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LIVRO Producao de Sementes e Mudas Florestais

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Peletização é um termo usado na indústria para denominar o processo físico-
químico no qual pequenas partículas são forçadas a se agregar formando um
granulo compacto, de fácil manejo e maior tamanho chamado Pellet, que em
português significa pelota.

Em sementes, peletização é o recobrimento de sementes pequenas com
material inerte como pó de fosfato de rocha, ou de calcário, com auxílio de um
adesivo. É realizada com os objetivos principais de homogeneização da forma e

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aumento do tamanho para facilitar a manipulação das sementes e possibilitar a
automação do processo de semeadura, além de economizar sementes.

Geralmente é usada com sementes pequenas ou com sementes que
possuem uma forma que dificulta o plantio. Muitas espécies florestais, como os
Eucalyptus, possuem sementes pequenas, com diâmetro próximo de 0,5mm, o que
dificulta a manipulação e o plantio. As seringas e semeadeiras automáticas injetam
em torno de 5 sementes por vez, sendo necessário eliminar o excesso de plantas
germinadas posteriormente. A peletização permite o uso de uma única semente por
recipiente, apresentando vantagens como a redução da quantidade de sementes
usadas e a eliminação da necessidade de raleio. (IPEF, 2003).

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CAPÍTULO VII
Germinação e dormência de
sementes florestais

Eduardo Pagel Floriano

INTRODUÇÃO

O processo que inicia com a retomada do crescimento pelo embrião das
sementes, desenvolvendo-se até o ponto em que forma uma nova planta com
plenas condições de nutrir-se por si só, tornando-se independente, é chamado de
germinação (Kramer e Kozlowski, 1972).

A germinação ocorre numa seqüência de eventos fisiológicos influenciada por
fatores externos (ambientais: luz, temperatura, disponibilidade de água e de
oxigênio) e internos (inibidores e promotores da germinação) às sementes, que
podem atuar por si ou em interação com os demais. (Kramer e Kozlowski, 1972;
Nassif et al., 1998):

Absorção de água;

Início da mitose;

Acréscimo no teor de enzimas e aumento da sua atividade e da
digestão das substâncias de reserva;
Transporte do alimento para as regiões de crescimento;

Aumento da respiração e da assimilação;

Aceleração da mitose;

Diferenciação celular.

As sementes de cerca de um terço das espécies germinam imediatamente em
condições favoráveis, mas as demais apresentam algum grau de dormência (Kramer
e Kozlowski, 1972).

O conhecimento de como os fatores internos e externos influenciam a
germinação e a dormência das sementes de cada espécie é que permite controlar o
armazenamento e a germinação.

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GERMINAÇÃO

Na germinação, após a embebição da semente, esta absorve a água e incha,
o tegumento hidratado amolece e se rompe, os tecidos de crescimento se
desenvolvem com o fornecimento de alimento pelos cotilédones, a radícula emerge
e se fixa, as folhas começam a se formar aumentando o potencial

fotossintético da plântula, inicia-se a
absorção de nutrientes do ambiente, os
cotilédones sofrem abscisão e a planta
passa a se alimentar sozinha. Na
germinação epígea, o hipocótilo alonga-se
e curva-se para cima, levando os
cotilédones para fora do solo, que se
expandem em órgãos fotossintéticos, o
tegumento se desprende e a plântula
forma o caule com as primeiras folhas; na
hipógea, não há alongamento do hipocótilo e os cotilédones se mantém no interior
do tegumento, sob a terra, a raíz primária penetra o solo para o fundo e o hepicótilo
cresce para fora do solo emitindo as primeiras folhas fotossintéticas (Kramer e
Kozlowski, 1972).

Conforme Smith et al. (2003), há quatro tipos principais de germinação:
epígea, hipógea, intermediária e criptógea (Figuras 7.2 a 7.5).

FIGURA 7.2 – Germinação epígea.
Fonte: (Smith et al. 2003).

FIGURA 7.3 – Germinação hipógea.
Fonte: (Smith et al. 2003).

Figura 7.1 – Morfologia da semente

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FIGURA 7.4 – Germinação intremediária.
Fonte: (Smith et al. 2003).

FIGURA 7.5 – Germinação criptógea.
Fonte: (Smith et al. 2003).

DORMÊNCIA

A dormência é um processo que distribui a germinação no tempo como
resultado da estratégia evolutiva das espécies para garantir que algumas encontrem
condições ambientais favoráveis para desenvolver plantas adultas, bloqueando a
germinação sob condições favoráveis imediatas em diferentes graus dentro de uma
população, protegendo as sementes da deterioração e sendo superada ao longo do
tempo e sob condições naturais de clima ou de alterações climáticas. (Bianchetti,
1989). Caracteriza-se pela incapacidade de germinação de sementes mesmo
quando são expostas a condições ambientais favoráveis, ocorrendo de forma
primária, quando já está presente nas sementes colhidas, e de forma secundária,
quando é causada por alterações fisiológicas provocadas por exposição a condições
desfavoráveis à germinação após a colheita (Vieira e Fernandes, 1997).

A dormência impede a germinação, mas é uma adaptação para a
sobrevivência das espécies a longo prazo, pois geralmente faz com que as
sementes mantenham-se viáveis por maior período de tempo, sendo quebrada em
situações especiais; para o silvicultor, a dormência tanto pode servir para manter as
sementes por longos períodos, como pode ser um empecilho à germinação,
impedindo-a ou tornando-a irregular e, como conseqüência, dificultando a produção
de mudas por via sexuada. (Kramer e Koslowski, 1972).

A adaptação das espécies quanto ao hábitat e ao estágio sucessional tem
forte relação quanto ao tipo de sementes que desenvolveram e ao período de
duração da dormência. A maioria das espécies de clima árido desenvolveram
sementes ortodoxas e poucas intermediárias, mas nunca recalcitrantes. Nos climas

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úmidos as espécies podem desenvolver qualquer tipo de semente; nos trópicos
úmidos, há tendência para maior número de espécies com sementes recalcitrantes;
nos temperados úmidos, são mais comuns as ortodoxas com período de dormência
longo. Espécies pioneiras, geralmente, têm sementes ortodoxas que apresentam
dormencia irregular; e, em geral, produzem uma enorme quantidade de sementes
que germinam estratégicamente durante um período de tempo mais ou menos
longo, variável de espécie para espécie, podendo chegar a vários anos. Espécies
clímax, geralmente, têm sementes recalcitrantes; em geral, produzem sementes
grandes que iniciam a germinação assim que caem ao solo, ou mesmo antes de
cair, e o período de germinação dificilmente passa de 2 meses. Espécies
secundárias, geralmente, possuem sementes intermediárias, com diversos graus de
dormência entre as espécies e mesmo variando o grau de dormência nas sementes
de uma mesma árvore. (Smith et al., 2003; Hong e Ellis, 2003; Berjak e Pammeter,
2003; Nappo et al., 2001).

A dormência de sementes pode ser causada por substâncias inibidoras, por
resistência mecânica dos tecidos externos ao embrião, pela imaturidade do embrião
ou pela dormência do próprio embrião (Kramer e Kozlowski, 1972); há sementes que
apresentam combinações de dois ou mais destes fatores (Vieira e Fernandes, 1997).

Causas da dormência

A dormência pode ser tegumentar ou exógena e embrionária ou endógena,
podendo ocorrer independentemente uma da outra ou simultaneamente na mesma
semente (Fowler e Bianchetti, 2000), neste caso chamada de dupla dormência
(Kramer e Kozlowski, 1972).

A dormência exógena é devida à impermeabilidade do tegumento à água ou
gases e a endógena pode ser devida à imaturidade do embrião, ou à inibição
fisiológica que o impeça de se desenvolver. Há espécies que desenvolvem
mecanismos complexos, nos quais cada uma das partes do eixo embrionário da
semente apresenta uma diferente intensidade de dormência; em alguns casos, a
radícula se desenvolve e o epicótilo não, ao que se denomina de dormência
epicotelial; noutras, a radícula apresenta alguma dormência, porém menos intensa
que a do epicótilo, representando um caso especial de dormência dupla. (Fowler e
Bianchetti, 2000).

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Tipos de dormência

A dormência pode ser física, química, mecânica, morfológica ou fisiológica
(Kramer e Kozlowski, 1972; Fowler e Bianchetti, 2000; Smith et al., 2003):

Física – É caracterizada pela impermeabilidade do tegumento à agua e
gases; pode ser superada através de escarificação;
Química – É devida à presença de fatores inibidores no pericarpo;
supera-se removendo o pericarpo;
Mecânica – É provocada por resistência do tegumento ao crescimento
do embrião; deve-se remover o pericarpo para superá-la;
Morfológica – Devida à imaturidade do embrião; é superada através de
processos de pós-maturação do embrião;
Fisiológica – Deve-se a mecanismos fisiológicos de inibição da
germinação; são usados diversos métodos para superá-la, como
adição de hormônios e fitoreguladores, lavagem das sementes por
longos períodos, tratamento térmico, etc.

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