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Reforço Sísmico por Dissipação Passiva de Viadutos de Betão Armado

Reforço Sísmico por Dissipação Passiva de Viadutos de Betão Armado

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  • 1. Introdução
  • 1.1. Enquadramento Geral
  • 1.2. Objectivos
  • 1.3. Organização da Dissertação
  • 2. Sistemas Passivos de Protecção Sísmica –
  • 2.1. Introdução
  • Figura 2.1 – Sistemas de protecção sísmica
  • 2.2. Aparelhos Dissipadores de Energia
  • 2.2.1. Dissipadores Metálicos
  • Figura 2.3 – Curvas teórica e numérica de um dissipador histerético
  • (adaptado de [Kelly, T. et al.; 1993])
  • 2.2.2. Dissipadores por Atrito
  • Figura 2.9 – Lei de comportamento de um dissipador por atrito
  • 2.2.3. Dissipadores Viscosos
  • 2.2.4. Dissipadores Viscoelásticos
  • Figura 2.22 – Comportamento físico de um material viscoelástico
  • exemplo de dissipador utilizado [Antonucci, R. et al; 2001]
  • 2.2.5. Dissipadores Electro-Indutivos
  • 2.3. Sistemas de Isolamento Sísmico
  • 2.3.1. Blocos em Elastómero Cintado
  • Laminated Rubber Bearings” – HDLRB)
  • Figura 2.31 – Corte de um bloco HDLRB [ALGA; 2]
  • Frequency Pendulum Isolator”)
  • 2.3.5. Sistemas R–FBI (“Resilient – Friction Base Isolation”)
  • Paralelo a Aparelhos Dissipadores
  • 2.4. Amortecedores por Massa Adicional (“Tuned Mass
  • Figura 2.38 – Representações esquemáticas de TMDs [Moutinho, C.; 1998]
  • Figura 2.40 – Edifício Taipei 101, em Taiwan [Motioneering; 1]
  • 2.5. Amortecedores de Líquido Sintonizado (“Tuned Liquid
  • et al.; 1997]
  • utilizados [Kareem, A. et al; 1999]
  • 2.6. Materiais Inteligentes (“Smart Materials”)
  • 2.6.1. Ligas com Memória de Forma (“Shape Memory Alloys”)
  • 2.6.2. Materiais Piezoeléctricos
  • 2.7. Conclusões
  • 3.1. Introdução
  • 3.3. Evolução da Regulamentação Nacional
  • Quadro 3.1 – Valores do coeficiente sísmico para os vários regulamentos
  • 3.4. Avaliação da Necessidade de Reforço Sísmico de um
  • 3.5. Estratégias de Reforço Sísmico de Estruturas
  • deslocamentos)
  • Resistente e de Ductilidade
  • 3.5.2. Reforço Sísmico de Viadutos por Isolamento
  • 3.5.3. Reforço Sísmico de Viadutos por Dissipação
  • Figura 3.8 – Vista inferior do Viaduto de Alhandra da A1 [A2P; 2001]
  • 3.5.4. Estratégias Mistas de Reforço Sísmico
  • 3.6. Conclusões
  • 4.1. Introdução
  • 4.2. Descrição da Obra de Arte
  • Figura 4.3 – Corte longitudinal dos encontros perdidos do Viaduto A
  • 4.3. Modelo Estrutural
  • 4.3.1. Características Gerais
  • 4.3.2. Características das Fundações
  • 4.3.3. Acções
  • classe de solo C e coeficiente de amortecimento de 5%
  • 4.3.4. Comportamento Dinâmico da Estrutura Antes do Reforço
  • Figura 4.7 – Deformada do 1º modo de vibração
  • Figura 4.8 – Deformada do 2º modo de vibração
  • Figura 4.9 – Deformada do 3º modo de vibração
  • Quadro 4.1 – Características dinâmicas da estrutura (não reforçada)
  • Figura 4.10 – Secção de betão armado dos pilares correntes
  • Figura 4.11 – Secção de betão armado das barretas de fundação
  • 4.3.5. Análise Dinâmica
  • 4.4. Descrição das Propostas de Intervenção
  • 4.5.1. Modelos Simplificados
  • 4.5.2. Casos de Rigidez de Suporte Infinita
  • Figura 4.18 – Curvas {parâmetro C – forças elástica e viscosa}
  • 4.5.3. Casos de Rigidez de Suporte Finita
  • Figura 4.21 – Comparação de forças entre as situações “fixa” e “móvel”
  • Figura 4.22 – Amortecimento obtido para as situações “fixa” e “móvel”
  • reacção – respectivo terreno de fundação}
  • 4.6.1. Modelos Simplificados
  • 4.6.2. Casos de Rigidez de Suporte Infinita
  • Figura 4.27 –Curvas de deslocamentos da superestrutura
  • 4.6.3. Casos de Rigidez de Suporte Finita
  • Figura 4.30 – Curvas de deslocamentos para os casos “fixo” e “móvel”
  • de Alto Amortecimento do Tabuleiro
  • 4.7.1. Modelo Simplificado
  • Quadro 4.2 – Resultados obtidos para a utilização de HDLRB
  • 4.7.3. Isolamento com Recurso a Aparelhos Dissipadores Viscosos
  • Passivo Longitudinal e Transversal
  • 4.9. Conclusões
  • 5. Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado
  • 5.1. Introdução
  • 5.2. Descrição da Obra de Arte
  • Figura 5.1 – Corte transversal do tabuleiro do viaduto idealizado
  • Figura 5.2 – Secções transversais dos pilares (a) longos e (b) curtos
  • Quadro 5.1 – Classificação dos pilares do viaduto idealizado
  • 5.3. Modelo Estrutural
  • 5.3.1. Características Gerais
  • 5.3.2. Características das Fundações
  • 5.3.3. Acções
  • 5.3.4. Comportamento Dinâmico da Estrutura Antes do Reforço
  • Figura 5.6 – Modo fundamental de vibração do viaduto idealizado
  • Quadro 5.3 – Características dinâmicas da estrutura (não reforçada)
  • 5.3.5. Análise Dinâmica
  • (High Damping Laminated Rubber Bearing)
  • variação do parâmetro µµµµe da solução FPS
  • variação da frequência de isolamento da solução FPS
  • variação do parâmetro µµµµc da solução FPS
  • 5.8. Conclusões
  • 6. Conclusões Finais e Sugestões para Trabalhos
  • 6.1. Conclusões Finais
  • 6.2. Sugestões para Trabalhos Futuros
  • Referências Bibliográficas

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

REFORÇO SÍSMICO POR DISSIPAÇÃO PASSIVA DE VIADUTOS DE BETÃO ARMADO

Marco Filipe Rodrigues da Cruz Figueiredo (Licenciado em Engenharia Civil)

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia de Estruturas

Orientador: Doutor Luís Manuel Coelho Guerreiro Co-Orientador: Doutor António José da Silva Costa

Júri Presidente: Doutor João Carlos de Oliveira Fernandes de Almeida Vogais: Doutor Francisco Baptista Esteves Virtuoso Doutor António Lopes Batista Doutor Luís Manuel Coelho Guerreiro Doutor António José da Silva Costa

Setembro de 2008

são realizadas análises paramétricas para estudo e comparação da eficácia das soluções de reforço propostas. Dissipação Passiva.REFORÇO SÍSMICO POR DISSIPAÇÃO PASSIVA DE VIADUTOS DE BETÃO ARMADO RESUMO O presente trabalho debruça-se sobre o problema do reforço sísmico de estruturas. Tal como no primeiro caso. mais especificamente de viadutos de betão armado. delineiam-se as conclusões finais e propõem-se linhas possíveis de investigação futura. Estratégias de Reforço. Estudo Paramétrico . A discussão é feita com base em análises paramétricas efectuadas sobre modelos de elementos finitos simplificados. analisa-se um primeiro caso de estudo relativo a um viaduto real. Por fim. Reforço Sísmico. Discutem-se as abordagens de reforço sísmico possíveis e sublinham-se a relevância e a pertinência do reforço sísmico por dissipação passiva ou/e isolamento sísmico no contexto do problema enunciado. que não apresentem as condições de segurança necessárias para suportar a acção sísmica regulamentar. De forma semelhante. No final deste caso de estudo. procedendo-se à discussão das estratégias possíveis de reforço por dissipação passiva ou/e isolamento sísmico para as duas direcções de comportamento estrutural principais do mesmo. De seguida. longitudinal e transversal. procede-se à verificação e análise da validade dos modelos simplificados utilizados. Isolamento Sísmico. Palavras Chave: Viadutos. é proposto um viaduto idealizado para o segundo caso de estudo de forma a aprofundar a análise de soluções de reforço sísmico por isolamento do tabuleiro.

.

which do not present the necessary safety conditions to support the regulatory seismic action. longitudinal and transversal. Parametric Study . proceeding to the discussion of the possible strengthening strategies trough passive dissipation or/and seismic isolation for the two directions of major structural behaviour of the viaduct. Seismic Isolation. Strengthening Strategies. final conclusions are outlined and possible lines of future research are proposed. Passive Dissipation. specifically of viaducts of reinforced concrete. Then.SEISMIC STRENGHTENING OF REINFORCED CONCRETE VIADUCTS USING PASSIVE DISSIPATION ABSTRACT This work focuses on the problem of seismic strengthening of structures. Similarly. At last. As in the first case. At the end of this case study. the validity of the simplified models used is verified and analyzed. The discussion is based on parametric analysis conducted on simplified finite element models. Keywords: Viaducts. it is proposed an idealized viaduct for the second case study in order to deepen the analysis of seismic strengthening solutions by isolation of the deck. The possible seismic strengthening approaches are discussed and emphasis is given to the relevance and appropriateness of seismic strengthening through passive dissipation or/and seismic isolation in the context of the stated problem. a case study of a real viaduct is analyzed. parametric analyses are performed to study and compare the effectiveness of the strengthening solutions proposed. Seismic Strengthening.

.

Sed Nómini. Non nóbis Dómine.1) .” (Sl 115. sed Nómini túo da glóriam. Dómine. “Não a nós.Non nóbis. Dómine. não a nós. mas ao vosso Nome dai glória. Senhor.

.

Estou sinceramente agradecido a todos eles pela alegria e generosidade com que me deixam participar nas suas vidas. Agradeço ao Prof. que para mim são uma referência nos planos profissional e pessoal. O Prof. que sempre demonstrou em todos os âmbitos. pela sua orientação competente. por me terem generosamente acolhido na sua empresa e. com quem tenho tido o prazer de trabalhar diariamente nos últimos anos. Com a sua amabilidade. Ruy. co-orientador científico. sempre me apoiaram e disponibilizaram largamente todos os meios de que necessitei para que este trabalho atingisse os seus objectivos. de forma verdadeiramente especial. orientador científico deste trabalho. Luís Guerreiro. João Appleton. à Maria. em primeiro lugar. ao Nuno. firme e confiante. João Appleton. nunca desistiu de me incentivar ao longo do período de elaboração deste trabalho e a sua paciência. à Sofia. Agradeço aos meus colegas e amigos da empresa onde trabalho pela amizade. sócios fundadores da empresa onde trabalho desde a licenciatura. foi muito importante no trajecto pessoal que percorri até agora. Tenho agora oportunidade de agradecer ao Prof. em segundo lugar. António Costa. pela sua orientação competente. segura e sempre presente e pelas suas paciência e diligência inexcedíveis. O Professor. de tal forma que seria injusto nomear só alguns. Júlio Appleton e ao Eng. interesse e incentivo com que permitiram que eu desenvolvesse este projecto paralelamente ao exercício das minhas funções na sua empresa. Estas pessoas são todas de tal forma importantes para a minha formação e realização como homem que não consigo . Júlio Appleton e o Eng.Agradecimentos Agradeço ao Prof. O ambiente que proporcionam nas muitas horas que trabalhamos em conjunto tem sido muito valioso para a minha vida. ao Pe. pela compreensão. o Professor permitiu que este trabalho se desenvolvesse num clima de confiança e amizade que muito me ajudou a enfrentar as dificuldades que ia encontrando. Agradeço a todos os meus amigos. à Irmã Joaquina e aos meus amigos do Movimento Comunhão e Libertação. apoio e paciência com que diariamente me acolhem.

Dedico ainda este trabalho à memória dos meus bisavós José e Hermínia e do meu padrinho Luís. Agradeço à minha família. à minha irmã Fátima. Agradeço à minha querida mãe Cristina. à minha madrinha Maria do Céu. aos meus avós José e Lina. . Agradeço-lhes sobretudo por aceitarem o que lhes é pedido. à minha tia Ilda e aos meus primos Daniel e Patrícia por me amarem como amam. O seu amor por mim é um sinal potente de um outro Amor.concretizar em palavras o seu peso.

........5....... 31 Blocos em Elastómero Cintado com Núcleo de Chumbo (“Lead 2..2........ 34 2............. 39 Sistemas de Blocos em Elastómero Cintado Associados em Paralelo a Aparelhos Dissipadores .3.............. 1 Objectivos ....................... Enquadramento Geral............2...2........... 28 2... 1 1....... 2.....2..... 2...... 40 2....................4............... 18 Dissipadores Viscoelásticos .....4............3.................... 32 2................ Rubber Bearings” – LRB) ........................................................................... Sistemas R–FBI (“Resilient – Friction Base Isolation”) .. Sistemas de Isolamento Sísmico .......................1..................... Sistemas FPS (“Friction Pendular System”) e VFPI (“Variable Frequency Pendulum Isolator”) .... 25 Dissipadores Electro-Indutivos........................2................................................ Blocos em Borracha de Alto Amortecimento (“High Damping Laminated Rubber Bearings” – HDLRB) . 2........... 14 Dissipadores Viscosos................................................................ 1...5.... 2.......................2....... 2............... 2................................. 37 2.........3.........3.. Introdução ...................................................3....ix Índice 1............2...... 3 Organização da Dissertação.............................................................. 7 Aparelhos Dissipadores de Energia ... 7 2.................................................................. 2.................1.....4........ Introdução ............... 8 Dissipadores Metálicos . Amortecedores por Massa Adicional (“Tuned Mass Dampers”)............... 4 Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte......... 2. 2...........................3........... 41 Amortecedores de Líquido Sintonizado (“Tuned Liquid Dampers”) ..................................................................1...................2.............. 45 ................6......3..................... 9 Dissipadores por Atrito................... 2. 1...............3..1....5..3..................................................................... 31 Blocos em Elastómero Cintado...............................2.......3................................

........5............1.................2.............................. 3........... 49 2. 4.........7............... 4....... 51 Enquadramento Geral do Problema do Reforço Sísmico de Viadutos de Betão Armado......................................4........3..................... 71 Estratégias Mistas de Reforço Sísmico .5........... Resistente e de Ductilidade.................................................x 2.... 77 Descrição da Obra de Arte................................. 51 3........ 47 Ligas com Memória de Forma (“Shape Memory Alloys”).................................. 3........................5............................... 3........... 4............ 80 Características das Fundações......... ................3...............................3. Introdução ..... 3....... Introdução .6............... Conclusões ................6.............................5..... 2.... 84 Análise Dinâmica ......................................... 4.......... 4..... 77 Modelo Estrutural.............................1........................................3..........5....................................... 82 Acções ........ 69 Reforço Sísmico de Viadutos por Dissipação .........3..2...................1....1............................3......2............................................................. 92 4...2...... 2............. 60 Estratégias de Reforço Sísmico de Estruturas............ 47 Materiais Piezoeléctricos ... 3.............3........................ 53 Avaliação da Necessidade de Reforço Sísmico de um Viaduto.. 51 3.................. 80 Características Gerais ..........................2.......................5.................4......................................... 4...... 49 Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica ................... 4................... 3............1.............. 66 3.................... Reforço Sísmico de Viadutos por Isolamento ... 75 Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (Auto- Estrada A1) ..................3................... Evolução da Regulamentação Nacional .6................................................... 63 Reforço Sísmico de Viadutos por Acréscimo da Capacidade 3....... 82 Comportamento Dinâmico da Estrutura Antes do Reforço ................................................................ 77 4.......3..........................6................... 3. 74 Conclusões ........................................ Materiais Inteligentes (“Smart Materials”) ...........4.......

.............................7....................................... 4......................................... 106 4.......................3.......... 93 Análise Longitudinal – Solução de Reforço com Dissipadores Viscosos ............................. Conclusões ............................... 126 Características das Fundações...................... Isolamento com Recurso a Aparelhos Dissipadores Viscosos ...........4.......... Modelos Simplificados . 94 Casos de Rigidez de Suporte Infinita..................5..... 96 Casos de Rigidez de Suporte Finita................ 4..................................................7....................6..... 5....... 4...................... 4........................3....2..........1................. 4............................ 5..........9.... 4.........1....... 4............................................ Modelo Simplificado...1..........2......................................3.............. 123 5...............3... 126 Características Gerais ...............3........................ 128 5..........7.....6....6.......................................8.......................... 112 4...... 106 Casos de Rigidez de Suporte Infinita......... 110 Análise Transversal – Solução de Reforço com Isolamento de Alto Amortecimento do Tabuleiro... Introdução ................................... 106 Casos de Rigidez de Suporte Finita........... 112 Isolamento com Sistemas de Alto Amortecimento sem Recurso a Aparelhos Dissipadores .....................................................3..... Modelos Simplificados ............................. 115 4....................... 99 Análise Longitudinal – Solução de Reforço com Dissipadores Histeréticos ..... Descrição das Propostas de Intervenção......1...... 121 Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado ............................... 5.......3..5....... 5......... 113 4.............................. . 94 4.......2............................xi 4................................3............................................................ 5.............................2...................... 123 Modelo Estrutural...........................................5........... 4.........7................6...............2......................................1................. 128 Acções ..................... 114 Análise do Modelo Global com as Soluções de Reforço Passivo Longitudinal e Transversal......... 4..........................5....................... 123 Descrição da Obra de Arte........

............ 132 Solução de Reforço por Isolamento com Blocos Simples de Neoprene Cintado ... 5.....xii 5........................................4.................. Conclusões Finais.. 143 5.................. 5............... 171 .................5................1..3...........6....... 133 5........................... Solução de Reforço por Isolamento com Sistemas LRB (Lead Rubber Bearings) ........2................... Conclusões ...................................................................................................................... 165 Anexo C – Dados Geométricos e Mecânicos do Modelo Original do Viaduto do Caso de Estudo 2................ 6. 151 Sugestões para Trabalhos Futuros ...............................................................................7.............................................................. 134 5.... 6........... Comportamento Dinâmico da Estrutura Antes do Reforço ....................................................................................................... 130 Análise Dinâmica ................................ 155 Anexo A – Dados Geométricos e Mecânicos do Modelo Original do Viaduto do Caso de Estudo 1........................................... 151 6...............................................8.....................3...................... 149 Conclusões Finais e Sugestões para Trabalhos Futuros ........ 163 Anexo B – Acelerogramas Artificiais Gerados para o Caso de Estudo 1 ........................................................... 132 5........... Solução de Reforço por Isolamento com Sistemas FPS (Friction Pendulum System) .................... 154 Referências Bibliográficas .................4...5..... 169 Anexo D – Acelerogramas Artificiais Gerados para o Caso de Estudo 2 ................... Solução de Reforço por Isolamento com Blocos HDLRB (High Damping Laminated Rubber Bearing) ................................

............ 2000] ... 1993]) ...................................................................... 2004] .. 7 Figura 2.... 1 Figura 2.........2 – Exemplos de dissipadores histeréticos: (a) ADAS ou “butterfly” [Infanti......... R... 1].......... et al........................1 – Gravura alemã...............8 – Curva de comportamento real de um dissipador por extrusão de chumbo (adaptado de [Kelly...9 – Lei de comportamento de um dissipador por atrito ......................... et al.....5 – Perspectiva da Ponte Vasco da Gama com os dissipadores histeréticos (encobertos por uma protecção metálica)............6 – Vista de um conjunto de dois dissipadores histeréticos em consola da Ponte Vasco da Gama ........ 2000] ...... et al............ S....12 – Dissipador por atrito colocado numa diagonal [Pall... 12 Figura 2...... (b) em pino [Infanti... et al....... T......................... 13 Figura 2....4 – Curva experimental de um dissipador histerético de aço (adaptado de [Kelly.. 16 Figura 2.............................. 2004].... em Montreal [Pall.. T..... S............... do séc.......................................... 1993])........1 – Sistemas de protecção sísmica..................................................... 17 Figura 2...................... 11 Figura 2. 17 Figura 2............ J... 2004] 9 Figura 2.............................xiii Lista de Figuras Figura 1..........11 – Dissipador por atrito colocado no centro de uma cruzeta [Pall........... R.. a retratar os efeitos do sismo de 1755 em Lisboa [Fonseca....... et al...13 – Perspectiva do edifício da central de polícia da província de Quebec... 2000].. et al..............7 – Tipos de dissipadores metálicos por extrusão de chumbo: (a) por estreitamento do cilindro exterior e (b) por engrossamento do veio central (adaptado de [Kelly... T....................... 16 Figura 2........................... XVIII..10 – Comportamento de um dissipador por atrito para um ciclo de carga ................... 11 Figura 2.................. unidireccional [ALGA........... 1993]) ..... (c) em E...... 2004]..................... 18 .. et al...................................... et al.............. 14 Figura 2....3 – Curvas teórica e numérica de um dissipador histerético .... e (d) em C......... bidireccional [Infanti....... S......................................... 10 Figura 2....... et al....................... R....

.......... (2) magnetos permanentes................................ 26 Figura 2............ 28 Figura 2..... (3) disco rotativo........... 29 Figura 2.............3 obtido por análise numérica ..........24 – (a) Aplicação de dissipadores viscoelásticos na Escola Gentile Fermi e (b) exemplo de dissipador utilizado [Antonucci....................... 2003] ......................... 24 Figura 2............ 2001]........................................................... em Roma [Castellano...... et al.......................... M.......... M..................... M............. 1995]) ............. R.......... 27 Figura 2.............25 – Amortecedores Electro-Indutivos (a) linear e (b) rotativo [Kawashima Lab........... 30 Figura 2........................... com (1) rótulas de ligação à restante estrutura.............. 29 Figura 2................. 19 Figura 2........................xiv Figura 2...16 – Curvas de comportamento de dissipadores viscosos para vários valores do expoente α [Guerreiro.............15 – Leis de comportamento de dissipadores viscosos para diferentes valores do expoente α. 23 Figura 2...........21 – Dissipador viscoso com restituição elástica utilizado na ponte sobre o Rio Higuamo [FIP Industriale..14 – Corte-tipo de um dissipador viscoso fluido (adaptado de [Haskell............................. 2004] ........................ (4) placas de suporte fixas e (5) rosca “sem fim” [ALGA... et al................... 24 Figura 2............. T............................ 20 Figura 2...........28 – (a) Corte e (b) vista de um bloco LRB (adaptado de [Kelly...26 – Corte de um dissipador electro-indutivo.. 2004] .......................................... 22 Figura 2............... 2003] .........17 – Comportamento de um amortecedor viscoso com α=0......... na República Dominicana [De Miranda..........................................19 – Vista dos amortecores viscosos utilizados na Igreja “Dives in Misericórdia” [Castellano......................................... L.. et al.......... 21 Figura 2..................................... 1]. 2001]..................27 – Curvas de comportamento numérica (a preto) e real (a vermelho) [ALGA....... et al........................... 2001].............................................. 1] .................. G...18 – Igreja “Dives in Misericórdia”.......... 1993]) .... 2004].....................23 – Exemplo de um dissipador viscoelástico [Constantinou.................................. 23 Figura 2..... 32 .........20 – Ponte sobre o Rio Higuamo.............................................22 – Comportamento físico de um material viscoelástico .............................. et al.....

........ 42 Figura 2...........41 – (a) Esquema do TMD principal e (b) instalação dos TMDs da estrutura do topo [Motioneering............ L... 44 Figura 2.. T. 44 Figura 2..40 – Edifício Taipei 101....... 41 Figura 2...... onde se assinalam os blocos HDLRB (adaptado de [Guerreiro......... 35 Figura 2................. 2] ................... et al... 1])......................... T.............................. 36 Figura 2... 2003]) ...... em Coimbra........35 – Corte de um bloco R-FBI (adaptado de [Kunde........... et al.... M... T........36 – Vista do sistema de protecção sísmica longitudinal e transversal composto por blocos RB associados com amortecedores viscosos (adaptado de [Infanti......................................................39 – TMD compacto utilizado na Ponte Pedonal Pedro e Inês..33 – Corte longitudinal do bloco hospitalar do complexo do Hospital da Luz................................... 33 Figura 2......... 45 ........30 – Edifício da Estação Central de Polícia de Wellington [Kelly............... 1998] . 43 Figura 2.......37 – (a) Vista da Los Angeles City Hall e (b) respectivo sistema de protecção sísmica com blocos RB associados com amortecedores viscosos (adaptado de [Taylor.... et al..................... em Taiwan [Motioneering.................. et al..................... 1993]) ..................... 1993] .............. 1] ......................... 2002])......................... 41 Figura 2..........................29 – Diagramas de comportamento (a) de um bloco LRB (a cheio) e (b) de um bloco RB (a tracejado..............38 – Representações esquemáticas de TMDs [Moutinho. 1]....................32 – Diagrama de comportamento de um bloco HDLRB (adaptado de [Guerreiro........................................... J.........xv Figura 2............... 40 Figura 2..................... C........................................................ 2007])............... S................ 2007]) ........................................42 – Esquema de uma estrutura equipada com um TLD [Soong... 34 Figura 2................................................................... et al........... 38 Figura 2....................... Portugal [ViBest...... 35 Figura 2............................................. no centro) (adaptado de [Kelly.....34 – (a) Corte e (b) vista de apoios do tipo FPS (adaptado de [Almazán.................. 2004]) ........ D...................31 – Corte de um bloco HDLRB [ALGA........... 2006] .. 1997] .................................. L......... et al...............

................ 1997])............................................................. onde foram fixados os aparelhos amortecedores viscosos ............... et al................ Karshenas.............................................................1 – Alçado longitudinal do Viaduto A (276) dos Viadutos da Baixa do Mondego da Auto-Estrada A1 .............................3 – Corte longitudinal dos encontros perdidos do Viaduto A................3 – Estratégias de reforço sísmico (pseudo-espectro de resposta de deslocamentos)........................7 – Vista do viaduto de Sierra Point [Yashinsky.............8 – Vista inferior do Viaduto de Alhandra da A1 [A2P.................. 64 Figura 3............... 1999] ...................................................... M... et al...................................... 70 Figura 3................................4 – Perspectiva tridimensional do modelo de elementos finitos do viaduto em estudo.................. 78 Figura 4. 81 ................... 58 Figura 3.............. 47 Figura 2...............6 – Modos fundamentais de vibração de (a) um viaduto convencional e (b) de um viaduto com tabuleiro isolado.................................... (b) para T>TA (superelasticidade) e (c) para altas temperaturas (elasticidade) (adaptado de [Soong......... T.......... 71 Figura 3............................ 2001] ................................................................................ M...43 – (a) Vista do Shin Yokohama Prince Hotel e (b) exemplo do TLDs (TSDs) utilizados [Kareem.............. 65 Figura 3... M.1 – Comparação entre os espectros de resposta do EC8 (DNA) e do RSA...............4 – Estratégias de reforço sísmico (conjugação do espectro de acelerações com o pseudo-espectro de deslocamentos) ....... 74 Figura 4... 79 Figura 4..................2 – Alçado transversal do tabuleiro e dos pórticos de apoio e respectivo corte a meia altura ..... 2003] .. 73 Figura 3...... 66 Figura 3................. et al......... J........................ 48 Figura 3............................................................. 2003] ........................... A............2 – Estratégias de reforço sísmico (espectro de resposta de acelerações).. 78 Figura 4.............. 68 Figura 3....................................44 – Diagramas de comportamento esquemáticos de SMA: (a) pata T<TM (histerese martensítica)..................5 – Vista da Passagem Superior de Ardath [Yashinsky.9 – Vista da nova estrutura de reacção....................................xvi Figura 2...

.................... 99 Figura 4..........22 – Amortecimento obtido para as situações “fixa” e “móvel”.......................................6 – Comparação entre os espectros de resposta do DNA da ENV 1998-1-1 e médio dos acelerogramas gerados.............................................................5 – Espectro de resposta elástico para a acção sísmica tipo 2............. 100 Figura 4....19 – Variação do amortecimento viscoso equivalente em função dos parâmetros C e α................. 86 Figura 4..................... classe de solo C e coeficiente de amortecimento de 5%.............. 102 ........................................ 85 Figura 4....10 – Secção de betão armado dos pilares correntes ...........17 – Variação do deslocamento da superestrura em função dos parâmetros C e α....11 – Secção de betão armado das barretas de fundação.....16 – Modelo simplificado de 2gl do viaduto (funcionamento longitudinal) ............. 98 Figura 4........................... 84 Figura 4............................................. 85 Figura 4................................................................................................................... 89 Figura 4.........14 – Curva de interacção M-N resistente na direcção da maior inércia ........................... 89 Figura 4.............................................................................................. 95 Figura 4..............15 – Modelo simplificado de 1gl do viaduto (funcionamento longitudinal) ....................xvii Figura 4.......................13 – Curva de interacção M-N resistente da barreta na direcção da menor inércia .................................8 – Deformada do 2º modo de vibração............................... 97 Figura 4.........7 – Deformada do 1º modo de vibração...20 – Deslocamento para casos de rigidez de suporte infinita e finita em função do parâmetro C..... 84 Figura 4..................... 92 Figura 4...... 89 Figura 4..........................12 – Curva de interacção M-N resistente do pilar na direcção da menor inércia............................. 101 Figura 4.........................................................................18 – Curvas {parâmetro C – forças elástica e viscosa} .................................................9 – Deformada do 3º modo de vibração..................... 95 Figura 4.................................................... 90 Figura 4..............................21 – Comparação de forças entre as situações “fixa” e “móvel” . zona sísmica A...................................

..................... 109 Figura 4..........................................................27 –Curvas de deslocamentos da superestrutura.................................................... 111 Figura 4............................................................................. com pares de esforços antes do reforço (a vermelho) e depois do reforço (a verde) .... 108 Figura 4......................................................................................................................29 – Variação do amortecimento equivalente para os vários níveis de força de cedência.............................................................................................................................35 – Curvas de interacção M-N resistentes do pilar de referência (a) segundo a direcção longitudinal e (b) segundo a direcção transversal..........................34 – Forças na estrutura (Fe) e viscosa (Fd) e momento flector na secção de referência .............................. 119 Figura 4.................. 110 Figura 4.............. 105 Figura 4..........................................30 – Curvas de deslocamentos para os casos “fixo” e “móvel”...................31 – Variação do amortecimento viscoso equivalente para os casos “fixo” e “móvel” .................................................................. 112 Figura 4...... 120 ..........36 – Curva de interacção M-N resistente da barreta de referência segundo a direcção longitudinal.........32 – Representação do modelo de elementos finitos simplificado utilizado na análise transversal ....................................................... 104 Figura 4............................................... 114 Figura 4................. 115 Figura 4...........33 – Deslocamentos para os diferentes valores totais do parâmetro C .........28 – Curvas das forças na superestrutura para as várias forças de cedência......................25 – Variação dos deslocamentos com a rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} ............................................................................... 103 Figura 4..26 – Variação do amortecimento com a rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} ....... com pares de esforços antes do reforço (a vermelho) e depois do reforço (a verde) ........ 107 Figura 4.......24 – Variação do amortecimento com os parâmetros C e α (situação “móvel”) .......................... 104 Figura 4......xviii Figura 4............23 – Curvas de deslocamentos para vários valores de α (situação “móvel”) ...

....11 – Deslocamentos obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação da frequência de isolamento da solução FPS .... classe do solo A e ξ = 5% .........3 – Modelo plano de elementos finitos utilizado para este caso de estudo ..... 139 Figura 5......................................... Solo A... 130 Figura 5............................12 – Momentos flectores obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µe da solução FPS..........14 – Momentos flectores obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação da frequência de isolamento da solução FPS ......... 126 Figura 5.............................. 137 Figura 5.................... para zona sísmica A...... 138 Figura 5.......................4 – Espectros de resposta de acelerações para os sismos do DNA da ENV 1998-1-1: 1994.............................xix Figura 4...7 – Espectro de resposta de acelerações modificado......37 – Estratégias de reforço sísmico......................... 133 Figura 5.... incluindo a estratégia de isolamento com amortecimento (trajectória D)...................10 – Deslocamentos obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µc da solução FPS...................... ξ=5%) ......... 140 ...............04). 131 Figura 5...................... 124 Figura 5.................2 – Secções transversais dos pilares (a) longos e (b) curtos ......10 e µc=0..............................13 – Momentos flectores obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µc da solução FPS ...........8 – Variação do coeficiente de atrito em função do parâmetro r (µe=0.. 129 Figura 5.......... 125 Figura 5............................... 135 Figura 5......1 – Corte transversal do tabuleiro do viaduto idealizado.............. 139 Figura 5.......6 – Modo fundamental de vibração do viaduto idealizado...........................................................5 – Espectros de resposta de acelerações da ENV1998 (DNA) e médio dos acelerogramas considerados (Sismo 2........................... 122 Figura 5............ com frequência do sistema isolado assinalada (a verde) ....................... 137 Figura 5...............9 – Deslocamentos obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µe da solução FPS.............. Zona A...

.............................................15 – Amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço e para a variação do parâmetro µe da solução FPS.... 141 Figura 5.................... 145 Figura 5................................................................20 – Deslocamento do topo do pilar mais alto para as diferentes soluções de reforço e para a solução com blocos LRB ...........22 – Comparação entre os comportamentos de blocos HDLRB e de blocos LRB....................... 148 . 148 Figura 5.......23 – Momentos flectores obtidos para as diferentes soluções de reforço e para a solução LRB.21 – Amortecimento viscoso equivalente conferido pelas soluções de reforço estudadas e pela solução com blocos LRB ................. 141 Figura 5...17 – Amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço e para a variação da frequência de isolamento da solução FPS 142 Figura 5............................................xx Figura 5....19 – Deslocamento do tabuleiro para as diferentes soluções de reforço e para a solução com blocos LRB..18 – Curvas de comportamento dos sistemas HDLRB e FPS .............. 142 Figura 5........... 146 Figura 5................. 145 Figura 5.16 – Amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço e para a variação do parâmetro µc da solução FPS ...............................................

114 Quadro 4...............................3 – Comparação de resultados para o reforço longitudinal (deslocamentos)...............................6 – Comparação de resultados (forças viscosas e elásticas nos amortecedores e nos blocos de isolamento..................... 131 . respectivamente) para o reforço transversal ...................... 118 Quadro 4.....2 – Valores estimados da rigidez de rotação longitudinal conferida pelas sapatas ..... 59 Quadro 4......................3 – Características dinâmicas da estrutura (não reforçada) ...... 117 Quadro 4..........................................4 – Comparação de resultados para o reforço transversal (deslocamentos)............2 – Resultados obtidos para a utilização de HDLRB ........ 125 Quadro 5..........................................................................................1 – Características dinâmicas da estrutura (não reforçada) ..............................1 – Valores do coeficiente sísmico para os vários regulamentos ........................................ 118 Quadro 5.................................. 116 Quadro 4..5 – Comparação de resultados (forças viscosas nos dissipadores) para o reforço longitudinal..........................................xxi Lista de Quadros Quadro 3............1 – Classificação dos pilares do viaduto idealizado .................. 86 Quadro 4............... 127 Quadro 5............

xxii .

que evidencia o crescimento do conhecimento e da consciência colectiva para o problema da sismicidade. Enquadramento Geral Portugal é um país com sismicidade moderada a alta. a retratar os efeitos do sismo de 1755 em Lisboa [Fonseca. Este condicionamento geofísico traz implicações incontornáveis ao dimensionamento de estruturas de engenharia civil. Figura 1.1 – Gravura alemã. se projectou no progresso da legislação nacional sobre o projecto e execução das estruturas de engenharia civil. prevenida sobretudo desde o grande terramoto de 1755 (Figura 1.1). Introdução 1. face a exigências sísmicas e estruturais actualizadas pela investigação.1. tem vindo a evoluir no tempo até aos dias de hoje. 2004] . numa dialéctica com a evolução do conhecimento. A consciência da sociedade portuguesa quanto a este condicionamento.. J.1. evolução que. Deste ponto de vista. XVIII. é razoável colocar em questão o comportamento sísmico de estruturas existentes. do séc.

Este trabalho debruça-se sobre uma estratégia que. que se enquadram no conjunto dos sistemas passivos de protecção sísmica. deficiente execução das amarrações e emendas dos varões de armadura. erros de projecto (deficiente quantificação da acção. baseada no acréscimo de capacidade resistente da estrutura mediante o acréscimo de capacidade resistente de alguns seus elementos estruturais. deficiente pormenorização de armaduras. Muitos viadutos existentes não estão preparados para resistir à acção sísmica regulamentar devido às seguintes razões: esta acção não ter sido considerada. deficiente concepção. de modo especial dos elementos e nós críticos).Introdução 2 Este trabalho debruça-se sobre o problema do reforço sísmico de viadutos de betão armado. o que torna a informação acessível e os custos tecnológicos competitivos. de modo especial nos elementos e nós críticos). visto o valor de projecto da acção sísmica desse regulamento ser inferior ao actual. ou ter sido deficientemente quantificada. No entanto. o que pode trazer consequências económicas e sociais importantes. As razões pela escolha desta estratégia de reforço são: as soluções correntes de reforço sísmico por aumento da resistência e ductilidade da estrutura. existem várias estratégias de reforço sísmico. conduzem à ocorrência de danos importantes nesta durante o sismo. insuficiência de armaduras. erros de cálculo. devido à ausência de legislação nacional até ao aparecimento do RSEP em 1961. prevê-se a necessidade de reforço sísmico de muitos viadutos. não sendo a tradicional. o recurso a sistemas passivos de dissipação de energia. Por estas razões. podendo mesmo levar à inoperacionalidade da estrutura depois do evento. ao explorar as capacidades de deformação inelástica dos seus elementos. é actualmente corrente. o reforço sísmico por sistemas de protecção passiva. . erros de execução (supressão ou troca de armaduras pormenorizadas. tem vindo a ganhar terreno a nível mundial.

mais adequados à realidade tecnológica nacional. analisar os resultados numéricos obtidos. mais simples de analisar e implementar e. . com base em pesquisa bibliográfica. avaliando a adequação das soluções de reforço e dos diferentes sistemas passivos de reforço escolhidos e a validade dos respectivos modelos expeditos de prédimensionamento propostos. Pretende-se para este objectivo utilizar um programa de cálculo de elementos finitos bastante divulgado pelos projectistas de estruturas por forma a desenvolver estratégias acessíveis ao projectista comum.2. Para este propósito traçaram-se os seguintes objectivos: analisar o conhecimento actual sobre reforço sísmico de estruturas com sistemas passivos de protecção sísmica. analisar e enquadrar os princípios gerais inerentes ao reforço sísmico de estruturas segundo as diferentes estratégias possíveis (reforço por acréscimo da capacidade resistente e de ductilidade. Objectivos Nesta dissertação pretende-se aprofundar o problema do reforço sísmico de estruturas. reforço por isolamento sísmico e reforço por dissipação de energia). 1. especialmente viadutos. em relação a outros tipos de sistemas de protecção sísmica. realizando uma verificação global posterior.Introdução - 3 os sistemas passivos de protecção sísmica são. portanto. procurando particularizar para cada uma as questões estruturais pertinentes e os condicionamentos específicos. propor soluções de reforço para dois casos de estudo com os sistemas passivos escolhidos e pré-dimensionar com base em modelos expeditos os elementos específicos. analisar parametricamente as soluções pré-dimensionadas para os vários sistemas passivos. variando os parâmetros relevantes de cada sistema e os parâmetros de rigidez do terreno de fundação. adoptando sistemas passivos de dissipação de energia.

dos quais esta Introdução é o primeiro. para as soluções de reforço escolhidas. uma estratégia mista de reforço sísmico. Refira-se ainda que é possível adoptar. Neste quarto capítulo são inicialmente apresentadas as características originais (estruturais e dinâmicas) do viaduto e do respectivo terreno de fundação. Organização da Dissertação Este trabalho está dividido em seis capítulos. procura-se sempre enunciar o respectivo funcionamento e os princípios físicos associados. o capítulo divide-se em três grandes partes: discussão dos reforços longitudinal e transversal com base em modelos simplificados. No capítulo 3 aborda-se globalmente a questão do reforço sísmico de viadutos. Nesta lista de sistemas de dissipação de energia. situado perto do nó de Coimbra Sul. a avaliação da necessidade de reforço sísmico de um viaduto e elabora-se ainda uma breve discussão comparativa sobre as implicações dinâmicas/estruturais das três principais estratégias de reforço apresentadas: reforço por acréscimo da capacidade resistente e de ductilidade. incluindo análises paramétricas para os diferentes tipos de soluções. com dados actualizados. reforço por dissipação de energia. como será discutido nesse capítulo. reforço por isolamento sísmico. comparação dos resultados obtidos com os modelos . No capítulo 4 é apresentado o primeiro caso de estudo escolhido para aplicação de soluções passivas de reforço sísmico de viadutos. os sistemas passivos de dissipação de energia aplicáveis a todo o tipo de estruturas de engenharia civil. que deram origem ao modelo global original de elementos finitos.Introdução 4 1. No segundo capítulo procura-se apresentar.3. e. Seguidamente. Trata-se do Viaduto A (276) dos Viadutos da Baixa do Mondego da Auto-Estrada A1. mencionam-se questões como o enquadramento geral do problema central deste capítulo. e adopta-se muitas vezes. Antes de proceder à apresentação das diversas estratégias de reforço possíveis.

são apresentadas as conclusões referentes a este primeiro caso de estudo. A organização deste capítulo é semelhante à do quarto capítulo. No final. por ordem. do Sublanço Vendas Novas – Montemor-o-Novo da AutoEstrada A6). No capítulo 6. Por fim. seguindo-se. tecem-se comentários conclusivos acerca deste caso de estudo. No capítulo 5 é apresentado o segundo caso de estudo escolhido. Este caso refere-se a um viaduto idealizado a partir de um viaduto real (Viaduto sobre a Ribeira da Laje.Introdução 5 simplificados com os resultados do modelo global. . sendo em primeiro lugar apresentadas as características originais do viaduto idealizado. tecem-se as conclusões finais e as sugestões para o desenvolvimento de trabalhos futuros. a análise do comportamento dinâmico original e as análises paramétricas das diversas soluções de reforço sísmico consideradas apropriadas para este caso de estudo.

Introdução 6 .

Sistemas de Protecção Sísmica Sistemas Passivos Sistemas Activos Sistemas Semi-Activos Sistemas Híbridos Figura 2. alteram o comportamento dinâmico da estrutura. face a acções dinâmicas. a acção do vento.1 – Sistemas de protecção sísmica Os sistemas passivos não necessitam de energia. nem de qualquer intervenção. Introdução Por sistemas de controlo estrutural entendem-se sistemas constituídos por elementos que. fornecida pelo exterior para funcionar. As acções dinâmicas relevantes são a acção sísmica.1): passivos.1. híbridos e semi-activos.2. os sistemas de controlo estrutural podem denominar-se por sistemas de protecção sísmica. as acções dinâmicas decorrentes da circulação de viaturas ou pessoas. Os sistemas híbridos consistem em combinações entre os sistemas passivo e activo. Os sistemas de protecção sísmica dividem-se actualmente em quatro classes (Figura 2. . activos. como por exemplo um sistema activo que actua sobre uma estrutura que possui aparelhos de protecção passiva. Os sistemas activos necessitam de energia fornecida pelo exterior para funcionar. Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 2. as vibrações induzidas por máquinas… Quando a acção dinâmica em causa é a acção sísmica.

consumindo apenas a energia necessária para mudar a propriedade variável. o que traz implicações positivas: maior grau de conhecimento teórico.2. Os sistemas passivos possuem diversas características que justificam o interesse dedicado: a sua utilização dá-se a nível mundial há já mais de três décadas.. maior acessibilidade à tecnologia. os testes realizados e a experiência adquirida demonstraram a boa eficácia destes sistemas. . Existem diversos tipos de aparelhos dissipadores de energia: dissipadores metálicos. incluindo o efeito do envelhecimento. se a tecnologia for bem concebida. maior oferta no mercado do fornecimento. isolamento de base. no caso de reforço sísmico) da estrutura tiver uma duração pequena ou média. não necessita de manutenção especial durante a vida útil da estrutura. Neste trabalho desenvolve-se o estudo da aplicação de sistemas passivos ao reforço sísmico de viadutos. maior oferta no mercado do projecto. esta afirmação pode não ser válida. poupando as estruturas a esse processo normalmente associado a danos. maior conhecimento acerca do seu comportamento em serviço e em repouso. não necessita de energia ou intervenção exterior e. 2. amortecedores de líquido sintonizado e materiais inteligentes (“smart materials”). o que faz reduzir os custos. Existem diversos tipos de sistemas passivos de protecção sísmica: aparelhos dissipadores de energia. amortecedores de massa adicional. se a vida útil (ou restante vida útil. a nível mundial. etc. Para estruturas especiais com vida útil alargada.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 8 Os sistemas semi-activos podem ser descritos como sistemas passivos com propriedades variáveis. Aparelhos Dissipadores de Energia Por aparelhos dissipadores de energia entendem-se elementos complementares à estrutura que dissipam localizadamente energia. os cálculos efectuados.

1. Existem vários tipos destes dissipadores: dissipadores histeréticos (de um metal ou liga metálica) e dissipadores por extrusão de chumbo. et al. dissipadores viscosos. existem ainda vários tipos de dissipadores (Figuras 2. dissipadores electro-indutivos. Dissipadores Metálicos Estes dissipadores conseguem obter a dissipação de energia através da deformação inelástica de um metal (aço macio.. 1]. dissipadores viscoelásticos. et al. chumbo. T.2 (a) a (d)). e (d) em C. alumínio. ligas metálicas). et al. S.2 – Exemplos de dissipadores histeréticos: (a) ADAS ou “butterfly” [Infanti. S. S. 2004] . 2004].2. (c) em E. et al.. No processo de dissipação de energia por esta via estão envolvidos fenómenos de plasticidade. (b) em pino [Infanti. 1997].. 2004]. bidireccional [Infanti. (a) (b) (c) (d) Figura 2. 9 2.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte dissipadores por atrito. Dentro da categoria de dissipadores histeréticos.. de viscoplasticidade e térmicos [Soong. unidireccional [ALGA.

15000 10000 5000 F (kN) 0 -5000 -10000 -15000 -0. é preciso ter em atenção o desgaste que estes terão com os inúmeros ciclos de baixa tensão a que durante a sua vida útil irão estar sujeitos. Neste sentido.4 apresenta-se a curva experimental de um dissipador histerético de aço. Mais ainda. .3 – Curvas teórica e numérica de um dissipador histerético Na concepção dos dissipadores histeréticos.20 -0. sobretudo devido a acções como o vento ou a passagem de veículos ou pessoas.3 apresenta-se a curva teórica de um dissipador histerético (a tracejado) e a correspondente curva numérica (a cheio). o alumínio e certas ligas metálicas. Na Figura 2.10 0. que pode ser considerada como uma percentagem da rigidez inicial. é útil o recurso a metais que possuam uma grande capacidade de deformação plástica. estes aparelhos terão de suportar os decisivos ciclos de alta tensão durante um sismo.20 Figura 2. pelo que a fadiga é um aspecto muito importante a ter em consideração na sua concepção e execução. como o aço macio. Na Figura 2.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 10 Os dissipadores histeréticos dissipam energia devido a fenómenos de plasticidade do metal utilizado. obtida para um acelerograma artificial. O ponto de transição de declives corresponde à cedência do metal. A curva de comportamento de um dissipador histerético é aproximadamente bilinear. o primeiro ramo tem o declive dado pela rigidez inicial (k1) enquanto que o declive do segundo ramo é dado pela rigidez pós-cedência (k2).10 0.00 d (m ) 0.

4 – Curva experimental de um dissipador histerético de aço (adaptado de [Kelly. et al. 2000] (Figura 2. Os dissipadores longitudinais têm a .Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 11 Força (kN) Deslocamento (mm) Figura 2.. Figura 2..5 – Perspectiva da Ponte Vasco da Gama com os dissipadores histeréticos (encobertos por uma protecção metálica) Tratam-se de oito conjuntos de dois dissipadores histeréticos em aço dispostos perpendicularmente em planta (Figura 2.5). et al. em Lisboa [Branco. 1993]) Um exemplo de aplicação de dissipadores histeréticos numa estrutura nova para melhorar o comportamento sísmico encontra-se na Ponte Vasco da Gama. T. F.6).

Este metal. 1997]. tem a capacidade de passar pela fase de recristalização muito rapidamente. Este processo de extrusão obriga a uma alteração na constituição cristalina do material..6 – Vista de um conjunto de dois dissipadores histeréticos em consola da Ponte Vasco da Gama Nestes dissipadores. a extrusão do chumbo consiste em forçá-lo a deformar-se plasticamente (sem variação do volume) no interior de um tubo. ao contrário do que acontece com a maioria dos metais. et al. havendo depois uma recristalização quando se atinge a nova forma. Nos dissipadores por extrusão de chumbo. Existem dois modos de forçar a deformação do chumbo: mediante o estreitamento do cilindro exterior ou mediante o engrossamento do veio interior (Figuras 2. a energia dissipa-se devido à viscoplasticidade envolvida. Figura 2.. . não é razoável considerar que o fluxo plástico se dá instantaneamente em relação ao tempo de aplicação das cargas aplicadas. nestes casos. Esta é uma das razões que levou a escolha deste material para este tipo de dissipadores [Guerreiro. T. mesmo à temperatura ambiente. No caso do chumbo à temperatura ambiente. 1996].Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 12 função de controlar os deslocamentos sísmicos nesta direcção. L. é necessário considerar os fenómenos de fluência e relaxação envolvidos [Soong.7). enquanto que os dissipadores que funcionam na direcção transversal foram dimensionados para controlar os deslocamentos provocados pela acção do vento.

EUA e Japão.. Nos dissipadores por extrusão do chumbo. et al. et al. Um caso concreto de aplicação deste tipo de dissipadores metálicos encontra-se em Tóquio. . Existem várias aplicações de dissipadores por extrusão de chumbo para melhoramento da resposta sísmica de estruturas em vários países do mundo. T.7 – Tipos de dissipadores metálicos por extrusão de chumbo: (a) por estreitamento do cilindro exterior e (b) por engrossamento do veio central (adaptado de [Kelly.. o diagrama de comportamento situa-se próximo do elasto-plástico perfeito (Figura 2. T.8).Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 13 orifício vedantes chumbo orifício vedantes chumbo apoios Figura 2. no Fujita Corporation Main Office. 1993]. 1999]. onde foram instalados 20 dissipadores por extrusão de chumbo [Kareem. A. [Kelly. et al. construído em 1990. que se trata de um edifício em estrutura metálica com 19 pisos.. 1993]) Importa salientar que a força gerada pelo processo de extrusão de chumbo é influenciada pela velocidade do processo e que o próprio processo de extrusão de chumbo é afectado pela temperatura a que se desenvolve. em especial em Nova Zelândia.

.8 – Curva de comportamento real de um dissipador por extrusão de chumbo (adaptado de [Kelly. Dissipadores por Atrito Os dissipadores por atrito conseguem obter a dissipação de energia através do atrito cinético produzido entre duas superfícies sólidas. a força necessária para garantir o escorregamento entre duas superfícies sólidas realiza trabalho irreversível – atrito de Coloumb. 2. a força total de atrito que pode ser desenvolvida é proporcional à força normal total que actua através da interface.2. et al. T.2. A teoria básica do atrito sólido funda-se nas seguintes hipóteses [Soong. Assim.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 14 Força (kN) Deslocamento (mm) Figura 2. 1993]) Refira-se ainda que este tipo de dissipadores apresenta maior número de aplicações em casos em que é associado a sistemas de isolamento de base. que foram primeiramente inferidas a partir de experiências físicas com escorregamento no plano de blocos com superfície de contacto plana: a força total de atrito que pode ser desenvolvida é independente da área da superfície aparente de contacto. 1997].. T. et al. O objectivo principal é maximizar a dissipação de energia pelo que não se introduz qualquer camada lubrificante entre as duas superfícies sólidas e se pretende que estas se mantenham secas durante o processo. em amortecedores por atrito..

(2. Como resultado destas hipóteses.10 apresenta-se o diagrama força-deslocamento para um ciclo de movimento. este coeficiente é designado por cinético (µc). antes de se iniciar o escorregamento ou depois de este se ter iniciado. o coeficiente de atrito é designado por estático (µe) e. Amontons e Coulomb) e da sua aparente simplicidade. Apesar da longa história de interesse no comportamento friccional (desde da Vinci. T. depois de se iniciar o movimento. no mecanismo envolvido na adesão desenvolvida na interface e na deformação inelástica localizada que ocorre na região de contacto. 1997]. Actualmente. a força total de atrito é independente da velocidade. por esta razão.1) onde F e N são as forças de atrito e normal totais e µ é o coeficiente de atrito.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte - 15 para o caso de escorregamento a baixa velocidade relativa. . Na Figura 2.. et al. são necessárias experimentações físicas aos vários níveis [Soong.2) A representação gráfica da lei dos deslocamentos é apresentada na Figura 2.9. pode-se escrever F = µN (2. as previsões puramente analíticas não são ainda possíveis e. a teoria moderna do atrito sólido foca a atenção na identificação da área real de contacto. com µe > µc . Antes de se iniciar o movimento.

10 – Comportamento de um dissipador por atrito para um ciclo de carga No processo de dissipação de energia por atrito sólido importa o estado das superfícies em contacto pelo que as condições de ambiente em que o dissipador estiver inserido são importantes para a evolução do desempenho do mesmo. . Fenómenos físico-químicos (como a formação de camadas de óxidos) ou.9 – Lei de comportamento de um dissipador por atrito F d Figura 2. a corrosão podem constituir um problema para o correcto desempenho destes amortecedores.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 16 µe N µc N F v Figura 2. mais importante.

para desempenhar as funções de central de polícia da província canadiana de Quebec. 2000] Figura 2.12 – Dissipador por atrito colocado numa diagonal [Pall. 2000] O edifício em causa foi construído em 1964.11 e 2. com 16 pisos. R. em estrutura de aço.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 17 Nas Figuras 2. et al. et al..13).. no Canadá (Figura 2.11 – Dissipador por atrito colocado no centro de uma cruzeta [Pall. A solução de reforço sísmico escolhida consistiu em dotar a estrutura de amortecimento adicional . R. Figura 2. utilizados no projecto de reforço sísmico da Central de Polícia de Montreal. e foi alvo de melhoramentos no ano de 1998.12 apresentam-se alguns tipos de dissipadores por atrito.

Dissipadores Viscosos Os dissipadores viscosos fluidos (ou do tipo hidráulico) são essencialmente constituídos por um cilindro externo metálico com um pistão que separa duas câmaras preenchidas com um fluido de grande viscosidade. Foram adoptados 62 dissipadores por atrito com forças de escorregamento variando entre 225kN e 670kN [Pall.. Inicialmente utilizava-se essencialmente óleo para este tipo de dissipadores mas actualmente utilizamse fluidos de alta viscosidade à base de silicone.. em Montreal [Pall.11 e 2. et al. As duas câmaras estão interligadas por orifícios existentes no pistão (Figura 2. et al. É o fluxo do fluido .13 – Perspectiva do edifício da central de polícia da província de Quebec. Esta solução concretizou-se mediante a adopção de diagonais em aço com dissipadores por atrito incorporados (Figuras 2. 2000] 2. R. R. Quando é imposto um movimento relativo entre as extremidades do amortecedor.14).12). este devolve uma força proporcional a uma potência (α) da velocidade do movimento relativo.3.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 18 conjugado com um acréscimo de rigidez. 2000].2. Esta força é gerada pela resistência à passagem do fluido de uma câmara para a outra pelos orifícios do pistão. Figura 2.

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viscoelástico através dos furos que provoca a transformação de energia e, daí, a capacidade de amortecimento.

pistão

cilindro

fluido compressível

vara do acumulador

válvula vedante vedante

câmara 1 cabeça do pistão com orifícios

câmara 2 válvula de controlo

acumulador

Figura 2.14 – Corte-tipo de um dissipador viscoso fluido (adaptado de [Haskell, G. et al.; 1995])

Deste modo, a lei de comportamento dos aparelhos dissipadores viscosos é dada por

F = C v sign(v )
α

(2.3)

onde F é a força viscosa, C e α são os parâmetros do aparelho dissipador e v é a velocidade relativa entre as extremidades do aparelho. Os parâmetros C e α do aparelho dissipador dependem das dimensões e pormenorização do pistão e do tipo de fluido utilizado, respectivamente [Guerreiro, L.; 1996]. Na Figura 2.15 são representadas as curvas força – velocidade para diferentes valores do parâmetro α. Como se pode constatar, as curvas têm andamentos diferentes consoante o parâmetro α seja maior, igual ou menor do que um. Para α=1, a curva força – velocidade tem andamento linear. Para este valor, o aparelho dissipador viscoso é designado por amortecedor viscoso linear. Neste

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caso, a equação do movimento é uma equação diferencial linear e tem solução analítica.

α =1
F

α<1
α >1
v

Figura 2.15 – Leis de comportamento de dissipadores viscosos para diferentes valores do expoente α

Para α>1, na gama das baixas velocidades, o aparelho responde com forças reduzidas enquanto que para valores elevados de velocidade este responde com forças elevadas. Neste domínio, o aparelho dissipador viscoso é designado por batente. Assim, os batentes podem ser utilizados quando se deseja “libertar” a estrutura para acções com velocidades reduzidas (variações de temperatura, retracção, fluência) mas, por outro lado, deseja-se “fixar” a estrutura para acções com velocidades elevadas (sismos). Para α<1, a curva força – velocidade tem andamento inverso ao anterior. Para valores reduzidos de velocidade, o aparelho responde já com forças elevadas; estas forças elevadas atingem um patamar máximo que não é

consideravelmente ultrapassado mesmo para velocidades elevadas. Neste domínio, o aparelho dissipador viscoso é designado por amortecedor viscoso. Os amortecedores viscosos normalmente são utilizados para acções sísmicas por responderem com uma força máxima limitada e, sobretudo, por terem maior capacidade de amortecimento do que os batentes. Esta afirmação é ilustrada pela Figura 2.16 onde se apresentam as curvas força – velocidade/deslocamento (para um ciclo de movimento harmónico) para diferentes valores do parâmetro α.

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Figura 2.16 – Curvas de comportamento de dissipadores viscosos para vários valores do expoente α [Guerreiro, L.; 2003]

Como se observa nessa figura, quanto menor for o valor de α, para o mesmo valor de C, maior é a área contida na curva do ciclo. Como o amortecimento equivalente pode ser calculado pelo quociente [Chopra; 2001]

ζ eq =

Área do ciclo 2π Fmáx dmáx

(2.4)

conclui-se facilmente que quanto menor for o valor de α, para C constante, maior é a capacidade de amortecimento do aparelho dissipador viscoso. Na Figura 2.17 apresenta-se a curva numérica obtida para um amortecedor viscoso com α=0.3. Para os aparelhos dissipadores viscosos com o parâmetro α diferente da unidade, a equação do movimento é uma equação diferencial não linear (pois tem um termo com a primeira derivada elevada a α ≠ 1) e não tem, no estado actual do conhecimento, solução analítica. Nestes casos são necessários métodos numéricos para obter a solução (aproximada) da equação do movimento.

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5000 4000 3000 2000 F (kN) 1000 0 -1000 -2000 -3000 -4000 -5000 -0.15 -0.10 -0.05 0.00 d (m) 0.05 0.10 0.15

Figura 2.17 – Comportamento de um amortecedor viscoso com α=0.3 obtido por análise numérica

O recurso a dissipadores viscosos para melhorar o comportamento dinâmico de estruturas novas ou existentes é já, hoje em dia, corrente. Este tipo de dissipadores é frequentemente utilizado em estruturas novas tais como viadutos e pontes e no reforço sísmico de monumentos, edifícios antigos e edifícios modernos, viadutos e pontes. Como exemplo ilustrativo, descreve-se a utilização de dissipadores viscosos na execução da nova Igreja “Dives in Misericórdia”, em Roma (Figura 2.18). Este edifício possui uma arquitectura diferente de um edifício convencional, como é usual em outras igrejas, e uma das suas características que mereceu a atenção dos projectistas prende-se com a existência de três paredes curvas de betão armado pré-fabricado branco em forma de vela existentes na zona oeste da Igreja, em especial a maior delas [Castellano, M. et al.; 2004]. Esta “vela” trata-se de um painel curvo com 26.7m de altura e tornou necessária a adopção de medidas não convencionais de dimensionamento sísmico por causa da estrutura em vidro situada por baixo. Assim, foram dimensionados e adoptados 32 dissipadores viscosos com parâmetros C=2.25kN/(m/s)0.14 e α=0.14, atingindo cada um deles a força máxima de dimensionamento de 4.5kN, por forma a reduzir os deslocamentos sísmicos para menos de 10mm (Figura 2.19).

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 23 Figura 2. M. et al. e a um teste sinusoidal com frequência próxima dos 0. em Roma [Castellano.5Hz para comprovar a capacidade de dissipação de energia dos aparelhos.. Os amortecedores viscosos em causa foram sujeitos em laboratório a conjuntos de testes cíclicos a velocidade constante. . a seis velocidades diferentes. entre 12. de modo a cumprir a exigência de não ser necessária a manutenção dos mesmos. 2004] Figura 2..18 – Igreja “Dives in Misericórdia”.19 – Vista dos amortecores viscosos utilizados na Igreja “Dives in Misericórdia” [Castellano. et al. M.5% e 200% da velocidade de dimensionamento (150mm/s). 2004] Todas as partes constituintes destes amortecedores viscosos são de aço inoxidável.

foram utilizados dissipadores viscosos com restituição elástica (Figura 2. Esta capacidade deve-se sobretudo à compressibilidade do fluido utilizado. Os fabricantes destes aparelhos anunciam ainda uma força de pré-carga que confere ao aparelho um comportamento de fusível [JARRET.5) Na ponte atirantada sobre o Rio Higuamo.20). 1] Figura 2.21) para o controlo dos deslocamentos sísmicos na direcção longitudinal. 1]. Estes aparelhos têm pois a seguinte lei reológica & F = F0 + Kx + Cx α (2.21 – Dissipador viscoso com restituição elástica utilizado na ponte sobre o Rio Higuamo [FIP Industriale. 1] .Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 24 Refira-se ainda que existem dissipadores viscosos com restituição elástica (“spring fluid viscous dampers/shock absorbers”).20 – Ponte sobre o Rio Higuamo. na República Dominicana (Figura 2. na República Dominicana [De Miranda. Figura 2. com um vão central de 390m.

Para uma excitação periódica γ (t ) = γ 0 sen(ωt ) (2.9) em que Ga e Gp são. os módulos de armazenamento e de perda. um material é viscoso se as tensões devidas a uma acção são função da taxa de variação temporal da deformação associada.10) .2. para o corte simples. Dissipadores Viscoelásticos Um material é elástico se as tensões devidas a uma solicitação são função apenas da deformação associada. A relação entre o módulo de perda e o módulo de armazenamento é definida como o factor de perda η Gp Ga η= = tg δ (2. respectivamente. Um material diz-se viscoelástico se o seu comportamento físico resulta da sobreposição dos comportamentos elástico e viscoso.7) (2.4. para um material viscoso. (2.6) & τ = Gv γ . Em termos analíticos.22) τ(t ) = γ 0 [G a sen(ωt ) + Gp cos(ωt )] (2. tem-se para um material elástico τ = Ge γ e.8) tem-se para um material viscoelástico (Figura 2.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 25 2. Por outro lado.

J. face a uma excitação periódica.11) G = Ga + Gp = Ga 1 + η2 2 2 (2. Observações experimentais indicam que as propriedades dos materiais viscoelásticos. nomeadamente o módulo de armazenamento Ga e o factor de perda η. para um material elástico. variam com a temperatura e a frequência da excitação [Connor. O ângulo δ corresponde ao desfasamento da resposta e varia entre 0.23). .22 – Comportamento físico de um material viscoelástico A equação (2.11) observa-se que um material viscoelástico.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 26 F d Figura 2.9) pode ser reescrita na forma τ(t ) = γ 0 G sen(ωt + δ ) com (2. 2003]. Chamam-se dissipadores viscoelásticos aos dissipadores executados com materiais viscoelásticos (Figura 2. apresenta uma resposta com amplificação e desfasamento.. e π/2. para um material viscoso. J.12) Analisando a equação (2.

divididos em três tipos quanto à rigidez: estes diferentes tipos de dissipadores possuíam valores da rigidez de corte para 100% de distorção iguais a 19. foram utilizados 33 dissipadores viscoelásticos. et al. a erros de cálculo no dimensionamento original e à qualidade da construção.23 – Exemplo de um dissipador viscoelástico [Constantinou. Itália [Antonucci. O projecto de reforço sísmico contemplou a instalação de contraventamentos simples de aço e de aço com dissipadores viscoelásticos.8kN/mm. na região de UmbriaMarche. De acordo com a equipa responsável.. que o incapacitaram de servir à sua função. M. 2001].4kN/mm. em Fabriano. 2003] Um exemplo da aplicação de dissipadores viscoelásticos encontra-se no reforço sísmico projectado e executado no edifício da Escola Gentile Fermi. . R.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 27 Figura 2. o edifício original possuía deficiente comportamento sísmico devido ao sistema estrutural flexível. 14. entre os elementos estruturais do primeiro piso e do segundo piso e entre este e o terceiro piso.8kN/mm e 7. Este edifício sofreu danos consideráveis durante o sismo de Setembro de 1997. No total.

. Um dissipador EI rotativo é constituído por um perfil tubular roscado (“sem fim”). Esta secção debruçar-se-á sobre os dissipadores EI rotativos.26). a dissipação de energia é conseguida através da conversão da energia mecânica em calor. R. et al. Existem dois tipos de dissipadores electro-indutivos (EI) do tipo passivo: dissipadores lineares e rotativos (Figura 2.24 – (a) Aplicação de dissipadores viscoelásticos na Escola Gentile Fermi e (b) exemplo de dissipador utilizado [Antonucci. desenvolvidos pela empresa ALGA [ALGA. 2001]. por um disco rotativo de alumínio ou liga cobre – níquel situado entre magnetos permanentes e por placas de suporte fixas (Figura 2. de acordo com os cálculos efectuados.5.25). e posterior encamisamento com uma lâmina de betão não retráctil. devido à grande investigação e estudo a que já foram sujeitos. Dissipadores Electro-Indutivos Neste novo tipo de dissipadores.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 28 Figura 2.2. recorreu-se ao reforço sísmico convencional dos pilares com menor resistência por acréscimo de armaduras longitudinais e transversais. 2. garantir o funcionamento dos restantes elementos estruturais originais face à acção sísmica no domínio elástico. 2001] Uma vez que a instalação destes elementos adicionais não conseguiu. nos nós críticos.

O movimento rotacional do perfil roscado faz rodar o disco rotativo de um material condutor. que de seguida é dissipada mediante a conversão em calor. no qual. 2001] Com maior detalhe. não magnético. Figura 2. O movimento causado pela acção é transferido para o aparelho e utilizado como primeira fonte de energia para gerar energia eléctrica. com (1) rótulas de ligação à restante estrutura. ao ser atravessado . (3) disco rotativo.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 29 (a) 2004] (b) Figura 2.25 – Amortecedores Electro-Indutivos (a) linear e (b) rotativo [Kawashima Lab. (4) placas de suporte fixas e (5) rosca “sem fim” [ALGA. (2) magnetos permanentes.26 – Corte de um dissipador electro-indutivo. o aparelho consiste num sistema rotativo que converte o movimento sísmico linear num movimento rotacional por intermédio do perfil roscado “sem fim”.

Um cuidado que foi necessário ter na concepção deste aparelho prendeu-se com a garantia de que o disco rotativo e as partes fixas não se danificariam com o calor gerado. As considerações tecidas para os últimos tornam-se então válidas também para este tipo de dissipadores electro-indutivos. induz corrente eléctrica. Figura 2. recomenda-se a lei (2. Na Figura 2. 2001] Estes aparelhos dissipadores podem ser utilizados na protecção passiva de estruturas mas também como elementos semi-activos ou activos de protecção sísmica.27 – Curvas de comportamento numérica (a preto) e real (a vermelho) [ALGA.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 30 pelo campo magnético gerado pelos magnetos permanentes. De acordo com o fabricante. 2001].3) dos aparelhos dissipadores viscosos.27 apresentam-se curvas numérica e real força – deslocamento para um exemplo ensaiado em fábrica. A resposta destes dissipadores depende da velocidade relativa do movimento imposto pelo que podem ser comparados a aparelhos dissipadores viscosos [ALGA. apesar de ser praticamente possível qualquer lei constitutiva. . Nesta corrente eléctrica dissipa-se então toda a energia sob a forma de calor.

L.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 31 2. Com estes sistemas aumenta-se o período natural da estrutura. M. Quanto menor for a espessura das lâminas de elastómero. 1996]. mantendo no entanto a capacidade de suporte vertical. .3. 2. Estes blocos têm o inconveniente de apresentar fraca capacidade de dissipação de energia.1. São constituídos por lâminas de elastómero vulcanizado. Sistemas de Isolamento Sísmico O isolamento sísmico corresponde essencialmente à introdução de elementos com baixa rigidez horizontal. que se utilizam frequentemente em aparelhos de apoio de pontes. o que prejudica o propósito do sistema de isolamento. Este tipo de apoios apresenta uma resposta praticamente linear. o que traz implicações importantes na acção dos sismos sobre a estrutura. Por esta razão.. o que pode conduzir a valores elevados do deslocamento horizontal para acções cíclicas [Guerreiro. não é usual usar este tipo de apoios sem o recurso a outros elementos que tenham capacidade de dissipação de energia [Priestley.29). influenciada sobretudo pelas propriedades da borracha (Figura 2. dispostas horizontalmente e intercaladas por chapas de aço de reforço.. maior é a rigidez vertical.3. et al. A maior parte dos sistemas de isolamento possui também significativa capacidade de dissipação de energia. como os apoios de neoprene cintado. “desligando” a estrutura situada acima deles dos movimentos horizontais do solo ou da estrutura inferior. Blocos em Elastómero Cintado Tratam-se dos vulgares blocos em elastómero cintado. 1996]. mas maior é também a rigidez horizontal do conjunto.

Nestes sistemas de isolamento.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 32 2. As funções do núcleo de chumbo são conferir a capacidade de dissipação de energia que os anteriores blocos não apresentavam e aumentar a rigidez do conjunto face a cargas estáticas [Priestley... o chumbo dissipa energia por corte. L. M. com tensão de plastificação ao corte relativamente baixa. et al. M.. borracha lâmina de aço núcleo de chumbo Figura 2. 1996].28). Deve-se ainda garantir que o espaçamento entre chapas de aço seja reduzido e que as extremidades do núcleo estejam impossibilitadas de rodar [Guerreiro. T. é necessário que o núcleo de chumbo esteja bem confinado pelas chapas de aço de reforço [Priestley.28 – (a) Corte e (b) vista de um bloco LRB (adaptado de [Kelly. .2.3.. mesmo a baixas temperaturas não apresentando degradação das suas características. 1996]. para isto. et al. o volume deste deve ser ligeiramente superior ao do buraco onde será inserido. 1993]) O chumbo foi escolhido para este objectivo por se comportar aproximadamente como um sólido elasto-plástico. Blocos em Elastómero Cintado com Núcleo de Chumbo (“Lead Rubber Bearings” – LRB) Estes blocos são semelhantes aos blocos em elastómero cintado mas com um núcleo de chumbo (Figura 2. por apresentar bom comportamento quando sujeito a acções cíclicas. 1996].. et al. As chapas de aço que cintam o elastómero devem garantir que o sistema {núcleo de chumbo – elastómero cintado} funcione por corte como um conjunto e. 1996]. Por esta razão. e por apresentar boa recuperação das suas propriedades originais após a aplicação deste tipo de acções [Guerreiro. L.

A partir desse ponto. no total. foram introduzidos aparelhos dissipadores por extrusão de chumbo. et al.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 33 A rigidez deste conjunto é relativamente elevado até se atingir a cedência do núcleo de chumbo. situado junto à falha sísmica de Wellington e a 20km de outras falhas locais.. Ou seja.30) [Kelly. Força de Corte (kN) (b) (a) Deslocamento (mm) Figura 2. Para assegurar um acréscimo de amortecimento adicional para diminuir os deslocamentos horizontais. o sistema funciona apenas com a rigidez do elastómero cintado visto o chumbo ter comportamento elasto-plástico (Figura 2. utilizando-se. Este edifício. O objectivo da concepção e dimensionamento deste edifício. construído em 1991.29 – Diagramas de comportamento (a) de um bloco LRB (a cheio) e (b) de um bloco RB (a tracejado. e da respectiva solução de isolamento foi o de garantir a total operacionalidade do edifício após um grande sismo. 1993]. . a força de cedência do sistema é proporcional ao diâmetro do núcleo de chumbo enquanto que a rigidez pós-cedência é proporcional à rigidez do elastómero cintado. et al. no Edifício da Estação Central de Polícia de Wellington (Figura 2.. tem uma estrutura de betão armado com dez andares e foi dotado de isolamento de base.29). 24 blocos LRB com força de cedência de 250kN e limites de deslocamentos horizontais de ±400mm. T. T. no centro) (adaptado de [Kelly. 1993]) Um exemplo de aplicação de isolamento com blocos LRB encontra-se na Nova Zelândia.

3. . T.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 34 Figura 2. 2. et al. Blocos em Borracha de Alto Amortecimento (“High Damping Laminated Rubber Bearings” – HDLRB) Estes blocos são semelhantes aos blocos em elastómero cintado mas com borracha de alto amortecimento.3. e desenvolverá alguma plastificação para um sismo com período de retorno de 1000 anos. não contando já com os menores custos de reparação necessários após a ocorrência de um sismo em relação a uma estrutura convencional. a superestrutura deste edifício responderá elasticamente para um sismo com período de retorno de 450 anos. com deslocamentos entre pisos máximos inferiores a 10mm.31). podendo o seu coeficiente de amortecimento viscoso equivalente atingir valores na ordem de 15% (Figura 2. Em relação a custos. 1993] De acordo com a concepção e o dimensionamento efectuados. os autores estimam que o custo inicial da estrutura foi 10% mais económico do que o de uma estrutura sismo-resistente convencional.30 – Edifício da Estação Central de Polícia de Wellington [Kelly.

sendo este decréscimo brusco para valores de deformação baixos. 2] Os novos compostos de borracha empregues nestes blocos apresentam rigidez horizontal variável. L. estes blocos apresentam rigidez horizontal decrescente com o aumento da deformação imposta. 1996].32 – Diagrama de comportamento de um bloco HDLRB (adaptado de [Guerreiro. L.31 – Corte de um bloco HDLRB [ALGA.. Força (kN) Deslocamento (mm) Figura 2. Assim. passando depois a apresentar uma variação de rigidez suave para valores superiores de deformação. a rigidez volta a aumentar [Guerreiro. Quando se atinge um nível de deformação correspondente a uma distorção de 250%.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 35 Figura 2. 2007]) ..

com módulo de distorção igual a 1. com módulo de distorção (G) de 0.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 36 O facto destes blocos apresentarem rigidez horizontal elevada para baixos níveis de deformação é favorável para o seu comportamento face a acções estáticas moderadas. 2007]). é composto por dois edifícios distintos: o edifício hospitalar e o edifício que funciona com residência de 3ª idade ([Guerreiro.. L.. Este é o primeiro exemplo de isolamento de base de um edifício em Portugal. onde se assinalam os blocos HDLRB (adaptado de [Guerreiro. em Lisboa. A elevada rigidez que estes blocos apresentam para deformações muito elevadas pode ser considerado como um sistema de protecção e controlo de deslocamentos mas deve ser usada apenas como reserva dado o nível de deformação que exige para ser atingida [Guerreiro.33 – Corte longitudinal do bloco hospitalar do complexo do Hospital da Luz. foi utilizado um composto de borracha mais rígido. 1996].4MPa e 15% de amortecimento intrínseco. O edifício hospitalar integra este sistema de isolamento na estrutura elevada acima da superfície do solo (Figura 2. exemplo escolhido da aplicação desta tecnologia.. Os blocos HDLRB utilizados dividem-se ainda em 7 . 2007]) No total foram utilizados 315 blocos cilíndricos de dois tipos diferentes de mistura de borracha: num tipo.8MPa e 10% de amortecimento viscoso equivalente intrínseco e. foi utilizado um composto de borracha mais deformável. O novo Hospital da Luz. Figura 2.33). no outro. L. L. em que a capacidade de isolamento dos apoios não é necessária.

14) . com comprimento igual ao raio de curvatura da superfície côncava (esférica) e. Este sistema também se pode apresentar invertido.3. que está ligada à superestrutura (Figura 2. usualmente de aço inoxidável. por intermédio da segunda componente. é possível calcular o período T do sistema e a rigidez associada K a partir de: T = 2π R g (2. com a componente com superfície côncava na posição superior. a equação de movimento dos aparelhos de apoio pendulares é semelhante ao de um pêndulo simples.3Hz.13) K= W R (2. semelhante a uma calote esférica. sobre a qual se apoia. Como o próprio nome indica.4. este tipo de aparelhos de apoio apresenta comportamento com resposta semelhante à do pêndulo simples.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 37 classes diferentes de capacidade de suporte de carga vertical. Assim. a terceira componente. com frequência vertical de 9. 2. Todos os blocos HDLRB utilizados conseguem absorver deslocamentos com 180mm de amplitude máxima. A solução de isolamento encontrada teve ainda de alcançar o objectivo imposto pelo dono de obra de atenuar as vibrações provocadas pela passagem do metropolitano pela linha situada directamente sob o edifício hospitalar. à parte do atrito. Sistemas FPS (“Friction Pendular System”) e VFPI (“Variable Frequency Pendulum Isolator”) Os aparelhos de apoio pendulares por atrito (ou FPS) são constituídos por três componentes: uma componente inferior com superfície côncava. a partir desta analogia. ligada à superestrutura. ou seja. se o atrito for desprezado. Para este efeito foram realizados estudos que conduziram à solução adoptada de blocos.34).

1996]. Actualmente. desenvolve com a superfície de aço inoxidável da componente com superfície côncava valores do coeficiente de atrito entre 0.. é possível fabricar um composto que. W.. Para valores do coeficiente de atrito próximos do limite superior. o sistema possui boa capacidade de re-centramento mas fraca capacidade de dissipação de energia. comportamento linear proporcional a K [Priestley. M..Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte lâmina de apoio em PTFE apoio deslizante articulado 38 superfície concava esférica superfície concava esférica apoio deslizante articulado cabeça fixa Figura 2. No sistema VFPI a superfície côncava possui raio variável e . et al. J. pode ser pertinente a utilização de elementos adicionais de dissipação de energia. Nestes casos. depois de um sismo. é relativamente fácil voltar a centrar uma estrutura deslocada. et al. M. 1996]..5% e 13% [Fobo. No entanto. revestindo a superfície de contacto da componente intermédia de apoio. 2005]. O sistema FPS tem comportamento rígido até se atingir o valor limite da força de atrito estático e. o sistema não é re-centrável se a componente tangencial do peso for inferior à força de atrito.. W. a partir desse ponto. g é a aceleração da gravidade e W é o peso da superestrutura [Priestley. o coeficiente de amortecimento pode atingir 35% [Fobo. Assim. Para valores do coeficiente de atrito próximos do limite inferior. O oscilador pendular de frequência variável (VFPI) consiste numa adaptação do sistema FPS. de acordo com dados de fabricantes. O atrito que se desenvolve entre a componente com superfície côncava e a componente intermédia de apoio é o responsável pela dissipação de energia. et al. 2005] mas a capacidade de re-centramento é menor.34 – (a) Corte e (b) vista de apoios do tipo FPS (adaptado de [Almazán. 2002]) onde R é o raio de curvatura.

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte

39

não constante. A variação do raio é estudada de modo a que a frequência do sistema isolador diminua com o aumento do deslocamento do deslizamento com uma taxa que pode ser controlada pela configuração da superfície. A configuração da superfície pode ser estudada de forma a possibilitar a escolha do período inicial e a taxa de variação do período com o deslocamento do deslizamento [Oliveira, C.; 2003].

2.3.5. Sistemas R–FBI (“Resilient – Friction Base Isolation”)
O sistema de isolamento R-FBI é constituído por várias chapas de aço dispostas paralelamente separadas por camadas de teflon, com um núcleo de borracha. O revestimento do conjunto é assegurado por uma película flexível de borracha (Figura 2.35). O sistema dissipa energia por atrito entre as chapas de aço. O atrito sólido puro não permitiria o re-centramento da estrutura mas esse objectivo pode ser assegurado pelo núcleo de borracha desde que a força de restituição elástica deste núcleo seja superior à força limite do atrito estático desenvolvido entre as chapas de aço e o teflon. Esta força limite de atrito estático garante ao sistema o comportamento de fusível. O nível de amortecimento pode ser regulado pelo número de chapas de aço empregues. Poderão existir um ou mais núcleos de borracha. Devido à sua reduzida rigidez axial, os núcleos de borracha não suportarão quaisquer forças verticais, sendo portanto estas suportadas pelas chapas de aço.

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte
Chapa superior Furo superior para parafuso

40

Chapa superior de ligação Película de borracha de revestimento

Chapa inferior de ligação

Núcleo de borracha central Anéis deslizantes Núcleos de borracha periféricos

Chapa inferior

Figura 2.35 – Corte de um bloco R-FBI (adaptado de [Kunde, M. et al.; 2003])

2.3.6. Sistemas de Blocos em Elastómero Cintado Associados em Paralelo a Aparelhos Dissipadores
Os blocos em elastómero cintado apresentam um grande inconveniente: não possuem capacidade de dissipação de energia. Assim, surgiu a ideia de os associar em paralelo a aparelhos dissipadores para superar esta lacuna. No sistema conjunto, os blocos em elastómero cintado são responsáveis por garantir a baixa rigidez horizontal da superestrutura para a acção sísmica e os aparelhos dissipadores por dissipar energia, conferindo amortecimento adicional à estrutura. Nas Figuras 2.36 e 2.37 são apresentadas partes de sistemas compostos que consistem na associação em paralelo de blocos de elastómero cintado a aparelhos amortecedores viscosos. Na primeira figura, referente a um viaduto (viaduto de aproximação da Ponte Rion-Antirion [Infanti, S. et al; 2004]), o bloco em elastómero cintado está associado a aparelhos amortecedores viscosos nas direcções longitudinal e transversal do viaduto. A segunda figura refere-se a um sistema composto aplicado na estrutura de um edifício, neste caso a Los Angeles City Hall [Taylor, D.; 1].

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte

41

Amortecedores Blocos cintado em elastómero Amortecedores Longitudinais

Figura 2.36 – Vista do sistema de protecção sísmica longitudinal e transversal composto por blocos RB associados com amortecedores viscosos (adaptado de [Infanti, S. et al; 2004])

Figura 2.37 – (a) Vista da Los Angeles City Hall e (b) respectivo sistema de protecção sísmica com blocos RB associados com amortecedores viscosos (adaptado de [Taylor, D.; 1])

2.4. Amortecedores Dampers”)

por

Massa

Adicional

(“Tuned

Mass

Um amortecedor por massa adicional (TMD) simples consiste num oscilador de um grau de liberdade com uma massa ligada à estrutura por um sistema de mola e amortecedor ligados em paralelo (Figura 2.38).

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte

42

Figura 2.38 – Representações esquemáticas de TMDs [Moutinho, C.; 1998]

Estes sistemas são calibrados de forma a terem uma dada frequência, próxima da frequência de ressonância da estrutura, da frequência de um modo indesejável da estrutura ou da frequência da acção dinâmica, se esta última tiver uma frequência dominante. Pretende-se com isso que, perante a acção dinâmica, se desenvolvam forças de inércia na massa sintonizada cujo efeito contrarie ou anule o movimento na estrutura principal. O objectivo destes sistemas é aumentar o amortecimento da estrutura, conseguindo-o à custa da transferência da energia de vibração da estrutura para o TMD, ou, de outra forma, à custa da transferência de energia cinética entre os modos de vibração envolvidos. Na área da engenharia civil, os TMD são utilizados para controlar as vibrações induzidas pela acção da circulação de peões sobre passadiços, pela acção sísmica e, sobretudo, pela acção do vento. Um dos inconvenientes dos TMD prende-se com o facto de estes estarem sintonizados (“tuned”) para uma única frequência, o que pode não ser adequado à totalidade dos factores do problema porquanto a estrutura pode ter mais de um modo importante (edifícios, por exemplo) ou a acção pode corresponder a um processo de banda larga, ou seja, pode varrer um grande intervalo de frequências (acção sísmica, por exemplo). Este inconveniente pode ser ultrapassado pela utilização de vários amortecedores de massa adicional. Outro inconveniente dos TMD tem a ver com o espaço que é necessário para a instalação e funcionamento de um TMD simples. Há algum tempo que este

foram instalados 2 TMDs de menores dimensões. Figura 2. Com o maior TMD. pretendeu-se reduzir as acelerações horizontais para níveis aceitáveis do ponto de vista do conforto humano e. pretendeu-se garantir a segurança da estrutura metálica face à acção do vento. dispostos radialmente. obtendo-se TMD compactos (Figura 2. . Os dois sistemas referidos foram concebidos e dimensionados para atenuar as vibrações na estrutura do edifício induzidas pela acção do vento.39). em Coimbra. com os TMDs da estrutura do topo.42 (b). Este TMD tem forma globalmente esférica e é todo constituído por lâminas grossas de aço soldadas. Além deste TMD.39 – TMD compacto utilizado na Ponte Pedonal Pedro e Inês. com 4.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 43 problema tem vindo a ser ultrapassado por sistemas que incluem mais massas e/ou esquemas de ampliação dos efeitos da oscilação da(s) massa(s). completando no total 730 toneladas (Figura 2. em Taiwan (Figura 2.5 toneladas cada. 2006] No edifício Taipei 101. foi adoptado o maior TMD construído até à data. Portugal [ViBest. com 508m de altura.41 (a)). na estrutura metálica em espiral do topo do edifício (“Pinnacle”) – Figura 2. de bares e de uma plataforma de observação. Este TMD tem dimensões tais que a estrutura do edifício desenvolve-se ao seu redor e ao longo da sua altura com funções de ocupação de um restaurante.40). A este dispositivo foram associados 8 amortecedores viscosos.

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 44 Figura 2.40 – Edifício Taipei 101.41 – (a) Esquema do TMD principal e (b) instalação dos TMDs da estrutura do topo [Motioneering. . 1] (a) (b) Figura 2. foi instalado um sistema de instrumentação permanente. em Taiwan [Motioneering. 1] Para monitorizar estes equipamentos e avaliar o seu desempenho em caso de excitação.

geralmente materializados por tanques parcialmente cheios de líquido (ou líquidos imiscíveis) (Figura 2.. As vantagens associadas ao recurso a TLD incluem o seu relativamente baixo custo inicial e a manutenção praticamente desnecessária [Oliveira. et al.42). Figura 2. 1997] Os amortecedores de líquido sintonizado (TLD) produzem o mesmo efeito sobre a estrutura principal que os amortecedores por massa adicional (TMD). no plano horizontal). Esta não linearidade deve-se à agitação do líquido (“sloshing”) e/ou à presença de estruturas com orifícios no seu interior [Soong. enquanto os TMDs respondem linearmente. T. Amortecedores de Líquido Sintonizado (“Tuned Liquid Dampers”) Os amortecedores de líquido sintonizado (TLD) são constituídos por osciladores de um grau de liberdade (ou dois.5.42 – Esquema de uma estrutura equipada com um TLD [Soong. . 1997]. et al.. T.. 2003]. mas. C.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 45 2. a resposta dos TLDs é altamente não linear.

43 (b)). Para estruturas com frequências iguais nas duas direcções ortogonais é possível recorrer a tanques circulares [Soong. mesmo se só for desejado o uso temporário. . No entanto. para grandes amplitudes de oscilação. A. T. No topo deste edifício foram colocadas várias unidades de TLDs (ou. de TSDs – Tuned Sloshing Dampers). Japão (Figura 2. Dargush. Para estruturas com diferentes frequências fundamentais nas duas direcções ortogonais do plano horizontal. 1999]. T. necessário ter cuidado neste processo uma vez que as teorias utilizadas para estes sistemas foram desenvolvidas para tanques sujeitos a excitação unidireccional.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 46 Mais ainda. constituída cada uma por 9 tanques sobrepostos com 22cm de altura e 2m de diâmetro (Figura 2. et al. tendo-se obtido diminuições das acelerações nos pisos na ordem dos 30% a 50% para ventos com velocidades próximas dos 20m/s. que é o parâmetro que controla a frequência de agitação fundamental do líquido.. portanto. Este sistema de redução da resposta dinâmica foi concebido para diminuir as vibrações decorrentes da acção do vento. é possível recorrer a tanques rectangulares. estes sistemas. é.. não são muito sensíveis à razão entre as frequências da estrutura e do amortecedor e. dada a simplicidade de instalação dos TLD. mais precisamente. Um exemplo de aplicação desta tecnologia encontra-se no Shin Yokohama Prince Hotel... Com uma adequada selecção das dimensões em planta do tanque é possível sintonizar as duas frequências das direcções ortogonais. Dada a natureza do sistema. no entanto. o erro associado à medição do nível do líquido não modificará significativamente a resposta durante vibrações fortes [Soong. 1997]. em Yokohama.43 (a)). ao invés dos TMD. et al. G. Em cada um destes tanques foram instaladas radialmente 12 elementos protuberantes para evitar movimentos rotativos do líquido (“swirling motions”) e para conferir amortecimento adicional [Kareem. é expectável um pequeno erro na medição do nível hidrostático do líquido. 1997]. podem ser instalados em edifícios existentes. com 42 andares.

44 (a) a 2.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 47 (a) (b) Figura 2.44 (a)). Nas Figuras 2. respectivamente. et al. em que TM é a temperatura abaixo da qual a estrutura é puramente martensítica. as ligas com memória de forma (“Shape Memory . 1999] 2. A. Tratam-se de materiais que possuem comportamentos sensíveis a estímulos exteriores. de diferentes naturezas. 2. Para temperaturas de ambiente T<TM (Figura 2.43 – (a) Vista do Shin Yokohama Prince Hotel e (b) exemplo do TLDs (TSDs) utilizados [Kareem. Ligas com Memória de Forma (“Shape Memory Alloys”) Certas ligas metálicas apresentam a capacidade de sofrer transformações reversíveis e sem difusão entre as fases cristalinas da austenite e da martensite. Os materiais inteligentes estão ainda em fase de investigação.1. as fases cristalinas de alta e baixa temperaturas das ligas.44 (c) apresentam-se as leis de comportamento para estas ligas para várias gamas de temperaturas.6. Materiais Inteligentes (“Smart Materials”) Estes materiais podem entrar na constituição de sistemas de protecção sísmica que estão na fronteira entre os sistemas passivos e activos.6. com pouca implementação em estruturas de engenharia civil. e os mais estudados são: ligas com memória de forma e materiais piezoeléctricos.

as SMA apresentam comportamento superelástico.44 (c)). 1997]. et al. et al. o volume de martensite na microestrutura aumenta e o diagrama de comportamento apresenta um patamar. Como a microestrutura martensítica apenas é estável com a existência de tensão. T. aparentando o ponto de cedência do material. Inicialmente.. (a) (b) (c) σ σ σ ε ε ε Figura 2. 1997]) Para temperaturas de ambiente T>TA (Figura 2.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 48 Alloys” (SMA)) apresentam comportamento semelhante ao do aço com a diferença de. T. as ligas comportam-se elasticamente até uma tensão limite a partir da qual ocorre uma transformação induzida por tensão da austenite para a martensite. Após o total descarregamento da liga. À medida que a deformação aumenta. esta idealmente regressa ao ponto de deformação nula [Soong.44 – Diagramas de comportamento esquemáticos de SMA: (a) pata T<TM (histerese martensítica). em que TA é a temperatura de transição para a fase austenítica. apesar de ter um módulo de elasticidade inferior ao da estrutura austenítica. em vez de se dever a um deslocamento por mecanismo de escorregamento. a histerese se dever a uma transformação de fases reversíveis induzidas por tensão. (b) para T>TA (superelasticidade) e (c) para altas temperaturas (elasticidade) (adaptado de [Soong. Esta superelasticidade caracteriza-se pela existência de capacidade histerética e pela ausência de deformação residual para tensão nula.. as SMA apresentam comportamento elástico com ausência de histerese (Figura 2. a liga volta a comportar-se elasticamente. . Para temperaturas elevadas. Quando a estrutura for totalmente martensítica. após o carregamento dá-se a transformação inversa para a austenite mas a um nível de tensão inferior. Esta transformação dá-se com um módulo de elasticidade muito reduzido.44 (b)).

44 (b). fiáveis. 1997]. Conclusões Pelo que foi exposto. Opostamente. et al. Difícil não será também inferir que nem todos os sistemas apresentados são aplicáveis ou eficientes em estruturas como viadutos. vantagens que possuem em relação a outros tipos de sensores e actuadores [Soong.6. facilmente se conclui que existe uma grande variedade de sistemas passivos de protecção sísmica. este é o efeito piezoeléctrico directo.. com alguns sistemas recentes e promissores como os aparelhos dissipadores electro-indutivos e os materiais inteligentes.44 (a) e a superelasticidade da Figura 2. et al.Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 49 As propriedades materiais das SMA que interessam para a área em estudo são o comportamento histerético martensítico da Figura 2. Esta problemática é abordada no capítulo seguinte. são simples. um material piezoeléctrico gera uma corrente eléctrica se for actuado por forças ou tensões. T. uma estrutura com uma liga com memória de forma terá teoricamente capacidade de re-centramento. T.. Os sensores e actuadores piezoeléctricos funcionam numa vasta gama de frequência. 2. 1997].2. Além destas propriedades. se um material piezoeléctrico for sujeito a uma corrente eléctrica. compactos e leves. ele induz tensões ou deformações mecânicas – efeito piezoeléctrico inverso Estes dois efeitos piezoeléctricos. . Quando integrado num elemento estrutural.7.o directo e o inverso – interessam à área de informação e controlo estrutural uma vez que o efeito directo pode ser utilizado para obter informação estrutural e o efeito “inverso” pode ser utilizado na área do controlo estrutural. 2. Materiais Piezoeléctricos A piezoelectricidade é uma propriedade electromecânica que combina os campos elástico e eléctrico. Uma vez que no modo superelástico estas ligas não apresentam deformação residual. as SMA apresentam insensibilidade à temperatura ambiente se tiverem tratamento térmico adequado e propriedades de fadiga e resistência à corrosão excelentes [Soong.

Sistemas Passivos de Protecção Sísmica – Estado de Arte 50 .

2. traduzindose num movimento do solo imposto às estruturas nas zonas afectadas. 3. que serão discutidos mais adiante. as estruturas têm de estar preparadas para as acções dinâmicas correspondentes à sismicidade local. . abordar-se-á esse problema. devido à ausência de legislação nacional sobre esta acção. Nas zonas com risco sísmico. diante da necessidade de um reforço sísmico. estas necessitam de ser reforçadas para esse efeito – reforço sísmico. Quando as construções existentes não têm a capacidade para resistir à acção sísmica.1. 1958]. acção sísmica não ter sido considerada. primeiro para estruturas em geral e depois para viadutos em particular. Este problema colocase tanto para as construções a erigir como para as construções existentes. De entre as estratégias de reforço sísmico possíveis. Assim.3. Neste capítulo. com apresentação de exemplos de aplicação das estratégias de reforço aplicadas em viadutos existentes. Enquadramento Geral do Problema do Reforço Sísmico de Viadutos de Betão Armado Muitos viadutos de betão armado existentes no nosso país podem não estar preparados para resistir à acção sísmica devido a: a.3). e/ou à insuficiente quantificação do ponto de vista regulamentar (ver secção 3. até ao aparecimento do Regulamento de Segurança das Construções contra os Sismos (RSCCS) [RSCCS. será dada ênfase às estratégias que envolvem a utilização de sistemas passivos de protecção sísmica devido aos benefícios associados. surge o problema de como o fazer. Introdução Um sismo corresponde à libertação de energia do interior da Terra. Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 3.

podem pôr em questão o desempenho de viadutos e pontes face à acção de um sismo. Por esta razão de importância estratégica. e. . como apoios ou juntas. o que pode colocar em risco o comportamento sísmico da estrutura. erros de execução. d. erros de projecto tais como: deficiente quantificação da acção sísmica. como por exemplo: supressão ou troca de armaduras pormenorizadas. insuficiência de armaduras prescritas. envelhecimento dos materiais estruturais. que levaram à deterioração da estrutura ou de elementos complementares. e/ou devido a obras posteriores que criaram condicionantes ao comportamento global em caso de sismo. apenas o EC8 traz recomendações específicas para a pormenorização de armaduras.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 52 b. conduzindo a obra a um deficiente comportamento sísmico. de modo especial dos elementos e nós críticos. Em relação à pormenorização das armaduras de estruturas de betão armado e préesforçado. Estas causas de mau comportamento sísmico. deficiente manutenção e exploração. deficiente execução das amarrações e emendas dos varões de armadura. só com a introdução do REBAP é que alguma atenção foi dada a este tópico. de modo especial nos elementos e nós críticos. estruturas como viadutos e pontes devem ser alvo de cuidados especiais nas fases de concepção. Importa sublinhar que alguns destes viadutos e pontes correntes podem servir a eixos principais de acessibilidade a nível nacional que devem permanecer operacionais num cenário pós-sísmico. Para nós e zonas de descontinuidade. deficiente concepção estrutural. conduzindo a características resistentes mais pobres. deficiente pormenorização de armaduras. construção e manutenção para assegurar o seu adequado comportamento sísmico. erros de cálculo. mas apenas para elementos estruturais lineares. que se podem estender a quaisquer outros tipos de estruturas. c.

ainda sem carácter regulamentar.30 para análises locais de elementos destacados. respectivamente. o Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSA) [RSA.05 e 0. Este coeficiente variava ainda caso a análise fosse global ou de apenas um elemento estrutural ou não. tal como na versão anterior da pré-norma ENV 1998-1-1 [ENV1998-1-1. destacado da restante estrutura (como varandas e chaminés). Este último documento.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 53 3. fruto do aumento progressivo de conhecimento científico acerca desta. Neste documento são especificadas para a situação particular do território português as grandezas do EC8 deixadas a cargo da definição própria de cada país.20. Este regulamento permitia “a verificação do dimensionamento das estruturas por métodos de . bem como nas dos restantes países. e no regulamento e na norma de referência actuais. 2004]]. 1983] e a norma europeia EN 1998-1. Evolução da Regulamentação Nacional Na regulamentação portuguesa. nos regulamentos RSCCS e RSEP. os efeitos da acção sísmica nas estruturas traduziam-se na aplicação de forças estáticas horizontais. o Eurocódigo 8 (EC8) [EN1998-1.10 e 0. a acção sísmica foi tratada de forma diferente no RSCCS. para análises globais. No primeiro regulamento. 1994]. fez surgir um Documento Nacional de Aplicação (DNA). correspondentes a percentagens do peso das estruturas – coeficientes sísmicos – independentes do comportamento dinâmico das mesmas. Neste regulamento não era indicado um coeficiente sísmico para pontes ou viadutos. A a C. em Portugal. o coeficiente sísmico dependia do zonamento sísmico do território nacional e do tipo de construções (correntes ou em forma de torre). sendo a zona A a zona com maior risco sísmico enquanto que a zona C dispensava o cálculo sísmico. De facto. e entre 0. foi elaborado pelo CEN (Comité Européen de Normalisation)/TC 250 e. 1961]. Os valores do coeficiente sísmico podiam variar entre 0. mas que virá tê-lo brevemente. a quantificação e a pormenorização da acção sísmica sobre as estruturas sofreu uma evolução ao longo do tempo. o Regulamento de Solicitações em Edifícios e Pontes (RSEP) [RSEP.3. Neste documento foram delimitadas três zonas sísmicas. no regulamento que lhe sucedeu em 1961. Assim.

20 para construções com e sem a referida “reserva de resistência”. a verificação da segurança face a tensões mais elevadas. para a verificação da segurança última das estruturas face .075 e 0. argilas brandas. Neste decreto-lei. Em Portugal. recomendava-se a satisfação da segurança última face à resistência “característica” dos materiais. tal como o RSEP designava os “elementos de enchimento ou de compartimentação adequadamente dispostos e ligados. não considerada no cálculo. os que tivessem camadas superficiais com mais de dez metros de espessura de lodos. ou seja. para a segunda. para a rigidez do conjunto”. ou por “métodos correntes de cálculo elástico”. respectivamente. entre 0. análise plástica. o que corresponde a um período de retorno de 1000 anos. e. da existência ou não de “reserva de resistência conferida por elementos não estruturais de travamento”. O regulamento seguinte. Neste documento. global ou local de um elemento destacado. o RSEP.30. sem mais coeficientes de segurança. em 1983. para análises locais. Como numa ponte ou viaduto correntes não existem elementos não estruturais de travamento.05 e 0. do tipo de análise.10 e 0. do tipo de solo e. Os valores do coeficiente sísmico variavam agora.15 e entre 0.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 54 cálculo em relação à rotura”. mesmo nos casos em que as fundações fossem indirectas e se apoiassem no firme. a acção sísmica de projecto é quantificada para uma probabilidade de excedência de 5% numa vida útil da estrutura de 50 anos. que possam fornecer uma contribuição adicional. siltes e/ou aterros recentes. o RSEP dividia os terrenos de fundação em duas classes: os terrenos de fundação dos “casos correntes” e os terrenos de fundação que apresentassem “características particularmente desfavoráveis do ponto de vista das acções sísmicas”.20). Por último. este documento indicava para estas estruturas os coeficientes sísmicos mais elevados (entre 0. entre 0. a quantificação dos efeitos da acção sísmica sobre as estruturas em função do seu comportamento dinâmico só passa a lei com a entrada em vigor do RSA. semelhante ao anterior. nomeadamente. ou seja. análise elástica. Nestes termos. também. não revogou todo o RSCCS mas os seus artigos relativos ao zonamento sísmico e à quantificação da acção. o coeficiente sísmico dependia também do novo zonamento sísmico. para análises globais. e.075 e 0. Para o primeiro tipo de análise.

nomeadamente. A a D (zonas com maior e menor sismicidade. tirando partido da ductilidade dos seus elementos estruturais. é adoptada a combinação fundamental cuja acção variável de base é o sismo. do comportamento estrutural (em pórtico. os coeficientes de comportamento dependem. respectivamente) e são distinguidos três tipos de terreno de fundação. o Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado (REBAP) [REBAP. para edifícios correntes. e. referente a sismos de maior magnitude a uma maior distância focal. 1983] e o Regulamento de Estrutras de Aço para Edifícios (REAE) [REAE. é também indicado um novo zonamento sísmico do território. Assim. O RSA introduz ainda no quadro regulamentar português o conceito de coeficiente de comportamento (de esforços). tipos I a III. e acção do tipo 2. A segurança fica verificada se os esforços actuantes de cálculo forem inferiores aos esforços resistentes de cálculo. no REBAP. uma vez que a acção sísmica corresponde a deslocamentos impostos na base. a que correspondem sismos de magnitude moderada a pequena distância focal. dividindo-os por estes coeficientes. Os terrenos do tipo I são as rochas e os terrenos mais rígidos. Nesta combinação. 1986]. .5. é possível. De acordo com este conceito. obtidos a partir dos valores característicos (quantilho de 5%) das propriedades dos materiais afectadas de coeficientes parciais de segurança próprios. dimensioná-las para esforços inferiores aos esforços obtidos por análise elástica linear. do tipo de mecanismo de dissipação intrínseca de energia. enquanto que os de tipo III sãos os solos mais deformáveis.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 55 acção sísmica. O RSA distingue pela primeira vez para o território nacional dois tipos de acção sísmica: acção do tipo 1. O mesmo RSA remete a quantificação dos coeficientes de comportamento para os regulamentos existentes referentes aos materiais estruturais. parcelas correspondentes a ocorrências de longa duração (mais de 50% da vida útil das estruturas). em parede ou misto). com os esforços da acção sísmica ponderados por um coeficiente parcial de segurança de 1. Para a quantificação desta acção. agora com quatro zonas. para pontes correntes. os valores de cálculo totais dos esforços são obtidos mediante a soma algébrica dos esforços obtidos para os valores médios das cargas permanentes e para as parcelas quase-permanentes dos valores característicos (quantilho de 95%) das acções variáveis.

16α. normal ou melhorada. este regulamento especifica condições mínimas para que determinada construção seja de ductilidade melhorada.5 para vibrações no plano horizontal.5 e 3. para vibrações horizontais. para pontes correntes. estes podem variar entre 1. Em relação à classe de ductilidade. ou seja. De volta ao RSA. variar entre 0. no extremo. os valores do coeficiente de comportamento prescritos para estruturas de aço de edifícios correntes dependem da direcção de vibração (horizontal ou vertical) e. para a Zona A.5 a 2. No REAE. Quanto aos valores do coeficiente de comportamento apontados no REBAP.04α e 0.2 a 3. Essas condições mínimas referem-se a critérios de dimensionamento dos elementos estruturais e das respectivas armaduras.8. são fornecidos coeficientes sísmicos que dependem também da frequência fundamental das estruturas. da classe de ductilidade da estrutura. para vibrações na direcção vertical. Assim. .5. para edifícios correntes. para que se garanta um comportamento dúctil dos mesmos. para a Zona D. os valores apresentados neste documento para os coeficientes de comportamento resultaram também de uma correcção pelo facto de o amortecimento intrínseco das estruturas de aço ser menor do que o de estruturas de betão armado. entre 0. no final. e 1. podendo. e 0. ou contraventamento. da existência de elementos de rigidez. o que se traduziu em menores coeficientes de comportamento (torna-se pertinente reparar que o coeficiente de comportamento para vibrações na vertical não é unitário apenas por esta razão). Para as análises estáticas equivalentes. este recomenda a determinação dos efeitos da acção dos sismos por métodos de análise dinâmica. os valores do coeficiente de comportamento para estas estruturas metálicas é igual a 0. e pode variar entre 1.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 56 globalmente. mas possibilita o recurso a análises estáticas equivalentes para estruturas de edifícios e pontes “correntes” (o documento indica qualitativamente as condições necessárias para que edifícios e pontes possam ser consideradas correntes). sendo para isso fornecidos espectros de potência e de resposta de acelerações no respectivo Anexo III.16. Na verdade.0.012.

1 é apresentada a comparação entre os espectros de resposta de acelerações do RSA majorados por 1. Estas acções sísmicas são definidas no texto comum do EC8 por espectros de resposta de acelerações. são considerados dois tipos de acções sísmicas.6 e 5. foram utilizados nos trabalhos e no desenvolvimento desta tese a pré-norma ENV 1998-1-1 [ENV1998-1-1. tipos 1 e 2. consoante o tipo de sistema estrutural (pórtico. Importa referir que a versão de pré-norma do EC8 permite ainda representações alternativas da acção sísmica. classes A a C. tipificadas por solos com as mesmas características dos tipos de solos I a III do RSA. De acordo com o DNA. Neste passo está implícito que na nova combinação de acções em que a acção variável base é o sismo. 1999]. et al. misto ou parede) e a ductilidade da estrutura (baixa. esta última não é afectada por um coeficiente parcial de segurança maior que um. Na Figura 3. No nosso DNA. a que correspondem sismos com as mesmas características dos respectivos tipos de sismos apontados no RSA. entre 1. Na versão da pré-norma europeia utilizada neste estudo. respectivamente. C. O DNA português distingue três classes de solos. as acelerações correspondentes a este período estão próximas das que se obteriam multiplicando por 1. ou por acelerogramas gravados ou fisicamente simulados por mecanismos de origem e trajectória adequados.5 e os espectros de resposta elásticos do . não se alterando assim a acção de projecto relativamente ao ainda actual RSA. 1994] e o respectivo DNA português [Carvalho. por acelerogramas artificiais gerados de forma compatível com o espectro de resposta definido na norma. E. O EC8 possibilita ainda a exploração do comportamento não linear dos materiais estruturais recorrendo aos coeficientes de comportamento de esforços. mas os parâmetros que os definem são relegados para os respectivos DNA de cada país. nomeadamente. os coeficientes de comportamento podem variar. et al. C.5 as acelerações dos 1000 anos do RSA. 1999]. média ou elevada). a acção sísmica foi definida para um período de retorno de referência de 3000 anos. para estruturas de betão armado ou betão armado pré-esforçado.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 57 Quanto ao EC8. De acordo com [Carvalho. E.

1 – Comparação entre os espectros de resposta do EC8 (DNA) e do RSA A título de exemplo de comparação. Na determinação dos coeficientes sísmicos que constam no Quadro 3. procede-se seguidamente à aplicação dos diferentes regulamentos analisados para a determinação dos coeficientes sísmicos de viadutos correntes com valores da frequência fundamental iguais a 0.5*S2 Solo II 3 4 5 Figura 3.1). ou seja. do tipo II para o RSA e da classe B para o DNA do EC8. com ductilidade normal (de acordo com a alínea 3 do Artigo 33. terrenos do tipo II do RSA e da classe B do EC8 (DNA). considerou-se que o viaduto se encontrava na zona do território nacional com maior sismicidade e que o terreno de fundação é corrente.5Hz.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 58 EC8 para os dois tipos de sismos e para terrenos com características médias. considerou-se que no viaduto “a energia transmitida pelos sismos é predominantemente absorvida por deformação dos pilares devida principalmente a esforços de flexão”.5*S1 Solo II RSA 1. 8 7 6 Sa (m/s 2) 5 4 3 2 1 0 0 1 2 T (s) EC8 (DNA) S1 Solo B EC8 (DNA) S2 Solo B RSA 1. ou de características intermédias.º do REBAP). 1. ou seja.º. . a que corresponde um coeficiente de comportamento igual a dois. Para os regulamentos que utilizam o conceito de coeficiente de comportamento (em esforços) – RSA e DNA do EC8 –. No caso do RSA. os coeficientes sísmicos foram estimados com base no Artigo 31. que permite a sua estimação para construções correntes.5Hz (Quadro 3.1.0Hz e 1.

suportar os seus efeitos com esforços inferiores aos que se obteriam a partir de análises elásticas. os coeficientes sísmicos foram estimados a partir de uma análise dinâmica linear por espectro de resposta.21 Quadro 3. Por outras palavras.1 – Valores do coeficiente sísmico para os vários regulamentos A comparação entre os valores dos coeficientes sísmicos prescritos no RSEP (a itálico) e os valores estimados para os regulamentos mais recentes não pode ser feita directamente uma vez que os últimos estão afectados por coeficientes de comportamento iguais a dois. Isto significa que. mas que tinham em consideração a ductilidade da estrutura e a sua capacidade de. tornou-se possível calcular estas estruturas aplicando coeficientes sísmicos que até eram menores.07 0. se no Quadro 3.10 0.0Hz --- 1.19 0. Frequência Fundamental dos Viadutos 0.15 0. A partir de 1983.12 0.1 os valores dos coeficientes sísmicos indicados no RSEP (a itálico) fossem divididos pelo mesmo coeficiente de comportamento. até 1983.15 0. os viadutos com as condições enunciadas antes eram calculados com um coeficiente sísmico de 0.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 59 No caso do DNA do EC8.5Hz --- 0.15 0. Esta última passagem – a divisão dos coeficientes sísmicos a itálico por dois – só não é inteiramente válida porque para garantir a ductilidade necessária para que uma estrutura suporte inelasticamente os efeitos de um sismo são .15 para esforços elásticos.09 0. face a este tipo de acção (que impõe deslocamentos na base). a comparação já poderia ser feita directamente e verificar-seia um agravamento da acção com a evolução da regulamentação.5Hz RSCCS (1958) RSEP (1961) RSA (1983) EC8-DNA (2000) --- 1. uma vez que este regulamento não dá quaisquer indicações acerca do cálculo manual de coeficientes sísmicos.

questões acerca da sismicidade local. Esta possibilidade. isto é. Avaliação da Necessidade de Reforço Sísmico de um Viaduto É de prever que as causas apontadas na secção anterior conduzam à existência de um número relevante de pontes e viadutos construídos em Portugal que não possuem a capacidade de resistir a um sismo. obrigam à adopção de esquemas de avaliação. c. Estes esquemas de ordenação da prioridade das obras a reforçar deverão criar uma lista ordenada de obras que posteriormente terão de ser alvo de uma avaliação das suas capacidades resistentes face à acção sísmica. a importância estratégica da obra no cenário pós-sísmico e a disponibilidade de vias alternativas são factores que ajudam a avaliar os custos associados à interrupção forçada da via. estes esquemas de sistematização e organização devem compreender questões do foro sísmico. Esta avaliação da capacidade resistente sísmica de um viaduto deve ser meticulosa uma vez que a decisão final consiste em reforçar ou não o viaduto. que na altura não eram considerados. Nesta categoria de questões. catalogação e ordenação das prioridades de reforço sísmico do parque de obras existentes. ou seja. questões acerca das consequências sociais do colapso da estrutura. esse custo justifica um maior investimento na fase de avaliação (fase de projecto). estrutural e social.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica necessários métodos de dimensionamento e disposições 60 construtivas específicos. M. et al. decisão que tem normalmente um grande custo associado. De acordo com [Priestley. A fase de . associada ao elevado custo médio esperado de um reforço sísmico. 1996]. b. acerca da probabilidade de ocorrência de sismos na zona da obra. questões relativas à vulnerabilidade estrutural. respeitantes ao diferente (maior ou menor) risco de colapso associado aos diversos sistemas estruturais de viadutos. ou seja: a.4. a densidade de tráfego (que é um indicador do número de pessoas em risco). 3.

os custos devem-se sobretudo à decisão do reforço ou não da estrutura e. 1996].. ou análises “pushover” [Priestley. tais como os diferentes comportamentos de abertura e de fecho de juntas estruturais. rácios capacidade/solicitação) efectuadas para cumprir determinado código ou norma podem não ser válidas ou fisicamente verosímeis quando se utilizam métodos de cálculo elásticos.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 61 avaliação da situação existente tem. em geral. por consulta dos elementos do projecto original e projectos de alterações posteriores (se ocorreram). Por estas razões. e o uso de ferramentas e métodos de cálculo sofisticados. a realização de campanhas de inspecção planeadas e completas. Para a avaliação da capacidade resistente sísmica de obras existentes será preferível o recurso a métodos mais elaborados uma vez que os métodos correntes de cálculo elástico não prevêem a modificação da resposta estrutural devido ao comportamento inelástico de elementos individuais e/ou ao comportamento não linear nos nós de movimento da estrutura. et al. O esforço axial instalado num determinado elemento num cenário sísmico pode também depender das redistribuições de esforços correspondentes à aplicação de coeficientes de comportamento e assim se constitui mais uma variável na complicada tarefa de efectuar a análise comparativa entre esforços actuantes e resistentes dos diferentes elementos da estrutura. inspecção detalhada e avaliação final. Uma metodologia sugerida como apropriada para a avaliação da capacidade resistente sísmica de viadutos baseia-se em análises plásticas do mecanismo de colapso. mesmo que afectados por coeficientes de ductilidade. em geral três passos [Monteiro. afectados ou não por coeficientes de comportamento. M. Como se referiu. Outras . a métodos de cálculo elásticos baseados na sobreposição modal. surgem dificuldades nos casos em que a capacidade resistente dos elementos depende do esforço axial instalado. Por exemplo. Para o dimensionamento de uma obra nova corrente. tornam-se recomendáveis nesta fase o levantamento rigoroso da estrutura. 1999]: avaliação preliminar. como na flexão composta de elementos de betão armado e pré-esforçado. como um viaduto. portanto. recorre-se. por outras palavras. as vulgares comparações entre esforços actuantes e esforços resistentes (ou. L.

que por sua vez é fortemente influenciada pela pormenorização das armaduras existentes.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 62 metodologias possíveis. alteração. de um modo geral. algum equilíbrio de critérios uma vez que uma análise demasiado conservativa pode exageradamente conduzir à não aceitação de uma obra existente. consistem em análises sísmicas não lineares. uma vez que as sobrecargas rodoviárias dependem desta. Quanto à acção sísmica. como os pilares. as verticais não sofrerão. As fontes de não linearidade destas análises podem ser de diversos tipos: análise incremental no tempo. é preciso atender ao grau de ductilidade da estrutura e dos seus elementos constituintes. Por estas razões. a acção poderá ser minorada em relação à acção sísmica regulamentar em . A análise da capacidade resistente sísmica de um viaduto deve ser. recomenda-se o levantamento detalhado das características geométricas. Neste tipo de análise de um viaduto existente. os cálculos devem ser efectuados a partir da geometria dos elementos estruturais existentes e das características mecânicas dos materiais estruturais empregues. No caso de viadutos correntes de betão armado e pré-esforçado. uma vez que. com todos os custos directos e indirectos que tal decisão acarreta. não é normalmente possível impedir a formação de rótulas plásticas em alguns elementos. conservativa porquanto o que tem grande custo associado é a decisão de haver ou não o reforço sísmico e não propriamente a quantidade de materiais a utilizar. no processo de avaliação da segurança face aos sismos de um viaduto existente. uma vez que a obra existente geralmente terá de servir durante um período de vida útil inferior ao da vida útil de uma obra nova. em princípio. é necessário inquirir acerca da ductilidade que é possível explorar. para estruturas correntes sem dispositivos especiais de dissipação e/ou isolamento. É necessário. mecânicas e estruturais da obra existente mediante a consulta dos elementos dos projectos existentes e a realização de uma campanha de inspecção e ensaios sobre a estrutura construída. No que respeita às acções solicitadoras. no entanto. a não ser em casos de alargamento do tabuleiro. de aumento da espessura do pavimento do tabuleiro ou de modificação da classe de serviço do viaduto. Assim. não linearidade geométrica e não linearidade física. mais poderosas.

isto é Fsismo. Nesse caso. Estratégias de Reforço Sísmico de Estruturas Quando. como não consegue evitar um acréscimo de rigidez da mesma.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 63 função do período de vida útil restante e da probabilidade de excedência desejada. estaremos face a uma determinada estrutura com características dinâmicas originais bem definidas (distribuição de massa. ou seja.2 – pelo que a melhoria da capacidade resistente terá de ser . 3. até há algumas décadas atrás. consoante a decisão do dono de obra. Estes custos funcionais podem ser superiores aos custos directos associados à intervenção.2 – que teremos de reforçar de modo a que a esta verifique a segurança sísmica. dependendo da importância da via. o que é uma abordagem possível e justificada. de modo a que. que a solução possível para verificar a equação (3. frequências dinâmicas e respectivos modos de vibração…) – ponto 0 da Figura 3. os esforços resultantes da actuação das forças sísmicas sejam inferiores ou. A solução global escolhida para o reforço sísmico deve evitar a interrupção do tráfego rodoviário porquanto esta interrupção funcional é um factor que se traduz no agravamento indirecto do custo da obra.5.1) Uma vez que não é possível evitar a ocorrência de um sismo. pensou-se. após análise cuidadosa. globalmente. se constata que uma determinada estrutura não verifica a segurança face à acção sísmica. com algumas excepções. distribuição de rigidez. no limite. consiste pois no aumento da capacidade resistente da estrutura mas. implica também um aumento da acção sísmica sobre a estrutura – trajectória A da Figura 3. Este tipo de reforço sísmico. iguais aos esforços sustentados pela capacidade resistente da estrutura. podendo levar à opção por uma solução de reforço com menores custos funcionais apesar de maiores custos directos.1) era aumentar o termo referente à capacidade resistente da estrutura.Sd ≤ FRd (3. essa estrutura deverá ser objecto de reforço sísmico. reforço sísmico por acréscimo da capacidade resistente da estrutura existente.

a estratégia descrita antes será globalmente designada por acréscimo de capacidade resistente e de ductilidade da estrutura. a capacidade de suportar os ciclos de carga e descarga próprios da acção sísmica sem deterioração significativa da capacidade resistente.0 Período T (s) Figura 3. menores deslocamentos da estrutura reforçada (trajectória A da Figura 3. obrigando geralmente à adopção de um redimensionamento oneroso destes.0 1. em geral.2.0 0.0 4. mas de modo especial para os elementos de fundação. ou seja. Por isso. Hoje em dia. .2 – Estratégias de reforço sísmico (espectro de resposta de acelerações) 3. Com esta estratégia de reforço obtêmse.0 2.0 2.5 Aceleração S e (m/s 2) 2.5 0.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 64 suficiente para suportar este novo nível de acção sísmica – ponto 1 da Figura 3.3).5 1.0 Este critério de reforço é exigente para os elementos estruturais.0 1. 3. a esta estratégia de reforço por aumento da capacidade resistente da estrutura é associada a preocupação de conferir ductilidade aos elementos estruturais.0 5% 10% 15% 20% C 3 1 A 0 B 2 0.

03 0.3 – e. num abaixamento da acção sobre a estrutura – trajectória B da Figura 3.0 4.1).06 0.0 2 5% 10% B 15% 20% A 1 0 C 3 2.05 0.08 0. Mas o isolamento sísmico não é a única forma possível de diminuir o efeito da acção sísmica.2 – fazendo assim variar o termo esquerdo da equação (3.0 Figura 3. para a generalidade dos sismos.0 Período T (s) 3.02 0. 0.01 0. no entanto. portanto.0 1. Esta dissipação de energia durante a ocorrência de um sismo traduz-se num aumento da capacidade de . Esta redução da frequência fundamental da estrutura traduz-se. Esta estratégia introduz um novo modo de vibração da parte isolada da estrutura que corresponde à translação horizontal desta.07 Deslocamento S de (m) 0.3 – Estratégias de reforço sísmico (pseudo-espectro de resposta de deslocamentos) Esta estratégia implica. pois a estrutura terá que acomodar deslocamentos maiores.00 0. o acréscimo dos deslocamentos horizontais da estrutura isolada – trajectória B da Figura 3. Outra forma de o fazer consiste na dissipação de energia transferida para a estrutura durante o sismo. a adopção de juntas estruturais largas ao longo do limite desta.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 65 Outra estratégia de reforço sísmico consiste no isolamento sísmico da estrutura ou de parte desta.04 0. pelo que a nova frequência fundamental da estrutura isolada (ponto 2) é inferior à frequência fundamental anterior (ponto 0).

0 1. Este aumento de amortecimento da estrutura possibilita a diminuição da resposta à acção sísmica e a diminuição dos deslocamentos (trajectórias C das Figuras 3.5 Aceleração S e (m/s 2) 2.06 0.6s 1 A 0 C B 2 T=2.4 expõe-se outra forma de apresentação das Figuras 3.5.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 66 amortecimento da estrutura – trajectória C da Figura 3.00 T=0.3. Esta dissipação de energia é conseguida mediante a utilização de elementos dissipadores.5 1.0s T=1.0s T=3.2s 5% 10% 15% 20% 3 T=0.0 2.08 Figura 3.2 e 3.3.0s 0. . 3.2 e 3.1.4 – Estratégias de reforço sísmico (conjugação do espectro de acelerações com o pseudo-espectro de deslocamentos) 3.5 0. Na Figura 3.0 0. respectivamente).2.02 0.04 Deslocam ento Sde (m ) 0. Reforço Sísmico de Viadutos por Acréscimo da Capacidade Resistente e de Ductilidade Esta estratégia de reforço sísmico consiste em conferir à estrutura existente capacidade resistente suficiente para equilibrar os esforços gerados pelos movimentos do solo e ductilidade suficiente para suportar os ciclos de deformação (inelástica) impostos pela acção sísmica sem perda de resistência. onde se pode constatar as consequências no comportamento dinâmico da estrutura das diferentes estratégias de reforço sísmico.0 0.

corrigindo deficiências anteriores. respectivamente) de capacidade de acomodação dos deslocamentos induzidos pela acção sísmica. para prevenir o colapso dos vãos por queda dos apoios. aterro e movimentação de terras. excepto se estas se situarem fora das zonas críticas.. pois inclui as despesas de escavação. pelo que . adopção de valores mais baixos para os coeficientes de comportamento a usar no dimensionamento das estruturas reforçadas. assegurar a ductilidade das zonas reforçadas. como já foi dito. b. assegurar a não introdução de modificações bruscas de rigidez e de resistência. 1996]: recalçamento ou fixação dos tramos do tabuleiro nas travessas/pilares e encontros. c. reforçando o mais regularmente possível toda a estrutura e evitando em particular a criação de zonas frágeis face a zonas muito reforçadas. M. Este tipo de reforço sísmico. reforço por encamisamento ou por cintagem dos pilares. pilar-fundação). para ter em atenção a menor capacidade de dissipação de energia das mesmas. O reforço de fundações é em geral oneroso. No que respeita a estruturas como viadutos ou pontes correntes. et al. 1999]: a. mas de modo especial para as fundações. Muitas vezes é ainda necessário dotar as ligações da estrutura (internas e externas.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica corrigindo deficiências de projecto (erros de concepção e/ou 67 de pormenorização) e/ou de execução. as técnicas mais comuns de reforço sísmico por acréscimo de capacidade resistente e ductilidade são [Priestley.. Os requisitos gerais deste tipo de reforço sísmico são [Monteiro. melhoramento do solo de fundação por densificação ou consolidação. reforço à flexão e/ou esforço transverso das travessas. reforço dos nós estruturais (travessa-pilar. reforço de fundações. como juntas estruturais interiores e exteriores. é exigente para os elementos estruturais resistentes. L. além de grandes quantidades de materiais.

. com 5 vãos suportados por 4 pilares e um encontro. Esta passagem foi construída em 1966 num local com uma aceleração de pico do solo (PGA) de 0.5 – Vista da Passagem Superior de Ardath [Yashinsky. 1996]. com um alinhamento de dois pilares e dois pilares isolados. uma solução possível consiste em permitir que estas oscilem e se levantem (“footing rocking”). Este tipo de reforço foi projectado e executado na Passagem Superior de Ardath. EUA (Figura 3. sem a presença de nível freático. 2003].. 2003] Esta passagem é constituída por uma ponte de betão armado em caixão com forma em Y em planta. composta por 4 tramos: (1) o tramo Oeste. Figura 3. M.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 68 este tem de ser bem ponderado. (3) o tramo Sul.. O terreno de fundação é constituído por siltes pouco a medianamente compactados e areias finas e. que une os restantes 3 tramos em 3 rótulas. mais abaixo. por areias compactas.7g. et al. podendo este conceito ser aplicado a outro tipo de fundações (“foundation rocking”) [Priestley. no nó “Interstate 5 / Route 52”. com 6 vãos suportados por 5 pilares e um encontro e (4) o tramo central. M. Califórnia. Caso as fundações sejam por sapatas e não se consiga evitar o levantamento destas face aos momentos sísmicos derrubantes. M. et al. (2) o tramo Norte. et al. em San Diego.5) [Yashinsky.. com 4 vãos apoiados em 3 alinhamentos enviesados de 2 pilares e um encontro enviesado.

sobreposições de armaduras inadequadas. os primeiros modos de vibração da estrutura com isolamento são modos de translação de corpo rígido da parte isolada. minimizando os trabalhos nas fundações devido ao tráfego intenso e os equipamentos subterrâneos existentes. Os reforços dos pilares foram divididos em dois tipos: (1) encamisamento com chapas de aço para permitir rótulas plásticas nas suas bases e (2) encamisamento com chapas de aço sobre uma camada de polietileno para permitir a formação de rótulas com baixa resistência a momentos flectores e grande capacidade face ao esforço transverso. reduzida armadura de confinamento nas bases dos pilares e fundações pouco armadas. enquanto que nos encontros foram colocados pedestais para permitir maiores deslocamentos da superestrutura. verifica-se uma redução nas frequências dos primeiros modos de vibração.2. Desta forma. Estas soluções de reforço de pilares foram complementadas com a introdução selectiva de novos pilares de betão armado. sob a estrutura ou a parte da estrutura a isolar. ou parte desta.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 69 O objectivo do reforço sísmico era garantir a segurança última da estrutura face à acção sísmica. Reforço Sísmico de Viadutos por Isolamento Com esta técnica de reforço sísmico pretende-se “desligar” a estrutura. esta técnica de reforço sísmico consiste na introdução de elementos de baixa rigidez horizontal. mas com rigidez e capacidade de suporte verticais elevadas para sustentar as cargas verticais. diferentemente do que acontecia para os primeiros modos de vibração da estrutura original (Figura 3. dos movimentos do solo induzidos pela acção sísmica.5. os períodos modais aumentam. Em relação aos apoios com curso reduzido. As principais vulnerabilidades encontradas consistiam nos apoios com curso reduzido existentes nas secções rotuladas e nos encontros. ou seja. 3. nas secções rotuladas instalaramse novos elementos para aumentar o curso disponível e cabos para restringir os movimentos máximos.6). . Mais precisamente. Simultaneamente com a alteração de configuração.

6 – Modos fundamentais de vibração de (a) um viaduto convencional e (b) de um viaduto com tabuleiro isolado Com este comportamento dinâmico. foi reforçado sismicamente com isolamento do tabuleiro (Figura 3. substituir os aparelhos de apoio existentes por estes. situado a Sul de São Francisco. O reforço sísmico por isolamento requer que a sub-estrutura que funcionará como base do isolamento seja rígida porque. Karshenas. que não haja plastificação das secções de betão armado da sub-estrutura. M. a aceleração espectral sobre a estrutura isolada. No que concerne ao grau de isolamento. como se disse. o reforço poderá ser calculado para garantir que a sub-estrutura de base permaneça no regime elástico (“full isolation”). mas poderão existir casos de pontes a reforçar cujo fraco comportamento dinâmico não consiga evitar a plastificação de algumas secções apesar do recurso a este tipo de intervenção. opta-se de modo preferencial pelo isolamento total. M. ou então permitindo a ocorrência de plastificação (“partial isolation”). Para além dos grandes deslocamentos da parte isolada da estrutura e. . como se pode observar nas Figuras 3. Actualmente. EUA. a grande objecção que pode ser levantada com a solução de isolamento de um viaduto prende-se com a dificuldade em introduzir os elementos isolantes ou.. O viaduto de Sierra Point da Autoestrada (Highway)101 sobre linhas de caminhos de ferro. ou seja. caso contrário.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 70 Figura 3. o que poderá ser mais fácil. a flexibilidade desta diminuirá a eficácia do isolamento da superestrutura.7) [Yashinsky.3.2 e 3. 2003]. reduzem-se. mas à custa de maiores deslocamentos. na grande generalidade dos sismos. J.. da necessidade de um adequado comportamento dinâmico da estrutura existente.

M. Assim. todos os aparelhos de apoio existentes foram substituídos por blocos LRB(Lead Rubber Bearings). tornando este viaduto no primeiro viaduto isolado dos EUA. 2003] O viaduto. As travessas metálicas descarregam nos referidos pilares por intermédio de apoios metálicos. Este viaduto já foi sujeito ao sismo de Loma Prieta. As principais vulnerabilidades deste viaduto situado a 16km da falha de Santo André. construído em 1957. As restrições impostas pela existência dos caminhos de ferro levaram à escolha da solução de reforço sísmico por isolamento do tabuleiro. J. e comportou-se elasticamente durante o evento. com secção quadrada. em 1985.3. M.4 (diminuição das acelerações e dos deslocamentos espectrais sísmicos). se apoiam em alinhamentos de 2 a 4 pilares de betão armado com fundações directas. prendem-se com os fracos pilares existentes.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 71 Figura 3.. em 1989. . com pouca ductilidade. Karshenas.4g. com as vantagens já descritas no ponto 3.7 – Vista do viaduto de Sierra Point [Yashinsky. apoiadas em travessas metálicas que. provando a eficácia da solução de reforço. num local com uma aceleração de pico do solo de 0. 3.. e com as sapatas de fundação pobremente armadas. por sua vez. tem um tabuleiro com 10 vãos constituído por vigas metálicas. Reforço Sísmico de Viadutos por Dissipação O objectivo desta técnica de reforço é aumentar o amortecimento da estrutura.5.

Este viaduto. pode ser necessário conceber uma estrutura de reacção com fundações específicas para fixar uma das extremidades dos aparelhos dissipadores. o que pode constituir um acréscimo importante nos esforços da (sub) estrutura a reforçar. como se verá adiante. ao operar durante a ocorrência de um sismo.00m + 14. da Auto-Estrada A1 [A2P. Por outro lado. verifica-se que o recurso a este tipo de reforço não é eficaz em estruturas rígidas. Esta estratégia de reforço sísmico foi utilizada no Viaduto de Alhandra. construído entre 1959 e 1961. .05m + 14 x 15. os aparelhos dissipadores introduzem forças de reacção concentradas nas sub-estruturas onde estão fixados. dividido em 16 vãos (14.01m). como se infere a partir da análise das leis de comportamento dos diversos tipos de aparelhos.8). Para que este tipo de reforço sísmico seja eficaz.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 72 Este acréscimo de amortecimento é conseguido através da dissipação de energia que se dá nos aparelhos instalados especificamente para este efeito: os aparelhos dissipadores. sendo mais apropriado para estruturas flexíveis. Assim. tem 275. 2001]. um papel crucial no dimensionamento da solução dos aparelhos dissipadores. vindo a ter.66m de desenvolvimento total. Visto que os viadutos a reforçar podem ter muitas vezes encontros de betão armado com fraco desempenho dinâmico e resistente. é necessário que hajam deslocamentos relativos entre as extremidades dos aparelhos dissipadores instalados. Esta estrutura de reacção terá de ser analisada em conjunto com a restante estrutura. O tabuleiro tem 26m de largura total e é constituído por uma laje de betão armado apoiada sobre vigas de betão armado pré-esforçadas (Figura 3.

encimados por travessas. 2001] Cada alinhamento estrutural tem dois pilares em V. encabeçadas por maciços que fazem a transição estrutural para os pilares. . o viaduto foi concebido por forma a ligar todo o tabuleiro ao encontro fixo por intermédio de ferrolhos.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 73 Figura 3. com cerca de 11m de altura.60m por pilar. Os encontros são ocos. recorreu-se à execução de uma nova estrutura metálica de reacção. Os dois maciços de encabeçamento de estacas de cada alinhamento são interligados por um lintel de betão armado. Os pilares são rotulados na base para a flexão na direcção longitudinal e são rotulados no topo para a flexão na direcção transversal. As fundações dos pilares são indirectas. por grupos de 6 estacas ∅0.9). com fundações indirectas para conferir maior rigidez (Figura 3. em cofre. e integram uma grelha que constitui o prolongamento do tabuleiro do viaduto. A estratégia de reforço sísmico escolhida consistiu eliminar a ligação entre o tabuleiro e o encontro fixo e em introduzir aparelhos amortecedores viscosos por forma a dotar a estrutura de maior amortecimento. Uma vez que os encontros existentes não possuíam resistência suficiente para suportar as forças introduzidas pelos amortecedores.8 – Vista inferior do Viaduto de Alhandra da A1 [A2P. A vulnerabilidade sísmica desta obra estava na deficiente capacidade resistente destes ferrolhos de ligação para suportar as forças de corte originadas pela acção sísmica regulamentar actual. Do ponto de vista do comportamento dinâmico.

a alteração do período fundamental da estrutura isolada diminui (geralmente) ainda mais a aceleração espectral. como acontece nas associações em paralelo de blocos de isolamento e de aparelhos dissipadores.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 74 Figura 3.4. Desta forma. Noutras situações. Estratégias Mistas de Reforço Sísmico A necessidade de combinar estratégias de reforço sísmico passivo pode surgir naturalmente dos diferentes comportamentos estruturais do viaduto nas direcções longitudinal e transversal. Esta estratégia mista ultrapassa ainda as desvantagens de cada uma das técnicas isoladas.5. as vantagens da aplicação do isolamento sísmico – alteração do período fundamental da estrutura. que acarreta as diminuições das acelerações e deslocamentos. Para além do aumento de amortecimento associado ao recurso a dissipadores diminuir globalmente os maiores deslocamentos associados ao isolamento. o recurso a estratégias mistas pode ser necessário para aliar as vantagens das diferentes estratégias de reforço passivo. os deslocamentos sísmicos devidos ao . Por outro lado. onde foram fixados os aparelhos amortecedores viscosos 3. numa mesma direcção estrutural. implicando geralmente a diminuição das acelerações – podem ser complementadas pelas vantagens da instalação de aparelhos dissipadores – aumento do amortecimento. Assim.9 – Vista da nova estrutura de reacção. as forças concentradas geradas pelos aparelhos dissipadores diminuem igualmente.

Assim. 3. . os respectivos efeitos no nível da acção sísmica imposta à estrutura. por isolamento e por dissipação de energia. procurou-se delinear as respectivas consequências no comportamento dinâmico da estrutura.6. e. Conclusões Neste capítulo procurou-se estudar o problema do reforço sísmico de viadutos e pontes correntes de betão armado. para cada tipo de reforço. e apontar as principais vantagens e desvantagens de cada um em relação a este tipo específico de estruturas. e. portanto.Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 75 comportamento dinâmico próprio do isolamento permitem que hajam os deslocamentos relativos entre as extremidades dos aparelhos dissipadores necessários à eficácia dos mesmos. desde as causas mais comuns da sua necessidade à metodologia de averiguação e decisão acerca da execução do reforço. em particular. as diferentes opções de reforço sísmico: reforços sísmicos por acréscimo de capacidade resistente e de ductilidade.

Reforço de Viadutos com Sistemas Passivos de Protecção Sísmica 76 .

29m de largura. perfazendo 295m de comprimento total (Figura 4. Introdução Neste capítulo descreve-se o primeiro caso de estudo escolhido para implementar as soluções apresentadas no capítulo 2 de acordo com as estratégias quanto à aplicação ao reforço sísmico de viadutos discutidas no capítulo 3. Este viaduto inicia-se ao km189+711 e destina-se a atravessar a linha do Caminho de Ferro do Norte e à passagem superior sobre a estrada municipal EM605. situado perto do nó de Coimbra Sul.2. são apresentadas as metodologias aplicadas e os resultados obtidos nas análises dos reforços longitudinal e transversal. O tabuleiro é constituído por uma laje vigada com 8 vigas com altura variável entre 1.4.50m .20m (do meio-vão. É constituído por 13 vãos. Assim. No final. são apresentadas as conclusões referentes a este caso de estudo. Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (Auto-Estrada A1) 4.30m (sobre os alinhamentos dos pilares) e alma de espessura variável entre 0.1. um de 27m de extensão sobre a via férrea. O viaduto apresenta um desenvolvimento total de 295m e o seu tabuleiro tem 30. procede-se à descrição sumária da obra e das propostas de intervenção face ao deficiente comportamento sísmico da mesma. Descrição da Obra de Arte A Obra de Arte escolhida para este primeiro caso de estudo trata-se do Viaduto A (276) dos Viadutos da Baixa do Mondego da Auto-Estrada A1. sendo 8 de 24m de extensão. 4. dois tramos adjacentes com 20m de extensão média e dois tramos extremos com 18m de extensão. De seguida.1). até a 5m dos alinhamentos dos pilares) e 1. é descrito o modelo estrutural do viaduto e procede-se à análise do comportamento sísmico da obra actual. Depois.

00m de altura e 0. no alinhamento 8.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 78 (do meio-vão. Em cada alinhamento existe ainda um lintel de fundação inferior. Caminhos-deferro Sul LISBOA A POIOS FIX OS Norte A POIOS MÓV EIS PORTO Figura 4. Os pilares têm alturas variáveis entre 10.1 – Alçado longitudinal do Viaduto A (276) dos Viadutos da Baixa do Mondego da Auto-Estrada A1 Figura 4.60m. e a secção dos pilares passa a hexagonal inscrita num rectângulo com 2. os alinhamentos dos pilares são enviesados.10m. no alinhamento 1. até a 5m dos alinhamentos dos pilares) e 2m (nos apoios). e 12. com 2. constituídos por uma travessa superior.2).00m de altura (Figura 4.2 – Alçado transversal do tabuleiro e dos pórticos de apoio e respectivo corte a meia altura . com 1. de acordo com a direcção das linhas de caminhos-de-ferro existentes.10m.60m de largura. 4 pilares com forma hexagonal inscrita num rectângulo com 2. Nos alinhamentos 8 e 9. a 6.10m por 0.10m de largura por 1.37m.00m do lintel de fundação.70m por 1. O tabuleiro apoia-se em pórticos de betão armado. alongado também segundo a direcção transversal. alongada segundo a direcção transversal.

nos alinhamentos 8 e 9. em planta. a continuidade estrutural.00 m de altura. alongada segundo a direcção transversal. No entanto. o que impede a continuidade de momentos-flectores. Como se pode constatar na Figura 4.3). A fundação dos encontros é constituída por 8 barretas. mediante pormenorização e execução adequadas das armaduras. Encontro perdido E1 P1 SUL (LISBOA) Tirante passivo de betão armado Barretas de fundação do encontro Figura 4. as barretas estão dispostas. Tratam-se de elementos "perdidos" dado que a parte à vista é muito reduzida. o que assegura. com 4.65 m de extensão e cerca de 4. como deve ter sido intenção do projectista. as barretas desenvolvem-se no prolongamento dos pilares dos pórticos transversais.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 79 As fundações dos pilares são constituídas por estacas rectangulares (barretas) com secção rectangular com 2. embebidos no aterro de tardoz. e com um comprimento médio da ordem dos 12m. Estes elementos apresentam ainda uma fixação longitudinal por tirantes passivos de betão armado.3 – Corte longitudinal dos encontros perdidos do Viaduto A O tabuleiro foi betonado in situ com excepção da zona central do tramo sobre o caminho-de-ferro onde foram utilizadas vigas pré-fabricadas com 15m de .2.60m. Os encontros são do tipo cofre aberto em cima. ancorados a maciços de betão armado enterrados no aterro a uma distância da ordem dos 30m do eixo dos apoios do tabuleiro no encontro (Figura 4. perpendicularmente em relação aos pilares.10m por 0.

apesar da sua natureza bidimensional. Em relação à classificação dos materiais estruturais. Tal como na estrutura real. as fundações. As armaduras ordinárias são de aço da classe A24 nervurado. os pilares resistirão a forças horizontais. Características Gerais Para a análise do reforço deste viaduto foi gerado um modelo de elementos finitos utilizando o programa de cálculo automático SAP2000® [CSI. 2004].Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 80 comprimento. Este modelo (Figura 4. As propriedades geométricas das secções dos elementos finitos de barra e de laje são apresentadas no Anexo A. . situados no topo das travessas sob as vigas longitudinais. considerou-se que.3. a força vertical relativa à combinação quase-permanente de acções era suficiente para impedir o deslizamento do tabuleiro quando sujeito às forças horizontais devidas à acção sísmica. nos apoios de chumbo que funcionam por atrito. foi modelado por uma grelha de elementos finitos de barra. conjuntamente com as propriedades dos materiais estruturais modelados. 4. No encontro Sul os apoios são fixos enquanto que no encontro Norte são móveis. Modelo Estrutural 4. Os apoios das vigas nas travessas são constituídos por placas de chumbo excepto nos alinhamentos dos pilares P8 e P9 onde foram adoptados apoios móveis.4) contém elementos finitos de barra para simular as peças estruturais lineares e elementos finitos de laje para simular a porção irregular do tabuleiro situada entre os alinhamentos estruturais P7 e P8 e P9 e P10.1. carlingas e lajes) de betão da classe B350.3. os encontros e os pilares são de betão da classe B300 e o tabuleiro (vigas. Em relação à ligação entre o tabuleiro e os alinhamentos de pilares e à correspondente transmissão de forças horizontais. todo o restante tabuleiro. O tabuleiro é pré-esforçado quer na direcção longitudinal quer na direcção transversal. Este comportamento é possibilitado pelo encastramento parcial na base dos pilares conferido pela continuidade estrutural com as barretas de fundação e pela transmissão de forças horizontais entre o tabuleiro e as travessas suportadas pelos pilares.

Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 81 Figura 4. nos casos de . 1983]. Os diversos aparelhos dissipadores e de isolamento foram simulados por elementos com comportamento fisicamente não linear (elementos Link [CSI. 2004]). De acordo com o RSA [RSA. no entanto. o comportamento dinâmico do solo-estrutura enterrada e. As massas foram introduzidas de modo compatível à combinação quase permanente de acções. E. 2004]). O comportamento dinâmico do solo foi tido em conta na selecção do tipo de terreno da acção sísmica do Documento Nacional de Aplicação (DNA) da Pré-Norma Europeia ENV 1998-1-1: 1994 (EC8) [Carvalho.4 – Perspectiva tridimensional do modelo de elementos finitos do viaduto em estudo Os pilares dos alinhamentos P8 e P9 não absorvem forças horizontais do tabuleiro por causa dos aparelhos de apoio que existem nesses alinhamentos. 1999]. Os encontros foram modelados por apoios simples. para tal. A interacção solo-estrutura foi considerada através da simulação do terreno por molas lineares. com liberdade de rotações. não se incluíram as massas do solo e da estrutura enterrada. não se pretendeu considerar. et al. C. No modelo este comportamento foi conseguido através da libertação dos correspondentes graus de liberdade (“releases” [CSI. de acordo com os esquemas de comportamento apresentados no capítulo 2.

2000]. 6. 4.00kN/m. 4. 3. por vezes siltosas a levemente siltosas. 1977].70kN/m.2.60kN/m.3.3. Características das Fundações Para determinar a rigidez das molas de comportamento elástico linear que simulam a interacção solo/estrutura foi necessário analisar o registo das sondagens que constam do Relatório Geológico-Geotécnico original [Geocontrole. Os valores do coeficiente de reacção horizontal do terreno (kh) foram estimados a partir dos resultados dos ensaios SPT realizados na altura de acordo com [Reis. 4. as acções quase-permanentes coincidem com as acções permanentes uma vez que os valores reduzidos (quasepermanentes) das sobrecargas rodoviárias são nulos. . siltosas e silto-argilosas. 0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 82 pontes ou viadutos rodoviários. compactas a muito compactas. com seixos e calhaus rolados (adoptou-se kh = 40x103 kN/m3). levemente siltosas a silto-lodosas soltas a medianamente compactas (adoptou-se kh = 10x103 kN/m3). Acções As acções permanentes consideradas são: Peso Próprio do Betão Armado Peso do Betuminoso e do Betão de Enchimento Viga de Bordadura e Guarda-Corpo (*) Guarda de Segurança (*) Passeios e Lancil (*) 25kN/m3. micáceas.3. - Camada a3 – Areias médias a grosseiras.. A. tendo-se verificado a discretização de 3 camadas diferentes de terreno de fundação: - Camada a1 – Areias de granulometria diversa.80kN/m2. compactas a muito compactas (adoptou-se kh = 120x103 kN/m3). - Camada c4 – Siltes argilosos rijos e areias de granulometria variável.

a acção sísmica foi considerada de acordo com o Documento Nacional de Aplicação (DNA) da Pré-Norma Europeia ENV 1998-1-1:1994 (EC8. que corresponde a um sismo de maior magnitude e maior distância focal. a Classe de Solo C e um coeficiente de amortecimento de 5% [Carvalho. C. que será melhor documentada quando for discutido o comportamento dinâmico da estrutura. onde a acção sísmica é mais condicionante. considerou-se a Classe de Solo C. C. que são representadas no Anexo B. Apresenta-se na Figura 4. A acção sísmica foi simulada mediante dez séries não estacionárias de acelerações (ou acelerogramas artificiais). Por esta razão. . Como se verá mais adiante. 1999]. validando-se assim o conjunto de sinais escolhidos. É pertinente mencionar aqui que os resultados apresentados no decorrer deste trabalho obtidos para o conjunto de acelerogramas correspondem às médias dos valores máximos (absolutos) obtidos para os dez sinais. optou-se pelo seu estudo como se esta se situasse na Zona Sísmica A. (*) em cada um dos lados As acções variáveis não foram tidas em conta porquanto possuem valores reduzidos (quase-permanentes) nulos [RSA.5 o espectro de resposta elástico da acção sísmica tipo 2 para a Zona Sísmica A. E. Parte 1-1) [Carvalho. Apesar de a estrutura na realidade se situar na Zona Sísmica C.6 é apresentado o espectro de resposta médio dos dez acelerogramas e o espectro de resposta elástico da acção sísmica. 1999]. considerou-se apenas a acção sísmica tipo 2. et al. A concordância é boa até aos 5Hz.00kN/m. Na Figura 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) Separador Central e Lancil 83 25. Dadas as características pobres dos terrenos locais superficiais. E. Tal como foi referido no capítulo 3. 1983]. as frequências dos primeiros modos de vibração da estrutura são baixas e pertencem a uma gama de frequências em que a acção sísmica tipo 2 é condicionante. et al.

neste caso. Comportamento Dinâmico da Estrutura Antes do Reforço Esta secção refere-se ao comportamento dinâmico da estrutura antes do reforço sísmico. mas desligada dos encontros uma vez que as soluções de .0 0. zona sísmica A. o espectro de resposta do EC8 (DNA) com 5% de amortecimento.0 0 2 4 T (s) 6 8 10 Figura 4.0 4. 4.5 – Espectro de resposta elástico para a acção sísmica tipo 2.0 Sa (m/s 2) 3.4.0 2.3.6 – Comparação entre os espectros de resposta do DNA da ENV 1998-1-1 e médio dos acelerogramas gerados Convém referir que os acelerogramas foram gerados de forma iterativa a partir de espectros de potência sucessivamente calibrados de forma a originarem espectros de resposta de acelerações semelhantes ao espectro de resposta que serviu de referência.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 84 5.0 1. classe de solo C e coeficiente de amortecimento de 5% 5 4 Sa (m/s ) 3 2 1 0 0 2 4 f (Hz) DNA prENV EC8 Sa Acel médio 2 6 8 10 Figura 4.

O segundo modo de vibração é um modo de translação transversal e a sua frequência de vibração é 0.937Hz (Figura 4.7 – Deformada do 1º modo de vibração Figura 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 85 reforço propostas para esta obra neste estudo passarão sempre por desligar a estrutura existente dos encontros que possui.912Hz (Figura 4. por hipótese.8 – Deformada do 2º modo de vibração . Figura 4. O primeiro modo de vibração é um modo de translação longitudinal e a sua frequência de vibração é 0. O terceiro modo de vibração é um modo de torção em torno do eixo vertical e a sua frequência de vibração é 0.7).9). se considera não possuírem capacidades de resistência e rigidez adequadas.209Hz (Figura 4.8). que.

958 0.948 0.949 Percentagens de Massa Acumuladas X (long.820 0.870 0. longitudinal e transversal.000 0.958 Y (transv.915 0.207 0.9 – Deformada do 3º modo de vibração Estes e outros dados (incluindo as percentagens de massa acumuladas) dos primeiros dez modos de vibração estão resumidos no Quadro 4.956 0.938 1.955 0.936 0.958 0.555 0.008 0.149 1.958 0.000 0.093 1.) 0.000 0.000 0. implicam mais de 90% da massa total na respectiva direcção.936 0.839 1.941 1.947 0.956 0.958 0.513 Frequência [Hz] 0.107 1.956 0. .516 0.) 0.000 0.) 0.851 0.903 0.1: Período Modo [s] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 4.956 0.956 0.000 0.063 0.936 0.175 1.956 Z (vert.1 – Características dinâmicas da estrutura (não reforçada) A partir deste quadro verifica-se que os dois primeiros modos de translação.220 1.802 1.000 0.954 0.958 0.008 Quadro 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 86 Figura 4.000 0.002 0.

1 refere-se à reduzida participação da massa na direcção vertical nos dez primeiros modos. pode-se calcular o pseudo-deslocamento espectral através de S1 = d (p ) S1 a 1 2 .3) Este resultado obtido para o primeiro modo de vibração é especialmente significativo dada a percentagem de participação de massa deste modo na direcção longitudinal. (4. a partir desta.378 m . a aceleração espectral para o primeiro modo é S1 = 0. (4. S1 = d (2π × 0.2) ou seja. directa (por análises geometricamente não lineares) ou indirectamente (pelos métodos das curvaturas nominais ou da rigidez nominal [EN1992-1-1. convém sublinhar que. Em relação à verificação da segurança.639 = 0.21Hz) [Guerreiro. para o espectro de acelerações da acção sísmica tipo 2 e para as restantes condições enunciadas antes. Refira-se que esta constatação é válida mesmo para os dez modos seguintes.207)2 0. 1998].. 2004]) Na direcção longitudinal. Importa referir que o deslocamento pseudo-espectral estimado foi obtido a partir da aceleração espectral pela fórmula (4. dada a baixa frequência da estrutura (≈0. em todos os casos analisados não se consideraram os efeitos das imperfeições iniciais e não se calcularam os efeitos de 2ª ordem.639 m / s 2 a (4. .1) e. Um último comentário acerca dos resultados presentes no Quadro 4. L.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) Constata-se também que o primeiro modo tem uma 87 frequência destacadamente inferior às dos modos consecutivos. por razões de simplicidade.2) no limite da sua validade.

0. traçados considerando as secções de betão armado reais representadas nas Figuras 4.long = −3973 kN  Sd .i MSd. η (4. Concretizando.13).4) e adoptando um coeficiente de comportamento (η) igual a 2. Nb.  b.  p.6) Inserindo estes pares de esforços nos gráficos das curvas de interacção M-N resistentes do pilar e da barreta. Este facto sucedeu porque se considerou por simplificação que o sismo actuava separadamente nas duas direcções principais e o modelo de cálculo assumiu que a directriz do viaduto é recta.10 e 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 88 As barretas de fundação e os pilares deste viaduto não suportam este deslocamento imposto no seu topo pois tal conduz a esforços que ultrapassam as capacidades resistentes dos mesmos elementos.11. para a combinação sísmica de acções (na direcção longitudinal) S Sd = S G + ψ 2 S Q ± 1 S E.long = −4136 kN  Sd . Note-se que não foi efectuada a verificação da flexão composta desviada porquanto não surgiram momentos flectores relevantes na direcção transversal. mesmo que o sismo actuasse apenas na direcção longitudinal.i . verifica-se que os mesmos não estão contidos nas respectivas curvas de interacção (Figuras 4.i MSd. .i .long . obtém-se a partir do modelo de elementos finitos original o par de esforços (4.5) na base do pilar de referência (segundo pilar do alinhamento 12).12 e 4. Np.6) na secção de máximo momento flector da respectiva barreta de fundação. Isto significa que não é verificada a segurança à flexão composta nas duas secções condicionantes analisadas.long = 2752 kNm  (4. 1983]. o que não corresponde à realidade.long = 2805 kNm  (4. Na verdade.5) e o par de esforços (4. valor recomendado para viadutos ou pontes de ductilidade normal em que a energia sísmica se dissipa por flexão dos pilares [REBAP.

12 – Curva de interacção M-N resistente do pilar na direcção da menor inércia .11 – Secção de betão armado das barretas de fundação -25000 -20000 -15000 N (kN) -10000 -5000 0 5000 0 500 1000 1500 M (kNm) 2000 2500 3000 Figura 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 89 gerar-se-iam sempre esforços na direcção perpendicular devido a efeitos de torção. Figura 4.10 – Secção de betão armado dos pilares correntes Figura 4.

que a segurança ao esforço transverso está garantida para o pilar de referência mas não para a respectiva barreta de fundação.134 m . a aceleração espectral para o segundo modo de vibração é 2 S a = 4. Assim. para a mesma direcção. (4.7) o que corresponde a um pseudo-deslocamento espectral de S2 = d (2π × 0. aceitável. 2004]. Verifica-se. para a acção do sismo na direcção transversal e para o mesmo . constatou-se que os valores do esforço actuantes no pilar e na barreta de referência são iguais a 208kN e a 654kN. conduz a esforços demasiado elevados para os pilares devido à rigidez transversal do viaduto.13 – Curva de interacção M-N resistente da barreta na direcção da menor inércia Em relação à verificação da segurança ao Estado Limite Último de Esforço Transverso. efectuada de acordo com o EC2 [EN1992-1-1.416 = 0.416 m / s 2 (4. pois.8) Apesar de este deslocamento ser.915)2 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) -25000 90 -20000 -15000 N (kN) -10000 -5000 0 5000 0 500 1000 1500 M (kNm) 2000 2500 3000 Figura 4. o esforço transverso resistente de cálculo do pilar segundo a direcção da menor inércia é aproximadamente igual a 408kN e o da barreta. é igual a 457kN. Assim. respectivamente. por si. Quanto à direcção transversal.

10) Como se pode constatar.i MSd. a segurança não é verificada para os momentos-flectores (Figura 4.9) (4.i . Importa referir que. este facto demonstra que os troços do lintel de fundação que concorrem nos nós da base são em conjunto mais rígidos que a barreta restringida pelas molas correspondentes ao terreno de fundação.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 91 coeficiente de comportamento.transv = −3583 kN  Sd  p.2).  b.transv = 10144 kNm  e na secção de máximo momento da barreta correspondente Nb. pelo lintel de fundação na base e pela travessa superior no topo. ou seja.10. enquanto esta ocorrência é obrigatória nos nós dos topos porque nestes apenas concorrem os segmentos da travessa superior para além dos próprios pilares. não se procederá à verificação da segurança da barreta para a acção do sismo na direcção transversal.14). o sistema transversal em quadros fechados dos lintéis de fundação-pilares-travessa superior é bastante rígido e os resultados numéricos mostram que os elevados momentos-flectores transversais desenvolvidos nos extremos dos pilares devido à acção sísmica são equilibrados pelos elementos horizontais que concorrem nos nós respectivos. constata-se que. o valor do momento-flector máximo na barreta do pilar de referência é mais de cinco vezes inferior ao valor do momento-flector máximo que se gera no pilar. De facto.i . Por estas razões. Inserindo o par de esforços (4.9) no gráfico da curva de interacção M-N resistente do pilar.transv = −4293 kN  Sd . Mais uma vez se observa que não foi efectuada simultaneamente a verificação da . A razão pela qual este facto sucede prende-se com a rigidez transversal dos elementos elevados dos alinhamentos transversais correntes (Figura 4. calculado a partir da secção de betão armado ilustrada na Figura 4. tal como para a direcção longitudinal. obtém-se na base do pilar de referência o seguinte par de esforços actuantes Np.i MSd.transv = 1835 kNm  (4.

Assim. Análise Dinâmica Para além da análise modal. teria necessidade de reforço sísmico. falta comparar o valor actuante máximo do mesmo esforço para o pilar de referência face ao respectivo valor do esforço resistente. As análises referidas são incrementais no tempo de acordo com uma extensão do . A não linearidade mencionada refere-se ao comportamento fisicamente não linear dos elementos Link [CSI. 2004] utilizados dos tipos “Damper” e “Plastic (Wen)”. Quanto à respectiva barreta. Desta breve exposição. ou seja. pelo que se conclui que a segurança regulamentar não é verificada para este esforço.5.14 – Curva de interacção M-N resistente na direcção da maior inércia Em relação à verificação da segurança face ao Estado Limte Último de Esforço Transverso na direcção transversal. -25000 -20000 -15000 N (kN) -10000 -5000 0 5000 0 2000 4000 6000 M (kNm) 8000 10000 12000 Figura 4.3. e uma vez que os alinhamentos dos pilares são os únicos sistemas com a capacidade de suportar a acção sísmica sobre o tabuleiro. no cenário hipotético utilizado como hipótese de estudo de se situar na Zona Sísmica A. 4. visto os encontros terem fracas características de resistência e rigidez. o valor do esforço transverso máximo actuante na direcção transversal nesse pilar é igual a 1325kN e o valor resistente é igual a 557kN. Os comentários elaborados para o caso anterior a este respeito são válidos para aqui também. conclui-se que esta obra de arte. com o programa de cálculo automático utilizado (SAP2000®) efectuaram-se análises dinâmicas não lineares no tempo. não foi verificada a flexão composta desviada.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 92 segurança na direcção perpendicular. com a discussão anterior considera-se dispensada a verificação da segurança ao esforço transverso deste elemento.

a solução de isolamento do tabuleiro nesta direcção não é recomendável. correndo-se o risco de anular . a estrutura apresenta regularidade estrutural. é aceitável estudar o reforço sísmico desta estrutura separadamente segundo estas duas direcções. Como o traçado em planta é aproximadamente recto e. para além dos pilares dos alinhamentos P8 e P9 que. A fraca rigidez dos encontros deve-se sobretudo aos elementos de fundação indirecta e à grande deformabilidade dos aterros onde assentam e da formação geológica da primeira camada. Este método é adequado para sistemas com comportamento inicial elástico linear dotados de um número limitado de elementos com comportamento não linear pré-definidos [CSI. por esta razão. 2004].2Hz) e. no entanto. verifica-se que na direcção longitudinal a estrutura é especialmente flexível (f1≈0. segundo as direcções longitudinal e transversal. o comportamento desta obra é marcadamente ortogonal.4. Por outro lado. 4. permitiria grandes deslocamentos aos apoios “fixos” dos encontros. segue-se a apresentação das propostas/estratégias de reforço da estrutura que mais se adequam a este. Convém.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 93 método “Fast Nonlinear Analysis” (FNA). os variados dispositivos dissipadores necessitam de deslocamentos relativos entre as extremidades para serem eficientes e a estratégia de adicionar amortecimento à estrutura é uma opção que conduz a bons resultados em qualquer gama de frequências. caso fossem as estruturas de reacção dos aparelhos dissipadores. salientar um pormenor de extrema relevância para a eficácia da intervenção proposta para a direcção longitudinal: os encontros existentes possuem fracas características de rigidez e de resistência e por isso não é considerada viável a fixação dos aparelhos dissipadores nestas subestruturas. Por esta razão. Descrição das Propostas de Intervenção Estudado o comportamento dinâmico da estrutura. pelo que se propõe o estudo de soluções de reforço por introdução de aparelhos dissipadores para a direcção longitudinal. Assim. não participam na resistência global da estrutura face a acções horizontais. como já foi discutido. Esta fraca rigidez dos encontros.

a solução proposta para o reforço sísmico transversal. Quanto à direcção transversal. Nesta direcção. por outro. criaram-se modelos simples de um e dois graus de liberdade. et al. C. o . e afectaria o comportamento dinâmico do sistema dissipativo. no entanto. A fraca resistência dos encontros deve-se também sobretudo aos elementos de fundação. E. O recurso a estes modelos simplificados deve-se. sem reforço da sua capacidade resistente.5. a estrutura apresenta maior rigidez (f2≈0. Modelos Simplificados Com o intuito de estudar o comportamento longitudinal da estrutura com o reforço sísmico. Com os modelos de um grau de liberdade. Estudar-se-á também a utilização de aparelhos dissipadores em conjunto com sistemas de isolamento para verificar a eficiência desta estratégia mista no reforço transversal desta obra.5. 1999]. à morosidade dos cálculos necessários para analisar o modelo tridimensional global e. Esta deficiência tem como causa mais provável o insuficiente nível de acção sísmica considerado no cálculo da estrutura (de acordo. como hipótese de partida.1. por um lado. Análise Longitudinal – Solução de Reforço com Dissipadores Viscosos 4. por causa do elevado número de análises necessárias para realizar os estudos paramétricos. onde hipoteticamente se situa este caso de estudo. não seriam capazes de verificar a segurança face à acção sísmica preconizada no DNA da Pré-Norma Europeia EC8 [Carvalho. 4. a solução de isolamento torna-se pertinente e é. assim. dada a quantidade de armaduras longitudinais e transversais. pretendeu-se estudar.9Hz) devido ao sistema porticado dos pilares. com a legislação vigente na altura) para a zona sísmica A. diminuindo a sua eficiência.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 94 os resultados que os dissipadores conseguiriam. os casos em que a estrutura tem o reforço sísmico mas este possui um apoio de reacção com rigidez infinita. A adopção destes modelos simplificados é legitimada pela grande participação de massa na direcção longitudinal do modo de vibração fundamental (≈94%). travessas e lintéis de fundação orientado segundo esta direcção. Os encontros. Neste tipo de modelos.

que é o modo que implica mais massa no sentido longitudinal. tem-se M* = M ⋅ Fp. Nestes modelos. por um lado. por outro. restringido pelo elemento que modela os aparelhos viscosos e.936 = 17462 ton (4.15 – Modelo simplificado de 1gl do viaduto (funcionamento longitudinal) Nos modelos de dois graus de liberdade. elasticamente restringida pelos pilares e. por um lado. o que acontece quando o conjunto {estrutura de reacção – respectivo solo de fundação} dos aparelhos dissipadores possui flexibilidade não desprezável.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 95 único grau de liberdade interessado é o deslocamento longitudinal da massa concentrada. Com este segundo tipo de modelos simulam-se os casos em que o reforço sísmico tem um apoio de rigidez finita. Figura 4. Figura 4. restringida pelos aparelhos viscosos (Figura 4. por outro. o segundo grau de liberdade corresponde ao deslocamento horizontal de uma estrutura de reacção do reforço sísmico. que simula a superestrutura.11) . o nó que simula a estrutura de reacção possui a massa estimada para esta estrutura e este nó está.16 – Modelo simplificado de 2gl do viaduto (funcionamento longitudinal) A massa concentrada atribuída ao nó que representa a superestrutura foi obtida pelo produto da massa total do modelo pelo factor de participação do primeiro modo de vibração da estrutura. Assim. elasticamente restringido pelo respectivo solo de fundação (Figura 4.15).1 = 18656 × 0.16). que está.

Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 96 A massa concentrada atribuída ao nó que representa a estrutura de reacção foi estimada a partir da massa de uma estrutura de reacção real dimensionada para o mesmo efeito deste estudo (Figura 3. conduzindo portanto a soluções de menores deslocamentos (Figura 2.12) 4. certos encontros com solos de fundação rijos ou encontros com fundações indirectas rígidas). para a frequência fundamental do viaduto (≈0.2Hz). de forma aproximada.9) [A2P. A escolha destes valores na gama de valores existentes no mercado para aparelhos amortecedores viscosos (entre 0. quanto menor for o parâmetro α. mais energia estes aparelhos dissipam.3. .2. Nestes casos utilizaram-se os modelos simplificados de um grau de liberdade (Figura 4. Com o intuito de realizar análises paramétricas. variaram-se os valores dos parâmetros C e α dos aparelhos viscosos. Os valores do parâmetro C testados variam entre 3000kN/(m/s)α e 12000kN/(m/s)α. 2001]: m = 44 ton (4. A análise da eficácia dos sistemas de dissipação foi feita através da avaliação dos valores máximos dos deslocamentos da superestrutura e das forças elástica e viscosa.1 e 0. quando o conjunto {estrutura de reacção – respectivo solo de fundação} de tais aparelhos é muito rígido (por exemplo.0) deve-se ao facto de já ser um dado adquirido e corrente o facto de.16). em casos de “rigidez de suporte infinita”.5. Os valores do parâmetro α testados são 0. obtidos para o conjunto de acelerogramas. Casos de Rigidez de Suporte Infinita Este tipo de casos ideais sucedem quando os aparelhos dissipadores possuem uma extremidade rigidamente fixa o que pode acontecer.15).1 e 1.

para sistemas de um grau de liberdade.3 0.38m). Observa-se ainda que mesmo para o menor valor de C e o maior valor de α. para o mesmo valor do parâmetro C.17.3. 0.1) obtém-se.25 0.20 0. para o mesmo valor de α.05 0. Quanto maior é o valor de C. 2003].15 u (m) alfa=0.17 – Variação do deslocamento da superestrura em função dos parâmetros C e α Na Figura 4. o valor obtido para o deslocamento (cerca de 0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 97 Na Figura 4. . L.00 0 2000 4000 6000 8000 α 10000 12000 14000 C (KN/(m/s) ) Figura 4.. o que se traduz necessariamente. em menores deslocamentos – trajectória C da Figura 3. maior é a capacidade de dissipação de energia [Guerreiro. situação mais desfavorável do ponto de vista dos deslocamentos. qualquer que ele seja. trata-se de uma redução de 47% do deslocamento inicial.17 traçaram-se as curvas {parâmetro C – deslocamento da superestrutura} para os dois valores do parâmetro α escolhidos.10 0. um menor deslocamento do que o obtido para o maior valor do parâmetro α (0.20m) é bastante inferior ao da estrutura sem aparelhos dissipadores (cerca de 0.1 alfa=0. menor é o deslocamento da superestrutura. Na mesma Figura observa-se que quanto maior é o valor de C. verifica-se que para o menor valor de α (0.3).

para o menor dos valores do parâmetro α (0.3). verifica-se que quanto maior for a capacidade de dissipação dos aparelhos viscosos. o nível de amortecimento conferido pelos amortecedores viscosos cresce com o aumento do parâmetro C e com a diminuição do expoente α.18 – Curvas {parâmetro C – forças elástica e viscosa} Em relação a esta figura. calculado pela expressão 2. Ou seja. para os mesmos valores de C.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 98 Na Figura 4. Em relação aos valores do parâmetro α escolhidos (0. Estes resultados estão em concordância com os pressupostos recolhidos na bibliografia acerca da variação do amortecimento com os parâmetros C e α. Como se pode constatar nessa figura. verifica-se que. para valores crescentes de C. menores são as forças elásticas e maiores são as forças viscosas em jogo. respectivamente.3 (Fc) alfa=0.3 (Fe) F (kN) 6000 4000 2000 0 0 5000 10000 α 15000 C (KN/(m/s) ) Figura 4. 12000 10000 8000 alfa=0. observa-se que.1 (Fe) alfa=0. as forças viscosas crescem enquanto que as forças elásticas decrescem (uma vez que os deslocamentos também decrescem).19 apresentam-se os valores do amortecimento viscoso equivalente (ξ) intrínseco dos dissipadores viscosos. Na Figura 4. .1 (Fc) alfa=0. ou seja.3).1) as forças elásticas são menores e as forças viscosas são maiores do que as correspondentes forças para o outro valor do parâmetro α (0.1 e 0. com os valores máximos das forças transmitidas à estrutura e das forças absorvidas pelos amortecedores viscosos.18 traçaram-se as curvas que relacionam o parâmetro C com as forças elástica (Fe) e viscosa (Fc) máximas.4 para um ciclo máximo de deslocamento e uma situação de ressonância.

5.2Hz). O caso em estudo pertence a este tipo de problemas por causa das fracas características de rigidez das camadas superficiais do terreno de fundação.3 ξ 15000 C (KN/(m/s) ) Figura 4. Casos de Rigidez de Suporte Finita Estes casos são aqueles em que a deformabilidade do conjunto {estrutura de reacção – respectivo solo de fundação} não é desprezável.16). 75000kN/m e 100000kN/m.19 – Variação do amortecimento viscoso equivalente em função dos parâmetros Ceα 4. Este valor foi proposto a partir do estudo efectuado sobre a .7. para a frequência fundamental do viaduto (≈0. Os valores do parâmetro α testados foram: 0.3.5 e 0. 0. Os valores da rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo solo de fundação} testados foram: 25000kN/m.1 alfa=0. 50000kN/m.3.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 0 5000 10000 α 99 alfa=0. 0.1. Com o objectivo de realizar análises paramétricas. Os valores do parâmetro C testados variam entre 3000kN/(m/s)α e 12000kN/(m/s)α. Sublinhe-se que o valor estimado para a rigidez do referido conjunto é 50000kN/m. Para estes casos utilizou-se o modelo simplificado de dois graus de liberdade (Figura 4. variaram-se os valores dos parâmetros C e α dos aparelhos viscosos e os valores da rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo solo de fundação}. valor que por defeito foi atribuído à dita rigidez quando nada é dito em contrário.

0. o deslocamento da superestrutura decresce primeiro. Na Figura 4. De facto. Registaram-se os valores máximos (médios) dos deslocamentos da superestrutura e da estrutura de reacção e das forças elástica e viscosa obtidos em cada caso para o conjunto de acelerogramas.05 0.20. atinge um mínimo.10 0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 100 estrutura de reacção utilizada no caso real que serviu de referência (Figura 3.20 são traçadas as curvas {parâmetro C – deslocamentos} para o valor do parâmetro α igual a 0.1 0. Nesta Figura apresentam-se os valores do deslocamento da superestrutura (“u”) para o caso em que a rigidez de suporte é infinita (“fixo”) e para o caso em que a rigidez de suporte é finita e igual a 50000kN/m (“móvel”). a curva do deslocamento da superestrutura tem um .1. Para a situação “móvel”. enquanto que na situação “fixa” o deslocamento da superestrutura decresce sempre com o aumento do valor de C.20 – Deslocamento para casos de rigidez de suporte infinita e finita em função do parâmetro C Nesta Figura 4.25 0. 2001].30 α=0.15 0.1 móvel (u) móvel (u0) 15000 C (KN/(m/s) ) Figura 4. constata-se a diferença de comportamento que existe entre a situação “fixa” (ou com rigidez de suporte infinita) e a situação “móvel” (ou com rigidez de suporte finita).9) [A2P.00 0 5000 10000 0. o mesmo deslocamento tem um andamento diferente para a situação “móvel”. e depois cresce com o valor do parâmetro C. para este segundo caso são ainda apresentados os deslocamentos na estrutura de reacção (“u0”). Ou seja.20 d (m) fixo (u) 0. para esta situação.

o deslocamento da superestrutura decresce com o valor crescente de C. À esquerda do valor óptimo. à esquerda do valor óptimo o comportamento é regido pelo comportamento do aparelho dissipador (como na situação “fixa”) enquanto que à direita do valor óptimo domina o comportamento flexível do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação}.1 Fc (fixa) Fe (fixa) Fc (móvel) Fe (móvel) 15000 C (KN/(m/s) ) Figura 4. que corresponde ao mínimo da curva representada.21 apresenta-se a comparação de forças viscosas e elásticas entre as situações “fixa” e “móvel”. Na Figura 4. o conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} funciona como uma mola elástica onde é introduzida a força viscosa e o deslocamento é pois proporcional à força viscosa introduzida. enquanto que à direita sucede o contrário porque o deslocamento do sistema de reacção começa a ser demasiado elevado e a redução de deslocamento que o aparelho amortecedor viscoso realiza não consegue inverter a tendência imposta pela deformabilidade do sistema de reacção {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação}.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 101 valor “óptimo” de dimensionamento. Já as forças elásticas não se comportam da . como na situação “fixa”. O deslocamento da estrutura de reacção cresce quase linearmente com o valor do parâmetro C.1 10000 8000 F (kN) 6000 4000 2000 0 0 5000 10000 0. De facto.18.21 – Comparação de forças entre as situações “fixa” e “móvel” Na Figura 4. fazendo lembrar o andamento das forças viscosas na Figura 4. 12000 α=0. Por outras palavras.21 observa-se que as forças viscosas para as duas situações quase não sofrem alteração.

quanto maiores são os valores do parâmetro α.1 e C variável.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 102 mesma forma. Na Figura 4. que a flexibilidade do conjunto { estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} afecta a eficácia dos dissipadores viscosos também quanto ao amortecimento que conseguem conferir à estrutura principal. Constata-se a grande influência da flexibilidade do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de . sendo mais penalizante para a superestrutura a situação “móvel” por causa das maiores forças nesta introduzidas para a referida situação. embora este ritmo de crescimento diminua.1 50% 40% d (m) 30% 20% 10% 0% 0 5000 10000 15000 C (KN/(m /s) 0. pois.22 – Amortecimento obtido para as situações “fixa” e “móvel” Observa-se que o amortecimento na situação “móvel” também aumenta para C crescente. não se confirmando a tendência que ocorre com a solução fixa. segundo a qual. Este facto sucede-se porque estes deslocamentos dependem (linearmente) das forças elásticas que a mola que simula a rigidez da estrutura existente absorve.23 observa-se que existe também um valor “óptimo” para o parâmetro α. Nesta figura 4.22. Em seguida.23 apresentam-se as curvas de deslocamentos para os vários parâmetros α testados. Verifica-se. apresentam-se os resultados alcançados para o amortecimento viscoso equivalente para as situações “fixa” e “móvel”.1) fixo móvel Figura 4. menores são os deslocamentos da superestrutura obtidos. na Figura 4. Como se constata ao comparar esta figura com a Figura 4. para α igual a 0. o andamento das forças elásticas para os dois casos é semelhante ao andamento dos deslocamentos do tabuleiro. 60% α=0.20.

19m).18m – 0.23. pois é esta a responsável por não se confirmar a tendência referida.3 pois apesar de ter aproximadamente os mesmos valores mínimos de deslocamento da superestrutura que se obtêm para os valores 0.25 0. 0.3 (u) alfa=0.19m).00 0 5000 10000 15000 C (KN/(m/s)a) alfa=0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 103 fundação} nos resultados. maior é a capacidade dissipativa do aparelho amortecedor viscoso. mas faz-se pesar a flexibilidade do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} para as maiores forças viscosas introduzidas para α decrescente.5 (u0) alfa=0.5 e 0. Não é que contrarie as conclusões tiradas anteriormente.7 (u) alfa=0.3 (obtendo-se um deslocamento da superestrutura de ≈0.10 0. parece que o valor de α óptimo é 0. Em relação à Figura 4.23 – Curvas de deslocamentos para vários valores de α (situação “móvel”) . a α=0.15 0.3 (u0) alfa=0. Uma vez que o volume do cilindro exterior dos dissipadores viscosos depende também do parâmetro C.20 d (m) 0.7 (u0) Figura 4. A solução óptima corresponde.5 (u) alfa=0.7 (0. quanto menor é o valor do parâmetro α. de que.1 (u0) alfa=0. estes últimos atingem-nos para valores de C muito elevados. assim.05 0.1 (u) alfa=0. soluções com valores muito elevados deste parâmetro conduziriam a amortecedores de grandes dimensões e mais caros.30 0.3 e C=6000kN/(m/s)0.

7 Figura 4.10 0.00 0 20000 40000 60000 K2 (kN/m) 0. também aumenta para α decrescente. são apresentados na Figura 4.1 u u0 80000 100000 120000 Figura 4.30 α=0.15 0.25 – Variação dos deslocamentos com a rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} .5 alfa=0.24.1 alfa=0.20 d (m) 0. Estuda-se. a influência da rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} (Figuras 4.25 e 4.1 0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 104 Na Figura 4. embora a sua influência diminua ligeiramente para os maiores valores do parâmetro C. para esta situação.24 – Variação do amortecimento com os parâmetros C e α (situação “móvel”) Verifica-se que o amortecimento conferido à estrutura pelos dissipadores viscosos. 0.3 alfa=0. por último.05 0. Em primeiro lugar. analisa-se ainda a variação do amortecimento viscoso equivalente com os parâmetros C e α.25 os deslocamentos obtidos para esta análise. 45% 40% 35% 30% 25% ξ 20% 15% 10% 5% 0% 0 5000 10000 15000 C (KN/(m /s) a) alfa=0.25 C=6000kN/(m/s) 0.26). para a situação “móvel”.

permitem concluir que a diminuição de deslocamentos da superestrutura que se verifica com o aumento da rigidez do sistema de reacção deve-se a este mesmo e ao aumento de amortecimento conferido pelos aparelhos dissipadores. o amortecimento viscoso equivalente proporcionado à superestrutura pelos dissipadores viscosos aumenta para valores crescentes da rigidez do sistema {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação}.1 120000 Figura 4.26 – Variação do amortecimento com a rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} De acordo com esta segunda figura.26. Os resultados apresentados nas Figuras 4. quer para a estrutura de reacção (u0).25 e 4.1 5% C=6000kN/(m/s) 0% 0 20000 40000 60000 K2 (kN/m) 80000 100000 0.26. menores são os deslocamentos obtidos.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 105 De acordo com esta primeira figura. . quer para a superestrutura (u). são apresentados os valores obtidos para o amortecimento viscoso equivalente para os diferentes valores da rigidez do sistema de reacção. quanto mais rígido é o conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação}. Com estes resultados fica demonstrada a influência considerável da deformabilidade do sistema {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} no desempenho global da solução de reforço. 35% 30% 25% 20% ξ 15% 10% α=0. obtidos para valores dos parâmetros α e C constantes. Na Figura 4.

Esta situação também foi considerada. com certos encontros com solos de fundação rijos ou com encontros com fundações indirectas rígidas. Modelos Simplificados Os modelos simplificados usados para este tipo de solução de reforço são.16).6. idênticos aos da solução de reforço com dissipadores viscosos. . Entende-se que esta situação é uma melhor aproximação à realidade quando a flexibilidade do referido sistema de reacção não é desprezável. por exemplo. estes casos podem ser casos ideais ou casos em que a rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} é suficientemente elevada. no seu dimensionamento. recorreu-se a um modelo simplificado com um grau de liberdade para a situação “fixa” (Figura 4. Análise Longitudinal – Solução de Reforço com Dissipadores Histeréticos 4. tal como no caso anterior.15) e a um modelo simplificado de dois graus de liberdade para a situação “móvel” (Figura 4. O elemento Link utilizado simula um comportamento elástico bilinear. suavizada [CSI. pois a simplicidade do sistema permite uma introdução mais fiável ao estudo da sensibilidade da solução aos diversos parâmetros interessados.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 106 4. na verdade. Neste caso utiliza-se o modelo simplificado com um grau de liberdade (Figura 4. 2004] do tipo “Plastic (Wen)”. Casos de Rigidez de Suporte Infinita Como se referiu antes. Com a situação “móvel” pretende-se estudar a influência da flexibilidade do sistema de reacção na sensibilidade da solução de reforço. com a transição entre regimes.2.1.6. Tal como para o estudo do reforço longitudinal com amortecedores viscosos. como. ou seja.6. mas pode ser uma aproximação razoável e válida para situações em que a rigidez do sistema {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} é elevada. A situação “fixa” é. uma situação teórica em que a rigidez do apoio é infinita. 4.15). marcada pela força de cedência. como hipótese de partida. à parte do elemento Link utilizado [CSI. 2004].

2 0.25 u (m) Fy=2750kN 0.4 f (Hz) 0.13) tendo sido considerado M = 17462ton.05 0.20 0.40 0.2Hz) até se atingir uma frequência igual a três vezes este valor (0.6 0. 0.00 0 0. esta foi fixada em três valores: 2750kN. a rigidez inicial e a rigidez pós-cedência.35 0.27 apresentam-se as curvas dos deslocamentos da superestrutura para os diferentes valores da frequência do sistema dissipativo e para as várias forças de cedência.30 0. os dissipadores histeréticos possuem 3 parâmetros de controlo: a força de cedência. com incrementos que correspondem à alteração de frequência de 0. o número de parâmetros independentes passa a dois: a força de cedência e a rigidez inicial.5%. 5500kN e 11000kN. a relação entre a rigidez pós-cedência e a rigidez inicial foi fixada no valor de 2. Note-se que 5500kN corresponde a aproximadamente 3% (3. Na Figura 4. Quanto à força de cedência.15 0. Quanto à rigidez inicial do aparelho dissipador histerético.1Hz.10 0. Convém relembrar que a relação entre a frequência cíclica.8 Fy=5500kN Fy=11000kN Figura 4.60Hz).27 –Curvas de deslocamentos da superestrutura . No presente estudo. foi testada uma gama variando desde o valor a que corresponde a frequência inicial do viaduto (0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 107 Como se viu no capítulo 2. a rigidez e a massa é dada por f= 1 K 2π M (4. Assim.21%) do peso da superestrutura associada ao modelo simplificado.

28 apresentam-se as curvas das forças histeréticas e elásticas para os diferentes valores da rigidez inicial e para as várias forças de cedência. maior é a força elástica. quanto maior é a força de cedência do dissipador.29 apresentam-se os valores médios obtidos para o amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço com dissipadores histeréticos testadas para o caso “fixo”.4Hz. Na Figura 4. maiores são as forças histeréticas desenvolvidas.28 – Curvas das forças na superestrutura para as várias forças de cedência Como se pode constatar nesta figura. O andamento das curvas das forças elásticas é singular pois.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 108 Verifica-se que as curvas dos deslocamentos são decrescentes para valores crescentes da rigidez do aparelho histerético mas a ordem das curvas altera-se a partir do valor da frequência do aparelho dissipador histerético igual a 0.4Hz.2 0. 14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 0 0. para frequências menores que 0. ou seja. Estes resultados obtidos para o . quanto maior é a força de cedência. mas o inverso sucede-se para frequências superiores a 0.4Hz.6 0.8 Fk (Fy=2750kN) Fk (Fy=5500kN) F (kN) Fk (Fy=11000kN) Fe (Fy=2750kN) Fe (Fy=5500kN) Fe (Fy=11000kN) Figura 4. a ordem relativa das curvas dos dissipadores histeréticos com diferentes forças de cedência inverte-se com o aumento da frequência dos mesmos. Designam-se por histeréticas as forças absorvidas por este tipo de aparelhos e por elásticas as forças que se geram na mola que modela a superestrutura existente. Na Figura 4. tal como sucedia para os deslocamentos da superestrutura.4 f (Hz) 0.

2 0. Em relação a este nível de força de cedência.29. e portanto. no entanto. devido à conjugação da sua menor rigidez.6 0. .4 aplicada a este tipo de dissipadores. o que se pode relacionar com o decréscimo do amortecimento observado na Figura 4. Isto significa que praticamente não ocorreu plastificação no elemento dissipador.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 109 amortecimento foram calculados para o ciclo máximo da resposta de acordo com a expressão 2. variação significativa.2Hz e nível de força de cedência igual a 11000kN obteve-se um amortecimento praticamente nulo.27 constata-se que o ritmo da diminuição do deslocamento da superestrutura abranda para valores crescentes da frequência inicial do aparelho histerético.4 0. o amortecimento conferido à estrutura pelos dissipadores histeréticos é crescente com o aumento de rigidez para os níveis de força de cedência iguais a 5500kN e a 11000kN. analisando a Figura 4. o amortecimento obtido cresce até à frequência de 0.3Hz e decresce a partir desta. menor peso relativamente à rigidez da superestrutura existente para atrair esforços.8 Fy=11000kN ξ f (Hz) Figura 4. Importa ainda comentar que na solução de aparelhos histeréticos com frequência inicial igual a 0. 35% 30% 25% 20% Fy=2750kN Fy=5500kN 15% 10% 5% 0% 0 0. Já para o restante nível de força de cedência (2750kN). com a sua elevada força de cedência. sem apresentar.29 – Variação do amortecimento equivalente para os vários níveis de força de cedência Como se pode observar nesta figura.

40 Fy=5500kN 0. Os valores analisados do parâmetro rigidez inicial/frequência inicial foram os mesmos que os estudados para os casos de rigidez de suporte infinita (casos “fixos”). por ser o nível de força de cedência de referência.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 110 4. Nestes casos.3. Apresentam-se a curva de deslocamentos da superestrutura para o caso “fixo” e as curvas de deslocamentos da superestrutura (“u”) e da estrutura de reacção (“u0”) para o caso “móvel”.6.30 as curvas de deslocamentos para os valores dos parâmetros analisados.30 – Curvas de deslocamentos para os casos “fixo” e “móvel” A curva do deslocamento da superestrutura (“u”) para o caso “fixo” é decrescente com o valor crescente da frequência inicial do sistema histerético.2 0. apenas se estudou o caso correspondente ao valor igual a 5500kN.8 móvel (u) móvel (u0) Figura 4.25 fixo u (m) 0.05 0.20 0.30 0.4 f (Hz) 0. 0. A curva do deslocamento da superestrutura (“u”) para o caso “móvel” é igualmente decrescente com o valor crescente da frequência inicial mas situase acima da curva do caso “fixo”.16).6 0.10 0. Apresentam-se na Figura 4. Casos de Rigidez de Suporte Finita Estes casos (“móveis”) sucedem quando a rigidez do conjunto {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação} não é suficientemente elevada para ser considerado um caso “fixo”. Quanto à força de cedência.00 0 0. A curva do deslocamento da estrutura de .15 0. utilizam-se os modelos simplificados de dois graus de liberdade (Figura 4.35 0.

. Estes valores dificilmente são alcançáveis num sistema dissipativo histerético corrente.6 0.31. a valores de rigidez inicial entre 2.6Hz.2 0.5Hz – 0. tal como no caso “fixo”. Este facto sucede porque a maiores valores da rigidez inicial do dissipador histerético estão associadas maiores forças. A razão pela qual os deslocamentos do tabuleiro (u) no caso “fixo” são sempre inferiores aos correspondentes deslocamentos do caso “móvel” prende-se com a flexibilidade do sistema {estrutura de reacção – respectivo terreno de fundação}.31 – Variação do amortecimento viscoso equivalente para os casos “fixo” e “móvel” Os valores dos deslocamentos da superestrutura na situação “móvel” (caso em que se insere a presente estrutura) considerados aceitáveis (dadas as características de resistência da estrutura) só são atingidos para os valores de frequência inicial iguais a 0.30). como atesta a Figura 4. valores que correspondem a 2. Ainda em relação à figura anterior (Figura 4. 35% Fy=5500kN 30% 25% 20% ξ 15% 10% 5% 0% 0 0.52=6. que por sua vez provocam maiores deslocamentos da estrutura de reacção. diminuem com o aumento da rigidez dos dissipadores histeréticos por causa deste mesmo aumento de rigidez e por causa do aumento simultâneo da capacidade de amortecimento.4 f (Hz) 0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 111 reacção (“u0”) para o caso “móvel” é ligeiramente crescente com a frequência inicial. os deslocamentos do tabuleiro no caso “móvel”.5 a 3 vezes mais que a frequência do viaduto.25 e 32=9 vezes superiores à rigidez original do viaduto.8 fixo móvel Figura 4. que afecta o desempenho global da solução de reforço. ou seja.

Figura 4. pelo que a introdução de dissipadores não é a solução adequada.38m). que poderão ser de diferentes tipos. Trata-se de um modelo de elementos finitos de barra com a configuração de um alinhamento transversal de pilares (Figura 4. 4.7.32). Este modelo incorporou elementos fisicamente não lineares para simular o comportamento dos sistemas de isolamento.1. Modelo Simplificado Foi gerado um modelo transversal simplificado de um alinhamento de pilares para proceder à análise transversal do viaduto. Análise Transversal – Solução de Reforço com Isolamento de Alto Amortecimento do Tabuleiro 4.32 – Representação do modelo de elementos finitos simplificado utilizado na análise transversal A massa atribuída ao elemento horizontal que simula o tabuleiro é dada pelo produto da massa por unidade de comprimento do tabuleiro pela largura de .Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 112 Para valores inferiores do acréscimo de rigidez introduzido pelo sistema dissipativo histerético os deslocamentos obtidos para a superestrutura são semelhantes ao valor do deslocamento sísmico original (≈0.7.

12m. No entanto. 0. com recurso aos acelerogramas artificiais considerados para a análise longitudinal. é de 17557kNm (sem coeficiente de comportamento).5%. estas soluções não são satisfatórias devido aos elevados deslocamentos transversais do tabuleiro. A rigidez destes últimos elementos foi regulada de modo a termos um sistema isolado com frequência fundamental de 0. sem qualquer reforço sísmico. os valores do momento flector na secção de referência do pilar do alinhamento transversal estudado é. Sublinhe-se ainda que o momento flector no pilar condicionante.40Hz. Sobre este modelo foram realizados análises sísmicas não lineares no tempo. aproximadamente. sendo aproximadamente igual a 1840 toneladas. Estes aparelhos foram modelados por elementos Link com parâmetros de amortecimento C equivalentes associados em paralelo com elementos Link com comportamento horizontal elástico linear. com amortecimentos equivalentes de 10% e 12. No Quadro 4. 4. A secção onde se obteve o referido valor do momento flector servirá de referência para os reforços a seguir descritos.2.2. . para um deslocamento transversal no modelo plano de.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 113 influência de um alinhamento corrente (24m).5%): Como se observa nesse quadro. cerca de apenas 30% do momento flector de referência. apresentam-se os resultados em relação aos dois casos testados (amortecimentos equivalentes de 10% e de 12. Com os elementos Link com parâmetros de amortecimento C equivalentes pretendeu-se modelar o amortecimento intrínseco dos blocos HDLRB e com os elementos Link com comportamento elástico linear pretendeu-se modelar a parcela elástica do comportamento dos mesmos blocos. para o pior caso. Isolamento com Sistemas de Alto Amortecimento sem Recurso a Aparelhos Dissipadores Este reforço visava concretamente a instalação de apoios sísmicos tipo HDLRB.7.

0.05 0. Quanto aos amortecedores viscosos.40Hz. pretendeu-se associar em paralelo blocos de elastómero simples cintados – Rubber Bearings (RB) – com aparelhos amortecedores viscosos.3. tal como para o reforço anterior.1 0. A rigidez dos blocos foi escolhida. Apresentam-se nas Figuras 4.1 a 1250 kN/(m/s)0.04 2403 2290 454 549 5308 5091 Quadro 4.1.2 – Resultados obtidos para a utilização de HDLRB 4. respectivamente.25 α=0.20 0.33 – Deslocamentos para os diferentes valores totais do parâmetro C . de modo a ter a frequência de translação do sistema isolado de 0.20 0. Com esta estratégia de reforço sísmico.10 e o valores atribuídos ao parâmetro C variaram de forma a que o valor da sua soma no alinhamento transversal variasse entre 250kN/(m/s)0.10 u0 0.15 d (m) u 0. o valor do parâmetro α escolhido foi de 0.04 0.19 0.7.34 os deslocamentos no tabuleiro e na travessa e as forças e momentos para os diferentes valores da soma dos valores do parâmetro C. como se verificará mais à frente.33 e 4.5 0.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) Amortecimento equivalente [%] Deslocamento (Tabuleiro) [m] Deslocamento (Travessa) [m] Força Elástica [kN] Força Viscosa [kN] 114 Momento Pilar [kNm] 10 12.1 1500 C (kN/(m /s) ) Figura 4.00 0 500 1000 0. até 25%. Isolamento com Recurso a Aparelhos Dissipadores Viscosos Com estes sistemas de isolamento conseguem-se obter valores de amortecimento equivalente superiores.

13m – da mesma ordem de grandeza do deslocamento original. Estas estruturas de . 4. a validade dos modelos simplificados. de modo geral. comprova-se a eficácia desta solução de reforço sísmico transversal.1 Figura 4.34 – Forças na estrutura (Fe) e viscosa (Fd) e momento flector na secção de referência Importa referir que esta última solução (C = 1250kN/(m/s)0. aplicaram-se as soluções de reforço passivo longitudinal e transversal escolhidas ao modelo global. de modo a verificar o comportamento global das propostas de intervenção e. os momentos flectores na secção de referência diminuem.1). sem aparente ganho neste aspecto – e o valor do momento flector na secção de referência é de 5205kNm.8. para o máximo valor estudado do parâmetro C (1250kN/(m/s)0.3 de acordo com a alínea 4. simultaneamente. os deslocamentos transversais do tabuleiro e. Análise do Modelo Global com as Soluções de Reforço Passivo Longitudinal e Transversal Uma vez estudados os modelos simplificados. Quanto ao reforço longitudinal. de facto. cerca de 30% do valor sem reforço transversal.1) proporciona um amortecimento viscosos equivalente de aproximadamente 25%. 7000 6000 5000 F/M (kN/kNm) 4000 3000 2000 1000 0 0 500 1000 1500 C (kN/(m /s)0.5.3.1) Fe Fd Mref α=0. modelaram-se os aparelhos amortecedores viscosos não lineares.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 115 Observa-se que para valores crescentes do parâmetro C. A partir destes dados. com CTOTAL = 6000kN/(m/s)α e α = 0. As estruturas de reacção foram simuladas por molas horizontais dispostas no sentido longitudinal com K = 50000kN/m. o deslocamento transversal do tabuleiro é de 0.

094 0. para a zona A e o terreno tipo C [Carvalho. Modelo Global Acelerograma uL [m] #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 #8 #9 #10 0.092 0. C.091 0.095 0.0% 2. e os correspondentes deslocamentos obtidos nos modelos simplificados. Tal como para o modelo global original.241 0. Quanto ao reforço transversal.092 0.8% 5.195 0. apresentam-se nos Quadros 4. modelou-se a solução mista de blocos de elastómero simples cintado e de amortecedores viscosos com parâmetro α igual a 0.094 0.1% 1.2% 1.1 (alínea 4.167 uL.4 os deslocamentos máximos obtidos para as direcções longitudinal (no tabuleiro e na estrutura de reacção) e transversal (no tabuleiro e na travessa).6 (páginas seguintes) as forças viscosas e as forças elásticas e viscosas totais obtidas .8% Quadro 4.2% 2.2% 7.090 0.280 0.204 0.3% 8.267 0.086 0.2% 2.233 0.211 0.097 0.098 Média euL [%] 9.209 0.4% 1.9% 1.088 0.181 0.088 0.5% 3.103 0.0 [m] 0.196 0.3% 2.3).Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 116 reacção não foram modeladas com maior pormenor porque entende-se que o seu dimensionamento não é relevante para o âmbito desta tese.1 e parâmetros C tais que a sua soma em cada alinhamento transversal fosse igual a 1250kN/(m/s)0. et al.091 0.180 uL.097 Modelo Simplificado uL [m] 0.7.3 e 4.104 0. 1999]. realizaram-se análises dinâmicas não lineares no tempo sobre os dez acelerogramas artificiais gerados de forma correspondente à acção sísmica tipo 2 do DNA-EC8.100 0.091 0.3 – Comparação de resultados para o reforço longitudinal (deslocamentos) De forma semelhante.171 0.2% 4.2% 2.1% 2. Apresentam-se nos Quadros 4. E.0 [%] 1.0 [m] 0.0% 1.093 0.186 0.163 0.0% 3.3% 6.5 e 4.3% 4.101 0. sem reforço. respectivamente.178 0.7% 8.237 0.180 0.231 0.161 0.6% Erro euL.

9% 0.4% 5. os erros médios obtidos entre os modelos simplificados adoptados para cada uma das direcções e o modelo global com a simulação dos reforços longitudinal e transversal são.036 0.128 0.2% -9.8% -8.215 0.3% -5.051 0.042 0.139 uT.042 0.4% -28.9% Erro euT.5% -27.0 [m] 0.029 0.4 – Comparação de resultados para o reforço transversal (deslocamentos) Em relação à verificação da segurança ao Estado Limite Último de flexão composta face à acção sísmica no pilar de referência. iguais a Np.13) .034 0.0% 8.197 0.164 uT. 2005] para estruturas de pontes com isolamento sísmico e sistemas complementares de dissipação de energia) são.046 0.045 0.154 0.180 0.040 0.053 0.188 0.134 0.127 0.0% 4.0 [%] -17.0% -12.090 0. Modelo Global Acelerograma uT [m] #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 #8 #9 #10 0.042 Média euT [%] -16.r .7% -11.long = −3707 kN  SD  p.127 0.107 0. bem como os valores das correspondentes forças nos modelos simplificados. Como se pode constatar nos Quadros 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 117 para as direcções longitudinal e transversal.142 0.8% Quadro 4.128 0.0 [m] 0.8% -15.7% 18.6.4% -10.033 0.3 a 4.6% -20. e a (4.r MSd.042 Modelo Simplificado uT [m] 0.041 0. para um coeficiente de comportamento igual a 1.037 0. pequenos.127 0.long = 1135 kNm  segundo a direcção da menor inércia ou direcção longitudinal. para deslocamentos e forças.100 0.1% 4.036 0.6% 0.058 0.106 0.7% -14.5 (de acordo com o indicado no EC8 [EN1998-2.050 0.181 0. respectivamente.0% -12.105 0.033 0.036 0. constata-se que os esforços de dimensionamento. agora.0% -2.

5% -3.5% Erro eFE [%] -14.2% Quadro 4.0% -2.3% 3.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) Modelo Global Acelerograma FC [kN] #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 #8 #9 #10 4432 4592 4272 4592 5088 4400 4992 4512 4752 4800 FC [kN] 4538 4683 4375 4693 5153 4530 5018 4623 4835 4850 Média eFc [%] 2.5% -2.0% 2.4% -3.0% -3.2% -0.2% 1. respectivamente) para o reforço transversal .0% 0.4% 2.4% 2.1% -2.4% 8.3% 1.7% 1.5% 1.0% 4.0% 16.3% -8.6 – Comparação de resultados (forças viscosas e elásticas nos amortecedores e nos blocos de isolamento.0% -28.7% -0.9% Modelo Simplificado 118 Erro Quadro 4.5% 2.9% 25.7% 8.3% -12.4% 11.5% -4.5 – Comparação de resultados (forças viscosas nos dissipadores) para o reforço longitudinal Modelo Global Acelerograma FC [kN] #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 #8 #9 #10 1200 1196 1216 1184 1216 1168 1240 1168 1172 1192 FE [kN] 1312 2276 1496 1284 1912 980 1884 1068 1300 1424 Modelo Simplificado FC [kN] 1162 1190 1162 1148 1183 1162 1197 1141 1148 1155 FE [kN] 1128 1632 1376 1344 2072 1088 2192 936 1416 1784 Média eFC [%] -3.0% 1.3% -2.

nas respectivas direcções. -25000 -25000 -20000 -20000 -15000 N (kN) N (kN) -15000 -10000 -10000 -5000 -5000 0 0 5000 0 500 1000 1500 M (kNm ) 2000 2500 3000 5000 0 2000 4000 6000 M (kNm) 8000 10000 12000 Figura 4. os novos pares de esforços actuantes (a verde) estão contidos pelas curvas de interacção M-N resistentes. Em relação à barreta de fundação do pilar de referência. os valores actuantes deste esforço são iguais a 84kN e a 430kN.35 – Curvas de interacção M-N resistentes do pilar de referência (a) segundo a direcção longitudinal e (b) segundo a direcção transversal.r . o novo par de esforços N-M é .Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) Np.r MSd. com pares de esforços antes do reforço (a vermelho) e depois do reforço (a verde) Quanto à verificação da segurança do Estado Limite Último de esforço transverso do pilar de referência. que o pilar de referência verifica a segurança regulamentar para o esforço transverso. segundo as direcções longitudinal e transversal.transv = 3349 kNm  segundo a direcção da maior inércia ou direcção transversal.transv = −3610 kN  Sd  p. 119 (4. respectivamente.35 (a) e (b). Conclui-se. superiores aos valores actuantes. portanto.14) Como se observa nas Figuras 4. Os valores do esforço transverso resistente nas direcções respectivas são iguais a 408kN e a 557kN.

15) Inserindo este par de esforços na curva de interacção de flexão composta na direcção longitudinal.long = −3876 kN  Sd .  b.4 que.r MSd. fica provado que a segurança face a este esforço é igualmente verificada.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 120 Nb. não se verifica a segurança deste elemento de fundação após o reforço. Assim. a barreta do pilar de referência não absorvia elevados esforços.long = 1156 kNm  (4. valor que é inferior ao valor resistente 457kN. dadas as características estruturais do sistema estrutural transversal da estrutura elevada (em quadros fechados de elementos rígidos). Quanto à acção do sismo segundo a direcção transversal. Por esta razão. é necessário comparar o máximo valor actuante deste esforço na direcção longitudinal ou de menor inércia com o correspondente valor resistente. .r . Desta forma. constatou-se na secção 4. ou de menor inércia.3. o máximo valor actuante é igual a 270kN.36 – Curva de interacção M-N resistente da barreta de referência segundo a direcção longitudinal. verifica-se que a segurança é igualmente garantida (Figura 4. com pares de esforços antes do reforço (a vermelho) e depois do reforço (a verde) Para a verificação do Estado Limite Último de esforço transverso.36) -25000 -20000 -15000 N (kN) -10000 -5000 0 5000 0 500 1000 1500 M (kNm ) 2000 2500 3000 Figura 4.

originando a trajectória D da Figura 4. mas dotam-na também de amortecimento adicional. controla simultaneamente o deslocamento horizontal do tabuleiro. mesmo para o valor de amortecimento equivalente de 12. mas não se pode esquecer o amortecimento que estas soluções providenciaram à estrutura isolada. devido à importância da flexibilidade do sistema {encontro de reacção-respectivo solo de fundação}. não é satisfatória devido aos elevados deslocamentos do tabuleiro que ainda permitem. . De facto. Os resultados dos estudos efectuados para o reforço sísmico passivo na direcção transversal mostraram que a solução de isolamento com blocos de alto amortecimento (tipo HDLRB). O recurso a aparelhos amortecedores viscosos mostrou-se uma boa alternativa. A solução mista de aplicação de isolamento do tabuleiro com blocos de neoprene simples cintado e de instalação de aparelhos amortecedores viscosos mostrou ser inteiramente satisfatória uma vez que além de diminuir os esforços sísmicos gerados na estrutura para cerca de um terço.5%. com as consequências da referida trajectória B. estas soluções não isolam apenas a estrutura. mesmo para casos “flexíveis”. soluções que não existem correntemente para comercialização.37. nos casos em que o sistema de reacção é flexível. que atingiu os 35%.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 121 4.9. como o da presente estrutura.4. apesar de reduzir os esforços sísmicos na estrutura para cerca de um terço. Verificou-se que o dimensionamento óptimo dos parâmetros do amortecedor variam do caso “rígido” para o caso “flexível”. graças ao amortecimento conferido pelos aparelhos dissipadores. Os resultados obtidos para solução de reforço sísmico transversal por isolamento associado à instalação de dissipadores viscosos parecem contradizer a trajectória B da Figura 3. só é eficaz para valores da rigidez elástica destes aparelhos demasiado elevados. Conclusões O estudo efectuado mostrou que o reforço sísmico passivo longitudinal por instalação de aparelhos dissipadores histeréticos.

6s 1 A 0 C D B 2 T=2.0 0.35 e 4.37 – Estratégias de reforço sísmico.36.04 Deslocam ento Sde (m ) 0.0s T=3.0s 4 0.00 0. como ficou ilustrado através das Figuras 4.Caso de Estudo 1 – Viaduto A dos Viadutos da Baixa do Mondego (A1) 122 3. .02 0.08 Figura 4.5 Aceleração S e (m/s 2) 2. incluindo a estratégia de isolamento com amortecimento (trajectória D) Com a solução encontrada para o reforço sísmico deste viaduto.0 0.0 1.0 2.5 1.2s 5% 10% 15% 20% 3 T=0. obtêm-se esforços compatíveis com as características da estrutura.06 0.0s T=1.5 T=0.

segue-se o estudo do problema de reforço sísmico do viaduto idealizado na direcção longitudinal. Introdução Neste quinto capítulo descreve-se o segundo caso de estudo escolhido para implementar as soluções de reforço sísmico já apresentadas e discutidas nos capítulos anteriores. é descrito o modelo estrutural do viaduto e.1. para simplificação. mediante os resultados obtidos. Assume-se ainda que o viaduto possui capacidade resistente insuficiente para verificar a segurança regulamentar face à acção do sismo apenas na direcção longitudinal. Este caso de estudo refere-se a um viaduto rodoviário idealizado de forma a possibilitar o estudo de um viaduto mais rígido (no sentido longitudinal) do que o analisado no primeiro caso de estudo. 5. 1993]. são apresentadas as conclusões referentes a este caso de estudo. 5x35m. Primeiramente procede-se à descrição sumária da estrutura idealizada e das propostas de intervenção face ao hipotético deficiente comportamento sísmico longitudinal da mesma. Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 5. Considera-se. 28m – com secção transversal em laje vigada de betão armado pré-esforçado longitudinal e transversalmente. No final. [A2P.5. . que o comportamento sísmico da estrutura na direcção transversal é satisfatório.2. Depois. Vendas Novas/Montemor-o-Novo) O viaduto idealizado vence 7 vãos – 28m. Descrição da Obra de Arte O dimensionamento da estrutura do viaduto idealizado (anterior ao reforço) foi baseado no Viaduto da Ribeira Sublanço da Laje da Auto-Estrada A6 (Marateca/Montemor-o-Novo. Depois. procede-se à análise do comportamento sísmico do viaduto idealizado antes da intervenção de reforço.

Os eixos das vigas distam entre si 9.0m para cada um dos lados de cada um dos pilares.70m na zona central dos vãos e.60m e 0.1. Os pilares de menor altura têm uma secção rectangular maciça de 5. . variação linear de espessura de alma. apoiada em duas vigas pré-esforçadas longitudinalmente. A espessura da parede do pilar é de 0. existem duas categorias de secções: os pilares com maior altura e os com menor altura. atingindo-se uma espessura variável em altura de 1.1 – Corte transversal do tabuleiro do viaduto idealizado Quanto aos pilares. medido às faces das vigas. Estas vigas estão interligadas por carlingas nos alinhamentos dos apoios dos pilares e encontros e a aproximadamente um terço dos vãos de extremidade e a meio vão dos tramos intermédios. mas que não é relevante para o estudo do comportamento sísmico longitudinal do viaduto idealizado.10m. 1993]. de altura constante e igual a 2.10m na secção dos apoios.50m. respectivamente.20m e as consolas laterais têm 3. tal como no viaduto de referência [A2P. Estas duas vigas apoiam num único pilar de secção aproximadamente rectangular com um alargamento no topo para possibilitar a transmissão de cargas verticais das vigas.00m x 1. Os pilares com maior altura têm secção vazada com dimensões exteriores de 5.75m de vão.90m.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 124 O tabuleiro do viaduto é em laje pré-esforçada transversalmente.50m de altura possuem largura variável em altura entre 0.00m a 1. As vigas com 2.35m e de 0. A classificação dos diferentes pilares quanto à sua secção e as respectivas alturas são apresentadas no Quadro 5. Os dois tipos de pilares possuem capitel superior. Figura 5.00m x 1. num desenvolvimento de 7.60m nas faces transversais e paralelas ao eixo da obra.

A razão assumida para esta deficiência de resistência é uma hipotética insuficiência de armaduras passivas nos pilares.1 – Classificação dos pilares do viaduto idealizado 1. assumiu-se que o viaduto idealizado não possui capacidade resistente suficiente para garantir a segurança face à acção do sismo na direcção longitudinal. dadas estas hipóteses de trabalho.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 125 Considerou-se que as ligações dos pilares às vigas longitudinais do tabuleiro são materializadas por apoios simples que restringem os deslocamentos em qualquer direcção mas que permitem rotações no plano do eixo longitudinal.2 – Secções transversais dos pilares (a) longos e (b) curtos Altura Pilar Tipo de secção [m] P1 P2 P3 P4 P5 P6 maciça vazada vazada vazada vazada maciça 10. 5m 5m 1. Por outro lado.75 14. tal como no Caso de Estudo 1.2m 3. Tal como foi explicitado na introdução deste Caso de Estudo.25 9. considerou-se que os encontros não contribuem para a resistência à acção sísmica longitudinal.25 13. ou se as ligações ao tabuleiro permitirem deslocamentos longitudinais. o que pode acontecer realmente se estes tiverem fracas características de resistência e/ou rigidez. os pilares (e respectivas fundações) são os elementos da estrutura do viaduto idealizado responsáveis por resistir à acção sísmica. Assim.8m Figura 5.00 13.9m 1.75 Quadro 5.50 16.1m .

Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado

126

As fundações dos pilares são directas, por sapatas, e para cada tipo de secção de pilar existe um tipo diferente de sapata. Assim, as sapatas possuem as dimensões 7.00m x 11.50m x 1.50m e 6.00m x 10.50m x 1.50m para as secções vazada (pilares de maior altura) e maciça (pilares de menor altura), respectivamente.

5.3. Modelo Estrutural
5.3.1. Características Gerais
Para a análise do reforço deste viaduto foi gerado um modelo de elementos finitos plano utilizando o programa de cálculo automático SAP2000®. Este modelo (Figura 5.3) contém elementos finitos de barra para simular todos os elementos estruturais uma vez que todos eles possuem, do ponto de vista global, comportamento unidimensional. Assim, o tabuleiro do tipo bi-viga e os pilares foram modelados com barras com as características geométricas relevantes para a análise (área e inércia no plano) iguais às das secções originais. No modelo, o comportamento das ligações entre os pilares e o tabuleiro foi modelado mediante a libertação das rotações (“releases”) no plano do eixo longitudinal do tabuleiro nos topos dos pilares. As propriedades geométricas das secções dos elementos finitos de barra utilizados são apresentadas no Anexo C, conjuntamente com as propriedades dos materiais estruturais modelados.

Figura 5.3 – Modelo plano de elementos finitos utilizado para este caso de estudo

No viaduto idealizado, os pilares são os únicos elementos estruturais que equilibram forças horizontais uma vez que a sua ligação ao tabuleiro não é monolítica e os respectivos elementos de fundação directa, ou seja, as sapatas, apresentam alguma rigidez de rotação nas duas direcções horizontais. Esta

Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado

127

rigidez de rotação das sapatas foi aproximadamente estimada pela expressão (5.1) [Reis, A.; 2000]: a2 b Es 4

Kθ ≈

(5.1)

onde a é o lado da sapata que se opõe à actuação do momento flector, b é a largura da sapata e Es é o módulo de deformabilidade do solo, tendo-se considerado para este caso um valor médio de 100MPa. De acordo com as dimensões dos dois tipos de sapatas existentes, obtiveram-se os seguintes valores estimados para a rigidez de rotação longitudinal:
Kθ Sapatas/Pilares [kNm/rad] P1, P6, P7 e P8 P2 a P5 9450000 13475000

Quadro 5.2 – Valores estimados da rigidez de rotação longitudinal conferida pelas sapatas

O comportamento dinâmico do solo foi tido em conta na selecção do tipo de terreno da acção sísmica do Documento Nacional de Aplicação (DNA) da PréNorma Europeia ENV 1998-1-1: 1994 (EC8) [Carvalho, E. C. et al; 1999]. Os diversos aparelhos dissipadores e de isolamento foram simulados por elementos com comportamento fisicamente não linear (elementos Link [CSI; 2004]), de acordo com os esquemas de comportamento apresentados no capítulo 2. Os encontros foram modelados por apoios simples, com liberdade de translação longitudinal e de rotação no plano vertical que contém o eixo longitudinal. A massa foi introduzida de modo compatível com a combinação quase permanente de acções. De acordo com o RSA [RSA; 1983], nos casos de pontes ou viadutos rodoviários, as acções quase-permanentes coincidem com

Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado

128

as acções permanentes uma vez que os valores reduzidos (quasepermanentes) das sobrecargas rodoviárias são nulos. Importa referir que, por razões de simplicidade, em todos os casos se efectuaram análises geometricamente lineares e não se consideraram os efeitos das imperfeições iniciais e das excentricidades adicionais devido à fluência.

5.3.2. Características das Fundações
Quanto às fundações, e por forma a rigidificar o conjunto estrutura-solo de fundação, assumiu-se que o terreno de fundação era constituído por areias muito compactas, terreno semelhante ao encontrado no viaduto de referência, com o já referido valor médio de módulo de deformabilidade (100MPa), valor atingível para valores de NSPT superiores a 30 [Reis, A.; 2000].

5.3.3. Acções
As acções permanentes consideradas são: Peso Próprio do Betão Armado Peso do Betuminoso e do Betão de Enchimento Vigas de Bordadura e Guardas-Corpos Guardas de Segurança Passeios e Lancil 25kN/m3; 31kN/m; 7.60kN/m; 1.20kN/m; 6.00kN/m.

As sobrecargas rodoviárias não foram tidas em conta porquanto possuem valores reduzidos (quase-permanentes) nulos [RSA; 1983]. Em relação à acção sísmica, considerou-se que a estrutura fictícia se situa na zona sísmica A, a zona sísmica do território nacional com maior sismicidade. Como se verá mais adiante, a frequências do modo de vibração fundamental da estrutura pertence a uma gama de frequências em que a acção sísmica tipo 2 é condicionante (Figura 5.4). Por esta razão, tal como para o caso de estudo anterior, considerou-se apenas a acção sísmica tipo 2, que representa um sismo de maior magnitude a uma maior distância focal [Carvalho, E. C. et al; 1999], tal como no RSA [RSA; 1983].

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129

Dadas as boas características do terreno de fundação assumido, considerou-se a Classe de Solo A, correspondente a rochas ou terrenos rijos. A acção sísmica foi simulada de diferentes formas, consoante o tipo de solução em causa. Nos casos da estrutura do viaduto idealizado anterior ao reforço e da estrutura do mesmo reforçada sismicamente mediante as soluções de isolamento com blocos simples de neoprene cintado e com blocos HDLRB, recorreu-se à análise dinâmica por espectros de resposta, considerando, no entanto, diferentes valores de amortecimento viscoso equivalente. Assim, para os dois primeiros casos, utilizaram-se espectros de resposta de acelerações obtidos para um amortecimento equivalente de 5% e, para o terceiro caso, utilizou-se um espectro de resposta de acelerações modificado, onde numa gama de frequências correspondente à estrutura isolada as acelerações espectrais foram obtidas para um amortecimento de 15% e na restante gama de frequências as acelerações espectrais correspondem ao espectro de resposta utilizado nos dois primeiros casos (ver secção 5.5).

8 7 6 Sa (m/s2) 5 4 3 2 1 0 0 1 2 T (s) 3 4 Sismo 1 Sismo 2

Figura 5.4 – Espectros de resposta de acelerações para os sismos do DNA da ENV 19981-1: 1994, para zona sísmica A, classe do solo A e ξ = 5%

Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado

130

5.0 4.0 Sa (m/s2) 3.0 2.0 1.0 0.0 0 1 2 T (s) Espectro ENV1998 (DNA) Espectro Médio Acelerogramas 3 4 5

Figura 5.5 – Espectros de resposta de acelerações da ENV1998 (DNA) e médio dos acelerogramas considerados (Sismo 2, Zona A, Solo A, ξ=5%)

Nas restantes soluções de reforço, nomeadamente, as soluções de isolamento do tabuleiro com blocos LRB e com sistemas FPS, a acção sísmica foi considerada mediante dez séries estacionárias de acelerações (acelerogramas artificiais), que são representadas no Anexo D. Na Figura 5.5 é apresentado o espectro de resposta médio dos dez acelerogramas e o espectro de resposta elástico da acção sísmica, para um amortecimento viscoso equivalente de 5%. Como se pode constatar na Figura 5.5, a concordância na gama de períodos da estrutura isolada é aceitável, o que valida o conjunto de sinais gerados escolhidos. Tal como foi feito no Caso de Estudo anterior, importa sublinhar que os resultados apresentados neste capítulo são as médias dos valores máximos (absolutos) obtidos para os dez acelerogramas considerados.

5.3.4. Comportamento Dinâmico da Estrutura Antes do Reforço
Uma vez que se elaborou um modelo de elementos finitos bidimensional para análise do viaduto segundo o plano vertical que contém o eixo longitudinal, todos os resultados apresentados dizem apenas respeito a este plano. O primeiro modo, ou modo fundamental de vibração, é um modo longitudinal que ocorre para uma frequência de (aprox.) 0.85Hz e afecta segundo esta direcção toda a massa (Figura 5.6).

Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado

131

Figura 5.6 – Modo fundamental de vibração do viaduto idealizado

Como no primeiro modo participa toda a massa segundo a direcção longitudinal, todos os restantes modos de vibração dizem respeito à direcção vertical. Dos modos 2 a 8, a participação de massa segundo a direcção vertical é diminuta e só no nono modo é que participa já uma percentagem muito importante da massa segundo essa direcção (78%). Estes e outros dados (incluindo as percentagens de massa acumuladas) dos primeiros dez modos de vibração estão resumidos no Quadro 5.3.

Período Modo [s] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1.172 0.251 0.219 0.184 0.155 0.140 0.133 0.116 0.101 0.092

Frequência [Hz] 0.853 3.984 4.566 5.435 6.452 7.143 7.519 8.621 9.901 10.870

Percentagens de Massa Acumuladas X (long.) 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 Z (vert.) 0.000 0.000 0.000 0.003 0.003 0.003 0.028 0.028 0.808 0.812

Quadro 5.3 – Características dinâmicas da estrutura (não reforçada)

Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado

132

5.3.5. Análise Dinâmica
Para além da análise modal, com o programa de cálculo automático utilizado (SAP2000®), efectuaram-se análises dinâmicas não lineares no tempo para algumas das soluções de reforço. Estas análises dinâmicas modais no tempo são não lineares porque são utilizados elementos finitos com comportamento fisicamente não linear, os elementos Link [CSI; 2004], como descrito nas secções respectivas. Estas análises são incrementais no tempo de acordo com uma extensão do método “Fast Nonlinear Analysis” (FNA), tendo a sua utilização já sido justificada no primeiro Caso de Estudo (Capítulo 4).

5.4. Solução de Reforço por Isolamento com Blocos Simples de Neoprene Cintado
Esta solução, tal como as restantes, passaria pela eliminação das ligações existentes entre os pilares e as vigas longitudinais e pela instalação de sistemas de isolamento, ou seja, pelo isolamento da superestrutura. Neste caso, considerou-se um sistema de isolamento composto por blocos simples de neoprene cintado, com baixo amortecimento (secção 2.3.1). Esta solução corresponde à introdução de elementos com alta rigidez elástica vertical mas com baixa rigidez elástica horizontal. Assim, o único amortecimento que existe é o amortecimento equivalente correspondente ao betão armado, ou seja, ξ = 5%. Os blocos simples de neoprene cintado foram modelados por elementos Link lineares, com rigidez elástica vertical igual a 500000kN/m e rigidez elástica horizontal (no sentido longitudinal) igual a 3744kN/m. Este último valor foi calculado mediante a expressão 4.12 de modo a que a superestrutura isolada (o tabuleiro vigado) tivesse uma frequência de vibração aproximadamente igual a um terço da frequência original da estrutura “fixa”, 0.85Hz, ou seja, 0.28Hz. Os resultados correspondentes a esta solução de reforço serão apresentados em conjunto com os resultados das secções 5.6 e 5.7.

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133

5.5. Solução de Reforço por Isolamento com Blocos HDLRB (High Damping Laminated Rubber Bearing)
Esta solução corresponde ao isolamento do tabuleiro usando blocos HDLRB (High Damping Laminated Rubber Bearing) ou, em português, blocos de borracha de alto amortecimento (secção 2.3.3). De acordo com os catálogos comerciais utilizados [ALGA; 2], estes blocos podem garantir até 15% de amortecimento equivalente, valor limite que foi utilizado nos cálculos efectuados para este tipo de solução. Devido ao amortecimento viscoso equivalente providenciado por estes sistemas de isolamento, foi necessário considerar um espectro de resposta modificado para a análise desta solução de reforço. Assim, e tal como foi dito anteriormente, gerou-se um espectro de resposta de acelerações onde, na gama de frequências do modo de vibração da superestrutura isolada, as acelerações espectrais foram obtidas para o amortecimento limite de 15% e, nas restantes frequências, os valores espectrais foram obtidos para o amortecimento corrente do betão armado (5%) – Figura 5.7.
4

3 Se (m/s 2)

2

5%
1

15%
0 0.0 0.5 f (Hz) 1.0 1.5

Figura 5.7 – Espectro de resposta de acelerações modificado, com frequência do sistema isolado assinalada (a verde)

Importa referir que foi efectuada uma análise por espectro de resposta porque os blocos HDLRB apresentam, na gama de distorções correntes,

comportamento aproximadamente linear.

mas desta vez com sistemas FPS (Friction Pendulum System) – Secção 2. os blocos HDLRB foram modelados de forma semelhante aos blocos RB. a rigidez elástica. 4. o coeficiente de atrito estático (µe). o amortecimento resulta do atrito cinético que se origina entre o topo e a base do sistema com superfície côncava (Figura 2.2.3.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 134 Dado este comportamento linear. igual a 0. a taxa de transição r entre o coeficiente de atrito estático e o coeficiente de atrito cinético. Estes sistemas foram modelados por elementos Link do tipo “Friction Isolator” com comportamento não linear.2). Assim. o coeficiente de atrito cinético (µc) (para quando inicia o movimento). 2004]. Tal como foi descrito na respectiva secção. Solução de Reforço por Isolamento com Sistemas FPS (Friction Pendulum System) Esta solução corresponde também ao isolamento do tabuleiro.34. De acordo com o manual de utilizador do programa de cálculo automático de estruturas SAP2000® utilizado [CSI. tal como no caso anterior. só ocorre deslizamento quando a força horizontal de solicitação for superior ao produto da reacção normal ao plano onde se apoia o sólido pelo coeficiente de atrito estático. A frequência de isolamento é. Os resultados correspondentes a esta solução também serão apresentados em conjunto com os resultados das alíneas seguintes.28Hz. 3. que corresponde à rigidez horizontal do elemento enquanto não houver deslizamento. O coeficiente de atrito µ calculado pelo programa para uma determinada velocidade v está relacionado com os dois coeficientes . 37). com rigidez elástica vertical igual a 500000kN/m e rigidez elástica horizontal igual a 3744kN/m.6. utilizaram-se elementos Link lineares. De acordo com a teoria do atrito (Secção 2. pág. para definir neste programa o comportamento não linear deste tipo de elementos Link segundo uma direcção (horizontal) são necessários 5 parâmetros: 1. 2. 5.4.

12 0. Com o valor atribuído à rigidez horizontal anterior ao deslizamento pretende-se restringir de uma forma realista os deslocamentos nesta fase do comportamento dos apoios FPS e o valor atribuído à taxa de transição (r) é considerado suficiente para modelar a transição entre os coeficientes de atrito estático (µe) e o cinético (µc).1) 0.2 0.6 0.8 1. 2004]: µ = µ c − (µ c − µ e ) ⋅ e −r⋅v (5. o raio de curvatura da superfície côncava. fixaram-se os valores da rigidez elástica em 500000kN/m e da taxa de transição (r) em 20 e efectuou-se uma análise paramétrica dos outros factores intervenientes para estudar a sensibilidade dos resultados.04 0.00 0.0 µ r=10 r=15 r=20 r=30 r=40 Figura 5.4 v (m /s) 0. mais rapidamente converge o parâmetro µ para o coeficiente de atrito cinético (µc).10 r=5 0.8 – Variação do coeficiente de atrito em função do parâmetro r (µe=0.04) µ Na Figura 5. .08 0. quanto maior for o parâmetro r. para um elemento Link deste tipo com funcionamento apenas numa direcção horizontal.10 e µc=0. Para este trabalho.06 0.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 135 de atrito e esta taxa (r). ou seja. da seguinte forma [CSI. 5. da eficácia deste tipo de reforço.8 observa-se que.02 0. à sua variação.0 0.

915m (0. Nestas figuras são ainda apresentados. 6.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 136 Quanto à análise paramétrica das outras grandezas envolvidas. respectivamente. os resultados obtidos para a estrutura original e para a estrutura com as soluções de reforço por isolamento com blocos simples de neoprene cintado e com blocos HDLRB.724m (≈0. apresentam-se nas Figuras 5. da frequência do sistema estrutural isolado) iguais a 0.392m (0.902m (0. Refira-se que. (aprox.06.33Hz). com os valores do coeficiente de atrito cinético e do raio de curvatura (ou seja.28Hz). da frequência do isolamento do tabuleiro). 0. 3.04 e 2. as soluções de reforço por isolamento com blocos HDLRB e com sistemas FPS asseguram deslocamentos do tabuleiro da ordem de grandeza do deslocamento pseudoespectral obtido para a estrutura original – a solução dos blocos HDLRB provoca um deslocamento ligeiramente superior –. o que não acontece com o reforço por isolamento com blocos simples RB. Desta forma.13. que provoca um deslocamento . para o coeficiente de atrito cinético.02. para comparação. com os valores do coeficiente de atrito estático e do raio de curvatura (frequência) iguais a 0.08. 0. respectivamente. 2.18Hz).04 e 0.9 a 5.23Hz). para o raio de curvatura da superfície côncava (ou. 0.724m (0. 0. 0. optou-se por fixar sempre duas e variar apenas uma de cada vez.21m. indirectamente.06 e 2.11 os deslocamentos da superestrutura isolada e do topo do pilar mais alto obtidos para os diferentes valores dos coeficientes estático e cinético (limite) e da frequência de isolamento.20.06. quanto aos resultados da análise efectuada. 0. De acordo com os resultados obtidos e representados.15 e 0. não está marcado à escala vertical utilizada para a representação dos restantes deslocamentos.10.) 0. por razões de clareza de exposição dos resultados.724m (0. Os raios de curvatura relacionam-se com as frequências da estrutura isolada por este tipo de apoios pela expressão 2. Assim. os valores testados foram: para o coeficiente de atrito estático.28Hz). o deslocamento obtido para a solução de isolamento com recurso a blocos simples de neoprene cintado (RB – Rubber Bearing).28Hz) e 1.

10 0.02 0.00 0. orig.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 137 máximo do tabuleiro vigado isolado de cerca de 21cm.06 0.9 – Deslocamentos obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µe da solução FPS 0.04 Pilar 0.12 0.6 vezes superior ao deslocamento da estrutura antes do reforço sísmico.21m Tabuleiro 0. e de acordo com a trajectória B do gráfico 3.08 u (est.05 0.10 ≈0.10 ≈0.02 0.02 0.10 – Deslocamentos obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µc da solução FPS .06 µc Figura 5.) u (RB) u0 (RB) u (HDLRB) u0 (HDLRB) u (FPS(uc)) u0 (FPS(uc)) d (m) 0.15 0. Na verdade.04 0.12 0. cerca de 2.08 u (est. seria de esperar um resultado deste tipo numa situação em que o reforço sísmico por isolamento não é acompanhado por um aumento da capacidade de amortecimento da estrutura.) u (RB) u0 (RB) u (HDLRB) u0 (HDLRB) u (FPS(ue)) u0 (FPS(ue)) d (m) 0.04 Pilar 0.06 0.21m Tabuleiro 0.20 µe Figura 5.3. 0. orig.00 0.

mas.17. em termos de controlo de deslocamentos.12 0.30 0.) u (RB) u0 (RB) u (HDLRB) u0 (HDLRB) u (FPS(f)) u0 (FPS(f)) d (m) 0.02 0.15 a 5.10 ≈0.20 0.04 Pilar 0. apesar de serem bastante diferentes entre si. da primeira solução em relação a esta última. com diferenças que ultrapassam nos casos limite os 100%. os resultados obtidos.35 f (Hz) Figura 5.25 0.11 – Deslocamentos obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação da frequência de isolamento da solução FPS Em relação ao deslocamento da superestrutura isolada (u). este deslocamento é pouco sensível à variação dos valores dos coeficientes de atrito estático (µe) e cinético limite (µc) e da frequência de isolamento (os deslocamentos obtidos numericamente para a variação da frequência pertencem à ordem de grandeza dos resultados obtidos para os coeficientes de atrito. a . é necessário sublinhar a tendência decrescente destes deslocamentos com o aumento da frequência de isolamento do reforço com sistemas FPS) e (2) a solução com blocos HDLRB provoca um deslocamento máximo do tabuleiro apenas ligeiramente superior aos valores obtidos para a solução FPS para um amortecimento equivalente (15%) bastante inferior do que a média dos amortecimentos equivalentes obtidos para os sistemas FPS (≈37%). orig.21m Tabuleiro 0. o que evidencia a grande eficácia. No entanto.15 0. como se poderá constatar nas Figuras 5. são relativamente pequenos e pertencem todos à mesma ordem de grandeza (16mm a 40mm).08 u (est. Quanto ao deslocamento máximo do topo do pilar mais alto. podem-se tecer dois comentários adicionais acerca dos gráficos apresentados: (1) na solução com sistemas FPS.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 138 0.06 0. neste caso.00 0.

05 M (est. na base do pilar P2 (na Figura 5.20 µe Figura 5.12 – Momentos flectores obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µe da solução FPS 40000 35000 30000 M (kNm) 25000 20000 15000 10000 5000 0 0.06 µc Figura 5. orig. juntamente com a apresentação dos resultados referentes ao momento flector na secção de controlo ou de referência escolhida.04 0.) M (RB) M (HDLRB) M (FPS(uc)) 0.13 – Momentos flectores obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação do parâmetro µc da solução FPS .3.14 são apresentados os resultados calculados numericamente para o momento flector na secção de referência para a estrutura original e para todas as soluções de reforço discutidas até ao momento. o segundo a partir da esquerda). orig.15 0.02 M (est.10 0.12 a 5. 40000 35000 30000 M (kNm) 25000 20000 15000 10000 5000 0 0.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 139 ordem dos resultados das diferentes soluções tem particular importância e será discutida mais adiante. Nas Figura 5.) M (RB) M (HDLRB) M (FPS(ue)) 0.

o que não é de estranhar uma vez que. . orig. constata-se que o andamento das curvas de momentos flectores é similar ao dos deslocamentos do topo do pilar mais alto (Figuras 5. os resultados em termos de deslocamentos são semelhantes e em termos de esforços são menos gravosos do que os dos sistemas FPS.9 a 5. apesar do reforço por isolamento com HDLRB proporcionar apenas 15% de amortecimento equivalente à estrutura.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 140 40000 35000 30000 M (kNm) 25000 20000 15000 10000 5000 0 0.14 apresentam de novo prende-se com o melhor desempenho da solução de reforço por isolamento com HDLRB em relação às soluções de reforço com sistemas FPS. O que as Figuras 5.) M (RB) M (HDLRB) M (FPS(f)) 0.30 0.9 e 5.2.17). o valor do momento flector na secção de referência para a estrutura original (38981kNm) é muito superior aos valores obtidos para esse esforço nos casos dos reforços sísmicos por isolamento do tabuleiro. no regime elástico. o que seria de esperar face à trajectória B da Figura 3.20 0.35 f (Hz) Figura 5.15 a 5.25 0. o momento flector na base do pilar é proporcional ao deslocamento no seu topo. que proporcionam à estrutura consideravelmente mais amortecimento (Figuras 5. Quanto ao reforço por isolamento sísmico com sistemas FPS. De facto.14 – Momentos flectores obtidos para diferentes soluções de reforço e para a variação da frequência de isolamento da solução FPS Como se pode constatar.15 M (est.11).

20 0.40 0.04 0.10 0.00 0.15 0.15 0.00 0. apesar da diferença considerável entre os amortecimentos equivalentes em jogo para os dois tipos de isolamento.30 0.10 0.35 0.16 – Amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço e para a variação do parâmetro µc da solução FPS Ou seja.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 0.25 0.05 0.25 e (RB) e (HDLRB) e (FPS(ue)) 141 ξ 0. da análise das Figuras 5.05 0.30 0.40 0.45 0.15 – Amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço e para a variação do parâmetro µe da solução FPS 0.02 e (RB) e (HDLRB) e (FPS(uc)) ξ 0.9 a 5.35 0.20 µe Figura 5.20 0.14. . constata-se que a solução por isolamento com sistemas HDLRB permite um deslocamento da superestrutura isolada ligeiramente superior do que os deslocamentos calculados para as soluções com sistemas FPS mas é menos gravosa em termos de esforços do que estas últimas.10 0.05 0.15 0.06 µc Figura 5.

25 0.18.30 0.10 Figura 5.724m (f=0. µc=0.30 0.15 0.06.10 -0. 1000 800 600 400 F (kN) 200 0 -0.05 0.35 0.18 verificam-se alguns pontos dignos de nota: (1) os deslocamentos obtidos para o sistema HDLRB são superiores à gama de deslocamentos calculados numericamente para a solução FPS escolhida.00 0.10 0.35 f (Hz) Figura 5.15 0.25 e (RB) e (HDLRB) e (FPS(f)) 142 ξ 0.04 e R=2.00 -400 -600 -800 -1000 d (m) HDLRB FPS (Ac.20 0.18 – Curvas de comportamento dos sistemas HDLRB e FPS Analisando a Figura 5. mas .05 -2000. na qual se apresentam os diagramas de comportamento para a solução HDLRB e para a solução FPS com µe=0.28Hz).17 – Amortecimento viscoso equivalente das várias soluções de reforço e para a variação da frequência de isolamento da solução FPS Esta aparente contradição (maior eficácia para a solução com menor amortecimento equivalente) pode ser esclarecida mediante a análise da Figura 5.40 0.05 0.#5) 0.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 0.45 0.#5) FPSeq (Ac.20 0.

os pilares.14. Pelo contrário.2 a 3. Solução de Reforço por Isolamento com Sistemas LRB (Lead Rubber Bearings) Nesta secção estuda-se o reforço sísmico da estrutura idealizada mediante o isolamento do tabuleiro com Sistemas LRB (Lead Rubber Bearings).2 a 3. já caracterizados no capítulo 2.4 referem-se a modelos de um grau de liberdade. onde a trajectória B corresponde ao isolamento de base dos mesmos. os resultados obtidos neste caso de estudo não contradizem as referidas Figuras 3. (3) A rigidez equivalente do sistema FPS. dada pela recta que une os pontos extremos dos ciclos desenvolvidos (recta a verde).4 evidenciam. que corresponde à frequência de isolamento deste.4. Estes resultados são coerentes uma vez que os dois sistemas – HDLRB e FPS (f=0. é superior à rigidez do sistema HDLRB.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 143 o inverso sucede para as forças transmitidas pelos dois tipos de sistemas. . dada pelo declive da recta.7. (2) a rigidez da solução HDLRB. Agora.2 a 3. é semelhante à rigidez pós-deslizamento do sistema FPS escolhido. a flexibilidade da estrutura de suporte dos sistemas de isolamento compromete a eficácia dos mesmos.28Hz) – foram dimensionados para se obter a mesma frequência de isolamento da superestrutura. Nestes sistemas. resta tentar explicar porque é que uma solução com menor amortecimento – solução HDLRB. Na verdade. com 15% de amortecimento viscoso equivalente – é mais eficaz do que uma solução com maior amortecimento – soluções FPS. com amortecimento equivalente médio de 47% –. o que explica os resultados das Figuras 5. afecta a eficácia da solução de isolamento. 5. Resumindo. no presente caso em análise estuda-se o isolamento do tabuleiro e a flexibilidade da estrutura que serve de apoio aos sistemas de isolamento.9 e 5. uma vez que estes não se referem a um problema com condições de fronteira semelhantes às que serviram de hipótese de base à construção das mesmas figuras. o amortecimento é conseguido histereticamente mediante a plastificação do núcleo de chumbo. o que parece contrário ao que as Figuras 3. as Figuras 3. ou seja. De facto.

nomeadamente a força de cedência.19 enquanto que os resultados obtidos para o deslocamento do topo do pilar mais alto estão representados na Figura 5. Tendo em conta esta simplificação. variação da rigidez pós-cedência. Em primeiro lugar. ou seja. que mais não são do que elementos com comportamento fisicamente bilinear. um terço da frequência da estrutura original ou não isolada.23Hz (2540kN/m). et al. para efeitos de comparação. da rigidez (ou. estudaram-se vários cenários: variação da força de cedência. Com o intuito de estudar a sensibilidade da eficácia da solução com a variação das grandezas independentes que a definem. .33Hz (5228kN/m).20. 1993]. decidiu-se fixar a rigidez pós-cedência como uma percentagem (10%) da rigidez inicial [Kelly. realizou-se uma análise paramétrica das mesmas. Refira-se que na Figura 5. os respectivos resultados obtidos nas soluções de reforço anteriores. a frequência) da estrutura na fase em que este sistema de isolamento é mais eficaz. T. a 3% e a 5% do peso do tabuleiro (985kN. 2004]. Os valores considerados da rigidez pós-cedência. procurou-se modelar o comportamento dos sistemas LRB antes e depois da cedência do núcleo de chumbo. indirectamente. Os valores da força de cedência foram fixados como uma percentagem do peso do tabuleiro (65686kN).5%.28Hz (3764kN/m). 0. apresentam-se igualmente.19 o deslocamento obtido para a solução com blocos RB não está representado à escala vertical dos outros resultados para facilitar a visualização dos mesmos. Esta hipótese permitiu reduzir o número de variáveis independentes a dois. Consideram-se três casos: forças de cedência iguais a 1.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 144 Os sistemas LRB foram modelados por elementos Link do tipo MultiLinear Plastic [CSI. e 0. Os resultados obtidos para o deslocamento do tabuleiro estão resumidos na Figura 5. 1971kN e 3284kN. a rigidez elástica ou inicial e a rigidez pós-cedência. Com estes elementos. correspondem a frequências pós-cedência de 0. Nestas figuras. respectivamente).

00 0.) ≈0.04 0. orig.10 u (RB) u (HDLRB) u (FPS min) u (FPS máx) u (LRB Fy=1.21 são apresentados os resultados médios obtidos para o amortecimento viscoso equivalente providenciado ao tabuleiro pelos sistemas . 0.04 u0 (LRB Fy=1.20 0.25 0.35 f (Hz) Figura 5.20 – Deslocamento do topo do pilar mais alto para as diferentes soluções de reforço e para a solução com blocos LRB Na Figura 5.5%Gtab) u (LRB Fy=3%Gtab) u (LRB Fy=5%Gtab) d (m) 0.12 u (est.21m 0.5%Gtab) u0 (LRB Fy=3%Gtab) u0 (LRB Fy=5%Gtab) 0.02 0.30 0. os vários cenários da solução por reforço com sistemas LRB estudados conduzem a deslocamentos do tabuleiro que pertencem à mesma ordem de grandeza dos resultados obtidos para as soluções com reforço com sistemas HDLRB e FPS e do deslocamento da estrutura original.25 0.35 f (Hz) Figura 5.30 0.08 u (est.02 0.06 u0 (RB) u0 (HDLRB) u0 (FPS min) d (m) u0 (FPS máx) 0.) 0.14 0.06 0.20 0.08 0.19 – Deslocamento do tabuleiro para as diferentes soluções de reforço e para a solução com blocos LRB 0.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 145 Em termos de deslocamentos. orig.00 0.

25 0.21 – Amortecimento viscoso equivalente conferido pelas soluções de reforço estudadas e pela solução com blocos LRB Na Figura 5.15 0.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 146 LRB estudados.21 mostra que os níveis de amortecimento viscoso equivalente conferidos ao tabuleiro pelos blocos LRB apresentam pouca sensibilidade à frequência de isolamento.45 0. embora não hajam diferenças significativas no amortecimento conferido pelas três soluções (Figura 5.19). Como a Figura 5. Analisando as Figuras 5. mais uma vez.20 0.30 0.19 a 5.21). constata-se ainda que os valores calculados para o deslocamento do tabuleiro são maiores para a solução com maior força de cedência (5% do peso do tabuleiro) do que os das duas outras hipóteses estudadas para a força de cedência (Figura 5. 0. embora em valor absoluto não variem muito.20 0. os resultados obtidos para o deslocamento do tabuleiro diminuem com o aumento da frequência de isolamento (directamente relacionada com a rigidez póscedência dos blocos LRB). observa-se que os valores calculados para o deslocamento do topo do pilar para a hipótese .35 0.00 0. são apresentados os resultados obtidos para as outras soluções de reforço.21. para efeitos de comparação.25 e (RB) e (HDLRB) e (FPS min) e (FPS máx) e (LRB Fy=1.20. pode-se concluir que a diminuição dos resultados do deslocamento do tabuleiro com o aumento da frequência de isolamento (ou do regime pós-cedência) se deve ao aumento de rigidez do sistema isolado.10 0. A explicação para estes resultados poderá ser encontrada analisando com detalhe a Figura 5. nesta figura.05 0.35 f (Hz) Figura 5.30 0. Na mesma Figura.5%Gtab) e (LRB Fy=3%Gtab) e (LRB Fy=5%Gtab) ξ 0.19 verifica-se que.40 0. De facto.

o critério do amortecimento dominaria mas como a estrutura de base. Este resultado é facilmente explicável: como às hipóteses com maiores níveis da força de cedência estão naturalmente associadas maiores forças transmitidas pelos blocos LRB.19 e 5. o facto de à solução com maior força de cedência estarem associados valores mais elevados do deslocamento do topo do pilar de referência. o declive do comportamento pós-cedência dos blocos LRB é igual ao declive da recta de comportamento dos blocos HDLRB. devido às maiores forças em jogo. e voltando à questão inicial. . esta diferença de eficácia do amortecimento conferido se deve à menor rigidez equivalente da solução HDLRB em relação à rigidez equivalente da solução com blocos LRB. no entanto. os valores calculados para o deslocamento do tabuleiro são em geral inferiores do que o alcançado por esta solução (HDLRB). Em relação à solução com blocos HDLRB.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 147 com maior força de cedência são os maiores e a ordem destes resultados decresce para valores inferiores da força de cedência.22 o evidencia para a esta solução com força de cedência igual a 3% do peso do tabuleiro e com frequência de isolamento igual a 0. Em sistemas em que a base de isolamento fosse rígida. com níveis de amortecimento inferiores. Ainda em relação às Figura 5. compromete a eficácia desta solução em relação às restantes. Como se pode verificar nesta figura.5% do peso do tabuleiro e que o efeito da mesma dissipa-se para a maior frequência de isolamento (0.21. é flexível. Assim.28Hz (para o acelerograma #2). neste caso. verifica-se que os resultados obtidos para os deslocamentos do tabuleiro podem ser menores que os melhores resultados calculados para a solução FPS. embora seja muito diferente o nível de amortecimento providenciado pelas duas soluções. a eficácia global da solução depende da rigidez equivalente das soluções de reforço. tal como na secção anterior. Mais uma vez. os resultados obtidos para o topo do pilar mais alto serão directamente proporcionais a estas forças. Importa. os pilares. mas os declives que definem a rigidez equivalente dos dois sistemas já não são iguais. como a Figura 5.33Hz). sublinhar que esta tendência não parece aplicar-se entre as soluções com forças de cedência iguais a 3% e a 1.

10 Fy=3%Gtab fisol=0.5%Gtab) M (LRB Fy=3%Gtab) M (LRB Fy=5%Gtab) M (kNm) 25000 20000 15000 10000 5000 0 0.00 d (m) HDLRB LRB (Ac.23 – Momentos flectores obtidos para as diferentes soluções de reforço e para a solução LRB Em relação aos casos de reforço com sistemas LRB.#2) LRBeq (Ac.05 0.05 0.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 148 1000 800 600 400 F (kN) 200 0 -200 -400 -600 -800 -1000 -0. orig.35 f (Hz) Figura 5.22 – Comparação entre os comportamentos de blocos HDLRB e de blocos LRB Na Figura 5.10 -0. 40000 35000 30000 M (est. devido ao facto de transmitir ao topo do pilar de referência maiores forças horizontais do que nas soluções de .25 0.) M (RB) M (HDLRB) M (FPS min) M (FPS máx) M (LRB Fy=1.23: (1) à solução com maior força de cedência correspondem maiores momentos flectores.28Hz Figura 5.20 0.#2) 0. é possível tirar duas ilações acerca da Figura 5.30 0.23 é apresentada a comparação entre os resultados obtidos para as soluções com LRB referentes ao momento flector na base do pilar de referência e os correspondentes resultados obtidos para as soluções analisadas anteriormente.

esta ocorrência não contradiz a habitual leitura dos espectros ou . sendo a mais eficaz nesse aspecto a solução com blocos HDLRB. Tal como foi dito nas respectivas secções. 5. que é a trajectória mais adequada a esta solução de reforço sísmico. Os reforços sísmicos com estas soluções que isolam a estrutura ou parte desta e conferem amortecimento adicional correspondem à trajectória D da Figura 4. nomeadamente alguns casos da solução com sistemas FPS e da solução com blocos LRB.37. como seria de esperar dada a trajectória B da Figura 3. Ainda em relação aos deslocamentos. No que diz respeito a deslocamentos. para esta solução. existem soluções de reforço por isolamento que conseguem produzir deslocamentos do tabuleiro ainda inferiores ao da estrutura original (0. com 15% de amortecimento viscoso equivalente. Quanto à comparação com os outros cenários.31. e (2) os sistemas testados numericamente apresentam. nomeadamente.2. Outro facto que merece ser destacado nesta secção final refere-se à maior eficácia do sistema HDLRB. existem soluções. verifica-se que os sistemas LRB idealizados também provocam momentos flectores na base do pilar de referência bastante inferiores ao provocado na estrutura original. ou a trajectória D da Figura 4. na gama de valores analisados. mostrando apenas um ligeiro crescimento para frequências crescentes. pouca sensibilidade à variação paramétrica da frequência de isolamento.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 149 menores forças de cedência. face a soluções que providenciaram maiores valores do mesmo amortecimento. como o sistema HDLRB e alguns casos de blocos LRB. De facto. o momento flector obtido (6224kNm) é de apenas 16% do momento flector da estrutura original (38981kNm).8.08m). ainda abaixo da ordem de grandeza dos 10cm. momento flector) nos pilares. que originam deslocamentos do tabuleiro apenas ligeiramente superiores ao do deslocamento original. os sistemas FPS e LRB. Conclusões Todas as soluções de reforço sísmico por isolamento testadas revelaram-se bastante eficazes no que respeita à redução de esforços (esforço transverso e. consequentemente.

um maior deslocamento deste pode afectar a eficácia global do sistema de reforço apesar de providenciar maior amortecimento. igual a 0. Todavia.078m (menor que o deslocamento original do tabuleiro.08m) e a um momento flector de 7508kNm. que pode em última análise ser reduzido a um modelo de dois graus de liberdade. o sistema HDLRB é o sistema que introduz menor esforço de corte no pilar de referência porque possui rigidez inferior à rigidez equivalente dos dois sistemas FPS e LRB. com frequência de isolamento de 0. portanto.28Hz e força de cedência igual a 1. Esta solução conduz a um deslocamento do tabuleiro de 0. conjugando as respostas em termos de esforços e de deslocamentos. enquanto que neste caso de estudo. é o que origina menor deslocamento do topo do mesmo pilar. o que acontece para os dois últimos sistemas. no entanto. conduzirem a maiores deslocamentos do tabuleiro. De facto. um para o tabuleiro e outro para a estrutura de base. Uma vez que os sistemas de isolamento trabalham “relativamente” ao ponto de suporte. estes gráficos são elaborados para modelos de apenas um grau de liberdade.5% do peso do tabuleiro.Caso de Estudo 2 – Viaduto Idealizado 150 pseudo-espectros de resposta de deslocamentos para diferentes níveis de amortecimento. . apesar de. Mais precisamente. seria ainda possível recorrer à solução com blocos HDLRB. uma vez que originam momentos flectores nas bases dos pilares ainda inferiores. a flexibilidade da segunda afecta o rendimento das soluções analisadas. Concluindo. apenas 19% do momento-flector original na base do pilar de referência. como a hipótese central do problema levantado prende-se com a insuficiência de resistência dos pilares face à acção sísmica. e. aponta-se a solução de reforço por isolamento com blocos LRB. como a solução desejável para este caso de estudo.

nomeadamente. Apresentaram-se. Por outro lado. Conclusões Finais e Sugestões para Trabalhos Futuros 6. três estratégias de reforço principais. Este trabalho debruça-se sobre as duas últimas estratégias enunciadas. como se . Assim. no Capítulo 3. Como foi referido no Capítulo 3. o reforço por isolamento sísmico e o reforço por dissipação de energia. Os reforços sísmicos por isolamento ou por dissipação de energia possuem a vantagem de. danos que podem.6. esta falta de segurança já era possível em relação ao RSA [RSA. O assunto estudado reveste-se de grande importância e pertinência dada a evolução actual da legislação vigente. que culminará dentro em breve com a introdução do Documento Nacional de Aplicação da versão definitiva do Eurocódigo 8 [EN1998-1. 2004] e a posterior passagem a lei. o reforço por acréscimo de capacidade resistente e de ductilidade. a falta de segurança de algumas estruturas existentes pode ainda dever-se a falhas cometidas durante a execução das mesmas ou a deficiente manutenção. mediante os dois tipos de reforço sísmico preferidos. propositadamente não tirar partido da dissipação de energia possível através da deformação inelástica dos elementos das estruturas.1. é possível evitar danos na estrutura durante a ocorrência de um sismo importante. ao contrário do que acontece com o reforço sísmico convencional por acréscimo de capacidade resistente e de ductilidade. Conclusões Finais Esta tese procurou aprofundar o problema do reforço sísmico de viadutos de betão armado mediante a utilização de sistemas passivos de dissipação de energia. 1983] uma vez que muitas estruturas foram projectadas e construídas antes da entrada em vigor deste regulamento ou ainda antes da existência de qualquer regulamentação sobre a acção sísmica. Deste cenário próximo resultará a inadequação de muitas estruturas existentes face à eventualidade da ocorrência de um sismo no território nacional.

Verificou-se no entanto que a solução de . pode ser condicionante na situação de reforço de um viaduto existentes. Esta questão. Na direcção transversal. portanto. pelo contrário. que é ultrapassável no dimensionamento de um viaduto novo. Assim. Neste caso de estudo pretendeu-se averiguar o problema do reforço sísmico desta obra nas direcções longitudinal e transversal. tornava indicado o reforço por introdução de elementos dissipadores visto que estes elementos necessitam de deslocamentos relativos entre as suas extremidades para funcionarem. Esta flexibilidade. no caso dos encontros existentes não possuírem as características de rigidez e resistência necessárias para a eficácia dos aparelhos dissipadores. levantou-se depois a questão da importância das condições de fixação destes elementos. Os cálculos efectuados permitiram verificar a influência da flexibilidade do conjunto {estrutura de reacção-respectivo solo de fundação} no dimensionamento óptimo dos aparelhos dissipadores. de acordo com o RSA. ser irreparáveis e. por exemplo. como por hipótese de estudo se considerou para este caso. tal como já foi adoptado num caso real de reforço sísmico de um viaduto [A2P. foi proposta a adopção de uma estrutura de reacção nova. se a própria acção do sismo não o provocou. De facto. o viaduto estudado é rígido devido ao sistema estrutural dos alinhamentos de pilares. ainda que por hipótese se tenha considerado que esta se situava na zona sísmica A.Conclusões Finais e Sugestões para Trabalhos Futuros 152 verificou em sismos ocorridos nos EUA e no Japão. conclusão considerada igualmente válida para situações de dimensionamento de pontes e viadutos novos uma vez que os apoios de reacção dos aparelhos dissipadores destas obras podem também ter flexibilidade relevante para o seu desempenho. metálica. como. Neste contexto. as estratégias de reforço deveriam ser diferentes para as duas direcções.21Hz). exigir a demolição da estrutura. devido ao diferente comportamento dinâmico que o viaduto estudado possuía nas duas direcções ortogonais principais. com fundações indirectas. No Capítulo 4 procedeu-se ao estudo do reforço sísmico de uma estrutura real. Constatou-se que. 2001]. o que tornou o reforço por introdução de elementos dissipadores menos apropriado e favoreceu a opção pelo reforço por isolamento do tabuleiro. verificou-se que o reforço por isolamento do tabuleiro não era indicado para o reforço longitudinal devido à elevada flexibilidade do viaduto nesta direcção (f1≈0.

. Em relação a este segundo caso de estudo.Conclusões Finais e Sugestões para Trabalhos Futuros 153 isolamento do tabuleiro necessitava de um amortecimento considerável para diminuir os deslocamentos transversais do tabuleiro isolado. Esta afirmação não pretende pôr. importa ainda referir que. de entre as diversas soluções analisadas. como os sistemas FPS e LRB. Verificou-se. no entanto. Esta conclusão permitiu relembrar que o sistema de isolamento de uma superestrutura não pode ser escolhido apenas em função da sua capacidade intrínseca de amortecimento quando a estrutura de base é flexível. nomeadamente. constatou-se que este aparente paradoxo se devia à maior rigidez equivalente dos sistemas FPS e LRB relativamente à rigidez do sistema HDLRB e aos efeitos que esta provocava na estrutura de base (os pilares). Mediante uma análise aprofundada do problema. no final. analisaram-se diversas tecnologias de sistemas de isolamento. comprometendo no final a eficácia global destas soluções de isolamento. com diferentes capacidades de amortecimento intrínseco. que sistemas de isolamento sísmico com maior capacidade de amortecimento intrínseco. que possui uma capacidade intrínseca de amortecimento menor. maiores deslocamentos. não produziram resultados de deslocamentos e esforços substancialmente melhores que os do sistema de isolamento com blocos HDLRB. Neste caso de estudo. apesar da grande redução dos esforços que proporcionou. uma solução de reforço mista por associação em paralelo de blocos isolantes de neoprene cintado simples com aparelhos amortecedores viscosos. no entanto. pelo que se adoptou. O segundo caso de estudo centrou-se num viaduto idealizado a partir de um viaduto real de modo a ser possível analisar uma situação com características de rigidez tais que permitissem um estudo mais aprofundado de soluções de reforço sísmico por isolamento do tabuleiro. em questão que a capacidade de amortecimento do sistema de isolamento escolhido é preponderante na resposta dinâmica nos casos de isolamento de base ou quando a estrutura de apoio ou base do sistema de isolamento é rígida. a de isolamento com blocos simples de neoprene cintado (RB) produziu deslocamentos da superestrutura inaceitáveis.

Julga também que seria interessante estudar o problema de reforço sísmico por dissipação passiva ou semi-activa de pontes não correntes e. Sugestões para Trabalhos Futuros Esta tese centrou-se no recurso a sistemas passivos de dissipação de energia para o reforço sísmico de viadutos. de forma global comprovou-se a eficácia do reforço sísmico de viadutos de betão armado mediante o recurso a sistemas dissipativos passivos de energia.2.Conclusões Finais e Sugestões para Trabalhos Futuros 154 Concluindo. O autor julga interessante a possibilidade do estudo de sistemas semi-activos ao problema de reforço sísmico de viadutos e pontes correntes. com todas as vantagens inerentes já discutidas no Capítulo 3. também. Este trabalho limitou-se a estudar o reforço sísmico de viadutos ou pontes com características correntes. . de edifícios especiais. como os edifícios de grande altura. 6. embora nestas últimas estruturas o problema da dissipação possa ser sobretudo importante para a acção do vento.

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162 .

600000 0.650000 0.254000 0.225000 0.320000 0.457200 0.225000 0.7231E+00 0.000000 Tabela: Propriedades das Secções de Shells Espessura Secção Material m LAJE225 B35M1 0.200000 0.00 2.131197 0.041066 0.000E-18 1.500000 1.000000 2.00 32000000.200000 1.200000 0.200000 1.200000 1.800000 2.500000 0.400000 4.0000E+00 2.014649 0.087587 0.480000 0.949212 0.000E+10 0.012500 0.400000 0.000000 4.102412 0.880000 1.225000 Espessura (Flexão) m 0.000000 0.00 32000000.000000 0.0000E+00 2.5000E+01 2.163 Anexo A – Dados Geométricos e Mecânicos do Modelo Original do Viaduto do Caso de Estudo 1 Tabela: Propriedades dos Materiais Massa Material Tipo Específica ton/m B30 B35 B35M1 RIGIDO Isotrópico Isotrópico Isotrópico Isotrópico 3 Peso Específico KN/m 3 E KN/m 2 ν 0.800000 1.0000E+00 30500000.457200 t2 m 0.225000 Tabela: Propriedades dos Elementos de Barra.300000 1.254000 Área m 2 Constante de Torção m4 0.600000 1.116802 1.5000E+01 2.600000 0.000000 0.200000 0.5000E+01 0.016548 0.900000 1.080000 2. Parte 1 de 2 t3 Secção Material Forma m BARRETA CARLA CARLB LAJE400 LAJE450 LINTEL LINTELRF PILAR PILARREF TRAVESSA TRIGIDO VIGATC B30 B35 B35 B35M1 B35M1 B30 B30 B35 B35 B35 RIGIDO B35 Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Rectangular Geral Geral 2.020230 0.487500 .200000 1.524080 0.000E-15 1.200000 0.200000 2.5500E+00 4.800000 2.

457200 m 0.708594 0.006400 1.003797 0. Parte 2 de 2 I33 Secção m BARRETA CARLA CARLB LAJE400 LAJE450 LINTEL LINTELRF PILAR PILARREF TRAVESSA TRIGIDO VIGATC VIGATL1 VIGATL2 4 I22 m 4 AS2 m 2 AS3 m2 1.666667 2.750000 0.104000 0.887333 0.000000 0.487500 0.756300 1.900000 1.091542 0.000000 0.164 t3 Secção Material Forma m VIGATL1 VIGATL2 B35 B35 Geral Geral 0.457200 0.100000 0.066667 1.254000 m 2 t2 Área Constante de Torção m4 1.400000 0.541667 0.750000 0.867000 1.072000 0.000000 0.000E-18 0.036000 1.012500 0.532400 0.366000 0.900000 1.400000 1.032400 0.843750 0.013542 0.042667 0.163000 0.833333 1.254000 0.756300 1.183333 0.843750 0.487500 0.000000 1.345600 0.000000 0.541667 0.587500 .039600 0.400000 0.057600 0.400000 0.004271 0.756300 1.291600 0.000E-18 1.200000 1.400000 0.833333 1.587500 0.382400 0.000000 1.587500 Tabela: Propriedades dos Elementos de Barra.100000 0.666667 2.

0 -2.0 -2.5 -1.165 Anexo B – Acelerogramas Artificiais Gerados para o Caso de Estudo 1 Acelerograma 1 (Sism o 2.0 0.5 -2.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerograma 2 (Sism o 2.0 1.5 1.5 0.5 -1.0 -0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerograma 3 (Sism o 2.5 2.0 0.0 -1.5 -2.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) .5 0.0 -0.5 0.0 -1.5 1.5 -1.0 0. Solo C) 2. Solo C) 2.0 -1.5 2.5 -2.0 -0.0 1.5 1.0 -2.5 2.0 1. Solo C) 2.

0 -2.5 0.0 -1.5 -2. Solo C) 2.0 -1.5 -1.0 -2.166 Acelerogram a 4 (Sismo 2.0 -1.0 -0.0 1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerogram a 6 (Sismo 2.5 1.0 0.0 1.0 -2.5 2.0 -0.5 0.5 -1.5 -1.0 1.5 -2.5 1.0 -0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) . Solo C) 2. Solo C) 2.5 1.5 0.0 0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerogram a 5 (Sism o 2.5 2.5 -2.5 2.0 0.

0 -1.0 -2.0 0.5 1.0 -0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerogram a 9 (Sism o 2.5 -1.5 -2.0 0.0 1.5 1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) . Solo C) 2.167 Acelerogram a 7 (Sism o 2.5 -2.5 -1.5 0.5 0. Solo C) 2.0 1.0 -2.0 -0.5 1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerograma 8 (Sism o 2.5 2.0 -1.5 2.0 -1.5 2.0 -0.5 -2.0 -2.5 -1. Solo C) 2.0 0.5 0.0 1.

5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) .5 -2.5 0.168 Acelerogram a 10 (Sismo 2.5 -1.0 -1.0 -2.5 1.0 1.0 0.0 -0.5 2. Solo C) 2.

Parte 1 de 2 t3 Secção PILARA PILARB TABAPOIO TABVAO TABVAR t2 m 1.138321 0.148200 212.310717 239.583333 2.249600 Constante de Torção m4 1.5000E+01 2.554583 2.004400 I22 m4 0.304467 5.457200 0.249600 AS3 m2 4.00 35000000.200000 Tabela: Propriedades dos Elementos de Barra.859200 9.001000 0.600000 0.000000 0.910932 6.280000 10.458333 14.859200 9.350000 Tabela: Propriedades dos Elementos de Barra.500000 4.254000 0.100000 1.5500E+00 3.403400 AS2 m2 4.859200 9.5000E+01 32000000.169 Anexo C – Dados Geométricos e Mecânicos do Modelo Original do Viaduto do Caso de Estudo 2 Tabela: Propriedades dos Materiais Massa Material Tipo Específica ton/m B35 B40 Isotrópico Isotrópico 3 Peso Específico KN/m 3 E KN/m 2 ν 2.200000 0.0530E+00 2.750200 4.000000 5.457200 0.429600 .00 0.500000 10.583333 3.001000 I33 m4 11.940000 10.900000 0.254000 tf m tw m Material B35 B35 B40 B40 Forma m Rectangular Tubo Geral Geral Não Prismática 5. Parte 2 de 2 Área Secção m2 PILARA PILARB TABAPOIO TABVAO TABVAR 5.

170 .

5 2. Solo A) 2.5 -1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerograma 2 (Sism o 2.0 0.0 -1.0 -0.5 -1.5 -2.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerograma 3 (Sism o 2.5 2.0 0.0 -1.5 0.5 -1.0 -2.5 0.0 1.0 -2.0 -0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) .5 -2.5 1.5 1.5 2.5 1.0 1.5 0. Solo A) 2.0 -0.0 -2.0 1.0 -1.5 -2. Solo A) 2.171 Anexo D – Acelerogramas Artificiais Gerados para o Caso de Estudo 2 Acelerograma 1 (Sism o 2.0 0.

0 -2.5 -1.5 0.0 1.5 -1.0 -1.5 1.5 -2.5 2.5 0.5 1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) .5 2.0 0.0 -2.0 1.0 -0. Solo A) 2.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerogram a 5 (Sism o 2.0 0.0 -1.0 -1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerogram a 6 (Sismo 2. Solo A) 2.0 -0.5 1.0 -2.0 1.5 0.172 Acelerogram a 4 (Sismo 2.5 -2.5 2.5 -2.5 -1.0 0. Solo A) 2.0 -0.

0 0.173 Acelerogram a 7 (Sism o 2.5 2.0 0.5 1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerogram a 9 (Sism o 2.0 0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) Acelerograma 8 (Sism o 2.5 -2.0 -2.0 -1.5 1.0 1.0 -0.5 -2.5 0.5 -2.0 1.0 1. Solo A) 2.5 -1.5 1.5 2.5 -1.5 2. Solo A) 2.5 -1.0 -0.0 -1.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) .0 -0.0 -2. Solo A) 2.0 -2.5 0.0 -1.5 0.

Solo A) 2.0 -2.0 -1.0 -0.0 0.0 1.174 Acelerogram a 10 (Sismo 2.5 -1.5 -2.5 0.5 0 5 10 15 t (s) 20 25 30 a (m/s 2) .5 2.5 1.

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