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Conversando com C.S. Lewis

Conversando com C.S. Lewis

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Conversando com C.S. Lewis

ratings:
3.5/5 (3 ratings)
Length:
213 pages
3 hours
Publisher:
Released:
Oct 23, 2014
ISBN:
9788542204551
Format:
Book

Description

Você já imaginou como seria conversar com C. S. Lewis sobre diversos

assuntos polêmicos? Você já pensou como seria uma entrevista

com ele, falando sobre assuntos atuais e o que ele pensa

sobre isso?
Publisher:
Released:
Oct 23, 2014
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9788542204551
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Book

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Top quotes

  • Todos nós precisamos construir nossa vida sobre algo estável, sólido e seguro. E enquanto não encontrarmos esse fundamento, não poderemos começar a viver corretamente.

  • O gênero humano não pode suportar muita realidade”. Precisamos de uma maneira de focar, ou de tecer os fios para revelar um padrão. Caso contrário, tudo parece caótico – borrado, fora de foco e sem sentido.

  • Eu acredito no cristianismo como acredito que o sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque por ele vejo todo o resto. C. S. LEWIS, IS THEOLOGY POETRY?

  • Aristóteles sugeriu que uma pessoa deseja o melhor para seu amigo não porque isso pode ser um benefício pessoal para si próprio, mas porque enriquece seu amigo.

  • Para Lewis, a fé cristã nos oferece um meio de ver as coisas corretamente, como elas realmente são, a despeito de suas aparências.

Book Preview

Conversando com C.S. Lewis - Alister McGrath

Notas

Prefácio

C. S. Lewis é um dos escritores mais conhecidos do século XX. Filmes de grande orçamento baseados em As crônicas de Nárnia levaram seus livros a uma nova audiência em todo o mundo. No entanto, Lewis era famoso muito antes dos filmes. Em seu tempo, foi celebrado como um dos maiores especialistas do mundo em literatura inglesa. Suas palestras em Oxford e Cambridge sempre estiveram lotadas de estudantes ansiosos, atentos a cada palavra sua.

Lewis agora é lembrado principalmente por duas coisas. Em primeiro lugar, é reverenciado como o autor dos sete livros que compõem As crônicas de Nárnia. Esses livros — especialmente o de estreia, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa – tornaram-se clássicos da literatura inglesa. Os livros de Nárnia trazem de volta o poder que as histórias bem contadas têm de cativar a imaginação e tocar algumas das maiores questões da existência humana, por exemplo, como nos tornarmos boas pessoas e descobrir o sentido da vida.

Eles nos atraem a um mundo rico, imaginativo, que nos ajuda a pensar nas grandes questões acerca do significado e do valor de nós mesmos.

A segunda coisa pela qual Lewis é recordado agora são seus escritos cristãos. Lewis era ateu convicto na juventude. Serviu no exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial e desistiu da religião por conta do sofrimento e da destruição que viu ao seu redor. No entanto, durante anos ele foi reconsiderando sua posição e, gradualmente, chegou à conclusão de que a crença em Deus era a forma mais satisfatória de olhar as coisas. Lewis explicou sua mudança de atitude em uma série de livros best-sellers, mais notadamente em o Cristianismo puro e simples.

Embora Lewis seja mais conhecido como escritor, nunca devemos esquecer que sua vida foi complexa, difícil e por vezes trágica. Sua mãe morreu de câncer antes que ele completasse 10 anos de idade; ele lutou nos campos de batalha da França durante a Primeira Guerra Mundial e foi gravemente ferido em combate; casou-se tardiamente e viveu a tragédia de ver sua esposa lentamente perder sua longa luta contra o câncer. Lewis é um raro exemplo de alguém que teve de pensar sobre as grandes questões da vida porque suas próprias experiências as despejaram sobre ele. Lewis não é um filósofo de botequim; suas ideias foram forjadas no calor do sofrimento e do desespero.

Então, por que este livro? O que significa Conversando com C. S. Lewis? A ideia para este livro surgiu quando eu estava conversando sobre Lewis com um grupo de estudantes de Oxford. Eu queria explorar alguns temas de seus escritos, tais como sua rica e gratificante ideia de alegria. Os alunos, no entanto, tinham ideias muito diferentes. Eles queriam aprender com Lewis, não aprender sobre ele. Lewis era um grande nome, um modelo. Eles queriam saber o que ele pensava sobre as grandes questões da vida. Como me disseram, isso os ajudaria a organizar a si mesmos. Parecia uma boa ideia. Então, começamos a observar o que Lewis tinha a dizer sobre o sentido da vida. E essa abordagem funcionou.

Todos nós queremos aprender com pessoas que se mostraram atenciosas e úteis para lidar com as grandes questões da vida. É por isso que muitos de nós nos voltamos para amigos ou colegas de confiança e perguntamos se podemos passar algum tempo com eles e ouvir seus conselhos. Quando combinamos um almoço entre amigos, não estamos pensando em comer; é uma forma de passar um tempo juntos, de conhecer melhor as pessoas e conversar sobre as coisas. Queremos ouvir aqueles que já passaram por situações difíceis como as que enfrentamos agora e aprender como eles as superaram. Queremos que eles nos digam como encontraram o sentido das coisas para que possamos fazer o mesmo.

É por isso que tantas pessoas tentam encontrar mentores – pessoas mais velhas e mais sábias que podem transmitir sua sabedoria e ajudar com seu exemplo e incentivo. Ou amigos críticos – pessoas que estão do nosso lado, mas dispostas a dizer coisas difíceis para nos ajudar a seguir em frente. Ou instrutores de vida – pessoas que nos ajudam a atingir nossos objetivos. São pessoas em quem confiamos e a quem respeitamos, que podem andar ao nosso lado e nos ajudar a tocar a vida e obter mais dela. Não são apenas experientes; são algo mais importante que isso: são sábias.

É como aquela brincadeira que as pessoas às vezes fazem nas festas: diga o nome de três pessoas com quem gostaria de almoçar. Quem poderiam ser os convidados? E por quê? Sobre o que as pessoas esperam falar? Eu gostaria de almoçar com C. S. Lewis – como a maioria das pessoas que conheço! Seria maravilhoso sentar e discutir as maiores questões da vida comendo e bebendo alguma coisa. Afinal de contas, como o próprio Lewis apontou, há poucos prazeres maiores do que compartilhar comida, bebida e companheirismo. Veja este livro como meu convite a você, meu leitor, a sentar-se comigo e com Lewis em algum lugar tranquilo, para pensar sobre algumas das questões e dos dilemas persistentes que cada ser humano enfrenta nesta vida.

Lewis faz parte de um grupo muito pequeno de pessoas que aprendeu com os desafios da vida e foi capaz de passar adiante sua sabedoria de forma elegante e eficaz. É por isso que as vendas dos livros de Lewis, hoje, são maiores que em qualquer outro momento de sua vida. Evidentemente, muitos o consideram útil, informativo e reflexivo. Então, por que não o ver como um mentor, instrutor ou amigo crítico? Os escritos de Lewis mostram que ele era mais que disposto a atuar nessas funções para seus amigos. Sua vasta correspondência, por exemplo, fornecia regularmente aconselhamento e sabedoria tanto a amigos íntimos quanto a relativos estranhos. O livro Cartas do inferno (1943) é uma das obras mais originais de direcionamento espiritual já escrita.

Este trabalho é uma série de almoços imaginários com Lewis. O que ele diria a alguém que tenta superar o luto? Ou alguém que quer saber a melhor maneira de explicar a fé cristã a um amigo ateu? Ou alguém que quer ser uma pessoa melhor, ou que tem medo de que sua fé seja um faz de conta, inventado para encarar a dureza da vida? Graças aos próprios escritos de Lewis e à enorme literatura sobre ele sabemos que tipo de coisa ele diria às pessoas que fizessem essas perguntas. E este é o objetivo deste livro: deixar que Lewis nos ajude à medida que lidamos com as questões e tentamos nos tornar pessoas melhores. Evidentemente, como vamos descobrir, Lewis tinha alguns questionamentos próprios, que devemos considerar também.

Qualquer um que tenha visto o filme Terra das sombras pode se perguntar se almoçar com Lewis – ainda que na imaginação – seria mesmo divertido. Anthony Hopkins interpreta Lewis como uma pessoa solene, pomposa e meio maçante, que provavelmente faria com que seus comensais quisessem cortar os pulsos. Felizmente, o real C. S. Lewis não era nada disso. Seus amigos, como George Sayer, lembram com carinho de Lewis como uma pessoa inteligente, com um glorioso senso de humor e um conceito meio infantil de diversão. Ele era alguém que dava prazer conhecer e um companheiro maravilhoso. Almoçar com Lewis teria sido um deleite. Ele teria distribuído sabedoria com risos e bom humor.

As ideias de Lewis muitas vezes são sábias e vale a pena ouvi-las, mas isso não significa que devamos concordar com tudo que ele diz. Certa vez, eu tive de fazer um curso sobre gestão na Universidade de Oxford. Na época, eu tinha uma posição executiva na universidade, com responsabilidades administrativas. O curso destinava-se a ajudar a mim e a outros colegas a lidar com esses desafios de forma mais eficaz. Lembro-me vividamente de uma das palestras; foi sobre a escolha de amigos que nos ajudem a tomar as melhores decisões. Não se cerquem de clones de si mesmo, disseram-nos. Conversem com pessoas que realmente respeitem, mesmo que elas não concordem com vocês. Essas pessoas podem não concordar conosco em absoluto, mas vão nos apresentar opções que, sabemos, devemos levar a sério. Nossas decisões finais serão muito melhores, porque teremos sido forçados a pensar nas possibilidades com as quais podemos não concordar, mas que podem estar certas.

Foi nesse espírito que este livro foi concebido e escrito. Lewis será nosso interlocutor. Isso não quer dizer que ele esteja certo sobre tudo. Significa apenas que ele é alguém que realmente vale a pena ouvir. Lewis é uma pessoa profundamente interessante e digna de se ouvir, que temos de levar a sério, mesmo que acabemos discordando dele.

Lewis morreu em 1963. Então, como podemos ouvi-lo? Um jeito seria inventar um diálogo imaginário, colocando palavras na boca dele. Mas isso não é justo, nem para Lewis nem para meus leitores. É muito melhor oferecer resumos precisos das ideias de Lewis, temperados com algumas de suas melhores frases e citações, para esboçar aos leitores sua maneira de pensar. Vamos explorar suas ideias, ver como podem funcionar e descobrir como podemos usá-las.

Vamos fingir que planejamos encontrar Lewis regularmente para falar sobre as coisas. Usaremos um padrão sugerido pela estrutura de bimestres acadêmicos das duas universidades de Lewis: Oxford e Cambridge. Cada universidade tem três bimestres de oito semanas. A vida profissional de Lewis foi organizada em torno desses blocos de oito semanas. Então, vamos fingir que vamos encontrar Lewis uma vez por semana durante um desses bimestres. Podemos nos encontrar em um dos bares preferidos de Lewis em Oxford, como The Eagle and Child, ou seu vizinho próximo, The Lamb & Flag. Ou podemos ser mais ousados, acompanhando-o nas caminhadas que ele tanto amava, ao longo do rio, passando por Port Meadow para chegar a pubs como The Perch, em Binsey, ou The Trout, em Wolvercote. E durante o almoço, podemos falar sobre algumas das grandes questões da vida.

Cada um dos oito almoços reúne mais ou menos os mesmos elementos. Vamos aprender parte da história de Lewis, o que nos permitirá entender como uma pergunta ou preocupação em particular se tornou importante para ele. (Para um olhar mais completo sobre a vida de Lewis, consulte Apresentando Lewis, na página 205.) A seguir, veremos como ele respondeu a essa pergunta ou preocupação. O que ele fez? O que ele pensava? Às vezes, vamos ouvir as próprias palavras de Lewis; às vezes, vou parafraseá-lo ou transmitir seu significado usando analogias ou ideias que ele próprio não usou, mas que nos ajudarão a ver onde ele quis chegar. Por fim, vamos descobrir como podemos usar o que aprendemos em nosso benefício. Como seus conselhos podem afetar nosso modo de pensar ou jeito de viver?

É sempre útil quando um grande pensador como Lewis é apresentado por alguém que conhece muito bem seus escritos e ideias e que pode nos ajudar a lhes dar sentido. Eu li Lewis nos últimos quarenta anos e passei a apreciar sua sabedoria em muitos níveis, bem como a trabalhar a melhor forma de explicar e aplicar suas ideias. Mas, no final, o leitor vai precisar ler o próprio Lewis. Ele tem um estilo elegante, cativante e envolvente que praticamente nenhum dos seus comentadores – e certamente não eu – pode imitar.

Você pode ver este trabalho como um prefácio para a leitura de Lewis, assim como ele uma vez escreveu um excelente prefácio para a leitura do clássico Paraíso perdido, de John Milton. Por essa razão, a seção Para leitura posterior (página 195) faz sugestões muito específicas sobre quais dos escritos de Lewis você poderia ler se quiser dar continuidade aos temas encontrados neste livro, bem como outras obras que podem ajudá-lo a ir mais longe. As edições utilizadas estão listadas na bibliografia no final deste trabalho. Também forneço detalhes de alguns livros sobre Lewis que o ajudarão a obter mais em sua leitura.

Então, por onde começamos? Certamente, Lewis gostaria que começássemos com a descoberta do cristianismo, que rapidamente se tornou a bússola moral e intelectual de seu mundo. Então, vamos começar nossos almoços perguntando a Lewis sobre o significado da vida.

ALISTER MCGRATH

Londres, setembro de 2013

1.

O grande panorama: C. S. Lewis e o significado da vida

Eu acredito no cristianismo como acredito que o sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque por ele vejo todo o resto.

C. S. LEWIS, IS THEOLOGY POETRY?

Éfácil imaginar que chegamos ao nosso primeiro almoço com Lewis com perguntas zunindo pela cabeça, sem saber muito bem o que perguntar primeiro. Mas talvez a primeira coisa que Lewis enfatizaria fosse a importância do sentido.

Talvez Lewis bata na mesa para enfatizar seu ponto de vista, fazendo a louça tremer. Podemos ser pegos de surpresa; não éramos nós que pretendíamos fazer perguntas? No entanto, Lewis está nos desafiando! Talvez seja porque ele percebeu como é importante estabelecer uma ordem para começar. Todos nós precisamos construir nossa vida sobre algo estável, sólido e seguro. E enquanto não encontrarmos esse fundamento, não poderemos começar a viver corretamente. Para usar uma distinção que Lewis usou em Cristianismo puro e simples, existe uma grande diferença entre existir e viver.

Então, por que o sentido é importante?

Os seres humanos são criaturas em busca de sentido. No fundo, dentro de todos nós há um desejo de descobrir o que é a vida e o que viemos fazer aqui. Seja o estudante universitário se perguntando em que se especializar, ou o cristão buscando a vontade de Deus, ou o filósofo de botequim contemplando seu propósito no mundo, a maioria de nós quer uma base confiável para nossa vida. Para isso, fazemos perguntas como: Por que estou vivo? Qual é o sentido da vida? Qual é o núcleo da vida? Qual é minha relação com o mundo físico e os outros ao meu redor? Deus existe? E que diferença isso faz?

Todos nós precisamos de uma lente através da qual olhar a realidade e dar sentido a ela. Caso contrário, somos esmagados por essa questão. O poeta T. S. Eliot afirmou, em um de seus poemas, Burnt Norton (1935): O gênero humano não pode suportar muita realidade. Precisamos de uma maneira de focar, ou de tecer os fios para revelar um padrão. Caso contrário, tudo parece caótico – borrado, fora de foco e sem sentido.

O filósofo ateu francês Jean-Paul Sartre, que moldou o pensamento de muitos jovens brilhantes na década de 1960, via a vida como sem sentido: Aqui estamos todos nós, comendo e bebendo para preservar nossa preciosa existência, e realmente não há nada, nada, absolutamente nenhuma razão para existir.¹ No entanto, é difícil viver em um mundo sem sentido. Qual seria o significado disso?

Perceber que não há sentido e propósito na vida nos mantém em perplexidade e dificuldade. Esse ponto foi destacado por Viktor Frankl, cujas experiências em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial mostraram a importância de discernir significado nas situações traumáticas.² Frankl percebeu que a chance de sobrevivência de alguém dependia de uma vontade de viver, que, por sua vez, dependia da capacidade de encontrar sentido e propósito em situações desesperadoras. Aqueles que lidavam melhor com situações aparentemente sem esperança eram os que tinham estruturas de significado. Isso lhes permitiu encontrar sentido em suas experiências.

Frankl argumentava que se não pudermos dar sentido aos acontecimentos e situações, seremos incapazes de lidar com a realidade. Ele citou o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: a pessoa que tem um ‘porquê’ para viver pode suportar quase qualquer ‘como’. Precisamos de

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Reviews

What people think about Conversando com C.S. Lewis

3.3
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Reader reviews

  • (4/5)
    The whole idea of having lunch with Lewis is appealing to so many people. What might be talked about is partly covered in this book of imagined meals shared between the listener and the author. Each pretend meeting is centered around a topic that will be discussed, which is a part of Lewis's life. These sections are like mini lectures or studies on his past and the beliefs, friendships or moments that helped inspire some of his writing.I found it interesting but I didn't think the concept of lunches was carried out to its potential. I would have preferred a more personal, one-on-one feel to each section, as if the reader really were sitting down to share food and conversation. That does create the possibility of partly fictionalizing what Lewis would be "saying," but not if great care were taken to quote him directly. If we are researching his beliefs and history, is there not a way to rewrite this history into something that would more resemble a conversation than a lecture? It was still enjoyable in its own way, but I felt the premise and title needed to fit each other a little more for the reading to feel whole based on my expectation from the title.