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A escritora morta

A escritora morta

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A escritora morta

Length:
188 pages
Publisher:
Released:
Sep 16, 2021
ISBN:
9781547549801
Format:
Book

Description

Anna é uma escritora de idade mediana que criou sua filha sozinha. Na atualidade, Berta cresceu e as dúvidas que teria sobre conhecer seu pai, a quem só havia visto em uma fotografia, aumentam quando a relação que mantém com seu namorado entra em crise. Hans trabalha em uma fábrica e tem uma irmã, Clara, uma jovem incompreendida que vive obcecada por um tipo que dirige uma moto amarela.

É porém, antes de tudo, a história de Anna Flieder, que quando opta por escrever um livro de estilo mais biográfico, a inspiração a visita e toma a forma daquele homem a quem abandonou há anos.

“Na história se observa o processo de criação da literatura […] É uma obra dirigida a quem gosta de ler e se deixa absorver pela leitura, porque deixa muita imaginação, e há muitas coisas que se intuem.” -La Mañana

A escritora morta é, portanto, um convite para aqueles que apreciam a maneira com que a Literatura reflete sobre si mesma em uma obra literária. Mas também representa a oportunidade de acompanhar personagens com sentimentos e em situações que nos provoca uma inevitável identificação. [...] O deleite de um texto literário que prima por uma linguagem metafórica e que sugere imagens capazes de revelar cenas cotidianas, mas que, muitas vezes, a vida, preenchida por múltiplas possibilidades, não nos permite enxergar.” -Dra. Alexandra Santos Pinheiro, Resonancias literarias, no. 153

“Este livro conta a história da escritora Anna, do seu mundo e das pessoas que a rodeiam. Anna vive a sua vida literária como se fosse a sua vida real, sofre um tipo de esquizofrenia quando os personagens de seus livros confrontam suas vidas no seu desejo de ver a luz.” -Debbie Garrick, Tradutora

A escritora morta, uma obra que apresenta não apenas a qualidade do seu trabalho como autora, como também o manuseio da ferramenta essencial de todo novelista, a linguagem. [...] Esta novela que é ao mesmo tempo um claro produto literário, seguramente satisfará o variado gosto do leitor contemporâneo.” -Letralia

“A escritora Núria Añó compõe com uma maestria que vai muito além e mergulha na exploração do indivíduo contemporâneo.” -Noury Bakrim, Traductor

“A novela A escritora morta trata do processo de criação literária e descreve de um modo sombrio e poético, a ruptura interior da sua protagonista Anna, uma escritora que se atreve a escrever a sua primeira novela autobiográfica – mesmo que se emaranhe cada vez mais nas lembranças e nostalgia reprimidas até aquele momento. A escritora morta é um livro inteligentemente vital que evidencia o excepcional talento de observação de Núria Añó e estimula o leitor a encontrar as próprias respostas.” -Sarah Raabe, Traductora

Publisher:
Released:
Sep 16, 2021
ISBN:
9781547549801
Format:
Book

About the author

Núria Añó (1973) is a Catalan/Spanish novelist and biographer. Her first novel "Els nens de l’Elisa" was third among the finalists for the 24th Ramon Llull Prize and was published in 2006. "L’escriptora morta" [The Dead Writer, 2020], in 2008; "Núvols baixos" [Lowering Clouds, 2020], in 2009, and "La mirada del fill", in 2012. Her most recent work "El salón de los artistas exiliados en California" [The Salon of Exiled Artists in California] (2020) is a biography of screenwriter Salka Viertel, a Jewish salonnière and well-known in Hollywood in the thirties as a specialist on Greta Garbo scripts.Some of her novels, short stories and articles are translated into Spanish, French, English, Italian, German, Polish, Chinese, Latvian, Portuguese, Dutch, Greek and Arabic.Añó’s writing focus on the characters’ psychology, most of them antiheroes. The characters in her books are the most important due to an introspection, a reflection, not sentimental, but feminine. Her novels cover a multitude of topics, treat actual and socially relevant problems such as injustices or poor communication between people. Frequently, the core of her stories remains unexplained. Añó asks the reader to discover the deeper meaning and to become involved in the events presented.Literary Prizes/ Awards:2020. Awarded at International Writing Program in China.2019. Awarded at International Writers’ and Translators’ House in Latvia.2018. Fourth prize of the 5th Shanghai Get-together Writing Contest.2018. Selected for a literary residence in Krakow UNESCO City of Literature, Poland.2017. Awarded at the International Writers’ and Translators’ Center of Rhodes in Greece.2017. Awarded at the Baltic Centre for Writers and Translators in Sweden.2016. Awarded at the Shanghai Writing Program, hosted by the Shanghai Writer’s Association.2016. Awarded by the Culture Association Nuoren Voiman Liitto to be a resident at Villa Sarkia in Finland.2004. Third among the finalists for the 24th Ramon Llull Prize for Catalan Literature.1997. Finalist for the 8th Mercè Rodoreda Prize for Short Stories.1996. Awarded the 18th Joan Fuster Prize for Fiction.


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Book Preview

A escritora morta - Núria Añó

A Escritora Morta

Núria Añó

Traduzido por Ana Brum

A Escritora Morta

Escrito por Núria Añó

Copyright © 2018 Núria Añó

Título original L'escriptora morta © 2008

www.nuriaanyo.com

Todos os direitos reservados

Distribuído por Babelcube, Inc.

www.babelcube.com

Traduzido por Ana Brum

Design da capa © 2018 Núria Añó. Fotografia de Yerson Retamal. Desenhos Gordon Johnson

Babelcube Books e Babelcube são marcas comerciais da Babelcube Inc.

Tabla de Contenido

Title page

Copyright

A Escritora Morta

Sobre a escritora

Outras obras da autora

O Olhar do Filho

Nuvens Baixas

O Salão dos Artistas Exilados na Califórnia

Sobre a tradutora

A Escritora Morta

Núria Añó

Hans sai de casa às quatro e meia. Veste um dos jeans mais novos que encontrou no armário e uma jaqueta de camurça, que ainda abotoa. Com a cabeça mais baixa do que deveria e as mãos nos bolsos, este jovem se aproxima do loteamento. De uma das janelas se entrevê sua silhueta. No ato, Anna fica de pé e se dirige até a porta de entrada. Hans não tem nem tempo de tocar a campainha; a mulher foi mais rápida. Agora o convida a se sentar em uma poltrona mais confortável e se certifica de que passe um tempo agradável. Ela comenta que Berta está secando o cabelo. Diz isso enquanto lhe serve uma taça de licor que, pensando bem, compra para este jovem. Afinal de contas, logo serão sogra e genro, ainda que Hans não se decida. Ele gostaria de dar esse passo dispondo ao menos de um carro próprio, mas tudo é mais caro do que ele imaginava. Berta também não se decide. Saia comprida ou curta. Com malha de lã ou blusa. A sogra, esta mulher que se parece com Berta, com apenas vinte e seis anos mais, e que é atenciosa com Hans. Obrigada, Anna, ele diz. Uma dessas frases que o tornam educado e diferente. Porém não imprescindível. Berta poderia sair com outro. Então as atenções se acabariam, o licor, a boa educação e esta cena em que ele é esperado. Uma espera interminável que aceita como uma parte disso que chamam de amor. Talvez, se alguém chegasse a perceber o que essa Berta tem, então entenderia porque Hans faz isso tantas vezes. Talvez não conheça outro caminho melhor e por isso, volte aqui em vez de ir a outro lugar. Aqui o tratam bem. Tratam-no como em casa. O que não significa que em casa o tratem tão bem. Anna aproxima uma bandeja e lhe oferece biscoitos. Também, pela quantidade de detalhes que compra para este jovem, poderia dar a impressão que até mesmo esta mulher poderia acabar com Hans. Principalmente, por momentos como o que se segue, quando ela o observa fixamente, com uma camada de delineador líquido. Uma circunstância que bem poderia ocorrer se, em lugar de viver em um povoado como este, vivessem anonimamente na cidade.

Ao que parece, tudo aqui está delimitado por montanhas, fazendas e por fofocas que correm de rua em rua. Festival, em maio. Dia de mercado, segunda-feira. Se bem o frequentem todas as manhãs e passeiem com alpargatas e a cesta debaixo do braço. Algumas vezes não compram nada. Remexem as roupas de alguma banca como se procurassem algo que não chegam a encontrar. E tudo parece mais caro do que elas pagariam por um retalho de roupa como esta. Porque logo já aparece algum defeito, qualquer imperfeição de fábrica, que mostram ao vendedor com uma exclamação e que diminui o valor da peça. Ainda assim, sempre há alguém que compra sem resmungar. Cabelos ondulados castanhos, mãos de escritora ou de alguma profissão que pouco tem a ver com o campo. E que paga com uma nota das grandes. Gente que chega de qualquer lugar e se abriga em alguma dessas casas vazias que há para escolher. Uma está para reformar. Outra teria que ser reconstruída. Talvez a senhora, como quer que se chame, preferisse visitar a casa modelo geminada. O entorno é imbatível. Sra. Anna Flieder, aqui já tivemos a honra de receber um poeta que falava da nossa paisagem e destas montanhas como uma extensão de terra que aproxima nossa gente de Deus. Dizia que a nossa gente, quando morre, faz o caminho mais curto e ao mesmo tempo, o mais apaixonante de toda sua vida. Por uma desgraça, sua obra não foi muito extensa. Escuta-se o triturar das folhas secas, uma grande quantidade de folhas que o vendedor e Anna pisavam há muito tempo, ao longo desse caminho. E aqui, como pode observar, se encontra um dos loteamentos mais inovadores de que a nossa imobiliária dispõe. Acabamentos de primeira linha. Cuidado com o degrau. Aqui fica a sala de jantar com dois ambientes. Dois dormitórios médios. Um banheiro com chuveiro e portas de carvalho. O que acha? As janelas são de aço inoxidável com dupla camada de vidro. Paredes à prova de som. Atualmente se trabalha com alguns materiais de excelente qualidade. Pessoalmente, já a vejo escrevendo nesse lado da janela de onde se vê o pôr do sol atrás da montanha. Ou aqui, neste aposento mais discreto de onde poderá observar a rua e seus vizinhos. O que me diz? E ainda há o melhor de tudo, um dormitório espaçoso onde a senhora e seu marido... bem, a senhora me entende.

Anna tinha pressa, muita pressa. Algo que Berta não herdou. Talvez a filha seja mais indecisa devido ao que diz respeito à linhagem do pai. O que Anna saberá, se mal o conheceu. E Hans, nem o conheceu. Sabe que gosta de caçar, que gosta de Berta, do licor de avelã e dos biscoitos que Anna compra. No entanto, quando esse jovem está na casa, costuma falar pouco. Anna liga a televisão e logo exclama: tem que ver como esse leopardo corre! Hans responde: os leopardos são os mais velozes.

Berta se aproxima, atravessa a sala e assim como o ímã atrai o ferro, se senta no colo de Hans. Beijo de boas-vindas e já examina a camisa dele que é a mesma da semana anterior. Enfim, não importa. Porque agora o abraça e não pensa nisso, mas sim, a partir dali. De repente, Hans estende uma mão até a mesa e em seguida Anna lhe passa o controle remoto. Não, não era isso. Então Anna lhe aproxima a taça. Não, também não era isso. A única coisa que Hans deseja é pegar sua carteira e mostrar as duas entradas para o cinema. Berta, por sua vez se levanta e pega o casaco. Hans dá o último gole de licor e fecha a jaqueta.

O lanterninha abre a cortina e conduz a ambos com uma lanterna. Logo se encontram diante desses filmes que chegam com um pouco de atraso, é o que se tem por viver aqui e não dispor de carro. Além disso, este filme não é do tipo que Berta costuma gostar, pois já começa a cobrir um olho e olha para sua esquerda. Ela pergunta bem baixo para Hans, mas naquele instante, ele dá um salto no assento. Na verdade, Berta já pode voltar a olhar a tela.

Um filme de terror. Nada a ver com Clara que sofre um castigo que ela mesma se impõe. Veias, quão arrepiantes quando observadas através da luz de uma luminária. Vasos sanguíneos azuis e verdes cobertos por uma pele fina. Tão fina que seria fácil abri-la com uma pequena incisão drástica. No entanto, Clara não tem a mesma pressa que tinha há alguns segundos, quando pegava as tesouras pelo lado cortante e se dispunha a fazê-lo. Contudo, talvez tivesse que recuperar o instante em que telefonava para seu querido Paul, esse nome pelo qual vive dia e noite, e aparentemente, ele só fazia duas perguntas: Clara? Que Clara?

Coisas como esta aborrecem essa jovem de quinze anos, ainda que a mão com que pega as tesouras não seja muito enérgica. Ainda lhe faltam prática e obstinação. Além disso, poderia fazer muito bem e morrer na tentativa. Paul, Paul, Paul, Paul, Paul. Só que se ele não se lembra dela, de que serviria? Visto desse modo, porque se visse de outro jeito, ela continuaria pintando os olhos, escovando os dentes, colocando desodorante, trocando de camiseta e tornando a passar pelo único lugar da casa que contém um certo ambiente familiar, e onde a luz natural se espalha e ilumina os cantos próximos à grande janela. Essa claridade vai murchando com o crepúsculo, enquanto Anna, que observa um pouco distante do centro, enche um vaso e rega as plantas.

Berta e Hans acabam de entrar na única discoteca da região. Se no cinema mal podiam falar, agora, ainda que quisessem, não vão se entender. Ela diz: não sei o que com Coca-Cola. E Hans diz ao garçom: não, não, lhe disse com Coca-Cola! Pouco depois ele lhe traz a bebida e pergunta: o que fazemos, Berta? E ela, iluminada por um foco vermelho, responde: você é quem sabe! Uns amigos se aproximam. Continua uma rodada de cumprimentos, beijos, abraços, então os rapazes se apertam as mãos e permanecem junto ao balcão. Ali falam de tudo um pouco, mesmo que o tema da caça monopolize o interesse. Certamente, de 1 de outubro a 15 de dezembro. As moças têm realmente, muita vontade de dançar. Berta as acompanha. Pelo jeito com que dançam, qualquer um diria que procuram diversão passageira. Em seguida, vão em fila para o banheiro. Uma pega o batom, começa a se retocar e então, olhando-se de perfil, pergunta para as outras duas se está aparecendo seu sutiã. Outra se olha de um lado, depois do outro e logo descobre que tem um fio puxado na meia. Cedo ou tarde Berta se observa no espelho, no começo, sem ter a impressão de que aquela imagem e ela sejam a mesma pessoa. Berta faz uma expressão de resignação diante do espelho e este mostra a mesma careta. Ela pede um batom, gesticulando com a mão. Se bem que alguém poderia explicar para Hans, que novamente está com o cotovelo sobre o balcão enquanto levanta um dedo para o garçom, por que tem a sensação de que sua garota passa mais tempo com suas amigas que com ele? O álcool lhe provoca isso? A música? Por certo. Onde está Berta? Alguém viu Berta?

Clara, sob a luz de um poste que ilumina tetricamente a rua, não vê nenhuma Berta. Mal distingue sua própria sombra. Uma sombra que primeiro a segue por trás e à medida em que avança, esta lhe aparece pela frente. Ah, já torna a mudar. Ela paga a sua entrada e vai direto para onde tem que ir. Coloca-se diante de Hans e lhe pede uma vodka com limonada, pois acredita que atenderão seu irmão mais rápido. Enquanto dá uma olhada na pista e nos camarotes. Paul não veio. Lamenta o dinheiro que acabou de gastar para saber disso. Clara olha para seu irmão e mesmo quando parece ter luz própria e ele lhe aproxima a bebida, é ainda uma sombra. Hans depende deste grande sol que é Berta. Berta ainda depende de sua mãe. E Clara, no que se refere a esse assunto, já não dá mais palpite.

Alguém poderia mostrar para Hans que, enquanto morde o segundo hambúrguer completo, lhe cai uma tira de cebola pelo queixo? Berta procura a mão dele debaixo da mesa. Certamente se aproxima a hora em que os três casais terão que compartilhar o mesmo carro. É o que implica ter amigos de verdade. Amigos sem segredos que terminam se parecendo, à medida em que tiram a roupa. Berta sabe que por mais que Hans coma, beba, escute ou fale, voltarão a se aborrecer um pouco, como todo domingo. E Berta, enquanto saboreia um café quente neste bar, deve sentir como Hans segura sua mão debaixo da mesa. Ela olha para como suas amigas interagem com seus parceiros. Com naturalidade! E então, entrefecha os olhos, o suficiente para saber que preferiria voltar para sua casa. Tão simples como abrir a tampa do piano e tocar uma de memória, às onze da noite, sem ter que procurar a partitura e sem que sua mãe diga: me fez perder uma frase. Você sabe o que significa a perda do fio da meada em um momento como este? E Hans? Hans não acompanhou você até em casa? No entanto, o jovem continua aqui, olhando para o seu relógio e bocejando. E então, os dedos de Berta se movem com nervosismo na mão dele, ambos unidos, aparentemente, por uma melodia que não chega a tocar.

Algo que faz parte de Clara é que, haja o que houver, ninguém presta atenção nela. Pode sair e entrar na discoteca. Tornar a sair e entrar de novo. Ou mostrar como as palmas pálidas de suas mãos estiveram a ponto de receber um impacto. Um impacto enorme! Apesar disso está bem. Por que não se machucou! Ei, você, não se assuste, é que esta jovem só quer um pouco de atenção. Clara é o tipo de pessoa que, por viver na cidade, passaria despercebida. Com a única diferença que, no caso de fazê-lo, ainda que tentasse no meio da rua ou em um semáforo, continuariam sem percebê-la. No caminho de casa, esfrega os nós de suas mãos, raspando por todas as fachadas ásperas que encontra. E tudo o que vê antes de apagar a luz do seu quarto, é isto: arranhões na mão, um dormitório cheio de pôsteres e muita roupa para dobrar.

E outro carro que se afasta para a montanha, diz alguém que vive no loteamento e acompanha a rota com um binóculo. Assim que o carro para, Berta e Hans continuam sentados e com o olhar fixo nos assentos da frente. Pois se não pensam em fazer nada, pelo menos poderiam dar seu lugar a outro casal que tem que ir para fora. Além disso, Berta está sem vontade e não está para brincadeira. Ela está bem onde está. Sentada e com Hans ao seu lado, o mesmo que tenta descobrir como colocar a mão por dentro da malha dela. Não, ela segura sua mão. Lá fora, o traseiro de outro cara se estampa na porta do carro enquanto a garota de ajoelha diante dele. Hans, Berta diz ao observar como o banco da frente está se reclinando. Não devíamos ter vindo. Não?! Hans exclama. É que Berta não lhe desperta vontade. Estranho que ela e seu namorado ocupem um lugar que não merecem. Talvez existam almas caridosas para estes jovens que cederam um bom lugar e agora temem passar frio? Berta e Hans saem pela outra porta.

Ela segura a mão de Hans. Embora tudo pareça indicar que não é o suficiente. Um e outro saem do caminho e vão se aproximando da entrada dessa casa. Berta se despede com um beijo enquanto diz: sinto, sinto de verdade. Bom, ele sente mais ainda, embora continue andando rua abaixo. Pouco depois, Hans deixa as chaves sobre a mesa da vestíbulo. Dali, vai às cegas para seu quarto. Abre e fecha a porta. Entra e sai do banheiro. Põe o despertador para as seis.

Já é segunda-feira. Dia de mercado! As bancas começam a se encher de mercadorias. É algo que Hans percebe logo cedo, vestido com o uniforme da empresa. Mais tarde, Berta que espera no ponto de ônibus, decide comprar outra dessas malhas que não chegará a estrear. Clara também, carregando sua maleta de livros e anotações, espera que o segundo ônibus a leve uma vez mais por esse passeio interminável de dias, e observa as malhas que continuam valendo mais do que a está usando. Enquanto isso, se fixa em uma faca. Pergunta ao vendedor se corta. El vendedor questiona: se corta? Como uma faca não vai cortar! Claro que depende do que tenha que cortar. O que é que gostaria de cortar, senhorita? Clara fica sem dizer nada. Seu único meio de transporte acaba de chegar. Porque logo já aparece Anna e pergunta por que o vendedor de livros antigos está ausente uma vez mais. Sim, antes vinha!

Anna, esta peça vista de perfil poderia se transformar em um busto de mármore ou pedra, trabalhado com muita paciência, por algum artista da cidade. Anna, esta figura sentada em um dos bancos do loteamento, que folheia sua caderneta

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