Universidade do Sul de Santa Catarina

Palhoça
UnisulVirtual
2006
Tópicos de Matemática
Elementar I
Disciplina na modalidade a distância
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Apresentação
Parabéns! você está recebendo o livro didático da disciplina de
Matemática Básica.
Este material foi construído especialmente para este curso, levando em
consideração o seu perfl e as necessidades da sua formação. Como os
materiais a cada nova versão receberão melhorias, pedimos que você
encaminhe suas sugestões via professor tutor ou monitor sempre que
achar oportuno.
Recomendamos, antes de você começar os seus estudos, que você leia
com atenção o Manual do Aluno e do curso afm de receber informações
importantes para sua boa produtividade no curso.
E tenha em mente: você não esta só nos seus estudos, conte com o sis-
tema tutorial da UnisulVirtual sempre que precisar de ajuda ou de alguma
orientação.
Desejamos que você tenha êxito neste curso.
Equipe UnisulVirtual
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Diva Marília Flemming
Elisa Flemming Luz
Christian Wagner
Palhoça
UnisulVirtual
2006
Design instrucional
Luciano Gamez
Karla Leonora Dahse Nunes
2ª edição revista e atualizada
Tópicos de Matemática
Elementar I
Livro didático
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Copyright © UnisulVirtual 2006

Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.


510
F62 Flemming, Diva Marília
Tópicos de matemática elementar I : livro didático / Diva Marília Flemming,
Elisa Flemming Luz, Christian Wagner ; design instrucional Luciano Gamez,
Karla Leonora Dahse Nunes. – 2. ed. rev. e atual. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006.
246 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.
ISBN 85-60694-85-4
ISBN 978-85-60694-85-3

1. Matemática. 2. Cálculo. I. Luz, Elisa Flemming. II. Wagner, Christian.
III. Gamez, Luciano. IV. Nunes, Karla Leonora Dahse. III. Título.


Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul


Créditos
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Elisa Flemming Luz
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Flávia Lumi Matuzawa
Karla Leonora Dahse Nunes
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Vanessa de Andrade Manuel
Vanessa Francine Corrêa
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Logística de Encontros Presenciais
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Logística de Materiais
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Monitoria e Suporte
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Produção Industrial e Suporte
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(secretária de ensino)
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Secretária Executiva
Viviane Schalata Martins

Tecnologia
Osmar de Oliveira Braz Júnior
(coordenador)
Ricardo Alexandre Bianchini
Rodrigo de Barcelos Martins


Edição – Livro Didático

Professors Conteudistas
Diva Marília Flemming
Elisa Flemming Luz
Christian Wagner

Design Instrucional
Luciano Gamez
Karla Leonora Dahse Nunes

Projeto Gráfico e Capa
Equipe Unisul Virtual

Ilustrações
Ricardo Manhaes (TED e MED)

Diagramação
Daniel Blass
Fernando Roberto Dias Zimmermann

Revisão Ortográfica
Débora Ouriques
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3
Palavras dos professores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 – Conjuntos Numéricos e operações elementares . . . . . . . . 15
UNIDADE 2 – Funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
UNIDADE 3 – Funções do primeiro grau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
UNIDADE 4 – Funções do segundo grau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
UNIDADE 5 – Funções polinomiais e racionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
UNIDADE 6 – Funções exponencial e logarítmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
UNIDADE 7 – Funções trigonométricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206
Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207
Respostas e comentários das atividades de auto avaliação . . . . . . . . . . . . 209
Para destacar
Teorema de Pitágoras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
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Palavras dos professores
Prezado participante do curso
Neste texto apresentamos conteúdos de Matemática relativos à disciplina
de Tópicos de Matemática Elementar I. Todos os conceitos apresentados
são considerados básicos para a sua formação inicial e são discutidos a
partir do ensino fundamental. Vamos ampliar idéias objetivando-se aten-
der as especifcidades do projeto pedagógico do curso que preconiza a
inserção sistemática de elementos da História da Matemática.
Considerando-se que o mundo atual exige a formação de um profssional
com competência e habilidades para atuar num contexto informatizado,
no decorrer deste texto vamos incentivá-lo e orientá-lo para o uso de dife-
rentes recursos tecnológicos.
No ambiente virtual de aprendizagem, você terá a oportunidade de
desenvolver atividades e leituras objetivando-se a abertura de um olhar
interdisciplinar. Especifcamente, poderá refetir sobre aspectos didáticos
do processo ensino-aprendizagem das funções elementares no contexto
da Educação Básica.
Considerando que estamos trabalhando no contexto da Educação a Dis-
tância, adotamos uma linguagem coloquial na parte textual, mostrando
sempre as diferentes linguagens utilizadas pela matemática. Essa escolha
propiciará o uso de diferentes representações semióticas dos objetos
matemáticos.
Para fnalizar, gostaríamos de convidá-lo para ingressar num maravilhoso
mundo da educação matemática. Lembre-se sempre que, no decorrer
desta caminhada, a relação didática será dinâmica e virtual, portanto, esta-
remos sistematicamente ao seu lado, basta que “a porta esteja aberta”.
Vamos lá?
Profa. Diva Marília Flemming, Dra.
Profa. Elisa Flemming Luz, Dra.
Prof. Christian Wagner, Msc.
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Plano de estudo
O plano de estudos visa orientar você no desenvolvimento da Disciplina.
Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e
a organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta ins-
trumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção
de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio
das diversas formas de ação/mediação.
São elementos desse processo:

Livro didático.

O AVA (Ambiente virtual de Aprendizagem).

Atividades de avaliação (complementares, a distância e presenciais).
Ementa
Conjuntos numéricos. Operações elementares. Função: conceitos, pro-
priedades, características e representações gráfcas. Funções elementares:
polinomiais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas.
Carga horária
60 horas – 4 créditos
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 11 7/7/2006 15:54:11
Objetivos
Geral:

Discutir e refetir conceitos básicos da Matemática, oportunizando
condições para: investigar, observar, analisar, delinear conclusões,
testando-as na solução de problemas.
Específcos:

Compreender os conceitos, procedimentos e estratégias matemáti-
cas que permitam desenvolver estudos posteriores e adquirir uma
formação geral;

Analisar objetos de estudo a partir de diferentes representações
semióticas;

Aplicar conhecimentos matemáticos nas situações do dia-a-dia,
apoiando no processo de tomada de decisões;

Desenvolver a capacidade de raciocínio lógico, crítico e Analítico;

Desenvolver a capacidade de análise e resolução de problemas;

Utilizar corretamente procedimentos e ferramentas tecnológicas na
resolução de problemas;

Desenvolver o espírito de equipe estimulando a pesquisa.
Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina
e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que você
deverá alcançar ao fnal de uma etapa de estudo. Os objetivos de cada
unidade defnem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir
para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua
formação.
Unidades de estudo
UNIDADE CONTEÚDO CARGA HORÁRIA (horas-aula)
1 Conjuntos numéricos e operações elementares 8
2 Funções 8
3 Funções do primeiro grau 8
4 Funções do segundo grau 10
5 Funções polinomiais e racionais 8
6 Funções exponencial e logarítmica 8
7 Funções trigonométricas 10
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Unidade 1 – Conjuntos numéricos e operações elementares
Nesta unidade, apresenta-se uma revisão dos conjuntos numéricos,
ampliando-se as idéias iniciais com conceitos e propriedades operatórias.
O estudo desta unidade permite, também, iniciar o delineamento da prá-
tica docente no contexto da educação básica.
Unidade 2: Funções
Nesta unidade, as funções são apresentadas como objetos matemáticos e
como elementos fundamentais para a resolução de problemas do dia-a-
dia. A análise das representações gráfcas permitirá o desenvolvimento de
hábitos de boa leitura e visualização de propriedades e características dos
diferentes tipos de funções.
Unidade 3: Funções do primeiro grau
As funções do primeiro grau serão amplamente discutidas nesta unidade,
possibilitando a leitura gráfca, a modelagem de problemas práticos, a
resolução de equações e sistemas de equações. Também terá a possibili-
dade de visualizar situações didáticas em diferentes ambientes e níveis de
ensino.
Unidade 4: Funções do segundo grau
As funções do segundo grau serão discutidas possibilitando aspectos
interdisciplinares na modelagem de problemas de Física e outras áreas. A
visualização das propriedades e características das representações gráfcas
oportuniza uma nova visão didática do ensino das funções na educação
básica.
Unidade 5: Funções polinomiais e racionais
Nesta unidade, as funções polinomiais e racionais serão apresentadas em
diferentes representações (gráfcas e algébricas). Especifcamente nesta
unidade, amplia-se a visão dos recursos didáticos para a prática docente
com o uso de recursos computacionais.
Unidade 6: Funções exponencial e logarítmica
Nesta unidade, amplia-se o conceito de modelagem com o uso das fun-
ções exponenciais e logarítmicas em diferentes tipos de problemas prá-
ticos. O contexto fnanceiro é destacado com problemas reais de juros e
crescimento exponencial.
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Unidade 7: Funções trigonométricas
As funções trigonométricas serão discutidas partindo-se da resolução de
triângulos retângulos. A análise das representações gráfcas dará a opor-
tunidade de resgatar os conceitos de domínio, imagem, periodicidade
dentre outros.
Agenda de atividades/ Cronograma

Verifque com atenção o “AVA”, organize-se para acessar periodica-
mente o espaço da Disciplina. O sucesso nos seus estudos depende
da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e
sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor.

Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as
datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no
AVA.

Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao
desenvolvimento da Disciplina.
Atividades
Avaliação a Distância 1
Avaliação a Distância 2
Avaliação a Distância 3
Avaliação a Distância 4
Avaliação Presencial 1
Avaliação Presencial 2 (2ª. chamada)
Avaliação Final (caso necessário)
Demais atividades (registro pessoal)
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Conjuntos Numéricos e
Operações Elementares 1
Objetivos de aprendizagem

Identifcar conjuntos numéricos em diferentes situações
problemas.

Desenvolver procedimentos operatórios que envolvem os
números reais.

Aplicar propriedades dos números reais na resolução de
problemas.
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução

Seção 2 – Conjuntos numéricos

Seção 3 – Adição e subtração com números reais

Seção 4 – Multiplicação e divisão com números reais

Seção 5 – Resolução de equações
UNIDADE 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
16
Para início de conversa
Você deve lembrar que na sua formação escolar foi preciso aprender a
“fazer contas”. Muitos algoritmos foram apresentados e discutidos.
Você lembra, por exemplo, como calcular a raiz quadrada de 2132?
Quase todos esquecem! E, nos dias de hoje, com os recursos tecnológicos,
podemos de forma rápida responder essa pergunta, basta ter uma calcula-
dora na mão.
Você vai poder relembrar os conjuntos numéricos e vários procedimentos
operatórios no decorrer desta unidade. Afnal, você será um futuro profes-
sor de matemática!
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Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 17
SEÇÃO 1
Introdução
O conceito de número é uma das idéias mais primitivas da humanidade e,
por incrível que pareça, já nascemos com ela. Um bebê entre seis e doze
meses já assimila agrupamentos de seres e objetos. Já consegue reunir
num único grupo objetos análogos e percebe se falta algo a um desses
conjuntos familiares. Por exemplo, se você entrega ao bebê nesta idade
4 brinquedos e, sem que ele perceba, retira dois deles, certamente ele
sentirá falta. Não que já saiba contar, mas porque já possui uma noção de
número em sua formação individual.
Para fns de padronização, criou-se uma notação comum para representar
os números. Utiliza-se os algarismos hindu-arábicos:
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Apesar de ouvirmos sons diferentes, dependendo do idioma, se não hou-
vesse uma padronização, imagine a confusão que seria!
Olhando o passado!
Já há algum tempo, sabe-se que determinadas espécies de animais também
são dotadas de um tipo de percepção direta sobre os números. Inúmeras ex-
periências demonstraram que os rouxinóis, as pegas e os corvos eram capazes
de distinguir quantidades concretas de um a quatro. Veja o caso do corvo:
“Um castelão decidiu matar um corvo que fez seu ninho na torre do castelo. Já tentara
várias vezes surpreender o pássaro, mas ao se aproximar, o corvo deixava o ninho,
instalava-se numa árvore próxima e só voltava quando o homem saía da torre. Um
dia, o castelão recorreu a uma artimanha: fez entrar dois companheiros na torre.
Instantes depois, um deles desaparecia, enquanto o outro fcava. Mas, em vez de cair
nesse golpe, o corvo esperava a partida do segundo para voltar a seu lugar. Da próxi-
ma vez ele fez entrar três homens, dos quais dois se afastaram em seguida: o terceiro
pôde então esperar a ocasião para pegar o corvo, mas a esperta ave se mostrou ainda
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Universidade do Sul de Santa Catarina
18
mais paciente que ele. Nas tentativas seguintes, recomeçou-se a experiência com
quatro homens, sempre sem resultado. Finalmente, o estratagema teve sucesso com
cinco pessoas, pois o corvo não conseguia reconhecer mais que quatro homens ou
quatro objetos...” (Extraído de: IFRAH, Georges. Os números: história de uma gran-
de invenção. 8. ed. São Paulo: Globo, 1996. p. 20.)
SEÇÃO 2
Conjuntos numéricos
A noção de conjunto é conhecida desde o início dos tempos. Ao invés de
usar símbolos para representar os números, utilizava-se a comparação de
conjuntos.
A noção matemática de conjunto é praticamente a
mesma que se usa na linguagem informal: é o mesmo
que agrupamento, classe ou coleção.
Você pode formar muitos conjuntos. Se você for colecionador de alguma
coisa, a sua coleção fará parte de um conjunto.
Veja como é possível escrever o conjunto formado
pelos estados brasileiros localizados na região sul:
A = {Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul}.
Ou ainda, o conjunto dos números pares positivos:
B = {2, 4, 6, 8, 10, ...}.
Nesta disciplina o que irá lhe interessar são os conjuntos formados por
números ou os conjuntos numéricos. Em especial, o conjunto dos núme-
ros reais, que irá embasar o estudo dos diferentes tipos de funções. Então,
veja como se chegou até estes números reais!

Pare!
Revise!
O conjunto A é dito finito,
pois possui 3 elementos, já
o conjunto B é dito infinito
pois possui um número infi-
nito de elementos.
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Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 19
a) Conjunto dos números naturais
Neste conjunto numérico encontram-se os primeiros números conhecidos
pela humanidade. Sua representação é dada por:
N = {0, 1, 2, 3, 4, 5,...}.
Perceba que este é um conjunto infnito pois é possível sempre acrescen-
tar uma unidade a cada número para que se obtenha um sucessor.
Olhando o passado!
O número zero tem uma história interessante. Em 662 d.C. o bispo sírio
Severus Sebort referiu-se aos nove sinais, num trabalho público, mas não
fazia referência ao zero.
O zero surgiu posteriormente e não se sabe muito sobre a sua origem. Dizem
que a sua origem está no mundo grego.
Sua forma se deve aos maias (olho meio aberto), hindus (ovo de ganso) ou
aos gregos (letra grega ômicron que é a primeira da palavra Ouden que signi-
fca vazio).
b) Conjunto dos números inteiros
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema:
P1 Um trabalhador assalariado possui uma conta no banco. No mês
de julho ele se perdeu nas contas e acabou gastando mais do que
deveria. Quando imprimiu o seu extrato, percebeu que o saldo era de
R$130,00 D. O que isto signifca?
Este problema pode mostrar a importância dos números inteiros.
Veja porquê!
Nos extratos bancários a letra C indica crédito e a letra D indica débito.
Isto signifca que na conta, havia 130 reais negativos, ou seja, –R$130,00,
estava faltando R$130,00.
Veja como é importante o estudo dos números não positivos ou negati-
vos. Desde a época em que o comércio passou a fazer parte da sociedade,
inicialmente com o sistema de trocas até que se instituísse uma moeda, a
noção de números negativos já é amplamente utilizada.

Pare!
Revise!
Quando utilizamos a notação
N* representamos a exclusão
do zero:
N* = {1, 2, 3, 4, 5,...}.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 19 7/7/2006 15:54:13
Universidade do Sul de Santa Catarina
20
Para representar estes números, usa-se o conjunto numérico chamado de
conjunto dos números inteiros:
Z = {..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, ...}.
c) Conjunto dos números racionais
Além dos números naturais e inteiros, perceba que em seu dia-a-dia você
utiliza também números fracionários. Ao comer uma fatia de um bolo divi-
dido em 8 partes iguais, por exemplo, além da água na boca, você pode
dizer que estará comendo uma parte do todo. Estará comendo
1
8
do bolo.
No sistema monetário usa-se funções decimais do real. Por exemplo:

R$ 0,50 – cinqüenta centavos é a metade de um real

R$ 0,25 – vinte e cinco centavos representa
1
4
de um real.
Olhe para uma régua e perceba a existência de números entre os números
inteiros que você já estudou. Entre 0 e 1 temos, por exemplo,
1
2
ou entre
3 e 4 o número 3,25.
As frações são representadas na forma
m
n
, n ≠ 0, m, n ∈ Ζ e formam o con-
junto dos números racionais , denotado por:
Q = { x | x =
m
n
, m, n ∈ Ζ e n ≠ 0}.
Veja alguns exemplos:
3
4

10
7


1
2

9
5
.
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Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 21
Veja como se faz a leitura de frações:
1
2
Um meio
1
8
Um oitavo
1
3
Um terço
1
9
Um nono
1
4
Um quarto
1
10
Um décimo
1
5
Um quinto
1
11
Um onze avos*
1
6
Um sexto
1
12
Um doze avos
1
7
Um sétimo
1
20
Um vigésimo
*Avos é um substantivo masculino empregado na leitura de frações que pos-
suem denominador maior que dez.
Toda a fração pode ser escrita em uma forma decimal.
Veja como se faz:
1
2
= 0,5
3
4
= 0,75
1
3
= 0,3333...
2
7
= 0,285714285714...
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema:
P2 Em um restaurante um garçom só sabia dividir uma pizza em
10 fatias iguais. Se Mário comeu a metade da pizza e sua namorada
comeu
1
5
quantas fatias sobraram?
Para saber quantas fatias sobraram, veja como é possível raciocinar:

Se Mario comeu a metade da pizza, então ele comeu a metade de
10 fatias, ou seja,
10
2
= 5 fatias.

Sua namorada comeu
1
5
da pizza, então ela comeu
1
5
de 10 fatias,
ou seja, (
1
5
de 10) =
10
5
= 2 fatias.
Assim, Mario e sua namorada comeram juntos 5 + 2 = 7 fatias.
Portanto, sobraram 10 – 7 = 3 fatias.

Pare!
Observe!
Algumas frações possuem
representação decimal exata
e outras uma representação
decimal periódica.
São dízimas
periódicas:
51
99
= 0,5151515151...
31
90
= 0,3444444444...
São decimais exatas:
1
5
= 0,2
20
4
= 5
Para encontrar a forma
decimal você pode realizar as
divisões no papel ou mesmo
em uma calculadora.

Pare!
Observe!
Todos os números inteiros
são também números racio-
nais pois podem ser escritos
na forma de uma fração.
Veja:
4 =
4
1
7 =
7
1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
22
Olhando o passado!
Diofanto foi um matemático que viveu em Alexandria no século III. Pouco se
sabe sobre a sua vida, mas existe uma charada que, dizem, teria sido gravada
em seu túmulo: “Aqui jaz o matemático que passou um sexto da sua vida
como menino. Um doze avos da sua vida passou como rapaz. Depois viveu
um sétimo da sua vida antes de se casar. Cinco anos após nasceu seu flho,
com quem conviveu metade da sua vida. Depois da morte de seu flho, sofreu
mais 4 anos antes de morrer.” Você sabe quantos anos viveu Diofanto?
Fonte: http://www.exatas.hpg.ig.com.br/curiosidades.htm.
d) Conjunto dos números reais
Para defnir o conjunto dos números reais, é necessário considerar os
números que não podem ser escritos na forma de
m
n
com n ≠ 0 e m, n ∈ Ζ.
Estes números formam o conjunto dos números irracionais, que pode ser
escrito pela letra Q .
São exemplos de números irracionais:
π = 3,141592653... e = 2,718281828...
2 = 1,41...
É comum dizer que o conjunto dos números reais é o
resultado da união do conjunto dos números racionais
com o conjunto dos números irracionais.
Os números reais são representados geometricamente por uma reta
numerada, denotada por reta real.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 22 7/7/2006 15:54:14
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 23
Olhando o passado!
Você não imagina a consternação no seio dos pitagóri-
cos quando descobriram a existência de grandezas que
não guardam entre si uma relação de inteiro para inteiro.
Isto aconteceu quando verifcaram a impossibilidade de
mensurar (ou medir) a diagonal de um quadrado de lado
igual a 1 unidade de comprimento.
Acredita-se que os pitagóricos guardaram este segredo por muitos anos, pois
esta constatação signifcava a existência de seres disformes no seu mundo
regido pelos números. Hoje já se sabe que este ser disforme é a raiz quadrada
de dois.
O número Pi
A história do número π está ligada à história da vida de muitos matemá-
ticos da Antigüidade. Que tal relembrar, para sermos justos, do nome de
Arquimedes, famoso matemático e astrônomo que nasceu em Siracusa,
mais ou menos 287 a.C.
No tempo de Arquimedes muitos estudiosos já sabiam
que o comprimento de uma circunferência é igual a um
número um pouco maior que 3 vezes o seu diâmetro.
Existe o registro histórico de várias tentativas para encontrar o valor exato
desse número um pouco maior que 3, que hoje é conhecido como número
Pi, simbolizado por π.
Vários métodos geométricos demonstram
que o valor do Pi é π = 3,141592653...
Você pode encher a tela do seu computador com as casas decimais do
número Pi.
O número e
A origem do número e está associada à origem dos logaritmos. As tábuas
de logaritmos foram inventadas para facilitar os cálculos, pois ao se usar
logaritmos consegue-se reduzir multiplicações e divisões em simples
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 23 7/7/2006 15:54:15
Universidade do Sul de Santa Catarina
24
adições e subtrações. É usual falar “número neperiano” em homenagem
ao matemático John Napier, uma vez que este, em 1614, apresentou uma
maneira prática para defnir o logaritmo de e.
Além de servir de base para um sistema de logaritmos, o número e é um
número útil em toda a Matemática e ciências afns. Por exemplo, é muito
usado na Economia, Estatística, Probabilidades etc.
Nos dias de hoje, não se usa as tábuas de logaritmos porque as calcula-
doras fazem todos os cálculos. No entanto, não se pode dispensar esse
número de nossas vidas. Vários fenômenos são modelados por uma fração
que envolve o número e, como por exemplo, o crescimento populacional
e o aumento de capital e juros.
Nas próximas unidades você vai ouvir falar muito sobre o número e!
e = 2,718281828...
e) Conjunto dos números complexos
Você acha seu nome bonito? Todas as pessoas que você conhece acham
o seu nome bonito? O nome de batismo de uma pessoa pode não ser
bonito, mas não causa “mal entendido” porque ele tem um único signif-
cado.
Muita gente não aceita o termo “número imaginário” ou “número com-
plexo” tal como é usado em matemática. E isto causa um mal entendido!
Entretanto, é importante lembrar:
Quando uma palavra é defnida precisamente e tem ape-
nas um signifcado, não há mais razões para criticar seu
uso.
Logo, um número imaginário ou complexo é uma idéia matemática precisa.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 24 7/7/2006 15:54:15
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 25
Olhando o passado!
Cardano, um grande matemático do século XVI, foi o primeiro a reconhecer
a verdadeira importância desses números. Na sua obra “Ars Magna” discute a
Álgebra e dá especial atenção às raízes negativas de uma equação e ao cálculo
com números complexos.
O conjunto dos números complexos é formado por todos os números
reais e pelas raízes negativas, podendo ser representado por:
C = { z | z = (a,b), a, b ∈ R }
Em geral os números complexos são discutidos inicialmente na forma
algébrica:
z = −4 = 2i = 0 + 2i = (0,2)
z = 2 + −9 = 2 + 3i = (2,3)
Ao olhar para o par ordenado (a,b) torna-se simples visualizar a parte real
e a parte complexa ou imaginária do número complexo:

a é a parte real;

b é a parte imaginária.
Nas próximas seções você irá revisar as operações com os números reais,
sendo enfatizado diferentes representações, algoritmos e métodos de tra-
tamento adequados a cada situação identifcada.
SEÇÃO 3
Adição e subtração de números reais
Para discutir as operações de adição e subtração com números reais, veja
inicialmente algumas propriedades:
Comutativa
a ± b = b ± a
Associativa
(a ± b) ± c = a ± (b ± c)
Elemento Neutro
a + 0 = 0 + a = a
0 é o elemento neutro da adição.

Pare!
Revise!
Lembre-se que i = −1.
Assim, tem-se que:
i × i = – 1
i
2
= – 1
( )

2
1 = –1.

Pare!
Observe!
( )
− = −
= =
2
2
1 ( 1)
1 1
está incorreto.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 25 7/7/2006 15:54:15
Universidade do Sul de Santa Catarina
26
Nos próximos exemplos você poderá aplicar estas propriedades em situa-
ções que envolvam a adição e a subtração com números reais.
Exemplos
1) Efetuar as seguintes operações:
(a)
+
+ = =
2 4 10 12 22
3 5 15 15
(b)
+
+ = =
1 10 7 20 27
2 7 14 14
(c)
+
+ = =
1 2 1 6 7
9 3 9 9
Perceba que esta mesma operação pode ser feita usando-se uma
calculadora. O resultado que aparece no visor vai depender da con-
fguração e potencialidades de sua calculadora. Por exemplo, você
pode visualizar:
0,7777
0,777777
0,77777777
0,77777777778.
(d) + 20 45
Com uma calculadora, é possível determinar os valores aproxima-
dos para 20 e 45 :
20 ≅ 4,472135955
45 ≅ 6,708203932
+ 20 45 ≅ 11,180339887
O cálculo é aproximado e o número de casas decimais depende de
cada tipo de calculadora. É possível resolver esta adição usando pro-
priedades da radiciação. Na unidade 6 você verá um breve resumo
de algumas destas propriedades.

Pare!
Observe!
É possível estabelecer uma
regra prática para calcular
a adição ou subtração com
números fracionários. Consi-
dere as expressões
a
b
e
c
d

escritas de forma que b e d
são diferentes de zero:
a c ad bc
b d bd
±
± =
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 26 7/7/2006 15:54:15
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 27
(e)
3
4
– 0,3 = 0,75 – 0,3 = 0,45.
Perceba que o número fracionário foi escrito em sua forma decimal
para que a operação fosse realizada.
Uma outra opção é escrever o número decimal como um número
fracionário:

− = − = = = =
3 3 3 30 12 18 9
0, 3 0, 45.
4 4 10 40 40 20
(f )
− −
− = =
1 2 3 10 7
5 3 15 15
.
(g) –0,2 + 0,37 = 0,37 – 0,2 = 0,17.
2) Um mergulhador passou da profundidade de –6 m para –4 m. Neste
caso, ele subiu ou desceu? Quantos metros?
Perceba que o número –6 é menor que o número –4. Assim, quando o
mergulhador passa de –6m para –4m ele aumenta duas unidades.
Isto signifca que ele subiu 2m pois –6m é mais fundo que –4m.
3) Imagine 3 pizzas de mesmo tamanho, cortadas de formas diferentes:
a primeira em duas partes, a segunda em quatro partes e a terceira em
seis partes. Se Joana come um pedaço de cada uma, ao todo, quanto terá
comido?
Para saber quanto Joana comeu, é possível representar cada pedaço
usando números fracionários:

1 pedaço da primeira pizza (cortada em duas partes) =
1
2
;

1 pedaço da segunda pizza (cortada em quatro partes) =
1
4
;

1 pedaço da terceira pizza (cortada em seis partes) =
1
6
.
Podemos escrever,
.
Assim, Joana comeu , ou quase uma pizza inteira!!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 27 7/7/2006 15:54:16
Universidade do Sul de Santa Catarina
28
4) Um bondoso homem doou
1
5
da sua fortuna para menores carentes, e
2
3

para um asilo de idosos.
(a) Que fração de suas posses ele doou?
Ele doou
+
+ = =
1 2 3 10 13
5 3 15 15
.
(b) Que fração sobrou?
Se ele doou
13
15
, então sobrou um inteiro menos esta fração:

− = − = =
13 1 13 15 13 2
1
15 1 15 15 15
.
As operações de adição e subtração são utilizadas em inúmeras aplicações
que envolvem a modelagem matemática. Na próxima seção você poderá
revisar as operações de multiplicação e divisão dos números reais.
SEÇÃO 4
Multiplicação e divisão de números reais
Assim como nas operações de adição e subtração, veja algumas proprie-
dades da multiplicação:
Comutativa
a × b = b × a
Associativa
(a × b) × c = a × (b × c)
Elemento Neutro
a × 1 = 1 × a = a
1 é o elemento neutro da multiplicação.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 28 7/7/2006 15:54:16
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 29

Perceba que as propriedades listadas
não são válidas para a divisão
Imagine que dois amigos foram pescar no Pantanal. Em determinado
momento, cansados de esperar, eles conversam:
— Esses peixes são muito espertos. Foi a terceira vez que nós dois não
pegamos nenhum.
— Nosso saldo está devedor. Já gastamos 6 iscas.
Como representar esta situação matematicamente?
(+3) × (–2) = –6
Outras situações poderiam ser modeladas por outras multiplicações.
Por exemplo:
(+3) × (+2) = +6
(–3) × (–2) = +6
(–3) × (+2) = –6
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 29 7/7/2006 15:54:16
Universidade do Sul de Santa Catarina
30
Observando essas operações é possível escrever:
Números de sinais diferentes apresentam resultado
negativo e números de sinais iguais apresentam resul-
tado positivo.
Resumindo simbolicamente as regras de sinais:
Divisão Multiplicação
(+) ÷ (+) = (+) (+) × (+) = (+)
(–) ÷ (+) = (–) (–) × (+) = (–)
(+) ÷ (–) = (–) (+) × (–) = (–)
(–) ÷ (–) = (+) (–) × (–) = (+)
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema.
P3 Durante seis dias a temperatura de uma certa região esteve
abaixo de zero, variando entre –18
o
C. Sabendo-se que a temperatura
baixou o mesmo número de graus em cada dia, quantos graus teria
abaixado por dia?
Para modelar esta situação, é possível escrever:
(–18) ÷ (+6) = (–3)
Isto signifca que a temperatura baixou 3
o
C por dia,
até que chegasse a –18
o
C.
Veja a regra prática para a multiplicação que
envolve frações, sendo b e d números diferentes
de zero:
a c a c
b d b d

⋅ =


Pare!
Revise!
Quando uma divisão tem
resto zero, trata-se de uma
divisão exata. Por exemplo,
12 ÷ 6 = 2.
Isto é verdade, pois
2 × 6 = 12.
Da mesma forma,
35 ÷ 5 = 7, pois
7 × 5 = 35.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 30 7/7/2006 15:54:17
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 31
Exemplos
1) Resolver as operações indicadas:
(a)

⋅ = =

1 1 1 1 1
4 3 4 3 12
(d) 0,25 × 1,3 = 0,325
(b)
− ⋅ − −
⋅ = =

5 1 5 1 5
8 4 8 4 32
(e) 0,721 × 3,69 = 2,66049
(c)

⋅ = = =

1 10 1 10 10
1
2 5 2 5 10
2) Se 350 corresponde ao valor total, calcule
1
2
e
3
5
deste valor.
Para resolver este problema multiplique o valor total por suas frações:
1
2
de 350 →
1
2
·350 =
350
2
= 175
3
5
de 350 →
3
5
·350 =
1050
5
= 210.
3) Um bolo foi dividido em partes iguais entre sete pessoas. Uma pessoa
comeu metade da sua fatia. Quanto do bolo ela comeu?
Uma (1) fatia representa a sétima parte do bolo ou
1
7
.
A metade de 1 fatia representa
1
14
do bolo, ou
1
7
×
1
2
=
1
14
.
Assim, a pessoa comeu
1
14
do bolo.
4) Se no bolo do problema anterior, dividido entre 7 pessoas, cada pedaço
custasse R$ 0,80, quanto custariam três pedaços do bolo?
1 pedaço do bolo →
1
7
→ R$ 0,80
3 pedaços do bolo →
3
7
→ 3 × R$ 0,80 = R$ 2,40
Logo, três pedaços do bolo custariam R$2,40.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 31 7/7/2006 15:54:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
32
Olhando o passado!
Matemático tem cada idéia!
Veja o problema histórico criado para justifcar a regra de sinais
(–) × (–) = (+).
“Eu tinha 3 dívidas, todas de 4 moedas de ouro. Mas, as pessoas para quem eu
devia morreram. Perdi 3 vezes a dívida de 4 moedas. Assim, fquei 12 moedas
mais rico”. “perdi 3 vezes a dívida de 4 moedas” → (–3) × (–4) = (12).
Quando você realiza a divisão de duas frações está multiplicando a pri-
meira fração pelo inverso da segunda.
Exemplos
Resolver as operações indicadas:
(a)

÷ = ⋅ = =

2 5 2 4 2 4 8
3 4 3 5 3 5 15
(b)

= ⋅ = =

1
1 5 1 5 5
2
3
2 3 2 3 6
5
(c)
− − ⋅ − −
÷ = ⋅ = =

5 5 5 6 5 6 30
9 6 9 5 9 5
÷5
45
÷

=
5
6
÷3
9
÷
= −
3
2
3
Após tratar das operações de multiplicação e divisão com números reais,
é possível introduzir um importante conceito, utilizado em diversas situa-
ções de nosso dia-a-dia: a porcentagem.
É comum você se deparar com expressões do tipo:

a infação no último mês foi de 4% (quatro por cento);

promoção: descontos de 30% à vista;

o índice da bolsa em São Paulo está em queda de 0,2%.

Pare!
Revise!
Você não pode fazer uma
divisão por zero. Por exem-
plo, não é possível dividir
dois por zero (2 ÷ 0), pois se
2 ÷ 0 = x, então
x · 0 = 2.
Não existe número que
multiplicado por zero seja
igual a 2.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 32 7/7/2006 15:54:17
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 33
Mas o que isso signifca?
A porcentagem é uma forma de comparar números usando a proporção
direta. É o valor obtido quando se aplica uma razão centesimal a um valor.
Como o nome já diz é por 100 ou sobre 100.
Em linguagem algébrica a porcentagem de um número a, à razão
x
100
é:
x
100
× a.
Indica-se a expressão:
x
100
por x %.
Para entender melhor, veja a aplicação deste conceito nos exemplos
abaixo apresentados.
Exemplos
1) Calcule 10% de 500.
A razão centesimal é dada por 10% =
10
100
. Portanto,
10% de 500 →
10
100
·500 =
5000
100
= 50.
2) Calcule 25% de 210.
Neste caso, a razão centesimal é dada por 25%=
25
100
. Portanto,
25% de 210 →
25
100
·210 =
5250
100
= 52,5
3) Qual a taxa porcentual de 3 sobre 4?
Equacione a taxa indicada como
x
100
=
3
4
4x = 3·100
4x = 300
x =
300
4
→ Então a taxa é de 75%.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 33 7/7/2006 15:54:18
Universidade do Sul de Santa Catarina
34
4) Uma loja divulga uma promoção de 10% sobre o preço de suas merca-
dorias vendidas à vista. Se uma camisa custa R$90,00, qual será o seu valor
com o desconto?
O desconto de 10% será sobre o valor de R$ 90,00. Assim teremos:
10% de 90 →
10
100
·90 =
900
100
= 9.
Isto signifca que a camisa custará R$ 9,00 a menos. Portanto, o preço a
ser pago é de R$ 90,00 – R$ 9,00 = R$ 81,00.
Parada recreativa
Você lembra do matemático Diofanto? Que tal calcular quantos anos ele
tinha quando morreu? Veja o que estava em seu túmulo:
“Aqui jaz o matemático que passou um sexto da sua vida
como menino. Um doze avos da sua vida passou como
rapaz. Depois viveu um sétimo da sua vida antes de se
casar. Cinco anos após nasceu seu flho, com quem con-
viveu metade da sua vida. Depois da morte de seu flho,
sofreu mais 4 anos antes de morrer.”
Vamos identifcar por V o tempo de vida de Diofanto, medido em anos.
O tempo de vida de Diofanto é a soma de cada uma das frações indicadas.
Assim, temos:
V V V V
V = + + + + + 5 4
6 12 7 2
.
Resolvendo a soma de frações, teremos:
V V V V
V
V V V V V
V V V V V
V
V
+ + + − = −
+ + + − = −
+ + + −
= −

= −
=
9
6 12 7 2
9
6 12 7 2 1
14 7 12 42 84
9
84
9
9
84
84
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 34 7/7/2006 15:54:18
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 35
Determinando o valor de V, é possível saber que Diofanto viveu 84 anos.
Veja na tabela abaixo a divisão destes 84 anos:
Menino
84
6
= 14 anos Até 14 anos
Rapaz
84
12
= 7 anos 14 aos 21 anos
Antes de casar
84
7
= 12 anos 21 aos 33 anos
Filho nasceu 5 anos depois de casar 33+5 = 38 anos
Conviveu com o flho
84
2
= 42 anos 38 aos 80 anos
Morreu 4 anos depois da morte flho 80+4 = 84 anos
SEÇÃO 5
Resolução de equações
Quando você está diante de um problema, pode resolvê-lo usando mais
de um caminho ou estratégia. Se o problema requer o uso de objetos
matemáticos, a solução pode ser obtida a partir do envolvimento de algo-
ritmos numéricos, resolução de equações ou sistemas de equações. Para
cada situação, usa-se a ferramenta matemática adequada que poderá ser
simples ou de nível mais complexo, como é o caso de derivadas e integrais
(objetos matemáticos não estudados nesta disciplina).
Os problemas considerados da área econômica, em geral, são modelados
através de expressões algébricas resultando em fórmulas práticas. Ao
aplicar os dados, você fca diante de uma equação ou de um sistema de
equações. É importante que neste momento você faça uma breve revisão
sobre a resolução de equações do 1
o
e 2
o
graus, pois estes conceitos serão
amplamente aplicados no estudo das funções nas próximas unidades.
Equação do 1
o
grau
A resolução de uma equação do 1
o
grau consiste na determinação da
incógnita x, “isolando-a” em um dos lados da igualdade. Para tal, você pre-
cisa relembrar dois princípios:

Pare!
Revise!
É usual utilizar letras para
representar os valores que
uma variável pode assumir.
É comum, de forma mais
tradicional, usar o termo
incógnita para expressar o
valor que é desconhecido e
se procura saber.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 35 7/7/2006 15:54:18
Universidade do Sul de Santa Catarina
36

Princípio aditivo da igualdade: adicionando (ou subtraindo) aos
dois membros de uma igualdade o mesmo número, a igualdade
não se altera. Em outras palavras, ao passar um número que está
somando (ou subtraindo) para o outro lado da igualdade, deve-se
inverter seu sinal.

Princípio multiplicativo da igualdade: multiplicando (ou divi-
dindo) os dois membros de uma igualdade pelo mesmo número, a
igualdade não se altera. Em outras palavras, um número que está
multiplicando passa para o outro lado da igualdade dividindo; já
um número que está dividindo passa para o outro lado da igual-
dade multiplicando.
Exemplos
1) Determinar o valor da incógnita x das seguintes equações do 1
o
grau:
(a) 8x + 4 = 12
8x = 12 – 4
8x = 8
x =
8
8
x = 1
(b) –3x + 4 = –3
–3x = –3 –4
–3x = –7
x =


7
3
x =
7
3
(c)
2
7
x –3 = 5
2
7
x = 5 + 3
2
7
x = 8
x = 8·
7
2
x =
56
2
x = 28
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 36 7/7/2006 15:54:18
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 37
2) O testamento de um moribundo impõe que se sua esposa, que
está grávida, tiver um flho, este herdará
3
4
e a viúva
1
4
dos bens; mas
se nascer uma flha, esta herdará
7
12
e a viúva
5
12
dos bens. Como devem
ser divididos os bens no caso de nascer um casal de gêmeos?
1
Este é um problema discutido na Idade Média e tem origem romana. A
solução considerada viável faz uma suposição satisfatória pois, rigorosa-
mente, não se poderia solucioná-lo visto que não se conhece o critério
adotado pelo moribundo, no caso de flhos gêmeos (poderia, por exemplo,
ser uma escolha aleatória).
A sugestão de solução considera que o moribundo queria deixar:

para um flho o valor equi-
valente ao triplo do valor da
viúva pois:
3
4
= 3 ×
1
4

para uma flha o valor equi-
valente a
7
5
do valor da viúva
pois:
7
12
=
7
5
×
5
12
Assim, é possível escrever a equação:
x + 3x +
7
5
x = 1.
Considerando-se que a herança foi repartida para 3 pessoas (viúva, flho e
flha), e mantendo-se a proporcionalidade inicialmente proposta, na equa-
ção o valor de x representa a parte da viúva.
Para resolver a equação, é possível aplicar os princípios enunciados para a
resolução de uma equação do 1
o
grau. Veja:
x x x
x x x
x
x
x
+ + =
+ +
=
=
=
=
7
3 1
5
5 15 7
1
5
27
1
5
27 5
5
.
27
1
Problema extraído de EVES, Howard. Introdução à História da Matemática. Campinas:
UNICAMP, 1995, p. 314.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 37 7/7/2006 15:54:19
Universidade do Sul de Santa Catarina
38
Assim, a solução pode ser resumida da seguinte forma:

A viúva receberá
5
27
dos bens, o que corresponde a 18,51% do total.

O flho recebe o triplo de
5
27
→ 3 ×
5
27
=
15
27
dos bens, o que corres-
ponde a 55,56% do total.

A flha recebe
7
5
de
5
27

7
5
×
5
27
=
7
27
dos bens, o que corresponde
a 25,93% do total.
Equação do 2
o
grau
Para resolver uma equação do segundo grau é preciso utilizar algumas
regras gerais que foram criadas para auxiliar nestes cálculos. A fórmula
mais conhecida é a fórmula de Báskara:
b b b a c
x
a a
b b a c
x
a
b b a c
x
a
− ± ∆ − ± − ⋅ ⋅
= =
⋅ ⋅
− + − ⋅ ⋅
=

− − − ⋅ ⋅
=

2
2
1
2
2
4
2 2
4
2
4
2
Exemplos
1) Resolver as equações do 2
o
grau.
a) 2x
2
+ 5x – 3 = 0
x
x
x
− ± − ⋅ ⋅ −
=

− +
= = =
− − −
= = = −
2
1
2
5 5 4 2 3
2 2
5 7 2 1
4 4 2
5 7 12
3
4 4
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 38 7/7/2006 15:54:19
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 39
b) 16 – x
2
= 0
x
x
x
− ± − ⋅ − ⋅ ± ±
= = =
⋅ − − −
= = −


= =

2
1
2
0 0 4 1 16 0 64 8
2 1 2 2
8
4
2
8
4
2
2) Encontrar o preço de equilíbrio e a respectiva quantidade para as fun-
ções de demanda e oferta, sendo x a quantidade e y o preço
x
2
+ 5x – y + 1 = 0
2x
2
+ y – 9 = 0
Para determinar o preço de equilíbrio e a quantidade vamos resolver o
sistema de equações dado. Isolamos y = 9 – 2x
2
e substituímos na primeira
equação:
x
2
+ 5x – (9 – 2x
2
) + 1 = 0
x
2
+ 5x – 9 + 2x
2
+ 1 = 0
3x
2
+ 5x – 8 = 0
Aplicando os valores referentes à equação a ser solucionada, temos:
x
x
x
− ± − ⋅ ⋅ − − ± + − ±
= = =

− +
= = =
− − −
= =
2
1
2
5 5 4 3 8 5 25 96 5 121
2 3 6 6
5 11 6
1
6 6
5 11 16
6 6
Como x representa a quantidade do produto, não faz sentido ser repre-
sentado por um número negativo. Assim, apenas nos interessa o valor de
x
1
= 1.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 39 7/7/2006 15:54:19
Universidade do Sul de Santa Catarina
40
Substituindo x = 1 em uma das equações, temos:
y = 9 – 2x
2
y = 9 – 2·1
2
y = 9 – 2
y = 7
Portanto os valores y = 7 e x = 1 representam o preço de equilíbrio e a
quantidade para as funções de demanda e oferta apresentadas.
Parada recreativa
Você já ouviu falar em Quadrados Mágicos?
Um quadrado dividido em 4, 9 ou 16 quadrados iguais é dito um qua-
drado mágico se a soma dos números numa coluna, numa linha ou em
qualquer das diagonais for sempre a mesma.
A origem dos quadrados mágicos é obscura. Na
Índia muitos reis usavam o quadrado mágico como
amuleto; um sábio do Iemen afrmava que os
quadrados mágicos eram preservativos de certas
moléstias. Um quadrado mágico de prata, preso ao
pescoço, evitava, segundo a crença de certas tribos,
o contágio da peste.
Se a tradição for verdadeira, vale a pena completar
o quadrado mágico proposto. Lembre-se que ao
somar os valores das linhas, colunas e diagonais
você deve obter o mesmo valor.
16 2
10
4
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 40 7/7/2006 15:54:20
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 41
Síntese
Ao fnalizar esta unidade você já pode dizer que conhece os números que
são amplamente discutidos na Matemática e, muitas vezes, erroneamente
utilizados em nosso dia-a-dia. Perceba que os conceitos relacionados aos
números, as frações e as operações são importantes para que você avance
e amplie seus estudos na Matemática.
Você ainda vai ouvir muito sobre os números nesse curso. Os conceitos
vão sendo aprofundados, mas isto só será possível se você sanar todas
as suas dúvidas desde já. Então aproveite! Vá até o AVA, analise as idéias
apresentadas nos diferentes ícones e desenvolva todas as atividades pro-
postas.
Não esqueça de sanar suas dúvidas com o seu professor tutor.
Nas próximas unidades você irá estudar as funções.
Ate lá!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 41 7/7/2006 15:54:20
Universidade do Sul de Santa Catarina
42
Atividades de auto-avaliação
1) Efetue as operações indicadas:
(a)
2
3
+
5
6
(b)
1
9

2
7
(c) 10 ÷
3
4
(d)
9

4
5
(e)
1
4
– 0,3 (f )
3
4
×
1
3
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 42 7/7/2006 15:54:20
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 43
(g)
| |
× +
|
\ .
1 7
3
2 3
(h)
3
4
÷
5
3
(i)
7
6
7
(j)
10
5
3
2) O salário do funcionário de uma empresa é igual a R$1200,00. No mês
de suas férias ele recebe o seu salário mais
1
3
referente às férias. Quanto
ele receberá?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 43 7/7/2006 15:54:20
Universidade do Sul de Santa Catarina
44
3) Mario trabalhou 7 meses numa empresa, com salário de R$ 600,00.
Por isso, recebeu a quantia igual a de
7
12
de um salário, correspondente
à parte do 13º salário. De quanto foi a quantia recebida?
4) Se
2
5
correspondem a 180, a quanto corresponde um inteiro?
5) O tanque do carro está seco. Se pusermos 14,5 litros, num carro que
roda, em média, 7,14 km/l, conseguiremos chegar a um hotel que fca a
98 quilômetros de distância?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 44 7/7/2006 15:54:20
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 45
6) Numa receita de bolo usa-se 0,5 litros de leite, sendo que 0,25 dessa
quantidade vai no recheio. Que fração do litro é usada no recheio?
7) Uma mãe deu dinheiro aos três flhos, dizendo que era um terço para
cada um. O primeiro flho gastou só um terço da sua parte. Que fração do
total ele gastou?
8) Um clube tem 60 associados, 18 dos quais com menos de 15 anos de
idade. Esses jovens correspondem a que fração do quadro de associados?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 45 7/7/2006 15:54:20
Universidade do Sul de Santa Catarina
46
9) Em uma aplicação fnanceira tem-se rendimento igual a 1,0% ao mês,
sendo descontada uma taxa anual fxa, relativa à administração, igual a
5% do depósito inicial. Se um indivíduo possui R$6000,00 e aplica este
dinheiro durante um ano e meio, qual será o seu saldo fnal?
10) Numa pesquisa de intenção de voto, realizada com 500 pessoas de
uma cidade, obteve-se os seguintes resultados
apresentados na tabela ao lado:
Calcule os valores percentuais
da pesquisa realizada.
11) Um incêndio destruiu 30% da área verde de uma foresta. Se 20% desta
foresta é formada por rios e riachos e o restante somente por área verde,
qual o percentual da foresta atingida pelo fogo?
Número de pessoas
Candidato A 132
Candidato B x
Indecisos 74
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 46 7/7/2006 15:54:20
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 1 47
12) Resolva as seguintes equações:
(a)
x
x
+
= −
3 1
5
(b) 3x + 3 = –12
(c)
x
x
+
=

2 5 1
4 2
(d) x
2
+ 2x – 3 = 0
(e) x x
| |
− + =
|
\ .
1
( 3) 0
2
(f ) (2x – 5)(4 – x) = 0
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 47 7/7/2006 15:54:21
Universidade do Sul de Santa Catarina
48
Saiba mais
Uma sugestão para descontrair e para que você perceba que a Matemá-
tica não está presente apenas nos livros, é a leitura do livro Mar Sem Fim
de Amyr Klink (veja a seguir a referência completa).
Além de navegar junto com o autor, você poderá expandir seus conheci-
mentos e observará a Matemática presente em cada página, nos maravi-
lhosos relatos do autor sobre sua aventura ao redor da Antártica!
KLINK, Amyr. Mar sem fm: 360
o
ao redor da Antártica. São Paulo: Com-
panhia das Letras, 2000.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 48 7/7/2006 15:54:21
Funções
2
UNIDADE 2
Objetivos de aprendizagem

Identifcar funções presentes no cotidiano e que modelam
situações problemas.

Analisar representações grafas dos diferentes tipos de fun-
ções.

Analisar características e propriedades das funções;
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução

Seção 2 – Tipos de funções

Seção 3 – Propriedades e características

Seção 4 – Função inversa
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 49 7/7/2006 15:54:21
Universidade do Sul de Santa Catarina
50
Para início de conversa
Você vai ouvir muito a palavra função no decorrer do seu curso e terá sem-
pre a oportunidade de constatar a importância desse objeto matemático
para a sua formação como futuro professor de matemática e também para
a sua formação como cidadão que necessita lidar com diferentes situações
problemas.
A Matemática está presente nos currículos escolares em uma boa parte da
formação escolar de um cidadão, exatamente pelo fato de que estamos
diante de um “combustível” que faz a sociedade funcionar.
Vamos conhecer um pouco mais de perto a maravilhosa formalidade de
objetos matemáticos!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 50 7/7/2006 15:54:21
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 51
SEÇÃO 1
Introdução
Você já parou para pensar onde aparecem as funções
discutidas na matemática em sua vida? Mas antes disso,
você sabe realmente o que é uma função?
Você pode pensar, intuitivamente, que uma função é uma relação entre
variáveis.
Assim, por exemplo, podemos dizer que a temperatura depende da umi-
dade relativa do ar, da localização que está sendo considerada, da altitude,
da presença de um ar condicionado, entre outras coisas.
É possível dizer, de forma simplifcada, que a temperatura é uma função
destas variáveis elencadas, ou seja,
Temperatura = f(umidade relativa do ar, localização, altitude, ar condi-
cionado)
Esta pode ser uma função que envolve várias variáveis.
Para entender as funções de várias variáveis, é impor-
tante que você conheça, num primeiro momento, algu-
mas funções mais simples, chamadas de funções de uma
variável. São também relações que envolvem apenas
duas variáveis: uma dita dependente e outra dita inde-
pendente.
Existem inúmeras situações que envolvem estas funções de uma variável,
por exemplo:

o espaço percorrido por um automóvel depende do tempo;

a área de uma sala quadrada depende da medida do seu lado;

o custo de fabricação de um produto depende do número de unida-
des produzidas.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 51 7/7/2006 15:54:21
Universidade do Sul de Santa Catarina
52
Nos exemplos colocados, é possível identifcar as variáveis dependentes e
independentes:

Variáveis dependentes: espaço percorrido, área da sala, custo de
fabricação do produto;

Variáveis independentes: tempo, medida do lado da sala, número
de unidades produzidas.
Para modelar essas situações, são utilizadas funções do tipo y = f (x), sendo
x a variável independente e y a variável dependente.
Para defnir uma função é necessária a existência de dois conjuntos e uma
relação específca entre eles. A Figura 2.1 mostra diagramas que represen-
tam os dois conjuntos e a relação em três diferentes situações. Observe
que:

todos os elementos do conjunto A têm um único correspondente
no conjunto B;

no conjunto D você pode ter elementos que são correspondentes
de mais de um elemento no conjunto C;

no conjunto F você pode ter elementos que não são utilizados na
relação entre os dois conjuntos.
(a) (b)
C D
(c)
E F
Apresenta uma função de A
em B: a cada elemento do con-
junto A corresponde um único
elemento do conjunto B.
Apresenta uma função de C
em D. Pode-se dizer que 2 é
imagem de 1 e 4 é imagem de
0 e 2, ou,
f (1) = 2
f (0) = f (2) = 4
Apresenta uma função de E
em F. O conjunto F tem um
elemento que não é imagem
da função.
Figura 2.1 Diagramas com funções.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 52 7/7/2006 15:54:21
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 53
Defnição de função
Formalmente podemos defnir função da seguinte forma:
Sejam A e B subconjuntos do conjunto dos números
reais. Uma função f : A → B é uma lei ou regra que a cada
elemento de A faz corresponder um único elemento de
B.
Linguagem Simbólica:
:
( )
f A B
x f x

ou
( )
f
A B
x y f x
÷÷→
=
Podemos dizer que uma função defnida no conjunto dos reais é uma
relação específca, pois estamos diante de um subconjunto do produto
cartesiano R × R.
Assim, a representação gráfca de uma função y = f (x) é o conjunto dos
pares ordenados (x, f (x)), e para cada valor de x existe um único corres-
pondente y.
É usual identifcar:
Domínio de uma função: conjunto em que a função é
defnida (conjunto A).
Contra-domínio de uma função: conjunto em que a fun-
ção toma valores (conjunto B).
Conjunto Imagem de uma função ou simplesmente Ima-
gem da função: conjunto dos valores f(x).

Pare!
Observe!
Na linguagem mais coloquial
é usual confundir as nota-
ções f com f (x): f é a função
f : A → B, enquanto que
f (x) é o valor que a função
assume em x. Costuma-se
falar que f(x) é a ima-
gem de x.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 53 7/7/2006 15:54:21
Universidade do Sul de Santa Catarina
54
Olhando o passado!
Euler foi um escritor prolífco da história da matemática. Sua produtividade
surpreendente não foi prejudicada quando fcou cego. Publicou 530 trabalhos
durante sua vida e muitos manuscritos publicados após a sua morte. É muito
grande a sua contribuição para a matemática. Destaca-se aqui, a sua autoria
por notações matemáticas que permanecem imutáveis através dos séculos.
Por exemplo, a notação de funções y = f (x).
Acompanhe os exemplos a seguir:
Exemplos
1) Considere as funções apresentadas na Figura 2.1. Determine o domínio
D(f), o contra-domínio CD(f) e o conjunto imagem Im(f).
(a)
f : A → B
D( f ) = {1,2}
CD( f ) = {2,4}
Im( f ) = {2,4}
(b)
f : C → D
D( f ) = {0,1,2}
CD( f ) = {2,4}
Im( f ) = {2,4}
(c)
f : E → F
D( f ) = {1,2}
CD( f ) = {2,4,7}
Im( f ) = {2,4}
Em geral os conjuntos A e B são subconjuntos do conjunto dos números
reais.
Neste caso, as funções são ditas reais com variáveis reais e a representação
usual é a representação algébrica da lei de formação que defne a relação
entre os conjuntos.
2) Para cada uma das funções, identifcadas a partir de sua representação
algébrica, calcule a imagem nos pontos 1, –3 e
1
2
:
(a) f (x) = x – 1
Para calcular a imagem nos pontos indicados, é necessário fazer
x = 1, x = –3 e x =
1
2
. Assim, temos:
f (1) = 1 – 1 = 0
f (–3) = –3 – 1 = –4
f
− −
| |
= − = =
|
\ .
1 1 1 2 1
1
2 2 2 2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 54 7/7/2006 15:54:22
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 55
(b) g(t ) = –t
2
Neste caso, vamos fazer t = 1, t = –3 e t =
1
2
. Assim, temos:
g (1) = –1
2
= –1
g (–3) = –(–3)
2
= –9
g
| | | |
= − = −
| |
\ . \ .
2
1 1 1
.
2 2 4
SEÇÃO 2
Tipos de funções
Para fns didáticos é interessante que as funções sejam classifcadas de
acordo com algumas características. Nesta disciplina você terá a oportu-
nidade de aprofundar o estudo das funções polinomiais do primeiro e
segundo graus (unidades 3 e 4), das funções racionais e polinomiais com
grau maior do que 2 (unidade 5), das funções exponenciais e logarítmicas
(unidade 6) e, por fm, das funções trigonométricas (unidade 7).
Neste momento, você terá apenas uma panorâmica geral destes tipos de
funções, para que possa estudá-las separadamente nas demais unidades.
Verefque nas Figuras 2.2 até 2.8, exemplos gráfcos de diferentes tipos de
funções.
-3 -2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
x
f(x)
Figura 2.2 Função polinomial
do primeiro grau y = x + 1
-3 -2 -1 1 2 3
-2
-1
1
2
3
x
f(x)
Figura 2.3 Função polinomial
do segundo grau y = x
2
+ 1

Pare!
Observe!
Veja a diferença entre a ima-
gem e o conjunto imagem
de uma função: o conjunto
imagem são todos os pontos
que a função pode assumir,
ou seja, todos os valores
que a variável y assume. A
imagem de uma função é
calculada para cada ponto
identificado. Assim, é possí-
vel calcular f (1),
f (–3) ou f (½ ) que serão,
respectivamente, a imagem
da função no ponto 1, –3
ou ½ .
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 55 7/7/2006 15:54:22
Universidade do Sul de Santa Catarina
56
-3 -2 -1 1 2 3
-2
-1
1
2
3
x
f(x)
Figura 2.4 Função polinomial
do terceiro grau y = x
3
+ 1
-3 -2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
x
f(x)
Figura 2.5 Função racional
y
x
=
+
1
1
-2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
x
f(x)
Figura 2.6 Função exponencial y = 2
x
-2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
x
f(x)
Figura 2.7 Função logarítmica y = log x
2 -
-1
1
x
f(x)
Figura 2.8 Função trigonométrica y = sen x
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 56 7/7/2006 15:54:23
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 57
Olhando o futuro!
Existem vários sofwares matemáticos que auxiliam no tratamento de gráfcos
de funções. Os gráfcos apresentados neste material foram feitos no sofware
GRAPH ., que está disponível para download em http://www.padowan.dk/
graph/.
Mas você pode utilizar qualquer outro sofware para fazer gráfcos de fun-
ções. Experimente procurar na Internet. Lá encontrará várias versões demo
prontas para download. Vale a pena tentar! Experimente!
Olhando o presente!
Os problemas estão ao nosso redor mostrando exemplos de funções.
Confra!
P1 A equação de demanda de um produto é p
2
+ 2p + 2x – 24 = 0,
sendo p o preço de uma unidade da mercadoria e x o número de
unidades da mercadoria. Se o produto fosse de graça, qual seria a
demanda?
Para resolver este problema, é importante entender o que é a equação de
demanda. Num primeiro momento, perceba que estamos trabalhando
com duas variáveis:

p o preço de uma unidade da mercadoria;

x a quantidade de mercadoria demandada.
Usando métodos estatísticos e dados econômicos, você pode montar uma
equação de demanda que pode representar funções do tipo p = f (x)
(função preço) ou x = g (y) (função de demanda).
Em situações econômicas normais, o domínio dessas funções é um sub-
conjunto dos números reais não negativos.
Ao fazer o gráfco dessas funções é usual na área de Economia representar
a variável p no eixo horizontal e a função fca defnida em intervalos con-
venientes.
Podemos considerar também a equação de oferta envolvendo as
variáveis:

p o preço de uma unidade da mercadoria;

x a quantidade de mercadoria a ser ofertada por um produtor.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 57 7/7/2006 15:54:23
Universidade do Sul de Santa Catarina
58
Numa situação econômica normal a curva de oferta é
crescente. Quando o preço da mercadoria aumenta,
o produtor aumenta a oferta para tirar vantagem dos
preços altos. A curva da demanda é decrescente, pois
quando o preço aumenta a procura do produto diminui.
O equilíbrio de mercado ocorre quando a quantidade de mercadoria
demandada a um dado preço é igual à quantidade de mercadoria ofer-
tada àquele preço. Em outras palavras, o equilíbrio de mercado ocorre
quando tudo que é oferecido para a venda de um determinado preço é
comprado. No decorrer deste texto vamos voltar a discutir sobre esse tipo
de problema que pode ser modelado por funções polinomiais.
A partir destas considerações, podemos defnir a demanda, para a situação
apresentada em P1, caso o produto fosse de graça. A representação gráfca
da função defnida a partir da equação de demanda p
2
+ 2p + 2x – 24 = 0
poderá auxiliar neste momento.
Podemos determinar a função de demanda dada por x = f (p) e para isto,
vamos isolar a variável x na equação de demanda do produto:
p p x
x p p
p p
x
x p p
+ + − =
= − − +
− − +
=

= − +
2
2
2
2
2 2 24 0
2 2 24
2 24
2
1
12
2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 58 7/7/2006 15:54:23
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 59
Usando um software matemático, podemos fazer o gráfco da função
x p p

= − +
2
1
12
2
, conforme mostra a Figura 2.9:
0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5
2
4
6
8
10
12
x
p
Figura 2.9 Curva de demanda do produto.
Olhando para o gráfco da Figura 2.9 é possível determinar que, se o pro-
duto fosse de graça, ou seja, a variável p = 0, o valor da variável x seria
igual a 12, ou seja, a demanda seria de 12 unidades do produto analisado.
É possível encontrar este valor de forma algébrica, fazendo p = 0 na fun-
ção encontrada:
x p p
x
x

= − +

= − +
=
2
2
1
12
2
1
0 0 12
2
12.
SEÇÃO 3
Propriedades e características
Quando você for trabalhar com funções, é importante que reconheça as
diversas linguagens utilizadas em sua representação. Em especial, nas
representações gráfcas onde é possível visualizar propriedades e carac-
terísticas das funções sem a necessidade de desenvolvimentos algébricos
mais elaborados.

Pare!
Observe!
No contexto econômico
costuma-se representar a
função inversa para que
se tenha o preço no eixo
vertical.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 59 7/7/2006 15:54:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
60
Veja a seguir, a formalização das principais propriedades e características
das funções, que serão estudadas de forma específca para cada tipo de
função nas próximas unidades.

Representação algébrica: É a lei de formação da função. Usual-
mente utiliza-se a notação y = f (x)

Representação gráfca: É o gráfco da função no sistema cartesiano
de coordenadas.

Domínio: São os valores que a variável independente pode assumir.
Na representação gráfca, é possível identifcá-lo a partir da análise
do eixo x.

Conjunto imagem: São os valores que a variável y assume. Na
representação gráfca, é possível identifcá-lo a partir da análise do
eixo y.

Zero ou raiz: Quando igualamos a lei de formação a zero (y = 0),
haverá um valor correspondente de x. Assim, o(s) valor(es) de x tais
que f (x) = 0 será(ão) o(s) zero(s) da função. Grafcamente é o ponto
em que o gráfco corta o eixo x.

Sinal de uma função: O sinal de uma função é dado pelo sinal da
imagem da função. Quando os valores de y assumem sinal posi-
tivo, dizemos que f (x) > 0, ou seja, a função assume sinal positivo.
Quando os valores de y assumem sinal negativo, dizemos que
f (x) < 0, ou seja, a função assume sinal negativo. Grafcamente, a
função é positiva acima do eixo x e é negativa abaixo deste eixo.

Crescimento ou decrescimento: Uma função é crescente se, para
dois valores quaisquer x
1
e x
2
, com x
1
< x
2
, tivermos f (x
1
) < f (x
2
).
Uma função é decrescente se, para dois valores quaisquer x
1
e x
2
,
com x
1
< x
2
, tivermos
f (x
1
) > f (x
2
).
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema.
P2 Numa indústria, verifcou-se que quando o preço de uma peça
era igual a R$5,00, os clientes encomendavam 50 unidades por dia.
Quando o preço passou a ser R$4,50, as encomendas passaram
para 60 unidades por dia. Como podemos representar a função de
demanda desta peça?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 60 7/7/2006 15:54:24
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 61
Para resolver este problema, vamos inicialmente fazer o gráfco da função
p = f (x) sendo p o preço e x a quantidade demandada. Com os dados do
problema, podemos dizer que esta função passará pelos pontos (50,5) e
(60;4,5), conforme mostra o gráfco da Figura 2.10.
20 40 60 80 100 120 140
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
p
Figura 2.10 Representação gráfca da função de demanda da peça.
Para esta função, vamos analisar suas propriedades e características:

Representação algébrica: A lei de formação desta função é dada
por y = –0,05x + 7,5.

Representação gráfca: Veja a Figura 2.10.

Domínio: A variável x assume valores que vão de 0 até 150. Por-
tanto temos: D( f ) = [0,150]. Observe que na prática x é um número
inteiro, mas na área econômica esse formalismo é relaxado.

Conjunto imagem: Analisando o eixo y do gráfco, podemos perce-
ber que a variável y assume valores que vão de 0 até 7,5. Portanto,
temos: Im( f ) = y ∈ [0;7,5]

Zero ou raiz: O zero da função é o ponto cujo gráfco corta o eixo x.
Nesta função, isto acontece quando x = 150.

Sinal de uma função: Esta função é toda positiva pois o seu gráfco
está todo acima do eixo x.

Crescimento ou decrescimento: É uma função decrescente pois
a medida em que os valores de x aumentam, os valores de y dimi-
nuem. Dos dados do problema podemos mostrar que se x
1
= 50 e
x
2
= 60, com x
1
< x
2
, teremos: f (x
1
) = 5, f (x
2
) = 4,5 e f (x
1
) > f (x
2
).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 61 7/7/2006 15:54:24
Universidade do Sul de Santa Catarina
62
Olhando o futuro!
Estamos de forma sistemática incentivando o uso de sofwares. Veja, no
exemplo desenvolvido, que a expressão que defne a lei de formação foi forne-
cida pelo sofware Graph. Colocamos os pontos dados usando a ferramenta
Function e Insert point series. Para fazer o traçado do gráfco usamos um ajus-
te de curva com a ferramenta Function e Insert trendline escolhendo a opção
linear.
Se você ainda não dispõe de um sofware não perca tempo, pesquise o mais
rápido possível um que seja livre na Internet, pois ele vai ser seu ajudante no
decorrer desta disciplina.
SEÇÃO 4
Função inversa
Ao defnirmos uma função y = f (x) na forma f : A → B, ressaltamos que se
trata de uma lei ou regra que a cada elemento de A se faz corresponder
um único elemento de B.
Em algumas funções para cada y ∈ B existe exatamente um valor x ∈ A
tal que y = f (x). Nestes casos, defne-se uma função g : B → A na forma
x = g (y) .
A função g é dita inversa de f, e é denotada por f
–1
.
Nem todas as funções possuem inversa. As funções do segundo grau, por
exemplo, não possuem inversa, a não ser que seja feita uma restrição con-
veniente no seu domínio e contra-domínio.
Acompanhe os exemplos a seguir:
Exemplos
1) Determinar a função inversa de f (x) = 2x – 1.
Para determinar a representação algébrica da função inversa de f (x),
troca-se o x pelo y na função dada. Assim tem-se:
x = 2y – 1.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 62 7/7/2006 15:54:24
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 63
Isolando a variável y determina-se a função inversa:
x y
x
y
+ =
+
=
1 2
1
2
Portanto,
x
f

+
=
1
1
2
.
2) Verifcar a existência da função inversa de y = x
2
– 4x + 3. Faça sua repre-
sentação gráfca, caso exista.
Veja na Figura 2.11 a representação gráfca da função y = x
2
– 4x + 3:
-3 -2 -1 1 2 3 4 5 6
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
f(x)
Figura 2.11 Gráfco da função y = x
2
– 4x + 3
Na função do segundo grau é necessário realizar uma restrição no domí-
nio pois para cada y ∈ B existem mais de um x ∈ A correspondente. Veja
no gráfco que quando y = 3 ⇒ x = 0 ou x = 4.
Portanto, a função inversa só poderá ser identifcada caso haja uma res-
trição no domínio da função. Suponha que a função passe a ser defnida
como f : [2,+∞) → R. Veja na Figura 2.12 o gráfco da função:
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 63 7/7/2006 15:54:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
64
-3 -2 -1 1 2 3 4 5 6
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
f(x)
Figura 2.12 Gráfco da função y = x
2
– 4x + 3 defnida de [2,+∞) → R
Grafcamente, observa-se uma simétria em relação à reta y = x.
Veja a representação gráfca das duas funções na Figura 2.13.
-3 -2 -1 1 2 3 4 5 6
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
x
f(x)
Figura 2.13 Função f : [2,+∞) → R, y = x
2
– 4x + 3 e sua inversa.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 64 7/7/2006 15:54:25
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 65
Parada recreativa
Malba Tahan, foi um escritor famoso por suas atividades recreativas envol-
vendo a matemática. Veja se você consegue resolver a seguinte situação
apresentada para “o calculista”.
Como pagamento de pequeno lote de carneiros, três criadores de
damasco receberam 21 vasos de vinho:

7 cheios;

7 meio-cheios;

7 vazios.
Como dividir em partes iguais, de forma que cada um deles recebera o
mesmo número de vasos e a mesma quantidade de vinho, sem abrir os
vasos?
Síntese
Ao fnalizar esta unidade, é importante que você perceba que está com
uma ferramenta matemática poderosa e muito útil na modelagem de
problemas práticos. O detalhamento dos itens que foram aqui mostra-
dos será apresentado no decorrer das próximas unidades. Mas não siga
adiante sem antes sanar todas as suas dúvidas.
Não esqueça de analisar os conceitos destacados no AVA e as leituras indi-
cadas na midiateca.
Procure seu professor tutor para ajudá-lo na resolução das atividades
apresentadas no AVA, caso você encontre difculdades.
A próxima unidade tratará das funções do primeiro grau.
Até mais!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 65 7/7/2006 15:54:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
66
Atividades de auto-avaliação
1) Calcule f (0) e f (
1
2
) para as funções representadas algebricamente por:
(a) f (x) = x
2
– x + 1 (b) f (x) =
x
x
+

1
1
2) A função que expressa o custo total, em reais, de fabricação de um
produto é dada por C(q) = q
3
– 10q
2
+ 100q + 100, sendo q o número de
unidades do produto.
(a) Calcule o custo de fabricação de cinco unidades.
(b) Qual o custo de fabricação da quinta unidade?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 66 7/7/2006 15:54:25
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 67
3) Sejam as funções representadas grafcamente nas fguras 2.14 e 2.15:
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
9
x
f(x)
Figura 2.14 Gráfco de f (x).
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
5
10
x
g(x)
Figura 2.15 Gráfco de g (x).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 67 7/7/2006 15:54:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
68
Complete a tabela com as características e propriedades das funções f (x)
e g (x).
f(x) g(x)
Domínio
Conjunto imagem
Zero ou raiz
Sinal da função
Intervalo de
crescimento
Intervalo de
decrescimento
4) Determine a representação algébrica da função inversa de:
(a) f (x) =
x
+3
2
(b) y = 4 – 5x
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 68 7/7/2006 15:54:26
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 2 69
Saiba mais
Em todas as áreas do conhecimento as funções são usadas para modelar
fenômenos físicos e naturais. A leitura de gráfco é requerida em quase
todas as áreas. Para saber mais sobre a aplicação das funções na área
biológica, visite o site http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/
trab2003/g5/ que apresenta vários gráfcos que são lidos e interpretados
por médicos no contexto da cardiologia.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 69 7/7/2006 15:54:26
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 70 7/7/2006 15:54:26
Função do primeiro grau
3
UNIDADE 3
Objetivos de aprendizagem

Identifcar uma função do primeiro grau por meio de sua
forma algébrica.

Conhecer e analisar as propriedades e características de
uma função do primeiro grau.

Utilizar as funções do primeiro grau.
Plano de estudo

Seção 1 – Defnição

Seção 2 – Gráfco da função do primeiro grau

Seção 3 – Propriedades e características

Seção 4 – Aplicações
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 71 7/7/2006 15:54:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
72
Para início de conversa
Você vai perceber no decorrer desta unidade que as funções lineares são
muito importantes para a resolução de diversos problemas. Elas são muito
usadas, por exemplo, elas são usadas muito no contexto econômico para
modelar funções de demanda e de oferta de um determinado produto.
As propriedades e características desse tipo de funções são facilmente
identifcadas tanto na sua representação gráfca como na sua representa-
ção algébrica.
Lembre-se, no decorrer do estudo desta unidade, que muitos matemáti-
cos dedicaram horas de estudo para formalizar conceitos que nos dias de
hoje apresentamos como simples e de fácil aplicação. Esse fato tem impli-
cações didáticas, sobre as quais você vai refetir no decorrer de todo o seu
curso.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 72 7/7/2006 15:54:26
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 73
SEÇÃO 1
Introdução
Você já deve ter escutado o uso de termos como receita, custo e lucro
quando se fala sobre assuntos relacionados à área econômica.Todos estes
termos podem ser analisados através de formas algébricas que são fun-
ções do 1° grau.
Olhando o presente!
Veja os seguintes problemas:
P1 Uma foricultura tem como principal produto buquês de rosas que
são vendidos a R$25,00 cada buquê. A despesa mensal com aluguel,
luz e funcionários é de R$2000,00. O custo para compor cada buquê é
de R$15,00. Escreva a função receita, custo e lucro e calcule quantos
buquês devem ser vendidos para que a receita seja igual ao custo, ou
seja, para que o lucro seja zero.
P2 Suponha que um retângulo tem lados iguais a x e x + 2, qual a
função que nos dá o perímetro deste retângulo?
Para resolver estes problemas devemos ter em mãos os conceitos relacio-
nados com as funções de 1° grau.
Defnição: Chama-se de função do primeiro grau a fun-
ção que associa cada número real x, o número real a·x +
b.
Linguagem Simbólica:
f : R → R
f (x) = ax + b sendo a, b ∈ R com a ≠ 0

Pare!
Revise!
Lembre-se que receita é
tudo que se ganha, custo é
aquilo que se paga e o lucro
é obtido diminuindo o custo
da receita.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 73 7/7/2006 15:54:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
74
Os números reais a e b são chamados de coefciente angular e coef-
ciente linear, respectivamente.
As funções do 1° grau podem ser classifcadas de acordo com os valores
assumidos por a e b, veja a tabela a seguir:
Condição dos
Coefcientes
Representação
Algébrica
Nome da função
a ≠ 0 e b ≠ 0 f (x) = a⋅x + b Função Afm
b = 0 f (x) = a⋅x Função Linear
b = 0 e a = 1 f (x) = x Função Identidade
Exemplos
1) Classifcar as seguintes funções quanto ao seu tipo:
(a) f (x) = –2x Função Linear
(b) g (x) =
1
2
x – 9 Função Afm
(c) y = x Função Identidade
(d) r (t) = 4 –7t Função Afm
2) Escolher um número qualquer, multiplicar por dois e somar dez. Escre-
ver esta regra como uma função do primeiro grau na forma algébrica.
Escolher um número: x
Multiplicar por dois: 2⋅x
Somar dez: 2⋅x + 10
Assim, temos: f (x) = 2⋅x + 10.
Esta função associa cada número x ao seu dobro mais 10.

Pare!
Observe!
Observe que a função do
primeiro grau chamada de
identidade é única, ou seja,
existe apenas um caso onde:
b = 0 e a = 1.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 74 7/7/2006 15:54:26
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 75
3) Escrever a forma algébrica de uma função f que associa a cada número a
sua metade e do resultado subtrai seis. Em seguida calcule f (–2), f (0) e f (2).
f (x) =
1
2
x – 6 é a função pedida.
f (–2) =
1
2
·(–2) – 6 = –1 – 6 = –7
f (0) =
1
2
·(0) – 6 = 0 – 6 = –6
f (2) =
1
2
·(2) – 6 = 1 – 6 = –5
4) Agora já estamos aptos a resolver nosso problema inicial P1, sobre a
venda de buquês em uma foricultura.
Vamos considerar x a quantidade de buquês vendidos no mês. Como cada
buquê é vendido a R$ 25,00, temos que a receita total no fm do mês é
dada por 25⋅x, logo
R(x) = 25⋅x
Esta é uma função do primeiro grau do tipo linear.
O custo total da foricultura é a soma do custo variável e do custo fxo.
Como gasta-se R$ 15,00 para a confecção de cada buquê, segue que o
custo variável é de C
V
= 15⋅x. Já o custo fxo é de C
F
= 2000 logo, o custo
total é dado por:
C = C
V
+ C
F
C(x) = 15⋅x + 2000
Esta é uma função do primeiro grau do tipo afm.
Agora para obter a função que nos dá o lucro total da foricultura, basta
subtrair o custo da receita, ou seja,
L(x) = R(x) – C(x)
L(x) = 25⋅x – (15⋅x + 2000)
L(x) = 10⋅x – 2000
Esta também é uma função do 1° grau do tipo afm.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 75 7/7/2006 15:54:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
76
Falta agora calcularmos a quantidade vendida para que
a receita seja igual ao custo, ou seja, o lucro seja zero.
Se L(x) = 0, então 10⋅x – 2000 = 0,
resolvendo esta equação temos que x = 200.
Assim, concluímos que, se a venda for inferior a 200 uni-
dades, então a foricultura ainda está tendo prejuízo, e
se a venda for maior que 200 unidades, os lucros começam a aparecer.
No início desta seção tínhamos um outro problema a ser resolvido, que
era o cálculo do perímetro de um retângulo.
Agora já podemos encontrar a função que nos dá o perímetro de um
retângulo que tem dimensões x e x + 2. Assim:
P = x + x + (x + 2) + (x + 2)
P = 4⋅x + 4
Usando a notação de função temos que P(x) = 4⋅x + 4.
SEÇÃO 2
Gráfco da função do primeiro grau
Nesta seção você vai estudar a representação gráfca da função do pri-
meiro grau.
Olhando o presente!
Veja a seguir os novos problemas para você analisar.
P3 Suponha que você tenha dois pontos no plano cartesiano, como
obter a lei de formação da função do primeiro grau?
P4 Análise a representação gráfca da função lucro obtida no pro-
blema P1.

Pare!
Observe!
O ponto onde a receita coin-
cide com o custo, ou seja, o
ponto onde o lucro é zero, é
chamado de ponto de nive-
lamento. Os economistas
usam a palavra:
break even point.

Pare!
Revise!
Você lembra como calcular o
perímetro de um retângulo?
É muito simples, basta somar
todos os lados. Assim de
maneira mais formal, defini-
mos que o perímetro de um
retângulo é a soma dos seus
lados.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 76 7/7/2006 15:54:27
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 77
Para obter a representação gráfca de uma função do primeiro grau, faze-
mos o uso de uma tabela de valores, para em seguida colocar os pontos
obtidos no plano cartesiano.
Olhando o passado!
Dizem que uma mosca pode ter motivado a notação do sistema cartesiano.
O matemático René Descartes observava uma mosca que caminhava no forro
de seu quarto, junto a um dos cantos. Chamou sua atenção o fato
de que o caminho da mosca sobre o forro poderia ser descrito se as
distâncias até as paredes adjacentes fossem conhecidas.
Exemplos
1) Representar grafcamente a função y = x + 2.
Inicialmente, constrói-se uma tabela atribuindo valores
para x e determinando os valores de y correspondente.
Note que cada par ordenado (x,y), corresponde um
ponto no plano cartesiano. Assim obtém-se o gráfco
mostrado na Figura 3.1.
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 3.1 Gráfco da função y = x + 2
x y = x + 2 (x,y)
–2 y = –2 + 2 = 0 (–2,0)
–1 y = –1 + 2 = 1 (–1,1)
0 y = 0 + 2 = 2 (0,2)
1 y = 1 + 2 = 3 (1,3)
2 y = 2 + 2 = 4 (2,4)

Pare!
Observe!
Note que uma reta pode ser
definida por apenas dois
pontos. Logo basta determi-
nar dois pontos para a cons-
trução do gráfico de uma
função do primeiro grau.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 77 7/7/2006 15:54:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
78
2) Represente grafcamente a função y = x.
O gráfco desta função é mostrado na Figura 3.2.
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 3.2 Gráfco da função y = x
Olhando o futuro!
Os gráfcos mostrados nas Figuras 3.1 e 3.2, podem ser gerados por sofwares
matemáticos. Você pode utilizar qualquer sofware para fazer gráfcos de fun-
ções. Experimente procurar na Internet que você encontrará várias versões
demo prontas para o download. Vale a pena tentar! Experimente!
Apesar destes programas nos auxiliarem na construção dos gráfcos, é
bom saber fazer esboços gráfcos sem ajuda tecnológica, pois a constru-
ção manual possibilita a identifcação de características da função.
Agora que você já sabe como fazer o gráfco de uma função do primeiro
grau, já podemos retornar aos problemas P3 e P4 do início da seção.
O problema P3 requer que defnamos a lei de formação de uma função do
primeiro grau, conhecendo apenas dois pontos. Considere uma reta que
passa pelos pontos (–1,3) e (2,4). Visualize esta reta na Figura 3.3.
x y = x (x,y)
0
y = 0
(0,0)
1
y = 1
(1,1)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 78 7/7/2006 15:54:27
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 79
-10 -8 -6 -4 -2 2 4 6 8
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 3.3 Gráfco da reta que passa pelos pontos (-1,3) e (2,4)
A lei de formação é dada por f (x) = a⋅x + b. Temos que:

A imagem de –1 é 3, logo f (–1) = a⋅(–1) + b = 3

A imagem de 2 é 4, logo f (2) = a⋅(2) + b = 4
Agrupando estas equações, temos o seguinte sistema:
a b
a b
− + =
¦
´
⋅ + =
¹
3
2 4
Resolvendo este sistema, tem-se que a =
1
3
e b =
10
3
.
Logo a lei de formação da função é dada por:
f (x) =
1
3
·x +
10
3
.
Voltamos a resolução do problema P4 para analisar a representação grá-
fca da função lucro obtida no problema P1.
Lembre-se que, de acordo com o problema P1, temos que:
L(x) = 10⋅x – 2000.
Note, inicialmente, que para fazer o gráfco desta função devemos ter
x ≥ 0, pois x representa quantidade, logo, o gráfco de L está todo a direita
do eixo y. Veja o gráfco na Figura 3.4.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 79 7/7/2006 15:54:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
80
50 100 150 200 250 300
-2500
-2000
-1500
-1000
-500
500
1000
1500
2000
2500
x
L(x)
Figura 3.4 Gráfco da função L(x) = 10⋅x – 2000

O coefciente linear é igual b = –2000, isto é, o gráfco de L, toca o
eixo y no ponto (0,–2000). Neste ponto nada foi vendido.

O ponto (200,0) é onde a reta corta o eixo x. Assim, x = 200 é o
ponto tal que a receita é igual ao custo.

Quando x < 200, temos prejuízo, o gráfco está abaixo do eixo x.

Quando x > 200, obtemos lucro efetivo, o gráfco está acima do eixo x.
SEÇÃO 3
Propriedades e características
A forma algébrica de uma função do primeiro grau nos leva a uma série
de conclusões sobre a função, mesmo sem termos a sua representação
geométrica. Algumas características que serão analisadas, considerando
apenas sua representação algébrica são: o domínio, a imagem, o zero da
função, o crescimento e o decrescimento e o sinal da função.
Para a análise completa vejamos a comparação entre duas funções do pri-
meiro grau representadas nas Figuras 3.5 e 3.6.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 80 7/7/2006 15:54:28
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 81
-3 -2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 3.5 Gráfco de f (x) = 2x + 4
-3 -2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 3.6 Gráfco de f (x) = –2x + 4
O que vamos observar?
f (x) = 2x + 4 f (x) = –2x + 4
Representação Gráfca é uma reta
Domínio Conjunto dos números reais
Imagem Conjunto dos números reais
Zero ou raiz: Ponto onde o gráfco
corta o eixo dos x, isto é, f (x) = 0
2x + 4 = 0 ⇒ x = –2 –2x + 4 = 0 ⇒ x = 2
Crescimento e decrescimento:
A análise é feita através do sinal
do coefciente angular. Se a > 0,
a função é crescente e se a < 0, a
função é decrescente.
Como a = 2 > 0,
segue que a função é
crescente.
Como a = –2 < 0,
segue que a função é
decrescente.
Sinal da função: Análise da
imagem da função. Como
f (x) = a⋅x + b, segue que f (x) > 0,
quando a⋅x + b > 0, ou x > –
b
a
e
f (x) < 0 se x < –
b
a
.
f (x) = 2⋅x + 4 > 0 se
x > –2
e
f (x) = 2⋅x + 4 < 0 se
x < –2.
f (x) = –2⋅x + 4 > 0 se
x < 2
e
f (x) = –2⋅x + 4 < 0 se
x > 2.
Note que todas estas características podem ser visualizadas diretamente com a aná-
lise gráfca.
Exemplos
1) Considere a função lucro do problema P1. Analise suas propriedades e
características.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 81 7/7/2006 15:54:28
Universidade do Sul de Santa Catarina
82
Temos que L(x) = 10⋅x – 2000 (Veja o gráfco na Figura 3.4).
Note pelo gráfco que:

O domínio é dado por: D(L) = [0,+∞), isto é, x ≥ 0.

A imagem é dada por Im(L) = [–2000, +∞), isto é, y ≥ –2000.

O zero desta função é quando L(x) = 0, neste caso x = 200.

Esta função é crescente pois a = 10 > 0

A função é positiva quando x > 200 e negativa quando x < 200.
2) Seja f (x) = –3x + 9. Determine:
(a) O gráfco de f (x).
(b) O ponto em que a reta cruza o eixo x.
(c) O ponto em que a reta cruza o eixo y.
(d) A função é crescente ou decrescente?
(a) A Figura 3.7 apresenta a visualização gráfca de f (x) = –3x + 9.
-3 -2 -1 1 2 3
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
x
f(x)
Figura 3.7 Gráfco da função f (x) = –3x + 9
(b) O ponto em que a reta cruza o eixo x, é o ponto onde y = 0, logo:
–3⋅x + 9 = 0 ⇒ –3⋅x = –9 ⇒ x = 3
Assim, a reta corta o eixo x no ponto (3,0).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 82 7/7/2006 15:54:28
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 83
(c) O ponto em que a reta cruza o eixo y, é o ponto onde x = 0, logo:
y = –3⋅0 + 9 ⇒ y = 9
Assim, a reta corta o eixo y no ponto (0,9). Note que o valor 9 é perceptível
na forma algébrica da função (coefciente linear).
(d) A função é decrescente pois a = –3 < 0.
SEÇÃO 4
Outras aplicações
Já notamos que algumas variáveis econômicas podem ser modeladas
através de funções de primeiro grau. Entre elas, a receita, o custo e o lucro.
Olhando o presente!
Veja a aplicação de demanda e oferta no mercado.
P5 A quantidade demandada de um bem é dada por q
d
= 8 – 4p e a
quantidade ofertada é dada por q
o
= –2 + 6p. Qual é o preço ótimo em
reais a ser cobrado para este bem, para que toda a oferta seja deman-
dada, ou seja, a quantidade submetida ao mercado seja consumida?
O problema P5 faz a menção de duas novas variáveis: Quantidade Deman-
dada e Quantidade Ofertada. Veja a defnição de ambas:
Função Demanda
A quantidade demandada de um determinado bem (q
d
) depende do
preço deste bem. É a quantidade que o consumidor está disposto a con-
sumir. Muitas destas relações são representadas por funções do primeiro
grau.
O coefciente angular desta função é negativo, ou seja, a função é
decrescente; isto é, a medida que o preço aumenta, a quantidade procu-
rada diminui e a medida que o preço diminui, a quantidade procurada
aumenta.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 83 7/7/2006 15:54:28
Universidade do Sul de Santa Catarina
84
Os gráfcos destas funções estão no primeiro quadrante, já que as variáveis
envolvidas, preço e quantidade são sempre maiores ou iguais a zero.
Função Oferta
A quantidade ofertada de um determinado bem (q
o
) depende do preço
deste bem. É a quantidade que o comerciante deveria submeter ao mer-
cado. Muitas destas relações são representadas por funções do primeiro
grau.
O coefciente angular desta função é positivo, ou seja, a função é cres-
cente, isto é, a medida que o preço aumenta, a quantidade ofertada
também aumenta e a medida que o preço diminui a quantidade ofertada
também diminui.
Os gráfcos destas funções estão no primeiro quadrante, já que as variáveis
envolvidas, preço e quantidade são sempre maiores ou iguais a zero.
Voltando ao problema P5. Note que as funções demanda q
d
= 8 – 4p e
oferta q
o
= –2 + 6p, estão de acordo com as defnições acima. Primeira-
mente, veja o gráfco das duas funções, traçadas no mesmo sistema de
coordenadas na Figuras 3.8.
1 2
-2
2
4
6
8
p
q
p q
d
4 8 − =
p q
o
6 2 + − =
Figura 3.8 Gráfcos das funções q
d
= 8 – 4p e q
o
= –2 + 6p
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 84 7/7/2006 15:54:29
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 85
Perceba que estas funções se interceptam em um ponto e este ponto é
chamado de ponto de equilíbrio, ou preço de equilíbrio. Neste ponto
tudo que é ofertado é vendido, seria o preço ótimo do produto no mer-
cado. Esta análise pode ser feita algebricamente também. Como que-
remos que a quantidade demandada seja igual a quantidade ofertada,
temos:
q
d
= q
o
8 – 4p = –2 + 6p
10p = 10
p = 1
Portanto, o preço de equilíbrio é de R$ 1,00. Para p = 1, temos q
d
= q
o
= 4.
Isto quer dizer que se o preço do bem for de 1 real, e se forem disponibili-
zados 4 unidades no mercado, todas serão vendidas.
Parada recreativa
Antes de apresentar sugestões para
a sua auto-avaliação, vamos fazer
um relaxamento.
Dois amigos, Ted e Mad, no tempo
de colégio, gostavam de charadas
e jogos. Nunca se entendiam. Dona
Flor, mãe de Ted, nos contou que um
dia eles fcaram várias horas discu-
tindo sobre o tamanho das mesas
que apareciam no calendário da sua
cozinha. Ted, afrmava que ambas
as mesas tinham a mesma medida e
Mad dizia que não.
Afnal! Quem estava com a razão?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 85 7/7/2006 15:54:29
Universidade do Sul de Santa Catarina
86
Síntese
Nesta unidade você teve contato com as funções do primeiro grau e
percebeu que muitas aplicações práticas do dia-a-dia são modeladas
com estas funções, entre elas, as funções de oferta e demanda, além das
funções receita, custo e lucro. Muitas das características destas funções
podem ser visualizadas na representação gráfca, e, neste caso, o uso de
softwares ajuda no desenvolvimento gráfco com uma apresentação de
qualidade.
Não esqueça de dar uma passada pelo AVA para analisar os destaques, as
celebridades e mais uma aula para a sua coleção didática.
Na próxima unidade você vai estudar as funções do segundo grau e perce-
ber que alguma situação prática já discutida nesta unidade pode ser reto-
mada e novos modelos serão apresentados.
Até mais!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 86 7/7/2006 15:54:29
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 87
Atividades de auto-avaliação
1) Identifque as seguintes funções quanto ao seu tipo:
(a) f (x) = –3x
(b) h (t) = 1 – 4t
(c) s (t ) = t
(d) g (x) = 2x + 1
2) Encontre a lei de formação para a função que associa a cada número
x qualquer, um valor x adicionado com 2 e ao seu resultado multiplicado
por 5.
3) Na fabricação de um determinado bem, verifcou-se que o custo total
foi obtido a partir de uma taxa fxa de R$ 1.000,00, adicionada de um custo
de produção de R$ 500,00 por unidade. Determine a função custo total em
relação a quantidade produzida e o custo de fabricação de 10 unidades.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 87 7/7/2006 15:54:29
Universidade do Sul de Santa Catarina
88
4) Um locadora de carros cobra R$ 50,00 o aluguel de um carro mais
R$ 2,00 por quilometro rodado. Determine.
(a) O preço a ser pago para rodar 10 km.
(b) O preço a ser pago para rodar 35 km.
(c) Qual a função que modela esta situação?
5) Seja s (t) = –4 + 8t, determine:
(a) O gráfco de s(t ).
(b) O domínio e a imagem de s(t ).
(c) Se a função s(t ) é crescente ou decrescente.
(d) O sinal da função s(t ).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 88 7/7/2006 15:54:29
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3 89
6) Uma pequena fábrica de móveis tem como seu principal produto a
fabricação de banquetas. Cada banqueta é vendida ao preço de R$ 25,00.
A fábrica tem um custo fxo mensal de R$ 5.000,00 em aluguel e máquinas,
conta de luz, compra de material e pagamento de funcionários. A mesma
gasta R$ 15,00 para fabricar cada banqueta. Determine:
(a) A função Receita Total e Custo Total.
(b) A função Lucro Total.
(c) Qual o ponto de nivelamento.
(d) Se a venda mensal for de 500 banquetas. A fábrica obterá
lucro ou prejuízo?
(e) Qual a quantidade que deve ser vendida para um lucro de
R$ 1.000,00?
(f ) Qual o lucro para a venda de 760 banquetas mensais?
7) A quantidade demandada de um bem é de q
d
= 5 – p e a quantidade
ofertada é de q
o
= –1 + 2p. Discuta o preço de equilíbrio algebricamente e
geometricamente.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 89 7/7/2006 15:54:29
Universidade do Sul de Santa Catarina
90
Saiba mais
Caso você queira ampliar e aprofundar detalhes das funções do primeiro
grau, recomendamos a leitura do livro FLEMMING, D. M. ; LUZ, E. F. Repre-
sentações gráfcas. São José: Saint Germain, 2003. Neste texto você vai
encontrar outras aplicações contextualizadas através da leitura gráfca.
Bom trabalho!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 90 7/7/2006 15:54:29
Função do segundo grau
4
UNIDADE 4
Objetivos de aprendizagem

Identifcar uma função do segundo grau por meio de sua
forma algébrica.

Conhecer, esboçar e analisar o gráfco de uma função do
segundo grau.

Aplicar as funções do segundo grau em situações reais.
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução

Seção 2 – Gráfco da função de segundo grau

Seção 3 – Propriedades e características
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 91 7/7/2006 15:54:30
Universidade do Sul de Santa Catarina
92
Para início de conversa
Ao estudar as funções do segundo grau você terá a oportunidade de visu-
alizar a importância dos recursos tecnológicos no contexto do processo
ensino-aprendizagem da Matemática.
Para auxiliar na construção de gráfcos e na modelagem de problemas os
recursos computacionais são usados para facilitar o “trabalho braçal”. É
importante que você sempre tenha em mente de que a tecnologia está
presente no nosso dia-a-dia, não para resolver os problemas, mas para
auxiliar no desenvolvimento de ações mecânicas, por exemplo, cálculos e
construções gráfcas.
Tenha a certeza de que vamos fazer bons trabalhos com recursos tecnoló-
gicos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 92 7/7/2006 15:54:30
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 93
SEÇÃO 1
Introdução
Para falar das funções do segundo grau, tente fazer o exercício de olhar
ao seu redor à procura de parábolas. Precisa de uma dica? Procure uma
antena parabólica e perceba que esse objeto muito comum no nosso dia-
a-dia tem a forma de uma parábola. Todas as parábolas são modeladas
com funções do segundo grau. Outros fenômenos utilizam as funções
ditas quadráticas para formalizar a modelagem. Por exemplo:

Modelos econômicos;

Objetos em queda livre;

Balística;

Os faróis de um carro.
Olhando o presente!
Veja os seguintes problemas:
P1 Uma revendedora de doces percebeu que a equação de demanda
de seu principal produto (barras de chocolate) é dada por x = 20 – p, e
a função custo é dada por C(x) = 2x + 17. Obtenha a função lucro e a
partir da análise gráfca da função, determine o número de barras de
chocolate a serem vendidas pela revendedora, afm de que a mesma
possa obter lucro máximo.
P2 Uma pedra é atirada para cima com uma velocidade de 40m/s, a
sua altura depois de t segundos é dada por h = 40t – 16t
2
. Analise as
características da função.
Para resolver estes problemas devemos discutir as funções do segundo grau.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 93 7/7/2006 15:54:30
Universidade do Sul de Santa Catarina
94
Defnição: Chama-se de função do segundo grau a
função que associa cada número real x, o número real
ax
2
+ bx + c, com a, b, c pertencentes aos reais e a ≠ 0.
Linguagem Simbólica:
f : R → R
f (x) = ax
2
+ bx + c sendo a, b e c ∈ R com a ≠ 0.
Exemplos
1) São exemplos de funções do segundo grau:
(a) f (x) = x
2
+ 2x + 1
(b) s(t ) = 9t
2
(c) h(x) = 10x – 20x
2
2) Escreva a forma algébrica da função f que associa a cada número o seu
quadrado multiplicado por 2 e ao resultado subtraí-se 18. Encontre tam-
bém f (–1), f (0) e f (1).
A função pedida é f (x) = 2x
2
– 18.
f (–1) = 2⋅(–1)
2
– 18 = 2 – 18 = –16
f (0) = 2⋅(0)
2
– 18 = 0 – 18 = –18
f (1) = 2⋅(1)
2
– 18 = 2 – 18 = –16
3) Resolver o problema P1.
O problema solicita que encontremos a função lucro, mas para isso neces-
sitamos primeiramente encontrar a função receita, já que a função lucro é
dada por:
L(x) = R(x) – C(x).

Pare!
Observe!
Perceba que em algumas
funções os valores de b e c
são iguais a zero. O que não
pode ocorrer é a = 0, pois
assim não caracterizaria uma
função do segundo grau.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 94 7/7/2006 15:54:30
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 95
Discutimos na Unidade 3 que R(x) = p·x, sendo p o preço do produto que
no caso do problema P1 são barras de chocolate. Perceba que nesta situa-
ção o preço não é dado explicitamente, ele varia de acordo com a quanti-
dade, então:
x = 20 – p ou p = 20 – x.
Assim a função receita é dada por:
R(x) = p⋅x = (20 – x) ⋅x = 20x – x
2
.
Logo a função lucro é:
L(x) = R(x) – C(x)
L(x) = 20x – x
2
– (2x + 17)
L(x) = –x
2
+ 18x – 17.
Note que a função lucro pedida é uma função do
segundo grau. A resolução da segunda parte do pro-
blema (discussão do lucro máximo) será feita mais
adiante depois da apresentação das características, pro-
priedades e representação gráfca da função do segundo
grau.
SEÇÃO 2
Gráfco da função do segundo grau
Nesta seção você vai estudar a representação gráfca das funções do
segundo grau.
Da mesma maneira como fzemos com as funções do primeiro grau,
vamos fazer uso de uma tabela de valores para obter a representação grá-
fca de uma função do segundo grau, e você vai perceber que apenas dois
pontos não são necessários para obter a representação gráfca deste tipo
de função.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 95 7/7/2006 15:54:30
Universidade do Sul de Santa Catarina
96
Exemplos
1) Representar grafcamente a função y = x
2
– x – 2.
Vamos construir uma tabela, atri-
buindo valores aleatórios para x e
determinando os valores de y cor-
respondentes.
Colocando estes pontos no plano
cartesiano obtém-se o gráfco da
função y = x
2
– x – 2, como mostra a
fgura 4.1.
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
f(x)
Figura 4.1 Gráfco da função y = x
2
– x – 2
Olhando o futuro!
O gráfco mostrado na Figura 4.1 foi obtido usando-se o sofware Graph, já
apresentado nas unidades anteriores. Um sofware algébrico, potente no con-
texto da Matemática, é o Derive cuja versão demo é encontrada em diversos
sites na Internet. Basta colocar a palavra chave “Derive” num site de busca
para pesquisar um local de acesso para download.
x y = x
2
– x – 2 (x,y)
–3 y = (–3)
2
+ 3 – 2 = 10 10
–2 y = (–2)
2
+ 2 – 2 = 4 4
–1 y = (–1)
2
+ 1 – 2 = 0 0
0 y = 0
2
– 0 – 2 = –2 –2
1 y = 1
2
– 1 – 2 = –2 –2
2 y = 2
2
– 2 – 2 = 0 0
3 y = 3
2
– 3 – 2 = 4 4
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 96 7/7/2006 15:54:30
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 97
2) Podemos agora obter o gráfco da função lucro do problema P1 e res-
ponder a questão sobre lucro máximo que deixamos em aberto na seção
anterior.
Veja a tabela de valores ao lado:
Na fgura 4.2 temos o gráfco. Observe que as
parábolas têm simetrias e, portanto, ao fazer
um gráfco com lápis e papel é interessante
colocar pontos simétricos para que o traçado
fque com mais perfeição. A tabela apresentada
neste exemplo apresenta o cálculo de um par
de pontos simétricos: (1,0) e (17,0).
x
f(x)
9
64
1 17
-17
Figura 4.2 Gráfco da função L(x) = –x
2
+ 18x –17
Note que a partir do gráfco podemos analisar algumas propriedades da
função. Por exemplo:

a concavidade da parábola é voltada para baixo;

a função corta o eixo y no ponto (0,–17) , que é exatamente o valor
de c na forma geral de uma função do segundo grau;

a função corta o eixo x em dois pontos, x = 1 e x = 17. Para obtê-los
fazemos L(x) = 0, obtendo a equação do segundo grau cuja raízes
são x = 1 e x = 17.
x L(x) = –x
2
+ 18x –17 (x,y)
0 L = –0
2
+ 0 –17 = –17 –17
1 L = –1
2
+ 18 –17 = 0 0
5 L = –5
2
+ 90 –17 = –48 48
9 L = –9
2
+ 162 –17 = –64 64
10 L = –10
2
+ 180 –17 = –63 63
17 L = –17
2
+ 306 –17 = 0 0

Pare!
Revise!
Lembre-se que para resolver
uma equação do segundo
grau do tipo ax
2
+ bx +
c = 0, usamos a conhecida
fórmula de Baskhara:
b b a c
x
a
− ± − ⋅ ⋅
=

2
4
2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 97 7/7/2006 15:54:31
Universidade do Sul de Santa Catarina
98

Note que o maior valor de L(x) ocorre no vértice da parábola, que
é o ponto (9,64). Assim a pergunta do problema P1 já pode ser res-
pondida, ou seja, o lucro máximo será de R$64,00, quando forem
vendidas 9 barras de chocolate.
Olhando o passado!
“O primeiro registro conhecido da resolução de problemas envolvendo o que
hoje chamamos de equação do 2º. grau data de 1700 a.C. aproximadamente,
feito numa tábula de argila através de palavras. A solução era apresentada
como uma “receita matemática” e fornecia somente uma raiz positiva. Os
mesopotâmicos enunciavam a equação e sua resolução em palavras, mais ou
menos do seguinte modo:
Qual é o lado de um quadrado em que a área menos o lado dá 870?
(o que hoje se escreve: x
2
– x = 870). E a “receita” era:
Tome a metade de 1 (coefciente de x) e multiplique por ela mesma,
(0,5 x 0,5 = 0,25). Some o resultado a 870 (termo independente). Obtém-se
um quadrado (870,25=29,5
2
) cujo lado somado à metade de 1 vai dar (30)
o lado do quadrado procurado”.
1
Todas as informações observadas grafcamente podem ser obtidas conhe-
cendo-se apenas a forma algébrica da função de segundo grau. É impor-
tante que você esteja atento para usar a linguagem adequada (gráfca ou
algébrica) na resolução das diferentes situações problemas.
SEÇÃO 3
Propriedades e características
Nesta seção, a partir da forma algébrica da função do segundo grau você
vai estudar as seguintes características e propriedades das funções: domí-
nio, imagem, concavidade, vértice, raízes, crescimento e decrescimento e
sinal da função.

Representação Gráfca: Você percebeu que em todos os nossos
exemplos anteriores o gráfco de uma função do segundo grau é
sempre uma parábola.

Domínio: O domínio de uma função do segundo grau é o conjunto
dos números reais.
1
FRAGOSO, Wagner da Cunha. Uma abordagem da equação do 2º grau. Revista do Pro-
fessor de Matemática. São Paulo, n. 43, p.20-25, 2º. quadrimestre de 2000.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 98 7/7/2006 15:54:31
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 99

Concavidade: Na seção 2, tivemos a oportunidade de construir o
gráfco de duas funções do segundo grau, na Figura 4.1 a concavi-
dade é voltada para cima e na Figura 4.2 a concavidade é voltada
para baixo. É possível saber a concavidade apenas analisando a
forma algébrica. A parábola tem concavidade voltada para cima se
a > 0 e concavidade voltada para baixo se a < 0.
Exemplos
1) Considere as seguintes funções: f (x) = x
2
+ 2x + 3 e g(x) = –x
2
– 2x + 3.
Determine o domínio, a concavidade e o gráfco das funções.
A representação gráfca é mostrada nas Figuras 4.3 e 4.4.
-4 -2 2
2
4
6
8
x
f(x)
Figura 4.3 Gráfco da função f (x) = x
2
+ 2x + 3
-4 -2 2
-2
2
4
6
x
f(x)
Figura 4.4 Gráfco da função g(x) = –x
2
– 2x + 3
O quadro a seguir apresenta um resumo das propriedades solicitadas.
O que vamos observar?
f (x) = x
2
+ 2x + 3 g(x) = –x
2
– 2x + 3
Representação gráfca É uma parábola.
Domínio Conjunto dos números reais.
Concavidade
Como a = 1 > 0 a parábola
tem concavidade voltada
para cima.
Como a = – 1 < 0 a pará-
bola tem concavidade vol-
tada para baixo.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 99 7/7/2006 15:54:31
Universidade do Sul de Santa Catarina
100
Continuando com as características das funções do segundo grau, temos:

Simetria: A parábola apresenta simetria em relação a reta paralela
ao eixo dos y passando pelo vértice.

Vértice: O vértice da parábola ocorre no ponto
∆ | |
− −
|
\ .
,
2 4
b
V
a a
. Este
ponto é um ponto de máximo ou mínimo conforme a concavidade
esteja voltada para baixo ou para cima, respectivamente. O ponto
acima pode ser encontrado formalmente a partir do momento que
analisamos a função f (x) = ax
2
+ bx + c reescrita como
2
2 2
2
2 2
2
2
2
2
2
( )
2
2 4 4
4
2 4
.
2 4
bx c
f x a x
a a
b b b c
a x x
a a a a
b ac b
a x
a a
b
a x
a a
(
= + +
(
¸ ¸
(
= + ⋅ ⋅ + − +
(
¸ ¸
(

| |
= + +
(
|
\ .
(
¸ ¸
(
−∆
| |
= + +
(
|
\ .
(
¸ ¸
Numa rápida inspeção é possível observar e conjecturar a impor-
tância do sinal do a e do discriminante ∆ = b
2
– 4ac no formalismo
algébrico e conseqüentemente na identifcação das propriedades e
características da função do segundo grau.

Imagem: Se a concavidade é voltada para cima, então a imagem
são os valores de y pertencentes ao intervalo [y
V
,+∞), ou seja, y ≥
y
V
. Se a concavidade é voltada para baixo, então a imagem são os
valores de y pertencentes ao intervalo (–∞,y
V
], ou seja, y ≤ y
V
. Lem-
brando que y
V
é a ordenada do ponto do vértice da parábola.
Exemplo
Uma indústria prevê que o lucro total do seu principal produto, ao fnal do
mês, é dado pela função L(x) = –2x
2
+ 9x –10, sendo x a quantidade ven-
dida em milhares e L é o ganho em milhões de reais. Encontre o valor de
x que maximiza o lucro.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 100 7/7/2006 15:54:31
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 101
Note que a = –2 < 0, e portanto a concavidade é voltada para baixo, o que
nos leva a concluir que o vértice é um ponto de máximo. Para responder a
pergunta da questão basta determinar o vértice.
| | ∆ − − −
| |
− − = − −
| |
− −
\ .
\ .

| | | |
= − = =
| |

\ . \ .
2
9 9 4( 2)( 10)
, ,
2 4 2( 2) 4( 2)
9 81 80 9 1
, , (2, 25; 0,125)
4 8 4 8
b
V
a a
Assim o lucro máximo é de 0,125 milhões de reais quando forem vendidas
2,25 milhares de unidades. Veja o gráfco da função na fgura abaixo:
-0.5 0.5 1 1.5 2 2.5
0.1
0.2
x
L(x)
Figura 4.5 Gráfco da função L(x) = –2x
2
+ 9x –10
Outras características das funções do segundo grau.

Zero ou Raiz: São os pontos onde f (x) = 0, o que nos leva a resolver
uma equação do segundo grau (ax
2
+ bx + c = 0).

Crescimento e Decrescimento: Varia de acordo com a concavi-
dade da parábola. Se a concavidade for para cima, o intervalo de
crescimento é x > x
V
e o intervalo de decrescimento é x < x
V
. Já se
a concavidade for para baixo, o intervalo de crescimento é quando
x < x
V
e o de decrescimento quando x > x
V
. Lembrando que x
V
é a
abscissa do ponto do vértice da parábola.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 101 7/7/2006 15:54:32
Universidade do Sul de Santa Catarina
102
Exemplo
Considere as equações de demanda e oferta q = 4 – p
2
e q = 4p – 1. Dis-
cuta usando a representação gráfca e algébrica do equilíbrio do mercado.
Algebricamente:
O equilíbrio ocorre quando a demanda e a oferta são iguais, ou seja:
4 – p
2
= 4p – 1
– p
2
– 4p + 5 = 0 ou
p
2
+ 4p – 5 = 0
Resolvendo a equação do segundo grau temos que p = 1 e p = –5. O valor
para p = –5, deve ser descartado já que não temos preço de mercado
negativo. Estes valores obtidos são as raízes da equação –p
2
– 4p + 5 = 0.
Portanto, o valor que nos interessa é p = 1.
Se analisamos simplesmente a função f (p) = –p
2
– 4p + 5, podemos afr-
mar que os valores obtidos para p são as os pontos tais que o gráfco de f
corta o eixo x, ou seja, f (p) = 0.
Geometricamente:
Fazendo o gráfco das duas funções (ver Figura 4.6), o equilíbrio ocorre no
ponto de interseção gráfca que é o ponto (1,3), ou seja, quando p = 1, q = 3.
1 2 3
1
2
3
4
p
q
Figura 4.6 Ponto de equilíbrio do mercado
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 102 7/7/2006 15:54:32
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 103
Para terminar o estudo das propriedades e características das funções do
segundo grau, falta apenas o estudo do sinal da função, isto é, para quais
valores de x, uma função é positiva ou negativa.
Sinal da Função: São os valores de x para o qual os valores de y são positi-
vos ou negativos, ou seja, analisa-se o sinal da imagem da função.
Nas fguras 4.7 a 4.12 apresentamos exemplos com as situações que
podem ocorrer.
x
f(x)
x1 x2
Figura 4.7 Parábola com ∆ > 0, a > 0 e x
1
< x
2
Neste exemplo temos:

sinal positivo em x ∈ (–∞,x
1
) ∪ (x
2
,+∞)

sinal negativo em x ∈ (x
1
,x
2
)
x
f(x)
x1 x2
Figura 4.8 Parábola com ∆ > 0, a < 0 e x
1
< x
2
Neste exemplo temos:

sinal positivo em x ∈ (x
1
,x
2
)

sinal negativo em x ∈ (–∞,x
1
) ∪ (x
2
,+∞)
x
f(x)
x1=x2
Figura 4.9 Parábola com ∆ = 0, a > 0 e x
1
= x
2
Neste exemplo temos sinal positivo em
toda reta real, portanto a função não
assume valores negativos.
x
f(x)
x1=x2
Figura 4.10 Parábola com ∆ = 0, a < 0 e x
1
= x
2
Neste exemplo temos sinal negativo em
toda reta real, portanto a função não
assume valores positivos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 103 7/7/2006 15:54:32
Universidade do Sul de Santa Catarina
104
x
f(x)
Figura 4.11 Parábola com ∆ < 0, a > 0 e não tem
raízes reais
Neste exemplo temos sinal positivo em
toda reta real, portanto a função não
assume valores negativos.
x
f(x)
Figura 4.12 Parábola com ∆ < 0, a < 0 e não tem
raízes reais
Neste exemplo temos sinal negativo em
toda reta real, portanto a função não
assume valores positivos.
Exemplo
1) Agora já podemos analisar o problema P2.
Uma pedra é atirada para cima com uma velocidade de 40 m/s, a sua
altura depois de t segundos é dada por h = 40t – 16t
2
. Analise as caracte-
rísticas da função.
Na Figura 4.13 você pode visualizar o gráfco da função h = 40t – 16t
2
.
1 2 3
5
10
15
20
25
t
h(t)
Figura 4.13 Gráfco da função do problema P2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 104 7/7/2006 15:54:32
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 105
Observe que vamos analisar as características desta função contextuali-
zadas no problema . Lembre-se que não temos tempo negativo e altura
negativa – pedra sobre até uma altura máxima e depois cai até o solo. O
solo está sendo considerado no eixo dos x. Sendo assim:

O domínio da função é D = [0,
5
2
), pois como t é o tempo não pode-
mos considerar valores negativos.

A concavidade é voltada para baixo, pois a = –16 < 0.

Vértice: Temos que ∆ = 40
2
– 4⋅(–16)⋅0 = 1600, logo.
Este ponto representa o tempo t =
5
4
s em que a bola atinge a altura
máxima. O valor h = 25 m representa a altura máxima.

Como a concavidade é voltada para baixo e y
V
= 25, segue que
.

As raízes são t = 0 e t =
5
2
.

Como a concavidade é voltada para baixo, tem-se que h é crescente
quando t <
5
4
e decrescente quando t >
5
4
.

Para o sinal da função temos que a = –16 < 0 e ∆ = 1600 > 0 então
h(t ) > 0 quando t ∈
5
0,
2
(
(
¸ ¸
. Como h está relacionada com a altura,
tem-se que não temos valores para t tal que h seja negativa.
2) Seja = −
2
20
5
x
y . Para qual valor de x, a função assume o menor valor?
Como a =
1
5
> 0, temos que a concavidade é voltada para cima, logo a fun-
ção tem um ponto de mínimo. Esse ponto de mínimo ocorre no vértice da
parábola.
Temos:
| | | |
− ⋅ ⋅ −
| |

| |
− − = − − = − = −
| |
|
\ .
| |
⋅ ⋅
\ . \ .
2
1
0 4 ( 20)
0 16
5
, , 0, (0, 20)
1 1 4
2 4
2 4
5 5 5
b
V
a a
Logo o menor valor que a função assume é y = –20 e ocorre quando x = 0.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 105 7/7/2006 15:54:33
Universidade do Sul de Santa Catarina
106
Veja o gráfco na Figura 4.14 para tirar suas conclusões.
-10 10
-20
-10
10
20
x
f(x)
Figura 4.14 Gráfco da função = −
2
20
5
x
y
Parada recreativa
Que tal fazermos economia de maneira diferente: Vamos supor que no
primeiro dia do mês você guarde 1 centavo, no segundo 2 centavos, no
terceiro 4 centavos, no quarto dia 8 centavos e , assim, dobrando sucessi-
vamente durante 30 dias seguidos. Quanto teria você guardado ao fnal de
um mês? 100 reais, 200 reais? É possível para qualquer mortal uma econo-
mia deste tipo? Pense, mas não se precipite nas suas conclusões!
Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de visualizar mais detalhes da
função do segundo grau. Os exemplos mostraram que este tipo de fun-
ção é muito importante na modelagem de vários problemas práticos. O
uso das representações gráfcas associadas à representação algébrica
auxilia na visualização das propriedades e características dessas funções.
A discutir as propriedades podemos encontrar as respostas dos problemas
práticos.
No AVA apresentamos como destaque o uso das funções do primeiro e
segundo grau no contexto de funções defnidas por várias sentenças.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 106 7/7/2006 15:54:33
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 107
Não esqueça que você agora não deve dispensar o uso de um software
para fazer gráfcos.
Na unidade seguinte você vai poder avançar analisando outros tipos de
funções.
Bom trabalho!
Atividades de auto-avaliação
1) Encontre uma função f que associa a cada número x o seu quadrado, mais
o seu dobro e mais uma unidade. Em seguida encontre f (–1), f (0) e f (1).
2) Trace o gráfco das seguintes funções:
(a) y = x
2
–2x –3 (b) y = –x
2
+2x – 4
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 107 7/7/2006 15:54:33
Universidade do Sul de Santa Catarina
108
3) Seja p = 50 – 2x, onde x é quantidade demandada e o preço é p,
encontre a função receita total, esboce o seu gráfco e em seguida encon-
tre o valor de x para que a receita seja máxima.
4) Seja f (x) = x
2
– 7x + 10. Analise as propriedades e características
(Domínio, imagem, concavidade, raízes, vértice, crescimento e decresci-
mento e o sinal da função) e esboce o gráfco de f.
5) Um terreno retangular tem dimensões de modo que sua largura é o
triplo da altura. Encontre as dimensões deste retângulo de modo que sua
área seja de 300 m
2
.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 108 7/7/2006 15:54:33
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4 109
6) A função demanda de um produto é p = 10 – x e a função custo é dada
por C(x) = 20 + x. Encontre o valor de x para que o lucro seja máximo.
Saiba mais
Uma boa sugestão para que você se aprofunde nesta unidade, é fazer uma
pesquisa na internet, usando um site de busca, utilizando por exemplo, a
palavra-chave parábola. Você verá sugestões de leituras de interessantes
aplicações das funções de segundo grau. É importante que você faça a
leitura de vários sites afm de obter uma análise crítica dos objetos mamte-
máticos apresentados. É um exercício que vale a pena fazer!
Bom trabalho!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 109 7/7/2006 15:54:33
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 110 7/7/2006 15:54:34
Funções polinomiais e racionais
5
UNIDADE 5
Objetivos de aprendizagem

Identifcar funções polinomiais de grau maior do que 2.

Identifcar funções racionais.

Analisar a representação algébrica e gráfca das funções
polinomiais e racionais.

Discutir aplicações das funções polinomiais e racionais.
Seções de estudo

Seção 1 – Funções polinomiais

Seção 2 – Funções racionais

Seção 3 – Outros tipos de funções
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 111 7/7/2006 15:54:34
Universidade do Sul de Santa Catarina
112
Para início de conversa
Você já deve ter percebido que estamos alargando os horizontes no con-
texto do estudo das funções. Você pode visualizar as funções como alicer-
ces básicos necessários para a resolução de problemas e para a construção
de novos conceitos e objetos matemáticos.
Não esqueça de que é importante você ter uma certa habilidade com
o uso de softwares auxiliares na construção gráfca das funções, pois as
representações gráfcas são recursos fantásticos para o processo ensino-
aprendizagem da Matemática.
Como você costuma fazer a leitura de representações gráfcas?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 112 7/7/2006 15:54:34
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 113
SEÇÃO 1
Funções polinomiais
Após estudar as funções de primeiro e segundo graus, você pode agora
visualizar as características e propriedades das funções polinomiais de
grau maior do que 2.
Mas como são estas funções?
Defnição: A função polinomial é defnida por
f (x) = a
0
x
n
+ a
1
x
n–1
+ ... + a
n–1
x + a
n

sendo a
0
, a
1
, ..., a
n
números reais, com a
0
≠ 0, chamados
de coefcientes e n um número inteiro não negativo que
determina o grau da função.
A representação gráfca das funções polinomiais é uma curva que pode
apresentar pontos de máximos ou mínimos. São gráfcos que, para serem
traçados com mais facilidade, necessitam de conceitos do cálculo diferen-
cial (não estudados nesta disciplina) ou de softwares matemáticos como o
Graph, já citado nas unidades anteriores.
Exemplos
Classifcar as seguintes funções polinomiais quanto ao seu grau:
(a) f (x) = 2x + 3
É uma função polinomial de grau 1. Perceba que esta é a função do pri-
meiro grau estudada na unidade 3.
(b) f (x) = 2x
2
+ 3x – 1
É uma função polinomial de grau 2. Perceba que esta é a função do
segundo grau estudada na unidade 4.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 113 7/7/2006 15:54:34
Universidade do Sul de Santa Catarina
114
(c) f (x) = x
3
+ x
2
– 3
É uma função polinomial de grau 3.
(d) f (x) = 4x
7
+ x
6
– 1
É uma função polinomial de grau 7.
Para analisar as características e propriedades das funções polinomiais,
neste momento, é importante que você visualize a representação gráfca
da função.
Existem casos particulares das funções polinomiais que são interessantes
de serem analisados. Por exemplo, as funções escritas como f (x) = x
n
,
sendo n um inteiro positivo. Para n > 2 a forma do gráfco depende de n
ser par ou ímpar. Veja as Figuras 5.1 e 5.2.
-1.5 -1 -0.5 0.5 1 1.5
0.5
1
1.5
x
y
y=x
2
y=x
4
y=x
6
Figura 5.1 Gráfco de y = x
n
com n par

Pare!
Observe!
A partir da análise da repre-
sentação algébrica da função
polinomial é possível dizer
que o domínio destas fun-
ções será sempre o conjunto
dos números reais.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 114 7/7/2006 15:54:34
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 115
-1 1
-1
1
x
y
y=x
y=x
3
y=x
5
Figura 5.2 Gráfco de y = x
n
com n ímpar
As funções y = x
n
possuem aspectos comuns. Veja na tabela como fcam as
propriedades e características destas funções.
Representação
algébrica
y = x
n
n é par
y = x
n
n é ímpar
Representação gráfca Figura 5.1 Figura 5.2
Domínio conjunto dos reais
Conjunto imagem [0,+∞) conjunto dos reais
Zero ou raiz
x = 0
Sinal da função Positivo para
qualquer x ∈ R.
Positivo para x > 0 e
negativo para x < 0
Crescimento
x > 0
A função é crescente
para qualquer x ∈ R.
Decrescimento
x < 0
Não possui inter-
valos de decresci-
mento
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 115 7/7/2006 15:54:34
Universidade do Sul de Santa Catarina
116
Exemplos
Analisar as características e propriedades das funções polinomiais.
(a) y = x
3
+ 1
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-3
-2
-1
1
2
3
x
y
Figura 5.3 Gráfco de y = x
3
+ 1
Representação algébrica
y = x
3
+ 1
Representação gráfca Figura 5.3
Domínio conjunto dos reais
Conjunto imagem conjunto dos reais
Zero ou raiz
x = –1
Sinal da função
Positivo para x > –1 e
negativo para x < –1.
Crescimento/Decrescimento A função é crescente para todos os
valores de x ∈ R.

Pare!
Observe!
Se você comparar o gráfico
de y = x
3
(Figura 5.2) com
o gráfico de y = x
3
+ 1
(Figura 5.3), pode perceber
que a curva foi deslocada 1
unidade para cima no eixo
y. Isto acontecerá em vários
casos, por exemplo, y = x
3
+
2 estará deslocado 2
unidades para cima,
y = x
3
+ 3, 3 unidades para
cima e y = x
3
– 4,
4 unidades para baixo.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 116 7/7/2006 15:54:34
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 117
(b) y = x
4
– x
3
– 2x
2
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-3
-2
-1
1
2
3
x
y
Figura 5.4 Gráfco de y = x
4
– x
3
– 2x
2
Representação algébrica
y = x
4
– x
3
– 2x
2
Representação gráfca Figura 5.4
Domínio conjunto dos reais
Conjunto imagem [–2,83;+∞)
Observando que o valor –2,83 é
aproximado.
Zeros ou raízes
x = –1, x = 0, x = 2
Sinal da função
Positivo para x ∈ (–∞,–1) ∪ (2,+∞)
e negativo para x ∈ (–1,2).
Crescimento/Decrescimento A função possui intervalos de
crescimento e decrescimento.

Pare!
Observe!
Quando a função passa de
decrescente para crescente,
temos um ponto de mínimo.
Quando passa de crescente
para decrescente temos um
ponto de máximo. Perceba
que na Figura 5.4 estão
assinalados dois pontos
de mínimo e o ponto de
máximo.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 117 7/7/2006 15:54:35
Universidade do Sul de Santa Catarina
118
(c) y = x
5
– x
3
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-3
-2
-1
1
2
3
x
y
Figura 5.5 Gráfco de y = x
5
– x
3
Representação algébrica
y = x
5
– x
3
Representação gráfca Figura 5.5
Domínio
R
Conjunto imagem
R
Zeros ou raízes
x = –1, x = 0, x = 1
Sinal da função
Positivo para –1 < x < 0 ou x > 1 e
negativo para x < –1 ou 0 < x < 1.
Crescimento/Decrescimento A função possui intervalos de
crescimento e decrescimento.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 118 7/7/2006 15:54:35
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 119
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema:
P1 Suponha que a função C(q) = q
3
– 20q
2
+ 300q + 250 expresse o
custo total de fabricação de um produto. Como calcular o custo de
cinco unidades? E o custo de fabricação da quinta unidade?
Se você já tem a função que expressa o custo total de fabricação de um
determinado produto, pode facilmente responder as duas questões solici-
tadas.
Para facilitar você irá supor que a função seja:
C(q) = q
3
– 20q
2
+ 300q + 250.
O custo de fabricação de cinco unidades é encontrado quando se calcula a
imagem da função no ponto q = 5. Portanto,
C(5) = 5
3
– 20×5
2
+ 300×5 + 250
= 125 – 500 + 1500 + 250
= 1375
Se você trabalhar com unidades monetárias em reais, a resposta é
R$ 1375,00.
Para saber o custo da quinta unidade, você precisa fazer a diferença entre
o custo de cinco unidades e o custo de quatro unidades, ou seja,
C(5) – C(4) = (5
3
– 20×5
2
+ 300×5 + 250) – (4
3
– 20×4
2
+ 300×4 + 250)
= 1375 – 1194
= 181
Assim, o custo da quinta unidade é de R$ 181,00.
Observe que o gráfco desta função pode auxiliar na obtenção de outras
análises (veja a Figura 5.6).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 119 7/7/2006 15:54:35
Universidade do Sul de Santa Catarina
120
10 20 30
5000
10000
15000
20000
25000
q
C(q)
Figura 5.6 Gráfco da função custo total C(q) = q
3
– 20q
2
+ 300q + 250
Por exemplo, é possível observar que o aumento do custo de produção
cresce mais rapidamente a partir de, aproximadamente, 20 unidades.
SEÇÃO 2
Funções racionais
As funções racionais são bastante utilizadas em aplicações práticas relacio-
nadas à situações reais. Perceba que são defnidas como o quociente de
duas funções polinomiais.
Defnição: A função racional é defnida por f (x) =
( )
( )
P x
Q x

sendo P(x) e Q(x) polinômios e Q(x) ≠ 0.
São exemplos de funções racionais:

=
+
2
1
( )
3
x
f x
x
, =
+3
x
y
x
e =
1
( ) h x
x
.
Diante da defnição da função racional e a partir da análise de sua represen-
tação algébrica é fácil constatar que o domínio da função é dado pelo con-
junto de números reais excluindo todos os valores de x tais que Q(x) = 0.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 120 7/7/2006 15:54:35
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 121
Exemplos
Analisar as características e propriedades das funções indicadas.
(a) =

1
1
y
x
-3 -2 -1 1 2 3 4
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
y
Figura 5.7 Gráfco da função =

1
1
y
x
Representação algébrica
=

1
1
y
x
Representação gráfca Figura 5.7
Domínio
R – { 1 }
Conjunto imagem
R – { 0 }
Zero ou raiz Não possui zero ou raiz.
Sinal da função
Positivo para x > 1 e
negativo para x < 1.
Crescimento/Decrescimento A função é toda decrescente.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 121 7/7/2006 15:54:35
Universidade do Sul de Santa Catarina
122
(b)
+
=

7
9
x
y
x
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19
-15
-10
-5
5
10
15
x
y
Figura 5.8 Gráfco da função
+
=

7
9
x
y
x
Representação algébrica
+
=

7
9
x
y
x
Representação gráfca Figura 5.8
Domínio
R – { 9 }
Conjunto imagem
R – { 1 }
Zero ou raiz
x = -7
Sinal da função
Positivo para x > 9 e x < -7
negativo para x ∈ (-7, 9).
Crescimento/Decrescimento A função é toda decrescente.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 122 7/7/2006 15:54:36
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 123
(c) =

2
1
x
y
x
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-15
-10
-5
5
10
15
x
y
Figura 5.9 Gráfco da função =

2
1
x
y
x
Representação algébrica
=

2
1
x
y
x
Representação gráfca Figura 5.9
Domínio
R – {–1,1}
Conjunto imagem
R
Zeros ou raízes
x = 0
Sinal da função
Positivo para –1 < x < 0 ou x > 1.
Negativo para x < –1 ou 0 < x < 1.
Crescimento/Decrescimento A função é toda decrescente.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 123 7/7/2006 15:54:36
Universidade do Sul de Santa Catarina
124
(d) =
+
2
3
1
y
x
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
x
y
Figura 5.10 Gráfco da função
=
+
2
3
1
y
x
Representação algébrica
=
+
2
3
1
y
x
Representação gráfca Figura 5.10
Domínio
R
Conjunto imagem
0 < y ≤ 3
Zero ou raiz Não possui zero ou raiz.
Sinal da função A função é toda positiva.
Crescimento/Decrescimento
A função é crescente quando x < 0
e decrescente quando x > 0
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 124 7/7/2006 15:54:36
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 125
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema:
P2 A função preço de um determinado bem é dada por =
+
400
4
P
x
.
Analise o gráfco da função de demanda, escrita como x = f (P).
Para fazer o gráfco da função de demanda, escrita como x = f (P ),
num primeiro momento, isola-se a variável x da função preço:
=
+
× + =
+ =
= −
400
4
( 4) 400
400
4
400
4
P
x
P x
x
P
x
P
O gráfco da função de demanda é mostrado na Figura 5.11.
-90 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90
-80
-60
-40
-20
20
40
60
80
P
x
Figura 5.11 Gráfco da função de demanda = −
400
4 x
P
Perceba que para analisar o gráfco da função de demanda, basta conside-
rar os valores em que o preço é maior do que zero, já que não faz sentido
falar em preço negativo. Portanto, veja na Figura 5.12 este mesmo gráfco
considerando apenas este intervalo.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 125 7/7/2006 15:54:36
Universidade do Sul de Santa Catarina
126
10 20 30 40 50 60 70 80 90
10
20
30
40
50
60
70
80
90
P
x
Figura 5.12 Gráfco da função = −
400
4 x
P
para valores de P > 0
Ao analisar a representação gráfca da Figura 5.12 é possível perceber que
o preço aumenta a medida que a demanda diminui. Portanto, a função de
demanda é decrescente. Em valores próximos de P = 0 a demanda é bem
alta, isto signifca que, com um preço baixo, a demanda tende a um valor
alto.
SEÇÃO 3
Outros tipos de funções
Nesta seção você poderá visualizar representações gráfcas de outros tipos
de funções, como por exemplo, as funções irracionais, as que envolvem
expressões polinomiais, as que possuem raízes quadradas, dentre outras.
A idéia é que você visualize grafcamente estes tipos de funções, dei-
xando claro que uma ferramenta computacional é imprescindível, neste
momento, para que você consiga traçar estes gráfcos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 126 7/7/2006 15:54:37
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 127
Exemplos
Traçar o gráfco das funções indicadas.
(a) = +
2
1
y x
x
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-8
-6
-4
-2
2
4
6
8
x
y
Figura 5.13 Gráfco da função

= +
2
1
y x
x
Ao analisar o gráfco da Figura 5.13 é possível dizer que o domínio desta
função é dado pelos números reais exceto x = 0 e o conjunto imagem é
formado pelos números reais. A função possui intervalos de crescimento e
decrescimento e um zero no valor de x = –1.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 127 7/7/2006 15:54:37
Universidade do Sul de Santa Catarina
128
(b) = y x
1 2 3 4 5 6 7 8 9
1
2
3
4
x
y
Figura 5.14 Gráfco da função

= y x
Já que a raiz quadrada de um número é sempre um valor positivo, então
esta função possui como imagens apenas números positivos tendo como
sinal apenas valores positivos. O domínio são todos os reais não negativos
incluindo-se o zero, ou seja, os valores em que x ≥ 0 e o conjunto imagem
são todos os valores reais tais que y ≥ 0. A função é toda crescente e pos-
sui como zero o valor de x = 0.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 128 7/7/2006 15:54:37
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 129
(c) = −
2
4 y x
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
1
2
3
4
5
6
7
8
9
x
y
Figura 5.15 Gráfco da função
= −
2
4 y x
Esta função, assim como a do exemplo anterior, tem como imagem o
conjunto dos números reais positivos, incluindo o zero. O domínio é dado
pelos valores de x ≤ –2 e x ≥ 2. Veja que no gráfco da função não há ima-
gens entre os valores –2 e 2. A função decresce para x ≤ –2 e cresce para
x ≥ 2. O sinal é sempre positivo e os zeros da função são –2 e 2.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 129 7/7/2006 15:54:37
Universidade do Sul de Santa Catarina
130
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema:
P3 Seja a função de demanda, representada na Figura 5.16, sendo x a
quantidade demandada e y o preço expresso em reais. Determine as
quantidades demandadas se o preço for igual a R$10,00 e R$100,00.
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
10
20
30
40
y (preço)
x (demanda)
Figura 5.16 Gráfco da função de demanda =
0,21
12, 03
x
y
A função de demanda apresentada é decrescente de forma que, a medida
em que o preço aumenta, a demanda diminui. Perceba que a quantidade
demandada fca próxima a um valor abaixo de 10 e acima de 0, aproxi-
madamente 5. Assim, mesmo que o preço seja muito alto, a quantidade
demandada fca praticamente estável neste intervalo.
Para determinar as quantidades demandadas para os preços indicados no
problema, basta localizar no gráfco os pontos indicados. Quando o preço
é igual a R$100,00 a quantidade demandada fca entre 0 e 10, próximo
de 5. Quando o preço é igual a R$10,00 esta quantidade está próxima do
valor 10, mas ainda abaixo dele.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 130 7/7/2006 15:54:37
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 131
Para encontrar estes valores, é possível substituir a variável y na forma
algébrica da função de demanda. Assim temos:
y = 10
= ≅
0,21
12, 03
7, 41763
(10)
x
y = 100
= ≅
0,21
12, 03
4, 57367
(100)
x
Os valores foram calculados com a ajuda de uma calculadora.
Parada Recreativa
Dois amigos preparam uma lista de convidados para uma festa.
— Ah Ted, acho que precisamos inicialmente def-
nir o quanto queremos gastar.
— É verdade, a diversão é boa, mas também não
adianta entrar no negativo. As coisas estão
muito caras hoje em dia.
— Talvez um churrasco vá bem, apesar da carne
estar cara. Mas aí podemos pedir para que cada
um traga a sua bebida.
— Tudo bem, então vamos fazer a lista de convi-
dados. Começamos pelos amigos em comum:
Flávio, Marta, Junior, Ricardo, Sil...
— Ah, não, o Ricardo não. Ele é muito chato. Eu não quero ele aqui...
— Mas fca chato convidar a Marta e não chamar o Ricardo. A Marta é
uma pessoa muito interessante.
— Mas se é namorada do Ricardo já considero tão chata quanto ele.
Por favor!
— Mas eu não abro mão da Marta. Será que não há uma forma de con-
ciliarmos isto?
Vamos ajudar os amigos a resolverem o problema da lista de convidados?
Você percebeu que eles falaram sobre pessoas chatas e interessantes?
Não há quem não pense dessa forma: algumas pessoas são interessantes.
Outras são chatas.
Faça uma lista das pessoas que você considera chatas e outra de pessoas
interessantes.
Depois analise a lista das chatas. Identifque a mais chata das chatas.
Mas veja: se ela é a mais chata das chatas, passa a ser extremamente inte-
ressante e muda de lista.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 131 7/7/2006 15:54:37
Universidade do Sul de Santa Catarina
132
Agora, outra pessoa será a mais chata das chatas, o que a torna interes-
sante também.
Assim, a certa altura, todas as pessoas serão interessantes.
Será assim??!
Pense nisso...
Síntese
Nesta unidade você teve contato com funções polinomiais, racionais,
irracionais e outros tipos de funções que usualmente aparecem em aplica-
ções práticas. É importante que, ao fnalizar esta unidade, você tenha per-
cebido a importância da representação gráfca para que possamos fazer
análises inerentes aos problemas de aplicações.
O gráfco da função auxilia e, em muitos casos, mostra claramente todas as
propriedades e características de uma função. Portanto, tenha em mente
que a leitura correta das representações gráfcas é muito importante para
o entendimento de situações modeladas por funções.
No AVA você deve ter observado os recursos tecnológicos que se dispõe
para a confecção de representações gráfcas.
Antes de seguir em frente, confra se todas as suas atividades propostas no
AVA e neste livro já foram desenvolvidas. Se necessário, solicite a ajuda do
seu tutor.
Na próxima unidade você vai estudar as funções exponenciais e logarítmi-
cas que possuem um campo vasto de aplicações nos famosos problemas
de crescimento populacional e na economia.
Até mais!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 132 7/7/2006 15:54:38
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 133
Atividades de auto-avaliação
1) Seja a função
= − − −
3 2
1 1 16
( ) 2
3 2 3
f x x x x
, representada grafcamente na
Figura 5.17. Determine o que se pede:
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-15
-10
-5
5
10
15
x
y
Figura 5.17 Gráfco da função
= − − −
3 2
1 1 16
( ) 2
3 2 3
f x x x x
(a) Grau da função polinomial.
(b) Domínio da função.
(c) Raiz da função.
(d) Intervalos de crescimento.
(e) Intervalos de decrescimento.
(f ) Análise do sinal da função.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 133 7/7/2006 15:54:38
Universidade do Sul de Santa Catarina
134
2) Um estudo sobre efciência de trabalhadores do turno da manhã de
uma certa fábrica indica que o operário que chega ao trabalho às 8 horas
da manhã, terá montado, x horas após, f (x) = –x
3
+ 6x
2
+ 15x peças do
produto.
(a) Quantas peças o operário terá montado às 11 horas da manhã?
(b) Quantas peças terá montado entre 10 e 11 horas da manhã?
3) Usando um software gráfco (por exemplo o Graph) faça o gráfco da
função
+
=

1
1
x
y
x
e analise suas propriedades e características.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 134 7/7/2006 15:54:38
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5 135
4) Analise as características e propriedades das funções representadas
grafcamente nas Figuras 5.18 e 5.19.
10 20
-300
300
600
900
1200
1500
1800
y
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-15
-10
-5
5
10
15
x
y
Figura 5.18
Gráfco da função y = x(30 – 2x)(25 – 2x) Figura 5.19 Gráfco da função =

2
2
4
x
y
x
Representação
algébrica
y = x(30 – 2x)(25 – 2x) =

2
2
4
x
y
x
Domínio
Conjunto imagem
Zero ou raiz
Sinal da função
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 135 7/7/2006 15:54:38
Universidade do Sul de Santa Catarina
136
Saiba mais
Caso você queira ampliar e aprofundar detalhes das funções polinomiais
e racionais, recomendamos o primeiro capítulo do volume 1 do livro Cál-
culo: um novo horizonte, de autoria de Howard Anton. Neste texto você
vai encontrar outras aplicações contextualizadas, bem como a análise de
outras representações gráfcas deste tipo de funções.
Procure o seu professor tutor para esclarecer suas dúvidas.
Bom trabalho!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 136 7/7/2006 15:54:38
Funções exponencial
e logarítmica 6
UNIDADE 6
Objetivos de aprendizagem

Identifcar funções exponenciais e logarítmicas em diferen-
tes situações problemas.

Desenvolver procedimentos operatórios que envolvem
exponenciais e logaritmos.

Fazer leituras de representações gráfcas e identifcar pro-
priedades e características das funções envolvidas.
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução

Seção 2 – Função exponencial

Seção 3 – Função logarítmica

Seção 4 – Outras aplicações
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 137 7/7/2006 15:54:38
Universidade do Sul de Santa Catarina
138
Para início de conversa
Você vai ter a oportunidade de observar no decorrer desta unidade que,
para modelar o crescimento populacional de qualquer espécie do nosso
planeta, é necessário o uso das funções exponenciais.
Sempre é bom lembrar que a exponenciação é uma operação inversa da
logaritmação, assim como adição e subtração ou multiplicação e divisão.
Portanto, para analisar os fenômenos de crescimento populacional ou pro-
blemas econômicos, vai ser necessário o uso também dos logaritmos.
Não se assuste! Os recursos tecnológicos (computador ou calculadora)
serão seus aliados nesta caminhada.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 138 7/7/2006 15:54:38
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 139
SEÇÃO 1
Introdução
O estudo das funções exponenciais e logarítmicas envolve o uso de ope-
rações com potências e logaritmos. Sabendo da importância de se ter
bastante clareza dos conceitos envolvidos, optou-se por fazer uma rápida
revisão dos objetos matemáticos envolvidos.
Potência com expoente natural
Vamos, a seguir, apresentar procedimentos operatórios que nortearão os
seus passos diante de procedimentos operatórios que envolvem potên-
cias com expoentes naturais, inteiros e racionais.
Consideremos um número real a e um número natural n, diferente de
zero. A expressão a
n
(potência de base a e expoente n), representa um
produto de n fatores iguais de a:
= ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅

fatores
...
n
n
a a a a a
Exemplos
1) 2
1
= 2. Para n = 1, considera-se por defnição que a
1
= a, uma vez que
não há produto com um único fator.
2) 5
3
= 5∙5∙5 = 125
3) (–5)
2
= (–5)∙(–5)= 25
4)
| |
= ⋅ ⋅ =
|
\ .
3
1 1 1 1 1
3 3 3 3 27

Pare!
Observe!

(–3)
2
= (–3)·(–3) = 9

–3
2
= –(3·3) = –9
Assim: (–3)
2
≠ –3
2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 139 7/7/2006 15:54:39
Universidade do Sul de Santa Catarina
140
Propriedades das potências com expoente natural
Lembrar de propriedades no momento de efetuar as continhas é muito
interessante.
Observe:
i) 2
3
∙2
4
= (2∙2∙2)∙(2∙2∙2∙2) = 2∙2∙2∙2∙2∙2∙2 = 2
7
ou 2
3
∙2
4
= 2
3 + 4
= 2
7
.
ii) 3
3
∙3
4
∙3
2
∙3
5
= (3∙3∙3)∙(3∙3∙3∙3)∙(3∙3)∙(3∙3∙3∙3∙3) =
= 3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3∙3 = 3
14
ou 3
3
∙3
4
∙3
2
∙3
5
= 3
3 + 4 + 2 + 5
= 3
14
.
Podemos concluir:
Prop.1: Para multiplicar potências de mesma base mantemos a base e
somamos os expoentes.
a
m
∙a
n
= a
m + n
Observe:
i) 2
4
÷ 2
3
= (2·2·2·2) ÷ (2·2·2) =
⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅
2 2 2 2
2 2 2
= 2
1
= 2
ou 2
4
÷ 2
3
= 2
4 – 3
= 2
1
= 2
ii) 6
4
÷ 6
2
= (6·6·6·6) ÷ (6·6) =
⋅ ⋅ ⋅

6 6 6 6
6 6
= 6
2
= 36
ou 6
4
÷ 6
2
= 2
4 – 2
= 6
2
= 36
Podemos concluir que:
Prop.2: Para dividir potências de mesma base mantemos a base e sub-
traímos os expoentes.
a
m
÷ a
n
= a
m – n
ou
m
n
a
a
com a ≠ 0
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 140 7/7/2006 15:54:39
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 141
O que acontece quando os expoentes são iguais?
5
3
÷ 5
3
= (5·5·5) ÷ (5·5·5) =
⋅ ⋅
⋅ ⋅
5 5 5
5 5 5
= 1
ou 5
3
÷ 5
3
= 5
3 – 3
= 5
0
Podemos afrmar que:
a
0
= 1 com a ≠ 0
Temos, ainda, um outro caso interessante quando o expoente do divisor é
maior do que o do dividendo.
2
4
÷ 2
7
= (2·2·2·2) ÷ (2·2·2·2·2·2·2) =
⋅ ⋅ ⋅
= =
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
3
2 2 2 2 1 1
2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2
ou 2
4
÷ 2
7
= 2
4 – 7
= 2
–3
.
Podemos afrmar que:

=
1
n
n
a
a
Como conseqüência você pode observar que:
1
n
n
a
a

= e
n n
a b
b a

| | | |
=
| |
\ . \ .
Exemplos
1)

| |
= = ⋅ =
|
\ .
1
2 1 7 7
1 .
2
7 2 2
7
2)

| | | |
== =
| |
\ . \ .
2 2
3 5 25
.
5 3 9
3)

= =
3
3
1
2 8.
2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 141 7/7/2006 15:54:39
Universidade do Sul de Santa Catarina
142
Observe a situação denominada potência de potência. A base elevada é
elevada à um expoente, e todo esse número é elevado a outro expoente.
Veja:
i) (3
4
)
2
= 3
4
·3
4
= 3
4 + 4
= 3
8
ou (3
4
)
2
= 3
4·2
= 3
8
ii) (7
3
)
4
= 7
3
·7
3
·7
3
·7
3
= 7
3 + 3 + 3 + 3
= 7
12
ou (7
3
)
4
= 7
3·4
= 7
12
Podemos escrever:
(a
m
)
n
= a
m·n
Considere as expressões:
i) (2·7)
2
= (2·7)·(2·7) = 2·2·7·7 = 2
2
·7
2
ii) (3 ÷ 8)
3
=
| |
= ⋅ ⋅ =
|
\ .
3
3
3
3 3 3 3 3
8 8 8 8 8
= 3
3
÷ 8
3
Podemos afrmar que:
(a·b)
n
= a
n
·b
n
e
(a ÷ b)
n
= a
n
÷ b
n
ou
n
n
n
a a
b b
| |
=
|
\ .
Olhando o futuro!
Os recursos tecnológicos não abrem mão de uma notação baseada nas pro-
priedades das potências. Se você tem uma calculadora científca, observe o
que chamamos de notação científca.
Quando trabalhamos com números muito grandes ou muito pequenos é
conveniente escrever em forma de potência.

247 000 = 2,47 · 10
5

100 000 000 = 10
8

0,000 001 = 10
–6

0,000 123 = 1,23 · 10
–4

10
–1
= 0,1 =
1
10

10
–3
= 0,001 =
1
1000

5 · 10
7
= 50 000 000

Pare!
Observe!

(5
3
)
2
= 5
3·2
= 5
6

5
3
2
= 5
9
Assim, (5
3
)
2
≠ 5
3
2
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 142 7/7/2006 15:54:39
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 143
Esta forma de expressar um número é conhecida como notação científca.
Para representá-la usamos um número real pertencente ao intervalo [1,9]
multiplicado por uma potência de 10.
Note que o valor do expoente da potência 10 é o número de casas que a
vírgula teve que percorrer.
Potência com expoente racional

Para a real, b real e n inteiro positivo ímpar,
temos
n
a b = sempre que .

Para a e b real, positivo ou nulo e n inteiro positivo par,
temos
n
a b = sempre que .
Denominamos:
n = índice;
a = radicando;
b = raiz.
Usamos a representação da raiz n-ésima como
m
m n
n
a a = .
Exemplos
1) Verifque as seguintes raízes ditas exatas
(a) 25 = 5 ⇔ 5·5 = 5
2
= 25
(b)
3
125 − = – 5 ⇔ (–5)·(–5)·(–5) = (–5)
3
= –125
(c)
6
64 = 2 ⇔ 2·2·2·2·2·2 = 2
6
= 64
2) Verifque a existência das raízes:
(a)
4 4
3 = 3
(b)
4
3 − não existe
(c)
3
27 − = –3

Pare!
Observe!
Não existe raiz real de índice
par de números negativos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 143 7/7/2006 15:54:40
Universidade do Sul de Santa Catarina
144
Propriedades das potências com expoente racional
As propriedades para expoentes racionais são as mesmas utilizadas com
expoentes naturais. Observe a validade das expressões no contexto dos
reais.
Vejamos um resumo:
(a)
n m n m n m
a a a
+ ×
⋅ =
(b)
n n n
a b a b ⋅ = ⋅
(c)
n
n
n
a a
b b
=
(d) ( )
m m n n
a a =
(e)
m n n m
a a

= .
Exemplos
1)
1 1 1 1 2 1 3
4
2 4 2 4 4 4
3 3 3 3 3 3 3
+
+
⋅ = ⋅ = = =
2)
4 4 4 4
3 5 3 5 15 ⋅ = ⋅ =
ou
1 1 1
4 4 4 4
4 4 4
3 5 3 5 (3 5) 3 5 15 ⋅ = ⋅ = ⋅ = ⋅ =
3)
5 10 3 3
2 2 = ou
1
3 3 1 3
2
5 3
5 5 2 10
2 2 2 2
⋅ | |
= = =
|
\ .
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 144 7/7/2006 15:54:40
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 145
Parada recreativa
Ufa! É um monte de continhas. Vamos relaxar?
Veja o que aconteceu com Toninho na sua infância.
Professor: — Toninho preste atenção, vou fazer a primeira pergunta. Se
você responder, nada mais lhe perguntarei. Dar-me-ei por satisfeito. Diga-
me: quantos fos de cabelo tem na sua cabeça?
Toninho: — Duzentos e quarenta e cinco vezes dez elevado a cem.
Professor: — Como chegou a essa conclusão?
Toninho: — Caro professor, não se esqueça de que o senhor garantiu que
só faria uma pergunta. Trato é trato.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 145 7/7/2006 15:54:40
Universidade do Sul de Santa Catarina
146
SEÇÃO 2
Função exponencial
Vamos agora discutir as funções exponenciais. Observe que essas funções
são usadas para modelar o crescimento e o decrescimento populacional e,
também, em várias situações da Matemática Financeira.
Olhando o presente!
Discutir aplicação fnanceira é uma atividade do dia-a-dia de muitos
cidadãos. É possível que um grande número de pessoas desconheçam os
objetos matemáticos que estão inseridos neste contexto. Lembrando da
conversa do Ted com o Mad, é possível formular o seguinte problema:
P1 A taxa de juros da caderneta de poupança é de 0,5% ao mês (cre-
ditado mensalmente). Supondo somente este juro, se aplicarmos
R$ 100,00 hoje, quanto teremos daqui a 11 meses? E daqui a 10 anos?
P2 Como podemos modelar a população de um país para o ano de
2010?
Estes e outros problemas podem ser modelados a partir de funções expo-
nenciais. Podemos dizer que as funções exponenciais são amplamente
utilizadas em problemas que apresentam fenômenos da natureza e da
sociedade.
Defnição: Função exponencial é uma função real que
associa a cada número real x o número a
x
, com a > 0 e a
≠ 0.
Linguagem simbólica:
f : R → R
f (x) = a
x
para a > 0, a ≠ 1
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 146 7/7/2006 15:54:41
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 147
Exemplos
1) f (x) = 2
x
2)
1
( )
2
x
f x
| |
=
|
\ .
3) f (x) = e
x
Você não deve confundir a função exponencial com a função potência. Na
função exponencial a variável é expoente e na função potência a variável
está na base.
Gráfco da função exponencial
Vamos analisar o gráfco das funções exponenciais. Não esqueça de que
você deve observar as características das funções para facilitar o esboço
de gráfcos de forma manual. Neste texto os gráfcos apresentados são
desenvolvidos com recursos tecnológicos.
Basicamente vamos ter duas situações para analisar.
Observe os exemplos das Figuras 6.1 e 6.2.
Veja que ao fazer um gráfco manualmente você deve inicialmente cons-
truir uma tabela para posteriormente fazer o traçado gráfco.
Na Figura 6.1 temos o exemplo da função y = 2
x
e na Figura 6.2 temos o
exemplo da função y =
1
2
x
| |
|
\ .
.
-3 -2 -1 1 2 3
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 6.1 Gráfco da função f (x) = 2
x

Pare!
Observe!
Por que a deve ser
positivo?
Suponha que
a = – 9 e x = ½ .
A função
f (x) = (– 9)
½
= −9 .
Assim, teríamos como res-
posta um número não real.
x f (x) = 2
x
(x,y)
– 3
3
3
1 1
2
2 8

= =
1
3,
8
| |

|
\ .
– 2
2
2
1 1
2
2 4

= =
1
2,
4
| |

|
\ .
– 1
1
1
1 1
2
2 2

= =
1
1,
2
| |

|
\ .
0 2
0
= 1 (0,1)
1 2
1
= 2 (1,2)
2 2
2
= 4 (2,4)
3 2
3
= 8 (3,8)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 147 7/7/2006 15:54:41
Universidade do Sul de Santa Catarina
148
-3 -2 -1 1 2 3
-1
1
2
3
4
5
x
f(x)
Figura 6.2 Gráfco de
1
( )
2
x
f x
| |
=
|
\ .
Propriedades
Pela observação das tabelas e gráfcos, podemos enunciar as seguintes
características:

o domínio são todos os reais;

a imagem é sempre positiva, excluindo o zero;

o gráfco passa pelo ponto (0,1);

para a > 1 a função é crescente;

para 0 < a < 1 a função é decrescente.
Com um pouco de formalismo matemático é possível provar que essas
características são gerais para as funções exponenciais.
Exemplos
1) Analisar com o uso de um software os gráfcos das seguintes funções:
(a) y = 2
x + 1
(b) y = 2
x
+ 1
(c) y = –2
x + 1
x
1
( )
2
x
f x
| |
=
|
\ .
(x,y)
– 2
2
2
1
2 4
2

| |
= =
|
\ .
(–2,4)
– 1
1
1
1
2 2
2

| |
= =
|
\ .
(–1,2)
0
0
1
1
2
| |
=
|
\ .
(0,1)
1
1
1 1
2 2
| |
=
|
\ .
1
1,
2
| |
|
\ .
2
2
1 1
2 4
| |
=
|
\ .
1
2,
4
| |
|
\ .
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 148 7/7/2006 15:54:41
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 149
Na Figura 6.3 apresentamos o gráfco da função y = 2
x+1
, na Figura 6.4 a
função y = 2
x
+ 1 e na Figura 6.5 a função y = –2
x+1
.
-6 -4 -2 2 4 6
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
x
f(x)
Figura 6.3 Gráfco da função y = 2
x + 1
-6 -4 -2 2 4 6
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
x
f(x)
Figura 6.4 Gráfco da função y = 2
x
+ 1
-6 -4 -2 2 4 6
-6
-4
-2
2
4
x
f(x)
Figura 6.5 Gráfco da função y = –2
x + 1
Observe os gráfcos das Figuras 6.3 e 6.5, verifque que eles são simétricos
em relação ao eixo dos x. Observe as leis de formação da função e verif-
que que este efeito está representado pela troca de sinal.
Agora, observe os gráfcos das Figuras 6.1 e 6.4 e compare-os. Observe
que o acréscimo de uma unidade na variável y provocou a subida do grá-
fco em uma unidade.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 149 7/7/2006 15:54:42
Universidade do Sul de Santa Catarina
150
2) Analisar grafcamente o comportamento de uma família de funções do
tipo f (x) = a
x
com a > 0 e a ≠ 1.
-1 1
-2
2
4
6
8
x
f(x)
10
x
5
x
2
x
(3/2)
x
(1/2)
x
(1/5)
x
(1/10)
x
(2/3)
x
Figura 6.6 Família de funções exponenciais
Observe a Figura 6.6 e perceba o comportamento da família de funções
exponenciais. As características comuns aos membros da família, tais
como:

passam pelo ponto (0,1);

duas a duas simétricas em relação ao eixo dos y;

o gráfco nunca corta o eixo dos x (observar que os recursos de
desenho podem causar a impressão de que algum gráfco toque o
eixo do x, mas isto não é verdade);

domínio é o conjunto dos reais;

conjunto imagem é o conjunto (0,∞).
3) Fazer o gráfco da função f (x) = 3
x
e f (x) = x
3
. Comparar o crescimento
dos gráfcos. O que é possível afrmar?
Na Figura 6.7 podemos observar os gráfcos das funções solicitadas no
mesmo sistema cartesiano. Ao comparar o crescimento (ambas são fun-
ções crescentes) podemos afrmar que o gráfco da função exponencial f
(x) = 3
x
cresce mais rapidamente que o gráfco da função potência
f (x) = x
3
. O comportamento dessas funções para valores menores que
zero são completamente diferentes, pois a função potência assume valo-
res negativos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 150 7/7/2006 15:54:42
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 151
-1 1
-2
2
4
6
8
x
f(x)
3
x
x
3
Figura 6.7 Gráfco das funções f (x) = 3
x
e f (x) = x
3
Aplicações
Foi possível observar ao discutir as características e propriedades das fun-
ções exponenciais que elas são interessantes para modelar fenômenos
populacionais e econômicos. Estamos assim prontos para resgatar agora
os problema P1 e P2 desta unidade.
No problema P1 queremos discutir uma aplicação fnanceira em cader-
neta de poupança.
P1 A taxa de juros da caderneta de poupança é de 0,5% ao
mês (creditado mensalmente). Supondo somente este juro,
se aplicarmos R$ 100,00 hoje, quanto teremos daqui a 11
meses? E daqui a 10 anos?
O regime de capitalização mais utilizado nas transações comerciais e
fnanceiras é o de juros compostos, que se baseia no seguinte princípio:

ao fnal do 1
o
período, os juros incidentes sobre o capital inicial são a
ele incorporados, produzindo o 1
o
montante;

ao fnal do 2
o
período, os juros incidem sobre o 1
o
montante e incor-
poram-se a ele, gerando o 2
o
montante;

ao fnal do 3
o
período, os juros, calculados sobre o 2
o
montante,
incorporam-se a ele, gerando o 3
o
montante; e assim por diante.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 151 7/7/2006 15:54:42
Universidade do Sul de Santa Catarina
152
De modo geral, um Capital C, a juros compostos, aplicados a uma taxa
unitária fxa i, durante n períodos, produz:
M = C(1 + i)
n
No problema dado temos C = 100, i = 0,5% = 0,5⁄100 = 0,005 e n = 11 na pri-
meira pergunta e n = 120 na segunda questão. Temos:
Para 11 meses temos R$ 105,64.
De fato:
M = C(1 + i)
n
11
11
0, 5
100 1
100
100(1 0, 005)
105, 64
M
| |
= +
|
\ .
= +

Para 10 anos ou 120 meses temos
R$ 181,94. De fato:
M = C(1 + i)
n
120
120
0, 5
100 1
100
100(1 0, 005)
181, 94
M
| |
= +
|
\ .
= +

A fgura 6.8 apresenta um gráfco da evolução do investimento.
40 80 120 160 200 240 280 320 360
100
200
300
n
M
Figura 6.8 Gráfco de M = 100(1 + 0,005)
n
Vamos agora discutir o problema P2.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 152 7/7/2006 15:54:42
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 153
P2 Como podemos modelar a população de um país para o ano de
2010?
Vamos supor que tenhamos dados da população do Brasil de 1950 a 1996.
Com esses dados é possível fazer uma estimativa da população do ano de
2010. Veja como!
Temos os seguintes dados obtidos através das estatísticas mundiais divul-
gadas em diferentes mídias.
Veja, por exemplo os dados em
http://www.novomilenio.inf.br/porto/mapas/nmpop.
htm)
Vamos colocar esses dados em um software que tem
a capacidade de nos dá a função exponencial que
modela esse crescimento populacional. A Figura 6.9
mostra o resultado apresentado quando usamos o
software Graph.
10 20 30 40 50
50000
100000
150000
t
P
Figura 6.9 Modelo de crescimento populacional
A função apresentada é P(t ) = 56404,04 × (1,02439)
t
. Observar que consi-
deramos a contagem do tempo a partir de 1950. Assim, 1950 corresponde
a t = 0; 1960 a t = 10, etc.
Ano
População Brasil
x milhões
1950 53.443
1960 71.695
1970 95.684
1980 122.958
1990 151.084
2000 175.553
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 153 7/7/2006 15:54:42
Universidade do Sul de Santa Catarina
154
Para achar a estimativa da população para o ano de 2010 basta fazer
P(60 ) = 56404,04 × (1,02439)
60


239,459
Portanto, 239.459 milhões de habitantes.
SEÇÃO 3
Função logarítmica
Vamos agora discutir as funções logarítmicas. Observe que essas funções
são usadas associadas aos modelos exponenciais. Você terá a oportuni-
dade de observar que isto não é por acaso. Vamos mostrar nesta seção
que estamos diante de funções inversas.
Olhando o presente!
Usando a função logarítmica vamos poder dimensionar, por exemplo, o
tempo em que as aplicações fnanceiras duplicam ou triplicam.
P3 Uma aplicação de R$ 10 000,00 a juros de 10% ao ano rendeu um
montante de R$ 13 310,00, neste sentido, por quanto tempo durou a
aplicação?
Para resolver este problema vamos precisar de algebrismos do objeto
matemático logaritmo.
Logaritmo
Acompanhe o nosso raciocínio!
Pense num número, digamos 16, agora perguntamos: A qual expoente
devemos elevar o número 2 para obter 16? Sem muitas difculdades che-
gamos ao resultado 4, ou seja
2
4
= 16.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 154 7/7/2006 15:54:43
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 155
O que acabamos de fazer foi encontrar o logaritmo do número 16 na
base 2. Apesar de um nome um pouco assustador — logaritmo —, o que
se faz, nada mais é que a busca de um expoente. Calcular o logaritmo de
um número b > 0 numa base a > 0 e a ≠ 1, é simples desde que tenhamos
uma maneira de escrever b como uma potência de a, melhor dizendo,
qual expoente que devemos elevar a para obter b? No nosso exemplo:
log
2
16 = 4 pois 2
4
= 16.
De maneira geral, simbolicamente escrevemos:
log
a
b = x ⇔ a
x
= b
sendo b > 0, a > 0 e a ≠ 1

O número b é chamado de logaritmando;

O número a é chamado de base;

O número x é chamado de logaritmo.
Note que nunca podemos calcular o log
1
b, pois o número 1 elevado a
qualquer expoente é sempre igual a 1, ou seja, não conseguimos escrever
qualquer número positivo b, na base 1, logo obrigatoriamente a ≠ 1.
Quando a base do logaritmo for igual a 10, não costumamos escrever a
base, por exemplo, log
10
100 escrevemos simplesmente log 100, e fca
subentendido que a base é 10. Aos logaritmos na base 10, damos o nome
de logaritmos decimais ou de Briggs.
Aos logaritmos que utilizam a base e (número neperiano) damos o nome
de logaritmos naturais ou logaritmos neperianos. A sua notação tam-
bém pode ser diferente:
log
e
b = lg b ou ln b.
Exemplos
1) Calcular log 1000
Se log 1000 = x então 10
x
= 1000
Portanto log 1000 = 3.

Pare!
Observe!
Quando calculamos
log
a
b = x,
note que para qualquer base
a > 0, não existe expoente
para a, que nos retorne um
número negativo, logo b
> 0.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 155 7/7/2006 15:54:43
Universidade do Sul de Santa Catarina
156
2) Calcule .
Se = x então .
3
2
3 2
1
(7 )
7
7 7
3 2
2
3
x
x
x
x

=
=
= −
= −
3) Calcule
243
log 3 .
Se
243
log 3 = x então 243 3
x
=
1
5
2
1
5
2
(3 ) 3
3 3
1
5
2
1
10
x
x
x
x
=
=
=
=
4) Verifque para qual valor de x, os logaritmos abaixo existem.
a) log
4
(x – 6)
A base já é um número positivo e diferente de 1, logo a condição deve
ser estabelecida apenas para o logaritmando:
x – 6 > 0
x > 6
b) log
(x – 2)
100
Como o logaritmando já é um número positivo, estabelecemos apenas
a condição para a base:
x – 2 > 0 e x – 2 ≠ 1
ou x > 2 e x ≠ 3
Assim o conjunto verdade é dado por V = {x ∈ R, x > 2 e x ≠ 3}.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 156 7/7/2006 15:54:43
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 157
Olhando o passado!
Na escala Ritcher temos o uso de logaritmos!
Você por acaso sabe o que signifca dizer que um terremoto atingiu 5 graus
na escala Ritcher? Na verdade este número é o logaritmo da energia liberada
pelo tremor. Quem criou esta escala foi o sismologista americano Charles Ri-
tcher. A energia liberada por tremores é um número enorme, na casa dos bi-
lhões. O que Richer fez, foi calcular o logaritmo da energia em uma unidade
chamada erg. Em seguida subtraiu 11,8 do resultado do logaritmo da energia,
e por fm dividiu o resultado por 1,5. Com estas simplifcações, os valores na
escala vão de 1 à 10, uma simplifcação e tanto, não é? (Nota: o número 11,8
que é subtraído do resultado do logaritmo, é um número arbitrário).
Propriedades do Logaritmo
As propriedades que seguem não ditas operatórias e são usadas em dife-
rentes momentos em que o uso dos logaritmos é indicado. Lembrar que
ao usar a linguagem simbólica estamos considerando que os parâmetros
literais são dimensionados de modo que o logaritmo exista.
1) O logaritmo do produto de dois ou mais números, em uma mesma
base, é a soma dos logaritmos destes números na mesma base.
Simbolicamente
log
a
(m·n) = log
a
m + log
a
n
2) O logaritmo do quociente de dois números numa mesma base é a dife-
rença entre o logaritmo do numerador e o logaritmo do denominador, na
mesma base.
Simbolicamente
log
a
(m⁄n) = log
a
m – log
a
n
3) O logaritmo de uma potência é igual ao produto do expoente desta
potência pelo logaritmo da base da potência, mantendo o logaritmo na
mesma base.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 157 7/7/2006 15:54:43
Universidade do Sul de Santa Catarina
158
Simbolicamente
log
a
b
n
= n log
a
b
Como propriedades gerais podemos ter:
a) log
a
1 = 0, pois a
0
= 1;
b) log
a
a = 1, pois a
1
= a;
c) log
a
a
m
= m.
Exemplos
1) Sabendo que log 2 = 0,3010 e log 3 = 0,4771, calcule log 24.
Primeiramente fatoramos o número 24 = 2
3
·3, assim:
log 24 = log (2
3
·3)
= log 2
3
+ log 3
= 3·log 2 + log 3
= 3·0,3010 + 0,4771
= 1,3801
2) Sabendo que log a = 0,3010, log b = 0,4771 e log c = 0,8450,
calcule
2
log
a c
b
×
.
Vamos usar as propriedades:
2
2
1
2
log log( ) log( )
log log 2 log
1
log log 2 log
2
1
0, 3010 0, 8450 2 0, 4771
2
0, 0413
a c
a c b
b
a c b
a c b
×
= × −
= + − ⋅
= + − ⋅
= × + − ×
=
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 158 7/7/2006 15:54:43
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 159
3) Calcule log 0,02, sabendo-se que log 2 = 0,3010.
Temos:
log 0,02 = log
2
100
= log 2 – log 10
2
= 0,3010 – 2 × 1
= – 1,699
Mudança de base de logaritmo
As bases de logaritmo mais comuns são as decimais ou de Briggs e as
naturais ou neperianas. Estas aparecem na maior parte das calculadoras
científcas e fnanceiras.
Olhando o futuro!
Se você é inseparável da sua calculadora fnanceira ou científca. Parabéns!
Você tem a visão de que a tecnologia está em constantes avanços e que pre-
cisamos nos atualizar. Mas, cuidado! A calculadora não raciocina e não con-
segue viabilizar situações sem que você assuma o comando. Por exemplo, se
você está diante de um logaritmo com base 4? Sua calculadora vai resolver?
Usamos a mudança de base. Acompanhe as idéias seguintes:
log
A
B = C ⇒ A
C
= B (1)
log
D
B = F ⇒ D
F
= B (2)
log
D
A = G ⇒ D
G
= A (3)
De (1) e (2) temos que A
C
= D
F
.
Como de (3) temos que D
G
= A, podemos reescrever:
A
C
= D
F
(D
G
)
C
= D
F
D
GC
= D
F
ou
GC = F
F
C
G
=
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 159 7/7/2006 15:54:43
Universidade do Sul de Santa Catarina
160
Assim, podemos reescrever (1) como:
log
A
F
B
G
=
log
log
log
D
A
D
B
B
A
=
Quando D = B, podemos escrever:
log
log
log
B
A
B
B
B
A
=
ou
1
log
log
A
B
B
A
=
Exemplos
1)
3 5 7
2
3 5 7
log 13 log 13 log 13 log13 1,113943
log 13 3,70044.
log 2 log 2 log 2 log2 0, 301030
= = = = = =
2)
3
log5 0, 698970
log 5 1, 464974.
log3 0, 477121
= = =
Vamos lembrar do problema do início dessa seção para constatar a impor-
tância de saber lidar com logaritmos.
P3 Uma aplicação de R$ 10 000,00 a juros de 10% ao ano rendeu um
montante de R$ 13 310,00, por quanto tempo durou a aplicação?
Solução: Para resolver este problema vamos precisar utilizar o conceito de
logaritmo. Temos:
M = 13310
C = 10000
i = 10%
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 160 7/7/2006 15:54:44
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 161
Assim,
M = C(1 + i )
n
13310 = 10000(1 + i )
n
1,1
n
=
13310
10000
= 1,331
Para encontrarmos n, vamos aplicar logaritmo:
log (1,1)
n
= log 1,331
Usando propriedades de logaritmos e usando uma calculadora temos:
n·log (1,1) = 0,124
n·0,041 = 0,124
n =
0,124
0, 041
n ≅ 3.
Ou seja, o capital inicial fcou aplicado por aproximadamente 3 anos.
Estamos agora prontos para discutir na seção seguinte as funções logarít-
micas. Vamos discutir a função logarítmica de forma comparativa com a
função exponencial. Vamos verifcar que essas funções são inversas uma
da outra.
Ao resolver um problema prático é possível observar que
podemos usar a função exponencial ou a função logarít-
mica. Por que isto acontece?
Para responder esta pergunta vamos lembrar da defnição de logaritmo.
Temos:
log
a
b = x ⇔ a
x
= b
As operações indicadas são ditas inversas. Da mesma forma que a função
exponencial é a função inversa da função logarítmica ou vice-versa.

Pare!
Revise!
A existência da inversa fica garan-
tida, pois ambas as funções são
ditas bijetoras. Veja:
Se y = f (x) é uma função
de A em B e se para cada
y ∈ B, existir exatamente um
valor x ∈ A tal que
y = f (x), então podemos definir
uma função g = f
–1
tal que x =
g(y).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 161 7/7/2006 15:54:44
Universidade do Sul de Santa Catarina
162
Para facilitar o esclarecimento da defnição acima visualizamos a
Figura 6.10. Ela mostra as funções y = log
2
x , y = 2
x
e y = x. Podemos
observar uma função exponencial, uma função logarítmica e a função
linear y = x. Verifque a perfeita simetria das curvas em relação a reta.
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
x
f(x)
Figura 6.10 Função exponencial e logarítmica
Olhando o presente!
Para reforçar as idéias acima vamos resgatar um problema prático.
P4 A taxa de juros da caderneta de poupança é de 0,5% ao mês (cre-
ditado mensalmente). Supondo somente este juro, se aplicarmos R$
100,00 em quanto tempo vamos ter um saldo de R$135,00?
Este problema pode ser resolvido usando-se funções exponenciais ou fun-
ção logarítmica. Temos:
M = C(1 + i )
n
M = 100(1 + 0,005)
n
M = 100 × 1,005
n
Na Figura 6.11 podemos visualizar a função exponencial M = 100 × 1,005
n

que modela o problema e na Figura 6.12 podemos visualizar a função
logarítmica n = 461,67(log M – 2) que modela o mesmo problema. A
resposta do problema pode ser observada no próprio gráfco, ou seja, 60
meses ou 5 anos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 162 7/7/2006 15:54:45
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 163
n meses
M reais
60
135
Figura 6.11 Gráfco
da função M = 100 × 1,005
n
M reais
n meses
60
135
Figura 6.12 Gráfco
da função n = 461,67(log M – 2)
Observe que se não usamos a representação gráfca podemos resolver o
problema usando representação algébrica. Neste caso a função logarít-
mica é recomendada. Veja como a função logarítmica foi estruturada.
Vamos escrever a inversa de M = 100(1,005)
n
.
Basta aplicar logaritmo e explicitar o valor de n. Temos:
log M = log [100(1,005)
n
]
log M = log 100 + n log 1,005
log log100
log1, 005
M
n

=
Usando a calculadora podemos obter:
(observar que estamos usando logaritmo na base 10).
n = 461,67log
100
M
ou
n = 461,67(log M – log 100)
n = 461,67(log M – 2)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 163 7/7/2006 15:54:45
Universidade do Sul de Santa Catarina
164
Para responder a pergunta do problema basta aplicar o valor R$135,00
para obtermos o valor de n.
n = 461,67(log 135 – log 100)
n ≅ 60
Temos, portanto 60 meses ou 5 anos.
Formalmente podemos defnir a função logarítmica como a função inversa
da função exponencial. Assim:
y = log
a
x ⇔ a
y
= x
Observando que a > 0, a ≠ 1 e x > 0.
Vamos fazer uma análise conjunta das duas funções facilitando, assim,
as refexões sobre as propriedades e características.
Função Exponencial Função Logaritmica
Defnição: Dado um número real a, tal
que 0 < a ≠1, chama-se função expo-
nencial de base a a função f de R em R
que associa a cada x real o número a
x
.
Defnição: Dado um número real a, tal
que 0 < a ≠1, chama-se função loga-
ritmica de base a a função f de R em
R que associa a cada x real o número
log
a
x.
f : R → R
*
+
x → a
x
f : R
*
+
→ R
x → log
a
x
O domínio da função exponencial é
D(f ) = R e a imagem é Im(f ) = (0,+∞).
O domínio da função logarítmica é
D(f ) = (0,+∞) e a imagem é Im(f ) = R.
f (x) = a
x
é crescente se, e somente se
a > 1 (ver Figura 6.13) e decrescente se,
e somente se 0 < a < 1 (ver Figura 6.14).
f (x) = log
a
x é crescente se, e somente
se a > 1 (ver Figura 6.15) e decrescente
se, e somente se, 0 < a < 1 (ver Figura
6.16).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 164 7/7/2006 15:54:45
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 165
Função Exponencial Função Logaritmica
Com relação ao gráfco da função
f (x) = a
x
, pode-se dizer que:
1°) A curva que representa esta função
está toda acima do eixo dos x, pois,
y = a
x
> 0 para todo x ∈ R.
2°) A curva sempre corta o eixo y no
ponto de ordenada 1, pois, se x = 0,
então f (0) = a
0
= 1.
Com relação ao gráfco da função
f (x) = log
a
x pode-se dizer que:
1°) A curva que representa esta função
está todo a direita do eixo dos y, já que
esta função só é defnida para x > 0.
2°) A curva corta o eixo dos x no ponto
de abscissa 1, pois, se x = 1, então
f (1) = log
a
1 = 0.
-2 -1 1 2
-2
-1
2
x
f(x)
Figura 6.13 Gráfco de y = a
x
, para a > 1
-2
-1
1
2
x
f(x)
Figura 6.15 Gráfco de y = log
a
x, para a > 1
-2 -1 1 2
-2
-1
2
x
f(x)
x
Figura 6.14 Gráfco de y = a
x
para 0 < a < 1
1
-2
-1
1
2
x
f(x)
Figura 6.16 Gráfco de y = log
a
x, para 0 < a < 1
As funções f (x) = a
x
e g(x) = log
a
x, são inversas uma da outra. O gráfco de f (x) =
a
x
é simétrico ao gráfco da função g(x) = log
a
x em relação a reta y = x.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 165 7/7/2006 15:54:45
Universidade do Sul de Santa Catarina
166
SEÇÃO 4
Outras aplicações
Vamos apresentar exemplos para fnalizar esta unidade. Observe bem os
detalhes para esclarecer todos os conceitos e propriedades das funções
discutidas nesta unidade.
Exemplos
1) Como modelar a produção de um operário em uma fábrica.
A produção de um operário em uma fábrica pode ser modelada. Por
exemplo, f (t ) = 50(1 – e
–kt
), sendo t o tempo em dias e k uma constante
característica do contexto no qual os dados são coletados. A partir de uma
informação pontual é possível achar o valor de k. Por exemplo, se o operá-
rio produzir 37 unidades em 4 dias, temos:
f (4) = 37 ou
f (4) = 50(1 – e
–k4
) = 37
Podemos reescrever:
50 – 50e
–k4
= 37
– 50e
–k4
= 37 – 50
– 50e
–k4
= – 13
e
–k4
=
13
50
Aplicando logaritmo natural:
ln e
–k4
= ln
13
50
–4k ≅ –1,35
k ≅ 0,34
Assim a função que modela é f (t ) = 50(1 – e
–0,34t
) (ver Figura 6.17).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 166 7/7/2006 15:54:47
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 167
5 10 15
20
40
60
x
f(x)
Figura 6.17 Gráfco de f (t ) = 50(1 – e
–0,34t
)
Vejamos outros exemplos.
2) Em um laboratório, um determinado inseto apresenta um ciclo repro-
dutivo de 1 hora: a cada hora um par de inseto gera outro par. Um par foi
deixado junto para reprodução. Depois de 5 horas verifcou-se o número
de insetos presentes. Qual o valor encontrado? Como modelar essa expe-
riência?
Acompanhe a análise:
P
0
= população inicial = 2
P
1
= população após 1 hora = P
0
·2 = P
0
·2
1
P
2
= população após 2 horas = P
1
·2 = P
0
·2·2 = P
0
·2
2
P
3
= população após 3 horas = P
2
·2 = P
0
·2·2·2 = P
0
·2
3
P
4
= população após 4 horas = P
3
·2 = P
0
·2·2·2·2 = P
0
·2
4
P
5
= população após 5 horas = P
4
·2 = P
0
·2·2·2·2·2 = P
0
·2
5
Genericamente, poderíamos dizer que para este ciclo, teríamos:
P
n
= P
0
·2
n
sendo
n = número de horas
P
0
= população inicial
P
n
= população após determinado número de horas
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 167 7/7/2006 15:54:47
Universidade do Sul de Santa Catarina
168
3) Qual a taxa mensal (%) para dobrar um capital em 2 anos?
A expressão que devemos usar para resolver esse problema é:
M = C (1 + i )
n
Queremos encontrar i tal que C seja duplicado, ou seja M = 2C. Como
queremos taxa mensal vamos usar n = 2 anos = 24 meses. Assim,
24
24
24
24
2 (1 )
2 (1 )
2 1
2 1
0, 029
C C i
i
i
i
i
= +
= +
= +
= −

Portanto, temos 2,9%.
Síntese
Nesta unidade você analisou as funções exponenciais e as funções loga-
rítmicas. Você deve ter observado o detalhamento inicial de objetos
matemáticos e operações elementares no contexto das potências, raízes e
logaritmo.
Você deve sair dessa unidade com a certeza de que consegue visualizar
situações práticas que são modeladas com funções exponenciais ou loga-
rítmicas.
Lembre-se de que, você como futuro professor de matemática, deve ter
prazer em manusear expressões algébricas que envolvem expoentes e
logaritmos. Não esqueça de retornar ao AVA para verifcar se todas as
seções desta unidade foram refetidas e analisadas.
Na última unidade você vai vivenciar o estudo das funções trigonométri-
cas.
Bom trabalho!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 168 7/7/2006 15:54:47
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 169
Atividades de auto-avaliação
Desenvolva as atividades que seguem para que você possa fazer a sua
auto-avaliação. As respostas discutidas estão no fnal do livro. Mas, lem-
bre-se, só consulte-o após a realização de todas as atividades.
Mãos a obra!
1) Escreva na forma decimal:
a) 103
4

b) 10
5

c) 2·10
2

2) Escreva na notação científca:
a) 72 000
b) 0,004
c) 0,022
3) Escreva na forma de uma única potência:
a) 2
–5
·2
2
b)
3 4
2 5
(13 )
(13 )
c) 4
3
·8·2
–5
d)
2 3
10 8
5 5
5 5
− −



topicos_de_matematica_elementar_I.indb 169 7/7/2006 15:54:47
Universidade do Sul de Santa Catarina
170
4) Calcule:
a)
9 2
7 5
3 9
27 81




b)
2 3
4
3
125 (25 )
725

5) Simplifque:
a)
6 6
3 2
w z
z w



b)
3 2 3
1
4
4 3
( ) x y
y x


6) Esboce o gráfco das seguintes funções:
a) f (x) = 2
x
b) f (x) = 3
x – 1
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 170 7/7/2006 15:54:47
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 171
c) f (x) = log
2
x d) f (x) = log
(½ )
x
7) Identifque se o as seguintes funções são crescentes ou decrescentes:
a) f (x) = 6
x
b) f (x) =
2
3
x
c) f (x) =
3
4
x
| |
|
\ .
d) f(x) = (0,125)
x
e) f (x) = log
3
x f ) f (x) = log1
3

x
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 171 7/7/2006 15:54:47
Universidade do Sul de Santa Catarina
172
8) Calcule os seguintes logaritmos
(a) log
3
27 (b) log
3
1
243
(c) log
10
100 (d) log
81
4
3
9) Determine o valor de x:
(a) log
(1/625)
5 = x (b) log
x
25 = 2
(c) log
2
x = 8 (d) log
x
(8/27) = 3
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 172 7/7/2006 15:54:47
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 173
10) Determine o valor de x de tal modo que os seguintes logaritmos existam:
(a) log
3
(x + 1) (b) log
(7x – 21)
4
11) Sabendo que log 2 = 0,3010 , calcule log0,0002.
12) Um capital de R$ 56,00 é aplicado, a juros compostos, por 2 anos e
meio, à taxa de 4 % a.m. Qual o valor resultante dessa aplicação?
13) Um capital foi aplicado, a juros compostos, durante 3 meses, à taxa
de 20 % a.m. Se, decorrido esse período, o montante produzido foi de
R$ 864,00, qual o capital aplicado?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 173 7/7/2006 15:54:48
Universidade do Sul de Santa Catarina
174
14) Qual a taxa mensal (%) para quadruplicar um capital em 8 anos?
15) A taxa de crescimento populacional do Brasil é de, aproximadamente,
2% ao ano. Em quantos anos a população irá dobrar, mantendo esta taxa
de crescimento?
16) O álcool no sangue de um motorista alcançou o nível de 2 gramas por
litro após ingerir uma bebida. Considere que esse nível decresce de acordo
com a fórmula N = 2(0,5)
t
, onde t é o tempo em horas. Quanto tempo
deverá o motorista esperar, se o limite permitido por lei é de 0,8 gramas
de álcool por litro de sangue? (considerar log 2 = 0,3).
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Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6 175
Saiba mais
Sugerimos que você faça uma pesquisa na Internet para visualizar situa-
ções que são modeladas com funções exponenciais e funções logarítmi-
cas. Como curiosidade sugerimos a leitura do artigo “Tabela Price e a Prá-
tica de Anatocismo” de Luiz Gonzada Junqueira de Aquino que poderá ser
visualizado em http://www.sindecon-esp.org/br/artigos/resptabelaprice.
pdt
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topicos_de_matematica_elementar_I.indb 176 7/7/2006 15:54:48
Funções trigonométricas
7
UNIDADE 7
Objetivos de aprendizagem

Identifcar funções trigonométricas em diferentes situa-
ções problemas.

Desenvolver leituras gráfcas envolvendo funções trigono-
métricas.
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução

Seção 2 – Relações trigonométricas no triângulo retângulo

Seção 3 – Funções trigonométricas

Seção 4 – Funções trigonométricas inversas
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 177 7/7/2006 15:54:48
Universidade do Sul de Santa Catarina
178
Para início de conversa
Nesta última unidade da nossa disciplina você vai ter a oportunidade de
refetir sobre elementos da Trigonometria e das funções trigonométri-
cas. Muitos conceitos aqui citados serão retomados no decorrer do seu
curso em outras disciplinas, por exemplo, na disciplina de Trigonometria e
Números Complexos.
É importante você ter em mente que a Trigonometria tem uma linda histó-
ria na evolução da Humanidade e seus objetos de estudo são fundamen-
tais em diferentes áreas de conhecimento.
Você vai encerrar seu estudo nesta disciplina visualizando interessantes
problemas reais.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 178 7/7/2006 15:54:48
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 179
SEÇÃO 1
Introdução
Para discutir as funções trigonométricas é necessário lembrar da trigono-
metria no triângulo retângulo. Assim, nesta primeira seção vamos fazer
uma revisão para que você possa discutir com facilidade os objetos envol-
vidos no contexto das funções trigonométricas.
Vamos iniciar discutindo o que é um índice de subida. Este conceito é
conhecido pelos alpinistas, pois existe uma preferência por subidas íngre-
mes.
Na Figura 7.1 você pode observar duas subidas. Qual é a mais íngreme?
(A) (B)
Figura 7.1 Subidas
Com toda a certeza você vai responder que a subida mais íngreme é a
subida em (A).
A referência matemática para fazer a análise é a medida do ângulo de
subida que no caso (A) é maior que o caso (B).
É possível defnir o ângulo de subida a partir do conhecimento de pelo
menos duas das medidas relacionadas com a situação: percurso, altura e
afastamento (ver Figura 7.2).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 179 7/7/2006 15:54:48
Universidade do Sul de Santa Catarina
180
Figura 7.2 Medidas relacionadas com o ângulo de subida
Para discutir essa situação problema e outras situações similares são
necessários objetos matemáticos no contexto da trigonometria no triân-
gulo retângulo. Em geral o índice de subida é dado pela relação
altura
índice de subida =
afastamento
Você vai observar na seção seguinte que esta relação é a defnição da tan-
gente do ângulo de subida. Outras relações podem ser defnidas para faci-
litar cálculos necessários na resolução de diferentes problemas práticos
A partir dessas relações podemos discutir as funções trigonométricas ou
funções circulares.
Olhando o passado!
A trigonometria é uma parte da Matemática bem antiga. A primeira tabela
com razões trigonométricas foi compilada por Hiparco, no século II a.C. Essa
ferramenta matemática atendia aos interesses da astronomia, agrimensura e
navegação.
A transição dos estudos das razões trigonométricas para as funções trigo-
nométricas começou no século XVI com o Matemático Viète e culminou no
século XVIII com o trabalho de Euler.
Formalmente, existe diferença entre as defnições das funções trigonomé-
tricas e das funções circulares
1
, entretanto neste texto, não vamos nos pre-
ocupar com essa diferença, para tal vamos ter o cuidado de trabalhar com
os ângulos medidos em radianos.
1
Para os interessados em maiores detalhes recomendamos a leitura do artigo Seno de 30 é
um meio? de Renate G. Watanabe, disponível na Revista do Professor de Matemática, N. 30,
pg. 26 – 32 do primeiro quadrimestre de 1996.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 180 7/7/2006 15:54:48
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 181
SEÇÃO 2
Relações trigonométricas no triângulo
retângulo
Quando estamos falando de trigonometria no triângulo retângulo os
ângulos são medidos de 0° (zero graus) a 180° (cento e oitenta graus) ou
de 0 a π radianos.
Observe na Figura 7.3, as propriedades e as razões estabelecidas a partir
do triângulo retângulo ABC.
Figura 7.3 Triângulo retângulo
(1) O triângulo ABC é retângulo.
O ângulo
ˆ
A é o ângulo reto (mede noventa graus).
(2) A hipotenusa do triângulo dado mede a, e os catetos medem b e c.
(3) O cateto b é oposto ao ângulo
ˆ
B e adjacente ao ângulo
ˆ
C .
(4) O cateto c é oposto ao ângulo
ˆ
C e adjacente ao ângulo
ˆ
B .
(5) Vale o Teorema de Pitágoras: a
2
= b
2
+ c
2
.
(6) Valem as relações que defnem:
Seno de
ˆ
B
cateto oposto b
ˆ ˆ
sen B = ou sen B =
hipotenusa a
Cosseno de
ˆ
B
cateto adjacente c
ˆ ˆ
cos B = ou cos B =
hipotenusa a
Tangente de
ˆ
B
cateto oposto b
ˆ ˆ
tg B = ou tg B =
cateto adjacente c
De forma similar, podemos estabelecer as razões para o ângulo
ˆ
C :
(7) A cotangente de um ângulo é o inverso da tangente.
(8) A secante é o inverso do cosseno.
(9) A cossecante é o inverso do seno.

Pare!
Revise!
É importante que você pare
e revise o Teorema de Pitá-
goras.
Se considerarmos:
a = medida da
hipotenusa;
b = medida do cateto
oposto ao ângulo B;
c = medida do cateto oposto
ao ângulo C.
Podemos escrever:
a
2
= b
2
+ c
2

Pare!
Observe!
Para todo círculo, a razão
entre o perímetro e o diâ-
metro é uma constante. Esta
constante é denotada pela
letra grega π (Pi) que é um
número irracional, isto é,
não pode ser expresso como
a divisão de dois números
inteiros. Uma aproximação
para π com 10 dígitos é
3,1415926536...
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 181 7/7/2006 15:54:49
Universidade do Sul de Santa Catarina
182
Você pode fazer um jogo algébrico e formatar várias
expressões envolvendo ângulos e lados de um triângulo
retângulo. Ao fazer isto você estará analisando a Trigo-
nometria no triângulo retângulo.
Olhando o passado!
A palavra trigonometria signifca medida dos três ângulos de um triângulo:

TRI

três;

GONO

ângulos;

METRIA

medida.
A palavra seno tem origem na palavra árabe jaib, que signifca dobra, bolso
ou prega de uma vestimenta, portanto, não tem nada a ver com o conceito
matemático. Trata-se de uma tradução defeituosa que dura até os nossos dias.
A palavra que deveria ser traduzida é jiba que signifca um arco de caça ou
de guerra. Na tradução do árabe para o latim as consoantes jb são traduzidas
para sinus e para a nossa língua seno.
Exemplos
1) Observe os triângulos retângulos dados e encontre o valor de x assinalado.
Pelo Teorema de Pitágoras temos:
x
2
= 2
2
+ 6
2
x
2
= 4 + 36
x
2
= 40
x = 40
x ≈ 6,32
Pelo Teorema de Pitágoras temos:
6
2
= 2
2
+ x
2
36 = 4 + x
2
x
2
= 36 – 4
x
2
= 32
x = 32
x ≈ 5,6
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 182 7/7/2006 15:54:49
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 183
Olhando o presente!
Veja o seguinte problema
P1 O ângulo de subida (ou de elevação) do pé de uma árvore, a 30 m
da base de um morro, ao topo do morro é de 60°. Que medida deve
ter um cabo para ligar o pé da árvore ao topo do morro? Qual a altura
do morro?
Na fgura 7.4 você pode observar a situação apresentada no problema P1
e constatar que a solução é obtida a partir do uso de uma relação trigono-
métrica.
Para calcular o comprimento x basta
aplicar a relação entre o afastamento
e o comprimento:
cateto adjacente
cos 60° =
hipotenusa
30
x
=
O valor do cosseno de 60 graus pode
ser obtido através de uma tabela ou
de forma mais rápida utilizando uma
calculadora (cos 60° = 0,5)
30
0, 5
0, 5 30
30
0, 5
60 metros
x
x
x
x
=
× =
=
=
Para calcular a altura do morro podemos usar o Teorema de Pitágoras
fazendo:
x
2
= 30
2
+ h
2
60
2
= 30
2
+ h
2
h
2
= 60
2
– 30
2

h
2
= 3600 – 900
h
2
= 2700
h = 2700
h ≅ 51,96 metros
Figura 7.4 modelo do problema P1

Pare!
Observe!
Verifique que o valor da
altura do morro poderia ser
encontrada utilizando-se,
também a razão trigono-
métrica:
cateto oposto
tg 60° =
cateto adjacente
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 183 7/7/2006 15:54:50
Universidade do Sul de Santa Catarina
184
Exemplos
1) Um observador visualiza o ponto culminante de um morro sob um
ângulo de 60 graus. Afastando-se mais 20 metros do morro, visualiza o
mesmo ponto sob um ângulo de 45 graus. Qual a altura do morro?
Estamos diante de dois
triângulos retângulos:
(1) Triângulo ABC:
tg 45° =
20
h
x +
Considerando que tg 45° = 1
temos
1 =
20
h
x +
ou h = x + 20
(2) Triângulo DBC:
tg 60° =
h
x
.
Considerando tg 60° = 3
temos
3 =
h
x
ou h = 3x
Dessas relações podemos
escrever um sistema:
20
3
h x
h x
= +
¦
¦
´
=
¦
¹
ou
x + 20 = 3x
3x – x = 20
x( 3 – 1) = 20
x =
20
3 1 −
x ≅ 27,32
Portanto a altura h do morro é
h = x + 20
= 27,32 + 20
= 47,32 metros.
2) A 2000 metros de um aeroporto tem-se uma torre com 40 metros de
altura. Para segurança do vôo, ao sobrevoar a torre o avião deverá estar no
mínimo 500 metros acima da mesma. Qual deve ser o ângulo de subida
para que se tenha um vôo dentro dos limites de segurança?
Na Figura 7.5 apresenta-se um modelo para auxiliar a visualização do pro-
blema.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 184 7/7/2006 15:54:51
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 185
Figura 7.5 Modelo do problema do exemplo 1
Considerando os dados do problema podemos dizer que a altura h é igual a:
h = 40 + 500 = 540 metros.
Do triângulo retângulo que modela o problema temos o valor do cateto
oposto (altura h) e do cateto adjacente (afastamento horizontal). Assim,
podemos escrever:
altura h 540
tg = 0, 27.
afastamento horizontal 2000
θ = =
Usando uma tabela ou uma calculadora, vamos verifcar que o ângulo de
subida, denotado por θ, mede aproximadamente 15°.
3) Uma aplicação bastante interessante e atual do Teorema de Pitágoras
é nos fractais. Na Figura 7.6 (A) apresenta-se um fractal
2
e na Figura 7.6 (B)
o modelo que mostra nitidamente os quadrados que são usados para a
demonstração do Teorema de Pitágoras de forma geométrica (ou através
de recortes de fguras).
(A) (B)
Figura 7.6 Fractal
2
Fractais são estruturas geométricas de grande complexidade e muita beleza, ligadas às
formas da natureza, ao desenvolvimento da vida e à própria compreensão do universo. São
imagens de objetos abstratos que possuem o todo, infnitamente multiplicadas dentro de
cada parte, escapando assim, da compreensão em sua totalidade pela mente humana.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 185 7/7/2006 15:54:51
Universidade do Sul de Santa Catarina
186
É possível constatar a presença do Teorema de Pitágoras na Figura 7.6.
Observe a Figura 7.7 e compare. Para mostrar o Teorema de Pitágoras atra-
vés da Figura 7.7 basta recortar o quadrado de lado b nas quatro partes
assinaladas e em conjunto com o quadrado de lado a faça a composição
do quadrado de lado c. Ao fnal deste livro você pode recortar um modelo
para fazer sua experiência.
Figura 7.7 Teorema de Pitágoras
Olhando o futuro!
Você deve ter percebido como é importante uma calculadora para o desen-
volvimento rápido das situações problemas. Cabe observar que o uso da
calculadora, neste contexto, quase sempre vai nos apresentar um resultado
com aproximação numérica, pois os valores das funções trigonométricas são
usados de forma aproximada.
SEÇÃO 3
Funções trigonométricas
Geralmente as funções trigonométricas são introduzidas a partir de um
círculo de raio 1, denominado de círculo trigonométrico. Na Figura 7.8
apresenta-se um círculo trigonométrico com todas as funções representa-
das geometricamente a partir do triângulo OAP. Observe que nesse triân-
gulo a hipotenusa mede 1 unidade de medida.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 186 7/7/2006 15:54:51
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 187
Figura 7.8 Círculo trigonométrico
As relações trigonométricas estabelecidas no triângulo retângulo apresen-
tado na seção anterior podem ser novamente estabelecidas e fcam geo-
metricamente representadas por segmentos. Por exemplo:
medida de AP
sen = = medida de AP ou medida de OB
medida de OP
α
medida de OA
cos = = medida de OA ou medida de BP
medida de OP
α
Observe que estamos trabalhando no plano cartesiano e, portanto, pode-
mos ampliar a análise para os demais quadrantes.
As funções trigonométricas
Basicamente no item anterior já defnimos as funções trigonométricas. As
funções seno e cosseno podem ser defnidas a partir do círculo trigono-
métrico e as demais em termos de seno e cosseno.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 187 7/7/2006 15:54:52
Universidade do Sul de Santa Catarina
188
Função Seno e Função Cosseno
Considere x um número real que representa a medida em radianos de
um ângulo central desenhado no círculo trigonométrico, como mostra
a Figura 7.9. Observe que o ponto P é a interseção de um dos lados do
ângulo com a circunferência. Denominamos de seno de x a ordenada
OP
1
do ponto P e cosseno de x a abscissa OP
2
do ponto P. Assim pode-
mos escrever:
1 2 P = (OP ,OP ) = (sen x, cos x).
Figura 7.9 Círculo trigonométrico.
É possível variar o valor do x para estabelecer o gráfco das funções.
Observe o comportamento da função seno e da função cosseno na tabela
que segue e nos gráfcos da Figura 7.10 e 7.11. Vamos trabalhar com valo-
res múltiplos de π, pois daqui para frente, vamos utilizar a unidade radia-
nos para medir os ângulos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 188 7/7/2006 15:54:52
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 189
x sen x = OP
1
cos x = OP
2
0 0 1
π⁄6 0,5 0,866
π⁄3 0,866 0,5
π⁄2 1 0
2π⁄3 0,866 –0,5
5π⁄6 0,5 –0,866
π 0 –1
7π⁄6 –0,5 –0,866
4π⁄3 –0,866 –0,5
3π⁄2 –1 0
5π⁄3 –0,866 0,5
11π⁄6 –0,5 0,866
2π 0 1
f(x)
x
3
2
p 3
2
p – p p p
2
p
2
2p
– –
–1
1
Observe que:
(1) o domínio da fun-
ção seno é o conjunto
dos reais e o conjunto
imagem é o conjunto
[–1,1];
(2) tem intervalos de
crescimento e decresci-
mento.
Figura 7.10 Função Seno (senóide)
f(x)
x
3
2
p 3
2
p – p p p
2
p
2
2p
– –
–1
1
Observe que:
(1) o domínio da
função cosseno é o
conjunto dos reais e o
conjunto imagem é o
conjunto [–1,1];
(2) tem intervalos de
crescimento e decresci-
mento.
Figura 7.11 Função Cosseno (cossenóide)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 189 7/7/2006 15:54:52
Universidade do Sul de Santa Catarina
190
Defnição: Dizemos que uma função é periódica se existe
um número real T ≠ 0 tal que f (x + T) = f (x) para todo
x ∈ D(f ). Ao observar o gráfco de uma função periódica
você verifca que se repete a cada intervalo de compri-
mento | T |.
Exemplos
1) A função seno é periódica de período 2π. Assim, sen (x + 2π) = sen x.
2) A função cosseno é periódica de período 2π. Assim, cos (x + 2π) = cos x.
Uma característica muito interessante da função seno e da função cosseno
está relacionada com a paridade. Para todos os reais vale:
sen x = – sen (–x) e cos x = cos (–x)
Pode-se dizer que a função seno é uma função ímpar e a função cosseno é
uma função par. Confra essa afrmação na seguinte defnição.
Defnição: Uma função f (x) é par, se para todo x no seu
domínio temos f (x) = f (–x). Uma função é ímpar se, para
todo x no seu domínio temos f (x) = –f (–x).
Observe a seguir as demais funções trigonométricas que são defnidas em
função de seno e cosseno.
f(x)
x
3
2
p 3
2
p – p p p
2
p
2
2p
– –
Tem-se:
sen
tg =
cos
x
x
x
(1) domínio é o conjunto dos
reais para os quais cos x ≠ 0;
(2) periódica de período π;
(3) sempre crescente;
(4) função ímpar.
Figura 7.12 Função tangente

Pare!
Observe!
Observe bem os gráficos e
verifique que existe uma
repetição do formato no
decorrer de todo o domínio.
Essa característica está rela-
cionada com o fato das fun-
ções trigonométricas serem
periódicas.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 190 7/7/2006 15:54:52
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 191
f(x)
x
3
2
p 3
2
p – p p p
2
p
2
2p
– –
Tem-se:
cos
cotg =
sen
x
x
x
(1) domínio é o conjunto dos
reais para os quais sen x ≠ 0;
(2) periódica de período π;
(3) sempre decrescente;
(4) função ímpar.
Figura 7.13 Função cotangente
f(x)
x
3
2
p 3
2
p – p p p
2
p
2
2p
– –
–4
1
–3
2
–2
3
–1
4
Tem-se:
1
sec =
cos
x
x
(1) domínio é o conjunto dos
reais para os quais cos x ≠ 0;
(2) periódica de período 2π.
(3) possui intervalos de cresci-
mento e de decrescimento;
(4) função par.
Figura 7.14 Função secante
f(x)
x
3
2
p 3
2
p – p p p
2
p
2
2p
– –
–4
1
–3
2
–2
3
–1
4
Tem-se:
1
cossec =
sen
x
x
(1) domínio é o conjunto dos
reais para os quais sen x ≠ 0;
(2) periódica de período 2π;
(3) possui intervalos de cresci-
mento e de decrescimento;
(4) função ímpar.
Figura 7.15 Função cossecante
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 191 7/7/2006 15:54:52
Universidade do Sul de Santa Catarina
192
Exemplos
1) Usando um software, desenvolva o gráfco dos conjuntos das funções
dadas e identifque domínio, conjunto imagem e período.
(a) y = sen x; y = sen 2x; y = sen 3x.
Para resolver esse exercício vamos usar o software Graph. Porêm, você
pode utilizar outro software de sua livre escolha.
Veja as fguras geradas para o intervalo de [–2π,2π].
f(x)
xx
–1
1
f(x)
xx
–1
1
f(x)
xx
–1
1
Figura 7.16 Gráfcos de y = sen x; y = sen 2x; y = sen 3x.
Observe que:

o domínio de todas as funções é o conjunto dos reais;

o conjunto imagem de todas as funções é o intervalo [–1,1];

o período da função y = sen x é 2π; o período da função y = sen 2x é
π e o período da função y = sen 3x é
2
3
π
.
Portanto, ao multiplicar o valor de x, da função y = sen x por um número
real vamos observar que o período da função fca 2π dividido por este
número.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 192 7/7/2006 15:54:53
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 193
(b) y = |sen x|
Veja o gráfco gerado no software
ao colocarmos para variar entre
[–2π,2π]. Tem-se que:

o domínio é o conjunto dos
reais;

o conjunto imagem é [0,1].

o período é π
f(x)
xx
–1
1
Figura 7.17 Gráfco de y = |sen x|.
Olhando o presente!
Você sabia que na sua viagem de negócios ou de passeio a trigonometria
acompanha você?
P2 Como modelar matematicamente a situação de um avião voando
a 240 mi/h (milhas por hora) com proa de 60 graus com um vento de
30 mi/hora de 330 graus?
Antes de discutir este problema é importante fazer alguns esclarecimen-
tos de nomenclatura (acompanhe nas Figuras 7.18 e 7.19):

Proa de um avião é a direção para o qual o avião está apontando.
A proa é medida no sentido horário a partir do norte e expressa em
graus e minutos. No problema tem-se 60 graus.

Velocidade no ar (determinada na leitura do indicador na aero-
nave) é a velocidade do avião em ar parado.

Rota do avião é a direção na qual ele se move em relação ao chão.
Ela é medida no sentido horário a partir do norte.

Velocidade de solo é a velocidade do avião em relação ao solo.

Ângulo de deriva (ou ângulo de correção do vento) é a diferença
(positiva) entre a proa e a rota.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 193 7/7/2006 15:54:53
Universidade do Sul de Santa Catarina
194
Figura 7.18 Modelagem do problema P2
Figura 7.19 Triângulo retângulo OBC
Podemos calcular a velocidade de solo, representada pela hipotenusa no
triângulo retângulo OBC. Onde temos:
v
2
= 240
2
+ 30
2
v
2
= 58500
v ≅ 241,87 milhas/hora
Para encontrar a rota é necessário encontrar o ângulo θ. Temos que:
tg θ =
30
240
= 0,125.
Usando a calculadora podemos verifcar que o ângulo θ é aproximada-
mente igual a 7 graus.
Assim,
Rota = 60° + 7° = 67°.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 194 7/7/2006 15:54:53
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 195
SEÇÃO 4
Funções trigonométricas inversas
Você já discutiu as funções inversas na seção 4 da Unidade 2. Agora vamos
analisar a existência das funções trigonométricas inversas. Num olhar ini-
cial pode-se dizer que é impossível defnir função inversa para cada uma
das funções trigonométricas, pois a cada valor de y corresponde uma inf-
nidade de valores de x.
Para formalizar a defnição das funções inversas é necessário fazer restri-
ção no domínio. Veja como fca inicialmente a inversa da função seno.
Função arco seno
Vamos redefnir a função f (x) = sen x para o domínio ,
2 2
π π (

(
¸ ¸
. Assim, a
função inversa de f (x), será chamada de função arco seno e denotada por
y = arcsen x. Tem-se que para cada x ∈ [–1,1] corresponde y ∈ ,
2 2
π π (

(
¸ ¸
,
valendo a seguinte equivalência:
y = arcsen x ⇔ sen y = x
Observe o gráfco da Figura 7.18 para identifcar as seguintes característi-
cas dessa função:

D(arcsen x) = [–1,1];

Im(arcsen x) = ,
2 2
π π (

(
¸ ¸
;

função sempre crescente.
p
2
p
2

–1 1
f(x)
x
Figura 7.20 Função arco seno
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 195 7/7/2006 15:54:53
Universidade do Sul de Santa Catarina
196
Observe as demais funções trigonométricas inversas
p
p
2
–1 1
f(x)
x
Figura 7.21 Função arco cosseno
Função arco cosseno
Para 0 ≤ y ≤ π temos:
y = arcsen x ⇔ x = cos y
Observe que esta função é
decrescente em todo o seu domí-
nio.
p
2
p
2

f(x)
x
Figura 7.22 Função arco tangente
Função arco tangente
Para –
2
π
< y <
2
π
temos:
y = arctg x ⇔ x = tg y
Esta função é sempre crescente.
Figura 7.23 Função arco tangente
Função arco cotangente
Para 0 < y < π a função inversa da
tangente pode ser defnida como:
y = arccotg x =
2
π
– arctg x
Essa função é sempre decres-
cente, portanto pode ser a forma
de um escorregador.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 196 7/7/2006 15:54:53
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 197
Figura 7.24 Função arco secante
Função arco secante
Pode-se defnir a função arco
secante como:
y = arcsec x = arccos
1
x
Observe que o domínio é dado
por valores x reais tais que | x | > 1.
Figura 7.25 Função arco cossecante
Função arco cossecante
Pode-se defnir a função arco
secante como:
y = arccosec x = arcsen
1
x
Observe que o domínio é dado
por valores x reais tais que | x | > 1.
Exemplos
No contexto do seu dia-a-dia você exercita o uso das funções inversas
quando precisa saber o valor do ângulo a partir do seno, cosseno ou tan-
gente. Retome o problema P2 e constate que este conceito foi usado:
tg θ =
30
240
= 0,125
θ = arctg 0,125
θ = 0,124 radianos.
Podemos converter para graus lembrando da relação:
π radianos = 180 graus.
Assim, para transformar radianos em graus usamos:
medida do ângulo em radianos 180°
Medida do ângulo em graus =
medida do ângulo em radianos 180°
=
3,14
medida do ângulo em radianos 57,32
×
π
×
= ×
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 197 7/7/2006 15:54:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
198
Observar que estamos trabalhando com valores aproximados. Assim:
θ = arctg 0,125
θ = 0,124 radianos ou
θ ≅ 7 graus
Parada Recreativa!
No domingo, dois amigos se encontraram rapidamente na rua movimen-
tada.
— Olá, como vai?
— Puxa cara! Que corrida. Minha vida deu uma virada de 360°.
— Ah! Ah! Ah! Que piada! Conta outra.
Você sabe por que ele fcou rindo?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 198 7/7/2006 15:54:54
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 199
Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de visualizar as funções trigo-
nométricas que possuem aplicações em várias situações. Em especial, as
funções trigonométricas são trabalhadas em matemática mais avançada
modelando fenômenos físicos que têm a característica de periodicidade.
Com o estudo desta unidade você encerra a sua disciplina. Lembre que os
objetos discutidos, ao longo das unidades, mostram a beleza e a grandeza
da Matemática enquanto ferramenta para modelar problemas e também
para auxiliar no desenvolvimento de novas idéias.
Não deixe de passar no AVA para verifcar se suas atividades estão todas
prontas e revisadas. Aproveite e coloque suas últimas considerações rela-
cionadas com o desenvolvimento desta disciplina no fórum fnal da disci-
plina.
Até a próxima disciplina!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 199 7/7/2006 15:54:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
200
Atividades de auto-avaliação
1) Faça o gráfco e analise as características e propriedades das funções:
(a) y = 1 + sen x
(b) f (x) = cos
2
x
| |
|
\ .
(c) g(x) = 2tg(x)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 200 7/7/2006 15:54:54
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 201
2) Uma escada rolante liga dois pisos de uma loja de departamentos e
tem uma inclinação de 30°. Sabendo que o comprimento linear da escada
é de 12 m, qual é a altura entre os dois pisos da loja?
3) Ted e Mad ao fazer um passeio no campo contemplaram o pico de um
morro segundo um ângulo de 45 graus. Ao caminharem mais 50 metros
em direção ao morro passaram a ver o pico segundo um ângulo de 60
graus. Qual é a altura do morro?
4) Qual é o tamanho da sombra de um prédio de 50 metros de altura
quando o sol está 20 graus acima da linha do horizonte?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 201 7/7/2006 15:54:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
202
5) Uma escada apóia-se na parede de um prédio com seu pé a 4 metros
do edifício. A que distância do chão está o ponto mais alto da escada e
qual é seu comprimento se ela faz um ângulo de 70 graus com o chão?
6) Do topo de um farol, 120 metros acima do nível do mar, o ângulo de
depressão de um barco é 15 graus. Qual é a distância do farol ao barco?
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 202 7/7/2006 15:54:54
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 7 203
7) Na fgura 7.26 tem-se que:
CD = 5 cm
BC = 4 cm
AB = 3,2 cm
AC = x cm
BD = y cm
Pergunta-se:
a) Qual o valor de x?
b) Qual o valor de y?
c) Quais são os valores das funções trigonométricas do ângulo α?
d) Quais são os valores das funções trigonométricas do ângulo β?
Figura 7.26 Triângulos retângulos
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 203 7/7/2006 15:54:54
Universidade do Sul de Santa Catarina
204
Saiba mais
Se você fcou interessado em conhecer mais detalhes sobre as funções
trigonométricas ou sobre a história da trigonometria recomendamos que
você faça uma busca na Internet. Observe que este é um dos temas prefe-
ridos em sites que discutem objetos matemáticos. Vale a pena conferir!
Em especial recomendamos:
http://www.dapp.min-edu.pt/nonio/softeduc/soft3/circ.
htm para obter um software livre e http://www.cecm.sfu.
ca/projects/ISC/data/pi.html para constatar 10000 dígi-
tos do número Pi.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 204 7/7/2006 15:54:54
205
Para concluir o estudo
Você concluiu o estudo desta disciplina que é parte integrante do pri-
meiro semestre do seu curso. Para fnalizar, gostaríamos de deixar uma
mensagem destacando a importância dos conteúdos desta disciplina
como alicerces básicos para outras disciplinas do contexto da Matemática,
além da aplicação direta na resolução de problema do dia-a-dia.
Lembre-se sempre que todos os conteúdos de matemática inseridos em
seu curso serão discutidos por você no exercício da sua futura profssão e,
portanto, o seu olhar deve ir além dos conteúdos.
É necessário iniciar o processo de repensar a prática educativa. Aproveite
bem as estratégias metodológicas da EAD relacionadas com o uso de
diferentes mídias e tecnologias, para focar uma educação inovadora que
vai além dos conteúdos. Uma educação que preconiza um cidadão ético
e crítico. Talvez você ainda não tenha essa percepção, mas a Matemática
delineia uma visão socializadora, pois exercita a mente, apontando dife-
rentes caminhos para a resolução de problemas.
Siga em frente! Discuta sistematicamente com a equipe de professores
tutores de seu curso, amadureça as idéias e concretize o seu ideal profs-
sional.
Uma boa caminhada para você!
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 205 7/7/2006 15:54:55
206
Referências
ANTON, Howard. Cálculo: um novo horizonte. Porto Alegre: Bookman,
2000.
EVES, Howard. Introdução à História da Matemática. Campinas: UNI-
CAMP, 1995.
FLEMMING, D. M. ; LUZ, E. F. Representações gráfcas. São José: Saint Ger-
main, 2003.
FLEMMING, Diva Marília; GONÇALVES, Mirian Buss. Cálculo A: funções,
limite, derivação integração. São Paulo: Makron Books, 1992.
FRAGOSO, Wagner da Cunha. Uma abordagem da equação do 2º. grau.
Revista do Professor de Matemática. São Paulo, n. 43, p.20-25, 2º. qua-
drimestre de 2000.
IFRAH, Georges. Os números: história de uma grande invenção. 8. ed. São
Paulo: Globo, 1996.
KLINK, Amyr. Mar sem fm: 360° ao redor da Antártica. São Paulo: Compa-
nhia das Letras, 2000.
WATANABE, Renate G. Seno de 30 é um meio? Revista do Professor de
Matemática, n. 30, p. 26 – 32 1º. quadrimestre de 1996.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 206 7/7/2006 15:54:55
207
Sobre os professores conteudistas
Diva Marília Flemming é doutora em Engenharia de Produção pela Uni-
versidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É mestre em Matemática Apli-
cada e graduada em Matemática, ambos pela UFSC. Já atuou no ensino de
disciplinas em cursos de administração na Universidade para o Desenvol-
vimento do Estado de SC (UDESC), como professora convidada. Aposen-
tada como professora pela UFSC, atualmente é professora e pesquisadora
na Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). No contexto do ensino
de Matemática tem desenvolvido suas atividades na Unisul com alunos
dos cursos de Engenharia e de Matemática. É autora de livros de Cálculo
Diferencial e Integral, adotados em vários estados do Brasil. Como pesqui-
sadora, no Núcleo de Estudos em Educação Matemática (NEEM-UNISUL)
dedica-se à Educação Matemática com ênfase nos recursos tecnológicos.
Realiza trabalhos interdisciplinares no Mestrado em Educação da Unisul
como professora e como orientadora de dissertações. Sua atual paixão
profssional está nos desafos da educação a distância, realizando experi-
mentos na formação de professores de Matemática. Atualmente, coordena
o primeiro curso de especialização implantado na Unisul na modalidade
a distância: Curso em Educação Matemática e é autora de vários livros no
contexto da UnisulVirtual.
Elisa Flemming Luz é doutora em Engenharia de Produção pela Univer-
sidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Engenharia Elétrica
e graduada em Engenharia Elétrica, ambos pela UFSC. Atua como profes-
sora da Unisul desde 1996 ministrando disciplinas na área da Matemática
para os cursos de engenharia. Ministra disciplinas em cursos de especia-
lização presenciais e a distância. É pesquisadora do Núcleo de Estudos
em Educação Matemática (NEEM-UNISUL), desenvolvendo atividades de
pesquisa na área da Educação Matemática. Atua na educação a distância,
no gerenciamento de projetos, como designer instrucional de cursos a dis-
tância. É autora e tutora de materiais didáticos e atualmente trabalha na
equipe de capacitação e apoio pedagógico à tutoria.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 207 7/7/2006 15:54:55
208
Christian Wagner é mestre em Física-Matemática pela Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Matemática e Computa-
ção Científca pela UFSC. Foi professor substituto na UFSC entre 2001 e
2003. Professor horista da Unisul desde 2001; atualmente atua no Núcleo
de Estudos em Educação Matemática (NEEM-UNISUL) nas atividades de
ensino e extensão voltadas para as difculdades de aprendizagem da
matemática. No contexto da pós-graduação atua na especialização em
educação Matemática na modalidade a distância como autor e tutor de
disciplinas.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 208 7/7/2006 15:54:55
209
Respostas e comentários das
atividades de auto avaliação
Unidade 1
1) Efetue as operações indicadas:
(a)
2
3
+
5
6
(b)
1
9

2
7
2 5 2 2 5 1
3 6 6
4 5 9 3
6 6 2
⋅ + ⋅
+ =
+
= = =
1 2 1 7 2 9
9 7 9 7
7 18 11
63 63
⋅ − ⋅
− =

− −
= =
(c) 10 ÷
3
4
(d)
9

4
5
3 4 40
10 10
4 3 3
÷ = × =
4 4 3 4
9 3
5 5 1 5
3 5 4 15 4 11
5 5 5
− = − = −
⋅ − −
= = =
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 209 7/7/2006 15:54:55
210
Universidade do Sul de Santa Catarina
(e)
1
4
– 0,3 (f )
3
4
×
1
3
1
0, 3 0, 25 0, 30 0, 05
4
− = − = −
3 1 3 1 3 1
4 3 4 3 12 4
×
× = = =
×
(g)
| |
× +
|
\ .
1 7
3
2 3
(h)
3
4
÷
5
3
1 7 1 9 7
3
2 3 2 3
1 16
2 3
1 16 16 8
2 3 6 3
+
| | | |
× + = ×
| |
\ . \ .
| |
= ×
|
\ .
×
= = =
×
3 5 3 3 3 3 9
4 3 4 5 4 5 20
×
÷ = × = =
×
(i)
7
6
7
(j)
10
5
3
7
7 7 7 1 7 1
6
7 6 1 6 7 6 7
7 1
42 6
×
= ÷ = × =
×
= =
10 10 5 10 3 10 3
5
1 3 1 5 1 5
3
30
6
5
×
= ÷ = × =
×
= =
2) O salário do funcionário de uma empresa é igual a R$1200,00. No mês
de suas férias ele recebe o seu salário mais
1
3
referente às férias. Quanto
ele receberá?
Vamos calcular
1
3
de R$ 1200,00

1
3
de R$ 1200,00 =
1
3
×1200 =
1200
3
= 400
Assim o funcionário receberá, no mês de suas férias
R$1200,00 + R$400,00 = R$1600,00.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 210 7/7/2006 15:54:55
211
Tópicos de Matemática Elementar I
3) Mário trabalhou 7 meses numa empresa, com salário de R$ 600,00.
Por isso, recebeu a quantia igual a de
7
12
de um salário, correspondente
à parte do 13º salário. De quanto foi a quantia recebida?
Para determinar a quantia recebida, é preciso calcular
7
12
de R$ 600,00:
7
12
× 600 =
4200
12
= 350
Assim, Mario recebeu R$350,00 referente à parte do 13o salário.
4) Se
2
5
correspondem a 180, a quanto corresponde um inteiro?
2
180
5
5
1
5
x

= →
2
180 1
5
2
180
5
5
180 450
2
x
x
x
⋅ = ⋅
⋅ =
= ⋅ =
Assim, um inteiro será igual a 450.
5) O tanque do carro está seco. Se pusermos 14,5 litros, num carro que
roda, em média, 7,14 km/l, conseguiremos chegar a um hotel 98 quilôme-
tros distante?
Vamos calcular a distância que o carro roda se fzer a média estabele-
cida e se pusermos 14,5 litros:
7,14 km/l 14,5 l = 103,53 km
Se o carro consegue rodar 103,53 km, então com certeza chegará ao
hotel que fca a 98 quilômetros de distância do início do percurso.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 211 7/7/2006 15:54:56
212
Universidade do Sul de Santa Catarina
6) Numa receita de bolo usa-se 0,5 litros de leite, sendo que 0,25 dessa
quantidade vai no recheio. Que fração do litro é usada no recheio?
No recheio usa-se 0,25 de 0,5 litros de leite.
Isto pode ser escrito da seguinte forma:
0,25 de 0,5 = 0,25 × 0,5 = 0,125.
Assim, utiliza-se 0,125 litros de leite no recheio.
Veja que esta quantidade corresponde a
1
8
do litro.
7) Uma mãe deu dinheiro aos três flhos, dizendo que era um terço para
cada um. O primeiro flho gastou só um terço da sua parte. Que fração do
total ele gastou?
Se o primeiro flho gastou
1
3
de sua parte, então ele gastou
1
3
de
1
3
:
1
3
·
1
3
=
1
9
.
Então ele gastou
1
9
do valor total.
8) Um clube tem 60 associados, 18 dos quais com menos de 15 anos de
idade. Esses jovens correspondem a que fração do quadro de associados?
Vamos colocar os
dados do problema na
regra de três:
associados
associados
60 1
18 x


60 18 1
60 18
18 3
60 10
x
x
x
= ⋅
=
= =
Os jovens com menos de 15
anos de idade correspondem
a
3
10
do quadro de associa-
dos. Veja que esta fração cor-
responde a 30% do número
total de associados do clube.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 212 7/7/2006 15:54:56
213
Tópicos de Matemática Elementar I
9) Em uma aplicação fnanceira tem-se rendimento igual a 1,0% ao mês,
sendo descontada uma taxa anual fxa, relativa à administração, igual a
5% do depósito inicial. Se um indivíduo possui R$6000,00 e aplica este
dinheiro durante um ano e meio, qual será o seu saldo fnal?
Inicialmente vamos calcular o valor do rendimento mensal, que é igual
a 1,0% de R$6000,00:
1
100
de 6000 =
1
100
× 6000 =
6000
100
= 60
O rendimento é igual a R$60,00 por mês.
Em um ano e meio, ou seja, em 18 meses, temos:
18 × 60 = 1080
o que indica que o rendimento total será de R$1080,00.
A taxa de administração é dada por 5% do depósito inicial e é cobrada
anualmente:
No 1o ano: 5% de 6000 =
5 5 6000
6000 300
100 100
×
× = = .
No 2o ano: 5% de 6000 =
5 5 6000
6000 300
100 100
×
× = = .
Assim, o saldo fnal será calculado pela soma entre o depósito inicial e
os rendimentos, subtraindo-se os valores relativos à taxa de adminis-
tração:
R$6000,00 + R$1080,00 – (R$300,00 + R$300,00)
R$6000,00 + R$1080,00 – R$600,00
R$7080,00 – R$600,00
R$6480,00
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 213 7/7/2006 15:54:56
214
Universidade do Sul de Santa Catarina
10) Numa pesquisa de intenção de voto, realizada com 500 pessoas de
uma cidade, obteve-se os seguintes resultados
apresentados na tabela ao lado:
Calcule os valores percentuais
da pesquisa realizada.
Se a pesquisa foi realizada com
500 pessoas, então já é possível
determinar a variável x, uma
incógnita na tabela:
500 = 132 + x + 74
x = 500 – 132 – 74
x = 294
Portanto, a tabela pode ser reescrita como:
Número de
pessoas
Valor percentual
Candidato A 132
500A = 100·132 A =
13200
500
= 26,4%
Candidato B 294
500B = 100·294 B =
29400
500
= 58,8%
Indecisos 74
500 I = 100·74 I =
7400
500
= 14,8%
132 A%
500 100% →


294 B%
500 100% →


74 I%
500 100% →

11) Um incêndio destruiu 30% da área verde de uma foresta. Se 20%
desta foresta é formada por rios e riachos e o restante somente por área
verde, qual o percentual da foresta atingida pelo fogo?
É possível equacionar as considerações do problema para determinar
o percentual de área verde que a foresta possui. Assim, temos:
100%(área total da foresta) – 20%(rios e riachos) = 80% de área verde.
Isto signifca que a foresta possui 80% de área verde. Para calcular o
percentual atingido pelo fogo, basta calcular 30% destes 80%:
30% de 80% =
30 80
100 100
× = 0,3 × 0,8 = 0,24 = 24% da foresta.
Assim, 30% da área verde correspondem a 24% da foresta.
O incêndio atingiu 24% da área total da foresta.
Número de pessoas
Candidato A 132
Candidato B x
Indecisos 74
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 214 7/7/2006 15:54:57
215
Tópicos de Matemática Elementar I
12) Resolva as seguintes equações:
(a)
x
x
+
= −
3 1
5
(b) 3x + 3 = –12
3 1 5
3 5 1
8 1
1
8
x x
x x
x
x
+ = −
+ = −
= −
= −
3 3 12
3 12 3
3 15
15
5
3
x
x
x
x
+ = −
= − −
= −
= − = −
(c)
x
x
+
=

2 5 1
4 2
(d) x
2
+ 2x – 3 = 0
2 (2 5) 4
4 10 4
4 4 10
3 14
14
3
x x
x x
x x
x
x
⋅ + = −
+ = −
− = − −
= −
= −
Para resolver a equação do
segundo grau, vamos usar a
fórmula de Bhaskara:
Δ = b
2
– 4ac = 2
2
– 4·1·(–3)
Δ = 4 + 12 = 16
1 2
2 16 2 4
2 2 1 2
2 4 2 4
1 3
2 2
b
x
a
x x
− ± ∆ − ± − ±
= = =

− + − −
= = = = −
Assim, a solução desta equação é
igual a 1 e –3.
(e) x x
| |
− + =
|
\ .
1
( 3) 0
2
(f ) (2x – 5)(4 – x) = 0
Observe que esta é uma equação
do segundo grau que está escrita
na forma fatorada. Desta forma,
para resolvê-la basta igualar seus
fatores a zero:
( 3) 0
1
0
3 2
1
2
x
x
x
x
− =
| |
+ =
|
=
\ .
= −
Assim,a solução é igual a 3 e –
1
2
Assim como no item anterior,
vamos igualar os fatores a zero:
(2 5) 0
2 5 (4 ) 0
5 4
2
4
x
x x
x
x
x
− =
= − =
− = −
=
=
A solução é igual a
5
2
e 4.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 215 7/7/2006 15:54:57
216
Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 2
1) Calcule f (0) e f (
1
2
) para as funções representadas algebricamente por:
(a) f (x) = x
2
– x + 1 (b) f (x) =
x
x
+

1
1
Para calcular f (0) e f (
1
2
) basta substituir x = 0 e x =
1
2
nas funções indi-
cadas.
2
2
(0) 0 0 1 1
1 1 1
1
2 2 2
1 2 4 3
4 4
f
f
= − + =
| | | |
= − +
| |
\ . \ .
− +
= =
0 1 1
(0) 1
0 1 1
1 1 2 3
1
1
2 2 2
1 1 2 1
2
1
2 2 2
3 2 6
3
2 1 2
f
f
+
= = = −
− −
+
+
| |
= = =
|
− −
\ .

= ⋅ = = −
− −
2) A função que expressa o custo total, em reais, de fabricação de um
produto é dada por C(q) = q
3
– 10q
2
+ 100q + 100, sendo q o número de
unidades do produto.
(a) Calcule o custo de fabricação de cinco unidades.
(b) Qual o custo de fabricação da quinta unidade?
a) O custo de fabricação de 5 unidades é calculado fazendo-se C(5).
Assim, temos:
C(5) = 5
3
– 10∙5
2
+ 100∙5 + 100 = 125 – 250 + 500 + 100 = 475
Assim, o custo de fabricação de cinco unidades é igual a R$475,00.
b) Para calcular o custo da quinta unidade, é necessário fazer a dife-
rença entre o custo de cinco unidades e o custo de quatro unidades:
C(5) = 5
3
– 10∙5
2
+ 100∙5 + 100 = 125 – 250 + 500 + 100 = 475
C(4) = 4
3
– 10∙4
2
+ 100∙4 + 100 = 64 – 160 + 400 + 100 = 404
C(5) – C(4) = 475 – 404 = 71
Assim, o custo da quinta unidade será de R$71,00.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 216 7/7/2006 15:54:57
217
Tópicos de Matemática Elementar I
3) Sejam as funções representadas grafcamente nas fguras 2.14 e 2.15:
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
9
x
f(x)
Figura 2.14 Gráfco de f (x).
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
5
10
x
g(x)
Figura 2.15 Gráfco de g (x).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 217 7/7/2006 15:54:58
218
Universidade do Sul de Santa Catarina
Complete a tabela com as características e propriedades das funções f (x)
e g (x).
f(x) g(x)
Domínio
x ∈ (–∞,6)∪(6,+∞)
ou x ∈ R – {6}
x ∈ (–∞,0)∪(0,+∞)
ou x ∈ R – {0}
Conjunto
imagem
y ∈ (–∞,3)∪(3,+∞)
ou x ∈ R – {3}
y ∈ (0,+∞)
Zero ou raiz O zero da função é igual a 3
pois a função cruza o eixo x
no ponto em que x = 3.
A função não possui
zero ou raiz.
Sinal da função
Função positiva: x > 3
Função negativa: x < 3.
A função é
toda positiva.
Intervalo de
crescimento
A função é crescente para
todos os valores de x.
x ∈ (–∞,0)
Intervalo de
decrescimento
A função não possui inter-
valo de decrescimento.
x ∈ (0,+∞)
4) Determine a representação algébrica da função inversa de:
(a) f (x) =
x
+3
2
(b) y = 4 – 5x
3
2
3
2
2( 3)
2 6
y
x
y
x
x y
y x
= +
− =
− =
= −
4 5
4 5
4
5
4
5
x y
x y
x
y
x
y
= −
− = −

=


=
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 218 7/7/2006 15:54:58
219
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 3
1) Identifque as seguintes funções quanto ao seu tipo:
(a) f (x) = –3x
Função linear
(b) h (t) = 1 – 4t
Função afm
(c) s (t ) = t
Função identidade
(d) g (x) = 2x + 1
Função afm
2) Encontre a lei de formação para a função que associa a qualquer
número x, um valor x adicionado com 2 e ao seu resultado multiplicado
por 5.
Valor de x adicionado de 2: x + 2
Resultado multiplicado por 5: 5·(x + 2)
Logo a função procurada é dada por: f (x) = 5x + 10.
3) Na fabricação de um determinado bem, verifcou-se que o custo total
foi obtido a partir de uma taxa fxa de R$ 1.000,00, adicionada de um custo
de produção de R$ 500,00 por unidade. Determine a função custo total em
relação a quantidade produzida e o custo de fabricação de 10 unidades.
Custo Fixo: C
F
= 1000
Custo variável: C
V
= 500∙x, onde x é a quantidade produzida.
Função Custo Total:
C(x) = C
V
+ C
F
C(x) = 500∙x + 1000
O custo para a fabricação de 10 unidades é dada por C(10), logo
C(10) = 500∙10 + 1000 = 6000
Assim o custo para a fabricação de 10 unidades é de R$ 6.000,00.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 219 7/7/2006 15:54:58
220
Universidade do Sul de Santa Catarina
-1 1 2 3 4 5
-8
-4
4
8
12
16
20
24
28
32
36
t
s(t)
4) Um locadora de carros cobra R$ 50,00 o aluguel de um carro mais R$
2,00 por quilometro rodado. Determine.
(a) O preço a ser pago para rodar 10 km.
(b) O preço a ser pago para rodar 35 km.
(c) Qual a função que modela esta situação?
(a) O preço a ser pago para rodar 10 km é dado por: 50 +10∙2 = 70,
ou seja 70 reais.
(b) O preço a ser pago para rodar 35 km é dado por: 50 + 35∙2 = 120,
ou seja 120 reais.
(c) A função que modela este problema é f (x) = 2∙x + 50,
onde x é o quilometro rodado.
5) Seja s (t ) = –4 + 8t, determine:
(a) O gráfco de s(t ).
(b) O domínio e a imagem de s(t ).
(c) Se a função s(t ) é crescente ou decrescente.
(d) O sinal da função s(t ).
(a) Na fgura ao lado,
temos o gráfco da função
(b) Como se trata de uma função
do primeiro grau tem-se que:
D(s) = R e Im(s) = R
(c) Como a = 8 > 0,
a função s(t ) é crescente.
(d) A função é positiva quando
s(t ) > 0 ⇒ –4 + 8t > 0 ⇒
⇒ 8t > 4 ⇒ t > ½,
ou seja t ∈ (½ ,+∞)
A função é negativa quando
s(t ) < 0 ⇒ –4 + 8t < 0 ⇒ 8t < 4 ⇒ t < ½, ou seja t ∈ (–∞,½ )
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 220 7/7/2006 15:54:58
221
Tópicos de Matemática Elementar I
6) Uma pequena fábrica de móveis tem como seu principal produto a
fabricação de banquetas. Cada banqueta é vendida ao preço de R$ 25,00.
A fábrica tem um custo fxo mensal de R$ 5.000,00 em aluguel de máqui-
nas, conta de luz, compra de material e pagamento de funcionários. A
mesma gasta R$ 15,00 para fabricar cada banqueta. Determine:
(a) A função Receita Total e Custo Total.
(b) A função Lucro Total.
(c) Qual o ponto de nivelamento.
(d) Se a venda mensal for de 500 banquetas. A fábrica obterá
lucro ou prejuízo?
(e) Qual a quantidade que deve ser vendida para um lucro de
R$ 1.000,00?
(f ) Qual o lucro para a venda de 760 banquetas mensais?
(a) Considere x a quantidade. Assim se cada banqueta é vendida a
25 reais, tem-se que a receita total é dada por: R(x) = 25∙x
Custo fxo: C
F
= 5000
Custo variável: C
V
= 15x
Custo total: C = C
V
+ C
F
, ou seja, C(x) = 15x + 5000
(b) O lucro total é dado por: L = R – C, então:
L(x) = R(x) – C(x)
L(x) = 25x – (15x + 5000)
L(x) = 10x – 5000
(c) Ponto de nivelamento ou de equilíbrio: R = C, então:
25x = 15x + 5000
10x = 5000
x = 500
Portanto o lucro será zero quando forem vendidas 500 banquetas.
(d) Como a venda de 500 banquetas nos dá um lucro de zero, não
obteremos nem lucro nem prejuízo.
(e) Quantidade que deve ser vendida para um lucro de R$ 1.000,00.
1000 = 10x – 5000
10x = 6000
x = 600
Assim a venda de 600 banquetas, acarreta um lucro de R$1.000,00.
(f ) Neste caso x = 760 , então devemos calcular L(760), ou seja,
L(760) = 10·760 – 5000
L(760) = 7600 – 5000
L(760) = 2600
O lucro para a venda de 760 banquetas é R$2.600,00.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 221 7/7/2006 15:54:58
222
Universidade do Sul de Santa Catarina
7) A quantidade demandada de um bem é de q
d
= 5 – p e a quantidade
ofertada é de q
o
= –1 + 2p. Discuta o preço de equilíbrio algebricamente e
geometricamente.
O preço de equilíbrio ocorre quando q
d
= q
o
, então
5 – p = –1 + 2p
3p = 6
p = 2
Geometricamente é mostrado nos gráfco que segue.
Observar que estamos trabalhando somente com valores positivos.
-1 1 2 3 4 5 6 7
2
4
6
p
q
qo=-1+2p
qd=5-p
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 222 7/7/2006 15:54:58
223
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 4
1) Encontre uma função f que associa a cada número x o seu quadrado
mais o seu dobro mais uma unidade. Em seguida encontre f (–1), f (0) e f (1).
f (x) = x
2
+ 2x + 1
f (–1) = (–1)
2
+ 2∙(–1) + 1 = 0
f (0) = 0
2
+ 2∙0 + 1 = 1
f (1) = 1
2
+ 2∙1 + 1 = 4
2) Trace o gráfco das seguintes funções:
(a) y = x
2
–2x –3
-3 -2 -1 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
y
(b) y = –x
2
+2x – 4
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-9
-8
-7
-6
-5
-4
-3
-2
-1
1
2
3
4
x
y
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 223 7/7/2006 15:54:59
224
Universidade do Sul de Santa Catarina
3) Seja p = 50 – 2x, onde x é quantidade demandada e o preço é p,
encontre a função receita total, esboce o seu gráfco e em seguida encon-
tre o valor de x para que a receita seja máxima.
A função Receita é dada por
R(x) = p∙x
R(x) = (50 – 2x)x
R(x) = 50x – 2x
2
Trata-se de uma função do segundo grau com a concavidade voltada
para baixo, portanto esta função atinge o seu máximo no vértice.
V
50 2500
, , (12, 5; 312, 5)
2 4 2 ( 2) 4 ( 2)
b
a a
∆ | | | |
− − = − − =
| |
⋅ − ⋅ −
\ . \ .
Devem ser vendidas 12,5 unidades para que a receita seja máxima.
Caso o produto não possa ser particionado, o valor deve ser arrendon-
dado para 13 unidades. Veja o gráfco.
-5 5 10 15 20 25 30
-50
50
100
150
200
250
300
350
x
y
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 224 7/7/2006 15:54:59
225
Tópicos de Matemática Elementar I
4) Seja f (x) = x
2
– 7x + 10. Analise as propriedades e características
(Domínio, imagem, concavidade, raízes, vértice, crescimento e decresci-
mento e o sinal da função) e esboce o gráfco de f.
Temos as características da função que podem ser observadas grafca-
mente.
-1 1 2 3 4 5 6 7
-3
-2
-1
1
2
3
4
5
x
y
7/2
- 9/4

Domínio: D(f ) = R

Concavidade: Como a = 1 > 0, a concavidade é voltada para cima.

Raízes: f (x) = 0
x
2
– 7x + 10 = 0
Usando a fórmula de Baskhara, segue que x = 2 e x = 5.

Vértice: V
7 9
, ,
2 4 2 4
b
a a

| | | |
− − = −
| |
\ . \ .

Imagem: Im(f ) =
9
,
4
|
− +∞
|

¸ .

A função é decrescente no intervalo
7
,
2
| (
−∞

(
\ ¸

e crescente no intervalo
7
,
2
|
+∞
|

¸ .
.

Os valores de x para o qual f (x) > 0, ocorre nos intervalos
(–∞,2)∪(5,+∞) e os valores de x para o qual f (x) < 0 ocorre no
intervalo (2,5).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 225 7/7/2006 15:54:59
226
Universidade do Sul de Santa Catarina
5) Um terreno retangular tem dimensões de modo que sua largura é o
triplo da altura. Encontre as dimensões deste retângulo de modo que sua
área seja de 300 m
2
.
Vamos considerar:

Altura: x

Largura: 3x
A área do retângulo é dada por
A = x∙3x
A = 3x
2
Como a área vale 300 m
2
,
segue que
300 = 3x
2
x = ±10
Podemos descartar o valor nega-
tivo, logo devemos ter como
dimensões de 30 m × 10 m.
6) A função demanda de um produto é p = 10 – x e a função custo é dada
por C(x) = 20 + x. Encontre o valor de x para que o lucro seja máximo.
A função receita é dada por:
R(x) = p∙x
R(x) = (10 – x)x
R(x) = 10x – x
2
A função lucro é dada por:
L(x) = R(x) – C(x)
L(x) = 10x – x
2
– (20 + x)
L(x) = –x
2
+ 9x – 20
Trata-se de uma função do segundo grau com concavidade voltada
para baixo, e portanto o seu vértice é um ponto de máximo.
V
9 1
, , (4, 5; 0, 25).
2 4 2 4
b
a a

| | | |
− − = =
| |
\ . \ .
O lucro será máximo quando a quantidade vendida for de 4,5 unida-
des. Caso o produto não possa ser particionado a resposta deve ser
arredondada para 5 unidades.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 226 7/7/2006 15:54:59
227
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 5
1) Seja a função
= − − −
3 2
1 1 16
( ) 2
3 2 3
f x x x x
, representada grafcamente na
Figura 5.17. Determine o que se pede:
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-15
-10
-5
5
10
15
x
y
Figura 5.17 Gráfco da função
= − − −
3 2
1 1 16
( ) 2
3 2 3
f x x x x
(a) Grau da função polinomial.
A função polinomial possui grau 3. Assim, é uma função do 3° grau.
(b) Domínio da função.
A função está defnida para todos os reais.
(c) Raiz da função.
As raízes reais da função podem ser observadas pelo corte do gráfco
no eixo dos x. Portanto, é dado como raiz real x = 4. Observamos que
as outras duas raízes são complexas (não observáveis grafcamente).
(d) Intervalos de crescimento.
Crescimento em (–∞,–1) e (2,+∞).
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 227 7/7/2006 15:54:59
228
Universidade do Sul de Santa Catarina
(e) Intervalos de decrescimento.
Decrescimento em (–1,2).
(f ) Análise do sinal da função.
A função é positiva para valores maiores que 4 (observar a parte do
gráfco acima do eixo dos x) e negativa nos demais pontos do seu
domínio.
2) Um estudo sobre efciência de trabalhadores do turno da manhã de
uma certa fábrica indica que o operário que chega ao trabalho às 8 horas
da manhã, terá montado, x horas após, f (x) = –x
3
+ 6x
2
+ 15x peças do
produto.
(a) Quantas peças o operário terá montado às 11 horas da manhã?
(b) Quantas peças terá montado entre 10 e 11 horas da manhã?
(a) Às 11 horas da manhã o operário terá trabalhado 3 horas se chegou
às 8 horas da manhã.
f (x) = –x
3
+ 6x
2
+ 15x
f (3) = –(3)
3
+ 6(3)
2
+ 15(3)
f (3) = –27 + 6×9 + 45
f (3) = –27 + 54 + 45
f (3) = 72
Portanto, ele terá montado 72 peças às 11 horas da manhã.
(b) Para saber o número de peças montadas entre 10 e 11 horas, pode-
mos calcular a diferença entre o número de peças montadas até 10
horas (que será calculado abaixo) e o número de peças montadas até
11 horas (calculado no item a).
Quando x = 2 calculamos o número de peças montadas até 10 horas:
f (x) = –x
3
+ 6x
2
+ 15x
f (2) = –(2)
3
+ 6(2)
2
+ 15(2)
f (2) = –8 + 6×4 + 30
f (2) = –8 + 54
f (2) = 46
Assim, entre 10 e 11 horas teremos 72 – 46 = 26 peças montadas.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 228 7/7/2006 15:54:59
229
Tópicos de Matemática Elementar I
3) Usando um software gráfco (por exemplo o Graph) faça o gráfco da
função
+
=

1
1
x
y
x
e analise suas propriedades e características.
Usando o Graph, a representação gráfca da função é dada por:
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-8
-6
-4
-2
2
4
6
8
x
y
Representação algébrica
+
=

1
1
x
y
x
Domínio
R – {1}
Conjunto imagem
R – {1}
Zero ou raiz
x = -1
Sinal da função
Positiva (acima do eixo x): x > 1 e
(-∞, -1).
Negativa (abaixo do eixo x):
x ∈ (-1, 1).
Crescimento ou decrescimento A função é em todo o seu domí-
nio decrescente.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 229 7/7/2006 15:55:00
230
Universidade do Sul de Santa Catarina
4) Analise as características e propriedades das funções representadas
grafcamente nas Figuras 5.18 e 5.19.
10 20
-300
300
600
900
1200
1500
1800
y
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-15
-10
-5
5
10
15
x
y
Figura 5.18
Gráfco da função y = x(30 – 2x)(25 – 2x) Figura 5.19 Gráfco da função =

2
2
4
x
y
x
Representação
algébrica
y = x(30 – 2x)(25 – 2x) =

2
2
4
x
y
x
Domínio
R R – {–2,2}
Conjunto imagem
R R
Zero ou raiz Para determinar os zeros da
função, podemos mantê-la
na forma fatorada e calcular:
x = 0
30 – 2x = 0 ⇒ x = 15
25 – 2x = 0 ⇒ x = 12,5
x = 0
Sinal da função
Positiva (acima do eixo x):
0 < x < 12,5 ou x > 15.
Negativa (abaixo do eixo x):
x < 0 ou 12,5 < x < 15.
Positiva (acima do eixo x):
–2 < x < 2.
Negativa (abaixo do eixo x):
x < –2 ou x > 2.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 230 7/7/2006 15:55:00
231
Tópicos de Matemática Elementar I
Unidade 6
1) Escreva na forma decimal:
a) 103
4
112 550 881
b) 10
5
100 000
c) 2·10
2
200
2) Escreva na notação científca:
a) 72 000 7,2 × 10
4
b) 0,004 4 × 10
–3
c) 0,022 2,2 × 10
–2
3) Escreva na forma de uma única potência:
a) 2
–5
·2
2
b)
3 4
2 5
(13 )
(13 )
2
–3
13
12–10
= 13
2
c) 4
3
·8·2
–5
d)
2 3
10 8
5 5
5 5
− −



(2
2
)
3
·2
3
·2
–5
= 2
4
5
5 ( 2) 3
2
5
5 5
5

− − − −

= =
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 231 7/7/2006 15:55:00
232
Universidade do Sul de Santa Catarina
4) Calcule:
a)
9 2
7 5
3 9
27 81




b)
2 3
4
3
125 (25 )
725

9 2 2 5
4
3 7 4 5
3 (3 ) 3
3 81
(3 ) (3 ) 3



= = =

5) Simplifque:
a)
6 6
3 2
w z
z w



b)
3 2 3
1
4
4 3
( ) x y
y x


w
4
·z
–9
4 3/ 2 6 3 1
6
3 2 4
4/ 3 1/ 4
5/ 4 14/ 3
x y
x y
y x
x y
− −

= ⋅

= ⋅
6) Esboce o gráfco das seguintes funções:
a) f (x) = 2
x
-3 -2 -1 1 2 3 4 5
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
f(x)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 232 7/7/2006 15:55:00
233
Tópicos de Matemática Elementar I
b) f (x) = 3
x – 1
1 2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
x
y
c) f (x) = log
2
x
-1 1 2 3 4
-4
-3
-2
-1
1
2
3
x
y
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 233 7/7/2006 15:55:00
234
Universidade do Sul de Santa Catarina
d) f (x) = log
(½ )
x
-1 1 2 3 4
-3
-2
-1
1
2
3
x
y
7) Identifque se as seguintes funções são crescentes ou decrescentes:
a) f (x) = 6
x
b) f (x) =
2
3
x
Crescente Crescente
c) f (x) =
3
4
x
| |
|
\ .
d) f(x) = (0,125)
x
Decrescente Decrescente
e) f (x) = log
3
x f ) f (x) = log1
3

x
Crescente Decrescente
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 234 7/7/2006 15:55:00
235
Tópicos de Matemática Elementar I
8) Calcule os seguintes logaritmos:
(a) log
3
27 (b) log
3
1
243
log
3
27 = x ⇒ 3
x
= 27
ou 3
x
= 3
3
x = 3
ou
3
5
1 1
log 3
243 243
3 3
5
x
x
x
x

= ⇒ =
=
= −
(c) log
10
100 (d) log
81
4
3
log
10
100 = x ⇒ 10
x
= 100
ou 10
x
= 10
2
x = 2
ou
1 1
4 4
81
1
4
4
log 3 81 3
3 3
1
4
4
1
16
x
x
x
x
x
= ⇒ =
=
=
=
9) Determine o valor de x:
(a) log
(1/625)
5 = x (b) log
x
25 = 2
ou
(1/ 625)
–4
1
log 5 5
625
5 5
4 1
1
4
x
x
x
x
x
| |
= ⇒ =
|
\ .
=
− =
= −
ou
2
log 25 2 25
25
5
x
x
x
x
= ⇒ =
=
=
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 235 7/7/2006 15:55:01
236
Universidade do Sul de Santa Catarina
(c) log
2
x = 8 (d) log
x
(8/27) = 3
log
2
x = 8
2
8
= x
x = 256
3
3
3
8
27
2
3
2
3
x
x
x
=
| |
=
|
\ .
=
10) Determine o valor de x de tal modo que os seguintes logaritmos existam:
(a) log
3
(x + 1) (b) log
(7x – 21)
4
A base já é um número positivo
e diferente de 1, logo a condição
deve ser estabelecida apenas
para o logaritmando:
x + 1 > 0
x > –1
Como o logaritmando já é um
número positivo, estabelecemos
apenas a condição para a base:
7x – 21 > 0 e 7x – 21 ≠ 1
7x > 21 e 7x ≠ 22
x > 3 e x ≠
22
7
11) Sabendo que log 2 = 0,3010 , calcule log0,0002.
log0,0002 = log
2
10000
= log
4
2
10
= log 2 – log 10
4

= log 2 – 4log 10 = 0,3010 – 4 = –3,699.
12) Um capital de R$ 56,00 é aplicado, a juros compostos, por 2 anos e
meio, à taxa de 4 % a.m. Qual o valor resultante dessa aplicação?
Sabemos que C
n
= C(1 + i )
n
Dados do Problema:
C = 56
i = 4% = 0,04
n = 30 meses
C
n
= 56(1 + 0,04)
30
C
n
= 56(1,04)
30
C
n
= 56×3,24339751
C
n
= 181,63
O valor resultante da aplicação
de R$56,00 é de R$181,63.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 236 7/7/2006 15:55:01
237
Tópicos de Matemática Elementar I
13) Um capital foi aplicado, a juros compostos, durante 3 meses, à taxa
de 20 % a.m. Se, decorrido esse período, o montante produzido foi de
R$ 864,00, qual o capital aplicado?
Dados do problema:
n = 3
i = 20% = 0,2
C
n
= 864
C
n
= C(1 + i )
n
864 = C(1 + 0,2)
3
864 = C(1,2)
3
C
864
500
1,728
= =

O Capital aplicado foi de R$500,00.
14) Qual a taxa mensal (%) para quadruplicar um capital em 8 anos?
Dados do problema
n = 8 anos = 96 meses
C
n
= 4C
C
n
= C(1 + i )
n
4C = C(1 + i )
96
4 = (1 + i )
96
log 4 = log (1 + i )
96
log(1 ) 0,00627
log4
log(1 )
96
0, 60205
log(1 )
96
log(1 ) 0, 00627
10 10
1 1, 01454
0, 01454 1, 45%
i
i
i
i
i
i
+
+ =
+ =
+ =
=
+ =
= =
15) A taxa de crescimento populacional do Brasil é de, aproximadamente,
2% ao ano. Em quantos anos a população irá dobrar, mantendo esta taxa
de crescimento?
Equação a ser utilizada:
P = P
0
(1 + i )
n
Dados do problema:
P = 2P
0
i = 2% = 0,02
2P
0
= P
0
(1 + 0,02)
n
2 = (1 + 0,02)
n
2 = (1,02)
n
log 2 = log (1,02)
n
log 2 = n log 1,02
log2
log1, 02
0, 3010
35.
0, 0086
n
n
=
= =
A população irá dobrar em
35 anos.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 237 7/7/2006 15:55:01
238
Universidade do Sul de Santa Catarina
16) O álcool no sangue de um motorista alcançou o nível de 2 gramas por
litro após ingerir uma bebida. Considere que esse nível decresce de acordo
com a fórmula N = 2(0,5)
t
, onde t é o tempo em horas. Quanto tempo
deverá o motorista esperar, se o limite permitido por lei é de 0,8 gramas
de álcool por litro de sangue? (considerar log 2 = 0,3).
Temos que N = 2 × (0,5)
t
, onde N = 0,8, portanto
1
2
0, 8 2 (0, 5) log2 log4 log10
0, 8
log2 log2 1
(0, 5)
2
log2 2log2 1
(0, 5) 0, 4
2log2 1
log(0, 5) log0, 4
log2
1 4
2 0, 3 1
log log
2 10
0, 3
1, 3333
t
t
t
t
t
t
t
t
t
t
t

= × = −
− = −
=
− = −
=

− =
=
× −
=
− =
− = −
t = 1,3333 horas = 80 minutos = 1 hora e 20 minutos.
Unidade 7
1) Faça o gráfco e analise as características e propriedades das funções:
(a) y = 1 + sen x
2
x
f(x)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 238 7/7/2006 15:55:01
239
Tópicos de Matemática Elementar I
(b) f (x) = cos
2
x
| |
|
\ .
1
x
f(x)
(c) g(x) = 2tg(x)
-1
1
2
x
f(x)
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 239 7/7/2006 15:55:02
240
Universidade do Sul de Santa Catarina
2) Uma escada rolante liga dois pisos de uma loja de departamentos e
tem uma inclinação de 30°. Sabendo que o comprimento linear da escada
é de 12 m, qual é a altura entre os dois pisos da loja?
Observe a fgura que modela o problema.

sen
sen
metros
30
12
30 12
1
12 6
2
x
x
x
° =
= °×
= × =
A altura x é de 6 metros.
3) Ted e Mad ao fazer um passeio no campo contemplaram o pico de um
morro segundo um ângulo de 45 graus. Ao caminharem mais 50 metros
em direção ao morro passaram a ver o pico segundo um ângulo de 60
graus. Qual é a altura do morro?
Veja a fgura que modela o problema.
Temos que:
tg
tg
60 3
45 50
50
h
h x
x
h
h x
x
° = ⇒ =
° = ⇒ = +
+
Observar que estamos usando os
valores tg e tg 60 3 45 1 ° = ° =
Podemos igualar as relações encontradas:
metros
3 50
3 50
( 3 1) 50
50
3 1
68, 30
x x
x x
x
x
x
= +
− =
− =
=


A altura do morro é aproximadamente igual a 68,30 metros.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 240 7/7/2006 15:55:02
241
Tópicos de Matemática Elementar I
4) Qual é o tamanho da sombra de um prédio de 50 metros de altura
quando o sol está 20 graus acima da linha do horizonte?
Observe a fgura que modela o problema.
tg
metros.
50
20
50
0, 364
50
137, 36
0, 364
x
x
x
° =
=
= ≅
O tamanho da sombra é aproximadamente 137,36 metros.
5) Uma escada apóia-se na parede de um prédio com seu pé a 4 metros
do edifício. A que distância do chão está o ponto mais alto da escada e
qual é seu comprimento se ela faz um ângulo de 70 graus com o chão?
Observe a fgura que modela o problema.
tg 70°
metros
4
2,747
4
2,747 4 10, 99
h
h
h
=
=
= × ≅
A distância do ponto de apoio até o chão é de
10,99 metros.
Para achar o valor de x, vamos aplicar o Teorema
de Pitágoras:
metros
2 2 2
2 2 2
2
2
4
10, 99 4
120,78 16
136,78
136,78 11,70
x h
x
x
x
x
= +
= +
= +
=
= ≅
O comprimento da escada é de 11,70 metros.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 241 7/7/2006 15:55:02
242
Universidade do Sul de Santa Catarina
6) Do topo de um farol, 120 metros acima do nível do mar, o ângulo de
depressão de um barco é 15 graus. Qual é a distância do farol ao barco?
Observe a fgura que modela o problema.
tg 15°
metros
120
0, 268
120
0, 268 120 32,16
x
x
x
=
=
= × ≅
A distância do farol até o
barco é de 32, 16 metros.
7) Na fgura 7.26 tem-se que:
CD = 5 cm
BC = 4 cm
AB = 3,2 cm
AC = x cm
BD = y cm
Pergunta-se:
a) Qual o valor de x?
b) Qual o valor de y?
c) Quais são os valores das funções trigonométricas do ângulo α?
d) Quais são os valores das funções trigonométricas do ângulo β?
Figura 7.26 Triângulos retângulos
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 242 7/7/2006 15:55:02
243
Tópicos de Matemática Elementar I
Vamos colocar os valores conhecidos na fgura para facilitar a visuali-
zação das relações trigonométricas nos triângulos retângulos.
a) Para encontrar o valor de x
vamos aplicar o Teorema de Pitá-
goras no triângulo retângulo CAB.
4
2
= x
2
+3,2
2
x
2
= 4
2
–3,2
2
x
2
= 16 –10,24
x
2
= 5,76
x = 5,76
x = 2,4 cm
b) Para encontrar o valor de y
vamos aplicar o Teorema de Pitá-
goras no triângulo retângulo CBD.
5
2
= 4
2
+ y
2

y
2
= 25 – 16
y
2
= 9
y = 3 cm
c) Os valores das funções trigono-
métricas do ângulo alfa:
sen
tg
sec
3, 2
0, 8
4
3, 2
1, 33
2, 4
4
1, 67
2, 4
α = =
α = ≅
α = ≅

cos
cotg
cossec
2, 4
0, 6
4
2, 4
0,75
3, 2
4
1, 25
3, 2
α = =
α = =
α = =
d) Os valores das funções trigono-
métricas do ângulo beta:
sen
tg
sec
3
0, 6
5
3
0,75
4
5
1, 25
4
β = =
β = =
β = =

cos
cotg
cossec
4
0, 8
5
4
1, 333
3
5
1, 67
3
β = =
β = =
β = =
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topicos_de_matematica_elementar_I.indb 244 7/7/2006 15:55:03
245
Para destacar
Teorema de Pitágoras
recortar o quadrado de lado b nas quatro partes assinaladas e em conjunto
com o quadrado de lado a fazer a composição do quadrado de lado c.
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 245 7/7/2006 15:55:03
topicos_de_matematica_elementar_I.indb 246 7/7/2006 15:55:03

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