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Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil

Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil

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Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil

Length:
320 pages
4 hours
Released:
Aug 20, 2017
ISBN:
9788575965306
Format:
Book

Description

Da popularidade das charges políticas nos primórdios da imprensa brasileira à conquista do público infantil, com as tiras publicadas semanalmente nos jornais de grande circulação, a indústria dos quadrinhos no Brasil tomou impulso na primeira metade do século XX a partir da energia empreendedora de editores brasileiros da época. Os suplementos semanais dedicados à criança abriam caminho para que o leitor brasileiro não apenas recebesse a influência poderosa da indústria americana, mas também conhecesse as criações nacionais – personagens e histórias com a cor e os hábitos locais.
Esta trajetória, muito bem sintetizada por um dos maiores pesquisadores no tema da América Latina, ganhou nesta edição a companhia de uma entrevista concedida pelo autor a Érico Assis e uma linha do tempo que relembra sua vida e obra. Escrito originalmente em espanhol para apresentar à América Latina o cenário brasileiro, um dos grandes mercados produtores e consumidores de quadrinhos do mundo, a versão em português ganha o tom de homenagem a Waldomiro Vergueiro, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e um dos pioneiros nos estudos acadêmicos sobre os quadrinhos.
Released:
Aug 20, 2017
ISBN:
9788575965306
Format:
Book

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Inside the book

Top quotes

  • Em seu primeiro período de publicação, de 1929 a 1930, A Gazetinha trazia poucos quadrinhos norte-americanos: o mais importante era certamente Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay (1869-1934).

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Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil - Waldomiro Vergueiro

PANORAMA

DAS HISTÓRIAS

EM QUADRINHOS

NO BRASIL

Waldomiro Vergueiro

PANORAMA

DAS HISTÓRIAS

EM QUADRINHOS

NO BRASIL

Copyright © 2017 Waldomiro Vergueiro

Copyright © das imagens da capa: Desenho de J. Carlos (superior); Tira biográfica de Fabio Ciccone (meio), Rê Bordosa, de Angeli (abaixo à esquerda) e Zé Caipora, de Angelo Agostini (direita).

As capas de livro e imagens de personagens foram usadas neste livro para ilustrar o texto do autor, e pertencem aos seus respectivos detentores de direitos autorais.

EDITORA

Renata Farhat Borges

EDITORES DO OBSERVATÓRIO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Paulo Ramos

Nobu Chinen

DESIGN GRÁFICO E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Márcio Koprowski

REVISÃO TÉCNICA

Paulo Ramos

Nobu Chinen

REVISÃO DE TEXTO

Mineo Takatama

ASSISTENTES EDITORIAIS

Izabel Mohor

Fernanda Moraes

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

Vagner Rodolfo CRB-8/9410

V493p Vergueiro, Waldomiro

Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil [recurso eletrônico] / Waldomiro Vergueiro. - São Paulo : Peirópolis, 2017.

Inclui bibliografia.

ISBN: 978-85-7596-530-6

1. Histórias em quadrinhos. 2. Brasil.. I. Título.

CDD 741.5

CDU 741.5

Disponível em ebook nos formatos ePub (ISBN 978-85-7596-530-6) e KF-8 (ISBN 978-85-7596-531-3)

Editado conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

1ª edição, 2017

Editora Peirópolis Ltda.

Rua Girassol, 310F – Vila Madalena

05433-000 – São Paulo – SP

tel.: (11) 3816-0699

vendas@editorapeiropolis.com.br

www.editorapeiropolis.com.br

SUMÁRIO

Uma única obra, duas funções

Introdução

O humor gráfico e o início dos quadrinhos no brasil

A presença italiana no nascimento dos quadrinhos brasileiros

O tico-tico a primeira revista brasileira a publicar histórias em quadrinhos

O modelo norte-americano no mercado brasileiro

As primeiras editoras de quadrinhos no Brasil

EBAL (Editora Brasil-América Ltda.)

RGE (Rio Gráfica e Editora)/Globo

Editora O Cruzeiro

Editora Abril

Outras editoras

Histórias em quadrinhos brasileiras: principais autores e personagens

Quadrinhos infantis

De quadrinhos infantis para quadrinhos juvenis: Mônica Jovem, Chico Bento Moço e outros

Quadrinhos de aventura

Quadrinhos de super-heróis brasileiros

Quadrinhos de terror

Quadrinhos underground e para o público adulto

Carlos Zéfiro e os quadrinhos eróticos/pornográficos

Quadrinhos para o público adulto

Editoras de quadrinhos em atividade no Brasil

Editoras de livros que também publicam quadrinhos

A atualidade das histórias em quadrinhos no Brasil: a busca de um novo público

Prioridade para o público adulto como elemento de renovação

O estilo underground e coletâneas de quadrinhos

Obras literárias na linguagem dos quadrinhos

Perspectivas para as histórias em quadrinhos no Brasil

Referências

Entrevista a Érico Assis

I. Sobre a leitura, os quadrinhos e a coleção

II. Sobre escrever e sobre as felicidades e infelicidades acadêmicas

III. Os quadrinhos e a pesquisa em quadrinhos hoje

Waldomiro Vergueiro – Biografia

Crédito das Imagens

UMA ÚNICA OBRA, DUAS FUNÇÕES

NOBU CHINEN E PAULO RAMOS

Este livro cumpre duas funções. Ambas corrigem um vazio, embora por caminhos distintos.

A primeira lacuna que esta obra preenche é a de ser impressa em língua portuguesa. Editada originalmente em espanhol, ela integrou a série argentina La historieta Latinoamericana, coordenada por Hernán Ostuni, responsável pelo site La Bañadera del Comic.

A trajetória dos quadrinhos no Brasil, escrita por Waldomiro Vergueiro, correspondeu ao terceiro tomo da coleção. Os dois anteriores abordaram Uruguai, Cuba, Chile (em um volume), Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela (em outro). O quarto e derradeiro trabalho descreveu as produções mexicanas.

Esteticamente, os livros eram bastante modestos. O que trazia o conteúdo brasileiro tinha 112 páginas, em preto-e-branco, cada uma delas com textos divididos em duas colunas. A tiragem foi baixa, 200 exemplares. O conteúdo, no entanto, contrastava com a simplicidade da edição. Vergueiro esmiuçava a história dos quadrinhos no País, indo das primeiras experiências até o momento contemporâneo.

Tratava-se de síntese que atraiu, seguramente, o leitor das outras nações latino-americanas, mas que interessava também aos brasileiros, tão carentes de um livro dessa natureza, e que, inexplicavelmente, permaneceu inédito em nosso idioma. Como dito, um vácuo, que a editora Peirópolis ajuda a preencher. E com um tratamento gráfico à altura do conteúdo.

Nove anos separaram a edição argentina e este Panorama das histórias em quadrinhos no Brasil, nome adotado para esta versão em português. Versão não é força de expressão. Escrito originalmente em espanhol, teve o conteúdo traduzido pelo autor que, no processo, aproveitou para reescrever algumas partes e atualizar as informações, ampliando o relato até dias mais recentes.

A segunda função do livro tem mais a ver com o autor do que com o conteúdo em si.

Waldomiro Vergueiro construiu uma trajetória exemplar nos estudos de histórias em quadrinhos no Brasil. Nas pesquisas individuais, nas orientações aos outros, na generosidade no auxílio a tantos, ele se tornou uma referência na mesma área que ajudou a consolidar cientificamente. Seu nome se confunde com as investigações existentes nesse campo.

Sua base de atuação sempre foi a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). À frente do Núcleo de Histórias em Quadrinhos, depois rebatizado de Observatório de Histórias em Quadrinhos, ele serviu de ponto focal para quem quisesse enveredar pelos estudos sobre quadrinhos. Tarefa que, sabe-se, nem sempre foi vista com olhos acolhedores nas universidades brasileiras.

No livro Os pioneiros no estudo de quadrinhos no Brasil, ele mesmo rememora como via esse papel que, voluntária ou involuntariamente, passou a exercer no meio acadêmico brasileiro. Diante de revezes plurais, vividos no final da década de 1990, pensou em desistir das pesquisas com quadrinhos. Uma mensagem, recebida de um aluno de uma universidade da região Norte, fez com que repensasse a questão.

O estudante dizia ter conseguido convencer sua universidade a aceitar uma proposta de mestrado sobre quadrinhos após argumentar que existia na USP um professor que trabalhava intensivamente com quadrinhos e um núcleo de pesquisas que se dedicava exclusivamente a eles. Ciente desse papel, Vergueiro passou a exercê-lo como se fosse uma missão.

Waldomiro Vergueiro está aposentado. Mantém o vínculo com a pós-graduação da ECA-USP e, com ele, as orientações de mestrado e doutorado, bem como a coordenação do Observatório de Histórias em Quadrinhos. O que nem todos sabem é que preserva também aulas na graduação em disciplina específica sobre quadrinhos. E ele o faz de forma não remunerada, para que a oferta não seja descontinuada, por pura crença de que seu papel faz diferença. E faz.

Por isso, nada mais justo do que uma merecida homenagem que, a propósito, casa com o tom de seriedade com que sempre abordou as pesquisas sobre quadrinhos. Em vez de laudatórios, optou-se por valorizar o reconhecimento por meio de seus próprios estudos. No caso, um deles, que tardava em ser repatriado e que, agora, chega às mãos do leitor brasileiro.

De modo que o conteúdo não seja ofuscado pela homenagem, e também sem que ela não se fizesse presente, a solução encontrada foi apresentar, ao final, uma entrevista com o autor, realizada pelo jornalista, tradutor e pesquisador Érico Assis.

Assis condensou também uma espécie de linha do tempo do professor, tanto profissional quanto pessoal. Ela aparece nas páginas finais, bem acompanhadas por tiras elaboradas por desenhistas que aceitaram o convite de ilustrar, com bom humor, fragmentos de sua vida.

Misto de livro teórico e de obra de homenagem, esta publicação ajuda a entender um pouco melhor a importância de Waldomiro Vergueiro, seja por meio de seus escritos, seja por sua própria voz, vertida na forma de respostas de uma entrevista. São dois lados de uma referência nos estudos de histórias em quadrinhos, que merece ser não só conhecida, como também reconhecida.

P.S.: OS BASTIDORES DE UMA TRAMOIA

A publicação deste livro implicou uma estratégia sigilosa, uma espécie de tramoia cujos perpetradores são os autores deste prefácio. Não contentes, envolveram no processo mais três pessoas-chave, todas unidas pela fraude, agora publicamente exposta.

Tal artimanha se justifica porque a ideia era fazer a Waldomiro Vergueiro uma surpresa e que ele só tivesse ciência da obra quando esta já estivesse impressa. No entanto, como fazer com que um autor enviasse seus originais sem que ele soubesse que se tratava de uma homenagem? A solução foi contar com a colaboração, ou melhor, a cumplicidade de generosos e leais parceiros.

Waldomiro Vergueiro refez o trabalho a convite de outra pessoa, sem saber exatamente como a obra seria publicada, informado apenas que ela integraria o catálogo de uma editora universitária. Tudo ficção (um eufemismo para substituir o termo mentira, que talvez fosse o mais apropriado). A entrevista realizada por Érico Assis, outro de nossos cúmplices, também é outra armação do plano secreto: Vergueiro pensava serem declarações para reportagem de um site.

Com o texto em mãos, faltava quem se dispusesse a transformá-lo em livro impresso. E aqui entra a editora e pesquisadora Renata Farhat Borges, que se envolveu de forma intensa em sua viabilização.

Acreditando piamente que os fins justificam os meios, a proposta que norteou o grupo, e para a qual esperam ser absolvidos, foi a de fazer uma homenagem ao autor. Uma justíssima homenagem configurada por algo que ele melhor soube produzir e compartilhar: o seu conhecimento.

Introdução

Em 1990, três pesquisadores de histórias em quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo criaram, no espaço de atuação dessa escola, um ambiente de pesquisa cooperativa que denominaram Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos (NPHQ), um centro de pesquisas dedicado ao aprofundamento de temáticas relacionadas às histórias em quadrinhos. Eu tive a honra e o privilégio de estar entre eles.

O tempo passou. Os dois colegas se aposentaram no início dos anos 2000 e um deles, infelizmente, já não está entre nós. Outros pesquisadores se associaram ao Núcleo, que, por sua vez, mudou sua razão social, passando a se denominar Observatório de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP. Os objetivos almejados à época de sua criação, no entanto, permaneceram os mesmos: aprofundar os estudos sobre a linguagem gráfica sequencial em todos os seus aspectos. Dentro desses objetivos, não se colocam restrições de localização geográfica, forma de produção, características artísticas, ideológicas etc.

Interessa-nos discutir e registrar a evolução das histórias em quadrinhos em geral, ampliando seu papel como objeto de pesquisa científica no ambiente acadêmico. No caso, busca-se a valorização dessa manifestação cultural, tanto em seu aspecto de meio de comunicação de massa como no âmbito da produção artística, surja ela onde surgir, venha de onde vier, defenda o que quiser defender. No entanto, não se pode negar que, como pesquisadores, sempre tivemos um olhar especial para a realidade brasileira nessa área. Entendemos que é importante dar prioridade à análise da produção nacional, não somente por motivos afetivos ou patrióticos, mas, especialmente, devido à diversidade e qualidade da história em quadrinhos brasileira. Ela, sem dúvida, tem muito a nos oferecer e muito ainda há a dizer sobre suas características, sua evolução, e sobre o papel que desempenhou na constituição de nossa sociedade.

Com vistas nessa ênfase na produção nacional, em 2004 foi organizado um número especial da Revista Latinoamericana de Estudios sobre la Historieta, publicado em Cuba, exclusivamente dedicado à produção brasileira de histórias em quadrinhos. Eu tive o privilégio de coordenar essa publicação, da qual participaram vários pesquisadores e colaboradores do Observatório de Histórias em Quadrinhos, cada um deles enfocando a realidade quadrinística brasileira a partir de sua especialidade. Foi uma experiência muito bem-sucedida, que gerou frutos no Brasil: ampliado pelo acréscimo de alguns textos, o conteúdo daquele número especial da revista foi posteriormente publicado em português em formato de livro (Vergueiro, Santos, 2009).

Assim, além de apresentar a realidade brasileira de produção e comercialização dos produtos da Nona Arte, o presente livro dá continuidade ao trabalho de análises teórica e histórica sobre os quadrinhos brasileiros, ampliando e sistematizando as informações apresentadas no número especial da revista cubana e complementando aspectos desenvolvidos no livro publicado em 2009.

É preciso deixar claro que não é objetivo deste livro traçar um panorama completo das histórias em quadrinhos brasileiras. Essa seria possivelmente um tarefa de muito difícil realização por apenas um único autor. Busca-se, aqui, tão somente traçar um panorama histórico do desenvolvimento da arte gráfica sequencial no País, destacando as principais editoras, os artistas mais reconhecidos e as criações mais significativas da área, além de avançar algumas considerações sobre o atual momento dos quadrinhos no País, bem como sobre as perspectivas para o futuro dos produtos da Nona Arte no Brasil. Com certeza, algumas personalidades ficarão sem ser nomeadas, alguns personagens ou séries serão esquecidos e outras coisas do gênero. Quero garantir que tais ocorrências se deram em virtude de dois fatores apenas: a falta de espaço no livro, planejado para um número específico de páginas, e a memória deficiente de seu autor. E nunca, absolutamente, por entender que aqueles que ficaram de fora careciam de importância para nele serem incluídos. Não tenho dúvida de que a história das histórias em quadrinhos no Brasil foi produzida não apenas por aqueles autores e personagens que atingiram fama e reconhecimento, mas, principalmente, por aqueles que acreditaram no potencial do meio e com ele se comprometeram na medida de suas possibilidades, ainda que não tenham atingido o reconhecimento público que porventura mereciam.

Personagens da revista Crás, da Editora Abril, de São Paulo

Semana Illustrada, do alemão Henrique Fleiuss

O HUMOR GRÁFICO E O INÍCIO DOS QUADRINHOS NO BRASIL

As histórias em quadrinhos, ou simplesmente quadrinhos, tiveram um desenvolvimento muito peculiar no Brasil, recebendo influências de diferentes partes do mundo. No século XIX, o humor gráfico foi significativamente cultuado em diversos jornais brasileiros, com grandes artistas se destacando no campo da charge e da caricatura.

Segundo Lailson de Holanda Cavalcanti (2005, p. 21), a primeira manifestação de humor gráfico impresso no Brasil é de autor desconhecido, uma vez que a situação política não permitia assumir publicamente a autoria de um desenho crítico em relação às autoridades e ao sistema dominante.

O primeiro desenho humorístico publicado no Brasil

Esse desenho foi publicado em 25 de abril de 1831, no jornal O Carcundão, do Estado de Pernambuco, constituindo-se em uma alegoria só compreensível por seus contemporâneos, na qual […] um ser mescla de homem e burro busca retratar um personagem político específico, bem como uma situação. (Cavalcanti, 2005, p. 21)

Por outro lado, "a primeira revista de caricaturas regular e de grande duração

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