UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS PROGRAMA DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS DISCIPLINA – ESTADO E POLÍTICAS PÚBLICAS PROFESSOR – JORGE ANTÔNIO SANTOS

SILVA

CONTABILIDADE SOCIAL E PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA

CARLOS EDUARDO DA MATTA COSTA ELIENE DOS SANTOS MOREIRA LETÍCIA MARTINS RUBENS DAVID GABRIEL NUNES

SALVADOR 2010

............................................................SUMÁRIO UNIVERSIDADE SALVADOR – UNIFACS...........................................................................................................................................................................3 Programa Bolsa Família........................................................2 Histórico dos Programas Sociais.................................3 2.....................13 Referências Bibliográficas..................5 2.....................................................................1 SUMÁRIO.............................................................................................................................4 2.............................................................7 2.................2 1......................................................................................................8 3..1Distribuição de Renda...................................................14 2 .......................................INTRODUÇÃO..CONSIDERAÇÕES FINAIS ................FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE SOCIAL E PROGRAMAS SOCIAIS...............................

1. como o Brasil. mortalidade infantil e etc. pois quase metade da população brasileira é formada por pobres e extremamente pobres. O Brasil tem tido bons índices de Crescimento Econômico quando comparado com outros países em desenvolvimento. O Desenvolvimento Econômico é avaliado a partir de indicadores de qualidade de vida e diferenças sociais e econômicas da população. mensurando o desenvolvimento e o crescimento nacional e avaliando como está sendo feita a geração e a distribuição de renda. mas em se tratando de Desenvolvimento Econômico. a mais precisa possível. O estudo da Contabilidade Social inicia-se desde o final do século XVII motivado pelo crescimento e desenvolvimento econômico da época. Já o Crescimento Econômico é o aumento do produto agregado do país estudado a partir das contas nacionais. analfabetismo. A ideia que originou este estudo foi a necessidade de avaliar o potencial bélico da nação rival. INTRODUÇÃO A pobreza e a desigualdade social no mundo são fenômenos visíveis em todas as sociedades humanas através dos tempos. preparados e sistematizados com o objetivo de possibilitar uma visão quantitativa. a Contabilidade Social está presente em todas as nações. renda. Para compreender o motivo do aparecimento destes fenômenos sociais. etc. O objetivo deste artigo é fazer um paralelo entre a Contabilidade Social e os programas de distribuição de renda. os índices de pobreza e de pessoas extremamente pobres têm reduzido bastante. renda per capita. enquanto técnica de registro e mensurações. 3 . mas é nos países menos desenvolvidos econômica e socialmente. que estes fenômenos são observados com mais facilidade. A Contabilidade Social. a Contabilidade Social utiliza indicadores percentuais que indicam o nível de pobreza. através do Programa Bolsa Família. desde que a economia do Brasil ganhou estabilidade. Comparando-se estes dois conceitos. o País deixa a desejar.). que era analisado usando conceitos de renda nacional. é necessário fazer estudos estatísticos de ordem econômicas. despesa. da economia de um país (PEREIRA 1972). Nos dias atuais. quando os estudiosos começaram a reconhecer a variação de conceitos de renda (produto nacional. Entretanto. mas especificamente a partir de 2003. mostrando como esta técnica contábil pode contribuir com os governos de diversos países na adoção dos programas de distribuição e transferência de renda. é a área do conhecimento capaz de fazer estas avaliações. uma das causas dessa redução é atribuída à política de distribuição de renda adotada pelo atual governo federal. preço de mercado. após a Primeira Guerra Mundial. O maior avanço desta área da Contabilidade se deu no século XX a partir de 1920.

Os sistemas de Contabilidade Social evoluíram bastante desde então. A segunda etapa se estende da década de 1930 ao período pós I Guerra Mundial. Caracterizou-se por isoladas estimativas de renda nacional e da fortuna nacional que tinham o objetivo de avaliar o poderio bélico dos países rivais. abrangendo um período bastante longo marcado por diversos pensamentos econômicos tais como o Mercantilismo e as Revoluções Liberais. O foco da Contabilidade Social nesta etapa era o planejamento de políticas anti-depressão e o levantamento de estatísticas que envolvessem as transações econômicas nacionais definindo a estrutura e o potencial do sistema econômico da nação (AMARAL). em determinado período de tempo. sobre os vários tipos de transações econômicas que se verificaram. cifradas em unidades monetárias. O histórico do desenvolvimento conceitual da Contabilidade Social é usualmente dividido em três etapas. 4 . bem como recentes aperfeiçoamentos qualitativos. A primeira etapa iniciou-se na segunda metade do século XVII indo até a década de 1930. As principais motivações que levaram o desenvolvimento da Contabilidade Social nesta terceira etapa foi o fornecimento de dados agregativos para a formulação e acompanhamento da política econômica governamental.2. similar às dos sistemas convencionais de contabilidade. FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE SOCIAL E PROGRAMAS SOCIAIS De uma forma geral. o atendimento de necessidades estatística das Nações Unidas e de outras entidades internacionais que se originaram no pós-guerra. Como a conjuntura econômica vivida em cada etapa foi diferente. entre os diversos setores e agentes do sistema econômico de um país (ROSSETI 1995). que se propõe a apresentar uma síntese de informações. teve como principal motivação a necessidade de melhor compreensão do processo econômico global e de seus resultados. Contabilidade Social é definida como uma técnica. tendo como principal característica a descoberta e a definição de conjuntos interligados de Contas Nacionais. bem como a abrangência dos dados deste trabalho também foi divergente. A terceira etapa da Contabilidade Social iniciou após a Segunda Guerra Mundial e continua até os dias de hoje. o conhecimento da estrutura e do potencial dos sistemas econômicos nacionais. mas também com vista à promoção do crescimento das nações subdesenvolvidas e por último. a motivação para a elaboração dos trabalhos. não só de interesse para atividades de defesa e segurança. de curto e de longo prazo. que têm possibilitado maior refinamento conceitual e estimativo mais preciso (ROSSETI 1995).

as unidades familiares. isto irá causar uma desigualdade social no país. a maior parte das riquezas geradas no país fica nas mãos da minoria enquanto que a maioria da população vive em condições de pobreza ou de extrema pobreza. todos os países passaram a utilizá-los com o objetivo de mensurar os dados econômicos com quadros numéricos. onde se esta empregando os recursos de determinado país. consequentemente. 5 .Com a evolução dos Sistemas de Contabilidade Social. Entretanto. diminuirá o nível de qualidade de vida das pessoas. É preciso avaliar o grau de geração e distribuição de renda entre estes setores. então diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor. Estas políticas estão facilitando. A geração de renda é resultado da interligação de quaisquer dos três setores de produção. 2. o acesso à educação. se existir uma boa geração de renda e estes recursos não estiverem sendo distribuídos de forma adequada. aos poucos. ou seja. o que significa que estes 15% dificilmente irão conseguir ter alguma ascensão social.1 Distribuição de Renda Um dos pontos importantes para a análise destes dados econômicos e das transações econômicas é avaliar a geração de renda ligada diretamente aos fatores de produção que são originados em qualquer atividade que exija o emprego de recursos econômicos tais como capital e trabalho. melhorando desta forma as qualidades de vida das pessoas e a sua auto-estima. empresas e governo e esta diretamente ligada com a qualidade de vida da população (AMARAL). O Brasil é um exemplo de um país que tem uma boa geração de renda. De acordo com Morishita 34% da população brasileira vivem em estado de pobreza e 15% vive em extrema pobreza. Em palestra realizada em 2005 ocorrida no Ceará sobre o lançamento da campanha “Educação para o consumo – Necessidade e direito do cidadão”. Ricardo Morishita. à saúde e até mesmo a bens duráveis. tem se verificado que o número de pessoas que estão em estado de pobreza e extrema pobreza têm diminuído graças às novas políticas de distribuição de renda que vem sendo implantadas no Brasil. com os agentes ativos que operam o sistema econômico. nos últimos anos. porém a sua distribuição é uma das piores do mundo. inclusive. ou seja. secundário ou terciário. do Ministério da Justiça na Assembléia Legislativa do Ceará afirmou que o problema do Brasil não é a geração de renda e sim a sua distribuição. bem como contabilizar as transações e relações de diferentes setores avaliando desta forma. sejam primário.

que indicam o nível de renda que cada pessoa deve possuir para satisfazer as suas necessidades básicas. como o índice de analfabetismo e mortalidade infantil são importantíssimos para avaliar o desenvolvimento de uma nação. O problema da desigualdade social do Brasil vem desde o período da colonização. justa e solidária. foram os programas sociais de distribuição de renda lançado pelo governo federal que será tratado no próximo tópico. além da estabilidade econômica. percebese que os princípios fundamentais constituintes não estão sendo respeitados na prática. Observando a evolução do gráfico do Índice de Gine abaixo. Um dos fundamentos da Constituição é a dignidade da pessoa humana descrito no artigo 1º inciso III e no artigo 3º descreve os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil como construir uma sociedade livre. Ao ler estes princípios fundamentais da Constituição. Os índices de desigualdade social começaram a apresentar queda no Brasil após a implantação do Plano Real em 1994. quando o País começou a ter uma estabilidade econômica. culturais e até mesmo tecnológicos.A distribuição de renda de um país é medida através do Índice de Gini que varia de zero a um: onde quanto mais próximo do número um. por isso que é um país considerado como o dos piores em termos de distribuição de renda no mundo. A Constituição Brasileira pode ser considerada uma das mais avançadas do mundo quando se trata da matéria direitos humanos e sociais coletivos.6 neste índice. Um dos fatores que contribuíram para a redução do Índice de Gine. garantir o desenvolvimento nacional. e os relacionados à saúde e educação. pior é a distribuição de renda de um determinado país. consequentemente. erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos. Os indicadores de Linha de Pobreza. poder fazer planejamentos financeiros de longo prazo. Apesar de o Brasil conter uma enorme riqueza em recursos naturais. percebe-se que os legisladores já estavam preocupados com o problema da desigualdade social brasileira. 6 . O brasileiro passou a ter um ganho real do valor do seu dinheiro e. A análise destes indicadores no Brasil tem mostrado que existe uma forte concentração de renda no País. O Brasil sempre esteve em torno de 0. percebe-se que a desigualdade social tem diminuído bastante de 1994 até 2007.

logo outros países começaram a adotar esta mesma política. foi na Era Vargas (1930 a 1945) que as primeiras idéias de projetos deste âmbito surgiram. quando houve um grande número de pessoas que perdeu o emprego em toda a Europa. Neste período. Fonte: PNAD (IBGE) 2. com o objetivo de oferecer um seguro social total. com o intuito de proteger a parte mais pobre da população.Gráfico 1 . inspirado na legislação previdenciária social dos Estados Unidos. a Previdência Social evoluiu e passou a ter uma responsabilidade maior do que na Era Vargas. (APOSENTADORIA. inclusive nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. na qual são discutidos os programas sociais de renda mínima e os direitos básicos de toda a população. 2010). pois mudou para um conceito de proteção social em relação à parte mais desfavorecida da população (A CONTABILIDADE. Mais tarde. No Brasil. Um exemplo disso é que em 1975. O primeiro programa social de transferência de renda que surgiu foi no Reino Unido em 1908. Após esta grande crise. nos anos 1980. à medida que o Estado de Bem-Estar-Social ia sendo consolidado. que abrangesse todas as pessoas da população.2 Histórico dos Programas Sociais Uma das formas que os países encontram para diminuir a desigualdade social é através de programas de distribuição de renda. muitos governos implantaram um benefício para os cidadãos chamado Salário-Desemprego. transferindo assim uma renda complementar que garantisse os direitos básicos de todo e qualquer cidadão. 2010). os países da Europa se uniram para formar a Rede Européia de Renda Básica. tentando assim amenizar a desigualdade e a pobreza. Foi a partir deste movimento que as políticas compensatórias de transferência de renda foram difundidas por todo o mundo. foi notório o crescimento da desigualdade social e do aumento da pobreza e miséria no país. e com seus efeitos positivos na diminuição da desigualdade.Índice de Gini no Brasil -1995-2007. Estes programas começaram a surgir a partir do século XX nos países desenvolvidos. 7 . Foi criado então um sistema de Previdência Social.

o Programa Habitar Brasil.3 Programa Bolsa Família O Programa Bolsa Família foi criado pela lei nº 10. em termos de redução da desigualdade no país. de 1995. de 09 de janeiro de 2004 com o objetivo de transferir renda para a população das camadas menos favorecidas do Brasil. um dos mais importantes movimentos sociais já vivenciados aqui no Brasil.836. criação da Contribuição sobre Movimentações Financeiras (CPMF) para aumentar os recursos destinados à saúde. a Miséria e pela Vida. melhorar o acesso a educação e a saúde no país. o governo brasileiro passou a lançar programas mais objetivos visando às políticas sócias. a miséria. 2. No caso da CPMF. Nenhum destes programas foi eficaz no seu objetivo de criação. de 1996 e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) de 1996. 8 . o popular Betinho conclamou a sociedade brasileira a se indignar contra a fome. final do governo de Fernando Henrique Cardoso. em 1993. e o Programa Auxílio-Gás. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996. Programa do Agente Comunitário da Saúde (PACS). criando a campanha nacional de Ação da Cidadania Contra a Fome. A partir do ano de 2001. Diversos projetos foram implantados com o intuito de combater a pobreza. Foi considerado como sendo um dos maiores Programas do mundo em termos de transferência de renda.Foi na década de 1990 que os programas de transferência de renda começaram a ter um destaque maior. que. foi criado o Programa Bolsa Família. onde o governo iniciou uma política de transferência direta de renda (MORAES). líderes como o sociólogo Herbert de Souza. dando assim. com a eleição do metalúrgico e sindicalista Luís Inácio Lula da Silva. Em 2003. pois atende mais de 11 milhões de famílias em todos os municípios do Brasil (BRASIL. os recursos que deveriam ser usados para melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS). como o Programa Saúde da Família (PSF). Foi criado o Programa Nacional de Renda Mínima vinculada à educação (o Bolsa Escola). o Programa Comunidade Solidária. eram desviados para outros projetos do governo. o Programa de Ação social de Saneamento (PASS) de 1995. que foi resultado da unificação de todos os outros programas de distribuição de renda. Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) de 1999. uma prova que o pobre no Brasil esta ficando menos pobre. O problema da desigualdade social crescia de tal forma. pois os recursos destinados tinham seu orçamento enquadrado à política macroeconômica restritiva adotada pelo governo (MORAES). O resultado da criação deste programa foi um sucesso. 2010). Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) de 1995. O índice de Gine brasileiro tem caído constantemente.

 Cumprir os cuidados básicos de saúde (estar em dia com o calendário de vacinação para as crianças e fazer o acompanhamento pré-natal das gestantes na família).00 adolescentes de até 15 jovens de 16 e 17 Tipo de benefício 2 0 R$ 112.00 3 0 1 0 1 1 R$ 134. com renda mensal por pessoa de até R$70. A renda por pessoa é calculada a partir da soma dos valores que todas as pessoas ganham morando na mesma casa.00 9 .00.00 e R$140.00.O Bolsa Família beneficia as famílias pobres – com renda mensal por pessoa R$70. podem ganhar o benefício independente de possuírem ou não crianças ou adolescentes na família. só podem se beneficiar do programa se tiverem crianças ou adolescentes de até no máximo 17 anos.00 R$ 123. como:  Manter as crianças e adolescentes com uma freqüência escolar mínima de 85%. Porém não basta somente estar dentro desses critérios para fazer parte desse programa social. Já as famílias que são classificadas como extremamente pobres. O Bolsa Família é um programa que possui algumas condições exigidas para participar.00 R$90. Caso essas condições não sejam cumpridas.00 e R$200.00 (como se pode ver na tabela a seguir): Famílias com renda familiar mensal de até R$ 70 (famílias extremamente pobres) Número de crianças e anos 0 1 Número de anos 0 0 Básico Básico + 1 variável Básico + 2 variáveis Básico + 3 variáveis Básico + 1 BVJ Básico + 1 variável + 1 BVJ Valor do benefício R$ 68. Observa-se também que as pessoas que estão na faixa de renda por pessoa entre R$70.00 – e também aquelas as quais se encontram em situação de extrema pobreza.00 R$ 101.00 e R$140. a família está sujeita a perder este benefício que pode variar entre R$22. e depois dividindo pela quantidade de membros existentes na família.

00 R$ 134. 2010.00 Famílias com renda familiar mensal de R$ 70 a R$ 140 por pessoa (famílias pobres) Número de crianças e anos 0 1 2 3 0 1 Número de anos 0 0 0 0 1 1 Não recebe benefício básico 1 variável 2 variáveis 3 variáveis 1 BVJ 1 variável + 1 BVJ 2 variáveis + 1 BVJ 3 variáveis + 1 BVJ 2 BVJ Valor do benefício adolescentes de até 15 jovens de 16 e 17 Tipo de benefício R$ 22.00 3 0 1 2 R$ 99.00 3 0 1 1 2 2 R$ 167.00 10 .00 R$ 66.00 2 1 R$ 77.00 R$ 55.00 R$ 44.00 3 Fonte: BRASIL.00 2 2 R$ 178. 2 R$ 200.00 R$ 33.00 R$ 156.2 1 Básico + 2 variáveis + 1 BVJ Básico + 3 variáveis + 1 BVJ Básico + 2 BVJ Básico + 1 variável + 2 BVJ Básico + 2 variáveis + 2 BVJ Básico + 3 variáveis + 2 BVJ R$ 145.00 R$ 66.

Na Bahia.00 é de 15. ou seja.00.00 3 Fonte: BRASIL. De acordo com o MDS (Ministério de Desenvolvimento Social). para evitar que haja duplicidades e fraudes no programa (A CONTABILIDADE. o número de 11 . 2) Benefício Variável: é pago para as famílias pobres e extremamente pobres que tenham crianças ou adolescentes em casa. que são: 1) Benefício Básico: possui um valor de R$68.370. 3) Benefício Variável Vinculado ao Adolescente (BVJ): pago também para todas as famílias que se enquadrem no perfil de pobres ou extremamente pobres.50 é de 18.00).00 e é destinado às famílias que se encontram em situação de extrema pobreza.1 2 1 variável + 2 BVJ 2 variáveis + 2 BVJ 3 variáveis + 2 BVJ R$ 88.00. sendo que cada família pode receber até no máximo três variáveis (equivalente a R$66. o número de famílias cadastradas.776. O valor desse benefício é de R$33. Para cada criança ou adolescente de até 15 anos em casa é pago um valor de R$22.407. em janeiro de 2010.00 Como se pode observar na tabela acima existem três tipos de benefícios instituídos pelo Bolsa Família. 2010. com renda per capita mensal de até R$140. no Sistema Cadastro Único. que não tenham crianças ou adolescentes em casa. podendo ser pago até no máximo duas vezes.707.482.00 2 2 R$ 110.00 por adolescente. um valor de R$66. Cada membro das famílias que são beneficiadas por esse programa recebe um Número de Identificação Social (NIS).042 e o cadastro de famílias com renda de até R$232. que possuam adolescentes entre 16 e 17 anos freqüentando a escola. 2010). 2 R$ 132. E o número de famílias atendidas até fevereiro de 2010 é de 12.

567. A estabilidade da economia desde 1994 fez com que os trabalhadores tivessem um ganho real no aumento dos seus salários.00 é de 1. 12 .625. O total de famílias beneficiadas na Bahia é de 1. e também quando esse valor é comparado ao valor da renda nas áreas mais ricas. ainda existem muitas famílias que precisam deste benefício. ou seja. mas que este não chega até elas.938.  Apesar de o benefício estar diretamente ligado à freqüência escolar.  Dificuldades quanto ao acompanhamento das condicionalidades das famílias beneficiadas. já que ele não tem potencial de erradicação da miséria e pobreza no Brasil.912. de assegurar que aqueles benefícios estão sendo destinados às famílias que realmente necessitam daquela renda complementar (ROCHA. nunca saindo de fato da pobreza. Observando estes números. Estes programas educacionais facilitam a valorização do capital intelectual melhorando a renda do trabalhador.  Os valores dos benefícios são ainda considerados baixos como complementaridade de renda.  O Bolsa Família é um programa de distribuição de dinheiro para os mais pobres. visto que o custo de vida é elevado em muitas regiões do país. além disso.  O programa não pode ser visto como resolução para todos os problemas. os seja.50 é de 2. o sistema de educação pública no país ainda é bastante precário. pode-se perceber que apesar de o Bolsa Família conseguir melhorar a vida de muitos brasileiros. fazendo com que a tão sonhada igualdade social no Brasil esteja longe de ser atingida apesar de os índices de desigualdade terem melhorados. 2010). Ele somente ameniza as condições de vida das pessoas mais pobres ao invés de atacar as causas da pobreza. o governo lançou outros programas educacionais como a políticas de cotas raciais nas Universidades Federais. o Programa Bolsa Família enfrenta várias dificuldades que são:  Dificuldades quanto à focalização do público alvo.189. se realmente as crianças e adolescentes estão freqüentando a escola e se as necessidades básicas de saúde estão sendo cumpridas.253. criação do Programa Universidade para Todos (ProUni). Apesar deste sucesso na melhoras dos índices de desigualdade social. A causa da queda da desigualdade social no Brasil não pode ser atribuída apenas ao Bolsa Família. fazendo com que muitos se acomodem. e de famílias com renda de até R$232.famílias cadastradas com renda per capita de até R$140.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme foi apresentado neste artigo. mas só com a estabilidade econômica na década de 90 que os planos de transferência de renda começaram a ganhar mais foco. Em 2003 o governo unificou todos os programas criando o Bolsa Família. como por exemplo. Desde a época da Era Vargas que se tenta amenizar esta desigualdade. Fica evidente que um problema histórico não pode ser resolvido da noite para o dia. o Brasil ainda ocupa uma posição de um dos piores países em se tratando deste assunto. mas é preciso que se faça mais. como o Bolsa Escola e o Programa Auxílio Gás. mas a falta de orçamento aliada com a política econômica restritiva do governo. foi criados programas de transferência de renda direto. 3. A partir de 2001. para tentar melhorar o quadro da desigualdade social. impediram o sucesso destes programas. O governo tem dado passos importantes para cicatrizar esta chaga social. Apesar dos avanços em termos de distribuição de renda ultimamente. Foram feitas várias tentativas com a criação de diversos programas. o governo passou a focalizar as pessoas que realmente precisavam receber os benefícios. este programa ainda não conseguiu atender a todas as famílias que precisam deste benefício. contribuiu-se para gerar mais empregos e melhorar ainda mais a distribuição de renda no país. apresentando então o resultado esperado de transferir renda para quem realmente precisa. pois a chance de se conseguir financiamento de longo prazo para financiarem seus projetos aumentou. dar uma melhor qualidade de vida para a sua população. Além disso. Estima-se que quase 13 milhões de famílias vivam em pobreza absoluta não conseguindo atender as suas necessidades básicas.Os empresários também se beneficiaram com a estabilidade econômica. pôde-se perceber que a Contabilidade Social preocupa-se em analisar as estatísticas econômicas mensurando e classificando as transações que envolvem a vida econômica de um país. 13 . reformas tributárias diminuindo os impostos dos pobres. O Estado precisa fazer mudanças estruturais no seu modelo econômico. O Bolsa Família de fato ajudou e ainda ajuda a diminuir a pobreza do Brasil. mas não deve associar este progresso só a este programa. desta forma. pois um país com menos problemas sócio-econômico além de produzir mais riquezas.

MORAES. disponível em http://www.com. DF. MDS. 14 . Acesso em 08 de abril de 2010. Nota técnica. Sobre a Recente Queda da Desigualdade de Renda no Brasil. Disponível em: http://www.pdf. Contabilidade social. Disponível em: <www.mds. Disponível em: www. 1995. Políticas Sociais No Brasil Pós Plano Real.br /bolsafamilia/>.ipeadata. <http:// BRASIL.bnb. APOSENTADORIA e Previdência Social.pdf>. Stefano José Caeteno Da Silveira.gov. Róber Iturriet Avila. Disponível em: <http://www. Andrea Cristina. São Paulo: Ed. IPEA. Brasília.renascebrasil. Yoshiaki Nakano.org/publications/mds/3P. Programa Bolsa Família. Atlas. Disponível em: http://www. Acesso em 10 de abril de 2010.ipc-undp.br/f_aposentadoria2. Agosto De 1972. Contabilidade Social. Acesso em 08 abr 2010.br/content/aplicacao/eventos/forumbnb2009/docs/politicas. Rafael.org/publications/mds/3P. José Paschoal. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(a).undppovertycentre.br.htm>. Acesso em 10 de abril de 2010 LUÍS Carlos Bresser-Pereira. ROSSETTI.gov.gov.br/bolsafamilia/o_programa_bolsa_familia/beneficios-econtrapartidas Acesso em: 10 de abril de 2010. Apostila Da Fgv/ Sp: EcMakro-L-9.pdf. A Contabilidade Social e os Programas de Transferências de Renda – Um estudo do Programa Bolsa Família em Tangará da Serra disponível em http://www.gov. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. AMARAL.Referências Bibliográficas A CONTABILIDADE social e os programas de transferência de renda: um estudo do Programa Bolsa Família em Tangará da Serra. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.mds. Benefícios e Contrapartidas.

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