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Wenger, e.c.; Snyder, w.m. Comunidades de Pratica a Fronteira Organizacional

Wenger, e.c.; Snyder, w.m. Comunidades de Pratica a Fronteira Organizacional

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Do originol: On Organizational Learning Trodução autorizado do idioma inglês da edição publicado por Harvard Business School Press Copyright

© 1994, 1999,2000,2001 Harvard Business School Publishing Corporation © 2001, Editora Compus LIda. uma empresa Elsevier Science

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 5.988 de 14/12/73. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzido ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Copidesque Joselita Vieira Wasniewski Editoração Eletrônica DTPhoenix Editorial Revisão Gráfica Roberto Mauro Facce Projeto Gráfico Editora Compus LIda. A Qualidade da Informação Rua Sete de Setembro, 111 - 162 andar 20050-002 Rio de Janeiro RJ Brasil Telefone: (21) 3970-9300 Fax (21) 2507-1991 E-mail: info@campus.com.br ISBN 85-352-0941-7 (Edição original: ISBN 1-57851-615-3)

CIP-Brasil. Catalogação-no-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ A661 Aprendizagem Organizacional / Harvard Business Review; tradução Cassio Maria Nasser. - Rio de Janeiro: Compus, 2001 . . - (Harvard Business Review) Tradução de: Harvard Business Review on Organizational ISBN: 85-352-0941-7 1. Aprendizagem organizacional. 2. ConhecimentoAdministração. I. Harvard Business Review. 11.Série. CDD - 658.406 CDU - 65.011.8 5 4 3 2 1 Learning

01-1544 01 02 03 04

Nos últimos cinco anos. vencer novos desafios quando a empresa muda de estratégia. para esse universo de empresas em expansão. E. seus membros inevitavelmente compartilham conhecimentos com liberdade e criatividade. responder às mudanças externas como a ascensão do e-commerce. a aprendizagem e o compartilhamento do conhecimento. as comunidades de prática prometem estimular radicalmente a mudança. Sl\'YDER Resumo Executivo Uma nova forma de organização que atuam à base do conhecimento: está surgindo a comunidade em empresas de prática.manter conexões com os colegas quando a empresa se reorganiza.M M. Uma comunidade de prática é um grupo de pessoas informalespecializado compartilhado e mente ligadas pelo conhecimento pela paixão por um empreendimento conjunto. importante fabricante de veículos e uma entidade governamental dos Estados Uni- . Indivíduos de empresas formam essas comunidades por inúmeras razões . WENGER E WILLL>\. incentivando novas abordagens para os problemas. os autoo desempenho de 9 res viram comunidades de prática aprimorarem diversas empresas como um banco internacional.Comunidades de Prática A Fronteira Organizacional ETIEl\TNE C. Sejam quais forem as circunstâncias que dão origem às comunidades de prática.

desenvolver habilidades dos empregados talentos. gerar novas linhas de negócios. específicos Só assim podem ser completamente integrá-Ias à organização. embora sejam autopara desenvolvê-Ias e O paradoxo dessas comunidades organizadas requerem esforços gerenciais e. Em muitos casos.para apreender e disseminar idéias e know-how. Mas uma nova forma organizacional está surgindo e promete complementar as estruturas existentes e estimular radicalmente a mudança. a aprendizagem e o coinpartilhamento de conhecimentos. resistentes à supervisão e à interferência. promover a disseminação de melhores práticas. As comunidades de prática são capazes de direcionar a estra- tégia. Algumas comunidades de prática reúnem-se com regularidade . 10 economiaempresasfunciona à base de conhecimento.citando apenas algumas formas organizacionais . Os autores explicam as medidas que os gestores precisam tomar a fim de dar início a essas comunidades e sustentá-Ias para que se tornem partes centrais do sucesso da empresa.engenheiros empenhados na perfuração em águas profundas. Outras estão conectadas sobretudo por redes de e-mail. alavancadas. consultores especializados em marketing estratégico ou gestores altamente experientes.dos. encarregados do processamento de cheques em um grande banco comercial. e ajudar empresas a recrutarem e reterem é que. Elas utilizam equipes multifuncionais. por exemplo. Uma comuni- A . solucionar problemas. Chama-se comunidade de prática. O que são as comunidades de prática? Em síntese.para almoçar às quintas-feiras. e a maioatual ria das trabalha com afinco para tirar proveito disso. unidades de negócios focadas no produto ou cliente e grupos de trabalho . são grupos de pessoas ligadas informalmente pelo conhecimento especializado e compartilhado e pela paixão por um empreendimento conjunto . por exemplo. essas formas de organização são bastante eficazes e ninguém discutiria sua extinção. portanto.

espontânea e informal das comunidades de prática as torna resistentes à supervisão e interferências.há séculos. A terceira razão é que não é fácil formá-Ias e sustentá-Ias ou integrá-Ias ao resto da organização. compensa todos os 11 . Nos últimos cinco anos. é possível não segui-Ia ao pé da letra. A primeira é que. gestores bem-sucedidos reúnem as pessoas certas. A segunda é que somente algumas empresas de vanguarda se aventuraram a "instalá-Ias" ou incentivá-Ias. proporcionam a infraestrutura na qual as comunidades podem prosperar e mensuram seu valor utilizando formas não-convencionais. A natureza orgânica. mas a colheita esforços. Ao contrário. Inevitavelmente. Em geral.) Se as comunidades de prática são tão eficazes. ver "Comunidades em Ação" no final deste capítulo. no entanto.conhecimento . Como sua "produção" básica . As comunidades de prática são capazes de direcionar a estratégia.é intangível. Mas não é bem assim. e em caso afirmativo. por que são tão raras? Há três razões. a comunidade de prática pode parecer mais um modismo de gestão. Essas tarefas de cultivo não são fáceis. vimos comunidades de prática aprimorarem o desempenho organizacional em diversas empresas como um banco internacional. incentivando novas abordagens para os problemas. promover a disseminação de melhores práticas. embora existam há muito tempo .apenas recentemente o termo passou a fazer parte da linguagem empresarial. seus participantes compartilham experiências e conhecimentos com liberdade e criatividade. Mas observamos inúmeras empresas que superaram o paradoxo gerencial inerente às comunidades de prática e foram bem-sucedidas ao desenvolvê-Ias. (Como exemplos de como as comunidades de prática ajudam as empresas. resolver problemas. gerar novas linhas empresariais. desenvolver habilidades de empregados e ajudar empresas a recrutarem e reterem talentos. constatamos que os gestores não conseguem comandá-Ias. na verdade . um importante fabricante de veículos e uma entidade governamental dos Estados Unidos.dade de prática pode ou não ter uma pauta explícita em determinada semana.

Na Grécia clássica. é comum existirem dentro de grandes organizações. As comunidades de prática são tão variadas quanto as situações que lhes dão origem. mas em geral possui um núcleo de participantes cuja paixão pelo tópico a energiza e proporciona liderança social e intelectual.As Marcas Registradas das Comunidades de Prática As comunidades de prática já existiam na Antigüidade.por exemplo. É comum grandes comunidades se subdividirem por região geográfica ou assunto para encorajarem a participação ativa dos participantes. Na Idade Média. Em outras situações. os CEOs que constituem a Business Roundtable encontram-se com regularidade para discutirem relacionamentos entre política pública e empresarial. pedreiros e outros artífices tinham o objetivo social (os associados adoravam as mesmas divindades e comemoravam juntos os dias sagrados) e também a função comercial (os associados treinavam aprendizes e disseminavam as inovações). 12 . entre outros tópicos. Por exemplo. Uma comunidade pode ter dezenas ou até centenas de indivíduos. quando uma empresa se reorganiza em equipes. oleiros. Indivíduos nas empresas as formam por inúmeras razões. "corporações" de serralheiros. por exemplo. por exemplo. Ela pode até mesmo prosperar com participantes de várias empresas. As comunidades de prática atuais diferem em um aspecto importante: em vez de serem compostas sobretudo por pessoas trabalhando de forma independente. como novas estratégias empresariais . ou interna. Uma comunidade de prática consegue existir inteiramente dentro de uma unidade de negócios ou se estender além das fronteiras divisionais. as associações tinham funções semelhantes para os artesã os de toda a Europa. os empregados com conhecimentos funcionais especializados podem criar comunidades de prática como uma forma de manter contato com seus colegas. montadoras de veículos entrando na área financeira ou fabricantes de computadores oferecendo serviços de consultoria. tal como a ascensão do e-commerce. é possível formar comunidades em resposta à mudança externa à organização.

E os participantes de uma comunidade existente. dependendo da pauta. observamos que 12 técnicos do primeiro e segundo turnos reuniram-se em torno de uma mesa enorme da sala de conferências. como as comunidades diferem de equipes. Para entender melhor como as comunidades de prática funcionam. técnicos de linha reúnem-se semanalmente para conversar sobre os êxitos e as frustrações recentes. Os gerentes selecionam os participantes segundo sua capacidade de contribuir para as metas da equipe. assim como desafios futuros. Roger. por sua vez. (Para conhecer o resumo das diferenças. ou seja. analisemos dois exemplos. As equipes são criadas por gerentes para completarem projetos específicos. e garantir que participantes com conhecimentos relevantes estejam presentes. com paredes de vidro com vista para a fábrica. em poucas palavras. e aprenderam como esses grupos eram capazes de ajudar a empresa a desenvolver e reter conhecimentos técnicos específicos. O grupo tem um "prefeito" escolhido pelos demais participantes para manter o esquema de semana em semana.As comunidades de prática diferem de outras formas de organização. se necessário. um técnico do terceiro turno que teria de retomar sete horas depois para 13 . Indiana. Em uma reunião recente. as pessoas percebem quando. E a participação em uma comunidade de prática é auto-selecionada. As comunidades de prática. Sabem se têm algo a oferecer e se há possibilidade de ganharem alguma coisa. também utilizam o instinto para avaliar a adequabilidade do associado pretendente para o grupo. A fábrica concede aos empregados tempo para participarem. Embora fosse no meio da tarde. em Richmond. Eles formaram o grupo há vários anos. e se devem juntar-se àquela comunidade. o que significa que definem suas próprias pautas e sua liderança. Na Hill's Pet Nutrition. A freqüência real varia. ver o quadro "Uma Comparação Resumida.se auto-organizam. são informais . ao convidarem alguém para se juntar a eles.") Consideremos. e o grupo se desfaz assim que o projeto termina. depois que gerentes e técnicos participaram de um encontro em que lhes foi apresentado o conceito de comunidades de prática. de várias maneiras.

Vince começou a analisar as preocupações da gerência. em tubulações. a formação de Roger. O resultado? Reduções relevantes do tempo ocioso e do desperdício de ração relacionado à embalagem. assim. pois acreditavam que o sistema de esteiras funcionaria. Melhorias nas operações podem levar a recompensas financeiras na forma de bônus ligados ao desempenho da fábrica. O apoio da comunidade ao trabalho de John finalmente deu bons resultados. Também retomaram a discussão da semana anterior para repensar a forma de credenciamento dos técnicos. Achavam que o novo sistema não tinha sido testado antes e. Roger pôde confirmáIas com base em sua própria experiência e sugeriu juntar-se a John na próxima vez em que ele apresentasse as idéias aos gerentes. Gerentes seniores da fábrica não eram muito favoráveis à idéia dos tubos pneumáticos. voltaram-se à proposta. a empresa instalou a nova tecnologia. de qualquer forma. Contudo.ouvir cada um ao redor da mesa e deixar que falassem de tudo um pouco. logo se juntou a eles. foi bastante relevante. Antes de aceitarem a proposta de John. 14 . Um ano após a reunião. Além de beneficiar a empresa desta forma. seria difícil de ser incorporado à tecnologia atual da fábrica. A seguir. Ele fez questão de participar nessa ocasião para ajudar John a aprimorar sua proposta de substituir por tubos pneumáticos a esteira transportadora lenta que transportava a ração até o receptáculo de embalagem.começar seu trabalho "real". se operado adequadamente. a comunidade proporciona benefícios importantes aos seus participantes: ela lhes dá oportunidade de resolverem probleminhas desagradáveis e aprimorarem a capacidade de operar a fábrica com eficácia. os participantes da comunidade incentivaram John a continuar lutando pela mudança e ele persistira. inclusive sobre o jogo recente do Colts. os componentes do grupo seguiram a rotina de abertura . apoiado pelo fato de saber que especialistas da comunidade de prática viam fundamento em sua proposta. John então explicou que a última revisão de sua proposta incluía provas de colegas de outras fábricas de que a tecnologia era confiável e compatível com os equipamentos existentes.

as equipes e as redes informais um resumo de suas características. é o objetivo? Quem participa? o que têm em comum? Quanto tempo duram? Comunidade de prática Dcscnvolvcr as competências dos participantcs.Uma Comparação Resumida StlO As comunidades de prática. os grupos de trabalho formais. gcrar e trocar conhecimentos Dcsenvolver UI1l produto ou prcstar serviço Realizar dcterminada tarefa Colher e transmitir informações empresanals Participantcs quc se auto-selecionam Pa ixão. A seglli/. Qual IÍteis e se com!l!ementam.com p rom isso c identi ficação com os con heci men tos especializados do grupo e Enqnanto houver interesse em manter gru po o Grupo de trabalho formal um Qualquer aprcsentc grupo um que se ao gerente do Requisitos do trabalho mctas comuns Até a prÚxima rcorga n ização Equipe de projeto Emprcgados por gercntes cscolhidos scniorcs do As metas c pontos importantcs do projeto Necessidadcs mÍItuas Até o final do projcto Rede informal Amigos c conhecidos meio empresarial Enquanto as pcssoas tivcrcm um motivo para mantercm contato .

que minimiza o tempo ocioso de computadores para clientes. Os participantes descobriram que tinham muitos problemas em comum e que poderiam aprender muito uns com os outros. formou-se há alguns anos com a ajuda de facilitadores de uma equipe de apoio de gestão do conhecimento. A participação nas convocações mensais é voluntária.se era positivo. A comunidade obteve êxito na padronização dos processos de instalação e vendas do software e definiu um esquema coerente de preços para o pessoal de vendas da HP. À medida que a reunião prosseguia. 16 . Para uma dessas convocações. A conversa então voltou-se para um defeito persistente do software. o que significava para eles etc. Rob. mas com as histórias que ouviu na teleconferência percebeu que poderia aprimorar ainda mais a solução.Nosso segundo exemplo vem comunidade de prática. ela sabia que apenas com a conversa direta e aberta conseguiria estimular a colaboração que tornaria válida a convocação de todo o grupo. mas os níveis de freqüência são estáveis. Ele já descobrira uma forma de livrar-se do defeito. Porém. fora convidado a participar dessa reunião para criar um elo mais forte entre os consultores de entrega do produto e os criadores do software. os consultores passaram os primeiros dez minutos papeando sobre a recente reorganização de sua divisão . o foco seriam as experiências de Maureen com importante cliente para o qual ela estava instalando o produto. empregado da divisão de software que desenvolvera o produto. antes de tratarem da questão. realiza teleconferências um software da HP chamado High Availability. os participantes da comunidade a interrompiam constantemente com perguntas e exemplos de sua própria vivência . A comunidade enfoca da Hewlett-Packard. Maureen não dedicara muito tempo à preparação de uma apresentação formal. onde uma por consultores de entrega de Norte. Disse ao grupo que a complememaria na reunião do mês segumte.Maureen a entender como trabalhar de forma mais eficaz com os clientes. O grupo dos consultores que estavam um tanto isolados. formada produtos de toda a América do mensais.e todos ajudaram .

não apenas os ovos de ouro. A força das comunidades de prática perpetua-se por si mesma.À medida que as comunidades de prática geram conhecimentos. No entanto. O lavrador matou a galinha para ficar com todo o ouro e acabou perdendo ambos. ajudava a construir tanto suas comunidades quanto a compartilhar suas práticas . elas beneficiam-se do cultivo. elas se reforçam e se renovam. isso facilitava seu trabalho ou o tornava mais eficaz. regá-Ia durante a estiagem e assegurar que as plantas recebam os nutrientes adequados. O mesmo é válido para as empresas que plantam a semente das comunidades de prática e as cultivam. Os participantes dessas comunidades de prática aprendiam juntos ao enfocarem problemas diretamente relacionados ao trabalho. Um Paradoxo da Gestão Embora as comunidades de prática sejam informais e autoorganizadas em sua essência. ficamos ainda mais felizes com os frutos e as flores cujas sementes plantamos. mas também a galinha que os põe. sem qualquer cultivo. Não se pode puxar um pé de milho para que cresça mais rápido ou mais alto. Elas fornecem tanto os ovos de ouro quanto a galinha que os põe. no longo prazo.desenvolvendo assim competências fundamentais para o sucesso contínuo das organizações. Para dar início a essas comunidades . À medida que geram conhecimentos.os gerentes devem: 17 . E embora recebamos de bom grado as flores silvestres que nascem naturalmente. respondem ao respeito com que tratam sua natureza. No curto prazo. Como se fossem lavouras. É por isso que elas nos dão. o desafio para as organizações é dar valor à galinha e entender como mantê-Ia viva e produtiva. arrancar as ervas daninhas. elas se renovam. e não se deve arrancar um cravo-dedefunto para ver se possui raÍzes.e sustentá-Ias com o passar do tempo . pode-se arar o solo.

A US. por exemplo. Na Shell. Analisam desafios e problemas que os empregados das unidades e equipes têm em comum e que serviriam como base para uma comunidade de prática. Durante o primeiro ano da comunidade. já existem redes informais de pessoas com capacidade e paixão para desenvolverem ainda mais as competências essenciais de uma organização. eles não se comprometerão totalmente com o trabalho da comunidade. permitindo que apliquem de forma eficaz seus conhecimentos especializados. Uma tarefa-chave é definir o domínio de uma empresa." um termo abrangente envolvendo as habilidades de processamento dos empregados e os equipamentos e procedimentos relacionados. As entrevistas são mais do que um meio de colher informações: também geram entusiasmo pela comunidade embrionária. Veterans Administration constatou a veracidade deste fato com uma comunidade que teve início quando de sua organização do processamento de indenizações. o indivíduo que quer desenvolver uma nova comunidade une forças com um consultor e entrevista participantes potenciais. A princípio. Os participantes mais ativos decidiram 18 .• Identificar comunidades de prática potenciais capazes de acentuar as competências estratégicas da empresa. a participação do grupo foi lenta e restrita. • Usar métodos não-tradicionais para analisar o valor das comunidades de prática da empresa. IDENTIFICAR COMUNIDADES POTENCIAIS As comunidades de prática não surgem do nada. Na maioria dos casos. Após a etapa inicial. o coordenador reúne os participantes e o grupo começa a discutir planos para atividades que desenvolverão competências individuais e coletivas e adianta a pauta estratégica da empresa. • Proporcionar-Ihes a infra-estrutura necessária. o grupo básico definiu seu foco como "competência técnica. Se os participantes não se sentirem pessoalmente ligados à área de experiência e de interesse do grupo quando já definida. A tarefa é identificar esses grupos e ajudá-Ios a se formarem como comunidades de prática.

Para tal. Os executivos seniores precisam estar preparados para investir tempo e dinheiro ajudando essas comunidades a atingirem seu potencial total. Também significa ligar comunidades às iniciativas relacionadas como uma universidade empresarial. representantes de atendimento ao cliente e coordenadores de treinamento. os gerentes de primeira linha compartilham dicas sobre a implementação de uma nova estrutura de equipe. o que significa intervir diante de obstáculos.e orçamentos . as empresas usam inúmeras abordagens. Para atingirem o potencial total. Criaram subcomunidades de gerentes de primeira linha. o que significa intervirem quando elas se depararem com obstáculos ao progresso. PROPORCIONAR A INFRA-ESTRUTUR. elas necessitam ser integradas à empresa e apoiadas de forma específica. Comparemos os casos de duas organizações . Uma forma de fortalecer as comunidades de prática é provêIas com patrocinadores oficiais e equipes de apoio.que poderiam agir mais rapidamente se redefinissem o domínio da comunidade. Em conseqüência.de departamentos estabelecidos. tais como sistemas TI inadequados. Ao contrário. Tais patrocinadores não as projetam ou determinam suas atividades ou resultados. trabalham com líderes comunitários internos. Os executivos precisam investir tempo e dinheiro para ajudar as comunidades a atingirem o potencial total. fornecendo-Ihes recursos e coordenação.American Management Systems (AMS) e o Banco Mundial (World Bank) . os representantes do serviço de atendimento ao cliente ajudam a definir padrões para reduzir o tempo de processamento e os coordenadores de treinamento atualizam os módulos de treinamento em toda a organização.~ As comunidades de prática são vulneráveis porque não têm legitimidade .que adotaram a comunidade de prática como base de sua estratégia de 19 . sistemas de promoção que desprezem as contribuições da comunidade e estruturas de recompensa que desencorajam a colaboração. portanto.

gestão do conhecimento. e o envia a uma conferência anual que reúne todas as comunidades de prática da empresa. As comunidades de prática recebem fundos para atividades específicas e administram seu próprio orçamento. a AM5 passou por intenso período de crescimento e globalização e. documentar melhores práticas . em conseqüência. No Banco Mundial. Para participar. Ambas organizações também começaram a financiar cargos para gestores do conhecimento que ajudam os líderes das 20 . serviços bibliotecários e suporte técnico. assim.por exemplo. Fazer parte da comunidade na A1\15 é um privilégio. feiras de conhecimento. a alta diretoria patrocina as comunidades. para essas atividades. A empresa paga duas a três semanas do tempo dos líderes. As equipes de apoio ajudam no desenvolvimento da comunidade e coordenam as conferências anuais. O então presidente do conselho Charles Rossotti convidou pessoalmente "líderes do pensamento. Alguns anos atrás. Tanto no Banco Mundial quanto na AM5.para permanecer na comunidade. cobre sua participação em workshops. Uma vez admitido. enquanto o Banco Mundial combina métodos formais e informais. todo ano. A adesão é aberta e cada um decide o nível de participação que atende às suas necessidades. ele deve completar um projeto de desenvolvimento de conhecimentos por ano . o presidente James Wolfensohn estabeleceu a meta de transformar a organização no "banco do conhecimento" . o candidato potencial precisa ser reconhecido por seu gerente.uma fonte global de informações de alta qualidade sobre o desenvolvimento econômico . Pessoas-chave da organização tomaram.para que pudesse desempenhar melhor a missão de erradicar a pobreza. A AM5 usa uma abordagem sobretudo formal. a iniciativa de iniciar as comunidades de prática." que foram indicados pelas unidades de negócio. A participação dos membros da comunidade é paga por sua unidade de negócio a qual financia os projetos anuais. para iniciarem o desenvolvimento de comunidades de prática em áreas estratégicas. como um especialista. estava perdendo a capacidade singular de alavancar conhecimentos em toda a empresa.

os líderes reconhecem o benefício do desenvolvimento das competências do indivíduo.. organizam eventos. desenvolver novas idéias e relacionamentos com colegas que compartilham o mesmo entusiasmo. A outra. Tanto na At\/lS quanto no Banco Mundial. é que os resultados. em geral. quase sempre. apa- 21 .---- ~ USO DE MÉTODOS N. para motivar a participação. Elas apresentam contribuições relevantes e óbvias para as metas das organizações. podem ser bastante eficazes quando alinhados à cultura organizacional. Assim. como acesso antecipado a tecnologias inovadoras e cartões de visita especiais que provam o conhecimento especializado dos participantes. O Banco Mundial também reconhece formalmente a participação da comunidade por meio de seu sistema de avaliação de pessoal. Esses facilitadores coordenam os grupos. respondem às perguntas dos participantes e mantêm as comunidades atualizadas com informações oriundas de fontes externas. A melhor forma de o executivo sênior ponderar o valor de I uma comunidade de prática é ouvir as histórias dos participantes sistematicamente . e oferece recompensas não-financeiras. Esses dois casos mostram como estilos diferentes do compromisso formal com as comunidades de prática. Ela possui um sistema de promoções que reconhece formalmente o trabalho. --. . pelos gestores seniores. a maioria tem dificuldade para entender o valor das comunidades. as comunidades de prática reúnem pessoas e idéias. mas. e disseminam conhecimentos em todas as operações globais das empresas. demorados. A At\1S está explorando maneiras de recompensar explicitamente os participantes das comunidades.\O-TRADICIONAIS PARA MENSURAR O VALOR Por intuição. ele utiliza sobretudo os benefícios intrínsecos de ser parte da comunidade: oportunidades para solucionar problemas. Uma razão é que os resultados das atividades comunitárias são.comunidades.

as quais são capazes de esclarecer as relações complexas entre atividades. ''A idéia que buscávamos naquela reunião ajudou-me a persuadir o cliente a continuar comprando nosso serviço.recem no trabalho de equipes e nas unidades de negócio." "Graças às orientações da comunidade. Um esforço sistemático capta a diversidade e amplitude de atividades nas quais as comunidades estão envolvidas. Na Shell. talvez as mais interessantes. portanto.e valeu a pena. em um ano. não nas próprias comunidades. coordenadores comunitários quase sempre realizam entrevistas para obter essas histórias e. O segundo passo é compreender que elas são a nascente oculta do desenvolvimento do conhecimento e. O primeiro passo para os gerentes. Tal complexidade comunidades. conhecimentos e desempenho. então. agora é entender o que são essas comunidades e como elas agem. O terceiro passo é ana22 lisar o paradoxo de que essas estruturas informais requerem es- ." A solução para o enigma do valor das comunidades de prática é reunir sistematicamente evidências empíricas. A análise de uma amostra de histórias revelou que as comunidades haviam economizado entre $2 e $5 milhões para a empresa e aumentado as receitas em mais de $13 milhões. fiz em dois dias o que normalmente faço em duas semanas. A AMS organiza um concurso anual para escolher as melhores. Não é uma simples questão de reunir determinadas histórias. a chave para o desafio da economia do conhecimento. E quase sempre é difícil determinar se uma grande idéia que surgiu durante a reunião da comunidade teria aflorado mais cedo ou mais tarde." "Corri o risco porque tinha certeza do apoio de minha comunidade . em outro contexto. porque eventos isolados podem ser pouco representativos. dificulta aos gerentes a análise do valor das A melhor forma de o executivo ponderar esse valor é ouvir as histórias dos participantes. A Nova Fronteira As comunidades de prática estão surgindo em empresas que desenvolvem conhecimento. publicá-Ias em boletins internos e relatórios.

nhecimentos especializados.se os gerentes aprenderem como transformá-Ias em parte central do sucesso de suas empresas. em sua maioria. Podem parecer pouco familiares agora. eram pequenas e fragmentadas. Durante o perío23 . Isso mudou. À medida de prática. por e na intensisua de co- exemplo.fornecendo informações e know-how de alta qualidade sobre o desenvolvimento econômico. Algumas existiram durante anos no banco mas. As comunidades de prática são a nova fronteira. As comunidades de prática são o coração e a mente da estratégia de gestão do conhecimento do Banco Mundial. e as reuniões tinham como foco novas oportunidades de negócios para os clientes.forços gerenciais específicos para desenvolvê-Ias e integrá-Ias à organização para que seu poder total seja alavancado. resultou em aumento significativo no número de comuniagora mais de 100 que o banco complementa ênfase em emprestar dinheiro oferecendo desenvolvimento vez mais para o curso estratégico da organização. Consideremos grupo de consultores de determinada como um empresa criou uma comuni- dade que finalmente gerou uma linha de negócio inteiramente nova. Comunidades em Ação de Comunidades de prática agregam valor às organizações. agora que o banco transformou a gestão do conhecimento na chave para sua meta de se tornar o "banco do conhecimento" . essas comunidades contribuirão cada Iniciam novas linhas de negócio. mas em cinco a dez anos poderão ser tão comuns nas discussões sobre a organização quanto as equipes e unidades de negócios o são hoje . A decisão do banco de financiar comunidades dades em toda a organização dade da participação. O grupo encontrava-se regularmente no aeroporto O'Hare entre compromissos com clientes. Sua área era o marketing varejista du setor de atividades bancárias. várias formas relevantes: Ajudam a orientar a estratégia.

e reuniu 200 pessoas da empresa. no prazo de um dia. atraiu muitos outros de dentro da empresa.do de dois anos. como carros pequenos e minivans. Os clubes ajudaram a empara plataformas. Uma comunidade ca faz muito mais do que trabalhar em problemas também um foro ideal para compartilhar e disseminar de prátiÉ melhores da Europa. resultan- . Em determinado caso." listas em várias plataformas 24 presa a fazer a mudança bem-sucedida compostas de especia- de carros. recebeu várias respostas. Consideremos como a antiga Chrysler fez isso funcionar. de colegas especialistas África do Sul e do Canadá que o cliente precisava. o empregado. Solucionam problemas com rapidez. e uma era exatamente a solução de específicos. Também sabem como fazer perguntas de forma que os colegas logo entendem e enfoquem o centro do problema. quando a empresa dividiu seus departamentos funcionais para se organizar em torno de plataformas de carros. e gerentes seniores formaram comunidades ca conhecidas como "clubes tecnológicos. moldaram a estratégia da empresa e melhoraram sua reputação. práticas em toda a empresa. Os participantes de uma comunidade de prática sabem a quem pedir ajuda para determinado problema. os participantes de comunidades de prática de todo o mundo respondem rotineiramente a perguntas específicas em 24 horas. Quatro anos após a primeira reunião. geraram mais clientes. em Nova Orleans. no final. para a reunião anual. Transferem as melhores práticas. A comunidade agiu como uma placa de Petri para insights empreendedores que. Os dirigentes da Chrysler temiam perder conhecimentos lizados e a capacidade genheiros funcionais especiacom as muende prátide se manterem atualizados danças de vanguarda. Na Buckman Labs. Para dedicar-se a essas preocupações. começando no início da década de 1990. a comunidade tinha criado uma nova linha de abordagens de marketing para empresas de serviços financeiros. ao tentar ajudar um cliente de uma fábrica de celulose no noroeste do Pacífico resolver um problema de retenção de pigmentos. o grupo inicial de cinco a sete consultores.

os clubes tecnológicos são parte importante da integração da DaimlerChrysler. claro. de prátido Algumas empresas constataram que as comunidades eficazes para a promoção Na IBM.des para os participantes habilidades e redes de contato. portanto. eles lêem trabalhos de colegas.do na redução. técnicas inovadoras. de custos de P&D e do tempo dos ciclos de desenvolvimento de carros. Os engenheiros tenção de um Livro de Engenharia do Conhecimento. particularmente profissional. decidiu ficar depois que os colegas. Estudos mostram qualificados e Parece profissionais. Management Systems verificou que as comunidades A American de prática ajudam a empresa a vencer a guerra (ou. freqüentam conferências nas quais os colegas discutem novas pesquisas e viajam muito para trabalharem ao lado de cirurgiões que estão desenvolvendo ca são contextos desenvolvimento conferências. que a aprendizagem eficaz depende da disponibilidade dos colegas e de sua vontade de atuar como mentores e instrutores. encontraram oportunidades de projeto para ela. eletrônica e desenvolvimento pam dos clubes são responsáveis de dados que capta informações dos. elas realizam suas próprias quanto on-line. no mínimo. jantares e salas de bate-papo são oportunid3. trocarem idéias. Assim. durante um foro da comunidade. O conceito aplica-se tanto à educação de trabalhadores inexperientes quanto à de especialistas. em mais da metade. que os iniciantes aprendem tanto de empregados mais avançados. desenvolverem tanto pessoalmente conversas nos corredores. Hoje. incluindo-se aí de veículos. quanto de especialistas. Reúnem-se regularmente para discutir questões de 11 áreas de desenvolvimento projeto. uma consultora que pensava em deixar a empresa. especificações Desenvolvem de aprendizes de produtos. Analisam variaque particie manuum banco ções na prática e definem padrões. 25 . algumas batalhas) de talentos. de fornecedores habilidades pelo desenvolvimento sobre padrões a serem seguie melhores práticas. Ajudam empresas a recrutar e reter talentos. Os melhores neurocirurgiões não se apóiam apenas no próprio brilhantismo. Apresentações.

sob medida para seus interesses e conhecimentos especializados. nas contas de um gerente permaneceram na empresa depois que foram convidade prática a qual Ihes e encontrar novos clientes. dos a participar de prestigiosa comunidade permitiria desenvolver habilidades Publicação original ROOllO em janeiro-fevereiro 2000 26 Reedição .no mínimo seis. Outros consultores valiosos .

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