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Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira

Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira

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Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira

Length:
592 pages
6 hours
Released:
Aug 3, 2017
ISBN:
9788582930533
Format:
Book

Description

Este livro aborda os processos tradicionais de ocupação das áreas de colina nas cidades brasileiras e portuguesas, associados à tradição da urbanística lusitana de ocupar sítios em locais elevados para a fundação de sete cidades: Lisboa,Coimbra e Óbidos, em Portugal, e Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Ouro Preto, no Brasil.

Released:
Aug 3, 2017
ISBN:
9788582930533
Format:
Book


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Top quotes

  • A partir do século XVIII, com o apogeu da economia baiana e a expansão das atividades portuárias, essa área foi dominada não apenas pela produção do açúcar, mas também de tabaco, algodão, couro, café, ouro e diamantes.

  • Essa solução em acrópole é tradição portuguesa, anteriormente aplicada na África e Ásia, e proveniente das influências da civili- zação helênica e da medieval, tanto na vertente cristã quanto da muçulmana.

  • O poder da Coroa, entretanto, coexistia com os poderes da Igreja e também dos concelhos ou comunas, incluindo os senhores e instituições como universidades, corporações de artífices e das famílias.

  • Rio de Janeiro, ao instalar-se aí a Corte portuguesa, que assim quis evitar a sua submissão ao estrangeiro, face às invasões napoleónicas, o que assumiu com toda a sua força.

  • Para ele, o português era dominado pelo realismo e pela praticidade, avesso à cerimônia e à ilusão, dominado pela tradição, rotina e pobre de imaginação.

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Urbanismo de colina - José Geraldo Simões Júnior

Urbanismo de colina

uma tradição luso-brasileira

Manuel Leal da Costa Lobo

José Geraldo Simões Júnior

(orgs.)

SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros

LOBO, MLC., and SIMÕES JÚNIOR, JG., org. Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira [online]. São Paulo: Editora Mackenzie, 2012. Academack collection, nº 14. ISBN 978-85-8293-053-3. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.

Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira

Coleção AcadeMack 14

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Reitor: Benedito Guimarães Aguiar Neto

Vice-reitor: Marcel Mendes

COORDENADORIA DE PUBLICAÇÕES ACADÉMICAS

Coordenadora: Helena Bonito Couto Pereira

EDITORA DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Conselho editorial

Helena Bonito Couto Pereira (Presidente)

José Francisco Siqueira Neto

Leila Figueiredo de Miranda

Luciano Silva

Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira

Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos

Moises Ari Zilber

Valter Luís Caldana Júnior

Wilson do Amaral Filho

Coordenadora editorial

Joana Figueiredo

APOIO

FUNDO MACKENZIE DE PESQUISA (MACKPESQUISA)

Presidente: José Francisco Hintze Júnior

IST PRESS, EDITORA DO INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

Director

Pedro Lourtie

Coordenadores editoriais

Joaquim Moura Ramos

Manuela Morais

Produtora editorial

Manuela Morais

Manuel Leal da Costa Lobo | José Geraldo Simões Júnior

organizadores

Urbanismo de colina: uma tradição luso-brasileira

Copyright © 2012 organizadores.

Todos os direitos reservados à Universidade Presbiteriana Mackenzie, ao Mackpesquisa e à IST Press. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mackpesquisa e IST Press.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Urbanismo de colina [livro eletrônico]: uma tradição luso-brasileira/Manuel da Costa Lobo, José Geraldo Simões Júnior, organizadores. – São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mackpesquisa e IST Press, 2012. (Coleção Academack; v. 14)

68377 Kb; ePUB

Vários autores

ISBN 978-85-8293-053-3

1. Arquitetura 2. Cidades 3. Cidades de colina – Brasil 4. Cidades de Colina – Portugal 5. Urbanização I. Lobo, Manuel da Costa. II. Título.

11-01883

CDD-711.4

Índices para catálogo sistemático:

1. Cidades de colina: Tradição luso-brasileira: Urbanismo 711.4

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Rua da Consolação, 930

Edifício João Calvino, 7º andar

São Paulo – SP – CEP 01302-907

Tel.: (5511) 2114-8774/2114-8785

E-mail: editora@mackenzie.br

Site: www.editora.mackenzie.br

EDITORA IST PRESS

Instituto Superior Técnico

Av. Rovisco Pais, 1

1049-001 – Lisboa – Portugal

Tel.: (+351 21) 841 76 59 (Ext. 1659)

Fax: (+351 21) 841 76 14

E-mail: ist-press@ist.utl.pt

Site: www.istpress.ist.utl.pt

Foi feito depósito legal

Table of Contents / Sumário / Tabla de Contenido

Front Matter / Elementos Pré-textuais / Páginas Iniciales

Apresentação

João Ferrão

Introdução

Manuel Leal da Costa Lobo e José Geraldo Simões Júnior

1 Paradigmas urbanístico-ambientais das cidades luso-brasileiras

2 Salvador: antecedentes urbanísticos e o processo de ocupação da colina

José Geraldo Simões Júnior

3 Cidade na colina: o sítio histórico de São Paulo

Candido Malta Campos

4 O bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro

Fernanda Magalhães

5 As colinas de Vila Rica de Ouro Preto

Roberto Righi

6 O bairro de Alfama em Lisboa

Sara Portela e Manuel Leal da Costa Lobo

7 Vila de Óbidos: técnica e poética

Rita Castel’Branco e Fernando Nunes da Silva

8 O caso de Coimbra

Carlos Veiga e Lusitano Moreira dos Santos

Conclusões e recomendações para o planejamento de futuras cidades de colina

Manuel Leal da Costa Lobo, Fernando Nunes da Silva e José Geraldo Simões Júnior

Anexo: recomendações para a preservação de antigas cidades de colina

Manuel Leal da Costa Lobo e Fernando Nunes da Silva

Apresentação

João Ferrão*

Este é um livro sobre a tradição luso-brasileira de urbanismo de colina. A Introdução esclarece o leitor sobre o que está em causa: estudar os processos de ocupação das áreas de colina pelas cidades brasileiras e portuguesas a partir de uma matriz interpretativa comum, o modelo lusitano de adopção de locais elevados como sítio fundacional de novos aglomerados.

O objectivo do livro é, portanto, muito claro. Mas o trabalho desenvolvido ultrapassa-o, suscitando múltiplos ângulos de leitura. Na verdade, esta publicação é, em simultâneo, um manual de geopolítica, uma história das ideias, um relato de jogos de poder, um compêndio de urbanismo, no limite, um guia de boas e más práticas.

O livro corresponde a um verdadeiro exercício de inteligência colectiva, uma característica nem sempre presente em obras produzidas por vários autores: coerente do ponto de vista teórico e metodológico, poderoso no modo como enquadra e sintetiza os casos analisados, hábil na forma como suscita comparações, claro na maneira como deduz recomendações. Talvez como poucos, este livro tira partido de uma visão interactiva de realidades e saberes presentes nos dois lados do Atlântico, reunindo estudos de caso, autores e instituições do Brasil e de Portugal unidos por esse fenómeno aparentemente paradoxal que são as cidades de colina.

Um livro com este objectivo e assim produzido é uma homenagem merecida ao encanto particular, tão sublinhado ao longo dos diversos capítulos, das cidades irregulares ordenadas – isto é, com uma ordem subjacente – que sucessivas gerações ajudaram a construir, desenvolver e qualificar em sítios vistos como improváveis, ou mesmo desaconselháveis, pelas várias perspectivas de modernização racionalista que foram emergindo ao longo da história. Por essa mesma razão, o livro é também um libelo acusatório contra todos aqueles que, através de intervenções desadequadas ou por inacção, não reconheceram a ordem subjacente às cidades de colina nem valorizaram a sua natureza específica.

Caberá ao leitor viajar pelos diversos capítulos, descobrindo-os sequencialmente ou ziguezagueando ao sabor das suas preferências, valorizando a qualidade dos textos ou a riqueza iconográfica das figuras, detendo a sua atenção em aspectos particulares ou desenvolvendo comparações pessoais entre as diversas cidades estudadas.

Nesta Apresentação optámos por destacar apenas quatro aspectos.

O primeiro refere-se à clássica dicotomia unidade – diversidade.

Foram sete as aglomerações estudadas: Salvador, São Paulo (sítio histórico), Santa Teresa (Rio de Janeiro) e Ouro Preto, no Brasil; Alfama (Lisboa), Óbidos e Coimbra, em Portugal. Para todos estes casos, é o sítio escolhido – uma colina – que cria um pano de fundo comum: as restrições que se colocam a uma implantação urbana numa área de colina; e um padrão de estruturação urbana que procura, ao longo do tempo, acomodar-se organicamente a essas restrições.

Mas a par dessa unidade, que dá sentido e significado ao livro, existe uma diversidade assinalável. O contraste mais óbvio ocorre entre os dois países considerados: Brasil, com processos de urbanização historicamente mais curtos, marcados por uma relação colonial de cerca de trezentos anos e por uma aceleração recente muito acentuada do crescimento urbano; e Portugal, com uma história mais longa e diversificada. Mas se tomarmos em consideração outros critérios – perfil dos actores políticos e sociais com maior responsabilidade na evolução das cidades estudadas, dimensão demográfica e ciclos de prosperidade e declínio, tipos de normativas e políticas urbanas, entre outros – facilmente nos apercebemos que as sete aglomerações analisadas constituem uma constelação de situações não redutíveis a uma narrativa única.

De facto, esta constelação inclui situações bastante diversificadas: vilas (Óbidos), bairros urbanos residenciais (Alfama/Lisboa, Santa Teresa/Rio de Janeiro) e centros históricos (as restantes cidades); aglomerados de colina programados, como Salvador, ou fruto de dinâmicas espontâneas de expansão com origem em áreas mais baixas, como Ouro Preto; realidades urbanas estruturadas por diferentes poderes e interesses, uns organizados e de natureza política, eclesiástica ou social, outros mais difusos e inorgânicos.

Esta dialéctica unidade – diversidade é particularmente interessante na medida em que permite valorizar a aprendizagem entre pares, isto é, entre entidades públicas, comunidades científicas e técnicas, organizações e populações com objectivos e preocupações comuns – evitando, ao mesmo tempo, a tentação de recorrer a soluções únicas mesmo para áreas de intervenção com óbvios traços comuns.

O segundo aspecto diz respeito a uma outra dicotomia: filiação e ruptura.

É surpreendente, face à ocorrência de contextos e circunstâncias tão diversas ao longo do tempo e entre o Brasil e Portugal, como em várias dos aglomerados estudados se verificam linhas de continuidade significativas no modo como os elementos e estruturas do tradicional paradigma luso-brasileiro de urbanismo de colina vão sendo reciclados e aprofundados através de sucessivas ocupações, fases de crescimento e intervenções urbanas.

É certo que, nalguns casos, esta persistência reflecte períodos mais ou menos longos de decadência, como sucede em Óbidos ou em Ouro Preto, ou é garantida por processos de classificação e salvaguarda do património existente (Ouro Preto, Salvador). Mas a persistência de traçados viários, conjuntos de praças, edifícios simbólicos e até de frestas urbanas e respectivos sistemas de vistas coexiste igualmente com processos de modernização e mesmo de revitalização urbana.

A mudança não implica necessariamente ruptura. Na verdade, esta apenas ocorre de forma declarada nos casos em que as visões de racionalização moderna implicaram a destruição da ordem irregular preexistente. A Alta de Coimbra e sobretudo São Paulo ilustram bem esta situação. Neste último caso, a própria topografia deixou de ser reconhecível e os únicos vestígios do antigo centro histórico são uma viela e um edifício que resultou da junção de dois sobrados coloniais!

A dialéctica filiação – ruptura presente nas cidades estudadas – é relevante na medida em que nos mostra, por um lado, que é decisivo garantir modelos de desenvolvimento urbano inclusivos, e por isso com sentido para os seus residentes (Alfama, Santa Teresa, Salvador), e, por outro, que é importante identificar recomendações para intervenções contemporâneas de construção em colinas, úteis tanto para a reabilitação de estruturas existentes como para o desenho urbano de novas urbanizações.

O terceiro aspecto relaciona-se com a clareza com que este livro revela o poder decifrador das interpretações histórico-geográficas.

Ao reconstituírem os contextos históricos (políticos, culturais e sociais) e geográficos (sítio de implantação e posição estratégica face a espaços mais vastos) que dão significado ao surgimento e desenvolvimento das cidades de colina, os autores conferem inteligibilidade a processos complexos e de resultado contingente.

Esta leitura histórico-geográfica da génese e transformação (positiva e negativa) das cidades de colina vale, naturalmente, por si própria. Mas vale, também, pelo sério aviso que representa: o futuro destas cidades não é linearmente previsível nem está automaticamente garantido por sistemas nacionais ou mesmo internacionais de classificação patrimonial. Esse futuro constrói-se e essa construção exige uma agenda transformadora que saiba conciliar tradição e transição, filiação e mudança, revitalização e modernização inclusiva, conhecimento técnico-científico e participação dos cidadãos, inovação local e abertura ao exterior.

Finalmente, o quarto aspecto a salientar refere-se ao modo fascinante como este livro testemunha o desenvolvimento, ao longo da história, de um complexo mapa de fluxos internacionais e intercontinentais de ideias, conhecimentos e competências.

Afinal, como – e por que razão – viajam os referenciais e paradigmas sobre a boa cidade entre espaços tão diferentes, em épocas tão distintas, mobilizando mensageiros tão variados, dos engenheiros militares às ordens religiosas, dos arquitectos e urbanistas de diversos países aos decisores políticos nacionais e locais do Brasil e de Portugal, dos avaliadores da Unesco aos promotores imobiliários e turísticos?

As análises desenvolvidas pelos autores dos vários capítulos permitem reconstituir parte desta malha de influências, sublinhando o papel decisivo de distintos actores colectivos e individuais, mas também os poderes e interesses por eles explicitamente defendidos ou implicitamente apoiados.

Se fosse vivo, Orlando Ribeiro, o geógrafo português que melhor formulou a importância do sítio e da posição no desenvolvimento urbano, teria apreciado este livro e aprendido bastante com ele. Este é, por certo, o maior elogio que podemos fazer aos autores dos capítulos que se seguem. Inteligente a decifrar o passado, perspicaz a desvendar o presente e útil para equacionar o futuro, este é um livro inevitável para quem acredita no valor prospectivo desse legado luso-brasileiro, tão mágico quanto improvável, a que chamamos cidades de colina.

* Pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Introdução

Manuel Leal da Costa Lobo; José Geraldo Simões Júnior

Cidades de colina

Este livro apresenta estudos sobre os processos tradicionais de ocupação das áreas de colina nas cidades brasileiras e portuguesas, associados à tradição da urbanística lusitana de se ocuparem sítios em locais elevados para a fundação de cidades. Nesse sentido, procura observar objectivamente as características atuais destas áreas de colina e de suas encostas, identificando potenciais para a sua valorização, uma vez que se constituem espaços privilegiados para o resgate de uma tradição fortemente associada à nossa cultura urbanística.

O conteúdo oferece uma visão geral do processo de construção da cidade nos territórios estudados, a partir de uma compreensão histórica da organização espacial e das estruturações urbanas, identificando possíveis semelhanças, disparidades, regularidades e rupturas, em especial no que se refere às matrizes lusas das cidades coloniais e aos modelos culturais subjacentes. Nesse aspeto, concentra-se no estudo das cidades de colina, implantadas em sítios com topografia acidentada, e que na maioria dos casos se apresenta com estrutura fortemente apoiada na Rua Direita, no rossio e nas igrejas, e que contrasta com a regularidade ortogonal explícita das cidades hispânicas, estruturadas com base em grandes perspetivas axiais e geometria formal, marcadas por generosos espaços públicos – a plaza mayor.

Interessa ainda debater o conjunto normativo que deu forma à cidade colonial e ao seu padrão de quadras e lotes, com impacto no desenho e na configuração da cidade contemporânea.

A relevância do estudo centra-se no potencial que um melhor entendimento do tema pode provocar, por exemplo, na definição de políticas estatais, como no incremento do turismo, através da valorização da memória e da cultura, representadas pelas cidade de colina, e na abrangência social que poderão ter políticas mais adequadas a espaços muitas vezes frágeis das nossas cidades, de modo a preservar um modo próprio de fazer cidade.

As colinas e as encostas

A expressão cidade de colina é de acepção luso-brasileira, associada à tradição urbanística de se escolherem sítios elevados para a fundação de urbes. Pode ser entendida como decorrente de uma série de princípios e normativas norteadores da prática portuguesa, quando da criação de urbes novas, política esta aplicada tanto em Portugal, na época da reconquista de territórios aos mouros (a partir do século XIII), quanto na política de expansão do Império Colonial Português, ocorrida a partir do século XV em territórios da África, Ásia e América.

Difere, portanto, do entendimento de ocupação de encostas, expressão mais usualmente utilizada no Brasil, mas com significado distinto, pois em geral aplicada a urbanizações informais, como favelas e loteamentos ilegais. O termo encosta, na verdade, refere-se a uma parcela específica da colina – a de suas laterais –, não contemplando nem a área do topo, nem a da base da colina, que são precisamente os locais de maior interesse de estudo nas cidades de colina. É no topo que se situa a cidade alta, a acrópole, o território que é, na verdade, a parte mais relevante da ocupação urbana de colina, onde se construíam as igrejas, os edifícios públicos e as residências senhoriais. Opondo-se, assim, à cidade baixa, em geral junto à orla ribeirinha – onde ficavam o porto, os estabelecimentos comerciais e as residências populares – firmando a dualidade cidade alta/cidade baixa como o principal paradigma da urbanística portuguesa.

As encostas mereceriam, portanto, um status secundário neste processo, uma vez que eram efetivamente ocupadas num momento posterior ao estabelecimento do núcleo urbano.

Razões de segurança e de visão estratégica da engenharia militar portuguesa recomendavam a escolha de sítios elevados para a fundação de urbes. As encostas eram efetivamente ocupadas a partir do momento que a urbe se ia consolidando e as ligações viárias entre a parte alta e a baixa impunham a construção de ladeiras. É por essas ladeiras, em geral vencendo diagonalmente as curvas de nível, que pedestres, animais e veículos de carga transitariam, favorecendo assim a implantação de construções ao longo do trajeto e, desta maneira, induzindo a ocupação da encosta.

Podia, assim, a encosta não ser objeto dos planos urbanísticos fundacionais das urbes, ou das suas traças, como aquela elaborada por Miguel de Arruda para Salvador. Além deste facto, é importante considerar também que as encostas eram vistas como áreas mais expostas a eventuais perigos vindos do mar ou do território situado em plano inferior. Não sendo protegidas por muros defensivos situados a jusante, expunham os seus ocupantes a um certo tipo de temor, de origem ancestral, pelos perigos que podiam vir do mar (monstros marinhos, dilúvios e maremotos).

Origem deste livro

O estudo da temática das cidades de colina, que deu origem a esta publicação, teve início em 2002, em Portugal, com orientações de mestrado desenvolvidas nas Universidades Técnica de Lisboa e de Coimbra, que enfatizavam aspetos morfológicos e físico-espaciais associados à temática da cidade de colina, onde a pesquisa e medições de campo assumiam papel fundamental no processo de coleta de informações.

No Brasil, o trabalho foi realizado com uma pesquisa desenvolvida pelo grupo de docentes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ao longo de 2005, procurando privilegiar o entendimento mais conceitual e histórico da cidade de colina e recorrendo a fontes secundárias de documentação.

Cada caso de estudo percorreu, de um modo, as seguintes etapas: num primeiro momento, através de identificação de fontes bibliográficas e iconográficas, acompanhadas de leitura e discussão dos aspetos relevantes da urbanística luso-brasileira. Num segundo momento, com realização de visitas de campo a cada uma das cidades, com identificação fotográfica e levantamento de informações complementares e de cartografia em organismos públicos, bibliotecas e arquivos municipais. Os levantamentos fotográficos realizados enfocaram a compreensão dos aspetos morfológicos da implantação do núcleo fundacional da urbe e das suas regiões circundantes. Com esses documentos, foi possível fazer as análises de implantação urbana, do perfil dos arruamentos, das quadras, de áreas públicas e pontos referenciais. Os resultados foram por fim consolidados em dois encontros de integração e consolidação dos pesquisadores, realizados em São Paulo e Lisboa, no final de 2005, ocasião em que as cidades objeto de estudo foram visitadas por todos¹.

Os casos de estudo

A escolha dos casos de estudo foi pautada pela relevância e representatividade em relação à temática da cidade de colina.

No caso brasileiro, destacam-se os sítios históricos de Salvador, São Paulo e Ouro Preto, e um antigo assentamento de colina na cidade do Rio de Janeiro.

Salvador, por ter sido a primeira capital do Brasil e, portanto, urbe fundada com planejamento e estudo de implantação, onde foi adotado o modelo tradicional: localização na entrada de uma grande baía, porto seguro com águas tranquilas, fundação no alto de uma colina, a cavaleiro do porto, boas águas, bons pastos, terras agriculturáveis e área disponível para expansão urbana futura.

São Paulo, caso também emblemático, pois foi fundada apenas cinco anos após Salvador, mas com uma grande diferença: foi o primeiro núcleo urbano estabelecido fora da orla marítima, e com um interesse estratégico básico: controlar a rota de penetração que levava às minas de Potosi (caminho do Peabiru) e, assim, estabelecer a política defensiva da região sul da colónia, ameaçada de invasão pelos espanhóis. Apesar de não ter contado com projeto ou risco, como no caso de Salvador, em São Paulo foram aplicados os mesmos critérios de localização em acrópole tradicionais da urbanística portuguesa, onde a cidade alta (região do colégio dos padres jesuítas) se contrapunha à cidade baixa (Rio Tamanduateí e zona do mercado).

No Rio de Janeiro, como o núcleo fundacional já não mais existe, foi escolhido para este estudo um local próximo – o morro de Santa Teresa –, cuja ocupação inicial remonta ao século XVIII e traz as marcas dos mesmos critérios de implantação de uma cidade de colina portuguesa, com um eixo viário central percorrendo a cumeada, por onde se conetam as distintas ladeiras que levam à cidade baixa, num desenho que lembra uma espinha de peixe.

Ouro Preto, um núcleo urbano originado no século XVII por garimpeiros de origem portuguesa, apresenta também uma estrutura semelhante. Como a presença do governo não aconteceu na fase inicial do núcleo urbano, a estruturação deste acabou sendo marcada pelos caminhos unindo distintos núcleos de povoação ao longo de uma mesma cumeada, articulados por rotas em direção às lavras, e por um ordenamento urbano condicionado pelo posicionamento de igrejas das Ordens Terceiras nos pontos dominantes da topografia, com seus adros e praças que se constituíram em pontos nodais do sistema viário, numa clara alusão aos princípios do ordenamento urbanístico português.

FIGURA 1| LOCALIZAÇÃO DAS SETE CIDADES OBJETOS DESTE ESTUDO, SENDO QUATRO DELAS NO BRASIL E AS OUTRAS EM PORTUGAL.

CRÉDITO: Ilustração de Rubens Lima.

No caso das urbes de Portugal, os exemplos de estudo escolhidos (Óbidos, Alta de Coimbra e bairro de Alfama, em Lisboa) são representativos do processo de constituição da urbanística de colina lusitana, que tem início com a ocupação romana, sofre influência muçulmana ao longo da Idade Média e, mais tarde, incorpora alguns condicionamentos da engenharia militar e dos princípios ordenadores da urbanística renascentista do período manuelino (Figura 1).

Aspetos priorizados nas análises

Cada um dos estudos de caso foi realizado procurando seguir, na medida das disponibilidades de dados, um roteiro abordando os seguintes tópicos:

Origem, delimitação, localização da área objeto de estudo.

Evolução da ocupação e da estrutura urbana.

Padrões de ocupação urbana em colina.

Morfologia do sítio histórico.

Normativas urbanísticas.

Os casos brasileiros acabaram dando grande ênfase à caraterização e compreensão dos paradigmas da urbanística luso-brasileira, incluindo os processos fundacionais e a evolução da ocupação de suas colinas históricas, abrangendo de forma secundária a caracterização morfológica. Em relação aos casos portugueses, a ênfase foi sobre aspetos de análise do espaço urbano atual, com abordagem da morfologia urbana e a percepção ambiental, complementada por informações históricas. Essa distinção nos aspetos metodológicos foi decorrente do facto de que os estudos das urbes de Alfama, Óbidos e Coimbra precederam os estudos dos casos brasileiros e partiram da hipótese de que os atributos da qualidade do espaço urbano das cidades de colina eram advindos do arranjo morfológico e corroborados pela análise da percepção ambiental. A conclusão dos estudos dos casos portugueses mostrou que os aspetos morfológicos eram relevantes, mas desde que analisados no âmbito global do espaço urbano. Para os casos brasileiros, seria importante enfatizar, além da abordagem morfológica, a abordagem histórica, mostrando que a matriz fundacional da urbe (seus paradigmas projetuais de origem portuguesa) e seu evoluir contribuíram também significativamente para a qualificação dos espaços da cidade de colina.

As cidades de colina

As urbes construídas em colina são uma constante em Portugal desde a sua fundação, com antecedentes próximos nas cidades mouras edificadas na faixa ocidental da Península Ibérica, na sequência das que se encontram nas culturas ibérica e mediterrânica em geral, onde se enquadra a cultura portuguesa, com a sua especificidade própria, mas cuja identidade não nega o seu contexto mais geral.

O saber fazer fazendo, tão próprio do saber de experiência feito, é bem evidente na produção das urbes em Portugal, mas também se podem sentir os seus reflexos noutras urbes construídas em muitas outras partes do mundo, designadamente para apoio às rotas marítimas estabelecidas pelos portugueses desde o século XV. Esta referência tem uma expressão muito forte e muito especial no Brasil, não só na fundação inicial de algumas urbes, mas também no seu desenvolvimento no século XVII e nos seguintes, partilhando a dita influência portuguesa com a ação espanhola, mais evidente na primeira metade desse século XVII, em que se fez sentir a união das coroas de Espanha e de Portugal. Volta a manifestar-se a referência portuguesa com mais especificidade a partir de 1640, com a reposição da soberania portuguesa, mas agora em que se assume, no Brasil, cada vez mais, a respetiva unidade geográfica e social, nessa altura já com feição luso-brasileira, unidade reforçada pela dilatação das fronteiras para oeste, através da ação dos bandeirantes e da ultrapassagem do Tratado de Tordesilhas.

Quanto às cidades portuguesas de colina, que visavam a defesa e a instalação da população e do equipamento urbano necessário à concepção de uma urbe integrada, ainda que relativamente modesta, é óbvio que a solução tinha de obedecer a lógicas e regras da arte que implicavam a presença de técnicos sabedores, frequentemente engenheiros militares e mestres de obras experimentados, como também veio a acontecer no Brasil.

Estes factos não obstaram a que, em certo período e em certos locais, se tenham abandonado as boas práticas, à margem das próprias regras estipuladas pela administração pública. Será o caso de certas áreas de mineração no Brasil, onde a própria administração terá sido ultrapassada pelos acontecimentos em dados momentos, designadamente na construção dos arraiais na região de Minas Gerais.

Ainda no século XIX é dado mais um passo para o desenvolvimento urbanístico do Brasil, em especial do Rio de Janeiro, ao instalar-se aí a Corte portuguesa, que assim quis evitar a sua submissão ao estrangeiro, face às invasões napoleónicas, o que assumiu com toda a sua força. O Rio de Janeiro foi, nessa altura, sem dúvida alguma, a capital do Império de Portugal, do Brasil e dos Algarves. Grande parte dos valores nessa altura transportados, para o efeito, de Lisboa para o Brasil, em bens, saberes e recursos humanos para a liderança administrativa, cultural e produtiva, não mais voltou para o outro lado do Atlântico.

O Brasil, a partir de 1808, passou a agir com independência do exterior, experimentando uma vida diferente, de capital de Império, com a presença das representações diplomáticas acreditadas e gerindo, do Rio de Janeiro, todos os negócios do Império. Foi, afinal, a sua primeira experiência como país unificado e independente.

A compreensão da cidade de colina portuguesa

À primeira vista, comparadas as plantas de uma grande parte das urbes construídas em todo o mundo pelos espanhóis (a cidade ordenada, de planta reticulada regular), a partir do século XVI, com as plantas da grande maioria das urbes portuguesas construídas no mesmo período, e até já desde os séculos XIII, XIV e XV, em boa parte herdadas dos antigos povoadores (os mouros), nota-se que estas últimas parecem desordenadas. Plantas irregulares ou mistas, onde se combinam áreas de retícula regular com áreas que fogem a essa ordenação, parecendo revelar falta de discernimento.

Esta primeira impressão de falta de cuidado no traçado das urbes pode ainda ser erroneamente corroborada por uma visita local feita superficialmente. Na cidade irregular de génese portuguesa é-se confrontado com ladeiras íngremes, curvas apertadas, estreiteza da rede viária, enquanto nas urbes ordenadas espanholas se encontram ruas mais largas, uma escala urbana mais desafogada, enfiamentos grandiosos e grandes praças centrais, o todo construído em tecidos urbanos mais planos.

As situações atrás descritas levaram-nos a uma certa ponderação:

Por que foi assim? Designadamente com origem em dois países ibéricos, vizinhos e tão imbricados ao longo da história, em parte comum.

E por que será que, ao deambularem nessas urbes, ditas de planta irregular, os residentes se sentem cativados por esse espaço e a sua vivência? E por que será que os próprios visitantes ficam deslumbrados e por vezes afirmam tratar-se das urbes mais belas e atraentes que conhecem?

O primeiro impulso levou-nos a parametrizar as características dessas urbes mágicas, e a conclusão geral foi a de que a urbe apresentava condições tecnicamente abaixo dos padrões desejáveis, quando considerados um a um, mas, por outro lado, revelavam-se de grande qualidade no conjunto, ou quando apreciados por parâmetros não tão correntes nas análises urbanas que normalmente têm vindo a efetuar-se em trabalhos de avaliação.

Então, percebemos o desafio, e fomos aprofundando o estudo, intercalando análises com exercícios de síntese e, a pouco e pouco, fomos ficando maravilhados pelas respostas encontradas para as dúvidas iniciais e pelo engenho demonstrado por esses construtores de urbes, tanto dos engenheiros militares como dos artífices executantes das difíceis obras locais de concordâncias e de valorização a empreender nos tecidos urbanos, tendo de enfrentar dificuldades não só tecnológicas – face à morfologia local –, mas também em relação aos aspetos humanos, legais e das preexistências.

Fomos assim convidados a descobrir a ordem dessas urbes complexas, alcandoradas em colinas e em encostas, ordem muitas vezes bem escondida sob o manto da irregularidade, pautada por critérios racionais e aplicada com criatividade para responder às dificuldades inerentes a cada caso e não apenas de uma forma padronizada e burocrática, antes especificamente refletida para se ajustar às diferentes situações concretas. Eram, assim, verdadeiros planos de orientação, com grande responsabilização dos executores e gestores, mas não projetos de execução. Assumia-se, portanto, um claro processo de planejamento.

Por detrás do processo, pressentia-se um povo com meios escassos mas muita experiência nestas andanças, obrigado a usar com prudência e imaginação os seus recursos e que na sua presença pelo mundo tinha tido a necessidade de se estabelecer aqui e acolá. Mas não tanto numa atitude e com dispositivos de conquista extensiva, antes com uma preocupação de defesa, de sobrevivência e de relacionamento comercial e cultural, eventualmente para chegar às alianças políticas e militares com os novos povos encontrados.

Enquadramento geoistórico das cidades de colina

Na história da civilização do mundo tem um lugar inequivocamente destacado a cultura mediterrânica.

O Império Egípcio no Sul, o Império Hitita no Norte e a civilização mesopotâmica entre os dois jogam, no período de 3000 até 1000 anos antes de Cristo, um papel preponderante a leste do Mediterrâneo, com o Oeste ainda pouco desenvolvido.

As cidades-estado no atual Iraque, onde se pode citar Uruk, a cidade de Jericó na atual Palestina e Çatal Höyük na atual Turquia são certamente das cidades mais antigas do mundo, com uma civilização urbana inegável.

Depois, com a atividade navegadora dos fenícios, ligou-se o leste mediterrânico com o oeste, tornando-se este mar a maior via de ligação e de intercâmbio de todos os povos a ele encostados. Podia, desde então, falar-se numa cultura mediterrânica, mas o seu núcleo mais criativo encontrava-se, de facto, a leste.

O Império Hitita, desaparecido há cerca de 2.700 anos, foi, entretanto, deixando um importante legado, na arte, na escrita (juntamente com os assírios) e no desenvolvimento de critérios políticos visando caminhar para uma democracia, com maiores direitos dos cidadãos (até dos próprios escravos…). Sucede-lhe o Império Grego, reduzindo-se progressivamente o Império Egípcio, passando o povo helenístico a ocupar parte importante da Península Anatólica, atingindo seu apogeu, para a época, no campo da escultura, da arquitetura, da geometria, da matemática, da filosofia, da política… Em termos militares e culturais, avançam os gregos sobre o Oriente e, para sul, até ao Egito.

O Império Romano, que entretanto sucedeu ao Império Grego, passa a abarcar todo o Mediterrâneo, boa parte da Europa, importantes áreas da Ásia. Nessa altura, a cultura mediterrânica confunde-se então com a cultura românica e acabou por constituir-se uma unidade cultural. Veio a ser perturbada pelas invasões de povos ditos bárbaros a partir do século V, povos que destruíram o Império Romano do Ocidente, mas acabaram por aceitar muitos dos aspetos da sua cultura, designadamente os princípios cristãos a que o Império finalmente aderira. De um modo geral, foram respeitados os mosteiros e a sua religião, e vemos, no ocidente da Península Ibérica, que os visigodos assumiram a sua posição na hierarquia do cristianismo.

A oriente ia-se mantendo o Império Bizantino, ainda que o poderio turco a pouco e pouco se tenha infiltrado na Anatólia, e Bizâncio acabou por ser derrotada, no seu último reduto (Constantinopla), pelo Império Otomano, que entretanto tinha sucedido aos seljúcidas, também de origem essencialmente turca.

Assim, pode afirmar-se existir uma cultura mediterrânica medieval turca e uma cultura mediterrânica medieval ibérica, ambas com influência romana, árabe, cristã e islâmica. A Anatólia, porém, juntando ainda a forte influência turca, oriental, vinda do espaço asiático e ariano, das regiões entre os mares Negro e o Cáspio e mais além. Mesmo essa influência específica, oriental, não deixa de ser em parte transportada para o conhecimento ocidental, designadamente através da expansão do Império Otomano e dos seus esforços duplos de conquista de territórios na Europa e de intercâmbio cultural, nos dois sentidos.

A cultura ibérica, por sua vez, aparece dividida em duas subculturas de valências bastante distintas, com matizes portugueses e espanhóis. Vejamos o porquê.

Pouco depois de meados da Idade Média, ficou Portugal liberto da forte influência muçulmana e islâmica, na sequência da Reconquista e da vinda para Portugal de fidalgos do Norte da Europa, de ordens religiosas e de uma parte importante da diáspora judaica, mantendo-se, contudo, nesse período medieval, a influência muçulmana, designadamente ao nível dos artífices e trabalhadores, com o seu saber como e instalados nas mourarias ou em espaços rurais (a permanência da cultura moçárabe).

Em Espanha, porém, os grandes reinos árabes foram persistindo até ao fim da Idade Média e apresentando-se com todo o fulgor de uma civilização forte, dominadores, de grande requinte, embora na faixa ocidental a sua presença fosse mais modesta (zona mais agreste, oceânica, ao invés do Mar Mediterrâneo, ventos fortes, presença de sapais, de dunas soltas, de rios caudalosos e de regime muito variável, com forte erosão e sedimentação, pequenas áreas fáceis de lavrar e fraca densidade populacional). Era claramente uma periferia, e uma periferia diferente. Já o tinha sido no tempo dos romanos, com uma população hostil, rebelde, difícil de domar. Agora era-o com uma população de nível geral mais homogéneo, não necessitando de um tecido urbano tão diferenciado.

É curioso sublinhar que a divisão das rotas oceânicas entre Portugal e Espanha vieram a aditar à componente mediterrânica de Portugal uma inegável influência oriental, o que de certo modo também acontecia na Península Anatólica, nesse caso através da influência turca.

Inicialmente mais atrasado em termos culturais e civilizacionais, Portugal vai depois usufruir de uma reconquista precoce, da vinda de vários elementos populacionais enriquecedores do conhecimento e das iniciativas locais (não será de mais sublinhar a criatividade dos recém-chegados, como muitos judeus, muitas ordens religiosas e senhores feudais). A história, assim, vai catapultar Portugal para a frente da criatividade europeia ocidental, designadamente com o avanço espetacular nas ciências náuticas e dos descobrimentos (a matemática, a astronomia, a cartografia, a navegação, a náutica, as fortificações, as línguas, a diplomacia, a organização social e das empresas…) com apoio em estabelecimentos de ensino como os mosteiros, a Universidade de Coimbra, o Real Colégio dos Nobres (e aqui surgem os jesuítas…), etc. Surge também um escol de grande inteligência em que é justo salientar

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