava de demonstrar ser calma e organizada.

Estão muito bons, concordou ele, apontando com o berbequim os belos interiores. Onde vai por os tecidos?

Sophie ergueu os olhos para o teto. Esse é o próximo trabalho que preciso de fazer. Tenho alguns cortes de tecido de exposição para colocar lá em cima. Indicou uma fileira de seis varões de cortinados cromados suspensos por fios de náilon.

Ele olhou para cima, para os varões e depois para baixo, para ela.

Não com esses sapatos calçados. Eu vou fazer isso para si.

O quê?

Mediante uma troca. Presumo que tenha uma escada algures, visto que o andaime já cá não está?

Está lá fora, nas traseiras, concordou com uma voz sumida.

"Então, vou pendurar os tecidos para evitar