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Como passar em concursos CESPE: direito penal: 287 questões de direito penal

Como passar em concursos CESPE: direito penal: 287 questões de direito penal

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Como passar em concursos CESPE: direito penal: 287 questões de direito penal

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5/5 (1 rating)
Length:
457 pages
5 hours
Publisher:
Released:
Jan 1, 2018
ISBN:
9788582422793
Format:
Book

Description

Cada banca examinadora tem características próprias em relação aos seguintes aspectos: a) maneira de apresentar as perguntas, b) técnicas utilizadas para di cultar a resolução das questões, c) teses jurídicas preferidas, d) tipo de doutrina utilizada e e) temas preferidos, recorrentes e reputados mais importantes. Essa identidade é bem acentu- ada em se tratando do CESPE.
Trata-se de uma organizadora que elabora exames bem diferentes das demais. O CESPE costuma ser bem original em todos os aspectos mencionados e fazer perguntas de alto grau de dificuldade, sendo comum, inclusive, a repetição de questões, com certas modi cações, em exames seguintes.
É por isso que a presente obra é indispensável para você que deseja ser aprovado no exame do CESPE. A partir da resolução de todas as questões presentes no livro, você entrará em contato com o jeito, as técnicas, as teses jurídicas, a doutrina e os temas preferidos e recorrentes da examinadora, o que, certamente, será decisivo para a sua aprovação.
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Como passar em concursos CESPE - Wander Garcia

Coordenadores

DIREITO PENAL

Arthur Trigueiros, Eduardo Dompieri e Tatiana Subi*

1. CONCEITO, FONTES E PRINCÍPIOS

(Analista – STF – 2013 – CESPE) Acerca dos princípios gerais que norteiam o direito penal, das teorias do crime e dos institutos da Parte Geral do Código Penal brasileiro, julgue os itens a seguir.

(1) Considere que Manoel, penalmente imputável, tenha sequestrado uma criança com o intuito de receber certa quantia como resgate. Um mês depois, estando a vítima ainda em cativeiro, nova lei entrou em vigor, prevendo pena mais severa para o delito. Nessa situação, a lei mais gravosa não incidirá sobre a conduta de Manoel.

(2) A teoria finalista adota o conceito clássico de ação, entendida como mero impulso mecânico, dissociado de qualquer conteúdo da vontade.

(3) Considerando o disposto no Código Penal brasileiro, quanto à matéria do erro, é correto afirmar que, em regra, o erro de proibição recai sobre a consciência da ilicitude do fato, ao passo que o erro de tipo incide sobre os elementos constitutivos do tipo legal do crime.

1: errada. Sendo a extorsão mediante sequestro – art. 159, CP crime permanente, em que a consumação se prolonga no tempo por vontade do agente, a sucessão de leis penais no tempo enseja a aplicação da lei vigente enquanto não cessado o comportamento ilícito, ainda que se trate de lei mais gravosa. É esse o entendimento firmado na Súmula n. 711 do STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou permanência; 2: incorreta. A assertiva se refere, em verdade, à chamada teoria causal (naturalística ou clássica), em relação à qual a conduta deve ser entendida como um comportamento humano voluntário, positivo ou negativo, apto a produzir modificação no mundo exterior. Já para a teoria finalista, a conduta corresponde a um comportamento humano, consciente e voluntário, dirigido, como o próprio nome sugere, a uma finalidade, a um propósito; 3: correta. O erro de proibição, denominação concebida pela doutrina, é chamado, pelo Código Penal, de erro sobre a ilicitude do fato (art. 21, CP). Uma vez reconhecido, exclui a culpabilidade (art. 21, caput, CP), desde que escusável; se inescusável, constituirá causa de redução de pena. O erro de tipo, por sua vez, tem por objeto os elementos constitutivos do tipo penal, gerando a exclusão do dolo e, em consequência, da tipicidade penal (art. 20, caput, CP).

Gabarito 1E, 2E, 3C

(Magistratura/BA – 2012 – CESPE) Assinale a opção correta a respeito dos princípios aplicáveis ao direito penal.

(A) Consoante Zaffaroni, o princípio da intranscendência da pena rechaça o estabelecimento de cominações legais e a imposição de penas que careçam de relação valorativa com o fato cometido considerado em seu significado global.

(B) A fragmentariedade do direito penal é corolário dos princípios da proporcionalidade e da culpabilidade, pois, como destacou Binding, o direito penal não constitui um sistema exaustivo de proteção de bens jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que constituem o universo de bens do indivíduo, mas representa um sistema descontínuo de seleção de ilícitos decorrentes da necessidade de criminalizá-los ante a indispensabilidade da proteção jurídico-penal.

(C) Segundo Jescheck, a responsabilização do delinquente pela violação da ordem jurídica não pode ser conseguida sem dano e sem dor, especialmente com relação às penas privativas de liberdade, a não ser que se pretenda subverter a hierarquia dos valores morais e utilizar a prática delituosa como oportunidade para premiar, o que conduziria ao reino da utopia; assim, as relações humanas reguladas pelo direito penal devem ser presididas pelo princípio da humanidade.

(D) De acordo com o princípio da ofensividade, também denominado princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos, não compete ao direito penal tutelar valores puramente morais, éticos ou religiosos.

(E) Segundo Nelson Hungria, aplica-se o princípio da subsidiariedade aos crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado, ou seja, aos crimes plurinucleares.

A: incorreta, pois o princípio da intranscendência (ou da personalidade da pena) diz respeito à impossibilidade de a pena ir além (transcender, ultrapassar) da pessoa do condenado, nos termos do art. 5º, XLV, da CF; B: incorreta. Karl Binding foi o pai do princípio da fragmentariedade, discutindo sua natureza e aplicabilidade em seu Tratado de Direito Penal Alemão Comum, de 1896. Afirmava o mestre alemão que o Direito Penal desempenhava uma função tuteladora fragmentária de bens jurídicos, somente entrando em cena nos casos em que se constatasse que a conduta fosse merecedora de pena. Não se constitui o princípio em comento em uma decorrência dos princípios da culpabilidade e da proporcionalidade. Em verdade, a assertiva trata muito mais do princípio da necessidade, segundo o qual não bastará a análise dos elementos do fato punível para a imposição de pena ao agente, sendo indispensável que se busque aferir se a inflição da pena é estritamente necessária à proteção de determinado bem jurídico lesado; C: correta. De fato, para Hans-Heinrich Jescheck, em seu Tratado de Derecho Penal, Parte General, em célebre lição, prelecionou que "a punição do agente não pode ser conseguida sem dano e sem dor, especialmente nas penas privativas de liberdade, a não ser que se pretenda subverter a hierarquia dos valores morais e utilizar a prática delituosa como oportunidade para premiar, o que conduziria ao reino da utopia. Dentro dessas fronteiras, impostas pela natureza de sua missão, todas as relações humanas reguladas pelo Direito Penal devem ser presididas pelo princípio de humanidade"; D: incorreta, pois o princípio da ofensividade ou da lesividade ensina que o Direito Penal somente poderá intervir diante da existência de lesões efetivas ou potenciais ao bem jurídico tutelado pela norma penal. Assim, se uma conduta perpetrada por alguém não for capaz de produzir uma efetiva lesão (ou perigo de lesão) ao bem tutelado, não haverá punição criminal do fato; E: incorreta, pois, como é sabido, aos crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado, aplica-se o princípio da alternatividade.

Gabarito C

(Magistratura/CE – 2012 – CESPE) Em relação às teorias do crime e à legislação especial, assinale a opção correta.

(A) Conforme entendimento jurisprudencial, é suficiente, para fundamentar a aplicação do direito penal mínimo, a presença de um dos seguintes elementos: mínima ofensividade da conduta do agente, ínfima periculosidade da ação, ausência total de reprovabilidade do comportamento e mínima expressividade da lesão jurídica ocasionada.

(B) A coculpabilidade, expressamente admitida na lei penal como uma das hipóteses de aplicação da atenuante genérica, consiste em reconhecer que o Estado também é responsável pelo cometimento de determinados delitos quando o agente possui menor autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto, especificamente no que se refere às condições sociais e econômicas.

(C) A teoria constitucionalista do delito, que integra o direito penal à CF, enfoca o delito como ofensa, concreta ou abstrata, a bem jurídico protegido constitucionalmente, havendo crime com ou sem lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico relevante.

(D) Idealizado por Günther Jakobs, o direito penal do inimigo é entendido como um direito penal de terceira velocidade, por utilizar a pena privativa de liberdade, mas permitir a flexibilização de garantias materiais e processuais, podendo ser observado, no direito brasileiro, em alguns institutos da lei que trata dos crimes hediondos e da que trata do crime organizado.

(E) O abolicionismo, ou minimalismo penal, prega a eliminação total, do ordenamento jurídico penal, da pena de prisão como meio de controle social formal e a sua substituição por outro mecanismo de controle.

A: incorreta, pois, de acordo com o STF, o princípio da insignificância (decorrente da aplicação do direito penal mínimo), para ser reconhecido, exige a conjugação dos seguintes vetores: i) mínima ofensividade da conduta do agente; ii) nenhuma periculosidade social da ação; iii) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; iv) inexpressividade da lesão jurídica provocada; B: incorreta, pois a coculpabilidade, bastante difundida por Zaffaroni, não vem expressamente reconhecida como uma das atenuantes genéricas previstas no art. 65 do CP. Se tanto, poderia ser reconhecida como atenuante inominada (art. 66 do CP); C: incorreta, pois a teoria constitucionalista do delito preconiza que o Direito Penal somente poderá entrar em cena diante de condutas capazes de causar lesão (ou perigo de lesão) aos bens jurídicos tutelados pela norma incriminadora, constituindo-se em indiferentes penais aquelas condutas que não produzirem uma afetação concreta e intolerável a um bem jurídico com relevância penal; D: correta. De fato, o jurista alemão Günther Jakobs idealizou o denominado direito penal do inimigo, que, em síntese, preconiza que àquelas pessoas consideradas de bem (cidadãos, portanto), deverão ser observadas todas as garantias penais e processuais penais, ao passo que àquelas consideradas inimigas (não cidadãos), haverá uma flexibilização (e até supressão) de garantias materiais e processuais. Referida teoria ganhou enorme força após o fatídico 11 de Setembro (ataque terrorista às torres gêmeas em Nova Iorque), estimulando a produção legislativa antiterror. No Brasil, há quem sustente que algumas normas têm traços de um direito penal do inimigo, tal como se vê com o tratamento mais rigoroso que se dá aos crimes hediondos e ao crime organizado; E: incorreta, pois o abolicionismo penal, como o nome sugere, prega a total extinção da punição criminal como forma de controle de condutas ilícitas, sem a possibilidade de instituição de mecanismos mais brandos do que as penas. Enfim, pregam a extinção do direito penal (e não somente da pena de prisão).

Gabarito D

(Ministério Público/RO – 2010 – CESPE) Com relação às normas penal e processual penal, assinale a opção correta.

(A) O dispositivo que trata do crime de uso de documento falso é norma imperfeita em seu preceito primário, porque remete o intérprete a outros tipos penais para conceituar os papéis falsificados, e norma penal em branco em seu preceito secundário, por remeter a outro artigo para apurar a pena cominada.

(B) A lei penal e a lei processual penal observam o princípio da irretroatividade, excepcionando os casos em que a lei retroage para beneficiar o réu.

(C) A lei penal e a lei processual penal observam o princípio da territorialidade absoluta em razão de a prestação jurisdicional ser uma função soberana do Estado, que só pode ser exercida nos limites do território nacional.

(D) O dispositivo legal que prevê o estado de necessidade é uma norma penal não incriminadora permissiva justificante porque tem por finalidade afastar a ilicitude da conduta do agente.

(E) Caso haja antinomia entre duas leis penais, devem ser observados os seguintes critérios: especialidade, subsidiariedade, consunção, alternatividade e exclusão.

A: incorreta. O uso de documento falso, previsto no art. 304 do CP, é delito remetido, já que faz referência a outro dispositivo de lei que o integra; B: incorreta: art. 5º, XL, da CF e art. 2º do CPP. O dispositivo constitucional que estabelece que a lei não retroagirá faz alusão tão somente à lei penal. A lei processual penal, conforme preceitua o art. 2º do CPP, terá aplicação imediata, disciplinando o restante do processo. Não tem, pois, efeito retroativo. Vale, entretanto, fazer uma ressalva. Quando se tratar de uma norma processual dotada de caráter material, a sua eficácia no tempo deverá seguir o regramento do art. 2º, parágrafo único, do CP; C: incorreta. No que toca à lei penal, o CP adotou, em seu art. 5º, a territorialidade temperada. Significa, portanto, que, aos crimes perpetrados em território brasileiro, será aplicada a lei local, ressalvadas as convenções, tratados e regras de direito internacional. No que se refere à lei processual, em vista do disposto no art. 1º do CPP, esta terá incidência em todo território nacional, ressalvadas eventuais exceções decorrentes de tratado, convenções ou regras de direito internacional (princípio da territorialidade); D: assertiva correta. As normas penais podem ser classificadas em incriminadoras e não incriminadoras. As primeiras definem as infrações e estabelecem as respectivas sanções. As segundas podem ser divididas em permissivas e explicativas. Estas são as que, como o próprio nome diz, explicam o significado de determinada norma. Exemplo sempre lembrado é o do art. 327 do CP, que traz a definição, para efeitos penais, de funcionário público. Por fim, permissivas são as que conferem licitude a certos comportamentos. Exemplos: legítima defesa, exercício regular de direito etc.; E: incorreta. Antinomia é a incompatibilidade (contrariedade) entre normas que se estabelece no plano real, que não deve, por isso, ser confundida com o conflito aparente de normas, solucionável por meio dos princípios contidos na assertiva.

Gabarito D

(Analista – TRE/RJ – 2012 – CESPE) A respeito de institutos diversos de direito penal, julgue os itens a seguir.

(1) Nos casos de delitos contra o patrimônio praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa, a aplicação do princípio da insignificância é admitida pelo Superior Tribunal de Justiça, mesmo que existam condições pessoais desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência ou ações penais em curso.

(2) Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é inidônea a utilização do critério do número de infrações penais praticadas para calcular o percentual de aumento da pena fundado no crime continuado.

1: certo. O fato de o réu ser reincidente ou ainda portador de maus antecedentes criminais não obsta a aplicação do princípio da insignificância, cujo reconhecimento está condicionado à existência de outros requisitos. Nesse sentido: STF, RE 514.531/RS, 2.ª T., j. 21.10.2008, rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ 06.03.2009; STJ, HC 221.913/SP, 6.ª T., j. 14.02.2012, rel. Min. Og Fernandes, DJ 21.03.2012. Mais recentemente, o plenário do STF, em julgamento conjunto de três HCs, adotou o entendimento no sentido de que a incidência ou não do postulado da insignificância em favor de agentes reincidentes ou com maus antecedentes autores de crimes patrimoniais desprovidos de violência ou grave ameaça deve ser aferida caso a caso. Vide HCs 123.108, 123.533 e 123.734; 2: errado. De fato, o aumento de pena será determinado pelo número de infrações: quanto maior o número de infrações, maior deve ser o aumento. Nesse sentido: STJ, HC 234.861/SP, 5.ª T., j. 02.10.2012, rel. Min. Jorge Mussi, DJ 09.10.2012.

Gabarito 1C, 2E

(Analista – MPU – 2010 – CESPE) Julgue o próximo item, relativo ao direito penal.

(1) De acordo com entendimento jurisprudencial, não se aplica o princípio da insignificância aos crimes ambientais, ainda que a conduta do agente se revista da mínima ofensividade e inexista periculosidade social na ação, visto que, nesse caso, o bem jurídico tutelado pertence a toda coletividade, sendo, portanto, indisponível.

1: a assertiva é falsa, já que os crimes ambientais comportam, sim, a aplicação do postulado da insignificância (delito de bagatela), segundo jurisprudência do STF. Vide, a esse respeito, Informativo 430 do STF.

Gabarito 1E

2. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO

(Juiz de Direito/DF – 2016 – CESPE) Com relação à aplicação da lei penal, assinale a opção correta.

(A) As frações de dia são computadas como um dia integral de pena nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos.

(B) O direito penal, quanto ao tempo do crime, considera praticado o crime no momento do seu resultado.

(C) A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz as mesmas consequências, poderá ser homologada no Brasil para todos os efeitos, exceto para obrigar o condenado à reparação do dano.

(D) Ficam sujeitos à lei brasileira os crimes contra o patrimônio ou a fé pública do DF, de estado, de município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público, embora cometidos no estrangeiro, sendo o agente punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido no estrangeiro.

(E) Não é aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, ainda que achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.

A: incorreta, uma vez que não corresponde à regra presente no art. 11 do CP; B: incorreta. No que se refere ao tempo do crime, o Código Penal acolheu, em seu art. 4º, a teoria da ação ou da atividade, que considera praticado o crime no momento da ação ou da omissão, mesmo que outro seja o do resultado; C: incorreta, pois contraria o que estabelece o art. 9º, I, do CP; D: correta (art. 7º, I, b, e § 1º, do CP); E: incorreta, pois não corresponde ao que estabelece o art. 5º, § 2º, do CP.

Gabarito D

(Procurador do Estado – PGE/BA – CESPE – 2014) No que diz respeito aos diversos institutos previstos na parte geral do Código Penal, julgue o item seguinte (adaptada).

(1) Em se tratando de abolitio criminis , serão atingidas pela lei penal as ações típicas anteriores à sua vigência, mas não os efeitos civis decorrentes dessas ações.

1: Correta. Ocorre a abolitio criminis (art. 2º, "caput, do CP) sempre que uma lei nova deixa de considerar crime determinado fato até então criminoso. É, por força do que dispõe o art. 107, III, do CP, causa de extinção da punibilidade, que pode ser arguida e reconhecida a qualquer tempo, mesmo no curso da execução da pena. Além disso, tem o condão de fazer cessar a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Os efeitos extrapenais, no entanto, subsistem (art. 2º, caput", do CP). (ED)

Gabarito 1C

(Investigador de Polícia/BA – 2013 – CESPE) Julgue o item seguinte, com relação ao tempo, à territorialidade e à extraterritorialidade da lei penal.

(1) No delito continuado, a lei penal posterior, ainda que mais gravosa, aplica-se aos fatos anteriores à vigência da nova norma, desde que a cessação da atividade delituosa tenha ocorrido em momento posterior à entrada em vigor da nova lei.

1: correta, nos termos da Súmula 711 do STF.

Gabarito 1C

(Magistratura/PI – 2011 – CESPE) No que se refere à aplicação da lei penal, assinale a opção correta.

(A) Em relação ao lugar do crime, o legislador adotou, no CP, a teoria do resultado, considerando praticado o crime no lugar onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

(B) Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, mas, nas de multa, não se desconsideram as frações da moeda.

(C) A abolitio criminis , que possui natureza jurídica de causa de extinção da punibilidade, conduz à extinção dos efeitos penais e extrapenais da sentença condenatória.

(D) Desde que em benefício do réu, a jurisprudência dos tribunais superiores admite a combinação de leis penais, a fim de atender aos princípios da ultratividade e da retroatividade in mellius .

(E) Em relação ao tempo do crime, o legislador adotou, no CP, a teoria da atividade, considerando-o praticado no momento da ação ou omissão.

A: incorreta, pois, em matéria de lugar do crime, o legislador adotou, no CP, a teoria mista ou da ubiquidade, segundo a qual se considera praticado o crime no lugar onde ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado (art. 6º do CP); B: incorreta (art. 11 do CP); C: incorreta, pois a abolitio criminis, de acordo com o art. 2º, caput, do CP, faz cessar a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Logo, remanescerão os efeitos extrapenais da condenação; D: incorreta, pois é prevalente o entendimento de que não se pode admitir a combinação de leis penais no tempo, sob pena de o juiz criar uma lex tertia, em violação à tripartição de poderes. A propósito, o STJ, consolidando tal entendimento, editou recentemente a Súmula 501, que, embora se refira ao crime de tráfico, também terá incidência no âmbito de outros delitos: É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis; E: correta (art. 4º do CP).

Gabarito E

3. APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO

(Escrivão de Polícia/BA – 2013 – CESPE) Julgue os itens seguintes, com relação ao tempo, à territorialidade e à extraterritorialidade da lei penal.

(1) A extraterritorialidade da lei penal condicionada e a da incondicionada têm como elemento comum a necessidade de ingresso do agente no território nacional.

(2) Suponha que Leôncio tenha praticado crime de estelionato na vigência de lei penal na qual fosse prevista, para esse crime, pena mínima de dois anos. Suponha, ainda, que, no transcorrer do processo, no momento da prolação da sentença, tenha entrado em vigor nova lei penal, mais gravosa, na qual fosse estabelecida a duplicação da pena mínima prevista para o referido crime. Nesse caso, é correto afirmar que ocorrerá a ultratividade da lei penal.

1: errada. Na extraterritorialidade incondicionada (art. 7º, I, CP), o ingresso do agente no território nacional não é exigida para a aplicação da lei penal brasileira, diferentemente do que ocorre nas hipóteses de extraterritorialidade condicionada (art. 7º, II, CP), que pressupõe, dentre outras condições, o ingresso do agente em nosso território (art. 7º, § 2º, a, CP). 2: correta. Ainda que revogada a lei anterior, que previa pena menor para o estelionato, Leôncio deverá ser punido de acordo com ela, e não com a lei que, no curso do processo, entrou em vigor. Tal se deve à irretroatividade prejudicial da lei penal, nos termos do art. 5º, XL, da CF e art. 2º, CP. Importante destacar que a lei penal não pode retroagir para prejudicar o réu. No caso relatado na assertiva, se a pena mínima do crime cometido por Leôncio foi duplicada, tal alteração se afigura prejudicial, sendo de rigor que a lei anterior – embora revogada – seja aplicada. Ocorrerá, assim, a ultra-atividade de referida lei (vigente à época do fato, revogada no curso do processo).

Gabarito 1E, 2C

(Escrivão de Polícia/DF – 2013 – CESPE) Julgue os itens seguintes, relativos à teoria da norma penal, sua aplicação temporal e espacial, ao conflito aparente de normas e à pena cumprida no estrangeiro.

(1) A lei penal que, de qualquer modo, beneficia o agente tem, em regra, efeito extra-ativo, ou seja, pode retroagir ou avançar no tempo e, assim, aplicar-se ao fato praticado antes de sua entrada em vigor, como também seguir regulando, embora revogada, o fato praticado no período em que ainda estava vigente. A única exceção a essa regra é a lei penal excepcional ou temporária que, sendo favorável ao acusado, terá somente efeito retroativo.

(2) Considere a seguinte situação hipotética. Jurandir, cidadão brasileiro, foi processado e condenado no exterior por ter praticado tráfico internacional de drogas, e ali cumpriu seis anos de pena privativa de liberdade. Pelo mesmo crime, também foi condenado, no Brasil, a pena privativa de liberdade igual a dez anos e dois meses. Nessa situação hipotética, de acordo com o Código Penal, a pena privativa de liberdade a ser cumprida por Jurandir, no Brasil, não poderá ser maior que quatro anos e dois meses.

(3) Na definição de lugar do crime, para os efeitos de aplicação da lei penal brasileira, a expressão onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado diz respeito, respectivamente, à consumação e à tentativa.

(4) Considere a seguinte situação hipotética. A bordo de um avião da Força Aérea Brasileira, em sobrevoo pelo território argentino, Andrés, cidadão guatemalteco, disparou dois tiros contra Daniel, cidadão uruguaio, no decorrer de uma discussão. Contudo, em virtude da inabilidade de Andrés no manejo da arma, os tiros atingiram Hernando, cidadão venezuelano que também estava a bordo. Nessa situação, em decorrência do princípio da territorialidade, aplicar-se-á a lei penal brasileira.

1: errada. De fato, a lei penal que de qualquer modo puder favorecer o agente, terá efeito extra-ativo, tendo natureza retroativa (abrangendo, portanto, fatos anteriores ou início de sua vigência) ou ultra-ativa (aplicando-se mesmo após sua revogação, regulando fatos praticados durante sua vigência). No tocante às leis excepcionais e temporárias, espécies do gênero leis de vigência temporária, marcadas pela transitoriedade, os fatos praticados durante sua vigência serão por elas alcançados, mesmo após sua autorrevogação. São, portanto, leis ultrativas. 2: errada. Tratando-se de hipótese de extraterritorialidade condicionada da lei penal brasileira, haja vista que o crime foi praticado, no estrangeiro, por cidadão brasileiro (art. 7º, II, b, CP), tendo ele cumprido pena no exterior, não irá, novamente, cumprir pena no Brasil (art. 7º, II, § 2º, d, CP). Afinal, é condição, nesse caso, para a aplicação da lei penal brasileira, que o agente, pelo crime cometido no estrangeiro, não tenha aí cumprido pena. Se Jurandir cumprir seis anos de pena privativa de liberdade no exterior, não está satisfeita uma das condições para a aplicação da lei brasileira. 3: correta. O lugar do crime, de acordo com o art. 6º, CP, para fins de aplicação da lei penal brasileira, será tanto o local em que ocorreu a ação ou omissão, bem como onde se produziu (leia-se: consumou) ou deveria produzir-se (leia-se: onde o crime deveria consumar-se) o resultado. Assim, a expressão onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado abrange, respectivamente, consumação e tentativa do crime. 4: correta. O avião da Força Aérea Brasileira, por ser aeronave de natureza pública, é considerado, para efeitos penais, território brasileiro ficto ou por extensão (art. 5º, § 1º, CP). Portanto, crimes praticados a bordo de referida aeronave seguem o regime jurídico da legislação brasileira, que deverá incidir no caso concreto relatado na assertiva.

Gabarito 1E, 2E, 3C, 4C

(Magistratura/BA – 2012 – CESPE) No que se refere à aplicação da lei penal, assinale a opção correta.

(A) Considere que Carlos, condenado definitivamente à pena privativa de liberdade de dez anos de reclusão, tenha sido encaminhado à penitenciária, para o cumprimento da pena, às 23 h 45 min do dia 13 de agosto de 2010. Nessa situação, deverá ser excluído do cômputo do cumprimento da pena o referido dia, uma vez que Carlos ficará preso, nesse dia, menos de uma hora.

(B) A lei penal mais benéfica retroagirá se favorecer o agente, aplicando-se a fatos anteriores, respeitados os fatos já decididos por sentença condenatória transitada em julgado.

(C) Considere que Pedrosa, brasileiro de trinta e quatro anos de idade, juntamente com mexicanos, tenha tentado sequestrar, na cidade uruguaiana de Rivera, o presidente do Brasil, quando este participava de uma convenção internacional, e que, presos ainda no Uruguai, todos tenham sido processados e absolvidos no estrangeiro por insuficiência de provas. Nessa situação, dado o princípio da justiça universal, Pedrosa não poderá ser punido de acordo com a lei brasileira.

(D) Suponha que João, brasileiro de vinte e dois anos de idade, sequestre Maria, brasileira de vinte e quatro anos de idade, nas dependências do aeroporto internacional da cidade do Rio de Janeiro – RJ, levando-a, imediatamente, em aeronave alemã, para o Paraguai. A esse caso aplica-se a lei penal brasileira, sendo irrelevante eventual processamento criminal pela justiça paraguaia.

(E) De acordo com o princípio da universalidade, a sentença penal estrangeira homologada no Brasil obriga o condenado a reparar o dano, sendo facultativo o pedido da parte interessada.

A: incorreta, pois, como é sabido e ressabido, os prazos de cunho penal exigem o cômputo (leia-se: a inclusão) do dia do começo, excluindo-se o do vencimento (art. 10, CP). Logo, se a pena tiver sido iniciada às 23h45 do dia 13 de agosto de 2010, ainda que restem apenas 15 minutos para o término do dia, este será contado como o primeiro dia do prazo. Os dez anos de pena terminarão em 12 de agosto de 2020 (inclusão do dia 13 de agosto de 2010, que é o dia do começo, e exclusão do dia 13 de agosto de 2020, que seria o dies ad quem); B: incorreta, pois a retroatividade da lei penal mais favorável atingirá fatos mesmo decididos por sentença transitada em julgado (art. 2º, parágrafo único, CP); C: incorreta, pois, ainda que praticados no estrangeiro, crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da República sujeitarão os agentes à lei brasileira (art. 7º, I, a e § 1º, CP). Neste caso, pouco importa ter havido a absolvição dos agentes no estrangeiro, pois estamos diante de hipótese de extraterritorialidade incondicionada; D: correta, pois o arrebatamento da vítima ocorreu em solo brasileiro, motivo pelo qual vigorará o princípio da territorialidade (art. 5º, caput, CP). O fato de a vítima ter sido levada para o estrangeiro nada interfere na soberania nacional, vale dizer, na possibilidade de aplicação da lei brasileira; E: incorreta, pois a sentença penal estrangeira, ainda que homologada no Brasil, somente obrigará o condenado a reparar o dano se houver pedido da parte interessada (art. 9º, I e parágrafo único, a, CP).

Gabarito D

(Ministério Público/SE – 2010 – CESPE) De acordo com a lei penal brasileira, o território nacional estende-se a

(A) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro, onde quer que se encontrem.

(B) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública, desde que se encontrem no espaço aéreo brasileiro ou em alto-mar.

(C) aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, onde quer que se encontrem.

(D) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública, desde que se encontrem a serviço do governo brasileiro.

(E) aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, desde que estejam a serviço do governo do Brasil e se encontrem no espaço aéreo brasileiro ou em alto-mar.

Art. 5º do CP. Aplica-se, neste caso, o princípio da territorialidade, segundo o qual a lei penal terá incidência no território do Estado que a editou.

Gabarito A

(Defensor Público/RO – 2012 – CESPE) Luciano, brasileiro, servidor público estadual, em viagem de serviço à Argentina, utilizou o cartão de crédito governamental a que tinha acesso autorizado para adquirir, em agência de turismo situada em Buenos Aires, em seu proveito e de Bernadete, sua esposa, um pacote turístico que incluía passagens aéreas e um cruzeiro marítimo pelas costas argentina e brasileira, a bordo de um navio pertencente a uma empresa espanhola. Bernadete, eufórica com sua primeira viagem de navio, confidenciou a Cristiane, sua amiga, que gastariam tudo por conta do cartão do governo. Bernadete viajou de sua cidade a Buenos Aires, na Argentina, onde se encontrou com Luciano, e embarcaram no navio. Na primeira parada, em Porto Alegre – RS, Bernadete, no momento em que Luciano estava na piscina do navio, entrou clandestinamente no camarote de Diego, diplomata uruguaio, que, naquele momento, usava a academia de ginástica do navio, e subtraiu do local dois mil dólares norte-americanos, mas foi detida pelos seguranças do navio em sua cabine, após ter sido flagrada pelo sistema de câmera de vigilância.

Nessa situação hipotética,

(A) Luciano e Bernadete praticaram crime de furto qualificado mediante concurso de pessoas, devendo responder perante a lei brasileira.

(B) Caso sejam denunciados pelo uso irregular do cartão de crédito do governo, Luciano e Bernadete devem ser processados pelo crime de emprego irregular de verbas ou rendas públicas perante a justiça brasileira, e Bernadete será processada, ainda, pelo crime de furto simples, também pela lei brasileira.

(C) Luciano não praticou crime de furto, mas cometeu crime de emprego irregular de verbas ou rendas públicas, devendo responder por ele de acordo com a lei brasileira; Bernadete praticou somente crime de furto, devendo ser processada pela lei brasileira.

(D) Bernadete praticou os crimes de peculato e de furto simples, devendo responder pelo primeiro crime perante a lei brasileira e, pelo segundo crime, perante a lei uruguaia visto que Diego é diplomata uruguaio.

(E) Luciano e Bernadete praticaram o crime de peculato, e Bernadete cometeu, ainda, o crime de furto simples, devendo ambos ser processados perante a lei brasileira.

Não se confundem os crimes de peculato e de emprego irregular de verbas ou rendas públicas, previstos, respectivamente, nos arts. 312 e 315 do CP. No crime do art. 312 do CP, o funcionário público se apropria ou subtrai verbas em proveito próprio ou de terceiro. É este o caso narrado no enunciado, dado que os beneficiários da utilização do cartão governamental foram Luciano e sua esposa, Bernadete. No caso do crime do art. 315 do CP, a situação é bem outra. Aqui, o emprego das verbas ou rendas públicas se dá em benefício da própria Administração. O funcionário, de forma diversa da imposta pela lei, dá outra destinação ao objeto material do delito. A conduta do casal, portanto, se amolda à descrição típica contida no art. 312 do CP. Aqui vale uma observação. Embora Bernadete não seja funcionária pública, qualidade exclusiva de Luciano, pelo crime de peculato também deverá, junto com ele, responder, posto que tal qualidade (ser funcionário público), porque elementar do crime em questão, deve, por expressa disposição do art. 30 do CP, comunicar-se ao coautor/partícipe que, de alguma forma, haja contribuído. Além do crime praticado contra a Administração Pública, consta do enunciado que Bernadete, sem o conhecimento de Luciano, que estava dormindo, subtraiu, do camarote de Diego, diplomata uruguaio, a importância de dois mil dólares em espécie, incorrendo, por isso, nas penas do crime de furto simples (art. 155, caput, do CP). Não há que se falar em coautoria/participação na prática deste crime contra o patrimônio, entre Bernadete e Luciano, já que este, como já dito, não tomou partido da prática delituosa, cuja responsabilidade, pois, deve ser atribuída tão somente a Bernadete. Além disso, embora este crime tenha sido praticado a bordo de embarcação estrangeira (espanhola), a lei a ser aplicada, neste caso, é a brasileira, dado que o navio, que é de propriedade privada, achava-se atracado em porto brasileiro (princípio da territorialidade – art. 5º, § 2º, do CP). Por fim, o crime de peculato, mesmo tendo sido praticado fora do território nacional, sujeita-se, por força do que dispõe o art. 7º, I, b, do CP, à lei penal brasileira. Cuida-se de hipótese de extraterritorialidade incondicionada. A lei brasileira, neste caso, será aplicada ao crime cometido no estrangeiro contra o patrimônio ou a fé pública da Administração Pública por quem está a seu serviço, independente de qualquer condição.

Gabarito E

4. CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES

(Magistratura/CE – 2012 – CESPE) A respeito da classificação dos crimes, assinale a opção correta.

(A) Classifica-se como bipróprio o crime cujo agente é simultaneamente sujeito ativo e passivo em relação ao mesmo fato.

(B)

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