Quando o rigor da Lei ainda se fazia valer!

Crônica de Jânio Pires No exercício do mandato de seu ultimo cargo eletivo, como Prefeito da Cidade de São Paulo entre 1986 e 1989, o ex-presidente Jânio Quadros, amparado pela Lei 500/74, que institui o regime jurídico dos servidores admitidos em caráter temporário, me nomeou “Agente Vistor” da Secretaria de Serviços e Obras; mais conhecido e chamado por “Fiscal da Prefeitura”. Em 04 de agosto de 1987, em uma atividade rotineira da função, saímos em comando rumo Zona Oeste da Cidade, bairro Cidade São Francisco. Quando passávamos por uma determinada rua do bairro, o coordenador da operação solicitoume que descesse da viatura para vistoriar uma irregularidade encontrada de postura em geral. Tratava-se de um imóvel em construção, o qual haviam tijolos e areia depositados no passeio e os portões estavam trancados e apenas um pedreiro se encontrava no local e o responsável pela obra, ausente. No cumprimento de minha função, lavrei um Auto de Multa com o fato constitutivo “Por depositar materiais de construção em área pública”; e passado alguns dias, o autuado protocolou um recurso de defesa junto ao setor competente, com o seguinte teor: Dr. Jânio Quadros, Digníssimo Prefeito da Cidade de São Paulo; Assim como Vossa Senhoria deu “Glória ao Salvador” pela proximidade do fim de seu mandato, eu, pobre cidadão, tomo a liberdade de parodiando sua expressão dar “Glória e Aleluias” pela proximidade do término de minha obra. O infrator relatou e justificou suas argumentações sobre o ocorrido onde dizia que além dos transtornos da obra, por infelicidade dele ou grande eficiência do zeloso fiscal da Prefeitura, que por sinal também se chamava Jânio, foi multado, e como “réu confesso primário”, pediu indulto ou na impossibilidade um parcelamento. “Jânio Pires me multou, ao Jânio Quadros peço o perdão”, Assinado W.C.F. Por ter sido um caso pitoresco ocorrido na Secretaria, cópias dos documentos vieram parar em minhas mãos; inclusive, soube à época que com toda a sátira do réu, o parecer e o recurso, foram ambos indeferidos, tendo o recorrente que pagar a multa integralmente.

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