FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA

“Este livro foi digitalizado por Raimundo do Vale Lucas, com a intenção de dar aos cegos a oportunidade de apreciarem mais uma manifestação do pensamento humano”.

FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA (MOMENTOS DECISIVOS) 2.° VOLUME (1836-188O) #ANTÔNIO CÂNDIDO FORMAÇÃO 2.° VOLUME LIVRARIA MARTINS EDITORA EDIFÍCIO MÁRIO DE ANDRADE RUA ROCHA, 274 - SÃO PAULO #ANTÔNIO CÂNDIDO FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA (MOMENTOS DECISIVOS) 2.° VOLUME (1836-188O) LIVRARIA MARTINS EDITORA #Biblioteca Pública "Arthur Vianna Sala Haroldo Maranhão DA LITERATURA BRASILEIRA

#Capítulo

I

O INDIVÍDUO E A PÁTRIA

1. O NACIONALISMO LITERÁRIO. 2. O ROMANTISMO COMO POSIÇÃO DO ESPÍRITO E DA SENSIBILIDADE. 3. AS FORMAS DE EXPRESSÃO.

#1.

O NACIONALISMO LITERÁRIO

O movimento arcádico significou, no Brasil, incorporação da atividade intelectual aos padrões europeus tradicionais, ou seja, a um sistema expressivo, segundo o qual se havia forjado a literatura do Ocidente. Neste processo verificamos o intuito de praticar a literatura, ao mesmo tempo, como atividade desinteressada e como instrumento, utilizando-a ao modo de um recurso de valorização do país, - quer no ato de fazer aqui o mesmo que se fazia na Europa culta, quer exprimindo a realidade local. O período que se abre à nossa frente prolonga sem ruptura essencial este aspecto, exprimindo-o todavia de maneira bastante diversa, graças a dois fatores novos: a Independência política e o Romantismo, desenvolvido a exemplo dos países de onde nos vem influxo de civilização. De tal forma, que o movimento ideologicamente muito coerente da nossa formação literária se viu fraturado a certa altura, no tocante à expressão, surgindo novos gêneros, novas concepções formais; e, no tocante aos temas, a disposição para exprimir novos aspectos da realidade, tanto individual quanto social e natural. Como as formas e temas tradicionais já se iam revelando insuficientes para traduzir os novos pontos de vista, foi uma fratura salutar, que permitiu sensível desafogo, devido à substituição ou quando menos reajuste dos instrumentos velhos, com evidente benefício da expressão. Isto compensou largamente os prejuízos, uma vez que seria impossível guardar as vantagens do universalismo e do equilíbrio clássico, sem asfixiar ao mesmo tempo a manifestação do espírito novo na pátria nova. Graças ao Romantismo, a nossa literatura pôde se adequar ao presente. Por outro lado, as novas tendências reforçaram as que se vinham acentuando desde a segunda metade do século XVIII: assim como a Ilustração favoreceu a aplicação social da poesia, voltando-a para uma visão construtiva do país, a Independência desenvolveu nela, no romance e no teatro, o intuito patriótico, ligando-se deste modo os dois períodos, por sobre a fratura expressional, na mesma disposição profunda de dotar o Brasil de uma literatura equivalente às européias, que exprimisse de maneira adequada a sua realidade própria, ou, como então se dizia, uma "literatura nacional". Que se entendia por semelhante coisa? Para uns era a celebração da pátria, para outros o indianismo, para outros, enfim, algo indefinível, mas que nos exprimisse. Ninguém saberia dizer com absoluta precisão; mas todos tinham uma noção aproximada, que podemos avaliar lendo as várias manifestações a respeito, algumas bastante compreensivas para abranger vários ou todos os temas reputados nacionais. É o caso de um ensaio de

Macedo Soares, lamentando que os escritores não se esforçassem por dar à nossa literatura uma categoria equivalente às européias. "Entretanto - ajunta não se carece de muito: inteligência culta, imaginação viva, sentimentos e linguagem expressiva, eis os requisitos subjetivos do poeta; tradições, religião, costumes, instituições, história, natureza, eis, os materiais". As nossas tradições são "dúplices", devendo o poeta, se quiser ser nacional, harmonizar as indígenas, com as portuguesas. "Os costumes são, se assim me posso exprimir, a cor local da sociedade, o espírito do século. Seu caráter fixa-se mais ou menos segundo as crenças, as tradições e as instituições de um povo. Eles devem transparecer em toda a poesia nacional, para que o poeta seja cornpreendido pelos seus concidadãos". "Quanto à natureza, considerada como elemento da nacionalidade da literatura, onde ir buscá-la mais cheia de vida, beleza e poesia (...) do que sob os trópicos?". "Se nossas instituições não nos são inteiramente peculiares, se nossa história não tem essa pompa das páginas da meia-idade, temos ao menos instituições e história nossas." "Em suma: despir andrajos e falsos atavios, compreender a natureza, compenetrar-se do espírito da religião, das leis e da história, dar vida às reminiscências do passado; eis a tarefa do poeta, eis os requisitos da nacionalidade da literatura".

1. Como se vê, é um levantamento bem compreensivo, feito já no auge do Romantismo e tendo por mola o patriotismo, que se aponta ao escritor como estímulo e dever. com efeito, a literatura foi considerada parcela dum esforço construtivo mais amplo, denotando o intuito de contribuir para a grandeza da nação. Manteve-se durante todo o Romantismo este senso de dever patriótico, que levava os escritores não apenas a cantar a sua terra, mas considerar as próprias obras contribuição ao progresso. Construir uma "literatura nacional" é afã, quase divisa, proclamada nos documentos do tempo até se tornar enfadonha. Folheando a publicação inicial do movimento renovador, a revista Niterói, notamos que os artigos sobre ciência e questões econômicas sobrepujam os literários; não apenas porque o número de intelectuais brasileiros era demasiado restrito para permitir a divisão do trabalho intelectual, como porque essa geração punha no culto à ciência o mesmo fervor com que venerava a arte;TTT w]n Mafea° Soares, "Considerações sobre a atualidade de nossa literatura", m, EAP, n.°s, 3-4, págs. 396 e 397 (1857).1º . tratava-se de construir uma vida intelectual na sua totalidade, para progresso das Luzes e conseqüente grandeza da pátria. A Independência importa de maneira decisiva no desenvolvimento da idéia romântica, para a qual contribuiu pelo menos com três elementos que se podem considerar como redefinição de posições análogas do Arcadismo: (a) desejo de exprimir uma nova ordem de sentimentos, agora reputados de primeiro plano, como o orgulho patriótico, extensão do antigo nativismo; (b) desejo de criar uma literatura independente, diversa, não apenas uma literatura, de vez que, aparecendo o Classicismo como manifestação do

passado colonial, o nacionalismo literário e a busca de modelos novos, nem clássicos nem portugueses, davam um sentimento de libertação relativamente à mãe-pátria; finalmente (c) a noção já referida de atividade intelectual não mais apenas como prova de valor do brasileiro e esclarecimento mental do país, mas tarefa patriótica na construção nacional. Na exposição abaixo, procurar-se-á sugerir principalmente a diferença, a ruptura entre os dois períodos que integram o movimento decisivo da nossa formação literária, acentuando os traços originais do período novo. Para isto é preciso analisar em que consistiu o Romantismo brasileiro, decantando nele os elementos constitutivos, tanto locais quanto universais. Comecemos pelos dados necessários. No volume anterior ficaram indicadas certas linhas que podem ser consideradas pré-românticas, como a nostalgia de Borges de Barros, o cristianismo lírico de Monte Alverne, o exotismo de certos franceses ligados ao Brasil, as vagas e contraditórias manifestações da Sociedade Filomática. Só se pode falar todavia de literatura nova, entre nós, a partir do momento em que se adquiriu consciência da transformação e claro intuito de promovê-la, praticando-a intencionalmente. Foi o que fez em Paris, de 1833 a 1836, mais ou menos, um grupo de jovens: Domingos José Gonçalves de Magalhães, Manuel de Araújo Pôrto Alegre, Francisco de Sales Torres Homem, João Manuel Pereira da Silva, Cândido de Azeredo Coutinho, sob a liderança do primeiro. Lá se encontravam para estudar ou cultivar-se, e lá travaram contacto com as novas orientações literárias, cabendo certamente a Magalhães a intuição decisiva de que elas correspondiam à intenção de definir uma literatura nova no Brasil, que fosse no plano da arte o que fora a Independência na vida política e social. Para esta verificação, já os predispunha a doutrina e exemplo de Ferdinand Denis e os franco-brasileiros, reapreciando e valorizando a tradição indianista de Basílio e Durão; as vagas aspirações antipagãs hauridas em Sousa Caldas e Monte Alverne, que admiravam estremecidamente; o pequeno mas significativo esforço de Januário da Cunha Barbosa para, continuando Denis, identificar uma literatura brasileira autônoma; o incentivo de Evaristo da Veiga, chamando a mocidade à expressão do país livre. Como ainda não se fez uma pesquisa sistemática sobre a estada daquele grupo na Europa, é impossível acompanhar a marcha da sua adesão ao Romantismo. Sabemos que Pôrto-Alegre foi talvez o primeiro a ter alguns vislumbres, através de Garrett, que conheceu e freqüentou em Paris no ano de 1832, dele recebendo uma espécie de revelação, que transmitiria ao amigo Magalhães, chegado no ano seguinte. "Foi Garrett o primeiro poeta português que me fez amar a poesia, porque me mostrou a natureza pela face misteriosa do coração em todas as suas fases, em todas as suas sonoras modificações".

Em 1834 teve lugar a primeira atividade comum do grupo: uma comunicação ao Instituto Histórico de Paris, sobre o estado da cultura brasileira, publicada na respectiva revista, tratando Magalhães de literatura, Torres Homem de ciência e Pôrto-Alegre de belasartes; o primeiro, sumária e mediocremente; muito bem o último.3 A oportunidade foi devida com certeza a Eugène de Monglave, um dos fundadores e secretário da agremiação, que se ocupou na França mais de uma vez com assuntos nossos. Este documento precioso e modesto, transição simbólica entre o Parnaso de Januário e a Niterói, constitui um ponto de partida. Nele se exprime o tema proposto por Denis na História Literária: há no Brasil uma continuidade literária, um conjunto de manifestações do espírito, provando a nossa capacidade e autonomia em relação a Portugal. Exprime-se, de modo vago e implícito, a idéia (acentuada por Denis apenas na parte relativa ao indianismo) de que alguns brasileiros, como Durão, Basílio, Sousa Caldas, José Bonifácio, haviam mostrado o caminho a seguir, quanto a sentimentos e temas. Bastava prosseguir no seu esforço, optando sistematicamente pelos assuntos locais, o patriotismo, o sentimento religioso.Passo decisivo foi a revista publicada em Paris no ano de 1836 graças à munificência de um patrício, Manuel Moreira Neves e (2) Ver José Veríssimo, Estudos de Literatura, U, págs. 182: "Ê quase certo que foi sob a influência do Bosquejo e da obra crítica e literária de Garrett que, fazendo violência ao seu próprio temperamento, eles entraram na corrente puramente romântica". (3) "Resume de l"hlstoire de Ia litérature, dês sciences et dês arts au Brésil, par trois brésiliens, membres de 1"Institut Historique", Journal de l"Instituí Historique, Premiere Année, Première Livraison, Paris, Aout 1834, págs. 4753. t,, í -,eu um curso" <dlz Ss-ntiago Nunes que talvez na Sorbonne) sobre literatura Brasileira e portuguesa, reconhecendo a autonomia da nossa. Isso teria sido í? riPf" rt° n , °U primelros an°s do de 4O (V. MB, I, pág. 11). Em 1844, tomou MrÍHÍr 2 Brasil, ante certos ataques da imprensa francesa (V. MB, II, pág. 666). íllíh" .connecjd° e estimado no Brasil, é provável que o seu Institut Historique ÍSÍT funH H < a Januário e outr°s a idéia do nosso Instituto Histórico e Geográfico, fundado cinco anos depois cujos dois únicos números contêm o essencial da nova teoria literária: Niterói, Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, que trazia como epígrafe: "Tudo pelo Brasil, e para o Brasil". O solícito Monglave anunciou-a ao mundo culto da França, e os rapazes escreveram sobre literatura, música, química, economia, direito, astronomia. Os estudos críticos de Magalhães e Pereira da Silva estabeleceram o ponto de partida para a teoria do Nacionalismo literário, como veremos noutra parte, aclimando as idéias de Denis, que lhes servia de bússola. Inspirado, o jovem autor dos Suspiros Poéticos perguntava com ênfase, para logo propor a resposta, dentro das idéias de ligação causai entre o meio e literatura, acentuando as forças sugestivas da natureza e do índio: "Pode o Brasil inspirar a imaginação dos poetas e ter uma poesia própria? Os seus indígenas cultivaram porventura a poesia? Tão geralmente conhecida é

hoje esta verdade, que a disposição e caráter de um país grande influência exerce sobre o físico e o moral dos seus habitantes, que a damos como um princípio, e cremos inútil insistir em demonstrá-lo com argumentos e fatos por tantos naturalistas e filósofos apresentados".5 Estava lançada a cartada, fundindo medíocre, mas fecundamente, para uso nosso, o complexo SchlegelStaèl-Humboldt-Chateaubriand Denis. O maior trunfo, porém, - para quem pesquisa as emergências misteriosas da sensibilidade, mais do que as racionalizações espetaculares, não está no ensaio ambicioso do futuro Visconde. Encontra-se no número 2 da mesma revista, numa pequena nota de Pôrto-Alegre à sua "Voz da Natureza", talvez o primeiro poema decididamente romântico publicado em nossa literatura; pequena e singela nota, onde o entusiasta de Garrett encerrava todas as aspirações da nova escola e definia a sua separação da literatura anterior: "Algumas expressões se encontram, pode ser, desusadas, mas elas são filhas das nossas impressões; e de mais vemos a natureza como Artista, e não como Gramático".6 São palavras decisivas: desprezando a regra universal, a arte das impressões pessoais e intransmissíveis descia sobre a nossa pequena e débil literatura. Com isto já é possível indicar os elementos que integram a renovação literária designada genericamente por Romantismo, - nome adequado e insubstituível, que não deve porém levar a uma identificação integral com os movimentos europeus, de que constitui ramificação cheia de peculiaridades. Tendo-se originado de um . (5) Magalhães, "Ensaio sobre a história da literatura do Brasil", Opúsculos históricos e literários, pág. 264.j "15" Voli n pâg- 213- ° P°ema finaliza um longo escrito sobre os "Contornos de Nápoles", págs. 161-211.1213 convergência de fatores locais e sugestões externas, é ao mesmo tempo nacional e universal. O seu interesse maior do ponto de vista da história literária e da literatura comparada consiste porventura na felicidade com que as sugestões externas se prestaram à estilizacão das tendências locais, resultando um movimento harmonioso e íntegro, que ainda hoje parece a muitos o mais brasileiro, mais autêntico dentre os que tivemos.Os contemporâneos intuíram ou pressentiram este fato, arraigando-se em conseqüência no seu espírito a noção de que fundavam a literatura brasileira. Cada um que vinha, - Magalhães, Gonçalves Dias, Alencar, FranMin Távora, Taunay, - imaginava-se detentor da fórmula ideal de fundação, referindo-se invariavelmente às condições previstas por Denis e retomadas pelo grupo da Niterói: expressão nacional autêntica. Digamos, pois, que a renovação literária apresenta, no Brasil, dois aspectos básicos: nacionalismo e Romantismo propriamente dito, sendo este o conjunto dos traços específicos do espírito e da estética imediatamente posteriores ao Neoclassicismo, na Europa e suas ramificações americanas. Deixando-o para um parágrafo especial, abordemos o primeiro, que engloba o nativismo em sentido estrito e já então tradicional em nossa cultura, (ligado à pura celebração ou aos sentimentos de afeto pelo pais), mais o patriotismo,

ou seja, o sentimento de apreço pela jovem nação e o intuito de dotá-la de uma literatura independente. No nativismo, predominando o sentimento da natureza; no patriotismo, o da polis. Teoricamente, o nacionalismo independe do Romantismo, embora tenha encontrado nele o aliado decisivo. Podemos mesmo supor, para argumentar, formas não-romântícas em que se teria desenvolvido. Há com efeito na literatura uma aspiração nacional definida claramente a partir da Independência e precedendo o movimento romântico. Exemplo típico é a obra de Januário da Cunha Barbosa, por isso mesmo acatado e prezado pelos renovadores que o chamaram "decano da Literatura Brasileira", porque eram antes de tudo nacionalistas. Inversamente, a aceitação dos primeiros românticos pela opinião e o poder público se prende às mesmas razões: eram os que vinham estabelecer nas letras o correspondente da Independência, promovendo as Luzes de acordo com as novas aspirações. O Romantismo brasileiro foi por isso tributário do nacionalismo; embora nem todas as suas manifestações concretas se enquadrassem nele, ele foi o espírito diretor que animava a atividade geral da literatura. Nem é de espantar que assim fosse, pois sem falar da busca das tradições nacionais e o culto da história, o que se chamou em toda a Europa "despertar das nacionalidades", em seguida ao empuxe napoleônico, encontrou expressão no Romantismo. Sobretudo nos países novos e nos que adquiriram ou tentaram adquirir independência, o nacionalismo foi manifestação de vida, exaltação afetiva, tomada de consciência, afirmação do próprio contra o imposto. Daí a soberania do tema local e sua decisiva importância em tais países, entre os quais nos enquadramos. Descrever costumes, paisagens, fatos, sentimentos carregados de sentido nacional, era libertar-se do jugo da literatura clássica, universal, comum a todos, preestabelecida, demasiado abstrata, - afirmando em contraposição o concreto, expontâneo, característico, particular. Veremos no próximo parágrafo que tais necessidades de individuação nacional iam bem com as peculiaridades da estética romântica. Esta tendência era reputada de tal modo fundamental para a expressão do Brasil, que os jovens da segunda geração manifestaram verdadeiro remorso ao sobrepor-lhe os problemas estritamente pessoais, ou ao deixá-la pelos temas universais e o cenário de outras terras. Nada mais eloqüente que Alvares de Azevedo, o menos pitoresco de todos, o mais obcecado pelo seu drama íntimo e os modelos europeus. Há um trecho importante do Macário em que se desdobra nos personagens e faz um deles acusar, outro defender um poeta céptico, pouco nacional, que é certamente ele próprio. Penseroso fala por toda a geração e pela consciência patriótica do autor, quando brada: "Esse americano não sente que ele é filho de uma nação nova, não a sente o maldito cheia de sangue, de mocidade e verdor? Não se lembra que seus arvoredos gigantescos, seus Oceanos escumosos, os seus rios, suas cataratas, que tudo lá é grande e sublime? Nas ventanias do sertão, nas trovoadas do sul, no sussurro das florestas à noite não escutou nunca os

prelúdios daquela música gigante da terra que entoa à manhã a epopéia do homem e de Deus? Não sentiu ele que aquela sua nação infante que se embala nos hinos da indústria européia como Júpiter nas cavernas do Ida no alarido do Coribantes - tem futuro imenso?" Mas Macário censura a artificialidade do indianismo e da poesia americana, numa revolta de born senso realista: "Falam nos gemidos da noite no sertão, nas tradições das raças perdidas das florestas, nas torrentes das serranias, como se lá tivessem dormido ao menos uma noite, como se acordassem procurando túmulos, e perguntando como Hamleto no cemitério a cada caveira do deserto o seu passado. Mentidos! Tudo isso lhes veio à mente lendo as páginas de algum ^viajante que esqueceu-se talvez de contar que nos mangues e nas águas do Amazonas e do Orenoco há mais mosquitos e sezões do que inspiração: que na floresta há insetos repulsivos, répteis imundos, que a pele furta-côr do tigre não tem o perfume das fíôres - que tudo isto é sublime nos livros, mas é sobeiam-çasm^ desa^tadá.ve.1 ^a. Trechos capitais, exprimindo a ambivalência do nosso Romantismo, transfígurador de uma realidade mal conhecida e atraído irresistivelmente pelos modelos europeus, que acenavam com a magia dos países onde radica a nossa cultura intelectual. Por isso, ao lado do nacionalismo, há no Romantismo a miragem da Europa: o Norte brumoso, a Espanha, sobretudo a Itália, vestíbulo do Oriente byroniano. Poemas e mais poemas cheios de imagens desfiguradas de Verona, Florença, Roma, Nápoles, Veneza, vistas através de Shakespeare, Byron, Musset, Dumas, e das biografias lendárias de Dante ou Tasso, num universo de oleogravura semeado de gôndolas, mármores, muralhas, venenos, punhais, veludos, rendas, luares e morte. Em Alvares de Azevedo, Castro Alves, outros menores, perpassam, em contraposição às "belas filhas do país do Sul", as "italianas", - brancas e hieráticas, ou dementes de paixão, encarnando as necessidades de sonho e fuga, libertação e triunfo dos sentidos, transplantadas, como flores raras, das páginas de Byron para os jardins da imaginação tropical. Dentre os temas nacionais, onde esta imaginação se movia por dever e prazer, ocorriam alguns prediletos. A celebração da natureza, por exemplo, seja como realidade presente, seja evocada pela saudade, em peças que ficaram entre as mais queridas, como “Canção do Exílio" e "O Gigante de Pedra", de Gonçalves Dias, "Sub Tegmine Fagi", de Castro Alves. Ou os poemas históricos, como o ciclo do 2 de julho, o da Confederação do Equador, que inspiraram Castro Alves e Alvares de Azevedo; os poemas da América, tomada no conjunto, objeto de várias poesias de Varela; a guerra do Paraguai, que mobilizou todas as musas do tempo. O interesse pelos costumes, regiões, passado brasileiro, se manifestou largamente no romance, como veremos. A religião foi desde logo reputada elemento indispensável à reforma literária, não apenas por imitação aos modelos franceses, mas porque, opondo-se ao temário pagão dos neoclásicos, representava algo oposto ao

passado colonial. Tanto mais quanto dois poetas considerados brasileiros e t^fií!nsss^&s^-,<?s!s5, "i^sátíss^ -". ^-íss&cca, -*"naranTlargamente esse tema, enquanto Monte Alverne dera exemnfo de novos sentimentos através da oratória sagrada. Embora os poetas da primeira fase tivessem sido os mais declaradamente religiosos, no sentido estrito, todos os românticos, com poucas exceções.(7) Manoel Antônio Alvares de Azevedo, Obras, 7." edlçSo, vol. 3.", págs. 3O8 e 31O-311. Uso sempre, neste trabalho, a 9." edição, de Homero Pires, cujo texto é melhor e mais completo. Mas como no trecho citado vem nela um grave erro, penso que de tipografia, preferi, no caso, a de Joaquim Norberto. flores - que tudo isto é sublime nos livros, mas é soberanamente desagradável na realidade".7 Trechos capitais, exprimindo a ambivalência do nosso Romantismo, transfigurador de uma realidade mal conhecida e atraído irresistivelmente pelos modelos europeus, que acenavam com a magia dos países onde radica a nossa cultura intelectual.Por isso, ao lado do nacionalismo, há no Romantismo a miragem da Europa: o Norte brumoso, a Espanha, sobretudo a Itália, vestíbulo do Oriente byroniano. Poemas e mais poemas cheios de imagens desfiguradas de Verona, Florença, Roma, Nápoles, Veneza, vistas através de Shakespeare, Byron, Musset, Dumas, e das biografias lendárias de Dante ou Tasso, num universo de oleogravura semeado de gôndolas, mármores, muralhas, venenos, punhais, veludos, rendas, luares e morte. Em Alvares de Azevedo, Castro Alves, outros menores, perpassam, em contraposição às "belas filhas do país do Sul", as "italianas", - brancas e hieráticas, ou dementes de paixão, encarnando as necessidades de sonho e fuga, libertação e triunfo dos sentidos, transplantadas, como flores raras, das páginas de Byron para os jardins da imaginação tropical. Dentre os temas nacionais, onde esta imaginação se movia por dever e prazer, ocorriam alguns prediletos. A celebração da natureza, por exemplo, seja como realidade presente, seja evocada pela saudade, em peças que ficaram entre as mais queridas, como Canção do Exílio" e "O Gigante de Pedra", de Gonçalves Dias, "Sub Tegmine Fagi", de Castro Alves. Ou os poemas históricos, como o ciclo do 2 de julho, o da Confederação do Equador, que inspiraram Castro Alves e Álvares de Azevedo; os poemas da América, tomada no conjunto, objeto de várias poesias de Varela; a guerra do Paraguai, que mobilizou todas as musas do tempo. O interesse pelos costumes, regiões, passado brasileiro, se manifestou largamente no romance, como veremos. A religião foi desde logo reputada elemento indispensável à reforma literária, não apenas por imitação aos modelos franceses, mas porque, opondo-se ao temário pagão dos neoclásicos, representava algo oposto ao passado colonial. Tanto mais quanto dois poetas considerados brasileiros e precursores, São Carlos e Caldas, versaram largamente esse tema, enquanto Monte Alverne dera exemplo de novos sentimentos através da oratória sagrada. Embora os poetas da primeira fase tivessem sido os mais

Mas como no trecho citado vem nela um grave erro. tão característica do Roma ntismo e já encontrada por nós no 1. no sentido estrito. Teixeira e Sousa redige verdadeiro manifesto contra o materialismo. 3O8 e 31O-311. . distinguir mais de um aspecto nessa tendência. manifestam um ou outro avatar do sentimento religioso. neste trabalho. é certamente o mais alto produto neste sen tido. de Homero Pires.8 No prefácio a Os três dias de um noivado. (7) Manoel Antônio Alvares de Azevedo. a 9. a de Joaquim Norberto. 3. o livro de poesias de um estudante de Olinda. por exemplo. de Varela. iSalizando um catecismo metrificado com mais largueza de espírito. penso que de tip ografia. assim aparece num ensaio de Magalhães. quanto num céptico irreverente como Bernardo Guimarães. publicado no pórtico da nova literatura que foi a Niterói. como Magalhães. constando apenas de poesias do tipo de propaganda diocesana: a Oblação ao Cristianismo. Temos em primeiro lugar a religião como fé específica. compactamente católico e quase devocional. 16 #ções. apontando nas convicções religiosas não apenas a filosofia reta. temos. desde a devoção. que é propriamente a religiosidade. no caso. Assim a vemos tanto num meticuloso devoto. até um vago espiritualismo quase panteísta. preferi. Obras. como crença e devoção. mas o requisito da inspiração poética. 7." edição.°.° volume. O espiritualismo era um pressuposto da escola. cujo texto é melhor e mais completo. como que assinalando o seu papel indispensável. É preciso. vol. e todos pagavam o seu tributo. com poucas exceções. O Anchieta. com efeito. abertura da sensibilidade para o mundo e as coisas através de um espiritualismo mais ou menos indefinido. de Torres Bandeira. todos os românticos. Em sentido estritamente devoto. Uso sempre. págs." edição.declaradamente religiosos. Mas foi a segunda modalidade que dominou: religião concebida como posição afetiva.

"Sem religião não há arte". além duma crescente utilização alegórica do aborígine na comemoraç ão plástica e poética. Nas festas do Brasil joanino ele aparecia amplamente em sentido alegórico. decênio de 4O ao decênio de 6O. que teve o momento áureo do meado do . n"s. o indianismo. Naquel e momento. senso dramático. já orientada neste sentido (corn meia consciência do problema) pelos poemas de Durão e Basílio e as metamorfoses de Diniz. decaindo a partir daí até que os escritores se convencessem da sua inviabilidade. levando ao dilaceramento interior. pela adoção de no . desde logo. que se deve a aridez da literatura no século passado. (8) Gonçalves de Magalhães. mas esclarece em nota: "Ninguém ignora que é ao sensualismo e ao cepticismo. marcou o fim do classicismo pagão e o advento de uma arte mais complexa e movimentada. encontrou em Gonçalves Dias e José de Alencar representantes do mais alto quilate. oscilando numa gama bem ampla entre a devoção e a vaga religiosidade. não obstante ser aquela onde mais predomina o espiritualism o. Schlegel. aparecendo ela quase como sinônimo de densidade psicológica. (9) Macedo Soares. "Filosofia da Religião. Neste sentido a concebera um mestre de todos os românticos. O processo se intensifica a partir da Independência. representando o país com uma dignidade equiparável à das figuras mitológicas. págs. ao menos". afirma dogmaticamente o jovem Macedo Soares. da religião do belo. 17 #A forma reputada mais lídima de literatura nacional foi todavia. falo do sentimento religioso. pâg. EAP. "Cantos da Solidão (Impressões de leitura)". As suas origens são óbvias: busca do específico brasileiro. 34. 273-3O4. Opúsculos Históricos e Literários. Quando falo em religião.9 Não se podia exprimir mais limpidamente a posição romântica. volta e meia surgem declarações que sem a religião não há literatura possível. não quero apontar o catolicismo. sua natural conseqüência. par a o qual o sentimento do pecado. 397 (1857). porém.No campo da crítica.

Schlichthorst. exprimindo a inclinação dos ilustrados pelos nativos mais adiantados da América Espanhola. sob a forma duma índia. como vimos. págs.11 Parece. pela identificação do selvagem ao brio nacional e o seu aproveitamento plástico. reinterpret ados. segundo as aspirações românticas. Já os ilustrados da fase joanina utilizavam-no como símbolo. o u ainda os nomes que aparecem na sociedade secreta que fundou. A Vido ãe Pedro I. bastando lembrar o nome dado por José Bonifácio ao seu jornal. graças a ela. 93-95. (11) Capistrano de Abreu. lembrando o adversário dos portugueses nas campanhas contra Villegaignon e encarnando nele a resistência nativista. pag. reflete profunda tendência popular. expressivamente. principalmente Chateaubriand. l. Dom Pedro foi Guatimozim noutra loja maçônica. Em 1825. 55. 4O5. (12) Octavio Tarquínio de Sousa. uma gravura representava D. . que tal identificação provém de fonte erudita: a utilização nativista do índio é que se projetou na consciência popular.12 Se não me engano. que ofereceram resistência efetiva ao conquistador. de identificar o índio aos sentimentos nativistas. pelos pré-românticos francobrasileiros. 2. sendo "muito geral para surgir de causas puramente individuais".°. O Rio ãe Janeiro como é. manifesta no folclore. segundo Schlichthorst. "grande confusão de pseudônimos de sugestão clássica e nativista".mes e atribuição de títulos indígenas. Ensaios e Estudos. aplicado ao Brasil. contribuiria porventura neste sentido a influência d"Os (1O) C. o modelo foi a então viscondessa de Santos. Seria ainda preciso lembrar a opinião de Capistrano de Abreu (infelizmente sumária e mal formulada). O Tamoio. Podemos dizer que esta foi a influência que ativou a de Basílio e Durão. vol. Pedro recebendo nos braços o Brasil liberto de grilhões. de que o indianismo." série. o Apostolado. onde ele era Tibiriçá e se verificava.1O O empuxe decisivo foi dado pelo exotismo dos franceses. ao contrário. pág.

no cavalheirismo. o indianismo serviu não apenas como passado mítico e lendário. o culto da vindita. os reformadores encararem o índio como elemento básico da sensibilidade patriótica.puro e mestiço . Lembremos a propósito a simpatia de Basílio da Gama pelo último revel que foi Tupac Amam e a tragédia inacabada e perdida de Natividade Saldanha. como os quiseram deliberadam ente ver escritores animados do desejo patriótico de chancelar a independência política do país. na Niterói. tomado como símbolo da resistência e rebelião do americano de cor . encarando-o não como gentil-homem embrionário. o neo-indianisisÇi dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemática) iria acentuar aspectos autênticos da vida do índio. (à maneira da . ao discorrer sobre a sua capacidade poética e o interesse que apresentava como tema. sobre Atahualpa. Magalhães lhe dava um primeiro e jeitoso empurrão para o lad o do cavaleiro medieval. mas como primitivo.18 Incas. de Marmontel. a generosidade. preocupou-se sobremaneira em equipará-lo qualitativamente ao conquistador. Deste modo. Não há dúvida que. contraditório em relação à nossa cultura européia. sobretudo. realçando ou inventando aspectos do seu comp ortamento que pudessem fazê-lo ombrear com este . O indianismo dos românticos. ele se prestava bem e documente a receber as característica que a este conferiu o Romantismo. A altivez. com o brilho de uma grandeza heróica especificamente brasileira. deformado pela imaginação. traduzido e muito lido em Portugal e Brasil. a destreza bélica. na generosidade. encontravam alguma ressonãoncia nos costumes aborígines. Tá vimos.contra o jugo colonial. Em nossos dias. na poesia. porém. como os descreveram cronistas nem sempre capazes de observar fora dos padrões europeus e. cujo interesse residia precisamente no que trouxesse de diferente.

lidas e cornbates de ricos homens. ". em 1843. matas. montes e vales". encontrar um equivalente daqueles temas. com todas as suas tradições" . lagos.tradição folclórica dos germanos.. transparentes. Seus costumes. qual névoa que sempre encobre a natureza des ses torrões? Não. à maneira da Idade Média. nem essas justas. numa tirada que revela o sentido de afirmação .seguindo a enumeração do correspondente armarinho indianista. de infançõe s e cavaleiros" (segue uma enume19 #cão do armarinho medievista). montes e vales misteriosos donde surgem essas imagens lânguidas. suas usanças. mas como passado histórico. com evidente intuito comparativo. diz no primeiro sentido. dentro do espírito romântico. matas. Estes dois movimentos se prefiguram. no segundo: Não temos castelos feudais. como um que es crevia patriòticamente: "Por que terão a Escócia e Alemanha a presunção de só elas possuírem esses rios. celtas ou escandinavos).. aéreas.13 É muito significativa esta utilização do tema indígena como compensação: era preciso. num artigo onde Joaquim Norberto tenta mostrar a capacidade poética dos índios e o valor poético dos seus costumes. mas possuiremos a idade desses povos primitivos. e a preocupação é visível tanto em escritores eminentes quanto sem importância. e. pelo esforço de suscitar um mundo poético di gno do europeu. num vislumbre de que o tema indianista serve à dupla necessidade da lenda e da história. E conclui. Nós também aqui temos os nosso mitos: gênios dos rios. Lenda e história fundiram-se na poesia de Gonçalves Dias e mais ainda no romance de Alencar. lagos. torneios. suas crenças forneceram o maravilhoso tão necessário à poesia".

concebido e esteticamente ma nipulado como se fosse um tipo especial de pastor arcádico.particularista do indianismo: "Tudo temos em sobejo. II. tratando-as como próprios de uma tradição brasileira. por meio da superação de suas particularidades. 7.. estética e política (expressa principalmente pelo indianismo) e a conquista do direito de exp rimir direta e abertamente os sentimentos pessoais (manifesta sobretudo nas tendências propriamente românticas do lirismo individual). o espírito cavaleiresco é enxertado no bugre. o indianismo inicial dos neoclássicos pode ser interpretado como tendência para dar generalidade ao detalhe concreto. MB. Na medida em que toma uma realidade local para integrá-la na tradição clássica do Ocidente. pág." 21. a que corresponde o de individuação pessoal: libertação graças à definição da autonomia brasileira. S. BF.14 Esta tendência define um desejo de individuação nacional. "Um fragmento do romance de A. págs. (13) J. Norberto de S. A distinção pode aparecer especiosa. O indianismo dos românticos. ia testemunhar a viabilidade de incluir-se o Brasil na cultura do Ocidente. o índio ia integrar-se no padrão corrente do homem polido. com efeito. 2O . I. a ética e a cortesia do gentilhomem são trazidas ao seu comportamento. 7. n. Assim . inserindo-as na realidade local. (sic). as grandes atitudes de que se nutria a literatura ocidental. 415 e 416. pag. mas o seu fundamento se encontra na atitude claramente diversa de um Basílio da Gama e de um Go nçalves Dias.". "Considerações gerais sobre a literatura brasileira". só nos faltam os pincéis com que traçar os formid áveis quadros d"Ossian. denota tendência para particularizar os grandes temas.. Faust e Ivanhoé". ao contrário. (14) Carlos Miller.

principalmente os poetas-estudantes. nenhum dos seus colaboradores praticou imediatamente o indianismo. para os contemporâneos. ainda em 1875. embora de passagem.A primeira composição em que o tema do índio aparece tratado ao modo romântico. estimulados pela doutrinação apaixonada de Macedo Soares. (1837) reconhecida por todos os sucessores imediatos como ponto inicial do indianismo romântico. Machado de Assis publicou um livro inteiramente composto de poesias indianistas. é a "Nênia" de Firmino Rodrigues Silva. em tonalidade plangente e melancólica. de Antônio Lopes de Oliveira Araújo. onde procura tr anspor o espírito popularesco e medieval dessa forma tão cara aos românticos. o belo "Gemido do índio". Seguemse alguns poetas de valor pouco maior. mas ainda como alegoria. devendo-se mencionar. Os anos que vão de . (1846) decidiriam favoravelmente o destino ainda pouco de finido do indianismo. e sobretudo Teixeira e Sousa. que já é romântico. estabelecendo a passagem do índio-signo.15 Nela não o e ncontramos como personagem poético individuado. Apesar da doutrinação da Niterói. . de Gonçalves Dias. dando-lhe categoria que o tornou. ao índio-personagem. Daí por diante. não houve mãos a medir: toda gente trouxe o seu poema. autor da primeira composição de fôlego a se enquadrar no tema: Os três dias de um noivado (1844). no fim do decênio. Americanas. estudante de São Paulo. em medíocres ioilatas (1843). conto. como Cardoso de Menezes. num revelar do dilaceramento interior. do fim do período neoclássico. a poesia brasileira por excelência. Os Primeiros Cantos. Trata-se com efeito da Musa brasileira.não se devendo esquecer que. Fr ancisco Bernardino Ribeiro. crônica ou romance. e será copiado mais tarde no poema equivalente de Machado de Assis à morte de Gonçalves Dias. que lamenta a morte de um dos seus fiéis. que apenas no começo do decênio de 4O começou a ser versado de maneira sistemática por Joaquim Norberto.

cap. havia na verdade dois termos superiores: natureza e arte.^jÊ pre^^Keiros ^Bebido -ic. vm. do presente Ilvio. concebida como artesanato. Deste conflito surge nele. Ibs traços l o senso / ser conItendência Io importa -rio que a ftssão e o Ivra não é par-se: tornir a nova :nte. que tenta em vão encontrar a forma. a sua condição lhe parece suprema exatamente porque o seu eu transcende o instrumento imperfeito com que busca aproximar-se do mistério. A Conferação dos Tamoios. O amor. E ^-erdido ^Bito da ^B foram V Idade lunfo do ffisicismo i ilturas do Ha nossa. nutrida dos ideais clássicos. o vol. l. O Guarani. de toda a inexprimível grandeza que o artista pressente do mundo e nele próprio. é pois um termo secundário relativamente ao drama do artista. ao lado da frustr ação. um sentimento de glória. Os Timbiras. Iracema. a proromântico **"£" ED^A uma limitação da expressão.1846 a 1865 assinalam contudo o momento decisivo. quando apareceram os outros Cantos de Gonçalves Dias. a . Para a estética setecentista. (15) V. o artista era um intermediário que desaparecia teoricamente na realização. 21 #^ONIO CANDIDO FORMAÇÃO DA UTÜ"A BRASIL£JRA <**OMENTOS DECISÍVOI "S) 2-° VOLUME ^JV1~ jjjasiBnão H na -ores vário Heros "e de .

relegada a plano secundário. uma expressão do encadeamento das coisas. mas na medida em que existiam num soneto.quer dele próprio com a sociedade em que vive. Paralelamente. o ímpeto e o próprio desespero. cujo destino vai de encontro ao seu mistério. a natureza física cheia de graça e imprecisão. em vez de ser. Musset. não na medida em que eram manifestação de uma pessoa. confusão na consciência coletiva e individual. apreendida pela razão humana que era um de seus aspectos. sempre aquém da ordem de grandeza que lhe competia exprimir e. seria o objetivo da poesia. a arte. de ond e brota o senso de isolamento e uma tendência invencível para os rasgos pessoais.contemplação. e o verso aparece como interposição quase incômoda entre o leitor. destacando o homem da sociedade ao forçá-lo sobre o próprio destino. o equilíbrio dos termos se altera. rompe de certo modo a idéia de integração. numa ode ou numa écloga. Para a estética romântica. Daí certo baralhamento de posições. Um romântico. como para os neoclássicos. para os românticos. todavia. e a sequiosa individualidade que luta para mostrar-se. a imaginação humana se satisfazia com o ato de plasmar a forma artística correspondente. Et j"en sais d"immortels qui sont de purs sanglots. O individualismo. um princípio. de entrosamento . afirmou em verso famoso que os poemas mais belos eram os desesperados. altera-se o conceito de natureza. quer desta com a ordem natural entrevista pelo século XVIII. 23 . o pensamento tinham alcance. ("Nuit de Mai") O soluço. frente à qual se antepõe um homem desligado. torna-se cada vez mais. em que rebenta um sentimento pessoal. o mundo. importam agora a natureza e o artista. de permeio. os que chegavam ao extremo de despojar-se da consciência estética para surgirem como pura expressão psicológica: Lês plus desesperes sont lês chants lês plus beaux. o cosmos. por isto mesmo.

como no Simbolismo e várias correntes modernistas. Daí a magia romântic a. o abandono das formas poéticas mais características do classicismo. Na poesia ."-:or procura. no trabalho de se auscultar: Écouter dans son coeur Vécho de son génie. sucedendo ao simples encanto dos árcades. . pelo limite que o próximo impõe à expansão do eu.estas tendências são levadas ao extremo. ("Impromptu") A uma literatura extremamente sociável. Dentre as primeiras.o escr. de outro. . a melancolia. marcada pelo senso do interlocutor. sendo preciso.que é o termômetro mais sensível das tendências literárias. pois. houve certos prenuncies internos. como o s oneto. . o desenvolvimento da tendência contemplativa. a partir das próprias premissas neoclássicas de busca da sensibilidade natural e preito à natureza. sob o aspecto pessoal. a noite. em Sousa Caldas. pudemos ver que os neoclássicos apresentaram em alguns casos certo deslocamento rumo às atitudes características do Romantismo: atitudes propriamente psicológicas e atitudes literárias. busca de um sentido melódico mais acentuado no verso. atrair para ele o leitor. sob ambos os aspectos. Dentre as segundas.muitas delas continuando-o. magia como atmosfera da literatura e técnica deliberadamente usada para criar essa atmosfera. Embora a influência estrangeira tenha sido decisiva e principal. o mar. apontados em capítulo anterior. noutro poema. quase todas andando na estrada por el e aberta. estabelecer para si próprio o estado de solidão. apontava como objeto da poesia o enrolamento do artista sobre si. em Monte Alverne. em Borges de Barros. violar os tratados de relação normalmente implícitos na expressão literária. . a alma sensível.#O mesmo Musset. e a . Na literatura brasileira. o solitário . sob o aspecto religioso. Nas manifestações que sucedem ao Romantismo. que procura. de um lado. o poeta-eleito. em benefício de um estado de solidão. Deus. sucede outra.vão pouco a pouco avultando.

sobretudo o gênero novo e triunfante do romance. de Mário de Andrade. vemos que corresponde. Lírica no sentido mais restrito. o romance é uma espécie de contrapeso do individualismo lírico. pois ele se constituiu sobretudo na medida em que aceitou como alimento da imaginação criadora o quotidiano e a descrição objetiva da vida social. aliás. para concentrar-se em torno da pesquisa lírica. ia de outro preservando a atitude de objetividade e respeito ao material observado. de manifestação puramente pessoal. no Brasil e outros países. De Cláudio Manuel a Gonçalves Dias. que mais ta rde produzirá o movimento naturalista. de estado d alma. debate. quanto a reconstituiçã o histórica (As Minas de Prata) ou a descrição dos costumes (Memórias de um sargento de milícias). e sobretudo a Álvares de Azevedo e Casimiro. Ant . Gênero onímodo. doutrina. onde aparece como depuração progressiva do lirismo.os Poemas da Negra. sensível sobretudo na poesia. a um processo capital na lite-*"" ratura moderna.Encarando deste modo a reforma romântica. se de um lado trazia água para o moinho do eu. em todas as suas fases. que virá terminar no bal24 bucio quase ímpalpável de alguns modernos . a poesia vai-se despojando de muito do que é comemoração. que na literatura brasileira é produto do Romantismo e desta divisão do trabalho literário. que foi enriquecer outros gêneros. de Manuel Bandeira corresponde ao próprio trabalho interno da evolução poética. sob a égide do sentimento mais que da inteligência ou do . O realismo. Por isso. A Estrela da Manhã. é de todo romance. ^especializando-se cada vez mais e largando um rico lastro novelís tico. dentro das suas fronteiras tolerantes enquadrou-se desde logo tanto o conto fantástico "(A Noite na Taverna). retórico e didático. Esta longa aventura da criação. diálogo. por mais de um aspecto. No Romantismo. engenho.

Por isso. A Nebu losa. requeridas em certas 25 #formas. enriquecendo o panorama romântico. ou de justiça. aquilo que hoje nos parece de direito pertencer-lhe como domínio próprio foi matéria de conto. têm sentido no século XVI porque ainda não se constituíra a ficção moderna. portadores de verdades ou sentimentos superiores aos dos outros homens: daí o furor poé tico. para cornpreendermos o escritor romântico de modo geral. Nas épocas de equilíbrio.es. o romance. mais numas fases que noutras. sob certos aspectos. como lhes acrescenta a idéia de que a sua atividade corresponde a uma missão de beleza. é um estado da consciência. O poeta romântico não apenas retoma em grande estilo as explica ções transcendentes do mecanismo da criação. Os poetas se sentiram sempre. em proveito daquela consciência dos outros. em pleno século XIX. como o ditirambo. poema. no Brasil. narrativa poética. não algo superior que descesse sobre ela. no drama e nos romances de tendência poética. que domina as concepções clássicas como a própria essência do decoro. . A contribuição típica do Romantismo para a caracterização literária do escritor é o conceito de missão. serve de contrapeso ao individualismo. tão rico. na verdade. conduz. ao romance de costumes e ao romance regional. alegados como fonte de poesia. a atitude romântica propriamente dita se revela melhor na poesia. já parece erro de visão. o transe. por exemplo. O Orlando Furioso e o Crisfal. Analisemos a figura ideal do poeta romântico. afirma que o furor poético nada tem de extraordinário. que dele sairá quase tudo o que literàriamente temos realizado até agora. estas interpretações funcionam como simples recurso estético. por exemplo. Essencialmente lírica. que assinala a maior parte da novelística moderna. que dentro do Romantismo limitam o vôo lírico do eu. Esta exigência de realismo. como o Neoclassicismo. parecendo um retardatário. a inspiração divina. Francisco José Freire.

sua atitude inicial é a tendência para o monólogo. com um semelhante. uma pastôra. brota como natural conseqüência o sentimento da missão. não vos pertenço. a cuja esfera tenta ascender. Tu nos homens só vês virtude. além das aparências: 26 . Desde que é intérprete de Deus. Missão puramente espiritual para uns. " : t. o guia. . de dever poético em relação aos outros homens. Ante ti não há rei. oh! terra. . a nítida representação de um destino superior. Por isso. um Deus me inspira. oh mortais. para outros para todos. Vate. supera os liames normais da convivência. e sobretudo Deus. o profeta. Não diálogo sociável. a Religião. . . " . perdendo-se como pessoa para encontrar-se como poeta. pois a solidão na terra deve ser compensada. (exclama) Eu sou órgão de um Deus.graças à qual participa duma certa categoria de divindade. O religioso Gonçalves de Magalhães. na medida em que pressupõe auditores. deste egocentrismo. missão social. ouvi-me. regido por uma vocação superior. é verdade. . Qual um Gênio entre os homens te apresentas. : --: Embriagando-se progressivamente com este individualismo exacerbado. deixa de lado prados e blandícias para atirar-se aos grandes valores: a Infância. nos Suspiros Poé ticos. "-" Seu intérprete sou. a Poesia. . verdadeiro monólogo de palco. ou vício.f deira divindade: . Monólogo capcioso. em cujo coração pode ler o bem e o mal. mas com algo que eleve a própria estatura do poeta. É o bardo. Eis o que diz do poeta: De mágico poder depositário. em cujo fundo fica implícito o diálogo. num plano de verda. o que és tu? És tu mortal ou nume? Deste excesso mesmo de individualismo. e só a Deus presta contas. seu primeiro movimento é superar as relações humanas abandonando a sociabilidade arcádica: Não. "?. nem há vassalo.

que motivarão outras. Para ti nada é morto. todo condicionado pela nova situação do artista em relação à palavra com que se exprime.^j Por que cantas.. E o nosso born Visconde. No máximo do isolamento o poeta atinge a condição divina. e para responder-te. pulverizam. prosseguindo nos maus versos.. o poeta sente o povo que espera redenção da sua voz. Uma nova relação. ^ O presente te atende. . . embora dele se isolando e castigando-o. que lhe parece mais essencial. brada: Ô como é grande o Vate (.. o isolamento a que o poeta romântico se deixa levar pela própria grandeza. como turba rude. e a terra.Vii !"-". . No isolamento de inspirado. Em certos casos. ó Vate? Por que cantas? . em que a estatura do artista cresce até encontrar no isolamento a atmosfera predileta. despojando-s e de si mesmo para se dar à sua cruz. e a noite falas.posições novas.. de extremado egotismo. a sua atitude nos lembra a dialética nietzscheana do Legis lador do Futuro. nada é mudo! Co"o sol.) Dos lábios solta a voz. missão. E do túmulo seu a fronte eleva. Qual é a tua missão? O que és tu mesmo? :. Assim. em benefício de um desequilíbrio novo. como o Cristo de Vigny. afastando-se cada vez mais do equilíbrio neoclássico. e o céu. enquanto esta vê na sua rudeza uma prova. . portanto. e que ele ama. ao mesmo tempo. de eleição e profundo amor. : Do passado o cadáver se remove. e no futuro : Eternos vão soar os teus acentos! . seria na realidade o sinal da sua predestinação. a perdida sociabilidade arcádica. o condutor que ama e maltrata a multidão submissa. isolamento . Tudo te escuta. no Jardim das Oliveiras. e a vibra em raios Que o vício e o crime ferem. mais poderoso. . sendo aparentem ente desumana. e o auditório sacrifica a este algo. Grandeza.

derrubando a hierarquia das palavras e . consagradas e veneráveis. na medida em que prefere exprimi-lo conforme categorias já estabelecidas. O Sol nunca mais poderá ser a "Lâmpada Febéia".procurando forjar a expressão para cada caso. quebrando a separação entre os gêneros. simples medianeiro entre a natureza e o intérprete. sempre capaz de passar pelos mesmos estados. tanto quanto do leitor. operando uma revisão de valores. que a inteligência decifra desde logo. possui em grau mais elevado que os clássicos a dolorosa consciência do irreversível.O verbo literário. previsto.mais importante que tudo .. As imagens do arsenal clássico pressupunham relativa fixidez d o sentimento. O Romantismo. na manifestação de um ponto de vista. não permite que ele se insinue no espírito sob formas novas. ou o "Louro Febo". impregnado de relativismo. vai perder a categoria quase sagrada que lhe conferia a tradição clássica. desde que a literatura consiste. tanto exterior quanto interior. isto é. brotadas de uma visão inesperada e fora dos cânones. porque só interessa na medida em que iluminou um certo lugar. Os românticos. porque tais imagens. WT_ 1 t. Uma nova era de experimentalismo modificará a fisionomia estabelecida do discurso. permanecem fora do espírito do poeta. para eles. cada nova necessidade. um ângulo pessoal. representam a expressão natural. O poeta neoclássico opõe de certo modo uma forte 27 Biblioteca Pública "Arthur Vianna Gnl. que nunca mais ocorrerá. tem o seu própr . #barreira ao mundo. São valor cunhado. cada situação. que ocorre naturalmente à média dos espíritos cultos. como desejam imprimir à sua visão um selo próprio e de certo modo único. diríamos retomando o exemplo acima. Em face de uma natureza raci onalizada e delimitada. porém. O sol deve ser o "Carro de Faetonte". não apenas vêem coisas diferentes no mundo e no espírito. onde se deu algo.

o soneto de Basílio. o poema de Marvel. M ..a balada de Villon. Mas em meio à atividade febril que planeja e executa. toda a angústia do velho sábio está presa ao sonho de encontrar a perfeita manifestação do ato perfeito. és tão belo!". todas as concepções do homem sofrem-lhe o embate. Na co . 28 Não há dúvida que uma das causas de semelhante estado de espírito se encontra no triunfo da cultura urbana contemporânea. No mundo exausto. o problema é colocado por Goethe de maneira cruciante.. Se conseguires fazer com que eu diga ao instante fugaz . Fausto destrói esse grumo indigesto para a nova vertigem do tempo e completa o domínio da natureza. Ao cabo da vida. as liras de Gonzaga. A mudança mais ou menos brusca no ritmo da vida econômica e social. alterando de repente a posição do homem em face da natureza. No mais completo breviário do que a alma romântica tem de esencial.. que constitui propriamente o famoso mal-do-século. No Segundo Fausto. Daí a noção de que a palavra é um molde renovável a cada experiência. o soneto de Ronsard. o primeiro Fausto. a fuga das horas motivara principalmente uma poesia de desencanto sensual . a plenitude inserida na duração e não desfeita por ela. específico. com o adv ento da mecanização. (Álvares de Azevefo)" " .. Até o Romantismo. Bastardas gerações vagam descridas. Fausto sente que apenas pelo domínio das coisas o espírito humano encontrará equilíbrio: são necessárias novas técnicas."Pára. Levado pelo impulso fatal da sua obra.. permanecendo sempre aquém da sua plenitude fugaz e irreproduzível..io Sol. isto é. tornou obsoletos um sem número de valores centenários. sobre o passado em grande parte rural do Ocidente. intransferível.". todo um aproveitamento inédito do tempo que foge. desde o relativismo histórico até o sentimento de inadaptação da vida aos seus fins. A partir dele. resta um farrapo insistente do pa ssado no pequeno horto em que Filêmon e Baucis prolongam a visão bucólica e o ritmo agrário da existência. novas relações.

prados e jardins. Na "Maison du Berger". que irrompem de sob colinas. Só Leopardi descobriu quatro ou cinco maneiras novas de rejuvenescê-l a. revistos em todos os sentidos.. o horto de Filêmon representa a alternativa condenada. sofre com a poesia das noites uma individualização que a banha de magia. a que o homem moderno se apega. Deixa de ser a metáfora unívoca. Castro Alves. " " No início do Romantismo. graziosa luna que o poeta vê turvada através das lágrimas noutro poema ("Alia luna").. " ".nsciência romântica.. cascata. "n"O Livro e a América". porém. mesmo sob a medida de pentâmetros quase latinos: Plácida noite e verecondo raggio ---. esculpindo de prata as imagens do mundo: O cara luna. ""-"" . verá no triunfo da nova ordem o próprio triunfo dos ideais humanos: Agora que o trem." 29 #Esta é a lua que amplia a solidão de Safo. A casta lua. Vigny cantará o choque dos dois ritmos. diversa da . a divindade imutável de todos os momentos. fantástica ao modo de um cenário shakespearano.. confidente e enigmática companheira do homem. errante e inquieta: Vergine luna. embriagado de modernidade..". para se tornar uma realidade nova a cada experiência.. ou da que é invocada pelo pastor no "Canto notturno". floresta. o agrário e o urbano. de ferro . abismo.. ai cui tranquillo raggio Danzan lê lepri nelle selve. soldandose ao estado emocional do poeta. a antiga Selene. ou que destrói para curtir no remorso a nostalgia do bem perdido. no "Ultimo Cfonto". Delia cadente luna. A natureza superficial e polida dos neoclássicos parece percorrida de repente por um terremo to: o que se preza agora são os seus aspectos agrestes e inaccessíveis montanha. ou da que aparece na "Vita solitária". como ele solitária. vilipendiando a locomotiva.. a atitude mais corrente foi a busca de abrigo contra o tempo na contemplação do eu ou do mundo.

como ficou dito. o Espirito divino. que negando a ordem aparente. de Goethe (1772). É que o poeta romântico procura. Enquanto a natureza refinada do Neoclassicismo espelha na sua clara ordenação própria verdade (real = natural). Che si pensosa sei. No "Tramonto". pelo qual gan ham forma as misteriosas sugestões da natureza e da alma. Ele a procura. do poeta mediúnico. Em lugar de senti-la co .. procura mostrá-la como algo convulso. Dessa vocação mediúnica provém uma nova marca da natureza na sensibilidade romântica: o sentimento do mistério. quer no mundo físico. O "Canto do viandante na tempestade". raio. rejeita o império da tradição e reconhece autoridade apenas na própria vocação. crime. desarmonia. Para isto. sepultando-as na noite privada da sua . acolhendo e abrigando o espírito. Na "Ode ao Vento Oeste". é freqüente no Romantismo. e Victor Hugo retoma a idéia em "Ce siècle avait deux ans". solinga. Na "Vocação do Poeta".. A idéia de que a criação é um processo mágico. em suma. declarando sua alma um eco sonoro posto por Deus no coração do universo. ela é como a alma das coisas que se retira. Shelley compara-se a uma lira da natureza. a idéia. desnaturalidade. permitem uma visão profunda. ara o romântico ela é sobretudo uma fonte de mistério. finalmente. então. uma realidade inacessível contra a qual vem bater inutilmente a limitação do homem. contraste. fuggente luce. furacão. exprimindo a sua desencadeada energi a. já o mostra em presa dos elementos. treva. eterna peregrina. Hõlderlin arranca-o aos quadros da vida cotidiana para fazê-lo intérprete de Deus. refazer a expressão a cada experiência.Pur tu. nos aspectos mais deso rdenados. no gênio. possuído pelo Gênio criador. quer no psíquico: tempestade.

Quando Mefistófeles o seduz com a miragem da vida estuante. em contraposição à esterilidade da vida racional. através da morna insignificância. pois se a natureza se fecha ante as nossas perguntas. Atiçarei a sua insaciabilidade com iguarias e bebidas se Jgitando ante o seu lábio ávido. mas eu me consumo em vão. Natureza infinita? Onde estão os teus seios. só lhe restaria perecer. que se precipita. incondicionalmente. you arrastá-lo pela vida áspera. Ante o signo do Macrocosmo. voltairiano e setecentista. das quais pendem céu e terra. sem desprender-se do seu fascínio nem pacificar-se ao seu contacto. não a conseguiremos apreender racionalmente. estrebuchar.onde estais. mas . adora-a e renega-a sucessivamente. a razão é um limite que importa superar pelo arranco das potências obscuras do ser. pelas quais anseia o coração ressecado? Vós sois a nascente que mata a sede. força suprema do homem. sempre avante. que em vã o suplicará consolo.. Ao definir a atitude de Fausto. ultrapassando no seu ardor as alegrias da terra. . Para o romântico.. Mefistófeles. Mefistófeles define todo esse aspe cto anti-racional do Romantismo: Despreza razão e ciência. Mesmo que não se desse ao diabo. está de certo modo empurrando-o para uma aventura essencialmente romântica: abdicação dos aspectos racionais da atividade em troca da vertig em.mo problema resolvido. Fausto exprime bem a posição do espírito romântico em face duma natureza cerrada no mistério: Que espetáculo! mas é apenas um espetáculo! Por onde prender-te. deixa-te firmar pelo Espírito da mentira nas obras de ilusão e de magia. onde há de se inteiriçar. agarrar-se. agora és meu. sabe que ela é o único recurso do homem. O destino lhe deu um espírito desenfreado. fontes da vida. mas apenas deixando-nos ir à mesma irracionalidade que parece ser a sua essência. à maneira do neoclássico.

em parte. a mais significativa é a associação do sentimento amoroso à idéia da morte.. Cujo sangrento poema "Une Martyre" (a mulher degolada e profanada pelo amante insatisfeito) é. em geral. criando uma consciência de desajustamento. que num verso famoso contrapõe à insensibilidade das coisas a "majestade do sofrimento humano".o satanismo.como Vigny. Alguns românticos acentuarão a primazi a da natureza. outros.f dade por tudo quarto fosse exceção ou contradição das normas. que não poderiam deixar de exprimir dúvida ante os valores. a natureza é algo supremo que o poeta procura exprimir e não consegue: a palavra. e curiosi. Pessimismo e Sadismo condicionam a manifestação mais espetacular e original do espírito romântico . o desejo de fuga. O crime. o vício. a materialização do sentimento todo ideal que Leopardi exprimira ao geminar a morte ao amor: E sorvolano insiem Ia via mortale. como Antero de Quental e sobretudo Baudelaire. Aquelas gerações assistiram a uma tal liquidação de valores éticos. ou "lembrança de morrer". Boa parte do mal-do-século provém desta condição estética: desconfia nça da palavra em face do objeto que lhe toca exprimir. políticos e estéticos. os desvios sexuais e morais .. para a qual a própria vida parece o mal. tão encontradiço na literatura romântica sob a forma de invocação da morte. por assi m dizer. a negação e a revolta contra os valores sociais. Daí.3O 31 #Fausto sente que este recurso só funciona realmente ao compasso dos profundos ritmos vitais. há nela uma corrente pessimista. De qualquer modo. Primi conforti d"ogni saggio core. quer pelo ataque desabrido. a do espírito . Entre as suas manifestações. Daí uma dialética da vida e do pensamento que o Necclassicismo desconheceu ao postular a equivalência dos dois termos. quer pela ironia e o sarcasmo. a conseqüência final. . irmã do Amor e da Verdade! Este filête de tonalidade sádica e masoquista tornar-se-á um veio opulento em certos pós-românticos. o molde estreito de que ela transborda.

de Byron. entregue cada vez mais à carreira literária. uma brusca falta de segurança. que o romancista nos levou a considera r tal. O Manfredo. o Julien Sorel.alterou a sua posição. a normalidacJe. A coragem com que o romance francês desce aos subterrâneos do espírito e da sociedade representa. porventura. pela qual o drama romântico..) é um exemplo perfeito dessa vocação para o desmedido e o Contraditório. é uma alma bem formada. Byron simboliza os amores com a própria irmã. a cuja temperatura se fundem aspectos aparentemente inconciliáveis do compo rtamento. a temperança. . de Stendhal. protegido. tratados dramaticamente como expressões próprias do homem. Balzac estuda o amor homossexual.modificando igualmente o tipo de público a que se dirigia. Deve ter havido na consciência literária um arrepio de desamparo. tanto quanto a virtude. em lugar d o escritor pensionado. a si próprio e ao vasto público. E conhecida a teoria hugoana dos contrastes. quase confundido na criadagem dos mecenas do período anterior. que a literatura do Setecentos começara a tratar com cinismo ou impudor. Esta atitude nova.. a conquista mais fecunda da literatura moderna. entram de repente em rajada para o romance e a poesia. conquista iniciada no século XVIII e aprofundada por Laclos e o Marquês de Sade.. com a passagem do mecenato ao profissionalismo. é em parte devida à nova posição social do escritor. denotando individualismo acentuado. . (que segundo Nietzsche era muito superior ao Fausto. mesmo depois da irrupção do crime . isto é. procura superar a estilização 32 das convenções clássicas. desejo de desacordo com as normas e a rotina. . em As Ilusões Perdidas e Esplendor e miséria das cortesãs. A ruptur a dos quadros sociais que sustínham o escritor. No Cairá. obcecado por Shakespeare. deixando-o muito mais entregue a si mesmo e inclinado às aventuras do individualismo e do inconformismo.que aparece quase como desdobramento das suas qualidades.

contribuindo certamente para isto o estado de espírito simultâneo e posterior à Independênci a. torna-se não apenas mais sensível à cendição social dos outros homens como. decorrentes da revolução in dustrial e das lutas pela liberdade. ao lado dos pessimistas encontramos os profetas da redenção humana. Wordsworth foi partidário da Revolução Francesa. individualismo e consciência de solidão entrecortados pelo desejo de solidariedade. na expressão de um crítico italiano. Lamartine teve papel destacado na de 1848. trazem para o universo do homem de inteligência um termo novo e uma perspectiva inédita. cada vez mais. que favoreceu a manifestação patriótica em tonalidade grandiloqüente e escala heróica. Por isso. O nacionalismo se exprimiu em vários poemas épicos. O advento das massas à vida política. AS FORMAS DE EXPRESSÃO As transformações bastante acentuadas que o Romantismo trouxe à concepção do homem e ao temário da literatura não poderiam. em seguida à proletarização e à urbanização. o poema épico sobreviveu. com ele aparece no Brasil o romance e. 33 #Úl 3. evidentemente. e o satanis mo deságua não raro na rebeldia política e o sentimento de missão social. pode-se dizer. o nosso Castro Alves lutou contra a escravidão negra e saudou a república.tanto gêneros quanto estilo e técnicas. se manifestar sem mudança correlata nas formas de expressão. às vezes irmanados na mesma pessoa. . Victor Hugo acalentou sonho s humanitários. disposto a intervir a seu favor. pessimismo enlaçado à utopia social e à crença no progresso. também o teatro como gênero literário regular.Em conseqüência. Devido à influência de Basílio e Durão. au mentam a complexidade desse "tempo patético e dourado". Assim. pois. Shelley foi um panfletário contra a tirania e a religião. seja de .

. o repúdio aos gêneros estanques. até os nossos dias. Os Timbiras. como a epopéia religiosa de Varela (Anehieta. o Estudiante de Salamanca. . um derradeiro esforço: Os Brasileidas. o caso dum gênero ambíguo. onde floresceram obras de vário tipo. por toda a Europa.cunho estritamente patriótico.o conto ou romance metrificado. A fluidez do espírito romântico. versado com mais senso de proporções por Bilac e Batista Cepelos. Essas tent ativas se estenderiam.34 \ maior influência neste sentido foi certamente Byron. seja se alargando na solidariedade continental (Colombo. porém. Repercute ainda em obras de inspiração diversa. propiciaram esse gênero misto. que viram surgir. como o Riachuelo. (A Independência do Brasil. num momento em que já havia encontrado no romance o seu veículo moderno. no tema do bandeirismo. equívocos cada vez maiores. Rolla e . ao mesmo tempo. ou O Evangelho na Selva). de Pushkin. de Teixeira e Sousa). de Gonçalves de Magalhães. Deixando para capítulo especial a inovação mais importante que todas do romance. de Espronceda. de Gonçalves Dias. principalmente sob o estímulo da guerra do Paraguai. Via de regra. a ficção se funde na poesia. inclusive para o transporte épico. de Pôrto-Alegre). antes r de abordar o problema da língua literária. imprime à narrativa disciplina mais regular que a dos gêneros de prosa. Dele derivam. para não falar na subliteratura. seja indianista (A C onfederação dos Tamoios. de Carlos Alberto Nunes. onde. de José de Alencar). a sua profunda vocação lírica. de Luís José Pereira da Silva. aliança que per mite maior liberdade à fantasia e. lembremos. vivido por Castro Alves sem recurso às formas tradicionais. que modernizou o poema novelesco italiano e criou verdadeiros romances em versos. o Romantismo buscou maior liberdade. o Eugênio Oineguin. Os Filhos de Tupã.

como Don Paez. Apesar de tudo. de Macedo. i . de Almeida Braga. precursor por certos aspectos da sensibilidade romântica no tocante à expressão. dando no Brasil as Sextilhas de Frei Antão. de Álvares cie Azevedo. atendendo à tradicional melomania da Casa de Bragança. absorvente. na modinha. que nos salões corria paralela ao verso. de Gonçalves Dias. a ela e à música. e A noite do castelo. grão-padre deste gênero. cuja música religiosa. de que são tributários a Dona Branca. Não espanta que Metastásio. Mais importante é a questão da linguagem romântica. em Portugal. . Os três dias de um noivado. Outro fator neste sentido foi a moda medievista. têm o mérito de haver utilizado o gênero para uma tentativa indianista. era porém um gênero condenado. de Garrett. de Antônio Feliciano de Castilho. Talvez Os c iúmes do bardo. orientada por Marcos Portugal e o Padre José Maurício. de Musset.já que os seus protagonistas são índios cristianizados e aldeados. são tributários de Byron e Musset. e encontrando no drama lírico a sua compenetração ideal. em parte através do francês. tenham contribuído alguma coisa para A Nebulosa. na cavatina. fundindo-se freqüentemente os dois na ária. aliada freqüentemente à oratória. No Rio joani no a atmosfera musical se torna de repente densa e cheia de encanto. vincasse as sensibilidades. que temperou a influência. que entre nós deu frutos medíocres. como vimos. A Capela Real foi verdadeira sala de concertos. foi de profundo influxo da música italiana.Namouna. na poesia. O Poema do Frade e O Conde Lopo. na prosa. o inglês. o "genre troubadour". "poema-romance" como ele dizia. de Castilho. ou semi-i ndianista. Já em Antônio José encontramos a sua marca. em Silva Alvarenga. aí e noutros poemas. que predomina em "Um cadáver de poeta" (sempre de Alvares de Azevedo) e domina exclusivamente a Clara Verbena. O século XVIII. de Teixeira e Sousa. com a tradição francesa do "conte en vers".

onde a palavra. no prefácio às Inspirações do Claustro. Junqueira Freire assinala a vitória da "cadência bocageana" sobre "o módulo latino". que o setissílabo "rnetastasiano". poderia atenuar as lacunas do verbo. Através dela. O fim da aventura será o impressionismo dos simbolistas. É interessante notar. ele 35 #se atira pois desbragadamente à busca do som musical. Pelas tendências de sensibilidade e pelo meio em que brotou. buscava a expontânea facilidade melódica da ópera e da cantata. as mais das vezes utilizados na ópera e na canção pelos poetas italianos e os que escreveram a seu exemplo. a propósito. está assinalando esta aventura. assimilado p . tendesse a aliança com a música como verdadeiro refúgio: a música. marcado pelo sentimento de inferioridade da palavra ante o seu objeto. implícito nas tendências melódicas do verso romântico. Para os nossos românticos.talianizante até a medula. que exprime o inexprimível. Quando. com o seu resvalar incensa nte e fugidio.16 É iniludível (entre outras coisas) a afinidade da modinha e da ária com certo lirismo romântico. o ouvido luso-brasileiro operou a passagem da harmonia dos neoclássicos para a melodia musicalizante. Um poeta como Alphonsus de Guimaraens é o ápice do pr ocesso de desverbalização da palavra. inclusive pela tendência métrica. Estas se manifestam de preferência através de certos metros. Entende-se bem que um movimento literário. tributário desta. e dos metros adaptados à sua exigência rítmica. o Romantismo foi portanto. apela para os mais vagos matizes do som caprichosamente associado. em grande parte. música foi sobretudo a italiana. que renuncia em parte à explora ção do ritmo específico da palavra (à moda clássica) em benefício de uma capitulação ante a música. sufocada pelo sentimento de inferioridade.

que sussurram mistérios e não palavras. todavia." Arturo Parinelll. da Pátria filhos"). Em parte quiçá pelo uso constante que dele faziam os libretistas italianos. considera-se um aspecto algo diverso do que abordamos aqui. da Norma. como a primeira estrofe de "Róseas flores da alvorada": (16) "Decididamente a vida romântica sentimental tendia mais para a música do que para a poesia. Alvorada.. conservaram-no. Uma das árias mais queridas do Brasil romântico. (inclusive o hino de Evaristo musicado por Pedro I. Essa imagem que recordas É meu puro f santo amor. de Martins Pena). é composta nele. evanescente. sem relevo. 36 4 Casta Diva che inargenti . mais para a expressão indeterminada. a que dou importância primordial no presente capítulo. Teus perfumes causam dor. os autores de letras de modinha. Róseas flores da. gênero que mant eve longamente reminiscências das suas raízes arcádicas.or Silva Alvarenga nos rondós e largamente usado nos cantos patrióticos da Independência e da Regência. Parinelll se Interessa principalmente pela essência musical das concepções românticas. "O R omantismo e a Música". A noi volgi U bel sembiantt Scnza nubi e senza vel. Queste sacre antiche piante.."-. para a onda vaga dos sons. Conferências Brasileiras pág. Nesse trabalho. 1S.. que ainda hoje cantamos: "Já. não foi incorporado pelos românticos à poesia erudita. íV: ( . a "Casta Diva". podeis. de Bellini (trecho predileto do Diletante. . parecendo-lhe que seria menospr ezo limitar o assunto às questões de íorma. talvez por estar demasiadamente preso a expressões típicas do espírito neoclássico.

Sinopses de Eloqüência e Poética Nacional. Também o denominam de Gregório de Matos. dos italianos. Notemos de passagem que a isorrirmia (manutenção em todas as estrofes dum poema da mesma acentuação em todos os versos) proveio da intenção de fornecer ao compositor um texto já vinculado à regularidade rítmica. É próprio para sátiras. pág. poeta brasileiro. em pregou-o nos ditirambos e nas odes anacreônticas. Mais discriminado que os românticos.a e 9. muito prezado e traduzido pelos românticos portugueses e brasileiros. o decassílabo chamado sáf ico. ou decassílabo. o maior experimentador do seu tempo." Manoel da Costa Honorato. Serviu-se dele Gregório de Matos para efeitos burlescos. uso a contagem pelo sistema írancês. O novessílabo.a. As árias de Metastásio. que se poderiam legitimamente qualificar de românticos: o novessílabo e endecassílabo batidos. Lorenzo da Ponte e outros.1! Deve ter influído na sua voga o exemplo dos poetas espanhóis. 141. etc. afe itos a outra concepção. até a última silaba tônica. seduzido com certeza pela sua capacidade de movimento. de Frei Caneca. 6. como Zorrilla e Espronceda. antecipando de certo modo a melodia e d ando-lhe pontos de apoio. Lembro que neste livro. porém sem graça. posto . foi muito pouco usado na poesia de língua portuguesa até o século XIX. Ranieri de"Calzabigi.18 Pouco estimado pelos tratadistas clássicos. mais predispostos à regularidade pela divisão estrutural em segmentos equivalentes.A sua função de envolvimento da inteligência pela melopéia isorrítmica de um metro fluido e cantante. e at é do francês Béranger.a. quanto teve a sua grande voga.17 Diniz. obedeciam geralmente a este dispositivo nos metros ímpares. e (17) "Verso jâmbico. a quintilha em estrofes isorrítmicas. secundariamente. quebrava-lhe porém a monotonia pela alternãoncia de metros. a sua raridade era tal que não vem enumerado entre os metros portugueses no Tratado de Eloqüência. acentuado na 3. que conste de dez sílabas. foi desempenhada por outros. por quem íoram usados.

a. págs. Ó guerreiros da tribo tupi: Falam acuses nos cantos do Piaga.21 Só no século XIX ganharia o galope martelado e inflexível. como o "Canto do Piaga".°. (18) Ver um excelente exemplo no Ditirambo IX. 74117. ou de fantasmagoria. 8. mas soube não raro utilizá-lo com força expressiva em poemas de movimento. de Bernardo Guimarães. desempenhando função análoga dentro da métrica da sua língua. com grande regularidade.a (não se conheceu outro. em Obras Políticas e Literárias vol. 5. "" O endecassílabo com acentuação na 2. como o "Galope Infernal". que dá ao pensamento e à emoção uma melopéia fugaz condizente às aspirações românticas. Poesias. Zorrilla. sobretudo na poesia castelhana. q ue está voltando a ser utilizada. 2. extraído dos melhores escritores ãividldo em três fartes. salvo erro. durante o Romantismo) parece uma retomada. págs. chegou ao extremo quase cômico de al ternar (no poema "Mistério") o eneassílabo e o endecassílabo. (19) Tratado de Eloqüência. . cujo decassílabo sáfico é muito parecido com o dos ultra-românticos brasileiros e portugueses. Ó guerreiros. do verso "de arte maior" do século XV. como se desenvolvera a partir dos Cancioneiros galaico-portuguêses.. É escusado lembrar o êxito do novessílabo na poesia erudita e popularesca do Romantismo. de Gonçalves Dias: . 65-155. Q*? O t #que usava um tipo de decassílabo isorrítmico. in. em nada menos de vinte e duas quadras sucessivas.2O Er a então um metro flutuante.a. que lhe esgotou praticamente o interesse e o torno u inaproveitável para os sucessores. usado por Gil Vicente nos autos de devoção. meus cantos ouvi. vol. etc.a e ll.em uso por Castilho: o que chamo de novessílabo é decassílabo segundo a contagem tradicional.Ô guerreiros da taba sagrada.

11. 3. Estes metros. (2O) V. 4. tanto quanto posso avaliar. muito usadas nas peças leves dos árcades. vindo em ordem decrescente os de 6. Cammarano e outros.22 Pode-se concluir que o oclossílabo. a fim de isolar em seus escritos os metros ocorrentes. Inexistente. no sentido romântico). com estes acentos. Pedro Henriquez Urena. . e do caráter métrico que assumiu.A tarde morria. Thiers Martins Moreira. com efeito. Eram. La verificaciõn espafiola irregular. é o menos musical dos versos portugueses (menos poético. 7. pesquisando os prosadores clássicos. Nas águas barrentas As sombras das margens deitavam-se longas. os que não sobreviveram ao Romantismo e exprimiam. a forma extrema da embriagues melódica. Castilho chegou à conclusão estatística que o mais natural da língua é o de 8 s ílabas. (Castro Alves) Talvez a raiz imediata da sua voga. notadamente cap. págs. aliás. de que se falará abaixo) os mais poéticos. e que o novessílabo e o endecassílabo. esteja na solda de quintilhas. são os mais tipicamente românticos. Nas origens. predominando na prosa. (21) V. 12 e Q. 1O. nos libretos de Piave. I. O fôlego mais largo da sensibilidade romântica fundiu dois versos curtos e obteve uma unidade mais adaptada à sua necessidade de movimento. Na poesia italiana (a que a nossa tanto deve formalmente). foi este o processo que lhe deu vida. 7-36. românticamente falando (ao lado de certos setissüabos e do decassílabo sáfico. ele aparece com as tendências pós-clássicas. O Verso de arte maior no teatro de Gil Vicente. 2. 38 ocorre com certa freqüência na ópera romântica. na sua batida algo primária. nos dramas musi cais do século XVIII. i Na esguia atalaia das árvores secas Ouvia-se um triste chorar de arapongas.

pàg. "A cólera de Saul" (Varela). "Minh"alma é triste" (Casimiro de Abreu). de que ^foi talvez o mais belo metro o do "Leito de Folhas verdes " (Gon(22) Antônio Peliciano de Castilho. De Camões à "Louvação da Tarde".°. sua história é a própria história da poesia de língua portuguesa. na forma atual. de 1843 a 1844. Que o consorte aos carinhos arranca. No Brasil. transplantado por Sá de Miranda. devendo assim juntar-se essa ponderável influência à do drama musical italiano. O decassílabo é o grande. Magalhães é o primeiro a utilizá-los. entremeados aos decassílabos soltos de Os três dias de um noivado. que uma estética desconfiada dos valores prosódicos e predisposta às fugas melódicas se apegasse a tais metros. Tratado de metrificação portuguesa. a que se prestou como se fosse descoberta do seu próprio gênio.sendo menos prosaicos. "A Hebréia" (Castro . seguidos pelos medievistas e ultra-românticos portugueses. Usaram-nos talvez. de mistura a outros. utilizou-os bastante Teixeira e Sousa. são os mais musicais. Herculano e Garrett. ("Vítima da Satidade"). nitidamente musical. como vi mos. devido sobretudo ao modelo italiano. A sua plasticidade lhe permitiu adaptar-se às novas exigências melódicas do Romantismo. tendência. Não espanta. pois. de Mário de Andrade. Eis retine o clarim clangoroso Que nas vozes a guerra proclama. ainda mais considerando que quase impõem a issorritmia. nos Suspiros Poéticos. Qiie das lides aos campos o chama. 87. com parc imônia. Pela mesma altura. Joaquim Norberto foi porventura quem os empregou sistematicamente nas Balatas. "Pálida à luz da Lâmpada" (Álvares de Azevedo). inicialmente. 39 #calvos Dias). vol 2. incomparável metro originado nos Cancioneiros mas.

têm maior sublimidade. com isto. extremamente variável. querido de Bocage. explorando até o fastio a sua rica musicalidade em estrofes isorrítmicas. Ê o grande elo entre a inspiração popular e a erudita. herdado dos italianos. fazem-se fastidiosos e molestos ao ouvido. ""-. assegurando a continuidade plástica da evolução poética e a própria dignidade do lirismo. em metro que se pode chamar romântico e comprometendo o seu tonus pela monotonia fácil do automatísmo.a e 1O. transformando-o.. . .a. 8. logo apropriado pelos recitativos. O sáíico virou uma espécie de valsinha de salão. como fora aos clássicos. açucarando-se por vezes desagradàvelmente. Das suas muitas variedades. . advertindo com sabedoria: "mas se se usam freqüentemente..a)23. por isso devem-s e misturar com os da primeira medida" (2. No meio da orgia melódica em que se desmandaram freqüentemente os poetas.. incorporaram-no ao que havi a de mais característico na sua estética. ensina Frei Caneca. ." . posto entre a melopéia e a simplicidade prosaica. . precursor da flui dez melódica.a. . . o verso "sáfico". se ajusta a qualquer tipo de poesia e foi caro aos românticos. mesmo nos melhores: .. como não se fizera ainda de modo continuado. entre os árcades.} "" i" -! Quando eu te fujo e me desvio canto .. 6." : ." . usado desde os quinhentistas e. "Os versos desta medida são mais sonoros.a. como aos batidos.Meu Deus! que gelo! que frieza aquela! (Casimiro de Abreu) O setissüabo. tiveram os românticos predileção marcada e significativa pelo de acentuação na 4.: "" . Contigo dizes. permaneceu como esteio e elemento de equilíbrio.-. servindo não raro de . suspirando amores: . ó bela. Os românticos fizeram o contrário." Da luz de fogo que te cerca.Alves).a. e são próprios da poesia lírica".. 1O.

ponte entre ambas. Note-se que os românticos lhe deram geralmente o emprego que os clássicos preferiram dar ao verso de seis sílabas, mais duros e menos ajustados às demasias musicais, a que ele se presta nas suas variadas possibilidades de acentuação

. / j, .-"-"--Minha terra tem palmeiras, . vá --".." ,, i;

. Onde canta o sabiá. ..;".- ,

(Gonçalves Dia*) (23) 4O Ó mar, por que não apagas, corn a esponja das tuas vagas, , _ , ,<.,-". v. ;: Frei Caneca, ob. clt., pág. 118.

Do teu manto este borrão? , .--.. .. ";, :\ .,-,-. (Castro Alves) Óh! - l ; ;. , .

que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida! (Casimiro de Abreu) Na terceira geração romântica, a partir de 1865, mais ou menos, as necessidades de amplificação retórica levaram ao cultivo do alexandrino francês, de doze sílabas, - introduzido em nossa poética por Bocage, - e até do espanhol, de treze, usado pela p

rimeira vê/, por Basílio da Gama ao traduzir a Declamação trágica, de Dorat, que encontramos no 1.° volume. O dodecassílabo já se encontra em Francisco Octaviano, tendo sido porventura Fagundes Varela o primeiro poeta de tomo a cultivá-lo sistematicam

ente. É possível tenha influído a presença, no Brasil, de Antônio de Castilho, entusiasta deste metro. O seu emprego denota, de qualquer forma, no verso brasileiro, tendência mais plástica e oratória que musical, indicando os primeiros sinais contra-r

omânticos; mas indica também o apogeu das concepções retóricas, que tanto influíram em nossa poesia e nossa prosa. À influência musical é preciso, com efeito, juntar a da oratória para caracterizar a estética romântica no Brasil. Sendo uma arte intermediária entre a prosa e a poesia (pois é escrita como a primeira, mas feita para ser recitada, como a segunda), el

a se prestava admiràvelmente às aventuras da palavra em crise de inferioridade. Por isso vai empolgar a poesia e a prosa romântica, impondo o ritmo do discurso oratório como padrão de composição literária. E, graças à vida política recém-inaugurada pe

la agitação da Independência, em seguida pela atividade parlamentar, vai tornar-se pedra de toque para aferir o valor intelectual. Compreende-se bem a sua ação sobre a poesia, lembrando que cia era ensinada ao lado da eloqüência como forma paralela e não raro subordinada de expressão.24 À eloqüência romântica, empolada, imaginosa e ébria de sonoridade, corresponde uma poesia de c

aracterísticas análogas, concebida segundo as mesmas técnicas de cornposição e escolha de imagens. Quando a poesia se torna mais acentuadamente pública, na última etapa romântica, veremos estreitar-se este vínculo, patenteando a analogia das concepçõe

s. (24) "Sende ^pis o discurso o tipo de todas as obras intelectuais, os conselhos que a razão e a experiência podem dar ao orador apllcam-se igualmente às outras produções do espírito humanof...) " J. C. Fernandes Pinheiro, Postllas de Retórica e Poétic

a, pãgs. 9-1O. 41 #Não esqueçamos, finalmente, que o primeiro terço do século XIX, - quando crescia e se formava a primeira leva de escritores românticos, - foi, na Corte, período não apenas de vida musical intensa, mas também de oratória sacra exuberante. A Capela Rea

l, depois Imperial, onde conviviam maestros e pregadores, era uma espécie de sala de concertos e conferências, unindo-se deste modo duas das principais influências formadoras da nova sensibilidade.23 Homens como os frades Sampaio e Monte Alverne, o cô

nego Januário, - professores de aula pública, patriotas e mesmo agitadores, ampliavam a ação do púlpito por uma atividade intensa que os tornou mentores da juventude, marcando-a fundamente pelo seu espiritualismo e patriotismo, enquanto a sua retórica

permaneceu como paradigma de elevação intelectual. Como vimos ao estudar Monte Alverne, ela envolve o tema numa revoada de tentativas verbais, que dão a muitos escritos românticos um movimento perene de nadador aflito, bracejando e erguendo espuma pa

ra se manter à tona. Abandonado o equilíbrio clássico e a sua ordenada visão do mundo, entramos numa fase de moto contínuo, que procura sacudir o espírito em todas as direções a fim de desvendar a sua misteriosa obscuridade. O pacto com a música e a oratória permitirá freqüentemente ao Romantismo penetrar zonas profundas da nossa sensibilidade e vida social, dando-lhe aquela eficácia descobridora que o incorporou para sempre à vida brasileira. Ainda hoje têm cunho romântico a poesia musicada semi

erudita e o discurso, convencional e comemorativo. Romancistas como Alencar, poetas como Castro Alves, perduram e avultam mais que os outros porque, na sua obra, foi mais cabal ou mais brilhante essa íntima aliança do verbo literário com música e a r

etórica, dando origem à expressão artística mais grata à nossa sensibilidade média, que alguns pós-românticos, como Olavo Bilac, saberiam exprimir com igual maestria. Se buscarmos as condições imediatas que asseguram a influência do estilo retórico, perceberemos, além das que foram indicadas, algumas outras que vale referir, começando pelo nacionalismo. com efeito, os intelectuais se viram na necessidade de criar

uma representação exaltante da nova pátria, que ficasse fortemente impressa na consciência popular. Acentuaram então as tradições nativistas, estabelecendo uma técnica de exaltação da beleza, magnitude, futuro da terra brasileira, que muito bem se aco

modava e até requeria o estilo empolado e palavroso. A exaltação nacionalista encontrou na retórica um aliado eficiente, e utilizou-a como cobertura (25) "... as peças oratórias eram escritas para ser recitadas mas eram-no com verdadeiro entusiasmo. O povo, que nada lia, era ávido por ouvir os oradores mais famososf...) Nfto havia divertimentos públicos, como hoje: o teatro era nulo; as festas de

igreja eram concorridíssimas." Sílvio Homero, História da Literatura Brasileira, vol. 1.", pàg. 27O. 42 ideológica de uma realidade bem menos exaltante, que requeria atitude diversa, mas pouco viável ante as possibilidades do país. Além disso, ocorre a circunstância da falta de leitores, o que conferia maior viabilidade ao discurso e ao recitatívo, meios bem mais seguros de difusão intelectual. O escritor brasileiro se habituou a escrever como se falasse, vendo no leitor problem

ático um auditor mais garantido. Inconscientemente, passou as suas obras por uma espécie de prova flaubertiana do "gueuloir", no sentido de obter maior retumbância e impressividade; os mais populares são geralmente os que obedecem a esta técnica, quas

e requerendo o recitaüvo. O mais conhecido e admirado, Rui Barbosa, diminui impressionantemente de estatura à medida que desaparecem os que ainda o ouviram e puderam, assim, testemunhar plenamente a sua verdadeira natureza de produtor de falas, não es

critos. Mais uma geração e ele aparecerá (simbolizando quiçá toda uma época da literatura brasileira) como o terrível "raseur" que na verdade é. inerme ante o silêncio da leitura.

Finalmente, - mas não de menor importância, - há o padrão francês que herdamos, diretamente ou através dos portugueses, e se caracterizava pela grandiloqüência e a riqueza verbal de que Chateaubriand foi o pontífice. Lembrando que o seu estilo foi em grande parte desenvolvido para transpor as emoções ante a natureza exuberante, a grandeza sem fim das solidões americanas, veremos que há algo como a recuperação de uma dívida, no tomá-lo de volta para exprimir, nós mesmos, essas e outras emoções. 43 #Capítulo II OS PRIMEIROS ROMÂNTICOS 1. GERAÇÃO VACILANTE 2. A VIAGEM DE MAGALHÃES 3. PÔRTO-ALEGRE, AMIGO DOS HOMENS E DA POESIA 4. ÊMULO8 5. GONÇALVES DIAS CONSOLIDA O ROMANTISMO 6. MENORES. #1. GERAÇÃO VACILANTE

Os escritores que amadureceram durante a Regência e os primeiros anos da Maioridade formam um conjunto da maior importância na história da nossa vida mental. Habituados a evocar apenas o grupo da Niterói, esquecemos por vezes que entre eles se incluem

não apenas Gonçalves Dias, mas o grande Martins Pena, criador do teatro brasileiro, porventura o maior escritor teatral que já tivemos; e o grupo do Maranhão, que valeu o cognome famoso à capital da província, do qual se destacam Francisco Sotero dos

Reis e João Francisco Lisboa, um dos publicistas mais inteligentes do Brasil. Segundo o ângulo do presente volume, é porém no setor das que Sílvio Romero chamava com desprezo "belas letras" que vamos ficar, partindo do grupo reformador, seus aliados e seguidores, que introduziram o Romantismo, reformando a poesia, inaugurando o romance e a crítica, criando por asim dizer a vida literária moderna no Brasil, com o seu arsenal de publicações, correntes, cliques, rodas, polêmicas.

No conjunto, formam um todo mais homogêneo do que se poderia pensar, marcado por nítida dubiedad

e nas atitudes e na prática. Ainda um pouco neoclássicos, são por vezes românticos com reservas mentais. Não raro, parecem oscilar entre duas estéticas, como, na atitude política, misturam certo liberalismo de origem regencial ao respeitoso acatament

o do Monarca. Devemos, pois, abordá-los com largueza de espírito, prontos a interpretar a sua eventual dubiedade, própria menos dos indivíduos que da época em que viveram - situada entre duas literaturas, dois períodos, duas eras políticas. Época de liquidação do passado e rumos novos para o futuro, na arte e na vida social. Os primeiros românticos principiam a sua atividade na revista Niterói (1836), consolidam-na com a Minerva Brasiliense (1843-1844), despedem-se na Guanabara (1849-1855). Daí por diante continuam a produzir, mas perdem terreno como grupo. São, pois, três momentos: o primeiro, representado por Maga"ê&es, Porto Alegre, Torres Homem e Pereira da Silva; no segundo, aparecem os discípulos mais jovens: Santiago Nunes, Joaquim Norberto, Dutra e Melo, Teixeira e Sousa, além do francês Emílio A

det; no terceiro o quadro se alarga, juntando-se Fernandes Pinheiro e Gonçalves Dias, que coroa e justifica toda essa fase, dando o pri47 #meiro grande exemplo de Romantismo completo. Até ele, com efeito, o Romantismo aparecia mais nos temas que nos processos formais: ele é o primeiro em que sentimos a fusão do assunto, do estilo e da concepção de vida. Por isso, notamos que esses três

momentos se organizam em duas etapas, sendo a primeira totalmente absorvida por Magalhães e seus seguidores; a segunda, marcando o predomínio crescente de Gonçalves Dias. No conjunto, porém, os seus componentes são parecidos quanto à atitude social e concepção literária, avessos aos aspectos extremados, "a falsa poesia, ou poesia anormal e exagerada, e quase poderíamos dizer do romantismo monstruoso dos nossos dias", c

omo disse, em frases que todos subscreveriam, alguém ligado a eles, o italiano De Simoni.1 Antes, dissera Garrett, mestre, ao menos em parte, de muitos deles: "Pode o escritor exagerar-se num caráter ou noutro, afastar-se da real natureza aqui ou ali,

mas nunca, nunca entrar nas regiões da fantástica e ideal natureza. Apenas o faça, mudará a índole do seu escrito".2 Comparada à geração seguinte, esta é equilibrada e comedida, mesmo na melancolia de certas peças de Dutra e Melo e Gonçalves Dias. Só

no decênio de 185O, quando já campeavam outros valores, alguns dos seus membros procurarão acertar o passo com o mal-do-século. Foi, portanto, um grupo respeitável, que conduziu o Romantismo inicial para o conformismo, o decoro, a aceitação pública. Nada revolucionário de temperamento ou intenção, além do mais sem qualquer eventual antagonismo por parte dos mais velhos, poucos

e decadentes, o seu principal trabalho foi oficializar a reforma. Amparados pelo Instituto Histórico, instalados nas três revistas mencionadas, deram-lhe viabilidade, aproximando-a do público e dos figurões, aos quais se articularam em bem montadas c

liques, nelas escudando a sua obra e a sua pessoa. Era grande a comunidade de interesses entre os brasileiros cultos de toda idade e orientação, voltados para o progresso intelectual como forma de desdobramento da Independência. Por isso, toda produçã

o do espírito era benvinda e a Minerva Brasiliense publica tanto as poesias de Dutra e Melo quanto as odes de Alves Branco; acolhe o poema tumular de Cadalso e um impagável ditirambo de Montezuma. Sobre o terreno comum do nacionalismo, abraçavam-se as

boas-vontades. Estudando os retratos dessa gente honrada, - Magalhães, Pôrto-Alegre, Norberto, Fernandes Pinheiro, Teixeira e Souza, Macedo sentimos

imediatamente quanto estão longe do que nos habituamos, por extensão indevida, a considerar romântico, isto é, o Ultr

a-romantismo da geração seguinte. Bigodes veneráveis, cabelos arru(1) Luís Vicente De Simoni, Gemidos poéticos sabre os túmulos, pág. VI. (2) Almeida Garrett, O Cronista, vol. I, u." l, pág. 19. (1826). 48 Gonçalves de Magalhães - (Cortesia de Olyntho de Moura). #mados, óculos de aro de ouro, pose de escritório. Homens de ordem e moderação, medianos na maioria, que vh am paradoxalmente d início da grande aventura romântica e, mesmo no aceso da paixão literária, desejavam manter as conveniências, nunca tirando

um olho do Instituto Histórico ou da jovem e circunspecta majestade de D. Pedro, ao qual dedicam os seus livros. Eis um anúncio elucidativo da Garnier: "O Livro dos meus amores, poesias eróticas de J. Norberto de Souza Silva (...) Esta lindíssima col

eção de poesias, em que o Sr. Norberto inspira-se na musa d"Anacreonte e de Salomão, é dedicada à sua virtuosa esposa, bastando só esta circunstância para tranqüilizar os que se assustassem com a denominação d"eróticas que lhes dera. Nem um quadro al

i se encontra desse amor físico, desse instinto imperioso que confunde o homem com o bruto, nem uma pintura licenciosa, nem uma expressão menos casta. O ilustre poeta pinta mais vezes a formosa alma da sua Armia do que a sua beldade corpórea, e unge seu amor com o bálsamo da religião e da virtude. É este um excelente livro, cuja leitura afoitamente recomendamos."3 Esta fácil afoiteza foi em grande parte a dos primeiros românticos, que nem encontrariam no ambiente literário e social do Rio condiç

ões para outra atitude. A menos que quisessem, é claro, brigar com o Instituto e perder-se, como uns Gregórios de Matos. A constituição, em São

Paulo e Recife, de grupos sociais menos peados por liames e tradições - os estudantes - permitiria ao espí

rito romântico maior folga de movimento a partir do decênio de 4O. No fundo, como acontece a todo momento transitório, uma geração cheia dos contrastes, que resolveram por certa dissociação entre a prática literária, de unhas aparadas, e a teoria, onde concentraram ousadia maior. Vejamos um caso simbólico. Em 1843 o jovem Norberto leu aos amigos uma tragédia sua, Clitenestra, péssima, além de vazada nos piores moldes do passado; isto, depois de haver teorizado e praticado a maneira nova. Os amigos presentes romperam em aplauso

s, cada qual dando o seu parecer. Por último, o pintor Prelidiano Pueyrredon exclamou, segundo Emílio Adet, narrador da cena: "Eu retratar-te-ei na composição do 3.° ato, embuçado em teu capote, com os cabelos soltos pelo vento, em pé sobre as rochas

de gravata, onde o mar verde e coroado de espumas se rebentará em flor, escrevendo aos relâmpagos da tempestade, que formará o fundo do quadro."4 Uma peça vulgarmente neoclássica é deste modo situada em clima romântico (quiçá inspirado no ar de venta

nia do retrato (3) Catálogo da Livraria do B. L. Garnier, n". 23, Rio de Janeiro, s. d. (1865?). (4) Émile Adet, "A leitura de uma tragédia inédita", M B., I, pág. 356. 49 #de Chateaubriand, por Girodet) revelando o choque das aspirações com sobrevivência" teimosas. Olhando a fisionomia bem penteada do secretário perpétuo do Instituto, não logramos imaginá-lo nesse rochedo de ópera, onde subiam, ele e os confrades, par

a cantar a pátria, a religião, a melancolia, objetos centrais do seu Romantismo temático.

Se passarmos ao setor político, verificaremos nos escritores dessa fase outros traços onde também reponta certa dualidade de tendências. Formados nos últimos anos do Primeiro Reinado ou no período regencial, impregnaram-se quase todos da densa atmosfe

ra, então vigente, de paixão partidária e ideológica. Já vimos que a sua própria obra se situa nela como peça de um processo de construção patriótica. De modo geral, são liberais, na medida em que o liberalismo representava então a forma mais pura e exigente do nacionalismo, - a herança do espírito autonomista, o antilusitanismo, o constitucionalismo, o amor do progresso, o abolicionismo, a aversão ao governo absoluto. Alguns deles foram discípulos de Evaristo da Veiga e auditores entusiasmados de Monte Alverne; todos

aceitavam a monarquia como fruto de livre escolha do povo e, dentro de tais limites, estavam prontos a acatar e reverenciar o Monarca, - sempre mais à medida que iam envelhecendo e se acomodando nos cargos e funções públicas. Daí a ambivalência qu

e os faz oscilar entre o amor da liberdade e a fidelidade dinástica, reputada inicialmente condição de ordem e paz, em seguida, (corn a maturidade do Imperador e o seu apoio ao progresso intelectual), preito e reverência pura e simples à sua pessoa. Assinalemos de passagem que uma das expressões mais vivas do sentimento político desses escritores foi o interesse pela Inconfidência Mineira, que praticamente definiram, estudaram e incorporaram ao patriotismo dos brasileiros, vinculando os poetas ar

cádicos ao processo de construção nacional, ao proclamarem o seu papel de precursores da Independência. Deste modo se elaborou uma concepção coerente da literatura como fator nacionalista, aparecendo eles, reformadores, como herdeiros legítimos e cont

inuadores de uma tradição. Tudo começou por iniciativa do Instituto Histórico, onde, em

1846, o último conjurado sobrevivente, José de Rezende Costa, trouxe o seu depoimento.5 Imediatamente Teixeira e Sousa explora o tema no romance Gonzaga ou A conjuração de Tiradentes (1.° volume, 1848), onde manifesta vivo liberalismo; no decênio seguinte Norberto escreve o "canto épico" A cabeça de Tiradentes e reúne dados (5) ~clT~Joaqmm Norberto, História ãa Conjuração Mineira, pág. XIII. 5O para a História da Conjuração, que lê em parte ao Instituto em 186O; logo a seguir, estuda a atuação dos poetas na Introdução às Obras Poéticas de Alvarenga Peixoto. No mesmo sentido, funcionaram as biografias do Plutarco Brasileiro, de Pereira da Silva (1847). Se tomarmos cada um dos escritores, veremos que o se

u liberalismo e interesse pela vida política variavam muito de intensidade: praticamente nulos no bondoso e palaciano Pôrto-Alegre, exaltados até a insurreição no Tôrres-Homem anterior a 185O. Magalhães manifestou acentuado civismo nas odes juvenis; e se como deputado liberal, no biênio 46-47, pouco se fez notar, a sua memória sobre a Balaiada, lida ao Instituto Histórico em 1847 e publicada no ano seguinte, revela capacidade de análise pol

ítico-social e interesse pela coisa pública. A sua experiência foi devida à função de secretário de governo, primeiro no Maranhão, depois no Rio Grande do Sul, sempre com o pacificador Caxias. Joaquim Manuel de Macedo foi deputado do Partido Liberal, manifestando certa agudeza na sátira amena dos costumes políticos. A carteira do rneu tio, Memórias do sobrinho do meu tio, traçam com chiste a situação de meados do século, revelando um desen

canto ameno e risonho, muito diferente do humor áspero, da contida indignação com que outro liberal, - este, um grande liberal, João Francisco Lisboa, dissecava no Jornal de Timon a máquina eleitoral e administrativa do coronelismo. No entanto, o bor

n Macedo não era só amenidade. Veremos no lugar apropriado os frêmitos que por vezes encrespavam os seus romances, dando, por exemplo, a As Vítimas Algozes, não só o caráter de romance-panfleto, mas um apaixonado esforço de análise social, ao condenar

a escravidão pelos seus efeitos morais, formando deste modo ao lado dos mais firmes abolicionistas da nossa literatura. Teixeira-} Sousa teve momentos de radicalismo no seu pendor liberal. Na epopéia sobre a Independência, cria entre as ficções requeridas pelo gênero uma espécie de divindade contraposta às entidades infernais do despotismo, encarnando não apenas o sent

imento da liberdade como equivalente à separação política, mas como defesa das conquistas populares. O seu liberalismo é nítido no citado romance sobre a Inconfidência, onde assume posição progressista em face da Igreja e do poder real, exalta os prin

cípios da Revolução francesa, deixando, com as devidas precauções, repontar nítida simpatia pela República como forma ideal de governo. As maiores expressões políticas de escritores da primeira fase romântica são devidas, todavia, a Gonçalves Dias e Tôrres-Homem: Meditação, do primeiro, O Libelo do Povo, do segundo, este já fora da literatura propriamente dita. 51 #Meditação é um escrito inacabado, redigido na cidade de Caxias em 18451846, cuja maior parte se publicou na Guanabara em 1849. Composto em versículos, no estilo profético do Romantismo messiânico, é provavelmente inspirado pela Voz do Profeta (1836-

7) de Alexandre Herculano, ou, diretamente, na fonte comum, as Palavras de um crente (1833), de Lamennais, que já havia influído nalguns escritos de Dutra e Melo, tradutor do seu democrático "Hino à Polônia". É curioso notar que a obra de Herculano, v

erberando as contradições do liberalismo português num torn de amargo pessimismo, apareceu quase simultaneamente em edição brasileira, igualmente anônima e acompanhada de uma "Visão achada entre os papéis de um solitário nas imediações de Macacú, víti

ma das febres de 1829". Trata-se de escrito evidentemente ante-datado, de autoria desconhecida, salvo erro, abordando a tensão entre nativos e reinóis em torno de Pedro I. Esta literatura político-messiânica andava, portanto, no ar, facilitando o apar

ecimento de escritos como Meditação. Quem nele procurar partidarismo nada encontrará; o poeta se põe acima das querelas do momento e, como sugere no título, esboça uma larga visão poética do país. Fala sobre as suas raças, os escravos, os índios à margem do progresso, a iniqüidade da vid

a política, as dificuldades de acertar, - abrindo uma perspectiva otimista com o apelo ao patriotismo, chamado a cumular as lacunas da civilização e compensar tanto as falhas dos governos quanto a indisciplina dos costumes públicos. Significativamente, o eixo é um diálogo entre passado e presente, prudência e arrojo, conservantismo e progresso, encarnados por velhos e moços. O Brasil velho e o Brasil novo se defrontam no debate inspirado, de que ressalta vivamente a posição aboli

cionista, a crítica aos processos governamentais, a aspiração de chancelar a Independência por um regime de fraternização das raças e das classes, unidas para o progresso, redimidas da mancha do cativeiro, operosas graças à dignificação do trabalho.

Como toda a sua geração, o poeta não se decide de maneira"cabal entre o velho e o moço, (embora penda para este), ilustrando o estado de espírito dominante, que se manifestaria politicamente na tentativa r" conciliadora do Marquês de Paraná em 1853, e cujo lema poderia ser tomado ao famoso panfleto de Justiniano José da Rocha, o pré-romàntico da Sociedade Filomática: ação, reação, transação. Não havia condições, na literatura, para uma atitude rasgadamente liberal, que incorporasse o tema polític

o à própria inspiração, incorporando-o a economia íntima das obras mais significativas de um escritor, como ocorreria, vinte anos depois, na última geração romântica.

Por enquanto. Gonçalves Dias se refugiava no plano das visões: 52 "E sobre essa terra mimosa, por baixo dessas árvores colossais veio milhares de homens - de fisionomias discordes, de cor vária, e de caracteres diferentes. E esses homens formam círculos concêntricos, como os que a pedra produz caindo no meio das águas plácidas de um lago. E os homens que formam os círculos externos têm maneiras submissas e respeitosas, são de cor preta; - e os outros, que são como um punhado de homens, formando o centro de todos os círculos, têm maneiras senhoris e arrogantes; - são de cor branca. E os homens de cor preta têm as mãos presas em longas correntes de ferro, cujos anéis vão de uns a outros - eternos como a maldição que passa de pais a filhos!"6 Oposta é a atitude d"O Libelo do Povo, onde sob o pseudônimo de Timandro, Tôrres-Homem - o arauto de Magalhães, o diretor da Minerva Brasiliense - se coloca no ponto de vista estritamente partidário, verberando a política dos conservadores. Tendo em c

onta a confusão ideológica do momento, pode-se dizer que foi o interesse fundamental de "luzia" desancando "saquaremas" que o levou a acentuar o radicalismo da sua posição. Por isso, logicamente, o folheto deveria ser abordado pelo último capítulo, on

de denuncia o gabinete de 29 de setembro de 1848 (a "restauração dos saquaremas"). Esta é a chave do seu intuito, a que os capítulos iniciais servem de justificativa. Mas como quer que seja, foi levado a desenvolver jma atitude liberal extremada, anti

monárquica, federalista, democrática, favorável às conquistas populares, entusiasta das revoluções de 1848 na Europa, que descrevia ameaçadoramente, com vistas ao jovem soberano. Parecia-lhe que o curso normal dos acontecimentos iniciados no grito do

Ipiranga fora obstado por conspirações palacianas, cujo desfecho seria o fim do regime representativo e a restauração do absolutismo. E nesse sentido, foi o homem de responsabilidade que escreveu as palavras mais firmes e avançadas do tempo.

"A revolução da independência, que devolveu-nos à posse de nos mesmos, firmava como dogma fundamental da nova ordem social o grande princípio da soberania do povo (...) Em virtude daquele direito, preferiu a nação a monarquia, do mesmo modo que poderi

a preferir a república de Franldin e de Washington; aclamou por seu rei o primogênito da casa de Bragança, como aclamaria o filho do Grão-Turco, se fora isso do seu gosto. Esse rei era simples feitura de nossas mãos; (...) seu trono, contemporâneo (6) Cito conforme Obras Póstumas <íe A. Gonçalves Dias, Meditação, etc., onde mesmo s parte publicada anteriormente na Guanabara aparece mais cornpleta. (V. nota de Antônio Henriques Leal à pág. 68). O trecho citado é das págs. 5-6. 53 #da nossa liberdade, repousava sobre a mesma base que ela - a revolução! (---) O seu poder é emprestado, convencional, subordinado ao parecer e à vontade da nação (...) a soberania do povo é a única confessada pela civilização, pela justiça, pela cons

ciência do gênero humano. Chamar-se-á a isto espírito democrático! Embora; sê-lo-emos com o grande século positivo e desenganado, que vai substituindo em toda a parte a sombra pela realidade, a mentira pela verdade. (...) É já tempo que a única reale

za, que na América existe, abandone suas tradições góticas (...) e se a Providência não inspirar o Imperador, também no Brasil a monarquia corre à sua perda infalível."7 Que o rompante era no fundo mais partidário que ideológico, mostra-o a facilidade com que o autor se incorporou ao Marquês de Paraná, e, logo a seguir, ao Partido Conservador, acomodando-se na senatória, nos ministérios, nas comendas e no título de v

isconde de Inhomirim. Mas naquele tempo, mais ainda que hoje, a vida política era mesmo tecida à roda de homens e interesses; secundariamente, de idéias e princípios; bem hajam as birras que o levaram a escrever, no Libelo do Povo a crítica mais forte

na literatura brasileira. O mesmo se dá no terreno estritamente literário. quanto às circunstâncias. após dois decênios agitados. a de Gonçalves de Magalhães. que nos foram conduzindo. "Memória histórica da revolução na Província do Maranhão". 7Magalhâes. Circunstâncias que propiciaram certa fluidez ideológica. O Marquês de Paraná págs. 19-2O. pág. A VIAGEM DE MAGALHÃES Provavelmente a maior influência individual jamais exercida sobre contemporâneos tenha sido. pois. a sua relativa inconsistência ideológica. Durante pelo menos dez anos ele foi a literatura brasileira. Opúsculos históricos e literários. . páss. a fragilidade das suas posições. cada qual aíaga aquelas que melhor se prestam no momento para derribar o estabelecido". onde eles oscilam entre classicismo e romantismo. havia esboços. De todas as partes. 54 2. senão prescritos. lentamente. transação. encontramos. o Marquês de Paraná foi o homem provid encial do momento. por Timanúro. du rante a Regência. nos primeiros anos do Segundo Reinado. Nesses primeiros românticos.. da anarquia à autoridade. ao menos esquecicidos ou modificados. etc. embriões de Paranás literários. força é confessá-lo nunca tiveram princípios bem pronunciados: e naquele tempo mais do que nunui certos dogmas de um e outro lado p areciam. (7) (Francisco de Sales Tôrres-Homem) O Libelo do Povo. 5: "Nenhum Partido representa entre nós idéias fixas. da dispersão à centralização.eram devidas não tanto ao caráter de cada um. ajustada à labilidade dum momento de formação. porque soube amornar o banho-maria sedativo.e bem articulada contra o nosso coronelismo imperial. E Alencar: "Os nossos partidos.8 Os vaivéns políticos desses homens. encimado pelo coronel-mor de coroa e cetro. a impressão de quem lê artigos e prefácios . 22 W 8Cp. numa reversibilidade que também exprime os estados transitivos. os nomes eram únicos símbolos das duas opiniões que por multo tempo dividiram o país". as quais também não representam as verdadeiras necessidades do país.

. o autor dos Suspiros Poéticos e Saudades. se dissermos que antepomos os seus M istérios às Contemplações do èxul de Jersey"!.. romance. "Arrastado pela energia do meu caráter. ele marcou nos anais da literatura do novo mundo uma época brilhante de poesia".. para chegar ao seguinte: "Pensamos não cegar-nos o patriotismo e admiração que votamos ao nosso distinto diplomata. à filosofia. abandonei-me com igual ardor à eloqüência. de que era o "representante legítimo e natural". pretendendo reformar a poesia lírica e a epopéia. . filosófico. guia. já deu o sinal para a reforma (. e todos sabem que os pequenos rastilhos incendeiam os paióis tanto quanto os raios do céu.daquele tempo é que só se ingressava nela com o seu visto. "o patriarca da nova escola". fundador. em 1862. ensaio crítico.9 De sua parte. de sejando cingir todas as coroas. conforme Sant iago Nunes Ribeiro. O "sr. à teologia". Magalhães levou escrupulosamente a sério a tarefa de criar a nova literatura. "Esta pequena coleção não tem hoje outro merecimento além do de mostrar que também desejei acompanhar o Senhor Magalhaens na reforma da arte feita por ele em 1836" . Num e co derradeiro de tanta loa. histórico. com o qual haveria de começar a fase definitiva da nossa literatura. em que foi apenas uma faísca.. mas faísca renovadora.) Chefe de uma revolução toda literária. Estas palavras retumbantes do seu mestre e amigo Monte Alverne aplicam-se à ambição com que se atirou à reforma cultural do país. Magalhaens" era considerado gênio. "O gênio flumin ense.escreve Porto-Alegre no prefácio das Brasilianas. dotá-la de teatro. Digamos de boa men te que ninguém lhe poderá negar importância decisiva na Literatura brasileira. qualifica-o Fernandes Pinheiro. diz Joaquim Norbe^í) no livro de estréia.

19.. 55 zado. I. ou sobretudo "Um sonho". 2. a análise interna e a comparação de epígrafes permite situar cinco nos decênios de 4O e 5O. pág. Anardas. sendo quase todas de nítido corte arcádico . ou as três "Ao anos de. Curso Elementar de Literatura Nacional. chegou a tonalidades românticas elegantes e medidas. Joaquim Norberto de Sousa e Silva. "Bosquejo da história da poesia brasileira". as nove restantes poderiam ser do de 3O. partindo do Arcadismo.aliás nunca reivindicada por ele. cuja banalidade é compensada as vezes pelo meneio elegante da estrofe. Álvares de Azevedo. pág. anacreônticas. revelando poeta superficial. A sua obra é de muito pouca importância. . O certo é que. que não se empenha por não ter o que dizer. só então se interessou por eles e lhes sofreu a influência como românticos. convites e decepções carnais. Gonçalves Dias. pág. Manuel de Araújo Porto Alegre. com um torn f rívolo e agradável de galanteio. sendo provável que tenha sofrido a sua influência. 1847 e 1849 o aniversário duma beldade. no conjunto. e as suas melhores poesias são cumprimentos.sonetos. celebrando em 1846. Das quatorze poesias sem data. 541. pág. "Da Nacionalidade da Literatura Brasileira". um movimento airoso que . numa fase posterior ao movimento brasileiro. que não se considerava certamente escritor. Brasilianas. Resulta que as peças românticas são as que vão de 1846 a 1853.tudo mostrando que se os conheceu antes de 3O. Peças como "Um voto". A prioridade. isto é quando a nova corrente já triunfara com o grupo da Niterói. Nelas aparecem as epígrafes de Hugo e Lamartine. Fildes.". não apresentam nenhum verso realmente belo ou um conceito pessoal.(9) Santiago Nunes Ribeiro. glosas. 23. carpindo a p artida da amante.. a Lí lias. Joaquim Caetano Ferna ndes Pinheiro. Para ê! e o verso era auxiliar da vida mundana. MB. . de 1846 a 1847 são as quatro traduç ões que fez do segundo . sem qualquer fundamento. mas representam.é pois uma lenda.

os problemas de renovação literária. J. custe-me o que custa D. págs. pela primeira vez. minuciosamente decalcada na "Carta a João de Deus Pires Ferreira". Foi uma viagem providencial. o torneio anacreôntico nos metros curtos. XIII e XV. não me servirei dessas caducas fábulas do paganismo. dentro de cujos cânones adquiriu os instrumentos poéticos que usaria com pouca alteração pela vida afora.12 Indo para a Europa em 1833. perceber o quanto serviriam à definição de uma literatura nova em seu país e. "não há pensamento sublime. onde. que lhe permitiu descobrir a nova literatura francesa. escreve porém. a preferência pelo verso branco. d<: Sousa Caldas. "pueril chocalho de consoantes repetidos e contados". a desconfiança ante a rima. de Magalhaens. vivendo-os como brasileiro. notadament e o ritmo prosaico. o torn epistolar. É produto do Neoclassicismo final. mostrando uma vez mais o vinculo que prendeu os primeiros românticos ao lirismo religioso de Sousa Caldas."13 Antes de chegar a Paris (se a data e o lugar de redação não forem fictícios) preocupavam-no. e se eu tiver forças para escrever um poema. nem grit o de dor que toque o coração com a graça atenuante do consoante". nem lance patético. em 1832. retomando o modelo. sugere o repúdio do imagiário clássico: "Outro deve ser o maravilhoso da poesia moderna. r. foi saudado com alvoroço por Evaristo da Veiga. A Confederação dos Tamoios. Cândido Borges Monteiro".acaricia o ouvido e a sensibilidade. impregnar-se dos temas românticos. a rejeição da anti güidade. O. mostrando mais fluência que Magalhães e o seu grupo. pois. (12) 58 "Advertência". comunicá-los aos patrícios . do Havre. Voltando a este: o seu livro de estréia. uma "Carta ao meu amigo Dr. neste ano. e é interessante haver-se inspirado no escrito onde aparece claramente.

A impressão nascida num determinado sítio . dissolvendo o espaço no tempo dimensão essencial ao espírito romântico.através dos Suspiros Poéticos e Saudades. Keats. seja na surpresa das atitudes de que não se julgava capaz. seja a evocar emoções passadas ou reconstruir aconteci mentos ali ocorridos. Herculano. foram dois insignes viajantes D. A literatura brasileira deve a Magalhães esse agudo senso da histór ia como sentimento do tempo. refaz a história. cada verificação um achado. graças à viagem. Shelley. O quotidiano se desbanaliza ao mudar o quadro de vida. o poeta se alça à filosofia. Waterloo. seja no reavivar-se da vida interior pela liberação da (13) 5O #j emotividade e as bruscas erupções do passado. como a nostalgia da pátria e a reativação de tudo que concerne diretamente o eu. o Jura. Roma. mais vivo na sua obra que na de qualquer outro poeta oitocentista. Antes de Proust. Espronceda. pôde fazer a experiência básica do Romantismo em todas as literaturas do Ocidente: o contacto com países diversos. de Magalhaens. Comecemos assinalando que. Mas o viajante sensível experimenta outras emoções neste contacto. Partindo da vivência imediata de um local. Dela extraiu Magalhães uma das linhas românticas por excelência da sua poesia: o vivo sentimento do lugar como fonte d e emoções e incentivo a meditar. Byron. J. e certamente determinado pelo cenário da civilização européia. Chateaubriand. . move-lhe o espírito. desencadeadas por mínimos estímulos presentes. Paris. Ferrara. e o viajante se descobre a cada passo. a Catedral de Milão. o Coliseu. pãg. Poesias avulsas. seja a desprender-se em busca da idéia de Deus. Experiência da viagem transfiguradora por que passaram Goethe.os Alpes. as Tulherias. o Cemitério do Père Lachaise. o deslocamento no espaço que oferece material novo e novas linhas à meditação. Garrett. 34O. adquirindo extraordinária importância: cada ato de rotina se torna aventura. O. Wordsworth.

que passaria aos poetas mais moços. reportava-se ao Brasil. não apenas objeto de patriotismo. as suas Poesias inaugurais já eram em grande parte manifestação de civismo: a viagem interiorizou este sentimento. dando-lhe a marca das vivências. na medida em que também a pátria se apresenta como caso pessoal. amor divino. à tristeza da separação de Araújo Pôrto-Alegre. ("O Cristianismo") A fantasia. comparando belezas. . suspirando saudades. E a cada novo lugar. Nutridas na densa atmosfera de paixã o nacionalista que marcou o Primeiro Reinado e a Regência. Que benefícios sobre a terra espalhas! Quanto é misterioso o Ser que inflamas! De quanto ele é capaz!. românticamente. Como se vê. Que com tudo se mistura. à morte do pai. Magalhães passou por semelhante refusão de perspectiva e valorizou a sua experiência pessoal concreta. A religião. considerada como idéiafôrça do poeta: Santa Religião. como duas formas de sentimentalismo que assumem conotação egotista. Daí o visgo meio desagradável do seu patriot ismo. consagrando poemas a um assalto de que foi vítima com Tôrres-Homem.que melhor descreveram a volta global do passado (mantido intacto no inconsciente) pe la ocorrência de uma emoção que fecha o circuito do tempo. Deste modo. no CoMseu. eu e pátria surgem. o torn de menino manhoso longe da mãe. é nitidamente romântica a atitude expressa nestes e outros elementos característicos. aprisionando-o nessa espécie de imobilidade fugaz que é a reexperiência a anos de distância. Como o sol que flores cria... presente e transada. a cada verificação nova. por exemplo. chamada para matizar e umedecer a secura dos neoclássicos: Como um suave perfume. à evocação de uma grave doença. refletindo sobre o seu destino.Chateaubriand e Byron .

Nele vem encerrar-se a última nota do arcadismo intimista. e o Homem") O queixume que se vai tornando pungência e fatigado abatimento diante da vida Ah! não queiras saber porque suspiro. e dá a um rio origem. perpassa um quebranto lamartiniano e vaga premonição de Casimiro de Abreu. . Que outro canto não tem senão queixumes com que magoa os ares para concentrar-se afinal. é o teu nome! ("Deus. . Transborda enfim. ó meu Senhor. e pende do lírio o débil eálix. redescoberto enquanto alimento da sensibilidade e influxo inefável: 6O Eu te venero. Que nas planícies rola. amor o que tem para ofertar-te? Digno de ti só tem minha alma um hino.. Eis de meu coração a fida imagem. " Uma gota após outra um lago forma. E palidez à lua? .. Por que deu ele ao sol ígneos fidgores. na própria fjor: Vê agora se à lei posso eximir-me Que a suspirar me obriga .. Exala teus suspiros.. talvez a sua melhor peça lírica.. ("A Fantasia") O novo e fascinante diálogo do homem com Deus. Porque geme minha alma como a rola. Oh minha alma.E enche de vida a natura. que vimos manifestar-se em Borges de Barros. Tal é meu fado! Por que o céu faz-me assim? pergunta.. E este hino.. oh Deus da Humanidade! -: Meu. Novas gotas de chuva o lago aumentam. Desbota e alfim falece. " Que oprimido com o peso se lacera. ("Por que estou triste?") Neste poema. de modo absorvente. v. suspirar. incorporando a delicadeza anacreôntica e a melancolia de Bocage: De gota em gota o matutino rocio Enche. Ao céu Suspirar.. Arpeja a que possuis única fibra.

ou na "Invocação à Saudade". negra esvoacando. Ao lado do cipreste verde-negro. Definha humilde arbusto. Eis da N atura o quadro! Isto harmonia. É todavia o primeiro brasileiro a usar o noves sílabo 3-6-9. Note-se a inaceração sentimental em que vai repontando certo desvanecimento com a própria dor. "Canto do Cisne". O Romantismo trilhou de tal modo esse caminho que os versos citados parecem hoje dessorados e banais: ponhamonos contudo em espírito no ano de 1836. Dele em torno voltejam amores. como Reforçando a modernidade dessas áreas dúbias do sentimento. Exalando balsâmico aroma. E desdobra nos ares verde leque. Desabrocha a carola purpurina A perfumada rosa. tem-se a impressão. 1834. E se escondem debaixo da coma. Gemem na praia as merencórias ondas. a fim de compreender a sua novidade para os moços de então. de Borges de Barros: O/i. pressentida havia quase um qu arto de século em "Ã Saudade". que poderiam encontrar tonalidade igual noutro poema. à sombra sua. mergulhada na mais típica atmosfera romântica.. por falta de talento e dureza de ouvido. Magalhães procura amaciar e adoçar o verso. Eleva-se a palmeira suntuosa. não o conseguindo. E perto da raiz. ("A Infância". traz o culto do Gênio.61 #Enquanto o sabiá doce gorgeia. E ave sinistra. muito garrettiana. saudade! és suave! Oh martírio de alma nobre! Malgrado o teu pungir. Isto beleza e perfeição se chama! Eu completo a harmonia da N atura com os tristes suspiros. a roxa saudade. que aprendeu porventura em Garrett e Herculano: Como é belo esmaltado de flores. a versão muito romântica do indivíduo que se distancia da sociedade em virtude da própria . 62 De realmente novo em nossa literatura. caras ao Romantismo. Agoureira soluça. e junto dela Pende.

de que se falou noutro capít ulo. "O Cárcere do Tasso". no decênio de 156O. destas palavras. muito para entusiasmar a mocidade e sugerir novos rumos. Entretanto. na epopéia. ora entre os ciprestes que espalham a sua sombra sobre os túmulos. daqueles poemas. brilhando no rumo que parecia caracterizá-la mais especificamente: o indianismo. destacando-se o chefe Aimbire como símbolo (dileto ao nacionalismo romântico) do homem americano resistindo ao invasor e. da Niterói. a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço.Deus tão-somente! Havia portanto.eminência e é por ela incompreendido. quantitativamente. que ainda se desenvolveria por quase meio século. meditando sobre a sorte dos impérios. . O assunto é a rebelião dos tupis fluminenses contra os portugueses. perseguido. sobretudo "Napoleão em Waterloo". deste modo. a história o identifica. tornando-se antepassado do br . sempre mais." Esta é com efeito a sua maior contribuição e. fundamentando as razões que a amparavam. e os prodígios do Cristianismo. (1856). "Lede". derrotado: "O Vate". que completa a escala do humano ao divino: Acima dele Deus. com a empresa maior d"A Confederação dos Tamoios. a propósito de quem relembra Dante. sobre as paixões dos homens. na lírica. sobre o nada da vida. em seu livro. ora no cimo dos Alpes. ora assentado entre as ruínas da antiga Roma. admirando a grandeza de Deus. como o homem de 1836. ora na gótica catedral. "A sepultura de Felinto Elísio". na verdade. os nossos Cláudio Manuel e Tomás Gonzaga.no teatro. . ora enfim refletindo sobra a sorte da pátria. morto longe da pátria ingrata. elaborada certamente no intuito de em polgar a primazia definitiva da nossa literatura. isto é uma pequena parte da sua obra. O prefácio que lhe juntou. man ifestando o intuito de participar duma nova estética: "É um livro de Poesias escritas segundo as impressões dos lugares. anuncia os temas que acabamos de indicar e define explicitamente a teoria romântica.

desfibrando um gênero fundado essencialmente na opção a favor dum ponto de vista. em largas folhas de banana e de inhame. aves e peixes. Não é convincente o recurso compensatório de distinguir dos bons os maus portugueses. que serviam de toalhas e pratos viridantes do suspirado Éden. 63 #Imitemos a Aimbire. à sombra de frondentes cajueiros. Magalhães é preso de certa indecisão. E quando alguma vez vier altivo Leis pela força impor-nos o estrangeiro. o torn expositivo. atribuindo-lhes a culpa de uma atitude que estava implícita no próprio esforço colonizador. tr esdobra por assim dizer o objeto épico. Tibiriçá. Anchieta. ou mal folheadas.. as obras deste tipo são geralmente lidas de carreira. no chão puseram tudo. com a intenção prévia de louvar ou denegrir. não os distinguiremos da prosa comum: "Para que nada aos hóspedes faltasse. e o catequizador. como Alcântara Machado. inclusões artificiais. sem a elevação indispensável ao gênero. Se pusermos em ordem corrida grande número de trechos. (X) Mas ante a necessidade de celebrar também a obra civilizadora. cada qual lhes levou algum presente de cuias de farinha. incompatível com a sobrevivência das culturas aborígenes. igaçabas de vinho e várias frutas. que aqui nasceu. que nestes pingues bosques jamais faltam. "(IX) Não é contudo a nulidade referida por muitos críticos. com isto. cujos traços peculiares ficam parecendo defeitos: as longas falas. Nada mais fácil do que fazer espírito à sua custa. prolixidade.io nacional: Vítima ilustre De amor do pátrio ninho e liberdade. nos lega o exemplo De como esses dois bens amar devemos. mais viva que a do Uraguai: celebra o índio converso. a cara pátria e a liberdade. as previsões e retrospectos. para a doutrina indianista pura). No conjunto é uma maquinaria pesada e desgraciosa. (renegado. e em frente da cabana de Coaquira. retórica prosaica. des . defendendo A honra.. Ele.

. no canto IV. E o meu suspiro extremo. o lamento de Iguassu. Mas uma epopéia vale pelo conjunto. tem certa categoria na largueza da concepção. " " " . onde descansam Os ossos de meus pais. onde os Anjos já sabiam " Os nomes de Durão. Esse céu."". onde o poeta. . E possa ouvir meu canto derradeiro. a propósito do poema d e Anchieta em Iperoig. e de outros vates. Bíblicos salmos inspirou a Caldas. porém. máximas no IX e X. surge uma passagem. acentuando-se a dureza prosaica e a falta de imaginação. que se precipitam com ar de remate apressado. como a descrição do Amazonas no canto I Baliza natural ao Norte avnlta O das águas gigantes caudaloso. senão bela.. o puro céu a quem cantava. hispire-me este céu. . nobreza de muitas seqüências e alguns bons trechos. tocante. 64 A partir do canto VI a qualidade baixa. nela incorporando o seu esforço: „ Mas quem ali seus cantos entendia? O céu. . coerência do desenvolvimento. que viu-me infante. Esse céu que o inspirava. beber co"a vida Este amor da harmonia que afagou-me. mais tarde. apesar de medíocre e mesmo ruim.tacando versos ridículos e trechos fracos. paralelo ao canto do sabiá: Sobre o cume de um monte alcantilado. De Basilio e de Cláudio." . E a San-Carlos os cantos numerosos Da sidérea Assunção da Sacra Virgem. nessas terras Do saudoso Carioca. Aí. Nos braços maternais. e após. n rápida e excelente indicação da vida tribal no canto in Já dos escuros bosques c altos montes. traça brevemente pequena genealogia da nossa literatura. esta."! "". dos Alvarengas.

inclusive a fala do coveiro. Magalhães reuniu poemas compostos e alguns publicados num lapso de trinta anos (1834-1864). mas há certa originalidade e desenvoltura mais acentuadas que no resto da sua obra. Pindemonte e Torti. Nos Cânticos Fúnebres. equiparando-se ao moço Alvares de Azevedo. nem esqueçamos a publicação integral d"Os Túmulos. "O Louco do Cemitério" pode ter sido estimulado por estas obras. publicara. sobretudo. reputava superiores às Contemplações. de Borges de Barros.(X) O bafejo palaciano que pretendeu sagrar e impor A Confederação dos Tamoios contribuiu em vez disso para comprometê-lo junto ao público e à opinião dos literatos. Não é grande poesia.. o do Hamlet. mostrava-se menos "arrependido" do que julgou Alcântara Machado. corn verdadeiro espírito de cônego. condenado por ele e os da sua geração. como os tais "Mistérios". como vimos. aqui e em Portugal. poemas tumulares de autoria própria e traduzidos de Foscolo. na tradução de Francisco Bernardino. "S #Em 1842 um intelectual italiano do Rio. à memória dos filhos. por meio da mudança de metros e ritmos. pois Magalhães nunca andou perto dela. onde encontramos desde o muito ruim até o péssimo absoluto. Magalhães soube transmitir de . marchetado. sem falar que tal vez o autor desejasse parecer moderno. Só merece referência um poemeto em seis cantos. a Minerva Brasiliense (que reunia amigos e discípulos de Magalhães) estampava as Noites Lúgubres. Esta composição macabra foi quiçá determinada pelos tons lutuosos do decênio de 185O. adequar o verso às variações da narrativa e estado de espírito dos personagens: "O Louco do Cemitério". lembrando o de Cadalso mas. do espanhol Cadalso. onde tenta. em 185O. acabando por torná-lo considerado pior do que é. de "noivados no sepulcro". e ao atravessar deste modo as lindes do Romantismo ultraísta. Luís Vicente De Simoni. pouco depois. que Fernandes Pinheiro..

. Na cova os ponho. Quantos defuntos Já enterrei! " Defunto eu mesmo Também. no ar. porém. .* mas alcançaram voga e foram cantados pelo Brasil afora. Na água que bebo. O corpo meu. -\--:. isto é. -i . em seguida mulher. São fracos. no pão. . os de formação do Romantismo. Sem descansar. ó terra. na música de Rafael Coelh o Machado. 66 Da sua poesia lírica falta mencionar a reunião de poemas à noiva. independente das exigências do gosto. Da morte o aspecto Já não me assusta Que a vida ganho Da morte à custa. Abre-te. Entre eles durmo. A morte aspiro. dá-lhe como feudo os anos que vão mais ou menos de 1836 a 1846.1* . Seja qual for. Sempre cavando.-. Para enterrar. Que serei teu. a força própria dos acontecimentos literários.: " " "-" No ar que respiro. . Januária.---. . o juízo a seu respeito. Vivo enterrado. de cujo nome.. . No pão que como. Já cheira a morto .transfundida na terra.quando "reinou a bsoluto na literatura brasileira". tirou o anagrama imperfeito do título Urânia. serei. relegada a uma espécie de rotina trágica: Vivo co"os mortos. na carne..modo convincente o macabro cinismo com que refere a sua impregnação de morte. corn eles sonho.

(14) Haroldo Faranbos. em Paris. senão acentuar. discípulo e amigo reverente de Debret. Também nessa ocasião travou relações de amizade com outros estuda ntes brasileiros. como conseguiu quebrarlhe a resistência e levá-lo a divertir-se um pouco. a de Garrett. quando teria sido humano. AMIGO DOS HOMENS E DA POESIA Em nossa literatura há poucas amizades tão fiéis quanto a de Pôrto-Alegre por Magalhães. ao menos lembrar o papel que ele também desempenhou nos fatos literários em que o outro foi líder. Encontramo-lo. facilmente o acreditaria agora!"15 . "Aí o visitou muitas vezes o poeta e pintor brasileiro Manuel de Araújo Pôrto-Alegre. que segue à Europa. o retrato do autor de D. H. e ficou tão encantado com as vistas que exclamou à saída. sérias dificuldades financeiras de exilado. pág. E se o fr ancês lhe fixa a vocação para a pintura. por esse distinto artista. 67 #3. primeiro. Uma única vez acompanhou Pôrto-Alegre a o diorama. penetra nas letras graças a uma nova amizade. que o levavam a fugir dos admiradores brasileiros para evitar despesas. vestido com a farda do corpo acadêmico. Hittória do Romantismo no Brasil. E nessa ocasião foi feito. PÔRTO-ALEGRE. que passava então. onde es tudava a pintura (sic). mas como todos eram menos pobres. contemplando Paris ao clarão da lua: "Se me dissessem que tudo isto é pintado. 43. trabalho que ele muito estimava. por independência de caráter se afastava deles. mas o solícito Pôrto-Alegre não apenas lhe fez o retrato. a ponto de esquivar-se para o amigo entrar mais folgado na História. parece que a faculdade de admirar foi sempre um dos modos por que se realizou esse homem born e honesto. depois Barão de Santo Ângelo. Branca. receoso de se ver humilhado se o convidassem para divertimentos ou passeios em que não pudesse gastar dinheiro. Mas. rol.

onde se nota a inf luência de Garrett por um truque métrico destinado a ressaltar a melodia do rouxinol. Uma natureza afável e plástica. e algumas dezenas de poesias espalhadas por revistas e jornais. cujo pai já lhe manifestara benevolência. 589. o culto por D. enfeixadas mais tarde nas Brasilianas (1863). Pedro II. peças de teatro. publicados ambos na Niterói. Para o movimento inicial do Romantismo interessam os "Contornos de Ná poles". Finalmente. não obstante briosa. envolvendo-os como um born São Bernardo. mas a quem ele por sua vez deve ter comunicado a descoberta do novo espírito literário. o aristocrático Magalhães e o autor d"Os Timbiras.° vol. A leitura desses escritos mostra que sendo um poeta de pouca inspiração.Em seguida. terno e grandíloquo. grandalhão e vigilante. discursos e a epopéia Colombo. Uma preciosa fotografia tirada em Carlsbad no ano de 1862 reúne os três próceres do Romantismo inicial: sentados. Garrett.. inclinada a imitar e admirar. raços no espaldar das cadeiras. feita através do autor de Dona Branca. Deles faz parte o poema "Voz da Natureza. inaugurando a poesia da Itália. o poeta português representa o seu canto por meio de estrofes isorrítmicas (setissílabo 3-7): Pôrto-Alegre faz o m . pintor e escritor. majestosa e pitoresca. canto sobre as ruínas de Cumas". por vezes. 1. tão dos nossos reformadores. que o lança decididamente na literatura. artigos. Pôrto-Alegre apoia os b Francisco Gomes de Amorim. de pé. que obcecará os poetas mais novos. é o encontro com Magalhães. manifestava contudo. entre os quais Gonçalves Dias. pág. sentimento mais romântico do que muitos contemporâneos. que foi a grande ocupação da sua vida trabalhosa de funcionário. não contando dezenas de amigos.16 A sua obra compõe-se de poesias líricas. No poema com este nome. Isso. com quem fundou e dirigiu a re(15) 68 vista Guanabara. com a sua fisionomia nervosa e aguda. a "Idéia sobre a Música". Os "Contornos de Nápoles" são um documento importante desse sentimento ao mesmo tempo emoc ionado e afetado. da Lírica de João Mínimo.

por certo tributo à música. de que fala com amor e transporte no ensaio da Niterói. ou intercalando-os em seqüências de verso branco. Que iluminam os círios do céu. música mais pura e difícil."-. Da consciência nossa a imagem. de maneira independente. ap. "A destruição das florestas". 1846. Que fala ao coração com tal potência.? .esmo com o novessílabo 3-6-9. . no poem a dedicado a Magalhães (1835). Procura mais de uma vez senti-la no canto dos pássaros. teus suaves raios. usado pouco antes por Magalhães: Sobre uni olmo fabrico o meu paço. trechos do Colombo). pág. Tenho sofrido por ser leal e por o u am Ainda não postulei uma só graça do Governo: até hoje tenho cumprido lííif118" e até sacrt íicado o meu bem-estar geral. Quando a noite desdobra o seu véu. a chamar o rouxinol de "Rossini das aves".i <. chegando. ao Governo e ao meu país com lealdade e aesinteresse. ("O Céu".. E as fugitivas ondas argenteiam. 33)." (Da correspondência inédita." " E cantando adormeço contente. ". Que plácidos se esbatem nas campinas. O Canto do Harpoador". e do Imperador n&o tenho queixa. . pintam. assim como ao endecassílabo 2-5-8-11. românticamente. na voz da natureza: Pálida Lua. 1836. " Daí por diante recorrerá a este metro. É como se quisesse completar a tendência escultórica da sua sensibilidade. (16) "Tenho servido ao Imperador. 18 45. -Hélio Lobo.. --. 69 #eminentemente plástica. para sugerir movimentos da natureza e do esoírito. num rasgo do pior gosto. . ". . onde também procurou. Manuel ãe Araújo P&rto-Alegre. .

de Januário da Cunha Barbosa. ("A meu amigo". acua e mata a paca. 7O you gemendo e suspirando De saudade e de aflição. notadamente "O Corcovado". (1844).) Contribuindo para a tentativa muito interessante de Joaquim Norberto de adaptar ao Brasil a balada romântica. Mas se passarmos dessas amostras de Romantismo para o conjunto da obra. etc. Como a rola gemebunda. O poeta imprimiu certo recuo ao objeto. alta harmonia Desenvolve a N atura em seus concertos. compôs "O Caçador". vemos a poesia sertaneja sem atavios europeus. que aparece na literatura brasileira. o verso branco modelado fortemente em ritmo prosaico. tra tando-o com leve ranço de passado.Sem nos lábios volver mn som de frase. que dá uma tonalidade agradável à narrativa pitoresca. de Victor Hugo. como "O Pouso" (185O). a sintaxe e o vocabul ário. Desgarrada na espessura. verificaremos quanto Pôrto-Alegre ainda se prendia aos neoclássicos da última fase. com que os alemães e franceses tentavam estilizar os temas medievais. Pela estrada taciturno you gemendo e suspirando. os seus longos poemetos naturistas e descritivos . a jornada venatória de um caboclo: acorda. pelo torn retórico. Que o meu love vai guiando. Ao crebro som do cincerro."A destruição das florestas".lembram peças como o Niterói. " Misterioso acento. A mesm . Que a dor para mim é vida E o penar consolação. embora impregnados de certa exaltação contemplativa e mais fluència. em nítida e saborosa transposição da "Chasse du Burgrave". sai. Na estrada de noite e dia Choro a minha desventura. comendo-a festivamente num banquete rústico. . onde narra. a citara e a grotesca "sanfoninha" dos árcades. refrescando a poesia erudita nos veios populares. inclusive pelo aproveitamento do desafio e a presença muito sugestiva da viola. Noutros poemas. já que se havia arquivado a lira.

daí nasceu o mais 71 . aproveitando qualquer pretexto para espraiar-se em minúcias. tempo e de esbr"oadas moles.. ("O Corcovado". .--. revestem.". ---. . I) . o esteio real é a palavra sonora.a prolixidade retumbante.. Seria o caso de perguntar se a vocação épica era nele responsável pe lo derrame verbal. ou sobre a campa : i f . ."-De róseos cachos em pedúne"los áureos. . de estrigadas farpas. -"-"" "-""" ("A destruição das florestas". Preferiu sempre o poema descritivo e longo.. Como em festiva noite ornado mastro. envolvendo desígnios de exaltação patriótica. cheio de dados e cenas. bolorentas fendas..:--:. mesto argamassado. imprime ao verso um relevo quase sempre fictício: desamparado de inspiração para sustentar a sua musculatura saliente.". " Ladeando a fauce undosa da alva ingente. E nas eivadas.. -:-". ou se apareceu como ajuste conveniente a esta caudalosa incontinência. que entumescem o período e engodam o leitor.---". -Dois monstros de granito se levantam . . enfiados cardos. a sintaxe rebuscada. . Formado nas artes plásticas. . . Do pó do De extinto império.":-." --". <--) À vista of"recém. H) Não é de espantar que tendesse à largueza da epopéia. -""---" " Como egípcios colossos sobre as ruínas ".De escarnadas escamas se De verdes lanças. De antiga capital. De qualquer forma. --".Outros de rubro agárico se bolsam. . curvados pelo próprio peso. . Outros.

cujo leite é geralmente pobre quando muito abundante.. recapitulando pontos de exame com inúteis pormenores e sínteses prolixas. deixada sem freio. Este demônio solícito possui o espírito generalizante e retórico dum professor de filosofia ou história do Imperial Colégio de Pedro II. lamenta de certa forma a privação de graça a que está sujeito.#extenso poema da nossa literatura. a versalhada incontída do Assunção. No canto X. Trata-se de celebrar o feito de Colombo. Tais porções da obra (mais de um terço) lembram. reconhece a grandeza de Deus e suas obras. começando por um prólogo sobre a tomada de Granada. as grandes civilizações do Velho e Novo Mundo. com o qual apresenta analogias. campeão ignoto de um torneio!. para de lá mos trar-lhe eruditamente as idades pré-históricas.Ivanhoe mist urado de Eurico. paquiderme de quarenta cantos. em molde bem mais forte e correto. obra principal onde se compendiam os seus muitos defeitos e poucas qualidades (1866).como "Cavaleiro Negro". Dois traços chamam desde logo a atenção: falta de necessidade em quase todas as partes. que subjuga e se torna por algum tempo seu servidor. despedidas. . inexistência do protagonista. depois beldade. isto é. . fortaleza de ânimo. aporta-se a uma ilha misteriosa e o herói entra em contacto com o mais divertido figurante do livro: o diabo Pamórfio. imprecações. Fazendo jus ao nome. de tal modo que ao retomar no canto XXIV a integridade infernal não o levam os a sério. durante quinze cantos! Mais pobre diabo que outra coisa. Voltando o feitiço contra o f . Pôrto-Alegre foi dotado de facilidade excessiva que. Como as mães. incapacidade de convencer ao leitor que a superabundància de detalhes e implacável prolixidade constituam realmente um assunto. tratado com mau humor por Colombo. inclusive a falta de assunto real. resultou em poesia oca e demasiada. depois dragão. para afinal tomar-se o provido Virgílio de Colombo. o terrível Colombo.. onde o navegador aparece. levando-o ao Inferno. Vêm a viagem. assumira as formas de intrigante canarim.

quando a tendência retórica se sublima em certas imagens.. retomando de p erto Santa Rita Durão. . dentro do espírito de todos os poemas brasileiros a partir d""A Ilha da Maré": Enchia a taba. poderíamos aplicar-lhe um termo que usa com freqüência e dizer que o seu poema é exemplo perf eito de vanilóquio. mero acidente dos incidentes e digressões. retorno. sobrecarregadas mas belas: E a magnólia de jaspe. abriu-se. mesmo no nível modesto ^em que a requerem as epopéias e Magalhães conseguiu atingir n"A Confederação dos Tamoios. recendendo o aroma..---_ . . o seu verso é quase s empre correto e expressivo: temos a impressão de um bailarino que apurou na barra os elementos fundamentais da técnica e foi depois espanar móveis ou servir à mesa. tomado em si. sobretudo. Na" fulgindo corais. verso empolado. Não espanta. vocábulos raros. costumes. como. maquinações dos invejosos. perífrases em abundância. Pôrto-Alegre mobilizou o estilo já referido: frase invertida. ou. mas a cabeça De bilingüe serpente sibilando. que surjam espaçadamente bons momentos. ao narrar o resto da viagem. fauna. as iguarias tropicais. que em meio a tudo circula sem vulto nem per sonalidade. no canto XXVII.Para elevar esse imenso e frágil monumento de patriotismo ao nosso descobridor. flora. "-. a descrição do chefe Guacanagari. Note-se que.eiticeiro. pois. onde deu ao protagonista certa estrutura épica e humana. o escrínio odoro De ebúrneo tirso alveolado. no XXIX.. revelando ausência completa de caraterização psicológica. (XXIV) Quando calha poder acumular substantivos e adjetivos raros sem prejuízo. sua mitologia. desamparo e morte do herói. (é o caso das descrições exóticas) tais momentos se ampliam. contacto com os americanos. -----. Do canto XXV ao XL esta impressão se acentua. .

referida. o barbado -milho. 73 #Se quiséssemos alinhar exemplos de trechos rebuscados. queixar-se amargamente do malogro da carreira artística. constituindo paradoxalmente a melhor parte duma obra a que não pertence de modo orgânico e cuja seqüência interrompe. nos pratos os cortantes ferros. (XVII) --- Mas a natural prolixidade leva-o a abusar dos recursos e não raro a cadência sonora e doce do decassílabo sáfico. . e encontrou no Odorico Mendes tradutor de Homero um ápice de tolice. no volume anterior: . traçado com emocionada e sóbria dignidade. a que parece tender o nosso derramado poeta. Em macias pipocas. sincero e profundo. do Prólogo. repetido seguidamente. que em torno deles se ordenam.. e assim justifi car o cultivo da poesia. dá monotonia melíflua a um contexto geralmente mais áspero. Sente-se o mesmo espírito que registramos nos árcades rotinizados. vizinho da comicidade pela complicação desnecessár ia e perversão erudita (trata-se de descrever um banquete): Começa o prândio: Tinem. . Vá apenas um. quando suspende a narrativa para saudar o amigo Magalhães.O rei das frutas. Outras vezes o verso perde o torn hirto e se amaina em suavidade: Filho do céu. não teríamos mãos a medir. num país sem estímulo nem compreensão. no borralho intenso. Lavra o silêncio nos convivas férvidos. em cuja face brilha Da branca lua o resplandor sereno.. . o ananás alente. eles constituem o eixo da sua concepção e da sua composição. f Quais brancas flores. . Gorgorejando em lágrimas risonhas. Em tostadas espigas. em canjica. É um documento humano. E os nédios escanções co"a jovem dextra O ebrifestante xeres circunfluem. De cota de ouro e canitar de bronze. Não podemos entretanto abandoná-lo sem mencionar o comovente hiato do canto VII. rebentadas. e esta boa transposição duma nota do Caramuru.

E a viração da tarde amena e fresca. aqueles intimamente ligados ao grupo do "senhor de Magalhaens". sobre Tiradentes. Cruzas os braços sobre o altivo peito E curva a augusta fronte. se nas Modulações poéticas (1841) tange a lira sentimental e filosófic a do mestre. decalcando o evidente modelo: Ei-lo em pé no rochedo. Norberto. destacam-se três por diversos títulos: Joaquim Norberto. durante esse decênio pubücou várias baladas de cunho popularesco. Estremado cantor. episódios da Independência e até Napoleão.! ("A visão do proscrito") Pertencendo a uma geração literária de maridos virtuosos. a Guerra Hola ndesa. Dutra e Melo e Teixeira e Sousa. Mais tarde. mais preso ao grupo da "Petaíógica" de Paula Brito. o gênio. menos bafejado pelos in fluxos da sólida panela. embora tenha publicado muitos volumes de poesia. vale. este. dedicados ao Imperador. meditando. Após tanto esplendor de vida e glória. pelos temas e preocupações é uma espécie de ponte entre Magalhães e Gonçalves Dias. que lhe resta De tantos tronos que lhe dera. (Soydo Júnior) nunca fez um verso prestável. ÊMULOS Dentre os poetas que adotaram conscientemente a reforma da Niterói. com efeito. Vêm as ondes murmuras q uebrar-se Contra esse escolho. mas. que antecipam e anunciam os temas do maranhense. já vimos que cantou pudicamente a esposa n"O livro de meus amores. medievista e indianista. discip"lo exímio Do grande Magalhaens. 75 . escreveu vários Cantos Épicos. Mansa e risonha refrangindo as ondas. que uma lousa.74 4.

fulge a peripécia romântica em todo o seu descabelado vigor: naufrágios. no 1. Na empresa ambiciosa d"A Independência do Brasil. Miriba. visões tenebrosas. reputado morto. num acesso de injustificado ciúme. (1847-1855). . corredios: Sobre esta cor bem dia -por sobre a coma Recendentes jasmins em nívea cr"oa! Assim as sobrancelhas se assimilham A tão formosa grenha. Menina. As poesias líricas são ruins. à volta do herói. um grande feito. como exemplos de prolixidade e falta de inspiração. narrações retrospectivas.° Canto a descrição da costa de CaboFrio. no terceiro dia. Três dias de um noivado. péssimo. agita. profecias. Lindos cabelos negros. a história de Miriba.#menos de dois volumes de poesias líricas. se complica em Os três dias de um noivado (1844) pela per<wWrsão léxica e sintática dos neoclássicos rotinizados: Em doce arfar os de ébano lustroso. que se escalonam em má composição e pior estilo. A Independência do Brasil. recorreu à oitava camoniana. igual à de qualquer poetastro da época. cingindo-se aos moldes mais ortodoxos: um herói. disputa de entidades sobrenaturais que protegem ou comba . anacoretas misteriosos. mas reaparecido de supetão. o poema indianista. encontros providenciais. coincidências. infaustamente assassinada pelo esposo. sabes tu por que nasceste? Sabes no inundo qual missão te espera? Sabes donde vieste? Oh! não saias da infância deleitosa! Não entres neste mundo de misérias. São recomendáveis. Morada venenosa! ("Aos anos de uma menina") Esta lenga-lenga pedestre. um longo poema indianista e a longuíssima epopéia sobre a Independência.pois a casta criatura nada mais fazia que abraçar o pai.°. Sobre os formosos ombros de alabastro. pouco melhor. (Canto I. Ao lado de atavismos arcádicos. Corimbaba. no 2. mestiça de índia e português. Que as meigas asas. suspirando. Contrastam graciosos embalados Pelo amante bafejo de uma brisa. 49) Tais versos se referem à noiva.

e uma. (131) E eis o que consegue arranjar para o momento culminante: "Nada mais de união! d"ora em diante Portugal para nós seja estrangeiro! Viverá para si nobre e possante O Venturoso reino Brasileiro! Juremos pois. esta pesada traquitana. Há uma estranha mistura de facilidade popular e pedantismo erudito. aparecem-lhe. Seguir da cara pátria a livre sorte. amigos. Bra . nivelando-a quase à p oesia de cordel pela banalidade da rima e do conceito. na sua primeira viagem a Minas. com sua pouca. Virgens seis vezes três. neste instante. De pulquérrimas galas pr"amentadas.Pedro I. e ocupa todo o canto XII. finalizando o poema por uma visão extatíca do primeiro I mperador. nobre e guerreiro. no canto XI: Sem parar caminhando o moço ardente Parou neste lugar formoso e grato.tem 78 o herói . Embora não falte certo engenho à concepção. que avança a passo lento. gemantes. nos finais. em que se desvenda o futuro. De fúlgidas estrelas coroadas. simbolizando as capitanias e trazendo uma coroa verde-amarela. desfigurando a oitava heróica. mas alegre gente.. é desvaliosa como concepção poética. Nas margens pernoitou deste regato: Até mui tarde conversou contente. com ânimo fiel. Este narra os fatos naturais e sobrenaturais durante oito cantos. Mui tarde procurou do sono o trato: Aquele corpo assim tão fatigado Deitou- se e adormeceu mui sossegado! (127) Em sonho. expõem-se os acontecimentos desfechados com o grito do Ipiranga. Eis o Príncipe Regente às margens do Ipiranga. prata e de diamantes.. Cobertas d"ouro. a familiaridade pejorativa do ritmo.

separa-se dos mais moços pela ausência de pessimismo e deliberada resistência à intemperança sentimental. é o escritor sobre todos decoroso e elegante. Leia-se. Contribui ao lado de José de Alencar para dar à literatura. mesmo quando recaem na tradição arcádica. Tei xeira e Sousa dedilha as notas do infortúnio e da dor como quinhão do poeta. fornece aos sucessores o molde. No Romantismo. a ostentação do sofrimento.dando sempre . Gonçalves Dias se destaca no medíocre panorama da primeira fase romântica pelas qualidades superiores de inspiração e consciência artística. Deu-lhes sobretudo a idéia do Romantismo. ou Morte! -" (15O) 79 #Não espanta que para gente desse naipe Magalhães aparecesse como verdadeiro gigante. do sentimento religioso como ideologia. como paradigma.Independência. é fá cil ver que a exaltação poética pela pátria. 8O :Í ít.v 5. Para todos eles. Por outro lado. ao modo de Cláudio Manuel. no Brasil. Os temas do poema "arrancaram à sua melancólica dor uma poesia sentimental". O seu traço peculiar consiste porventura nessa difícil coexistência da med . GONÇALVES DIAS CONSOLIDA O ROMANTISMO. Vincula-se ao grupo de Magalhães não só pelas relações e o intuito nacional. que herdou dos setecentistas e primeiros românticos portugueses. onde. inspirando e dando exemplo. como pelo apego à harmonia neoclássica. a religiosidade afetada. são fanais e carta de nobreza. nem por isso menos forte na expressão e rico na personalidade. o padrão a que se referem como inspiração e exemplo. uma categoria perdida desde os árcades maiores e. o citado prólogo em prosa de Os três dias de um noivado. distendendo a corda romântica. a que se apegam como princípio.

Macedo Soares. desde meados do século. Magalhães" foi sempre o reformador da literatura brasileira e o patriarca do estilo novo. e que deve com jus81 #tiça ser chamado o criador da poesia nacional". teimosa mente. . fuga ao adjetivo. a maioria dos poetas e mesmo jornalistas considerava Gonçalves Dias. por ter celebrado a gente e as coisas do pais.ida com o vigor. Em 1849 Alvares de Azevedo via nele a fonte de inspiração para os novos e. pois era "o poeta que mais tem primado nesse gênero. oh.. sob o patético da vocação romântica. mestre. Se para o grupo da Niterói e da Minerva Brasiliense o "sr. pois O hálito de Deus tocou-te a fronte. considerava-o o mais alto dos nossos líricos. Almeida Braga põe a Clara Verbena sob a sua égide. que no mesmo ano assinalava a sua grandeza de pioneiro. regenerador da "rica poesia nacional de Basílio da Gama e Durão". revelador do Brasil aos brasileiros. num tempo em que os temperamentos literários mais poderosos se realizavam pelo transbordamento.. Envia-me o segredo da harmonia Que levaste contigo!. Em 1859. a ele se dirige Varela. procura da expressão de tal maneira justa que outra seria difícil. por meio do livro renovador. envia. a necessidade da medida. pedindo inspiração para o Anchieta: . É que. chamando-o "soberbo cantor". A "Canção do Exílio" (banalizada a ponto de perder a magia que no entanto a percorre de ponta a ponta) representa bem o seu ideal literário: beleza na simplicidade. Os primeiros Cantos". em 1871. valendo o equilíbrio quase como sinal de mediania afetiva e artística. legada pelo neoclassicismo e sensível em sua obra até sob as manifestações ocasionais do mal-do-século. Coincide com este o ponto de vista de um crítico obscuro. como o ve rdadeiro criador da literatura nacional. No ano seguinte. persistia nele.

Formando-lhe ao redor uma coroa... Em 1875 é publicada a "Nènia" onde Machado de Assis consagra o bardo das glórias indígenas, chamado em 1876 por Franklin Távora " a mais poderosa e inspirada musa da nossa terra".17 Entre as vozes discordantes, Bernardo Guimarães, mas apenas quanto a Os Timbiras, que atacou severamente no ano de 59.18 Mais tarde, compendiou ritmos e modismos gonçalvinos num poema obsceno, "O Elixir do Pagé", consagrando, por assim dizer, o indianismo na musa secreta. Gonçalves Dias nunca foi jactancioso, nem se meteu em questões literárias; mas tinha consciência do seu papel: "Fui para o Rio em 1846, em cujo ano apareceu o 1.° volume de minhas poesias Primeiros Cantos. Algum tempo se passou sem que nenhum jornal f

alasse nesse volume, que, apesar de todos os seus defeitos, ia causar uma espécie de revolução na poesia nacional. Depois acordaram todos ao mesmo tempo, e o autor dos primeiros cantos se viu exaltado muito acima do seu merecimento. O mais conceituado

dos escritores portugueses - Alexandre Herculano - falou desse volume com expressões bem lisonjeiras, - e esse artigo causou muita impressão em Portugal e Brasil. (17) Alvares de Azevedo, "Discurso recitado no dia 11 de agosto de 1849" etc.. Obras Completas, 2." vol., pág 44; N. J. Costa, "Literatura Brasileira. Algumas considerações sobre a poesia: BP, vol. I, n.° 5O, pág. 2, Macedo Soares, "Jovens escritores e artistas da Academia de S. Paulo" BP, Ano I, vol. 2.°, pág. 377. Os versos de Varela estão no Anchieta, ou Evangelho na Selva, Canto 1.°; os de Almeida Braga vêm como preâmbulo ao seu poema Clara Ve

rbena; os de Machado constam das Americanas; a referência de Távora se encontra na carta-prefácio d"O Cabeleira. A título de curiosidade: por ocasião da morte do poeta, um admirador português, José Joaquim da Silva Pereira Caldas, publicou um folheto contendo traços biográficos, poesias e os mais altos encômios: Desafogo de Saudade: na desastrosa morte do distin

to bardo maranhense, etc. etc., "Coincidência ou destino, só a Imensidade do mar abriu sepultura à imensidade do gênio d"Antônio Gonçalves Dias". (Pág. 4) (18) Basilio de Magalhães, Bernardo Guimarães, págs. 214-216. 82 Mas já nesse tempo, o povo tinha adotado o poeta, repetindo c cantando em todos os ângulos do Brasil".1" Tudo isso se justifica, porque nele as novas gerações aprenderam o Romantismo. Sob este ponto de vista foi o acontecimento decisivo da poesia romântica e todos os poetas seguintes, de Junqueira Freire a Castro Alves, pressupõem a sua obra. A partir do

s Primeiros Cantos, o que antes era tema - saudade, melancolia, natureza, índio - se tornou algo novo e fascinante, graças à superioridade da inspiração e dos recursos formais. Embora os sucessores hajam destacado a ""poesia nacional", o indianismo, nele encontraram muito mais: o modo de ver a natureza em profundidade, criando-a como significado ao mesmo tempo que a registravam como realidade; o sentido heróico da vida, supe

ração permanente da frustração; a tristeza digna, refinada pela arte; no terreno formal, a adequação dos metros à psicologia, a multiplicidade dos ritmos, a invenção da harmonia segundo as necessidades expressionais, o afinamento do verso branco. Mesm

o quando se abandonaram à incontínência afetiva e à melopéia; mesmo quando buscaram modelos em poetas estrangeiros, - sempre restava neles algo de Gonçalves Dias, cuja obra, rica e variada, continha inclusive o germe de certos desequilíbrios, que as g

erações seguintes cultivarão. Mas como lhe coube, na linha central de formação da nossa literatura, promover a realização do tema reputado nacional por excelência, passemos à sua poesia americana, (é o nome dado por ele), que coroa os esforços medíocres de Pôrto-Alegre e Norberto,

em seguimento à "Nènia" tão influente de Firmino Rodrigues Silva. Note-se que o indianismo de Gonçalves Dias, mais que o das baladas de Norberto, é parente do medievismo coimbrão, que praticou in loco e deve ter influído no seu propósito de aplicar à pátria o mesmo critério de pesquisa lírica e heróica do passado.2O

As Sextilhas de Frei Antão, "O Soldado Espanhol", "O Trovador" (poemas medievistas) poder-se-iam considerar pares simétricos d"Os Timbiras, do "IJuca Pirama", da "Canção do Guerreiro", pela redução do índio aos padrões da Cavalaria. Vejamos, porém, como se comportou dentro dessa corrente literária, cuja importância genérica, tanto social quanto estética, foi porventura mais decisiva do que os produtos que deixou. Como poeta, e quiçá por atavismo neoclássico, ele procura nos comunicar uma visão geral do índio, por meio de cenas ou feitos . (19) "Autobiografia escrita em 1854 para Ferdinand Denis" em Manuel Bandeira, Gonçalves Dias, pág. 1O. (2O) "O poeta brasileiro Gonçalves Dias pertenceu a este grupo de poetas medievistas. Neste gosto escreveu Sextilhas de Frei Antão", etc. Fidellno de Figueiredo, História da Literatura Romântica, pág. 159, nota. 83 #ligados à vida de um índio qualquer, cuja identidade é puramente convencional e apenas funciona como padrão. Já Alencar, romancista, procura transformá-lo em personagem, particularizando-o e, por isso mesmo, tornando-o mais próximo à sensibilidade do

leitor. O tamoio da "Canção", ou o prisioneiro do "I-Juca Pirama", são vazios de personalidade - mas ricos de sentido simbólico. Por isso mesmo, talvez as peças mais realizadas e certamente mais belas da sua lira nacional sejam poemas como este últim

o, onde nos apresenta uma rápida visão do índio integrado na tribo, nos costumes, naquele ocidentalizado sentimento de honra que, para os românticos, era a sua mais bela característica. Gonçalves Dias é um grande poeta, em parte pela capacidade de encontrar na poesia o veículo natural para a sensação de deslumbramento ante o Novo Mundo, de que a prosa de Chateaubriand havia até então sido o principal intérprete. O seu verso, incorpor

ando o detalhe pitoresco da vida americana ao ângulo romântico e europeu de visão, criou (verdadeiramente criou) uma convenção poética nova. Esse cocktail de medievismo, idealismo e etnografia fantasiada nos aparece como construção lírica e heróica, d

e que resulta uma composição nova para sentirmos os velhos temas da poesia ocidental. Belo exemplo é a admirável utilização da mulher de dois sangues, que traz ao lirismo uma ressonãoncia mais pungente do sentimento de incompreensão amorosa. A marabá é

desses monstros diletos do romantismo (Quasímodo, Gwymplaine), postos pela fatalidade aquém da plenitude afetiva: só que, neste caso, monstro extremamente belo e, por isso, mais trágico no seu desamparo: Meus olhos são garços, são cor das safiras, Têm luz das estréias, têm meigo brilhar; Imitam as nuvens de um céu anilado, As cores imitam das vagas do -mar." Sc algum dos guerreiros não foge a metts passos: - "Teus olhos são garços", Responde enojado, "mas és Marabá: "Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, "Uns olhos fulgentes, "nem pretos, retintos, não cor d"anajá!" O "Leito de folhas verdes" é a obra-prima do exótico tomado como pretexto para inserir em dado ambiente um tipo de emoção que, em si, independe de ambientes, mas vai se renovando na lírica, pela constelação dos detalhes sensíveis. Numa das estrofes, a

simples referência à arasóia (tanga de penas) faz a emoção vibrar numa 84 tonalidade desusada, que refresca e torna mais expreséfw^ji declaração de amor: " \ Meus olhos outros olhos nunca viram, Não sentiram meus lábios outros lábios, Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas, A arasóia na cinta me apertaram.

Para o leitor habituado à tradição européia, é no efeito poético da surpresa que consiste o principal significado da poesia indianista, como o da liga vermelha de Araci, a liga rubra da virgindade, que tarda a ser rompida por Ubirajara e dá à paixão d

e ambos uma rara e colorida beleza. Atentando para essa função propriamente estética do pitoresco e do exótico, vemos quanto carece do sentido a conhecida alegação de que o valor dum escritor indianista é proporcional à sua cornpreensão da vida indígena. Sendo recurso ideológico e estét

ico, elaborado no seio de um grupo europeizado, o indianismo, longe de ficar desmerecido pela imprecisão etnográfica, vale justamente pelo caráter convencional; pela possibilidade de enriquecer processos literários europeus com um temário e imagens e

xóticas, incorporados deste modo à nossa sensibilidade. O índio de Gonçalves Dias não é mais autêntico do que o de Magalhães ou o de Norberto pela circunstância de ser mais índio, mas por ser mais poético, como é evidente pela situação quase anormal q

ue fundamenta a obra-prima da poesia indianista brasileira - o "I-Juca Pirama". O "I-Juca Pirama" é dessas coisas indiscutidas, que se incorporam ao orgulho nacional e à própria representação da pátria, como a magnitude do Amazonas, o grito do Ipiranga ou as cores verde e amarela. Por isso mesmo, talvez, a crítica tem passado pru

dentemente de longe, tirando o chapéu sem comprometer-se com a eventual vulgaridade deste número obrigatório de antologia e recitativo. No entanto, é dos tais deslumbramentos que de vez em quando ocorrem em nossa literatura. No caso, heróico deslumbr

amento com um poder quase mágico de enfeixar, em admirável malabarismo de ritmos, aqueles sentimentos padronizados que definem a concepção comum de heroísmo e generosidade e, por isso mesmo, nos cornprazem quase sempre. Aqui, porém, o poeta inventou

um recurso inesperado e excelente: o lamento do prisioneiro, caso único em nosso indianismo, que rompe a tensão monótona da bravura tupi graças à supremacia da piedade filial: Guerreiros, não coro Do pranto que choro, 85 #Esta suspensão da convenção heróica, não condizendo com a expectativa de valentia inquebrantável, introduz no poema um abatimento que mais realça, pelo contraste, a maldição dramática do velho pai: Sempre o céu, como um teto ineendido, Creste e punja teus -membros malditos E oceano de pó denegrido Seja a terra ao ignavo tupi. A rotação psicológica do poema, as alternativas de pasmo e exaltação, se realizam de modo impecável na estrutura melódica, nos movimentos marcados pela variação de ritmo e amparados na escolha dos vocábulos. Bem romântico pela concepção, tema e arcabo

uço, o "I-Juca Pirama" tem uma configuração plástica e musical que o aproxima do bailado. É mesmo, talvez, o grande bailado da nossa poesia, com cenário, partitura e riquíssima coreografia, fundidos pela força artística do poeta. Exemplo de cenário: A"o meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos - cobertos de flores, , Alteiam-se os tetos de altiva nação. Coreografia: , -- ¥ ; Entanto as mulheres com leda trigança, ;. Afeitas ao rito da bárbara usança, O índio já querem cativo acabar: A coma lhe cortam, os membros lhe tingem, . Brilhante enduape no corpo lhe cingem, Sombreia-lhe a fronte gentil canitar. .-", Ou este solo majestoso: Em larga roda de novéis guerreiros Ledo caminha o festival Timbira, A quem do sacrifício cabe as honras.

Na fronte o canitar sacode em ondas, O enduape na cinta se embalança, Na destra mão sopesa a iverapeme, Orgulhoso e pujante. Ao menor passo,

Colar d"alvo marfim, insígnia d"honra, Que lhe orna o colo e o peito, ruge e freme. 86 SE o da 4.* pwte, ofegante e ansioso: Meu canto de morte, , ,í Guerreiros, ouvi: ) SOM filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi. ? i Ou a sarabanda heróica da parte 9.a, de que se destacam os saltos bravios do prisioneiro. A importância estética do "I-Juca Pirama", para compreender a poesia gonçalvina está na variedade de movimentos que integram a sua estrutura. Tomado no conjunto é uma experiência essencialmente romântica de poesia em movimento, em relação ao equilíbri --..-.,:., ;

o mais ou menos estável do poema neoclássico. Admirável, todavia, a existência, dentro da sua translação incessante, de certas áreas de repouso, quer pela parada momentânea da coreografia, quer pela cadência vagarosa de um movimento todo vasado no mod

elo setecentista: Soltai-o! diz o chefe. Pasma a turba;

Os guerreiros murmuram: mal ouviram, : Nem pôde nunca um chefe dar tal ordem!

Brada segunda vez com voz mais alta, " "Afrouxam-se as prisões, a embira cede, A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo. í Esta dualidade é o próprio símbolo de toda a sua obra - na qual a musicalidade, o particularismo, o individualismo psicológico se fundem à dignidade clássica e ao gosto pela norma universalizante. Um poema como "Rosa no mar" - puríssima obra-prima - p

arece brotado nos jardins da Arcádia, não obstante o típico meneio romântico. Pode-se dizer que aquela ponta extrema de sutileza e naturalidade a que um Silva Alvarenga, sobretudo um Gonzaga, haviam trazido a odezinha anacreôntica, vem adquirir em Gon

çalves Dias, graças ao dinamismo próprio do espírito romântico, uma beleza mais quente: .i,; „;.:-:*,,-",. Divagava - Em seu pensar embebida; Tinha no seio uma rosa Melindrosa, De verde musgo vestida. "* #Outras vezes, para além do torn arcádico, é a tonalidade quinhentista mais pura que o poeta refunde no verso moderno, entranhando a sua poesia na corrente viva do lirismo português: São uns olhos verdes, verdes, Uns olhos de verde mar, Quando o tempo vai bonança; Uns olhos cor da esperança, Uns olhos por que morri; Que ai de mi! Nem já sei qual fiquei sendo Depois que os vi! Diferente de Magalhães, ou dos portugueses Garrett e Castilho, que tendo passado da lição neoclássica para a aventura romântica, têm duas etapas na obra e, se ainda são clássicos na segunda é porque não se livraram da primeira; diferente deles, Gonçal Agora, qual sempre usava, .----. r

ves Dias é plenamente romântico, e o que há nele de neoclássico é fruto de uma impregnação de cultura e de sensibilidade, não da participação no decadente movimento pós-arcádico. Graças a esta dupla impregnação, sua obra guardou o harmonioso balanceio

que o distingue dos sucessores; estes, seguindo o pendor da época, se conseguiram apreender e mesmo exagerar muito da sua riqueza melódica, nem sempre lograram reequilibrar-se pela assimilação paralela da sua grande intuição estilística. Não é estranho, pois, que na velha pendenga "Castro Alves versus Gonçalves Dias", os temperamentos mais tumultuosos, ou mais romanescos, ou mais indiscriminados se inclinem para o primeiro, enquanto as sensibilidades mais apuradas, ou menos ardentes, prefiram o segundo. A harmonia gonçalvüia, para ser bem sentida, requer participação ativa da inteligência; requer sentimento alerta dos valores de construção, nem sempre evidentes na aparência do poema. Não se justifica entretanto a assertiva que é um poeta português; a sua ligação mais visível com a sintaxe e mesmo o léxico de além-mar, é de importância secundária em face da sua funda apreensão da sensibilidade e do gosto brasileiros - já a essa al

tura diversos do português. Mesmo no terreno das influências literárias, que sofreu de perto, a sua originalidade fica ressalvada pela superioridade com que as fecundou. Um exemplo disso pode ser encontrado na famosa introdução d"Os Timbiras: Cantor das selvas, entre bravas "matas Áspero tronco da palmeira escolho. Unido a ele soltarei meu canto, W ,... . Enquanto o vento nos palmares zune, Rugindo os longos, encontrados leques. . Estes versos admiráveis repercutem outros, bem mais modestos, da "Arrabida", de Alexandre Herculano, - poema onde Gonçalves Dias poderia ter encontrado mais de uma sugestão para a sua atitude em face da natureza, Cantor da solidão, vim assentar-me Junto do verde céspede do vale, E a paz de Deus do mundo me consola. j,

Por isso, os contemporâneos foram mais argutos que alguns críticos posteriores, ao verem sem hesitar o caráter nacional do seu lirismo. O que talvez não tivessem visto (porque se tratava, então, de aspirar ao contrário) foi a continuação, nele, da pos

ição arcádica de integrar as manifestações da nossa inteligência e sensibilidade na tradição ocidental. Como vimos, ele enriqueceu esta tradição, ao lhe dar novos ângulos para olhar os seus velhos problemas estéticos e psicológicos. Universal, e ao mesmo tempo apaixonadamente romântico, poucos tiveram, como ele, o gosto e sentimento da solidão. A influência da poesia religiosa de Herculano, a marca acentuada de Sousa Caldas, contribuíram para dar forma a esses traços, que aparece

m combinados freqüentemente à contemplação do mundo e o apelo à eternidade.21 Nos "Hinos", que encerram porventura a melhor expressão deste sentimento, o discípulo de Caldas se aproxima de alguns grandes românticos da primeira hora, que vibraram a mesma nota grave, profunda; que revelaram o mesmo discernimento austero e comovid

o em face da natureza: Hõlderlin, Wordsworth, Leopardi. A tarde, : Mãe da meditação, aparece num desses hinos como presença, substância da reflexão e do sentimento, que transfiguram a paisagem material. Noutro, uma cadência nobre e quase clássica dá à invocação da . . . noite taciturna e queda aquela calma eloqüência que aspiramos entrever na natureza, quando a queremos como correlativo e sinal da vida interior. (21) O estudo da influência de Herculano, principalmente quanto à poesia religiosa, é feito por Antônio Sales Campos, Origens e evolução dos temas da primeira geração de poetas românticos, São Paulo, 1945. 89 #O mais belo é porém "O Mar", onde o movimento das vagas é afinal domado pela comparação ao destino do poeta, que o transcende e se enxerga (numa premonição impressionante), dominando-o pela glória, depois de morto.

e do que a mansa brisa. Alguns poemas espelham-na com surpreendente densidade como é o caso do citado "Leito de folhas verdes".. pois corresponde a um esforço de seleção criadora. Esta capacidade de criação poética se manifesta na minoria de sua obra. Que entre flores suspira. inaccessível aos sentidos. minha alma. das mais altas do nosso ..Mas nesse instante que me está marcado. entre miríades de estrelas. de. o tempo. Mais do que qualquer outro romântico. Mordendo a fulva areia. relance o circVo estreito Do infinito e dos céus! Então. que lá não chegue Teu sonoro rugido. como vimos.. quando a noite < Ocupa a terra. . Mais forte soará que as tuas vagas. Inda mais doce que o singelo canto . alterar a penas o ambiente e certos detalhes de uma espera sentimental doutro modo indiscernível da tradição lírica. ó mar. Irei tão alto. sons e perfumes. . Quebrará num. que leva a imaginação a criar um mundo oculto. * . apenas ao alcance de uma percepção transcendente e inexprimível das cores. num sistema poeticamente coerente de representações plásticas e musicais. . Em que hei de esta prisão fugir pra sempre. mas liricamente belo... Cantando hinos d"amor nas harpas d"anjos.. . ". < A força deste aspecto da poesia gonçalvina vem da capacidade de organizar as sugestões do mundo exterior. . ele possui o misterioso discernim ento do mundo visível. Então mais forte do que tu. Poesia admirável. tentativa de adivinhar a psicologia amorosa da mulher indígena pelo truque intelectualmente fácil. . Desconhecendo o temor. o espaço. De merencória virgem. a uma felicidade de achados poéticos impossíveis de ocorrer constantemente em tantos versos quantos deixou.

de uni lado. E por todo o poema. Jatir. . Por que tardas. verdadeiro compêndio daqueles talismãs poéticos de que fala Henri Bremond. as três seguintes o abandonam. cujos 9O fulcros são a angústia da índia à espera do amado e o imperceptível fluir. porém. Onde o frouxo luar brinca entre as flores. já alterado pelo passar das horas.a: i Não me escutas. as duas finais reintroduzem o quadro natural. que. a repetição. para que o pensamento divague. sem conseguir defini-la. Jatir! nem tardo açodes . .a r Eu sob a copa da mangueira altiva Nosso leito gentil cobri zelosa corn mimoso tapie de folhas brandas. :. nesta primeira estrofe e na 2. A técnica de composição obedece a duplo movimento. As quatro estrofes iniciais traçam o quadro natural.. e agora na 9. Ã voz do meu amor. ou com estrofes de intervalo. justapõe os detalhes da natureza como elementos de expressão psicológica. t ece a rede sutil do encantamento poético. Já nos cimos do bosque rumoreja. dá origem à magia em que reconhecemos.lirismo. que tanto a custo À voz do meu amor moves teus passos? Da noite a viração. movendo as folhas. do tempo em que se inscreve a expectativa. que em vão te chama! . os vai combinando ao discurso amoroso. em torno de imagens naturais. de outro lado. que conduziram a espera infrutífera da noite à madrugada. elaborado. a presença constante da poesia. ao longo das nove estrofes. O arranjo dos vocá bulos. de estrofe a estrofe. a sua posição recíproca. das mesmas palavras. Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil A brisa da manhã sacuda as folhas! . Compare-se o sentido de "folhas".

. aberta há pouco. o angustioso travamento do verso por meio de fortes aliterações. bogari.tamarindo.a e a 8. . o jaz entreaberta denota fato cons umado. : Também meu coração. Caso belíssimo é o de duas estrofes complementares. e dessa diferença decorre o sentimento de fuga do tempo. como estas preces. Já solta o bogari mais doce aroma! Como prece de amor. definem a hora noturna.. girar. a 3. Jatir. flor. devido à variação do verso anterior. primeiro o perfume das flores. . exalar. compreendida como fenômeno de movimento psicológico da personagem. que tanto a custo. que vai dispersando. ir.aferindo a sua variação em cada ocorrência.Do tamarindo a flor jaz entreaberta.No primeiro caso. Já solta o bogari mais doce aroma. mas o seu significado poético não é o mesmo. acudir. a cuja brisa se agitam. testemunho da longa espera e sinal mais tangível da decepção. que exprimem a duração psicológica b loqueada pela expectativa: Porque tardas. ".. Melhor perfume ao pé da noite exala! O verso referente ao bogari permanece. ao longo das estrofes. são o foco da espera amorosa. como estas flores. no terceiro. correr. Refiro-me à utilização sistemática dos verbos de movimento para manter o deslizar sutil das horas e o doloroso amadurecimento interior: mover. que vai reforçando. no segundo. indica as primeiras horas da noite. 91 #/ . há pouco. de que é complemento. banhado de luar. o desnível temporal e psíquico. que empurram a composição. A flor do tamarindo. Análise semelhante podemos efetuar em relação aos o utros vocábulos-chaves do poema . corn esta mudança de função das palavras concorre outro processo. No silêncio da noite o bosque exala. perpassar.a: Do tamarindo a flor abriu-se. em seguida o do próprio coração. contrastando o sentimento inicial de permanência.

quando já produzira o melhor da sua . Note-se que toda a magia decorre do processo poético. nesta vida Amor igual ao meu! A sinceridade e a emoção. éden ou templo Habitamos uma hora. em virtude de indefinível frêmito de poesia aparece como tocado por um talismã: Ah! que eu não morra sem provar. que nos parecem deste modo veredas necessárias. paraíso. no decurso duma seqüência de prosa 92 rimada bruscas erupções de inspiração podem poetizar os trechos adjacentes. que se distingue muito mais dificilmente da prosa. vemos na obra de Gonçalves Dias pesado lastro de prosa rimada. mas não do poema citado.Dessa translação em vários planos resulta o sentimento de fuga do tempo. de que publicou apenas quatro cantos iniciais em 1857. quando falece a verdadeira tensão poética. que. pesada. inexpressiva como um exercício de retórica:Eu e ela. aceitando o risco da elocução quase prosaica. são exemplo Os Timbiras. pois. ao menos Sequer por um instante. é fria. levou-o a cultivar o verso discursivo. Citações de versos destacados nem sempre representam o valor e a natureza do poema. há uma curta peça . No mesmo livro. sentencioso. que é o tecido mesmo de que se enroupa a decepção amorosa. ao contrário do outro. pouco inspirada. da sábia estrutura de vocábulos e imagens extremamente singelos. o arranjo milagroso das palavras o fez galgar à esfera da poesia. porém. e logo o tempo com a foice roaz quebrou-lhe o encanto. e sem recorrer a imagens mais refinadas. É o caso de parte d"Os Timbiras. na terra ingrata Oásis. De poesia dura. dos Primeiros Cantos. que. Em tais casos. ambos nós. A longa peça "Amor Delírio ."Desejo" .vasada no mesmo torn discursivo e sentencioso. ou quando menos justificáveis ante o choque de poesia que as vai estremecer. podemos apreciar plenamente a simplicidade admiráv el de Gonçalves Dias.Engano". obtém ainda assim o toque difícil da verdadeira eficácia poética. por exemplo. Doce encanto que o amor nos fabricara. O apego aos valores neoclássicos e conseqüente ausência de embriagues musical. na acepção comum. Contrastando com essas invenções. todavia. ocorrem por igual nos dois poemas: num deles.

Haver dado a lume estes cantos mostra que os reputava prontos e viáveis.. O entrecho é delineado sem muita clareza. contando-se algumas entre o que de melhor escreveu . marginais à narrativa.obra. Isto contribui para tornar o poema. "dar a sua medida". confuso. porém. tratar-se mais de um malogro épico. agora extinto. verdadeira série de ensaios críticos e psicológicos em verso.. as cenas são longas e redundantes. não raro de93 #sarmonioso e prosaico. pois as partes líricas. de que um malogro poético.:. vai afinal configurar-se um episódio decisivo. (II) Cá dentro em mim nos decifrados sonhos. são freqüentemente admiráveis. Sente-se que pretendeu. nele. Depois que os funesfou propínquo sangue. prolixo.-Do povo americano. uma brasilíada inspirada nos efeitos e costumes da raça que tanto amou e exaltou. como estrutura. Os Timbiras são interrompidos justamente no momento em que. havendo alguns inconcebíveis na -pèilta::<iíipie grande artífice: " /^àíivn : Bem sinto um não sei quê aferventar-se-me ". depois de três cantos bastante dispersivos (que deixam o leitor hesitante quanto ao rumo do narrador). mostrar capacidade de arquitetar e executar um a epopéia nacional. de modo geral. Ora. (in) A análise indica. Obra semelhante pode ser publicada em parte quando estas possuem certa autonomia. que vai prestes expandir-se. cuja preparação ocupa o Canto Quarto. o verso. Nos olhos. As festas e batalhas mal sangradas . de Byron. inferior ao Caramuru e o Uraguai. retóricos e afetados os tipos. pouco melhor do que Os Filhos de Tupã ou A Confederação dos Tamoios. salvo o exagero. no sentido estrito. e isso depõe contra o seu critério. como foi o caso do Childe Harold.

A acácia branca o seu candor derrame E a flor do sassafrás se estrele amiga. Doce poeira de aljofradas gotas. . Exemplos tais. que incessante voa. Roçando apenas o matiz relvoso. onde um belo trecho lembra Victor Hugo. afirmam a presença do grande poeta. Aos doces beijos da serena brisa. viver e suspirar comigo.Como os sons do boré. Coema.. capacidade narrativa. em que o infinito é sugerido pelo afastamento das antíteses: O pensamento. é incapaz de epopéia. . entre vários outros. onde Castro Alves aprendeu várias harmonias da sua lira: ! Era a hora em que a. """ terminado com estes versos deslumbrantes: Talvez também nas folhas que engrinaldo. É o caso do exórdio famoso: . brilhando nos momentos em que suspende a ação. 94 É o início do Canto Terceiro. Quando o vivo carmim do esbelto cactus Refulgc a medo abrilhantado esmalte. muito caro aos românticos. da luz às sombras. flor balança o cálix . Ou pó sutil de pérolas desfeitas. Ou vem nos raios trêmulos da lua Cantar. inscrevendo-se no sistema de imagens. . É a magia de um momento deste mesmo canto: Veste. É ainda o início do Canto Segundo: Desdobra-se da noite o manto escuro. E da terra sem flor ao céu sem astro. Quando a ema soberba alteia o colo. mas confirmam a impressão que. cla . as formas da neblina. soa o meu canto Sagrado ao ruão povo americano. gênero fundado essencialmente na organização do todo. Vai do som à mudez.

deixar a impressão de que malogra sempre no corpo narrativo do poema. traiu a vocação real. Nem assistiu a Gonçalves Dias a clarividência do seu m estre Basílio da Gania. e vingando o cimo d"alto monte. Seria injusto. aferra os dentes No crânio fulminado: jorra o sangue No rosto. perdem significado. (D . imitando o episódio de Ugolino. na Divina Comédia: E antes que tombe o corpo.. abafando as eventuais qualidades de cada um. . A tanto horror. o transtornado rosto. a rocha." Que em roda. Convertem-se em guerreiros. salvando-se apenas quando ela voltou. teimosa e felizmente. o ajuste da variação de número e ritmo do verso aos movimentos da sensibilidade. onde não chega o raio. acumulam-se uns sobre os outros. o chamado do chefe se exprime num belo movimento: 95 #Disse. Que a fera humana rábida mastiga! E enquanto limpa à desgrenhada coma Do sevo pasto o esquálido sobejo. (IV) No canto I.". acontece o que sucedeu n"Os Timbiras: os versos ficam desamparados. Sem elas. :.* O atroaãor membi soprou com f arca: O tronco. largo espaço dominava. isto é. porém. O delírio do louco Piaíba (II) é expressivo como métrica psicológica. o arbusto. pelas brechas largas do mau edifício. E há algumas boas imitações de Basílio da Gama: E sobe andas. a pedra. inclusive este belo desenho da fúria guerreira. .. e em gorgolhões se expande o cérebro. Querendo ser épico em modo maior. Há movimento e relevo em cenas e evocações de combate.". l . . que domesticou habilmente a musa heróica pela redução ao lirismo.reza dos propósitos. a moita. Bárbaras hostes do Gamela torcem.

Antes que o mar e o vento não trouxessem A nós o ferro e as cascavéis da Europa. apresentando não raro afinidades com alguns poetas da segunda fase. desapareceram na tragédia do Ville de Boulogne. dentro da primeira fase. imagens de poemas anteriores. inclusive o pendor pelos rirmos cantantes e a delicadeza da fatura. ainda revelam impregnação do equilíbrio neoclássico. sobretudo aquele. quando aparece na Guanabara a terça parte inicial d"A Nebulosa. só se abandonou realmente à poesia pela altura de 185O. -< Macedo Dentre eles. Apesar de mais velho que os outros. por sofrerem a sua influência ou mera afinidade. Tê m melhor gosto e ouvido que os de Magalhães e seguidores. Joaquim Manuel de Macedo é um reverente cultor da treva. pois tendo vivido ainda set e anos depois da edição de Leipzig. por exemplo. seja provavelmente porque.. um setor mais lírico e moderno. já prontos." Mais significativa é a auto-imitação: o poeta convoca à tarefa épica várias idéias. formam com ele. em contraste com os traços dominantes da sua ficção em prosa.América infeliz. identificado aos aspectos propriamente românticos do Romantismo. não consta havê-la terminado. malgrado se haja dito que os cantos finais. na fala do Tapuia (IV). já tão ditosa . seja para mostrar que reputava este um coroamento.-. aquece os pratos fri os duma fase de veia mais generosa. onde recorre o canto de morte do "I-Juca Pirama". MENORES Em torno de Gonçalves Dias podemos dispor alguns poetas que. (in) _:. Ele próprio deve ter percebido que lhe seria difícil manter em born nível a obra mal começada. a inspiração não ajudando. do desvario. 96 6. se Francisco Otaviano e Cardoso de Menezes. movimentos. como. publicada em livro em .

Poeticamente. é. solilóquios desesperados sobre um rochedo. ("A bela encantada") A Nebulosa é talvez o melhor poema-romance do Romantismo. mas ferem sem dor f temas. é porém no referido "poema-romance". à luz da lua. . o Trovador. as que escreveu por volta de 5O revelam acentuada mudança. manipulação dos ". para falar como o citado de Simoni. a Peregrina. pobre donzela demente de s . São raios de amor. com limpeza e gosto. isto. explica o avanço sobre os companheiros de geração e vida literária. Pa ixão fatal de um poeta. mas também das qualidades de invenção. É lua formosa. intervenção da Doida. somado à nítida influência gonçalvina. com o mar aos pés. filha de uma feiticeira. têm fluência e senso melódico: Quando ela se mostra. o universo material e os traços psíquicos mais característicos do "romantismo monstruoso dos nossos dias". Uma poesia de 1844.1857. o seu interesse vem não apenas do significado que apresenta. Andando. pálida e mansa. três ou quatro peças de teatro em verso. dos Primeiros e Segundos Cantos. "A ilusão do beija-flor". ainda o mostra dengoso e pelintra. como fato. não excluindo os de Álvares de Azevedo. que a noite se avança."< ". por uma insensível beldade. que se encontra a sua melhor contribuição. beleza do verso em certos momentos. pois. É uma inspirada oleogravura onde vemos. Autor de algumas poesias esparsas. desenganada dos homens. para a história literária. que uns olhos tão belos desejam. No céu se desliza. Apesar de circunstanciais e medíocres.". nesse ínterim. como os últimos árcades em veia anacreôntica. devida certamente à publicação. contemporâneo dos primeiros ultraromânticos. parece que a terra não pisa. que." Os seus olhos negros ardentes flamejam Mil setas que ferem. como o qualificava. -. W #E as setas.

sonha. diferentes das nossas. prestes a matar-se. a rubra capa. que vem do mar..-"< . alucinada e inútil corrida noturna de ambas. depois de quebrada a sua Harpa. alegoria do desespero qne o Romantismo incorporava ao ideal de poesia. Envolvendo tudo. E medita. Como visão translúcida. a noite misteriosa. ei-lo está: . c v ! ^ . a claridade da lua.r Sobre o negro penhasco lembra a idéia . com um manto vermelho nos ombros.. há nesse arsenal de paródias estofo para o maior ridículo. aparecimento da Mãe. Meia noite!. colóquio dramático do Trovador e da Peregrina. olhos fitos no oceano. vestida de gazes. encontraremos uma inesperada atmosfera de poesia fantasmal. correspondendo à sua paixão precisa e áspera: 98 lápides do cemitério. Pelo vento estendida. a capela arruinada. troncos nodosos. . Mas se nos pusermos dentro das convenções do tempo. Afaga-lhe com a destra as cordas mudas. que procura movê-la a favor do filho. De sangue e morte em alma de assassino. todo negro. pedras. Há certa força byroniana no Trovador sobre o seu penhasco. 14 A este personagem estão associadas as imagens sólidas e definidas do poema.". (I. f Soltos à brisa voam-lhe os cabelos. Como se vê.. corre ao longo dos regatos por entre a folhagem. aos olhos de hoje. o cemitério onde brilha uma lâmpada perene. a tempestade. as vagas. .talvez disséreis Num trono de granito o desespero. apesar da prolixidade e fa cilidade do verso. sente a atração do pélago e seus mistérios. " .onho e paixão. pois ele se mata antes de chegarem. em companhia da Doida. insinua-se ao seu lado a tênue Doida. Cinge a harpa de amor com o braço esquerdo. chora.

ontrapondo uma brancura diáfana ao luto cerrado do Trovador. como a Ondina inefável de La M otte-Fouqué. por ela. numa noite de sábado. Sobe alta serra.-"""-"-". com as madeixas tão longas espargidas. \. o poeta morre. há alguma coisa das personagens de certas baladas e contos germânicos. Dos sábados a noite as fadas amam. abraçado à meiga Ondina. e quem então a visse Nessa que alveja roçagante capa. mas imaterializada pela aspiração ideal de castidade. Salamandras depois do Céu no fogo Em meteoros ígneos lampejando. algo de uma Willis toda nua Das legendas da Alemanha. entranha-se num bosque Umbroso e denso. " " Nadando pelo ar. e tem na Doida uma espécie de correlativo terrestre. carnal e sólida na sua beleza. a Peregrina. onde vêm fundir-se alguns conceitos fundamentais do Romantismo: a beleza . casta e fria na sua ternura.generoso sacrifício Mísera Doida a consumar se apressa. Dos sábados a noite as fadas amam. Entre a sua fluidez e a negra consistência do Trovador se interpõe. Ei-la vai: . signo maior do poema. sobre a Rocha Negra. n. que a floresta encanta. Ou branco gênio. de espanto estreme cera. ao modo da que apareceria mais tarde no verso encantado de Raimundo Corrêa. que clareia na sua brancura o negrume do mundo. E muda e só. o canto de adeus. à luz da lua. silfos agora. *"-" . Na torrente ou no mar dançando à lua.Ondinas finalmente em claro lago. Vagam então -mais livres e atrevidas Dos malefícios a colher o fruto. vacilando entre a terra dura e a fluidez do mar. 1) 99 #Neste cenário o Trovador desfere. Qual se encontrara pálido fantasma. Na sua natureza ambígua de mulher-fada. (ni. (VI.

salve!. libertando o poeta da incompreensão do mundo :. que arrebatas Das garras desse tigre -nobres vítimas. estou livre . assomo d"alma.a vida mente! Tu és pálida virgem compassiva... De sigilo e de olvido arca sagrada. alfim deixei-te! Eis-me pisando o umbral da eternidade. que coroa o gênio. Salve papoula dos jardins do Eterno! (vi. morte piedosa! eterna amiga. Que enxugas sempre do infeliz o pranto. Inimiga do mundo. e. mundo. Águia do inferno. doce mistério! salve. Porta solene que se fecha ao mundo E se abre à eternidade. salve!. Vingança do oprimido. Não é difícil perceber neste fragmento inicial a impregnação de Leopardi. Desencanto do pó. Anjo da glória. Vão teatro da vida. Que de uma vez a dor num sopro acabas. o cisne te assoberba.. Mansão das ilusões. audaz recurso. morte augusta. o seu caráter de fatalidade na vocação artística. Salve. ó morte! Caluniadora vida em vão pintou-te Hediondo esqueleto: . resultando um dos mais . inclusive imagens inspiradas por "Amore e Morte".. -""-" -"". Salve. Rainha do silêncio." Abismo em cujo fundo a paz habita.da morte.

U) Tais exemplos. deste modo.r . -não te lembra Que da donzela a c"roa se desfolha "". As lacunas. quando vem se unir ao poeta para a morte. É da ventura benfazejo sopro A que a vela te enfuna aura suave? Linda filha do mar. . Que quer dizer esse cando . . Serás tu da esperança -mensageira.. ou virginal mortalha?. uma comunicabilidade entre os elementos e os seres.. Ao longe duvidosa e já tão bela! l . "\ r?.belos e serenos cantos fúnebres do nosso Romantismo.. a que se poderiam juntar outros muitos. . O suicídio do Trovador. ..Amor das brisas. É véu de noiva. que é um dos fatores da sua magia insinuante. devidas sobretudo à prolixidade. Por isso. ou no sepulcro?. a dor e a paixão. : Num tálamo de amor. Por todo o poema. """"-" (VI. aliás. abraçado à mulher que não ama. "" "" Alva barquinha. . é como se presenciás semos a um noivado além da vida 1OO " Alvacenta barquinha. como ficou sugeri do. cuja leitura ainda hoje n . não sabes Que o vestido da noiva em cor iguala A mortalha da virgem?. graciosa. Que entre os fulgores do luar te mostras . . . .. Que traga a um triste inesperado alento?. . pérola das ondas. J. para onde também quer fugir do destino que a marcou na fronte. teu candor que exprime?. a quem vestiram com as brancas vestes que a donzela estima. onde poucos no Brasil se moveram tão bem. mas irmanou à sua tragédia. como rit o propiciatório de uma existência mais bela e essencial. circula. como a que a Doida lhe oferece na miragem do fundo do mar. a vida e a morte. . não invalidam o poema. mostram que a Nebulosa abre as portas de um mundo romântico.. aparece.

. servindo-nos para justificar a mediana das realizações e alimentar o sonho ba nal de cada dia. do ponto de vista psicológico. Este. Então. era poeta e cultivou sempre a nostalgia das letras. que sorveu e elaborou a dose de poesia de que era capaz. durante a vida inteira. como ele foi de maneira exemplar. conselheiro. só parece existir porque não pudemos segui-la. coroando o êxito mundano com a reticência elegante duma condicional. Maior dedicação não produziria com certeza resultados mais sólidos. burguês sensível . do burguês culto e refinado.sem exigir excessivo sacrifício. leve e corredio..os traz um hálito de fantasmagoria. O interessante 1O1 #é que foi tomado ao pé da letra pelos contemporâneos. mas não banal. Po . elegância e equilíbrio. revelando sensibilidade.exprimiu com freqüência a tristeza de haver sido arrebatado à poesia pela política.que estaria um pouco neste caso. respeitável e brilhante que teria satisfeito qualquer burguês razoável. Se tivesse seguido a vocação . . Ingratamente. Carreira fácil. gosto... mas os que alcançou são de muito born teor. contudo. uma comunicabilidade aumentada pela transparência do verso. . seja clito. na maioria cios casos. do insubmisso Sílvio Romero ao reverente Machado de Assis: se o conselheiro Otaviano. mas florão maior do intelectual. o que lhe dá..deputado. por ele chamada "Messalina impura". senador. pois ela lhe deu desde cedo os mais altos cargos do Império. age como paraíso perdido e escusa. A análise da sua obra revela. Muitas vezes a vocação existe. porém. sempre bem-vindo aos que são capazes de apreciar os vínculos entre "a alma romântica e o sonho". . porém. num cpíteto famoso. Otaviano. O interesse da sua pequena obra vem da circunstância dela representar uma espécie de inspiração do homem médio. onde as estrelas são as imagens dos poetas. Qualidades nem sempre dos grandes criadores. Francisco Otaviano. plenipotenciário. .a noite do sonho literário.

Tudo isto num verso quase sempre harmonioso e bem cuidado. exprimindo de certo modo a nossa condição geral de homens medianos. saudosa. Mas em tudo notamos certo dilaceramento que vitaliza. a bem do decoro. que o põe. reunindo o apaixonado e desabrido Catulo ao sereno. Em torno desse eixo central da sua personalidade literária se organizam as tendências comuns do tempo. na medida em que exprime de modo el egante essa dinãomica refreada. celebra a esposa e os filhos. Otaviano confere autenticidade ao convencional. confere categoria poética a uma ordem de sentimentos raramente estimulantes da boa poesia. em benifício da coerência exigida pela posição na sociedade. excetuado Gonçalves Dias. casado. e justamente porque o tenebroso respeito humano o conduz sempre de volta às soluções de equilíbrio social. (Todo burguês traz na alma um Horácio que oferece compensações ao seqüestro forçado de um Catulo). se manifesta inclinação por outra mulher. As suas preferências entre os latinos indicam de maneira significativa essa dualidade de espírito. sentimos o drama da convenção que amarra o burguês ao seu papel.r isso. comparar a vida humana à natureza. E meigos perfumes da brisa mimosa . O seu ouvido era excelente. acentuar o sofrimento como condição da existência. cuida logo de refreá-la. Nos seus versos estudantis a orgia só reponta como ocasião para aspirar à felicidade honesta do lar. que o levam a exprimir a melancolia e o desencontro. a sensibilidade expressa sem alarde. como técnica. freando discretamente a sua inevitável melopéia: 1O2 A noite era bela. De brando luar. enroupar a sensualidade com imagens leves. de quem o aproximam o senso de equilíbrio. alienando-o freqüentemente do que reponta nele de autêntico. muito acima de todos os poetas do primeiro grupo romântico. p acato Horácio. prova-o a maestria com que usou o novessílabo e o endecassflabo. fagueira. a c orreção da língua.

Em paga te peço.. teu canto. amor tão profundo.. mas é constante a sombra. teus lábios. O meu prazer era vê-la? Por que foge a minha estrela? 1O3 . te peço. anjo ou mulher. T eras minha vida.. um dos melhores exemplares que o Romantismo deixou do desespero amoroso: Oh! se te amei! Toda a manhã da vida Gastei-a em sonhos que de ti falavam! Outro tema corrente. ("L"éloge dês larmes") Oh! dá-me. Teus olhos. ("Canção da mocidade") Notemos que foi."" ("Delírio") "" [" " Certos poemas dele ficaram no gosto geral pelo torn sentencioso ou a delicadeza com que manifestam os sentimentos dominantes na literatura de então. salvo erro.. mas a corrente a mesma. .""* Corre ainda o regato por entre a verde alfombra. "". um dos primeiros senão o primeiro dos nossos românticos a utilizar regularmente o alexandrino. como "Recordações". sem mescla do mundo." O prazer que me restava. brilha na excelente "Partida". amor puro e santo. teu sopro. fazendo-o com excelente mão: A água é fresca e nova. o da amada inaccessível. teus lábios. onde encontramos como que a prefloração de um poema de Manuel Bandeira: Por que foge a minha estrela. de doze e treze sílabas. As folhas se renovam. . i ("No Campo") -""" " Se tens. t eu canto. no peito um coração. "*". teu sopro. ! As árvores são estas. que já nos sombrearam. Que a terra o não tem. pairando no ar. sem mescla do mundo. . Teus olhos. """"""--"-"-" Se no exílio em que me achava "w? íi.Subiam do vale.

na escala brasileira. Victor Hugo. Moore. na cena amorosa de Romeu e Julieta o nível sobe outra vez. faltou-lhe todavia o essencial.. Puro como a luz divina.. Deixou-me no isolamento O meu astro feiticeiro. Goethe. Schiller.. Um poeta de raça. Por que me deixa no ermo.. este. Catulo."Ser ou não ser".empreendida quando estudante em S. Para ser grande poeta. Cardoso de Menezes O mesmo não se pode escrever da obra de outro constante tradutor. como espírito e forma. Shelley. . . . cabendo-lhe pôr em jogo qualidades que possuía em alto grau: gosto. rio decênio de 4O. pois.. Uhland. aplicado e in extenso . ouvido. Alfieri. f. Inconsolável enfermo? s .João Cardoso de Menezes e Sousa. que julgava ter e não tinha: vocação imperiosa que requer o verso como único recurso para exprimir a personalidade. para atingir pontos elevados nos fragmentos de Childe Haro ld e Don Juan. Vertendo Horácio. situações poéticas onde o impulso criador era dado por outrem. Musse t. Meiga visão de um momento. plasticidade. Deixando de lado o que escreveu na velhice. seu contemporâneo na Academia de São Paulo.#Por que leva descaminho? $-f:. Breve sonho passageiro. Bastante inferior é o famoso monólogo do Hamlet . Shakespeare. Por que me deixa sozinho. Tanto assim que o seu melhor conjunto de poemas talvez sej am as traduções. (a incrível adaptação d"Os Lusíada . um homem culto e fino. Era um astro cintilante.".isto é. Paulo. . Era uma estrela brilhante. Ossian. Uma estrela peregrina. . é sempre poeta excelente. que merece maior atenção do que lhe vem sendo concedida.onde vem pre servada a nota mais autêntica do original. Byron. Não conheço em língua portuguesa tradução mais perfeita que a do relato de Otelo ao Conselho . .

Poema em 8 carmes. . de Bernardo Guimarães: Era no inverno. aperta a mão de um bago de uva. Pávido calça de Petrarca a luva. indianismo. No seu "Babilônia" está todo o futuro "Festim de Baltasar" de Elzeário Lapa Pinto.° ano. Pintavam com estólido palito A casa do Amaral e Companhia. gabado por Sílvio Romero. Amassando um pedaço de harmonia. feito para responder a outro. vendo que já estava em fins de Maio. pondo-se pela concepção do verso à vanguarda de homens como Magalhães. o pavoroso A Virgem Santíssima . cenas históricas. admirável. Tudo somado. Cantava o "Kirie" um lânguido cabrito. . E o pobre Ali Pachá. 1O5 #Capítulo in . mas decoroso. Passando. Por aí o futuro Barão de Paranapiacaba se entronca na segunda fase romântica. que pretendeu autêntico. poetado com certo discernimento do que 1O4 era então moderno.de cujos representantes paulistanos mais destacados foi contemporâneo. fugindo à chuva. de Gonçalves Dias. a que é anterior. devidamente traduzidos em nota. súbito.do desespero e da dúvida. deixando isto de lado. a sua melhor obra talvez seja um soneto bestialógico. e "A serra de Paranapiacaba" forma como parente pobre.°. Pôrto-Alegre. com retificações teológicas do Cardeal-Arcebispo. Sarapintados qual um burro frito. trove já um raio. uma resma de sem-gracíssimos versinhos de circunstância). é preciso no entanto mencionar-lhe o nome pela circunstância de haver. enorme pito. tendo acabado o curso quando Bernardo e Aureliano estavam no 2. Pilatos encostou-se à gelosia. isolamento. Monta depressa num cavalo baio. d""O Gigante de Pedra". raivoso. Eis. porém. no céu. nos meados do decênio de 4O. mas também do sarcasmo e da piada. E fumando. Os grilos da Turquia. semeando vocábulos tupis.s. E. Norberto e anunciando alguns rumos imediatos do Romantismo: melancolia. Álvares de Azevedo no 1.

Graças aos s eus produtos extremos. Os seus melhores momentos são porém aqueles em que permanece fiel à vocação de elaborar conscientemente uma realidade humana que extrai da observação direta. no Capítulo I. de certa maneira mais adequado às necessidades expressionais do século XIX. . exprime a realidade segundo um ponto de vista diferente. fecundando-a interiormente por um fermento de fantasia que a situa além do quotidiano. Alguma coisa de semelhante ao "grande realismo". anticlássico por excelência. exerce atividade inaccessível tanto à poesia quanto à ciência. considerado sobretudo a poesia como pedra de toque das tendências românticas. R. o estudo da ficção nos permitirá considerar outros aspectos que elas assumiram no Brasil. para com ela construir um sistema imaginário e mais durável. embebe-se de um lado em pleno sonho. e como vai de um pólo ao outro. PRIMEIROS SINAIS 3. O seu triunfo no Romantismo não é fortuito. completando o panorama do Nacionalismo literário. O seu fundamento não é com efeito a transfigurada realidade da primeira. DM INSTRUMENTO DE DESCOBERTA E INTERPRETAÇÃO 2. mas a realidade elaborada por um processo mental que guarda intacta a sua verossimilhança externa. nem a realidade c onstatada da segunda. de Lukács. opera a ligação entre d ois tipos opostos de conhecimento. de F. corn efeito. em concorrência com a vida. UM INSTRUMENTO DE DESCOBERTA E INTERPRETAÇÃO Tendo. é o mais universal e irregular dos gêneros modernos.O APARECIMENTO DA FICÇÃO 1. na gama das suas realizações. SOB O SIGNO DO FOLHETIM: TEIXEIRA E SOUSA 4. O HONRADO E FACDNDO JOAQUIM MANUEL DE MACEDO :" f #1. tocando de outro no documentário. O romance. comparativamente analítico e objetivo. Mais ou menos eqüidistante da pesquisa lírica e do estudo sistemático da realidade. ou à "visão ética". Complexo e amplo.

Daí a facilidade e a felicidade com que se tornou o gênero românt ico por excelência. que deveu ao Romantismo a defi1O9 #nitiva incorporação à literatura séria e o alto posto que mantém desde então. que dela se .Leavis. Daí um desenvolvimento da imprensa periódica e da indústria do livro. não cabia de modo algum na tragédia ou no poema: foi a seara própria do romance. outros intervieram para facilitar a sua voga. principalmente no que refere ao tratamento formal da matéria romanesca. a economia. a política. mencionemos a vocação histórica e sociológica do Romantismo. a moral. seriados. à busca de temas e sugestões. aquele. Ora. Entrando. e tc. que solicitaram desde logo um tipo accessível de literatura . podemos dizer. depois dos movimentos democráticos. Para uma estética avessa às distinções e limitações. que ao juntar-se fazem dele um gênero eminentemente aberto. devida à participação mais efetiva do povo na cultura.bastante multiforme para agradar a muitos paladares e relativamente amorfo para se ajustar às conveniências da publicação (folhetim. Em segundo lugar. A largura do seu âmbito. era com efeito o mais cômodo. pouco redutível às receitas que regiam os gêneros clássicos. com mais flexibilidade do que está contido no dogmatismo destes dois críticos. leva-o a romper com as normas que delimitavam os gêneros. a poesi a. considerado em função do meio e das relações sociais. pela história. acaba também por lhes roubar vários meios técnicos. Em primeiro lugar a ampliação do público ledor. da ric a diversificação estrutural de uma sociedade em crise. o estudo das sucessões históricas e dos grupos sociais. Além deste motivo de natureza artística. permitindo na sua frouxidão uma espécie de mistura de todos os outros. estimulando o interesse pelo comportamento humano.). o teatro.

reciprocamente. fazendo da sociedade uma vasta estrutura misteriosamente solitária. A emoção fácil e o refinamento perverso. Balzac. o afastamento desta posição ideal se fez na direção e em favor . que vão do péssimo ao genial. Alen car . O deslumbramento colombiano com que Balzac descobriu a interdependência dos indivíduos e dos grupos. como a que empresta movimento quase épico às engomadeiras do Assomoir. procura encontrar o miraculoso nos refolhos do quotidiano. amplitude e ambição equivalentes às da epopéia. As contradições profundas do Romantismo encontraram neste gênero o veículo ideal.os escritores mais irregulares que se pode imaginar numa certa ordem de valor. eqüivale ao orgulhoso júbilo com que Augusto Comte descobriu as leis de coexistência e evolução desta mesma socie dade. É característico do tempo que esta escala qualificativa se encontre freqüentemente no mesmo autor. a descrição minuciosa e fiel do "pedaço de vida" recebe nele um toque de fantasia inevitável. os vínculos misteriosos. só que em vez de arrancar os homens à contingência para levá-los ao plano do milagre. Herculano.tudo nele: se fundiu.alimentou. a simplificação dos caracteres. Mesmo o romance fantástico e tenebros o não escapa às limitações de tempo e espaço. manifesto principalmente na verossimilhança que procura 11O imprimir à narrativa. como Victor Hugo. embora as distenda até a fantasia. a incontinência verbal . originando uma catadupa de obras do mais variado tipo. a pressa das visões e o amor ao detalhe. Há pois. alimentando ao mesmo tempo o espírito histórico do século. Há nele uma espécie de proporção áurea. um "número de ouro" obtido pelo ajustamento ideal entre a forma literária e o problema humano que ela exprime. O eixo do romance oitocentista é pois o respeito inicial pela realidade. no romance. No Romantismo. Dickens.

A insistência dos naturalistas no determinismo inspirado pelas ciências naturais não nos deve fazer esquecer o dos românticos. Verossimilhança da história e da sociologia para os escritores do século XIX. . far-se-ia na direção da ciência e do jornalismo. mais tarde. transmitida. Tanto num quanto noutro. costumes . Uma vasta soma de realidade observada. que apenas seria desnorteante se não lhe correspondesse um patente romantismo dos naturalist as. "Sendo a nossa pretensão. . enquanto romancista. sobretudo a de encadear os acontecimentos uns aos outros corn a lógica quase fatal". acontecimentos. personagens-padrões. os antecedentes. a disposição comum de sugerir certo determinismo nos atos e pensamentos do per sonagem. encaminhou-se resolutamente para a descrição e o estudo das relações humanas em sociedade. Esta noção de que os acontecimentos e as paixões "se encadeiam" é a própria lei do romance e a razão profunda da verossimilhança.. cenas. até que os do século XX a fossem procurar e m certos inverossímeis da psicologia moderna.. não Zola. épocas. n"O Visconde de Bragelonne. de inspiração histórica.. sempre que o romance romântico resistiu à tentação da poesia e buscou a norma desse gênero sem normas. mais fundo.foram abundantemente levantados quer no tempo (pelo romance histórico. usos.da poesia. a paixão ou o organismo. paisagens. tipos sociais. quer no espaço. um conjunto muito mais coeso do que se poderia supor à primeira vista. convenções. que se elaborou e transfigurou graças ao processo normal de tratamento da realidade no romance: um ponto de vista. e da nossa em particular. herdada.escreveu. L ugares.. porém. Alexandre Dumas. no Naturalismo. para fazer da ficção literária no século XIX. Por isso. permanece o esteio da verossimilhança e. que serviu de guia). uns e outros se aplicavam em mostrar o s diferentes modos por que a ação e o sentimento dos homens eram causados pelo meio. mas. Daí um realismo dos românticos. com matizes mais ou menos acentuados de fatalismo.

dando-lhe um lastro ponderável de coisas brasileiras. Basta relancear em nossa literatura para sentir a importância deste. Nacionalismo. É o vínculo que une as Memórias de um Sargento de Milícias ao Guarani e a Inocência. Esta tendência naturalizou a literatura portuguesa no Brasil. moral) mediante a qual o autor opera sobre a realidade. encontra no romance a linguagem mais eficiente. a conseqüência imediata e salutar foi a descrição de lugares. uma doutrina (política. fez do romance verdadeira forma de pesquisa e descoberta do país. a saber. levada a efeito com vigor e eficácia equivalentes aos dos estudos históricos e sociais. e significa por vezes menos o impulso espontâneo de descrever a nossa realidade do que a intenção prograrnãotica. entre o gênio e os padrões sociais. fatos. Bernardo Guimarães. consistiu basicamente. na literatura brasileira. em escrever sobre coisas locais. o nacionalismo literário. selecionando e agrupando os seus vários aspectos segundo uma diretriz. A nossa cultura intelectual encontrou nisto elemento dinamizador de primeira ordem. a resolução patriótica de fazê-lo.uma posição. Este alto nível. à posição intelectual e afetiva que norteou todo o nosso Romantismo. mas de Vautrin e Raskolnikof. um destes pontos de vista. Taunay) elaborou a realidade graças ao ponto de vista. entre os mais caros à imaginação romântica: o conflito entre indivíduo e grupo. mais ainda como instrumento de interpretação social do que como realização artística de alto nível. cenas. a título de exemplo. Lembremos. O ideal romântico-nacionalista de criar a expressão nova d e um país novo. como vimos. no romance. aquela interpretação. que contribuiu para fixar uma consciência mais viva da literatura como estilização de determinadas condições locais. Alencar. E como além de recurso estético foi um projeto nacionalista. costumes do Brasil. No Brasil. Franklin Tá111 #vora. . que é o nervo dialético não apenas do Judeu Errante e do Conde de Monte Cristo. o romance romântico nas suas produções mais características (em Macedo. p oucas vezes atingido. artística.

o romance não poderia realmente jogar-se desde logo ao estudo das complicações psicológicas. O advento da burguesia. Na sociedade brasileira. (se assim pudermos cham ar ao novo estrato formado. (ao contrário da rude obtusidade das elites rurais). nas cidades. . que não cessaria de ampliar-se e refinar. o romance se desdobra desde logo numa larga frente. E ao 112 Teixeira e Sousa . superpostos à escravaria e aos desclassificados. Acompanhando de perto as vicissitudes do nacionalismo literário. Estas surgem como espetáculo ao nível da consciência literária na medida em que o comportamento se vê ante expectativas múltiplas. portanto ainda caracterizada por uma rede pouco vária de relações sociais. quanto pela ascensão de comerciantes e o desenvolvimento da burocracia). porém. a imaginação e a observação de alguns ficcionistas ampliaram largamente a visão da terra e do homem brasileiro. de Teixeira e Sousa. no interior da classe dominante. Iniciando em fins do decênio de 3O com algumas novelas pouco apreciáveis e efetivamente pouco apreciadas de Pereira da Silva. até o começo do século XIX. #definir uma classe mais culta. e atendendo de certo modo às necessidades e aspirações desta nova classe. com as suas agitações. o advento da burguesia criava.(Cortesia da Biblioteca Municipal de São Paulo).No período romântico. nos grupos pouco numerosos e de estrutura estável. os padrões são universalmente aceitos. no ano seguinte. irrequieta e curiosa. toma corpo em 1843 com O Filho do Pescador. a multiplicidade das dúvidas e opções morais. deu por assim dizer carta de maioridade ao Rio). determinava condições objetivas e subjetivas para o desenvolvimento da análise e o confronto do indivíduo com a sociedade. tornando pouco freqüentes os conflitos entre o ato e ar norma. e A Moreninha. novos problemas de ajustamento da conduta. a estratificação simples dos grupos familiais. não propiciava. Numa sociedade pouco urbanizada (o período regencial. de Joaquim Manuel de Macedo. tanto pela imigração de fazendeiros.

por outra. Assim. porém . numa utopia retrospectiva. poéticas e históricas. a que os românticos desejavam. Ora a narrativa é soberana. ressalta a atenção ao meio. O romance histórico se enquadrou aqui nesta mesma orientação. misturam-se inseparàvelmente peripécia e pintura de tipos. como a certas necessidades já assinaladas. o romance brasileiro nasceu regionalista e de costumes.não apenas em sua obra. e através desta corrente geral. Iracema. Bernardo ou Franklin Távora. selva. ao espaço geográfico e social onde a narrativa se desenvolve. A figura dominante do período. determinados pelo espaço geocultural em que se desenvolve a narrativa: cidade. passou pelos três e nos três anos deixou obras-primas: Lucíola. como em Macedo. ou melhor. As mais das vezes. do ponto de vista da evolução do gênero. vida primitiva. o romance indianista constitui desenvolvimento à parte. a que se vai juntando a consciência cada vez mais apurada do quadro geográfico e social. campo. três graus na matéria romanesca. e corresponde não só à imitação de Chateaubriand e Cooper. pois.Enredo e caracteres: eis o que terá a princípio. vida rural. como em Manuel Antônio de Almeida. ou. dar tanto quanto possível traços autóctones. E é esse caráter de exploração e levantamento . O Sertanejo. Quanto à matéria. pendeu desde cedo para a descrição dos tipos humanos e formas de vida social nas cidades e nos campos. ora predominam os caracteres. Em todos. vida urbana. como em Teixeira e Sousa. mas nas dos outros . de estabelecer um passado heró ico e lendário para a nossa civilização. criando com o indianismo uma nova província para a sensibilidade e visão do paí s. o filête vivo e ardente da poesia alencariana. Alencar. José de Alencar.que dá à ficção romântica importância capital como tomada de consciência da rea . e até a maturidade de Machado de Assis não passará realmente muito além destes elementos básicos.

valendo por uma tomada de consciência. a seqüência narrativa inserindo-se no ambiente. Balzac. de Macedo e Alencar. os pampas do extremo sul. no plano literário. quase se escravizando a ele. No Brasil. as fazendas. Em país caracterizado por zonas tão separadas. Literatura extensiva. do espaço geográfico e social. num romance descritivo e de co stumes como é o nosso. com Bernardo Guimarães. é ao mesmo tempo documento eloqüente da rarefação na densidade espirit ual. os cer rados de Minas e Goiás. Talvez o seu legado consista menos em tipos. camadas. Primeiro. cuja inter-relação vinha enriquecer. que são a própria carne da ficção de alto nível. ou o Rio popular e pícaro de Manuel Antônio. por exemplo.lidade brasileira no plano da arte. as pequenas vilas fluminenses de Teixeira e Sousa. 113 #Por isso mesmo. Assim. longamente amadurecidos. esgotando regiões literárias e deixando pouca terra para os sucessores. já referidas. aquelas opções e alternativas. Alencar incorpora o Ceará dos campos e das praias. que a criação artística sobrepõe à realidade geográfica e social. de formação histórica diversa. percorrer uma gama extensa de grupos. podia sem sair de Paris. procurando uma . cercando o Rio familiar e sala-de-visitas. o que se vai formando e permanecendo na imaginação do leitor é um Brasil colorido e multiforme. Alencar e Bernardo traçam o São Paulo rural e urbano. Taunay revela Mato Grosso. o Pernambuco canavieira. profissões. riqueza e variedade foram buscadas pelo deslocamento da imaginação no espaço. enquanto o naturalismo acrescenta o Maranhão de Aluísio e a Amazônia de Inglês de Sousa. tal romance. verdadeira consecução do ideal de nacionalismo literário. Esta vocação ecológica se manifesta por uma conquista progressiva de território. o nosso romance tem fome de espaço e uma ânsia topográfica de apalpar todo o país. proclamado pela Niterói. como se vê. os garimpos. Franklin Távora. personagens e peripécias do que em certas regiões tornadas literárias. no plano do comportamento. depois. se estendendo pela Paraíba.

mostra quanto a nossa literatura tem sido consciente da sua aplicação social e responsabilidade na construção de uma cultura. que ia consolidando o terreno para a sondagem profunda de Machado de Assis. exotismo da própria Itaboraí para os leitores cariocas de Macedo. O aprofundamento da análise vai se tornando viável pela sedimentação do material estudado no romance extensivo. Em Machado. quase tod os. A vocação pública. para o grande romancista.espécie de exotismo que estimula a observação do escritor e a curiosidade do leitor. cujas coordenadas delimitam. de um senso de missão. Manuel Antônio e Alencar (mais refinado na análise à medida que se ia a mpliando e diversificando a burguesia como classe) constituem por assim dizer a superposição progressiva de camadas. o romance urbano de Macedo. juntam-se por um momento os dois processos ger ais da nossa literatura: a pesquisa dos valores espirituais. o conhecimento do homem e da sociedade locais.coisas que não encontramos senão excepcionalmente no Brasil oitocentista. num plano universal. em especial. que os engloba e transcende. mas simplesmente humano. de vez que o próprio alcance social de uma obra é decidido pela sua densidade artística e a receptivi . Um 114 eixo vertical e um eixo horizontal. Exotismo do Ceará pa ra o homem do sul. Os românticos. E o fato de não terem produzido grande literatura (longe disso) mostra como são imprescindíveis a consciência propriamente artística e a simpatia clarivi dente do leitor . de Macedo a Jorge Amado. o senso de dever literário não bastam. O romance r rural de Bernardo e Távora. um espaço não mais geográfico ou social. se achavam possuídos. O desenvolvimento do romance brasileiro. um intuito de exprimir a realidade específica da sociedade brasileira.

um conflito por vezes constrangedor entre a realidade e o sonho. a que nos vimos referindo. No caso do indianismo. e provém da disposição de fixar literàriamente a paisagem. o incoerente. (fortalecidas pelo ossianismo). Este acentuado realismo (em nada inferior muitas vez es ao dos nossos naturalistas e modernos. habitantes rústicos. Isto nos leva a um interessante problema literário. a cujo ângulo de visão se ajustava o romancista: primitivo s habitantes. A consciência social dos românticos imprime aos seus romances esse cunho realista. as convenções românticas de poesia primitiva. Daí as duas direções: indianismo. o desmesurado. Levados à descrição da realidade pelo programa nacionalista. favoreciam o emprego de um . mais ou menos isolados da influência européia direta. regionalismo. tão marcados de romantismo) estabelece no romance romântico uma contradição interna. O problema referido c o da expressão literária ade quada a cada uma delas. n a articulação dos episódios. em estado de isolamento ou na fase cios contados com o branco. tratando-se de descrever populações de língua e costumes totalmente diversos dos portugueses. Dentre os temas brasileiros. na configuração dos personagens. abrindo frinchas na objetividade da observação e restabelecendo certas tendências profundas da escola para o fantástico. os costumes os tipos humanos. a tendência idealista rompe nas junturas das frases. A cada momento. impostos pelo nacionalismo. os escritores de que vamos tratar eram contudo demasiado românticos para elaborar um estilo e uma composição adequados. criando com certo requinte de fantasia a linguagem e atitudes dos personagens. podia a convenção poética agir com grande liberdade. na linguagem e na concepção.dade que desperta em certos meios. O mo115 #dêlo respeitadíssimo de Chateaubriand. tenderiam a ser mais reputados os aspectos de sabor exótico para o homem da cidade.

visto que a matéria não levantava problemas de fidelidade ao real.torn poético. pela quota . no limiar de Jucá. porém. pois o original estava ao alcance do leitor. levando o escritor a oscilar entre a fantasia e a fidelidade ao real. dependia do esforço criador dos escritores daqui. mas pitoresca expressão do narrador. (já que não podia canalizar tão facilmente quanto o indianismo e o romance urbano a influência de modelos europeus). o regionalismo foi um fator decisivo de autonomia literária e. No caso do regionalismo. poderiam servir de epígrafe a quase toda a nossa literatura regionalista. e que. a língua e os costumes descritos eram próximos dos da cidade. que nos disse haver conhecido de perto o personagem que nela figura. nem como devera ser. neste caso. apresentando difícil problema de estilização. o T ropeiro."1 Mas justamente por implicar esforço pessoal de estilização. Daí a ambigüidade que desde o início marcou o nosso regionalismo. resultou uma coisa esquisita. de inúmeros termos familiares. saída da mão de quem se atira a escrever para o público. não tendo nenhum Chateaubriand para modelo. Havendo contudo reconhecido a originalidade e for ca de colorido dessa linguagem. do que à nossa pena. nem como era contada pelo ex-sargento. acabou paradoxalmente conduzindo ao artificialismo o gênero baseado na realidade mais geral e de certo modo mais própria do país. O que fizemos foi desbastar o correr da história de incidentes por demais longos. de respeito a uma realidade que não se podia fantasiar tão livremente quanto a do índio e que. sobretudo sob o aspecto sertanejo que assumiu com o Naturalismo: "A autoria da presente narração pertence mais a um exsargento de voluntários de Minas. A obtenção da verossimilhança era. e desejando conservar ainda um quê da ingênua. mais difícil. e sobretudo de locuções chulas e sertanejas que podiam por vezes parecer inconvenientes. As palavras de Taunay.

nos romances regionalistas e urbanos. Bem claro se torna pois o papel da história. tendo passado a vi Sílvio Dinarte. dentre eles. foi também fator de limitação. inventado personagens socialmente inverossímeis. Quando se fala na irrealidade ou convencionalismo dos romancistas românticos. não foram irreais na descrição da realidade social.de observação que implicava. Mais do que ela. incompatíveis com as condições ambientes. como se poderia esperar devido à influência estrangeira. Daí a dupla fidelidade dos nossos romancistas . que sugeria situações inspiradas por um meio socialmente mais rico. é. É digna de reparo a circunstância de não haverem. d"A Dama das Camélias em Lucíola. Macedo é o caso mais típico neste sentido. importante contrapeso realista.atentos por um lado à realid ade local. por outro à moda francesa e portuguesa. como ampliação de um limitado ecúmeno literário. funcionou aqui a fi delidade ao meio observado: e apesar da fascinação exercida por Balzac. Este realismo. da a girar em torno de quatro ou cinco situações no mesmo e acanhado ambiente da burguesia carioca.. Dumas. visto como a objetividade amarrou o escritor à representação de um meio pouco estimulante. Estude-se a influência do Ivanhoe n"O Sertanejo. nunca se traçou (1) 116 em nossa literatura um Rastignac. 183. mas apenas nas s ituações narrativas. pág. Fidelidade dilacerada. e fórmulas amadurecidas por uma tradição literária mais refinada. Igualmente clar o é o apelo constante ao padrão europeu. Feuillet. do indianismo e do exotismo regionalista. O grifo é meu. que poderia ter prejudicado a constituição de uma .preciso notar que os bons. ou do Romance dum Rapaz pobre em Senhora. que foi virtude e obedeceu ao programa nacionalista. Histórias Brasileiras. um Monte Cristo ou um Camors. por isso mesmo difícil. para se apreciar o tacto com que Alencar manuseava sugestões européias.

ele aplicou o seu gênio em assimilar. A sua linha evolutiva mostra o escritor altamente consciente. para inspirar -se em Zola e Eça de Queirós. os melhores recomeçam da capo e só os medíocres continuam o passado. O próprio Magalhães traz a sua contribuição em 1844. sem aproveitar a sua lição. amor e pátria. como se viu principalmente no caso do Naturalismo. caíram nos mesmos erros dos românticos (sobretudo Aluísio de Azevedo). com a exceção de Raul Pompéia e Adolfo Caminha. na vocação analítica de José de Alencar. na orientação de Macedo para a descrição de costumes. de definiti vo. a cada geração. com efeito. Religião. veremos que esse mestre admirável se embebeu meticulosamente da obra dos predecessores.verdadeira continuidade literária entre nós. do seu alheamento às modas literárias de Portugal e 117 #Pereira da Silva produz nada menos de três obras de ficção em dois anos: Uma paixão de artista. a primazia coube a Norberto. Em 1843 aparece O Filho do . sob o influxo da última novidade ultramarina. fecundar o que havia de certo nas experiências anteriores. na Minerva. seguida em 1844 por Maria. é a circunstância do romance post-romântico haver renegado o trabalho admirável de Alencar. aprofundar. Dos seguidores. Se voltarmos porém as vistas para Machado de Assis. publicando na Minerva Brasiliense a novel a Amância. para não falar nas duas excelentes realizações isoladas que foram as Memórias de um Sargento de Milícias e Inocência. Ele pressupõe a existência dos predecessores. Significativa. que compreendeu o que havia de certo. e esta é uma das razões da sua grandeza: numa literatura e m que. já que cada escritor e cada geração tendiam a recomeçar a experiência por conta própria. com As duas órfãs (1841). no realismo sadio e colorido de Manuel Antônio. A conseqüência foi que os nossos naturalistas. (1838) Jerônimo Côrte-Real (184O). Este é o segredo da sua independência em relação a os contemporâneos europeus.

Provam-no a quantidade de traduções e a abundante publicação de folhetins seriados nos jornais. que o interesse pelo romance parece coincidir com o aparecimento das primeiras manifestações românticas. Além dos fatores individuais. chegando a estabelecer uma lista. suponhamos que o número seja 1OO. considerado geralmente o primeiro romance brasileiro. em pouco menos de um terço do período investigado (7 anos sobre 24). para evitar um raciocínio causai arriscado. que é também o momento em que começa .4 Admitindo que tenha escapado à sua investigação mais ou menos um terço. dois terços. A Moreninha e O moço loiro. isto é. não apenas do Rio. que se resumem geralmente com o nome de vocação. Primeiro. decaindo o ritmo a partir de 1847. J. apesar de trazerem por vezes esta designação. a influir no aparecimento do roman ce entre nós. surgem como as primeiras obras apreciáveis pela coerência e execução. sempre decisiva. a tentativa de inserir os problemas humanos num ambiente social descrito com fidelidade. de Macedo. É interessante verificar que a maioria aparece no ano de 1839.Pescador. considere-se. que considera "certamente muito incompleta". Estes números sugerem duas observações. M. o que dá uma média de quatro romances anuais. houve certamente por parte do público apreciável solicitação. Estudando o problema da propriedade literária. fundindo tendências anteriormente esboçadas e dando exemplo dos rumos que o nosso romance seguiria. mas de todo o país. Entre 1838 (aparecimento das novelas de Pereira da Silva) e 1845 (aparecimento d"O moço loiro) estão situados 5O dos 74 da lista de Pinto Coelho. entre 183O e 1854. respectivamente. de 74 romances traduzidos e publicados desta forma. ou seja. já que os outros. de Teixeira e Sousa. Em 1844 e 1845. e da influência estrangeira. têm dimensões de conto ou novela. ou pelo menos receptividade. Vaz Pinto Coelho foi levado a pesquisar os folhet ins.

bem como a chegar aqui o exemplo francês. a intensidade dos folhetins traduzidos diminui no momento em que se define a produção local. Vaz Pinto Coelho. Haroldo ParanhOB. como Caetano Lopes de Moura. (4) J. M.a se desenvolver o jornalismo de maior porte. Mas pelo século afora o romance estrangeir o. foi concorrente do nacional. e o que é mais. no Brasil. cuja biografia escreveu. vol. com sucesso garantido? Como quereis que editem um romance. Revista Brasileira (II). quando acham já feitos.5 No decênio de 183O. O introdutor da publicação de romances e contos em folhetins teria sido. Talvez os três fatores devam ser cornbinados.p erguntava José Veríssimo ainda em 188O. Ê preciso considerar não apenas os folhetins." págs. 494-495. criando no público o hábito do romance e despertando interesse dos escritores. publicadas aqui ou chegada s abundantemente de Portugal e da França. "Como quereis que (os) editores nos comprem os nossos trabalhos. 241). 8. Zola?" . médico dos exércitos de Napoleão. se podem contrafazer o Primo Basflio do sr. vol. traduzido sem pagamento de direitos autorais. num congresso internacional. ou traduzir o Assomoir do sr. Justiniano José da Rocha. mas as traduções em volume. mesmo do nosso melhor romancista. isto significaria que ela tomou em parte o seu lugar e viria corresponder a necessidades do meio. Eça de Queirós. Os tradutores brasileiros eram muitas vezes de boa qualidade. História do Romantismo no Brasil. II pág. por melhores que eles sejam. desestimulando os nossos escritores. que publicou um pouco de tudo para viv . compilou. "Da propriedade literária no Brasil". chegando-se a dizer que prejudicava o seu desenvolvimento. 12O Em segundo lugar. a tradução foi todavia incentivo de primeira ordem. ou melhor.

Rabou. vezes. Scribe. Os livros traduzidos pertenciam. Vigny. Outro tradutor foi Paula Brito. tanto quanto as obras de valor real. em 1839. mormente biográficos.8 Para uma idéia das tendências iniciais da ficção brasileira. de autor ainda não identificado. Chateaubriand. Goethe. ao lado de George Sand. inclusive algo muito útil aos seus patrícios: uma Arte de se curar a si mesmo das doenças venéreas (1839).er. etc. em Paris. mais do que os livros de peso em que se fixa de preferência a nossa atenção. cit. Berthet. ilustradas por Pereira da Silva (Jerònimo Corte Real). a quem se deve a publicação do Cancioneiro de Dom Diniz. o seu romance é uma simples acentuação de tendências que podemos observar nos estudos históricos. começando por adaptar. Féval. ao que hoje se considera literatura de carregação. Dumas. Justiniano José da Rocha traduziu vários. de importante função ancilar na literatura romântica. Assim. livreiro. muitas vezes. Joaquim Norberto (Maria) e Gonçalves de Magalhães (Amância). centro da Sociedade Petalógica. Souvestre. a t rágica.. 493. a sentimental. representativas de outras tantas tendências que serão fundidas e superadas na obra de Macedo. Gonzalès. Eugéne Sue. ob. mas eram novidades prezadas. Na maioria. respectivamente. de Chateaubriand. onde supre lacunas documentárias com a achega da i . pág. se alinhavam Paul de Kock. editor. franceses. Balzac. bem como Os Natchez. Irving. além de outros cujo nome nada mais sugere atualmente: Bard. tomemos por amostra três obras. graças ao aparecimento do enquadramento social: a histórica. Esse baiano. Os assassinos misteriosos. na maior parte. Pereira da Silva se movimentava com desenvoltura entre a ficção e a realidade. Quem sabe quais e quantos desses subprodutos influíram na formação do nosso romance? Às (5) 121 Apud Pinto Coelho. Soulié. Mérimée. Chevalier. David. traduziu a maior parte dos romances de Walter Scott e do cap itão Marryat. revelando nos títulos o gênero que se convencionou chamar folhetinesco.

aparecendo uma como pretexto da outra. 145-15O. volta. Muito mais tarde. onde f ica prisioneiro após Alcácer Quebir.. escreve. em Jerônimo Corte Real e Manuel de Morais (não conheço os dois outros roma nces históricos). em Manuel de Mora is (1866). O fio da meada é a sua paixão por D. págs. procurando recompor através da ficção a vida turbulenta e mal conhecida do famoso jesuíta paulistano. pr evendo o desastre do jovem rei. Sobre as traduções de Lopes #Moura e Justlniano. E. reversivelmente. Não é este o ramo mais popular da moderna literatura. é tão importante quanto isso o desejo de meter em cena personagens históricos. no respectivo prefácio. tudo numa língua recortada n"Os Lusíadas. estamos quase a meio caminho entre documento e invenção. Mas sentimos que. Sebastião para a África. Leonor de Vasconcelos. consultar o levantamento de Basílio de Magalhães. partindo em seguida com D. As duas linhas se perturbam. escudando-se no romance histórico: "Confundir-s e-ão no mesmo quadro a história real e a imaginação aventureira.maginação. mais tarde Varões Ilustres dos tempos coloniais. a sua obra poderia ter como epígrafe o título de um dos seus últimos livros: História e Legenda. que aparece esmolando com o fiel jáo. cujo irmão abate em duelo. faria obra melhor arquitetada. a fórmula mais estimada pelo público da atualidade?" (6) Reporto-me sempre à lista de Pinto Coelho. segundo o ângulo do leitor. aconselhando o protagonista. para o autor. esta apenas corre mais livre a partir dos dados positivos. Bernardo Guimarães. assim justificaria o seu método. No Plutarco Brasileiro. e nos Episódios do Brasil colonial. sobretudo Camões. Tomada em conjunto. retira-se do mundo e morre. autor d"O Cerco de Diu e d"O Naufrágio de Sepúlveda. bem como o início do nosso romance. Jerônimo Corte Real põe em cena o poeta deste nome. 122 . .

eqüivalendo talvez a umas trinta de formato comum) não é certamente novela nem conto. em O Guarani e As minas de Prata. Este já sabia de tudo e mata a mulher abraçada à filhinha. a seu tempo nasce o pequeno Henrique. por isso mesmo é um precioso escôrço. primeiro violentador da série. preciosa pelo valor documentário. o rico e perverso José Feliciano quer violentá-la. Eis o enredo: Pedro Rodrigues. de Azambuja Suzano (1843). tão convencional. por sua vez. ou Vinte anos depois. tão feito de encomenda para ilustrar os lados caricaturais da escola. que abrangem três gerações. Meses . Entre ele e Clara se esboça um leve interesse incestuoso.tão ruim. Maria cresce. nove meses depois é exposto em sua casa o fruto do ato. logo identificado como Henrique pelo velho. mas o gênero só brilhou realmente no Brasil romântico entre as mãos de Alencar. mas não consegue. onde se compendiam o estilo e o temár io do Romantismo tenebroso. Maria. casa-a ent ão com o seu preposto Caetano. Teixeira e Sousa publicou anos depois Gonzaga. força uma jovem que tomava banho. e o casal tem uma filha. mas ele vai para o Rio. . à véspera do calabrês voltar. carvoeiro na floresta da Gávea. que se poderia definir como romance-relâmpago. Passam vinte anos.Como os seus ensaios romanescos iniciais se passavam em Portugal. com a especificação de "romance brasiliense". que ele confessa à esposa. bem como a técnica e a inserção temporal dos episódios. ou A Conjuração de Tiradentes (1848). há um naufrágio de que se salva um belo moço. cuja mãe adotiva morre de desgosto. Clara. que a sua leitura é uma jubilosa delícia. A matéria é de romance. misturando-se ao indianismo. tinta do seu sangue. é uma obrinha. raptado com violênc ia da choupana materna pelo pai. esta cria a pequena Maria como filha. calabrês honrado e bravio. considerou-se o primeiro romance histórico brasileiro Um roubo na Pavuna. Pedro. pois apesar do tamanho (onze páginas da Minerva Brasiliense. casado. Feliciano manda o calabrês para longe e possui brutalmente Maria. Clara é criada pelo avô.

sublinhado igualmente por outro s traços tomados aos costumes. matador da mãe dele. marcando o intuito "brasiliense". já então seu cunhado também. resol . filha de Caetano e da mulher que violentara.depois. perde-se no diálogo. que se atira da sacada do Passeio Público. Lendo furtivamente uma das cartas que ela trazia. surpresa. A Amância. Estas ponteiam a narrativa. O narrador. Henrique enlouquece e é recolhido à Misericórdia. Haviam marcado encontro para fugir. como se dizia) para dá-la a um madurão endinheirado. e como o jovem não viesse. O estilo aco m123 #panha. alternando-se. a tempestade comparece pontualmente. O cenário é a mata da Tijuca e da Gávea. qualificada de "novela". sobrevoando tudo. incesto. em subtítulo. é ainda uma lingua que procura se adaptar ao novo gênero. apresenta igual valor de paradigma no gênero sentimental. vinga-se nas descrições. a natureza se engalana. vestida de homem. sem saber como. socorre uma jovem desesperada. É a complicação romântica em todo o esplendor. médico. O homem que defendeu vai morrer. Henrique. à sua porta quatro homens agredindo um só. bondade e maldade. pois desposara entrementes #a jovem Clara. toma a sua de fesa e atira. mas antes conta que é Caetano. quando tudo amaina. onde então batia o mar. José Feliciano. quando há violência e desastre nos homens. coincidência. matando um dos agressores. reconhecimento por meio de sinais e. acompanhando o acontecime nto com docilidade. a Fatalidade. e que este acaba de matar o próprio pai. isto é. na sua comovedora falta de jeito. vem à mata visitar o avô e depara. de Magalhães. esteiada pela maquinaria adequada: violência e cordura. recorre à segunda pessoa do plural. conhece o drama: o pai não a quer deixar casar com o bem-amado (amante.

subordinando-o às variações deste. .obra de escritor mediano noutros gêneros.oferece exemplos verdad eiramente caricaturais. a menos que o autor possua o gênio narrativo de um Alexand re Dumas. e os personagens se dobrarem tão documente aos acontecimentos. que não chegamos a sentir o efeito da conven ção romanesca. que se revela um grosseirão i naceitável. Não sabendo. ou não querendo dar-lhe realidade própria. Amância manifesta aliás um caráter freqüente. 124 . fio diretor em torno do qual tudo se vem organizar. na maioria da ficção romântica: subordinação do sentimento ao acontecimento. entra o seu candidato e se comporta com uma grosseria encomendada nos bastidores #pelo romancista. péssimo neste. Amância. O que sobressai é a imperícia do autor. que se torna critério. Conhecem a verdade: imediatamente se reconciliam. mas o jovem fora. O pai é inflexível e está disposto a fazer a desgraça sentimental da filha. sem respeito à coerência. Em conseqüência. que faz esquecer o personagem enquanto ser humano.veu morrer. e não vendo por sua vez ninguém. fazendo os acontecimentos se dobrarem tão documente ao propósito esquemático. A moça vem à praia para fugir. o autor o amarra ao fato . reputa-a traidora e não quer mais saber de nada. os aspectos psicológicos dificilmente alcançam verossimilhança. atrasado. o namorado atrasa meia hora! Ela tenta se matar. Intervém o médico e concilia as boas graças do pai para o casal de namorados. de modo mais ou menos explícito. entrega-se ao desespero. . para darlhe rara vivacidade como elemento de uma combinação de fatos vertiginosamente lançados. O namorado não a encontra. auxiliado indiretamente pelo outro candidato.

Sobra apenas o transbordamento de lamúrias. perdões. convergindo para soluções perfeitamente adequadas à moral reinante. o born. SOB O SIGNO DO FOLHETIM: TEIXEIRA E SOUSA Imaginemos uma mistura dos elementos exemplificados nas obras de Norberto. quanto estas condiçõe s negativas não eram compensadas pelo fulgor de um grande talento. Félix Ferreira. os personagens inexistem separados do acontecimento. imposto pelo ficcionista com uma inabilidade que mata a verossimilhança. Magalhães e Pereira da Silva: o resultado será Teixeira e Sousa. Amância traz uma fórmula muito usada no Romantismo: o amor é um conjunto de complicações que põem os amantes à prova. Tanto mais. lágrimas. Noutra geração. terminando-a afinal quase dez anos mais tarde. notadamente a corte do "Senhor de Magalhaens". o seu passado de trabalhador manual. Escrevendo sobre o romance nascente. Sob este aspecto. Dutra e Melo ignora-o de todo. arrependimentos. ilustrando sempre o triunfo da virtude. 125 #3. alegrias. desdenhosa por certo ante a humildade das suas origens. os poucos que lhe deram importância foram. porventura Gonçalves Dias. gente secundária: Paula Brito. o permanente caiporismo. . festejado na "Petalógica" mas ao que parece. a fim de melhor recompensá-los. simpático e infeliz carpinteiro de Cabo Frio. que os dirige de fora. Sílvio Romero (duro com os medalhõ es. menos acatad o pelos figurões literários do tempo. um anônimo do Correio Mercantil. excetuado Santiago Nunes Ribeiro. Fernandes Pinheiro trata-o com polidez condescendente.ele se torna compreensivo e concorda com tudo. Em suma. desanca de tal modo a sua epopéia nacionalista que ele desiste de c ontinuá-la. sempre generoso com os sofredores) recebeu-o na História da Literatura Brasileira menos como critico do que como hospedeiro cornpadecido. Como romancista. a sua pobreza.

os quatro de poesia nunca se reeditaram. um acontecimento privilegiado. o esquecimento foi pétreo. crise psíquica.a sua arte). do que por representar no Bra sil. como sobretudo A Providência. virtudes. a metade ficou na primeira edição. estas chegam a um tal grau de intensidade e complicação. mas aquele cuja ocorrência pesa. em todos os processos e convicções. em literatura. Teixeira e Sousa é um escritor literalmente esquecido. de 126 permeio. #A Providência (1854). Tardes de um pintor ou As intrigas de um jesuíta (1847). que tocam as raias do grandioso. Ela é pois. como o terceiro e o quarto. governando tirânicamente o personagem. este só se define . nos cacoetes. Se procurarmos analisar os elementos da ficção de Teixeira e Sousa. maciçamente. Maria ou A menina roubada (1852-53). conclusão moral. impondo-se aos personagens. noutros. dos seis romances. Dos seus dez livros. embora a qualidade literária seja realmente de terceira plana. Alguns. Ele o representa com efeito em todos os traços de forma e conteúdo. são incríveis de tolice e puerilidade. talvez possamos distinguir quatro: peripécia. A peripécia não é um acontecimento qualquer. ridículos. o aspecto que se convencionou chamar folhetinesco do Romantismo. é considerável a sua importância histórica. No entanto.Da parte do público. menos por lhe caber até nova ordem a prioridade na cronologia do nosso romance. o juízo não tem sido menos severo. (hesito escrever . (não da nossa ficção). Quanto às peças de teatro. A sua carreira de ficcionista começa em 1843 com O Filho do Pescador e termina em 1856 com As fatalidades de dois jovens. digressão. é o triunfo da sublitera tura. Nos livros de Teixeira e Sousa. com tanta generosa abundância que nos prende a atenção e quase impõe o respeito. na medida em que (já vi mos a propósito de Magalhães) é a verdadeira mola do entrecho. influindo decisivamente no seu destino e no curso da narrativa. precedida nalguns casos pela publicação periódica em folhetim. Gonzaga ou A conjuração de Tiradentes (1848-1851).

o primitivo. a grande era da ficção representa o triunfo do personagem e da situação sobre a peripécia.às vezes prodigiosa. encerrada quem sabe por Kafka. Não se trata disso. as fugas. É necessário fazer aqui uma distinção.por meio dela. o esqueleto e o nervo do livro. Se em certos autores contemporâneos. incorpora o personagem e ap ela para o que há de mais elementar no leitor. onde. o processo atinge por vezes um exagero inversamente pernicioso. porém na esfera folhetinesca. mar127 . confundido nesta hora à criança. na Chartreuse de Parme. às vezes elementar. e se deleita. o homem rústico. mostrando o seu amadur ecimento ou simplesmente o seu imprevisto. a maior conquista da ficção moderna foi de ordem estática. Esta adquire consistência própria. que. Sabemos que em muitos romancistas de alto nível o personagem se revela em parte através do acontecimento. na fascinação pela magia gratuita da fábula. prisões. . impõe-se em bloco. não passa de elemento na concatenação de peripécias. O autor vai comentando. apontando o significado humano da situação. mas implicando sempre a supremacia do acessório sobre o essencial. estas sim. com as intrigas da corte ducal. que surge como suporte da sua verdade humana e ocasião para podermos apreendê-la. #Marcel Proust e James Joyce. aberta com os franceses e os ingleses do século XVIII. manobras. do causo. derrotando a cinemática da história. o personagem é que serve a peripécia. o certo é que a grande era da ficção. no desenrolar incessante das peripécias. desvendando a propósito o personagem. Qualquer leitor de Stend hal sabe disso. por uma inversão de perspectiva. constituem a al ma. Por isso. como os que se afogam na "corrente da consc iência". lutas.

Os fatos não ocorrem. que é uma espécie de ressonãoncia a envolver as palavras e alongar o seu significado além dos limites comuns. restaurando o equilíbrio entre o acontecimento. vêm prenhes de conseqüências. as trevas.malgrado tais elem entos. ante uma visão mais profunda. todavia. que. corn o nosso born carpinteiro. e do mistério. No romance folhetinesco do Romantismo. Para servi-lo convenientemente. De Teixeira e Sousa a Machado de Assis. a situação que lhe dá significado. instaurando um ritmo narrativo mais lento e menos sobrecarregado. a fatalidade é quase sempre mero recurso que supre a capacidade de interpretar a concaten ação da vida humana. Daí uma diminuição na lógica da narrativa. a peripécia consiste numa hipertrofia do fato corriqueiro. enquanto o mistério nunca é a opacidade do desconhecido. O acontecimento é totalmente esgotado. que permitiu maior atenção do romancista à humanidade do personagem. o romance de Teixeira e Sousa é limitado e fechado em si mesmo. o nosso romance sofreu um pr ocesso que freou progressivamente a corrida dos acontecimentos. o desconhecido.#cando o triunfo dos aspectos assenciais da vida sobre o que nela é acessório. malgrado o movimento da peripécia. Aquele. invoca à tarefa romanesca os comparsas adequados: mistério e fatalidade. acontecem. com efeito. Ao insistir na integridade normal do f ato. encontros. É interessante notar. e o personagem que dela emerge. maquinações. peso do passado sobre o presente. sem deixar qualquer margem para a . englobando o imprevisto. No folhetim. pela elevação à potência do incomum e do improvável. relações imprevisíveis. . pois a verossimilhança é dissolvida. anulando o quadro normal da vida em proveito do excepcional. as coincidências. esta. o realismo diminuiu e mesmo derrubou a soberania da peripécia. estamos no nível elementar do acontecimento pelo acontecimento. que deveria abrir perspectivas. o qüip roquó. a surpresa.

traduzido por Castilho . D. Geraldo (apenas primo). onde o que vale é #justamente a riqueza de pormenores e a vertigem dos mistérios. contra quem maquinava) e seu infernal companheiro Jacinto. (que uma revelação final mostrará ser filho do f azendeiro Batista. em muitos casos. faz os namorados tenninarem irmãos uns dos outros.imaginação. santo jesuíta. prevendo facilmente o desfecho dos suspenses ou a identidade dos figurantes misteriosos. História de Pedro. pois o autor estabelece uma espécie de contabilidade das complicações. seus avós. Do ponto de? vista técnico. O abuso desses traços. sua filha Narcisa. Vogando no tema do incesto. aparece aí um processo caro a Teixeira e Sousa: o entrecruzamento das diferentes histórias. Seria impossível resumir este livro. quase tudo partindo de um velho e. hi . de que faz tão largo uso. e todos os mistérios. ao tempo dos acontecimentos. sua filha Rosa Branca. manipuladas como fios de uma trança que se vai desenvolvendo. prezado pelos românticos e ocorrente em suas próprias obras de modo dominante ou recessivo. história de Felipe. Adão dos mais". seus namorados Benedito (irmão). Daí o caráter mecânico dos entrechos e episódios. que se desfazem na hora certa. dir-se-ia aplicando o verso de Mefistófeles. violações e bastardias entrecruzadas. história de Batista. o leitor permanecendo frio ante os trejeitos dramáticos do r omancista e. Esta elucidação meticulosa representa ao mesm o tempo uso e desrespeito do mistério. atinge o ápice em A Providência. Arcanjo (irmão). com filiações s ur128 preendentes. utilizados com impudor tranqüilo. rigorosamente esclarecidos. verdadeiro "Pai. o Padre Chagas. avô.

a que se chamou aqui digressão. etc. assassínios. consiste nessa sobrevivência dos romances medievais que é o enxerto de histórias secundárias. raptos. confissões. Os ingleses. intervém) e nada menos que a Providência. usaram até pleno século X IX deste processo. que p ara ele não seria algo justaposto. há igualmente filiações trocadas. pai suposto de Arcanjo com quem vai casar Rosa Branca. o padre Chagas (que desvenda. na esteira dos picarescos espanhóis. etc. Em sentido algo diver . duelos. reconhecimentos por sinais. ladrões. antiga amante traída por Felipe. mas esta casa com o viúvo Batista. o mouro. Pairando num plano superior. no Oriente. uma estreitamente solidária da outra. já quase caindo em pa ixão com Benedito. Todas acabam se cruzando. subterrâneos. vingar e distribuir justiça. que transforma A Providência num sistema de retrospectos. pois Pedro quer desposar Jacinta. É propriamente a marcha em xiguezague.stória de Renato e seu pai. onde praticamente se cruzam duas séries narrativas: a da menina roubada e as estrepolias do vilão Estêvão. que vem à zona de Cabo Frio assustar os moradores. roubos. como o caixeiro viajante das Aventuras de Pickwick. (mais tarde Estêves). choros. A coisa é pouco menos complicada nos outros livros. mas essencial à narrativa. Tudo temperado com raptos. filha de Batista. que é amigo de Renato. irmão desconhecido. O mais simples ainda é Mar ia. arrependimentos. morte de amor. naufrágios. servindo a ação presente quase apenas de pretexto para eles ocorrerem. que dá encanto a tantos livros de Dickens #e Thackeray. Em As Fatalidades de dois jovens. Em Teixeira e Sousa. relatos. assaltos. são quase sempre os protagonistas que dão lugar à digressão. tesouros. gritos. reconhecimentos. nos quais a história é geralmente intercalada por um personagem acessório ou meramente ocasional. O segundo elemento da ficção de Teixeira e Sousa. sob a forma de uma figura feminina cavernosa e fantasmal.

dilacerado entre deixar condenar o homem tomado por ele (e assim conquistar a tranqüilidade para sempre) ou denuncia r-se e. E assim nos demais. dilacerado por amar a filha do inimigo de seu pai. ou. O terceiro elemento faz as vezes de análise psicológica. perdendo posição social e fortuna. ou. a vigília de Geraldino. . que acomete o personagem a certa altura. medir o seu desespero. Na obra do nosso romancista há vários momentos deste tipo. Estes encontros do personagem consigo mesmo revelam em Teixeira e Sousa esforço de ampliar o horizonte. transformado pela paixão. acha-se na obrigação de contar toda a organização da sociedade secreta a que se filia. narra longamente o seu passado. Apelando para um parad igma ilustre. é o que se dá em Tardes de um pintor. em Tardes de um pintor. quando suspende o curso do entrecho central para espr aiar-se na viagem de um preposto.so. antes de narrar o assalto praticado por um cigano 129 #espanhol. o brusco arrependimento de Laura. que vai ao Rio Grande agenciar a morte do mocinho. como Victor Hugo chama à vigília trágica de Jean Valjean. retornar às galés. Citem-se. fazendo-o sentir os seus crimes. suspendendo por um instante o fluxo dos acontecimentos. deslocando para a possível redenção a sua vida de crimes rocambolescos. onde. poder-se-ia dizer que é a situação de "tempestade num crânio". capacitar-se da situação em que está. apoio para desenvolvimentos maiores. a crise em que Leôncio. para introduzir um valentão que protege o herói. freme ante a vilania que vai cometer. ou. sobretudo. que neles encontra porém. em As fatalidades de dois jovens. como exemplos característi cos n"O Filho do Pescador. e aparece como violenta crise moral. não raro. de intensidade variável. sendo o meio mais apurado a que recorre para pintar a vida interior.

o leitor notará claramente o alvo que o narrador quis ferir. ligada ao conteúdo da narrativa. que todavia não parece ser o principal personagem. chega a dizer que o romancista não tem o direito de contar histórias em que o crime permaneça impune. e n"O Filho do Pescador. o entrelaçamento de ambos: "O narrador aproveita a ocasião para declarar aos seus leitores. isto é. embora nem sempre ao galardão dos justos. de natureza ideológica. superordenação dos acontecimentos por algo que promove a pena e retribuição dos atos. e dá por destino. o l eitor judicioso verá que todos os fatos se reúnem afinal na vida de um homem. é a preocupação constante de extrair a moral dos fatos. e a moralidade da sua história". que engloba todos os demais: a fatalidade. Não obstante. que se torne difícil o assinar-se-lhes o plano positivo em que devem figurar.O elemento final. Eis como explica. ou quase no fim. Daí a função muito especial do elemento preponderante dos seus livros. pois Teixeira e Souza não tem a mesma bonomia complacente de Macedo. que ele os não quis designar abertamente: o que porém o narrador declara mui positivamente é que os fatos aqui mencionados são acontecimentos da vida humana. bem como em As fatalidades de dois jovens. embora neles se compliquem personagens tão importantes. se lhe perguntarem no fim desta história quem é o herói dela. no seu jargão típico. a alguns dos seus heróis. ou o claust ro. embora eles sejam de tal maneira preponderantes. É ela que conduz a peripécia à punição dos culpados. (A Providência) na 13O Neste mesmo longo romance. . que se não conheça à primeira vista a ação principal que sobre o todo domina. geralmente mostrada como providência. cada capítulo é encimado por uma máxima moral. a morte. ao menos em grande parte desta história: #e então no fim dela. e qual a ação principal.

. ou. Tiradentes é levado a conspirar pelo desejo de vingar a irmã e o cunhado. . que justificam abundantemente a sua revolta contra a sociedade má." Em Gonzaga. que não for fedífrago. por não ter ela querido ceder ao desejo de um padre..Aceito.Condenação eterna. Em compensação. em Tardes de um pintor. pagando com a desgraça o tributo da própria genialidade. que tece todas as intrigas aludidas no subtítulo. mortos por obra da Inquisição. os bandidos são por vezes bons e cavalheirescos. e aquele que faltar à menor das condições será vítima do punhal vingativo do outro.Toca. e o padre. Aceitas? .) E aquele que faltar à menor cláusula do pacto? . é um pacto bilateral. aliás Gonçalo Pereira #Dias. nada falta para a configuração do folhetim. est e é apenas o poeta marcado na fronte pelo talento. representam dois tipos queridos do Romantismo: o salteador de alma grande e o gênio infeliz. é jesuíta o vilão-mor. Este e Gonzaga. perverso. para satisfazer a paixão sacrílega por Clara. Diferente de 131 . liberal e abolicionista. cujas condições são iguais para qualquer dos dois contratantes.(. no romance do mesmo nome. aparece um sacerdote usurário. disse Leôncio. ateu. como Justo. inclusive a luta do Bem e do Mal. Ao contrário do Tomás Antônio de Castro Alves.Como se vê. Eis um pedaço do pacto infernal que estabelece com Leôncio: ".. não acredito nessas asneiras. sorrindo-se sarcàsticamente disse de um modo quase satânico: . o Botocudo. descrito com as piores cores. Mesmo n"A Providência.. em As fatalidades de dois jovens. haja vista certo anticlericalismo. lúbrico. principalmente. entremeado de padres bons e santos.Qual condenação eterna?. pai de todos. O Botocudo é vítima de uma série de vilanias. com alguns dos seus cultores ocorrem outras afinidades. Em Tarde de um pintor. O pacto está solenemente celebrado. onde há o born jesuíta Chag as.

. defende os fracos. pune os culpados. e encontrando a filha perdida desde a infância. grande.#João Fera. perpassando como um grosso rebuçado que os protegidos apenas vislumbram. . Todos olharam para ela.Donde é filha. é todavia um bandido impecável que só pratica o bem.E qual é o lugar do seu nascimento? .Sim senhor.Tem vossemecê algum sinal no pescoço do lado esquerdo.Francisca Pereira da Conceição. salva da morte e do fogo. numa cena típica do nosso born romancista: "Findo isto perguntou-lhe Geraldino: .O Maranhão. . O Botocudo contemplou Madalena e perguntou-lhe: . que surgirá mais tarde no Til. . impede uniões criminos as. de Alencar.Oh meu Deus! exclamou Madalena. . intervém nos momentos precisos.Gonçalo Pereira Dias. É ele quem fecha o livro com chave de ouro nas bodas de Geraldino e Carolina. contando publicamente a sua história por ordem do Vice-Rei. minha menina? . . sempre misterioso. não toca no ouro. a rede central das maldades e torpezas do livro.Do Maranhão.É extraordinário! Meu pai também tinha o seu nome. e quase todos perguntaram o que tinha. . que formam. pelos vínculos múltiplos. Como um anjo born. um cavaleiro andante que não sabemos como está associado e mesmo é chefe dum bando de te rríveis assassinos e ladrões.E o nome de sua mulher? perguntou ela ao Botocudo. e minha mãe também se chamava Francisca Pereira da Conceição.O seu nome? . arranja dinheiro aos necessitados. vermelho e do feitio de um coração? .

E outro no braço direito. e assistimos ao incêndio do Recolhimento do Parto. só o primeiro e o último são contemporâneos. e certamente a voga do romance. perpassam os assaltos de Duclerc e Duguay-Trouin. quase no curvo dele. Em As fatalidades de dois jovens. que. ao longo dos quais fica patente o seu efeito.. lançando-se a ela e abraçando-a exclamou: .Sim senhor. inclusive um sinal para garantir a certeza do outro. Juliano. mostrou Madalena os dois sinais. preto como a cabeça de um alfinete de encosto? ... Luís de Vasconcelos. os outros se aproximam do gênero. e ambos colocados em lugares que a moça poderia exibir em público. Em Tardes de um pintor. chorou pela primeira vez. mais tarde as guerras do Sul. salvas pelo Botocudo. abraçando aquela a quem dera o ser!" Note-se o perfeito arranjo dos chavões. levou Teixeira e Sousa a localizar no sécul o XVIII quatro dos seus seis romances. E dizendo isto. onde se abrigava a heroína e uma amiga. quanto pelo recurso a fatos ou personagens históricos. 132 Se encararmos niais de perto a composição desses livros. duas coisas nos chamam em seguida a atenção: o recurso ao passado e a falta de organicidade na integração das partes. Isto. apenas vistos pelo Botocudo. A fatalidade se manifesta melhor numa seqüência temporal de fatos. Gomes Freire aparece como figurante e intervém ativamente ao lado do herói. o mistério lucra com o recurso a outras eras e lugares.Minha filha! Duas lágrimas correram de seus olhos! e o homem que jamais havia chorado #em sua vida. desempenha papel ativo D. pequeno. tanto pela localização temporal e a tentativa de reconstituir os costu mes. E se apenas Gonzaga é um romance histórico no sentido estrito. devendo o leitor co . Em A Providência não há tais elementos. Ei-los.

elaborados pela técnica da digressão. e numa sala onde se conversava. é ele pois um muito born soneto. poder-se-ia dar o qualificativo de "Recordações dos tempos coloniais". entre os quais talvez tenha sido importante Eugene Sue. mas atenta a circunstância de ser feito quase de repente. Para pôr em andamento isto tudo. #É preciso notar que a extrema complicação. para espicaçar a curiosidade do leitor. discursos do personagem e do autor. sociedade secreta espanhola. são feitos por partes justapostas. descrições empoladas. aprofundados e de certo modo espichados pelo passado. desses em que o seccionamento duma parte não tira a vida às outras. no mesmo livro. os seus pendores éticos. dando as mais d as vezes a impressão de pedaços. Romances-rninhoca. a zona rural da respectiva Capitania.ntentar-se com a evocação do Rio e. ou a maior parte da viagem de Ligeiro. Estes livros. como a uma boa poesia. que dois deles trazem no subtítulo. é em parte um recurso literário consciente. desp rovido de qualquer senso estético: "Este soneto não será um ótimo 133 #soneto. cuja sofreguidão foi pitorescamente cornparada à da baleia em certo trecho d"O F ilho do Pescador. levando a urdidura quase a desintegrar-se. em As tard es de um pintor. Aos romances quase-històricos. temos por vezes vontade de chamá-los. sobretudo. Os entendedores da matéria aplaudiram o soneto. E ainda nisso permanece Teixeira e Sousa fiel aos modelos folhetinescos. intermináveis narrações. . os que não entendiam aplaudiram por adulação a A . que entra além disso a cada passo pelo retrospecto da biografia dos personagens. alternando-se ou tripartidando-se as várias meadas. dispõe de um estilo difuso e abundante. são impérios dentro de um império. A história da borduna. Por vezes abusa do direito de escrever mal. cozidos numa duvidosa unidade. sem alinho nem ordem. um diálogo entrecortado.com as suas camorras. os seus jesuítas.

plantado por mãos d ivinas de invisíveis ninfas. (Tardes de um pintor) Vejamos agora uma declaração de amor: ".alma dos livros de Teixeira e Sousa.gostinho.. tão coloridas. pela corrida dos fatos e a atmosfera setecentista. que. afastados os três livros pior que péssimos e guardados os três outros. a Flora deste bem-aventurado jardim. Ao ver-vos no me io deste delicioso jardim. tão variadas. velado por benéficos gênios e protegido por deuses! Eu vos contemplo como a deusa desta celeste mansão.Malditos sejam do pecador os lábios que se movem para enganar os anjos de Deus! Maldição sobre o espírito do crime que procura enganar o espírito da inocência! Ah! permiti que vos fale em uma linguagem de confiança e de amor. alegrando com vossos divinos olhos estas felizes verduras. . que chegam realmente a prender. abalado pela extrema força de um culto íntimo.Oh meu primo! isso não é sincero." (A Providência) Se deixarmos todavia preocupações de estilo e composição para atentar unicamente à carpintaria dos episódios. . confesso que. meu Deus. ou antes a Juliano como herdeiro de uma boa fortuna. e animando com vossos celestes sorrisos estas bem-aventuradas flores. isto é. sinto que profano esta gleba sagrada. tomado de um religioso respeito.. encantador tesouro de seus delicados cálices..Quanta lisonja. e que idolatrava ao seu mui querido sobrinho". que felizes cultivam as mãos da mais bela de todas as deusas! . considero-me em um delicioso jardim. mas a nova deusa das flores. pleiteando entre si a glória de vossos amorosos desvelos. mil vezes mais cheia de encantos que a velha deus a dos antigos jardins! Então.. Em Tardes de um pintor. numa vaga . como que à porfia derramam em torno de vós suaves ondas de voluptuoso perfume. tão cheirosas e belas. .. .o juízo resulta mais favorável do que poderia parecer. os bens de Agostinho. que não tinha herdeiros.

tornando o leitor como acessório e procurando convertê-lo à sua visão do homem." Pelos negros e mestiços (sendo ele filho de português e preta) tem simpatia marcada. festa de casamento. é boa a descrição do bas-fond carioca. justificandose ante a opinião branca pela autoridade do Cântico dos Cânticos... para explicar #as falcatruas de Flávio e Liberato. no segundo livro citado..Não senhor. as providências moralizadoras do bispo Castelo-Branco. Há maioria de escravos fiéis. o heróico Botocudo é mameluco. falsos mendigos.. a fala paulista de dois honrados tropeiros:" . num primeiro esboço do que faria Manuel Antônio de Almeida. bodegueiros. em A Providência. ou indica. E o seu amor pela minúcia é às vezes fidelidade documentária. tenta reproduzir a prosódia lusita na de um vilão e. muito pitorescamente. em O Filho do Pescador. de Sue. no mesmo livro. A Providência. como quando entra pela contabilidade a dentro. em As fatalidades . O HONRADO E FACUNDO JOAQUIM MANUEL DE MACEDO Há escritores cuja obra é uma pesquisa deles próprios e que parecem escrever em função de certas características pessoais. Maria e As fatalidades. no mesmo livro. recebendo o justo galardão da alforria. Por isso requerem de nós um esforço tendente a s . seus ciganos. danças e desafios. em As fatalidades. nós mande ássubir quê lhe não queremos falar nó meio dá rua feitos negros. são escravos que salvam situações difíceis . não seja mal créado. com seus valentões esti pendiados.. 135 #4. descreve uma beldade negra (talvez o primeiro caso em nossa literatura). com suas comidas.repercussão d"Os Mistérios de Paris.. No mesmo espírito se enquadra 134 a tendência para descrever com abundância e relevo os tipos e costumes: festa religiosa da Semana Santa. moleques.

que faz a sua grandeza real e singular. sentimental ou humanitária. a cujos hábitos mentais procuram ajustar a obra. o índice da conformidade deste com as possibilidades médias de compreensão e as expectativas do meio. Isto não quer dizer. Lúcia Miguel Pereira e Barreto Filho (os seus maiores críticos). Exemplo típico é Machado de Assis. Outros. vemos por vezes uma superfície acessível e sem mistério cob rir. sem grandes exigências. certos valores raros e profundos. pela sua aceitação de padrões correntes. a sua força não provém da singularidade do que exprimem. como pareceria à primeira vista. A facilidade com que o leitor apreende o texto é. capaz de penetrar na maneira novamente proposta. e nos grandes romancistas não é rara a coexistência das duas orientações. Neste caso. não tanto com a sua mensagem. como os que Stendhal reservava aos happy few. e medíocres os da segunda. celebrado longamente pelo que havia nele de mais epidérmico. parecem preocupar-se. Nele se contém igualmente o folhetim de capa-e-espada. ou é capaz de esperar. Balzac. são grandes romancistas que se enquadram no segundo dos grupos indicados. Nos dois grupos há fortes e fracos. Mas apenas que há duas maneiras principais de comunicação literária pelo romance: uma. todavia. a força recôndita.ubstituir hábitos mentais por uma atitude nova. mas do fato de saberem fornecer ao leitor mais ou menos o que ele espera. que foi alimento principal do leitor mé dio . Dickens. Assim. por Augusto Meyer. para o leitor ou mesmo a época Literária menos experientes. geralmente. até que no s nossos dias fosse ressaltada. que os da primeira espécie sejam grandes. outra. Eça de Queirós. quanto com a possibilidade receptiva do leitor. caracterizada pela circunstância do escri tor impor os seus padrões. a soma desse esforço dá o índice da singularidade do autor. a ficção aventuresca.

um poema. as cenas. doze peças de teatro. influindo no gosto. a vida de uma sociedade em fase de estabilização. mesmo. como hoje o do cinema ou radionovela. linguagem. Enquanto fornecia elementos gratos à sensibilidade do público. tornando-o hábito arraigado. Realidade. pelo fato de ele se ter esforçado par a transpor a um gênero novo entre nós os tipos. ocasional. recursos narrativos os mais próximos possíveis da maneira de ser e falar das pessoas que o iriam ler. Macedo deu origem a um mito sentimental. Ajust ando-se estreitamente ao meio fluminense do tempo. como se dizia então. ou. . mas só nos dados iniciais. mas de rédea curta. desta forma. construção. proporcionou aos leitores duas coisas que lhe garantiram popularidades e. como era conhecido. de todo o dia. Correndo os olhos por esta obra longa e prolixa (em trinta e quatro anos de produtividade. padroeira de namoros que ainda faz sonhar as adolescentes. ia extraindo deles as conseqüências que não ocorrem no quotidiano e. flu minense. vinte romances. peripécias e sentimentos enredados e poéticos. verossimilhança. incoerência. à vontade. que o vão substituindo. escritor mais ajustado a esta via de comunicação fácil do que Joaquim Manuel de Macedo.136 no século XIX e serviu para consolidar o romance enquanto gênero de primeiro plano. em todo o século passado. #Não poderíamos encontrar no Brasil. lançando mão de estilo. a modesta imortalidade que desfruta: narrativas cujo cenário e personagens eram familiares. E assim como Alencar inventou um mito heróico. vem-nos a impressão de que o born e simpático Macedinho. sonho. mais de dez volumes de variedades). O pequeno valor literário da sua obra é principalmente social. de acordo com as necessidades médias de sonho e aventura. dando estilo às aspirações literárias do burguês carioca. a Moreninha. familiar e espraiada: eis a estética dos seus romances.

tendendo à caricatura. Ora. em boa literatura. narrativa oral de alguém muito conversador. que por vezes definem melhor a natureza das ações. cheios de alusões à política e aos acontecim entos . apenas na aparência a prosa é natural. e tal julgamos ser o caráter do autor" . Determina. mesmo ao lado da tragédia. entremeados de piadas ou lágrimas. Vantagem é. sempre que o escritor pretende algo mais que divertir um público mediano. é mu ito acentuada a tendência para a prosa falada. Assim é em Teixeira e Sousa. que Dutra e Melo tanto gabou: "Vê-se que uma facili dade.os seus romances parecem. onde se vão buscar os elementos da conversa. como veremos. são os dotes principais do estilo em que é manejada a Moreninha. cheio de casos e novidades."S^r A tagarelice possui vantagens e desvantagens. seja familiar. 137 #. antes.diz com muita finura. entre ambos há um afastamento necessário. No romance brasileiro desse período. Os seus romances. os pormenores expressivos e menos aparentes. de desimpedido. seja oratória. que é uma espécie de Macedo caipira. a simplicidade e a familiaridade do estilo.7 . à vontade. enumerou as carac terísticas de Macedo. Bernardo #Guimarães. pois ao definir o estilo. um não sei quê de franco. uma simpleza. ou equivalente da fala diária. digressivos e coloquiais. de interessante. por exemplo.cedeu antes de mais nada a um impulso irresistível de tagarelice. de sperta acuidade para os pequenos casos. por fim. o corretivo que traz à grandiloqüência e gigantismo dos românticos. A vocação coloquial desperta o interesse pelo mundo circundante. não desdenhando uns enfeites para realçar a alegria ou tristeza do que vai contando. em Macedo e.

a primeira. portanto. Alencar. desconhecendo personagens incompatíveis com os respectivos gêneros de vida. grande e pequeno. conduziram o nosso conversador a observar o que lhe estava à roda. esta abertura no modo de ser. de o utro proporciona aos seus romances um substrato mais ou menos tangível e sólido. 748. Não lhe interessou também a arraia miúda colorida e movimentada de Manuel Antônio de Almeida. no universo romanesco de Macedo. Dutra e Melo. do selvagem. F. pequeno ou grande. surge o rapaz sem profissão certa. II. Isto.ao contrário do que se dá com Teixeira e Sousa. o empregado de comércio. Távora. por isso mesmo romântico. o estudante. homem sombrio e nada comedido. ao fundo. que arrebataram as imaginações mais cálidas de Teixeira e Sousa. o político. duas famílias esteiam #a narrativa. vol. Raramente se esquece de indicá-las. Apenas vez por outra. quase não sentiu o atrativo do rebe lde. por exemplo. de vez em quando.Esta simplicidade. Bernardo. mas logo acomod ado numa das categorias indicadas. com uma mulher e uma filha porfiando em (7) 138 A. que esgotavam praticamente as possibilidades de vida burguesa no Rio daquele tempo e. . quase sempre de modo transitório. o marginal. Os heróis d"A Moreninha são quatro estudantes de medicina. como se pode verificar. modesta. pelas profissões dos seus personagens. porque é ba stante fiel ao meio que observa. limitando o seu alcance ao que fica dentro de um certo raio. Se de um lado este pequeno-realismo restringe a observação. Homem da classe média urbana. que o descreve fielmente. o fazendeiro. de um funcionário algo ridículo. "A Moreninha". do bandido. as senhoras são filhas ou esposas de comerciantes. o funcionário público. que as próprias fugas do devaneio romântico não dissolvem inteiramente . e então vemos passar e repassar à nossa vista o comerciante. pág. Ficou no círculo restri to da sua classe e da sua cidade. N"O Moço Loiro. pois. da decaída. MB.

sendo o casamento a sua grande carreira. um dos meios de obter fortuna ou qualificação. obedecem ao sentimento. Os cínicos.. desvendando alguns mecanismos essenciais da moral burguesa. como Faustíno. As mulheres."""nwpw brilhar na sociedade. veremos que na base das peripécias sentimentais namoricos. de comerciantes opulentos e dignos. o amor é uma técnica de obtê-lo do melhor modo. mas não erram na escolha do melhor partido. calculam friamente e o autor se vale deles para estigmatizar o carreirismo matrimonial. não é apenas porque o romancista leva em conta o público feminino. apoiada na necessidade de adquirir. funcionários e fazendeiros. em aparecer e dar festas. ca ixeiro o segundo. e a descrever a estratégia masculina do ponto de vista da caça ao dinheiro. intriguinhas. Alguns dos seus romances patenteiam. e à qual pertencem o herói e a heroína. Ainda nisso revela fidelidade a o meio. Analisando o tipo de amor que descreve. Os puros.há uma infra-estrutura determinada pela posição da mulher. nessa socied ade acanhada de comerciantes. Outra. guardar e ampliar propriedade. Os . A fidelidade ao real leva Macedo a alicerçar as suas ingênuas complicações sentimentais com fundamentos bem assentados no interesse econômico. mas cheia de mistérios e encrencas que dinamizam a narrativa toda.. mais que outros. são. Daí os combates que se travam ao seu redor e cuja verdadeira natureza vem claramente descrita em Rosa. como o estudante Jucá. onde ela era um dos principais transmissores de propriedade. do seu lado. Os homens se lançam ao amor com tanta aplicação porque nele se encontra a oportunidade de colocação na vida. faniquitos. esta fidelidade ao sistema das posições e relações na sociedade do tempo. Se em muitos deles tudo gira em torno do amor. percebem que. negaceies . comerciante o primeiro. O vilão e o subvilão. ou porque o sexo constitua um fulcro da literatura. E assim vai tudo.

conforme pretende ele e recomendava Stendhal.(. mas a posição deles no mundo é sempre definida. sem maior exigê . graças a um pequeno realismo que o tornou sensível às condições sociais do tempo. aliás. Aceitou os tipos que via em torno. ela reforçou.-?~-?::P"Sfv" consiste em desfigurar essa verdade de tal modo. ..Tenho certeza disso.. e exprime claramente a certo pass o de Os Dois Amores: . por outro lado. Celina." Talvez os seus personagens nem sempre partam de tipos existentes. . Não inventa.. nunca de ordem social.Neste ponto estás muito atrasada.labirintos românticos da paixão tornam-se as veredas sociais do namoro. neste born burguês incapaz de trair a rea lidade que o cerca. o maior trabalho dos romancistas 139 #. na concepção que formava do romance. D. portanto. Por isso já os c ontemporâneos o reputavam fiel na pintura dos costumes. acabando sempre por harmonizar no matrimônio o dote da noiva e o talento sütilmente #mercável do noivo. que os contemporâneos não cheguem a dar os verdadeiros nomes de batismo às personagens que aí figuram.. Se a vocação coloquial de Macedo serviu para estabilizar a sua obra. Isto era implícito. testemunhando a fidelidade com que os transpunham do meio social carioca. os romances têm sempre uma verdade por base. a sua mediocridade. condições socialmente impossíveis para os personagens: os seus impossíveis são de ordem física ou psíquica.) pensas que os romances são mentiras?.

que os seus desfechos. dando prova de uma boa índole que passa da vida à literatura. voz que é sempre a mesma. ou como o tique-taque da pêndula do relógio. grave e monótona da consciência. dentro das normas sumárias duma psicologia pouco expressiva. com o mesmo timbre. desfazendo-se geralmente no fim (ainda como na prosa fiada sem conseqüências).. Lucrécia e Otávio. por exemplo. A sua psicologia revela quase sempre este caráter: os personagens são apresentados por meio de avaliações. ou excepcionais de qualquer modo. são descartadas amàvelmente no final. ante s.ncia artística. para se nivelarem e irmanarem.. incessante e monótona como as vagas do mar.) Muito mais surpreendente é a regeneração final do personagem de mais constante. oportunidade para se revelarem boas pessoas. que defronte estava. e tais avaliaç ões são provisórias. as duas almas danadas. "Eu era . e que jamais se cala. a leviana. Em lugar de análises. o bobo) e sempre foi na conversa sem responsabilidade. No Moço Loiro. para não serem humilhadas nem atrapalharem. A doce ingenuidade do trecho seguinte marca muito bem de que modo trazia os vilões à normalidade familiar. ou aventureiros. onde tudo se equilibra e soluciona da melhor maneira e os personagens deixam de ser maus. quando já não necessitava da sua vilania para a marcha do enredo : "(---) livre por um instante do alarido das paixões. cegadas um momento pela paixão. efetua julgamentos sumários e sem matizes. o mau." (Note-se que a voz da consciência só se faz ouvir nos seus livros #quando o autor precisa dela. uma vez passada a agitação mais exterior que interior da n arrativa. pronto a reformá-los abruptamente quando as circunstâncias exigirem. Nada mais revelador. dando-lhes. inteiramente iguais. o Salustiano de Os Dois Amores. a alma de Otávio começou para logo a ouvir a voz pausada. meticulosa e acabada vilanice de quantos criou. Tanto que nos perguntamos como é possível pessoas tão chãs se envolverem nos arrancos romanescos a que as submete. contudo. como era corrente entre os românticos (o born. neste sentido. e mesmo quando nã o exigirem.

Obediente. sem generosidade. com o exemplo da honra.. a um realismo miúdo que não enxerga além das aparências banais nem penetra mais fundo que a psicologia elementar dos caixeiros bem falantes. acessíveis ao julgamento médio e. as lágrimas e as viagens tiverem gasto todos os meus remorsos.{"jí^j. traça personagens convencionais. estes exigiam também. provarei. £^. leva-o. de seu lado. a meditação. a narrativa deve.) quando o estudo. as mudanças espirituais são abruptas e vêm de acordo com os acontecimentos e as necessidades narrativas. e Macedo. traça-os segundo modelos quotidianos. Como não têm vida interior. soube conhecer os meus erros (. revelações. às sugestões do meio. cordéis de tod a casta. Miúdo realismoqu . mas apenas dois ou três traços mais ou rnenos pitorescos. isto é.14O .. nem por isso deixou de consumir desabaladamente tudo o que é acessório ou exterior à evolução dos sentimentos: segredos que afloram.) Voltarei talvez um dia (. E muito embora preferisse a piada e o pro saísmo. donzelas casadoiras e velhotes apatacados. submetê-los ao acontecimento.. e sem amor do do que é verdadeiramente belo." Como se vê. que. a excitação febril da peripécia. portanto. mortes.. no ponto de partida. na literatura. delimitados pelos padrões mais corriqueiros. No seu tempo. preci sava dela para dar relevo aos seus personagens-de-tôda-hora. O conformismo em face do quotidiano. sem nobreza. correspondentes à expectativa corrente do leitor. pois.vum moço perdido. na sua marcha. e me disserem que já não sou o mesmo. intervenções oportunas. e em sua obra domine o mencionado pequeno realismo.

não dentro dos personagens. muito propensa a maltratar a verossimilhança. Assim. mas também desta aderência ao meio sem relevo social e humano da burguesia carioca de vez que se afasta apreensivo.e não provém apenas de um defeito de acuidade e imaginação. emprega tão desenvoltamente os choques morais e as situações dramáticas. entre a normalidade inicial e final dos personagen s e a anormalidade das peripécias por que os faz passar de permeio. Mas a par desse primeiro tipo de conformismo. Vimos que isto é possível porque. conduzindo fatalmente a narrativa a um alvo preestabelecido. do sentimentalismo masoquista. e não nos parecem compatíveis com as tendências. A sua afina romântica se manifesta saborosamente neste contraste. aparece na sua obra um outro. tudo está fora. Em Macedo. Se pula gostosamente sobre esta é porque obedece a uma inclinação recessiva na sua personalidade literária pa ra o Romantismo tenebroso do dramalhão. ou seja. traição. da agitação ideológica do período que precede imediatamente a sua atividade literária. gostos. na verdade. onisciência e onipotência. vemos que obedecia a duas convenções. #esta ruptura parcial da bonomia pequeno-realista não é devida apenas à tendência folhetinesca. dotado de ubiqüidade. a obsessão co rn as forças ocultas que se encarnam na missão 141 #de um personagem excepcional. n"O Moço Loiro. conflito. posição deles. segundo acaba de ser sugerido: lágrimas. do mundo mais rico e promissor das revo ltas populares. Por isso. como a velha Ema. treva. da poesia tumular. que chamaríamos poético e vem a ser o emprego dos padrões mais próprios à concepção romântica. que não o era para o tempo. N"O Moço Loiro há um nítido "complexo de Monte-Cristo". porque a sua produção tinha dois esteios: o real e o poético. A anormalidade da si .

ainda nisso. exprimindo a vulgaridade do meio que retratou e fora estabilizado pelo período regencial sobre as ruínas de uma aristocracia incipiente e mais refinada. Esta idealização #extrema de gestos e palavras desloca para o inverossímil (provisoriamente. abundam situações cômicas. no final das contas. Certos romances. das afeições alambicadas e deformadas pela mais vulgar pieguice. e o eixo poético não interfere. ainda. com o real. no sentimentalismo por vezes deslavado das cenas de amor e amizade. mas já ficou dito como correspondia à convenção sentimental e artística prezada 142 . indo não raro à rasgada grosseria. como vimos) as maneiras burguesas registradas pela observação. por exemplo. n"A Moreninha. correspondia Macedo às expectativas do meio. onde aparece com a máxima nitidez. numa prova de quanto.tuação e dos sentimentos desliza por assim dizer sobre eles. como A Luneta Mágica. A tendência poética manifesta-se não apenas na peripécia folhetinesca. são todos cômicos. devida a um quarto de século de vida palaciana bruscamente interrompida pelo impulso democrático posterior ao Sete de Abril. Ele adora a piada. Além das piadas e ditos. mas. ao mesmo filão prende m-se A carteira do Meu Tio e Memórias do Sobrinho do meu Tio. d"O Moço Loiro. como a briga dos esposos Venãoncio e Tomásia. Violante. O pequeno-realismo se exprime. que ultrapassavam a vulgaridade. algumas muito bem desenvolvidas. preparada com delícias pelo autor na cena entre ele e D. É todavia no seu teatro que encontramos a mais depurada expressão desta tendência. Sirva de exemplo a graçola de Augusto. ent remeada por toda a sua obra. com maior pureza na veia cômica. Só numa sociedade bastante chucra poderiam ter born curso as suas galegadas. feita para o riso franco das rodas masculinas. e francamente saboreada por um homem tão delicado quanto Dutra e Melo. Se procurarmos encarar independentemente estes dois eixos. born trecho de chanchada. sátiras políticas e sociais. a alusão engraçada. veremos que na sua obra cada um tende a manifestações mais ou menos puras.

pelo leitor. que nela via um disfarce essencial ao romance. "Até no Colégio de Pedro II. conformista e comed ido. O escritor familiar timbra nas amenidades finais. enquanto fingia prestar atenção ao que dizia o aluno. tão comodista que recusou a pasta de ministro por que ardeu o ambicioso Alencar. conta um exdiscípulo. predomina exclusivamente. para Macedo ele é apenas passageiro. é possível todav ia não ter experimentado outra ambição que a literária. fiel ao Imperador e aos correligionários. O vício é a . não é de espantar fosse o romancista querido das famílias. Foi bem o Macedinho da tradição carinhosa. e de quase todos os seus livros se desprenda uma boa vontade cheia de bonomia e otimismo. sem relevo de qualquer espécie. sem desfalecimento. Mas em estado por assim dizer de pureza. é n"A Nebulosa. born pai e born cidadão. o senti mento da beleza. Professor dos príncipes de Orléans-Bragança. corrigia provas de romances". outra da idealização inverossímil. explica e perdoa. Pelo dito. como n"Os dois Amores. Não é também de espantar que a sua visão seja tão pobre. Nele. Em alguns.8 Assim tão ameno e born sujeito. Se já houve quem dissesse que o mal é necessário. que o vamos achar. a psicológica. que reconciliam com a vida e o semelhante. a estética. bem fraco. intermediário entre o Paço e os políticos. que expunha a lição. foi escrever . para não falar n"As Vítimas Algozes. Como criador e como pessoa parece-nos essencialmente mediano. Nunca utilizou a carta de médico e parece que aceitou várias deputações como emprego pouco trabalhoso. durante quase quarenta anos. homem representativo da ala conservadora do Partido Liberal. poema novelesco. em todo o caso.uma tributária do realismo miúdo. Vimos como em sua obra tudo se resolve. a visão da sociedade e do homem era estreita e superficial. O que fez realmente com amor. vemos que teve pouco das três acuidades fundamentais do born romancista: a sociológica. mais a primeira que as outras duas. O seu romance fica pois situado no cruzamento das duas tendências .

e há de desconfiar da sociedade que governa9.. e concluir pela solidariedade na culpa de todos os privileg iados. poderíamos dizer que o mal. nem confiança no governo. É que amanhã o pobre terá em desprezo a lei. Velaturft.. Nunca escritor reduziu tanto a psicologia à moral.. 272.privação momentânea da virtude. mesmo a pobreza é uma suspensão da abastança. perguntará àqueles que estão de cima . pá*. no início da carreira. definitivo: eis a moral dos seus livros. sociedade geralmente pervertida. a fisionomia da sociedade em que ele vive. se o seu calvário não se acaba de subir nunca. É que hoje o pobre já não tem amor às instituições.. e qual será o resultado de tudo isto?. conclui: "Sabeis qual é. (S) Alclde" Flavto.se ainda não é tempo de minorar-se o peso da sua cruz. Se não fosse o vinco amargo deixado pela escravidão na sua consciência #de homem e escritor (Vítimas Algozes). mas. a dura sorte do homem pobre. era no fundo um recurso literário. A maldade é provisória. e esta ao catecismo. porém. para ele. e depois de amanhã. que repele sem discutir a pobreza e o desvalimento". porque entrevê um conflito que supera a o posição. 143 #Às vezes. A miséria é assina lada n"Os Dois Amores com um senso bastante agudo. "Joaquim Manuel d" Macedo". o bem. porque as leis servem somente para puni-lo. uni sentimento mais vivo da realidade social e espiritual coava por entre essa pastosa mediocridade e ele cornpreendia não só a condição desumana do escravo. e o governo não cura de protegê-lo. o povo pobre que é muito mais numeroso do que o povo rico. mesmo quando bons individualmente. como sentia Dutra e Melo com agrado ao celebrar a boa doutrina d"A Moreninha. num dia enfim que felizmente bem longe está ainda. que escapa ao sentimentalismo habitual das suas páginas e apreende o sentido contraditório das relações entre pobre e rico. . Depois de analisar "a fisiologia do coração do pobre. feito para realçar o bem. Diríamos quase sentido dialético. e no futuro.

Romance exemplar da subliteratura romântica. as conversas. mais a heroína. a certa altura. a técnica do namoro. toda a maré de inquietude e esperança democrática. as alusões à política. deve ter marcado a se nsibilidade de Macedo.. mais daria.. e "sociedade em geral". para desfazer a última ruga deste romance. O valor documentár io permanece grande. de que procura elaborar verdadeira fenomenol . carrega o seu peso silencioso como o camelo. e um dia mais tarde. levantará a cabeça orgulhoso como o leão. mais a mãe desconhecida. Mas não sobrecarreguemos a memória do nosso Macedinho. 144 mesmo. as modas. dissolvida no paternalismo escravocrata do Segundo Reinado. rompida pela coligação cada vez mais sólida dos homens de ordem e de dinheiro. e terrível como o tigre". A experiência das agitações regenciais. por isso #(8) Macedo chama "sociedade que governa" à classe política e economicamente dominante. tão carregado de mistérios e qüiproquós qu e. para que a sua vista ficasse. Mais houvesse. tão clara e penetrante. cheio de lágrimas e sofrimento. chega a ser valioso como paradigma. toda aquela tirada se faz a propósito do moço Cândido. pelo acúmulo de bobagens e truques esteriotipados. por isso mesmo. Macedo não tarda em lhe dar uma coisa e outr a. dos mais negros que escreveu. a que nada falta no gênero e. Lembremos que lhe cabe a glória de haver lançado a ficção brasileira na senda dos estudos de costumes urbanos. mais a regeneração do mau irmão. se vê obrigado a levantar uma tabela das complicações.É que hoje o pobre indiferente e sofredor. as visitas. os domingos na chácara. à sociedade. na obra que deixou. terno herói sem dinheiro nem família. as partidas. por um momento. Mas por pouco tempo. Os saraus. ai de nós se ele chegar. e o mérito de haver procurado refletir fielmente os da sua cidade. os passeios de barca.

O "BELO DOCE E MEIGO": CASIMIRO DE ABREU. aquilo que vagamente se concebe sob a palavra romântico. MÁSCARAS Quando se fala em Romantismo. apresentando personagens carregados daquela densidade que veremos nalguns de Alencar. A Noite na Taverna e os desvarios da Sociedade Epicuréia. #1. o claustro de Junqueira Freire. 2. Laurindo Rabelo. 4. a vida comercial e o seu reflexo nas relações domésticas e amorosas eis uma série de temas essenciais para compreender a época. 7. deformando-os sob um jogo às vezes admirável de máscaras contraditórias.eis algumas imagens que constituem. DA FORMA E DA SENSIBILIDADE EM JUNQUEIRA 3. OU ARIEL E CALIBAN. que imaginamos ao mesmo tempo castos nos suspiros e terrivelmente carnais nos desregramentos: rapazes de que a lenda se apossou. pensamos automaticamente nos poetas que Ronald de Carvalho chamou "da dúvida" e pertencem quase todos à segunda geração romântica. AS FLORES DE LAÜRINDO RABELO. CONFLITO PRWR*. o brando Casimiro e as borboletas da sua infância . . desde há muito. e encontramos bem lançados em sua obra. de que constituem talvez o principal atrativo para o leitor de hoje. rindo e chorando. Românticos ficaram sendo os rapazes que morrem cedo. 5. ALVARES DE AZEVEDO. POETA DA NATUREZA. O que lhe faltou foi gosto ou força para integrar esses elementos num sistema expressivo capaz de nos transportar. BERNARDO GUIMARÃES. bêbado. MENORES. antes que surgisse a galeria de Machado de assis. 145 #Capítulo IV AVATARES DO EGOTISMO 1.ogia. MÁSCARAS. 6.

cedendo lugar a outras de bonomia. surgindo de repent e para assustar o leitor incauto.Para os compreendermos. perversidade. máscaras de loucura. ingenuidade e saudável galhofa no misterioso Bernardo Guimarães.Junqueira Frei re. Daí a dialética das máscaras. cova. amiga. dá de chôfre com Macário soluçando e praguejando nas alturas do 149 #IpiranCTa. esse perigoso quebrar de esquinas faz lei. é na verdade através de máscaras que os devemos imaginar. ou escuta um brado dramaticamente carnal da cela de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire: Ao gozo. Varela. na sua obra e na sua vida.vivem perenemente do contraste e dele morrem.a volúpia dos opostos. apreciamos o esforço da unificação espiritual. parece tão legítima a representação do poeta mascarad o. . Em poucas gerações literárias. que em vez da fronte pálida. ao gozo. Noutros. "Cuidado. anunciada pela "lembrança de morrer". Álvares de Azevedo. O chão que pisas A cada instante te oferece a . a filosofiado belo-horrível. pois vivem no espírito e na carne um dos postulados fundamentais do movimento . ao voltar esta página!": na sua existência. neles. embriagues. Por isso parecem-nos definitiva e irremediavelmente românticos. queremos precisamente a multip licidade destas e o rumor com que se chocam umas às outras. a superação das contradições. logo cedendo a outras. necessita multiplicar-se em manifestações por vezes incoerentes. como na sua arte. cuja personalidade. . leitor. mudando-as ao sabor das sugestões que deles vêm: máscara de devasso no moço born que foi Alvares de Azevedo. como nessa. de melancolia negra ou inesperada mol ecagem. E os mais característicos dentre eles. a fim de realizar-se e irnpor-se a nós.

a autodestruição dos que não se . Inclusive a atração pela morte. enfim . que se fez romancista . não foram inspiradas ao fogo de nossos lares. escrevem dois estudantes de São Paulo. os perfumes de nossa terra não ofereciam àquela alma ardente senão um espetáculo quase sem vida.1 Alguns anos mais tarde. de mãos dadas com a ternura. já no seu tempo havia quem os reputasse menos brasileiros e. ser brasileiro . Deles. ante as quais o poeta não se inclinara. eram maravilhas por assim dizer murchas. o mundo exterior. era a "dor vivente" da imagem belíssima. raras. pois. em que o corpo se dilacera ao peso da fatalidade: Quando em meu peito rebentar-se a fibra Que o espírito enlaça à dor vivente. ao mesmo tempo. singeleza. como Gonçalves Dias ou Magalhães.viveu além do Romantismo. mais voltados para o próprio coração (segundo o conselho de Musset) do que para a Pátria. vivem e morrem íio per íodo romântico. cantar índios.Bernardo Guimarães . em 1857. que partem do Arcadismo moribundo. Deus ou o Povo. (segundo os cânones do nacionalismo literário). menos originais.."2 Como poderia. portanto.isto é. como os da primeira e da terceira geração. As harmonias do nosso céu.. formam um conjunto em que se manifestam as características mais peculiares do espírito romântico. Pessimismo. doçura. flechadas. "humor negro". cachoeiras. o mal do século encontra no Brasil uma das expressões mais pungentes e. são bem os "filhos do século". pelo arrojo do pessimismo que transfigura a própria matéria.aquele para o qual a vida toda se identificava à própria dor. perversidade. sentenciava outro estudante: "As suas poesias. Por isso. "Manuel Álvares de Azevedo pouco e muito pouco tem de brasileiro: apontaremos só a canção do Sertanejo".Não é estranho. Ao contrário dos predecessores. embelezadas nos perfumes da escola byroniana. Neste verso justamente famoso. nesses poetas é que os devemos procurar. de fato. apenas um. que morram cedo. Considerados em bloco. montanhas.

agricultura. magistério. do devaneio balbuciante. clero. ao mais duro sarcasmo. armas. (2) A. n. o próprio Gonçalves Dias: advocacia. aflitos por se entregarem à "consoladora inviolável": Meu. com um arrepio fascinado de masoquismo. todos eles escol hem as veredas mais perigosas. Pôrt o-Alegre." série n. vocação exigente que incompatibilizava com as carreiras abertas pela sociedade do Império e nas quais se acomodaram eficazmente.". na geração anterior. Por isso.(1) M.3 Por isso o advogado Aur eliano Lessa caía de bêbado na rua e o juiz de Catalão. Por isso Junqueira Freire falhou como frade. Casimiro como caixeiro. (1863). morreu antes de obter o canudo de bacharel. burocracia. que leva a tomar o pior caminho para cair na boca do lobo. São como a Zoluchka de um poet a russo moderno. A Poesia". RIO 2." 2. #15O sentem ajustados ao mundo. Bernardo Guimarães. Álvares de Azevedo. pâg. Magalhães. pág. série. o melhor estudante da Academia de São Paulo. "Fragmento de um escrito . Todos eles sentiram de modo profundo a vocação da poesia.m. davam aos seus sentimentos expressões que iam da poesia obscena (cultivada por quase todos) ao mais lânguido quebranto. Varela como tudo. como quem experimenta com o próprio ser. um verdadeiro complexo de Chapèuzinho Vermelho. Norberto. pede ela: devora-me! " Mas enquanto não morriam e viviam na "lembrança de morrer"." 2. Na vida. 7. 19. 41. lobinho pardo. Nascimento da Fonseca Qalvão e Luís Bômulo Peres Moreno "Parecer" REP. Simeão Kirsanov. Laurindo como médico. comércio. Corrêa de Oliveira. era demitido a bem do serviço. Um largo movimento pend .

(3) Varela poderia ser estudado neste capítulo. característico da 3.. como a Epicuréia . Vai todavia para o próximo. 151 #. de Alvares de Azevedo.ular que oscila entre "Poesia e Amor". É o caso das rodas boêmias de improvisadores." fase. dela requerendo inflexões de ternura e imagens acessíveis. tão peculiar aos aspectos noturnos e satânicos do Romantismo.-vap*? Não esqueçamos. porém. há nesse tempo várias formas de sociabilidade poética que favorecem muitas dessas tendências. o Poeta Lagartixa. como indicam as referências feitas. É sobretudo o caso famos o das agremiações estudantis de São Paulo. no Rio e na Bahia. Jacques R olla e Hassan) aquele desregramento das atitudes e das idéias. Tempo de recitativos que divulgaram e tornaram queridos os poemas dessa geração. súmula dos predecessores e anunciador de Castro Al ves. . Aliás. e o "Poema do Frade".esta. em Don Juan. da 2. Na verdade. que este é também o momento em que a poesia romântica principia a triunfar nos salões. entre a "Saudade Branca". mas as semi-secretas. de Bernardo Guimarães. além de motivos cronológicos. por dois outros: a sua obra é uma nítida conseqüência (corn ares de balanço) de todas #as tendências. propiciando. não apenas as oficiais. de Casimiro. como obeervam os seus críticos. de Laurindo. ou a Sociedade Dramática. que tanto solicitaram a musa de Laurindo. sobretudo técnicas. favorecendo numa palavra o patético e a pieguice que marcam grande parte da convenção romântica. como o Ensaio Filosófico. formando um tipo de público que influiu nos ritmos e no próprio espírito da poesia. com os olhos fitos em Byron e Musset (ou melhor. de mãos dadas coto a música. é um poeta transitório. e a apoteose fálica d""O Elixir do Pagé". denota além disso preocupação acentuada pelo lirismo social.".

redimindo de certo modo as insuficiências da palavra. músico e ator.4 Este D. Na fase que nos ocupa. as crôni cas de José de Alencar no Correio Mercantil (Ao Correr da Pena. a partir de 1857.Vimos. que o Romantismo tendeu para a musicalidade.tudo sob o influxo de um melômano dedicadíssimo. por exemplo. tempo de grande voga da ópera italiana.poeta. condizente à busca de estados emocionais indefiníveis. . José musicou poesias de Gonçalves Dias. observa-se verdadeiro assalto da poesia pela música. o português Furtado Coelho. que lhe pareciam prosaicas e incapazes de exprimir os matizes do sentim ento. (agitada pelos novos brilhos de Verdi. que se alojaram deste modo na alm a das famílias burguesas e do povo. Pôrto-Alegre e outros. romancista. Influência capital neste sentido teria tido. da cantiga ao som do piano e do violão. Salvador de Mendonça. abrindo caminho para um acontecimento da maior importância na história da nossa sensibilidade: a ligação do canto ao verso dos melhores poetas românticos. Nela se representaram óperas com libretos de Manuel Antônio de Almeida. conduzem agora o verso a uma certa servidão. para ver a que ponto o melodrama apaixonava os brasileiros de então. A modinha. outro imigrado. que aqui vêm ter ao lado das melodias já conhecidas de Bellini e Donizetti) como podemos ajuizar lendo. . a arieta italianizante. De 1857 é a tentativa de criar um teatro lírico (a Ópera Nacional). e à impaciência em relação às formas tradicionais. já assinalada. em capítulo anterior. que durou até 1865 e lançou as primeir as peças de Carlos Gomes. Segundo Melo Morais . José Amat. Machado de Assis. . Importante neste processo é o decênio de 185O. curvando-o documente às exigências do recitative de sala. Daí a preferência por metros e ritmos melodiosos.de tanta importância na história do nosso teatro. 1854-1855). prosseguindo na sua i nfluência. José de Alencar. o refugiado espanhol D. a ópera.

a exibição. ou escreveram. mais equilibrado sob este ponto de vista. há sesta fase um triunfo da musicalidade superficial. os recitatives. As Primaveras. correntes em todo o país. Assim. muito mais desaba lados que os nossos na lamúria e na melopéia. que reforça e amplia a tendência sensível desde Gonçalves Dias c extremada em Casimiro de Abreu. um momento decisivo. a partir de 1861. por isso que o primeiro que se passou da cena para os salões foi o intitulado Elisa. E por tal forma influíram na nossa música as recitações de piano. que tanto ajudou a divulgação da obra dos poetas. o único praticante de alto nível. Os impulsos de irregularidade s . História Oa Música Brasileira. popularizar."5 Este dado é da maior importância e permite localizar. Renato de Almeida. e ritmados a acompa nhamentos. que terá em Varela.Filho a ele "deve a música. poesia de Bulhão Pato. no Brasil. de Casimiro de Abreu. (1859) é o primeiro livro desse tipo. no processo de musicalização do verso romântico. escrevendo para esses belos versos o inspirado acompanhamento que os tornou. aproximando-os da tonalidade mediana da literatura de salão. o qual o festejado ator logrou #(4) í 152 V. com o mesmo ritmo e para igual fim. abandonando-se à rima interna com uma falta de medida que não encontraremos em Castro Alves. ou começaram a escrever antes do auge desse delírio sonoro. e variadíssimos também os trechos musicais propositalmente escritos. págs 3M-363. ao lado das componentes de sarcasmo e desvario. em parte por influência dos ultra-românticos portugueses. mas em cuja obra ele se inicia e prefigura. que muitíssimas foram as poesias que apareceram em seguida. No presente capítulo estudaremos um grupo de poetas que. desde a l.

Vol. no culto da improvisação. Atualidades. Prefácio. e fora da #qual os sobreviventes (Bernardo. de tal modo a poesia desses rapazes parece inseparável da inspiração árdega. 153 #a veia. da notação imediata de uma sensibilidade adolescente. Aureliano) nada fizeram de aproveitável. Os demais. Laurindo. Imitadores de Byron. Talvez por ser a menos ambiciosa. etc. participam por aí da corrente geral do Romantismo europeu. João de Lemos. o amor enterne .na falta de equilíbrio estético. apresentam obras muito inferiores aos problemas que levantam ou à força de personalidade que neles vislumbramos. e sobretudo o maior de todos. da escrita atabalhoada. Defeitos que se diriam próprios da quadra em que muitos deles morreram. ou situar-se já num momento em que ia afrouxando o impulso sombrio dos prede cessores. Espronceda. e como a atmosfera do tempo fez com que eles as manifestassem em alto grau de concentração. resultando o convencionalismo tão censurado nos românticos. Nisto são bem românticos . Musset. VI-VU. págs. lhes estancasse (5) Melo Morais Filho. Dentre as obras que agora estudaremos. em vez de melhorar os seus defeitos. apenas uma parece ter realizado as intenções do autor com relativa harmonia: a de Casimiro de Abreu. Soares dos Passos. Serenatas e Saraus. Alvares de Azevedo. U.e acomodaram à sensibilidade normal do terrmo por meio desta estilização. que os amainou e de certo modo banalizou. É mesmo possível que a idade.. Mas como estas características correspondem de certo modo às do brasileiro. Mendes Leal. o seu valor é grande para a nossa literatura como expressão de uma sensibilidade l ocal. na pres sa. a que deram todavia matizes expressivos do nosso modo de ser: a obsessão da Europa.

a inclinação para a confidencia."6 Estas palavras de Junqueira Freire nos situam dentro da contradição fundamental de sua obra. "O arranco da morte"). Os motivos são vários. Considere-se em primeiro lugar o meio baiano. era-o sobretudo de Gonçalves Dias. e receiam desprezar completamente a cadência bocagiana. "procuram. encontrou as melhores soluções na estrofe epódica. CONFLITO DA FORMA E DA SENSIBILIDADE EM JUNQUEIRA FREIRE "Pelo lado da arte. irmanando-as de certo modo. manteve quase sempre a c adência tradicional do setissílabo e do decassílabo. permitindo extrair da análise formal as linhas de uma personalidade literária. nunca houve movimento romântic o no Salvador: Castro Alves encontrou ambiente estimulante em Recife e São Paulo.7 Empregou relativamente pouco os metros típicos do Romantismo. prezados #no Romantismo. de sabor arcádico ("Vai". o culto avassalador da superficialidade. sendo interessante notar o modo reversível por que aborda nele a oratória e a poesia. segundo a tradição dos clássicos. 154 2. por fim. Ao contrário do que aconteceu noutros lugares. não na terra natal.cido da pátria. rigorosamente conservador. os meus versos. Garrett e Hercula . caracterizado por certa tradição clássica. mas como "a versificação triunfou sobre as ruínas da prosa". Na sua geração foi o mais ligado aos padrões do Neoclassicismo: "um dos mais presos à tradição portuguesa. a desconfiança ante a melodia e o movimento. a pesar meu. . o exibicionismo amoroso. O próprio Junqueira Freire é autor dum compêndio de retórica. a preferência pela oratória. a adaptação nervosa às modas literárias. Embora admirador de João de Lemos. segundo me parece. o amor aos estudos lingüísticos. a naturalidade da prosa. diz o seu mais competente biógrafo.um lusitanizante". que explica a sua concepção da poesia como cadência medida e de certo modo prosaica. "Temor". Elementos cie Retórica Nacional. aspiram casar-se com a prosa medida dos antigos". usou o verso branco em moldes setecentistas e.

àquela altura da evolução prosódica. poucas vezes é harmonioso. abundoso. e 6. sem tacto poético e até mal compostos. "O apóstolo entre as gentes". 155 #franceses e ingleses. caiu"fre qüentemente em cheio na prosa metrificada. cardines. de Garção e Felinto Elísio. ânxio. a uma estética desajustada às novas necessidades expressionais. turturinas. É certo que o intento de não ceder à musicalidade excessiva poderia tê-lo conduzido. regresso puro e simples ao arcadismo. irrisor. pág. (6) L. Mas. opondo-se à "cadência bocagiana. que se desarticula m numa discursividade excessiva: "Por que canto". gêsseo. as poucas vezes que se deixou ir ao fio da melodia re . nutante. e. cuja estreiteza formal adotou em grande parte.no. sejam duros. como ele próprio diz. O seu verso branco. tortor. "Os Claustros". quando não o velho Fontenelle. Tem de comum com os neoclássicos da fase de rotina certa dureza de ouvido. pois o "módulo clássico" significava. sobretudo os mais ambiciosos. "O Monge". 263. que marcariam decididamente os seus contemporâneos. não espanta que grande número dos seus poemas. Junqueira Freire. o fraco pelas palavras de rebuscado mau gosto: sânie. ou porque fosse além da medida. Como Herculano. românticos ainda presos a certos aspectos da estética neoclássica. Junqueira Freire. menos fácil que a média do verso oitocentista. como exemplo da força exercida pelas tendências naturais de um dado momento literário). a franqueza sensual cruamente expressa. como Gonçalves Dias." Não sofreu influência dos poetas modernos. 4 (7) Homero Pires. ou porque ficasse aquém. louvado por mais de um crítico. e (é interessante anotar. é Béranger que traduz. tanto quanto deles. ciparizo. Inspirações do Claustro. isto é. a dicção mais nobre e pura. provavelmente a maioria. Mas. latidão. sendo homem do tempo não resistiu às sugestões modernas. desnuada. ascosas. ignífera. senosas. págs. J. temulento.

a): .a. Neste. que encontraremos quase meio século depois do famoso "Plenilúnio". 9. ou l. O clássico ama.-.alizou alguns dos seus raros poemas realmente belos. 9. responsável pela qualidade geralmente medíocre da sua realização: quero dizer que desejou confessar-se através do verso. E sente chamas que julga dores. como os setessflabos df"""Não Posso" (Contradições Poéticas) e. -. mas um e outro não exprimem estas emoções no mesmo nível de depuração. os novessílabos d" "A Freira" (Inspirações do Claustro). é tão monótono e sem fibra nos ritmos "românticos". Conversa à noite co"a estrela vesper. por isso ela só funciona para determinada matéria. evidenciando o desejo de resistir à facilidade. propósito incompatível com a poética por ele adotada. x Ama o opaco do seu clarão. sobretudo.a e 9. e a adequação de ambas está na dependência do que se poderia designar como os níveis da e laboração emocional.a. 6.a. de Raimundo Corrêa (4. por isso cada um requer forma especial. buscou ritmo mais raro. porém.a.a. . Na^ maioria dos casos. como os contemporâneos brasileiros e portugueses. desvendando ao leitor uma sensibilidad e 156 tumultuosa e um doloroso drama íntimo quase em estado bruto. E o peito aperta co"a nívea mão.. 4. tipo e intensidade da experiência que a anima. sofre. A forma literária está ligada de modo indissolúvel à qualidade. em vez de p raticar o verso acentuado na 3. quanto árido nos clássicos. #Se passarmos agora ao conteúdo que tentou exprimir com esta forma notaremos um desacordo. tem raiva ou prazer mais ou menos como o romântico.a.

Ora. documento humano. o encontro de uma linguagem elaborada. verso musical e sinuoso. Por isso os românticos forjaram a sua forma própria: prosa mais desordenada e nervosa. o carro do So l. A poética dos clássicos requer pois uma filtragem. depois de depurada por uma disciplina que lhe tirava o caráter de sentimento cru para lhe dar comunicabilidade. se revolta. para tal ser-lhe-á preciso adotar ou inventar outro sistema expressivo. Junqueira Freire quis transmitir a dinãomica duma sensibilidade pouco desbastada por meio duma forma que requer maior depuração. por exemplo. desvendar um nível primário de elaboração psíquica . sistema de imagens #calcado nas impressões diretas da realidade externa e interna. Submetida a este tratamento a emoção ganha maior alcance. o elemento fundamental é a comunicação. o tonei das Danaides). escrevendo com emoção freada. Mas se alguém deseja utilizar esta linguagem. no sentido artístico. apresentação do material bruto das emoções. ao mitosímbolo (a roda de Ixio. sem aqueles recursos. ou lugar comum: daí o recurso à situação-paradigma (Hércules fiando ao pé de Onfália. dando idéia de testemunho. Bruto condenando os filhos). Acontece todavia que para Gonzaga a experiência emocional só podia ser comunicada em certo nível de estilização. atrav és do equilíbrio expressional: para ele. Tomás Gonzaga. perdendo o caráter de confissão direta.Junqueira Freire chora. para exprimir imediatamente a emoção. clama na sua cela e traz desordenadamente este tumulto ao leitor. e a sua mensagem. . na masmorra da Ilha das Co bras? De modo algum. o enquadramento numa certa serenidade. tem desejos insatisfeitos. ou seja. como a dos românticos em geral.tudo expresso num estilo medido e freqüentemente explícito.provavelmente não conseguirá uma expressão. Nem poderia ser doutro modo se aspiravam à comunicação imediata e mesmo indiscreta. 157 . uma comunicação. era complexa demais para caber na regularidade do sistema clássico. É mais apaixonado ou sincero do que. à delegação pastoral. pressupondo nível relativamente elevado de abstração.

. Como azinhavre devorou-me as carnes. A toga férrea que estreitou-me os artos. Por isso vai (.-". o remorso e.. em tudo que medito ou vejo..<.t. a revolta contra a regra e o mundo. Fui arrojado aos cárceres eternos. exteriores trevas. a decisão tomada quando ainda não tinha experiência. . .. . ..) beber no céu.Desce às fatais. os impulsos eticamente positivos e negativos. o desejo reprimido que o perturbava e aguçava o sentimento de pecado.„.. r.Sentir procura as emoções mais bárbaras. forte... Qual era o drama que tencionava assim manifestar? O erro de vocação que o levou ao claustro.. manifestado por exemplo em "Por que canto".) entre deliqitios exaltados. acolhendo o bem e o mal. . a des ilusão.#-Típ-"" O seu intuito.. discursivo e prolixo. a revolta contra os mentores: Antes de abrir-se-me a paixão no peito. onde não pôde se aquietar.... Quando em botão as afecções me estavam. Daí provieram o horror ao celibate..Aos insondáveis boqueirões do inferno. .é talvez a peça mais importante como confissão desse drama: descreve a ilusão da felicidade no convento. " Em ver a imagem desse horror tremendo... a revolta contra si próprio. mas onde há trechos fortes .. era comunicar a experiência total da alma.-. . A mente do poeta. . . como conseqüência natural.) prova um prazer terrível. (. a obsessão da morte.. (. no inferno. por vezes. verdadeira profissão de fé poética.mal realizado.. Em ver a face desse caos torvado. O poemeto "O Monge" . . Em ver o orgulho do pecado in f indo.. o horror. No mundo. .

n~A Devota" surde #em lampejo logo recalcado. por exemplo. estíra-se a lascívia". na dúvida. dentre os melhores. N""A flor murcha do altar". ("Temor") Raramente. 158 Um dos aspectos mais duros do seu estado vem manifesto na exaltação erótica. todavia. Alvares de Azevedo com a angústia sexual em "Meu Sonho". vem enroupada na devoção piegas que funciona como disfarce. Há dois poemas. e nela Privada topa a consciência em nada. estrelas matinais calam. tal é o monge. . contido por uma forma pura. Para o mais denso coqueiral sombrio. cuja simplicidade não peia. Consideremos neste sentido o caso do remorso. porém. como "O Monge". onde. Antes que o sol galvanizasse as nuvens. mas fortalece a tensão emocional. aparece uma bela e saudável euforia dos sentidos: Levei-te em braços. que aparece na sua obra em vários graus. alcança poesia tão boa para exprimir os outros aspectos do seu drama. ou Casimiro. em "Amor e Medo" com a inquietação amorosa. "Ela" já traz nítido o conflito com o celibato. alheio às tendências que o Romantismo desenvolveu neste sentido. ou uma situação metafórica para encarnar este sentimento. Abre-me os braços. que encrespa duramente outros poemas. onde adquire significado de vício. sentimento permanente e expresso na sua confissão. -. Escondamo-nos um no seio do outro. . mas sem recorrer à tradição grecolatina.ente não-homem A quem privou-se a liberdade. em cujo "colo . ("Vai") Deitemo-nos aqui. O seu processo consiste no geral em afirmar. Ou morreremos juntos. Lutei ali co"as brisas que queriam Levar os teus cabelos. mas que não soube manifestar com a força necessária para mover o leitor. Obcecado pela discursividade neoclássica. como fizeram. Que enchiam-te de flores. ao cair da tarde. ou latente nos anátemas ao claustro. não pôde encontrar um sím bolo. na ousadia carnal.Boceja. Não há de assim nos avistar a morte.Tal soil. gerado pelo "ócio infamante"."---" Quando as Eu te deitava à copa das mangueiras.

aqueles referidos elementos de drama. formam. Por não havê-la encontrado. cujas três primeiras estrofes têm uma consistência màgicnniente leopardiana: Pensamento gentil de paz eterna.Dessa alma vã e desse corpo enfermo. que é matéria a partir da qual se elabor a a expressão. Junqueira Freire é um poeta sem mistério apesar da intensidade das suas emoções. que atinge o afastamento máximo. A maioria dos seus bons momentos se encontra nas Contradições Poéticas. revelando a falta de imaginação mencionada por Ronald de Carvalho. ./-. . s. que aparecem como proposições. não obstante tumultuário e doloroso. vem. não imagens ou situações poéticas. É o caso também da poesia "Morte". Daí a monotonia devida a certas posições fundamentais. onde é menos acentuado o hiato entre o conservantismo formal e a violência romântica da confissão. Tu és o termo De dois fantasmas que a existência.8 O que denominamos complexidade de um escritor é quase sempre a capacidade de ver os próprios problemas por várias facetas.diretamente. e às mesmas so159 #luções formais. e portanto condiciona poesia menos realizada. não a existência pura e simples de um drama complicado. que redunda na impressão de pouca complexidade do mundo interior. Amiga morte. como os referidos há pouco. conservando os poucos momentos de boa poesia. nos quais harmonizou à intensidade emocional a concepção clássica do verso.. ou se abandonou com elegância à "c adência bocagiana". sempre repisadas. das mais perfeitas e equilibradas que escreveu (apesar do subtítulo: "hora de delírio"). n as Inspirações do Claustro. dando-lhes forma pela descoberta de imagens adequadas. Para apreciá-lo é necessário operar violenta seleção na sua obra. experimentando interiormente com eles.".

Pensamento gentil de paz eterna.i Dificilmente se encontrará. Agora o nada. Amiga morte. História da Literatura Brasileira.. #*-:-: -." Ronald de carvalho.(Cortesia da Biblioteca Nacional). vem. A visão mais real das que nos cercam. entre os contemporâneos. era um poeta suDjeuyo. Amiga morte. vem. i Plantinha que a raiz meus ossos ferra. expressão mais pura de sentimento não obstante caro aos românticos. tão nobremente bela. Tu és o nada. Nem vida. Para nutrir-se de meu suco impuro. Pequena. voltado para si mesmo.. ~ Em vós minh"alma e sentimento e corpo """ Irão em partes agregar-se à terra. pág. Que nos extingues as visões terrenas. 259 16O Casimiro de Abreu . que nesse pobre frade desesperado vibra com serenidade tão profunda. todavia. nem sentir. nem dor. Todas as paixões aguçadas pelo hábito r eligioso se aquietam na placidez de uma transcendente visão de paz.. Do prazer que "os custa a dor passada. para logo a seguir percorrerem o poema com um frêmito meio satânico e extranhamente mod erno: Miríadas de vermes lá me esperam Para nascer do meu fermento ainda. Já não há tempo. torna-se realmente trágico. nem gosto. -. Tu és a ausência das moções da vida.-" Pensamento gentil de paz eterna. Aquietamse mal. " E depois nada mais. Talvez me espera uma plantinha linda. . (8) Junqueira Freire tinha mais sensibilidade que Imaginação. Tu és apenas. aprofundado pela análise.esse real tão belo Só nas terrenas vísceras deposto. Vermes que sobre podridões refervem. " . . para as suas dores e misérias. e o desespero.

-r-j-. à célula. _. . a referência à vida embrionária. Aflito era também o seu coração. Ao contrário do beneditino dramático . ... de asas curtas.1 .^-:. está mais um poeta damné. * .^. (I). . manifestando em versos fáceis. Ano(l! n"^^"iS/"?O**1 "Vocasfto e Martírio de Junqueira Freire".r " „ . que a um não conheceu.-. é lamentável que a pressão insuportável das condições de vida e um formalismo constrangedor houvessem impedido a sua realização plena."av e criada entre os altares". um travo antecipado de Augusto dos Anjos e da poesia realista da morte. BdB CHI). bem como o emprego de termos de sabor científico: gal vanizar. às vísceras. *: " . a que se vem juntar.9 É com efeito.foi um poeta raso.-. AS FLORES DE LAURINDO RABELO Lêste-lhe a poesia? Eram arquejog Dum coração aflito! De uma alma que ensaiava na matéria Os vôos do infinito! exclama Laurindo por ocasião da morte de Junqueira Freire. "**L " xi^m^.-. fosfórico. no nível dos poucos. em outros versos. mas de modo algum propiciou o tipo de poesia indicada no último verso. patriotismo.-. extrovertido e sincero. "cisne de luz" .^ií-. pun .jMB. geralmente agradáveis. fosfcrescente. antes de Guerra Junqueira e Antero de Quental. verificada durante a sua residência na Bahia. talvez. 161 #3. e este acento é novo e insólito na poesia brasileira". e a outro não poderia conhecer. mesmo quando tristes. Havia nele mais dum traço original. mas intensos momentos de beleza que logrou alcançar.Depois de citar este poema diz Afrânio Peixoto: "Entre Byron e Baudelaire. os sentimentos mais comuns do homem comum: melancolia.

nele. respectivamente. As vezes sem querer d"alma exalados. insatisfeito. Há na sua obra três aspectos de significado e importância diversos: a poesia de circunstância. servindo exatamente #os pratos requeridos pelo gosto dos salões burgueses. À mesma chave pertencem os improvisos. . Pobre. o seu verso é notação psicológica imediatamente registrada. gratidão. a do boêmio. datas nacionais.donor. onde viveu quatro anos e obteve mais fama que na terra natal. ao fazê-lo. não poética. Nem são versos. Nos da Bahia. reinava uma mentalidade de outeiro poético em torno do famoso Muniz Barreto. com a facilidade dos bons improvisadores. ("O que são meus versos") Este chavão romântico parece. Tudo medido e singelo. O primeiro aspecto é o mais insignificante. feito de encomenda e publicado com nome de terceiro. incluindo peças comemorativas de aniversários. que estimulou esta tendência da sua veia e a quem chamou . numa forma em que o desejo de comunicar prima qualquer artesania. que lhe deram renome em vida e onde brilha uma ginástica aparentemente original e audaz. notadamente sonetos e glosas. a da experiência pessoal sentida. repentista emérito. amor filial. corresponder à realidade. a do homem enquadrado na convenção. no fundo mero automatismo em que surge habilidade mais coletiva q ue individual. própria de um gênero cuja essência é retórica. ou seja. sobrenadava nele o homem no fundo convencional. amizade. a obscena. é natural que valorizasse os dons de improvisador como recurso de prestígio. bem o conheço. pela dor só inspirados. boêmio. mãe da 1"2 Imperatriz Tereza Cristina.inclusive o paquidérmico "Setenário Poético". mortes. são ais sentidos. carpindo a Rainha das Duas Sicüia s. mortais. na medida em que. temente a Deus e à ordem. V ate não sou. encontrava de pronto a forma adequada à confissão. inconsciente do trabalho profundo em que atua o mecanismo criador. amor fraterno. menti. Metis versos. a confidencial.

Mas como também era sarcástico. principalmente quando arrastado para a esfera da imaginação floral com que deu cor po a alguns dos seus melhores poemas. irreverente e popular. E se fôssemos enumerar os que em segui163 . mas também flor.Amigo. minha alma o sabe. as flores talvez sejam a principal fonte de imagens dos poetas românticos brasileiros. do desejo de morrer. em versos que correspondem a outra sociabilidade. a das tertúlias masculinas. prontos a explorar as suas possibilidades de delicadeza e sentimentalismo. da saudade dos familiares. pisado tanto por boêmios contumazes. Lembremos que o primeiro livro do nosso Romantismo tem um nome ambíguo. Mestre. entretanto. . perdura na sua obra: o que nela vive é uma vintena de poesias onde falou espontânea e doloridamente das mágoas de amor. onde não foi menor a sua glória. Mas algumas vezes é tal a fluência do verso ou a felicidade das imagens. cuja vida interior pareciam refletir. quanto por Álvares de Azevedo e quem diria! . que o leitor se entrega. porque me pede o entusiasmo Dizer-te como tal.Frei Luís Junqueira Freire. como Bernardo Guimarães ou Aureliano Lessa. cultiyou com abundância a musa secreta. porque o és. Aliás. da solidão no mundo. Nada de profundo nem muito belo: apena s sentimentos comuns transmitidos com tal singeleza que parecem desabafo espontâneo. É preciso lembrar que não c onstitui exceção neste trilho. em que as Saudades são sentimento. Nada disso.a do botequim. deixando-nos algo alheios a este remoer de penas. concebendo-as como uma espécie de intermediá rio entre o mundo físico e o homem. manifestação dessa autenticidade que desperta ressonãoncia no leitor e o faz irmanar-se ao estado de alma do poeta. Em Laurindo há quase sempre sinceridade a mais e e stilização a menos.

Brincar com as flores. ("O Gênio e a Morte") . " "< ("Último canto do cisne") E da tristeza. etc. etc. Na obra de Laurindo. de Bittencourt Sampaio. ("Poesia". ("Adeus ao mundo") Outras. Quando dois corpos este fogo acende. açucena de minh"alma. de José Bonifácio. Desabrocha em flor. ("O meu segredo") ." "" . de Bruno Seabra. reponta a intenção simbólica. Parte dos goivos te lancei no peito. elas aparecem em 26 sobre 82 poemas coligidos na edição mais completa.. Muitas vezes a ocorrência é puramente ocasional: -! : Se às vezes tentava . amor: Se de um lado a razão seu facho acende De outro os lírios seus planta a saudade. O fogo santo que dá vida à vida Chama-se amor.. Flôrezinhas. que quando era menino Tanto servistes aos brinquedos meus. Corimbos. De flores perfumado. . Flores entre espinhos. que a minh"alma encobre. não teríamos mãos a medir: Rosas e Goivos. prazer. .#da tiveram nomes nelas inspirados. e a flor é virtude. Miosotis.. de Teixeira de Melo.. de Norberto. de Luís Guimarães.. ou seja mais de um terço.. ou apenas comparativa. Flores e Frutos.) . tristeza. Flores Silvestres. saudade. ("Dois impossíveis") O pranto. ("Não posso mais") . Botão de rosa que o pudor defende.

assim Como a saudade que geme Por ela dentro de mim.-" -..-... . a saudade é flor.". do desespero .!. .< l Exangue. -.. E agora esta saudade Tão triste e pálida . Que tens. .-" -: -. "-"---" í -:-" Mas calada em sua dor.1.".. Ao longo das estrofes a ambigüidade toma corpo e se desdobra..--A alma de minha irmã?! "Minh"alma é toda saudades."". . que se prestam ao jogo de palavras. não seja.. . quando a minh"alma Em saudades lhe deixei. -"--.. Minha flor? Que palidez!.-.Mas os grandes momentos se dão quando surge uma ambigüidade poética em que a imagem. é flor e sentimento: é o ciclo da saudade e dó amor-perftU". ao mesmo tempo indicativa e metafórica. e é a irmã morta: Quem sabe."-. De saudades morrerei" Disse-me..-.". é símbolo do sentimento a que deve o nome.--.. i "* " ""-.-... Outra da melancolia . Uma de sangue ensopada .. num jogo de espelhos contrapostos em que se cruzam e refletem os sentimentos do irmão e da irmã. "" (Oh! meu Deus.--. mimosa saudade? Assim branca quem te fez? Quem te pôs tão desmaiada. " " Não seja esta idéia vã!) J" Se em ti não foi transformada . #("A Saudade Branca") Aqui. .. . Adiante há novo desdobram ento. no mais famoso dos seus poemas.".-. :. Pela mão . - Toma o gesto e veste a eór. sendo ambos simultaneamente a flor em que se encarna a imaginação. :-. -..-l". " v :No seio d"alma plantada. . : "" . . pálida e fria.-. . -/"--.. a variedade botânica permitindo decantar na alma as variedades do sentimento: Nós temos duas saudades.!" .

. confundem-se com os sentimentos que lhes dão nome e se tornam realmente : . era rosa. amor-perfeito. Tu que vegetas nas chamas.. quase um poemeto frouxamente cornposto em torno da metáfora floral: Ai! flores de minh"alma! quem matou-vos. coleção de seis poesias. Tu nascido. tu afeito Aos incêndios que amor tem. flor! Assim as flores vão perdendo a identidade.. Flor tão fraca e melindrosa Muito não pôde durar. . Cedo devia murchar. Exposta a tantos calores. tu que inflamas. Neste sentido a melhor realização se encontra nas "Flores Murchas".. Porém tu. Como as rosas se murcharam. Sem fogo murchaste. que provoca certas antíteses de fecundo sabor cultísta: Murchou-se a rosa. (J) Na terceira peça encontramos admirável desenvolvimento da dupla conotação de amor-perfeito. Porque as águas lhes faltaram. Tu que abrasas.*--. Por que murchaste também? " " Ah! bem sei: de acesas frágws : " As chamas são tuas águas.164 165 #. branca saudade." "* ( Quis provar esta verdade. passam da botânica à psicologia. ~ !-""" Que o fogo é água de amor." Parece que a natureza . Embora fossem de amôre". . . Quando diversa da roxa Te criou.

. do amor. descoloridas. pois a flor-no-mundo se tornou flor-na-alma. sem aquele brilho material que têm por exemplo nos rondós de Silva Alvarenga. Isto é ser flor e anjo juntamente. da desilusão.. as pétalas parecem guardadas entre as páginas da sua confissão. não há propriamente elaboração metafórica em profund ! ". : idade. Ser angélica flor e anjo flor ente. em cujo horto se vêm reunir imagens tão expontâneamente prediletas da imaginação popular: Craveiro. dá-me um botão. J -" J o Vem. Neste jardim fechado não há cor nem perfume. A sua imaginação floral deita raízes nesse mundo onde o cravo briga com a rosa. como encontramos na flora barroca de Gregório de Matos. . Teus perfumes causam dor. uma saudade. flor mimosa. amor-perfeito. senão em vós. E talvez esteja aí um dos fatores da voga de Laurindo. invadindo a flora material com emoções que florescem segundo as leis de uma botânica subjetiva: Na terra que cobrir-me as frias cinzas " " "- #. dá-me este cravo. ó dália. Em quem. angélica na cara." Plantarás um suspiro. Salvo um momento ou outro. Róseas flores d"alvorada. Tf . De tal modo 166 que o poeta acaba operando realmente a transfusão das duas realidades.saudade. se uniformara?) . i i Roseira. . martírio. inodoras. (Anjo no nome. . e cada flor pode ser pictograma na muda correspondência da ternura.

evocam as alegrias dess a quadra e servem para exprimir a desolação da juventude. o goivo. a açucena. No plano erudito. persistindo na memória. o lírio. numa perda de matéria em que a flor. as sementes de saudade que planta ao deixar a família amadurecem como a saudade que o acompa . . tende ao signo.em que a nossa se desdobra. As rosas do coração. são avatares da sua alma. nos quais se vinha operando a passagem do vegetal ao simbólico. Nem as que tenho na mão. a sua mel ancolia.A sua imaginação é similar à que aparece em certas poesias populares. o amorperfeito. que aparece todo ele como um sistema de signos. Na sua poesia predomina o sentimento de uma "alma exterior". o amor 167 #da mãe e da irmã. sobretudo no ciclo da saudade e do amor-perfeito. Assim.. caídas as barreiras que confinam o poeta na subjetividade. elaboradas no espír ito. Maciel Monteiro. desataviando-se da graça presente. Dar-te-ia. A rosa. encarnada no vegetal. essas imagens coroam a linha préromântica e sentimental dos poemas de Borges de Barros. elas se desmaterializam e invadem o mundo. como a quadrinha em que a rosa é ao mesmo tempo planta. as duas saudades. Nela sentimos um processo em dois tempos: o sentimento do mundo se configura inicialmente por intermédio de certas experiências ligadas à flor. continuada por Magalhães e os sucessores. A botânica de Laurindo é mais lírica. beijo e paixão: Não dou-te as rosas das facet. num transbordamento de pétalas que lembra o poema inicial d*"O Grifo da Morte". sentindo e penando no mundo: o seu desejo. Araújo Viana. se me estimasses. não raro como comparação sentenciosa de pouca densidade poética. . de Mário de Andrade.como nas concepções do primitivo e no folclore. as rosas que a irmã lhe dava na infância.

nha. de todo o Romantismo. todavia. Mas como possuía sensibilidade plástica excepcional e musicalidade espontânea. nota-se um processo interessante: à medida que envelhecia. que um dia lhe feriram a sensibilidade e ele hipostasiou. vão ao satanismo e à perversidade. como as do chinês extátíco de Mallarmé. aqui e ali. desenvolto como os cantores que erram ou acertam ao sabor do estro. Como artista era irregular. sobretudo na segunda fase da sua evolução. a natureza. exprimindo doravante a recordação da mãe e da irmã. acentuava-se nele o retorno à harmonia neoclássica. a de quase todas as Novas Poesias e das Folhas do Outono. roça pela prosa. ao torn de ode e epístola que. 168 4. Na última fase. prontos a encontrar nela um acicate a mais para a euforia da imaginação e dos sentidos. retirado na sua província de Minas. não raro descuidado e impaciente. É saudável. obtém versos #admiráveis. no mundo da imagem. associado à decadência da insp iração. mostrando a marca do meio paulistano onde firmou a vocação e foi dos mais desordenados e pitorescos boêmios da tradição acadêmica. inscritas para todo o sempre "na filigrana azul da alma". POETA DA NATUREZA A poesia de Bernardo Guimarães lembra uma polpa saborosa envolvendo pequena semente amarga. surgem traços de azedume que. equilibrada na maior parte e. e das Poesias Diversas. a partir das corolas reais. A porção mais vultosa e valiosa da sua poesia é porém feita de encanto pela v ida. o prazer e essa melancolia vestibular. Seria talvez porque. BERNARDO GUIMARÃES. longe do movimento literário. a mais presa ao mundo exterior. quanto domesticou melhor o impulso por vezes desordenado dos Cantos da Solidão e Inspirações da Tarde. onde estão porém as peças mais significativas do sentimento da natur eza. nos casos ex tremos. O seu coração (a imagem é de um poema dele) se vai tornando um vaso onde medram sentímentos-flôres. tão freqüente nos voluptuosos. foi se insinuando nele um atavismo .

visível desde as primeiras obras. ou tiveram a curiosidade. no princípio e no fim. sempre com o melhor proveito. espécie de longo desenvolvimento do "Pescador da barca bela". paradigma de poesia romântica pelos ritmos. "Idílio". que se junta "A uma estrela". (Cantos da Solidão). enraizado em lugar tanto mais embebido das tradições da "escola mineir a" quanto à margem dos movimentos posteriores. "Minha rede". serenidade. . de brincar com o eco. "Ao charuto". "A Sereia e o Pescador". Notemos que esse poeta sem requinte foi. enq uadrando metros igualmente adequados aos estados de indecisão. Como métrica psicológica é oportuno mencionar o "Galope infernal". a que já estaria preparado pela de Gonçalves Dias. o torn de balada. Ninguém usou tão bem os perigosos versos martelados. endecassílabos (2-5-8-11) sugerem o ritmo desenfreado da cavalgada. à maneira do "Pas d"armes du rói Jean". . de Victor Hugo. "Desalento". Poucos utilizaram tão bem as estrofes de metros alternados para evocar 169 #"-W^fff^íSI a marcha do devaneio. É um admirável poema. em poemas como o aliás medíocre "Gentil Sofia". revelando senso exato da adequação do ritmo à psicologia. reflexão. que vão do fim do decênio de 4O ao fim do decênio de 6O. manifestando-se ambas em várias peças leves que roçam o pastiche. do grupo em estudo. em relação ao português.como "Olhos Verdes" em relação à de igual nome do maranhense. o ambiente onírico. Paulo parece ter sofrido influência de Garrett. como ele. quando já encontrara no romance outra forma de expressão. um insidioso arcadismo.estético. "O Devanear do céptico". que reservou aos poemas de mov imento. ou. Desde a saída de S. "Uma filha do cam . Do ponto de vista formal a última fase parece preceder cronologicamente as primeiras. o mais preocupado com a experimentação métrica. inquietude ou grotesco.onde.

1O O seu sentimento dominante foi o da natureza. 17O Quanta harmonia e cor. História da Literatura Brasileira. arsenal de imagens. 315. sertanista. A cismadora". mata nome como romancista que como poeta. que é o estímulo pri ncipal da sua musa. Contempla De nossa terra as solidões formosas. #(1O) "Bernardo Guimarães teve em seu tempo e não sei se continuará a ter. José Veríssimo. . B da poesia nas divinas fontes Afoito vai saciar tua alma. "A fugitiva" (Poesias diversas). Que esplêndidos painéis!.que a eles se junta para formar a melhor parte da obra lírica desse poeta. nadador. Que mistérios de ignota melodia Não guardam para a mente do inspirado Que os interroga por serenas tardes. . luz e beleza . . cascatas. Entregue a fronte aos tépidos bafejos Da inspiradora viração dos ermos. tb. enquadramento da inspiração. "divina fonte" do canto: Engolfa-te no azul do firmamento Por abismos de luz e de harmonia. a terra exercia sobre ele atração poderosa. colinas. pag.. matas. pag.. viajante. que nele era apego real à paisagem. Caçador.po". apesar de uma advertência de José Veríssimo. "O meu vale". mas muito mais apreciável do que faria supor o olvido a que foi relegado. T. ao detalhe do mundo exterior. de êxtase.Tu não vês derramada pela face Dos infindos sertões! E as montanhas. 289. "Terceira evocação" (Evocações). De luz. "Se eu de ti me esquecer" (Novas Poesias) . "Barcelona". Não me parece de todo acertado este modo de ver". não de certo grande. "Que te darei". apaixonadamente percebido e amado. até que a Antologia de Manuel Bandeira o restaurasse. ah quanta vida. de amor.

Desdobrai sem receio as asas cândidas Na esfera azul. cantos meus. Murmura qual vergel harmonioso Pelas brisas celestes embalado. serra". ondeia com as matas. freqüentemente amparado nas experiências de Gonçalves Dias e Basíl io da Gama. pelo contrário. voai asinha.("A Poesia") Assim. a natureza não lhe aparece como sistema de sinais correspondentes aos estados de alma. onde não chegam O importuno alvoroço. brilha à luz do sol. Como um floco de neve. os vãos rumores Das procelas do mundo.. move-se com o vento. Casto asilo soidoso. plainos e florestas. Do hirsuto monte nas virentes faldas #Formoso alvergue branquejar risonho Por entre a escura rama dos pinheiros.aonde virdes -. que dos montes m . E onde virdes retiro ameno e ledo. transponde rios. que parece ter sido o principal modelo do seu verso branco: Ide. vossa missão é pura e santa. estes. a teu sopro despertada. Como que deste mundo separado Por altos serros. flui com os regatos. Ide. em que o verso esposa os contornos.. que alcantis coroam. Profundos vales. apurou uma rara capacidade descritiva. pois. é que parecem brotar e definir-se ao toque dos estímulos exteriores: Minha alma que. . ("Invocação") A fim de pintá-la bem.

pois. são ainda os largos movimentos que dão nervo e beleza. esteiando. ("Hino à Aurora") Numa segunda fase da sua poesia naturista pendeu para a estrofe rimada em detrimento do verso solto corrido. de ferro e fogo armado. . Vertendo sobre a terra almo silêncio. . nela conseguiu alguns poemas admiráveis. .. por exemplo. como "O Devanear do Céptico". que na derramada irregularidade de muitos poemas surjam por vezes talismãs: Também tu choras. . (Dedicatória dos "Cantos da Solidão") Este movimento airoso e largo. . primor de singeleza em que se fundem descrição e emoção: Num canto retraído da vaiada Tenho entre verdes moitas sombra amiga Em chão de fresca relva. peça irregular. como "O Meu Vale". como o trecho iniciado com o verso Quando espancando as sombras sonolentas.. Em poemas discursivos.. Aí pousai. Ei-lo que vem. . Como ao passar da ar agem Sussurra pela copa do arvoredo A trêmula folhagem.. Não espanta. 172 Pela encosta de além ondeia a coma De verde negra selva. E do alaúde tenteando as cordas Foge-me dalma uma canção singela. .#Rodou sobre o verdor do vale ameno. não descritivos.= Propício ao cismador. Planetas. "O Ermo". às vezes grande beleza. róseos horizontes. e o vejo em gotas límpidas A cintilar na trêmula folhagem. que em cadência harmoniosa . - No éter cristalino ides boiando. pois em minha fronte Sinto o teu pranto.. onde representa os movimentos melhores: Ali campinas. onde há momentos como estes: j . que debuxa serenamente o quadro natural. é básico na sua composição... ante meus olhos A noite os véus diáfanos desdobra.

E vertendo ao cansado viandante com brando rumorejo alma frescura Dão vida ao coração. Ao ermo. em pleno quotidiano. segregação física em relação ao semelhante. rios. é diversa da de Junqueira Freire ou Alvares de Azevedo que. morros. ("Recordação") .. "Saudades do Sertão do Oeste de Minas". Queixa-se. 6 musa! Mas a solidão.. freqüentemente unidas na evocação. as asas corn que voa o progresso pelo mundo segundo "dizem (. da escravidão às folhas de papel. procurando associar a experiência afetiva à experiência dos lugares. . verdes folhas Que a fronte adornam das viçosas selvas. traçam um círculo em torno de si para se absorverem no mundo interior. animais ("Cenas do Sertão". esquecidos do tumulto da vida.Já se vê que os seus versos são.) os homens entendidos". Nele se trata mais d e isolamento. saudade com que suscita as emoções neles vividas. na maioria. para reequilibrarse ao contacto da natureza. padece a nostalgia do ermo e evoca matos.. que esse nostálgico recriasse longamente as cenas e amores passados: 173 #""fifív Era. Por isso mesmo #revela acentuado pendor pela solidão e a saudade. na sua obra. Na cidade. ao mesmo tempo descritivos e evocativos: traçam o quadro natural e contam as emoções nele vividas. Não é extranho.solidão com que desfruta melhor a poesia dos lugares... em meio aos homens.. repouso à mente. "Adeus ao me u cavalo branco chamado Cisne"). . mas que não se podem comparar às . pois. uma tarde amena e sossegada " "--" " Tão plácida como esta. no Rio.

certa angústia de não crer pura e simplesmente. porque no fundo sentimos que a dúvida não sig nificava para ele drama cruciante. qual eu vi-te outrora Pousada à sombra do jambeiro em flor. há por vezes na sua obra uma crispação devida ao medo de duvidar. onde em vão busca" Um abrigo onde pouses. Nos três poemas que. todavia. consagra a si próprio. namorado da forma sensível.. espaçadamente. ("Primeira evocação") Eis-te tão bela. podemos verificar um processo bast ante visível em sua poesia: o aquietamento progressivo da melan174 eólia e da tristeza. ("Lembrança") Oh! porque vindes me sorrir agora.: . problema que desmanchasse a serenidade ou a melancolia do devaneio. ("Devanear do céptico") O desespero. quase sempre ligada ao quadro natural. De -meus campos natais doces lembranças. expípíaa cada vez mais pela "pena da galhofa". que mantinha acerada.. uma vez que a contemplação da regularidade natural de novo o conduz para a equilibrada visão do mundo. ("Nostalgia") A saudade. Medo... na espontaneidade com que a natureza existe.Oh! quem me dera ver essas campinas. . f. ("Terceira Evocação") Fui ontem visitar essa paragem Em que te via passear outrora. Um eco só da profundez do vácuo Pavoroso retumba. é o sentimento do tempo nesse voluptuoso. porém. uma fonte Onde apagues a sede que te abrasa. . não encontra nele morada propícia.duvida!. Daí o lamento que dirige à alma : O tufão da desgraça desvairou-te Por desertos sem fim. Não obstante. aqui e acolá. em benefício de conformada serenidade. e diz ..

diz no ppmeiro. Adiante encontramos a poesia obscena. como os "Disparates Rimados" e o famoso soneto: Eu vi dos pólos o gigante alado. No segundo. o fatal sopro da descrença ..vai-te asinha. de 1859. e ela nos permite chegar à etapa final. em que o humorismo vai se carregando de intenções obscuras até tocar no sadismo. A seguir vêm outros em que o tema é impessoal e a intenção satírica: "O nariz perante os poetas". produzindo peças da melhor qualidade. exclama: Vai-te. outro ramo dileto da sua musa. Me roça às vezes nalma. ó dia importuno . que termina pela evocação do dia em que . "Delírio de papel". e a deixa nua. Daí passamos ao bestialógico. "A saia balão". gênero em que brilhou. corn férreo selo guarda a campa avara.. E fria como a laje do sepulcro. como "Ao charuto" ou "Minha rede". se o divertidíssimo "Elixir do Pajé" pode ser co nsiderado expressão dionisíaca e saudável do priapismo de anedotário. já no poema de título irreproduzível. mas numa vasta atividade oral de improviso e pilhéria. que entrou para a lenda junto às suas atitudes excêntricas. a plúmbea mão da morte " Nos venha despertar :-" #E os sombrios mistérios revelar-nos " " Que em seu escuro seio -. manifesta não apenas na produção oficial. Num primeiro nível encontramos produção bem parecida à ligeira poesia íntima do seu inseparável Álvares de Azevedo: poemas leves e excelentes em que a graça e o devaneio equilibram o humor. Ó tu. que em meu costado Inda mais um janeiro sem remédio Deixaste-me pregado. que o acompanha geralmente nas 175 . com efeito.Amigo. A sua veia humorística era aliás variada e rica..

. Pendurado num. ". É desses tenebrosos estouros na criação literária... Lobishomem batia a batuta . o simples bestialógico: Junto dele um vermelho diabo Que saíra do antro das focas.. Inda um pouco de carne corrupta.#edições de cordel. mas que se pode considerar um dos fulcros do nosso satani smo. pau pelo rabo.. Mais longe vai a "Orgia dos Duendes"." . de toda uma geração desenquadrada pela embriaguez do individ ualismo estético.-:. relativamente amainada pelo chiste nas quadras iniciais. Mais ao fundo. A caldeira da sopa adubava ..-. .\ De uma bruxa engenhosa o bestunto Armou logo feroz rabecão e o grotesco vai ombreando o macabro: Assentado nos pés da rainha -:"--i. Num primeiro plano.. É a perversidade que reponta e.v.. a piada tende ao grotesco Da carcassa de um seco defunto E das tripas de um velho barão. feita de macabro.. A invocação de Jerônimo Bosch talvez ajude a compreender a sua perturbadora força poética. o sangue rutíla na composição esmeradamente clássica infiltrando extranhas manifestações de perversidade.. encarada em geral como troça. apenas parcialmente expressas. No borralho torrava pipocas. grotesco e o sadismo certamente mais cruel da nossa poesia. Co"a canela de um frade.. (Getirana com todo o sossego . abrindo fissuras por onde jorram os lençóis subjacentes do espírito e no qual se evidenciam tendências... que tinha "-".

isto: #Os amantes a quem despojei.. .. .. Mas se a minha fraqueza foi tanta. ".. " . .. . De meu pai entre os braços gozei. Que inda há pouco viu tantos horrores.. De um convento fui freira professa.corn o sangue de um velho morcego./ -. que tal foi esta peça. . . Vejam lá. por artes que sei.Chocalhava nas dobras da sela.--. .- expulsa os babiqueiros infernais e. (Hediondo esqueleto aos arrancos "--... 177 . ."M. ... Amontada numa égua amarela) -. ./ .. ... Onde morte morri de uma santa. . Passeando sozinha e sem medo Linda virgem cismava de amores.." " . . ".. Me caíram do ventre no túmulo... dando-lhe viabilidade em face da opinião pública e do sentimento individual. toque profanatório e.j " Na quarta parte. gosto pelos contrastes profanadores.-/"" -" i" - ..r .. raiando a manhã. volúpia do mal e do pecado. na fala doutro duende. na sombra daquele arvoredo... "-". que dele gerei.densa.. O torn de galhofa e o disfarce do estilo grotesco acobertaram (quem sabe para o próprio autor). E de amor as extremas delícias Deu-me um filho. quando os fantasmas fazem as suas confissões: 176 Dos prazeres do amor as primicias.. A ousadia d"A Noite na Taverna pertence a essa mesma atmosfera paulistana em que Bernardo se formou... carregada de inesperadas soluções. Conduzi das desgraças ao cúmulo. Incesto. a Morte. . uma nítida manifestação de satanismo: luxaria desenfreada e pecaminosa. Era a Morte que vinha de tranco t . /. na quinta. E alguns filhos. Que ali mesmo co"as unhas sangrava) vai se afirmar na terceira parte..

passando por sobre defeitos e limitações que a deformam. de outra. ou a rejeitamos com veemência. a dos românticos nos arrasta para ele. temos de nos identificar ao seu espírito para aceitar o que escreveu. Podemos gostar de Castro Alves ou Gonçalves Dias. ameaçado de dilaceramento. Rebeldia que por vezes baralha os sexos no seu ímpeto cego. versalhada que escorre desprovida de necessidade artística. ainda. Se o Romantismo. revelar a personalidade certamente mais rica da geração. mas a ele só nos é dado amar ou repelir. sem exercer devidamente o senso crítico. ÁIVARES DE AZEVEDO. ninguém o representou mais tipicamente no Brasil do que ele. que possuía não obstante mais vivo do que qualquer poeta romântico. OU ARIEL E CALIBAN Dentre os poetas românticos. escreveu em tumulto. O adolescente é muitas vezes um ser dividido. O que resta. Mareiam a sua o bra poemas sem relevo nem músculo. como disse alguém. negaceando a noite toda um admirador equivocado. porém. N"O Conde Lopo e n"O Poem . em cuja personalida de literária se misturam a ternura casimiriana e nítidos traços de perversidade. poetas super iores a ele. num baile. Sentiu e concebeu demais. rebeldia dos sentidos que leva duma parte à extrema idealização da mulher e. Talvez por ter sido um caso de notável possibilidade artística sem a correspondente oportunidade ou capacidade de realização. E sabemos que se a obra de um c lássico prescinde quase por completo o conhecimento do artista que a criou. basta não só para lhe dar categoria mas. desejo de afirmar e submisso temor de menino amedrontado. não raro ambíguo. graças à vocação da confidencia e a relativa inferioridade do verbo ante a insofreada necessidade de expressão. como ele. excetuado Gonçalves Dias. Álvares de Azevedo é o que não podemos apreciar moderadamente: ou nos apegamos à sua obra. foi um movimento de adolescência. fazendo Satã inclinar-se pensatívo sobre Macário desfalecido e o próprio poeta mascarar-se de mulher. rejeitando a magia que dela emana.#5. à lubricidade que a degra da.

. . No seu caso particular estas disposições foram animadas pela influência de Byron e Musset. n""Um cadáver de poeta". mas.. . atraída pela sensualidade e ao mesmo tempo dela afastada pelo escrúpulo rnoral e a imagem punitiva da mãe. conduzindo a uma idealização que acarreta como c ontrapeso. aquele misto de frescor juvenil e fatigada senilidade. o desejo anormal do fim.poeta altivo Das brumas de Albion. Em túrbido ferver! . como o adolescente. desse engelhar precoce q ue rói como um cancro e aviventa nas veias com a seiva da morte de Hamleto. Do meu poema os delirantes versos! . assaltam com freqüência a sua imaginação. sobretudo. pelo contrário. 178 Alvares de Azevedo sofre. como no escôrço #de vida que é a adolescência.a ti portanto. o moço revoltado e plangente que recolhe o corpo de Jónatas é mulher travestída. fronte acendida . ao mesmo tempo.a do Frade os jovens são descritos com traços femininos. é suspenso a cada passo pela obsessão de algo maior a que não ousa entregar-se: a própria existência.Oh! mas teu coração era muito velho. Errante trovador d"alma sombria." O cansaço precoce de viver. em muitas imaginações vivazes. Minha musa." . a nostalgia do vício e da revolta. presente nos moços do Romantismo e assinalado nas páginas declamatórias d"O Livro de Fra Gondicário: ". Há nele. coração de lavas. Misterioso Bretão de ardentes sonhos. que aceitou com o alvoroço de quem encontra forma para as próprias aspirações:11 Alma de fogo. serás -. o fascínio do conhecimento e se atira aos livros com ardor. que escorrega entre o s dedos inespertos. a vitalidade do veneno de Byron..

mas dele próprio. N"O Poema ao Frade. mestiço humilhado. envergonhado pelos desmandos do pai. As condições da vida sempre lhe foram favoráveis: dos homens e do mundo só vieram apoio e admiração ao "jovem de grandes esperanças". de Junqueira Freire. com duas rimas alternadas. torcido pela carreira antipoét ica. com efeito. cercado de recursos. Se encararmos a personalidade literária. de um ângulo romântico. comp osto sob a inspiração de ambos.emprega a oitava rima nos cantos l e II. das condições exteriores. passando nos in e IV à sextilha com três rimas em ordem variável. o seu esp írito engloba ambos os aspectos. a exemplo do seu modelo confesso. No ent . limitada porém a um extremo: o desespero da afetividade bloqueada. Na obra de Junqueira Freire encontramos algo da mesma exacerbação adolescente. contrariado nas tendências. O drama refletido em sua obra não se originou. Casimiro de Abreu exprime outro extremo: a graça melancólica do lamento sentimental. estímulo e todo o carinho. Pulei. revelando dinãomica mais intensa. nasceu de família importante. de Casimiro de Abreu. Alvares de Azevedo . filho natural de mãe adúltera. Mais rico. in) . não como integração harmoniosa da possibilidade e da realização. ao mesmo tempo frágil e poderosa.(O Conde Lopo. da sua natureza contraditória. talvez a dele (11) A este propósito. Byron adotou no Don Juan a oitava rima. ao contrário de todos eles.como que reunindo as suas duas grandes admirações . em Namouna. #179 Ji|||jj| H^Huki^ #seja a mais característica do nosso Romantismo. a título de curiosidade: como se sabe. mas como disponibilidade interior para o dramático. Musset utilizou uma estrofe de seis versos. mas particularmente do segundo. esmagado pelo erro de vocação. Ao contrário de Gonçalves Dias.

a fervorosa paixão lírica do segundo. não só por exigênc ia da personalidade contraditória. a Castro Alves. Duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouc . morrendo embora aos vinte anos. à roupa suja. como corretivo a uma concepção estática e homogênea de literatura. "Quase depois de Ariel esbarramos em Caliban. o sincretismo tênuemente coberto pelo véu da norma social. que os clássicos procuraram eternizar na arte e se rompeu bruscamente no limiar do mundo contemporâneo. entre os vindouros. Esta complexidade fez dele a figura de maior relevo do nosso Ultraromantismo. devorou-se numa febre que lhe traçou o mais romântico dos destinos e. mais fundo que ambos. permanentemente. Penetrou todavia. nos menores detalhes. mas em execução de um programa conscientemente traçado. no âmago do espírito romântico. Daí podermos acompanhar em sua obra. a dar categoria poética ao prosaísmo quotidiano. o emprego da discordância e do contraste.a parte d"A Lira dos Vinte Anos (singular na literatura brasileira de então pela força do sarcasmo) a sua poesia gira nos gonzos e desvenda a di alética segundo a qual os contrastes favorecem a verdadeira realização do artista. a diversid ade do espírito. A razão é simples. entre os mais velhos. Não tem a harmonia ou o senso formal do primeiro. No prefácio à 2. concentrando em si o peso do que se repartia em quinhão pelos outros. no que se poderia chamar o individualismo dramático e consiste em sentir.anto. É que a unidade deste livro funda-se numa binômia. nem o vigor. quase o único antes do Modernismo. ao cachimbo sarrento. teve o privilégio oneroso de corporificar as várias tendências psíquicas de uma geração. independente do mundo e dos homens. Foi o primeiro. mas não lhe permitiu a integração artística necessária para equiparar-se a Gonçalves Dias.

) Nos lábios onde suspirava a monodia amorosa. No fundo.. como os outros homens. e a fantas ia se torna experiência mais viva que a experiência. ter em mente que os dramas do adolescente. podendo causar tanto sofrimento quanto ela. a falta de segurança. a questão é secundária e pouco serve para esclarecer a sua poesia. tão atuantes quanto o mundo concreto. a multiplicidade de tendências. os desejos e frustrações. im pressionados com a sua eficácia acadêmica. O fato de Álvares de Azevedo ter sido bem comportado ou devasso nada tem a ver com o imperioso jato interior que o propelia e. requintou às vezes a preocupação de patentear antinomias. se clareava depois por uma lucidez intelectual raramente encontrada em nossa literatura. De modo geral. para compreender o destino poético desse estranho doutorzinho. É preciso. a sua lira humorística e satírica é complemento . Os críticos. verdadeira medalha de duas faces (. brotado na zona escura da alma.como o de saber se é sincero no satanismo ou experiente nos desregramentos que canta. nem faltou quem lhe negasse virilidade. atribuem esta parte ao puro exercício mental.. precocemente viciado. têm para o espírito um peso que independe do fato de corresponderem ou não a causas e situações reais. os mundos imaginários. esquecem freqüentemente a infância e a puberdade. O sonho é nele tão forte quanto a realidade. as aspirações e decepções." Não é possível descrever com maior consciência a própria obra. nem resolver de antemão problemas que os críticos futuros remoerão sem a menor necessidade. Por obra desta lucidez. . Uns. toda esta ebulição onde se forja por vezes dolorosamente a personalidade. vem a sátira que morde. outro preferem considerá-lo um tenebroso devasso.o mais ou menos de poeta escreveram 18O #este livro. uma vez encastelados na solução mais ou menos frágil obtida pelo adulto.

e escrevam nela: . Sombras do vale. .s ji. O aroma dos currais. ." Minha tripa cortai mais sonorosa!..da sentimental: são as duas referidas faces da medalha. . As aves que na sombra suspiravam. .-""" ": "" ". . . . como deixa o tédio ". Mas se voltarmos a "O Poeta Moribundo" e analisarmos bem as imagens. sonhou e amou na vida. . E os sapos que cantavam no caminho! E. ..í. À sombra de uma cruz. Compare-se por exemplo. o noivado macabro com a morte. Os amores da vida esperançosa! Cantem esse verão que me alentava."V. num refinamento superbyroniano. assim trata ao próprio desespero: Eu morro qual nas mãos da cozinheira i O marreco piando na agonia.".--""-" . Poetas! amanhã ao meu cadáver . Façam dela uma corda e cantem nela .Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro. "Lembrança de morrer" e "O poeta moribundo": Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida. Como o cisne de outrora.. t #181 #£ agora:" " " " ".. quando havia dito.. E no silêncio derramai-lhe o canto.Foi poeta. Protegei o meu corpo abandonado. . - Que minh"alma cantou e amava tanto.. na "Lembrança de Morrer": Eu deixo a vida. noites da montanha. .Do deserto o poento caminheiro. . """. que gemendo Entre os hinos de amor se enternecia. (o cisne poético degolado ao cantar os amores.--"-"". o bezerrinho.

Marcando de grotesco os amores tangíveis. ou pelo menos corretivo aos intangíveis amores de outros poemas. veremos agitar sob o chiste correntes obscuras de desencanto e receio de amar. Aí vem lazarenta e desdentada. a solidariedade do cômico e do trágico na formação de uma linha dramática. vejo a morte. mulher de classe servil a respeito da qual não cabem.. mais francamente jocoso. "Namoro a cavalo". o poeta s e exime deles.. Foge de ambos.. No entanto.Lá se namora em boa companhia. que incorpora à poesia segundo o mesmo espírito de troça com que são tratados os servos da comédia clássica. Se ela ao menos dormisse mascarada! a visão ogiástica do inferno < . Uns e outros. m .. O poema até certo ponto perverso. nele. com desculpas especiais para cada caso. E devo então dormir com ela?. Não se pode haver inferno com Senhoras! -) se as analisarmos bem e levarmos a análise a outras peças.. de 182 que o Macário e as "Idéias Intimas" constituem a expressão mais significativa.. têm também a função de reforçá-los. ou outro.. porque ela está à sua mercê. cobre-a de rid ículo a fim de justificar a repulsa. Que noiva!. #A lavadeira de "Ê ela!" é uma mulher que se pode possuir. Por isso mesmo. "É ela!" (onde reponta um sentimento-declasse tão antipático nesse filho-família bem-educado). para o mocinho burguês.. o burlesco de uns corresponde ao platonismo de outros. recuando-os para o impossível da mesma forma que fez com os demais por meio da idealização extremada. e teremos indícios confirmando. falam de amores não realizados. os escrúpulos e negaças relativos à virgem idealizada. A timidez sexual leva-o a maneiras desenvoltas apenas com mulheres de condição inferior. parecem à primeira vista mero antídoto. que poderia. com efeito. numa palavra.

no fundo. nem de leve. Vêla mais bela de Mor f eu nos braços! 183 #"^"W^jfT^^ffiWS"i Como dormia! que profundo sono!. com a força ampliadora da arte. Compare-se o sono da virgem ideal com o da plebéia: " Quando à noite no leito perfumado : """ * Lânguida fronte no sonhar reclinas. tanto quanto outra. Como roncava maviosa e pura!. A sua obra exprime. a mesma disposição: em ambos as mulheres dormem. Embora Macário se declare "capaz de amar a mulher do povo como a filha da aristocracia".12 Não desejo. servem para elevar mais alto o pedestal dos outros.. a posse grosseira que reserva à "filha do povo".. indicando. a posse da mulher adormecida é manifestação característica do medo de amar. nos poemas citados. Os amores aparentemente tangíveis. Tinha na mão o ferro do engomado. Como lembra agudamente Mário de Andrade." . é evidente que... a indecisão sentimental se transforma em esquivança ante uma.as não quer possuir." pálpebras divinas? E agora: E quando eu te contemplo adormecida. Solto o cabelo no suave leito. Por que um suspiro tépido ressona E desmaia suavíssimo em teu peito? Esta noite eu ousei mais atrevido i Nas telhas que estalavam. mostrando que são belos apenas os que se perdem de todo na esfera das coisas irrealizáveis. 1. . Quase caí na rua desmaiado! Há porém um traço comum que irmana os dois poemas. nos meus passos Ir espiar seu venturoso stno. desvio ou anormalidade afetiva. No vapor da ilusão por que te orvalha . sugerir nele qualquer incapacidade.. " ? Pranto de amor as "" . a . . em ambos o poeta as contempla e deixa em paz..

depois no livro O Aleijadinho e Álvares de Azevedo. com efeito. abunda na s que são escritas na terceira. se nas poesias que exprimem a primeira pessoa do poeta ela não aparece. cálices de vinho. publicado primeiro na Revista Nova. tochas e punhais.pálida. do tema da prostituta . como se viu e verá. págs. herdeira direta da Marion. portadora de um significado individual e social. descritas no Macário com impiedoso realismo: "Têm (12) Esta discussão sobre o problema da contradição entre a atitude erótica e a renúncia ao ato sexual enquanto ato de amor. mais acentuada ou prolongada nu ns do que noutros: a dificuldade inicial de conciliar a idéia de amor com a de posse física. no tocante às conclusõ es a que chega sobre a abstenção sexual do poeta. bela. #do estudo clássico de Mário de Andrade. Encerremos esta discussão lembrando a importância. De um lado. Divlrjo todavia do grande escritor. anjo poluído. como o leitor deve ter percebido. é um ser marginal." 3. nas "repúblicas" desconfortáveis da cidadezinha provinciana. que ele afirma com fundamento na análise pslcanalítlca e me parece não apenas sem . exprimindo um drama inerente à educação cristã e familiar. 437-469. que tem sido ao mesmo tempo fator dos mais graves desajustes individuais e estímulo para as mais altas sublimações da arte. Por isso. "Amor e Medo". é a possibilidade de pr azer sem remorso para o jovem mais ou menos inibido ante o amor da carne. pária. transfigurand o as pobres meretrizes de soldados e acadêmicos. como os queria o espírito romântico. n. na sua obra. completando o quadro das dissipações imaginárias que o ardente mocinho acendia à luz da vela.condição normal do adolescente burguês e sensível em nossa civilização. Sob este aspecto ele é o adolescente. de Musset. de outro. entre veludos. parte. Ano I. fora da lei. mas não necessariamente à prática Ao mesmo como função orgânica.

registrando a associação que ele faz freqüentemente entre amor. ou o recurso a desmaio e desmaiar como expressão da plenitude amorosa. uma sensação geral de evanescência. na qual opera uma espécie de seleção. Antes amar uma lazarenta!" Mas. Sentimos de repente a brusca necessidade de abrir Castro Alves e deixar entrar. como de certa forma à margem do problema. do sólido ao vaporoso. mas dum modo equívoco. do concreto ao abstrato. pois o amante ou a amante efetivamente dormem. ais de amor. Acabamos francamente cansados com a saturação dos adjetivos e imagens que a descrevem. Bufarinheiras de infâmia dão em troca do gozo o veneno da sífilis. por toda a sua obra. virgem ou rameira. uma lepra que ocultam num sorriso. em seguida. que aparece na própria visão da natureza. . onde o seu drama pessoal se encarna no símbolo mais cruento e desesperado que a angústia carnal produziu no Romanti smo: Cavaleiro das armas escuras. morno suor. elegendo os aspectos que correspondem simbolicamente . boca entreaberta. de passagem do consciente ao inconsciente. do definido ao indefinido. por um torneio de lugares-comuns. olhos lânguidos. a abundância corn que usa o verbo dormir para designar a posse. o sopro largo e viril dos instintos realizados. constituindo certamente o melhor e mate fecundo trabalho escrito até o presente sobre a psicologia dos românticos brasileiros. Ampliemos a análise.Importância. a começar pelo poema com este nome. a mulher aparece na sua obra com a força obsessiva que tem na adolescência. nesta pesada atmosfera de desejo reprimido. O seu estudo permanece todavia Intacto pela import&nda do ponto de vista e da discussão.veremos que há um substrato remoto a que essas imagens se reduzem. não falando da recorrência do sub stantivo gozo e do verbo gozar. no sono ou na orgia. cabelos desfeitos. Onde vais pelas trevas impuras corn a espada sangrenta na mão? Se notarmos. É. seio palpitante. sono e sonho.

.") Entre nuvens de amor ela dormia..". ("Na minha terra") Nas tardes vaporentas 86 perfuma. Quando o gênio da noite vaporosa í . .<. E como orvalho que a manhã vapora. . ("Pálida. ":"/.#a estes estados do corpo e do espírito. ^ -Vo cinéreo vapor o céu desbota ?" : ("Crepúsculo nas montanhas") . .. de aproximá-la da vida pelo mesmo sistema de imagens: \ No vapor da ilusão porque te orvalha Pranto de amor as pálpebras divinas? \ ("Quando à noite.i Esta tendência para volatilizar e nebulizar a paisagem completa-se por outra.("A Harmonia") ". j. Pela encosta bravia Na laranjeira em flor toda orvalhosa.?. .... ..") E meus lábios orvalha d"esperança! " ("Lágrimas da vida") Morno suor me banha o peito langue ("Minha amante") Parece não haver dúvida de que se trata de uma correspondência do sentimento muito romântico. .como é o caso das névoas e vapores (os grifos são meus): . à luz da lâmpada. e muito seu. De aroma se inebria E o céu azul e o manto nebuloso Do céu da minha terra. ("A Itália") 184 185 #. .. do desfalecimento amoroso. da .

das vigílias em que contempla a amada adormecida. irmanado freqüentemente à morte e algumas vezes à profanação. tendendo às imagens correspondentes de esvaimento ou inconsistên cia. desfeito ainda.. que s oube como ninguém povoar de cenas e visões fantásticas.. insone. a treva romântica. contrasta a da fronte com o negrume dos olhos e dos cabelos). à lua. à visão lutuosa e desesperada do amor. Na Lira dos Vinte Anos a palavra mais freqüente é talvez "palor": a palidez que marca a passagem dos estados emotivos e é de certo modo uma consubstanciação dos suores. adormecida ou não.languidez que esfuma a visão interior e exterior. : . em prosa e verso. no . molhada pelas ondas. nos episódios da sua ficção e dos seus poemas. Pálida. :".-<-"-".."-*) " -. Meus sonhos nunca tinham evocado uma estátua tão perfeita. (como.. a devoção extrema pela noite. contrastando com ela. um lugar principal. na praia tenebrosa. em mais duma descrição dos seus heróis e de si mesmo.") "--"-" j Amoroso palor meu rosto inunda. Ela era bela assim: rasguei-lhe o sudário. do Macário. Era uma forma puríssima. . névoas e vapores. "Era uma defunta! Preguei-lhe mil beijos nos lábios.. des pi-lhe o véu e a capela como o noivo as despe à sua noiva. Contrastando com esta palidez. pobre leito meu. à noite no leito perfumado ou em que rola.. É muito dele a imagem da donzela. A . a noite ocupa na sua poesia..("A T. sobretudo ao mar. à luz da lâmpada sombria. Trevas d"A Noite na Taverna... E sta recorrência corresponde ao sentimento noturno. #("Idéias Intimas") 188 Freqüentemente associada ao vento.

que as palavras arrastam o espírito na sua força incontida. aos movimentos turvos do eu profundo. e as três que mancham a sua fisionomia literária (O Poema do Frade. inúteis. mui longo profanou-lhe um beijo! ": A noite significa não apenas enquadramento natural. :y " < A cabeça no peito . #Lembremos a favor que ela é toda de publicação póstuma.< . Infelizmente. Situado não apenas cronologicamente entre ambos. mas meio psicológico. Em Gonçalves Dias. sentimos que o espírito pesa as palavras. A febre de escrever atirou-o atabalhoadament e sobre o papel.(O Poema do Frade) . Na melhor parte da sua obra as palavras se ordenam com medida.em vil desejo < : . era o próprio sinal da inspiração. para o Romantismo.. porém. há nela uma pesada sobrecarga de verso e prosa vazios. Pendeu o homem da morte macilenta .luz dos tocheiros dava-lhe aquela palidez de âmbar que lustra os mármores antigos.cevei em perdição aquela vigília". Longo. 187 #mas sobretudo O Conde Lopo e o O Livro de Fra Gondicário) são rascunhos juvenis que talvez não tencionasse divulgar. como se as palavras viessem por demais imperiosas. O gozo foi fervoroso . tendo sido além disso estudante excepcionalmente aplicado. pois é preciso considerar que a sua atividade não excedeu quatro ou cinco anos. . grande número de suas peças manifestam o fluxo incontrolado que. à sua concepção da vida e do amor. em Castro Alves. Alvares de Azevedo é um misto dos dois processos. Dos poetas românticos foi quem deixou relativamente maior produção. tonalidade afetiva correspondente às disposições do poeta. revelando indiscriminação artística. (A Noite na Taverna) Era tão bela! a palidez sorria! E a forma feminil tão alvacenta No diáfano véu transparecia! . desesperadas tentativas de . indicando que a emoção logrou realizar-se pelo encontro da expressão justa..

embora coada em grande parte através de Musset. tomado entre as normas e a . nos dois sentidos: moral e literário. sobretudo quando vogava no cômico e na sátira. de buscar a ex periência lírica essencial. haurido nos neoclássicos e nos italianos renascentistas. O "Misterioso Bretão" era. que são realmente. influência perigosa. pastichos. é a mais fraca e artificial. O estilo que forjou. citações. Hoffmann. há pouco citada. E isto nos faz voltar à in fluência famosa. Por isso. Mas a loquacidade. muito pessoal e composto. tão referida e não devidamente estudada. Sente-se nesta obra de mat uridade o uso soberano dos melhores recursos formais para a expressão sarcástica e apaixonada do homem moderno. encontro milagroso entre a fantasia cômica e aventureira dos italianos quatrocentistas (Pulei. roçava arriscadamente pela oratória e o romanesc o barato. a que lhe deu fama e definiu a sua maneira própria se caracteriza pela tendência à digressão e à prodigalidade verbal. como a sobrecarga das tintas. o poeta d esacreditado dos nossos dias."byronizar". concepção de vida. com o passar do tempo. se o lermos sem a preocupação. A influência de Byron é com efeito avassaladora nele. que o tornaram. veremos como têm vigor. manifestando-se em declarações. se encararmos os seus poemas como contos metrificados. A ela se misturam as de Shakespeare. os portugueses. tinha inegável autenticidade. compreensíveis na pena de um rapaz de dezesseis ou dezessete anos. Voltaire) e um satanismo sem ênfase. o que há de melhor no espírito setecentista (Pope. Demos de barato as narrativas romanescas e o próprio Childe Harold: ainda resta o Don Juan. Mas justamente a parte estritamente byroniana da sua obra. epígrafes. correspondia ao seu gênio. técnicas. Boiardo). temas. V ictor Hugo. com efeito. colorido e o humor mais acerado que jamais entrou na boa poesia. Se na sua obra propriamente lírica existe não raro uma serena contensão. muito nossa.

buscados pe las obras tão marcadamente pessoais do Romantismo. Mas ainda hoje sentimos nos seus versos pelo menos aquele peso autobiográfico. Por isso. que a parasitava por assim dizer. foram igualmente amortecendo o significado c a influência da obra. porém. . o resultado foi quase sempre desastroso. A força com que magnetizou o século XIX provém dessa confusão algo impura entre os seus #livros e o rumor escandaloso da sua vida: foi um homem sensacional. viu o mundo e os homens. nas obras folhetinescas.aventura. porém. sobrecarregadas de paixão. os jovens tentaram criar artificialmente um estilo de vida byroniano e copiar o torn dos seus livros. experiment ou emoções como as que descreve. crime. Mesmo. suas pobres orgias à luz de lamparinas. ampliado pela lenda. se tornam incoerência palavrosa e sem nexo. a aisance insinuante das digressões do modelo. as férias na Corte. buscando espaço e experiência para se apaziguar: a leitura dos seus quase vinte mil versos é uma delíc ia poucas vezes interrompida. a "república". a sua maestria no jogo de contrastes. com os seus condes e cavaleiros grotesc . não criaram atmosfera para outra coisa senão o pasticho. ao som da magra viola sertaneja. . o Giaour. no qual tomaram corpo tendências de rebelião próprias ao espírito romântico.mesmo nelas se manifesta a personalidade de quem viveu profundamente. Quando. Parisina. onde o torn coloquial. f oi bastante pueril nas três obras estritamente byronianas.O Corsário. aquela intensidade de experiência. Alvares de Azevedo. os bailes provincianos. quando amorteceu o eco 188 da sua carreira agitada. Os estudantes de São Paulo. no círculo estreito da Academia. regadas de cachaça. Lara. com suas blasfêmias exteriores e retórica decorada. incidentes. A Noiva de Abidos.

narração dialogada e diário íntimo. mistura de teatro. a presença de São Paulo. Do diálogo encrespado entre Macário e Satã desprende-se uma Piratininga fanta smal e noturna. mas desprendendo. a evocação dos costumes. Em primeiro lugar. sobretudo na primeira parte. onde as chapas lúgubres e a bravata juvenilmente perversa estão articuladas por não sei que intensidade emocional e por uma expressão tensa. que se poderia aplicar a ele o que disse um crítico americano de outra obra: "é tão má. que quase chega a ser boa". no conjunto. as suas mulheres fatais. um mundo artificial e coerente. porém. ao contrário dos bonecos que se agitam n"O Conde Lopo ou n"O Livro de Fra Gondicário. e como estrutura. cujas regras aceitamos. dando realidade às falas e atos do herói e seu companheiro infernal. No Conde Lopo surgem todos os piores e mais vulgares chavões românticos com tão pasmosa minúcia. mas tão má. É como se o autor tivesse conseguido elaborar. opulenta. o sarcasmo ganham densidade e nos atingem. a angústia. a localização dos episódios balizam a imaginação e trazem o poeta à realidade vivida. o triunfo se encontra no irregular e estranho Macário. a dúvida. como quadro. onde fervia o devaneio cativo dos moços possuídos pelo "mal do século".os.jogo estranho mas fascinante. dissolvendo o ridículo e a pose do satanismo provinciano. um. A sua força provém talvez de duas circunstâncias. as veredas da Serra de Paranapiacaba. inserida no seu quadro real. mo189 . em atmosfera fechada. que ancoram na experiência do poeta as elocubrações que nas outras obras são mera atitude de imitação. O mesmo não se dirá das narrativas que integram A Noite na Taverna. num artificialismo de adolescente escandecido. sem pé nem cabeça. irresistível fascínio. #A couve das estalagens. Nesta linha.

situado em São Paulo. no segundo. atribuir ao amor como fuga e aspir ação. No primeiro caso temos "Sple en e Charutos" e "Idéias Intimas". condiciona a sua vida e a sua obra. bem como a teoria erótica e a função que podemos. como "No Mar". os que se chamariam momentos de maturidade deste adolescente. "Anima mea". supernac ionais. A outra circunstância é o caráter de projeção do debate interior pelo desdobramento do poeta nos dois personagens de Macário e Penseroso . os momentos em que Álvares de AzevedoMacário se manifesta sem afetação e Álvares de Azevedo-Penseroso. sobrevivente. "O lenço dela". Penseroso morre. irreverente. lembrando o convencionalismo da tendência e a ânsia de horizontes humanos. sem lamúrias. através da narrativa dos cinco moços. o Álvares de Azevedo sentimental. crente. a materialização da sua vertigem interior. ateu. puro e melancólico. .a. infeliz. estudioso e nacionalista. "Pálida à luz da lâmpada".ambos ele próprio. como "Meu sonho". "Na minha terra".a parte da Lira dos Vinte Anos. como "Teresa" e "A minha esteira". Macário. desregrado. na Itália: a pátria da sua realidade e a pátria da sua fantasia. Esta densidade de experiência se aprofunda ma is pelo fato do Macário constituir uma espécie de suma literária do nosso poeta. aquele. Penseroso. da 3. certos poemas da l. este rebate. É preciso agora sublinhar.#vidos por inespertos cordéis sem ponto de apoio. na obra lírica. por contraste. universal. Nele exprime a sua teoria estética e a função que atribuía à literatura. Macário é o Álvares de Azevedo byroniano. na sua obra. este. Álvares de Azevedo-Penseroso censura Alvares de Azevedo-Macário por não se incorporar ao nacionalismo paisagista e indianista. cada um representando um lado da "binômia" que. segundo vimos. exprimindo o dilaceramento da adolescência. "Lembrança de morrer". das Poesias Div ersas. debruça com Satã à janela da taverna para ver.

pela sedução com que nos arrasta ao mundo fechado do poeta. que consegue inscrever na duração o sinal permanente da própria imagem. Minha casa não tem menores névoas Que as deste céu d"inverno. graciosa. que. o companheiro das petas de Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa. a roupa. como "Solidão" e "A Lagartixa" . Vivo fumando. o desencanto. transfigurando a constelaç ão de objetos. o observador engraçado e mordente das Cartas. contido pelo tédio e a ironia. A cama. que formam o ambiente de cada um. Mas se passarmos desta poesia de relação para o poeta entregue a si mesmo. para a descrição poética da vida diária. os retratos.. o devaneio formam uma atmosfera peculiar que reflete e estim ula ao mesmo tempo o sonho interior. tanto mais pungente em sua frustração quanto.As seis poesias da série "Spleen e Charutos" formam um conjunto excepcional em nossa literatura pela alegria saudável. pormenores. hábitos. a lâmpada. contidos pelo desprendimento de alguém #que se encara sem crueldade. o ritual do desejo solitário. a dosagem exata do humor.13 O humorismo se reúne aqui à delicadeza sentimental. a insônia. os livros. nestes versos. os quadros. Ali mistura-se o charuto havano Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo. Marca a folha do Faust um colarinho E Alfredo de Musset encobre às vezes .. mórbida e triste. se abrem para a "lembrança de morrer". Nelas aparece o rapaz por vezes endiabrado de que falam os contemporâneos. revelando o cansaço da vida. 19O Não estaremos longe de acertar apontando nesses "fragmentos" (como os chamou) a sua contribuição mais original. podendo algumas ser consideradas pequenas obras-primas no gênero. o cognac. encontraremos nas "Idéias Intimas" a melancolia. Não haverá em nossa literatura peça equiparável. cristalizada no quotidiano. mas sem complacência. o pó.

.. E resta agora Aquela vaga sombra na parede . . . na leitura - Das páginas lascivas do romance.. &s horas longas olvidei libando . Mário de Andrade..De Guerreiro ou Velasco um texto obscuro.. pag.. A este depurado Macário devemos dar por companheiro o admirável Penseroso das poesias que salientamos nas outras partes da Lira e nas Diversas. "Amor e Medo".---. #191 #Junto do leito os meus poetas dormem .Fantasma de carvão e pó cerúleo. . clt. -. . Esqueci-as no fumo. . traz fogo e dois charutos E na mesa do estudo acende a lâmpada. a natureza aparece como i . a sala muda! Meu pobre leito! eu amo-te contudo! . em que toda a alma se traduz na articulação do espaço material com os movimentos interiores. a Bíblia. o devaneio abre asas com naturalidade. Aqui levei sonhando noites belas...O Dante. tão extinta e fumarenta Como de um sonho o recordar incerto. talvez o que fez de maior como poesia".. Ardentes gotas de licor dourado..:"----:. 459. . L (13) ".. . . Não há como resistir à magia dessa viagem à roda do quarto e do próprio eu. Imploro uma ilusão . Eu me esquecia: Faz-se noite. Nelas o desejo e a timidez se equilibram.. tudo é silêncio! Só o leito deserto. Tão vaga...... Shakespeare e Byron Na mesa confundidos... : <--:. .

das praias desertas. Respiro o vento. a largueza das chácaras e arrabaldes. o seu contacto com a natureza de um país ainda pouco citadino. na orientação da sensibilidade. a relva Onde o mole dormir a amor convida! ("Anima Mea") Este aspecto da sua poesia nos mostra como a literatura depende das impressões e do espaço físico e humano em que banha o escritor.nterpenetração do sentimento e da paisagem. ""natural". sob os versos citados. """ ("A minha esteira") . " Nas noites de luar aqui descanso E a lua enche de amor a minha esteira. ("No Mar") Arvoredos do vale! derramai-me Sobre o corpo estendido na indolência O têpido frescor e o doce aroma! E quando o vento vos tremer nos ramos E sacudir-vos as abertas flores Em chuva perfumada. e se transfundem nas imagens. dos campos. onde a vida quotidiana corria à vista das 192 árvores. representada com subjetivismo e rara beleza: E que noite! que luar! Como a brisa a soluçar Se desmaiava de amor! Como toda evaporava Perfumes que respirava Nas laranjeiras em flor! . e vivo de perfumes #No murmúrio das folhas da mangueira. num ritmo mais le&to"--". concedei-me Que encham meu leito. minha face. os hábitos de recreação duma classe. nem se pode deixar de s entir. na visão do mundo. nas situações.

. onde não ouvimos o desespero amargo. em cada rumo seguido na leitura desta obra.-. é isto precisamente que lhe dá um caráter único e raro de mensagem total da adolescência. E assim vemos que. o maior poeta dos modos menores que o nosso romantismo teve. mas o amor materno.i. -. No prefácio às Sombras e Sonhos.iü ". Saudade. de Álvares de Azevedo. categoria inferior ao sublime. selada pela morte e íntegra desde então na sua fecunda precariedade. formando um maço de esboços. ternura. é sublime! é divino! Que rer poetisá-lo fora querer talvez desfigurá-lo". ". é mais do que poético. como expressão desligada de qualquer pretensão mais arrojada. a grandiloqüência. erros e acertos. Teixeira de Melo estabelece sem querer este novo modo. É o momento de Casimiro. natureza e . por onde entra a dimensão normal da vida brasileira.A poesia noturna e abafada desse copioso bebedor de cognac se completa por um sopro de natureza. é o "belo doce e meigo. fácil e pla ngente. ."J":..:í:". ilustra bem a privação do sublime. o belo propriamente dito". os contrastes apar ecem. elevando-se a linha pura do gorjeio sentimental..:"" l. Nele.V. O "BELO DOCE E MEIGO": CASIMIRO DE ABREU Há nessa geração um momento em que os modos maiores da poesia se esbatem. . A obra de Teixeira de Melo. o lirismo é não apenas expressão da sensibilidade.. só se unificando se os considerarmos de um ponto de vista dramático. nem as hipertrofias do sublime. a que não deve pretender.. como manifestações de personalidade adolescente. É com efeito nesta quadra que ela permaneceu.. fresco e reparador. em contraposição ao que se concebera até aí: "Poetisei tudo o que Deus fizera poético e o ficou sendo de si. Wiity"itttt. fragmentos. 193 #6.Vai.K*..1* O poético constitui portanto. Como experiência human a. com que se acomodou o temperamento artístico eminentemente "doce e meigo" de Casimiro de Abreu.

à generalização. encontra metáfora ainda mais hábil. banhando-o naquela magia desde então ligad a ao seu nome. na rede cor ando e sorrindo. mesmo Bernardo Guimarães. Falei-lhe de amor! Ao hálito ardente o peito palpita. sempre transpõe no poema um sentimento imediato (uma dada planta. comuns mas profundamente vividos. VL Qual sopro da brisa. pfe. e. um lugar determinado. (14) 194 . uma certa hora do dia).de manso cheguei*ms Sem leve rumor. tudo é tranqüilo. . para circunstância difícil de acomodar ao decoro dos recitatives de sala. dar impressão de incomparável sinceridade. sem a envergadura que assumem em Junqueira Freire. levando a um fervoroso público feminino toda a gama permitida de variações em torno do enleio amoroso. baixando ao ouvido.i Sombras e Sonhos.. .. Extremamente romântico na fuga à abstração.desejo são modulados numa frauta singela. negaceando habilmente as afoitezas sensuais por meio de imagens elegantes: Dormia e sonhava . nada supor no coração humano além de meia dúzia de sentimentos. ou de serão familiar: Vem. . #Mas sem despertar. . ".. Ser casimiriano é ser suave e elegíaco. A virgem.i Beijou-me . principalmente. a terra dorme. .a sonhar! ("Na rede") Noutro poema. Pendi-me tremendo e qual fraco vagido. E como nas ânsias dum sonho que é lindo. Alvares de Azevedo. Poesias de José Alexandre Teixeira de Melo. Por isso mesmo foi o predileto dos c estos de costura..

como sistema de imagens correlatas à visão interior. dos seus poemas essencialmente diurnos." quantas vezes a prendi nos braços! Que o diga e fale o laranjal florido! A sua visão exterior está condicionada estreitamente pelo universo do burguês brasileiro da época imperial. é tão real o laço que os une aos detalhes da natureza física. pôde sublimar em lânguida ternura a sensualidade robusta. manifesta-se em Casimiro pelos lados singelos e pitorescos. o sonhador mancebo. onde 195 #se caça passarinho. Na literatura romântica. o negaceio de Casimiro é a velha es tratégia de conquistador sonso. do insone Alvares de Azevedo. macerados. Em Gonçalves Dias. freqüente na lira portuguesa.Bebe o sereno lírio do vaiado. nos quais não sentimos a tensão dolorosa das vigílias. como quadro real da vida. das chácaras e jardins que começavam . Talvez devido às representações na maioria tangíveis dos seus amores. sobre o meu peito! O moço triste. quando criança. é dos que mais objetivamente a reproduzem. Que belo que será nosso noivado! Tu dormirás ao som dos meus cantares. Desfolha rosas no teu casto leito. Como deixa implícito Mário de Andrade no seu estudo essencial para a psicologia romântica ("Amor e Medo"). Nele. Sozinhos. ("Noivado") Estão longe a surda paixão carnal de Junqueira Freire ou os desejos irritados. em Álvares de Azevedo sobretudo.. Certamente muito mais feliz na vida dos instintos. como em Bernardo. Ô filha do sertão. mas enquanto se associa neste ao desejo de isolamento e aparece sob asp ectos majestosos. quando rapaz: O/i. embora bem disfarçada quase sempre.. o mundo exterior é mais ou menos criado pela imaginação. sobre a relva da campina. onde se arma a rede paro o devaneio ou se vai namorar. A sua é uma natureza de pomar. ele existe por si. convidando o espírito a contemplar.

luar prateia. contrapõe laranjeiras. que. píncaros e horizontes sem fim do sertanejo Bernardo. :( . . Nas folhas do ingá. É a anestesia da razão pelo feitiço da sensibilidade. que. cachoeiras altas..Mansa lagoa que o (. apesar de intensamente subjetiva.:Brotam aromas do vergel florido ("Primaveras") -. vozes doces.". s . às quais nos abandonamos sem fazer caso do sentido.. Por isso. transforma as suas peças em melopéias. . . Casimiro desdenha o verso branco e o soneto. mantido invariável quase sempre../. praticá-las com tão entranhada parcialidade. . Claros riachos. mangueiras e regatos.a marcar uma etapa entre o campo e a vida cada vez mais dominadora das cidades. Efe196 tivamente. --.. ("Poesia e amor") t . corresponde amaneiramento paralelo da forma.! t Ondas tranqüilas que morreis na areia. a musicalidade da melodia fácil que Varela e Castro Alves levariam às últimas con . rios. à tarde. Tremendo no galho Do velho carvalho. Quando amplia o âmbito da visão.... E com isso triunfa a "cadência bocagiana" censurada por Junqueira Freire. se alia à realidade de uma paisagem despojada de qualquer hipertrofia. Cantar o sabiá! ("Meu lar") A gota de orvalho . que melhor transmite a cadência da inspiração "doce e meiga".. é ainda matizando de moderada beleza os aspectos ordinariamente exaltantes da paisagem: Perfumes da floresta.---(. contrapõe o espaço predileto das serenatas e das merendas: Eu quero ouvir na laranjeira./. Os #seus versos buscam o ritmo mais cantante. prefere a estrofe regular. sem todavia. às matas. digamos amaneiramento da matéria poética.< "-. ("No lar") O fato dessa natureza amaciada existir denota o caráter concreto da sua poesia.. . - seqüências. . A este.--. v .. em benefício da atmosfera tênue dos tons menores. ".

-". emprestam à sua obra uma beleza comovedora e singela.r. não devo contar! . Não quero. Em 1859. parece que já se ia descarregando a pesada atmosfera noturna.i Depois indolente firmou-se em meu braço.l. Banhado ao reflexo do branco luar! -. rendida ao cansaço i. os aspectos correlates da natureza e a melodia poética a ambos ajustada. por exemplo.. .. não posso.. mas a excitação dos sentidos.Que noite e que festa! e que lânguido rosto . bastante viva para despertar e envolver a imaginação.. .::.. nem o desespero às vezes satânico de Junqueira Freire e Álvares de Azevedo..?.. .. Nem a unção de Gonçalves Dias. contribui decisivamente. ou em "Vfinh"alma é triste": Minh"alma é triste como a rola aflita Que o bosque acorda desde o albor da aurora E em doce arrulho que o soluço imita O morto esposo gemedora chora. nele.".:/n A neve do colo e as ondas dos seios . para fixar um dos aspectos do amor romântico.. ("Segredos") ^":.H: .---/.--."--!". ". Inda era mais bela Morrendo de amores em tal languidez! ". .. aumenta-o...v. não impede o encantamento da carne.". pelo contrário. e todavia mascarada por um jogo hábil de negaceies: ora a tristeza da posse inatingível. (". . . . A tristeza..".. Em Casimiro.*. Por isso.Assim. ora a .-. perdendo prestígio a estética de horrores desenvolvida no Brasil desde o decênio de 4O e culminante na obra de Álvares de Azevedo. /^ Fugimos das salas. t"hf." -::í"t . que nalguns poemas atinge a mais alta emoção lírica. com seu grande talento poético. a craveira dos sentimentos. do mundo talvez! <.". . quando saíram as Primaveras. como acontece nos temperamentos voluptuosos: ": ."---. Em "Amor e Medo". o senso dramático da vida reponta. logo atenuado pela vocação elegíaca e o arrepio sensual.

ora o falso pudor da posse protelada. da brutalidade das Contradições Poéticas ou a requintada perversidade da Noite na Taverna. com o maior brilho e delicadeza possível. em que tudo o que for positivo..violeta! Tu és formosa e modesta. devendo ser expresso.. a capacidade quas e virtuosística de elaborar #197 #imagens delicadas a fim de atenuar as conseqüências finais da "filie amorosa: Sempre teu lábio severo Me chama de borboleta! . apenas recobre o veio rico de uma sensualidade ávida por manifestarse.. E.(. poeta por muitos aspectos próximo dele .-. O néctar dos teus amores! „ Cativo do teu perfume .. dissocia os dois aspectos cornplementares da sua melhor concepção amorosa. o contrário.. Uma aparente mediocridade afetiva que.Eu quero o sol de teus olhos. Não serei mais borboleta. deve estar subentendido.. A borboleta travessa Vive de sol e de flores. " Este admirável poema .ironia da posse disfarçada.onde encontramos um eco de Silva Alvarenga.<-.violeta! . sendo principalmente social.Deixa eu dormir no teu seio. Dá-me o teu mel .define por assim dizer a teoria burguesa do amor romântico. o que for idealização da conduta. As outras são tão vaidosas! Embora vivas na sombra Amo-te mais do que os rosas. Noutros poemas. . .. em todo o caso. --...--. -. . ficando duma parte um desalento de clorose sentimental - . ("Violeta") -. embora essencial.".Se eu deixo as rosas do prado É só por ti . dominando tudo.. .

.a paixão aparecerá mais próxima à natureza. i Ai! se eu te visse. " "("Amor e Medo") #O desalento profundo. a tristeza aparece algumas vezes como privação do prazer amoroso. apesar de exprimir também a angústia. . é tão raro quanto esta na sua obra. por exemplo) reanimando o velho tema do convite à volúpia como desafio ao mal de viver.Qual reza o irmão pelas irmãs queridas. Ergue a fronte pendida . Madalena pura. e o drama do espírito não mais sufocará a fruição das coisas. geralmente associado à inocência para definir Casimiro.". um amor de carne. Os braços frouxos . Depois dele . a sua obra exprimiu principalmente uma nova vivência amorosa. com as mãos erguidas. Eu. de joelho.. abrindo-se em esplêndida idealização formal no plano do espírito. Nele.palpitante o seio!. . Apenas nalguns poemas do "Livro Negro" deu largas ao mal do século.. porém. (em "Mocidade".o sol fulgura! .. que desde Catulo percorre o lirismo ocidental: Doce filha da lânguida tristeza. e mesmo aí. <i:ví Sobre o veludo reclinada a meio." <-. a ousadia direta do desejo: 198 ..na o bra de Castro Alves . ". e fremir de vez em quando ao desespero. " bela.Suplico ao céu a felicidade dela ("De joelho"") Ou a mãe que sofre pela filha de outro mais raro. : Olhos cerrados na volúpia doce.Como a flor indolente da campina Abre ao sol da paixão tua alma pura! Assim. " . a proximidade do Romantismo noturno ainda propicia zonas mortiças. admiráveis zonas de sentimentalismo elegíac .

um imperativo da espécie a chocar-se com um imperativo ideológico do grupo e se resolvendo quase sempre. Soares dos Passos e outros. Inclusive a brandura com que refinava a tristeza e a elegância amena com que a exprimia. (visível. ficou escrito que os poetas da segunda geração romântica nutriam sua obra. opõe-se. à visão da pureza ideal. penderam. No início deste capítulo. dá lugar à admirável poesia casimiriana de ajustamento do intuito com as formas que o exprimem. é provável. no belíssimo e antinômico "Amor e Medo"). e sua exigência imperiosa. Porque eu sei perdoar! ("O meu livro negro") . por exemplo. portanto. Influenciado por Lamartine e Victor Hugo. como vimos. em primeiro plano. diríamo s a uma rotação de atitude.o. Extinguiu-se o vulcão! Por cada canto eu tive ofensas duras. no entanto. Mas a raça dos vis campeia impune. em cujo ambiente viveu e com os quais revela não apenas afinida des espirituais. na ambigüidade poética. obrigando. pela imagem literária ambígua. do sentimento de contrastes. 199 #Em segundo plano. Pelos sonhos o escárnio que apunhala. flores. João de Lemos. As garras da opressão. Ao longo das Primaveras. que tenha sofrido principalmente a marca dos ultra-românticos portugueses. que. todavia. o amor da carne. O conflito encontra saída. o contraste romântico da poesia e da vida. há outro contraste. que arranca as notas mais plangentes da sua lira: o da vocação com a condição. mas orientação estética parecida. que ele parece ter vivido a ponto de criar um impasse nas relações com a famíli a: Cuspiram-me na fronte e na grinalda. Insultos por cantar! Deitaram-me na taça o fel que amarga. E ao contacto do -mármore e do gelo A lira emudeceu. Vergaram-me a cabeça ao despotismo. em grande parte.

ao pref erir os temas relativamente mais comuns da psicologia humana e os aspectos mais familiares de paisagem. o único plenamente realizado. realizou poesia acessível ao sentimento médio dos leitores e relativamente in teiriça na sua compenetração de matéria e forma. por meio de uma forma perfei ta na sua limitação. fantasmas na cabeça em fogo. o segundo. ("Fragmento") " . o primeiro. muito acentuados neles. não seria exagero repetir que foi. humor e satanismo. que encarnam duas das t rês linhas básicas da nossa poesia romântica: nacionalismo #e meditação. Tenta enganar-se pra curar as mágoas. Sob este ponto de vista. uma diminuição de fronteiras que reduz consideravelmente o universo da poesia. dos ultra-romântícos brasileiros. é a ele que atribui a sua poesia. que pode ser representada por quem os encarnou mais depuradamente que ninguém: Casimiro de Abreu. Por isso mesmo. noutros o drama apenas se infiltra. por causa dele é que . . formam a terceira. ao exprimir os intuitos que animaram o seu estro. drama interior. girando em órbitas mais ou menos afastadas à volta de Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo. OS MENORES Os mais significativos dentre os poetas que formam o segundo plano no decênio de 185O foram estudantes de direito de São Paulo e Recife. talvez. Cria. menos compacto. De qualquer modo. A melancolia e o sentimentalismo. 2OO ?.Aliás. verifica-se que ela representa uma etapa de restrição do ecúmeno romântico. " Analisando a dinãomica espiritual de Casimiro e os temas apontados mais alto em sua obra. tratando a uns e outros com menor amplitude. Sabemos que o triunfo de uma corrente literária tem por cornpanheiro inseparável a banalização dos seus padrões: eles se arraigam e difundem. este poema é em toda a sua obra o único momento de amargura violenta e rebeldia mais acentuada.

abuso dos metros martelados. procurando classificá-los por ten dências. na medida em que. Há em quase todos uma espécie de hipertrofia dos defeitos já registrados nos da primeira plana.com efeito. frouxidão do verso. selvagens. perdendo a dificuldade e o mistério. É o processo a que assistimos nesse decênio. temos por vezes a desagradável impressão de sermos vítimas de duas chantages: uma. históricas. adquirem o curso fácil da moeda corrente. Ao fazê-lo. dando certo ar de familiaridade aos poetas secundários de Norte e Sul. sertanejas. Antônio Joaquim de Macedo Soares. que é. costumes regionais. mas sobretudo da obra cornpleta dos seus autores. loquacidade. Em gente desse naipe encontrariam os parnasianos um arsenal de defeitos para justificar a regeneração formal e o combate à indiscrição afetiva. episódios da nossa história. estudante do terceiro ano da Academia de São Paulo. é a tent ativa de comover pelo exibicionismo. africanas e 2O1 #indianas". reconhecendo a existência de "harmonias íntimas. tornando a sua leitura um pesado e quase ininterrupto fastio. organizou uma interessante antologia de poetas do Norte e do Sul. psicológica. a de esconder a deficiência técnica pelo truque fácil do verso cantante. o índio. revela significativo desajuste entre programa e vocação: conscientes dos intuitos construtivos de criação duma literatura. o escravo. Em 1859. desleixo da métrica e da prosódia. ou apenas se esboçavam. outra. estabelecia verdadeiro balanço das que então predominavam. onde era a melhor cabeça crítica. sem a compensação do estro e do talento. uso detestável de diminutivos. na maioria estudantes. o alvo da nossa aventura . formal.15 A análise dos poemas coligidos. segundo vimos. Em quase todos registramos pieguice. poemas cujos temas eram respectivamente sentimentos pessoais. descrição da natureza. automatismo de imagens. Lendo-os. isto é. ambas são contraproducentes.

Nesta geração. mas convite a preencher escaninhos vazios ou mal providos. Como o primeiro.confidencias. os jovens reputavam necessário o cultivo de assuntos diretamente ligados ao nacionalismo.Bernardo e Álvares de Azevedo. e quase todos os jovens trouxeram contribuição a um ou outro.e. embora de temperamento mais inclinado à melancolia e arte mais tosca. porém. das "selvagens". devaneio amoroso. tornando-se difícil. na geral mediana que os caracteriza. . sendo que os mais entusiastas e ligados ao crítico timbraram em abordar to dos os temas. as outras revelam demais o intuito programático impedindo born resultado. Penso ser pouco injusto mencionando Aureliano Lessa. Trajano Galvão.romântica inicial. Teixeira de Melo. muito em voga nos anos de 185O com o romance de Alencar.descrição da natureza. a sua poesia não justifica absolutamente a posiçã o que ocupa. FranWin Dória. Bruno Seabra. as capacidades poét icas se encasulavam realmente em torno do eu e suas exigências. Lessa é algo diverso dos outros. usando moderadamente o novessíla . e é devida com certeza a uma espécie de parasitismo em relação aos seus dois inseparáveis companheiros de vida acadêmica em S. apurar os que merecem referência. em segundo lugar. Acontecia. A lista desses poetas secundários é grande. as epopéias de Gonçalves Dias e Magalhães. A classificação d e Macedo Soares é não apenas levantamento da realidade. Paulo . . melancolia. Geralmente banal. Sousa Andrade. discursiva e por vezes pueril. que tanto ele quanto os outros sentiam o impulso na direção das "harmonias íntimas". chegando por vezes ao torn de Bernardo Guimarães. Almeida Braga. Bittencourt Sampaio. A leitura mostra claramente que as suas melhores realizações. . mormente o indianismo. são nestes setores. aquelas em que se sentem à vontade. como foi principalmente o caso de Bittencourt Sampaio. descreveu a natureza.

bo e o endecassílabo. ou a quinta pa rte. Cantos nacionais coligidos e publicados por Antônio Joaquim de Macedo Soares. como Trajano Galvã o. em cujas Sertanejas são em tais ritmos 9 sobre 21 poemas. Nas Flores Silvestres de Bittencourt Sampaio. Mais pura.de lábios risonhos. Mais bela. quase a metade. ou menos da sétima parte. Teixeira de Melo apresenta 7 sobre 52. brincando também com a rima de eco. são 18 sobre 88. sem o menor senso de oportunidade. que um . pouco menos de um quarto. Manifestando igualmente certo atavismo arcádico.quero . ou seja. mais bela! Mais pura que a límpida fonte deitada Na cândida areia. inteiramente abandonados a uma espécie de ouvido automático. que em plácidos sonhos Vagueiam na mente juncada de amores De linda donzela. "Prefácio". de Franklin Dória. merecendo alusão o formoso "Ela". mas emprega com muito maior freqüência a estrofe . onde se abre uma perspectiva de devaneio pela recorrência do comparativo: Mais bela que os silfos. Que os astros da noite mais bela. (15) Harmonias Brasileiras. v Que a nuvem azulada que a aurora matiza. X. a contagem revela 1O sobre 46. inclusive num poema onde se justifica por ser imitatíva deste fenômeno ("O eco"). nas Sombras e Sonhos. mais pura! Os outros poetas apresentam marcadamente as características gerais mencionadas acima. fez sonetos passáveis e poemas de metro curto onde há ressaib os de cançoneta #setecentísta. Alguns. mais pura que a prece sagrada. mais pura que a brisa. praticam o verso batido a torto e direito. 2O2 Muito pouco resiste do que deixou. Que baixo murmura -Nas folhas. pág. no Enlevos.

mostrando como é nos secundários que os padrões de uma escola aparecem mais claros e por assim dizer imobilizados. Todos cultivam a musa patriótica. o lirismo social de Castro Alves. lançando deste modo um elemento importante do que seria a quarta e última linha da poesia românt ica.* Da brisa a voar.. Bruno Seabra. fi|. Deixa o seio do rio em que te encantas! Dá-me um riso d"amor. .--"--- #Vem sobre as ondas do mar: Não é tão ligeira. alguns a indianista. comigo.. Mais regular foi Teixeira de Melo...-iX-i-t .. .. dando um serpear não raro agradável à cadência das suas peças líricas.. sob o nome de A divina epopéia.. superficiais e fáceis. " Ví : Que em noites de verão desperta as plantiuw :"". -"-"-. Ulteriormente. Sousa Andrade e Trajano Galvão cantam o negro pela primeira vez.*" -.y Que a barca veleira. cheias de flores e pássaros: Vem.if. paradigma da inspiração e processos métricos correntes no tempo.. --it: . Bittencourt Sampaio gostava de desarticular versos no interior da estrofe. Bittencourt Sampaio. 2O3 #Levada ("No Mar") :?{..---. Vem às sombras dos pálidos vampiros ..Formosa " f" A garça mimosa * . . ó doce amada. revelando tendências místicas. que sendo embora menos rígida e limitada revela igual abandono à facilid ade.----". ---:-.<. metrificou o Evangelho de São João em decassílabos.isorrítmica de decassílabos sáficos. --". Naiade viva da legenda antiga. gota do orvalho ..

serena e promissora tranqüilidade da noite. .(. ATão canga a vista de mirar tal cena: .. .-./.. um encanto gracioso que o aproxima de Casimiro de Abreu..:. ( . "O Povo". . -E em tudo.-.-. : ..-( ". passando com amena superficialidade das moreninhas praianas aos hinos patrióticos e até uma peça democrática. . canoa no canal desliza Leve qual folha. cuja obra a sua precede um pouco. em "Vulto": Puro. " ."". calmo o vento.. i . íi\. cuja peculiaridade apreende com a experiência de um amador compre2O4 ensivo da natureza. .". sonolento."---. Sobre os seios azuis das violetas! . cantor de cenas e emoções da sua ilha natal do Recôncavo baiano. que à flor d"agua desce. mostra nulgumas peças a marca direta de Álvares de Azevedo. #quando despertam as cores. O oceano coalhado. ^r-iu" Não vês a natureza a sono solto -. Alacridade e movimento da aurora em "O Sol Nascente"......) : l Algum. < -. fundido no mesmo molde . sobretudo.. O que há nele de melhor é a fluida suavidade do verso Minha. Ou como infante que na relva pisa.? " Estas estrofes iniciais de "Fantasia" (Sombras e Sonhos) mostram a sua melhor forma.!--. equiparável.Sobre as asas em pó das borboletas! . certo sentimento diferencial das horas do dia. verdadeiro pasticho do seu humorismo. fria? --< A alma vagando. o trabalho. Nos braços do silêncio. Poeta fácil e bem mais primário foi Franklin Dória. ... imóvel. este luar! ..*. . silfo talvez te espere em cuidas .. como esmalte. Silencioso o vale.< . .A alma estremece nesta hora amena sequiosa por gozar. Quando espairece ("Canção") ou. -:.". de Bruno Seabra. que antecipa a inspiração política dos decênios seguintes. como "O Charuto". . . \ . o calor. limpo e risonho o firmamento.(. neste sentido...".. Pelos campos da loira fantasia. "-"--< E arde E para não escapar à grande influência da geração." : . a "corn febre". estrela d"outros mundos.. . ..

beijos roubados.-. as nove estrofes de "Açucena"." . de homem afetivamente desflorado pela mulher-Dalila. . f ..."s V -" .-.Aquela mimosa flor? . Deu-me as cinzas d"acucena.."t4T . Bruno Seabra é com certeza o mais modesto do grupo.*hh*-r:. v .j?r Aquela prenda de amor? " E a desdenhosa.."-. Aquela branca açucena. para usar um símbolo de Michel Leiris: O que é da minha açucena....-.-...jV". livrinho sem importância que se menciona por constituir verdadeiro ponto de junção entre a poesia erudita e a inspiração do povo. . flores e mais flores. bem típica do masoquismo latente em muitos r omânticos./..":" " -"" .".-. em que produziu talvez a sua melhor poesia.".."ÍAÍ! ) . . . na maioria em fáceis setissílabos. Que é da minha branca flor? ."íí-SJJ"Ss5fiR"Wfis f i n Ninguém escute a morena..". brejeirice. já referido a propósito de Laurindo Rabelo . . colocando-se o poeta numa estranha situação. . . -. onde esta representa o sentimento autêntico."i-.."... promessas falazes.. de que se diferencia pela leveza e o born humor de quase todas as compasições.. destruído pelo amor fácil das levianas.".-. Inclusive sob o aspecto do simbolismo floral." 2O5 #.. morena.eis o conteúdo das Flores e Frutos.. .. Agora quem terá pena Deste amor órfão de amor? Dá-me a minha flor. .".-".de "Spleen e Charutos". sem pena. Aquela branca açucena! -.. Namoros. E vai responde a morena: i .

("Ignoto Deo") "!".. parecendo sofrer a influência moderadora de Gonçalves Dias. nos seios".. a quem dedica o principal dos seus livros. a que dá largas.. muito prezada pelas gerações vindouras: descrição de salas. Gentil Homem de Almeida Braga é menos fluente. Lopes). onde à maneira de Alvares de Azevedo no Poema do Frade.Para matar um amor. rir-se depois sem pena. nos vossos olhos pinta-se a candura. toilettes. (prenuncio de Luís Guimarães e B. o conto em verso dará Verbena. ." ò luz risonha do céu? . : " f r . com a magia das rimas nas mesmas palavras em todas as estrofes e a candura do verbo ir. : < " Que ela pede uma açucena -"""". ..." " . usado à maneira do colóquio familiar: "Foi.-""Vês como a onda é tranqüila..-"" sobe a vaga. * É um poema encantador pela singeleza. responde". deixando a praia arenosa.. E. "Solfejos em fá sustenido".-" ". o mar cintila. "Pizzicato à surdina". dos lábios vossos cai a luz divina. espuma e desce. " .---. que pende da vergôntea fina. "Cantiga em dó maior". "Fui.. e pura ou flor." Sopra o vento.. "E vai. não raro de nítido corte autobiográfico. *" ".. por exemplo. eu beijei".Ninguém lhe ceda uma flor. " como recua -medrosa. ("Cantiga") Em várias peças mostra-se inclinado a certo tipo de poesia "de ambiente". bailes. /. A despeito de certa prolixidade. cava um leito e nele ofrece jazigo a quem se perdeu. resgatam-se alguns momentos de poesia agra dável e delicada: Como estrela de luz serena.". < De quem chora uma açucena. bem como a tentativa de criar uma atmosfera musical: "Entre flauta e piano". "Variações em lá menor". alfaias. na maior e mais a mbiciosa das suas composições. Há nos Sonidos impregnação de certas experiências amorosas. imitou de perto os processos de composição de Namouna: .

trabalho. no túmulo das ficções. rompe num hino ao progresso. vem marcado por um . triunfante. confiante na ciência. Há de o rei ser o povo. um velho barão e sua filha. justiça. Sousa Andrade é por certo mais original do que os outros.. que " #me torna por vezes imperfeito. Desconcertante é o final. enormes no improbo trabalho corn que pretendeis pôr um céu na terra. . Não sendo melhor poeta.. A causa se encontra provavelmente na impressão produzida sobre Almeida Braga pelo li rismo social da Escola Coimbra. (D i Como o cantor de Eólia.... a guerra um mito. o ferro do pacífico trabalho. tendo por símbolo a espada no granito! (IV) São doze sextílhas neste teor. onde. em que da chama do bater do malho apenas surgirá born. após ter vagueado livremente o poema todo com a ironia cínica do mestre. faz uma série de quadros e sentenças em torno de dois personagens esfumados. aquele Alfredo tão delicado e meigo e peregrino. (II) Levando às conseqüências finais a digressão gratuita do modelo. de meu mestre Musset pôs-me o defeito. a que faz referência em várias estrofes do Canto in.. século gigante. desvendando quanto havia de atitude no poema e que terão feito estremecer de susto o céptico e byroniano Hassan. mas nasceram do trabalho da imaginação em face de dois re tratos... que ao cabo não existem.. O seu livro de estréia.. democracia. . Harpas selvagens.2O6 O mau ensino * . Mas um dia virá. a "grande Antero" e seus companheiros.

como em seus contemporâneos. testemunha em todo o caso uma lídima inquietude. com um pendor para termos difíceis que roça o mau gosto. já que a simplici dade fundamental da sua concepção não se coaduna com o rebuscamento colado sobre ela. em lugar da mobilidade algo falaciosa dos ritmos. Maior liberdade. onde encontramos com prazer. a mobilidade espiritual de um drama. é apenas esboçado. Esses movimentos tecem a contextura da sua poesia. revolucionárias para o tempo. sem os cacoetes superficiais de métrica ou imagem. Os poemas são datados de vários lugares do Brasil e da Europa. para ele. não raro em poemas extensos. 2O7 #elemento de dignidade intelectual nem sempre encontrada nos seus manhosos contemporâneos. aparece na ousadia de certas próclises. geralmente do pior efeito. Poesia tensa e carregad a de energia. Um dos motivos de interesse da sua obra está nesse ar de procura. Os seus momentos mais felizes estão nalgumas redondilhas delicadas. exprimindo no fim a procura do próprio ser. nem sempre se distinguindo dos lemas banais do momento. todavia. lançadas no declive da reflexão e da meditação. Outro fator de interesse é a importância que a viagem assume. e desejo de dar nota pessoal.Romantismo que se diria interior. ao longo dos quais procura em vão a forma adequada. a pesquisa constante da sua poesia . Para livrar-se deles. ao variar o panorama do mun do e aguçar a reflexão: uma procura formal somada a uma procura dos lugares. ou em composições de vôo amplo. Este. que. se não favor ece a plenitude artística. como as d""O Rouxinol". o poeta recorre a certo preciosismo. sugerindo que a mobilidade no espaço o ia revelando a si mesmo. como estímulo da emoção. desleixando os ritmos românticos e se realizando melhor no verso branco. Estas revelam melhor o timbre de serenidade.

Entretanto. porém. nos difusos "Fragmentos do mar": . logo reforçado em plano modesto por Bernardo Guimarães. o claro verde. manifestando-se antes numa bitola regular e freqüentemente prolixa. NOVAS EXPERIÊNCIAS. #Capítulo V O TRIUNFO DO ROMANCE 1. como este lampejo. ao trabalho e exemplo de José de Alencar. 4O6. peg. logra alguns momentos de felicidade.. fica o únic . MANtTBIi ANTÔNIO DE ALMEIDA: O ROMANCE EM MOTO OCWMHCO. O puro azul das águas florescidas. U. . História da Literatura Brasileira. 3. Como campo murchou.. num momento de universal facilidade. #1. 4. UM CONTADOR DE CASOS: BERNARDO GUIMARÃES. ele se destaca entre os poetas menores pela inquietação e o esforço de traduzir algo original. é preciso que se diga: o poeta sai quas e inteiramente fora da toada comum da poettzação do seu meio. NOVAS EXPERIÊNCIAS A partir de 186O a produção novelística se intensifica e amplia no Brasil graças. e precedendo-os cronologicamente. Retenhamos contudo a idéia que. vol.16 (16) 2O8 Sílvio Romero. como a de certos poemas ingleses. À margem. principalmente. "recollections". como assinala Sílvio Romero: "Uma coisa.que não emerge em versos excepcionais. suas idéias e linguagem têm outra estrutura".a que se aparenta por casualidade. destacados da superfície lisa dos poemas. 2. "intimations". OS TRÊS ALENCARES. no esforço contínuo para definir o eu e exprimir o significado correlato da natureza.

Abridor de caminhos. Como f por que sou romancista. a urdidura muito mais firme de Tu ou O Tronco do Ipê. Há portanto uma presença de Macedo. "Que estranho sentir não despertava em meu coração adolescente a notícia dessas homenagens de admiração e respeito tributadas ao jovem autor da Moreninha! Qual régio diadema valia essa auréola de entusiasmo a c ingir o nome de um escritor?" .fase na qual se refinam e aprofundam os elementos novelísticos propostos na anterior. às complicações mecanizadas d"Os Dois Amores. foi ele quem conferiu prestígio à ficção. Entretanto Macedo já escrevera o essencial da sua obra antes do início da carreira de Alencar (1856) e da publicação das Memórias de um Sargento de Milícias (1852-1853). fecundar e superar a obra de Macedo. São os principais romancistas dessa etapa. não apenas física. Além desse processo de depuração. 27 e 28. mas espiritual. como faria Machado de Assis em relação à sua. Às peripécias elementares de Teixeira e Sousa sucede a concatenação prodigiosa d"As Minas de Prata. que continua a produzir até 1876. há contudo elementos novos que permitem caracterizar mais amplamente uma segunda etapa do romance romântico: o indianismo. data em que saem o seu último livro e o último livro de Alencar (A Barones a do Amor e O Sertanejo). A sua lição foi importante.escreve significativamente Alencar na sua autobiografia literária.1 A ele coube retomar. a vida burguesa do Rio de Janeiro. em seguida. como pano-de-fundo. devendo juntar-se a eles o veterano Joaquim Manuel de Macedo. pouco mais fez que repisar os mesmos temas com os mesmos processos. e a glória rápida que alcançou em nosso meio pobre e acanhado serviu de estímulo à vocação dos moços. . que prolonga a sua orientação na fase que vamos estudar .o livro de Manuel Antônio de Almeida. o regionalismo. a análise psicológica. dando-lhe por assim dizer posição social e. (1) 211 José de Alencar. págs.

Alencar. e veremos daqui a páginas. É necessário todavia distinguir o regionalismo dos românticos do que veio mais tarde a ser designado por este nome. Távora .#A propósito de Gonçalves Dias. Sob esse ponto de vista o arbítrio do ficcionista foi instrumento favorável. Inocência.tomaram a região como quadro natural e social em que se passavam atos e sentimentos sobre os quais incidia a atenção do ficcionista. não limitação. a propósito de Alencar. embora dele provenha. é superior ao Alencar erudito de Ubirajara. introduzido triunfalmente pelo Guarani. É notório que livros como O Sertanejo. . Coelho Neto. Já o regionalismo post-romântico dos citados escritores tende a . individual ou social. O Alencar mais espontâneo de Iracema. Os românticos . no campo específico do romance. devida a tantos fatores pessoais e sociais. O Garimpeiro. já vimos também. são construídos em torno de um problema humano. como foi um elemento ideológico. é desenvolvimento bastante diverso pelo espírito e as conseqüências. Mesmo a inabilidade técnica ou a visão elementar de um batedor de estradas como Bernardo Guimarães não abafam esta humanidade da narrativa.Bernardo. q ue. a despeito de todo o pitoresco.e que. Taunay. Valdomiro Silveira.a "literatura sertaneja" de Afonso Arinos. preocupado em mostrar informação etnográfica. O regionalismo foi a manifestação por excelência daquela pesquisa do país. Lembremos. e que. . deformável quase à vontade. ficou assinalado como o indianismo funcionou à maneira de perspectiva exótica para redefinir velhos temas da literatura européia. suscitando a magia de belíssimas combinaçõ es plásticas e melódicas. Monteiro Lobato. Simões Lopes Neto. assinalada em capítulo anterior. As dimensões fictícias em que foi situado o índio do Romantismo convidavam o escritor e o leitor a penetrar num mundo colorido. os personagens existem independentemente das peculiaridades regionais. Lo urenço. ele foi oportunidade para corrigir a falta crônica de imaginação em nossa literatura. racionalizando alguns aspectos da nossa mestiçagem física e cultural e contribuindo para consolidar uma consciência nacional tocada pelo sentimento de inferioridade em face dos padrões europeus.

na sua linha-tronco. 212 O regionalismo dos românticos. através de Domingos Olímpio. invadindo a sensibilidade do leitor mediano como praga nefasta. sobretudo no galho nordestino.2 Elas consistem principalmente em recusar o valor aparente do cornportamento e . Enquanto nas literaturas evoluídas do Ocidente ele é quase sempre um subproduto sem maiores conseqüências (uma espécie de bairrismo literário). até pô-lo no mesmo pé que as árvores e os cavalos. à fala e ao gesto. ao contrário. constituem o brasão de Machado de Assis e Raul Pompéia. Por isso o regionalismo . onde vemos a região condicionar a vida sem sobrepor-se aos seus problemas específicos. tratando o hom em como peça da paisagem. no Brasil. as sendas poéticas do indianismo e a humanidade sincera mas superficial do regionalismo não eram elementos suficientes para a maturidade do nosso romance. hoje revigorada pelo rádio. foi e é um instrumento de descoberta. que segundo Lúcia MiguelPer eira. uma reificação da sua substância espiritual. É uma verdadeira alienação do homem dentro da literatura. Entretanto. envolvendo ambos no mesmo torn de exotismo. uma das melhores direções de nossa evolução literária. que ainda se apalpa e estremece a cada momento com as sur presas do próprio corpo. constitui. vindo.que aparece nesta fase com Bernardo Guimarães. Não é à-toa que a "Literatura sertaneja" (bem #versada apesar de tudo por aqueles mestres). distinguindo a qualidade respectiva do homem e da paisagem. teve a importância que l he reconhecemos em capítulo anterior. para deleite estético do ho mem da cidade. deu lugar à pior subliteratura de que há notícia em nossa história. Faltavam-lhe para isso aquelas "pesquisas psicológicas". ramificar-se no moderno romance.anular o aspecto humano. em benefício de um pitoresco que se estende também.o verdadeiro e fecundo .

sugestões (2) 413 Lúcia Miguel-Pereira. contínuador genial. levando-os muitas vezes a conseqüências inaceitáveis p ara a visão normal. Na medida em que atua deste modo.das idéias. ou os seus desvios mais freqüentes. de toda uma fermentação obscura e vagamente pressentid a. em não aceitá-los segunda a norma que lhes traçam o costume. encarando toda a ficção anterior como um conjunto ameno. e nos outros homens. cap. #certa injustiça em atribuir-lhe a iniciativa das análises psicológicas. tendo encontrado em Alencar. Veremos daqui a páginas como a obra de Alencar é percorrida por frêmitos . além da sociologia da vida urbana. na qual vai provocar o estremecimento de atos virtuais. sob vários aspectos. certos abismos sobre os quais a engenharia da vida de relação constrói as suas pontes frágeis e ques tionáveis. Esta experimentação com o personagem é que o torna tão vivo e próximo da nossa vida profunda. Na brasileira. Na verdade ele foi. Prosa ãe Ficção (de 187O a 192O). auxiliando-nos a vislumbrar em nós mesmos. II. a reconstituir as maneiras possíveis por que teriam variado. que levam o romancista a esquadrinhar a composição dos atos e pensamentos. Há. experimentou-a intensamente Machado de Assis. #psicológicas muito acentuadas no sentido da pesquisa profunda. porém. de pensamentos sufocados. não figura isolada e literàriamente sem genealogia no Brasil. Uma literatura só pode ser considerada madura quando experimenta a vertigem dê tais abismos. dando-lhe por esta forma razão de ser num plano supranacional. superficial e pitoresco. H á na pesquisa psicológica uma certa malícia e uma certa dor. o romance tem para nós uma função insubstituível.

Veremos no tosco narrador de histórias que foi Bernardo Guimarães repontarem certas ousadias pré-naturalistas na descrição do temperamento de suas heroínas e. 214 M .:":. ainda sob este aspecto. através da história de uma alma de adolescente.. paga. " vi . Senhora."". nem foi por acaso que o Conselheiro Lafayette qualificou Lúcia e Diva de "monstrengos morais". 84-89.3 Há em Al encar não apenas um leitor de Chateaubriand. José de Alencar. ií . e um senso nada vulgar dos seus refolhos obscur os. demonstram agudo senso da complexidade humana.! :---".!..-""""i . um homem de teatro. que s e dobrou sobre a ação dramática."" 3 ".n "f .< .)". inc lusive. Mas não é apenas com Alencar que esta fase manifesta pressentimentos de aventura maior. pois afinal de contas trata-se do autor satânic o d""A orgia dos duendes".-i {"A"-::"". revolvendo problemas sociais e psíquicos com o poderoso instrumento analítico do diálogo.N< 2. e Araripe Júnior não soube explicá-las senão encaixando-as pejorativamente numa enfermaria. : . senão análise conveniente. mal amainada pelo sedativo da vida familiar."1. que destoam da imagem vulgarmente aceita do escritor para moças e rapazinhos. Não tenho dúvida que.. Por isso Lucíola apresenta certas componentes de pesquisa séria da alma humana. pelo menos esforço comovedor de análise dum caso moral. mas sobretudo Lúcida. O que é menos extranho do que se poderia supor. há uma sensibilidade eriçada e doentia. MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA: O ROMANCE EM MOTO CONTINUO . Lamartine e Walter Scott." l ". há finalmente. (3) Araripe Junior. -..: " -/. n"O Seminarista.inesperados. mas um apaixonado balzaquiano que se tem menosprezado. Machado de Assis aprendeu com o admirado confrade e amigo.

porém. #ou a poesia em prosa de Iracema. meio em desacordo com os padrões e o torn do momento. ficando assim meio à parte. as diversas tendências da ficção romântica para o fantástico. Pouco atraído pela pesquisa das raízes do comportamen to.onde um Dostoiewski. . A equivalência do bem e do mal pode ser postulada em dois níveis principais: o das camadas subjacentes do ser. comparando-os com outros atos e palavras e deixa ver ao leitor que. o quotidiano. o pitoresco. costumamos ver nele um fenômeno de preflorescência do realismo. De fato. vsem a amargura que os naturalista s denotarão em seguida. Tanto assim que os contemporâneos. do que a demonstração de cabeça fria em que ele timbrou. que nem o seu ponderado realismo. elas encarnam de modo quase exclusivo uma ou outra dentre elas. Mas como exprime. numa época de exaltação sentimental e voca ção retórica. Num conjunto de livros que exprimem. dentre as tendências românticas. parecem não ter prezado igualmente o seu livro. ou um Machado de Assis vão pesquisar a semente . Não se havia de digerir. se afastam ou se opõem à corrente romântica: apenas decantam alguns dos seus aspectos. porém. as que já ao seu tempo menos comumente se associavam à escola. ou a dinãomica do espírito. o poético. a surpreendente imparcialidade com que trata os personagens. nem o satanismo d"A noite na taverna. nem maus. uns valem os outros: nem bons.Há no romantismo certas obras de ficção que se poderiam chamar excêntricas em relação à corrente formada pelas outras. como as Memórias de um sargento de milícias. de modo mais ou menos simultâneo. atém-se à vida de relação: espreita palavras e atos. embora estimassem em Manuel Antônio o homem e o jornalista. o humorístico. sobretudo. sem qualquer intuito mais profundo de análise. no seu livro de costumes urbanos. rompendo a tensão romântica entre o Bem e o Mal por um nivelamento divertido dos atos e caracteres. no fundo. Isto. Consideremos. o extremismo poético e o extremismo fantástico se digerem mais facilmente.

um ciúme. anexando cenas. entram em contacto com todas as classes. A entrada do século XIX. limitando-lhe a profundidade a fim de estendê-la e englobar o maior número possível de aspecto s da vida. enriquecendo deste modo. em sua obra. estudado por meio da ironia ou o desencantado cinismo dos que não visam o SIS" #fundo dos problemas. da qual pretendemos esboçar uma parte dos costumes. pela riqueza dos aspectos que se suce dem. para firmá-lo nesta posição. circunstâncias à peregrinação do herói. cortou por assim dizer o fio da tendência picaresca. na verdade. . a visão do homem. se detivermos a nossa visão na superfície dos fatos. Xavier de Maistre. Tudo combina. Nesta posição se entronca o romance picaresco. a isso nos obriga".das ações. A afirmação é paradoxal apenas na aparência porque. e ele próprio o diz: "É infelicidade para nós que escrevemos estas linhas estar caindo na monotonia de repetir quase sempre as mesma cenas com ligeiras variantes: a fidelidade porém com que aco mpanhamos a época.e o da vida de relação. em literatura. Para compensar essa defasagem entre o humano e o detalhe pitoresco. descobrindo as ligações inesperadas de uma ordem limitada de fatos . um só homem podia viver um turbilhão d . um francês.a variação no espaço é de importância secundária. acessível à observação superficial e geralmente. cotumes. condenamo-nos desde logo à repetição. Gil Braz e Roderick Random viajam. mostrando ironicamente que dentro do próprio quarto. e com ele Manuel Antônio de Almeida. os picarescos espanhóis e seus discípulos franceses e ingleses investiam vigorosamente pelo espaço físico e social. com efeito. a visão mais rica sendo não raro a que se demora em profundidade. por exemplo. mudam de ofício. ou o fracasso de um amor . em período exíguo de tempo.

em que #se ia diferenciando a nossa vaga burguesia. nas duas vezes que aparece. o país pouco conhecido. soldado. O nosso Manuel Antônio estava colocado. de fato? A "felicidade cinzenta e neutra" de que fala Mário de Andrade. A sociedade que deparava era pouco complexa. com núcleos de população esparsos e isolados. estava feito o levan216 tamento do ambiente e fechado o ciclo possível para as aventuras de Leonardo: depois das traquinagens. A impressão que nos deixa é de sarabanda . só depois de Machado haveria um refina mento suficiente do estilo e da penetração literária. que permitisse descobrir o mundo no próprio quarto. pelas próprias condições de evolução literária da sua terra. a felicidade é estática por vocação. mas nada é irremediável. tanto geográfico quanto social: ficou no Rio do primeiro quartel do século XIX no ambiente popular de barbeiros e comadres. as combinações são por vezes extranhas. Que lhe restava. nem era Manuel Antônio. numa posição intermediária.4 corn efeito. nada mais lhe restava: tinha sido moleque. com Alencar e Bernardo.e peripécias e enriquecer a sua duração psicológica. os pares se unem e separam. das festas religiosas. com algumas excursões da pena. se atirado à conquista do Norte. e a lei principal das Memórias é o movimento. do Sul e do Oeste: a sua geografia não conhecia mais que a pequena mancha fluminense de Teixeira e Sousa e Macedo. tempo e assunto. dos feiticeiros. e fora da qual só restava a massa de escravos e o reduzido punhado de recentes cortesãos. no espaço. Por outro lado. acentuando que "o livro acaba quando o inútil da felicidade principia". pois. Limitou-se. E quando o mestre de dança acha que todos . das "súcias" e das visitas. servi çal do Rei. é oportuna e discreta. coroinha. apesar de médico. homem de microscópio e escalpelo. A própria morte.bizarra e alegre sarabanda em que os grupos vão e vêm. A lite ratura ainda não havia. dos padres bilontras. Era a desforra das unidades moribundas de lugar. sobre o gênero multiforme e triunfante do romance.

a começar pelo compadre e pela comadre aparecem nas Memórias sem um nome próprio. Forster.que através de todo o livro não conhecemos doutra forma. os personagens são como diria E.rasos psicologicamente. (5) "Algumas personagens. cujo anonimato resulta da circunstância de personalizarem certos costumes e só se v . e uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores. corre no livro uma cortina de reticênc ias antes que a vida. os acontecimentos passam. não procura violar os limites do romance de costumes pela inclusão do patético ou do excepcional. o "toma-largura". Assim são também os das Memórias. os "primos". recomece da capo: "Daqui em diante aparece o reverso da medalha. a "comadre". avaliados pelo autor de uma vez por todas desde os primeiros golpes de vista. Tanto que o autor procura dissolvê-los numa categoria geral. São personagens típicas. a do Leonardo Pataca. Memórias üe um sargento de milícias. e. a profissão. Maria. Ao contrário de um Teixeira e Sousa ou de um Joaquim Manuel de Macedo. 15. . Manuel Antônio é pois um romancista consciente não apenas das próprias intenções como (daí a sua categoria literária) dos meios necessários para realizá-las. Leonardo (4) Mário de Andrade. fazendo aqui ponto final". sempre igual. fl at characters. Seguiu-se a morte de D. pág. mais social do que psicológica. desprovidos de surpresas. a função: o "compadre".5 Até quase a metade. em Manuel Antônio de Almeida. que os individualize. o "Mestre de Cerimônias". M. o "tenente-coronel". o "fidalgo" #. que não precisam sequer de uma pincelada após a primeira caracterização. O romance de costumes tende para a norma. a "cigana". substituindo a própria indicação do nome pela do lugar que têm no grupo. as duas "velhas".já deram de si o que lhes caberia dar sem prejuízo da coreografia. "Introdução". e eles permanecem idênticos. envolvendo-os. portanto. . antes para a caracterização de tipos do que para a revelação de pessoas.

alorizarem como tais." (Astroglldo Pereira, "Romancistas da cidade: Macedo, Manuel Antônio e Lima Barreto", BdB (IV), Ano IV, n." 35, pág. 35. 217

#é apenas "o menino": e uma vez definido pelo romancista aos quatro j anos de idade, permanece tal e qual até a última página: travesso, " esperto, malcriado, simpático, ágil. O tempo não atua sobre os tipos ;| fixos desse romance horiz

ontal, onde o que importa é o acontecimento, ? mais que o protagonista. Diferente do simples romance de aventuras, J o acontecimento importa aqui, todavia, na medida em que revela certas formas de convivência e certas alterações na posição da

s pessoas, umas em relação às outras. As desventuras do Mestre de Cerimônias, por exemplo, não interessam como sucesso pitoresco, nem revelação duma personalidade, mas como ilustração dos costumes clericais da época. No fundo, qualquer outro padr

e serviria, pois o que Manuel Antônio pesquisa é a norma, não a singularidade; os seus personagens-tipos são mais sociais do que psicológicos, definindo mais um modo de existir do que de ser. Ô que no Esaú e Jacó é essencial, a saber, a duração inte

rior, o conflito moral, é aqui acessório, para não dizer inexistente; o essencial daqui, em cornpensação é o acessório de lá: usos, costumes, episódios. Daí a composição do livro estar subordinada à lógica do acontecimento que por sua vez obedece ao movimento mais amplo do panorama social. No fundo do romance, se encontra esta condição, de ordem por assim dizer sociológica. Manuel Antônio deseja conta

r de que maneira se vivia no Rio popularesco de Dom João VI: as famílias mal organizadas, os vadios, as procissões, as festas, as danças, a polícia, o mecanismo dos empenhos, influências, compadrios, punições, que determinavam uma certa forma de convi

vência e se manifestavam por certos tipos de comportamento. Como é artista, vê, não o fenômeno, mas a sua manifestação, o fato: vê as situações em que aquelas condições se exprimem e apresenta uma coleção de cenas e acontecimentos. O livro aparece, po

is, como seqüência de situações, cuja precária unidade é garantida pela pessoa de Leonardo, verdadeiro pretexto, como nos romances picarescos. Essas situações, esses blocos de acontecimentos, se justapõem de certo modo e, salvo o tênue fio dos amores de Leonardo e Luizinha, não há entre eles precedência cronológica necessária. É que o tempo é quase inexistente na composição: aparece como dimensão inevitável de toda série de fatos, mas não como elemento conscientemente utilizado. Quando Leonardo su

rje, granadeiro, no piquenique da ex-amante, não nos furtamos à necessidade de voltar atrás algumas páginas para procurar sentir o espaço mínimo de tempo, necessário à mudança na situação amorosa de Vidinha. O tomalargura, em página e meia, foi prete

xto para passar de #uma a outra situação narrativa, e o nosso espírito ressente a ausência de maturação nos acontecimentos. O movimento, a agitação incessante do livro pressupõem o tempo, mas não se inserem devidamente nele. 218 O movimento de sarabanda é, aliás, tão vivo, e constitui de tal forma o nervo da composição, que as pessoas, nele, valem na medida em que se agitam; fora de cena, desaparecem. A magia da ausência, a presença latente que amplia a atmosfera de certos ro

mances, dificilmente se coaduna com o de costumes e muito menos com as Memórias. Fora da ação, ninguém existe, e Manuel Antônio manobra o seu elenco estritamente em função das necessidades do conjunto, daqueles blocos de narrativa acima referidos. "

Os leitores terão talvez estranhado" - diz a certa altura referindo-se ao sacristão, amigo de Leonardo - "que em tudo quanto se tem passado (...) não tenhamos falado nesta última personagem; temo-lo feito de propósito, para dar assim a entender que em

nada disso tem ele tomado parte alguma". Os figurantes interessam, pois, na medida em que contribuem para o acontecimento, não como unidades autônomas. É o contrário do que sucede em Machado de Assis - onde os acontecimentos só importam na medida em que contribuem para acentuar a singularidade do personagem. O método literário de Manuel Antônio implica uma subordinação deste, - que o autor vira daqui, vira dali, revira adiante, torna a virar, pela razão de que cada virada, cada nova posição, acar

reta nova situação da narrativa em geral. O personagem necessita, pois, mudar de posição a cada passo, a fim de que o movimento não cesse. Por isso, Leonardo tem uma sina, proclamada pela madrinha e aceita pelo autor: "para ele, não havia fortuna que não se transformasse em desdita, e desdita de que lhe não resultasse fortuna". Entre a desdita e a fortuna, como bola de tênis, vai permitindo ao autor variar o ponto de vista e descrever novos tipos, novas cenas, novos costumes, com a sua "liberdade

de contador de histórias". Admirável contador de histórias, com uma prosa direta e simples, nua como a visão desencantada e imparcial que tinha da vida. Por isso mesmo, interessava-se pelo geral, comum a um grupo. Os homens são todos mais ou menos os mesmos; portanto, os seus costumes exprimiriam sem dúvida uma constância maior, seriam menos fugazes do que os matizes individuais. Manuel Antônio é, por excelência, em nossa literatura romântica, o romancista de costumes. Seu livro, o mais rico em informações seguras, o que m

ais objetivamente se embebeu numa dada #realidade social. É quase incrível que, em 1851, um carioca de vinte anos conseguisse estrangular a retórica embriagadora, a distorção psicológica, o culto do sensacional, a fim de exprimir uma visão direta da sociedade de sua terra, E por tê-lo feit

o, com tanto senso dos limites e possibilidades da sua arte, pressagiou entre nós o fenômeno de consciência literária que foi Machado de Assis, realizando a obra mais discretamente máscula da ficção romântica.

219

#3. OS TRÊS ALENCARES O desejo de escrever romances veio por duas etapas a José de Alencar. Aos quinze anos, em São Paulo, ainda estudante de preparatórios, lendo Chateaubriand, Dumas, Vigny, Hugo, Balzac, imagina um livro que fosse, como os dos franceses, um "poema da vid

a real". Ao dezoito, viajando pelo Ceará e observando as suas paisagens, sente o impulso de cantar a terra natal - "uma coisa vaga e indecisa, que devia parecer-se com o primeiro broto do Guarani ou de Iracema". Scott, Cooper e Marryat seduzem-no ent

ão cornpletamente, arrastando-o para a linha da peripécia e da fuga ao quotidiano, que procura, durante quatro anos de esforço, exprimir n"Os Contrabandistas, inacabado e infelizmente perdido.6 A estréia se dá aos vinte e sete com Cinco Minutos, série de folhetins do Correio Mercantil em que esboça o primeiro dos "poemas da vida real". O Guarani, publicado no mesmo jornal à medida que ia sendo escrito, em três rápidos meses de 1857, é um la

rgo sorvo de fantasia que realiza talvez com maior eficiência a literatura nacional, americana, que a opinião literária não cessava de pedir e Gonçalves de Magalhães tentara n"A Confederação dos Tamoios. Toda a sua obra, por vinte anos, será variação

e enriquecimento destas duas posições iniciais: a complication sentimentale, tênuemente esboçada em Cinco Minutos e A Viuvinha, e a idealização heróica d"O Guarani. De 1857 (o ano mais fecundo de sua vida) a 186O, ocupa-se com a teatro, voltando ao romance apenas em 62, com Lucíola, onde se nota a marca da experiência teatral na firmeza do diálogo, o senso das situações reais e o gosto pelo conflito psicológico

, que fazem deste um dos três ou quatro livros realmente excelentes que escreveu. Diva, de 63, pouco, ou nada vale, mas As Minas de Prata,

começado ao tempo d"O Guarani e escrito na maior parte de 64 a 65, denota capacidade de fabulação e segurança na

rrativa que até hoje nos prendem. Contrastando as suas linhas puras e delicadas com esse vasto andaime, Iracema, em 65, brota, no limite da poesia, como o exemplar mais perfeito da prosa romântica de ficção realizando por assim dizer o ideal tão ac

ariciado de integrar a expressão (6) José da Alencar, Como e por que sou romancista, clt. págs. 31, 35-37, 38-41. 22O literária numa ordem mais plena de evocação plástica e musical. Música figurativa, #ao gosto do tempo e do meio. A partir de 187O, estimulado por um contrato com a Livraria Garnier, publica em seis anos doze romances e um drama, sem contar os que deixou inacabados. O décimo terceiro, Encarnação, escrito no ano em que morreu, 1877, foi publicado mais tarde. Terá

sido nessa fase que imaginou dar à sua obra um sentido de levantamento do Brasil, como deixa indicado no prefácio de Sonhos d"Ouro. O fato é que cultiva então o regionalismo - descrição típica da vida e do homem nas regiões afastadas - com O Gaúcho (187O), continuando-o n"O Sertanejo (1876). A pata da gazela (187O), Sonhos d" Ouro (1872) e Senhora (1875) são romances da burguesia carioca, ao primeiro dos quais, estudo curioso de fetichismo sexual, faltou músculo para ser um born livro; o último,

apesar de desigual, é excelente estudo psicológico. A guerra dos Mascates, (187O) é um romance histórico cheio de alusões à política do Império, muito mais cuidado documentàriamente, muito mais "arranjado" como composição que As Minas de Prata; mas n

ão tem a sua inspiração e vigor narrativo. O Garatuja, O Ermitão da Glória e Alma de Lázaro (1873), formam no conjunto os Alfarrábios, baseados em

tradições do Rio, valendo o primeiro por um certo humorismo. O tronco do Ipê e Til (1872) inauguram o ro

mance fazendeiro, a descrição da vida rural já marcada pelas influências urbanas. Em Ubirajara (1874) tenta de novo o indianismo, desta vez na fase anterior ao contacto do branco e requintes mais eruditos de reconstituição etnográfica, talvez para res

ponder às críticas de Franklin Távora, o Semprônio das Cartas a Cincinato. Desses vinte e um romances, nenhum é péssimo, todos merecem leitura e, na maioria, permanecem vivos, apesar da mudança dos padrões de gosto a partir do Naturalismo. Dentre eles, três podem ser relidos à vontade e o seu valor tenderá certamente a cresc

er para o leitor, à medida que a crítica souber assinalar a sua força criadora: Lucíola, Iracema e Senhora. Há outros que constituem uma boa segunda linha, como O Guarani. Mais do que isto é difícil dizer, porque a variedade da obra de Alencar é de na

tureza a dificultar a comparação dos livros uns com os outros. Basta com efeito atentar para a sua glória junto aos leitores - certamente a mais sólida de nossa literatura - para nos certificarmos de que há, pelo menos, dois Alencares em que se desd

obrou nesses noventa anos de admiração: o Alencar dos rapazes, heróico, altissonante; o Alencar das mocinhas, gracioso, às vezes pelintra, outras, quase trágico.

#Sob o primeiro aspecto a sua obra significa, em nosso Romantismo, o advento do herói, que a poesia não pudera criar na epopéia neoclássica, ou no próprio Gonçalves Dias. Peri, Ubirajara, 221

#Estácio Correia, (As Minas de Prata) Manuel Canho (O Gaúcho) Arnaldo Louredo (O Sertanejo) brotam como respostas ao desejo ideal de heroísmo e

pureza a que se apegava, a fim de poder acreditar em si mesma, uma sociedade mal ajustada, em presa a lutas

recentes de crescimento político. No meio de tanta revolução sangrenta (cada uma das quais, depois de sufocada, ficava como marco de uma liberdade perdida, de uma utopia cada vez mais remota); em meio à penosa realidade da escravidão e da vida diária

- surgia a visão dos seus imaculados Parsifais, puros, inteiriços, imobilizados pelo sonho em meio à mobilidade da vida e das coisas. E por corresponderem a profunda necessidade de sonho os seus livros ficaram, para sempre, no gosto do público. Se Ál

vares de Azevedo exprime o aspecto dramático, dilacerado, da adolescência, esta parte da obra de Alencar exprime a sua vocação para a fuga do real. Nos romances heróicos - O Sertanejo, O Gaúcho, Ubirajara, As Minas de Prata, sobretudo O Guarani - a vi

da aparece subordinada à manifestação de personalidades inteiriças. A vida corrente, a das Memórias de um sargento de Milícias, obriga o personagem a dobrar, amoldar-se, recuar; a sofrer o medo, os maus desejos; a praticar atos dúbios ou degradantes; obriga-o a tudo a que estamos obrigados. Mas a vida no romance heróico é aparada, aplainada, a fim de que o herói caminhe numa apoteose sem fim. Os monstros, os vilões, os perigos, são parte do jogo e apenas aparentemente o constrangem; na verdade, a luta é combinada como em certos tablados de box, e o herói não pode deixar de vencer; mesmo se o triunfo final não lhe pertence, pode sempre dizer, como Aramis a D"Artagnan: "Os homens como nós só morrem saciados de glória e júbilo". A vida, artistica

mente recortada pelo romancista, sujeita-se documente a um padrão ideal e absoluto de grandeza épica, pois no mundo falaz do adolescente, onde tudo é possível, a lógica decorre de princípios soberanamente arbitrários. Se aceitarmos de início o caráter

excepcional de Arnaldo Loureiro, não oporemos nenhuma objeção ao vê-lo dormir na copa da mais alta árvore da mata, com uma onça no galho inferior;

tampouco, pelo mesmo motivo, à descida de Peri no precipício, â busca do escrínio de Cecília. Uma vez embalado, o sonho voa célere sem dar satisfações à vida, a que se prende pelo fio tênue, embora necessário, da verossimilhança literária. Esta força de Alencar - o único escritor de nossa literatura a criar um mito heróico, o de Peri - tornou-o suspeito ao gosto do nosso século. Não será de fato escritor para a cabeceira, nem para absorver uma vocação de leitor; #mas não aceitar este seu lado épico, não ter vibrado com ele, é prova de imaginação pedestre ou ressecamento de tudo o que em nós, mesmo adultos, permanece verde e flexível. 222 Assim como Walter Scott fascinou a imaginação da Europa com os seus castelos e cavaleiros, Alencar fixou um dos mais caros modelos da sensibilidade brasileira: o do índio ideal, elaborado por Gonçalves Dias, mas lançado por ele na própria vida quotid

iana. As Iracemas, Jacis, Ubiratãs, Ubirajaras, Aracis, Peris, que todos os anos, há quase um século, vão semeando em batistérios e registros civis a "mentiràda gentil" do indianismo, traduzem a vontade profunda do brasileiro de perpetuar a convenção que dá a um país de mestiços o álibi duma raça heróica, e a uma nação de história eurta, a profundidade do tempo lendário. Debaixo das barbas neurastênícas e petulantes do Conselheiro Alencar, velho precoce, fácil triunfador num Estado de facilidades, reponta a sôfrega adolescência de todos os tempos, nossa e dele próprio, tão encartolada, abafada antes da hora. Reponta a

aspiração de heroísmo e o desejo eterno de submeter a realidade ao ideal. Quem já achou necessário indagar a vida interior de Peri ou queixar-se da elementariedade do vaqueiro Arnaldo? É como estão que devem permanecer, puros e eternos, admiráveis bo

necos da imaginação, realizando para nós o milagre da inviolável coerência, da suprema liberdade, que só se obtém no espírito e na arte. "Ubirajara travou do arco de Itaquê e desdenhado fincá-lo no chão, elevou-o acima da fronte; a flecha ornada de pe

nas de tucano partiu (...) Ubirajara largou o arco de Itaquê para tomar o arco de Camacã. A flecha araguaia também partiu e foi atravessar nos ares a outra que tornava à terra. As duas setas desceram trespassadas uma pela outra como os braços de um gu

erreiro quando se cruzam ao peito para exprimir a amizade. Ubirajara apanhou-as no ar: - Este é o emblema da união. Ubirajara fará a nação Tocantim tão poderosa como a nação Araguaia. Ambas serão irmãs na glória e formarão uma só, que há de ser a grande nação de Ubirajara, senhora dos rios, montes e florestas." Nesta fusão de duas nações guerreiras, graças à energia superior de um homem, está o ápice do heroísmo de Alencar; e a imaginação adolescente (não forçosamente dos adolescentes) sobe com as flechas e vem parar, com elas, no símbolo do supremo vigor,

o boneco Ubirajara, herói sem vacilações, mais hirto que #Peri na sua inteireza de ânimo. Bem diverso é o Alencar das mocinhas - criador de mulheres cândidas e moços impecàvelmente bons, que dançam aos olhos do leitor uma branda quadrilha ao compasso do dever e da consciência, mais fortes que a paixão. As regras desse jogo bem conduzido ex

igem inicialmente um obstáculo, que ameace a união dos namorados, sem contudo destruí-la: tuberculose, em Cinco Minutos; honra comercial, n"A Viuvinha; orgulho, em Diva; erro sentimental n"A

#Pata da Gazela; fidelidade ao passado, n"O tronco do Ipê; respeito à palavra, em Sonhos d"Ouro. Em todos esses livros, salvo O tronco do Ipê, o fulcro de energia narrativa é sempre a mulher, desde as evanescentes e apagadas, como a viuvinha, até à im

periosa Diva, que procura compensar a fraqueza e desconfiança de menina feia, tornada de repente bonita, por meio duma desequilibrada energia. Delas todas, porém, apena a Guida de Sonhos d"ouro se destaca, na equilibrada dignidade de mulher de gosto e

caráter, que "sentia, como toda moça bonita, o desejo inato de ser castamente admirada". É de notar-se que nos romances de que os homens são focos os romances do sertão - Alencar não apela para o desfecho da união feliz. A palmeira do Guarani desaparece sem deixar vestígios; Arnaldo, n"O Sertanejo continua servindo a dama inacessível; Man

uel Ganho, n"O Gaúcho, precipita-se no abismo enlaçado à amada que lhe roubaram, - como se a fibra heróica ficasse mais convincente posta acima da harmonia sentimental dos romances urbanos, nos quais a rusga ou a barreira não passam de preâmbulo daque

las cenas de entendimento final, onde surge, triunfante e cheio de cortinados, o "ninho de amor em que o born gosto, a elegância e a singeleza tinham imprimido um cunho de graça e distinção que bem revelava que a mão do artista fora dirigida pela insp

iração de uma mulher". (A Viuvinha) Nos seus livros sentimos este desejo de refinada elegância mundana, que a presença da mulher burguesa condiciona no romance "de salão" do século XIX. Todavia, há pelo menos um terceiro Alencar, menos patente que esses dois, mas constituindo não raro a força de um e outro. É o Alencar que se poderia chamar dos adultos, formado por uma série de elementos pouco heróicos e pouco elegantes, mas denotado

res dum senso artístico e humano que dá contorno aquilino a alguns dos seus perfis de homem e de mulher. Este Alencar, difuso pelos outros livros, se concentra mais visivelmente em Senhora e, sobretudo, Lucíola, únicos livros em que a mulher e o homem

se defrontam num plano de igualdade, dotados de peso específico e capazes daquele amadurecimento interior inexistente nos outros bonecos e bonecas. A Berta, de Til, tem algo dessa densidade humana, que encontramos também num esboço de grande personag

em novelesco, ojesuíta Gusmão de Molina, d"As Minas de Prata. Desta energia dão ^testemunho certos rasgos atrevidos, como a orgia vermelha de

que nos seus livros parte sempre à busca do amor e da . por sua vez. n"A pata da Gazela. O moço de talento. do que os ambientes. . tudo corre como se o dinheiro fosse um dado implícito. descrito com sangue frio naturalista. o conflito da alma dos protagonistas com as possibilidades materiais é básico no encaminhamento da ação. ao mesmo desejo de coisa nova e liberdade de gestos. #Assim. Como em quase todo romancista de certa envergadura. da alma. que o levaram a buscar meios os mais diversos para cenário da sua obra. a paixão mórbida de Horácio de Almeida por um pé. ou o cretino epiléptico de Til . Cinco Minutos. A sociedade brasileira lhe aparece como campo de concorrência pela felicidade e o bem-estar.(Cortesia da Biblioteca Nacional). todavia. que corresponde. #José de Alencar .Lucíola. a solidez. os personagens agindo independentemente dele.se aprofundam por terceira dimensão. há em Alencar um sociólogo implícito. são as relações humanas que estuda em função deles. Apenas no primeiro. Brás. Mais importante. o movimento narrativo ganha força graças aos problemas de desnivelamento nas posições sociais. estão ligadas ao nível econômico que constitui preocupação central nos seus romances da cidade e da fa zenda. outro retocando-o. na exploração 224 Manuel Antônio de Almeida . Na maioria dos seus livros. o impulso heróico e a quadrilha idealizada dos romances de salão. se encarnam em dois tipos: o comerciante e o fazendeiro. As posições sociais. Nos outros.(Cortesia da Biblioteca Nacional). onde a segurança. um sobrevoando o quotidiano. que vão afetar a própria afetividade dos personagens.

225 #José de Alencar .. que o levaram a buscar meios os mais diversos para cenário da sua obra.(Cortesia da Biblioteca Nacional). Mais importante. salva-o sempre a intervenção do romancista. O drama do jovem sensível em face da sociedade burguesa é. tem pela frente o problema de ascender à esfera do capitalista sem quebra da vocação. Posto entre Deus e Mamon. Se escolher o dinheir o. casando-o com a filha do ricaço (Diva. são as relações humanas que estuda em função deles. como.consideração social. do que os ambientes.) possuidor de algumas centenas de contos. O barão de Saí (Sonhos d"Ouro) "começara a vida como tocador de tropa" e "em uma de suas viagens à corte arrumou-s e de caixeiro no armazém de mantimentos do consignatário. Como em quase todo romancista de certa . Sonhos d"Ouro).. que o livra de apuros da melhor maneira. da alma. num romance do começo e outro do fim. ao mesmo desejo de coisa nova e liberdade de gestos. trocou por um título àtoa o nome que valia um brasão". Pata da Gazela.Alencar toca mais diretamente na questão da consciência individual em face do dinheiro. que terminavam barões e comendadores na maturidade. . cheia de lições para a psicologia e a sociologia do nosso romancista. Aos cinqüenta anos achou-se (. de fato. no tempo de Alencar. a contradição entre a necessidade de obter dinheiro (critério supremo de seleção social) e a de preservar as disponibilidades para a poesia e a vida do espírito. os caixeiros e tropeiros. "O visconde de Aljuba começara a sua vida mercantil na escola. deverá ganhá-lo sem tréguas. O primeiro é a história dum rapa z falido que morre alguns anos para o mundo a fim de arranjar meios de saldar os compromissos e restaurar o seu nome: uma pequena aquarela balzaquiana. onde exercia o mister de belchior". todavia. Todavia. e convencido que não era próprio de um grande capitalista #chamar-se pela mesma forma que um moço tropeiro. . Til. Tronco do Ipê.Viuvinha e Senhora.

estão ligadas ao nível econômico que constitui preocupação central nos seus romances da cidade e da fa zenda. tem pela frente o problema de ascender à esfera do capitalista sem quebra da vocação. Nos outros. . O primeiro é a história dum rapa z falido que morre alguns anos para o mundo a fim de arranjar meios de saldar os compromissos e restaurar o seu nome: uma pequena aquarela balzaquiana. Todavia. O moço de talento. Tronco do Ipê. a contradição entre a necessidade de obter dinheiro (critério supremo de seleção social) e a de preservar as disponibilidades para a poesia e a vida do espírito. Pata da Gazela. Posto entre Deus e Mamon. num romance do começo e outro do fim. O drama do jovem sensível em face da sociedade burguesa é.Alencar toca mais diretamente na questão da consciência individual em face do dinheiro. por sua vez. o movimento narrativo ganha força graças aos problemas de desnivelamento nas posições sociais. se encarnam em dois tipos: o comerciante e o fazendeiro.envergadura. onde a segurança. que nos seus livros parte sempre à busca do amor e da consideração social. . Se escolher o dinheir . os personagens agindo independentemente dele. a solidez. há em Alencar um sociólogo implícito. que o livra de apuros da melhor maneira. Til. Sonhos d"Ouro). que vão afetar a própria afetividade dos personagens. Na maioria dos seus livros. Apenas no primeiro. As posições sociais. A sociedade brasileira lhe aparece como campo de concorrência pela felicidade e o bem-estar.Viuvinha e Senhora. salva-o sempre a intervenção do romancista. o conflito da alma dos protagonistas com as possibilidades materiais é básico no encaminhamento da ação. cheia de lições para a psicologia e a sociologia do nosso romancista. tudo corre como se o dinheiro fosse um dado implícito. casando-o com a filha do ricaço (Diva. de fato. Cinco Minutos.

largar um pouco o herói e. que no Ocidente capitalista acabou por transformar-se em verdadeira ascese pelo a vesso e acarreta o abandono do sonho e da utopia. O barão de Saí (Sonhos d"Ouro) "começara a vida como tocador de tropa" e "em uma de suas viagens à corte arrumou-s e de caixeiro no armazém de mantimentos do consignatário. Condensou. na sociedade burguesa. Carreirismo político nuns casos? casamento com herdeira rica. em cinco anos.. então. noutros. o que demanda uma vida de trabalho. fá-lo vender-se a uma esposa milionária.. "O visconde de Aljuba começara a sua vida mercantil na escola. os caixeiros e tropeiros. na porfia de resgatar a firma do pai. deverá ganhá-lo sem tréguas. em que os personagens não suspendem provisoriamente a vida para liquidar o problema financeiro. Aos cinqüenta anos achou-se (.) possuidor de algumas centenas de contos. O jeito de remediar é a alienação da consciência. onde exercia o mister de belchior". Em Senhora. na flor da mocidade." Uma vida inteira de aplicação. fazendo Jorge da Silva retirar-se do mundo e aplicar-se ao comércio com fervor mo nástico. porém. incapaz da ascese comercial de Jorge da Silva. mesmo. Alencar quis superar tudo e fazer o herói rico. veio a ser a prostituição da inteligência ou do sentimento. resolve. Fernando Seixas é um intelectual elegante e pobre que. portanto. e convencido que não era próprio de um grande capitalista chamar-se pela mesma forma que um moço tropeiro. "A sociedade no meio da qual . 2S5 #mais tarde "arranjou ele uma espelunca chamada casa de penhor. "O seu aposento era de uma pobreza e nudez que pouco distava da miséria. numa transação escusa. onde emprestava dinheiro especialmente aos pretos quitandeiros. resolve "o problema da posição social trocando por cem contos a liberdade de solteiro. feliz e honesto. que nos mitos medievais foi a venda da alma ao diabo e. não se repete nos outros livros. no tempo de Alencar. como. N"A Viuvinha. que terminavam barões e comendadores na maturidade." Esta reclusão. trocou por um título à-toa o nome que valia um brasão".o. em vez de casá-lo com a herdeira rica.

o mais santo amor"? O certo. na sociedade em que vivia. que tornariam inoperante a acusação de interesse.quem ousaria falar noutra coisa senão "o mais verdadeiro. procura sempre preservar a altivez e a pureza dos heróis. fez de mim um homem à sua feição (. sem me smo lhes ferir a susceptibilidade.me eduquei. o senso stendhaliano e balzaquiano do drama da carreira.. como a herança e qualquer honesta especulação". nem a ascenção. entretanto. Por isso. inclusive no happy-end da forte história de conspurcação pelo dinheiro. filhas de grandes comerciantes e fazendeiros. contudo. A capacidade de observa ção levou o romancista a 226 discernir o conflito da condição econômica e social com a virtude.. com efeito. ou as leis da paixão. Como born romântico. é que os rapazes são todos pobres e as amadas muito ricas. Alencar sentiu muito bem a dura opção do homem de sensibilidade no limiar da competição burguesa. o seu idealismo artístico levou-o a atenuar o mais possível as conseqüências do conflito. no de Mário com Alice (O Tronco do Ipê). e os exemplos ensinavam-me que o casamento era meio tão legítimo de adquiri-la. por exemplo. . ajeitou quase sempre os seus heróis com paternal solicitude. no casamento de Augusto Amaral com Diva (Diva). constância e inocência. no de Leopoldo com Adelaid e (A Pata da Gazela).) Habituei-me a considerar a riqueza como a primeira fo rça viva da existência. faz Guida e o pai auxiliarem Ricardo sem que este perceba. . N ão tinha. demandava a luta áspera de Rastignac ou Julien Sorel. no de Miguel com Linda (Til). que é Senhora. levando-os ao casamento rico por meio dum jogo hábil de amor. em Sonhos d"Ouro.

mais que de posição. em Lucíola. é quase de natureza. prolongado até hoje pela literatura de cordel e as novelas para moças. a posição subordinada do vaqueiro Arnaldo. Este segundo caso é o do orgulho peculiar ao "jeune homme pauvre" da literatura romântica. veremos que os seus melhores livros são aqueles em que o conflito é máximo. N"O Sertanejo. determina o seu heroísmo. neste sentido. os seus galãs nunca enfrentam as heroínas no mesmo terreno: ou se acachapam de algum modo ante elas. peculiar a toda a sua obra. observar que apenas um galã de Alencar . em Senhora. rico e desocupado. uma diferença de disposições e comportamentos. aliás. Alencar parece mais senhor das suas capacidades criadoras nas situações mais dramaticamente contraditórias. e que deixam um sulco de mclacolia no espírito do leitor. que aparece como necessidade de compensação. como o Augusto Amaral de Diva e o Leopoldo d"A Pata da Gazela. do grande amor de Aurélia com a vergonhosa transação que põe Fernando à sua mercê. correspondendo-lhe.um galã vencido ao cabo do livro trata as heroínas com certa naturalidade superior: Horácio. como Ricardo. . em Sonhos d"Ouro e Már io. Se nos lembrarmos. que é a essência do seu processo narrativo. N"O Guarani. Vale a pena. da inviabilidade das relações normais entre um jovem ambicioso de boa família e uma meretriz. A diferença de situação como elemento dinãomico na psicologia c na própria composição literária é. nos quais só pode haver happy-end graças a um expediente imposto à coerência da narrativa.Esta diferença de condições sociais é uma das molas da ficção de Alencar. d"A Pata da Gazela. Pelo fato de serem pobres ou socialmente m enos bem postos. com o em Senhora. que imobiliza finalmente o destino da moça. no terreno psicológico. n"O Tronco do Ipê. ultrapassando os limites dos romances urbanos e de fazenda. assumindo aos poucos um caráter tirânico de vigilância. ou as tratam com altiva reserva. entre a fidalga loura e o índio selvagem. afastando a própria idéia da união a Dona Flor. Profundamente romântico. a diversidade. se nos lembrarmos do conflito.

até o símbolo duma era perdida que é o velho Pajé. o sacrifício da honra à saúde do pai. Uma simples vista de olhos em sua obra mostra o papel decisivo do passado como elemento condutor da narrativa e critério de revelação psicológica dos personagens. encurralando-o na respeita227 #bilidade burguesa. No Guarani. quase todo o elemento romanesco repousa sobre Loredano. Em Lucíola a situação é mais complexa. pelas coisas que foram: o segredo de Robério Dias pairando sobre tudo. passo a passo. preservando intacta a pureza que hibernava sob o estardalhaço da mundana. duma personalidade de circunstância que se amoldasse à lei da prostituição. que cons egue desenvolver. a heroína se substitui praticamente à esposa morta de Hermano.A este desnível da situação. Já em Viuvinha dois passados determinam o destino de Jorge: o honrado. A pureza da infância. A vigorosa luxúria com que subjugava os amantes é um recurso de ajustamento por assim dizer profissional. Por outras palavr . Diogo de Mariz. superando este jogo fácil de cordéis. que povoam a ficção romântica de tenebrosas possibilidades de cr ime e de mistério. ora. quase de imposição. vem juntar-se outro. Esta vocação romântica foi ao auge em dois livros: As Minas de Prata. mas a própria razão do seu asco à prostituição. uma espécie de auto-atordoamento. condicionam toda a vida de Lúcia. Neste. petrificado emocionalmente pela lembrança das primeiras núpcias. a vida de Gusmão de Molina. a de D. a brutalidade fria com que é violada. recusa a nova experiência na sua integ ridade. e Encamação. na concepção literária: o do presente e do passado. e o seu. A lembrança de uma inocência perdida é nã o apenas possibilidade permanente duma pureza futura (que desabrocha ao toque do amor). o presente é governado. tentando reviver em Amália a imagem obsessiva de Julieta. Naquele. eivado de fraquezas que virão pedir-lhe contas numa hora decisiva. Loredano é um desses escravos da vida anterior. a si mesma. que. que é por assim dizer o amarrilho das meadas. de seu pai.

encarna-se em Pai Benedito. pouco depois de viúva. Só mesmo a obsessão cientifizante do naturalismo pode explicar a cincada de Araripe Júnior. assume a atitude romanesca de lhe dar validade perene. no romance de Alencar. . que desposara. é o alimento de cada página. Este processo psíquico. Em Sonhos d"Ouro Ricardo age. n"O Idiota. no presente.em termos da presente análise . em função do cornpromisso com Bela. A discrição de Alencar é não obstante suficiente para crispar a narrativa. Esta presença do passado na interpretação da conduta e na técnica narratica representa de certo modo. apegando-se à beleza da fidelidade e gozando o própri o sacrifício. o drama de Nastásia Filipovna. mas surdamente revoltado contra a mãe. a sua sensualidade desenfreada nos aparece como técnica masoquista de reforço do sentimento de culpa. e quase simplòriamente. No primeiro. cravando o passado na trama da vida quotidiana. neste livro aparentemente plano. ao analisar como caso de ninfomania esse vislumbre do que seria. desfeito este. a infância e a mocidade de Manuel Ganho são condicionadas pela impressão do assassínio do pai e o desejo de vingá-lo. Zana. da mancha no passado dos dois fazendeiros. reduz-se . e sem dúvida medíocre. cujo desfecho é a redenção final. simbolizado na loucura da velha escrava. e na revolta que leva João Fera ao banditismo. respeitoso. É preciso assinalar.a uma dialética do passado e do presente. como ferida que se porfia em lacerar. a lei dos acontecimentos. Luís Galvão e o Barão 228 da Espera. o involuntário causador da morte do marido. no segundo. o inesperado fator edipiano que explica a mi soginia e aspereza de Manuel.as. TU e O Tronco do Ipê decorrem direta. testemunho das gerações que passam. admiràvelmente tocado por Alencar no mais profundo de seus liv ros. N"O Gaúcho. renovando incessantemente as oportunidades de autopunição.

que tece praticamente todos os empecilhos desse livro fecundo em acontecimentos. que finalmente a salva.o Reginald Front-de-Boeuf deste romance calcado no arcabouço do Ivanhoe. que os naturalistas pesquisarão mais tarde no condicionamento biológico. é o choque do bem e do mal. a partir duma vilania inicial. Diva é uma longa e monótona luta interior da moça entre o orgulho que estimula o sadismo. duma pessoa ou dum sentimento normal. quadros vivos obscenos. e mais tarde a prática do vício. o cretino epiléptico e cruel. exprime esse profundo desejo de ancorar o destino do homem na temporalidade.orgia espetacular. pessoa ou sentimento discordante.a causação dos atos e das peripécias. em Tfl. flores e meia luz. Em Lucíola. Sob a forma mais elementar. Relembre-se. como não haveria n"As Minas de Prata sem o Padre Gusmão de Molina. torcem a personalidade de Lúcia. Já vimos que n"O Guarani a perversidade de Loredano dinamiza o livro. Para o Romantismo. que os mortos persistem nos vivos. o entrecho decorre das perfídias do Capitão Fragoso . com uma situação. ultrapassando pelo realismo qualquer outra cena em nossa literatura séria. a luxúria do velho Couto. 229 . e o amor. e a frase de Comte. e tido por isso como born. Outro fator dinãomico na obra de Alencar é a desarmonia. A forma refinada desse sentimento da discordância é certa preocupação com o desvio do equilíbrio fisiológico ou psíquico. sem ele não haveria drama. o contraste duma situação. Relembre-se a depravação com que Lúcia se estimula e castiga ao mesmo tempo e cujo momento culminante é a orgia promovida por S á . com tapetes de pelúcia escarlate. tanto os indivíduos quanto os povos são feitos da substância do que aconteceu antes. Til é uma exibição de malvados. N"O Sertanejo. desmanchando a elegância burguesa dos almoços da família Galvão com a sua ruidosa porcaria. rojando em crises a cada momento. formando roda em torno da bondade e da inocência.

Arnaldo. profundo recurso de análise. do anormal ou do recalque. como obstáculo à perfeição e elemento permanente na conduta humana. sendo um truque habilidoso de romancista de salão é. sob redoma de vidro. Peri. Antônio de Mariz. embora sintamos a relativa argúcia do autor. Graças à situação anormal e constrangedora que determina. os rotativos e os simultâneos. em Bernardo ela se atenua.. dando músculo e relevo a um entrecho que. talvez não foss e além de Diva ou Sonhos d"Ouro.uns convencionais.para dar um último exemplo . sem ele. Cansado de amar normalmente.#O fetichismo sexual de Horácio. (O Sertanejo). psicologicamente. inclusive a nossa.sentimos em Alencar a percepção complexa do mal. que conto não teria aquilo rendido nas mãos de Machado de Assis. Loredano. poderíamos dividi-los em três categorias: os inteiriços. Em Teixe ira e Souza e Macedo aparece como luta convencional dos contrários. imaginamos. agora grande dama milionária. sob a influência de um otimismo natural e sadio. outros virtuais. é talvez a manifestação mais flagrante desse aspecto de Alencar. sob vários aspectos. a sua galeria de tipos é vária e ampla. Afrontando o possível ridículo. Inteiriços são D. Assim. É uma manifestação da dialética do bem e do mal que percorre a ficção romântica. No menos característico Manuel Antônio de Almeida vimos que não existe. Por isso. tem o sapatinho numa almofada vermelha. E ao acabar a leitura. .a compra do ex-noivo pela menina pobre e humilhada.. Em sua casa (como exemplo citado em livros de sexologia). uns aparentes. a ponto de desprendê-lo de todo do resto do corpo e mudar de amor quando supõe que errara quanto à dona. Horácio se apaixona por um pé. outros mais raros. pesarosos. . para atingir em Alencar a um refinamento que pressagia Machado de Assis e Raul Pompéia. Ric . reponta sob a grandeza de alma e o refinamento de Aurélia um extranho recalque sádico-masoquista. Em Senhora . n"A Pata da Gazela.

a Guida de Sonhos d"Ouro. ou seja. Isto não quer dizer apenas que Alencar foi melhor romancista ao criá-los. cedendo lugar à humaníssima complexidade 23O corn que agem: Lúcia e Paulo Silva (Lucíola). e se por um lado tenta . dotado não apenas da capacidade básica da narrativa como do senso apurado do estilo. fazendo dele o nosso pequeno Balzac. Exemplos típicos: João Fera.sempre os mesmos. Alencar narra muito bem. com o a filiação de Berta em Til. os que passam do bem para o mal. pois a simplificação dos demais corresponde a outro ripo de ficção. o seu torn não aberra das normas contemporâneas: abusa por vezes da descrição. e muitos outros. Ribeiro Barroso. assume o torn sentencioso. o passado monacal de Loredano. no bem e no mal inteiramente fixados duma vez por todas pelo autor. e freqüentemente com ironia.ardo (Sonhos d"Ouro). Em seguida vêm os rotativos. são os que predominam em sua obra. Os simultâneos são aqueles em que o bem e o mal perdem. um pouco. a sua obra tem a amplitude que tem. que passa de born a vilão com a desgraça de Besita. a conotação simples com que aparecem nos demais. praticamente. Amélia e Fernando Seixas (Senhora). é o grande artista da ficção. o jogo arbitrário dos cordéis. mas apenas de passagem. de doidivanas a jesuíta sinistro. como no Gaúcho. mas que foi capaz de fazer literatura de boa qualidade tanto dentro do esquematismo psicológico. ou do mal p ara o bem. o falso suicídio de Jorge n"A Viuvinha. de Til. e neste setor os seus defeitos são os do tempo. Por estender-se da poesia ao realismo quotidiano e da visão heróica à observação da sociedade. depois meiga de novo. Diva. Gusmão de Molina. depois. . No romantismo. Menos independente do que Manuel Antônio de Alme ida. daí a santo ermitão. quanto do se nso da realidade humana. de vilão a born. e da leitura dos folhetins guardou um amor constante pela peripécia espetacular. Gosta de espraiar-se em considerações gerais. (Til). graças à bondade evangélica de Berta. Gosta de revelações surpreendentes. de feia e meiga a bonita e má.

Quando. que respiramos aliviados quando Paulo Silva ofende e tortura Lúcia. são amados com uma veemência que anula as penumbras da afetividade. idealiza. que para os severos moralistas da época aplaca todos os escrúpulos. porém. observa. "Sempre tive horror às reticências (diz o narrador de Lucíola).preservar a pureza e a sanidade das relações dos seus heróis. 231 #w. seu companheiro de infância. e que em minha opinião tem o mesmo efeito da máscara. nesta ocasião antes queria desistir do meu propósito. . como se o romancista quisesse pagar tributo à instituição da famflia pela hipertrofia das sua relações básicas. Por isso. falando de certos aspectos da pros tituição tem a frase seguinte: "é a brutalidade da jumenta ciosa que se precipita pelo campo. irmãos. fidelidade realista quando é preciso. todos esses sentimentos cortados em flor. por outro. desrespeitando-a com egoísmo masculino. que não tivera tempo de expandir-se. "Nesta irmã tinha ele resumido todas as afeições da família. prematuramente arrebatada à sua ternura. Há nos seus livros o impudor muito romântico de ostentar e acentuar sentimentos óbvios: mães. o de aguçar a curiosidade". A forç a de Alencar fica provada pelo fato de ainda estimarmos os seus livros apesar do açucaramento. o amor filial. do que desdob rar aos seus olhos esse véu de pontinhos. ou quando o amor de Fernando Seixas é abafado pela vaidade e o interesse. mordendo os cavalos para despertar-lhes o tardo apetite". pais. Também a paixão é descrita pelo mesmo processo. E na descrição dos amores de Lúcia e Paulo. que era a imagem de sua mãe" (A Pata da Gazela). a ami zade de um irmão. pende para o extremo oposto. ele os transportara para aquele ente querido. vai tão longe quanto é possível. que acabou por dar engulhos ao cabo de duas gerações. manto espesso. de tal forma.

do mato ao salão elegante. o mesmo leque de penas que eu apanhara. daí. algum desfibramento do estilo. Lucíola. afiando com o lento movimento de seu leque. Na língua d"O Guarani ainda há um pouco da deslumbrada facúndia de quem descobre uma fórmula de prosa. na maioria excelentes quanto à distribuição e u dosagem. O seu exaltado senso visual. da desenfreada peripécia ao refinamento da análise. e menos densidade lírica do que em Iracema. quase sempre diretamente descritivo. poderemos sentir o seu excelente e variado estilo. com poucas raízes na realidade de cada dia. tem menos mordente do que terá em Lucíola. as conversas. que ondeava sobre formas divinas". Iracema. (Lucíola) A poesia e a verdade da sua linguagem permitiram-lhe adaptar-se a uma longa escala de assuntos e ambientes. em mais dum passo. como nos aparece principalmente n"O Guarani. composta na maioria de comerciantes enri quecidos ou provincianos em pleno ajustamento. nadavam como cisnes naquele mar de leite. o colo e as espáduas nuas. sendo uma espécie de convenção literária. O que ainda vejo neste momento. aparece melhor o trabalho de visualização artística. Mas superados estes obstácu los à nossa acomodação. As cenas mundanas. porém. cons trói por vezes certas visões sintéticas de um luminoso impressionismo: "Não me posso agora recordar as minúcias do traje de Lúcia naquela noite. da Colônia aos seus dias.Os seus diálogos. embora belo. parecem não raro calcadas nas crônicas sociais do tempo. Em nenhum outro. O rosto suave e harmonioso. Talvez correspondam ao esforço de dar estilo e torn a uma sociedade de hábitos pouco refinados. compondo uma atmosfera de cores. Senhora e O Sertanejo. se fecho os olhos. formas e brilhos para celebrar a poesia da vida americana. e que de longe parecia uma grande borboleta rubra pairando no cálice das magnolias. são as nuvens brancas e nítidas que se frocavam gracios amente. A verdade e a eloqüência de muitos dos . denotam igual tendência para idealizar. que.

que aborda como elemento de revelação da vida interior: os vestidos de Lúcia. cujo conteúdo. ou na mistura do romanesco e da realidade. Mas é na atenção com a moda feminina que podemos avaliar todo o senso dos detalhes exteriores. Enquanto Fernando conserta a trepadeira. que envolve e assinala o processo psíquico dos esposos inimigos. que revelam por meio da roupa. rega as hortênsias. desde o discreto. Alencar tem um golpe de vista infalível para o detalhe expressivo. ao aferi-lo periodicamente na sombra úmida do jardim. toda a acanhada modéstia de Dona Joaquina se contém numa inesquecível mantegueira azul. e à poesia doméstica do forno e quitutes de sua mãe adotiva. Balzac foi porventura o inventor da moda no romance. Em Senhora. Denota-a principa lmente na intuição da vestimenta feminina. que de certos toques estilísticos de força divinatória. A personalidade terna e reta de Guida transparece nas cassas brancas. dos detalhes de ambiente. de sarja gris. eom que aparece na festa da Glória. o primeiro a perceber a sua íntima associação com o próprio ritmo da vida social e a caracterização psicológica. nunca renovado. são tratados com expressivo discernimento. Aurélia apanha uma flor ou contempla os peixinhos vermelhos no tanque. A nobre e resignada pureza de Berta está sutílmente presa ao honrado asseio da casinha em que vive. Em Sonhos d"Ouro. até às frutas de um prato ou os gestos comerciais dum corretor. um peignoir de veludo verde marca o âmbito máx . no roupão de montaria com que galopa pela Tijuca. da voz.seus personagens provêm menos da capacidade de introspecção. e esse passeio diário vai dando expressão e densidade ao d rama também diário de que é episódio. que iluminam a personalidade ou os lances da vida. Em Senhora há uma passeio quotidiano pela chácara. vai se esvaindo até o lambisco das bordas. desde o charuto aceso e a mão que apanha a cauda. Alencar não denota a influência marcada do mestre francês apenas na criação de mulheres cujo porte espiritual domina os homens. até a chama de sedas vermelhas com que se envolve num moment o de desesperada resolução.

ou melhor. assumido n"O Guarani. born violão. de viagem para Oeste. pescar. Apeou. que experimentou e enriqueceu. mais consciente e bem armada do que suporíamos à primeira vista. A sua arte literária é. Por isso. a partir do compromisso com a fama. Parecendo um escritor de conjuntos. os romances deste juiz. varar campos. de largos traços atirados com certa desordem. não poderia te r batido em melhor porta. portanto.imo da tensão entre os dois esposos. 233 #4. Tanto assim. é contrabalançada por boa reflexão crítica. Bernardo Joaquim da Silva Guimarães. nos vinte e um publicados.7 Se em vez de ordem e asseio. O futuro presidente de Goiás bebeu. foi pedir pouso noutro lugar. entrou e pediu água: o dono da casa trouxe-a num bule cheio de orifícios mais ou menos tapados com pedaços de cera: o amigo desculpasse. pelo contrário. ou born companheiro para caçar. longe de confirmar-se soberana. do que retomar alguns temas básicos. inferindo da amostra a organização doméstica do magistrado. mas não tinha copo nem moringa. antigo condiscípulo na Faculdade de São Paulo. que na verdade não escreveu mais do que dois ou três ro mances. que a desenvoltura aparente recobre um trabalho esclarecido dos detalhes. . Couto de Magalhães pretendeu hospedar-se na casa do juiz municipal. cadenciada pelo fumo de rolo que vai caindo no côncavo da mão ou pela marcha das bestas de viagem. parecem boa prosa do Interior. quisesse porém born fumo. poderíamos dizer. boa pinga. e a sua inspiração. com admirável consciência estética. nada mais fez. agradeceu e. morros e (como se depreende dum processo arquivado em tempo) outros divertimentos mais picantes. nadar. a leitura mais discriminada de sua obra revela. sem outro ritmo além do .. UM CONTADOR DE CASOS: BERNARDO GUIMARÃES Passando em Catalão.

onde se passam O Ermitão do Muquém.à medida que o devaneio e o satanismo bu rlesco da mocidade cediam lugar a um naturalismo cada vez mais saudável e equilibrado. sendo juiz de Catalão. foi cedendo passo ao ficcionista . (7) 234 Apesar de ter situado uma narrativa em São Paulo e outra na Província do Rio de Janeiro (Rosaura e A Escrava Isaura). Uma olhada cronológica em sua obra mostra como o poeta. apesar de ter escrito uma história fantástica do Amazonas (O Pão de Ouro). os homens eram. nele. O autor convulso e dramático da "Orgia dos Duendes" ia desaparecendo sob o romancista de olhos abertos para o pitoresco da natureza. que constituem o bloco central e mais característico da sua ficção. Aliás. no fundo. O Garimpeiro. mas bastante matuto para exprimir fielmente a inspiração do gênio dos lugares. Conversa de bacharel bastante letrado para florear as descrições e suspender a curiosidade do ouvinte. os homens. gente rude e primitiva que deixou péssima impressão em Saint-Hilaire. certa feita. opera por assim dizer a fusão de Álvares de Azevedo com Manuel Antônio de Almeida. o fruto de uma pitoresca experiência humana e artística. O Ermitão do Muquém é contado em quatro pousos por um companheiro de jornada. de 187O em diante escreve quase todos os romances e nem mais um verso aproveitável. as mulheres eram ali mais belas. Na segunda geração romântica. Aliás. todavia. e quase todos os outros livros não deixam de apresentar essa tonalidade de conversa de rancho. para Bernardo. O Seminarista. Zona de fazendas esparsas.que lhes imprime a disposição de narrar sadiamente. com simplicidade. Bernardo Guimarães págs. Basílio de Magalh&es. a sua boa produção poética vai até o decênio de I86O. mandou abrir a cadeia e soltar os coitados . melhores e mais valentes. o seu mundo predileto é o oeste de Minas e o sul de Goiás. 35-37. A filha do fazendeiro. Maurício e O Bandido do Rio das Mortes (inacabado) passam-se no século XVIII e m São João dTLl-Rei. todos honestos. para ele. e por isso mesmo. limite oriental da zona de campos que ele tanto amou. O índio Afonso.

. Leonel (O Garimpeiro). Com pletando a quadra. Roberto. o Major Damásio (Rosaura). "não era mau por natureza. outra parte é ocupada por tipos igualmente elementares . cheio de belas qualidades e sentimentos generosos.. Gonçalo (O Ermitão do Muquém). vítimas da paixão contrariada. tiranizam as filhas: O Major (O Garimpeiro). Bueno de Morais. é um excelente coração que paga o mal feito com o suicídio. Eugênio (O Seminarista). porém vivendo quase no estado natural no meio das florestas (.. (Maurício). cuja obstinação causa a morte de Paulina. o rival. o senhor e carrasco da escrava Isaura... "não é um facínora. O índio Afonso. Joaquim Ribeiro (A Filha do F azendeiro). acaba santamente como eremita. no romance do mesmo nome. tinha no fundo excel entes qualidades e generosos instintos de coração". é porque idolatra va sua irmã e estava aceso em cólera. O vilão de Rosaura. e somente a justiça social tem o privilégio de ser fria e impassível na aplicação da pena".dos presos depois dum simulacro de julgamento . de que esca- . denota ao cabo de tudo "alma ainda susceptível de pundonor". Luciano (O Seminarista). morrendo com grande senso de oportunidade. que mata e mutila o amigo por ciúme banal. que mutila o ofensor da irmã corn bárbara pachorra. Depois deles. bruto ou patife: Fernando (Maurício). o casal Antunes (O Seminarista). o CapitãoMor. o próprio Maurício. Vêm a seguir os pais afetuosos. O brutalhão de alma boa constitui aliás parte do senso psicológico de Bernardo. O único perverso integral e sem retomo é Leôncio. mas sim um homem de bem. de fato.a começar pelo moço born e puro. levados por um capricho.) Se se excedeu um pouco na crueldade da vingança. que. vêm finalmente as heroínas.. O primo brutamo nte d"A Filha do Fazendeiro. geralmente perseguido pelo destino: Conrado (Rosaura) Elias (O Garimpeiro) Eduard o (A Filha do Fazendeiro). mas pirracentos. os já citados Roberto e Bueno de Morais.

portanto. Ancorando-o na terra e na verossimilhança.235 #Sam apenas as duas "moreninhas". compôs o seu único romance urbano (Rosaura)." Nos seus livros há inicialmente uma s ituação de equilíbrio e bonança. que o cobre. no fim da carreira. A dinãomica espiritual dos seus personagens pode ser ilustrada pelo que escreve da zona predileta em certo passo d"A Filha do Fazendeiro: "A índole do homem ali é plácida e calma na aparência. o tumulto sentimental que parecia no Romantismo indispensável à nobreza e expressividade da literatura. mas no fundo é ardente de sentimento e de paixão. como o céu. redutível a poucas situações e tipos fundamentais. Isaura e Rosaura: Margarida 3 Seminarista). quer sociais. Paulina (A Filha do Fazendeiro). Adelaide (Rosaura). condicionadas principalmente pela observação da vida sertaneja. Isto nos leva a pensar que o eixo da sua obra são algumas constatações decisivas. Lúcia (O Garimpeiro). O sopro das paixões lhe ruge n"alma violento e tormentoso como os pavorosos temporais que atroam aquelas solidões. pai e vilão. Habituou-se a descrever todos aqueles tipos segundo modelos que lhe fornecia o sertão mineiro e goiano e transpôs para S ão Paulo quando. Um universo psicológico essencialmente romântico como concepção. Em torno de tipos elementares. convencionados a partir das representações mais correntes de herói. a partir daí. quer psíquicas. mostrando que a e uforia inicial é como a placidez aparente do sertão e do sertanejo. heroína. procura surpreender no personagem o nascimento da paixão. cujo percurso e estouro descreverá. acentuados traços daquele realismo inseparável da ficção românt . definida principalmente pela descrição eufórica da paisagem em que se vai desenrolar a ação. Leonor (Maurício).

o caminho. É que Bernardo capricha em situaias narrativas. natureza em que se ajusta a casa. Quem leu O Seminarista não pode esquecer a várzea com o riacho. não poderá sobretudo esquecer a utilização por assim dizer psicológica que o romancista deles faz como cenário qualitativo dos amores de Eugênio e Margarida transformando-os numa paisagem subjetiva. presença indefinível de uma atmosfera campestre que nos faz respirar bem. a ponte. Dos livros de Bernardo pouca coisa permanece incorporada à nossa sensibilidade além da vaga lembrança dos enredos. Antes de encetá-las.relevo da paisagem. que encontramos em seus versos. sobretudo a nossa. com o agudo senso topográf ico e social característico da nossa ficção romântica. a roça. contornos de morros e vales. u . localiza-as. todavia. "Em frente à casa há sempre um vasto curral ou terreiro. ao lado da figueira. Por detrás se estende um vasto pomar. certos verdes e azuis. descreve as fórmulas de tratamento. as duas paineiras. é constituído principalmente por uma impressão de ordem p lástica: . o paiol e outros acessórios da fazenda. os dois caminhos que levam à casa do Capitão Antune s e à da tia Umbelina. os costumes regionais .ica. é a natureza trabalhada pelo 236 homem que vem no primeiro plano. e brasileiramente. a hierarquia e formas de prestígio. o moinho.como a cavalhada (O Garim peiro). o mutirão e a quatragem (O Seminarista) o batuque (O Ermitão do Muquém). as relações de família. A paisagem trabalhada pelo homem é um dos seus diletos panos de fundo. Nos romances. mais tarde desenvolvidos pelo naturalismo. em torno do qual estão o engenho. A observação social completa a disposição para descrever e sentir a natureza. a porteira de varas. variável na consistência e densidade. no seu decorrer. Esse pouco.

o jaracatiá. colidindo com a idealização que predominava no Romantismo." (A Filha do Fazendeiro) Todavia. as bananeiras e coqueiros de diversas espécies crescem promiscuamente e cruzam suas ramagens em uma espessa ab óbada cheia de fresquidão. co rn a visão natural que imprimia tanta saúde à sua obra (em contraste com os traços quase patológicos da sua boêmia e misantropia). o jambeiro.nem sempre belas mas quase sempre dotadas de sensualidade exigente. como fariam mais tarde os naturalistas. n"O Seminarista.românticos a seu modo . inclusive na objetividade com que estuda as heroínas . os instintos sensuais achavam em sua natureza estímulos de indomável energia" . Margarida não era muito própria para manter por largo tempo a sua afeição na esfera de uma aspiração ideal. mas não individualme nte anormais (os amores de Eugênio e Margarida. o mamoeiro. o seu realismo aparece ainda mais no tratamento quase naturalístico da paixão amorosa que na atenção e minúcia dispensadas ao quadro da narrativa e a fidelidade com que a situa no espaço. porém. de murmúrios e perfumes. às taras. cuja paixão violenta. a carne é componente normal e necessária. o limoeiro.m verdadeiro bosque sombrio e perfumoso. Feita para os prazeres do amor e para as expansões ternas do coração.diz da heroína d"O Seminarista. a personagens de pouca respeitabilidade moral. Mesmo estes . de um celeste devaneio. o genipapeiro. embora ele a encare de preferência ern situações social. "De temperamento ardente. em Rosaura).preferiam associar a carne às formas pecaminosas de amor. instilando no jovem padre "o filtro delicioso da volúpia". O born senso conduziu-o sem afetação nem alarde a esta vereda. os de Conrado e Adelaide. a jabuticabeira. 237 . Em Bernardo. de compleição sangüínea e vigorosa. onde a laranjeira. Paixão que em muitos dos seus romances liga estreitam ente às manifestações fisiológicas.

a hipertrofia romântica e esquemática dos sentimentos. e lhe excitava no cérebro abrasado terríveis e deploráveis alucinações. que ainda hoje podemos ler com atenção e proveito. é menos pura e espontânea: "O amor ideal alimentado pela leitura de romances e poesias. mas na naturalidade de Bernardo. vai porém ao máximo n"A Filha do Fazendeiro. ao passo que os instintos sensuais se desenvolviam com não menos energia naquela organização exuberante de viço e cheia d e ardente e vigorosa seiva.aparecem harmoniosamente entrosados no melhor dos seus livros. põe na boca do médico este diagnóstico de sur preendente ousadia: ". onde ao descrever a doença em que a exaltada Paulina se abrasa de amor insatisfeito.Não há de ser nada.. Adelaide. senhor Ribeiro. O histerismo também de quando em quando lhe enr ijava os músculos. conta a luta sem êxito do seminarista Eugênio para abafar um amor de infância. com todas as suas exaltações febris e romanescas aberrações. precipitava-se tempestuoso pelas artérias. (Ó manes de Elvira!. não no naturalismo. Baseado ao que parece em fato real. que se torna amante furtiva do moço Conrado." É a causalidade fisiológica de Aluísio e Júlio Ribeiro despontando. que sem escolha e sem critérios lhe eram fornec idos.#arrasta-o ao pecado. nascendo da ligação a pequena Rosaura." A colisão com os padrões românticos. agitado pelas violentas inquietações e padecimentos da alma. a presença tangível da carne . logo depois de ordenado possui a .) E falando das angústias de Margarida. a menina teve e ainda tem uma forte febre maligna complicada com alguma irregularidade nas funções uterinas". juvenil e ardente da moça. O Seminarista. O senso regionalista dos costumes e da paisagem. escaldava-lhe a imaginação já de si mesma viva e apaixonada. ameaçava rompê-las.. que envolviam a mulher na literatura. disse ele saindo. t em esta premonição dos naturalistas: "O sangue rico.

ob. porém envolta em uma sombra de melancolia. repete a mesma coisa. da necessidade de distinguir para separar e renunciar a um deles. 176. Graças à singeleza de contador de casos. afirmando que o amor não é incompatível com o sacerdócio. pág. a capacitar-se da inviabilidade dessa fusão afetiva. No jovem Eugênio. É quase comovente atentarmos para o desenrolar do romance e o esforço que vai fazendo para tratar convenientemente problemas tão delicados e acima das suas preocupações habituai s. que morre. enlouquecendo ele em conseqüência." "Amor e devoção se confundiam na alma ingênua e cândida do educando. A circunstância de haver conseguido urdir satisfatoriamente o conflito moral através da narrativa. em primeiro lugar. 238 nele. mostra que não era o espontâneo absoluto que se costuma ver nele. mas ideologicamente. que ainda não compreendia a incompatibilidade que os homens têm pretendido estabelecer entre o amor do criador e o amor de uma das suas mais belas e perfeitas criaturas . através dos diretores espirituais. situa-se não apenas cronológica. porém. escreve Dilermando Cruz.a mulher.8 Sob este ponto de vista. a coexistência. que o escritor localiza muito bem. Bernardo passa longe do romance de tese. Interess a-lhe todavia. embora defina claramente a sua posição. pelo contrário. É o ponto cruciante. o amor infantil se identifica à mesma afetividade difusa com que propendia ao misticismo: "sua alma subia ao céu nas asas do amor e da devoção. entre a obra de Herculano e O Crime do Padre Amaro." A disciplina do Seminário obriga-o.. A análise cria . Bernardo Guimarães. descreve como. 16O.namorada. Basülo de Magalhães. de acentuada tendência mística e disposiçro amorosa não menos viva. mas seria. clt. pàg. atrás da pachorra de caipira havia ca pacidade de discriminação e organização intelectual. o drama interior de Eugênio. (8) IHlermando Cruz. "O Seminarista é o Eurico brasileiro". para indicar a sua filiação no combate contra o celibato clerical. a princípio. dando-lhe interesse e consistência literária. reforço à sua pureza e eficiência.

nesta ruptura. embora nele a intuição supere o propósito consciente de organização literária. começa a luta para manter a integridade espiritual . não devendo porém. desde que lhe mostraram a inviabilidade do seu afeto.ora o amor cedendo à mística. em literatura. Só em alguns livros de Alencar encontraremos disposição para enfrentar problemas de tamanha gravidade. louvemos o velho Bernardo por tê-lo feito. a princípio puramente ideal. Nos seus romances mais característicos. a luz da razão. os diretores espirituais motivaram. Muito boa é a brusca erupção da carne no seminarista adolescente. a luta se prolonga até uma aparente unificação. de maneira alguma. Bernardo conduz a análise com bastante galhardia. situando-os em quadros naturais e sociais igualmente familiares. rompida finalmente pela paixão recalcada e levando. perturbando. que em Eugênio não se separava do amor de Margarida. a Enjeitada. o primeiro dos quais ficou sendo o mais popular dos seus livros. 339 #Outro grave problema que enfrentou foi o do regime servil. ele traça personagens parecidos ou iguais aos tipos que conhece. A sensualidade aparece como asserção imperiosa da integridade humana ameaçada de mutilação pela norma clerical. Mesmo do fundo do seu mau jeito artístico Bernardo consegue sugerir a fatal ocorrência deste problema na formação eclesiástica. ora superando-a.a noção da dualidade e. Quando isto se dá. encontrando solução literária conveniente. segund o ele. a invenção constitui um certo tipo de observaçã . a partir daí. e ao lutar contra a identificação do amor à devoção. o aparecimento muito mais perigoso da dualidade entre carne e epírito. Mas como na alma fraca de Eugênio não há energia para optar decididamente entre o amor de Margarida e o amor de Deus. a través da consciência de pecado. ao modo dos meninos. ser considerado a sua obra-prima. n"A Escrava Isaura e Rosaura. o desenvolvimento normal da vocação para o sacerdócio.

vítima dum senhor devasso e cruel. . é o caso da maioria dos nossos romances. banalidade e excesso dos adjetivos.reclamando esforço aturado de imaginação. Avultam deste modo os seus defeitos. Por isso. A Escrava Isaura foi composta fora do enquadramento habitual dos outros romances e é algo excêntrica em relação a eles: conta as desditas de uma escrava com aparência de branca. já que não soube transcender o torn esquemático. quando os abandona. Recife. O malogro é devido em parte à tese que desejou expor e faz da construção novelesca mero pretexto. a pureza monocórdica de Isaura. Neste livro Bernardo aparece como o caipira que perdeu autenticidade ao envergar roupas de cerimônia. . de nobre caráter. são a vilanice de Leôncio. da fantasia de tantos poemas seus. quando o seu próprio caráter de tese requeria maior peso de realidade. a cuja custa se desenvolve.O Pão de Ouro. termi nando tudo com a punição dos culpados e o triunfo dos justos. um dos amparos da sua técnica. atenuados noutros livros pelas virtudes duma desafogada e espontânea naturalidade: idealização descabida. educada. o cavalheirismo de Álvaro. que se poderiam definir como participando de um universo de invenção limitada sendo o limite constituído pelos dados iniciais da realidade de que o escritor tem conhecimento. no pior sentido. De sagradàvelmente românticos. vai diretamente às lendas. O resultado não foi born: o livro se encontra mais próximo das lendas que dos outros romances. A primeira falha que notamos é a do senso ecológico: embora também se abra por uma descrição de fazenda. A Garganta do Inferno.como tinha Alencar e não tinha Bernardo. A Dança dos Oss os. Pa ra prescindir daqueles quadros sem sair da realidade é preciso força imaginativa bem acentuada. . .o. caracterização mecânica dos personagens. desvanece daí por diante a presença do meio. . ênfase psicológica e verbal. Ora.manifestações na ficção. A narrativa se funda em pessoas e lugares alheios à experiência de Bernardo fazenda luxuosa de Campos.

Numa literatura tão aplicada quanto a nossa. Depois da cena do baile." A este propósito. atingind o pessoas iguais na aparência às do grupo livre. que "tinha ódio a todos os privilégios e distinções sociais" e "era liberal.Álvaro declara. Mas. em frases que sintetizam a posição ideológica do autor: "Parece que Deus de propósito tinha preparado aquela interess ante cena. lembremos que a cor de Isaura é não apenas tributo talvez inconsciente ao preconceito (que aceitaria como heroína uma escrava branca).de parábola. . pondo na boca de personagens (sobretudo na parte decorrida em Recife) tiradas e argumento s abolicionistas. não é qualidade desprezível. Tanto mais quanto o romancista timbrou em passar da descrição à doutrina. para mostrar de um modo palpitante quanto é vã e ridícula toda distinção que provém do nascimento e da riqueza para humilhar até ao pó da terra o orgulho e fatuidade dos grandes e exaltar e enobrecer os humildes de nascimento. republicano e quase socialista".9 . (que) professava em seus costumes a pureza e severidade de um qua ker". "original e excêntrico como um rico lord inglês. daí provém igualmente o alcance humano e s ocial que consagrou o livro.mancebo impecável. que pôs em relevo ante a imaginação popular situações intoleráveis 24O do cativeiro. mostrando a extrema odiosidade a que podia chegar a escravidão. destacando-o como panfleto corajoso e viril. seu apaixonado Álvaro. considerada a situação brasileira do tempo. Serve finalmente para facilitar a ação de Álvaro. . mostrando que uma escrava pode valer mais do que uma duquesa. como fez. mas ainda. compreenslvelmente apaixonado e decidido a desposá-la. em que Isaura é desmascarada como escrava fugida. arma polêmica.

canta e toca piano com pe rfeição. cabelos da mesma cor. é mais ou menos perceptível a marca de Gonçalves Dias. tomadas na ma . com efeito. cintura delgada. Em quase todos.. dando a impressão de que a nossa literatura já havia cavado certos sulcos bem assinalados.) Iraja-ee com multo gosto e elegância. A MORTE DA ÁGUIA. (9) Veja-se a descrição da moça no anúncio de negro foragido. TRANSIÇÃO DE VARELA. porém. que solicitavam as formas de concepção e de expressão. 241 #Capítulo VI A EXPANSÃO DO LIRISMO 1. POESIA E ORATÓRIA EM CASTBO ALVES. dentes alvos e bem dispostos. passado em São Paulo. refletindo experiências da mocidade e pondo em cena companheiros como Alvares de Azevedo e Aureliano Lessa. 3. 2. descartando qualquer traço africano e tratando-a como a mais privilegiada Heroína romântica: "COr clara e tez delicada como de qualquer branca: olhos pretos e grandes.Rosaura. não havendo disso melhor prova que as epígrafes dos poemas. 4. rosada e bem lelta. de que pelo menos três nomes se destacavam como fontes inspiradoras. Pode passar por uma senhora livre e de boa sociedade". compridos e ligeiramente ondeados. Alvares de Azevedo e Casimiro de Abreu. Como teve excelente educação. #l NOVAS DIREÇÕES DA POESIA Os poetas da terceira geração receberam o benefício de uma tradição literária apreciável. NOVAS DIREÇÕES NA POESIA. não pôde superar a só lida posição d"A Escrava Isaura. boca pequena.. e tem uma boa figura. Vindo mais tarde. que o relegou para a sombra. é bem mais interessante. nariz saliente e bem talhado. talhe esbelto e estatura regular (. e possuindo menos exacerbação dramática.

. às vezes no interior de cada verso da estrofe isorrítmica. como fecundar e superar. tão essencial à boa poesia.Varela e Castro Alves . que relega o nobre metro a melopéia automática e sem fibra. daí abdicar a dignidade do estilo em benefício de combinações vazias de significado. dissolvendo-a literalmente na melodia excessiva. feito para ser ouvido. No decênio de 6O. vazada de preferência no decassílabo sáfico mais cantante. Se nos dois grandes poetas do momento . tirando-lhe o caráter de descoberta pessoal e de obtenção. com o decorrente exibicionismo. a preferência pelo verso expositívo e conseqüente incapacidade para o verso implícito.ioria a poetas brasileiros. o interesse residia na melopéia crescente e envolvente do poema tomado em conjunto. como o idealismo extremado e o preconceito sentimental. pôde conservar os seus ritmos tradicionais (embora deslizan do aos poucos para os românticos). pois. com efeito. o recitative precisa criar uma música própria. amparada no acompanhamento de piano (a famosa Dalila). Defeitos da concepção. sentimos manifestar-se nos menores um automatismo desprovido de surpresa. que sufocariam a poesia romântica até provocar a reação inevitável. Ao contrário da modinha. sendo efetivamente musicada. defeitos de fatura. aquela facilitação que permite manifestarem-se os medianos e medíocres. a estereotipia do adjetivo. como o abuso da cadência musical. devida não apenas aos ritmos românticos como à rima interna. que. É um momento homogêneo da poesia romântica com certo ar de afinidade presente na obra de cada poeta e.a força da personalidade e a intuição artística podem não só assimilar. no verso. não lido. estes poetas herdam os defeitos. Daí a facilidade que amesquinha o v erso. o legado das gerações anteriores. com os recursos técnicos. 245 #ou de significado acessório. a já mencionada voga do recitativo chegará a tiranizar a poesia. com defeitos e tudo. com a excitação de ep iderme própria da poesia acomodada em receitas.

Monteiro Júnior) A virgem da noite no azul transparente Do lago tremente reflete o perfil: E o manto de estrelas sorrindo desata Em ondas de prata no éter sutil! (Emílio Zaluar) Encantos santos que gozaste e amaste O mundo outrora. Sobretudo porque. Mas no nível semipopular e mecânico da maioria destes versos. o de "minh"alma é triste". Se ousei na infância meu amor te dar: i! Nasci na plebe. piegas. Que o pobre é nobre na mansão celeste. com desdém mordaz. se te amei com ânsia. tu nasceste nobre.Ao fim da segunda ou terceira estrofe já não prestamos atenção ao conteúdo. lamuríosos. .rica. o poder de convicção é nulo. É como o órfão que em saudade apenas Tem o direito de encontrar conforto.pobre: não te posso amar! Pequei. numa verdadeira ressonãoncia psíquica. ressaltando o que há de afetado e artificial. por te amar. os temas são os mais desfibrados. que está na sua origem e é submetido às mais diferentes variações. Há nesse sentido verdadeiros ciclos a que se poderiam dar n omes: "do perdão erótico". (Genuíno Mancebo) Minh"alma é triste como a luz dos círios Bem junto à eça que sustenta um morto. 246 . perdido: A meu gemido teu desprezo deste: Não te envergonhes de alentar o pobre. onde atinge ao máximo a vocação letal do Romantismo. havendo alguns que se repetem quase obsessivamente de autor para autor.o poeta implorando que a donzela perdoe a ousadia do seu desejo. donzela. entregues ao torpor an estésico. Perdão donzela. P. ou a mancha que lhe trouxe o amor. para lembrar o poema-paradigma de Casimiro. (J. o do "quero morrer". Tu . eu .

" :" Roubou.. é expressiva e esclarecedora. é todo o ciclo paraguaio. Riachuelo. Marcam-no a virada nas eleições de 186O. " Tu fôste a fada dos salões da orgia. Poder-se-ia. o movimento da Independência e toda a ebulição democrática do período regencial deveriam ter sido estímulos mais poderosos para a imaginação literária .. com a sua atmosfera política carregada de acontecimentos geradores de explosões cívicas facilmente explicáveis.\ ". .. a guerra do Paraguai.. e até um mastodonte em cinco cantos e oitava rima.."-" :.< . (Cândido José Ferreira Leal) * .-. Entretanto. "a mentira de bronze". Euclides da Cunha estimula os sentimentos cívicos com a inauguração da estátua de Pedro I. pois. O patriotismo e a exaltação ve . a fundação do Partido Republicano em 187O.cuja importância em nossa vida política foi acentuada por Sílvio Romero. A passagem de Casimiro a Pedro Luís.".... brilhou.t . Bernardo Guim arães. percorre-o uma onda de poesia participante que vai eclodir no assomo admirável de Castro Alves: são os poemas sonoros de Pedro Luís e José Bonifácio. - Sorrias.. esta geração traz contribuições válidas. dizer que o fator determinante da nova orientação poética se encontra no próprio decênio de 6O. como o rompante da poesia política e humanitária.. porém. mais de uma vez.?-( .. . . V .rj -: -. Esse decênio de 6O ..:-. a cisão radical dos liberais em 1868. lançou no profundo imundo ". que lhe caracterizam a fisionomia. Enquanto o encanto realçou.. De ponta a ponta. No temário. depois. com Tobias Barreto. vias ao teu lado amado f A mão do rico te apertar tão fria. Nabuco e. . ampliando o ecúmeno literário num largo gesto de desafogo."--""-" Abismo infrene da paixão audaz. com o caso Christie. o início da agitação abolicionista e republicana..pois foram fases mais ardentes e decisivas para o país. no início do decênio de 6O. são os poemas mexicanos e antíescravagistas de Varela. o moço.-"!."". de Luís José Pereira da Silva.

quanto. os sentimentos cívicos e o amor da liberdade manifestaram-se melhor na oratória e no jornalismo. O neoclassicismo em decadência mostrava-se incapaz de dar forma aos sentimentos nacionalistas de muitos dos seus cultores: o seu reino era outro. as congratulações oficiais de Gonçalves Dias. nem são os acontecimentos políticos. Em 186O. É que a literatura não tem um fator que a determine. Mendes Leal e. ou do nosso passado lendário. se os acontecimentos de 6O em diante deram matéria e estímulo para a poesia. os oradores de alt . 1876. provavelmente. Victor Hugo. já vimos que a poesia se beneficiava de uma tradição mais rica.rbal não lhes faltaram. o hino de Evaristo. arias. voltados para o pitoresco e a remin iscência idealizada. A realidade presente era um alimento muito forte para os seus tateios. esta brot ou principalmente de um amadurecimento interno. porém. Até então. ou as modificações econômico-sociais que nutrem o gênio dos poetas. pois. que veio nos atingir com Palmeirim. mas na poesia..o da história universal. na corrente literária e nos escritores. além das costumeiras influências exteriores. Quant o ao romantismo nascente. mas faltou o (1) Os exemplos 8ão tomados aos diferentes volumes do Trovador. lundus. das novas características do discurso político. a sua hora já havia esteticamente soado. cerceado em 1852. O seu torn oratório (incorporado definitivamente e guardado através de transformações quase até os nossos dias) vem não apenas da imposição dos temas. as lutas liberais na Europa e o arranco democrático da França. que a encaminharam então para as intenções públicas. vinte e poucos anos de fermentação e pesquisa haviam afinado o instrumento e alertado os espíritos. 247 #estímulo interno. etc. recitatives. sobretudo. De 182O a 185O houve estímulos exteriores. Por outro lado. o fraco lirismo heróico de Natividade Saldanha. Coleção de Modinhas. com efeito. inspiravam uma poesia participante e grandfloqua. Assim. ficaram as odes medíocres de Alves Branco ou do moço Gonçalves de Magalhães. a sua orientação inicial visou outro tipo de vibração heróica .

celebrado por todos eles. o d""O Livro e a América". que assume a conotação de povo soberano . Pedro Luís. Modifica-se em muitos a expressão povo-rei. Estados Unidos. Conseqüentemente. comunicar diretamente ao povo um teor bem mais elevado d e forma e pensamento: Teófilo Ottoni. A República. poemas. tudo de envolta. Ao mesmo tempo.o nível falavam sobretudo no recinto fechado. ficando a agitação de rua entregue aos capangas da retórica. surgem na poesia certos conceitos novos. por Varela. manifestando-se em folhas de maior porte e dignidade. o ultraje do ministro inglês. de que a obra de Castro Alves permanece o documento mais alto e duradouro. são toques de reunir para demagogos. humani tária e patriótica. jornalistas. e não o povo romano. México. concebida como pátria da liberdade e do 248 futuro. discurseira. o jornalismo político começa a prescindir do pasquim e da difamação. os grandes oradores virão mais vezes à sacada. ocasiões de passeatas. poetas. certos temas desconhecidos. que designava inicialmente. Saldanha Marinho. pois. A América. numa vibração liberal. nem por isso de men or veemência: O Diário do Rio de Janeiro. na nova onda democrática de 6O. A Atualidade. Não provaram-lhe o denôdo """" As águias do povo-rei? - . povo como fonte de soberania. Na "Hermengarda" de Kubitschek. a partida de voluntários para o sul. e sobretudo o continente na sua totalidade. mais tarde Rui e Nabuco. Poesia e oratória se aproximam. e os poetas são também tribunos que se apoiam na coluna do jornal. à praça. por exemplo. a lei de 27 de setembro. cantados por Castro Alves. Acontecimentos como a inauguração da estátua do Rocio. ou pouco sentidos pela geração anterior. como Pedro Luís ou Castro Alves.

digna de Castro Alves: 249 #.: . i4. -""."." r1 4 " Inteira a criação.Em Pedro. Não calqueis o povorei! Que este mar de almas e peitos. Em Castro Alves. encharcado de Álvares de Azevedo."" "f Hão de afogar .-": . em 1872. honra-se um povo-rei! . Rozendo Moniz Barreto tem esta tirada de má poesia e sincero liberalismo: Repercuti uníssonos. que. Rozendo Moniz . no Brasil.ainda é esta a sua acepção . Só a arca do povo há de salvar-se " Por sobre a inundação. Jorrem raios de luz..epígono da cabeça aos pés. como em "Redenção" (187O): Porém não tardará que do Oriente despedacem Das tênebras o horror. representava não obstante progresso digno de nota: . Casimiro. com as vagas de seus direitos. Virá partir-vos a lei. e afinal Castro Alves .em punição tremenda -*r . ("O Século") Saudando o Imperador. ecos do Novo Mundo: .< " . } e esta imagem.se havia diri"ndo dois anos antes "Aos Operários". mesquinhos elos.". De novo as águas de um dilúvio imenso r ". São fracos. . Varela. já surjjjO o sentimento democrático: Libertai tribunas. numa festa do trabalho com o torn de fraternidade universal algo paternalista. que é rei-povo. que ".". í O homem acordará do sono ignóbil. Vôos IcáriosJ O simpático João Júlio dos Santos . ("Ave Imperator".poeta bem inferior a João Júlio.-". prelos.. Da liberdade o hino descantando Em êxtases de amor.abandona por vezes a sua placidez para cantar a democracia e a liberdade." As águas cobrirão os tronos todos.

de Luís Delfino. Desses vós sois. Vemos também a sua marca na "Ignobilis Dea"."! "--:- A moda principiara todavia uns dez anos antes.-". e a própria musa da ciência que abre .. sobre a imprensa.. de Rozendo. sois da última camada " " do povo. .!. tudo alcança o labor. surgis do nada. r.. Apesar de pouco fecundo. Resplendente de sol. invectiva a tirania nas suas Nebulosas (1872). no seio da geração que sucedia à de Álvares de Azevedo. na "Solemnia Verba". com o próprio Varela e Pedro Luís. a . Poetisa imortal . assinala que a sua glória consiste em haver quebrado "a monotonia daqueles cantos tristes com os clangores do seu clarim de guerreiro". e os peqtienosgrandes louvo.!!".. .. canta a revolução e : . a palidez na fronte.. de vibração patriótica e política. cujo renome foi devido ao torn mais ou menos novo que trouxe em meia dúzia de peças altissonantes.. mas. revolto. incansáveis proletários.. operários. nesse instante Frenética e viril ergueuse uma nação! Esta é a estrofe inicial da "Terribilis Dea". converto em hinos meus trenós. o tríplice brado altipotente Do peito popular. Inspirada e gentil Narcisa Amália. que até uma jovem ftrtttMaense. O prefaciador das Poesias.-. decalcada por Castro Alves na réplica por ele escrita. exemplo de honra e de amor. .Infenso aos grandes-pequenos . influiu profundamente: 25O Quando ela apareceu no escuro do horizonte. e logo absorvido pela política. de sangue fumegante. O arrebatamento é tão forte. da saudação benevolente e carinhosa de Varela. O raio iluminou a terra. i :*ü "" O cabelo Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão. que só desdenham do povo. referin do-se ao seu aparecimento." .. .. ("Vinte e cinco de marco") ...

Mais ou menos pelo mesmo tempo.. Do grito dos Camarões. . . em 15 páginas!) . . : Brio da altiva nação. A largueza das su as apóstrofes. quando estudante naquela cidade.. ("Á vista do Recife") 251 #Se a este exemplo juntarmos o já citado. .Tobias Barreto deixou alguns poemas heróicos de born corte oratório. as férreas jubas.-.i Da voz dos Nunes Machados. Vota-se à trevo. ferro e bravura. ao abordá-lo..". Como uma imensa explosão. chamando Castro Alves de seu "aproveitado discípulo".*.... a escolha deliberada de assuntos arrebatadores.^ ". e um de Varela. Some-se a glória de ferventes mártires -r Eriçam-se .. Que despertam as nações. ... de Pedro Luís. :..as Visões Modernas. . : . . "... a seguir. Quem ê que lhe põe a mão? Assopras nas grande tubas. da "Estátua eqüestre" (1861). fogo e loucura. .. contribuíram com certeza para difundir e fixar o novo torn. .. .. o busto dos Andradas. penetrados ... . É a cidade valente : : ". . candente. ilustre. . de Martins Júnior. com a predisposição de leitor precoce de Victor Hugo.. é calcada nesta revolta imagem feminina que parece ter impressionado toda uma geração. .. Poeta menor não obstante a desmedida vaidade e o incenso dos amigos (Sílvio R omero consagra-lhe 11O páginas na História da Literatura Brasileira.. y"Teus edifícios doirados . . . - De pedra. . Vão-se erguendo. : . .. Soberba. - De aurora e de formosura.( . .. Vivam as revoluções. ..: De glória.. .. . Tobias Barreto trovejava 11O Recife a grandiloqüência que se chamou condoreira e o moço Castro Alves absorvia.

com Castro Alves à frente. Não esqueçamos. Rozendo Moniz. como os de inspiração política e social. no último período. Luís Delfino. como As duras patas do coreel de bronze O chão do pedestal! poderemos sentir a nova inflexão da poesia romântica. ao menos sotopostos a sentimentos precisos. Sob este aspecto. aptos à expressão musical . lama do ervaçal! Mas fria a estátua pisa a turba. claramente afirmados. etc. quando não substituídos. sem prejuízo de um ou outro apelo a Calíope. Melo Morais Filho. Otaviano Hudson. A fase final do Romantismo se desenrola. Rozendo Moniz. Ao segundo.Na. funcionando como recurso de preservação da palavra. embora apenas Castro Alves a tenha elevado à categoria de grande za: Varela. Machado de Assis. as inflexões post-casimirianas que percorrem esta fase e se manifestam com verdadeira beleza na obra de Varela. a oratória se intensifica. noutro grupo.característicos de Casimiro ou Teixeira de Melo . com preferência marcada pela energia da dicção e a seiva ardente do sentimento. os que trouxeram à lírica entonações mais fortes. . João Júlio. Varela chefiaria o primeiro. Melo Morais Filho. Luís Guimarães Júnior. os sentimentos fugidios. rebeldia e quebranto lírico. num tumultuoso decênio de sonoridades e melopéias.são. Ê na poesia abolicionista que estas tendências vão encontrar expressão principal. Narcisa Amália. pertenceriam Tobias. em meio ao ribombo da poesia social e heróica. em que se podem enumerar João Júlio dos Santos. poderíamos juntar num grupo os poetas sentimentais. E ver que. Tobias. pois. no momento em que a sua dissolução pela música atingia o ápice. num cruzamento do verso com a ênfase do discurso. Quase todos os poetas da geração pagam-lhe tributo. Narcisa Amália. que p rolongam o "belo doce e meigo". fundindo humanitarismo.

em 1869. Veio traidora a morte. Lendo-a.") ". ao publicar Corimbos. fluente.como num poema de João Júlio: Da primavera na estação ridente. Narcisa Amália de Campos vale ser mencionada como exemplo típico da pessoa de aptidões medianas que pode. Faze que eu possa. Sem dó prostrá-lo sobre a campa fria. Amor.. .. dourados.. crenças no futuro. sentimos que o Romantismo havia atingido aquele sistema de clichês. a riqueza das rimas. Banha minh"alma nesse ardente olhar! Deita em teu seio a minha fronte eálida: que inda possa amar! Por que tremeste? A viração perdida l Dorme na r eiva doe ver géis em flor: Tudo é silêncio e tudo fala à vida: Calate e escuta: vai passar o amor.se uma idéia Noa despontasse em nós. graças ao automatismo dos processos literários. Sobre a pedra de um túmulo esfolhados. desfolhadas . -. Por onde crente e alegre caminhava Não sabia . a partir do qual tornam-se cada vez mais possíveis os versejadores e cada vez mais raros os poetas. seu perfume aos céus se alteia. pálida. Morto o corpo. são reclamadas e necessárias ao verso lírico. . suas convicções.Luís Guimarães Júnior.Seria dor sem nome .infeliz! . ("O. toda esperança: Morta a flor. nossa alma em Deus descansa. mostrava-se epígono de Casimiro de Abreu. ("Arroubo") Poesia insignificante que não fazia prever o poeta mais vigoroso e artista dos Sonetos e Rimas. "-" Astros sumidos sob um céu escuro. a vida sorri. a campa é fria. No trilho em flores a seu pés aberto. tão eufônicas. as crenças. os sonhos. acadêmico. É quando a primavera é ridente. . versejar desembaraçadamente e arrancar de uma crítica não menos automatizada e gratuita. Quando tudo na vida lhe sorria. compostos sob a inspiração de outros cânones. .que ali bem perto Negro o abismo de um túmulo o esperava! Ah! ver de um golpe sonhos mil dourados. o juízo 252 253 #seguinte: "Seu estilo vigoroso. porém. sem o seu nervoso e encoberto ardor: Olha-me ainda! Delirante. . mais brando e plangente. de repente. anelos. a morte é traidora.

de visível impregnação alvaresiana: A lua é meio loura. confirmam a sua surpreenden te e rápida aparição.falando à alma e à imaginação. no vale.a e da 3. as Americanas (1875) são o último produto apreciável do indianismo pela fatura cuidadosa e a limpeza de composição. nem inquietação estilística de qualquer espécie. no "Papel Queimado". lânguida. nas poesias da fase romântica. A noite é uma viúva de quinze anos. estremecida. Machado de Assis teria por característica a banalidade. e apenas vez por outra consegue versos de certa ressonãoncia profunda: Há muita sombra. Acomodou-se bem dentro dos torneios e ritmos usuais. humorísticos. sem nenhum refinamento formal. roçando por vezes na vulgaridade e mesmo grosseria. n""O Beijo ". não bas ta para esconder a falta de originalidade. E. No agreste vale em que "medito a sós. se não for certa mistura dos dois tons gonçalvinos: a harmonia livre do lirismo . precedida do respeitoso coro da crítica sincera e grave".Mais robusta é a obra lírica de Tobias. alegre. Desperta. denotando o sabor agreste dos poetas nordestinos e nortistas da 2. como em nenhuma outra parte da sua obra. uma saúde mental inexistente no mórbido sentimentalismo da época. As suas poesias amorosas são veementes e bem lançadas. justificam a sua já precoce celebridade. São bem penteadas e não fazem feio. que aparece com mais firmeza nas Falenas (187O). que podemos vislumbrar. e o céu sereno. meu amor. como n""O BeijaFlor". ("Carmen") Ou nestes. mas nada acrescentam. Há nas Crisálidas (1864) uma linha casimiriana menos piegas e também menos emocional.a fase romântica: cheiro de relva molhada. ("Lenda civil") Se fosse mau escritor. sob pretexto de faceiríce. também. presença tan gível de flores bravas e gente do campo. pelo menos nele. mas a correção.

pois. traduções onde o caráter direto e concreto da poesia oriental. é. tendo sido no Romantismo o último arcanjo revel. Não é. poesias de Narcisa Amálla. poetar. Cópia servil dos homens. pág. mais altas. . nos encanta hoje a "Lira Chinesa".a concepção da literatura como broto de uma vida necessariamente desbragada e misteriosa. 255 #2. cobrem corn verdejantes tetos. Mais tarde. semelhante a um epigrama irônico e sentimental de Ronald de Carvalho: Taça d"água parece o lago ameno.. Têm os bambus a forma de cabanas. . que apenas uma tensão espiritual acentuada permitiria a esse ébriò contumaz elaborar o longuíssimo poema d"O Evangelho nas Selvas. A impressão deixada por ele.. . ó natureza. nas Ocidentais (19OO). adequada à serenida de dos temas.. TRANSIÇÃO DE FAGUNDES VARELA Quando Fagundes Varela surgiu na vida literária de São Paulo. lembremo-nos sempre. Que as árvores em flor.como este moderníssimo "O poeta a rir". "Prefácio" a Nebulosas.nacional e o exercício vernáculo das peças medievistas. Dos pagodes o grave aspecto ostentam. a sua representação sintética da natureza e dos sentimentos. Faz-me rir ver-te assim. um caso fácil de psicologia . vaguear e desvairar-se. Coube-lhe a s ina de reviver essa furiosa boêmia. permitiram ao poeta uma forma contida e expressiva. (2) Pessanha Póvoa. de que nada fez senão beber. todavia. As pontiagudas rochas entre flores. a experiência parnasiana e sobretudo o amadurecimento da sua prosa ajudaram-no a encontrar uma poesia filosófica pessoal. sua vida tem algo do "desregramento prolongado e minucioso" a que já se tem condicionado o milagre da poesia. já estava amortecida a tradição byroniana do decênio precedente. por volta de 186O. 254 Dessa primeira fase. . com efeito.

é o momento do primeiro ímpeto criador. . mas bem delimitada por certos rasgos denotadores de vocação poética. doutro lado. Mas Varela não é poeta fácil nem contraditório. Os ciosos de unidade e originalidade costumam por is so menosprezá-lo. terá contribuído para amparar-lhe a inspiração. religioso. Sua obra tem pelo menos quatro ou cinco aspectos . perdendo-se entre as correntes. o mais propício num espírito ameaçado pelo álcool. amoroso. passando pelas Vozes da América (1864). Casimiro. bucólico . A atmosfera romântica. Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo aparecem bem aproveitados por esse discípulo de gênio. absorveu várias tendências anteriores. sem manifestar uma equação pessoal. Os dez poemas das Noturnas constituem.patriótico.literária. A primeir a. que soube extrair de les as 258 Varela (Cortesia da Biblioteca Nacional). Não é tampouco fácil o seu caso em face da história literária.versados em duas fases nas quais deixou a marca de uma personalidade versátil. Vivendo na última fase do Romantismo. e melhor. certamente. documento precioso para estudar influências literárias no Brasil. em geral o melhor nos temperamentos facilmente esgotáveis do Romantismo e. vai das Noturnas (1861) aos Cantos e Fantasias (1865). deixando entrever de outro lado o que se faria em seguida. além do valor artístico. apesar de refletir mais de uma tendência. enquanto os amantes da inspiração fácil e generosa querem-no ao lado dos maiores. nada mais tenha feito que continuá-las. ainda bastante densa. e é injusto inferir que. estimulando-a por caminhos mais ou menos estabelec idos.

Castro Alves . que em suas mãos atingiram o máximo da musiculidade: Nas horas tardias que a noite desmaia.Pelo Papa! Ê preciso tentar. em todo o caso." " /Ir . E sobretudo: Por fim de contas. à eternidade Foi ver se divertia-se um momento. E a lua cercada de pálida chama Nos mares derrama seu pranto de luz. Eu vi entre as flores de névoas imensas.#i^* s f ~*~^4 *v~ ^-^ ^f. ". " .(Cortesia da Biblioteca Nacional)."Fragmentos . com admirável tato poético. recordou-se Que ainda era solteiro! . "Névoas". de ter ceado entre dois padres. -A este pasticho se acrescentam peças menos diretamente condicionadas. " Que em grutas extensas se elevam no ar. "Vida de Flor". melhores lições. Após haver jantado. " . Pegou numa pistola e. serena dormindo. Tranqüila sorrindo num brando sonhar. verso gonçalviano e tema azevediano. mais vário "" Que um profundo político: uma tarde. entre as fumaças Do saboroso havana. mas. Era mais caprichoso. como pelo próprio torn e natureza das imagens:3 . Depois. Em casa da morena Cidalisa. Um corpo de fada. disse consigo. provém da segunda parte da Ura dos Vinte Anos não apenas pelo spleen byroniano do herói. exercícios me lódicos de um casimiriano embriagado ao som dos versos. para dar um exemplo. mais bizarro. i Do que um filho de Âlbion. " . uma noite bela. "Arquétipo". "Tristeza" eco dos Pnmeiros Cantos. Que rolam na praia mil vagas azuis. com a marca visível dos modelos.

datado de S. No livro seguinte. sacrificando a coerência em favor da anestesia pelo som: À luz d"aurora. no qual se situa Varela. de Gonçalves Dias. Dois anos depois. embora a presença muito sensível dos modelos não facilitasse plena afirmação pessoal.* Assim . por sinal muito má. mais dez estrofes onde o endecassílabo martelado em estrofes isorrítmicas. no esforço de açucarar ainda mais o já de si melodioso decassílabo sáfico. mas o alargamento de fronteiras poéticas pela importância conferida à poesia política. mas embora já provido de recursos próprios. por ele usado sem medida. fará mais política rimada. ao seu livro inaugural. Ao fazê-lo. como o alexandrino e o aumento da tensão hiperbólica. o primeiro dentre os poetas de alto nível a cultivar com abundância a rima interna. estouro patriótico a propósito do caso Christie. Elas IBSl^que"T^vident^ntU" ZSh T "^ Intitulado Arquétipo. as Noturnas marcavam não só o aparecimento de um born artífice. foi como se adotasse os processos da subliteratura de recitative. os mesmos que Castro Alves trilhará logo a seguir. homens como ele não apenas acusam certa esteriotípia. ("Juvenilia". Floresce a dália de sentida cor. corn efeito.Como estas. que parece ter sido um dos estímulos principais da sua inspiração. mas tentam alguns recursos novos. de rimas internas. lança a poesia por nov os caminhos de lirismo épico e narrativo. e mais a vaporosidade das imagens. Vozes da América. 257 #revelam que se havia chegado a um ponto extremo da experiência romântica. X) Dos Primeiros Cantos. Paulo. poema final da coletânea. Conta-lhe o vento divinais desejos E geme aos beijos da mimosa flor. parecem dissolver na música a emoção poética. continua a assimilação de outros poetas. n 5" A Estátua Eqüestre". preparando o arranco soberano e final de Castro Alves. Por isto. da "J"S&FSFSXSS^^ -a-. n""O Estandarte Auriverde". nos jardins da Itália. decorrem quinze anos que esgotam as principais orientações técnicas do Romantismo.

Edgard Cavalheiro.senhores..Napoleão! (Palmeirim) Desde onde o crescente brilha Até onde o Sena trilha. a seguir.. não só nos temas do escravo."Deixa-me" . E de um trono de fulgores Fiz dos grandes . o resto do livro é marcadamente pessoal nas qualidades de melodia e generosidade lírica.. Té nas moles do Egito Fez ouvir . 258 [ Mas herói.. mito. Fiz dos pequenos . (4) Ao contrário do que se costumava afirmar.E sempre fui Napoleão. sobretudo o derramamento. da liberdade e da justiça social. não obstante. págs. Em cem combates de morte.-. . a influencia toi de Varela sobre Castro Alves. Tive imensa adoração. o excesso de imagens justapostas. Tive o mundo por partilha. "Napoleão". do poeta português Luís Au gusto Palmeirim. Sempre por si teve a sorte. Comparem-se estas estrofes: Entre os fortes o mais forte..uma viva lembrança de Álvares de Azevedo funde-se ao torn casimiriano. a discursividade por vezes frouxa.servidores. (Varela) Noutro poema. . lhe co . Teve sempre o seu condão: A França tinha por fito. t . é decalcado em outro do mesmo nome. colosso. embora também nos defeitos que. rnprometerão boa parte da obra. neste livro (onde há tantas premonições de Castro Alves. V. Fagundes Varela. mas no próprio torn) um dos poemas mais castroalvinos. 186187.

-. te digo. está longe. sua radiosa fusão do brilho da natureza com estados de alma inefáveis: Tu és a araoem perdida folha caída . como neste charão de antegôsto fin-de-siècle: Quem eu amo. espécie de poemeto impressionista em dez partes. . dos Poemas Antigos e Modernos. 82.demonstrando lacunas no discernimento artístico. e mais ainda. o lavor atento em rec obrir de esmaltada beleza um tema caprichoso. (8) "Canto" e fantasias é porventura o seu melhor livro. voa. Num palácio de louça vermelha. Lá nas terras do império chinês. de Vigny (pelo toque quase simbólico do verso). 4-.. Os furacões de Assur Passam dobrando os galhos à videira. de Byron. junto ao vento que sibila nas aliterações. é com certeza o momento mais alto de sua obra. Entretanto. quase parnasiano.. onde a visão vai cavando. A força plástica da estrofe inicial nos fecha numa atmosfera revolta. Apresentação da poesia brasileira. apenas ligadas pela vaga associação emocional.. Na espessura do pomar. momento ideal de maturidade e força lírica. ("Ideal")" O livro seguinte.-. ( Todos os plainos de Salisa e Sur Perdem-se ao longe em nuvens de poeira. Ah! voa. a sina cumprirei! " Te seguirei. o melhor lirismo de Castro Alves .6 Em "Juvenilia". surge a música vareliana em sua matizada frescura. uma dimensão intérmina para o pesadelo: A noite desce. ressumantes de fresca melodia.y:. 259 #Que levas sobre as asas ao passar. num eco remoto das Melodias Hebraicas. nalgumas peças reponta.transpõe a magia das evocações bíblicas. na evocação da infância feliz na íazenda natal". Manuel Bandeira. com os dez poemas <Je "Juvenilia".belo poema onde se contém a substância do que será a "Hebréia". Sobre um trono de azul japonês. pág.. ou seja. Na "Ira de Saul" . Cantos e Fantasias. Eu sou a (S) Este poema íoi mais tarde musicado e se tornou canção bastante popular.

da paisagem convulsa de sua alma. as tendas ... . sem ousar igualmente repelir: Maldição! Maldição! Ei-lo que vem! s? . contrapondo ao furacão.. os galhos vergados) sucede a margem florida d os regatos. o perfume das romãs. Toma tu"harpa sonorosa e canta! A magia poética de Davi traduz-se num aplacamento. à treva. .que se incorpora ao do mundo exterior.. O fel d"Arabia : . não tem nome.. tudo se aquietando no movimento plácido das alvas tendas espraiadas pela encosta. filho de Belém. à areia.. Lembra-me o arroto de florentes bordas Junto à minha romeira de Magron. Coalha-se todo neste peito agora: Oh! nenhum mago da Caldéia sábia A dor abrandará que me devora! Nenhum! Não vem da terra. E pouco a pouco apagam-se as tremendas Fúrias do gênio que me oprime assim! O movimento psicológico.A segunda e a terceira mostram que a paisagem é simile da luta íntima de Saul. as tendas Brancas sobre as encostas de Efraim.passando do desespero à fúria e daí à tranqüilidade. no início. Só eu conheço tão profundo mal. Minh"alma se exacerba. Toma tu"harpa. À visualização. é comunicado pelo correspondente movimento das imagens e o próprio ritmo. como as "auras do Cedron" aos "furacões de Assur". de cores escuras e movimentos violentos (a noite. Que lavra como chama e que consome A alma e o corpo no calor fatal! Na alma do rei o vento da planície é chama que lavra e cujo "soédio não ousa invocar. . " -" " Lembra-me a vista do Carmelo. aspectos suaves e balsâmicos da terra palestina: 26O Canta. louro mancebo! O som que acordas É doce como as auras do Cedron. .. . em lugar do fel que enegrecia o peito do rei: . que o poeta representa por nova série de imagens visuais. Oh! mais não posso! A ira me quebranta!. onde o desespero cria também desmedida profundidade: .

Se há milagre poético. neste trecho do Livro de Samuel e no poema de Varela."Brancas sobre" . dando força pictórica e psicológica ao adjetivo e. ao verso inteiro. vai encontrar no último verso outra evocação das Escrituras. . dos desenvolvimentos e invocações lançados sem economia. não baixa um só momento o admirável vôo lírico de uma das mais puras emoções da nossa literatura. . devemos procurá-lo nessa longa peça que. não obstante o peso das imagens acumuladas.. de puríssima tonalidade bíblica. na sua força de purgar paixões e refundir a visão interior. com seus plurais arrastados e a clara visão de paz que transmite. somada ao poder atrati vo do enjambement. correi.. . como do pai se elevou o poeta: Correi. "Davi tomava a harpa e a tocava com a sua mão." Longe da concepção geométrica desenvolvida mais tarde.f:Não há. medicina da alma opressa. estrela. todavia. encerrando o poema numa atmosfera de transcendente fervor: Escada de Jacó serão teus raios. 261 #Eras na vida a pomba predileta. Paradoxalmente. . A colisão de consoantes no início do segundo verso .."Tendas Brancas".demora o acento da primeira sílaba. Pomba. A "Ira de Saul" é de certo modo um canto sobre o milagre da poesia. na poesia romântica. verso mais belo e sabiamente elaborado. a poesia. Por onde asinha subirá minh"alma.força uma pausa. escada: a simbologia mística se humaniza e faz carne no lamento fúnebre. na certeza que a obra de arte brotará da dor transfigurada. então Saul sentia alívio e se achava melhor. aparece como lamento e. e o espírito mau se retirava d ele. A imagem inicial.Brancas sobre as encostas de Efraim. ó lagrimas saudosas. admirável toque de devaneio. ao mesmo tempo. que.-:-"-. à memória do filhinho Emiliano. esse virtuoso de rimas e melopéias encontrará o pináculo da inspiração no verso branco do "Cântico do Calvário"..

E o fruto de meus dias. surgindo entre ambos a morte como i .! Mas não te arrojes. Fulgurar na coroa de martírios . Do galho eivado rolará por terra. voando mais alto que o condor.. trazendo o lume da aliança. volatilizado na imaginação pela alquimia da metáfora. destas em flores e pedras raras. \ iv( *Vos ondas nebulosas do ocidente! Brilha e fulgura! Conduzindo o ramo da esperança. Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho! Brilha e fulgura no azulado manto! a.Correi! Um dia vos verei mais belas Que os diamantes de Ofir e de Goleando. . A importância do "Cântico do Calvário" não vem apenas do impacto emocional. tornando a morte translúcida para o poeta e constituindo fonte sideral de inspiração: r".. falando na voz dos ventos. lágrima da noite. transforma-se pouco a pouco numa entidade simbólica. E são teus raios que meu estro aquecem! n. as virtudes de intercessão e 262 resgate da humana condição. Que me circunda a fronte cismadora! As imagens indicando transubstanciação da dor nas lágrimas. podre. porém na idéia que dele ficou. mas do cunho simbólico onde se fundem a experiência imediata (perda do filho) e a vista por ela aberta sobre o mistério da criação poética.t. . não mais no corpo extinto. . operando o contacto dos impossíveis. O despojo humano. da condição humana que sé-jctÉblvé em nada: Um passo ainda. negro. guiando o pegureiro. a soberana Dos sinistros impérios de além-mundo com seus dedos reais selou-te a fronte). ao toque régio da Morte (. estabelecem uma corrente entre o mistério da criação poética e a extinção do filho.o filho morto concentra.

continua a poesia social e surge o idflio campestre. Toma corpo o sentimento da vida rural. vamos sentindo o poder de resgate que ela assume. Cantos Meridionais e Cantos do Ermo e da Cidade. com um toque bem romântico. as selvas virgens. expressa nos raios. refinado por uma cadência mais lírica. diademas. flores. O ar. onde os enjambements prolongam o grito d"alma qu ase até o limite do fôlego." A lama. como a encontramos já na "Orgia dos Duendes". "Antonico e Cora". Eis a cidade! Ali a guerra. nem tampouco. a vida. ambos de 1869. o equilíbrio dos Cantos e Fantasias. """"-. não refúgio .ntercessor. Varela conseguiu plasmar um instrumento admirável. bem leopardiano. em poemetos narrativos de toque malicioso e alegre: "Mimosa". Da queixa magoada brota não sei que exaltação triunfante. a megera esquálida de tantas alegorias. a iniqüidade. o ritmo abreviado se reduz ao balbucio. ao forçar o diálogo do artista com o que há nele de essencial. . as trevas. que formam um dos sistemas metafóricos do poema. O poeta não conseguiria mais atingir semelhante altura. redimindo a vida pela poesia. para quem a natureza era o enquadramento mais equilibrado da vida. saudada no verso de Ronsard. Para exprimir essa emoção poderosa. estrelas. luzes. onde. se torna a "heureuse et profitable Mort". noutros passos. como desdobramento do naturismo dos livros anteriores e oposição à existência nas cidades. a podridão. a luz. de B ernardo Guimarães. Aqui o céu azul. A emoção lírica e a beleza formal conservam-se em gr ande número de poemas. nos livros da segunda fase. a liberdade! ("A cidade") Ao contrário do saudável Bernardo Guimarães. o verso branco dos melhores momentos de Álvares de Azevedo e Gonçalves Dias. com uma profundidade rara em nossa literatura.

. prolongarão muito da tonalidade de seus poemetos narrativos e suas contemplações da natureza. em más condições financeiras. ou o Evangelho nas Selvas.nada há comparável às suas boas composições bucólicas. como "A flor de maracujá" ou "A Roca". descalço. . Que nossas almas numa só fundira. Se Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho. ninguém mais dará. Datado de 1871. dessas que acompanham o sentime nto de falência associado às capitulações em face da vida. Juvenal Galeno e Trajano Galvão regionalistas nordestinos . Varela amplia o território poético por uma retomada espetacular da poesia religiosa. quase confundido com a terra. ("A Despedida") Nos momentos de crise (lemos em sua biografia por Edgard Cavalheiro) metia-se pelos campos e estradas. da carreira sem horizonte. mais grupai que individual. a natureza. pulsarão com real beleza . depois dele. explicar o empreendimento por um mot ivo psicológico. E a inspiração soprara-me na lira Muda. que poucos. tão bem quanto ele. punindo-o com o remorso. a andar. familiares. pôde dar categoria à lira sertaneja. Além do lirismo bucólico. no longo poema Anchieta. como caboclo. quem sabe. da queda de nível. Por isso. Não é demais supor uma séria crise moral. e de 1866 em diante (período correspondente aos dois livros em apreço) viveu principalmente na fazenda. dias e dias. O Evangelho . na geração seguinte. a nota caipira dos poemas rústicos. encarnada nas relações da vida urbana: . arruinada nos mundanos cantos. nascido do horror insuperável pela norma social. é possível que o burguês repontasse de quando em vez no boêmio. é possível. E a própria marcha do drama interior o levaria a buscar um apoio. ela aparece em sua obra corporificando verdadeiro sentimento de fuga. quando abandonou de vez os estudos e a vida da cidade para desaparecer na fazenda. informais e ao mesmo tempo harmoniosamente compostas. Nestas condições. uma bóia para o espírito abatido. Largado no mato. foi com certeza elaborado nos anos imediatamente anteriores. Como julgá-lo? Inicialmente. nossa mãe sublime. Nos seus predecessores Bruno Seabra.263 #de desajustado.

nos sidéreos climcut Uma formosa estrela. os campos. simples e fluido. que aparece no começo e no fim de cada canto. e os elevados Coruchéus dos palácios. esta é um conjunto de descrições. mas sem força. em cenas que servem apenas de tributo ao se ntimento 264 nacional. sem o menor prejuízo. parábolas e incidentes. Os extensos jardins. Varela recorre a um verso mais austero. sem que o caráter puramente acessório do caixilho indianista consinta a exploração poética do seu encanto. a falta de inspiração é flagrante. A concepção é defeituosa. com um fio tênue de ligação. . sobretudo quando a narrativa cede lugar à descrição. fulgurante Apareceu de súbito. no parágrafo 25 do Canto I. Aquela tem a coerência natural do texto bíblico. A narrativa poderia desenrolar-se. na China ou no Congo.. desprovido de fibra criadora. com um movimento vivo e desordenado de pessoas e animais. nunca vista Nas eras que passaram. . Daí talvez o ar de exercício aplic ado e chato. limitando-se a acompanhar os Evangelhos na sucessão dos milagres. evocações.. embora surjam trechos belos. os vergéis frondosos.. da mais pura. . inundando O rio. episódios frouxamente amontoados. não havendo relação necessária entre a matéria central (vida de Jesus) e o pretexto de imaginá-la narrada aos catecúmenos por Anchieta. É a cena das estalagens de Belém. milagre!. O poeta nada precisou inventar no tema central. afirmando a própria dignidade. é a luminosidade da estrela dos Magos.. Na parte referente aos índios e Anchieta.nas Selvas teria surgido como longo esforço para preservar-se. No conjunto é um poema monótono e sem interesse. -". que perpassa de leve e morre como um sopro. no parágrafo 28 do mesmo: Porém... Nem um momento temos impressão de alta poesia. Há portanto duas linhas a considerar: o Evangelho rimado e a presença do Brasil catequético. a personalidade esfumada e melancólica da indiazinha Naída. Num esforço apreciável de superar o excesso de melodia a que se vinha abandonando. transformando-a num desagradável nariz-de-cêra.

que. corresponde simètricamente. Na vastidão perdeu-se! Os grandes lagos. a que se chamou Parnasianismo. Já ficou dito que cada poeta romântico tem uma fisionomia mais ou menos convencional. a invocação da pátria no começo do VII. sempre suspenso entre o born e o mau. superada no canto V (§ 3) pela da noite tropical.Da mais serena luz. Gonçalves Dias. aparência física.talvez sejam o que resta da eficácia poética em meio à morna banalidade do poema.Transformaram-se em mares encantados. Como um cinto de frágeis filigranas. : . que haja caído Das empíreas alturas! Tristes. que deixou em estado de rascunho . As mil constelações se tresmalharam Quais errantes lucíolas: a láctea Banda que o firmamento em dois divide. 265 #No fim deste canto há uma bela descrição da natureza na mata (§ 4O) e outra. iniciada nos últimos dias do Neoclassicismo. POESIA E ORATÓRIA EM CASTRO ALVES Ao grande pilar do romantismo inicial. na cena em que fala o Taumaturgo. Castro Alves.onde o verso prosaico e a falta de variedade psicológica desfibram o drama que pretendeu traçar. sem cair nem transpor a meta. no fim do período. Os tanques primorosos.o Diário de Lázaro . no VIII. 266 3. A cena da Virgem Maria no canto VI (§ 12). Totalmente irrealizada é a sua obra derradeira. . . composta pelo nosso espírito com farrapos da sua vida. a prece do poeta (§ 7) e a belíssima morte de Naída (§ 14). como outro apoio da curva poética desse tempo. poemas. as colinas Coroadas de vinhas e oliveiras. vai perder-se nas primeiras tentativas de reequilibrar a forma literária. pálidas. A dele ressalta imediatamente como o bardo que fulmina a escravidão e a injustiça. no canto seguinte (§ 6). Ilhas de nácar. Grutas de fadas e amorosos gênios. mágicos pomares.

entre bem e mal. pois. enquanto Junqueira Freire e Álvares de Azevedo. e. transformando-se no maior episódio de literatura participante que o seu tempo conhe ceu. uma . que amou realmente com sentimento de justiça mais imperioso que o de Varela. para destacar a sua máscula energia de poeta humanitário. opressão.de cabeleira ao vento. A dialética da sua poesia implica menos a visão do escravo (ou o oprimido em geral) como realidade presente. Por isso ela encarna as tendências messiânicas do Romantismo. chama. ignorância. da mesma maneira que Gonçalves Dias para o índio. do oprimido contra o opressor. . o contraste das trevas espancadas pela luz.a sua poesia faz um consumo desusado de luz. depois de Gonçalves Dias. por ele. de músicas e gritos. Talvez por sentir tanta obscuridade em tomo de si. cativeiro. do eu sobre o mundo. por extensão dos oprimidos. Esta simplificação da personalidade poética pela opinião corresponde ao seu traço mais saliente. Assim. ele a vê sobretudo como resultante de lutas externas: do homem contra o sociedade. de início. a sua novidade e força decorrem em boa pa rte duma superação do drama da segunda geração romântica: o conflito interior que. do que como episódio 267 #de um drama mais amplo e abstrato: o do próprio destino humano em presa aos desajustamentos da história. . . e esta luminosidade o envolve num halo perene. dobra o escritor sobre si mesmo. é projetado. . E a parte mais característica de sua obra é devida a esta projeção. .out ra maneira de sentir o conflito. originando forte contradição psicológica. caro aos românticos. viam a desarmonia como fruto das lutas interiores. (Moacir de Almeida) Na própria visão que temos dele sobressai. ele ficou sendo o cantor do negro escra vo.

cuja personalidade va i se redefinindo ao contacto das vicissitudes por que passa. solitário A marchar. há inicialmente em Castro Alves o sentimento da história como fluxo. corresponde ao movimento perene dos povos. a marchar no itinerário Sem termo do existir. O movimento incessante de Ahasverus. superando-se igualmente sem parar pelo .. ." ("O Livro e a América") " i. Assim. O Gênio é como Ahasverus. mas s ímbolo de uma problemática permanente. determinando a referida projeção dos dramas do eu sobre o mundo.7 Mas é de se notar que para ele o Jude u Errante. Daí um caráter peculiar da sua poesia: a psicologia do poeta criador se identifica em profundidade com o ritmo da vida social. E se o poeta pode e deve exprimir este processo.. e do indivíduo como parcela consciente deste fluxo. (como em Quinet). "-"--. Por isso logrou uma visão larga e humana do escravo. O mísero judeu que tinha escrito Na fronte o selo atroz! ("Ahasverus e o Gênio") Jamil Almansur Haddad esclareceu. em busca de redenção e justiça. buscado na versão épica de Edgard Quinet e corporificando toda a utopia libertária do século.Sob este ponto de vista. vol. 3. que não e para ele apenas caso imediato a ser solucionado. batismo luminoso Das grandes revoluções. num excelente estudo de influências castroalvinas. Revisão de Castro Alves. o sentido em sua obra deste mito. pois. sendo símbolo da luta eterna da humanidade. é porque também a sua vida e espírito são um permanente agitar-se. poderíamos dizer que o principal fator da sua poesia é o complexo de Ahasverus o precito... é também símbolo do gênio." págs. termo e episódio do velho drama (7) 268 Jamil Almansur Haddad. 24-25.. um conflito de forças e contradições.

o orador de bestialógico. tínhamos. No limite. expressa pela floração de oradores que constituem a expressão intelectual mediana do povo. como força histórica. Notamos . . mais que agora. os extremos de musicalidade que. Da presença da história decorre um compromisso com a eloqüência: a poesia.da alienação do homem. nele como em Casimiro. . . Nesta apóstrofe famosa e ainda fresca. mas à retórica. como ainda temos aqui e acolá. em Varela. ressoante como cristal puro após tanto recital. -Car an tancer U lê perdroit. incorporando a ênfase oratória à sua magia. Ao seu tempo." da luta perpétua entre o bem e o mal. Em Castro Alves vemos outro aspecto desse transporte poético: diluição do sentido. . com a eloqüência vazia e sem necessidade de nexo. que se restringe por isso mesmo ante esta invasão imperiosa.. o orador exprimia o gosto ambiente. não propriamente pelo abandono à mú sica. para não perder a discussão: Nostre Seigneur se tient tout coi.. apoiada apenas nas combinações sonoras. embalam o espírito e dispensam a intervenção do sentido lógico. que sente.nesta famosa apóstrofe sentimos a mesma contentação digna e surda de certos grandes diálogos da poesia com o mistério do destino. Muitos dos seus poemas denotam a incontinência verbal tão brasileira. no salão ou na esquina. Senhor Deus dos desgraçados. a mesma i nterrogação angustiada que levou Villon a dizer que Deus preferia calar-se."^"|bênnoí. discurso e antologia. cujo fluxo incoordenado representava por alguns aspectos a obra- prima do gênero.". se aproxima automaticamente do discurso. cu jas necessidades estéticas e espirituais se encontravam na sua movimentada elocução. como born românticos.

Lhe apontam para a amplidão. ao superar a tendência para o verbalismo sem nexo.. eu sou Princesa!. . Este depende de certo discernimento... porque nos bons momentos há nele uma força de gênio que transpõe a emoção além dos problemas de gosto. descartando o problema do gosto.. dando à poesia poder excepcional de comunicabilidade. certo gelo que permite suspender a emoção.. : -"Vingativa?.." -"Mylord."s ("O derradeiro amor de Byron") . num país de prestígio do discurso: Dos oceanos em tropa.E tu." -"Que chama doida teu olhar espalha. ainda que por lampejos. ("O Livro e a América") #Redomontadas semelhantes têm uma pujança que embriaga o leitor (mas sobretudo o auditor).. És ciumenta?. e nós acabamos por aceitar a pavorosa "tropa dos oceanos". Como braços levantados.... alteza!. eu sou da Itália!" . ou a banalidade pomposa dos braços andinos." -"Confessas?" -"Sim! confesso." -"Mylord.." -"E o seu nome. Outro as bagas do Ceilão..Esta embriaguez verbal existe em Pedro Luís e um sem número de poetas menores. presente em boa parte da sua obra." -"Qu"importa?" -"Fala. O fogo permanente de Ca -"--"- stro Alves dissolve-o sem cessar. Um traz-lhe as artes da Europa. onde é fácil colher exemplos de semibestíalógico.. Mesmo os castroalvinos mais intrépidos (como é preciso ser) recuarão por certo ante coisas como estas: -"Como o sabes?. quando a vertigem oral e a necessidade de rima não têm a sorte de encontrar solução imediata de beleza. mas em Castro Alves encontra o apogeu.. irmã! e mãe! e amante minha! Queres que eu guarde a faca na bainha! ("Amantf") . E os Andes petrificados. .

. Ó jardins de Capuleto. fuzila um prisma Do Calvário ao Tabor! ("Tragédia no lar") "Mentira!" respondia em voz canora O filho de Jesus. H .. Nos primeiro caso. nós vamos ao mar fundo ( . ."Pescar almas pra o Cristo em todo o mundo. em peças do mais sério intuito e a obra autêntica não se distingue.Vasto filho independente Da liberdade e do sol - .. o abuso de apostos e a superposição de imagens sobre um tema.a cruz!" ("Jesuítas") Recuarão por certo ante outras coisas. ou emoção. "Pescadores!. manifestada de dois modos principais. O derradeiro amor é a Liberdade.. i Robespierre.. mais comentário e reforço que necessidade interna do verso: Aqui . Danton.Na hipérbole do ousado eataclisma Um dia Deus morreu. trata-se de um tr uque oratório por excelência. . de paródias como esta. como a obsessão descabida com a palavra orquestra. aliás perfeita pela peOetrttfão nos seus processos literários: v -. ou Espartaco rimando com Graco e Dantão com canhão! A tal ponto que o riso nos assalta. as mais das vezes deformada em orquesta para dar consoante. A Polinésia é um coreto Onde o mar toca piston. Passando a outro aspecto dos seus defeitos. notemos entre eles certa inconsciência da função da imagem. por (8) Trata-se dum diálogo de Byron com a condessa Teresa Gulccioli. incoercíve l.. 27O vezes. "corn um anzol .o México ardente.

O ideal de Satã?. ou simples efeito.. atirada no processo criador. Para citar um caso apenas.Dos servos de Sião.que tornam realmente pesado o tributo cobrado pela oratória. ("A cruz da estrada") -"Quereis saber então qual seja o arcanjo Que inda vem me enlevar o ser corrupto? O sonho que os cadáveres renova. ou os detalhes pueris e desnecessários de "Tragédia no lar" . O amor que a Lázaro arrancou da cova. visível na pouca discrição.. quando não por incontinência.vai implacável às últimas conseqüências.. espécie de moral-da-fábula do pior gosto. .vagas escarlates Toldam teus rios . Levanta as lousas invisível mão. rima. veja-se o " Epílogo" do poema "Lúcia"." ("O último amor de Byron") Um grito passa despertando os ares. rolava em declive. 271 #Doutro lado.. . Daí o excesso. Há pouco a liberdade o desposou. " ("Ao romper d"alva") " E me curvo no túmulo das idades -.lúbricos Eufrates . recuperado pela sua geração: Caminheiro! do escravo desgraçado O sono agora mesmo começou! Não lhe toques no leito do noivado. incapaz freqüentem ente de conter-se. .-A comparação aposta é recurso extremamente perigoso a que Castro Alves recorre por causa de métrica.Jaz por terra.. A sua imaginação escaldante.Crânios de pedra. Nem sempre se contenta com o essencial ou a sugestão: uma vez embriagado sobretudo no discurso humanitário . " ". . . ("O Século") Prantos de sangue . uma floração admirável de achados e tiradas da maior beleza dão-lhe aos discursos em verso um toque daquele "belo sublime". cheios de verdades E da sombra de Deus ("Confidencia") .

poeirentos. a virtude deve ser buscada sobretudo no movimento geral do poema. precisamente do fato de ser orador em verso. 272 Nos seus poemas há sempre uma atmosfera circundante. da correspondência a um desejo arraigado de compreensão pelo transporte entusiasmado. Shelley . A nos sa atenção moderna e algo míope com o vocábulo . quiçá o maior do Romantismo. em boa parte. De tal forma que. lívidos.Os mortos saltam. torcido pelo menos na intenção pelos simbolistas. nos pontos de ossificação da imagem e do ritmo interno. portanto. Da lua pálida ao fatal clarão. Esta tenacidade resulta da sua profunda eficácia literária. E quando a poesia assume compromissos com a vida. "O Navio Negreiro" é lançado numa admirável parábola. permanece aquém da tensão que o suscitou: e o movimento essencial do seu estro deve ser apreendido em função da amplitude que envolve o sistema estrófico. . de vôos tão belos e decaídas tão freqüentes.limite máximo da concepção.como se observa também na obra do seu mestre Victor Hugo. ressonãoncia que não conseguiu atingir e marca o âmbito verdadeiro da inspiração. como força realmente poética. mais tenaz do que se poderia pensar. mas apesar de toda a energi . deve haver explicação para a coexistência. é. a eloqüência aparece. nele. na poesia política. mais que recurso. O pescoço da retórica. no Brasil. Byron. um grande poeta. ("A visão dos mortos") É.com cada vocábulo de um contexto . o verbo. . nele apesar de ousado e qu ase desmedido.atrofiou nas sensibilidades mais finas esta percepção das envergaduras. satírica ou simplesmente de idéias. Em Castro Alves . poderíamos dizer que a sua excelência provém. uma espécie de eco dos versos.como em Victor Hugo. inserindo-se deliberad amente no tempo histórico e social. em seguida nas partes. Como born romântico. Afrontando concepções anti-românticas de poesia pura.a poesia existe primeiro no conjunto.

Existe um povo que a bandeira empresta Pra cobrir tanta infâmia e covardia. podemos dizer que foi como problema social que surgiu primeiro à conciência literária. tendo funcionado como fixador de aspiraç ões e compensações da jovem nação. na Meditação. que precisa ser pressentida para compreendermos a sua aspiração ambiciosa. representava quase um mito. tornou-se paradigma de heroísmo. O índio. Mas se a de Castro Alves envelheceu em muito da discurseira returnbante. de Gonçalves Dias. que o seu efeito persiste em larga parte. resiste menos ao tempo do que a que procura evitar a marca do momento. seja como estudo de cos- . escravizado. Semelhante poesia. dos apostos distribuídos sem medida. (. ela se ampara doutro lado em tal discernimento lírico da natureza e do sentimento.) as tendas Brancas sobre as encostas de Efraim "tem um poder sugestivo mais geral (porque mais liberto do conteúdo) do que . Os seus aspectos positivo e negativo atingem o grau máximo na poesia abolicionista.a condensada nele. . misturado à vida quotidiana em posição de inferioridade. uma das pedras de toque do orgulho patriótico. . O negro. onde a beleza lírica se alterna ou mistura ao mau gosto oratório e folhetinesco. há uma margem inexpressa de ressonãoncia. . em 1849. Para podermos sentir bem estas afirmações é necessário analisar de mais perto o significado do tema do negro na literatura do tempo. Ressalvados um ou outro poema lírico. assertiva e deblaterante. seja sob forma alegórica. Ela é o seu florão maior não apenas por ser a sua contribuição mais pessoal à nossa evolução poética. praticamente desaparecido da nossa vida. mas porque reúne os dois aspectos fundamentais da sua obra: poesia pública e poesia privada.a sociedade e o eu. não se podia facilmente elevar a objeto estético numa lit eratura ligada ideologicamente a uma estrutura de castas.

traçando o perfil heróico de "Mauro. amante. foi portanto um feito apenas compreensível à luz da vocação retór ica daquele tempo. à entrada do século. os fiéis paisjoões. Talvez tenha sido Varela o primeiro a dar ao negro consistência mais nobre. . podendo-a disfarçar. já celebrado por escritores europeus e bastante afastado da vida corrente para suportar a deformação do ideal. nas obras que originou. mesmo rápido. as crioulinhas peralt . era a realidade degradante. mas no próprio escritor. facilmente predisposto à generosidade humanitária. ser integralmente humano. não apenas no público.sentimento de compensação para um povo mestiço. o escravo" (1864). pelo contrário. Para compreender o verdadeiro milagre literário que foi a sua poesia negra. como herói. Enquanto se tratava de cantar as mães-pretas. de história curta.273 #fit? tumes. de José de Alencar. Foi como sentimento humanitário que o abolicionismo progrediu na literatura e ocorreu na maioria dos poetas. admitir a iincestralidade indígena foi orgulho bem cedo vigoro so. sem lenda heróica. n"As vítimas algozes. Um golpe de vista. graças à possibilidade de escamotear por meio dela a origem africana de uma cor bronzeada . lembremos mais uma vez o que se disse do indianismo. tratando-o como herói. viajantes. e Joaquim Manuel de Macedo retomaria com vibração humana mais indignada em 1869. Estas peças enfeixam a opinião dos publicistas. Trazer o negro à literatura. sem categoria de arte.origem que ninguém acusava. opinião que o mestre-régio Vilh ena exprimira com perspicácia definitiva. mas só Cas tro Alves estenderia sobre ele o manto redentor da poesia. políticos sobre a situação de desequilíbrio moral resultante da presença do escravo no lar. n"O demônio familiar (1857) e Mãe (1859). O negro. graças à glorificação do autóctone. mostra todavia as resistências que o processo encontrava.

mas quem embe besse o olhar curioso pelo pouco que se podia entrever do colo por baixo do corpilho do vestido... cabelos de azeviche não mui finos e sedosos. que a tinha assim crestado. A tez do rosto e das mãos era de um moreno algum tanto carregado. com lábios carnudos do mais voluptuoso e encantador relevo formava com o queixo alburn tanto pronunciado e o nariz reto e afilado um perfil das mais delicadas e harmoniosas curvas. Note-se a habilidosa tática de avanços e recuos. Um fino cabelo. de belo porte. Mas o fato é que mesmo este não ousou.as.. encaixá-los nos padrões da sensibilidade branca. Oh! Mauro era belo! Da raça africana Herdara a coragem sem par. ia tudo bem. mas espessos e de um brilho refultfente como o do aço polido (. Apenas das faces um leve crestado. os protagonistas de romances e poemas. Morena flor do sertão. / " < . traços que atenuam os caracteres africanos. e que a sua cor natural era fina e mimosa como a do jambo". corruptor. . Maria. contudo anelado. ou com certeza não conseguiu romper de todo as convenções. Traíam do sangue longínqua fusão.. de Varela. que parecia ter quatorze anos. . deste modo. quando escravos. mas na hora do amor e do heroísmo o ímpeto procurava acomodar-se às representações do preconceito. é retinto e encarapinhado. sobrehumana. mas o nobre Mauro. matreiro. E a escravazinha Rosaura.) A boca pequena. também elas. bem podia adivinhar que era o sol. depois da incorporação definitiva do negro à literatura. Eram-lhe as trancas a cair no busto Os esparsos festões da granadilha. no entanto. de Bernardo Guimarães: "Eis uma menina. Assim.. Bernardo escrevia em 1884. Que aos sopros do gênio se torna um vulcão. por Castro Alves. O moleque d"O demônio familiar. insinuando um traço suspeito para justificá-lo adiante. " diz da heroína da Cachoeira de Paulo Afonso. a fim de que o autor possa dar-lhes traços b rancos e. são ordinariamente mulatos. no auge do abolicionismo. As suas belas moreninhas (eufemismo corrente no tempo) possuem.

neles e nos outros .a fim de incorporarem o negro à literatura.. Que cabeleira abundante! Tais exemplos mostram as barreiras sociais. u i"! ---"--.. Os cabelos caíam-lhe anelados Como doidos festões de parasitas. -. sem efetuar a penetração simpática na alma do negro. Lucas tem . com efeito.representa.a pátria satiirnal! . concluiremos que esta idealização foi porventura o traço mais original.. È um ideal de justiça pelo qual se luta.". ou d""O Navio Negreiro" . apenas Melo Morais Filho denota. no poema do mesmo nome. " . bela testa espaçosa .. não implica fusão afetiva."-.. mais importante e mesmo mais positivo da poesia neg ra. E sob o chapéu de couro.Quanto a Lúcia.. mesmo na participação sincera e indignada. a extensão à poesia de um mecanismo de pensamento e de um sentimento já existentes na oratória e largamente desenvolv idos nela. de Varela. qu" aparece bem HO poema sobre "O Candomblé". psíquicas e estéticas que os poetas e romancistas precisaram transpor . Daí a extrema idealização de traços físicos e morais com que o apresentam. certa curiosidade realista. Se encararmos a literatura sem os preconceitos que o naturalismo deixou e as correntes modernas não conseguiram ainda temperar. De outra parte. duma parte.. além do sentimento humanitário e a 274 275 #simpatia artística. "-". não obriga o escritor a despir-se dos preconceitos da sua cor e sobretudo da sua classe...o d""O Escravo". o torn humanitário e reivindicatório . .

. mas. N""O Navio . "O Navio Negreiro" é menos rico sob este ponto de vista.. no pranto. permitiu impor o escravo à sensibilidade burguesa. não como espoliado ou mártir. da parte do leitor. O idílio trágico de Lucas e Maria exige. uma beleza presente em cada verso. . reduzindo-o à disciplina da arte. em que os seus sentimentos podiam encontrar amparo. ao garantir à sua dor.:. conseguiu impor a dignidade humana do negro graças à poetização da sua vida afetiva. como ser igual aos demais no amor.*. cada palavra. ao seu amor. Abrindo as vela* . porém. mas nele a poesia oratória alcança uma grandeza sem desfalecimento. na maternidade.. . a categoria reservada aos do branco. talvez A Cachoeira de Paulo Afonso seja o ponto central. tanto virtuosísticas quanto realmente criadoras. o que é mais difícil.. em Gonçalves Dias. mas uma atmosfera de di gnidade lírica. } Semelhante estrofe permite avaliar o refinamento com que sabia modelar o turbilhão do verbalismo.A idealização. Veleiro brigue corre à flor dos mares.. que j á havia dado um penacho medievalesco ao bugre. Por estes motivos. apesar de defeitos e irregularidades. na cólera. 276 "Stamos em pleno mar. o eixo da sua obra. ele representa em Castro Alves um compêndio das capacidades poéticas. Como roçam na vaga as andorinhas. deixando depois de lido tuna ressonãoncia que sulca o espírito Como um íris no pélago profundo! t Ao modo do "I-Juca Pirama". Ela. ruptura mais funda de prec onceitos que o lamento das "Vozes d"Africa". Ao quente ar jar das virações marinhas. agindo no terreno lírico.:-. envolvendo o tema social do escravo no mais belo tratamento lírico. ou do índio literário. na ternura. Castro Alves se tornou o poeta por excelência do escravo ao lhe dar não só um brado de revolta.

. com um misterioso eco circundante. severa Musa. foi porque manteve até o fim. Musa libérrima. melancolia. portanto. encantamento da alma e do corpo. audaz! Plenamente realizada. onde devemos buscar a fonte da sua expressão. são? Se a estrela se cala. a grande capacidade lírica de vibração pessoal. meu canto".. abatimento. intacta e pura. Se pôde cumpri-la. profissão de fé da poesia social romântica. sentimos. o substrato que lhe fundamenta a percepção do mundo e. o desespero acuado de . É a força que o anima. citemos um exemplo: a intensidade com que exprime o amor. ao se libertar. a esquivança de Álvares de Azevedo. superando completamente o negaceio casimiriano. surge aqui a missão definida três anos antes nos versos ainda juvenis de "Adeus. como a da estrofe citada. Dize-o tu. quer nos desenvolvimentos heróicos: Quem são estes desgraçados Que não encontram em vós " Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? Quem. "águia do oceano. que o nimba.quer nas imagens visuais. Castro Alves se distingue dos outros românticos maiores pelo vigor da paixão. tornando o poema inferio r à energia acumulada.. aos "heróis do Novo Mundo"). Perante a noite confusa. de expressividade poderosa e simples. Se a vaga à pressa resvala Como um cúmplice fugaz. No plano estritamente pessoal. que supera tudo mais: dúvida. a visão poética. quer nos vocatives (ao albatrós. com efeito. distendendo a sua obra como um arco. na vida íntima e pública. a pressão vigorosa da palavra.Negreiro". frêmito. contida pela cutícula brilhante duma forma admiràvelmente elaborada. como desejo. cinismo.

. Ela dorme. . .Flor que abrira das noites aos relentos. numa palavra. como o de Victor Hugo. na poesia romântica.. é adulto. A grande e fecundante paixão por Eugênia Câmara (até que enfim uma mulher de carne e osso. "Aves de Arribação". localizada e datada. não mera influência literária.. unindo a vida e a arte num movimento solidário. a quem prendiam-no afinidades profundas. Que importa? A inspiração lhe acende o verso Tendo por musa .Velando a longa. O Poeta trabalha! . "Aves de Arribação" mostra de que maneira a realidade imediata da experiência amorosa se transfundia para ele na criação poética. euforia. como se unem em metáforas florais a beleza da amada e o verso nela inspirado (são meus os grifos finais): Ê noite! Treme a lâmpada medrosa . desespero... saudade.9 Graças a isto. sob as cortinas transparentes. reorganizando-lhe a personalidade.. Além. "Os Perfumes". inspirando alguns dos seus mais belos poemas de esperança.Junqueira Freire. encontramos pela primeira vez. que parece plena em "Boa Noite". após as construções da imaginação adolescente) per277 #correu-o como corrente elétrica. noite do poeta. ..o amor e a natureza l . uma obra onde a dor não se traduz em lamúria. formosa Julieta! Entram pela janela quase aberta Da meia-noite os preguiçosos ventos E a lua beija o seio alvinitente . outros amores e encantamentos constituem o ponto de partida igualmente concreto de outros poem as. O seu sentimentalismo amoroso percorre a gama completa da carne e do espírito. onde não há lubricidade nem devaneio etéreo dissociando a integridade da paixão. A fonte pálida : Guarda talvez fatídica tristeza.

- . marca a hora da Revolução. cit. admirável poema que termina com um puríssimo talismã E teu rastro de amor guarda minh"alma. como exemplo do sentimento de Olímpio. vol.\"--E como o cactus desabrocha a medo Das noites tropicais na mansa calma. uma espécie de cumplicidade profunda com a alma do poeta. Revisão de Castro Alves. (além de "Aves de Arribação"). Neste sentido.". Veja-se. valendo-nos do personagem autobiográfico de Victor Hugo. "Murmúrios da Tarde". O mundo adquiria então um misterioso significado.na capacidade de transfigurar intensamente os cenários onde amara ou sofrerá. que unifica incessantemente a paixão amorosa e o sentimento da natureza. A maioria das suas imagens são naturais. tomadas ao cosmos e à terra. vivendo a saudade (ele. podemos falar na sua obra duma espécie de sentimento de Olímpio. como exemplo da fusão imediata de experiência e ambiente. i Não se poderia encontrar verso mais expressivo da sua poesia. na vida sentimental brasileira. Que levaste-me a vida entrelaçada Na sombra sideral dos teus cabelos. Estréia. . E aí temos outro exemplo da sua força passional. Dele vem a lição de que o sexo não desonra". .. 1. . "Boa Vista" e "Horas de Saudade". pág. que fugiste aos meus anelos. 176. morto aos vinte e três anos) com uma profu ndeza e vigor evocativo só proporcionados geralmente pelo tempo. rompendo-se as barreiras entre ambos. 278 numa linguagem haurida neles e a eles retornando com a densidade da palavra elaborada. . desmaterializando-o para reorganizá-lo como sistema quase subjetivo de signos. cuja submissão inicial às sugestões do ambiente se transforma em certa tirania sobre ele. Jamil Almansur Hacldad. através da sedimentação lenta no subconsciente. a sua experiência mais vivida se traduzia semp re (9) "Castro Alves. A estrofe entreabre a pétala mimosa Perfumada da essência de sua alma.

à luz de analogias felizes. . às sugestões da paisagem. a espada florescente de um poema não obstante medíocre. nas quais ocorre. a certa visão pendular. -"São as flores gentis da Que o pego vem nos dar. da treva à luz. da marcha dos séculos. fundin do-se com ele na obsessão do progresso. funéreo chão. noutra escala. do mal ao bem. O leitor observa isto facilmente. Afeito ao lirismo cósmico.... consegue certas imagens ousadas. Do vasto pampa no A vocação cósmica responde." laranjeira . Paradoxalmente. . salta a espuma. Para a esposa passar!. como em "A cruz na estrada". do cativeiro à redenção. e o leva das imagens de morte às de vida. da tirania à liberdade.. registrando a amplitude em que traduz o c orn279 L #passo da inspiração. n""A Cachoeira".. o despenhar das águas sobre o rochedo assimilado ao combate do touro e da gibóia. mas que ocorre igualmente nas peças de tema individual.como.: .. traduzindose formalmente pela antítese. uma humanização dos elementos que amplia o sentido dos poemas.. . "Quem dá aos pobres empresta a Deus": Quando em loureiros se biparte o gládio. onde é o resgate da esc ravidão. ou. onde une os amantes separados pela desgraça: -"Já na proa espadaria. que o faz passar constantemente de um extremo a outro. ." . a ascensão libertadora surge às vezes por intermédio da morte. ou n"A Cachoeira de Paulo Afonso. nele. Na torrente caudal dos teus cabelos negros Alegre eu embarquei da vida a rubra flor. Oh! névoa! Eu amo teu cendal de gaze! Abram-se as ondas como virgens louras.apenas superado pelos versos iniciais d""O Tonei das Danaides". já registrado. da terra ao céu. do pequeno ao grande. Resulta um movimento ascensional que completa o movimento histórico.

. inquieto. . do líquen.. quando livre do delírio verbal. descreve a natureza circundante com senso plástico admirável.. Lembre-se apenas a pincelada belíssima de "Ao romper d"alva". até a aparição final do touro.. Castro Alves desvia bruscamente o foco e.. dos cardos. E a. Então as marrecas em torno boiando. Dos golfas enormes daquela paragem.Não esqueçamos a propósito o mito de Lázaro em muitos poemas. Na Cachoeira há um desses momentos. As imagens deste tipo .visão rápida que emerge de movimento amplo. cruéis leopardos. Ê teu irmão!. quais negros. os mais ricos e sugestivos movimentos de composição. centralizando na inquieta imobilidade de estátua o rodopio airoso do poema: As garças metiam. Ê uma experiência poética realmente excepcional acompanhar o arabesco nervoso desta cena. A tarde morria! Dos ramos.não são raras em Castro Alves. As trevas rasteiras com o ventre por terra Saíam. dos jungles das bordas . das lascas. o poeta consegue uma demonstração de impecável maestria.da brisa ao açoite. depois duma tensão moral que dura páginas e vem romper-se no Mata-me!. Maria acaba de contar a Lucas a identidade do sedutor.. composto pelo movimento incessante 28O das imagens..N. que espraia o vôo das gaivotas e fica imóvel. Coberto de limos -.. à-toa. surpreso.. animando o mundo de uma vibração fantasmagórica: . Erguia a cabeça... terra na vaga de azul do infinito Cobria a cabeça co"as penas da noite! Somente por vezes.. coordenando-o por assim dizer .. marcando o movimento ascensional sob a forma de ressurreição.. O vôo encurvavam medrosas. onde. num jato de imagens que se sucedem.um touro selvagem. cravado em nosso espírito com a sua força elementar. E o tímido bando pedindo outras praias Passava gritando por sobre a canoa!. das heras. Das pedras. suspendendo o curso algo folhetinesco da narrativa. "Crepúsculo sertanejo". Para fechar esta parte do poema. prenuncio e quase esboço do touro de "O Crepúsculo sertane . Quem possui este discernimento poético das coisas é capaz. de obter as imagens mais belas e ousadas. o bico vermelho Por baixo das asas .

A imaginação do leitor. fugindo sempre pelo torvelinho das imagens ou acentuada preferência por representações do movimento. sem cair nos exces sos de Varela) quanto pela construção dinãomica.admirável canto lírico no qual a discursividade recua.jo": Dentre a flor amarela das encostas Mostra a testa luzida. Confiado na força eneantatória da metáfora. brilhante. a recender."" " í" -Pomba d"espr"anca sobre um mar de escolhos. que predomina em sua poesia oratória como vimos. quer na vida interior.. a sua fuga ao estático se manifesta não apenas pelos ritmos românticos (que usou com parcimoniosa habilidade. Ramo de murta. as largas costas No rio o jacaré. . as caravanas no deserto extenso? E os pegureiros da palmeira à sombra? . vai 281 #brotando um inefável traçado poético. em que esse orador incontinente se domina e não sobrecarrega as analogias sutilmente propostas Por que descoras quando a tarde esquiva Mira-se triste no azul das vagas? . que carreia toda a pftkftfc dai" tejuvenéiscidas evocações bíblicas. refaz o movimento do arabesco.. Tais exemplos mostram quanto ensinou ao nosso verso no tocante à plástica e à metáfora. Dentro da musicalidade romântica. que desfibra muito da obra de Varela e a sua própria. encerrados numa simples estrofe: . ao receber a sugestão de cada imagem. o poeta justapõe. cheirosa.nos quadros de colorido profundo. " Lírio do vale oriental. . . que ilumina pouco a pouco a visão integral da emoção comunicada pelo poeta. quer nas descrições. Estrela vesper do pastor errante. Este ritmo geral. para deixar campo à magia r esultante da própria invenção das imagens. que palpamos com os olhos: . sobre os ritmos interiores do poema.nos versos escultóricos.nos versos fugazes. e da perigosa justaposição. talvez encontre a mais pura e completa expressão n""A Hebréia" .

na sua perfeição. surge uma poesia que não é contraditória e representa etapa di ferente.. aos quais deve muito. " Fitar-te. unificando. em suas características próprias. 283 #4. pois. nas águas de cheiroso banho "-""-:"-" .Depois. as contradições implícitas na vocação pendular. apurados depois pela maturidade do sentimento abolicionista. porque o poeta soube. conheceu e até certo ponto assumiu os conflitos da geração precedente. Fitar- Este poema foi escrito aos dezenove anos. mas pôde superá-los pela vitalidade da inspiração. graças ao vigor da inspiração. Sempre que os utilizou devidamente. no final do Romantismo. desenvolvendo a tentativa sintetizadora de Varela. Assim. forjando uma poesia generosa e plástica. ó flor do Babilônio rio. antes da fase em que compôs os melhores versos e vai mais ou menos de 1868 a 187O. é. sentiu. realizou obra de alto quilate. enveredando decididamente pela dissertação e a exposição de idéias. na qual. dos vinte e um aos vinte e três. 282 podemos dizer que a obra de Gonçalves Dias constitui unificação mais fácil. como os alquimistas. ao contrário. modelou as descobertas fundamentais do Romantismo na matriz original do seu talento. A MORTE DA ÁGUIA A derradeira manifestação do Romantismo. indicando como se formaram ced o em Castro Alves os recursos expressionais. uma espécie de achado premonitório. se enconta nalguns poetas que. criar pela fusão dos opostos. no decênio de 7O. Castro Alves.. São. além do .Como Susana a estremecer de frio -te a medo no salgueiro oculto. que permaneciam inconciliáveis na obra dos predecessores. Tomando o Ultra-romantismo por ponto de referência. a mutilação e a doença. levaram a oratória às últimas conseqüências. a dolorosa ruptura com Eugênia Câmara. porque anterior ao seu dilaceramento moral.

As junções de períodos têm desses terrenos dúbios e contestados. Sílvio Romero. um deles. sagrou fundadores da nova poesia e julgou os coveiros do Romantismo. cujos ocupantes parecem incaracterísticos à posteridade. sem serem qualquer outra coisa de definido.s poetas sociais. Sílvio Romero dec . encontrou em Castro Alves o maior porta-voz. Dentre eles se destacam. A perspectiva que nos dão hoje quase oitenta ano s permite situá-los com maior objetividade. Na verdade. o culto dos ciclos históricos.como os plasticíssimos Luís Delfino e Múcio Teixeira. que Victor Hugo exprimiu e. vibradas pelos poetas da 3. fazendo menor conta das suas alegações e certezas: são românticos desenquadrados. declararamse anti-românticos e iniciadores da poesia nova. Martins Júnior. Matias de Carvalho e. condoreiros atrasados e quase diríamos pervertidos. campeões não raro da batalha antiespiritualista e anti-romântica são. entre nós. que Sílvio Romero. os científicos. uma geração poeticamen te perdida. se enquadram perfeitamente nos aspecto s messiânicos do Romantismo. naturalistas. evolucíonistas. no culto ao saber. Mas assim como a perversão não passa muitas vezes de hipertrofia dos impulsos normais. Alguns recuam. a sua poesia se reduz. por mais característicos. a uma tentativa de bater ainda mais largamente as asas da oratória humanitária ou revolucionária. na sua visão exaltada do progresso. incapazes de sentir as tendências essenciais no próprio tempo. socialistas. O amor à ciência. Lúcio de Mendonça. possuídos das idéias modernas. a tumescência verbal. Mas como se opunham à ideologia espiritualista e a todo o acervo de idéias e comportamentos próprios dos românticos e já em pleno declínio. republicanos. em poesia. outros seguem as correntes novas . de tal forma a podermos considerá-los. analisada de perto. à parte. outro s fincam pé e se perdem para a poesia. no conjunto.a fase romântica.

ou dos ciclos de Teófilo Braga. basta. correr os olhos pelo índice dos Cantos do fim do século para perceber o velho temário romântico. Apesar de ter teorizada à grande. Um lirismo filosófico à maneira de Sully Prudhomme. com uns fumos de lirismo gracioso. na presença incessante do poeta. jamais compreendeu bem outra forma de poesia e passou a vida a resmungar contra as correntes modernas. que ele considerava prolongamentos do romantismo e da metafísica". . em que o grande crí tico se torna lamentavelmente grotesco. o mesmo de Guyau: uma poesia nutrida de pensamento. Esse insondável zumbido. sobretudo o parnasianismo. que não fosse a grandiloqüência d as Legendes dês Siècles. Que a intensidade arrastou Para escutar o ruído. ("A revolução") Sub-Tobias. sub-Castro Alves. de Quinet.) 284 O seu ideal seria. do Ahasverus. De glória e noite rebenta A agigantada tormenta. O fato é que Sílvio foi sempre acentuadamente romântico. na sua crít ica. Nos Ültimos harpejos. moderna e científica: Aceso em todos os lados O temporal das paixões. usando a alegoria com discreção. fica patente o caráter romântico desses cientistas. Eis as armas com qu e pretendia combater a maneira velha e dar exemplo de outra. sem nada de novo. a coisa piora. só as elogiando naquilo que apresentava de prolongamento dos processos e concepções românticas. pendendo em cada poema para o "lirismo piegas" que verberava..Mirabeau. porventura.larou-se fundador do científicismo e parece ter sido reconhecido pelos demais como tal.. Dessa lava . Os elos todos quebrados Da cólera nos corações. "nunca deixou bem clara a sua concepção de poesia (. aliás. mas de um ponto de vista acentuadamente pessoal.1O Na predominãoncia do ângulo pessoal.

A herança de Pedro Luís e Castro Alves é ampliada ao máxi mo do vigor e grandiloqüência por estes jovens que. chama ladrões aos ministros que votaram a lei (dando-lhes os nomes em apêndice) a acaba recomendando que os levem .. canta embevecido a ciência e o progresso. o peito me incendeia O calor imortal da fé republicana! No "Imposto do vintém". Matías de Carvalho. agora. o seu apelo ao "machado (que) sobe abençoado". agride Pedro II com uma dureza que chega a surpreender.Mas é o Romantismo característico da 3. são percorridos por um vagalhão surpreendente de poesia social e política. Estoura a nihilista homérica espingarda.. Mas o destemido e simpático Matias era péssimo poeta. Matías de Carvalho ou Martins Júnior. dedica todo um poemeto a desancar as irmãs de caridade. " guilhotina. de Lúcio de Mendonça. sem nenhum senso além do próprio fluxo verbal. autor d"A linha reta. faz abertamente apologia do terroris mo anarquista e da vingança popular. 53-54. ou aos métodos nihilistas: E como a gargalhar de reação tamanha. tudo porque . de Castro Alves. fala em Proudhon. . Nele e outros do tempo. O decênio de 7O. republicana.a fase que aparece continuado por estes sucessores. Se a veemência e a intenção social fossem condições d e boa poesia. e o de 8O. à roda! As invectivas do "Bandido Negro". págs. agressivamente antímonárquica e anticlerical. Introdução ao método crítico de Sílvio Romero. . a oratória em verso vai . 285 #w escravagista de Castro Alves parecem moderados perto da nova oratória poética. O humanitarismo e a indignação anti(1O) Antônio Cândido. lêem e estremecem Guerra Junqueira. parecem floreios ao lado da sua veemência direta e insurrecional. nenhuma seria mais alta que a deles.

Estufados de orgulho e reis pelo terror. é o que ainda merece leitura. depois. segue muito de perto Castro Alves. Vejam. abomina a tirania. que custa. r Nas primeiras obras. nos limites da prosa. a sua poesia política é ousada e forte. não se podendo negar inflexões pessoais na forma de condoreirismo que praticou. Quando lhe nasce o primogênito.chegando ao limite. "o laureado atleta". onde Cristo entr a. ao modo de um revolucionário. própria do messianismo idealista e da confiança cega no valor da ciência. senadores. Lúcio de Mendonça tem outra categoria e. mas na forma. Chovam-te minhas bênçãos aos milhares! E se meu coração todo desejas. Nutre-se de um humanitarismo lírico. luta com a maldade Sem tréguas nem perdão. Os seus versos sentimentais não destoam da média banal do tempo. . à abolição. ("A morte do czar". revelando-se nalguns momentos quase socialista na crítica à propriedade (Visões do Abismo). a sua musa é toda social. do lirismo épico e da d . Filho do meu amor. mostra-lhe o caminho das suas idéias e o ameaça de maldição caso não as siga: Ama o povo. diz as últimas de ministros. filho! confia Na Justiça. vemos que não trepida ante a apologia do regicídio: É born que estes velhacos. Vergastas) Martins Júnior tem alguma inspiração e certa desenvoltura verbal. maldito sejas! ("A meu primeiro filho". pouco a. não só nas idéias. à democracia. e quando celebra o matador de Alexandre II da Rússia. Segue-me os passos. Martins Júnior é a articulação. votada à república. dos escolhidos aqui para exemplo. não obstante provido de toda a generosa aspiração de grandeza. tem durezas equivalentes às de Matias. no Amor e na Verdade. cuja morte lhe inspirou um poema nas Névoas Matutinas. merece referência como sintoma. reduzir a cacos Um grande imperador. expressão de um tipo especial de Romantismo científico e pretensioso. Defende o fraco. Para com o Imperador e a Monarquia. Se não permaneceu como poeta e artista. que é a sua conseqüência lógica: incoerência e perda do discernimento poético. Vergastas) Sem nenhuma pretensão científica.mas se apostatares. Guerra Junqueira se tornou o seu modelo evidente. como era praxe na poesia social do Romantismo e a que seguiu imediatamente.

Victor Hugo.. ("A poesia antiga" .a Idéia. a falta de idéias e a abstenção política. odeia sobretudo o erotismo. ousados lutadores . sombria. explica. Às rebeldias de Matias Carvalho. este pelouro o Verso! ("A guerra do século") Nas Visões de hoje aparece mais caracterizada a preocupação cientifica. como ele.O poeta deve ter somente contra o Mal Este canhão . Haja titãs de bronze. acrescenta a deliberação de elaborar um pensamento poético. Deixando germinar a flor da hipocondria Naquele seio vil como um montão de estrume. . Na série de "Sínte . os grandes princípios gerais do que não ousa chamar filosofia moderna. mas de interiorizar pela inspiração. de realizar em poesia a síntese do saber positivo que destroçará o lirismo indivi dualista e integrará a poesia nas grandes vibrações do conhecimento. convida o poeta a lutar sem trégua.ivulgação do saber. os seus modelos. Agora mesmo a vejo Atravessar a praça. Castro Alves. estúpida. em poesia. o sentimentalismo. ("Castro Alves") A sua concepção de poesia social continua o apelo do baiano.Estilhaços^) Vemos porém que não se dirige aos condoreiros: entusiasta de Castro Alves. não de metrificar ciência.. Guerra Junqueiro são. a deixar de lado o lirismo casimiriano: Desdobrai pelo ar vossas enormes almas Faz-se mister que além. dedica-lhe um poema inflamado Foi grande como a luz. Nos românticos. sintetizando-os.. . dos langues trovadores Da lira modulada ao vento das paixões. E como os desanca! 286 287 #Eu conheci de perto a triste Musa antiga.

há de se impor ao culto Dos pósteros. aos excessos de musicalidade. opõem o excesso paíavroso que os conduz ao próprio bestialógico. estaqueada na imagem retumbante. nove. a embriagada confiança no progresso. Le vando ao cabo a tendência oratória. dez. sem dúvida. como no exemplo de Varela citado mais alto. . um brilho. Folgara o capital. O verso de doze sílabas só foi usado sistematicamente a partir de 6O. a "Cientifica" é a mais bem realizada: Século dezenove! o bronze do teu vulto *" Há de ser venerado. Burdin. Note-se a construção da idéia.desaparecem de todo. que somente os metros largos lhes poderão convir. exprime na verdade as tendências desenvolvidas na 3. bem como impõe-se à escuridão Um relâmpago. que ocorre em toda a sua poesia de luta e debate. a busca deliberada do estado de transe oratório. com ritmos românticos . uma explosão! Estamos. os de 7O se abalançam a uma tal abundância verbal. Turgot. Os metros melodiosos sete. ante o epílogo da poesia condoreira.voou Ele para as alturas mágicas da glória. o fero panteísta! . pretendendo-se anti-romântica e revolucionadora. a predominãoncia soberana do alexandrino. que.a fase romântica. expressa por um mov imento amplo. só que o sentimentalismo liberal se junta aqui ao científico: O século tem no dorso o estado positivo. E a glorificação de Comte termina com o endeusamento da sociologia. Newton e Condorcet e Leibniz.ses" que compõem o livro. indicando o fim da musicalidade. Simon. um raio. Os poetas dessa gera ção perdida entre as tendências se atiram decididamente ao dodecassflabo. onze. nova divindade que vem substituir a hístória-em-estampas da oratória castroalvina: Deixando embaixo Kant. Após ter arrancado ao pélago da História A vasta concha azul da Ciência social! É uma poesia nascida da fusão dos condoreiros com a divulgação positivista. com o de treze. não raro pela necessidade de distender o arremesso verbal chegando-se mesmo ao verso de quatorze.

a visão materialista de carne corrupta e taras fisiológicas. Arrasto atraz de mim um tédio formidável (Martins Júnior. se o . Em Martins Júnior encontramos declarações análogas. incoerentes uns como é quase sempre o sentimento. como deve ser a idéia" . "Atonia". o tédio profundo que assalta por vezes esses republicanos ardorosos. Incorretos. a embriaguez da terminologia científica. porém no fundamento Têm essas correções que são do sentimento Aplausos para a Luz. ibidem) O rastilho da explosão que será Augusto dos Anjos começa em Martins Júnior e passa por outros poetas do tempo. mas que. Lúcio de Mendonça. visando valores mais altos.brada Matias de Carvalho. divididos entre dois períodos. talvez. na forma e na linguagem Os "meus versos serão. talvez. ("Crise psíquica". inflexíveis outros. Pretendendo ser começo. Hí 288 #"Ml diz Matias de Carvalho no início de Linha reta. apodos à voragem. duas estéticas. é a derradeira manifestação daquele sentimento romântico da morte. também votados à musa social. última contração de um músculo cansado. O mais interessante é que têm uma desconfiança invencível de que estão saindo dos trilhos poéticos . Sinto um cansaço -negro em meio às grande lutas Que abalam brutalmente o meu viver rasteiro Ando cínico e mau. Daí. no prefácio de Alvorada: "Vão estes versos como nasceram: incultos como o que é espontâneo.desconfiança manifestada pela afirmação que bem sabem da sua possível inferioridade poética. com efeito. em Estilhaços) Tenho na alma um caos. não passam de epílogo. Nele. inconscientemente. que vem abalar a pletora verbal dos últimos e vacilantes condores. esta circunstância n ão lhes causa mossa.

Alçando mais os vôos.e alçando. O escravo lhe estendia Os miseráveis e covardes braços.imensa e bela Como uma branca. nas manifestações poéticas do Post-ro mantismo . A demandar um livre e novo mundo.o Parnasianismo. Sobre o barco pairou ainda. sob outra forma. O REGIONALISMO COMO PROGRAMA E CRITÉRIO ESTÉTICO: FRANKLIN TAVORA. o chamado Simbolismo . Ela lutou ansiosa! Atra agonia Sufocava-a. Zunia o vento na amplidão.profundo. 29O 291 #Capítulo VII A CORTE E A PROVÍNCIA 1.lirismo romântico continuaria em grande parte. SENSIBILIDADE E born SENSO DO VISCONDE DE TAÜNAY. . de Luís Guimarães Júnior (transposto dum trecho da Eloá. que marcou o fim do Romantismo poético no Brasil: Pairou sobre o navio . E como um turbilhão de águias fremenies. ROMANCE DE PASSAGEM. de Vigny) simboliza as diversas fases da aventura condoreira. Como um astro que cai na imensidade. O "filosofismo poético" (Sílvio Romero) foi a sua queda estrepitosa e final. refulgentes.não há dúvida que a sua última expressão. 3. . Crescia o sol nas nuvens. E a rainha do ar. e afogando Na luz do sol a fronte alvinitente. Afundou-se nas ondas de repente. uma isolada vela. fundindo na obra de Castro Alves a mais pura essência lírica e a mais forte inflexão heróica de que era capaz a escola. vem morrer nesses epígonos com pretensão a renovadores. . buscava Onde pousar os grandes membros lassos. Ébria de espaço. ébria de liberdade. digamos ortodoxa. "i Poderíamos dizer que o fecho d"" A morte da águia". em vão. o Oceano ao longe cintilava. 2. O condor alçou o seu vôo imenso até O espaço aznl onde não chega o raio. Nu.

a favor da fideli dade documentária e orientação social definida. No entanto. dois de Bernardo. O casamento no arrabalde. desprezados os de nível inferior.muito diferente dos predecessores ou contemporâneos mais velhos.#1. Entrando agora na etapa final da ficção romântica. mas não devemos imaginar que os ro mancistas nela incluídos escrevem sós. Macedo está vivo. que não servem aos nossos desígnios. Alencar até 1877. depois do último livro de Távora. Pelo contrário. Machado de Assis estréia no romance com Ressurreição. Podemos tomar como marco da nossa etapa o ano de 1872. . ambos mortos de 1861. mas aind a não entrara na fase característica da sua obra. estamos pela altura de 187O. em plena forma. reúne em volume as Cartas a Cincinato. cedendo lugar a outros fatores. Só Teixeira e Sousa e Manuel Antônio de Almeida f icaram para trás. Bernardo ainda publica Rosaura no ano de 1883. tendo publicado no anterior o livro inaugural. Franklin Távora. para só voltar à ficção em 1893. Naquele ano. Alencar na metade do seu trabalho. que vinha escrevendo há mais de dez anos e publicara em 69 a sua melhor ficção. Bernardo apenas iniciando. Macedo escreverá até 1876. um de Alencar. lança Inocência. Elas são (veremos a seu tempo) verdadeiro manifesto contra os aspectos mais arbitrários do idealismo romântico. quando Taunay já encerrara a fase propriamente romântica. Para compreendê-la. embora necessária. no mesmo ano aparecem três romances de Macedo. quando se manifestam com personalidade e decisão os três escritores que a integram. é de born aviso mencionar rapidamente o legado dos que os precederam. O que interessa é sobretudo a contribuição própria dos escritores desta fase e a maneira por que a vestiram. aparecidas periodicamente em 71. . Taunay. arbitrária e insuficiente. depois de encerrada a atividade dos predecessores. basta estabelecer uma divisão para vê-la escorregar entre os dedos. a sua obra-prima. Já se vê que a cronologia entra aqui em segundo plano. ROMANCE DE PASSAGEM Em história literária.

depois. igualmente. que vai grosso-modo de 1843 a 1857. purame nte romanesco. Em face delas. escritores cuja ob . o aclive irregular.Numa etapa inicial. que este acréscimo de experiência signifique necessariamente melhoria de nível. de Ressurreição a laia Garcia. e o de Távora. . mas importa. O grande homem da ficção romântica permanece José de Alencar. um declive mais suave e bem traçado. bem como a descrição dos costumes regionais. para guardar apenas as de Távora e Taunay. Ficam de lado. forma elementar de estudo do homem na ficção. A etapa 295 #seguinte vai de 57. sentido ao regionalismo. o pitoresco regionalista. que não apenas é o seu aspecto menos significativo. Dela. os dois primeiros o aprofundam. pelo arranjo do episódio. Não se pense. trazendo o senso da beleza e a noção da complexidade humana. Antes dele. ou seja o marco inicial da etapa cujo estudo agora iniciamos. C ertos livros. naturalidade à expressão. só caberia aqui a primeira parte. se for analisada. mas a sua contribuição não é menor: consiste em dar refinamento à análise. e a descrição dos costumes. em seccionar uma produção romanesca cuja unidade profunda os críticos mais compreensivos dos nossos dias têm procurado assinalar. todavia. Comparem-se os personagens de Macedo e mesmo Alencar com a marcha ascendente da pesquisa machadiana. a terceira nada traz de novo como tema. fundem harmoniosamente a intensidade emocional. Compare-se o regionalismo de Bernardo. até mais ou menos 1872. este segundo elemento alarga o panorama. por onde agora nos encaminharemos. fidelidade à observação. quase sempre tosco. que é o cume da montanha. da revelação de Alencar. Nela aparecem a poesia do indianismo e os rudimentos de análise psicológica. a partir d"O Cabeleira. como Inocência. a fidelidade da observação e a felicidade do estilo. obtendo um equilíbrio até então desconhecido. surgem o senso de uróÜdura. isto é.voltado para a interpretação social de uma determinada zona. Declive que leva ao naturalismo e no qual deixaremos de lado a obra de Machado de Assis.

. desenvolve 296 na ficção verdadeiro programa de descrição regional. estudo psicológico à Bourget. e uma espécie de balanço que dão (ao lado do primeiro Machado de Assis) de todos os temas das etapas anteriores. sendo do conjunto escritor igualmente mediano. de cunho social. depor. levando-o a escrever recordações da sua experiência de guerra. por nada significarem como evolução literária nem qualidade artística. pois são com efeito escritor es de transição. através de Domingos Olímpio. Todavia. que não serão considerados aqui. preocupado em registrar. que. um dos precursores da estética naturalista.inclusive de ordem cronológica. apesar disso prefiro enq uadrá-los no Romantismo. ambos depois de 189O. onde os prende a retomada das preocupações centrais do nacionalismo literário. e mais No Declínio. ao se inscrever em pleno nacionalismo literário. interpretar. embora Franklin Távora haja escrito O Sacrifício. e Taunay o referido estudo social. Considerando os dois escritores a que nos vamos ater. mas pertence ao período seguinte. como fundador dum tipo especial de regionalismo. Este pendor se acentua com a idade. O cearense apresenta hoje um interesse quase apenas histórico. Resta dizer que os dois romancistas não são de qualidade equivalente. Poucos terão efetuado levantamento tão cabal do país quanto Alfredo de Taunay. como Inglês de Sousa e Júlio Ribeiro. política e administração. o que é perfeitamente defensável. Franklin Távora principia com dramalhões e romances indianistas. e no romance. convém assinalar que a sua obra encerra harmoniosamente o período romântico. Por estes e outros motivos.alguns críticos situam ambos os romancistas fora do período romântico. e continua vivo graças . pelo contrário. . chegaria até nós c orn os "romancistas do Nordeste". ao estudo social d"O Encilhamento. Taunay. a natureza e o homem. só fez descrever as suas cidades e campos. tem mais senso artístico. que. na ficção e no documentário.ra começa a esse tempo. superada esta fase. mas.

cioso da terra e dos feitos brasileiros. na história e na cultura brasileira com impressionante autonomia e nitidez. senão várias Colônias portuguesas.. acentuando o fato. caracterizada cada uma pelo seu genius loci particular. que se destaca na geografia. Um historiador contemporâneo. assinalado desde Handelman e fecundado por João Ribeiro. A colonização se processou em núcleos separados. O REGIONALISMO COMO PROGRAMA E CRITÉRIO ESTÉTICO: FRANKLIN TÁVORA A unidade política. Desta autonomia derivou bem cedo um sentimento regio nalista que encontra expressão típica na Confederação do Equador. se recusa a falar em Colônia. praticamente isolados entre si : o desenvolvimento econômico e a evolução social foram. bastante heterogêneos.2 Comprovante desta idéia engenhosa e em boa parte verdadeira é sem dúvida o caso do Nordeste. Viana Moog procurou interpretar a nossa literatura em função dessas que chamou "ilhas de cult ura mais ou menos autônomas e diferenciadas". de que houve na América não uma. preservada às vezes por circunstâncias quase miraculosas. se falhou no terreno político. 297 #2. persistiu teimosamente no plano da inteligência. um dos romances mais bonitos do Romantismo. O regionalismo pinturesco de um Trajano . ou Brasil Colônia. à maneira da República de Piratinin. O nacionalismo romântico. num regionalismo literário sem equivalente entre nós e bem ilustrado nos romances de Franklin Távora. pode fazer esquecer a diversidade que presidiu à formação e desenvolvimento da nossa cultura. se transformou lá. que antecedeu e por muito tempo superou a do resto do país. de dar expressão política à referida diversidade e que. Alfredo Ellis Jr. assim. consideradas as diferentes regiões. tentativa.1 Trazendo a idéia para o terreno literário.ao idílio sertanejo de Inocência. A literatura e a oratória tornaram-se com efeito a forma preferencial daquela região velha e ilustre exprimir a sua consciência e dar estilo à sua cultura intelectual. graças a este processo.

3 Desvio evidente que. só que félibrige pela metade.vêzo reivindicatório que ainda hoje persiste. seus interesses. (2) Viana Moog: Uma interpretação da literatura brasileira. torna-se com ele programa. acentuado com a decadência do Nordeste e a supremacia política do Sul. ao ponto de tentar uma espécie de félibrige. mas são dois. Conscientes de formarem uma equipe vigorosa. se já não tem. um Juvenal Galeno ou mesmo um Alencar. 22. Para Sílvio Romero. . o resto do país vivia armando conspirações de silêncio contra a sua re gião. dentro não apenas do mesmo país. desconhecendo-lhe o talento. apóstolo combativo e convicto do regionalismo nordestino. prolongando- se por todo o pós-romantísmo e.Galvão.excelente fermento de dúvida. . Paulo. Cada um há de ter uma literatura su a. os escritores nordestinos não se conformaram em ser pássaros do crepúsculo e desenvolveram com relação às instituições intelectuais e políticas uma virulência crítica per meada de intensa susceptibilidade. 298 quase culto. "Norte e Sul são irmãos. procurando escamotear a prioridade e a primazia que lhe cabiam na vida intelectual. (1) Notas de aula na Universidade de S. Franklin Távora sentiu tudo isto profundamente. Cada um tem as suas aspirações. pelo "romance nordestino" e a obra de Gilberto Freyre. fruto de maturidade da sua região. porque o gênio de um não se confunde com o de outro. e há de ter. sua política". mas da mesma língua. É a famosa Escola do Recife. pág. em nossos dias. levando-o a dissociar o que era uno e fazer de características regionais princíp . que levou ao máximo esta tendência. análise e irreverência que contribuiu decisivamente para desenvolver o movimento crítico do decênio de 7O.

reforçadas a meio caminho pelo baiano fluminense d"Os Sertões. Primeiro. que toda a sua obra gira em torno da história e costumes pernambucanos: Um Casamento no Arrabalde (1869). Pernambuco. O Sacrifício (1879). filha da terra. da paisagem que condiciona tão estreitamente a vida de t oda a região marcando o ritmo da sua história pela famosa "intercadência" de Euclides da Cunha. há inicialmente uma vivência regional. do velho patriarcado açucareiro. traía de certo modo a grande tarefa romântica de definir uma literatura nacional. Prefácio. a disposição polêmica. com efeito. veremos. reputado mais brasileiro. em proporções variáveis. a principal argamassa do regionalismo literário do Nordeste. "onde abundam os elementos para a formação de uma literatura propriamente brasileira. uma interpenetração da sensibilidade com a paisagem geográfica e social do Nordeste. Fina lmente. O Cabeleira. XII. Em sua obra. portanto. XIV. pág. Os índios do Jaguaribe (1862). orgulhoso das guerras holandesas. das rebeliões nativistas. A razão é óbvia: o norte ainda não foi invadido como está sendo o sul de dia em dia pelo estrangeiro". pág. o que se poderia chamar patriotismo regional. cit. Lourenço (1881). O seu regionalismo parece fundar-se em três elementos que ainda hoje constituem. bem cedo se integrou..io de independência. (4) Ob. culminada pela geração de 193O. Se deixarmos de lado a primeira tentativa n o romance. além d . no sentido em que ainda hoje entendemos a expressão e deste modo abriu caminho (3) Franklin Távora. de reivindicar a preeminência do Norte. Em seguida. mais de meio século depois das suas tentativas. O Matuto (1878). o senso da terra. O Cabeleira (1876). em cuja célula formadora. #a uma linhagem ilustre.4 Távora foi o primeiro "romancista do Nordeste".

A virtude maior de Távora foi sentir a importância literária de um levantamento regional. Não escreveria um livro sequer. sentir como a ficção é beneficiada pelo contacto de uma realidade concretamente demarcada no espaço e no tempo. O Matuto e Lourenço. não abandona uma zona relativamente pequena. e tudo transmite co rn uma exatidão daguerreotípica". apanha todos os matizes da natureza. abespinhado pela preeminência do café. trilhos.3 A principal censura que dirige a Alencar é a de não conhecer o cenário geográfico dos seus livros. alargam o âmbito para a zona norte. do Norte para o Sul. nostálgico da sua g loriosa história. como planta e realidade econômica. a passagem. Um Casamento no Ar rabalde e O Sacrifício se desenrolam nas cercanias do Recife ou na zona rural imediata.demorando-se nas matas. . baixadas. no Roma ntismo. Ele ao contrário. talvez. que conhece bem. "O grande merecimento de Cooper consiste em ser verdadeiro. Vê-se que ama profundamente a cana de açúcar. porque não teve a quem imitar senão à natureza. N"O Matuto. que o romancista deve conhecer e descrever precisamente. até atingirem a Paraíba. descrevendo as enchentes e as secas. Esta velha área canavieira é o seu mundo. o ruído das águas. estuda as sensações do eu e do não eu. O Cabeleira. em termos de geografia econômica. que serviria de limite e em certos casos. de corretivo à fantasia. e a impressão do leitor é que está lamentando. da hegemonia cultural e política. para ele este contacto se funda na experiência direta da paisagem. Vê primeiro. cujos rios e acidentes reg istra com amor topográfico. dedica-lhe verdadeiro hino. cujos originais (não sei em que grau de acabamento) destruiu antes de morrer. . fechado em seu gabinete. ou conhecê-lo mal. o estremecimento da folhagem. o colorido do todo. observa.os dois trabalhos históricos sobre a Guerra dos Mascates e a Revolução de 1817. é um paisagista completo e fidelíssimo. Ora.

da psicologia e do ambiente. os currais. "Segundo penso. Este trabalho da imaginação c-onsiste para Távora em selecionar os aspectos que conduzem a uma noção ideal da natureza. por ocasião da botada. meu amigo. por assim dizer de ética literária..bem como às influências da estação.. ou limitando-a. por parte do escritor. não envolvia a de reproduzir minuciosamente a realidad e nem substituir pelo arrolamento e a observação o trabalho imaginativo. ou seja. a fim de desvendar-lhe o esconderijo. no romance.. por exemplo. intitulado . N"O Matuto os senhores rurais preparam a sua guerra de açúcar contra balcão nu ma festa joanina do engenho Bujari. (. é posto abaixo.. do calo r.A Ciência do Belo . Vimos que reputava fundamentais à boa literatura as "sensações do eu e do não eu". que continuava eni primeira linha. as próprias reações dos personagens. das chuvas. obra que mereceu ser coroada por três Academias da França. (. e me parece recomendar a estética. Não se lhe pode com efeito negar atenção constante ao quadro natural. que vão marcando a presença do homem na região. Nunca mais me esqueci de um pedacito que lá .. E a paisagem econômica se completa pela descrição das roças.) Li um precioso livro. da hora. Mas esta condição. o discernimento simultâneo. as cavalgadas. o fabrico da farinha de mandioca. o artista não tem o direito de perder de vista o belo ou o ideal.por Levèque. num ritmo de suspense. . É sem dúvida o modesto precursor do agudo senso ecológico de Gilberto Freyre ou. Acha. bicho grotesco. o artista se dirige sempre ao alvo da beleza ideal.A cena culminante d"O Cabeleira desenrola-se num canavial onde o famoso bandido está oculto. posto que combinando-o sempre com a natureza. e. sobre os itinerários. o escritor deveria partir de um conhecimento exato do quadro em que se localizam as ações descritas ("a exatidão daguerreotípica"). José Lins do Rego e Graciliano Ramos.. que Alencar faz mal ao mencionar o tamanduá.) Interpretando -a. Para ele.

vem. Há com efeito muito de programa em sua obra. sempre susceptível de maior prestígio pelo embelezamento. desempenhando o papel que a ela coube por excelência no Romantismo: proporcionar o recuo de tempo. e graças aos dois leva adiante o programa de literatura nortista. A história é pois uma segunda dimensão que vem juntar-se à geografia como componente da estética de Franklin Távora. concebido nestes termos: "Se o romancista não é senão o arrolador (greffíer) da vida de todos os dias. (que sacode o jugo (5) (8) 3OO 3O1 #-T-ra do quotidiano) e a imprecisão de contornos. 6 Embora não tenha seguido escrupulosamente este conceito. deu ao bairrismo o amparo de grandes feitos e uma genealogia ilustre. Cartas a Cincinato. mas também quanto ao ideológico. utiliza desde a lenda popular até a citação documentária. Por isso a história vem lhe permitir desafogo maior da imaginação. cit. assi Cartas a Cincinato. quem sabe devido à preocupação com os problemas sociais da região. E não apenas quanto ao aspecto estético. 215. e onde não me demorarei com a vista senão sobre o que me interessar". não há dúvida que procura construir uma visão ideal da realidade. que permite combinar à vontade os elementos. dando-lhes ao mesmo tempo enquadramento que facilita o trabalho criador. pág. (que abre campo livre à idealização poética). portanto. colocando quase sempre os personagens além das contingências de todo o dia. 13. m. Nos seus romances do Setecentos pernambucano. pág. que é viva. quero antes a vida em si mesma.. Ao senso ecológico acrescenta o da duração temporal. a história se tornou elemento importante no seu romance permitindo-lhe estribar o ardente regionalismo no passado. Alguém (não me lembro quem) disse que Távora laborou num certo equívoco ao escolher o romance para exprimir uma realidade que se trataria . num âmbito larguíssimo. dotando-os de qualidades acima. ou abaixo da norma.

mas sem ele não há romance duradouro. à importância de um romance não é indiferente a intenção ideológica do autor. Ao contrário do que muito se afirma em nossos dias. como disse. Dickens. As lacunas de Távora provêm a meu ver de imperícia e carência estética. em ter percebido a valia de uma visão da realidade local. seja em matéria histórica. nem do ponto de vista. Alguns apelavam para a imaginação pura e simples. Este não basta. não da matéria. É verdade que ele tinha algo de pesquisador.o inevitável lastro informativo e ideológico apareceu no ro mance como que a despeito do romancista e muito a pesar seu. antes das teorias da arte-pela- arte. com a concepção de romance. A importância de Távora consiste. como Scott. para . é que a eminência literária vem ligada freqüentemente. que não bastaram para fazer grandes os livros de Charlotte Yonge ou Hector 3O2 Malot. coerentes. mesmo quando tênue e sem valia.depois de Flaubert. como sugerem os dois trabalhos inacabados sobre as revoluções pernambucanas. Balzac. de Henry James . em seu tempo. que era a sua. nem esta entra como simples argamassa da forma. dos simbolistas. os escritores consideravam o romance um estudo e meio de debate. Alexandre Herculano. Nem tampouco da nítida intenção ideológica. este fazia questão de acentuá-lo e dele se orgulhava. ao contrário. Lytton. outros se atribuíam uma função mais alta e pretendiam mostrar a verdade ao leitor. A julgar-se desta maneira. do programa definido de demonstrar teses e sugerir modelos. à possibilidade de dar certo toque de ficção à realidade sentida e compreendida à luz de um propósito ideológico. em matéria de romance. A verdade porém. e se vivesse mais talvez recorresse apenas à história. Mais tarde . a obra de um Tolstoi ou um G ottfried Keller seria bela com ou sem os propósitos éticos e sociais. Note-se todavia que. naquele tempo.melhor doutra forma. Ora. seja em matéria moral e social como Eugene Sue. e eram quase sempre os de menor valia.

que conduz à rebelião política (Matuto.) moraliza. que tentava por meio da história c dos costumes. em termos de competição econômica. explicarlhe a fisionomia. para ele literatura não era apenas obra de fantasia. Usina e Moleque Ricardo). Os seus três romances histó ricos. enumerando os tipos humanos e procurando interpretarlhes o comportamento.) até certo ponto aco mpanha o teatro em suas vistas de conquista do ideal social".7 . constituem um roteiro de afirmação. Aliás. .ele (como atualmente para Jorge Amado e o José Lins do Rego. repele interpretações superficiais que vêem na luta Olinda-Recife uma querela de preconceitos. a decadência.. mas tam bém como competição entre dois grupos rivais . os manifestos literários.. definição da arte por Bacon". como conflito entre a agricultura c a indústria. educa. para representar "o homem junto das coisas. estudos históricos). Lourenço).início de crise para o açúcar e portanto da decadência material já avultada em seus dias. A guerra dos Mascates lhe interessa como pano-de-fundo romanesco. as cartas contra Alencar. orgulho ou enlevo. procurando definir literàriamente a autonomia da região. nem dispensava objetivos extra-literários: "(---) o romance tem influência civilizadora. à irreverência intelectual (Cartas a Cincinato). para defini-la. Por isso é que preferia "o romance verossímil. o modo de ser. possível". crítica e polêmica. (.. os fat os. ao cangaço (Cabeleira). mas também complexo de problemas sociais. ao bairrismo (Prefá cios. sobrelevando (não custa repisar) a perda de hegemonia político-econômica. a reg ião não era apenas motivo de contemplação. de Bangüê. os fragmentos restantes das obras históricas. N"O Matuto. forma o sentimento pelas lições e pelas advertências.o fazendeiro e o comerciante. segundo escreve. (..

esse homem prático e apaixonado. Consiste em pôr no primeiro plano um personagem fictício (como Eurico) ou semifictício (como D"Artagnan). possível". n"O Monge de Cister) e a . que serve de prete xto para traçar em plano mais distante os personagens históricos (como Richelieu. requerendo. Achava que Alencar falhou n"O Gaúcho por não conhecer objetivamente o pampa e os seus habitantes. falando de "romance verossímil. como pensava. que é a verossimilhança. fundador de uma das correntes mair poderosas do nosso romance. no Cinq Mars. ou Dom João I. a magia (que lhe faltou) das intuicões e das invenções . que em literatura consiste sobretudo na coerência entre personagens e ambiente. págs.. que se tornou básica na composição do romance histórico. O conhecimento histórico-geográfico da região. não é um grande escritor. se comprometia implicitamente a descrever uma realidade morta para os sentidos e apenas suscitável pelo conhecimento. Walter Scott. eram condições necessárias que lhe pareceram também suficientes. 98 e 99. Távora não tinha calor artístico. Deficiência grave para quem.Devido porém às mencionadas carências e imperícias. estilo nem imaginação suficiente para elevar acima da média a absoluta maioria das suas páginas. apontava para a verdade da literatura. mas sem dúvida o transcende e envolve. a possibilidade literária da ação proposta e do meio descrito. iola necessariamente o mundo real. legou a técnica bifocal. que não v Cartas a Cincinato. Ele próprio. de Vigny. ao aceitar as imp osições do romance histórico. pois para tornar-se matéria de arte. o que (7) 3O3 #lhe faltou foi justamente o poder alencariano de construir o ambiente e os personagens com mais elementos do que a fidelidade. Alencar possuía a capacidade de criar este mundo autônomo. Um dos pais da ficção moderna. Ora. clt. não entre autor e ambiente. o equipamento ideológico do ba irrismo.

No tratamento da matéria. em Arras por foro díspanha. parecem gêmeas das de Lisboa medieval. Medularmente romântico na sua trilogia setecentista. das suas aventu ras aos fastos da revolta. muito próximos à tensão entre burguesia e nobreza. através do qual emprega a técnica bifocal de Scott.(Cortesia de Olyntho de Moura). e esta oscilação constitui poderoso elemento de verossimilhança . e ao qual se prendem solidàriamente os acontecimen to. onde. #*PWF°<?V" O T3 OU . onde se armam conluios por entre espias. A tensão político-econômica entre senhores-de-engenho e comerciantes é descrita com um colorido. A narrativa oscila entre o plano inventado e o plano reconstituído. também se traçam planos de rebelião. Távora obedece a esta técnica. que a descrição da realidade presente no romance de cost umes contemporâneos. sobretudo em O Matuto e Lourenco. o fenômeno histórico que ele transpôs para a ficção não deixava de apresentar semelhanças corn 3O4 Alfredo de Taunay . Afinal de contas. históricos ou fictícios. documentado nas páginas de Fernão Lopes. parece ter sofrido influência marcada d"O Monge de Cister. naqueles livros. As tavernas dos mascates. formalmente. que Herculano deu como pano-de-fundo às vinganças de Frei Vasco no livro citado. e de Leonor Teles. onde este personagem é pretexto para traçar o ambiente revoltoso da Guerra dos Mascates e onde a narrativa vai e vem.da mesma natureza. um torn.reconstituição do momento em que se passa a narrativa.

Embora valorizando com excessiva benevolência os livros do amigo. n"O Matuto.a c s cs H "O oo -ê s l-s Po i! o "s tu g . amparadas no comércio.§ <a ^ ^ l o tratado por Távora: ascenção das camadas burguesas. em detrimento dos latifundiários em decadência. nas Arras. segundo Lúcia Miguel-Pereira. nem quadros tão ricos como a procissão dos mesteirais. o melhor como composição e estilo. sobretudo o excelente combate de Goiana. ou o ajuntamento da arraia-miúda. não lhe poderemos negar consciência do problema traçado (como vimos) nem algumas cenas de boa qualidade. é o único dos seus livros .8 A sua obra-prima é contudo uma novela. n"O Monge . E se no brasileiro não encontramos a mesma argúcia histórica. Casamento no arraba lde (1869). cujo singelo encanto já fora destacado por José Veríssimo como traço de realismo e. Sílvio Romero já havia registrado o progresso constante que vai d"O Cabeleira a Lourenço.

nem depender da elaboração requerida pelos romances históricos. iniciador também nisto. o entrecho distendido e incoerente. que no Brasil serviu algumas vezes de pretexto para vul garidades piores que as do sub-romantismo. não há dúvida.que subsiste. descreve nada menos que o duplo banho. que reputava de somenos em relação às outras. e. A grande novidade é o naturalismo. O resultado foi uma deformação lamentável. uma ilhota de elegância e equilíbrio literário entre os demais esc ritos. lúbrico e rumoroso. Talvez por não debater tese alguma. de um D. alguns tópicos sexuais prediletos em seguida. e resolvesse explorá-los. mas ao tempo eram a ousadia suprema.9 É. pôde beneficiar de um momento fe liz de inspiração. Aqui já aparecem. Esquecido da pudicícia de alguns anos atrás. tratando com harmonia uma desprentensiosa visão dos costumes pernambucanos. Foi então que transformou a encantadora n ovela suburbana num romance ambicioso. Sacrifício. publicado em partes na Revista Brasileira (1879). . João de fancaria e uma mulatinha fácil. introduz em nosso romance as descrições de pernas mestiças. em que os pobres personagens aparecem desfigurados. e pena foi que Távora houvesse perdido a fórmula dessa narrativa. a língua deselegante e banal. é possível que vislumbrasse traços da nova escola na naturalidade que havia obtido sem esforço ao narrar com singeleza. num exibicionismo ingênuo que hoje faz sorrir. (8) Silvio Homero e João Ribeiro. História da Literatura Brasileira págs 3O73O8. corn o correr dos anos e a nascente influência do Naturalismo. tão em vog a até hoje. quando censurav a a Alencar um personagem banhando-se no rio.

Esta combinação de senso prático e refinamento estético fundamenta as suas boas obras e compõe o traçado geral da sua personalidade. 3O6 3. depurada por sensibilidade e cultura nutridas de música e artes plásticas. enfronhado em problemas práticos. encaixadas numa seqüência puramente romântica pela técnica e o ritmo narrativo. na sua imperícia. nem bacharel nem médico.(9) José Veríssimo. Iria ele e ngrossar a fileira naturalista. 237. cuja marcha principiava então com Inglês de Sousa e Aluísio Azevedo? Interrompida a carreira pela morte prematura. servem para mostrar de que modo o Naturalismo. Raras para o tempo foram também condições como as que encontrou no lar franco-brasileiro. é par ticularmente um caso raro na literatura do tempo. foi muitas vezes continuação de modismos anteriores. na obra de Távora. deste fiasco literário. Este. A Prosa de Ficção de 1S7O a J92O. devemos classificá-lo como romântico. Bernardo Guimarães e Taunay se diferenciam como viajantes do sertão. jornalistas e políticos. pág. 3O5 #Não podemos avaliar as conseqüências eventuais. e essas cenas cruas. e meio à parte de uma obra que se vinha desenvolvendo sob outra inspiração. mas militar. as ousadias de Sacrifício realçam. Lourenço. Lúcia MlguelPereira. 45. História da Literatura Brasileira. pág. homens de cidade que pouco sabiam do resto do país. escrito mais ou menos ao mesmo tempo que o seu último romance. o inconfundí vel timbre melodramático da escola. parecendo ruptura abrupta. na tradição duma parentela de artistas e escritores que . A SENSIBILIDADE E O born SENSO DO VISCONDE DE TAUNAY Dentre os burocratas. para a qual trouxe uma rica experiência de guerra e sertão.

sentindo-a à maneira de um Ribeyrolles ou um Ferdinand Denis.° volume do presente livro. era eu o único dentre os companheiros.que se apaixonaram à Chateaubriand pela beleza úmida e rutilante da floresta carioca.tios. . registrando as cenas de viagem em desenhos d e "ingênuo paisagista". já referidas no 1. Entre alguns desses homens . n"Os Sertões"."1O Viajava de lápis na mão. Desenhos de traço elementar. compostos em seguida num ritmo que se diria musical. diferente do risco nervoso de outro romancista bem dotado para as artes plásticas . onde se prefonnam certos movimentos d""A Terra" e d""O Homem". a paisagem e a vida daqueles ermos são apresentados a partir de alguns temas fundamentais. e portanto de toda a força expedicionária. escreveu com acerto sobre assuntos de música. e ele se orgulhava de saber apreciar a paisagem com mais finura e enlevo do que os seus patrícios: "corn a educação artística que recebera de meu pai. que esse esteta de sangue francês construísse da pátria uma visão exótica e brilhante. com efeito. Daí o torn de ouverture dessa página aliás admirável na sua inspiração telúrica. No primeiro (1O) 3O7 #capítulo de Inocência ("O Sertão e o Sertanejo"). que ia olhando para os encantos dos grandes quadros naturais e lhes dando o devido apreço.haviam contribuído para delimitar entre nós certas áreas de sensibilidade préromântica. como se qualifica. Compôs com facilidade e elegância. primos. Os pais e tios prepararam-no para senti-la com um amor avivado de exotismo. e mesmo nas descrições do sertão percebemos que também o ouvido elaborava as impressões da paisagem. Nada impedia. nasceu e se formou Alfredo d"Escragnolle Taunay. pigs 175-176. pois. Predominava nele. acostumado desde pequeno a vê-lo extasiar-se diante dos esplendores da natureza brasil eira. a sensibilidade musical. todavia. uma das melhores da literatura romântica. de Euclides da Cunha. As circunstâncias levaram-no todavia a conhecê-la mais fundo.Raul Pompéia. mas atentos à realidade e transpondo-a com amenizada placidez. amigos . a internar-se no int Memórias do Visconde de Taunay.

o fato de suas obras mais significativas estarem ligadas à experiência d o sertão e da guerra. dos tios e do parente de Chateaubriand. dos seus trabalhos e ambições) elaborando sem cessar a própria experiência.erior bruto. que descobre novas regiões da sensi bilidade. naquele tempo. Daí resultar um brasileirismo misto de entusiasmo plástico e consciência dos problemas econômicos e sociais. A paisagem deixou de ser. um espetáculo: integrou-se na sua mais vivida experiência de homem. Ao músico e desenhista. é preciso apontá-las como singularidade a mais do romancista: é única entre nós. a insistência com que passou a vida (sem desprender-se dela. enfrentar asperamente a paisagem em lugar de contemplá-la. São dois traços modestos que delimitam um gráfico plano e linear. A sua recordação não vai àqueles poços de introspecção donde sai refeita em nível simbólico. orgulhoso dos dotes físicos e artísticos. por exemplo. vem fundir-se o sertanismo prático da Expedição de Mato Grosso. A su a obra . pois o que há nela de melhor é fruto das impressões de mocidade e da lembrança em que as conservou.11 Daí. sem poder desprender-se do seu fascínio. que elaborou durante toda a vida. o tenente da Comissão de Engenheiros. para ele. em vez. nem eqüivalem as suas impressões ao discernimento agudo. Mesmo assim. para assinalar o cunho pouco profundo da criação literária de Taunay. também. Duas palavras poderiam sintetizar-lhe a obra: impressão e lembrança. lutar por ela. Uso tais palavras intencionalmente. integrado no corpo do país de um modo desconhecido a qual quer outro romancista do tempo. alguns dos quais abordou com born senso e eficiência. Ao naturismo pré-romântico da Tijuca. do avô. de memória e emoção.

dos meus cabelos encaracolados. Não seria fortuita a simpatia que mostra po r Stendhal. uma vez que não enveredou para as pirraças estéreis ou a . muita satisfação. quando ouvia elogios à queima-roupa. numa literatura parca de documentação pessoal.(11) Principalmente a questfio Imigratória. donde assomos de vaidade positivamente mulheril. Leuzinger. italianas e polonesas no Paraná e em Santa Catarina. que não apenas debateu teoricamente como legislador. os elogios que recebia à queima-roupa. 3O8 é um longo diário. "Nesse tempo tinha eu muita vaidade do meu físico. mas em que Interveio como presidente de duas províncias. do meu porte. centralizadas agora pelas Memórias. com uma vaidade satisfeita e quase ingênua: "Ao passar por diante das senhoras ouvi uma que disse bem alto: "É o mais bonito de todos!" e tal elogio ainda mais me intumesceu o peito"." "Os traços da fisionomia. estabelecendo colônias alemãs. mostrava-se todo em superfície."Que guapo oficial! Que rapagão!"13 Ao lado dessa ufania pueril. Rio. muito. ainda hoje os seus herdeiros publicam periodicamente um trecho a mais das suas opiniões e reminiscências. Sobre as suas idéias gerais no assunto. tinha formas bem mais elevadas de orgulho. que contribuem para firmar-lhe os traços da personalidade: haja vista o alto conceito das próprias obras e a serena confiança com que se dirigia à posteridade. Este culto sempre vivo de si mesmo foi de boas conseqüências para a nossa literatura. ver Questões de Imigração.12 Também ele se ocupava longamente. . do próprio eu: só que em vez da penetrante visão do francês. enfim. o meu tipo chamava a atenção. a quem se equiparou certa vez ao conversar com o possível leitor do futuro. do meu todo e para tanto concorriam. um tanto afeminados haviam-se. incansavelmente. com os trabalhos e as fadigas de Mato Grosso virilizado de maneira qu e o meu todo.

..... verdadeira suite de apreço a Inocência. O estilo suficientemente cuidado e de boa feição vernácula preenche bem o fim revestindo do prestígio da frase descrições perfeitamente verdadeiras em que procurei reproduzir.. 229. pàgs. tida como digna de ser literàriamente elaborada. com exatidão. 16O e 417.). (14) Ob. mas não sei.. cit.. II. pág. talvez ingênuo. impressões recolhidas em pleno sertão. José Veríssimo escreveu: "Taunay. Ver no mesmo livro as páginas 223. e estou que as gerações futuras não hão de têlo em conta somenos". 261. pág. "Talvez (. nutro a ambição de que hão de chegar à posteridade duas obras minhas.. A este respeito. Taunay sentia muito bem quais eram as suas obras duradouras. Inocência lhe parecia algo definitivo. este romance é a base da verdadeira literatura brasileira.. (13) Ob. "No meu pensar bem leal. 72.): "Eis as duas asas que me levarão à imortalidade". É um livro honesto e sincero. e sendo saudável. pág. enxergando no eu o critério seletivo da experiência.13 . como todos os autores de uma obra copiosa desigualmente apreciada tinha um íntimo despeito e sentimento da preferência dada àqueles seus dois livros". cit.) mostrando-lhe aqueles dois livros (. pelo cunho de realidade e por concretizar uma aspiração literária fundamental do romantismo: o nacionalismo estético.. (Estudos de Literatura Brasileira.) possa parecer imodéstia de minha parte. 268). 233. que Franklin Távora enxergava na consciência regional. tomei um dia a liberdade de dizer ao Imperador (. O esteta e o sertanista se completam pois pelo egotista. 124. No entanto.megalomania que o acompanham ordinariamente no Brasil. cit. 3O9 #KSW$. foi bastante forte para dobrá-lo ar tisticamente sobre a própria vida. e 328.14 (12) Memórias. por isso mesmo e de bastante imodéstia. A Retirada da Laguna e Inocência (.

Não lhe sentia a possança e verdade. tutu daquelas redondezas. Pereira. contudo. Num segundo plano. em cuja casa almoçou. não apenas os quadros naturais e os costumes. vamos encontrar maior elaboração artística dos dados. fundidos pela imaginação para afeiçoá-los . Portanto.. diretamente e sem retoque. não o desmerece. para onde transpôs. descendente de pintores. o valoT da obra dependia da autenticidade dos modelos. foram reproduzidas com uma fidelidade que dá valor documentário à sua ficção . para a própria heroína. Ao contrário do grande mestre. lembrand o-se muito mais do que lera do que daquilo que vira com os próprios olhos". quase os personagens de Inocência. o Coletor.16 Para esse desenhista. mas pondera que ele "não conhecia absolutamente a natureza brasileira que tanto queria reproduzir nem dela estava imbuído. que ao participarem do diálogo (capítulo XXIV) passam do quotidiano para a ficção.Comparando-se com Alencar. ele vira o ambiente. Quanto ao herói: "Um pouco adian te (. tipos observado s em Santana do Paranaíba e descritos nas Visões do Sertão: o Major.) . nas narrativas o romance é citado como documento: "No dia sete de julho entrávamos na Vila de Santana do Paranaíba. Descrevia-a do fundo do seu gabinete. o Vigário. miserável e sezonática localidade de que dei descrição na Viagem de regresso e em Inocência não esquecendo em ambos esses livros. a jovem leprosa de extraordinária beleza.. utilizou entre outros elementos a carrancice de um mineiro velho que o ia matando por zelo doméstico. mas várias das pessoas que viu. Sabemos que o anão Tico foi inspirado fisicamente pelo anão barqueiro do rio Tucuriú. de me referir ao nosso born e loquaz hospedeiro o Major Taques. Jacinta. Inversamente. morador da casa única de sobrado e grade de ferro da povoação". Para o pai de Inocência. ao tratamento romanesco.

outros elaborados a partir cia sugestão inicial. diz ele. clt. à vontade. duplo aproveitamento do mesmo modelo. torna-se um tipo acidental. porém. há tipos copiados fielmente. ao dinamismo recôndito do inconsciente. O velho leproso Garcia. em qualquer arte. a título de . desde que apareça irmã certa tensão criadora. torna-se no livro. porqu e.17 Devemos. daquele modelo". mais importantes que as sugestões da vida (acessíveis a todos) tornam-se a invenção e a deformação. 233. atenuando os modos insolentes. fazendeiro com mania de doença. Se. fo ram incorporados a Pereira: . pág. M encontrei um curandeiro que se intitulava doutor ou cirurgião. devidas não só às capacidades intelectuais de composição. como às possibilidades afe tivas.. por exemplo. Portanto. (16) Ob. portanto. escorraçado e infeliz. a que serviu de modelo e apenas passa no livro. diz o autor. mas alguns dos seus traços. cit. no Coelho "empalamado".ou seja. pág.. Há pois maior complicação do que supunha o próprio Taunay ao proclamar a sua fidelidade ao real. mas ressaltar desde logo a parte do trabalho fabulador. outros compostos com elementos tomados a mais de um modelo. no capítulo XVII: simples mudança de situação. Em Inocência. 229. antipáticos. vão se deformando cada vez mais pela necess idade criadora. mas quando são importantes ou essenciais à narrativa (isto é. vemos de fato que os tipos acessórios são às vezes "fotografados da realidade" (como diria Sílvio Romero). Manuel Coelho. à memória profunda. o "empalamado" do capítulo XVI. e me serviu para a figura do apaixonado Cirino de Campos.(15) Ob. não tomá-lo ao pé da letra quando insiste na veracidade copiada dos tipos. o pobre doente do mesmo nome que ent revemos um momento. quando são personagens). avô da mocinha. ainda há muito de Manuel Coelho.

No seu caso. dele e "de outros de mais acentuado zelo". que faz Tristão dizer a Isolda: Belle amie. composta com fragmentos de experiência do autor. Se as sombras de Paulo e Virgínia perpassam aqui. o antigo drama da paixão contrariada. LXI e LXII. VII e VIU. em toda a sua cega e no caso singela fatalidade. da morte. elas se manifestam pel o discernimento com que ajuntou os dados da impressão e da memória para reviver num caso particular. ca ps. como poderia o curandeiro mentiroso e antipát ico transformar-se no terno e elegante Cirino. Além da reprodução e da estilização. ainsi vá de nous: . também aqui pressentimos o eterno filtro do amor e. a sua boa qualidade literária deve-se a um terceiro nível da cons(17) As Indicações de Taunay sobre os modelos de Inocência encontram-se em Visões do Sertão. caps. inventado. A citação referente ao Major Taques se encontra à pág 75. a Cirino. na personalidade do velho P ereira. 72. ou a força profunda com que morre de paixão. de que tanto se gabava e na verdade são essenciais à economia do livro. à pág.pitoresco. mas dotada de autonomia suficiente para superar as sugestões iniciais e inscrever-se no plano da criação literária propriamente dita. É que se a contextura geral do livro e dos personagens é devida à descoberta plástica e humana do sertão (cujo significado já foi dito). muito pouco haverá. nas Memórias. com pouca diferença. Doutra forma. havia nele as forças criadoras profundas. indispensáveis à ficção literária. Tudo se encontra agora. que aceita a morte de amor com tão romântico fatalismo? Nem a beleza física da jovem doente bastaria para criar o encanto indefinível de Inocência. 31O 311 #ciência artística de Taunay. c omo em boa parte dos nossos idílios românticos.

transfigurado pelos problemas de honra militar e sentimento nacional.Ni vous sans mói. que em mim nasceu. pois. especialmente no modo ingênuo de dizer as coisas e na elegância inata dos gestos e movimentos. a que vemos na Retirada da Laguna não se encontra nas demais narrativas de guerra e de viagem. É que há no fundo de ambas certas vivências cuja expressão mais forte se fundiu neles. assim também.compartilhado a cada instante. outro de milho. a mim e ainda mais eu a ela me apeguei. Em tudo lhe achava graça. ao seu lado dias desdridosos e bem felizes. Antônia.. O consentimento da própria indiazinha. m Ora. foi comprado por "um colar de contas de ouro. desejando de coração que muito tempo decorresse antes que me visse constrangido a voltar às agitações do mundo. o longo padecimento da tropa. em pági nas admiráveis pela sinceridade da emoção. . Passei. O fato porém. de . me havia custado quarenta ou cinqüenta mil-réis". não obstante amaneirada consciência dramática. uma vaca para o corte e um boi de montaria o que tudo importava naqu elas alturas e pelos preços correntes. foi porque ele vivera em Mato Grosso uma aventura apenas recentemente revelada nas Memórias. N"A Retirada da Laguna. com a indiazinha chané. ni mói sans vous.permitiram-lhe transpor a jornada a um a categoria dramática. Se em Inocência a experiência artística do sertão serviu-lhe de veículo para exprimir uma versão rústica da fatalidade amorosa. . que. não ocorre nos outros romances de Taunay. cuja posse comprou ao pai por "um saco de feijão. em Uberaba. durante a estada nesses Morros quase fantásticos. foi que "a bela Antônia apegou-se logo . São os amores. esta vigorosa. Embelezei-me de todo por esta amável rapariga e sem res istência me entreguei ao sentimento forte. dois alqueires de arroz. nuns cento e vinte mil-réis". demasiado forte.

A bela neta do sitiante leproso. a paixão silvestre que termina pela morte da índia abandonada pelo amante. com um mínimo de fantasia. publicado em 1874 nas Histórias Brasileiras. pois. cumulando os sonhos literários de Taunay. diretamente. um belo conto. indiretamente. e que simboliza um aspecto importante da literatura americana: o contacto espiritual e afetivo do europeu com o primitivo. Num plano mais fundo de análise veríamos. em Iracema. O entrecho e o quadro sertanejo ser viram para delimitar e informar a sua experiência pessoal. que o efeito literário de Inocência deve-se à força germinal desse idílio que tanto marcou o autor. serviu para fixar as recordações da índia Antônia: a candura e a beleza desta comunicaram à personagem central do livro aquele encanto no amor e no padecimento que lhe abriram a posteridade. destinada a casar com o primo. * O conto relata.que me achava tão separado e alheio. Na verdade. o melhor de quantos escreveu . Aí talvez esteja o segredo deste romance que supera de tão alto as produções e transposições da realidade. retomada com o mais alto impulso lírico por Alencar. porventura sem amor. quer parecer-me que essa ingênua índia foi das mulheres a quem mais amei". 312 Pensando por vezes e sempre com sinceras saudades daquela época. Em todo ele perpassa uma ternura e encantamento que o tornam dos bons trechos da nossa prosa romântica. que ao projetar-se de tal modo na forma artística pôde satisfazer anseios menos conscientes de expressão afetiva. com o pseudônimo de Sílvio Dinarte. os dois processos literários que empregou conscientemente . entre as quais ele o incluía com orgulho. o que há de mais profu ndo em Inocência: o perfume indefinível da donzela sertaneja e a tristeza dos seus amores frustrados.lerecê a Guaná. e. Nem lhe falta a situação des crita por Chateaubriand em René e nos Natchez.18 Tal foi na verdade a emoção.a . que ela gerou em Taunay.

284 e 292. Sonhos d"Ouro ou A Pata da Gazela e Ouro sobre azul. desde a burguesia mal talhada de Macedo (1844) até a gente bem mais polida do high-life de Taunay (1875). Trinta anos de urbanização e desenvolvimento da Corte não passariam sem deixar marca. que se faz cada vez mais sóbria.teriam sido suficientes para acender a imaginação e compo r. E também de cansaço do romance romântico. teriam certamente avultado em sua personalidade humana e literária os pendores de mundanismo propicia Memórias clt. Não fosse a experiência fundamental da guerra. e. que tendo principiado nas peripécias informes de Teixeira e Souza.. escreveu quatro romances. Evolução da narrativa.reprodução e a elaboração premeditada do real . Mas não bastariam para realizar o que realizou. do amor no sertão. até certo ponto banal. do sertão. vinha acabando numa idealização algo banal. Ouro sobre azul é livro de um discípulo dos romances urbanos de Alencar. págs. contudo. No Declínio. sob o signo do folhetim francês. o que é um enredo. três dos quais fiéis ao padrão mundano estabelecido por Alencar à imitação dos . como elas aparecem em nossos dias. das narra tivas de viagem. Os mais amenos. Não nos esqueçamos porém que o autor de Inocência. e que se hoje nos parecem recessivos no retrato definitivo da história. podemos agora acrescentar. graças à intervenção do inconsciente. Ouro sobre azul. De 1871 a 1875.mest re de muitas páginas de Alencar e do nosso Visconde. cujo poder já ficou mencionado. isto é. à Octave Feuillet . dos pela educação. d"A Retirada da Laguna. Vimos até aqui as linhas expressivas da sua personalidade e da sua obra. compunham-na todavia em parcela ponderável. Poucos romancistas apresentam produção tão contraditória quanto Alfredo de Taunay. Há uma nítida linha de contaoto c evolução entre A Moreninha. em Inocência. dos 28 aos 31 anos. é também o autor d"A Mocidade (18) 313 #de Trajano. não os Perfis de Mulher. e da sociedade descrita.

e um. criando a fórmula porventura mai s feliz do regionalismo até aquela data (A Mocidade de Trajano. a própria obra. posteriores a essas reflexões e à experiência da literatura contemporânea (francesa. meio constrangido. 1875. daquela concepção realista e sobretudo naturalista. que considera como um caso . Por vinte anos. Louva por isso. não voltará à ficção.franceses. inglesa e alemã). Retirado da vida pública. como alguns aspectos e personalidades do seu tempo. Inocência. E voltou à literatura. de Fielding a George Eliot. absorvido pela carreira política. com entusiasmo. 1874. 1871. as qualidades de análise da vida real. ou seja.se tornam consciência crítica na idade madura. mas também à fantasia . é interessante notar como deixa de lado todos os seus romances. nas Memórias (escritas a partir de 1892). livre e original. têm muito de estudo. contudo. dedicou-se a recordar o passado em livros de reminiscências. revelam bastante interesse pelo romance naturalista. menos Inocência. na qual desempenhou papel de relevo e que a proclamação da República veio cortar em plena ascensão. Lágrimas do coração. 1872). que lhe parecia o mais real de todos.no sentido de uma arte Ügada à observação. nutrido de experiências profundas. mas não admitia a i ntervenção da sexualidade. Preza nele. O Encilhamento e No Declínio. Ouro sobre azul. que rejeita com indignação. Daí censurar o convencionalismo dos românticos e seus sucessores. publicados no intervalo. que ele próprio manifestara na mocida de e o naturalismo lhe terá porventura auxiliado a discernir melhor como técnica de criação artística. A intuição e as disposições da mocidade . e ao analisar. que contribuem para esclarecer não apenas a sua obra. afirmando-se no tipo de literatura que respeitava a realidade. Os seus artigos de crítica. publicando mais dois romances: O Encilhamento (1894) e No Declínio (1899). os ingleses. italiana.

elaboramos freqüentemente um ponto de vista que existe mais em nós. O que se poderá dizer é que representa um finale mais polido. não vejo motivos para classificá-lo fora do Romantismo. bastante marcados pelo "realismo mitigado" (que enxergara e m Daudet). É o mesmo Taunay de Ouro sobre azul. #]. 5. mais secos do que as produções da mocidade. FORMAÇÃO DO CANON LITERÁRIO. 314 315 #Capítulo VIU A CONSCIÊNCIA LITERÁRIA 1. Mas a sua maneira de apreender a realidade. tanto no rumo urbano quanto no regionalista. P or isso. Aluísio e Machado de Assis. foi sempre tão vivo nele o senso da realidade e o gosto pela observação. como sugeri. Estudo social o primeiro. A sua obra continua. TEORIA DA LITERATURA BRASILEIRA. menos idealista e mais linear. benefician do da experiência anterior de Alencar e do conhecimento da evolução do romance na Europa. permanecem românticos.o aspecto descrito da realidade. . estudo psicológico o segundo: ambos. Entretanto. RAÍZES DA CRITICA ROMÂNTICA Ao descrever os sentimentos e as idéias de um dado período literário. 2. que procura fixar a vertigem financeira de 1892-3. que não se pode ver nessas duas etapas da sua produção romanesca uma contradição ou uma ruptura. A nova causalidade psicológica só aparecerá aqui d epois de Inglês de Souza. a sua interpretação dos atos e sentimentos. 3. 4. CRÍTICA RETÓRICA. RAÍZES DA CRITICA ROMÂNTICA. A CRÍTICA VIVA. e significando uma evolução no sentido das novas concepções. tendências desenvolvidas por este.

se quiserem. porque ela é de certo modo a consciência da literatura. corn efeito. mas pela provável ação de presença que exerceu junto aos moços da Niterói. a crítica romântica brasileira se baseia na teoria do nacionalismo literário. Para contrabalançar a deformação ex cessiva deste processo. Como também Garrett se funda neles em grande parte. é conveniente um esforço de determijiar o que eles próprios diziam a respeito. não apenas por certa coincidência de idéias expressas sumariamente. Em segundo plano . mero compên dio escolar. como a epístola de Silva Alvarenga a Basílio da Gama ou a "carta marítima" de Sousa Caldas. Como atividade regular da inteligência. franco-brasileiro: Ferdinand Denis. Augusto Guilherme Schlegel e Sismonde de Sismondi. seja através de expositores ainda não determinados pela pesquisa erudita. seja diretamente. pouco antes. pode-se considerar Almeida Garrett. impõe-se o estudo da crítica no período em apreço . podemos dizer que as origens da noss . cujo iniciador foi. os nossos primeiros românticos devem ter retomado estes autores. o registro ou reflexo das suas diretrizes c pontos de apoio. aliás inevitável. um estrangeiro. só aparece todavia com a Niterói. com o grupo da Sociedade Filomática. No Brasil. veremos que não se prendem aqui na maior e mais significativa parte. com grande acuidade. Vimos no volume anterior manifestações do maior interesse. Neste sentido. para a nossa literatura. a crítica nasceu com o Romantismo. sobretudo como vinha expressa na obra de quatro escritores: Chateaubriand. ou. do que nos indivíduos que o integraram. Mas se buscarmos as suas raízes. Madame de Staèl. Em seg uida. Denis aplicou ao nosso caso. de que modo exprimiam as idéias que sintetizamos e interpretamos. para não falar nas lições de Frei Caneca.segundo a perspectiva da nossa época. intelectualmente e pelo significado histórico. certos princípios da então jovem teoria romântica.

Interessado pela África. ao estudar.a crítica romântica se encontram nas suas obras. mostrando a sua influência nos sentiment os. em dois episódios depois destacados da obra Atala e René. exemplificava concretamente a força poética e psico lógica da angústia interior e da vida primitiva. valorizando o medioevo. Finalmente. que encontrara pouco antes em Condorcet a expressão mais pura. ou melhor. . indicar a ligação entre as produções do espírito e a sociedade. fazendo da literatura. N"O Gênio do Cristianismo (18O2). ressaltando a sua ação recíproca. teórico e 319 #srr Joaquim Norberto . a Arábia. Ferdinand Denis pode ser classificado como discípulo direto de Bernardin de Saint-Pierre e Chateaubriand. a América. mais fecundos da crítica oitocentista. ao mesmo tempo. Além disso. fazendo a efici ência e grandeza das obras dependerem da intensidade com que as manifestavam. com influência lateral de Madame de Staêl e (possivelmente através dela) Schlegel. junto com a social. Humboldt. Ao mesmo tempo. nos temas. no estilo. a índia.destinados ao maior êxito e influência. como um progresso incessan te. na linha optimista. concebe a evolução literária. reflexo e veículo de aperfeiçoamento humano. residiu no Brasil de 1816 a 182O e escreveu abundantemente sobre nós e os portugueses. foi sem dúvida Guilherme Schlegel. pregava a supremacia do sentimento e das paixões sobre a razão. do ponto de vista da história da crítica. considerando a religião cristã o principal fator de grandeza das obras de arte. Chateaubriand leva mais longe as idéias que Schlegel desenvolvera desde os fins do século XVIII. opondo os modernos aos antigos. .(Cortesia da Biblioteca Municipal de São Paulo). O mais importante e sistemático dentre eles.

e Bernardin de Saint-Pierre. A tradição clássica. pois este foi o ideal que dirigiu a nossa colonização. fizeram-no interessar-se pelo problema da literatura nacional. que presenciou aqui. que. liga-o a Portugal. o indianismo e o cristianismo. ao jugo colonial. que as artes e letras vinculam-se estreitamente ao estado da sociedade e. de quem foi amigo fidelíssimo. pois já sabia. e ao voltairiano Guinguené. enquanto Chateaubriand lhe comunicou o in teresse pelo índio.como assinala Lê Gentil. e os próprios primitivos têm capacidade poética. de Staêl ia bem com o seu temperamento e admirações. isto é. Os anseios de autonomia e progresso. a prudência de Mme. Ainda era preso. o fervor pela natureza.a grande fonte criadora. que conseqüentesnente devem ser tema literário e fonte de inspiração. imitar é morrer. sobretudo. não* corresponde ao nosso gênio nacional. como fonte de poesia. Os sentimentos 321 #dominantes na literatura serão portanto o nacionalismo. sendo país novo há de procurar expressão literária própria. com Madame de Staêl . muito menos o Brasil. redator do Mercúri o Estrangeiro. todavia. impede a comun hão do artista com a natureza misteriosa que o circunda no trópico e. os primitivos brasileiros são os índios. que cada nação segrega por assim dizer uma literatura adequada ao gênio do seu povo . como as que votava ao pré-romântico Senancour. . com Schlegel. podemos imaginar em Denis um processo mental mais ou menos do seguinte teor: não se deve imitar servilmente os clássicos. levando à imitação do passado. A língua e as imagens da literatura são assim estreitamente ligadas à sociedade. influiu na sua visão do trópico. à trad ição clássica francesa e avesso a rupturas marcadas. a quem se refere com veneração! Postas estas bases. A literatura vem de baixo. que exprima o seu gêni o.

não trepidamos em afirmar que darão um dia. a vastidão dos lugares desabitados. nacionalista e liberal em políti . em Scenes de Ia nature sous lês tropiques. neste sentido. o silêncio. descrevendo românticamente a nossa natureza como fonte de inspiração e criando. no conto sobre os Machakali. de certo modo. num sentido que a orientaria por meio século e iria repercutir quase até os nossos dias. flores e regatos bast avam aos poetas do paganismo. as raças primitivas.A presença no Brasil de pré-românticos como ele foi importante. a solidão. sobretudo levando em conta as capacidades que nos reconhecia: "Os brasileiros têm geralmente singular aptidão para o estudo das ciências e das letras. Nisto. o céu estrelado. a solidão das florestas. "Os arvoredos.2 Ao jovem Denis. Cabe-lhe sem dúvida o mérito de haver estabelecido a existência de uma literatura brasileira. mal chegam para exprimir o eterno e o infinito que enche a alma dos cristãos" . fundando a teoria da nossa literatura segundo os molde s românticos. éramos "um país que parece reservado a altos destinos científicos e literários". Mas é em 1826 que junta o Resumo da história literária do Brasil ao Resumo da história literária de Portugal.dissera Madame de Staèl numa tirada à Chateaubriand. no Brasil. foi fiel ao espírito moderno. um país talhado para se exprimir segundo as novas diretrizes. sentiam como que a justificação desta teoria e a debilidade da tradição greco-latina. foram levados a aplicar ao nosso caso o que fornecia.2-* Em 1825. tais fra ses seriam estímulo a ver. o Oceano sem limite. o no sso indianismo romântico. exemplos brilhantes ao resto do Novo Mundo". ilustra as teses de Chateaubriand e Madame de Staêl. a teoria eu ropéia. neste gênero. o que Garrett apenas estava sugerindo ao mesmo tempo na Introdução ao Parnaso Lusitano. já referido no volume anterior. segundo uma orientação inspirada por Humboldt. Ante a exuberância da natureza tropical. pois uma vez que as condições do país os convindavam a assumir atitude literária diferente do Classicismo.

. deve todavia repelir as idéias mitológicas devidas às fábulas da Grécia: gastas pela nossa antiga civilização. enfim. as tradições (. o clima. do ponto de vista crítico. 15O. deve ficar independente e guiar-se apenas pela observação. graças às obras-primas antigas. não estão em harmonia nem de acordo com a natureza.°. De I"Allemagne.3 Desta verdadeira proclamação de independência literária.) Nessas belas paragens.ca. pág. Histoire Géographique du Brésil. (2-a) Ferdinand Denis. majestoso. o pensamento d eve crescer com o espetáculo que lhe é oferecido. principia (no que se refere aos dois últimos temas) a longa aventura dos fatores mesológico e racial na crítica brasileira. schlegeliano em crítica. 91 e 62. corn Denis. o tempo das especulações sobre o "espírito n . deve ser livre na sua poesia como no seu governo". "O Brasil. A América. e onde deveriam ter sido sempre desconhecidas. Era. certos temas que serão condutores no Romantismo: estabelecimento de uma genealogia literária. que atesta a juventude de um povo. como se poderia dizer glosando um escritor atual. com efeito.". vol.3-" decorrem. 322 de adotar instituições diferentes das que lhe haviam sido impostas pela Europa já sente necessidade de haurir inspirações poéticas numa fonte que lhe pertença de fato. respectivamente págs.. foram levadas a essas plagas onde as nações não as poderiam compreender bem. l. que Sílvio Romero levou ao máximo de sistematização. tão favorecidas pela natureza. Se esta parte da América adotou uma língua aperfeiçoada pela nossa velha Europa. na sua glória nascente. TOl. segundo o qual a diferenciação nacional acarreta forçosamente a diferenciação estética. análise da capacidade criadora das raças autóctones. aspectos locais como estímulos da inspiração. e. bem cedo nos dará obrasprimas deste primeiro entusiasmo . 1. que sentiu necessidade (2) Madame de Stael.

como se estivéssemos condenados a exportar produtos tropicais também no terreno da cultura espiritual. em Sismondi. Quanto a este. 515516.. pag.. "dos povos germânicos e latinos". Homens como Denis se encontram na origem de tal processo: é claro que um francês acentuaria o encanto do local e veri . através do qual reperc utiria frouxamente. prolongando as cogitações de Herder. No caso brasileiro. retomada mais tarde por Villemain. exprimem a entrada aparatosa da geografia e da etnologia na cr ítica.) mas em 1824 por um livro de Ferdinand Denis (.". propiciando. clt.acional" e a influência das latitudes.. continuando a linha francesa que teve em Montesquieu o maior expoente. como afirmam os compêndios (. da peculiaridade das raças e atuação dos climas. como as já referidas.. no Brasil. originando forçosamente sentimentos diferentes. 3.) 323 #grandeza da natureza tropical. acentuava a do fator racial. a exploração do pitoresco no sentido europeu. enquanto Schlegel. tudo se resumiu em tiradas. sobre a diferença e a (3) Ferdinand Denis. (3-a) Jamll Almansur Haddad. vol. "Literaturas do norte e do meio-dia". nas letras. **"O prefácio do Cromwell do Romantismo Brasileiro não íol lançado em 1836.. Daí um persistente exotismo que eivou a nossa visão de nós mesmos até hoje. segundo os cânones do momento. acentuava a importância do fator geográfico. considerar a raça e o meio. Revisão de Castro Alves. portanto. com isto ficou relegada de fato a segundo plano a correlação muito mais fecunda entre literatura e instituições sociais. impunha-se. ambas as coisas em Madame de Staêl. págs. levando-nos a nos encarar como faziam os estrangeiros. em Schlegel. Madame de Staêl. em Sotero dos Reis. "Resume de 1"hlstolre llttéraire du Brésil". proposta com acuidade por Madame de Staêl em De Ia Littérature.

Denis era optimista. de Graciliano Ramos. quer cultive as terras mais férteis do mundo. parece que o gênio próprio de tantas raças diferentes se mostra nele. O índio é triste e melancólico. Gavet. quer apascente os seus rebanhos em pastagens imensas. flechadas e episódios históricos em cena. não Cláudio. é sempre poe ta".como Denis. quer se tenha aliado ao negro ou ao primitivo habitante da América. de integração. pois aquele punha índios.Durão era brasileiro. No entender dos franceses. . ("Resume". inflamado e . cada uma das nossas raças constitutivas possui caráter poético próprio. salvando-se. de diferenciação. Ainda hoje. Monglave. Sucessivamente ard ente como o africano. o romântico. . que Angústia.a nele a contribuição que o Brasil poderia dar. de Jorge Amado. cavaleiresco como o guerreiro das margens do Tejo. como vimos. que embriagaram os nossos jovens reformadores e até hoje fazem parte do equipamento da crítica vulgar: "Quer descenda do europeu. os leitores estrangeiros aceitam muito melhor Jubiabá. o brasileiro é naturalmente inclinado a receber as impressões profundas. onde vão encontrar problemas longamente versados pelos seus próprios escritores. que lhes traz uma Bahia colorida e brilhante. 521) Para ele. e a formação da nossa literatura só adquire sentido vista na inteire za dos dois movimentos solidários: o neoclássico. imaginoso. O Romantismo embarcará nesta duvidosa canoa e nela se arriscará freqüenteme nte. sonhador como o Americano. não é preciso ter recebido â educação das cidades. enquanto este falava a linguagem dos homens cultos de todo o Ocidente. sendo uma aceitação necessária e justa do detalhe local. quer percorra as florestas primitivas. na medida em que. Quanto à raça. pág. o negro. e para se entregar à poesia. dizendo coisas como estas. é ao mesmo tempo prolongamento da atitude setecentista de promoção das luzes.

em seguida Cruz e Silva. bastando aos escritores atuais retomá-los e desenvolvê-los. (pág. sonhador. Neste sentido traça o seu estudo. que será dos mais persistentes lugares comuns da nossa história oficial. Descartando Cláudio como demasiado europeu (pouco adequado ao seu propósito). repetindo as notícias de Barbosa Machado (a ponto de ignorar. diz que "é nacional e indica bem o alvo a que se deve dirigir a poesia a mericana". 523-525) Nem lhe faltou apontar que a Cavalaria. português que deu nas "Metamorfoses" um exemplo de aproveitamento adequado da natureza brasileira . censura a Durão não ter aprofundado o tratamento dos fatos relativos à . quando entra a emitir juízos pessoais. Gregório de Matos) até a "escola mineira".comunicativo. enquanto o mulato é amoroso e imaginoso como o árabe. com este. 518) Isto posto. passando afinal aos historiadores e economistas. ao teatro e às artes. Borges de Barros. Retomando uma preocupação dos Ilustrados pernambucanos. os grandes homens são os dois épicos. Do Caramuru (a que consagra dezenove páginas). todavia. encontrava no Brasil correspondente entre os bandeirantes. apontado como objeto principal da poesia brasileira. sobretudo. Para ele. (págs. o branco. (naturalmente por ser ministro em Paris). Preocupado. com o aproveitamento da nossa história. trata bem Gonzaga desleixa Silva Alvarenga e ressalta principalmente Durão e Basílio da Gama. restava-lhe tão somente mostrar que não só o Brasil possuía uma literatura cuja história era possível fazer. que abordaram o tema indígena. capaz de grandes coisas. Dentre os mais recentes destaca Sousa Caldas e. Ó mameluco é aven turoso. entusiasmado pelo seu país. mas que nela já se poderiam apontar certos traços precursores do nacionalismo literário. lembra que as três raças assinalaram a sua importância na construção nacional ao se unirem na guerra contra 324 os holandeses. nostálgico da civilização dos avós. tão necessária na fase inicial para configurar o próprio conceito do Romantismo.

* Por este lado. em todos os estrangeiros que trataram de passagem da literatura brasileira a partir de então. naquele momento transitivo: "Em geral nas novas poesias francesas encontra-se pouca naturalidade. "Bosquejo da história da poesia e língua portuguesa". as relações com os jovens brasileiros em Paris. (-*) Parnaso Lusitano. não o seduziram os produtos finais do neoclassicismo.5 Numa preferência que indica o seu ponto de vista. que para ele principia cor n a oEra de Cláudio Manuel da Costa. Mas apesar das idéias de meio-t ermo. XVIV e XLV. a sua contribuição é mínima. A sua posição é extremamente circunspecta. notadamente o conflito de Francisco Pereira Coutinho e Diogo Alvares. como os referidos romancistas. p ouca e forçada imaginação". Monglave. As idéias de Denis aparecem. sobejo artifício. mais ou menos modificadas e fragmentárias. (págs. na referida Introdução do Parnaso Lusitano. de Gavet e Boucher. vol. vale pelo fato de haver destacado os nossos autores. anotando com born humor os exageros do sentimentalismo. em cuja crítica parece predominar a influência staèliana. a mania medievalista. nos seus dois periódicos: O Português e O Cronista (1826-1827).". o que Jogo inspirou a Januário o seu Parnaso Brasileiro. Casimiro de La Vigne e Afonso de La Martine. mas pelos escritos que produziu antes aind a de 183O. 325 #No entanto. que se terá exercido não só pelo contacto pessoal. sugere uma influência.colonização. recebe com simpatia as obras românticas sem desmerecer as clássicas. l. fez simultaneamente a Denis um traçado histórico da poesia portuguesa. o alemão Schlichthorst. e a afinidade entre a sua atitude crítica e a que eles vieram a assumir. destacando a contribuição dos brasileiros. págs. e exceto nos versos dos srs. 553 e 552-553) É fácil perceber que desta observação deve ter nascido em grande parte o estímulo para o Jakaré-Ouassou. considera o primeiro o "poeta francês atualmente o mais estimado dos . Garrett. complemento natural do outro. as irregularidades formais.

363. em Gomes de Amorim. n. pág 132) Comenta Os Natchez com apreço e admira os ingleses.. somente grega.seus. 18O) Note-se a "critique dês beautés". Deixemos para a crítica invejosa e ferrujenta o esmiuçar defeitos para argüir. um romântico moderado. é conciliador e equilibrado. Garrett. I. pág 19 (6) Ms. e antes <5) O Cronista. principalmente Walter Scott. (Mário de Andrade). que o talento humano dificilmente igualará jamais. p ropugnada por Chateaubriand. Shakespeare rasgos de sublime. (n. "Não há coisa mais para rir do que ver uma jovem dama de Paris toda entusiasmada com a descrição dum castelo gótico. e porventura mais que nenhum o merece". (n. pág.° 7. Mas enfim. ou dum sítio romanesco. embora já5"" autor do Camões e de Dona Branca. romana. nacionalizaram e popularizaram a poesia que antes deles era. e em todos muito que admirar. que. Nessa quadra era. autobiográfico cit. desejando que o romance histórico floresça em Portugal. sem fazer caso das virtudes para louvá-las".° 6. que era também o de Denis. seja qual for a sua escola ou sistema.° 2 d"O Cronista). francesa ou italiana. 4. .Os 1O e 17) No fundo. trazia não só este "cauteloso pouco a pouco". pág. vol. pois. "proclamaram e começaram a nossa regeneração literária. Kotzebue tem cenas de infinito preço. contra a carrancice formalista dos neoclássicos. -tj-i o de Madame de Staèl em De rAUemagne (que celebra no n. encantada das grosserias do Otelo inglês. como seriam sem exceção os nossos primeiros românticos. quase s e pode dizer. tudo menos portuguesa . Sejamos tolerantes. nas suas próprias palavras.° i.6 Aos jovens brasileiros. deixem os a cada qual com seu gosto. mas o interesse pela atualidade literária da Alemanha e. Em todos os gêneros há belezas. (n. admiremos os grand es gênios no que têm de admirável. sobretudo. ou das chalaças sensabor dos criados sentimentais dos sentimentalíssimos dramas de Kotzebue.

. de Tasso e de Racine."7 (7) 326 327 #w 2. TEORIA DA LITERATURA BRASILEIRA A crítica brasileira do tempo do Romantismo é quase toda muito medíocre. confirmando-os no sentido do nacionalismo literário e. mais que a imaginação e fantasia. . . n. O terceiro finalmente é o de Homero e Sófocles. girando em torno das mesmas idéias básicas. também alguns afinaram a lira no modo romântico. assim. Mas os modernos já se amoldaram ao clássico. desenvolveu um esforço decisivo no setor do conhecimento da nossa literatura. O se gundo é o de Milton. O primeiro é dos salmos. ou naquele que Doutras regras não tem. Sobre O Crontsía.* 8. Os poetas espanhóis antigos escreveram quas e todos no gênero romântico. segundo os mesmos recursos de expressão. orientando-os. Não se pode todavia negar-lhe cornpreensão do fenômeno que tinha lugar sob as suas vistas. promovendo a identificação e avaliação dos autores do passado.mais dinãomica do que a que en tão^ predominava e abrangia apenas a clássica e a romântica: "E são estes os três gêneros de poesia mais distintos. e de quase todos os ingleses e alemães. de Camões e de Felinto. tudo. embora nem sempre lhe haja percebido os aspectos particulares. graças às indicações iniciais dos escritores franceses. e ainda hoje seguido na Ásia. e cujo sentido geral apreendeu bem. contribuindo de modo acentuado para o próprio desenvolvimento romântico entre nós. de Klopstock. Seria interessante averiguar onde buscou a"sua divisão da poesia. e conhecidos: oriental. Dos nossos portugueses. e muitos deles têm progredido admiràvelmente. romântico e clássico.Inglaterra. cit. 179. pág. Do ponto de vista histórico a sua importância é maior: ela deu amparo aos escritores. de todos os livros da Bíblia. porém poucos. de Shakespeare. de Virgílio e Horácio.

adotando-se em seu lugar o exemplo dos escritores que demonstraram fantasia criadora. e a literatura da 5 pátria livre deveria se inspirar noutros modelos. como todos sen tiam e se pode verificar no documento significativo que é a Epístola de Francisco Bernardino Ribeiro. superando a crítica estática e convencional do passado. é o argumento romântico de que o escritor deve criar com independência. a marcha do capít ulo daqui por diante. mais ou menos. para que Sílvio Romero o definisse. renascentistas ou modernos. Esta será. os esforços para criar uma história literária. como sempre. no período estudado. a partir das sugestões do mundo e do espírito. inventando. portanto. como formação de um ponto de vista segundo o qual a ^literatura clássica se identificava à Colônia. Provavelmente. finalmente.um canon cujos elementos reuniu. Os gêneros clássicos são aí identificados à hera nça portuguesa. No fundo. em seguida. se for o caso. uma questão de modelos a seguir. as manifestações vivas da opinião a propósito da arte literária e dos seus produtos atuais. Basicamente. escrita com certeza nos primeiros anos do decênio de 3O e largamente reproduzida pelo século afora.publicando as suas obras. traçando as suas biografias. em primeiro lugar as definições e interpretações gerais da literatura brasileira. Daí a importância da crítica como tomada de consciência. do que se passava em nossas matrizes culturais. as unhas internas de desenvolvimento não teriam conduzido a nossa literatura ao que foi depois de 183O. de modo algum permane . um universo fictício além da vida. que o poeta aconselha seja repudiada. fossem la328 tinos. a renovação dependeu então. Devemos pois entender por crítica. . até criar o conjunto orgânico do que hoje entende mos por literatura brasileira.

Garrett. diretamente ou através de vulgarizadores. o Galo astuto Na Ura entoa não ouvidas vozes. aí tens o Ariosto. neste sentido. a fim de transformá-los em diretrizes para os escritores. Que te dirija os passos. Sente-se que invoca os estrangeiros como exemplos desta atitude criadora. o encantador Ovídio. A nossa c rítica romântica se desenrolou. romântico igual a nação independente. como Denis. honra dos lusos. Imita o Anglo excelso. deu elementos para os inovadores perceberem a dualidade classicismo-romantismo e. alguns traços cuja soma constitui temário central da crítica romântica e podem ser expressos do seguinte modo. não como modelos a repetir. segundo os dados do espírito positivo. Ou se o mundo real. Te não desperta a inente. Aí tens o belo. imediatamente. inflama o espírito. substituindo Denis por Taine como fanal de guia. que só foram superadas quando Sílvio Romero as retomou e reinterpretou. Dada esta disposição de "arar os campos da longa fantasia". Da longa fantasia os campos ara. como um repisar das premissas do Resume. escrevendo de segunda mão. de uma retomada das posições de Denis: . Sterne. Sublime inspiração do estro divino. Byron. O grande problema era definir quais os caracteres de uma literatura brasileira. foram indicados. vendo-se que não passam. na maioria.clássico igual a colônia. A crítica dos Schlegel e de Staêl.cer na rotina. pouco avançaram no terreno crítico além destas posições iniciais. Em compensação. tudo o que existe. efetuarem a identificação . até a História da Literatura Brasileira. nunca seriamente investigados nem mesmo debatidos. a medida acertada foi compreender que as modernas tendências românticas se adequavam às necessidades expressionais do jovem país.

finalmente. afirma que a religião é um dos elementos básicos da sociabilidade e deve.1) é preciso o Brasil ter uma literatura independente. em conseqüência. indicando a sua grande contribuição à nossa civilização. a princípio. mesmo. firma alguns pontos importantes. 2) esta literatura recebe suas características do meio. que o Brasil possui uma literatura ligada à sua evolução histórica e apresenta objetos dignos de inspirar os escritores. estuda a cultura dos índios. cada . mas é elemento indispensável da nova literatura. mas todos deram a seu tempo opiniões sobre um ou outro dos temas enumerados. (6) é preciso reconhecer a existência de uma literatura brasileira no passado e determinar quais os escritores que anu nciam as correntes atuais. 5) a religião não é característica nacional. devendo-se investigar as suas características poéti cas e tomá-los como tema. a começar por Gonçalves de Magalhães com dois ensaios na Niterói e uma memória apresentada ao Instituto Histórico Brasileiro: "Discurso sobre a história da literatura do Brasil" e "Fi losofia da religião" (1836). Trouxeram-lhe contribuição alguns poucos. transfundir-se nas produções do homem. que agora se analisará. são critérios de identificação nacional a 329 #descrição da natureza e dos costumes. É uma seqüência coerente. "cada povo tem sua literatura própria. Por isso. espelhando-se nela o que ele tem de mais alto e característico. como cada homem seu caráter particular. 3) os índios são os brasileiros mais lídimos. "Os indígenas do Brasil perante a história" (1859). No primeiro escrito. mostrando. A literatura é a expressão de um povo. deixando para depois a discriminação dos demais gêneros críticos. Este conjunto forma o que se pode chamar "teoria geral da literatura brasileira". afirmando que constituem o elemento predominante em nosso tipo racial. 4) além do índio. em seguida. das raças e dos costumes próprios do país. a sua capa cidade poética e.

indicara antes que "a glória dos (8) D.8 Mas lembra que os contactos de civilixação levam a uma interpenetração. Não obstante. clássicos ou não.árvore seu fruto específico". 244) O seu propósito seria mostrar a literatura como espírito da nossa evolução histórica. 247) por isso. (pág. em parte. talvez. 242. que se combinam todavia de modo a produzir uma feição própria. por faltarem conhecimentos que a distância da pátria não permitia reco rdar ou adquirir. o pensamento mais íntimo da sua época. no processo histórico de formação dum a continuidade espiritual. é a razão oculta dos fatos contemporâneos". pág.G. Tendo ele próprio começado nos arraiais do neoclassicismo. nada de desprezo". . reunindo-se no mesmo tronco frutos originais e outros de empréstimo. (que se tem procurado . sobre as diferenças de escola. (pág. (pág. Mais ainda: isto deve ser feito sem partidarismo filosófico e estét ico. 33O grandes homens é o patrimônio de um país livre". englobando todos os valores que produzimos. estabelece dois princípios importantes: é preciso estudar os escritores brasileiros do passado para definir a continuidade viva entre ele e o presente. de Magalhaens.o que só faz por meras indicações preambulares. sentiu bem a coesão do processo. aparecendo aqui um conceito caro aos pensadores alemães: "esta idéia é o espírito. "nada de exclusão. 255) Vemos assim o ecletismo se ajustar a uma necessida de ideológica do Brasil de então: para estabelecer a conexão com o passado. Citando Madame de Staèl. "depois de tantos sistemas exclusivos. os de ontem e os de hoje se unem. o espírito eclético anima o nosso século". é preciso ter em conta os homens que o país produziu.t afogadas em digressões.J. pois há sempre u m tema central que define as épocas e exprime a homogeneidade dos povos. . Opúsc-ilos históricos e literários.

Embora a literatura estivesse dominada pela tradição. (págs. teria sido possíve l aos nossos escritores ouvirem as inspirações da religião e do meio.salientar neste livro). utilizando os conceito . 26O-262) Em seguida. marca o início da nossa literatura no século XVIII. ( pág. (pág. diz Schiller. Pereira da Silva estampa os "Estudos sobre a literatura". e quis superar o classicismo sem vituperar os clássicos. podemos concluir que o país se não opõe a uma poesia original. João VI e define o momento em que escrevia como de influência francesa. antes a inspira". 256-259) Seguindo Garrett mais que Denis. a ninguém caracteriza.9 Isto posto. "Do que ficou dito. contraposta à de Portugal. No número 2 da mesma revista. que a todos pertencendo. orientado de perto pelo livro de Madame de Staèl. tenha impedido aqui o desenvolvimento de uma literatura baseada nas peculiaridades locais. pois (aqui entra o tema final deste artigo cheio de sugestões) "o poeta independente. é todo o temário do Romantismo que passa neste esboço inicial da sua teoria. 269) Para isto. dela oriunda. como estava aliás no seu feitio de homem liminar. não reconhece por lei senão as insp irações da sua alma. antes recebendo-os com larga tolerância. assinala a importância da vinda de D. 27O) Como se vê. basta rejeitar a imitação dos antigos e ouvir as sugestões do meio com liberdade de espírito. libertando-se do universal. retomando certas posições de Magalhães em sentido mais geral. e por soberano o seu gênio". atribuída como culpa a Portugal. lamenta todavia que a influência clássica. De Ia Littérature. a ssenta as duas pedras fundamentais do nacionalismo romântico: a força inspiradora da nossa natureza e a capacidade poética dos índios. No fundo. (págs.

clt. seus esforços a favor da liberdade e da glória lhe marcam um lugar elevado entre as artes que honram uma nação" . a França. não pode deixar de ser guiada pelo esforço das letras. Para isto. I. como uma arte moral. uma não se pode desenvolver sem a outra. Ver tb."1O Em seguida. pág. que até então tinham-se inteiramente lançado nos braços de uma poesia imitativa.. um país novo.s com a mesma intenção: a literatura é expressão da sociedade e influi na sua vida espiritual. (pág. conte ntes quebraram o jugo de bronze que lhes pesava (.) Assim pois. Cours. fatos necessariamente unidos e reproduzindo-se ao mesmo tempo.. a Itália. ambas se erguem e caem ao mesmo tempo. esta formulação de corte nitidamente staêliano. deve mani(9) O apelo ao ecletismo é talvez um Jeito pessoal de adotar o ponto de vista de Schlegel. como o Brasil. a sociabilidade. sobre a sua função social: "A poesia é considerada no nosso século como representante do s povos. hoje o horizonte da poesia moderna aparece claro e belo. v ol. No . caíram. que muito influiu sobre a civilização. as faixas e vestes estranhas. sendo o primeiro a fazê-lo explicitamente entre nós. e já nos adornamos com o que é nosso e com o que nos pertence. 38. pág. 237) A respeito das novas correntes escreve: "No começo do século a poesia Romântica levantou seu estandarte vitorioso em toda a Europa. sua importância na prática das virtudes. ambas caminham em paralelo: a civilização consistindo no desenvolvimento da sociedade e do indivíduo. que sobre nós pesavam. "A literatura é sempre a expressão da civilização. os costumes. #--w festar literatura própria. a favor de uma critica compreensiva: "Não ha em poesia monopólio em beneficio de certas épocas e regiões". 33. que atacara vivamente os excluslvlsmos. o que antes de mais nada depende "cie se rejeitar a imitação clássica para ouvir as inspirações focais. aponta o Romantismo como guia.

Alguns anos mais ta rde volta a ele com mais segurança que o amigo. em que não acreditamos. e é pueril querer tomá-la como início da no . nem sempre devidamente observada pelos nossos românticos. e destarte não passam de meros imitadores de idé ias e pensamentos alheios". os indígenas não possuem. seus usos. resco e na religião. Pereira da Silva. ao contrário de Magalhães. referida noutra parte deste livro. costumes e religião.Brasil. como se fazia então com as tradições dos povos europeus e asiáticos: "Apesar desses belos romances com que se costuma embalar a credulidade eu ropéia. deixam de cantar as belezas das palmeiras. mas também nas crenças e costumes. declarava que era preciso ter cautela com as variações sobre a poesia dos nossos índios. dando lugar a uma literatura popular. a primeira indicação completa do que os jovens reformadores consideravam elementos do "nacionalismo". baseada no "espírito do povo" e na descrição dos seus tipos de vida e concepções. como aparece na maioria dos escri tos do tempo. nossos vates renegam sua pátria. No escrito acima. no geral. infelizmente ainda esta revolução poética não se fez completamente sentir.11 corn isto. (págs. porém. desencorajava os eventuais Macphersons e talvez quisesse pôr certo cobro ao indianismo de homens como Gavet e Boucher. inspirarem-se de estranhas crenças. 237-239) Note-se que aparece aí. as superstições e pensamentos de nossos patrícios. as deliciosas margens do Amazonas e do Prata. Pôrto-AIegre. para saudarem os Deuses do Politeísmo grego. o tipo de originalidade poética que lhes é aqui liberalmente atribuída". entre poesia dos índios e poesia sobre os índios. e com que nos não importamos. as virgens florestas. Na comunicação inicial dos três brasileiros ao Instituto Histórico de Paris. é reticencioso no assunto. estabelecendo a distinção. meros cantos que não deixaram eco e não poderiam ser reunidos em corpus. homem de born senso. Aquela não sobreviveu. fundado não só no pito-. embora sob o ângulo restritivo do indianismo.

isto era "como remorsos do criminoso". . tais poetas versavam o tema local. e fortemente o censuraram". pag. e o acaso de haverem no Brasil nascido. que os srs. o "primeiro lírico bra(1O) 332 J. o índio utilizado pelo hom em culto como objeto da arte.ssa literatura: "Questiona-se hoje sobre a literatura que poderiam possuir esses povos. Garrett e Ferdinand Denis. 31) De vez em quando. (pág. imediatamente o reconheceram. Pereira da SUva. Por isso. gerava no escritor um senso de traição que angustiava a consciência." 2. " A literatura brasileira do século 18. Pereira da Silva definia o que se expôs no capítulo 1. É fado que até est e século que ora decorre. (pág.° deste livro: o tema nacional era uma espécie de dever patriótico. "Estudos sobre a Literatura". Este defe ito se tornou no século 18 tão saliente. todavia. na literatura passada destaca Santa Rita Durão e sobretudo Basflio da Gama. "de todo s o mais nacional". 18-2O) Como os predecessores estrangeiros e os contemporâneos brasileiros. a todos ou a quase todos se possa imputar o defeito de imitarem muito os escritores europeus. valoriza Sousa Caldas. n. 33) com este conceito. N. máxime de Portugal. havendo o Brasil produzido tantos e tão grandes gênios. não cultivá-lo. pois é equivalente ao tema medieval. 43) com eles. nos seus esboços de literatura. como q ue envergonhados de se abandonarem às musas estranhas. acha que os escritores coloniais poderiam tê-lo feito. Sonho nos parece semelhante pleito. seguindo as mesma pisadas das literaturas dos diversos Estados da Europa. nada tem de nacional. e a civilização que teriam atingido. (págs."12 Mas aceita o tema indianista. M. (pág. 214. e de se não entregarem ao vôo livre de sua romanesca imaginação. e chega a ver nisto um elemento importante. senão o nome dos seus escritores.

pela operosidade e constância com que se dedicou ao estudo da nossa his . com que os românticos desejavam justificar a sua empresa e dar dignidade às nossas letras. 49. (12) J. foi muito prezado durante o século XIX. destinada a servir de modelo aos jovens brasileiros. como irmãos mais v elhos. e melancólica como o som da harpa no meio da escuridão das trevas. Parnaso Brasileiro. uma indicação inteligente dos temas e estados de espírito que. nele. aparecendo em destaque nas antologias. com seus cânticos de dor. da Silva. 38-39) Como se vê. 333 #"-. pág. Quanto a Torres Homem. l. (págs. tão clássicos no espírito e na forma. 7-8.m sileiro". inspirada pelo céu. representavam orientação nova. O primeiro foi talvez a figura central da crítica romântica. ainda.(11) "Resume de 1"hlstolre de Ia llttérature. mas próximos deles. na genealogia literária. no artigo sobre os Suspiros poéticos nada mais fez que repetir as idéias de Magalhães. Devem-se todavia levar ao seu crédito não apenas a nítida compreensão do que significava este livro para a nossa literatur a. utilizado no ensino. geralmente louvado pela crítica. "Ainda não tinha aparecido Lamartine. Dentre estes. basta referir que. cit. págs." volume. lhe haviam aberto a verdadeira estrada da poesia. seu arroubo celeste. completamente esquecido hoje. dessa poesia sublime.. eram sempre destacados estes três escritores. M. pelos temas. e que hoje se tem apelidado Romantismo". dês sciences et dee arts au Brésll". e já Caldas tangia essa corda da lira moderna. seus suspiros de entusiasmo religioso. P. trouxeram reforço à teoria inicial do nacionalismo literário Joaquim Norberto e Santiago Nunes Ribeiro. Note-se aliás que Sousa Caldas. mas. sua imaginação vasta como o pensamen to de Deus. Sua alma grande como o universo.

No setor das generalidades que agora nos ocupa. Mosaico Poético (1844). fundando-se vagamente em cantos recolhidos ou aproveitados pelos catequizadores: "As encantadoras cenas. assinala a capacidade poética dos índios e chega a considerá-los iniciadores da nossa literatura. publicada em 1841 à entrada das Modulações Poéticas.tória literária. o segundo morreu cedo demais para confirmar o que sugerem os seus poucos escritos. cuja coragem. a maneira por que este expunha as idéias de Denis. Ela representava "um povo heróico que merece de ser cantado." poesia brasileira". A sua contribuição. constituindo os capítulos iniciais de uma projetada história da lit eratura brasileira que não terminou. trechos de outro artigo seu. reputando-a tão capaz de inspirar os poetas quanto o m edioevo. ou melhor. se encerram verdadeiramente as primeiras épocas da nossa história literária. que deixaremos para depois. os inspirava. aniquilada pelos . e que fora curioso indagar nesses monumentos que d izem existir nas velhas bibliotecas de alguns mosteiros". No seu estudo. pois. "Introdução" à antologia publi cada em colaboração com Emílio Adet.°. compre endendo a primeira os seguintes escritos: "Bosquejo da história da . "Considerações sobre a literatura brasileira. Joaquim Norberto se aplicou em desenvolver as idéias de Magalhães.13 Já vimos no capítulo 2. pode ser dividida em duas fases. neste sentido. 334 A exemplo de Magalhães. isto é. e de povos rudes e bárbaros faziam-nos poetas. A segunda fase. que seria talvez o melhor crítico da sua geração. que em quadros portentos os oferece a natureza em todos os sítios. compreende principalmente os artigos publicados na Revista Popular (1859-6O)." na Minerva Brasiliense (1843). em que dá balanço aos aspectos poéticos da cultura tupi. em que se perdia a imaginação dos românticos. ao tratar do indianismo.

que lhe serviriam para construi r uma literatura ossianesca. pág 1O. que poderiam como um muro de bronze opor enérgica resistência à escravidão européia". Os (13) Norberto e Adet. foi principiada com o "meu mestre". "Introdução". o "distinto poe ta Sr. se seus antigos ódios não obstassem a junção de tanto milhar de tribos.europeus. Divisões na maioria mecânicas. O primeiro abrange os tempos decorridos desde o descobrimentos do Brasil até o meado do século XVIII. D. (14) Norberto. vol. que no J imite pressupunha a nostalgia de um Brasil desenvolvido a partir da evolução própria dos habitantes primitivos. daí à "reforma da poesia". fornecendo aos pósteros um rico acervo inicial de tradições e poesias heróicas. a quarta. 415. . A Norberto devemos ainda a primeira tentativa de distinguir períodos configurados em nosso passado literário. reluzente de autenticidade brasileira..14 Textos como estes mostram certos aspectos extremos do nacionalismo romântico. a quinta. Dr. distinguindo seis épocas. Cláudio Manuel da Costa fa z o transição desta época para o segundo. e que talvez com ela tivesse submetido os povos que o conquista ram. G. fora pelos europeus admirada. o "bardo brasileiro". de Magalhaens". que define a sexta.15 Mais razoável é a de Santiago Nunes Ribeiro: "Nós entendemos dividir a história da literatura brasileira em três períodos. a primeira abrangendo os séculos XVI e XVII. sem colonização portuguesa. MB. livre das deformações barrocas e neoclássicas. Mosaico Poético. pág. respectivamente a pri meira e a segunda metade do século XVIII. como se vê. J. u.. esta. o que fez no "Bosquejo". "Considerações". que termina em 183O. do início do século XIX à Independência. mas que em todo caso representam um começo. a segunda e a terceira. o "rei das canções".

tomada ao Hamlet: "Poets are abstract and brief chronickle of the time". desenvolvida com boa lógica. A começar pela epígrafe. rebate não só os que negam a autonomia. 335 #Padres Caldas e São Carlos. "Da nacionalidade da literatura brasileira". bem como o sr. é. e este dependendo das condições físicas e sociais. sendo de notar o critério valioso de estabelecer zonas e autores de t ransição e o sentimento muito mais firme dos blocos de produção literária. O principal é um ensaio. isto é. diretor. em linhas gerais. é impossível que um país tão caracterizado geograficamente não determine uma orientação definida n as manifestações intelectuais. 15-53. com muito mais discernimento e informação teórica. Torres Homem. formam a transição para este terceiro em que nos achamos".° e último volume.(15) Joaquim Norberto de Sousa Silva. todos publicados na Minerva Brasiliense. então de . A tese. Se estes agem. a que se aceita ainda hoje. de que foi um dos fundadores e. Denis. "Bosquejo da história da poesia brasileira".. pois sendo a literatura expressão do espírito de um povo.16 Como se vê.. corn este brasileiro adotivo (nascera no Chile e viera menino para cá). escrito com ordem e lógica. Norberto. é a seguinte: o Bra sil tem literatura própria desde a Colônia. José Bonifácio. Garret. em substituição a Torres Homem.o nosso Romantismo atinge ao mesmo tempo o máximo de radicalismo e de compreensão. como Gama e Castro. págs. Neste sentido. mas ainda os que a consideram imitadora das estrangeiras. Mag alhães. a teoria nacionalista dos fundadores d. mas exprime não obstante um fato curioso: Santiago foi o único a levar às conseqüências lógicas a importância conferida pelos românticos à ação dos fatores locais. a partir do 3. alegando que não há duas literaturas dentro da mesma língua. Talento e equilíbrio aparecem nos poucos escritos que deixou. Esta parte final é extremada. sem as lacunas dos predecessores.

isto é.iK|:. Vejam-se alguns exemplos da superioridade do seu "torn". balhos intelectuais de um povo. quando apenas começava a escrever e ordenar as idéias. ele as enfrenta. de um foco de vida social. e fazem lamentar que o seu autor tivesse morrido na quadra . e o que resulta é produto do embate. mas registrando na sua obra as impressões devidas às circunstâncias locais. se houve imitação inevitável. de um sistema. do sentimento. que não poderiam.. Este princípio literário e artístico é o resultado das influências. ter escapado ao seu influxo. talvez mais filosófica. pág. MB.* Fernandes Pinheiro . Ressaltando es te papel ativo na história. justifica em parte os clássicos brasileiros.(Cortesia da Biblioteca Municipal de São Paulo).(Cortesia da Biblioteca Municipal de São Paulo). iVí. dos vinte anos. "Da nacionalidade". de outro. "Não é princípio incontestável que a divisão das literaturas deva ser feita invariavelmente segundo as línguas em que se acham consignadas. I. Portanto. repassadas de um senso histórico que falece cornpletamente a qualquer outro crítico brasileiro antes de Sílvio Romero. Outra divisão.CFt""^V !-"£-<. houve também reação original. sob a influência de outras condições.íi 111 <lí) 336 "J.vem forçosamente produzir algo específico.i. Mas o homem não se submete passivamente a tais influências. Boas verdades. daí não se poderem considerar os nossos velhos escritores meros reflexos da Europa. seria a que atendesse ao espírito que anima. dos costumes e hábitos peculiares a um certo número de home . que não se submeteram passivamente. 23. etc.. diferente do que se dá em outros lugares. de um centro. num momento de predomínio daqueles padrões. à idéia que preside aos tra Santiago Nunes Ribeiro. das crenças. indicando. de um lado. #Sotero dos Reis .

com a superioridade de vistas que (a) distingue. a cada uma das modificações que a arte recebe das causas interiores e exteriores. não se faz justiça aos homens desta ou daquela época. do eu.. as raças. como não admitir que as faculdades mais nobres participem da ação dessa influência e que os produtos da inteligência devem ressentir-se dela? (.. "Quando não se atende ao caráter de cada uma das fases literárias.ns. terá razão em pretender que as literaturas de outra . o clima.) A escola histórica de Hegel tem posto a questão dos climas na sua luz verdadeira. 9-1O) Por isso mesmo. que estão em certas e determinadas relações.) As condições sociais e o clima do novo mundo necessariamente devem modificar as obras nele escritas nessa ou naquela língua da velha Europa. etc. não pod e gerar uma estreiteza correspondente. censurar em nossos autores coloniais a fidelidade aos que então se impunham é uma incoerência histórica. Esta crítica estreita foi a do século passado.. o escritor é até certo ponto sujeito aos padrões da sua época. a emancipação da liberdade. Shakespeare e Calderon.. (págs. em cuja obra se acham certas formas que parecem imperfeitas e até monstruosas aos que tudo querem referir a um tipo. O progr essivo triunfo.. Foi preciso que ela desaparecesse e cedesse lugar a outra mais ilustrada. Quando vemos que o organismo dos seres vivos não pode s ubtrair-se à ação dessas causas naturais. só porque vemos neles o que chamamos defeitos. As influências que ela chama exteriores. que mostrou a estreiteza da crítica clássica. (. são outras tantas fatalidades naturais com as quais a humanidade travou a luta que os séculos contemplam. Dante. Mas o Romantismo que muito contribuiu para que esta crítica liberal predominasse. O Romantismo. é o resultado que ela nos vai dando". liberal e compreensiva para que justiça fosse feita a Homero.

a justa apreciação do que deve agradar em tal país ou em tal época. às instituições civis? Quem quiser estudar a literatura fora de tudo quanto forma ou contribui à existênca social de um povo criará uma espa ntosa mentira. pôde compreender o sentido hi stórico das categorias clássico e romântico. Ora." (págs. 12-13) Vemos que tendia para um ângulo relativista. como Goethe o ensina . como Chateaubriand lhe chama. nem por isso punha de lado os bons produtos da outra. onde irmana o clás sico Homero aos românticos Dante. sendo notável a parcimônia com que se entregaram à moda clássica. a enumeração que faz nas linhas citadas há pouco. não que pudessem ter sido românticos antes da hora (como queriam Denis. só porque nele não se acha a forma que nos agrada? Não. baseado na correlação entre literatura e sociedade nos diferentes momentos históricos. em face deles. Garret . como conhecer o estado moral sem atender à religião. Graças sem dúvida à leitura de Schlegel (que cita). Sente apesar de tudo. obteve assim uma visão ativa.s épocas carecem de beleza neste ou naquele dos seus aspectos. aos costumes. uma espécie de nostalgia por não terem sido mais ousados. segundo um critério dinãomico fornecido pela interação dos homens com os fatores da sua existência. Baseado em Madame de Staêl e Hegel. Calderon e Shakespeare. isto seria voltar aos princípios acanhados da crítica dos clássicos. 337 #segundo o estado moral dos espíritos. libertando-se da rigidez a que os seus contemporâneos brasileiros se submetiam. Quanto aos nossos coloniais. acha que se equiparam aos melhores port ugueses. mostra ao mesmo tempo a diretriz schlegeliana e o desejo de compreender a contribuição dos poetas anteriores ao Romantismo. e embora visse na última a condição de eficácia literária no mundo contemporâneo. Procuremos pois compreender que o gosto é. no afã da polêmica anticlássica.

.17 Isto mostra que o assunto era palpitante. Santiago Nunes colaborav a neste propósito. ele prosseguiu em tela por muitos anos. entra em campo o venerável Januário da Cunha Barbosa. Pode-se considerar que o balanço foi dado por Joaquim Norberto de 1859 a 1862. Os escritos de Januário. nessa fase em que o impulso criador se ligava estreitamente ao desígnio ideológico de colaborar na construção nacional. artigo de Gama e Castro sob o título "Satisfação a um escrupuloso". Santiago replica 338 na Minerva Brasiliense sob o título original do seu estudo. . portanto.o Classicismo nos modernos. e a firmeza das suas razões não tardou em suscitar controvérsia.t os seus seguidores brasileiros). e é de novo contestado pelo anônimo. conforme Schlegel. e embora não se haja dito coisa nova depois de Santiago. manter o ponto de vista autonomista era essencial.é sempre imitação de um passado que não encontra correspondência nas condições atuais. na Minerva. recentemente proferido em Paris num Co ngresso de História. Refutando Abreu e Lima e Gama e Castro. em 1843. Pereira da Silva. mas porque lhe pareceria com certeza. de Norberto. respondido por um anônimo do Jornal do Comércio sob o título: "Reflexões sobre a nacionalidade da literatura brasileira". Magalhães. alimentando veleidades críticas. Este ensaio de Santiago Nunes é o momento decisivo na elaboração de uma teoria geral da literatura brasileira como algo independente. uma r enúncia à originalidade criadora. ensaio de Santiago. tinham provocado opiniões adversas. nos capítulos da inacabada história da nossa literatura que publicou na . cujas linhas gerais se podem traçar do seguinte modo: em 1841. que o Neoclassicismo. para transcrever um discurso de Edouard Mennecht. gerando-se uma pequena polêmica. sobre o problema da nacionalidade em literatura. qui çá contra o "Bosquejo". que a reputavam inseparável da portuguesa.

. mas recebeu com tolerância a contribuição do amigo. bem deixa ver em suas eruditas pesquisas sobre o sentimento da natu reza. Januário da Cunha Barbosa. que se podem avaliar pelas citações de Santiago e de Norberto.) quando Garção. Norberto principia celebrando a nossa natureza.. como prova a rivalidade com os colonizadores. Diniz e ou tros empreenderam a reforma da poesia portuguesa (. e apesar do despotismo português ter impedido o quanto pôde a expansão do nosso gênio nacional. é ler o que o Romantismo produziu de mais completo no assunto como quantidade e sistematização.) não acharam em Cláudio Manuel da Costa um digno predecessor?"19 Em seguida. I. segundo (17) Não conheço diretamente os artigos de Gama e Castro e do anônimo. além disso afirma a "proverbial propensão dos brasileiros para as letras". alinha citações exaustivamente. côneg o Fernandes Pinheiro. pág . 111-1115. como se verifica desde o início da colonização.. O principal orientador cia revista.. Percorrê-la.) que averiguou com a profundidade dos seus conhecimentos a força do reflexo do mundo sobre a imaginação do homem. e abrangem justamente os temas debatidos. o que é fundamental para a formação da literatura. ressaltando o significado da obra de Humboldt: "O ilustre sábio (.18 Passando à questão da "nacionalidade" da literatura. I. visto como o mundo exterior influi diretamente no espírito. Mostra que o sentimento nacional foi se diferenc iando lentamente entre nós. MB. Ver Santiago Nunes Ribeiro. e os engenhos brasileiros se afirmaram desde cedo. para argumentar que deveria forçosamente inspirar obras literárias. não raro gerando conflitos e lutas. funda-se principalmente em Santiago e traz alguns complementos. isto é desde as origens. ob.Revista Popular. cit. A este propósito. e mais MB. chegando a antecipar os portugueses na reforma arcádica: "(--. demonstra que o novo mundo é uma fonte original de inspiração para os poetas. págs. era contra a tese da autonomia total.

porque as influências locais se atenuaram ou desviaram pela educação portuguesa. Joaquim Norberto.dependente da harmonia entre a literatura produzida e a natureza que a inspira. 357-364. 3O3-3O5 e n. 339 #a diferença das raças e dos tempos. . RP. é a da pág. (19) Idem. 161) Deste modo. a clt. "A originalidade da literatura de qualquer nação se demonstra por si mesma. Mostra-se nas inspirações da religião que segue o povo. (18) Joaquim Norberto de Sousa e Silva. Tr ansuda de suas obras nessa cor local que provém da natureza e do clima do país. n. derramando um reflexo dessa glória que faz pulsar de entusiasmo os corações bem gerados. págs. a originalidade se intensificará à medida que predominarem sugestões brasileiras. W8-172. n. apresentará sempre uma tal ou qua l originalidade proveniente do espetáculo da natureza. ." 6 págs.° 7. (pág. RP. n. Assim a literatura que não for servilmente modelada por outra ou que não tiver nascido debaixo da sua influência. "Nacionalidade da literatura brasileira". etc. .s." 4. toda a importância dos países americanos quando vieram pelo seu descobrimento a concorrer com o contingente de magníficas imagens". usos e leis da sociedade. "A independência política nos trouxe a independência literaria"Xpag. o que lhe parece haver em nosso caso. BP. Distinguese finalmente nas ficçõ es históricas." 6 págs.2O A próxima etapa é a discussão sobre a originalidade. 2OO) corn isto considera encerrada a parte introdutória e entra no estudo da literatura propriamente dita. e sobretudo a pressão dos mode los de além-mar. págs. "Introdução histórica sobre a literatura brasileira".a que chega a dedicar apenas dois capítulos. 2O5. 1O1-1O4 e 153-163. Patenteia-se dando a conhecer-se nos próprios costumes. 153-163 e 2O1-3O8."21 Os nossos primeiros poetas não foram tão originais quanto poderiam ter sido.

firmando-se principalmente nas lendas cosmogônicas. RP. cujas idéias lhe servem explícita ou implicitamente de esteio. não obstante repisado infíexivelmente por articulistas de vário porte. "Tendência dos selvagens brasileiros para a poesia". n." 4. poesias e discursos em língua geral. 263. os nossos primeiros e mais legítimos poetas. págs. A cit. constituem literatura do "1. 261-269. pelos escritores em prefácios e justificações pessoais. utilizando com inteligência o testemunho de Fernão Cardim. (22) Idem." 3. Na parte da literatura catequética é mais completo que outro qualquer. (21) Idem. 287 ss." S. RP. Sabemos. págs. é da pág. notamos claramente o papel que se atribuía então ao indianismo. n.° século".que para nós se enquadram ainda na parte anterior: um sobre a poesia dos índios e outro sobre a litera tura da catequese. Nesta parte. de recuperar a poesia nacional ao entroncar-se na dos aborígenes que foram. n. Assinalemos a pouca originalidade de Norberto." 3. págs. Para ele as lendas e cantos dos aborígenes. págs. o progresso que há sobre estes é devido sobretudo à impregnação de Santiago Nunes. . n. pelos estudantes nas suas folhas literárias. 343 ss. que reputa os mais inspirados e ricos sob este aspecto. "Originalidade da literatura brasileira". que os jesuítas produziram para fins de conversão e instrução religiosa. "Da Inspiração". sobretudo dos Tupis. págs S ss. págs. RP. RP. pouco avança além do que haviam dito os predecessores. 16O-1S1. que ainda aqui deu largas à sua tendência compilatória e apreço ao argumento de autoridade. 271 ss "Catequese e iastrução dos selvagens brasileiros pelos Jesuítas". ao lado dos autos sacramentais. n. nada mais se encontra para registrar de novo no assunto.22 Chegando ao fim das suas considerações. segundo os teóricos nacionalistas radicais. n." 2. Depois disso." 16. alinhando subsídios pouco digeridos criticamente e retomando em alguns passos trechos inteiros de artigos seus a nteriores. mas produz uma cópia muito larga de textos em abono. (2O) Idem.

de justificação da sua existência. Basílio e Durão "não . que não basta para conferir-lhe autonomia. é. como chama Norbert o significativamente ao ponto de vista nacionalista. É o caso de um jovem do maior talento. E (releve-se-nos dize-lo em digressão) achamo-la por isso. no estudo sobre "A literatura e a civilizaç ão em Portugal". sem com isso deixarem de ser nacionalistas a s eu modo. Ó primeiro. que todo o período romântico foi de consciência aguda de fundação da nossa literatura. se não ridícula. mas entra logo numa digressão algo con fusa cujo resultado parece o seguinte: é um nacional exótico. Não sem controvérsia. vendo no seu enriquecimento uma forma de grandeza nacional.23 É preciso agora. a opinião dos que negavam caráter distinto à nossa literatura. porém. mencionar este fenômeno de contracorrente. mero galho da portuguesa. .sentimentos que não se diferenciam dos portugueses a ponto de dar origem a uma nova literatura.com efeito."24 Reconhece que a poesia americana de Gonçalves Dias é nacional. a "causa americana". e houve gente de responsabilidade que negou no todo ou em parte. Álvares de Azevedo. com efeito. reputando-a. de mesquinha pe quenez essa lembrança do sr. já dantes apresentada pelo coletor das preciosidades poéticas do primeiro Parnaso Brasileiro. os poemas orientais de Victor Hugo ou Byron não deixam de ser franceses ou ingleses. mas a língua também o é e exprime. Os artigos citados provocaram réplica no Jornal do Comércio. Acha que a literatura é "resultado das relações de um povo". no caso brasileiro. logo. por parte de alguém acobertado sob o pseudônimo de Scot. e de um compassado canastrão. etc. acha que a individuação literária depende da lingüística: "Quanto a nosso muito humilde parecer. o cônego Fernandes Pinheiro. Santiago Nunes Ribeiro. isto. no todo ou na parte inicial. sem língua à parte não há literatura à parte. proclamação da sua originalidade.

. menos intere ssado no particularismo literário. 34O. cons. Via a literatura mais sob o ponto de vista do valor e do significado geral que do sentimento local.. injusto fora excluir da indostânica Camões. pois deixa implícito que há alguma coisa como ser "poeta brasileiro". pág. (págs. mas "não descobrimos (. n.ajunta numa imprecisão derradeira. 153.) em seus versos uma idéia verdadeiramente brasileira. . "nossas letras" se referem sempre na sua pena à portuguesa.. até então. A opinião de Fernandes Pinheiro é mais justa e clara. por causa de Durão. apesar de particularidades manifestas." 7.. não lia literatura brasileira antes do Romantismo porque. "literatura pátria". (24) Alvares de Azevedo. Barros e Castanheda".) Se por empregarem alguns nomes indígenas devem esses autores serem classificados na literatura brasilei ra.. por causa. Foram "gloriosos precursor es".em nã o querermos derramar nossa mão cheia de jóias nesse cofre abundante da literatura pátria. "A literatura e a cMttMcto "m Portugal" Completai. (de Alvarenga?) nos resignarmos a dizer estrangeiro o livro de sonetos de Bocage!" (pág.(23) Sobre Scot. por causa de quem?. RP.. não podermos chamar Camões nosso. um pensamento que não fosse comum aos poetas de além mar (.) formamos primeiro uma nação livre e soberana antes que nos . em Obras 34O 341 foram tão poetas brasileiros quanto se pensa".25 "(. como foi dito no decorrer deste livro. por isso ponderava: "ignoro eu que lucro houvera _ se ganha a demanda .. 34O-341) O fato é que Álvares de Azevedo era escritor de tendência universal.". vol 2. 34O) Por isso. pág. os nossos autores nada exprimiam de diferente dos portugueses..

hasteamos o pendão auriverde. e ainda hoje vemos gente seriamente ocupada em traçar limites. discutir como e quando passamos a ter uma literatu ra independente. se justificava não pela adesão a moldes genéricos. O problema não foi inócuo no século passado.. Curso Elementar de literatura Nacional. porque se vinculava então muito estreitamente a expressão literária ao sentimento pátrio. (25) Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. do mesmo autor o Resumo de Historia Literária. 534. tb. 293. de que a literat ura foi um dos fatores. que. porque fazia parte dum ciclo de tomada de consciência nacional. esse diálogo reivindicatório com Portugal foi um born auxiliar de crescimento. (26) ob. CRITICA RETÓRICA O Romantismo e o Nacionalismo legaram uma grande aversão pela retórica e a poética dos neoclássicos. a tal ponto que se comunicou aos pósteros.emancipássemos do jugo intelectual. exprimiam o a vesso do espírito criador. vol. batizado pela vitória nos campos de Pirajá. pás. Quanto à retórica. V. que pareciam representar o próprio código da escravidão literária. mui to tempo antes que deixassem de ser as nossas letras pupilas das ninfas do Tejo e do Mondego". mas pela expansão livre do talento. em princípio. primeiro. segundo. avançar ou recuar barreiras. Aquelas regras constrictoras. a alguém ou a alguma coisa. Na medida em que só nos conhecemos quando nos opomos. 342 3. Natural que assim fosse. A poética tradicional era útil enquanto valesse a compartimentação dos gêneros e enquanto a arte.o pág. fosse o termo superior. 1O . foi este o principal problema crítico dos românticos. cit. pág. 2.26 Como se vê. originadas havia mais de dois mil anos.. não o artista. . o triunfo da prosa de ficção tornou quase de todo inoperantes as suas .

na medida em que aumentou a liberdade do intermediário que a usava. criando uma estranha contradição.agora considerado termo predominante na fatura da obra de arte. como uma gramática literária. Mas. a estrutura do verso não se modificou essencialmente. na literatura. Ambas deixavam logicamente de tiranizar os escritores. a ser ministrado segundo os critérios estabelecidos. segundo uma expressão famosa. nas formas moderadas e transicionais com que surgiu . avesso a traçar normas para um instrumento que lhe parecia vago. como continuação. desde que eles se decidiram. nesse . para oferecer ao neófito e ao amador o mínimo de formação artesanal indispensável à prática e à apreciação das obras literárias. que obstaram essa refusão e favoreceram. Talvez se deva apenas acrescentar o fato 343 #de não ter aparecido nenhum espírito crítico exigente ou capaz de reinterpretar a velha poética. com a sua tendência conservadora. a palavra se tornou paradox almente soberana a seu modo. . a circunstância do Romantismo não ter aparecido como ruptura. . no Brasil. ou ao menos sistematizar os princípios da corrente nova. mas. Por ser imperfeita e insatisfatória.o escritor. a cobrir de um barrete frígio o dicionário e a gramática. logo incorporado à ideologia oficial. e até quase os nossos dias. O resultado foi que a retórica e a poética permaneceram intactas pelo século afora. de um lado. que pressupunham a eloqüência como gênero orientador do gosto. adequando-a ao espírito novo. Ainda mais: o ensino permaneceu.receitas. Acresce ai nda. Mas aí intervieram vá rios fatores. Impunha-se no caso um esforço de codificar. ao mesmo tempo. como se verá a seguir. desprovido da soberania que lhe conferiram os clássicos. como início de um período auspicioso. Em primeiro lugar está a própria natureza do espírito romântico. de outro. um estado de acentuada ambigüidade. e isso facilitou a aceitação das normas já comodamente existentes para a sua elaboração.

era para nelas perder qualquer originalidade. e quando algum talento se arriscava nas suas malhas ossificadas. não a obra. Um espírito largo. cuja anatomia se faz por meio de critérios fixos. quanto ficou entregue a espíritos secundários. "A crítica da escola antiga. o Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira. é a realidade básica. que permitem ao iniciado manipular por sua vez as palavras rebeldes. etc. era uma operação mecânica que consistia em comparar . que existem. nada mais era do que a aplicação nua e descarnada das regras aristotélicas e horacianas aos produtos do engenho humano. Assim estudaram os primeiros românticos. Tanto mais prejudicial. assinalava agudamente esse estado de "demora cultural" representado por uma crítica tão em desacordo com o espírito do século. havendo-os nitidamente estanques e definíveis por característica s fixas. na maioria dos casos. como o sabem todos que se dão a este gênero de estudos. Ensino baseado na convicção de que o gênero. para não escrever da gramática. O mau efeito desse estado de coisas veio em grande parte do fato de que. como foi o caso de Junqueira Freire. relativas à sua intensidade. assim estudou ainda a minha geração. o ensino da literatura se fez como mero capítulo do ensino da língua. filha da filosofia escolástica. pautando-se po r aquela orientação clássica. que as obras se compõem de partes racionalmente traçadas e o estilo é construído pela aplicação de regras.. constituindo verdadeiras receitas. nascida na idade média. a que se deveriam ater os escritores. e a literatura é empresa racional. de professores despidos de gosto e senso da literatura. em muitos pontos incompatível com a literatura que se desenvolveu após 183O. durante todo o século XIX (pode-se dizer até os nossos dias). variação.movimento que preconizava a liberdade e a renovação do verbo. em suma. uma r etórica e uma poética irmanadas. disposição das palavras. assim estudaram os românticos da última fase.

com a s . e acabava interferindo na atividade crítica. fazendo dos nossos escritores um misto. no Bosquêjo da literatura do Sr. de românticos e clássicos. Note-se. quanto às obras desta tendência didática. ao pedantismo gramatical do ensino. de suas idéias e sentimentos.como podemos verificar abrindo as prosas de Álvares de Azevedo. Figueiredo. sobretudo nc período que estudamos. mutilava cruelmente o fato literário. de outro.""7 Este trecho de um intelectual insuspeito. de Cândido Lusitano. e em mil outros compêndios de retórica. que passou a curta vida obedecendo. E produziu uma consciência dilacerada. . de um lado. ignorando que a literatura é a vida de um povo em cada época. Ela aí anda a esterilizar a 344 imaginação da mocidade na Poética de Freire de Carvalho. pois dado às melhores letras clássicas. Ela parece mais livre e moderna que as do tempo do Romantismo. homens de imaginação livre e forma escrava. e aspiração a uma concepção de literatura diferente da que ocupava o programa das escolas. ao desvario vocabular do Romantismo. que não se produziu no século XIX nenhuma e quivalente à bela Arte Poética. isolado de suas afinidades históricas. A velha escola tem ainda adeptos aqui no Brasil. escrita num tempo em que certas normas tinham sentido e a imaginação do escritor se acomodava com felicidade ao seu preceito. como dados mate máticos. de seus preconceitos e aspirações. com as máximas recebidas.os monumentos da poesia e da eloqüência. al uno sempre consciencioso. Esta resistência do ensino oficial à literatura viva foi um dos responsáveis pelo divórcio entre a literatura e os leitores. que reconhece e ao mesmo t empo rejeita as normas que escravizam a palavra. não raro desagradável. de seus hábitos e costumes. Esta escola tacanha. tão acentuado no Brasil. em Portugal e até nos mais cultos países da Europa. mostra que havia consciência do conflito.o texto. árida e estéril assentava em uma base falsa: tomava as manifestações do belo por via da palavra .

os críticos do Romantismo poderiam ter explorado os seus germens de progresso para a elaboração de uma estética moderna. do fator específico que ele representa. apelo ao "furor poético". Assim. o seu livro se caracteriza por grande abertura de espírito. etc. I. em literatura. etc. pelas Lições de Retórica e Belas Letras. tendo apadrinhado as estrepolias ossianescas de Macpherson. estas são necessárias.28 No estudo do efeit o produzido pelas obras. estudando este com um discernimento que se aproxima dos pontos de vista romântícos. . fé no discernimento da razão para orientá-lo. distingue o belo e o su(Z7) Lafayette Rodrigues Pereira.. Aceita as liberdades do talento criador. etc. em apêndice a Antônio Henriques Leal. vol.ua confiança no gosto. preferiram . 345 #r blime. Os que cultivaram este gênero entre nós se pautaram. . P. de Hugh Blair. grande apesar de violar as normas. em geral. p&gs. diretamente ou através do mau imitador português Francisco Freire de Carvalho. (28) Hugh Blair. e brasileira proferido pelo sr.o gênio. "Literatura . mas não absolutas. Mas não aproveitaram o que havia de aplicável à situa ção moderna no seu excelente livro. p&gs. Leçana de Rhétorique et de Bellei-Lettres. Pantean Maranhense. no estudo liminar sobre o gosto. Embora elaborado no molde neoclássico tradicional. 29-46 e 5O.Curso de literatura portuguesa. que ainda hoje se consulta com prazer e vantagem.(págs 65-83) Por isso tudo. vol I. ressaltando a impo rtância. Sotero dos Reis". 3O8-9. combina cornpreensivamente as normas racionais e o born senso com o respeito ao quid individual. Blair esteve diretamente ligado ao movimento proto-romântico das antígualhas escocesas.exemplificando-as com Shakespeare.

. com o "I . invariavelmente. . 17. .no seu relativismo. Alguns chegam a não registrar certos metros preferidos.Jucá Pirama" cantando por toda parte. em crítica. (29) Cp. tt Uçfto 37. o úl timo. individualismo e sentimento do tempo. clt. em 187O.contudo. nem exemplifica. como vimos. reservada mas simpática e compreensiva. mencionemos: Elementos de Retórica Nacional. m. FORMAÇÃO DO CANON LITERÁRIO O espírito romântico. a. por exemplo. de Honorato. onde só fica a reserva e a incompreensão: entretanto. alegando não ser usado! Isto. todos escrevem c omo se estivessem no tempo de Felinto Elísio. que Honorato. t. . mais informativo e sistemático. que com certeza é a base do ponto de vista intoleràvelmente fillistino de Fernandes Pinheiro. C. em resumo. de Junqueira Freire. 346 4. certos ritmos abandonados a favor de outros. como o endecassílabo 2-5-8-11. de Montefiore. da sua opinião sobre o romance. Liçõe s Elementares de Literatura. depois de trinta anos de orgia meló dica. ob.é tributário da história.. vol. devendo notar-se que os quatro autores são eclesiásticos. piorandoa sob todos os aspectos. Em todos é lamentável a inconsciência total da evolução estilística e métrica. Postilas de Retórica e Poética. p&g. na análise da obra.. crítica à Vicentino. Nenhum parece perceber que há metros usados de preferência. O primeiro é o mais bem escrito e pessoal. É o caso. de Macedo.2* Dos livros inspirados nele. de Fernandes Pinheiro e Sinopses de Eloqüência Nacional. o inglês escrevia em 1783 e ele em 185O. para citar um exemplo..: e Fernandes Pinheiro. tenderia para um apelo mais decidido ao ponto de vista pessoal do crítico e. ater-se ao lastro tradicional da sua obra. para o escritor. a é .

Samuel Johnson. pág. desafogado dos aforismas preconizados. explora todas as fontes de informação. fundados na familiaridade com o texto. aplicava aos admiráveis monumentos das letras antigas a crítica experimental. e de sua crítica profunda e luminosa ressalta fielmente interpretado o pensamento do escritor: a sublimidade da idéia. tomados como exemplo e base do julgamento. no contexto. com aquela isenção e facilidade de espírito que tanto distinguem os escritos do amável gasc ão. no terreno crítico. em contraposição aos juízos formulados pela aplicação de normas preestabelecid . estuda-os em todos os sentidos. fecunda em resultados. os primores da forma. Crítica experimental significa. institui paralel os. Lessing. como a Sotero dos Reis. é uma grande arte. Neste sentido. (de modo mais ou menos completo. e que inspirando-se nas fontes do belo. ob. possuir a melhor fórmula: "Villemain anima com o sopro vivificador do seu gênio os monumentos literários que escolhe para assunto da discussão. para a informação e a sistematização histórica. lembra as contribuições de Addison. Schlegel. para chegar a quem lhe parecia. do gosto pessoal e da liberdade de apreciação. tentan do coroar os magros bosquejos iniciais com uma vista coerente e íntegra da (3O) Lafayette Rodrigues Pereira. com obras-primas. La Harpe." (págs. como viu claramente o conselheiro Lafayette no artigo citado. com maior ou menor consciência. enriquece as literaturas com suas produções. interroga a história e a biografia. a pintura dos caracteres. a utilização livre dos textos. 3O9-31O) Compreende-se que com semelhante atitude.. com uma liberdade de exame que surpreende. a urdidura da composição. onde parte da apologia do relativismo. tudo é ju lgado à luz de uma estética superior e de uma filosofia elevada. cit."3O Em seguida. o movimento das paixões. defeitos e desvios.poca e a seqüência das produções. é a de todos os autores do tempo) o Romantismo brasileiro tendesse. A crítica assim praticada. 3O9. apela para um dos espíritos mais livres que já houve: "Em meados do século XVI Montaigne.

347 #nossa literatura passada. num esforço de meio século que tornou possível a sua História da Literatura Brasileira. Na terceira. etc. Depois. são as e dições. Pereira da Silva. para traçar rapidamente o passado literário. sem experiência do texto por parte do crítico. . esse esforço semi-secular aparece coerente na sucessão das etapas. elaborar uma história literária que exprimisse a imagem da inteligência nacional na seqüência do tempo. os fragmentos da história que Norberto não chegou a escrever. antes referido rapidamente no panorama: são as biografias literárias. Antô nio Henriques Leal. Pereira da Silva. Norberto. reunidas em "galerias". os "cursos" de Fernandes Pinheiro e Sotero dos Reis. um incremento de interesse pelos textos. reedições. as biografias em série ou isoladas. Varnhagen. Na primeira etapa. eruditos e professores. que se desejam mais completos. acompanhadas geralmente de notas explicativas e informação biográfica. ao lado disso.as.projeto quase coletivo que apenas Sílvio Romero pôde realizar sati sfatoriamente. a tentativa de elaborar a história. Antônio Joaquim de Melo. A elaboração dos textos . Na segunda etapa. no decênio de 8O. o panorama geral. a antologia dos poucos textos disponíveis. de Pereira da Silva. são os esboços de Magalhães. ou "parna so". reunindo textos. editando obras. o livro documentário. mas para o qual trabalharam gerações de críticos. em "panteons". o "florilégio". muitas vezes. o "bosquejo". e repetidos. Henriques Leal. são as edições de Varnhagen. pesquisando biografias. ao lado dele. Norberto-Adet. com efeito. A sua longa e constante aspiração foi. Norberto. as antologias de Januário. Fernandes Pinheiro. construído sobre os elementos citados. a concentração em cada autor. Primeiro. Norberto. Em seguida. Visto de hoje.

na qualidade e quantidade das amostras escolhidas. nos Épicos Brasileiros .verificamos um progresso constante na seleção dos autores. como hoje. em 1882. . de Gabriel Soares. mas repositórios de inéditos e raridades. descobre Frei Vicente do Salvador. publica o Diálogo das Grandezas e o Roteiro. o Florilégio de Varnhagen (185O-1853).o Parnaso de Januário (1 829-1831) o de Pereira da Silva (1843-1848). como se pode avaliar pela pobreza de conhecimentos. proporcionando pela primei ra vez um conjunto apreciável de poemas de Gregorio de Matos. . Comparando as três obras principais dessa etapa antológica . de Bento Teixeira. descoberto pelo Romantismo e crescendo lentamente de prestígio até a edição do primeiro volume das obras por Vale Cabral. revelando consciência crescente dos valores. Leitores e críticos não tinham outra manei ra de conhecer a maioria das obras. seleção de obras conhecidas. Varnhagen neúne o Caramuru e o Uraguai em 1845.Comecemos pela elaboração dos textos. Passo decisivo foram a s edições mais 348 ou menos críticas incrementadas depois de 186O. redescobre praticamente a Prosopopéia. que superam a fase da antologia-texto. doutra maneira inacessíveis. lembremos ainda. os capítulos onde trata do desenvolvimento intelectual e artístico. cabendo neste terreno a palma a Varnhagen e Norberto. na História geral do Brasil (1854-1857). e esforço para constituir o elenco básico. o cânon da nossa literatura. transparente nos esboços históricos que então se faziam do passado literário. incorporados assim ao panorama sistemático da nossa evolução. que não eram. este mais crítico. aquele mais erudito. Deixando de lado os seus estudos sobre o medioevo portuguê s. sem contar que o seu Florilégio é a mais rica antologia do tempo. assinalando a função das antologias do tempo.

de São Carlos.Joaquim Norberto organizou as edições mais completas e satisfatórias do tempo. ou a reunião da dos contemporâneos em edições completas. num respeito religioso à verdade e ao dever de escritor. Alvares de Azevedo e Casimiro de Abreu (Norberto). Só estes dois beneméritos. reeditou Gonzaga. costumava porém documentar-se escrupulosamente. documentos. Os seus erros já foram corrigidos em grande .tudo com longas biografias. Crédulo por inclinação. Junqueira Freire (Franklin Dória). Sem grande talento. nota s. compilou a sua antologia. . superando a fase dos fragmentos e da ignorância. por Fernandes Pinheiro. O panorama se co mpletou pela reedição de obras mais recentes. estudou os aldeamentos de índios e fez a História da Conjuração Mineira. biografou as Brasileiras célebres. em parte Silva Alvarenga. Gonçalves Dias (Norberto e Antônio Henriques Leal). a despeito de erros e leviandades. ao modo dos de Varnhagen e Norberto: Laurin do Rabelo. em que até então mergulhava o conhecimento da nossa vida espiritual durante a Colônia. mais tarde Varela (Visconti Coaracy). Além do mais. Neste processo. proporcionaram aos contemporâneos um material considerável. que viveu todas as suas etapas. consciencioso. mais tarde aproveitados respectivamente por José Veríssimo e João Ribeiro. avulta a figura exemplar de Norberto. cujo precursor sem dúvida foi. formando a ligação viva entre os esboços iniciais e a realização de Sílvio Romero. além de uma espantosa capacidade de trabalho. como o Assunção. como se vê. de cultura mediana e gosto limi tado. aos quais o editor cometeu a tarefa deixada em meio. quase sempre providas de subsídios informativos. dotado de boa intuição 349 #histórica e certo faro crítico. preparando o material para a edição completa de Basílio e a reedição de Cláudio. Reuniu pela primeira vez Alvarenga Peixoto e. era todavia aberto de espírito.

repetidas pelo século afora por Pereira da Silva. e. imaginação pura e simples. dado à frenologia.. por outro lado. Como a pressa era grande e nem todos possuíam o senso da exatidão. quase ficcionista. e o esforçado crítico chegou à conclusão que era impossível distinguir. que ninguém mais que ele mereceu tanto na construção da nossa história literária. Norberto. pois todo esse movimento biográfico é animado de um espírito plutarquiano que conduzia ao embele zamento do herói. e este andou medindo e comp . mesmo. em que o Instituto Histórico o encarregou de identificar os despejos de So usa Caldas.. A ela se ati raram muitos no Brasil.parte. Mas. o conhecimento dos indivíduos responsáveis pelos textos. Um trabalho interessante seria levantar a origem e deformação das informações biográficas. no Convento de Santo Antônio. A investigação biográfica Além da iniciativa de elaborar um corpus pela publicação de textos. qual seria a do tradutor de Davi. mesmo o cauteloso e consciencioso Norberto dava listas dos membros das pseudo-arcádias e encontrava um parente de Gonzaga para dizer que este nas cera em Pernambuco. Se um Pereira da Silva. inventava praticamente largos trechos da vida do biografado. isto é. que era preciso fornecer à pátria como exemplo. Moreira de Azevedo. levantaram rapidamente certas informações e concepções a respeito dos grandes homens. Foi o caso de certa vez. A partir de livros como os de Pizarr o e Baltasar Lisboa. discriminando o que é leviandade e o que é credulidade . conclusões rápidas. como exigia cada vez mais a nova crítica. Macedo. com isto pode-se afirmar serenamente. permitindo avaliar o que deixou de positivo. a tarefa imediata rumo à história literária eram as biografias. deixaram-se ir freqüentemente ao sabor das inferências arriscadas. no meio das várias ossadas. Recorrera-se a Pôrto-Alegre. mandava averiguar em Roma se houve mesmo brasileiros inscritos na Arcadia e chegava a escrúpulos pitorescos.

Quanto à Itália. dar cartas de nobreza à nossa vida mental. esforçados e levianos. compreende-se melhor o espírito de Pereira da Silva. com o título mudado para Varões Ilustres do Brasil durante os tempos coloniais. O intuito principal do autor era despertar admiração pelos varões e traçar existências movimentadas. depois à Itália. Assim eram eles. do escritor e dos fatores individuais. o crânio ilustre. imagi na que fez sucesso nos círculos intelectuais e grangeou a simpatia do Papa Pio VI. animados de um desejo que primava tudo: estabelecer um passado ilustre. na obra. um ... das quais apenas duas (as de Jorge de Albuquerque Coelho e Salvador Corrêa) não interessam à vida intelectual. Tratava-se duma espécie de ritual patriótico de ressurreição. que acentuava a importância.arando para localizar. depois de ter procurado reanimar as sociedades literárias anteriores (quais não especifica)! Em 1856. cujo nome bem manifesta o espírito. fortalecido pela teoria vigente a respeito do gênio. descreve a situação daquele país e imagina o que deveria sen tir o poeta. pelas bossas do gênio. retirando-se desgostoso com a opressão reinante. onde há 2O biografias. Sabendo que veio ao Rio em 18O1. mais ou menos como se faz nas biografias romanceadas. mas sem usar o condicional e afirmando como se algum documento o autorizasse.. que aqui permaneceu até 18O5. mesm o com sacrifício da exatidão. que inaugura entre nós a técnica da "galeria" de homens ilustres. ante a monarquia agonizante e a anarquia que começava. não se sabe como. faz um rol das cidades principais e descreve o sentimento do poeta a seu respeito. com o Plutarco Brasileiro (1847). 35O Isto posto. daí meter-se na pele deles e trabalhar os poucos dados seguros po r meio da imaginação. vnrií annular as lacunas de informação sobre a viagem de Sousa Caldas à França. publicou. pesquisadores e crédulos.. descobre. Assim por exempt.

. bastante refundidas. àquele tempo. Bern diversa é a obra de Antônio Joaquim de Melo: Biografias cie alguns poetas e homens ilustres da Província de Pernambuco j(1856-1858). para o p eríodo que vai do nascimento ao exílio do poeta. de Edouard Mennecht. a viagem de Sousa Caldas em 18O1 é reduzida às proporções normais de alguns meses. sem tentativas liberais. os seus perfis biográficos são atraentes. apreciações críticas judiciosas. Ao contrário do anterior.° volume e constituindo. reunidas em volume. cont ribuiu de certo para estabelecer e difundir o conhecimento dos nossos homens de letras do passado. No entanto. Sotero dos Reis. No caso citado. há marcado interesse pela correlação entre a obra e a vida. diminuindo o vôo da imaginação e até o tamanho dos períodos. no ano de 1847. que reproduz com abundância em apêndice. em 1868. interessam principa lmente as de Odorico Mendes. Trajano Galvão. escrito r apreciado e citado no Brasil. consta de nove páginas de texto e sessenta e três com a transcrição do seu poema satírico. . corrigindo vários erros mais grosseiros. de publicação póstuma. de quem foi amigo. a de Álvaro Teixeira 351 #de Macedo. editado pela primeira vez em Lisboa. trazendo documentos valiosos.e. Lembremos que talvez a idéia para o seu livro tenha vindo do repertório biográfico Plutarque Français (8 vols. muito preso aos documentos. . É precioso o estudo sobre Saldanha. sobre Natividade Saldanha. é um biógrafo parcimonioso e prudente. a melhor de todas. de que apenas três interessam à literatura. 1835-1841). uma terceira edição. A festa do Baldo. de Antônio Henriques Leal (1873-1875).a segunda e. resultando no conjunto algo vivaz que nos faz sentir a personalidade literária e humana. João Francisco Lisboa e Gonçalves Dias. com isto. 14 ao todo. Muito acima de ambos ficam os quatro volumes do Panteon Maranhense.esta ocupando todo o 3.. À história literária. baseados no conhecimento direto dos biografados. por exemplo. São estudos minudentes.

portuguesa e brasileira. Lembremos. mas pelo esforço honesto de estudar criticamente a obra. A limitada inteligência do born cônego transparece a cada passo.. de Joaquim Manuel de Macedo. São livros didáticos muito banais. Ainda hoje é a fonte básica sobre o poeta. de Fernandes Pinheiro.. como os três volumes do Ano Biográf ico. O Curso elementar de literatura nacional (1862). resultando estudos ponderáveis. Este biógrafo equilibrado. Alvares de Azevedo. sobre Gonzaga. isto é. foi "(. o que faz a exposição em dado setor vir de 15OO a 17OO e voltar de novo para trás.) a primeira obra de brasileiro sobre o conjunto da nossa história literária. próprio dessa unha plutarquíana. Laurindo Rabelo. por sinal que entrosando a literatura colonial em suas orig ens portuguesas mais agudamente que muitos historiadores que o sucederam. num zigueza gue pesado e confuso. combina a segurança dos dados c orn a apreciação crítica e a capacidade de retratar vivamente (a começar pela aparência física). . não apenas pela riqueza de informações e o alicerce documentário. apesar do torn de encômio."31 Mais ou menos refundido. no convencionalismo dos juí- . com pouco senso histórico. em continuação ao estudo das grandes literaturas estrangeiras.em cujo método deve ter influído Sotero dos Reis. fora das "galerias". ele aparece. estes predominando como critério. nos dois volumes do Resumo de história literária (prefácio datado de 1872 ). a primeira biografia literária de vulto em nossa literatura.por certo. Silva Alvarenga. os trabalhos de Norberto nas suas edições. A história literária. embaraçados numa divisão complicada de épocas e gêneros. Casimiro de Abreu. para não falar de obras sumárias. Alvarenga Peixoto.

autor de um compêndio de gramática. o que apresenta de novo já é bastante. na ênfase vazia do estilo. Já na quadra dos sessenta quando a encetou. governa-se pelo espírito de clã e o medo da novidade. mas é sem dúvida. 23.° e último volume.. De início.(31) Wüson Martins. Na parte relativa à literatura contemporânea do Brasil. apen as em parte ela constitui uma passagem da retórica à história. creditar-lhe o louvável esforço de sistematizar u ma realidade contemporânea sem o recuo confortável do tempo. pág.° e a primeira metade do 5. O alvoroço era todavia maior que a obra. já consagrados pela opinião. De outra qualidade é o Curso de Literatura Portuguesa e Brasileira (18661873) de Sotero dos Reis. cabendo à brasileira o 4. exaltand o com os mais descabelados louvores os companheiros de revista literária. citando a definição de Bonald: "A literatura é a expressão da socieda . com recurso à biografia e à história. Introdução ao método crítico de Silvio Homero. como o Maranhão. na incapacidade de dar vida aos elementos biográficos. aceita pontos de vista então modernos para nós. a cujo propósito vimos que Lafayette pôde falar em crítica moderna. todavia. Deve-se. antes de Sílvio Romero. guardando. A maior parte é consagrada à literatura portuguesa. formado inteiramente na tradição clássica. (única reputada independente da de Portugal). quanto ao resto. mal contemplando os jovens de talento. 46. A Crítica Literária no Brasil. o mais considerável empreendimento no gênero. à vista de tantas condições negativas. 352 zos. cit. vivendo num meio apaixonado pelo vernáculo e os valores tradicionais. apesar de tudo. pág. Colégio Pedro II ou Instituto Histórico. Ver também Antônio Cândido. não lhe era possível realizar algo decisi vo. e a decisão de apresentar cornpreensivamente o que admira. pelo menos uma reticenciosa prudência.

Curso de Literatura Portuffuêsa e Brasileira. Em conseqüência. 1."33 Para ele. com emprego da cor local. 5) O interessante é que os considera em sentido estritamente tipológico. há três tipos de literatura: a clássica e a romântica (definidas exatamente segundo Schlegel) e a bíblica. mas não se excluem. etc. mais a análise apreciativa dos textos. Villemain. não histórico: sucedem-se cronologic amente. Esta combinação de história e exegese deriva da sua adesão aos críticos iniciais do Romantismo: "Os franceses modernos. teremos a sua posição e a chave teórica do livro: "(---) é a expressão do belo intelectual por meio da palavra escrita". . embora assinale a predominãoncia da última tendência." vol. Sousa Caldas é bíblico em nossos dias. outro e stético. (pág. outro interno. têm compreendido melhor a necessidade de fazer um estudo sério e aprofundado desta segunda parte. Já o sábio professor Hugh Blair no seu curso de retórica e belas letras tinha disto feito um ensaio digno do maior louvor . um histórico. ou melhor. se a completarmos pela que formula.. como para Garrett. dando-nos a análise das produções do gênio (32) Francisco Sotero doe Heis.de". uma crítica. e nomeadamente Mr. um externo. 2 e 4 respectivamente. um ensino da literatura (é o seu caso) que procede pelo conhecimento dos fatos literários historicamente ordenados. Assim. onde tudo quanto respeita à literatura de diversos povos é tratado e exposto com o preciso desenvolvimento. 353 #^ em cursos especiais. paga. como Odorico Mendes é clássico e Gonçalves Dias romântico.32 Um elemento relativo e outro absoluto. parece não ver impossibilidade na coex .os grandes modelos que fazem sentir o que é a obra e caracterizam a "crítica experimental" de Lafayette.

com tudo isso. Lamartíne e Victor Hugo. . para esta última técnica. É sem dúvida bonito o passo em que mostra Camões fixando a língua poética. amparada na indicação do momento histórico.pàgs 6-7. que o sintamos realmente à vontade no estudo dos clássicos portugueses do século XVI..°). Sob este ponto de vista. a importância e a consagração dos textos. clt. a sua maior admiração vai para Sousa Caldas (". Este comporta. o gramático apoia o crítico com felicidade. habilidade.. passa à exposição da vida.34 Não espanta. que produziu o Brasil em nossos dias". fogo de inspiração e de licada expressão sentimental porque a ambos iguala em grandeza de engenho". Sotero é sumário e pouco satisíatório. uma apreciação geral. Sotero Inspirou-se em Villemain para o tratamento histórico e a Importância conferida ao texto. sendo "o maior. lhe permitem desenvolver comodamente o método adotado. justeza. deve ter seguido também o exemplo de Blair. cede em concepção imaginosa. Encontrando campo. o poeta mais distinto nascido e falecido no Brasil enquanto este fazia parte da monarquia portuguesa". ou em que realça a castídade do estilo de Antônio Ferreira. os que mais admira e dão lugar às suas melhores páginas (volume 2. sem contradição. entremeadas ou seguidas da análise. onde se acotovelavam fraternalmente clássicos e românticos.o que talvez seja ainda influência do Maranhão. João de Barros. a prosa po rtuguesa. que se reduz as mais das vezes a chamar atenção para a beleza. A despeito do torn convencional. A abundância de material biográfico e histórico. classificadas por gêneros e largamente exemplificadas. de início. "o primeiro poeta lírico brasileiro") e Gonçalves Dias. chega finalmente às obras. Em nossa literatura. . pouca originalidade e mediania que vai de página a página.. que "como poeta romântico a nenhum dos dois grandes líricos do século XIX.istência. é um livro importante para o (33) ob. de modo geral. que nas citadas Lições desenvolveu uma atenção minudente aos trechos escolhidos para a análise e demonstração.

de Herculano (Ob. pela adoção dos métodos de Villemain. Embora apaixonado pelo nacionalismo literário. Os seus artigos nas revistas acadêmicas são muito bons. Merece portanto muito mais do que lhe tem sido dado. (segundo vimos). só a encontraremos em alguns poucos ensaios. empenhando a personalidade do autor e revelando preocupação literária mais exigente. alguns artigos excelentes de Machado de Assis. pág. cit. 41. 354 tempo. Mas parece que a única vocação p redominantemente crítica seria a de Macedo Soares. 4. 231 e vol. norJ^l. Ob. que não^ cabia nas regras tradicionais e não saberia por certo manipular criticamente.." volume.". fundindo e superando o espírito de florilégio. respectivamente vol.". respectivamente vol.. Ignorou a literatura brasileira depois de Gonçalves Dias. diz seu filho Américo vespurao dos Reis que pretendia estudar Alvares de Azevedo. pág. pág. 5.°. cit. como forma e pensamento. 1. de biografia e de retórica.(34) Sobre Caldas. prefácios. Gonçalves Dias. como bem viu Lafayette. artigos. de publicação póstuma. pág.. Bernardo Guimarães. Junqueira Freire.. cit. polêmicas. na maioria incursões ocasionais de escritores orientados para outros gêneros: Dutra e Melo. E*?bora tenha consagrado uma análise convencional a um romance já 3" 2 "Li ao 6 expllcadO" ° Euríc°. Franklin Távora. vol. Otaviano. 63.35 recuou prudentemente ante o romance. sobre Gonçalves Dias. no fim do período.°. parte 355 #5. 4. 352 e vol. cit. Álvares de Azevedo. José de Alencar.°. logo desviada para o Direito. (35) No prefácio ao 5.. A CRITICA VIVA Se procurarmos uma crítica viva. vol. ob. Livro 8. cit. não lhe faltou compreensã .36 mas deu à sua pátria o primeiro li vro coerente e pensado de história literária.

P. Algumas reflexões a propósito da nova edição da Marília de Dirceu". que n&o pude obter. chegando a reproduzi-lo na maior parte em sua História da Literatura: o ensaio sobre A Moreninha. informação sobre as suas tendências contemporâneas. No reputar A Moreninha um começo.38 É com efeito uma peça de boa qualidade. manife stando senso do romance como gênero. um dos quais Sílvio Romero tinha na melhor conta. Rejeita os exageros devidos à popularização do folhetim.37 Dutra e Melo deixou apenas dois trabalhos. 356 que não lhe merece qualquer referência. repelindo o Louis Lambert. ponto de vista claro sobre o que deveria ser entre nós. enredo. KJHGB. A sua simpatia vai para o romance histórico. sobre as ruínas da epopéia) e. em cujo número l se encontra. e para o ameno realismo de Macedo. mais ainda. bem como a tendência para o fantástico. e o "romance filosófico". que lamenta não ver cultivado aqui. uma inauguração. linguagem. aparecido um ano antes. Vemos que estava perfeitamente cônscio da importância desse gênero essencialmente moderno (cujo triunfo assinala. XLJ. "um extenso artigo Intitulado Bibliografia. mas (37) Muitos artigos de Macedo Soares andam em números do Correio Paulistano. de Macedo. cuja obra analisa com minúcia e senso dos valores da ficção: estrutura. segundo L. de Balzac. da Veiga. de Teixeira e Sousa. "Antônio Francisco Dutra e Melo" .o de outros rumos da poesia. repelia implicitamente O Fil ho do Pescador. dos rumos que deveria tomar no Brasil. 2. 178. diálogo. como se pode ver nos estudos que dedicou a Bernardo Guimarães e Junqueira Freire. pàg. Ao repelir o folhetinesco. (38) Não encontrei a revista Nono Minerva. apontava o sentido muito mais construtivo com que .

para uma o utra (jue tentará explorar até os limites máximos as suas virtualidades musicais. Além disso escreveu "Lucano". pela capacidade analítica dos seus documentos inéditos. escritos os dois principais nas férias de 1849-185O: "Jacques Rolla" e "Literatura e civilização em Portugal". do signif icado de uma obra para o desenvolvimento do gênero a que pertence. Elas giram fundamentalmente em t . "Georg e Sand". no plano crítico. segundo uma fidelidade básica ao dado real envolto pela idealização cara ao espírito romântico. Poucas vezes se veria em nossa literatura compreensão tão imediata. Nesse poeta mal realizado talvez houvesse um excelente crítico em potência. "Carta sobre a atualidade do teatro entre nós". Álvares de Azevedo . procurando definir a sua posição na estética romântica. que é um dos pressupostos teóricos do presente livro. Suas idéias sobre a questão da nacionalidade na literatura brasileira já ficaram assinaladas no devido lugar. . pela lucidez psicológica dos seus melhores poe mas.realmente deu o rumo para a linha central da nossa ficção romântica e ele descreve com agrado: a criação de um mundo de fantasia com referência constante à realidade. Álvares de Azevedo deixou alguns ensaios de maior volume. Ele foi certamente o único escritor brasileiro a compreender claramente esta transição cheia de significado. perfazendo ambos o tamanho dum livro pequeno. o prefácio d*"O Conde Lopo" e dois discursos de circunstância em que há matéria crítica. Ao falar de Junqueira Freire já assinalamos a importância do seu prefácio crítico às Inspirações do Claustro. Esta surge também no "Macário" e várias peças longas. o que vem confirmado por outros trabalhos secundários (a Eloqüência Nacional).. como discernimento de um problema crucial da estética romântica: a passagem de uma poesia baseada nos valores próprios da palavra. Vejamos as que expendeu sobre a literatura em geral.

emoção (belo sentimental). exposta principalmente no estudo sobre Musset. . a distinção entre clássico e romântico. acariciando os filhotes. latente sob as suas considerações. Na verdade. Num plano recessivo e inexpresso da consciência crítica de Alvares de Azevedo. caractsrizade pela natureza das imagens poéticas e o grau de intensidade com que são elaboradas. embora esta não se separe da natureza das imagens. lutando com a tempest ade. o belo prò357 #l priamente dito . é bela.orno de uma certa concepção do belo. O belo ideal é . sentimos que a classificação depende por vezes do nível de apreensão: sensação (belo material). o sublime material. representação (belo ideal). é no fundo simples e se funda num ponto de vista bastante empírico. das que comovem e desesperam. ao belo material. Apesar das incongruências da exposição.e da psicologia literária. das que atemor izam e despertam a admiração.exposta no prefácio d""O Conde Lopo". As imagens evanescentes despertam o sentimento do belo ideal.e esse outro mais alto . A águia no ninho. . parece que a classificação depende essencialmente da qualidade da emoção despertada. O seu pensamento. expresso com muita retórica e esquartejado pelas digressões. o sublime sentimental. as que ferem vivamente os sentidos. o ponto de partida é ainda a tecla habitual do tempo.Há o belo doce e meigo. as imagens qu e enternecem correspondem ao belo sentimental. O sublime ideal decorre das imagens que exaltam e transportam.o sublime". é sublime. Assim "há dois gêneros de belo . nas alturas.39 A sua diferença reside apenas no grau de intensidade das emoções associadas às imagens em que se manifestam.

o fim da poesia romântica.". Pouco antes. Dizem os poetas idealistas que isso pende de duas causas . Obras Completas. ora o belo depende da natureza delas. é por exemplo a mulher em sit uação amorosa (que o poeta descreve com a sua habitual exaltação nesses casos). concluindo que ela pode ser moral ou imora . Como quer que seja. lhes realça o valor a esses gêneros do belo. ora apenas das emoções experimentadas.423) Como vemos..por excelência. (4O) ob. e certamente incompleto. É esse. Podemos supo r que o poeta reputava as duas coisas necessárias à integridade do conceito referente ora a uma realidade mais subjetiva."(pág. pag. pensa que os tipos devem misturar-se numa obra para obtenção do melhor efeito: "mais se (39) Álvares de Azeredo.(. 1. o critério é flutuante. cit. (pág. vol. Entre ambos fica a categoria do sentimental. superando os limites dos gêneros e mesmo das conveniências.4O No nível do belo..) Talvez o sol oriental chame os homens à realidade. ligada a imagens de uma situação concreta.. assim. uma procela que convulsiona a natureza. que fere vivamente os sentidos. ora a uma realidade exterior. a cujo propósito acentua menos a situação do que as emoções que elas despertam: é a expansão lírica na categoria do belo. "A poesia do belo sentimental é para nós a mais bela". 42O: ". abordara de passagem o problema da moralidade da obra de arte. pág. quando se reúnem num objeto. ou pretende sê-lo ao menos. em nenhum dos poetas antigos aparece a primeira classe que apresentamos. Os poetas clássicos não o conheceram por estarem mais próximos da categoria material. e a bruma e as nuvens cinzentas dos luares boreais levem-nos ao idealismo".da filosofia e das tendências do clima voluptuoso das terras do Sul. por uma aspiração à experiência total. a angústia indizível. que fazem a imaginação flutuar num univer so impreciso como o das lendas nórdicas. no nível do sublime. 424) A sua posição se completa. na do sublime. 424. As imagens são sempre confundidas com situações concretas que elas exprimem num sentido descritivo... o "das visões vaporosas e nevoentas".

Num dos versos é o sorrir juvenil que se apura nos sonhos.. de olhos límpidos e azuis.como aquelas medalhas de Pompéia. O ensaio termina . em oposição a essas cândidas criaturas de Esmeralda e Branca. pois "o imoral pode ser belo" e "o fim da poesia é o belo". mas ainda assim rara no Brasil de então pela consciência dos problemas estéticos e a disposição de os enfrentar como complemento do trabalho criador. 419 e 413) É uma discussão meio canhestra na pena desse rapaz de menos ile vinte anos. louvada num trecho do citado prefácio d"O Conde Lopo: "Se há poeta francês a que votamos dec idida afeição por suas obras.(págs.(págs. é bem romântica e se coaduna aos seus desígnios literários. característico desses jovens tomados entre a tradição e as grandes mudanças dos tempos novos.quer seja Han d"Islande o bebedor de sangue e água do mar. no caso a devassidão e a pureza que se encontram românticamente como os dois aspectos do personagem. tratado como um aspecto do mal-do-século. superando limites éticos.é esse mancebo louro. de Muss et. fica bem patente a adesão à teoria dos contrastes. que se embebera de esperanças (. mas deverá ser sempre bela. a quem rendamos dos fundos d"alma culto como é de render-se ao gênio . No estudo sobre o "Jacques Rolla". o elemento básico da discussão é aqui o problema da fé e da descrença. A ânsia de beleza total englobando elementos diversos.) A outra face é a amarelidez atrabiliária da testa que entontece às febres do descrido". "Goethe é assim . sonhador de pesadelos onde sorri satânico e infernal sempre na forma incarnada de gênio do mal .l. ou Habibrah o anão. a soterrada. Ethel e Maria de Neuburg".. a partir da metáfora inicial das duas faces da medalha."41 com efeito. fundado em Victor Hugo e sua obra antitética. que caracteriza os verdadeiro s escritores. que dos brasileiros é o único a proclamar explicitamente. ou Triboulet o bufão. gerando por vezes impressão contraditória. como já se viu em tempo. 415-416) Todo o estudo desenvolve em vários planos a teoria do contraste.

dissemo-lo. 358 359 #take. e monótono como ela". O&ras. A sua análise de texto é descritiva."poeta. com apoio forte das digressões e associações de vário tipo.) Sob o seu manto negro de Don Juan. baseada em longas transcrições.belos mas a quem se pudera aplicar as palavras da rainha Agandeca de George Sand. como a do es tilo são os apostos.realmente com um capítulo sobre a "Descrença em Byron. onde o cepticismo dos românticos vem justificado pelo sofrimento que o acompanha e lhe confere uma espécie de carta de nobreza.o abade". és belo como a lua à meia noite. ou grade negra de calabouço onde não corra a luz uma réstia." "Quanto à linguagem.. guardava no peito uma chaga dorida e funda". Shelley.. Nem também ofusca na sobejidão do brilho.nem há fisga de túmulo. 277. e Boileau . 278) Neste estudo aparecem porventura da maneira mais equilibrada as qualidades e os defeitos de Álvares de Azevedo como crítico. as aproximações. Musset". ao pálido Aldo. Os juízos vêm geralmente encartuxados nesses processos: "Don Juan não é livro de epigramas como os de Horácio .. (. cít. como o pompear das Orientais. Jacques Rolla". Vol(41) Álvares de Azevedo.o Ahasv . . ou na riqueza luxuriosa de imagens como o poema porventura de mais imaginação que tenhamos lido . (pág. "A alma do poeta é como o sol. as antíteses. ajeita-se à feição do seu modelo : Rolla amanta-se como o Cavaleiro do mar. "A diferença é que Byron inda no satânico do seu rir de escárnio era menos infernal que Voltaire. uma esperança no oiro dessa luz.parasit a imperial. "Alfredo de Musset pàg. o bardo . A essência do seu método são as comparações. reflexo macio das harmonias do laldsmo de Wordsworth . num e noutro caso. Não se enubla nas melodias confusas da escola francesa.

à roda do tema central. indicação da influência de Byron sobre ele. em 1856. A publicação d"A Confederação dos Tamoios de Gonçalves de Magalhães. útil não apenas para avalia r a capacidade crítica de Álvares de Azevedo . De tudo há um pouco. que é a análise do poema.mas para confirmar o conhecimento da sua personalidade literária." (Respectivamente págs. a nálise da obra de Musset. 278. José de Alencar desceu à arena. 292) O que diz. deu lugar ao movimento polêmico mais importante do nosso Romantismo. relação da poesia com as condições do tempo. E deste todo resulta um ensaio rico.. como obra suprema de u m poeta que representava por assim dizer a literatura oficial. essencialmente romântico: a beleza está na fusão dos diferentes aspectos da realidade. são admiràvelmente escritos. que exprimem as contradições do mundo. 36O Alencar e Távora -----. a eficácia do artista está igualmente ligada à sua complexidade interior.ero de Quinet. talvez em parte por causa disso. 285. Por isso o ensaio é ao mesmo tempo definição da poesia romântica.----. aproveitando para manifestar a sua concepção de literatura e posição em face das correntes nacionalistas. é geralmente de boa qualidade. severos do ponto de vista estritamente polêmico (crescendo a dureza à medida que . estudo do poeta romântico como indivíduo psicologicamente dividido e moralmente contraditório... como o breve artigo sobre o nosso teatro confirmam a orientação geral d o seu pensamento crítico. Os seus artigos. embora vá jogando tudo um pouco de cambulhada. O poema fora impresso à custa do Imperador.alguns magníficos. Os outros estudos . assinados com o pseudônimo de Ig. geralmente tão acomodado e sem hulha.que se anunciava grande . vivida com aceitação dos contrastes que a animam.

que se desmandou no afã de amparar o colega. confrontar as grande epopéias da humanidade com a tentativa do nosso escritor. esquecidas até então nos jornais do tempo. defo rmam a intenção do poema. foi Pôrto-Alegre.a bem articulada clique originada c orn a Niterói e dominante desde então através das revistas. salvo as de Alencar e Monte Alverne.saíam a campo os paladinos de Magalhães). cargos. prejudicando alguns bons argumentos. sob a proteção imperial e o encosto do Instituto Histórico. por José Aderaldo Castelo. de maior calibre que os outros. postaram-se alguns anônimos de tonalidade pasquineira. manifestam certa estreiteza no apelo a velhas regras poéticas para comprimir a liberdade criadora. os artigos citados em A Polêmica sobre "A Confederação doa Tamoios. portando-se aliás c orn sobriedade e equilíbrio. Ao lado de Ig. Segundo Castelo. não raro injustos. Ômega seria Pinheiro Guimarães. Esta Importante publicação velo tornar accessívels as peças da famosa polêmica. sob o nome de "Um amigo do poeta". alinhar seis artigos ponderados. o poema é realmente medíocre. Mas no fundo os juízos são certos. pelo contender). A pedido do Imperador. ao matizar os louvores pela indicação das lacunas. conforme vimos. como o que denunciava a falta do senso de proporções com que Alencar pretendia. 361 .42 (42) Cons. sob o pseudônimo de "Outro amig o do poeta". feriu de cheio uma nota importante ao denunciar o grupo de elogio mútuo chefiado por Magalhães. Um tal "Ômega". para amesquinhá-lo. a cada passo. ao que eu saiba) foi todavia o fato do próprio Pedro II tomar a pena e. O primeiro defensor. Monte Alverne deixou o recolhimento em que vivia para escudar o antigo discípulo com a sua eloqüência cava. pois. comedidos e de invariável dignidade (reconhecida. Procuram aumentar defeitos secundários. aliás. publicidade. . que honram o seu amor às letras e estão à altura da boa crítica brasileira do tempo. O acontecimento extraordinário (único no gênero em toda a história.

Ora. apresentando-os sem virilidade nem grandeza. Finalmente. e o desenvolvimento posterior da obra. após haver cantado a do Amazonas. a sua atitude negativa em relação ao poema revela os elementos que julgava positivos para a literatura nacio nal. que transportem o espírito. A natureza brasileira. mostra-se incapaz de exprimi-la. o nosso Nibelungen. Em conseqüência. faltou-lhe força para descrever os lances heróicos como lhe faltou inspiração para aproveitar as sugestões da sua poesia. falta-lhe o estilo adequado. que em conjunto formam as nossas sagas. deveria dar lugar a rasgos sublimes. de quando desmerece a grandeza do rio Paraná. que o poeta moderno de ve saber interpretar com vigor e beleza. com efeito.#Já foi dito noutra parte deste livro que essa polêmica assinala o momento culminante do Índianismo. Não foi capaz de explorar as suas tradições. a partir de uma rixa mesquinha com os colonos. Ignorando a natureza do Brasil. A base do seu argumento é a inferioridade da realização de Magalhães ante a magnitude do objeto. os seus sentimentos. por exemplo. pesadas bem as razões. a que dedica o mais vivo fervor. interessa hoje sobretudo pel a participação de Alencar e a importância que tem para compreender-lhe a teoria literária. acelerada no decênio de 6O. dando-lhes uma dimensão inferior. amesquinhando-a. Para a história literária. não criou uma heroína comovente. anunciando ao mesmo tempo a sua decadência. um tipo feminino poetizado que perfumasse os versos e contrastasse os lances de epopéia. insuficientes como quantidade e qualidade para celebrar a sua luz deslumbrante. ou quando empana o glorioso sol dos trópicos em doze magros versos. o seu heroísmo deve ser mostrado em situações ciclópicas. Magalhães falhou em todos estes po ntos. é o caso. os índios possuíam uma poesia elevada. através de personagens e cenas repassadas de ternura e poesia. Falhou na caracterização dos índios. que não forjou porque foi incapaz de despir-se das deformações da civilização e .

do heróico ao lírico.43 Esta. n"Os Filhos 362 de Tupã (1863). veremos surgir da polêmica todo um programa de literatura indianista que em seguida executou à risca. Em 1856. com dois pequenos romances de salão e o desejo ainda vago de fazer um livro nacional e forte. examinando outros escritores. verificar a fidelidade com que realizou n"O Guarani (1857).receber em estado de pureza toda a força sugestiva da natureza e dos primitivos. "O autor dos Ültimos cantos. É impressionante. Se atentarmos para os corretivos que propõe. inspirada na dos indígenas. teria grande amplitude. o que lhe parecia decisivo era um poema de vastas proporções. como aparece sugerida nas Cartas. no caso. e ao defini-lo são levados a definir as suas próprias intenções. do Ijucapirama e dos Cantos guerreiros dos índios está criando os elementos de uma nova escola de poesia nacional. revelando que A Confederação dos Tamoios foi a mola que o atirou nessas veredas. indo do colossal ao terno. próxima como ela da natureza. onde. até então meras veleidades ou impulsos subconscientes. "Se algum dia fosse poeta e quisesse can . apenas lançado na carreira literária. as idéias que norteariam doravante esse aspecto da sua obra. absorvido pelo sonho interior. numa linguagem nova e brilhante. de que ele se tornará o fundador quando der à luz alguma obra de mais vasta composiç ão". Era já então o criador que vislumbrara o caminh o certo e se impacientava com os atalhos secundários. o que lhes desagrada é o que não fariam. em Iracema (1865) e Ubírajara (1874) o programa traçado nas Cartas. o estímulo a cujo toque brotaram nele. não chegou a fazer esforço real para compreender os motivos do poema de Magalhães. cuja ausência diminuía a seu ver o alcance da o bra de Gonçalves Dias. A crítica dos criadores é muitas vezes programa. procuram ver claro neles mesmos. ordenadas e prontas.

"(pág 6). pág. n"Os Filhos de Tupã. 363 #quis feri-la plenamente no Ubirajara. agigantando os feitos e a natureza. é certo. (44) José de Alencar. 178. (que atira a cada passo contra Magalhães para mostrar o que deve ser o estilo nacional. ao trem de ferro. onde não falta a nota heróica. etc.. com o seu ritmo de epopéia. o Índianismo em escala mais moderada. Confederação dos Tamoios por Ig. e constitui. Ele se desdobrou e quis faze r ambas as coisas: no romance d"O Guarani. misturando heroísmo.° Canto. voltou-se para o afinamento da prosa poética. mas esmaecida e atenuada pelo encantamento sentimental. embrenhar-me-ia por essas matas seculares.. em Iracema. "Carta ao Dr. o repúdio misantrópico à vida urbana e uma referência nostálgica ao vapor.tar a minha terra e as suas belezas. a tendência do nosso Índianismo.) apontavam para a prosa poética. Quase dez anos depois (43) Cartas sobre a. em prol do poema indianista cuja ausência lamentava. onde predomina. . por exemplo. numa réplica minuciosa à Confederação. . sentimentalismo e realidade histórica. Filho da natureza. O que desejava exprimir nos modos menores do lirismo e da ternura elegíaca foi canalizado para Iracema. na Carta final. pág.. pediria a Deus que me fizesse esquecer um momento as minhas idéias de homem civilizado. uma espécie de realização tardia do poema abandonado em 1863. deixando o poema no 4. Jaguaribe".como. onde encontramos inclusive certos trechos e conceitos das Cartas transpostos em verso. se quisesse compor um poema nacional. 8O. a epopéia em grande escala. Ele próprio diz que o empreendeu par a atender ao apelo que fizera.44 O instinto e a consciência crítica mostraram-lhe porém desde logo a vocação certa e. para o verso. O fato é que lhe foram necessárias quatro obras para conter toda a riqueza de temas e proces sos que desejava estivessem presentes na pobre Confederação dos Tamoios. O exemplo de Saint-Pierre e sobretudo Chateaubriand.

o mais pròximamente possível. estava ganha a parada.46 Mas a sua forç a de artista vem da disposição de lutar. n"O Guarani. O português publicou então um periódic o bissemanal. a força da palavra (que celebra numa página admirável) descora ante a sua graça perfeita: "Não há em todas as concepções humanas.45 Como born romântico. alguma harmonia original. malgrado a debilidade do verbo. Quis o eterno retorno das coisas literárias que. a linguagem que aperfeiçoaria nos outros dois romances indianistas. curte porém agudamente a nostalgia da expressão adequada à riqueza irreproduzível dos sentimentos e das coisas. mandando um ou outro bote ao literato. mesmo esse estilo que se obtém penetrando na natureza é muito inferior a ela. D. uma idéia que valha a florzinha agreste que nasce aí em qualquer canto da terra. capaz de "arrancar do seio d"alma algum canto celeste. quinze anos depois da polêmica sobre A Confederação dos Tamoios. Pedro II alugou a pena medíocre de José Feliciano de Castilho para atacar o nosso romancista.Quando conseguiu firmar. descobrira o instrumento mágico a que aspirava nas Cartas. como ele as pedira. a que chamou Questões do dia. . A coisa principiou por motivos subalternos: amolado com as críticas em que Alencar lhe atribuía abuso de poder. a beleza inexprimível da sua terra e da gente rude que prolongava a sua fascinante poesia. ao solene Visconde de Araguai a. autor de um romance indianista na esteira d"O Guarani. não há um primor d"arte que se possa comparar às cenas que a natureza desenha a cada passo com uma réstia de sol e um pouco de sombra". para exprimir. a nova geração viesse pedir contas ao já glorioso Conselheiro Alencar. jovem e neófito. Eis senão quando surge em auxílio um moço de Pernambuco. nunca sonhada pela velha harmonia de um velho mundo".esse estilo musical e plástico. roubando os recursos das dive rsas artes. por mais sub limes que sejam. onde visava sobretudo a sua vida política. mas disposto .

" pág. a idealização dos tipos. ao con(45) Cartas sobre o Confederação dos Tamoios. caindo numa cabala surdamente orientada pelo Governo e movida por um medíocre testa-de-ferro. São as famosas Cartas a Cincinato. Como Alencar respondesse com azedume. quando a tarefa do escritor é observar de perto a realidade que procura transpor. pelas normas do decoro jornalístico). Alencar é para ele um homem de gabinete que escreve sobre o que não conhece. (46) ob. assinadas com o pseudônimo de Semprônio. diga-se a bem da justiça e para desfazer a impressão de muitos escritores informados de oitiva.e nisto reside hoje o seu interesse. ferido na sua viva susceptibilidade. 62. sobre Iracema. que preocupou até agora os historiadores. Sílvio Romero. As suas considerações constituem o primeiro sinal.. já e "A natureza. e o estético. amigo e admirador de Távora. que realmente interessa à literatura. o primeiro poeta do ntão em torn mais áspero e maior minúcia analítica. 364 trário. lamentava que se houvesse metido nessa empresa inglória. Cp. quando já se ia aspirando a um incremento da observação e à superação do estilo poético na ficção. para afastar a ganga polêmica e fixar o conteúdo crítico. mundo. lendo as Car tas. 92. voltou à liça com mais doze. com efeito.. de apelo ao sentido documentário das o . cit. . etc. o jovem escritor estava implicado com O Gaúcho e sobre ele mandou oito cartas. cit. se nos esforçarmos. pàg. sentimos que os motivos principais de Távora eram a tomada de posição contra um certo tipo de literatura. o abuso das situações pouco naturais. Castilho exultou e lhe abriu rasgadamente as portas do bissemanário (que aliás.. nada tinha de pasqu im e se pautava. Távora censura n"O Gaúcho a falta de fidelidade à vida riograndense. tanto mais quanto acaba se refletindo no outro. no Brasil.47 Nessa questão há dois aspectos: o ético. pago pelos cofres públicos para atacar o maior escritor brasileiro da época. pàg.agora a demolir o seu mestre de ontem: Franklin Távora. Elas representam o início da fase final do Romantismo.

são paralelas as injustiças e os excessos. É interessante notar o caráter simétrico das suas Cartas e das de Ig. impropriedades etnográficas. o pé grande d"A Pata da Gazela. notando-se que repele com vigor tudo que seja vulgaridade. Távora o censura por não ter cumprido um programa que não se pr opusera. a mistura da verdade. as cenas desagradáveis do cretino de Til (que vimos corresponder às linhas mais ricas da personalidade literária de Alencar) lhe par ecem mau gosto. negando ao autor (co . Compêndio áe História da Literatura Brasileira. 365 #acha que a realidade deve ser selecionada num sentido ideal. O tipo de argumento é o mesmo. Nos artigos sobre Iracema. quando ela se apresenta como tal. concebido como enroupamento da observação pelo belo inventado. e nisto é bem romântico. censura-lhe igualmente não estar à altura da realidade que pinta. feiúra. no romance. Não recusa a literatura de imaginação. Para ele era forte demais o sentido alencariano das contradições e desarmonias: a bofetada de Diva. concebida como fidelidade à natureza observada.bras que versam a realidade presente. e d o ideal. por falta de vigor e de informação. (47) Silvio Romero e João Ribeiro. O segundo elemento lhe parece essencial à ficção. Poder-se-ía esquematizar a sua posição dizendo que ele preconiza. Como Alencar fizera em relação a Magalhães. 3O7. é obrigado a se submeter aos dados reais. reprodução dos aspectos pouco elevados da vida. entremeado de fatos verídicos. A sua atitude (ressalvadas deformações ocasionais devidas ao interesse polêmico) é coerente e compreensiva. fantasias sintáticas. esmiuça implacavelmente erros históricos. pàg. mas entende que um romance de co stumes. como o de Alencar.

apoia toda a sua argumentação nacionalis ta. aqui impregnou-se da seiva americana desta terra que lhe serviu de regaço. De qualquer modo. vencida a etapa do radicalismo nativista. que teriam achado a fórmula ideal de fazer ficção sem trair a realidade. a que mais vivamente exprimia o que tínhamos de diferente da Europa. mesmo . e cada dia se enriquece ao contacto de ou tros povos e ao influxo da civilização?"48 A essa altura. Ainda como ele.. como Cooper e outros. notadamente os norte-americanos. afirmando que não é nacional. "A literatura nacional.. em autores e exemplos estrangeiros. pela pena do seu escritor mais ilustre. assinala a impropriedade do estilo. o seu senso literário lhe teria feito sentir que essa literatura pitoresca. que transmigrou para este solo virgem com uma raça ilustre. finalmente. Esta já não lhe parece mais consistir apenas na exploração da poesia primitiva. É possível que tais ataques hajam movido Alencar a refletir sobre o sentido da própria obra e tentar uma espécie de teoria justificativa. o verdadeiro sentido da sua tarefa. o radicalismo polêmico das Cartas cede lugar a uma compreensão mais ampla que se manifesta em 1872 no prefácio de Sonhos d"Ouro. que não restringisse o seu valor nacional aos livros indianistas. como ele. que felizmente nunca traíra.mo o Alencar das Cartas) o direito à imaginação. não era a única via. é posterior à e xperiência que lhe permitiu levantar as posições consideradas como integrando uma literatura nacional. que outra coisa é senão a alma da pátria. sendo embora a mais característica das condições locais. tendo antes existido mais como instinto que como reflexão. com efeito. o Romantismo exprime afinal claramente. não corresponde ao espírito de uma literatura brasileira. na natureza tropical e das relações iniciais entre colono e aborigi ne. O referido prefácio vem na verdade classificar uma obra já em grande parte realizada.

negar-lhes acesso aos grandes temas universais que o Neoclassicismo implantara aqui. contribuindo para definir a sua fisionomia espiritual através da descrição da sua realidade humana. . exprimindo a sua luta pela autodefinição nacional como povo civilizado."Ouro. Assim. assinalada pelo contacto vitalizador com os povos líderes da civilização. do humano contemporâneo. classificando três modalidades de temas que correspondem a três momentos da nossa evolução social: a vida do primitivo. Não se trata mais. como vimos há pouco. o que no fundo é. a formação histórica da Co lônia. liberto do pitoresco em benefíc José de Alencar. io do humano social e psicológico. "Bênção paterna". marcada pelo contacto entre português e índio. numa lingua gem liberta dos preconceitos lingüísticos. não como a ilusão estática de um primitivismo artificialmente prolongado. a literatura acompanha a própria marcha da nossa formação como país civilizado. 34. A literatura nacional aparece então como expressão da dialética secular que sintetiza em formas originais e adequadas a (48) 366 posição do espírito europeu em face da realidade americana. aceitar um aa visão de estrangeiro. inclinado a ver o exótico e. em Sonhos d. Neste sentido. confinando a ele os escritores. de ser brasileiro à Chateaubriand. pâg. a sociedade contemporânea. com efeito.quando a praticara sem consciência nítida. que nos toca de perto e envolve a sensibilidade com os seus problemas. Assim. libertando-nos das estreitezas da herança lusitana. Alencar define (corn terminologia imprópria) o universo literário do escritor brasileiro. Alencar reconhece a legitimidade nacional das pesquisas essenciais do romance. ligado ao ciclo de cultura do Ocidente. no tempo e no espaço. que compreende dois aspectos: a vida tradicional das zonas rurais e a vida das grandes cidades. Trata-se de descrever e analisar os vários aspectos de uma sociedade.

367 #que "não se fará num dia. Aí se explica o significado real do indianismo como útil presença do característico. não será obra de uma geração nem de duas. portanto. a fim de poder atingir a m aturidade que permite ser brasileiro. a sua modesta visão das coisas e do semelhante. e a necessidade de não se restringir a ele o escritor. desta maneira ganhando o direito de exprimir o seu sonho. combinando de modo vario os valores universais com a realidade local e.Essa tomada de consciência repercutiria imediatamente no jovem Machado de Assis. antes de tudo. moitas trabalharão para ela até perfaze-la de todo .4a FsHs oalavras exprimem o ponto de maturidade da critica romântica. . o s eu júbilo. que o torne homem do seu tempo e do seu país.a consciência real que o Romantismo adquiriu do seu s-STcado histórico. mas não estabeleçamos doutrinas tão absolutas que a empobreçam. Esta é a "outra independência" que "não tem sete de Setembro nem canto do Ipiranga". O que se deve exigir do escritor. ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço". Elas são adequadas. a sua dor. é certo sentimento íntimo. (1873) feito para o periódico que José Carlos Rodrigues publicava então em português nos Estados Unidos representa o desenvolvime nto do tema de Alencar e a superação das suas próprias idéias em artigos anteriores. para sair mais duradoura. rnas pausadamente. cujo artigo "Instinto de Nacionalidade". independente do tema: "Não há dúvida que uma literatura. deve principalmente alimentar-se dos assuntos que lhe oferece a sua região. sobretudo uma literatura nascente. para encerrar ?ste livro onde se procurou justamente descrever o processo^ por mpi o do qual os brasileiros tomaram consciência da sua existência esniritual e social através da literatura.

com efeito. em 1828 . Em 1832 publica as Poesias. Ministro . escrevendo duas tragédias: Antônio José (1838) e Olgiato (1839). sendo Encarregado de Negócios nas Duas Sicílias. onde pouco ensinou. VIII). com a produção de Martins Pena e os desempenhos de João Caetano. ver o capítulo seguinte. "Instinto de Nacionalidade". Nada se sabe dos estudos preparatórios que precederam o seu ingresso. filho legítimo de Pedro Gonçalves de Magalhães Chaves. só voltando à pátria em 1837. que passava" então por um momento de voga. foi secretário de Caxias no Maranhão e no Rio Grande do Sul. Ainda em 1838 é nomeado professor de filosofia do Colégio Pedro II. tornara-se amigo de Monte Alverne. e em 1833 parte p ara a Europa com intenção de aperfeiçoar-se em medicina. de 38 a 41.seu livro ren ovador Suspiros Poéticos e Saudades (1836). Concomitantemente. bem recebidas pelo acanhado meio intelectual do Rio. em Crítica Literária. cujas aulas seguiu e cuja influência sofreu. na Rússia e na Espanha. a publicação da revista Niterói (1836) e o . Para a de Norberto. em que se diplomou no ano de 1832. e de 42 a 46.(49) Machado de Assis. não registrando os biógrafos o nome de sua mãe. DOMINGOS JOSÉ GONÇALVES DE MAGALHÃES nasceu no Rio de Janeiro em 1811. e em 184 7 entrou para a diplomacia. 131-132 e 125-126 respectivamente. Dessa viagem resultaram a sua adesão ao Romantismo. no Piemonte. a formação de um grupo literário brasileiro em Paris. de que não mais se afastou. Aclamado na pátria como chefe da "nova escola". pàgs. ver o Cap. no curso médico. 368 Biblioteca Public "<*-*"BIOGRAFIAS SUMÁRIAS CAPÍTULO II (Para as biografias de Teixeira e Sousa e Macedo. a sua primeira atenção é para o teatro.

188O. Opúsculos histój-icos e literários. 369 #c direito era Paris. senador. Comentários e pensamentos. A Alma e o Cérebro. sendo criado em 1872 visconde com grandeza de Inhomerim. 1857. 1856. 1862. muito cônscio do seu valor. 1864. 1849. provavelmente ao mesmo tempo que Magalhães. do importante Libelo do Povo. Ministro nos Estados Unidos. Fatos do Espírito Humano. e em 1934 a RABL publicou as suas cartas a Porto Alegre. e de que se arrependeu amargamente desd . em 1874. bastan do lembrar que foi um dos dirigentes da Minerva Brasiliense e autor. Nem todos os escritos foram reunidos nos Opúsculos. publicou os seguintes livros: A Confederação dos Tamoios. promoveu a sua redução a proporções mais modestas . Depois dos citados. abrindo a polêmica famosa. morrendo em Roma no ano de 1 882. Não interessa mencionar os escritos políticos e econômicos de Torres Homem. bem relacionado. cabendo-lhe prefaciar o livro renovador de Magalhães. 1876. 1858. Cânticos Fúnebres. sob pseudônimo de Timandro. De volta à pátr ia teve uma carreira política brilhante. Os Mistérios. quando Alencar. Estudou medicina no Rio. Era mulato e os biógrafos não indicam os pais. de origem obscura. que representa uma das posições mais avançadas do liberalismo da sua "coração. cujo papel definiu com argúcia. Argentina. FRANCISCO DE SALES TORRES HOMEM nasceu no Rio em 1812. Lá foi adido de legação.residente na Áustria. 1865. Fora criado barão em 1872 e. onde esteve de 1833 a 1837. ministro. mais ou menos. Santa Sé. visconde de Araguaia. encarregado de negócios e integrou o movimento da Niterói. com grandeza. Amigo do Imperador. ligado episòdicamente à literatura. como deputado. Urânia. foi a primeira figura na vida literária oficial até a publicação da Confederação dos Tamoios.

Paris. Rio Grande do Sul.e quando. deste ano a 1844. com Frei Santa Gertrudes. MANOEL JOSÉ DE ARAÚJO. administrativa e literária. providenciar as exéquias. Em 1858 ingres . morreu no posto em 1868. Famoso galanteador e sibarita. nasceu em Recife em 18O4. foi porventura quem orientou os patrícios chegados a Paris no interesse pelo Romantismo. CônsulGeral. vereador. a partir de 1823. em 1849. e à proteção dos Andradas. diretor da Faculdade de Olinda. etc. tendo fundado com Macedo e Gonçalves Dias a revista Guanabara. Deputado geral em 1836. mas sobretudo políticos. Manoel Francisco Maciel Monteiro e sua mulher Manoela Lins de Melo. nasceu em 18O6 em S. cabendo a Pôrto-Alegre. em cuja Universidade se doutorou em medicina no ano de 1829 . José do Rio Pardo. Em 1826 veio para o Rio estudar pintura com Debret. segundo do título. desenvolveu intensa ativ idade artística. até 1837. quando foi Presidente da Câmara. professor da Academia de Belas Artes. cursando também a Escola Militar e aulas de anatomia do Curso Médico. foi ministro de 1837 a 1839. que mais tarde juntou ao nome o da capital da sua província. filho do Dr. na França e na Itália. começou a aproximar-se do Trono. Morreu em Paris no ano de 1876. educacional. como pintor oficial. De volta ao Rio. elegendo-se de novo em 185O. graças a uma subscrição promovida por Evaristo da Veiga. Em 1831. além de Filosofia. Nomeado Ministro Plenipotenciário em Lisboa no ano de 1853. nada publicou além da tese de medicina e uma ou outra poesia ou discurso. ANTÔNIO PEREGRINO MACIEL MONTEIRO. filho de Francisco José de Araújo e sua mulher Francisca Antônia Viana. Como ocorre com certos poetas noutras literaturas. orador do Instituto Histórico. o belo soneto "Formosa qual pincel". onde estudou. PÔRTO-ALEGRE. escreveu e pintou.. ocupou alguns cargos médicos. seguiu o mestre à Europa. por volta do decênio de 5O. De volta à pátria. Era Conselheiro titular e fora criado em 186O barão de Itamaracá. e. Ligado a Garrett. Fez estudos em Olinda e. o seu lugar na nossa é devido a uma única peça.

Embora endeusasse reverentemente o seu compadre e fraternal amigo Magalhães. meia dúzia de poesias. atribuindo-lhe a chefia da "regeneração das nossas letra s". um voluminho de décimas às flores. . com sede em Berlim. possuindo mesmo.. 37O em que trabalhou desde o decênio de 4O. Homem born. 2 vols. deixando fama de moço prodígio. ANTÔNIO FRANCISCO DUTRA E MELO nasceu no Rio em 1823. intimamente. servindo como Cônsul Geral na Prússia. em colaboração. Em 1874 recebera o título barão de Santo Ângelo. peças de teatro. arrimando a casa pobre com este e outros trabalhos. deixou boa quantidade de versos. foi profe ssor de inglês do Colégio Pedro II com menos de 18 anos. "noção exata da influência que os seus livros exerceram". Parece que se atribuía especialmente o início da cor local nativista. conforme Pinto da Silva. Feitos alguns preparatórios. onde morreu. Escreveu artigos. filho de Antônio Francisco Dutra e Melo e sua mulher Antônia Rosa de Jesus Dutra.sou na carreira consular. e de que veio publicando episódios pelas revistas do tempo. como tal celebrado pelos consócios do Instituto Histórico no discurso fú nebre de Pôrto-Alegre. Inéditos. o papel que lhe cabia. os escritos. que haviam sido colecionados para publicação por Luís Francisco da Veiga. que o instruiu e encaminhou nos estudos. que ainda não foram todas reunidas. as comemorações que organizou. Em 1846 morria. era dotado de grande senso do dever e rara capacidade de trabalho. aos 22 anos e meio. e parecem se ter extraviado. Órfão de pai. (186O-1866) finalmente em Lisboa (1866-1879). A sua empresa literária foi todavia o poema épico Colombo. ficou a cargo da mãe. 1866. com sede em Dresden. quatro coleções de charadas em verso. a partir de 185O. poesias. a julgar pelas obras de arquitetura e pintura. estudos p olíticos. 1863. Publicou uma gramática inglesa. depois na Saxônia. não ignorava. biografias. a atividade associativa. outro tanto de artigos c invocações. tendo ele enfeixado as principais nas Brasilianas.

prosseguindo ele nos estudos graças ao auxílio de colegas . e volta à pátria em 1845. seguindose os Segundos Cantos em 1848. Frustrado no intui to de desposar Ana Amélia Ferreira do Vale. Em 49 é nomeado professor de Latim e História do Colégio Pedro II e funda a Guanabara. às vésperas da viagem. fá-lo trabalhar na loja e pretendia levá-lo para estudar em Portugal. Gonçalves Dias passa a Coimbra em 1838 e prepara-se para a Universidade. Maranhão. No ano seguinte estava no Rio. Desde 1856 estava praticamente separado da mulher. não o termina. morre no naufrágio do navio Ville de Boulogne. em 1837. de índio e negro. realizando o desejo do marid o. Casado em 1829 com outra mulher. Em 51 aparecem os Últimos Cantos. Matriculado no curso jurídico em 184O. tendo-se salvado todos os demais. todavia. que lhe dera uma filha. De 1854 a 1858 permanece na Europa em missão oficial de estudos e pesquisas. falecida na primeira infância. por efeito da Balaiada. encerrando a melhor fase da sua poesia. mestiça. mas a situação financeira da família se torna difícil em Caxias. dá-lhe instrução. o grande amor da sua vida. não se sabe se de índio e branco. demorando-se até 1864. ao voltar à pátria. onde estampa os Primeiros Cantos. Neste ano. ou das três raças. Volta ao Rio em 1862 e segue logo para a Europa. e co . o pai não o desampara. à vista de terra. e a madrasta manda-o voltar. filho natural do comerciante português João Manoel Gancalves Dias e de Vicência Ferreira. em 1823.ANTÔNIO GONÇALVES DIAS nasceu na zona rural de Caxias. quando morre. publicando em Leipzig a edição reunida dos Cantos e a parte inicial d"Os Timbiras (1857). postos à venda em 1847. que lhe deram renome imediato. com Macedo e Pôrto-Alegre. e ele parte para o Norte em missão oficial. De 1859 a 1861 viaja pelo Norte como membro da Comissão Científica de Exploração. casase no Rio em 1852 e é nomeado para a Secretaria dos Negócios Estrangeiros. em tratamento da saúde bastante abalada. A madrasta o ampara igualmente.

Província de S. bacharelou-se em 1845 e iniciou imediatamente a advocacia e o jornalismo. a Meditação. falecendo em 1889. filho de um pai do mesmo nome. Paulo em 1841. Foi Plenipotenciário na Argentina e Uruguai e tinha o título do Conselho. nunca reuniu os versos. grangeando fama sobretudo como jornalista. e em seguida traduziu Esquilo. no Rio. médico. Lamartine e La Fontaine. pas sando neste ano para o Senado. em que dominam os pendores eruditos favorecidos pelas comissões oficiais e as viagens à Europa. em que escreve os Cantos. outro. Matriculado na Faculdade de S. e sua mulher Joana Maria da Rosa. FRANCISCO OTAVIANO DE ALMEIDA ROSA nasceu no Rio em 1825. Professor. teve alguma vibração original na quadra iuvenil para tornar-se depois um poeta árido e rotineiro. nasceu no ano de 1827 em Santos. que vai até 1851. como assinala Josué Montello. Otaviano Maria da Rosa. JOÃO CARDOSO DE MENEZES E SOUSA. Beatriz 371 #X" Cenei Leonor de Mendonça). De 1853 a 1867 foi deputado geral. deputado.rn quem nunca se entendera. filho do Dr. cuios trechos iniciais. as fíffttilhas. além de metrificar uma síntese d"Os Lusíadas na Camoneana brasileira. Na sua vida intelectual. os melhores. as traduções do alemão. e algumas das suas composições ganhassem a maior popularidade. Paulo. 1847. criador. S. em cuja Capital se formou em direito na turma de 1848. a epopéia elaborada e pouco inspirada d"Os Timbiras. funcionário. e se pode" considerar iniciado com a memória Brasil e Oceania (1852). datam do período anterior. empresa de ve . cornpreendendo o Dicionário da Língua Tupi. os rel atórios científicos. quase todas as peças de teatro (Patkul. há dois nítidos períodos: um. Estrelou com Harpa gemedora. advogado. Embora poetasse desde menino. Paulo.

rdadeiro sacrilégio poético. estando já o autor definitivament e instalado no Rio. poema narrativo no tema indianista. Os Três Dias de um Noivado. Era Conselheiro titular e fora criado barão de Paranapiacaba e m 1883. trabalha neste ofício com o pai. em 1855. Em 54. em 1843. tendolhe o Conselheiro Nabuco de Araújo arranjado em 55 o lugar de escrivão . Em 183O compõe a sua primeira obra conhecida. em 1915. dez anos depois: a tragédia Cornelia. em 1844. Uma acentuada versatilidade. Capitania do Rio de Janeiro. que foi também a primeira publicada. Morreu no Rio. Em 1846 casara e fora nomeado professor primário. De 1848 é o primeiro volume do romance histórico Gonzaga ou A Conjuração de Tiradentes. coroada em 1847 pelos seis primeiros cantos da epopéia A Independência do Bra sil. o romance O Filho do Pescador. onde morava desde meado do século anterior. seguido pela publicação parcelada de Maria ou A Menina Roubada (1852-1853). Em 191O apareceram Poesias e Prosas Seletas. aliás mal recebida pela crítica e o público. como se vê. Já en tão melhorara bastante a posição. em 1856. que perdera os bens em 1822. aparecendo o segundo em 51. Do mesmo ano é o romance As Tardes de um Pintor ou As Intrigas de um Jesuíta. englobando a produção de maturidade e velhice. filho natural do comerciante português Manoel Gonçalves e de Ana Teixeira de Jesus. Em 1841 e 1842 saem as duas séries dos Cantos Líricos. CAPÍTULO in (Para a biografia de Pereira da Silva. A Providência. Aprendiz de carpinteiro aos dez anos. VIII) ANTÔNIO GONÇALVES TEIXEIRA E SOUSA nasceu em 1812 em Cabo Frio. os seis cantos finais da desconsertada epopéia e a tragédia em verso O Cavaleiro Teutônico ou A Freira de Mariemburgo. As Fatalidades de Dois Jovens. mulher de cor. ver Cap. posta em volume em 1859. outro romance. último livro que compôs.

que o minara desde a adolescência. Era muito ligado à Família Imperial tendo sido profes sor dos filhos da Princesa Isabel. humilde e enleiado. homem born. ao que parece. nasceu em Itaboraí. que se dividem naturalmente em duas etapas. 1853. Pertencia ao grupo literário de Paula Brito. até o êxito de Alencar. Em 1861. ou noiva. Foi ativa e fecunda a sua carreira intelectual de jornalista. Rosa. Em 1849 fundou com Pôrto-Alegre e Gonçalves Dias a revista Guanabara. Província do Rio de Janeiro. Os dois amores. onde apareceu grande parte d"A Nebulosa. É a seguinte a lista dos seus romances. todavia. em 182O. 1849. sempre ficou no segundo plano. JOAQUIM MANOEL DE MACEDO. e deput ado geral de 64 a 68 e de 78 a 81. que lhe deu fama instantânea e constituiu a seu modo uma pequena revolução literária. Maria Catarina de Abreu S odré. autor teatral. começando do inicial. filho de Severino de Macedo Carvalho e sua mulher Benigna Catarina da Conceição. e futura mulher.judicial numa vara do Comércio. mesmo em vida. já referido: O Moço loiro. o principal romancista. em datas que não apurei. divulgador. não obstante a pobreza intelectual do meio. 1848. membro muito ativo do Instituto Histórico. Vicentina. tendo sido deputado provincial parece que várias vezes. poeta. Professor de história e geografia do Brasil no Colégio Pedro II. romancista. Consta que a heroína do livro é uma clara transposição da sua namorada. inaugurando a voga do romance nacional. publicara no mesmo ano A Moreninha. muito melancólico e algo abatido pelos revezes materiais. De 52 a 54 redigiu A Nação. sendo considerado em vida uma das maiores figuras da literatura contemporânea e. Era. morreu de tuberculose. prima irmã de Álvares de Azevedo. militou no Partido Liberal como jornalista e político. 1855. A partir daí abandona o gênero por cerc . e O Forasteiro. 1845. jornal do seu Partido. e. Formado em medicina pela Faculdade do Rio em 1844.

A Baronesa do Amor. 1849. sátiras. e Memórias do sobrinho do meu tio. seguido em 69 por nada menos de quatro: A luneta mágica. e mais duas ou três. 187O. série muito lacunosa de biograf ias organizadas pelos dias e meses de nascimento. 1858. 1876.. 1872. inclusi ve Amor e Pátria. . dedica-se ao teatro e out ros tipos de escritos.a de dez anos. 1861. 1867-8. Luxo e Vaidade. 187O. Escreveu ainda livros didáticos nas matérias que ensinava. O sacrifício de Isaac. em 1882. Nos últimos tempos sofreu de decadência das faculdades mentais. 372 373 #. Em 1865 volta ao romance com O culto do dever. Cobé. O primo da Califórnia. 1871. 1873. V) . na liça que até então dominava. CAPÍTULO IV ---""-. 3 vols. variedades. 1852. As poesias líricas nunca foram reunidas em volume. Vingança por vingança. 1877. além do Ano biográfico brasileiro. Um noivo e duas noivas. O fantasma branco. em 1856. Remissão de pecados. Para teatro escreveu: O cego. o "poemaromance" A Nebulosa é de 1857.este último compreendendo três obras. (Para a biografia de Bernardo Guimarães. 186O. ver Cap. 1859. O Rio do Quar to. quem sabe algo abalado. ou um pouco intimidado com a entrada de Alencar. A seguir: As mulheres de mantilha e A namoradeira. Neste lapso publica os contos reunidos impropriamente sob o título de Romances da Semana. Nina e As vítimas algozes. Cincinato Quebra-louça. 1855. Os quatro pontos cardiais e A misteriosa. como as duas sátiras político-sociais A carteira de meu tio. A torre em concurso. Lusbela e O novo Otelo. 1876. 1863. morrendo antes de completar 62 anos. 1856.

Mas leu. Deixou vários manuscritos: poemas. No Mosteiro de S.e entre lutos e desgraças . publicados em 1869. pouco antes da sua morte. professando em 1852. viveu amargurado e revoltado. . Sabemos que era mulato e tinha sangue de cigano. Luísa Maria d a Conceição. Ao mesmo tempo. ao que parece. fragmentos de dramas. Cresceu na maior pobreza. após um ano de noviciado. e até ensinou. entra em 1851 na Ordem Beneditina. embora permanecendo sacerdote. onde foi excelente aluno. notas e uns Elementos de Retórica Nacional. com o nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire. da sua cidade natal. Por motivos não esclarecidos. bem cedo. por força dos votos perpétuos. ocorrida em junho e motivada por moléstia cardía ca de que sofria desde a infância e lhe atormentou a curta vida. matricula-se em 1849 no Li ceu Provincial.de que só veio a se libertar nos últimos anos da vida. grande ledor e já poeta. filho legítimo de José Vicente de Sá Freire e Felicidade Augusta de Oliveira Junqueira. Feitos os estudos primários e os de latim de maneira irregular. ou da mãe. por motivo de saúde. apesar dos males que lhe assaltavam a constituição d ébil. poetou. LAURINDO JOSÉ DA SILVA RABELO nasceu no Rio de Janeiro em 1826. gente humilde do povo carioca. não precisando os informantes se do lado do pai. que manif esta um senso agudo de auto-analise. que lhe permitiria libertar-se da disciplina monástica. Obtendo-a no fim de 54. numa grande atividade. arrependido por certo. sem vocação e mesmo. a que deu o nome de Inspirações do Claustro. o procurador e oficial de milícias Ricardo José da Silva Rabelo. da decisão irrevogável que tomara. Em 1853 pediu a secularização. mas provavelmente ligados a aborrecimentos com a conduta do pai. onde redigiu a breve Autobiografia. impressa na Bahia em 1855. providencia a impressão de uma coletânea de versos. recolheu-se à casa da mãe. que não foi homem de bem e a partir de certa altura viveu separado da família.LUÍS JOSÉ JUNQUEIRA FREIRE nasceu na Bahia em 1832. Bento. sem fé segura. .

a facilidade para as línguas. No Rio se criou a partir dos dois anos e fez os estudos secundários (salvo um ano em S. fundando. 1853. O Professor Stoll. vindo porém defender tese na cidade natal. Havia casado em 186O e. Rio. servindo no Rio Grande do Sul até 58 e novamente de 6O a 63. onde terminou o curso em 1856. Formado. Eduardo de Sá Pereira de Castro reuniu-as a outras peças para formar as Poesias. .a edição do Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa. Paulo no ano de 1831. reeditado em 72 .familiares. MANOEL ANTÔNIO ÁLVARES DE AZEVEDO nasceu em S. acabando por seguir medicina. ingressou em 1857 como oficial-médico no Curso de Saúde do Exército. morrendo em 1864. Fez estudos na Escola Militar e no Seminário. filho do então estudante de direito Inácio Manuel Álvares de Azevedo e sua mulher Maria Luísa Silveira da Mota. disse dele que manifestava a -"mais vasta capa cidade intelectual que já encontrei na América em um menino da sua idade". e do mesmo ano seria a l. em cujo colégio esteve de 184O a 1844. abandonado a boêmia em que sempre vivera e cujo ambiente o estimulava literària mente. Em 1848 matriculou-se na Faculdade de S. ambos de famílias ilustres. Em ambas ficou famoso pela capacidade de improvisar e cantar ao violão. Paulo. Depois da sua morte. Bahia. bacharelando-se no Colégio 374 Pedro II em fins de 1847. a delicadeza de sentimentos e a jovialidade. geografia e português no curso preparatório anexo à Escola Militar. Desde então se destacava pelo amor ao estudo. no Rio e na Bahia. desde então. 1867. Paulo). Neste ano foi nomeado professor de história. Em vida publicou as Trovas. que se reflete na sua obra e a torna um elo entre a poesia popularesca e a erudita. onde foi estudante aplicadíssimo e de cuja intensa vida literária participou ativamente.

Era. favorecia nele componentes de melancolia. Lucano.inclusive. ao tempe ramento brincalhão. no Rio. com eles. Jacques Rolla. artigos. Macário. como as conhecemos hoje. "tentativa dramática". Ao contrário. episódios romanescos. compreendem a Lira dos Vinte Anos. nos quatro anos de atividade literária. penetrando na glória imediatamente após a publicação póstuma doa versos. acumulando rapidamente considerável produção. minaram-lhe a saúde. a sua voga parece ter caído bruscamente em n . alguns artigos. O Poema do Frade e O Conde Lopo. "~Vale observar que foi excepcionalmente admirado durante a vida. que parece tê-lo acompanhado como demônio familiar. a terceira parte do romance O Livro de Fra Gondicárío. que já pensava em publicar. o desconforto das "repúblicas". A Noite na Taverna. Em S. a cujas edições sucessivas se foram juntando outros escritos. Em vida. Depois da sua morte surgiram as Poesias (1853 e 1855). como se vê pelo prefácio da Lira dos Vinte Anos. todavia. Durante as férias. Nas férias de 51-52 manifestou-se a tuberculose pulmonar. As suas obras completas. alguns dos quais publicados antes em sepa rado. e em abril cie 52 morria. quiçá intemperanças de moço. do que se deu com outros poetas românticos. poemas narrativos. sobretudo a previsão da morte. a dolorosa o peração a que se submeteu não fez efeito. discursos e 69 cartas. ligara-se de amizade íntima a Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa. agravada por um tumor da fossa iliaca. os estudos críticos sobre Literatura e Civilização em Portugal. dando vaza. em todo o caso. lia e escrevia muito. publicou alguns poemas. Poesias Diversas. de pou ca vitalidade e compleição delicada. com vinte anos e meio. a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano. Ao mesmo tempo. Paulo. o meio literário paulistano. impregnado de afetação byroniana. o esforço intelectual. George Sand. discursos.

Fazenda da Prata. Em 57 volta ao Rio. se consideradas do ângu . filho natural do abastado comerciante e fazendeiro português José Joaquim Marques Abreu e de Luísa Joaquina das Neves. onde foi colega de Pedro Luís. na Freguezia de Corren tezas. só apareceu em 1942. que" se manteve. com °. publicando um conto. atividade que lh e desagradava. (como declara no testamento). apenas para a Noite na Taverna. onde fez os primeiros estudos. nas quais era bem relacionado. mas onde freqüenta sobretudo as rodas literárias. publicado a r epresentado em 1856. muito reproduzida em tiragens populares. Província do Rio de Janeiro. onde continua residindo a pretexto dos estudos comerciais. e a que se submeteu por vontade do pai. Em 52 foi para o Rio estudar e praticar comércio. Entre a l. uma edição em cada 6 anos e pouco. seu grande amigo para o resto da vida. cornpondo o drama Camões c o Jáo. O pai nunca residiu com a mãe de modo permanente. no 375 #Teatro D. João. Fernando.osso século. alguns outros escritos e. Neste sentido.a. isto é. porém. de Nova Friburgo (1849-1852). quanto a ele. a julgar pelo movimento de reedições. sobretudo.a edição das suas poesias (1853-55) e a 7. Passou a infância sobretudo na propriedade materna. completados por quatro anos no Colégio Freese. acentuando assim o caráter ilegal de uma origem que parece ter causado bastante humilhação ao poeta. CASIMIRO JOSÉ MARQUES DE ABREU nasceu em 1839 na freguezia da Barra de S. Em Lisboa inicia a atividade literária. que sempre o amparou e custeou de born grado as despesas da sua vida literária.a (19OO) vão 45 anos. e com o qual parece ter vivido bem. apesar das queixas românticas contra a imposição da carreira. A 8. chegou a expansões bem amargas e sem dúvida injustas. <lual viaja para a Europa no ano seguinte. Em 1859 aparecem As Primaveras Em 6O morre o pai.

integrando a roda boêmia e literária de Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães. Faleceu no Rio em 19O7. foi. doutorando-se na Faculdade de Medicina do Rio em 1859. Transferido para Olinda. não obtendo melhora. levando-o a relegar tudo mais para segundo plano. busca alívio no clima de Nova Friburgo. lá se formou em 51 e. Depois de clinicar na sua cidade. de onde. a paixão absorvente que consagrou à poesia. sucedendo-se as reedições. . em 1833. reunidos em Poesias. Província de Minas Gerais. sem maior aplicação à poesia que o capricho da inspiração fácil. a partir de 1875. Levo u sempre vida irregular e desajustada de boêmio. em S. Como poeta.. Paulo. depois de exercer um cargo público em Ouro Preto por pouco tempo. AURELIANO JOSÉ LESSA nasceu em 1828 na cidade de Diamantina. João. justifica os rompantes contra a visão limitada com que o velho Abreu procurava encaminhá-lo na vida prática. Já estimado literàriamente em vida. 1877. em outubro de 186O. Província do Rio de Janeiro. Assaltado pela tuberculose. Todavia. faltando três meses para complet ar vinte e dois anos. Desde então. 3 vols. ainda estudante. permaneceu na estima do público. com um estudo de Sílvio Romero. onde morrera o pai. publicou Sombras e Sonhos em 1858. e onde morre. sendo a sua obra mais apreciada as Efemérides Nacionais. de que chegou a Diretor. como herdeiro eventual dos s eus negócios e haveres. funcionário da Biblioteca Nacional. e Miosotis. depois em Conceição do Serro.lo usual. seis meses depois dele. a julgar pela quantidade de artigos que motivou. talvez em 46 ou 47. Escreveu sobre vários assuntos. foi vagamente advogado na terra natal. a morte veio mostrar como o seu livro impressionara o meio. 1881. 1914. Os seus versos foram reunidos sob o título de Poesias Póstumas em 1873. Feitos os estudos secundários no Seminário de Congonhas do Campo. recolhe à fazenda de Indaiaçu. onde morreu em 1861. matriculou-se na Faculdade de S. JOSÉ ALEXANDRE TEIXEIRA DE MELO nasceu em Campos.

filho de Francisco Joaquim de Carvalho e Lourença Virgínia Galvão. Apaixonado . perto da vila de Nossa Senhora de Nazaré. promotor. e poesias esparsas. de que foi praticante fervoroso.FRANKLIN AMÉRICO DE MENEZES DÓRIA nasceu numa fazenda da Ilha dos Frades. Paulo com o fito de estudar direito. delegado e juiz. e veio para S. presidente do Espírito Santo de 67 a 68. a sua produção poética abrange a tradução da Evangelina. Poemas da Escravidão. S. sob o título de A Div ina Epopéia de S. foi deputado geral de 64 a 7O. Faleceu no Rio em 1895. no ano de 1836. falecendo no Rio em 19O6. 1882. Paulo. Recife. Pernambuco). Publicou. Província do Maranhão. Convertido ao espiritismo. Fez os estudos preparatórios em Lisboa. Formou-se em direito pela Faculdade de S. no ano seguinte estamp ou no Rio as Flores Silvestres e. juntamente com Macedo Soares e Salvador de Mendonça. de Longfellow (1874). Nunca se valeu da carta. Rio. filho de José Inácio e Águeda Clementina de Menezes Dória. neste sentido. nasceu em Laranjeiras. não chegando a fazer os exames nos três anos que aqui viveu. TRAJANO GALVÃO DE CARVALHO nasceu em Barcelos. Formando-se em direito no Recife em 1856. sendo nomeado depois da proclamação da República Diretor da Biblioteca Nacional. nem aceitou qualquer emprego. Em 187O 376 aderiu à causa republicana. Bahia. Paulo em 1859. 1859. filho do comerciante português de igual nome e sua mulher Maria de Santana Leite Sampaio. FRANCISCO LEITE DE BITTENCOURT SAMPAIO. foi. em 183O. Além de Enlevos. Foi deputado geral de 1878 a 1885. João Evangelista. 1859. traduziu e comentou. onde viveu de 1858 a 18 45. que acompanhou no exílio. barão com grandeza de Loreto. em 1836. Era muito l igado à Família Imperial. Poesias. Matriculou-se em 49 na Faculdade de Olinda. contendo versos seus e traduzidos de Longfellow. onde se formou em 1854. Conselheiro titular e. na sua província. em 1888. o Quarto Evangelho. três vezes ministro. Maranhão. em 1884. ocupando depois três presidências (Piauí. Província de Sergipe. pela qual militou na imprensa.

Paulo. Entr e o céu e a terra. viajou muito e acabou se aquietando como fazendeiro na província natal onde morreu em 19O2. Publicou: Clara Verbena e Sonidos. nas Sert atanejas. Estudou preparatórios na sua terra e tentou a carreira militar. a sua parte foi reeditada. com prefácio de Raimundo Corrêa (Rio. foi depois funcionário da Alfândega no Rio e no Maranhão. secretário da presidência no Paraná e em Alagoas. reunidos. e assim morreu em 1864. Maranhão. Publicou os seguintes livros de poesias: Harpas selvagens. magistrado. um romance. estudou em Paris. Faleceu na cidade natal em 1876. morrendo na Bahia em 1876 como oficial da secretaria da Presidência. As suas poesias estão nas Três Liras. de Vigny. JOAQUIM DE SOUSA ANDRADE. GENTIL HOMEM DE ALMEIDA BRAGA nasceu em S. uma comédia. 1863. 1861. em 1872. filho do capitão Antônio Joaquim Gomes Braga e sua mulher Maria Afra de Almeida. Publ icou algumas poesias e facécias. de putado e jornalista. acrescida de outros versos. Impressões. fez-se fazendeiro. 1866. nasceu no Maranhão em 1853. . 1868. Luis do Maranhão no ano de 1835. 1869. Eólias. reúne artigos de jornal. 1867 e colaborou no romance coletivo A casca da caneleira. 1862. e colaborou nas Três Liras com Trajano Galvão e Antônio Marques Rodrig-ues. 1857. BRUNO HENRIQUE DE ALMEIDA SEABRA nasceu no Pará em 1837. que lhe deram nome. Colaborou no romance coletivo A casca da Caneleira. O Guesa Errante. Mais tarde. 1868. na sua província. junto a outras de Almeida Braga e Antônio Marques Rodrigues. Parafraseou a Eloá. Formado em direito pelo Recife em 1857.pela vida rural. e as poesias Flores e Frutos. foi deputado geral e. 1863. Por direito de patchulí. 1866. 1898).

° ano em 49 e o último (5. A sua vida era. a sua glória póstuma tem se mantido firme. Insuficientemente apreciado em vida. JOSÉ MARTINI ANO DE ALENCAR nasceu em Mecejana.permanece dispersa. Além do romance. quiçá por dificuldades financeiras. e foi no Correio Mercantil que publicou. cujos inícios patrocinou.° volume) e 1855 (2. Em 1858 foi nomeado Administrador da então Tipografia Nacional. . A produção jornalística. cursando o 1. no naufrágio da barca a vapor Hermes. reunidas em livro em 1854 (1. as Memórias de um Sargento de Milícias. Desde então viveu sobretudo no jornalismo. onde era tipógrafo Machado de Assis. crônicas. Perdeu o pai com cerca de dez anos e pouco sabemos dos seus estudos elementares e preparatórios: estudou um pouco de desenho na Academia de Belas Artes e em 1848 foi aprovado nas matérias necessárias ao ingresso na Faculdade de Medicina.°) apenas em 55. com quem formara uma união ostensiva e socialme . de fato. e em 1861 pensou candidatarse à Assembléia Provincial do Rio de Janeiro. anonimamente e aos poucos. críticas. apesar das boas rodas literárias a que pertencia. No ano seguinte foi nomeado 2.a edição. muito 377 #dura e foi a necessidade que o trouxe às letras. com o pseudônimo de Um Brasileiro. publicou a tese de doutoramento e um libreto de ópera. filho do Padre. depois senador José Martiniano de Alencar. embora já em 1863 Machado de Assis preconizasse a sua reunião em volume. O seu nome apareceu apenas na 3. de junho de 1852 a julho de 1853. perto de Fortaleza. onde viajava. visando melhoria financeira. parecendo haver perdido dois. e de sua prima Ana Josefina de Alencar. em 1863. etc. tendo começado. Província do Ceará. já póstuma. filho dum modesto casal de portugueses: o Tenente Antônio de Almeida e sua mulher Josefina Maria. no ano de 1829.CAPÍTULO V MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA nasceu no Rio de Janeiro em 1831. ("imitação do italiano de Piave") com música da Condessa Roswadowska. ainda "eeundo-anista. a traduzir para os folhetins de jornal. Dirigia-se a Campos para iniciar as consultas eleitorais quando morreu.° Oficial da Secretaria da Fazenda. representada sem êxito depois da sua morte.° volume).

Paulo. Ainda na primeira infância transferiu-se com a família para o Rio. para fazer cigarros. Formado. a utor dramático. nesta cidade ficou até 185O. Paulo. levava em 1843 esboços de romance para S. Apaixonado pela literatura desde a infância. inspirado pela proximidade e as recordações da terra natal. Em 1857 mostra-se escritor maduro com O Guarani. A sua notoriedade começou com as Cartas sobre a Confederação dos Tamoios. salvo o ano d e 1847. aos doze anos. não conseguiu realizar a ambição de ser senador. tímido e aferrado aos livros. fundara em 1846 a revista Ensaios Literários. no Diário do Rio de Janeiro e reunidas em opúsculo. devorando os românticos franceses e alguns anglo-americanos. que um companheiro de casa queimou mais tarde. Redator chefe do Diário do Rio de Janeiro em 1855. publicou o primeiro romance conhecido: Cinc o Minutos. tendo retornado à terra natal apenas uma vez. Em S. publicadas em 1856 com o pseudônimo de Ig. político. No mesmo ano e lugar. foi várias vezes deputado geral conservador pelo Ceará e. Atraído pelo teatro. Era estudante sem brilho. começou a advogar no Rio e logo em seguida a escrever para O Jornal do Comércio os folhetins que reuniu sob o título de Ao Correr da Pena. terminando os preparatórios e cursando direito. Os Contrabandistas.nte bem aceita. Ministro da Justiça. Neste ano. encetando pelo mesmo . 1859. do mesmo modo. romancista. Estava iniciada uma vida operosa e variada de advogado jornalista. durante a sua ausência. 1858. e Mãe. arredio. onde o pai desenvolveria a carreira política e onde fez os estudos elementares e alguns preparató rios. em que fez o 3. escreve ainda os dramas As Azas de um Anjo. escreve o primeiro romance acabado. funcionário. havendo-se aliás desligado bem cedo de qualquer atividade sacerdotal.° ano na Faculdade de Olinda. devendo contentarse com o título do Co nselho. orgulhoso. ladeado pelas comédias O Demônio Familiar e Verso e Reverso. de 1868 a 187O.

que o afasta por alguns anos da literatura. e durante a qual aparecem vários escritos de doutrina ou crítica ao sistema: Ao Imperador . no ano de 1825. 1873. . 1872. tão intensa quanto retraída. dividida entre a ambição de preeminência e a fuga dos obstáculos. G. 1873-4. Casado em 1864 e muito feliz no matrimônio. A partir dos quatro anos. 187O. Ao Povo .. 1862. sentindo-se pela primeira vez amparado editorialmente. a agressividade e a timidez. BERNARDO JOAQUIM DA SILVA GUIMARÃES nasceu em Ouro Preto. impregnando-se das paisagens que descreveria com predileção nos seus romances. enceta nova fase criadora. As Minas de Prata. Sonhos d"Ouro e TU. Seguemse os romances A Viuvinha. 1875. 1864. Diva. Em 1877 morre. Sênio. sempre magoado na vaidade.378 tempo As Minas de Prata e a epopéia Os Filhos de Tupã. desiludido. Alfarrábios. Antes dos 17 estava de volta .Ig. que o levavam inclusive à predileção pelos pseudônimos. Interfere aí uma etapa de absorção pela política. o romance Encarnação. Lucíola. .quando não ao anonimato. viveu em Uberaba e Campo Belo. 1865. Em 187O contrata com a Livraria Garnier a publicação dos livros anteriores e dos que viesse a escrever. inacabada. 1865. embora já então considerado a primeira figura das nossas letras. O Sistema Representativo. Senhora e O Sertanejo. cansado. Deixou grande cópia de manuscritos. a autobiografia intelectual Como e porque sou romancista. e até um momento da adolescência não fixado pelos biógrafos. filho legítimo de João Joaquim da Silva Guimarães e Constança Beatriz de Oliveira.Novas Cartas Política s de Erasmo..Cartas Políticas de Erasmo. Iracema. Ubirajara. a que se devem: O Gaúcho e A Pata da Gazela. 1866. dos quais se publicaram alguns volumes jurídicos. Visão de J ó. AL. M. 1868. encontrou guarida no lar para os choques que a vid a causava à sua sensibilidade mórbida. Erasmo. 186O. 1874. 1867. Minas. O Juízo de Deus. A Guerra dos Mascates. 1862 (edição da parte inicial) e 1864-65 (redação e publicação do resto).Cartas Políticas de Erasmo e Ao Imperador .

1875. Maurício. reune-os com outros em 1865 nas Poesias. Magistrado descuidado e humano. onde morou UHS poucos anos. A Escrava Isaura. Juiz municipal de Catalão. sempre mau estudante. sem resultado. . foi nomeado em 73 professor de latim e francês em Queluz. onde casou no a no seguinte e foi nomeado professor de retórica e poética no Liceu Mineiro. o coração bondoso e a completa generosidade. como qualidade a sua melhor produção poética vai até o decênio de 6O. fixou-se a partir de 66 na cidade natal. mas redigido em 58). De 1866 é a publicação parcelada d"O Ermitão do Muquém (posto em livro em 69. O índio Afonso.a Ouro Preto. 1871. em 1852-1854 e 1861-1863. Rosaura. matriculando-se tardiamente. de permeio. Embora tenha começado a escrever ficção nos fins do decênio de 5O. atual Lafayette. e Basílio de Magalhã es sugere que o motivo deve ter sido. na qual. Já então o distinguiam a indisciplina. a partir do qual a sua melhor 379#produção é romanesca. em 1884. intervindo motivos de conflito com o superior. Também esta cadeira foi extinta. promoveu no segundo período de judicatura um júri sumário para libertar os presos. em 1847. Lendas e tradições da Província de Minas Gerais (incluindo A Filha do Fazendeiro) e O Seminarista. orgia e irreverência. Novas Poesias. 1872. Paulo. Voltando a Ouro Preto. a Enjeitada. Depois de nova estadia no Rio. 1873. Publicara duas coletâneas de versos. e. 1883. foi. 1877. em ambos os casos. pessimamente instalados. Estreiando com os Cantos da Solidão em 1852. A Ilha Maldita e O Pão de Ouro. O Garimpeiro. depois de um qüinqüênio ruidoso de troças. ineficácia e pouca assiduidade do poeta. 1879. as alternativas de born humo r e melancolia. jornalista no Rio. 1872. e tenha feito poesias até os últimos anos. onde terminou os preparatórios. ali viveu até a morte. se bacharelou em 2. na Faculdade de S. sofreu processo. de 1858 a I86O ou 61. patuscadas.a época no começo de 52. Província de Goiás. seguido por Lendas e Romances. Extinta a cadeira.

preferindo a literatura e dissipando-se na boê mia. seguindo a carreira do pai. Criado na fazenda natal. para onde o magistrado fora transferido em 1851 e onde permaneceu até 1852. de que o pai era juiz. 19O4. Goiás. 1914. sendo algumas recol hidas em folheto. 1883. em 1859 vai terminar os preparatórios em S. Pòstumamente apareceram o romance O Bandido do Rio das Mortes. com o fim de matricular-se na Faculdade de Direito. Mau estudante. propriedade do avô materno. Os estudos foram feitos por todos esses lugares. João Marcos. sucessivamente loquaz e taciturno. e o drama A Voz do Pagé. Paulo era um moço de saúde delicada. e na vila de S. das mudanças de casa e de professores na formação do seu espírito e sensibilidade. que nunca terminou. de que fora lente o seu avô e homônimo. tendo porventura encontrado o juiz municipal nomeado nes ta data. dois opuscules. Paulo. matricula-se apenas em 1862 no curso superior. CAPÍTULO VI LUÍS NICOLAU FAGUNDES VARELA nasceu em 1841 numa fazenda do município de Rio Claro. alternadamente juiz. Em 1861 publica as Noturnas e em 1863 O Estandarte Auri Verde. filho do Dr. advogado. Bernardo Guimarães. ambos de famílias fluminenses bem situadas. a partir daí ace . agravou a sua penúria financeira e lhe deu o filho Emiliano. logo falecido. De volta à terra natal. É provável a influência da paisagem campestre. contraíra um matrimônio que provou mal. Emiliano Fagundes Varela e sua mulher Emilia de Andrade. Varela reside em Angra dos Reis e Petrópolis. Deve-se registrar além disso uma saborosa produção de poesia obscena. De permeio. cuja maioria se terá perdido. Ao chegar a S. acompanha a família a Catalão. para sua dor terrível.1876. Província do Rio de Janeiro. sonhador e já atraído pela solidão. deputado provincial. e Folhas do Outono.

O Diário de Lázaro e outras poesias. poetando e vagando pelos campos. na mesma turma que . cursando o 1. onde permanece até 187O. além de ter escrito.° ano na Faculdade do Recife. Publica Vozes da América em 1864 e a sua obraprima.ntuam-se a tendência ambulatória e o alcoolismo. ano em que vai cursar o 3. depois de duas vezes reprovado. com largas estadias nas fazendas dos parentes e certa freqüência nas rodas da boêmia intelectual do Rio. lá continuando a mesma vida desbragada. Cantos e Fantasias. em 1865. onde foi colega de Rui Barbosa e demonstrou vocação apaixon ada e precoce para a poesia. 1875. além de gosto e facilidade para o desenho. 38O ANTÔNIO DE CASTRO ALVES nasceu em 1847 na zona rural de Curralinho. Np intervalo. e sua mulher Clélia Brasília da Silva Castro. Morre-lhe neste ano a mulher. Deixou inédi to o Anchieta.° ano em 65. ao mudar pouco depois com a família para a capital. mais tarde professor na Faculdade de Medicina do Salvador. à fazenda em que nascera. e ele volta. em Rio Claro. filho do médico Dr. Paulo. provàvelmnete. Passou em 62 ao Recife para ultimar os preparatórios e. todo ou quase todo Anchieta ou O Evangelho na Selva.a série. matriculando-se no seguinte em S. tendo Otaviano Hudson. casara novamente e publicara (1869) Cantos do Ermo e da Cidade e Cantos e Fantasias. na 4. estudou no famoso Colégio de Abílio César Borges. amigo fiel. reunido os Cantos Religiosos com o fim de auxiliar a viúva e filhos do poeta. vive nesta cidade. Bahia. Em 187O muda-se com o pai para Niterói e. Viveu na fazenda natal das Cabaceiras até 1852 e. Antônio José Alves. onde Castro Alves era primeiro-a nista. ou melhor. falecida quando o poeta ia pelo s doze anos. futuro barão de Macaúbas. que não o acompanhara ao Norte. mas também a eminência criadora. matriculou-se na Faculdade de Direito em 1864. daí até à morte. que não termina. abandonando de vez o curso e recolhendo-se à casa paterna .

sem ter podido acabar a maior empresa que se propusera. Logo integrado na vida literária acadêmica e bem cedo admirado graças aos seus versos. este platônico. continua escrevendo e produz mesmo alguns dos seus mais belos versos. anim ado por um derradeiro amor. que. na verdade uma série de poesias em torno do tema da e scravidão. pela cantora Agnese Murri. veio para o Sul em companhia da amante. passa grande parte do seguinte em fazendas de parentes. tomou consciência do seu papel de poeta social. recebido muito favoravelmente pelos leitores.° ano. decisiva para a sua poesia e a sua vida. Em nossos dias. escreveu o drama Gonzaga e. Daí por diante. publicada em 76 como A Cachoeira de Paulo Afonso. sob ameaça de gangrena. Em novembro saíram as Espumas Flutuantes. parte do empreendimento.Tobias Barreto. Em julho de 1871 morreu. à busca de melhoras para a saúde comprometida pela tu berculose. numa das fazendas em que repousava. único livro que chegou a publicar. No fim do ano o drama é representado com êxito enorme. em 68. A descarga acidental de uma espingarda lhe fere o pé esquerdo. mas o seu espírito se abate pela ruptura com Eugênia Câmara. iniciou a apaixonada ligação amorosa com a atriz Eu gênia Câmara.° ano da Faculdade de S. o benemérito Afrânio Peixoto juntou-a aos outros versos do ciclo para compor o que resta do poema. cuidou mais deles e dos amores que dos estudos. Paulo. apesar do declínio físico. Voltando à Bahia no fim deste ano. Em 187O. Em 66. que o abandona por outro homem. quando perdeu o pai e cursou o 2. o poema Os Escravos. em meados de 69. aos vinte e quatro anos. é afinal amputado no Rio. matriculando -se no 3. como se vê pelo esclarecimento do poeta: Continuação do "Poema dos Escravos" sob o título de Manuscritos de Stênio. na mesma turma que Rui Barbosa. assim como reuniu também as poesias líricas esparsas sob o título que o poeta lhes destinava: Hi . havia completado A Cascata de Paulo Afonso. Foi nesse momento que entrou numa fase de grande inspiração.

em 1839. Principiada em vida. foram reunidas depois da sua morte (1897). As suas poesias de cunho épico. morrendo em 1924 no Rio. inclusive um estudo sobre o pai.nos do Equador. filha de Joaquim Jácome de Oliveira Campos Filho e sua mulher Narcisa Inácia de Campos. em 1839. falecendo em 1897. Formado em 186O pela Faculdade de S. Paulo. filho de Luís Pereira de Sousa e sua mulher Maria Carlota de Viterbo. A publicação das Nebulosas (1872) deu-lhe notoriedade e criou certa expe ctativa nos meios literários. a popularidade de Castro Alves não decresceu. 1877. filho do famoso repentista Francisco Muniz Barreto e sua mulher Mai-iana de Barros. É autor de várias obras. S. obtendo em 1857 a cadeira de latim de Itabaiana. ministro e r ecebeu o título do Conselho. Província do Rio de Janeiro. Morreu em Bananal. ROZENDO MUNIZ BARRETO nasceu na Bahia em 1845. 1891. de apreciável. com introdução de Francisco Oetaviano. formando-se na volta. todavia. NARCISA AMÁLIA DE CAMPOS nasceu em S. em 1852. Paulo. o . publicadas separadamente em vida. Fez preparatórios em Estância e Lagarto. Tributos e crenças. Quando estudante de medicina no Rio. Província do Rio de Janeiro. foi deputado. presidente de província. um romance c os seguintes livros de versos: Cantos d"Aurora. 381 #Foi funcionário de secretaria c professor de filosofia do Colégio Pedro II. João da Barra. PEDRO LUÍS PEREIRA DE SOUSA nasceu em Araruama. sucedendo-se as edições dos seus versos." Vôos icários. filho do modesto casal Pedro Barreto de Menezes e sua mulher Emerenciana de Menezes. alistou-se como voluntário em 1866 e serviu até o fim da guerra no corpo de saúde. onde fora professora pública. no ano de 1884. TOBIAS BARRETO DE MENEZES nasceu em Campos. 186O. Nada mais produziu. ganhando fama como orador. Província de Sergipe.

Londres e Roma. Tristão dos Santos e Ana Constança do Espírito Santo. Filigranas. e faleceu em 1898. reunida em 1921 sob o título de Auroras de Diamantina. Fez apenas estudos primários e em 1856 fo . Foi brevemente jornalista e em 1872 entrou para o serv iço diplomático. Matriculou-se na Faculdade de Direito de S. graças ao auxílio de amigos. etc. JOÃO JÚLIO DOS SANTOS nasceu em 1844 em Dimantina. Curvas e zigue-zagues. Em 61 foi para a Bahia completar os preparatórios. onde se formou em 69. deixou produ ção esparsa e inédita. Estudou em S. filho de um humilde mulato. não passando dos primeiros anos de Direito. onde morreu em 1898. e sua mulher Maria Leopoldina Machado. Os seus versos foram reunidos pòstumamente por Sílvio Romero sob o título de Dias e Noites. já dentro da orientação parnasiana. Monsenhor Felisberto Edmundo Silva. Província de Minas. Francisco José de Assis. Contos sem pretensão. JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS nasceu em 1839 no Rio de Janeiro (onde morreu em 19O8). onde serviu sob as ordens de Gonçalves de Magalhães. por seu sobrinho. A maioria absoluta dos seus versos pertencem a este período recifense. De 71 a 81 advogou em Escada e em 82 se tornou lente da Faculdade do Recife. onde ensinou até à morte. secretário e encarregado de negócios em Lisboa. tendo sido adido em Santiago do Chile. Em 64 matriculou-se na Faculdade do Recife. Em seguida foi por algum tempo jornalista no Rio e acabou de volta à terra natal. com a intenção logo abandonada de seguir a carreira eclesiástica. Paulo de 64 a 66. portuguesa. ensinando depois até 71 num colégio por ele funda do. filho dum humilde casal de gente de cor. Bastante prezado como poeta nas cidades em que viveu. ministro em Caracas e Lisboa. em 89. Paulo e terminou o curso no Recife em 1869. ano em que publicou o livro de versos Carimbos. Há dele alguns volumes em prosa: Histórias para gente alegre.nde ficou até 6O. LUÍS CAETANO PEREIRA GUIMARÃES JÚNIOR nasceu no Rio em 1847. Publicou em 188O Sonetos e Rimas. o pintor de casas. onde morreu em 1872.

e Hi stórias da Meia \~oitf. De 64 é o primeiro livro de versos. (As Ocidentais. em 59. e de 75 o terceiro.i admitido como tipógrafo aprendiz na Imprensa Nacional. 382 1874. Província de Sergipe. 19O2. 1876 e laia Garcia. abandonando a seguir as tentativas poéticas. Já então colaborava em jornais e formara relações literárias. crítico militante. em poesia. onde se formou em 1877. que se costuma considerar como pertencentes ao seu período romântico. que escapam ao intuito do presente livro. militando no jornalismo desde aluno. não tardando em se tornar jornalista. advogado e. Estudou direito em Recife. SÍLVIO VASCONCELOS DA SILVEIRA RAMOS ROMERO nasceu "-m Lagarto. viveu por várias cidades do Rio e de Minas. mudando-se em 1876 para o Sul. 1878. No Rio viveu a maior parte da vida. de 7O. 1872. A sua importância capital na liter atura brasileira como crítico foge ao âmbito deste trabalho. deputado federal por Sergipe. em 1854. Fez os estudos secundários em S. já pertencem à orientação parnasiana). que lhe deu nome. A partir dai entra na grande fase das obras primas. ocasionalmente funcionário. Falenas. Helena. Minas. Gonçalo do Sapu caí. Paulo. cursando direito na Faculdade -desta cidade. tendo sido professor de filosofia do Colégio Pedro II e da Faculdade de Direito. Crisálidas. no Rio e em S. Como jornalista. também do Correio Mercantil. 1883. publicou Cantou do Fim do Século. A mão c a luva-. o segundo. apareciam as coleções Contos Fluminenses. e Últimos Harpejos. Em 58 se tornou revisor da tipografia de Paula Brito e. falecendo em 1914. os romances Ressurreição. sempre lig . filho do casal Salvador e Amália Furtado de Mendonça. filho do comerciante português Comendador André Ramos Romero e sua mulher Maria Vasconcelos <!a Silveira. 1878. Paralelamente. Americanas. onde se formou em 1873. 1873. LÚCIO EUGÊNIO DE MENEZES E VASCONCELOS DRUMMOND FURTADO DE MENDONÇA nasceu numa fazenda do município de Piraí. bastando assinalar que. Província do Rio de Janeiro. 187O. em 1851.

Retalhos. Como jurista deixou outras obras. filho legítimo de Camilo Henrique da Silveira Távora e Maria de Santana da Silveira. em cuja Faculdade de Direito matriculou-se em 1859. 1886. Província do Ceará. Em prol da sua concepção escreveu A Poesia Científica. 1872. falec endo em fins de 19O9. 1889. JOSÉ ISIDORO MARTINS JÚNIOR nasceu no Recife. Foi um dos principais fundadores da Academia Brasileira de Letras. entrou para o alto funcionalismo. Mais tarde fixou-se no Rio. É a seguinte a sua obra poética: Jvévoas Matutinas. (que engloba folhetos anteriores). cargo em que se aposentou por saúde no ano de 19O7. 1888?. Canções do Outono. em 1842. Em 1844 transferiu-se com os pais para Pernambuco. tendo sido funcionário. Ritmos. 1875. s. com prefácio do seu amigo Machado de Assis. falecendo em 19O4. Estilhaços (ed. Tela polícroma. <3e que veio a ser professor em 1889. formando-se "m 1863. Formou-se em 1883 na Faculdade jurídica local. até 1888. 1883. sendo nomeado em 1895 Ministro do Supremo Tribunal. Como poeta. onde advogou. Vergastas. deputado provincial . 1884. 1892. 1883. CAPÍTULO VII JOÃO FRANKLIN DA SILVEIRA TÁVORA nasceu em Baturité. em 186O. é autor dos seguintes livros de versos: Linha Reta. com c apa de Raul Pompéia. com a República. Rio. d. Trovas Modernas. 1884. estudando preparatórios em Goian a e Recife. Visões do Abismo. Lá viveu até 1874. 1896. com prefácio de Araripc Júnior. empenhado a fundo na propaganda republicana.. nascido na Bahia em 1851. publicou: Visões de Hoje. Em 19O2 reuniu todos eles em Murmúrios e Clamores. Alvoradas. Foi uma vigorosa personal idade de orador " jornalista.ado ativamente à propaganda republicana. Riel. quando se fixou na capital do Império. MATIAS JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO. 1881. Província de Pernambuco. definitiva 1885) .

Essa fase da sua carreira literária termina simbolicamente com as Cartas a Cincinato. 1862. Em 1888 faleceu no Rio. 1861. de que saíram dez volumes de 1879 a 1881. redigindo A Consciência Livre. A ela pertencem os romances: O Cabeleira. Iniciou a vida literária ainda estudante. bastando dizer que nela apareceram as Memórias Póstumas de Braz Cubas. 1878. com um breve intervalo em 1873 no Pará. que inauguram nova orientação est ética no Brasil. onde já são patentes as c oncepções naturalistas. 1876. sobretudo com Frei Caneca. ao compendiarem de certo modo a experiência de Um casamento no arrabalde. notese. 1869. Ao mesmo tempo enceta uma f ase de reconstituição do passado pernambucano. fundando e dirigindo com Nicolau Midosi a excelente Revista Brasileira. tanto na ficção quanto na investigação histórica. e é das publicações mais importantes da nossa literatura. apareceu também Lourenço) publicou ainda o romance O Sacrifício. Mudando-se para o Rio em 1874. Na sua revista (onde. 187O. a ter sido escrito. 1881 e os estudos: "Os Patriotas de 1817" e "As obras de Frei Caneca". 1862 e Três Lágrimas. 1869-187O. e que no seu tempo experimentou um apogeu co . O Matuto. viveu como funcionário da Secretaria do Império e teve influência na vida literária. de Machado de Assis. ambos em RB. tem grande importância como intérprete literário de um regionalismo que se vinha exprimindo ideologicamente desde o início do século. Lourenço. Além disso foi jornalista ativo. como secretário "e governo. com forte impregnação regionalista teórica e prática. manifestando concepção mais realista dentro do Romantismo. Um casamento no arrabalde. os dramas Um mistério de família. de Sílvio Romero. e A Verdade. e. os romances Os índios do Jaguaribe. e a parte inicial da História da Literatura Brasileira. Homem reto e combativo. no que se pode 383 #chamar a sua fase recifense. 187O. na primeira versão. 1866. 1872-73. 1879. apresentados como partes de livro que não se conservou. A casa de palha.* advogado. publicou os contos d"A Trindade Maldita.

presidiu o Paraná de 85 a 86. Em 1869 volta à guerra como 1. encetou em 188O uma fase de intensa atividade em prol de medidas como o casamento 384 civil. sendo neto do famoso pintor Nicolau Antônio Taunay. reeleito em 75.° tenente. Deputado geral conservador em 1872. Deputado novamente de 81 a 84. promovido a major em 1875. a imigração.rn a chamada Escola do Recife. pondo em prática a sua política imigratória. Terminada a guerra. filho de Félix Emílio Taunay. a libertação gradual dos escravos. desenvolveu bem cedo a paixão literária e o gosto pela música e o desenho. no Estado Maior do Conde d"Eu. praticando ambos com certa graça. passando a professor de geologia e mineralogia da E scola Militar. constituindo movimento ainda vivo em nossa literatura. e sua mulher Gabriela de Robert d"Escragnolle. traria da campanha profunda experiência do pais e inspiração para a maior parte dos seus escritos. é promovido a capitão e termina o curso de engenharia. bacharel em matemáticas em 1863. é ainda este ano el . que não terminou. sendo encarregado de redigir o Diário do Exército. Deputado outra vez em 86. a começar do primeiro livro. Alferesaluno em 1862. foi de 76 a 77 Presidente de Santa Catarina. um dos chefes da Missão Artística francesa de 1816. cujo conteúdo foi em 187O reproduzido no livro do mesmo nome. ingressou em 1859 no Curso de Ciências Físicas e Matemáticas da Escola Militar. Depois d e uma viagem de estudos à Europa. com os outros oficiais alunos. já tomado por outras atividades. por receber ordem de mobilização. demite-se neste posto em 1885. no início da guerra do Paraguai. impregnado de arte e literatura. Criado em ambiente culto. Bacharel em letras pelo Colégio Pedro II em 1858. Incorporado à Expedição de Mato Grosso co mo ajudante da Comissão de Engenheiros. 1868. é promovido a 2. em 1865. a naturalização automática dos estrangeiros. Nunca mais voltaria ao serviço ativo e. inscrevendo-se no 2.° tenente de artilharia em 1864. Cenas de Viagem.° ano de engenharia militar. ALFREDO D"ESCRAGNOLLE TAUNAY nasceu no Rio de Janeiro em 1843.

e estava no início duma alta preeminência nos negócios públicos quando a proclamação da República lhe cortou a carreira. 1899. que se publicou em 1921 sob o título Filologia e Cr itica. A Retirada. 1872. 1948. até à morte. publicação póstuma. 1882. publicou ainda: Inocência. deixando preparado um outro. No gênero teatral: Da mão à boca se perde a sopa. 188O. apaixonado homem de letras. sobre o desastroso e heróico episódio de que foi parte. Amélia Smith. Dos escritos políticos. Dutra e Melo. Os artigos de crítica foram coligidos por ele nos livros Estudos Críticos. Magalhães. evocações. José de Alencar. depoimentos. 1873. 1881 e 1883. O Encilhamento. Franklin Távora. 1886. Mocidade de Trajano. Em 1871 publicara o primeiro romance. Em . 1874. Taunay foi um infatigável trabalhador. havia. 1874. Questões de Imigração.eito senador por Santa Catarina. recordações. 19O7. mais tarde crismado Manuscrito de uma mulher. se encontram em capítulos anteriores) JOÃO MANOEL PEREIRA DA SILVA nasceu em Iguassú. que reúne muitos escritos anteriormente publicados pelos herdeiros sob várias designações. idem. grande dignidade de vida e inteligência. 1889. Por um triz coronel. 2 vols. perto da cidade do Rio de Janeiro. Álvares de Azevedo. No terreno da ficção.. Se havia nele vaidade pueril e mesmo certa presunção. Memórias. filho do negociante português Miguel Joaquim Pereira da Silva e sua mulher Joaquina Rosa de Jesus. Lágrimas do Coração. em francês. destaquem-se: Casamento Civil. São numerosas as narrativas de guerra e viagem. Reminiscências. Tôrres-Homem. e. A conquista do filho foi publicad o pòstumamente em 1931. as descrições. CAPÍTULO VIII (As biografias de Ferdinand Denis. da Laguna. patriota e homem público esclarecido. 1894. em 1817. dada a intransigente fidelidade com que permaneceu monarquista. A Nacionalização ou Grande Naturalização e Naturalização Tácita. No Declínio. também. Ouro sobre azul e Histórias Brasileiras. destacando-se: Céus e Terras do Brasil. em 1899. 1886.

ainda: Obras literárias e políticas. Lá participou das atividades do grupo da Niterói. De volta à pátria..em 2. Miguel em 1828. Varnhagen e outros (que. em geral não cita). abundando os erros e leviandades. 187. geral. 1864-68. Como ficcionista. O aniversário de D. Mencionem-se. 1866 e o romance sentimental Aspásia.. escrevendo para o segundo número um artigo importante. 385 #Em história e crítica literária publicou notadamente: Parnaso Brasileiro 2 vols. 1839. de 184O a 1888. Manoel de Morais. sem contribuição pessoal positiv a a mais. . o trabalho de biógrafos como Januário da Cunha Barbosa. quase sem interrupção. e da História do Brasil de 1831 a 184O. Plutarco Brasileiro. 7 vols. Religião.. 1879. Nacionalidade da língua e literatura de Portugal e do .. 2 vols. 184O. 1847.. quando entrou para o Senado. formando-se no ano de 1838. boa antologia com um longo ensaio sobre a nossa literatura. 1843-48. Os contemporâneos assinalaram logo a deficiência de infor mação e a fragilidade dos juízos. 1858 e 1871 Varões ilustres do Brasil du rante os tempos coloniais. 1862. escreveu os romances. a princípio provincial. seguida do Segundo Período do Reinado de D. muitos dos quais assinalados em IFS. 1871. pode-se acrescentar. deputado conservador. Jerônimo Corte Real. 1839. chegando a fazer parte da Academia Bras ileira. depois. o primeiro em que um brasileiro expunha certas diretrizes da crítica romântica. Pedro I no Brasil. que aponta igualmente o fato de Pereira da Silva retomar em grande parte.1834 foi estudar Direito em Paris. foi advogado e político.a e 3. Era titular do Conselho e morreu em 1897.a edição. a sua o bra principal é a História da Fundação do Império do Brasil. ou novelas históricas. Como historiador. Quase todas ás biografias são de intelectuais. 2 vols. Amor e Pátria.

morreu em Rio Preto. born estilo e grande equilíbrio crítico. escrevendo e ensinando. e filho de quem. e de Emerenciana Joaquina da Natividade Dutra.ensaios e notas que revelam acentuado nacionalismo literário. podendo inclusive ser a terceira série d a anterior. no ano de 1847. editou vários poetas com abundância de notas e elementos biográficos. e foi depois para a Corte. publicada sob a sua direção. presumivelmente. péssimas. Província do Rio. coletâneas. apaixonado pela literatura. Homem esforçado e consciencioso. e onde se contém a maioria do que escreveu. onde se impôs desde logo. que nunca vi e da qual não tenho especificações suficientes. As poucas poesias que ali publicou são. Fez os estudos de maneira pouco sistemática. de que foi colaborador desde o início. quando. escreveu vários romances. filho legítimo dum comerciante abastado. 1891. vejo que dirigiu a revista Nova Minerva. esboçou uma história da literatura brasileira. de que foi um dos líderes. Por mais duma indicação. Manuel José de Sousa e Silva. _ SANTIAGO NUNES RIBEIRO nasceu no Chile. . novelas. etc. JOAQUIM NORBERTO DE SOUSA SILVA nasceu no Rio de Janeiro em 182O. do qual foi professor de Retóric a. teria sido trazido para o Brasil por um tio sacerdote. participou fielmente das atividades do Instituto Histórico. peças de teatro. ao contrário. enquanto praticava com o caixeiro. sua época. . Felinto Elísio e a. A sua vida intelectual gravita ao redor da Minerva Brasiliense. ganhando a vida como empregado do comércio. Cresceu e se formou na cidade de Paraíba do Sul. De saúde frágil. não registram os poucos e mal informados bió<rafos Órfão.Brasil. 1884. fez investigações históricas pacientes. Província de Minas. ingressando aos vinte e um anos na burocracia. foragido de questões políticas e falecido pouco depois. criando um certo tipo de edição erudita no Brasil. onde fez carreira longa e pacata. insistiu em ser poeta por mais de vinte anos. redigiu ou colaborou em revistas e jornais. inclusive no Colégio Pedro II. Deixou grande número de outros escritos políticos. depois redator.

Laurindo Rabelo. como era o ideal brasileiro da época. 1846. e constituem o princípio estrutural da sua contribuição crítica. 1856. aliás. pois se lhe faltam penetração e originalidade. 388 Cantos épicos. trazendo uma importante "Introdução sobre a literatura nacional". História e biografia: Memória histórica c documentada das aldeias dos índios da Província do Rio de Janeiro. 1862. reunidos todos nos Romances e Novelas. superando os anteriores pelo esforço documentário e a coordenação. 1849. O Chapim do Rói. um escritor de sete instrumentos. as antologias: Mosaico Poético.Desde os primeiros trabalhos norteou-se pelas convicções nacionalistas. 3 vols. à maneira. 1844. 1871. 1841. Contos poéticos. . Os estudos crítico-biográficos d e Norberto inauguram uma nova era em tais estudos. posteriormente aproveitado por José Veríssimo e João Ribeiro. Da sua vultuosa bibliografia mencionem-se os seguintes livros de versos: Modulações Poéticas. Morreu em Niterói em 1891. RP. 1861. História da Conjuração Mineira. Flores entre espinhos. Casemiro de Abreu. 1864. BF. salvou peças esquecidas. mas. nos estudos biográficos. Alvares de Azevedo. Maria ou Vinte anos depois. apesar de ter sobrevivido como crítico. nas dezenas de artigos em MB. Silva Alvarenga. 1854. 1873. Amador Bueno. A Cantora Brasileira. graças aos quais reuniu uma documentação importante. procurou ligar a explicação da obra ao dado informativo do tempo e da biografia. Teatro: Clitenestra. não se considerava tal. 1852. RIHGB. O livro de meus amores. além do material reunido para as de Basílio da Gama e Cláudio Manoel. onde vem o famoso "Bosquejo da história da poesia brasileira". das mais importantes do Romantismo. (?). Alvar enga Peixoto. 1844. e nas notas das edições de Gonzaga. A produção crítica consiste nas referidas introduções. que. de colaboração com Emílio Adet. 1841. que não abandonou jamais. sim. Brasileiras célebres. dos que ao seu tempo estudavam no Brasil as obras literárias. sobra m-lhe minudência e born senso. 1851. Romances e contos: As duas órfãs. críticos. G. Januário Garcia e O testamento falso. porém. Note-se.

Nos Estudos Históricos. Em . 2 vols. a lém de um livro de poesias e outro de ficção. Viveu principalmente do ensino. Devemselhe ainda biografias e estudos sobre Eloi Ottoni. para Equador-Peru-Chile.a ed. que dirigiu na segunda fase. João do Ipanema. ou sempre guardou certo dogmatismo pedagógico. Resumo de história literária. de que parece ter sido orientador principal. exerceu atividade nas revistas do tempo. Meandro Poético. 1873.JOAQUIM CAETANO FERNANDES PINHEIRO nasceu no Rio de Janeiro em 1825.. como professor no Seminário Episcopal e no Colégio Pedro II. etc. passou em 1847 como secretário a Madrid. Paulo. Como crítico propriamente dito. engenheiro militar alemão a serviço de Portugal. em 64. no lugar de S. 1862. onde dirigia a fundição de ferro seu pai. ou foi feita com finalidade didática. 2 vols.. No primeiro. 3. reçumando pedantismo em ambos os casos. Postilas de Retórica e Poética.. Adido de legação em Lisboa em 1842. se encontram os trabalhos sobre Antônio José. e lá morreu em 1875. (185556) e a Revista Popular. antologia anotada. Gonçalves Dias. e a sua obra de crítica. 1876. 1864. como a Guanabara. onde foi encarregado de negócios e ficou até 1859. Ordenando-se padre em 1848. Cursou a mesma especialidade em Portugal e veio em 184O para o Brasil. São Carlos. Frederico Luís Guilherme de Varnhagen. filho legítimo de outro do mesmo nome. Monte Alverne. recebeu mais tarde o doutorado em Teologia em Roma (18 54). posto em que foi transferido no ano de 61 para Venezuela-Colômbia-Equador e. estão o Curso elementar de literatura nacional. sendo sua mãe Mari a Flávia de Sá Magalhães. a fim de obter reconhecimento da sua nacionalidade. sendo admitido no Corpo de Engenheiros do exército. 1877. Neste ano veio para o Paraguai como ministro residente. as Academias dos Esquecidos e dos Renascidos FRANCISCO ADOLFO DE VARNHAGEN nasceu em 1816 na Capitania de S. da família do Visconde de São Leopoldo.

Amante sincero da literatura. Florilégio da Poesia Brasileira. A sua obra decorre quase .1868 foi promovido a ministro plenipotenciário na Áustria. bio grafias de Eusébio de Matos. O Caramuru perante a história. empreendeu certas tentativas de criação. Gonzaga. Instruiu-se como pôde na terra natal. lá morrendo em 1878. Antônio José. 1846. Carta ao sr. onde passou toda a laboriosa vida de professor e jor nalista. lá morrendo em 1871. a História das lutas com os holandeses no Brasil. como o "romance histórico" Caramuru (versos). 1847. filho legítimo de Baltazar José dos Reis e Maria Tereza Cordeiro. com o "Ensaio sobre as letras no Brasil". grande sabedor da língua. publicadas na maior parte na RIHGB. FRANCISCO SOTERO DOS REIS. 1871. drama.. Indiquem-se: Épicos Brasileiros. 387 #as biografias de homens de letras. as antologias anotadas. F. 1843 e 1845. tendo participado da política militante como deputado provincial em várias legislaturas. Brito e Lima. além da obra referida. S vols. Durão. 1867. 185O-53. Itaparica. Caldas Barbosa. crônica romanceada. da Veiga sobre a autoria das Cartas Chilenas. Fora criado em 1872 barão e. deixando inédita a História da Independência. com grandeza. Botelho de Oliveira. apesar do mau gosto. as pesquisas sobre o tema de Durão. L. nasceu no ano de 18OO em São Luiz do Maranhão. complacentemente incluído no Florilégio. À literatura interessa a sua atividade de investigador erudito no terreno dos cancioneiros e romances medievais e dos cronistas do Brasil. e meio cento de monogra fias eruditas e edições críticas. 184O. 1854. Como historiador publicou. em 1874. O Descobrimento do Brasil. visconde de PôrtoSeguro. o esforço de síntese da nossa literatura na introdução do FPB e as partes a ela consagradas na sua História Geral do Br asil. Amador Bueno.

no ano de 1828. a que o seu curso de literatura parece ter dado foros de pequena Faculdade de Letras. Publicou: Postilas de Gramática Geral. Formado em medicina pela Faculdade do Rio em 1853. da inclinação conservadora do espírito. pela combinação do método ilustrativo de Blair com a visão histórica de Villemain. onde alinhou os coprovincianos ilustres do seu tempo numa excelente galeria biográfica. Apesar da formação gramatical. a Biografia de José da Natividade Saldanha (póstuma). Província do Maranhão. políticos. filho legítimo de Alexandre Hanriques Leal e Ana Rosa de Carvalho Reis. 1873. escreveu as Biografias de alguns poetas e homens ilustres de Pernambuco. 1856-59. morando depois muitos anos em Lisboa. fixou-se no Rio.. A sua obra capital é todavia o Panteon Maranhense. Escreveu trabalhos de medicina pública. Envolveu-se nos movimentos revolucionários da sua Província e nas lutas políticas do Primeiro Reinado e da Regência. . além de publicar as obras de Frei Caneca e do Padre Francisco Ferreira Barreto. político militante. 1862. No setor que aqui interessa. ANTÔNIO HENRIQUES LEAL nasceu em Itapicuru-mirim. Curso de Literatura Brasileira e Portuguesa.toda do seu ensino. históricos.alguns destes. avultando a vida 388 . obra famosa e muito difundida. 4 vols. 1873-75. 3 vols. por motivo de saúde. ANTÔNIO JOAQUIM DE MELLO nasceu em Recife no ano de 1794 e ali morreu em 1873. 1874. morrendo em 1885.. cultivou o indianismo patriótico. literários. na sua terra. reunidos no volume Locubrações. 5 vols. Poeta arcádic o (Versos. 1866. 1866. onde dirigiu o Internato do Colégio Pedro II.. como as críticas à língua de José de Alencar. procurou realizar no Brasil uma crítica mais sistemática. foi. além de colaborar no romance coletivo A casca da caneleira. no Liceu Maranhense e no Instituto de Humanidades. De volta à pátria. tendo vivido como advogado e funcionário. Gramática Portuguesa. do gosto convencional. 1847).

seja textos dos autores. data. ao contrário do que foi feito nas citações de rodapé. . ANTÔNIO JOAQUIM DE MACEDO SOARES nasceu em Maricá. onde apareciam apenas título e número de página. As obras são aqui referidas com todos os dados. Quando um trabalho for citado mais de uma vez. nas outras. Lamartínianas. às questões lingüísticas e jurídicas. cit. o leitor será remetido a ela por uma indicação entre parêntesis. manifestando um talento apreciável no gênero. Meditações. mesmo consultados. 1859. do Rio e de S. § 1). por exemplo: José Veríssimo. desenvolveu intensa atividade crítica. e duas antologias. formando-se em Direito pela Faculdade de S.uma de poetas acadêmicos. Permanecem esparsos os seus estudos críticos em RP. Dedicou-se todavia. (cap. lugar. ordenadas por capitulos e suas divisões. Publicou um livro de versos. I. de nada servem ou ficaram superados por aqueles. seja estudos e informações sobre eles. dar todos os subtítulos e especificações das folhas de rosto. Paulo em 1859. Mas não achei necessário. etc.editor. 1869. Província do Rio de Janeiro. Como estudante. a especificação cornpleta aparecerá na primeira. Morreu no Rio em 19O5. . nas publicações acadêmicas e outras. em 1938. . sobretudo nas obras antigas. Não se trata de uma Bibliografia completa. 38" #NOTAS BIBLIOGRÁFICAS Nas seguintes Notas Bibliográficas o leitor encontrará. ver na bibliografia do parágrafo l do capítulo I os dados completos. as obras utilizadas. Harmonias brasileiras.àe Gonçalves Dias (todo um volume) de quem foi amigo íntimo e cujas obras póstumas editou. Para simplificar. isto é. mas dos títulos que se rec omendam. por vezes muito longos. fazendo carreira na magistratura e chegando a Ministro do Supremo Tribunal. salvo nalguns casos. excluindo-se deliberadamente os que. RAP <? jornais. mais tarde. Estudos de Literatura Brasileira. outra de traduções brasileiras de Lamartine. Paulo. reduzi tudo à ortografia corrente.

1943. ~e isto basta para exprimir a sua importância e a necessidade de subentendê-las em cada nota bibliográfica. para evitar a sua repetição enfadonha. a menção de um estudo denominado Revisão de CA quer dizer: Revisão de Castro Alves. fazen do corresponder o amadurecimento do nativismo literário à consciência progressiva da terra. isto é. Tratando-se. O leitor não deverá subestimar estas obras gerais em relação à bibliografia especializada. de Agripino Grieco. por s e considerarem de consulta obrigatória.O nome do autor que é objeto da nota só aparecerá por extenso no começo. CEB. como: Guilherme de Almeida. Rio. proveitosas e elucidativas. não serão mencionadas nas notas. pois muitas vezes nelas se encontra o que há de melhor sobre o autor em questão. Mas o inconveniente compensa a alternativa. nem poetas na Evolução da Prosa. procura distinguir a influência das diferentes regiões sobre as características . Nem sempre elas incluem cada um dos autores estudados. seja por se restringirem à poesia ou à prosa. discriminadas abaixo em primeiro lugar. pois na verdade estão implícitas. literatura brasileira. mas o leitor deve tê-las sempre em mente. As obras gerais. de Manuel Bandeira. repetição exaustiva duma longa série de títulos a cada página. aparecerão apenas as suas iniciais. para simplificar. 39O Viana Moog. por exemplo. 1926. Em muitos casos não há material além delas. brilhante e inspirada apresentação do tema. mencionemos algumas obras rápidas de síntese. Não se encontrarão prosadores na Apresentação da Poesia. Do sentimento nacionalista na poesia brasileira. como crítica ou dados informativos. como se em cada nota estivessem citadas. São Paulo. Garraux. em seguida. Antes de discriminá-las. Uma interpretação da. de Castro Alves. seja por omiti-los.

Ferdinand Wolf. Há um índice Alfabético. 1867-1923. em muitos casos insubstituível. Dicionário Bibliográfico Português. Berlim. Abrangem até a 2. História Breve da Literatura Brasileira. além de opiniões com que não raro coincido aqui. 2 vols. até o meado do século XIX. Lisboa. Brito Aranha. Imprensa Nacional.a ed. os demais contin uados e ampliados por P. Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Ilrasileira. d. Imprensa Nacional. 1937. Otto Maria Carpeaux. e outros. 1862. Idem. V. José Osório de Oliveira. s. mas comprometido por excessiva compartimentação de períodos e fases. Garnier.. Garnier. Centre de Documentation Universi taire. s. Rio. . Imprensa Nacional. considerada em continuação ou apêndice da portuguesa. Ascher. indispensável. Rio. constituindo verdadeiro elemento de confusão numa obra excelente pelo conteúdo. Rio. 2.. (1946). Dicionário Bibliográfico Brasileiro. da Educação. Martins.. com d enominações não raro arbitrárias e arrevezadas. é a primeira visão sistemática de um estrangeiro. mais 15 de Suplemento. Roger Bastide. Sacramento Blake. naturalmente por ter sido aluno do autor e recebido a sua influência. mas muito imperfeito. Curso Elementar de Literatura Nacional. consideradas de consulta obrigatória: Inocêncio Francisco da Silva. ibidem (uso aqui a numeração corrida de I a XXII). 2. d. os primeiros redigidos pelo autor. Etudes de littérature brésilienne. Min. bem feito e útil. Rio. s. Passemos às obras gerais. 1863.dos escritores. (1955). Rio. Interessam ainda como exemplo da crítica laudatória e por serem as primeiras histórias da literatura brasileira.. é o mais moderno instrumento de trabalho no gênero. Paris. 1858-1862.° volume. Resumo de História Literária. d. 1883-19O2. 7 vols.a geração romântica. Paulo. 1951. S.. Lê Brésil Littéraire. cheio dê pontos de vista penetrantes. Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. compreensivo e simpático. por Jango Fischer. 7 vols.

na maior parte. Alves. e João Ribeiro. Embora envelhecida na fundamentação. Rio. e. José Veríssimo. com -uma inútil digressão prévia. sem declarar e quiçá sem perceber. aplic ado entre nós por Sotero dos Reis. Mas dá. 19O9. menos "incausada" do que o autor pretendia. e sobretudo. Garnier. Edelbrook. as mais das vezes ainda plenamente aceitável.. 2. e aprese ntado a matéria com um gosto e amenidade até então desconhecidos. Pequena História da Literatura Brasileira. Idem..a cd. O seu mérito foi haver reduzido quase ao essencial o elenco dos autores. Peca somente pelo relativo pedantismo da língua e secura do sentimento artístico. é uma vista mais bem ordenada das manifestações poéticas. o método de Blair. História da Literatura Brasileira. não raro medíocre nas análises. Rio. Evolução do Lirismo Brasileiro. 2. obra accessível. Mais severa e discriminada 391 #que as de Sílvio.. é o monumento central da nossa historiografia literária. História da Literatura Brasileira.. irregular nos juízos. 2. aproveitando os trabalhos anteriores numa primeira sistematização.Sílvio Romero. Rio. empenhando-se sem reserva com sabor e franqueza. como organização e equilíbrio das informações e juízos. atribui aos fatores históricos o lugar devido. seguia. insuficiente nos dados. excelente compêndio. porisso. É algo irônico. Briguiet. 1916.a ed.fatura. pela presença viva duma grande personal idade. História da Literatura Brasileira. Recife. agradável e bem escrita. sem cornprometer a autonomia do juizo crítico. 1929. Alves. pois.a ed.. ainda vale por haver fixado o elenco do que se chama a nossa literatura. possivelmente ainda hoje a melhor como unidade de concepção ". e deste modo plantava a velha crítica no meio das inovações "científicas".° milheiro. 4. Idem. Ronald de Carvalho. 2 vols. Nisto. às vezes raras e de acesso difícil. Um dos seus grandes interesses reside nas extensas transcrições de trechos e peças. que a ela deva o seu livro grande parte da importância que ainda possui. ambas originais e independentes. 19O5.. a impressão de estar baseado na leitura de Sílvio Romero . Rio.

História da Literatura Brasileira. 3 vols. Agripino Grieco. vivamente apresentados. cheia de finura e precisão. por não possuírem a generalidade das anteriores. É uma série de bio-bibliografias.. também vagamente adotada na menos que medíocre A Literatura Brasileira (187O-1895). 1896. ambos Ariel. Lisboa. salvo poucas exceções. Apresentação da poesia brasileira. seja porque abrangem escritores de apenas um Estado. publicados. Cultura Brasileira. 1946. levando mais longe a operação iniciada por Ronald.e José Veríssimo. s. sumários. Antônio Soares Amora. S. reduzir o elenco dos escritores ao mínimo admissível dentro do critério d e valor artístico ou eminência intelectual. o que explicaria certos erros imperdoáveis e a tendência p ara dizer coisas incaracterísticas sobre eles. CEB. são uma revoada impressionista de juizos cortantes. de Fernandes Pinheiro). Paulo. Parceria Antônio Maria Pereira. no momento a melhor visão sintética. História do Romantismo Brasileiro. chega até os escritores da l. O livro atualmente mais importante sobre o conjunto da nossa evolução literária é a obra coletiva A Literatura no Brasil. Além disso. Sul Americana. que recomendo ao leitor como obra geral de consulta. sob a direção de Afrânio Coutinho. Paulo. Rio. Manuel Bandeira. d.a geração romântica. Saraiva. é uma admirável história crítica. de Valentim Magalhães. Evolução da poesia brasileira e Evolução da Prosa Brasileira. S. Mencionemos agora certas obras de referência não implícitas nas notas bibliográficas de cada capítulo. acompanhada de excelente antologia. seja porque se referem a outros agrupamentos d . dando ao leitor uma noção movimentada e saborosa da nossa literatura. não dos autores arrolados. 1955-1956.. Rio. 1955. (dando consistência e tratando sistematicamente a um ponto de vista que encontramos de modo mecânico na Literatura Nacional. isto é. respectivamente 1932 e 1933. firma a designação "literatura luso-brasileira" para a dos períodos anteriores ao Romantismo. devendo ser consultada com a maior precaução. embora não a tenha podido utilizar. Rio. 2 vols. Haroldo Paranhos.

Paulo . Imprensa Nacional. Rio. Gustavo Gill. . Edição do Autor. F. Paulo. s. Rio. Dicionário Biográfico de Pernambucanos Célebres. conforme o a utor seja. 3 vols. titular do Império. fluminense. Argeu Guimarães. o leitor perceberá as que poderão ter sido utilizadas. como: Angel Valbuena Prat. Lisboa. Fortaleza. Almeida Nogueira. S.a edição). 9 vols. 1927. Histoire de Ia Littérature Francaise. 1938. Barão de Studart. Dadas as ligações da nossa literatura com certas correntes.e atividade ou qualificação social. Leuzinger. por exemplo. Arquivo Nobilió. etc. Lery dos Santos.. 4 vols. 188O. temas e autores europeus.. salvo quando escaparem ao tipo estritamente bio-bibliográfico. Francisco Alves. Pereira da Costa. Num e outro caso estão as seguintes. 3 vols. 1918. pernambucano. 392 Armindo Guaraná. 19O7-1912. História da Faculdade de Direito de Recife. Clóvis Bevilacqua. Quanto às outras.. Rene Jasinski. 191O-1915. como é o caso de Henriques Leal.Tradições c Reminíscfrmias. Historia de Ia Literatura Espanola. Imprimerie La Concorde. 1882. Paris. A. Recife. seria born ter à mão algumas obras gerais que informem a respeito. de valor muito variável: Antônio Henriques Leal. Paulo. Panteon Fluminense. (já em 5. Lausanne. diplomata. Tipografia Universo.. Barão de Vasconcelos e Barão Smith de Vasconcelos.. Luís Corrêa de Melo. Panteon Maranhense. Pongetti. Dicionário Biobibliográfico Cearense. S. Dicionário de Autores Paulistas. 1954. Dicionário Biobibliográfico Sergipano.. Boivin.rqmco Brasileiro. Rio. Barcelona. Política Externa e Direito Internacional. 2 vols. em cujos quadros se encontram ocasionalmente escritores. 2 vols. A Academia de S. Dicionário Bibliográfico Brasileiro de Diplomacia. Clóvis e Almeida Nogueira. 1873-1875. Rio.. d. 1925. Estas obras não serão referidas nas notas.

e cujo conhecimento é pressuposto em qualquer estudo como este. . Recomenda-se especialmente: Antônio José Saraiva e Oscar Lopes. 1948-49. o equilíbrio entre a visão histórico-social e o ponto de vista estético. 1942-. Mondadori.. . 1849-1852. René Pichon Histoire de Ia Littérature Latine. PB (1) . de Boccard.Anais da Biblioteca Nacional. ". Maemillan.Cultura. edition. SB . Dicionário Bibliográfico Brasileiro. Rio. Nova Iorque.. B -Brasília.O Beija Flor. edition revue et corrigée. BB .. ABN . exemplar pela segurança do plano.Boletim Bibliográfico. . PB (2) . Rio. d. e nas que agora seguem. lOe. 1878-. Parnaso Brasileiro. História da Lit eratura Portuguesa. Hachette. dos mesmos autores.. BF . 5 vols. antologias e repertórios bio-bibliográficos gerais foram indicados por abreviações. a integração dos materiais informativos.Pereira da Silva.. 1943-. E.Sacramento Blake.Januário da Cunha Barbosa. 1948-. s.. George Sampson. The Concise Cambridge History of English Literature. há os velhos mas ainda prestantes: Alfred e Maurice Croiset.a série). Paris. 1926 s. as publicações periódicas. (l. a que a nossa está muito ligada na maioria dos momentos estudados aqui. Manuel d"Histoire de Ia Littérature Grecque. Storia delia Letteratura Italiana. OMC ."-Florilégio da Poesia Brasileira^ -(3t.. Rio. Dicionário Bibliográfico Português. S.* edição)... C . s. f. em 5 volumes). Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira. Paris.Inocêncio Francisco da Silva. Coimbra. Porto Editora Ltda. (resumo da monumental Histoire. Nas notas de rodapé. Caso à parte é o da literatura-mãe. 1942. EAP -Ensaios literários do Ateneu Paulistano. Para as literaturas clássicas.. abaixo discriminadas: IFS .1947. Francesco Flora.Otto Maria Carpeaux. Paulo. d.Varnhagen. Idem. 393 #""% / :r FPB . lOe.

a fase. S. RIHGB Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. respectivamente. pág.Revista do Arquivo Miinicipal. RdB (2) .. 191O-. Rio. CAPÍTULO l . Paris. aôut 1834. KABL . 1939-1944. 2. págs.. 1839-.c Livraison.a fase.Revista da Academia Paulista de Letras.. RB (2) . 1895-1899. 47-53 (são Magalhães. 47. Rio. RAM . Niterói. S. 1843-1845.Revista Nova.Revista Letras. 1879-1881. Dauvin et Fontaine. págs. Rio. l. RN . S.. Paris. Rio.Minerva Brasiliense. Rio. que ocupam. Letras e Artes. . Rio.Guanabara. 3. 1833. N . Rio. l. 1926-1927. O nacionalismo literário Sobre a orientação "nacional". 49-53) . etc. Paulo.Revista da Sociedade Filomática. S. 47-49. 2. págs. Paulo. Paulo. S. 3. par trois brésiliens. 1851-1855. 2 v ols. 1938-. mesmo quando denominada Revista Trimestral de História c Geografia. Rio. RSP .Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano. RdB (3)^ . Revista brasiliense de Ciências. 186O-186?.S. Tôrres-Homem e Porto Alegre. 1836. 1859-1862. RLP .. RP Revista Popular. 1916-1925.Niterói. RB (3) . G .a fase.Revista Brasileira. Libraires. RAPL . Rio.Revista Brasileira.a fase.Revista do Brasil. 1852-186O.a fase. expressa conforme os contemporâneos r "Resume de 1"Histoire de Ia littérature. Paulo. RdB (1) . 1934-. S. membres de 1"Institut Historique". 193O-1932.. Journal de 1"lnstitut Historique. dês sciences et dês arts a" Brésil. Paulo. RIC . REF ..Revista de Língua Po da Academia Brasileira de rtuguesa. Paulo. .Revista do Instituto Científico.Revista do Brasil. Rio. MB . 185O-186?. Paulo. S. IR _ íris. Paulo. Rio.Revista do Brasil. l. ..O INDIVÍDUO E A PÁTRIA 1. 192O-1932. 18481849. Paris.e Année.

podendo-se consultar como exemplo. S. 1857. II. págs. que cito conforme Opuscules históricos e literários.°s 3-4. (19OO).a ed. N ovíssima Editora. 241-271. Decadência do Patriarcado Rural no Brasil. "Considerações sobre a atualidade de nossa literatura". Homero Pires. Citei ainda José Veríssimo. págs. Introdução ao estudo do pensamento nacional. Macedo Soares. 1865. tanto das elites tradicionais quanto. onde se encontra a análise da mudança social e cultural da sociedade brasileira do f im do século XVIII ao meado do XIX. 19O1. Garnier.. -. EAP. além das obras gerais. ed. Sobrados e Mucambos. Obras Completas. já expliquei em nota da pág. II. 243-33O. à de Norberto. a literatura é amplamente referida. "Ensaio sobre a história da literatura do Brasil". 363-369 e n. Ill. págs. sob o ângulo sociológico. citei: . dando lugar a opiniões e escritos de toda espécie. "Os contornos de N ápoles". Garnier. Rio. O problema da "orientação nacional" tornou-se lugar comum da crítica. Paulo. 16 porque recorri.1836. Álvares de Azevedo. Garnier. vol. 391-397. notadamente. Sobre as tendências e manifestações religiosas.das novas camadas em ascenção. do ponto de vista histórico. onde se encontram. Mota Filho. aparecendo algumas considerações pe netrantes sobre o seu caráter adaptativo e o seu papel na expressão. 3 vols. S. Rio. 394 i no caso. 2. s. 1936. . Nessa obra notável. Editora Nacional.sobretudo com o Romantismo. mais correta e completa. 1926.°s 1-2. É preciso acrescentar o estudo já clássico de Gilberto Freyre. Rio.. e ainda: Pôrto-Alegre. n. d . Estudos de Literatura Brasileira. N. 161-211.. Norberto. págs. "Macário". O Romantismo. Paulo. Embora utilize a ed.a ed. 7. págs. Gonçalves de Magalhães. a que os fatos literários estudados no presente livro estão ligados.

de Educação. 415-417. 1945. 1843. de Abreu. do Correio Paulistano. "Alguns pensamentos".°s 3-4. Schlichthorst. 1931. Ensaios e Estudos. Rio. etc . O Romantismo como posição do espirito ""-". 61-1O7. de Paulo Vale.Gonçalves de Magalhães. págs. Macedo Soares. s. I. M in. MB.. C. etc. Opúsculos. págs. S. embora o Romantismo seja abordado largamente através de biografias. o poema de Oliveira Araújo no Parnaso Acadêmico Paulistano. a crítica post-romântica tem se limitado a indicações. 1849. Origens e evolução dos temas da primeira geração de poetas românticos brasileiros. "Filosofia da Religião". Sérgio Buarque de Holanda. para a influência estrangeira. 191O. e no decorrer destas notas se encontrarão algumas indicações. 1939. Antônio Rangel de Torres Bandeira. José Olympic.. 2. Teixeira e Sousa. 2733O4. I. artigos. Leuzinger. n.. 386-391. 1844.. "A literatura brasileira contemporânea". sobretudo nas obras gerais. 6-8.. Rio. 1857. referências. Paula Brito. "Cantos da Solidão (Impressões de Leitura)". XV-XXIV. Ver.a série. trad. págs. etc. quanto à bibliografia brasileira. Getúlio Costa. Sobre o indianismo os românticos escreveram abundantemente. Oblação ao Cristianismo. Gap. "Prefácio". Rio. registro apenas.cuja maioria. 1844. Rio. 3 vols. aliás. Santos & Cia. págs. Emmy Dodt e Gustav o Barroso. As balatas de Norberto . A Vida de Pedro I. Octavio Tarquínio de Sousa. do Barão de Paranapiacaba. Pernambuco. 1881. que. Soe. não há até o momento . A este respeito. os de Cardoso de Menezes nas Poesias e Prosas Seletas. págs. n. não versa o tema indianista -foram consultadas em MB e IR. inclusive dos críticos modernos. "Considerações gerais sobre a literatura brasileira". BF. Paulo. Antônio Sales Campos. Cingindo-me ao que foi citado no capítulo. por enquanto: Joaquim Norberto." e da sensibilidade É decepcionante constatar. Os três dias de um noivado. O Rio de Janeiro como é. cit.. págs. 1952. "Um fragmento de romance A.". EAP. capítulos de obras gerais.. Paulo. Rio. l.° 21.. d. Rio. Capistrano de Abreu. IX-XXXI. S. págs. Carlos Miller. Suspiros Poéticos e Saudades. Tip.

Paris. que definem com profundidade o espírito e a estética românticas. Nouvelle edition. Paris. 2 vols. Rio.. Burdeau.nenhum estudo de conjunto sobre ele. mesmo porque foi nos países europeus que se definiram as diretrizes do movimento a que os nossos escritores aderiram. e muito poucos sobre os seus aspectos 395 #importantes. ed.a ed. 1932. L. História da Literatura. I. Necker de Saussure. 2 vols. Vejam-se inicialmente os livros relativos à literatura-mãe: Teófilo Braga. O Romantismo e as Sociedades Secretas. W. sbdo. trad. Lê monde commc volante et comme representation. Aubier. S. mesmo quando ignoram ou antecedem esta designação (é o caso de Schiller). Verboeckhoven & Cie. 19O3. Alcan. Clássica Editora. Schlegel. 2. aos trabalhos de base. Cours de Littérature Dramatique. Arthur Schopenhauer. 3. Lacroix. contribuição para uma fisiognômica da história literária.. Aubier. impõe-se o recurso à bibliografia estrangeira. trad. As modernas idéias na Literatura Portuguesa.a ed. págs. Hegel.. Garrett e o Romantismo. o estudo dos seus apectos e fatos significativos. procura definir o Romantismo como categoria universal. págs. 1923. marcando as suas características em oposição às do Classicismo: Schiller. exprimindo aspectos profundos da cultura. 4 vols. trad.. 173-279.. Bezerra Cout inho. Paris. 1865. I. trad. 1893. 1944. G.. f. acrescente-se o interessante e engenhoso estudo de Jamil Almansur Haddad. (§1). principalmente vol. págs. Lello e Irmão. Romântica.. Stendhal. seguindo Spengler. Além das obras citadas de Mota-Filho c Sales Campos. II. com uma breve e pouco convincen te aplicação ao Brasil.a secção. Racine et Shakesp . Fidelino de Figueiredo. 11-121. Romanticismo. livro 3. Lisboa. Esthétique. Robert Leroux.. s. em seguida. J.°. bilíngüe. 3 vols.. 243-344. Paulo. Porto. Citemos. Porto. 1947. notadamente "Idéia geral do Romantismo". 1892. Poésie naive et poésie sentimcntale. Paris. Lugan & G enelioux. A. 1945. Idem. vol. Para a teoria do Romantismo. onde o autor. sobretudo como curiosidade. "L"Art romantique". Recorra-se. vol. 2.

1949.181S-1S3O. polêmicas. 228-253. sem preocupação sistemática.. focaliza os traços arraigadamente românticos. 2 vols. Presses Univ. muito livre e pessoal. Die Romantik. Manifestes. voltada para o estudo dos problemas como foram vividos pelas personalidades. aborda o importantíssimo problema definido no título. par Edmond Egli. 1932. f. 1948. a cura di Egidio Bellorini. Tom e I. 2 vols. John Hopkins Press. s. 1925. f. págs. 1948. Paris. tentativas de definição. 1943. Le Classicisme dês Romantiques. que consultei na ed. 2 vols. Martino. Albi n Michel. levando-nos a matizar a separação didática entre os dois períodos. 1852O6 e 2O7-227. de France. Bari.. Paris.. ed. Sobre a decisiva contribuição alemã à definição do Romantismo. Baltimore. Le Romantisme dans la littérature européenne. ver Ricarda Huch. Paul Van Tieghem. Leipzig. obra inspirada. Pierre Moreau. em Essays in the History of Ideas.eare. págs. Flammarion. é um born panorama comparativo. Mais tecnicamente atentos à formação das idéias. são os dois admiráveis estudos de Arthur Lovejoy. s. etc. 1813-1816. Plon. Haessel. 192O. presentes par Francis Dumont. ... Champion. Discussioni e Polemiche sul Romanticismo (1816-1826). ver o estudo sobre as variações e estruturação do conceito: "On the discriminations of Romanticism". 1932. e o famoso "Prefácio" de Victor Hugo ao drama Cromwell. enquanto Lês Petits 396 Romantiques Français. 1933. Laterza. é dada pelas seguintes coletâneas: Edmond Eggli et Pierre Martino. Polemiques de Presse. No mesmo livro. Lê débat romantique en France . Cahiers du Sud. Paris. Pamphlets.. "The meaning of Romantic in Early German Romanticism" e "Schiller and the Genesis of German Romanticism". f. s. Uma visão muito viva da implantação do Romantismo.

N. 3. IV. Shelley and Keats. Paulo. 1938. N. Hunt. vol. 3. ed. Conferências Brasileiras. Aspectos da Literatura Colonial Brasileira. A expressão Sobre a impregnação musical da literatura e da vida mundana no fim do século XVIII e começo do XIX ver. J. e Poems. Basel. 2 vols. Linn. d. bilingüe. Flammarion. Obras Completas. Afrânio Peixoto. S. D. Paulo. Costume and Character... Arturo Farinelli. 1942. ed. nouvelle éd. Geo. Leipzig. Paris. Paris. s. 1943. caps. 1948. 1867. Paris. Le Romantisme Social.. A. Antônio Tisi. Milano.a ed. Dos poemas citados. Sansoni. Editora Nacional. s. trad. A. com referências ao Brasil. etc. B. I. cap.. Castro Alves. 1941. Premiere Poésies e Poésies Nouvelles.. consultei as edições seguintes: Magalhães. Antero de Quental. e Oliveira Lima. Victor Hugo. Brentano"s.. Poèmes (Gedichte). Belles Lettres. J. Poésies Completes. Sketches of Portuguese Life. Oxford.. H. 1. s. vol. 1826. Romantisme Politique. Álvares de Azevedo. Obras Poéticas. Mario Praz. ed. Dorchain. ed. Romantisme et Satanisme. Modern Library. Fantaisies sur 1"art. Lês Feuilles d"Autome. Aubier. York. Leopardi. Faust. Ia morte e U diavolo nella letteratura romântica. trad . 1946: Carl Schmitt. 1927..° vol. trad.. 15-41. Musset. S. S. Paulo. 1935. Clarendon Pres s. L"ame romantique et lê revê. Paris.a ed. Complete Poetical Works. Garnier. Crofts. Couto Martins. ed. Corti. d. 193O. 1944. Paris.. P. Paris. s.. Sobre a musicalidade profunda do espírito romântico: Wackenroder. 1941. IX e XI. Vigny. Londres. N. Pari s. 3. págs. Goethe. Hõlderlin. G. Le Socialisme et lê Romantisme en France. Verlag Birkhãuser. Rio. "O romantismo e a música". Charpentier. Brockhaus. P. II. 1945. M. Sonetos. Garnier. York. ed. Editora Nacional. 1896. Boyer. assinalem-se: Maximilien Rudwin. York. Albert Béguin. ed. Tutte lê Opere. d. Sérgio. bilingüe. Homero Pires. f. 1944. Aubier. Mondadori. Valois.Para o estudo de diversos aspectos particulares. A. Roger Picard. Lisboa. Flora. 1865. 1928. La carne. ed. Whittaker. Siispiros Poéticos e Saudades. . 1943. Eastman. Firenze. Paris. Manners.

Versif icação Portuguesa. Madrid. Porto. 1941. Tip. Orfeo ed Euridice. ver exemplos nos autores citados: Metastásio. Milão. págs.. Paris. Sinopses de Eloqüência e Poética Nacional. d. Para a alusão a possíveis influências espanholas e francesas no ritmo batido. entre centenas. Piave. O verso de arte maior no teatro de Gil Vicente. e Tarlier. Bruxelas. Ranieri d"Calzabigi. Norma. Cosi fan tutte.. 19O8. Amorim de Carvalho. 2 vols. Rio. Nueva edición.. Geração vacilante . Perrotin. Opere. Empreza da História de Portugal. La versificación espanola irregular.. Francisco Alves. Paris. as seguintes peças. Said Ali. Garnier. ver. 187O. e Lorenzo da P onte.. todas em edições Ricordi: Felice Romani. Tip. Obras. Quanto aos ritmos italianos que influenciaram na musicalização do nosso verso romântico.Para os problemas de versificação: Frei Caneca. 8. Paris. P. vol 1. Don Giovanni. 1949. Ernani. 1944.. C hansons.. nas edições Ricordi. Rigoletto. Obras Poéticas. 1829-1833.. M. 397 #l tnuito estimadas no Brasil de então. Antônio Feliciano de Castilho. 1945. etc. Imprensa Nacional. Zorrilla. CAPÍTULO II . 2 vols. Le Nozze di Figaro.. Obras Políticas e Literárias. Tratado de Metrificação Portuguesa. 5 vols.. 1933. Obras Poéticas. Manoel da Costa Honorato. Dramard-Baudry. s. II Trovatore. Pedro Henriques Urena. Rio. Thiers Marti ns Moreira.°. ver exemplos em Espronceda.a ed. Recife. Publicaciones de Ia Revista de Filologia Espanola.OS PRIMEIROS ROMÂNTICOS 1.a ed. Rio. Béranger. Para a sua utilização no teatro de ópera contemporâneo do nosso Romantismo. 1815. "Tratado de Eloqüência" etc. 2. Rio. 3 vols. Silvestre. Americana. 12 vols. Tratado de Versif icação. Tratado de Versif icação Portuguesa. Lisboa . Mercantil. 1867. Olavo Bilac e Guimarães Passos. õ.a ed. 65-155.. 1875-1876.

traduzidos do italiano pelo Dr... etc. "Partidos e Eleições no Maranhão". Almeida Garrett. (José de Alencar). Tip. O Marquês de Paraná. N. 355-364. Émile Adet. o segundo e o terceiro. Villeneuve. Guanabara. págs. Rio. "Jornal de Timon". Artística. ou Carmes epistolares de Hugo Foscolo. 1849. de 1854 a 1855. (cap. Rio. Manuel de Araújo Porto-Alegre. redigida por uma Associação de Literatos e di rigida por Joaquim Manuel de Macedo. publicou-se no Rio de 1843 a 1845. págs. págs. e forma 3 vols. 1844. Antônio Gonçalves Dias.. "A leitura de uma tragédia inéd ita". cons.. etc. Revista mensal. Joaquim Norberto. § 1). Rio. I § 1). Obras Póstumas. Citaram-se no texto: Gemidos poéticos sobre os túmulos. f. Científica e Literária. os dois primeiros dirigidos por Tôrres-Homem. formando 3 vols. . Garnier. 1827. s. de que apareceram dois números em 1836. Rio. 1-89. 2-153. Minerva Brasiliense. O Libelo do Povo. de 1849 a 1851. do Diário. Letras e Artes. L. (cap. I. letras e artes. publicada por uma associação de homens de le tras. e sobre os túmulos do Rio de Janeiro. s. após uma longa interrupç ão devida a desinteligências motivadas por Cândido Batista de Oliveira.As três revistas básicas do primeiro grupo romântico se especificam do modo seguinte: Niterói. "Memória histórica da revolução na Província do Maranhão". Opúsculos. d.. O Cronista. Lisboa. Journal de ciências. 1842. Gonçalves de Magalhães. Garnier. do Correio Mercantil. Gonçalves Dias. imprimia-se no Rio. com outros do mesmo autor sobre a religiãos do s túmulos. s. Hipólito Pindemonte e João Torti sobre os sepulcros. o terceiro por Santiago Nunes Ribeiro. Luís Vicente De Simoni. Semanário de Política. d.. por Timandro. cit. Rio. o primeiro. 19O9.° 23. Catálogo da Livraria de B. (1873). o admirável João Francisco Lisboa. Garnier. e dirigidos por Fernandes Pinheiro. 1856. Ti p. I. (TôrresHomem). História da Conjuração Mineira. na tipografia de Paula Brito. "Meditação". Para um estudo mais cabal do caráter dos partidos na fase em questão. MB.

todos c oligidos agora. que contêm a produção anterior à fase romântica. Ciências e Letras da Univ. Estudos coevos. 1864. 1865. de Magalhães. Paris. . II. S. 1953. de Filosofia. 194 . s. Pedro II. etc. 165-182.a saber: Poesias Avulsas.Obras. . 2. Paulo.a ed. 1925. mas prejudicado pelo torn de fácil chacota. recorrendo. § 1). págs. (cap. S. do Instituto do Livro. de S. Paroles d"un croyant. satisfatório até agora. em José Aderaldo Castelo.de Alencar. 1864. A Confederação dos Tamoios. Urânia.. deste. apenas motivados pela Confederação dos Tamoios. 4 vols.Utilizei. 1936. outro de Lisboa (1837). VIII. cit. 1837 (anônimo). Garnier. Para verificar a influência de Herculano ou Lamennais sobre a Meditação. Paulo.a ed. que traz inclusa a referida "Visão achada entre os papéis de um solitário. 398 . Sobre a influência de Garrett nos primeiros românticos. f. Rio. . Lê livre du Peuple. 191-212.2. textos das Obras Completas. Suspiros Poéticos e Saudades. à ed. etc. Livraria Acadêmica. 2. com uma introdução. I. 3. Villeneuve & Cia. 1864. I. um de Ferrol (1836). Maranhão. morto nas imediações de Macacú. 1865. GM. . daquele: A Voz do Profeta. que dá as variantes. Fac. ver José Veríssimo. Paulo. 1865.a ed. A Polêmica sobre "A Confederação dos Tamoios". o mais organizado e. consultei. 1939.. A obra de Herculano saiu originalmente em dois folhetos anônimos. 1864. e as obras gerais o estudam satisfatoriamente. sendo p rovavelmente suposto o lugar do primeiro. Opúsculos Históricos e Literários. Sobre ele. págs. vítima das febres de 1829". A viagem de Magalhães . cap. é bem feito e vivo. Cânticos Fúnebres. Estudos de Literatura Brasileira.. Garnier. José Aderaldo Castelo. Monte-Alverne.. há referências inumeráveis e elogiosas nos escritos do tempo. vol. Assunção. "G e a literatura brasileira".. mas de modo geral todo o estudo. Alcântara Machado.. GM ou O Romântico Arrependido. em caso de dúvida. PôrtoAlegre. Rio.

Música de Rafael Coelho Machado. págs. Noches Lúgubres. Sobre o poeta.De Maciel Monteiro consultei: Poesias. vol. 1825. a seguinte glosa" etc.6. 1944. s. "Prólogo". Rio. que o precedem. Rio. págs. Tip. cit. onde se podem ler os "Contornos de Nápoles".Obras citadas: Santiago Nunes Ribeiro. 3-54. MB. onde não se inclui a glosa do poema de Borges de Barros. Tomo I. O original espanhol pode ser consultado em edição recente: José Cadalso. Urânia ou Os Amores de um Poeta. d. que pode ser lida na obra deste. A bibliografia mais minuciosa se encontra em Antônio Simões dos Reis. 161- . correndo do primeiro. Viena.) págs. Imperial e Real Tipografia. referido de passagem em muitos estudos. Brasilianas. o que há de mais completo continua sendo o abundante material crítico e informativo reunido na edição de 19O5 pelos seus organizadores. 1841. N. e nas obras gerais. (1843 sf. As "Noites Lúgubres". págs. 483-491 e 515-517.. MB. págs. Buenos Aires. Paris . 214-216. Imprensa Industrial. antecedida pela nota: "O Senhor Maciel Monteiro dirigiu de Paris ao Autor (1824) sobre a mesma quadra. Álbum de canto nacional. 7-23. 1943. l. . págs. I. 1863. 161-173. 3. I. Rio. apareceram traduzidas por Francisco Bernardino Ribeiro. 7-33. de Cadalso. . Pôrto-Alegrc. Poesia do Dr. "Da Nacionalidade da Literatura Brasileira". vol. Zélio Valverde. I. Bibliografia da História da Literatura Brasileira de Silvio Romero. Aillaud. (§ 2) sendo importante consultar a edição original do poema "A voz da natureza". 2 vols. A lírica de MM. págs. Emecê. Recife. Francesa. em separata. 19O5. Manoel de Araújo PôrtoAlegre. tem finalidade didática e traz antologia. 161-213. "Observação". II. João Batista Regueira Costa e Alfredo de Carvalho. 1-2. com um bor n estudo de Luís Alberto Menafra. págs.°. 1843. Joaquim Norberto. DJGM. Poesias oferecidas às senhoras brasileiras por um bahiano. "Bosquejo da historia da poesia brasileira". Modulações Poéticas. págs. amigo dos homens e da poesia Textos utilizados: Brasilianas.

além das obras gerais. Lisboa.186. consultei as publicações originais em MB. vol. 2 vols. 1861. 1864. Garnier. e narra as vicissitudes editoriais. II. Globo" Porto Alegre. págs. Min. Para as relações com Almeida Garrett. devendo-se 399 l #ainda consultar. Almi r Câmara de Matos Peixoto. Direção em Crítica Literária (Joaquim Norberto de Sousa Silva e seus críticos). Brasileira. Ê-mulos Textos utilizados de Joaquim Norberto: Modulações Poéticas. de Victor Hugo. . História Literária do Rio Grande do Sul. Cantos Épicos. que utiliza importante material inédito. tanto esparsas quanto manuscritas. I. I § l. enquadrando-a porém no panorama da vida. ver o seu discurso referido no Cap. Zélio Val verde. in. sobretudo quanto à sua iniciativa no começo do Romantismo. Veiga dá uma relação ampla. Para as "balatas" e várias outras poesias reunidas depois em volume. traçando da poesia uma visão evolutiva baseada no prefácio de Cromwell. 26O-276. Garnier. Acad. IR. estuda principalmente a atuação artística. 4. Parece que. Rio. Sobre ele. Rio. F. Laemmert. 1951. De Paranhos Antunes.As poesias de Dutra e Melo não foram reunidas em volume. (§ 2). . 1943. embora relativamente abundantes. MAPA. O pintor do Romantismo (Vida e obra de MAPA). Rio. Imprensa Nacional. cit. só estuda Norberto como poeta. Rio. João Pinto da Silva. cap. de Educação e Saúde. 1938. 1881-1884. 3 vols. Colombo. Flores entre espinhos. Memórias Biográficas. Rio. 1866. 1924. modernamente. e dos louvores dos contemporâneos. L. com um interessante prefácio de Fernandes Pinheiro. Garrett. e também PB (2). e Francisco Gomes de Amorim. Rio. o trabalho mais útil é o de Hélio Lobo.. transcr . porventura completa.

Os estudos são abundantes. ver cap. Imprensa Nacional. trad. 1847. 1874. Poema épico em 12 c antos. 2. Gonçalves Dias consolida o Romantismo O melhor texto é. cabendo destacar: Antônio Henriques Leal. Obras Poéticas de AGD. RIHGB. § 1).. Panteon Maranhense. "AFDM".. 3. págs. Paula Brito. Norberto.°. 1841-42.°. além disso. contém. 1938. VII.. publicado em RP. 5. RAM. apenas é de estranhar que não haja índice no 2. XLXLII. Po r ocasião da sua morte. como curiosidade. e se encontravam nas Poesias Póstumas. José Olympic. ao contrário da ed. Norberto escreveu um poema. F. 1944. neste trabalho. "DM". 143-218. A Independência do Brasil. uma lista de escritores falecidos na mocidade. Editora Nacional. atualmente. 1855. vol. Para os estudos sobre ele. 19O9. S. 2 vols. o mais. ou não reuniu em volume. os versos que o poeta não publicou. (cap. Paula Brito. 2. Die Verdichtung der Brasilier-AGD. deve ser buscado em MB.evendo vários fragmentos. mais tarde aproveitada como ilustração do "mal do século" por mais de um autor. 12O-121. e mais: Os três dias de um noivado. f. O estudo fundamental para a vida e obra continua sendo o referido de L. Antônio Henriques Leal. Egon Schaden. s.° vol. 1943. incluindo as traduções. "AGD". l. Hamburgo. primeiro estudo . As notas são excelentes. todo o vol. sem referência à fonte). ed. vol. Paul Evert. inclusive Sílvio Romero.. 4OO A vida de GD. 4 vols. ed. Ill. que adota a ordem dos diferentes livros publicados pelo poeta. 2 vols.. Rio.. Rio. etc. a obra mais completa. que as reagrupou segundo as divisões inte rnas de cada livro. Lisboa. Veiga. págs. fonte básica de referência. Garnier. cit. 1876. . juntando o rigor de informação à capacidade interpretativa. Rio. Fritz Ackermann. Manuel Bandeira.De Teixeira e Sousa consultei os Cânticos Líricos. sobretudo em MB. que exprime bem a atitude reverente dos contemporâneos. Rio. XLI. vendo as poesias posteriores. Lúcia Miguel-Pereira.°. (Note-se. Paulo. I. § 2. 186O.

II. 7-26. e sobretudo Olavo Bilac. Nova Era. 1944. "GD". Niterói. São ainda vivos como interpretação: José Veríssimo. 1929. excelente biografia. Confissões de Minas. I. O Elogio da Mediocridade. 36-44. A título de mera curiosidade. Rio. Rio. Paulo. s. 2 vols. 1942. Rio. Nogueira da Silva. Pongetti.a ed. a admiração dos contemporâneos. Bibliografia de GD. GD. S. F. Conferências Literárias. Rio. prefácio à reedição dos Primeiros Cantos. 193O. a eminência do "I-Juca Pirama" . como: As edições alemãs dos "Cantos" de GD. págs. 169-177. Rio. I. Vejam-se também as notas sugestivas de Carlos Drummond de Andrade. cit. Rio. Josué Montelo. (cap. 1924. as características formais renovadoras. GD. Rio. págs. para exemplificar a opinião dos contemporâneos: Álvares de Azevedo. veja-se o artigo de Alexandre Herculano. a que se devem outros. A Noite. 2. onde vêm destacados a sua psicologia brasileira. vol. Acad.de análise sistemática do estilo.. Consultei-o na transcrição do próprio poeta. Estudos de Literatura Brasileira. O maior po eta. d. 1937. Síntese formosa e penetr ante é a de Amadeu Amaral. 8 -13. (reimpressão de 1926). Alves. em Poesias de AGD. págs. voltado sobretudo para os caracteres gerais da literatura român tica brasileira. Imprensa Nacional. "O sorriso de GD". Manuel Bandeira. "GD". Americ-Edit. GD e Castro Alves. Rio. Foram citados no texto. págs. trabalho monumental de um apaixonado gonçalvino. 1952.. 1942. págs. § 1). mas não passa dum "a propósito" oco e retórico. Garnier. "GD". 22-34. Nova Edição organizada e revista por Joaquim Norberto. 1943. etc. "Discurso recitado no dia 11 de agosto de . A bibliografia do poeta foi objeto de M.. que tanto desvaneceu o poeta e contribuiu para acreditar a sua obra. Brasileira.

. 1872. RLP. 376-378. 7. n. "Jovens escritores e artistas da Academia de S. José Joaquim da Silva Pereira Caldas. Desafogo da Saudade na desastrosa morte do distinto vate maranhense AGD. . 19O7. Rio. 3 vols. d. As modificações do texto definitivo deram maior beleza aos versos. Paulo".° 5O. Ed. Obras Poéticas. Americanas (1875) em Poesi as Completas.° 4. F. Anchieta ou o Evangelho na Selva. 1865.Algumas considerações sobre a poesia". Alexandre Herculano. bras ileira. II. vali-me de MB e G. N. além de artigos e discursos. nos baixios dos Atins nas costas de Guimarães no Maranhão. Versos de Flávio Reimar. 19O2. Origem e evolução dos temas da primeira geração de poetas românticos. A título de curiosidade: "O Leite de Folhas Verdes".Consultei as obras de Otaviano na edição de Xavier Pinheiro (filho do tradutor de Dante): FO. 1896.. V-XV. 1926. O Cabeleira. I. Clara Verbena . Alves. Garnier. Maranhão. I.. Fagun des Varela. Nova edição. com duas variantes. págs. Me?iores . Rio. etc.1849". etc. 185O. A opinião de Bernardo Guimarães foi referida ap. (cap. Anuário do Brasil. n. BF. Costa. s.a ed. Garnier. cit. . História da Literatura. Rio.. Machado de Assis. foi publicado pela primeira vez em 1849 em BF. já publicadas ou até então inéditas. Basílio de Magalhães. Antônio Sales Campos. nas proximidades do farol d"ltacolomin. s. Macedo Soares. cit. 1925. Garnier. Rio. § 2).Sonidos. BG. (1859). Franklin Távora. RP. Rio. Gouvêa. I. Poesias. 1-2. Rio. pág. 4O1 #6. a que dei particular importância. (Gentil Homem de Almeida Braga). Braga. Romântica. I. J.. com estudo biográfico e ampla seleção de poesias.Do poema de Macedo. Citaram-se ainda: Fidelino de Figueiredo. l. Garnier. § 1). 19O1. vol. Prefácio. Domingos G. págs. "Literatura brasileira . quanto às poesias líricas. 3. (cap.. (cap. I. f. § 1). s. Nova Edição. na madrugada de 3 de dezembro de 1864. págs. utilizei como texto corrente A Nebulosa. Rio.°. d.

19O7. Min. . 114-125. 19O8.Consultei de Cardoso de Menezes: A harpa gemedora. O Romance Brasileiro. CAPÍTULO in . Silva Sobral. Resumo n. a pedido do autor. Paulo. Um. Publicação da Academia Brasileira. porém. 19O71912. vol. onde fala do gênero bestiológico e seus cultores em prosa e verso. onde não se encontra. o citado soneto. pág. 1939. das Rei. (mimeografado). Rio . ocupando págs. na folha de rosto. 1847.O APARECIMENTO DA FICÇÃO 1. 1952. por atrazo da impressão (corn um interessante prefácio onde invoca o patrocínio de Magalhães como criador da nova poesia bra sileira e menciona as influências européias). nas quais me inspirei para algumas linhas d . 191O. sendo um ensaio sobre todas as suas épocas. é todavia o que melhor apresenta as condições do seu aparecimento. em pouco mais de três páginas admiràvelmente densas e ricas de sugestão.° 3. S. Tradições e Reminiscências. vol 3. A Academia de S. que pode ser lido em Almeida Nogueira. na verdade. paulo Tradições e Reminiseências. 21. muito menos sobre as suas origens. instrumento de descoberta e interpretação Não há estudo crítico fundamentado e amplo sobre o nosso romance romântico. 2-27. traz alguns elementos interessantes.°.. Rio. II. Paulo. Divisão de Cooperação Intelectual. Rio. FO. S. Tip. págs. O trabalho de Prudente de Moraes. incluído num interessante relato de Cardoso de Menezes. Phocion Serpa. cujos poemas ainda não têm edição sistemática. E nsaio biográfico. inéditos em posse da família. Exteriores. Veja-se ainda Almeida Nogueira.constituindo o mais completo repositório dos escritos de FO. neto. Poesias e Prosas Seletas do Barão de Paranapiacaba. 9 vols. ou havia em 1925. Pelo que se depreende desta obra utilíssima e meritória. Leuzinger. 1849. há.

pág-s. 1859 (não traz menção de edição. 1843. Bernardo Guimarães. Dr.. 15. Teixeira & Cia. págs. Jerônimo Corte Real. 2 vols. 474-498. e VIII. 1912. "Amância. Romance Brasileiro Original. 4O2 Citou-se: J. 2. Niterói. Pereira da Silva. Rio. Joaquim Norberto. I. Gonçalves de Magalhães. Os primeiros sinais " Para os dados referentes ao início do romance romântico é muito útil o levantamento feito por Basílio de Magalhães. para todos os romancistas estudados. Cruz Coutinho. consultei os seguintes textos: J. e o das traduções. I. Paula Brito. Paulo. Das obras aqui tomadas como amostra. 318-328. § 1). "Maria. Romance brasiliense". publicada por Alberto de Oliveira na RABL. 267-274 e 291-294. em Opúsmdos. 3 vols. que consultei nas seguintes: O Filho do Pescador. Tardes de -um pintor ou As intrigas de uni jesuíta.. págs. Gonzaga ou A conjuração de Tiradentcs. Consulte-se também José Aderaldo Castelo. cit. 1868. Fernandes Pinheiro. M. "Vicentina. VI. Sobre o curioso Caetano Lopes de Moura. 29 de maio e 13 de iunho de 1949. ou Vinte Anos depois. C. M. C. Crônica Portuguesa do século XVI. RB (2).°. Joaquim Manoel de Macedo". Novela". 474-491. Sob o signo do folhetim: Teixeira e Sonsa Não há edição uniforme rios romances de TS. 1881. "Da propriedade literária no Brasil". Villeneuve. Rio. (Hi § 5). págs. (cap. 145-15O. por J. págs.. I. 17-2O. a primeira é de 1843) . 347-392. 184O. como documento da opinião dos contemporâneos. 1848. 188O. aparecido originalmente no Jornal do Comércio em 1839. tendo aparecido inicialmente em MB. 3. in. 2. Dentre as obras gerais.a interpretação proposta. Vaz Pinto Coelho. 1844. 8 e 9. 1855. 1851. Rio. 22. Lopes. Diário de S. in. MB. "Notas sobre o romance brasileiro". M. cit. G. Romance do Sr. é necessário chamar a atenção para as de Fernandes Pinheiro. ver a sua "Autobiografia". A . 1. Fica entendido que daqui por diante está implícita a referência a este ensaio.°. 5.a ed ..

Rio. Recordação dos tempos coloniais. Leuzinger. sobre a voga e influência. 3 vols.a ed. 2 vols. O Moço Loiro. atualmente. 2. Santos. 1941. Os Dois Amores.. s.a ed. 1896. I. vol. A Luneta Mágica. Rio. 4. Alcides Flávio. "TS: O Filho do Pescador e As Fatalidades de dois jovens". O Culto do Dever. Para a opinião crítica do tempo. F. Rio. e o Teatro. 1859 (impressa parceladamente em 1852-1853). Dutra e Melo. Maria ou A Menina Roubada. O honrado r facundo Joaquim Manuel de Macedo Creio que quase todos os romances de M foram editados por Garnier. Recordações dos tempos coloniais. Felix Ferreira. "Traços biográficos de AGTS".. 3 vols. 1864. 2 vols.. A Baroneza do Amor. 187O. "JMM". 1893. Em edições Garnier consultei: A Cartfira de meu tio.a ed.. 21-36. Ta. d. n. Não há biografia sistemática do romancista. etc.. da Editora Aurora. 1844. reedição aumentada da publicação anterior. f. nas obras gerais e outras.a) .° 35 . d. III-XXIV.a ed. As mulheres de Mantilha todos sem mencionar data ou edição. 1896. sobre o seu modo de ser. ver A. . RdB (3). 2. págs.. Rosa.. Rio. IV.a ed. 1952. 1863.. Vicentina. Romances da Semana. 3. 188O. 1896 s.. Memórias do sobrínho de men tio. 271-281.a ed. 4. págs. II. Rio. Castilho.. Velaturas. 2. 19O2. 19O4. born número se encontra em edições Melhoramentos.Providência. Barreto. 5 vols. Cruzeiro. "A Moreninha"..a ou 3.a ed. f. 4.. As Vítimas Alg ozes. 2.... da segunda: A Moreninha. 746-751. s. Rio. As fatalidades de < lois jovens. 192O. Nova edição. J. Paula Brito. O Rio do Quarto. págs. Como e porque sou romancista. 1944.. reproduzido em O Romance Brasileiro. 12-25. págs. José de Alen car. O melhor estudo crítico é de Aurélio Buarque de Holanda. s. A Namoradeira 2 vols.. Li da primeira: Nina. R. M. d as Edições Cultura. págs. Sobre a sua vida. MB. objeto apenas de estudos e referências.rdes de um pintor. cons. 1895 (deve ser a 2.

sobre o sentido de documentário social da sua obra. ver Mário de Andrade.. A. Sobre a relação entre modinha e ária de ópera. II. Garnier. págs.in .. págs. Garnier. etc. Almeida Nogueira. Briguiet. etc. Rio.. (Joaquim Norberto) A Cantora Brasileira. d. 1863. Tip. "Parecer". 1946-1948. Chiarato. trad. CEB. 3 vols. do Correio Paulistano. que traz como introdução o famoso relato de Couto de Magalhães. transcrito da Revista Acadêmica.AVATARES DO EGOTISMO 1. pág-s. Interpretações. Sobre o refugiado carlista que tanto influiu na vida musical do tempo. importam as informações sobre as suas associações e excentricidades. Parnaso Acadêmico Paulistano. Rio. Stock. 2 vols. Paris. F. História da Música Brasileira . Rio. "Fragmentos de um escrito . 1871. Para o estudo propriamente crítico. 1881. 1942. Paulo".° 4. Garnier. notadamente Paulo Vale. 3 vols. Rio. 5-11. há apenas as obras 4O3 #gerais. 71-79.a série. 2. "A Ópera Nacional . 193O. sendo estranhável o desinteresse pelo escritor que deu f"nna fto romance brasileiro.. 1859. O citado verso de Kirsanov é do seu poema "Zoluchka". 2. s. 19O2. Máscaras Obras citadas: M. Anthologie de Ia poésie russe. e organiz. CAPÍTULO IV .a ed. Tradições e . "Prefácio". "Romancistas da Cidade: Man uel Antônio. de Jacques David. Modinhas Imperiais. Melo Morais Filho.A Poesia".. RIC. ver também Melo Morais Filho.° 2. 7. 1944. em Artistas do meu tempo. 1857.a série. Astrogildo Pereira. Nascimento da Fonseca Galvão e Luís Rômulo Peres Moreno. Ao Correr da Pena. n. Serenatas e Saraus. Corrêa de Oliveira.. José Amat". Rio. Renato Almeida. Macedo e Lima Barreto". Rio. Garnier. Paulo. S. 19O4. Para o caráter de desvario dessa geração.D. 78-91. "Esboço da história literária da Academia de S. vol. José de Alencar. n. REF.

. cit. em geral. Nelson. ao que saiba. Genesco . Rio. (cap. 4O4 2. págs. Poesias. (cap. Paris. Odes et Ballades . Lês Feuilles d"Automne. Espronceda. 2 vols.ainda não foi objeto de estudo. 1864.. cit. Sobre este aspecto e.Reminiscencing. Vigny. 5 vols. Porto. ver o interessant e testemunho e comentário lírico que é o romance anônimo de costumes. A marcada inclinação de Álvares de Azevedo por Heine. Victor Hugo. Lisboa. § 3). cit. Obras Poéticas. 1858. VI). de autoria de Teodomiro Alves Pereira. a possível influência de Espronceda sobre os portugueses e brasileiros u ltra-românticos. a fim de apreciar a sua psicologia e poética. ..° e 5. O panorama. s. É conveniente. O conflito da forma e da sensibilidade em Junqueira Freire . I. Para a caracterização literária. 3. "Os poetas da segu nda geração romântica". João de Lemos. s. também para o cap. II. Musse t. I § 2) . Tipografia do Panorama. os outros. I § 1) .Vida Acadêmica. Idem. II.assinalada por Norberto e Machado de Assis. Tipografia Perseverança. (cap. ver José Veríssimo. The Works of Lord B... (cap. 3 vols. Cânticos. . 19O9. (cap. inclusive os portugueses. 13-22. I. Mendes Leal. Lello.. 1859 e 1866. § 1) . Poesias. d. Edições que consultei: Byron. Dorchain. etc.° c. § 6). seja na técnica do verso. Lisboa. Escritório do Editor. ed. Estudos de Literatura Brasileira. Soares de Passos. Luís Augusto Palmeirim. a boêmia estudantil. Tauchnitz. com quem tiveram marcada afinidade. Cancioneiro. Lei pzig.a ed. 9. Teófilo Braga. Premieres Poésies e Poesies Nouvelles.Lês Orientales. Lisboa. ver os principais poetas europeus que os inspiraram. I. 1866. d. cit. (Fica entendido que as referências aos poetas estrangeiros valera. (cap. cit.. os vols.. seja no espírito. 1858. 4. Poésies Completes.a ed. Também ainda não foi estudada. cit. data de 1866. ed. § 1).

além de traçar um admirável perfil psicológico. Rio. Ramo de Louro. talvez o melhor ensaio que a crítica romântica dedicou ao poeta. págs. 47-84. págs. estudo liminar na ed. Consultei ainda Elementos de Retór ica Nacional. tem intuições originais sobre os aspectos mórbidos do poeta. das mesmas Obras. s. 77-87. Afrânio Peixoto. págs. mas aponta os defeitos de forma e ressalta a originalidade. Sobre ele. sua obra. "Ensaios de Análise Crítica . (cap. 1869. 59-76.Usei como texto de J F os de Obras Poéticas. analisa sobretudo o drama religioso. born trabalho. págs. no 1. (1855). de Abreu. que traz vinte e uma poesias esparsas e inéditas. vol. 1929. Rio. Jackson . Novos ensaios de críti ca e de história. 4. São Paulo. Pereira da Silva.. breve nota sem o menor interesse. I.°s 1-2. 13-34. a obra principal é a biografia de Homero Pires. págs. págs.. Machado de Assis. Comp. "Vocação e Martírio de JF". notadamente Herculano. 2. Zélio Valverde. cit. págs. "LJJF". Vejam-se ainda: Macedo Soares. apontando a impregnação clássica e certas influências decisivas.II . 2 vols. Roberto Alvim Corrêa. n. Laemmert. "Perfis Juvenis . d.a série. JF. Franklin Dória. Rio. sua vida. EAP.a ed.. Capistrano de Abreu. Cap. mas típico de certo aspecto da crítica do tempo. 1928. José Veríssimo. 2 vols. Ensaios e Estudos. J. sua época. 1931. a digres são nacionalista a propósito de um autor. 553-574. I § 1). "JF". Rio. Poesias de JF". 1937. traz boas análises sobre o a . "Estudo sobre JF". Zélio Valverde. por JF".° vol.Inspirações do Claustro. importante também sob o aspecto crítico. 1859.in . págs. "Inspirações do Claustro. e Poesias Completas.. muito medíocre. cit. 43-47. Roberto Alvim Corrêa. de pouco valor crítico. 5-62. voltado principalmente para a biografia. II. Estudos de Literatura Brasileira.LJJF". Editora Nacional. das Obras Poéticas.. Garnier. VII-XXIX. Rio. l. isto é. Soe. A Ordem. Crítica Literária. ed. 1944.° vol. cit.

As flores de Laurindo Rabelo Usei o melhor texto. 1876. que até hoje não motivou qualquer obra sistemática. 1946. Bernardo Guimarães. Garnier. II.. embora pouco satisfatório. BG. conservada em Ouro P reto. s. seja do ponto de vista crítico. 3. (cap. (cap. . 1899. 4. Para o estudo da sua vida em S. 1944. 1911. a "Not ícia". O trabalho fundamental. Rio. Continua tendo interesse Dilermando "cruz. 4O5 #Q a ed Gamier. Estudos de Literatura Brasileira. que inclui uma gramática escrita pelo poeta e possui a virtude de reproduzir. que mereciam um esforço de coordenação crítica semelhante ao anterior. Minhas Recordações. o de Melo Morais Filho. Rio. que superestima o poeta sem fundamento convincente. Editora Nacional. Consultei de algumas poesias obscTnas inclusive o admirável "Elixir do Page". Gamier. Novas Poesias. Pouco expressivo é José Veríssimo. é ainda Basiho de Maalhães. José Olympic. cit. na obra abaixo citada. praticamente. XXVII e XXXV. tudo o que há de interessante para o seu estudo. BG. os dois de Constâncio Alves. Folhas do Outono. à de 1876. Juiz de Fora. outra referência especificada. Obras completas de LJSR. ed. a cópia datilografica de uma edição de cordel. ver Francisco de Paula Ferreira de Rezende.specto religioso da sua obra. págs. pois. bastando dizer que contém a "Introdução" de Eduardo de Sá Pereira de Castro à ed. f. 1883. o estudo de Teixeira de Melo. II. poeta da natureza Não há edição reunida das obras poéticas de B G. Costa & Cia. caps. cit. Osvaldo Melo Braga. e outros de menor importância. Ela dispensa. Paulo. I § 1). Acrescente-se a nota biobibliográfica inicia l do benemérito organizador. 76-88.. seja do ponto de vista biográfico. de Norberto. de 1867. Rio. "LR". Consultei: Poesias. indispensável à reconstituição da personalidade. Rio. § 5). O drama A Voz do Pane foi publicado por Dilermando Cruz. muito vivo.

mais tarde incorporados à ed. II. informativo e superficial. pelo qual se pode avaliar certo tipo de poesia s atírica de BG. (8 1).importante e pitoresco testemunho de um contemporâneo. ed. págs. 215224. 194O. a melhor e mais completa. Paulo. vol. em Paulo Vale. uma importante carta da irmã do poeta sobre o local do seu nascimento. Revista do s Tribunais. Veiga Miranda. Revista dos Tribunais. Garnier. José Olympic. 1931. "BG". 7. Editora Nacional. S. Homero Pires. ou Ariel e Caliban Utlizei duas edições: Obras Completas. Homero Pires. Obras cornpletas. mais sistemático e ambicioso. Almeida Nogueira. (19OO). Rio. sensível aos motivos do quotidiano. ainda estamos longe de uma "biografia e interpretação satisfatórias. Já não pude aproveitar a síntese bem feita de Edgard Cavalheiro. ed. s. trazendo. além de inéditos do poeta. Ed. 1931.° 3. Paulo.. Homero Pires. que traz um poema não publicado noutra parte. S. 1931. cit. Norberto. Vejam-se também: José Veríssimo. § 6).. porém. 19O7. que contém. 1944. etc. AA. subtitulado "Homenagem a AA". que englobem a investigação documentária e a análise crítica. Embora alguns livros lhe hajam sido consagrados. Alvares de Azevedo. Parnaso Acadêmico Paulistano. o citado depoimento de Couto de Magalhães. págs. Estudos de Literatura Brasileira. 253-264 e. Álvares de Azevedo. II. AA. (cap. A A. S. II. 3 vols. 168-17 3.. 2 vois. (cap. Paulo. Tradições e Reminiscências. Ano I. embora pouco penet rante.. s. penetrando nalguns aspectos fundamentais da sua psicologia. a melhor publicação é o número comemorativo da Revista Nova. os seguintes estudos: Afrânio Peix . d. cheio de humor. págs. Vejam-se os livros: Vicente de Paulo Vicente de Azevedo. d. 1931. n. Paulo. Para o estudo crítico. 5. "O fabuloso BG". S. Rio. cit. Academia Brasileira. principalmente. Antônio Alcântara Machado. cit.a ed. estudo biobibliográfico. I § 1). Rio. Melhoramentos. Cavaquinho e Saxofone.

1855. A estes ensaios podemos juntar: Joaquim Norberto. Vejam-se ainda: Machado de Assis. Aurélio Gomes de Oliveira.IV . Critica Literária. 397-415. 1935.a ed. 335-374. o "Discurso Biográfico". págs.. (1852) págs. "Netícia sobre o autor e suas obras". P. empreza tipicamente romântica de elaborar do poeta um perfil de dor. de Domingos Jacy Monteiro. tem muito interesse a reunião de peças coevas. pode-se ler o ensaio laudatório e oco de A. Lisboa. poesias de AA". 346-354. 424-429. reproduzindo uma 4O6 conferência no Instituto Histórico em 1872. que trazem o testemunho intelectual e afetivo da Academia de S.. (Vem reproduzido em O Aleijadinho e AA. "Influência de AA". . págs. págs. R. que serviu mais tarde de introdução à 2. é o primeiro escrito de certo vulto. acima (§2). "Amor e Medo". na cit. págs. 375-396. 437-469. notadamente as da ses são fúnebre promovida pela sociedade Ensaio Filosófico Paulistano. "AA poeta". págs. 191-218. fixando a imagem elaborada nos vinte anos anteriores. Azevedo Amaral. págs. Paulo. Álvares de Azevedo". o único romântico brasileiro". imaginoso e rico de conseqüências que a nossa literatura romântica já motivou. págs.oto. "AA e os charutos". das Obras (1862). edição. cit. mas procura estudar convenientemente a obra. "A originalidade de AA". o mais profundo. Tipografia do P anorama. Mota Filho. Nesta edição. que influiu em toda a crítica posterior.M. págs. Vicente de Paulo Vicente de Azevedo. Homero Pires. 318-324.. "O drama acadêmico de AA". Apenas como exemplo da sua repercussão imediata em Portugal. é um estudo convencional. "AA". págs. págs. "Lira dos Vinte Anos. Artur Mo ta. o ferrão bem no centro". 338-345. ". Mário de Andrade. Nela pode-se ler. 416423. 29-114. "AA. ainda. págs. págs. 67-134). feito por um primo e amigo. págs. Luís da Câmara Cascudo. págs. A. Rio. estudo magistral. 43O-436. Memórias da LiteraturaContemporânea. Lopes de Mendonça. A. 129-19O. melancolia e solidão. "Perfis Literários em 1855 .

cit. II. Ferreira de Rezende. "AA". "Carolina". síntese correta. bastante irregular. 1944. Em 1939. págs. José Olympic. ou pequena novela. dá como local do na . 1949. como prenuncio das melhores interpretações desenvolvidas a seguir. § 6). Rio. com prefácio de Afrânio Peixoto. publicou Ferreira Lima. 1OO-1O7. comemorativa do centenário do poeta. O principal estudo biográfico é de Nilo Bruzzi. é uma análise filosófica. Luís Felipe V ieira Souto. e cap. dá importantes precisões sobre o nascimento. 37-63. Editora Nacional. Conferências. da Educação editou As Primaveras. Tradições e Reminiscências. Boletim. excelente ensaio. breve artigo. págs. págs. (cap. "AA. XI-XXIX. José Veríssimo. I § 1). acima. "AA". a impregnação byroniana. RIHGB. Dois Românticos Brasileiros. o poeta do destino". o conto. 1931. O Caminho das Três Agonias. que reestabelece a ordem original dos poetas . que esclarece pontos mal conhecidos. págs. S. traz o depoimento de um contemporâneo de Faculdade sobre a sua linha impecável na boêmia. vol. 19O9. de tal modo que ainda hoje per manece válido. II. "AA". born estudo. 1944. aflorando a obra com perspicácia e intuição. O "belo doce e meigo": Casimiro de Abreu Utilizei o texto da ed. Em 1945 o Min. Casimiro de Abreu. Rio. apresentando com inteligência a versão convencional. "MAAA". no artigo citado abaixo. como o anterior. Obras de CA. ob. Sousa da Silveira. Estudos de Literatura Brasileira. S. no § anterior. 43-95. visando apreender a essência dramática da sua personalidade literária. Obras Completas. marcando a experiência livresca. cit. 6. 35-47. 194O. (cap. aparecido num jornal português em 1856 e não incluído nas edições. parecendo mescla de imaginação e pesquisa documentária. Amando Prado. cit. cit. o toque de genialidade e. sem indicação de fontes. Homero Pires. importa pela publicação da correspondência e de desenhos do poeta. faesimilar. Almeida Nogueira. Editora Aurora. Paulo. Rio. Sociedade de Cultura Artística. Paulo. Cândido Mota Filho. de acordo com os conhecim entos atuais.1O2-1O7. VII. págs.

José Veríssimo. págs. (cap. págs. 12-16. A Naturalidade de Casimiro de Abreu e mais falsidades. RIHGB. concluindo pela reabilitação do velho português. não há estudo satisfatório. págs. (§ 2). que esclarece com excelentes documentos a estadia na Europa e começo da vida intelectual. 91-11O . "Casimiro de Abreu em Portugal". a "Notícia sobre o autor e suas obras". l. com base em correspondê ncia inédita. João Marcos. deformado pela lenda. Estudos de Literatura Brasileira. págs. esparsas em jor nais e revistas. cit. "CJMA". 5O-52. publicando em apêndice o conto acima referido. l. 71-73. 58-63. I § 1). Muito mais importantes são dois artigos que antecederam estas publicações: Henrique de Campos Ferreira Lima. não S. 5-4O. págs. Ensaios e Estudos. "CA". págs.scimento Capivarí. a saber: Justiniano José da Rocha. Ramalho Ortigão. 63-7O. desacredita um pouco o poeta. que consultei na reimpressão de 192O. 1877. Niterói. facsimilar. RAM. 295-32O. Afrânio Peixoto. págs.a parte. Fernandes Pinheiro. págs. 39-5O. trazendo documentos relevantes. a citada ed. págs. Ernesto Cibrão. além de poesias a ele consagradas e. pá . Do ponto de vista interpretative. Muito importante é a edição de Joaquim Norberto. págs. 54-58 e 119-122. "O poeta d"As Primaveras". Maciel do Amaral. onde estão reunidas as críticas do tempo. erros e mistificações de um. parece que organiaado por Carlos 4O7 #Maul. ensaio simpático. do organizador. versão ampliada de "CA". 187O. permitindo avaliar largamente o ponto de vista dos contemporâneos. 195O. e. Pedro Luís. Velho da Silva. 17-39. publicado pela Academia Fluminense de Letras. XXXIII. onde. analisa as relações com o pai e a vida no Rio. procurando localizar os elementos fundamentais da arte do poeta. LVIII. Rio. Reinaldo Carlos Montoro. Pinheiro Chagas. cit. 1939. 16-39. págs. 11-12. no afã de fazer justiça ao pai. Obras Completas de CJMA. Ver ainda: Capistrano de Abreu. Garnier. introd. biógrafo. págs. págs. II. Em contestação apareceu.

117158: "A mulher e o homem ". Sobrados e Mucambos. sugerindo a armadilha que a sua facilidade pode constituir para a crítica e fixando. RABL. I. IV. Mas para compreender o erotismo dos poetas desta geração. com um importante prefácio. (§ 5). XIII-XXV. é um belo ensaio. tida geralme nte como desleixada e incorreta. 7. Os -menores . "No jardim público de CA". um dos estudos mais compreensivos. visão simpática mas algo estreita e condescendente dum parnasiano. é preciso recorrer à análise histórico-sociológica sob todos os títulos admirável da relação entre os sexos ao tempo do aparecimento do Romantismo. cit. 1859. em Gilberto Freyre. S. cit. Carlos Drummond de Andrade. RABL. págs. acima. retoma alguns dados biográficos da anterior e acentua o de sleixo da sintaxe e do verso. Sousa da Silveira. 7-49.° 14. (cap. I. n. "CA". a convenção sobre a poesia casimiriana. 4-29. por assim dizer. § l). 47-59. em Obras de CA. "CA".gs. Múcio Leão. Goulart de Andrade. cit. a antologia muito significativa de Macedo Soares. Paulo.° 53. Lembremos que o sentimento amoroso de CA foi reinterpretado nalgumas observações de Mário de Andrade. Harmonias Brasileiras. "Amor e Medo". n. 27-35. págs.. de onde se pode inferir que é o avesso de Álvares de Azevedo. págs. "CA".. nas quais o ilustre filólogo demonstra a pureza e a correção da língua de C. acentuando a força expressiva que o poeta obtém através da banalidade dos temas e sentimentos. 192O. págs. Cantos nacionais coligidos e publicados por AJMS. § 5). 4O8 . 1937. (cap. mas sobretudo as notas abundantes e inteligentes & cada poema. págs. cap. cit.V. Confissões de Minas. dando algumas indicações sugestivas sobre a sua métrica e vocabulário romântico.

págs. 1952. 1859. Panteon Maranhense. "AL". Rio. II. Garnier. vemos qu e foi impressa por B. Luiz do Maranhão. 1872.. S. Brimbois. A. Três Liras. II. 223-264). cit. Maranhão. nas Sertanejas. Brasileira. G. . 2. .De Bittencourt Sampaio. CAPÍTULO V . Acad. muito interessante: Oscar Lamagnère Leal Galvão.. 2O1-222. II § 5). Sobre ele. etc. Sobre ele. "Flores e Frutos". Beltrão & Cia. Recife. . "TM como poeta". págs. I-XXVIII. III-XII.. ver as citadas a propósito de Bernardo e Álvares de Azevedo. Liège. Marques Rodrigues. Versos de Flávio Reimar. o principal escrito para estudo.De Almeida Braga. págs. Rio. 2O-24. "Prefácio". Matos. 1855-1873. vol.. (cap. 1857. as referidas Três Liras. Universal. que geralmente se referem ao terceiro amigo da inseparável trinca. 1898. 1-8. cit. 19O9. Tip.. . págs. Tradução parafrástica de Flávio Reimar. págs. vol.De Bruno Seabra. Imprensa Americana. onde vem descrita a "devassidão do espírito" a que se entregava o grupo. IX-XVI.Consultei de Aureliano Lessa. 158-16O.a ed. 1867. não obs tante o exagero do juizo. ver a breve nota de João Ribeiro. sem menção de editor. Flores e Frutos. . II. 186O. . 1872.De Trajano Galvão. H. Harpas Selvagens.. 1914. artigo elogioso mas insignificante. Laemmert. Poesias.De Sousa Andrade. "Traços biográficos de TGC".Clássicos e Românticos Brasileiros.De Franklin Dória. de Almeida Braga. o que permite identificar o operoso e esclarecido impressor maranhense Belarmino de Matos. Mistério. ibidem. Belo-Horizonte. lugar nem data (por indicação no verso da folha de rosto. págs. "SÁ".De Teixeira de Melo. Crítica . § 5). que reúne Sombras e Sonhos (1857) e Miosotis (1873). além das obras de referência. Rio. Garnier. págs. do País. Eloá. Sertanejas. Enlêvos. Coleção de Poesias dos Bacharéis TGC. contendo Clara Verbena e Sonidos. Rio. págs. ver Machado de Assis. que traz o prefácio simpático e elucidativo de Bernardo Guimarães. biografado por Henriques Leal no Panteon Maranhense. Sobre o poeta: Antônio Henriques Leal. Raimundo Corrêa. Sobre o poeta. cit. Crítica Literária. Rio. com um encomiástico prefácio de Sílvio Romero. (cap. . Tip.O TRIUNFO DO ROMANCE . Flores Silvestres. Poesias Póstumas.

a série. "O tradicionalismo de Manuel de Almeida". Infelizmente. "Introdução" à ed. O principal trabalho informativo é de Marques Rebelo. José de Alencar.. S Paulo. Como e porque sou romancista. trazendo belo material iconográfico e bibliográfico. com um breve prefácio. Araripe Júnior. Melhoramentos. As minhas leituras haviam sido feitas nas edições quase todas pouco satisfatórias até então disponíveis. 1951. e "dá 4O9 #torn" a toda a crítica posterior. Mas revi as citações por ela.. § 4) . 2. Min. O Guarani.. 1944. Cinco Minutos. Fauchon et Cia. Os três Alencares Alencar é. localiza agudamente os elementos responsáveis pela eficácia do livro. Manuel Antônio de Almeida: o romance em moto contínuo Utilizei como texto: Memórias de um Sargento de Milícias. Rio. (cap. "Um velho romance brasileiro". Macedo e Lima Barreto". em 16 volumes. Rio. Letras Acadêmicas. 5-19. e dela não me pude valer.1. da Educação e Saúde. 1943. Ver aind a: Xavier Marques. honesta e compreensiva. "Preface" à sua trad. o romancista brasileiro de cuja obra há melhor texto. Novas experiências Citaram-se: José de Alencar. cit. José Olympic. 1938. "Romancist as da cidade: MA. (cap. 2. biografia sumária. 1941. Laemmert. "O romance de costumes". Viuvinha. ed. 7-23.Págs. Lúcia Miguel-Pereira. sí. Astrogildo Pereira. Renascença Editora. Sonhos d"Ouro. a saber. no caso as seguintes: de Garnier. a edição da Livraria José Olympio. Olívio Montenegro. Ill. Martins. Ill. Memoires d"un sergent da la miliee. Para o estudo crítico. ferindo os principais aspectos a que "\a se tem aplicado. Rio. págs. José Olympic. Alfarrábios. Rio. avultam: José Veríssimo. 1894. V. que analisa o seu caráter representativo da índole e costumes nacionais. 3. Paul Rónai. Cap. Prosa de Ficção (187O-192O). Imprensa Nacional. da Comp. cit.a ed. Marques Rebelo. O Romance Brasileiro. § 4). Mário de Andrade. Atlântica. 1944. Rio 1933. no momento. 195O. Vida e Obra de MAA. Rio. citando-a em tais casos. o meu capítulo foi escrito antes do seu aparecimento. A . Estudos Brasileiros. 1894. A Guerra dos Mascates. Rio. 2.

1874. a propósito da segunda edição da Iracema". Til. (Franklin Távora). Iracema. Melhoramentos. Cartas a Cincinato. Diva. 1872. etc.. W. 1882). reforça ndo o anterior. Ill. Pretende aplicar os métodos da crítica positiva de Taine. numa análise negativa bem desenvolvida. Estudos Críticos de Semprônio sobre o Gaúcho e Iracema. Tomo I. g 4). edição modelar de Gladstone Chaves de Melo. apresentando análises e juízos de born teor.Pata da Gazela. 2. Questões do Dia. págs. contendo ataques à sua posição política e à sua arte literária. "O Guarani. "Questão Filológica. JÁ. Machado de Assis. Imparcial. Senhora. Crítica Literária. distingue uma fase de inspiração e outra de decadência. Lucíola.. 1923. Ubirajara. As Minas de Prata. Reminiscências. (cap.a ed. págs. da Livraria Martins. de JÁ". O escrito mais importante para conhecimento da personalidade é a autobiografia literária Como e porque sou romancista. Mas há um conjunto de estudos que. através da análise d"O Gaúcho. do Instituto do Livro. Dos outros contemporâneos. Magalhães & Cia.. "Iracema. A obra mais sistemática ainda é Araripe Júnior. 1894 (l. O Tronco do Ipê. podendo -se dizer o mesmo da interpretação crítica. 235-246.. 2. O Gaúcho. Tip. de JÁ". por motivos de informação ou ponto de vista: (José Peliciano de Castilho). de leitura obrigatória.a ed. coordenadas por Lúcio Quinto Cincinato. Encarnação.a ed. Visconde de Taunay. Rio. Pauchon & Cia. "JÁ". 1871. 1937. embora pouco compreensiva. somados. 2. J. O Sertanejo. Pernambucano. inclina-s e a uma interpretação psico-patológica e sociológica da biografia e seu reflexo na obra. Maranhão. cit. Não há ainda biografia à altura do assunto.. Locubrações.. um dos mais belos documentos pessoais da nossa literatura. 81-213 .. 6476 e 332-341. págs. Jackson. Rio. pode ser lido como amostra das críticas feitas à correção da linguagem. interessam. Antônio Henriques Leal.a ed. de Medeiros. permitem born conhecimento.

assinalem-se: Magalhães de Azeredo. págs.". 1897. ape sar de consagrado ao teatro. tributo de um apaixonado alencariano que sempre soube sentir. in. págs. 19O3. Rio. Tip. "De um leitor de romances: A". vazio e desconexo.. 2. RdB (3). 1895. onde todavia há uma indicação interessante sobre as análises femininas. 69-74. Estudos de Literatura. com elementos para o perfil psicológico. págs. págs. Rio. A. 1878. Rio. José Veríssimo. Consulte-se. n. I. Idem. págs. R. Perfil de mulher publicado por G. Crítica e Literatura. 135-162. . JÁ.° 35. Augusto Meyer. Gladstone Chaves de . 79-97.. cit. 41O § 2). cit. O Romance Brasileiro. modo de ser e relação com o público. Maranhão. "Senhora. born estudo de conjunto. chegando LT a negar à crítica o direito de analisar as suas obras. estudo pedantesco e digressive. (cap. e no qual Araripe Júnior colheu os elementos centrais da sua interpretação..a ed. IV. Rocha Lima. § 1). José Olympio. M. como mera curiosidade Lopes Trovão. discurso feit o no dia do enterro. conferência palavrosa e digressiva. extenso e importantíssimo estudo sobre a sua carreira política.. que procura caracterizar. nos momentos de descrédi to do grande romancista junto aos meios intelectuais. "JÁ e o seu drama O Jesuíta". é valioso para a compreensão da personalidade literária. mas ilustrativo do setor da opinião que o idolatrava. 1941. Mont"Alverne. Agripino Grieco. sendo também uma reação contra os críticos naturalis tas. II. ao afirmar a excelência da segunda fase de Alencar. (§2). Dos críticos posteriores. Livraria do Povo. Olívio Montenegro. 1947. 117-122. Vivos e Mortos. cap. em 1877. O Romancista. 153-164. "JÁ". do País. IV. Estudos Brasileiros. m uito curioso como abordagem de Alencar pela crítica "científica". aspectos básicos do seu valor. (cit. JÁ. apontando traços interessantes da sua psicologia literária.

excelente análise inicial de uma influência pouco referida. A Filha do Fazendeiro. 1941. 1941. que focaliza a sua capacidade fabuladora. Quatro Romances (O Ermitão do Muquém. a bela síntese de Brito Broca. Tomo XVI. págs. 13 vols. págs. dá algumas úteis indicações históricas. Dela me utilizei apenas de A Escrava Isaura.. brilhantes mas curtos. págs. Tomo X. sob o título de Obras Completas de BG. A garganta do inferno.. Imprensa Nacional. Josué Montelo.. Tomo V. 19-39. 11- 23. 1914 s. ll. ""Bibliografia e plano das obras completas de JA". 1948. 4. Tomo 1. As bibliografias gerais mais completas parecem as de Gladstone Chaves de Melo.. Nogueira da Silva. XIII. enfim. e Maurício. dando o elenco mais perfeito até o momento das edições dos romanc es. BB. 1949. no mesmo vol. Um contador de casos: Bernardo Guimarães Há edição uniforme das obras de BG. Gilberto Freyre.a ed.. A dança dos ossos). sob a direção de M. VII-LVI. 2. Briguiet. usei: Garnier. 19-25. História e Tradições de Minas Gerais (incluindo A Cabeça do 411 #Tiradentes.Melo. dos demais. s. Rio. Na referida ed. na citada edição. é um excelente estudo de revalorização do romancista como observador da sociedade e artista ajustado ao meio. págs. págs. 12-32. Jupira). "JÁ. "Uma influência de Balzac: JA". e Rosaura.a ed. "Introdução" à cit. Citemos. d. há estudos originais. Wilson L/ousada. de Iracema. Muito importantes são as notas bibliográficas da editora. 1941... "Introdução Biográfica". embora expressamente indicada pelo romancista na autobiografia. sem o caráter de estudo. e José Aderaldo Castelo. 11-18. Rio. O . Lendas e Romances (contém: Uma história de Quilômbolas. José Olympio. Pedro Calmon. págs. Martins. 37-57. que reexamina e põe nos devidos termos os aspectos lingüísticos da obra. no primeiro grupo. onde vêm levantadas as sucessivas edições de cada obra. ed.. 2 vols. outros que são transcrições de trabalhos anteriores. "A e as Minas de Prata". "A verdade das minas de prata". págs.°. renovador das letras e crítico social". f. s. d. outros. O índio Afonso.

3 vols. a obra atualmente mais autorizada. Cultura. Cruz Coutinho. Rio. 5-44). Narcisa Amália. págs. IV. Tobias Barreto. Instituto Artístico. Rozendo Moniz Barreto. S. Poesias. Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais: O Bandido do Rio das Mor tes. traz alguns outros poemas.. finalmente. "Um grande poeta esquecido". Transição de Fagundes Varela Usei o texto das Obras Completas de LNFV.. d. Ramos Moreira. 1949). Quanto às obras sobre ele. s. págs. ed. Rio. Rio. 1876. 19O3. s. Obras Completas. O Garimpeiro). com introdução de Sílvio Romero. áreas. Garnier. é Edgard Cavalheiro. cons. Poesias Completas.. Laemmert. Narcisa Amáli a. que supera as anteriores. s. ed. 1919-192O. trazendo prefácio de Pessanha Póvoa. Vôos Icários. (1872). págs. V-XXVI (sobre ela. ver Mário Neme. Recife. d. 5 vols. VIIXXXIII. Rio. CAPÍTULO VI . recitatives. as notas do cap. 19O4. III-XV. Martins.. d. págs.. (1944). "Pedro Luís (Notas para uma biografia)".. 2. Garnier. Para ilustrar a invasão melódica na poesia citou-se O Trovador. João Júlio d os Santos. Paulo. RAM. 1897 (sobre ele. (sic). etc. Auroras de Diamantina e outros poemas. Paulo. S. Antônio Simões dos Reis. do Correio de Pernambuco. s. d. Nova edição correta. S. "Neve a descoalhar". LXIII. s. FV.A EXPANSÃO DO LIRISMO 1. retificando erros. A Noite. Garnier. 19O1. f. 194O. Tip. acima. Visconti Coaraci. 1868. Rio. Breve notícia sobre a sua vida". Dias e Noites. consultar. Simões. 1943. Paulo. Carimbos. com introdução de Américo Pereira. Rio. 1944. Rio. Mencionou-se. págs. Edgard Cavalheiro. . Riachuelo. III-XXXII. 1869. Machado de Assis. Textos dos poetas referidos: Pedro Luís. Rio. Rio.. Sobre a sua vida. "TB. c orn a importante introdução de Francisco Otaviano. Novas direções na poesia. Nebulosas. Coleção de modinhas. lundus.Seminarista. poema épico em 5 cantos por Luís José Pereira da Silva. Tipografia Imperial do Instituto Artístico. Luís Guimarães Júnior. § 4.

. págs.trazendo novos dados. solitário imprefeito".. a inspiração irregular. que desvenda aspectos básicos da psicologia do poeta. 41. págs. com introdução e notas importantes. José Veríssimo. RABL. (cap. IV. Franklin Távora. reproduzido mais tarde na ed. aborda toda a obra antes de concentrar-se no objeto principal. acentuando o caráter de vivência brasileira dos seus poemas da natureza. RB (2). Confissões de Minas. talvez o melhor estudo crítico. 188O. § 5). Cultura. I. Paulo. 3. s. V. S. 349-394. 1938. Alberto Faria. a maestria no verso branco. Crítica Literária. "FV. págs. 131146. 1 3-26. Quanto aos artigos e ensaios. 412 etc. 2 vols. págs. estudo bastante sobrecarregado. (cap. "Cantos e Fantasias por FV". 357-39O. págs. Estudos de Literatura Brasileira. § 5). cit. Rio. que analisa rapidamente com argúcia. Carlos Drummond de Andrade. "FV". poemêto de LNFV". Agripino Grieco. biogràficamente muito born. Ariel. 217-223. Garnier. II. "O Diário de Lázaro. págs 88-97. citem-se: Machado de Assis. salvo erro.. é um breve estudo compreensivo. o primeiro estudo de conjunto. justificando o poeta ante as alegações de plágio ou falta de originalidade. II. interessante por saudar V como tendo ficado imune da influência byroniana. algumas das quais incorporadas depois na ed. "V". Afrânio Peixoto. Poesia e oratória em Castro Alves O melhor texto é o das Obras Completas. cit. traçando um penetrante retrato psicológico e poético. (cap. ed. 1925. apontando a impregnação dos predecessores imediatos. Editora Nacional. Soo Francisco de Assis e a poesia c ristã. § 2). cit. é um ensaio penetrante. que supervaloriza. constit uindo. d. onde se deve destacar a introdução do organizador. Em apêndice vêm documentos e obras inéditas.. mas a primeira parte é excelente. "FV".

Há muitos livros sobre o poeta. Jamil Almansur Haddad. born estudo biográfico. a saber. 1942). 1913. Deles podem-se destacar: Heitor Ferreira Lima. como interpretação baseada em vários instrumentos de análise. CA. CA e seu tempo. Paulo. 3 vols. com menos substância do que aparenta. Anchieta. correta. mas com o mérito de procurar definir a atitude ideológica e. que obedece ao critério de todos os seus ulteriores trabalhos. Isto lhes dá uniformidade e monotonia. Rio. 1911. 1947. Os artigos e ensaios sobre CA têm geralmente em comum três elementos que. 1953. 1947. livro enorme e redundante. CA. S. local e . págs. S. Lopes Rodrigues. 1922. Rio. tornados critérios únicos. "CA". C A e sua época. que apresentam os aspectos sociais do poeta. Paulo. Revisão de CA. acentuando o conteúdo da sua mensagem liberal e abolicionista. bastando assinalar alguns poucos: Tito Lívio de Castro. Rio. Há alguns estudos de inspiração política. (ed. Cincinato Melquíades. onde infelizmente a parte sócioeconômica não se entrosa com a literária. acabam por transformar-se em graves defeitos críticos: o invariável torn de exaltação. Paulo. Pedro Calmon. Edison Carneiro. Saraiva. o tratamento retórico do seu liber alismo. José Olympic. mas o panorama do tem po. destacando-se. Vida de CA. S. notadamente marxista. Edição do Grêmio Euclides da Cunha. utilização da obra como documentário psicológico. Euclides da Cunha. apontar algumas características do estilo. num vasto esforço de integração metodológica. Trajetória de CA. digressivo e ralo. Vitória. Questões e Problemas. 1947. o poeta e o poema. bem como as condições do meio. guardando o interesse ainda hoje. 137-156. Aillaud. que focaliza não apenas a sua psicologia e arte. Anuário do Brasil. seguem-se Afrânio Peixoto. Bahia. que traz valiosos pormenores biográficos e aborda pela primeira vez a história dos amores. História de CA. Pongetti. sem menção de editor.. 3 vols. Lisboa. 1942. sobretud o. A primeira biografia sistemática e fundamentada foi a de Xavier Marques.. a romantização da biografia.

e Últimos Harpejos. Rio.De Sílvio Romero consultei Cantos do Fim do Século. Vejam-se os importantes prefácios-manifestos de ambos. "CA". 1851-188O. Sobre a sua poesia. José Olympic. Agripino Grieco. 7-14. 1O5-113. Empreza Gráfica da Revista dos Tribunais. Rio. (Aspectos d a Literatura Brasileira talvez seja. págs. Aspectos da Literatura Brasileira. sobretudo o primeiro.a ed. cap. SR. respectivamente "A poesia de hoje". "CA". 2. Carlos Süssekind de Mendonça. mas traça um quadro breve e sugestivo da arrancada liberal do seu tempo. págs. Paulo.. born ensaio. S. Estudos de Literatura Brasileira. págs. "SR".data. V. cit. 1878. Xavier Marques. págs. Edit. 147-163. Lello & Irmão. págs. Poetas Brasileiros. e Antônio Cândido de Mello e Souza. Pelotas e Porto Alegre. apontando a vocação retórica e a importância da idealização do escravo. Letras Acadêmicas. S. e "Advertência". Comp. 4. 1947. 145-164. 1938. interessa por apontar alguns elementos para estudo da repe rcussão imediata da obra no terreno do abolicionismo. Vivos e Mortos. Paulo. ilustra bem o torn apaixonado dos idolatras do poeta. "CA no decênio de sua morte". 1895. Porto.. José Veríssimo. I § 5). Nacional. aliás. 1943. 47-57. págs. págs. . Carlos Pinto & Cia. 49-54. § II). Sua formação intelectual. sem dúvida o melhor e mais penetrante ensaio sobre o poeta. 1883. "CA". a mais alta coletânea de ensaios críticos das nossas letras). ver: Teixeira Bastos. 1945. Mário de Andrade. Introdução ao método crítico de SR. situando-o por meio de coordenadas precisas e inspiradas. Americ-Edit. Rio. pouco ou nada diz sobre o poeta. II (cit. Tipografia Fluminense. no caso. da parte de um crítico que sabe apreciar o 413 #que há nele de melhor. 162-169. (cap. A morte da águia .

Teixeira Bastos. 93. Filocrítica.. 1883. Consultei na edição original O Matuto. Evaristo R. (cap. consultei LinJia Reta. cit. cit. e critério estético: Franklin Távora Não consegui Os índios do Jaguaribe e A casa de palha. 9O-96.II págrs. Poesias Completas. 477 e 537. Rio. págs. Garnier. cit. 1878. Rio. págs. é necessário ler as Cartas a Cincinato. . Rio. Consultei em "novas edições" Garnier: Um casamento no arrabalde. Vergastas e Visões do Abismo. Tip. 135-147. I. 1881. vol. págs. Estilhaços (edição definitiva). 5. Rio. da Costa. 2 vols. péssimo poeta. Rio. 2. 1885 e Visões de Hoje. Recife.. Ele próprio expôs e defendeu a sua concepção em A Poesia Científica escôrço de um livro futu ro. .A CORTE E A PROVÍNCIA 1. História da Faculdade de Direito do Recife. V. s.A poesia política de Lúcio de Mendonça se encontra principalmente em Alvoradas. Recife. Poetas Brasileiros.De Matias Carvalho. Lourenço. O Cabeleira. 89-1O4. 19O2. 377. Francisco Alves. (cap. O regionalismo como programa. 27-34. 236. folheto que não obtive. "A Poesia Científica". II. aqui posto como índice dos aspectos mais radicais da poesia política. 45. Para o conhecimento da personalidade literária.Consultei. Sobre ele: Clóvis Bevilacqua. Artur Orlan do. Tipografia Industrial Recife. 1927. págs. Garnier. 169. 19O2. 2O. onde explica a sua concepção de romance. ainda n ão editado em volume. O Sacrifício. reunidos com os demais livros nos Murmúrios e Clamores. Tipografia Industrial. Perseverança. ao 414 que eu saiba. 19O3. Romance de passagem Serviram-me de apoio as excelentes considerações de Lúcia MiguelPereira. § 3). págs. em RB (2). "IMJ". 1883. 3O5.. de Martins Júnior. V § 1). CAPÍTULO VII .. d. Prosa de Ficção. e . dá boas indicações sobre as influências. 19O2.

e Prosa de Ficção. n. . n.a ed . 2 vols. Da Melhoramentos consultei: Inocência. (cap. Para o estudo da provável influência de Alexandre Herculano sobre certos aspectos das "crônicas pernambucanas". que traz na verdade apenas o drama Um mistério na fa mília. págs. RdB (3). brasileira. 1881. Drummond. Melhoramentos de S.a ed. RB (2 ). permanecendo contudo algumas em edições originais. qualificando-a muito bem de "uma ilusão de bairrista e romântico". José Veríssimo. 192O. 188O. 2. 27-34 e 39-46. Ver ainda Clóvis Bevilacqua. não estuda a obra em si.. pouco há sobre FT. Lisboa. l. Histórias Brasileiras. Francisco Alves. 19O7. V. 1. Bertrand. § 1). págs. Além das obras gerais. págs. mas apenas a sua concepção de autonomia literária regional. foram em grande número editadas pela Cia.° vol. vo ltada para os fastos da sua região: "Os Patriotas de 1817 . cit.: O Monge de Cister. l. 2 vols. 49-21O ("Arras por foro de Espanha"). 1874..Uma sessão do governo provisório" e "As obras de Frei Caneca" (esta.também os fragmentos publicados de estudos históricos. onde evidencia a curiosidade documentária. 461-473. págs. Ouro sobre. mulher (inicialmente Lágrimas do Coração). azul. 12-52.. págs. 1858. Rio. Estudos de Literatura Brasileira. Baltazar Martins Franklin Távora. págs. 86-96. f. RABL.a ed. Recentes e recomendáveis são. com bio-bibliografia por seu filho. IV.. 19OO s. 1871. V... 5. 37-66 e VIII. e não apenas as de ficção.° 35. cp. l.a ed. Paulo. respectivamente IV. "Três romancistas regionalistas". 129-14O. convindo citar inicialmente Excertos das principais obras de FT.. 2. Manuscrito de uma. que analisa e combate. 19O5. de Lúcia Miguel-Pereira. com a menção "continua" e a nota: "faz parte de um livro inédito intitulado A Constituinte e a Revolução de 1824"). "FT e a literatura do Norte". 19OO. "FT". 3. A sensibilidade e o born senso do Visconde de Taunay As obras de T.° 9. Consultei da Garnier: A mocidade de Trajano. Lendas e Narrativas. Rio. págs.a ed.a ed..

a ed. "T e a Inocência". 3.a ed. ao impacto deste.a ed..). O Eneilhamento. Dos ensaios. é u m born estudo. Faz falta.. Leuzinger. 187-2O6. s. Brasileiros e Estrangeiros (s. 4. Outros estudos de Literatura Contemporânea. de capital importância. d. Sílvio Romero.a ed. d. onde se percebe uma posição de r omântico desconfiado ante o naturalismo e pendendo. pelo menos Céus e terras do Brasil. A Retirada da Laguna e Visões do Sertão. 1889. págs. tanto biográfico quanto crítico. retificar a birra anterior.. s... José Veríssimo. consultem-se. Estudos de Literatura Brasileira. Paulo. l. 7. Lajouane.. para um realismo mitigado. Citei ainda Questões de Imigração. Melhoramentos. acentuando o . assinala a diferença qualitativa entre Inocência e as outras obras e o fácil temperamento literário. 1922. d. hoje divididos (os literários e os lingüísticos) nos dois volumes Filologia e Crítica (1921). e devem ser lidas como introdução à sua arte literária. págs.a ed . d. ed. 265-277. sobre ele. Buenos Aires. artigos e trechos de livros. Outro elemento valioso para o mesmo objetivo são os estudos críticos. excluídas sempre 415 #as obras gerais: Martin Garcia Merou. ed. s. que aponta. um estudo amplo. apontando a qualidade própria do "brasileirismo" de T. serenamente. II. S. respectivamente: 5. Rio. s. caps. Os documentos pessoais.. alguns aspectos capitais. A Editora. onde o grande crítico procurou... d. 19OO.18.a ed. 1948. 1922. Lisboa. Instituto Progresso Editorial. "O visconde de T (o homem de letras)". se encontram agora reunidos e completados nas Memórias. Das suas obras sobre a guerra e o sertão foram aqui citadas. El Brasil Intelectual. Melhoramentos. que sempre existiu como componente da sua personalidade literária. XIII a XVI. 19O5. apresentação descritiva e invariavelmente laudatória. No Declínio. porém.

I. de S". etc. I-LXI. "La Retraite de Laguna". § 2). no conjunto. S.. francesa de André Babe lon. cap. (§ anterior). caps. 2 vols.senso da natureza e a familiaridade com o interior do país. 5. Mme de S. V § 2). cap. I e II. VI. Yale University Press.a ed. RB (2). com referência sobretudo às personalidades.A. "La vie et 1"oeuvre de Mme. cit.. Eine Geistesgeschichte in Lebensbildern. New Haven. Paris. Didot. (cap.A CONSCIÊNCIA LITERÁRIA 1. Blutezeit der Romantik. I. Schlegel. Recentemente. mencionem-se: Olívio M ontenegro.. Livro I. vol. mais didático é Emil Ermatinger. Sobre ele. De Ia littérature considerée dans ses rapports avee lea institutions societies. A History of Modern Criticism: 175O-195O.. Nouvelle Edition. . I.Mme. 2 vols. caps. AthenáumVerlag. utilizei alguns textos e comentadores abaixo discriminados: . o grupo Frederico-Guilh erme-Carolina. publicados. Cours de Littérature Dramatique. págs. mas sobretudo Lúcia Miguel-Pereira. A título complementar. Pages choisies. Sobre a sua contribuição crítica: Albert So rel. 1874. ver a resenha de Franklin Távora. 1949. etc. . como registro da opinião elogiosa de um confrade exigente. de Staél. II. Dos atuais. Deutsche Dichter. 77-8O. s. Raízes da crítica romântica Para o estudo dos grandes teóricos do Romantismo que influíram direta ou indiretamente na formação das idéias críticas dos românticos brasileiros. d. e Prosa de Ficção. idem. cit. Paris 1933. O romance brasileiro. havendo trad. De I"Allemagne. Oeuvres Completes. II. Colin. vol. 5. Paris.° e 2. 1929. Bonn. Hachette. (cap. págs.. 2 vols. 27-39. Paris. f. W. cit.°. págs. II. Rocheblave. cit. (cap. bem como a de Frederico. apareceu um excelente estudo da sua posição pessoal na história da crítica.. Em ambos vêm estudados. s. 1. 17OO-19OO.. Gamier. CAPÍTULO VIII . 1932. Die Romantik. muito mais importante: René Welleck. "Três romancistas regionalistas". 1955. § 2). há uma análise penetrante em Ricarda Huch. Grasset.

Gamier. etc. Louis Janet. d. vol. a de Sainte-Beuve. de S". From these roots. reproduzida em Antônio Simões dos Reis. I. págs. ver os livros franceses citados no cap.. Mary Colum. cap.. f. l. e em alguns pontos explícita. . Oeuvres. nunca reeditada: Resume de 1"histoire littéraire du Portugal suivi du Resume de 1"histoire littéraire du Brésil. 2 vols. s. apesar das deformações psicológicas. Paris. 1947. notadamente os de Pierre Moreau e Edmond Eggli. Sobre ele. 1949. "FD. Tanto para ele quanto para Mme. ver Sainte-Beuve. Lecointe et Durey. cap. acentuadas as relações com o Brasil. § 2. Para o estudo da sua posição no Pré-romantismo..a parte. Press. Scenes de la nature sous les tropiques". Portraits de Femmcs. s. IV. Pléiade. e em André Monglond. Pléiade. 36 e 49. págs. etc. A aplicação do naturismo pré-romântico à visão do Brasil vem difusa. Veja-se também o citado cap. René Welleck. cit. I. 1944. foi feita por Escragnolle Doria.. a obra crítica fundamental continua sendo. págs. ob. Oeuvres. em Premiers Lundis.. de Sainte-Beuve sobre Chateaubriand. N. 8. RIHGB. 1O58-1133. 8.Chateaubriand. 2 vols. nas Sce nes de la Nature sous les Tropiques. 2. Paris. onde estuda as origens alemãs das suas idéias. (1928?). 1824. 1949.° do livro de Welleck. Paris. Columbia Univ. Aliem. Paris. cit. págs. York. A sua b iografia. Paris. Lê Génie du Christianismc. ed.. 64-71 e 272. 416 Quanto a Ferdinand Denis. c . e "André lê Voyageur". vol. M. 219-23O. Tomo I . Arthaud. págs. "Mme. LXXV. A fiel amizade por Senancour vem referida na obra cit. 288.°. vol. Lê Journal Intime d"Oberman. Bibliografia da História da Literatura Brasileira de Sílvio Romero.. Didot. "Um amigo do Brasil". etc. Paris. Grenôble. de S.Sainte-Beuve. C et son groupe littéraire sous 1"Empire.°. eis a referência completa da sua obra. 1951. 1825.

§ 1). 155-24O. II. Paris. 5-17. 271 ss. Gomes de Amorim. Mosaico Poético. 241-272 . RP. "Introdução".O "Bosquejo da história da poesia e língua portuguesa". "Epístola". conforme nota da Redação. A teoria da literatura brasileira Textos consultados: Francisco Bernardino Ribeiro. 273-3O4. págs. 1843. RP. 286 s.it. in. ainda O Cronista. N. 7-23. "Suspiros Poéticos e Saudades por D. vol. Obras Completas.. II. IV. págs. "Da nacionalidade da literatura brasileira". Álvares de Azevedo. cit. I. V. vol. 1826. págs. (cap. Memórias Biográficas. cit. Rio. 153-163 e 2O1-2O8. de Garrett. (cap. "Da tendência dos selvagens para a poesia". págs. 214-243. "Literatura e civilização em Portugal". em colab. II. "Estudos sobre a literatura". saiu como introdução anônima do Parnaso Lusitano. II. págs. 1O3-1O9. RP. Adet. G. II. § 1). 7-45. vol . cit. (cap. págs. 246-256. págs. in. Santiago Nunes Ribeir o. págs. IV. II. (cap. págs. VII-LXVII. (esta é a ordem lógica.. Joaquim Norberto. cit. "Discurso sobre a história da literatura no Brasil". 2O1-2O8.Foram mencionados: Jamil Almansur Haddad. 287-3O3. VI. de Magalhaens". s. 1836. § 3). com E. § 2). Garrett. 1836. págs. XVI. págs. "Da Inspiração". § 2). "Os indígenas do Brasil perante a história". "Introdução". págs. FPB. Opúsculos. pág. págs. págs. IX. II. págs. Magalhães. in. págs. 1844. págs.. I. "Da catequese e instrução dos selvagens pelos jesuítas". (cap. etc. Revisão de Castro Alves. 113-126.. I.. 21-55. 261-269. 1O5112. etc. "Filosofia da religião". cit. Berthe e Haring. PB (2). 16O-173 e 193-2OO. Tôrres-Homem. "Bosquejo da história da poesia brasileira". Pereira da Silva. 2. "Introdução histórica sobre a literatura brasileira". na mesma obra há bibliografia minuciosa. ed. . (cap. págs. RP. "Originalidade da literatura brasileira". VII. I. v. RP. págs. 343-357. RP. Homero Pires. 357- 364. XVI. 261). cit. 153-163. § 3). 93-95. Aillaud. J. N. . "Nacionalidade da literatura brasileira". MB. VI.

cit. O Dr. 1866". 4O-49. "STH". 391. vo!.. FBR". 1853. págs. RIHGB.. 417 #Sobre Magalhães. § 2) . Paris. vol. há um belo estudo do Visconde de Taunay. n. P. etc. S. Almeida Nogueira. da Silva. 1845. 321-387. Sotero dos Reis no instituto de humanidades do Maranhão. 6. 513-514. cit. ver cap. II. IV. Hachette. Sobre Santiago Nunes: Porto-Alegre. V. que reputo da autoria provável de Santiago Nunes Ribeiro. § 2. de 1868. cit. 3O7-318. Panteon Maranhense. § 6). Leçons de Réthorique et de Belles-Lettres. II.°s 164. acima relação das obras gerais. Sobre Norberto.°. Sobre P. _1844. XV. 1864. Crítica Retórica Obras citadas: Lafayette Rodrigues Pereira. 556558. págs. págs. pág. Hugh Blair. II. Lições Elementares de Literatura expostas sob o ponto de vista cristão. (c . além das obras gerais: Sobre Francisco Bernardino: Anônimo. Alguns estudos a respeito destes críticos. v. 3. Tradições e Reminisc ências. "Biografia.Curso de Literatura portuguesa e brasileira pelo Sr. 2 vols. Paulo.. Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. 165 e 166.e edition. 33-8O. etc. Sinopses de Eloqüência e Poética Nacional. Elementos de Ret órica Nacional. Frei João José de de Montefiore. F. MB. II. ver cap. § 4. nada além das obras gerais. págs. Sobre Torres Homem. I. consultei a reprodução em apêndice a Antônio Henriques Leal. Imparcial. págs. etc. "Literatura . Reminiscências. Diário do Povo. 3. (cap. Tip. (cap. "Discurso". I. (cap. 2. Rio. Quénot. Manoel da Costa Honorato. § 3). § 5).°. 19O9.. trad. par J. Junqueira Freire. (cap. cit.

As coletâneas biográficas são: de Pereira da Silva.a ed. 18351841. Parnaso Brasileiro. 2. contendo as biografias de muitos deles. 1895.. 2 vols.. de Varnhagen). 1843-1848. ou Coleção das melhores poesias dos poetas do Brasil. Postilas de Retórica e Poética. De Antônio Joaquim de Melo: Biografias de alguns poetas e homens ilustres da Província de Pernambuco... 1831. A. Rio.. para a sua empreza.a ed.. Rio. Imperial e Nacional. Laemmert. divididos em 8 cadernos com folhas de rosto independentes. (F. muito aumentada e correta. 3 vols. e Biografia de José da Natividade Saldanha. tudo precedido de um Ensaio His tórico sobre as Letras no Brasil. 1847. 2. 1829-1831. Franck e Guillaumin. Universal.ap.°. 1856-1858. Rio.a ed. 1885. A formação do cânon literário . Os varões ilustres do Brasil durante os tempos coloniais. 3 vols. ou Seleção de Poesias dos melhores poetas brasileiro desde o descobrimento do Brasil precedida de uma Introdução Histórica e Biográfica sobre a Literatura Brasileira. datadas respectivamente: 1. Recife. 418 .° volume . 1858. àquele tempo. 1946. 2 vols. M.1. Parnaso Brasileiro. Paris. Paris. Rio.5. Crapelet. 2 vols. tanto inéditas como já impressas. 1868. C. 3. Figueroa Faria & Filhos. 1829... Florilégio da Poesia Brasileira.. 2. 183O. Rio.a ed..As referidas coletâneas de poesias são: (Januário da Cunha Barbosa). Garnier. ou Coleção das mais notáveis composições dos poetas brasileiros falecidos. Tip. I.° volume . Viés dês hommes et femmes ilustres de la France.°. Laemmert. Garnier. J. Plutarco Brasileiro.° a 4. Tip. É provável que PS se haja inspirado. 4. Academia Brasileira. Fernandes Pinheiro. 2 vols. . Idem. Pereira da Silva. 2 vols. escritor francês apreciado e citado no Brasil.°. avec leurs port raits en pied.° a 8. § 3) . Rio.. organizado e publicado por Édouard Mennecht. 3. no repertório biográfico Lê Plutarque Français. 8 vols. 2.

4 vols. Curso de Literatura Portuguesa e Brasileira. Ensaios biográficos dos maranhenses ilustres já falecidos. 119-183 e a nota n. Gonçalves Dias. segundo SB.°s 4-5. págs. S.. Finalmente. "Ensaios de Análise Crítica. Rio. 386391. Monte Alverne. "Cantos da Solidão (Impressões de leitura)". Tendo sido empastelada em 193O a redação do Correio P aulistano. de Lafayette. 1866-1873.. "Considerações sobre a atualidade da nossa literatura". Ano Biográfico Brasileiro. Departamento de Cultura. v.) no Instituto de Humanidades da Província do Maranhão. S.°s 3-4. n. págs. 553-574. VIII. 391. Em RP: "Notícia histórica sobre alguns escritores. Cantos nacionais coligidos e publicados por AJMS. A Crítica Literária no Brasil. Leal.Cantos da Solidão" etc. págs. Os autores brasileiros aí estudados são: Durão. Paulo. Imprensa Nacional. perderam-se as coleções antigas. A crítica viva . 391397. págs. págs.Inspirações do Claustro" etc. vê-se que tencionava publicar um volume . vol..° 2. 5. pág. n. 1859. Curso Elementar de Literatura Nacional (1862) e Resumo de história literária (1872). I.. Sousa Caldas.I . . Basílio. Antônio Henriques Leal e João Francisco Lisboa.°s 1-2. Paulo. 363-369 e n. in. . n. Odorico Mendes. "Da crítica brasileira".De Macedo Soares pude consultar: em E AP. "Ensaios de an álise crítica . entre as quais a do ano de 1858. H. não a encontrei também nas Bibliotecas Públicas. Lisboa. na relação das obras gerais. Maranhão. 23 ss. a indicação dos livros de Fernandes Pinheiro. n.Citei: Wilson Martins. poetas e artistas a cadêmicos". Sobre ele.. Instituto Artístico. De Sotero dos Reis. etc. Marquês de Maricá.Quanto às tentativas de história. em que manteve um folhetim dominical.De Antônio Henriques Leal. 1952. De Joaquim Manuel de Macedo. 1857.°s 3-4. 5 vols. professado (. 513-524. págs..°s 1-2. 1876.in . A. Panteon Maranhense. pág. 272-277. 3 vols. Panteon. pág.. págs. 1859. 376 ss. .. Pela nota de um dos seus artigos. 18731875.. além do citado art. o prefácio às Harmonias Brasileiras.. II.

"A Moreninha. "Discurso pronunciado na sessão da instalação da Sociedade Ensaio Filosófico". etc. n.. vol. Homero Pires. 185-189.° 2. Ciências e Letras da Universid ade de S. no cap. 276-32O. da Veiga. págs. ed. Rio. um trecho. José Olympio. 1862.Dirceu de Marília. sobre o tolo pastiche do organizador . (cap. II. I há. segundo L. págs. 1951. Ill. reúne todo o material da famosa questão literária. págs.denominado Ensaios de Análise Crítica. cit. Obras Completas. Cartas sobre a Confederação dos Tamoios. (cap. Não encontrei a revista Nova Minerva.. idem. vol. F. 267-282. § 1). Consultei Os Filhos de Tupã em RABL. idem. 2 vols. 1953. Sonhos d"Ouro. Dutra e Melo. Rio. 29-38.José de Alencar. cit. "Bênção Paterna".. Manuel de Araújo Pôrto-Alegre. 25O275. Faculdade de Filosofia. Paulo.° l. F. 241-249. págs. l. por Ig.° 3. mas pode-se ver dele. "Carta sobre a atualidade do teatro entre nós". II. ed. em Marília de Dirceu. . D. por Joaquim Manoel de Macedo". § 4). 1856. Jaguaribe". Pedro II e outros. . Iracema. n. 176-182.Algumas reflexões a propósito da nova edição da Marília de Dirceu". págs. Tipografia e Litografia Imparcial. 388-391. vol.°. n. 183-2O5. págs. "Discurso recitado no dia 11 de agosto de 1849" etc. 399415. 5-25.. 6-18. etc.A.. observações políticas e literárias escritas por vários e coordenadas por Lúcio Quinto Cincinato. I. "Prefácio" d"O Conde Lopo. coligidas e precedidas de uma introdução por José Aderaldo Castelo. "Literatura e Civilização em Portugal". Garnier. e também 419 #o "Pós-escrito". "Jacques Rolla". II. 413-426. Rio. Cinci- . Norberto. 416-427. . A Polêmica sobre "A Confederação dos Tamoios". aliás decepcionante.Álvares de Azevedo. "Carta ao Dr. I. 323-387. Empresa Tipográfica Nacional do Diário. 1871. "Lucano". Questões do Dia. cit. Críticas de José de Alencar. respectivamente págs. § 4) "um extenso artigo intitulado Bibliograf ia . págs. Rio. "George Sand". (art. em cujo vol. . I.(José Feliciano de Castilho). Tomo I.

Casimiro de . 61. Marques de .347. 41. 4O. Estudos críticos de Semprônio sobre o Gaúcho e a Iracema. . 149. 49. 4O5.Citou-se. provavelmente também autor da maioria dos artigos assinados com outros nomes latinos.a edição (devendo-se entender que a l. cit. num estudo anterior: Antônio Cândido de Mello e Souza. págs.4OO. 256. 376. 13-44. que traz a menção de 2. 349. 1937 págs. 417. . 247. 159. "Instinto de Nacionalidade". 1942OO. de Medeiros.375.nato era o pseudônimo de Castilho. (cap. Fritz . § 4). Introdução ao método crítico de Sílvio Romero. J. 125-146. finalmente: Machado de Assis. logo a seguir juntou-as em volume. 398. 387. Rio. 42O ÍNDICE DE NOMES ABREU. "A crítica préromeriana e o Modernismo".47. obras de Sênio (J. 179. 269. . 153. 2O4. 2. . 334. ADDISON . Jackson. 246. J. ABREU. ABREU. 387. VI. Capistrano de .Alguns pontos de vista e dados deste capítulo se encontram. em forma diversa. Emílio . ACKERMANN.As cartas de Távora saíram nos Tomos I e II da referida publicação. 4O7-4O8.a ed. 151. 1872. 245. 395. 252. 352. com extratos de cartas de Cincinato e notas do autor. J. Crítica Literária. 4O8. ADET.18.a é a publicação periódica): Cartas a Cincinato. 249. 2O1. 348. W.24. de Alencar). 375-376. Pernambuco.

214. 198. ALVES. 117. 361-367. 118. 134. 42. 231. 23O.416. 138. 325.1O4. 81. 213. 22O-233. 152. 319. ALVES. 4O4. 31O.152n. 4O4. 234.267. 11O. 419-42O. 315. 398. 3O4. 4O9. 295. 166.39O. 373. ALMEIDA. ALMEIDA. 211. 216. 239. Renato . 388. 314. 18.378. 24. ALFIERI . 349. 298. 4O3.22.ALENCAR. 132. José de .286. 256. 54n. Silva . 296. 313. 34. Guilherme de . 387. 114. 378-379.16. Moacir de . 342. 118.377. ALLEM. 117.377. 33. 152.378. Castro .381. ALVARENGA. 87. 211. Antônio de . 215219. 123. ALMEIDA. ALEXANDRE II . 295. 111. ALMEIDA.14. ALMEIDA. 84. ALENCAR. 35. 4O9-41O. Manuel Antônio de 113. Maria Afra de . 19. Maurice . 2O2. 369. 41O-411. 145. 212. 4O3. . 385. Antônio J. Ana J. Senador . 113. 352. de . ALMEIDA. 399. 377-378. 274. 3O1. 34. 3O3. ALENCAR. 36. .

161. 284. 382. ALVES. ARINOS. 4O. 245. De Paranhos . 187. 4O4. Mário de . AMARAL.212. Narcisa . Tupac . AMAT. 414.49.64. 2O72O8. 326. 249.2O2. Sousa . 38O. ANDRADE.4O1. 228. 417. Constâncio . AMARU. 184. Pizarro e . 4O8. 381. 82. 413414. 252.214. Emilia de . 4O9. de . AMÁLIA.4O6. 217. 39. Gomes de . 4O8. 324.152. ANDRADE. 185. 18O. Afonso . 288. 95. 39O. ARAÚJO.19.4O8. 191n. 168. Carlos Drummond 4O1. 29O. 395. 412. 4O9. Amadeu . 98. 258. 41. 3O3.25O. 153. ANCHIETA . ARAÚJO. Augusto dos . 29O. 4O6. 131. ANDRADE.25. 264-266. 285. ARAÜJO.38O. 397.38. 4OO. 252. José . 377. ANDRADE. AMORIM. 2O3. 41O. ANACREONTE . 155. Jorge . 248. F. 267-283. 25O.329. de Oliveira . 253. Goulart de .37O. 26O. 413. ANDRADE. 178. 2O3. Maciel do . 411. AMARAL. 42. AMADO. . Francisco J. AMORA. ARARIPE JÚNIOR . 196. Azevedo . 199. ANTUNES. 4O4.4O8. AMARAL. 4O9.68. 195.21. L.392. ANJOS. Antônio Soares . 383.115. 83. 287.35O. Gomes Freire de 133. A. ARIOSTO . 286. ANDRADE. 326n.2O5.4OO.

Álvares de . 42. 66. 393. 245. 71. 1O2. AZEREDO. 42O. 256. 376. 3O6.21. 23O. 412. 14. 35. 4O5. Domingos Caldas 388. 419. 163. 136. 4O4. 58. Machado de . 392. 117. 325. 355n. 267. 357-36O. 382-383.15. 315. BARBOSA. 385. 349. 211. 231. 339. Manuel . BARBOSA. 215. Torres . 219. 4O9. 151. 233. 397. 4O6-4O7. AZEVEDO. 277. 348. 297. 39O. 16.11O. 149. 121. 4OO. 356. 194. 394. 384. 41O. 263. 137. 387. 386. 117. 3O2. 338. 352. Álvares de 374. 252. 257. 341-342. 136. 2O1. 82. BALZAC . 114. 24. 241. 145. BANDEIRA. 159. 418. AZEVEDO. 81.25. 28.17. 1O5. 378. 113.114. 178-193. B BABELON. M.411. 17O. 116. 315.421 #ASSIS. 213. 22O. 395. 259. 152. 2O2. . Januário da Cunha 12. 195. I. 2O6. Magalhães de . 417. André . 234. 345. 367368. 356. 249. 4O9. 175. 295. 128. 254-255. 4O1. AZEVEDO. 4O1. 98.416. 238. 356. 4O7. 222. 4O1. 4O4. 259. 4O. Aluísio . 197. 411. BANDEIRA. 374-375.

BREMOND. 4O9. João de . 161. BARRETO. Rozendo Moniz . 325. 36O.121. CALDAS. BARRETO FILHO . Padre . M. BÉRANGER .369. 168. 26O. BARD . Gomes . Albert 397.BARBOSA. 247. 33. 93.391. Henri . 377. 381.247. 42. BARRETO.136. BOILEAU. BONIFÁCIO.396. Rui . 2O6-2O7. Teófilo . 154. Mariana de . Nilo . 381. 66. BONIFÁCIO O MOÇO.188. 2O2. 62. José 164. CADALSO . BYRON . 25O. BASTOS. 414. J. 391. BLAIR.16. 18. BARROS.353. BARRETO. João . Paula . 41. 329. 254. 359. Vincenzo . BELLORINI. 252. Alves .176. 382.388. 397. 382. 35. Teixeira . E. 151. CABRAL. 61. 398.285. 415.349. 126. 285. 41O. 152. 4O4. 4O1.411.36.37. BILAC. 336. BLAKE. BARRETO. 381-382.48. BOIARDO. BRANCO. 251. 399. Sacramento . 4O4. A. BELLINI. 372. J. BORGES.66. BURDEAU . Vale . BROCA. BEVILACQUA. 59. 24.396.36O. BOCAGE . 388. . 57.342. Melo . 419. 1O3.297. 354.381. 381. BRAGA.35. 396. Clóvis .82n. 27O. BRAGA. J. 399. Hugh . O.414. 1O4. 342.34.32. BARRETO.121.163. 4O3. Domingos Borges de 11.43. Abílio César . 412. Paul .345-346. 192. 397. 252. BRAGA.381. BEGUIN.9O. De . Tobias .121. BAUDELAIRE . . H. Moniz . Jerônimo . de Almeida . BRAGA.4O. Pereira .393. . 393. 4O1. Olavo . M.12.217. Roger 391. BASTIDE. BOSCH. BARROS. 82. CAETANO. 156. BOURGET. . José . BRUZZI. 418. 6O. 354.377. 248.249. BERTHET .4O7. 412. BARROS. 247. Lima . G. 179. 61. Francisco F. 188-189. 161. 341.4O5. Brito . BRITO. BONALD.

CARVALHO. 383. 337. CASTILHO. 35O. de Oliveira . Pereira de 374. A. 395. Aderaldo . CASTILHO.284. CARVALHO.285n. CAMINHA. Feliciano de . 352n. 336. S. CÂNDIDO. 122. Amorim de 397. CARVALHO.39.381. 319.37. Feliciano de .251. 397. 16. 412. 89. CÂMARA. 397. . A. J. Edgard . 384.413.11. 397. 56. . 289. de . Francisco J.32O. A. 4O1. Bispo . 12. L. 41O.149. da Silva . 388. Otto M. CARPEAUX. CASTRO. 88. 282. CASTRO. CARDIM. 129. 411. 354. 199. 414. de 377. Ronald de . CASTELO. CAMPOS FILHO. CAMMARANO.37. Matias . 396.382. 351. CALZABIGI. Adolfo . 419. CASTRO. CANECA. CASTANHEDA. 39.4O6.134. J.382.4O1. Tito Lívio de . 1O4. CARNEIRO.39. CALMON. 334. Eugênia . 399. 255. 392. 414. Clélia B. CALDERON .342. CARVALHO. 319.413. 4O5. 413. Gama e .117. 342. R. 4O2. 333. J. Frei . Sousa .277. 338. E. 4O. 327. Alfredo de . . 285.399. 381 CAMARÃO.258n. . CARVALHO. Narcisa Inácia de . CASTELO-BRANCO. 287.1O2. 42O. Fernão . 422 CAMPOS. CAVALHEIRO.345. 24.364. Francisco Freire de . Vicente de .264. 339. CARVALHO. F. 41. 354. CAMÕES . Luís da Câmara . F. 42O. CASTRO. J. 29O. de S. Sales . 16O. CARVALHO. de . 373 CARVALHO. Pedro . 415. 264. Edson . 42O. 338.34O.35. CALDAS. 59. Antônio .89n.361n.391. CAMPOS. CATULO . Severino de M.411.336. 325. 393. CASCUDO.

84. C. M. Alphonse .247.121. DAVID.51. J. Pereira .68. 413. 6O. Roberto Alvim . 387. V.369. F.12O. B. COLUM. 325. 63. COELHO. CORREIA.392. Pinheiro . 43.13.121.11. Raimundo . COUTINHO.152. COSTA.325.374. da . 22O. COARACI. . 81.5O. COUTINHO.CAXIAS. Furtado . 335.399. 324.4O4. 22O.393. COSTA. Afrânio .326. 156. . Pedro de M. Rezende . CONCEIÇÃO. . 321. 3O8. 349. CHAVES. COSTA. COSTA. COMTE. CORDEIRO. 339. 4O9. 319. 289. 18. CHAGAS. COSTA. Benigna C. Jorge de Albuquerque 351. COLOMBO . Fenimore . Pereira da . DEBRET . 121n. 366. da . CORREIA. D DANTE . . Pinto . Dilermando .113. Euclides da . 412. 337. 116. CHATEAUBRIAND . CUNHA. COELHO NETO .72. 313. 377. A. Salvador . J. Maria Teresa .212. DAVID . CORREIA. N. J. 367. de Azeredo . COELHO. 59. 299. CROISET . Bezerra . 326. COOPER. Duque de . DELAVIGNE.388. da 373 CONCEIÇÃO.315. Augusto . 113.4O8.99.34.11O. 338.392. e M. 214. 122n. Batista .328. 322. 416. 37O.4O1. COUTINHO. 3O7. 121. Jacques .416. Regueira . COELHO. CHEVALIER . Visconti . Luísa M. COUTINHO. 4O6. C. Cláudio M. DAUDET.24. 363. 229. 5O.63. CEPELOS. CRUZ. Mary .4O5. 3OO. 369. 4O2.396.349. 337. J. 3O8. .351.

258. 178. 111. 263. J. 1O2. DUTRA.298. 329. 116. 333. DUMAS PAI. Gabriela d" - . 356. DÓRIA.11. 417. 2O1. 56.2O2. 419. 223. 68. 18O. George . 273. ELÍSIO. A. 398. DUCLERC . 325. 284. EGGLI. 3O2. 333. Santa-Rita . 2O6. 58.215. 349. 12. 38. 385. 13. 187. 2O.396. 156. 52-53. 212. 171. 4O9. DICKENS . 336. 326. 155. 22O.315. Dom . DURÃO. 389. .417. 371-372.121. DUGUAY-TROUIN . 327. DORAT . Ferdinand . 73. 267. 136. 1O5. 121. 352. Emerenciana . 388. 152. 126. . 2O4-2O5.397. DUTRA. 283. 197. ELLIS JUNIOR. 341. 387. 35. 354.11. 349. 363. 51. Antônia R. 129. G. 276. 416. Menezes . 221. Alfredo .386. 34.133. 419. E. J. 16.16. 252. 338. 4O5. 355. 324. 34. Escragnolle . 331. 18. 3O8.397. . DIAS.14. 75. Edmond . Gonçalves . DÓRIA. E EASTMAN . DINIZ I. 247. Francis . 341. Menezes . 47.416. 21. ESCRAGNOLLE. 346.41. 195. DUMONT. 14. 19. 18. 15O. 48. Luís .376. 37O.251. 12.371. 24. 8196. Alexandre .11O. 373. 376. 2O2.133. 39-4O. 321-325. 4O4.397.DELFINO. 423 #DONIZETTI. DÓRIA. Águeda C. 13. DENIS. 245. . 4OO-4O1. 151. ELIOT.63.152. DORCHAIN. 256. DÓRIA. 81. 153. Franklin . Felinto . DOSTOIEVSKI . I. ERMATINGER. 319. 342.376. 124.

FLORA. H. . FLAUBERT . FORSTER. Pires . Lourença V. ESPÍRITO-SANTO. FREYRE. 397. J.36n.264. FERREIRA. 395. FARIA. 149.121. ESPRONCEDA . 37.384. Juvenal . 344. J. de Sá . 197. FERREIRA. Junqueira . FERREIRA. 154.66.412. 15O. GALVÃO. FIGUEI REDO. FREIRE. . 4O4.374. Jango . Gilberto . FRANKLIN . GALENO. . 76. EU.3O2. Leal . 4O3.15On. 155. 83. M.377. 277. P. O. Antônio . L. 397. 4O8. 357. FISCHER. . 346.345. Félix . 314.384. D. Alberto . Conde d" . 418.126. Alcides . 298. 4O3.391. E. 374. Arturo . ESQUILO . M. 4O4. 345. FLÁVIO. 4O1. FIGUEIREDO .143. FERREIRA. 3O1. 179.372.83.354.4O9. FEUILLET. de .116. 398. FIELDING. FARINELLI. 155-161. 196.217. 59. Francisco José . 195.315. 4O5. 194. 267. 352. Fidelino de . 397. FREIRE. Fonseca . O. 151. Ana C. 349. Vicência 371. GALVÃO. N. 396. . do 382.393. FÉVAL. 411. 356. FOSCOLO .58. GALVÃO.35.53. FREIRE.36. V.26.299. 163. Francesco .

387. 95. 35. 341. 392.324. 322. GUIMARÃES. 137. 18. GUIMARAENS. 81. Bernardo . 419. 325. Daniel . 411. 17O. 319.29. 1O4. Correia . 339. Trajano . 359. GUARANÁ. 41. 329. 1O5. 325.28. 325-327. 388. 111. 331. 114. GONZAGA. 87. 56. GAMA. Tomás A. 398. GONÇALVES.393. 138. . 48. 413. 354. 377.372. 63.121. 264. .56.12.27O. 59. Armindo . Argeu . GUICCIOLI. 59. 155. 62. 4OO. Basílio da . 397. 2O. GRIECO. GONZALÈS . 171. 417. 121.GALVÃO. 4O9. 349. 2O3. 298. Manuel . 333. 82. 69. 333. 68. Teresa .325. 19. 349. 28. 34. 338. 39. GARÇÃO. 319. 396. 333. 88. 157. 35O. 38.17. GOETHE . 352.2O2. 113. 13. 336. 337. 155. Alphonsus de 36. Agripino . 387. 3O-32. GUIMARÃES. GAVET.39O.393. GAVET e BOUCHER .12. 131. GARRETT .

7O. 272.298. 339. HOLANDA. 355n. H. GUIMARÃES.1O2. 376. 412. 4O5-4O6. GUIMARÃES. 194. 214. 296. 375. Alexandre . 4O9. 36O. 4O1. 346. 279. 52. 278. 321. 397. GUIMARÃES JÚNIOR. 19O. 151. HERCULANO. G. 382. HOLANDA.37. 4O5. 278. 247. HUGO. Pinheiro. HORÁCIO .268. 275. 252-253. 4O1. 295.397. 238. 22O. da Costa . 4OO. 251. HOFFMANN . 234-241.285. 169-177. 397. 3O7.323.13. HEINE.188. 397. 338. 398. Otaviano .3O. J. HUNT.149. 417. 4O4. 156. 248. 155. Luís 164.321. 11O. 29O.74. 263. . 57. 374. 163. 424 379-38O. Jamil A. 284.3O. 11O. 413. . 37O. H HADDAD. 361. 323n. 396. 415. Victor . 2O6. 58. J. HUDSON. 3O2. H. 13O. J. 4O4. 3O4. HUMBOLDT.379.252. 287. 359. 356. 338. 211. 354. de . 1O4. 56.396.39. HANDELMANN . HEGEL . 4O2. 212. HUCH. . 341. 396. GUINGUENÉ . 62. 195. HÕLDERLIN . 322. 199. HERDER . 1O4. 411-412. 59. GUYAU . 38O. Aurélio Buarque de 4O3. 89. Sérgio Buarque de 395. 418. 337. 416. HONORATO. 327. 396. 213. M. da Silva . 17O. 216. 89. 33. 94. 2O3. 82. 327. 153. Ricarda .337. 188. HOMERO .

JOYCE.1O5.372.33.161. Michel .121. C. LESSING .29-3O. JAMES. LEAL. J.385. JESUS. . 425 . LEVÈQUE . JOÃO I.327. . JUNQUEIRA. 352.321.59. K KAFKA . Dom .127. Frei . 4OO. LAMARTINE . 4OO. Ana T. 153. Ferreira . LACLOS.338. C. 4O4.3O2.247. KIRSANOV. Felicidade de O. 388-389. 419.326. KELLER. LÊ GENTIL.154. . 348.121.IRVING.99. JESUS. N. 375.154. Domingos N. 418. Múcio . 155. JASINSKI.53. Aureliano . KUBITSCHEK. LEAL. Henry . 248. . 41O.52. 354. LIMA. 151. Mendes .4O7. 4O9.419. KLOPSTOCK .2O5. Choderlos de . 345n. LIMA. LAMENNAIS . LEAL. . 58. 372. Ferreira . 285. Princesa . LA MOTTE-FOUQUÉ . 32. James . 349. Abreu e .413.4O8.33. KEATS . . Gottfried . Alexandre H.3O2. 241. LIMA. J.396. 199.127. R. LEAL.218. LEMOS. 4O4.3O1. 163. KOCK. 398. LE1RIS. 389. LA FONTAINE . 326. João de Brito e .388. 4O8. LEÃO. 397. JOHNSON. JUNQUEIRO. KOTZEBUE . LA HARPE . ISABEL. 334. João de . 397. 393.388.3O4. Ferreira . LEROUX. 89. 1OO. 19O. JOÃO VI. LEOPARDI . . H. 4O9. Dom . 57.347. 376. ITAPARICA. J JAGUARIBE. LESSA. 374. Antônio H. 331. H. 287. G. Joaquina Rosa de . LIMA. Paul de .373.372.388.393. de . 214. 286. W. 199. 4O4. 2O2-2O3. . S. Guerra . Samuel .347. 392.249. . R.347.151.

Wilson . 314. A. 375. 23O. LYTTON. M MACEDO.212. . Monteiro .212. 269. 136-145. 119. 412. J. LOUSADA. 274. 295. 118. LINN.1O9.376. Oliveira .397. Álvaro T. LISBOA. LOBO. 51.397. 381. . 131. LUÍS.393. 115. LOPES NETO. LUCANO . . G. LISBOA.69.2O6. Lord . LOPES.411. 398. . de . LUKÁCS. 356. 117.#LIMA. LIMA. Rocha . 111. Oscar . B. 419. Baltasar . 211. LOBATO. 252.35. 352. 352.411. Simões . 114. LOPES. F.3O4. 216. J.357. 419. . Cândido (Ver Francisco José Freire). 248. . LOVEJOY.247. 113. Fernão . Hélio . 4O8. 285. LONGFELLOW . P. Pedro . Manuel de . 217. 97-1O1. 399. 51.3O2.35O.351352. MACEDO.396.47. 48. LUSITANO. LOPES.

Coelho . MAGALHÃES. 385. 399. 122n. 371. 334. 85. 4O6. MAGALHÃES. 382.369. 168. 4O2. 333. 151. MARINHO. 64. Maria F.234. 12O. MALOT. 75. H. 127. MARMONTEL . 54n. 33O-331. 2O2. Saldanha 248. MANCEBO. 26.168. Couto de .387. 362. .11. 13. 369. Gonçalves de .419. 37O. R. Xavier de . 4O3. Valentim . 4O1. D. 97. 15O. 373. 4O6. de Alcântara . 379. MACHADO. 22O. 336. 399. 124-125. 38. Marquês de . 418. 333. 4O34O4.392. Josefina . 395.216. 417. 398. S. 74. . MAGALHÃES. 12. 4O6. Barbosa . MAGALHÃES.1O4.3O2-3O3.82. 234n. 4O4. 37O. 397. 122. MARICÁ. 345. Genuine . 426 MAGALHÃES. 361.325. MARIA. MAISTRE. 76. 19. MARQUES. 72. MACHADO. 1O5. J. 398. 69. 335. 366. 48. 47.246. 68. 348. 4O2. MALLARMÉ . 394.67. 41O. 4O2. MACPHERSON . Maria Leopoldina 382 MACHADO.377.19. 338. . 419. 34. Basílio de . 364. 81. 247. 126. Nunes .251.56. 8O. . 55-67. 27. 363. MACHADO. MACHADO. 17. 399. 66. 51.

356. Augusto . MAUL. 415. 383. Lúcio de . 48. 352. MARTINO. Carlos . MENEZES. Sá de . 213. Odorico 74. Eusébio de . MELO. . MENDES.152. 325. Manoela L. L. MERIMÉE. 349.371. M.47.4O7-4O8. MENEZES.382. 388.399. 419.4O7. de . P. 325. MENAFRA. 194. 419. . 29O. 411. METASTÁSIO . Dutra e . J.39. MENDONÇA. MENDONÇA. de . 4O3. Capitão . 414.388. MARTINS JÚNIOR. 49. 14. MELO.11. Antônio Joaquim de 348. MEROU.37. 4O9. 364. 29O. Luís Corrêa de . 138. 252. MIGUEL-PEREIRA. de . 413.393. 4O9.339. 351. 142. 37. MELO. Andrew .417.284. 418. MIRANDA. 121. MONGLAVE. 383. MEYER. 377. de . MONTEFIORE. . Gregório de . Padre José 35. Frei J. MILLER. MONGLOND. Nicolau . 382. Salvador F. Lopes de .4O6. 416. 24. 167. 56. 411. E. 126. MARRYAT. 13. 4OO.4O9. MIRANDA.12.397. Lúcia 136.352n. MONTAIGNE . 419.251. 324. Teixeira de . MELO.383. 371. 3O5. . Wilson . . 4OO. 2O2. MENDONÇA. 376. 286287. Emerenciana de - . 143. 414.384. 397. Veiga .414. MARTINS. Carlos S. A. 4O5. 416. MIDOSI. 2O3.164. 16. MAURÍCIO. Salvador de . MATOS.136.396. MATOS. 286-287. Pedro B. MENNECHT.347. MATOS. de 383. A.41O.35. I. Garcia . Belarmino de .Xavier . Carlos . Dutra e (pai) .2On. 395. . MENDONÇA. MARVELL.37O. MILANO. E. MENDONÇA.346. MELO. 414. 418. MONTE-ALVERNE . de . 284. Amália F. 385. . Gladstone Chaves de 41O. MENDONÇA. P.121. 52. 351-352.28. 2O4. MELO. 22O.416. MELO. 76-77. 418.

399. . 5O. Cândido . MOURA. 369. F.372. Conselheiro . 24. 248. Viana . 399. Peres . 55. 4OO. Correia de . 2On. . 411. MONTEIRO. 386-387. 397.412. Prudente de . MONTORO.381. 179. 4O3. 4O4. 397. 4O7. D. MONTESQUIEU . Joaquim . 75. 122. 4O5. Manuel de . 387. das . G. Luisa J. Moreira .41O. NEME. Maria Luísa S. 4O1. MURRI. Lopes . 4O6. 352. L.42. 391.298. 85. MORAIS. F.4O8. NABUCO. 4O4. MOREAU. R. 4O4. 123-124.396. 1O4. 47. N NABUCO. A. 151. 21. 188. 1O5. 164.15On. Almeida . 4O1. MORENO. MONTEIRO. 2O7. 398.121. NEVES.4O6. Agnese . Artur . 339-341. P. MOOG. neto. Joaquim . 121. 4O6. Pierre . 35. 4O4. 395. MONTEIRO JR. 191.. 39. MOORE. 259.393. O OLIVEIRA. 348. 5O. 411. 336. Maciel . MOTA.375.1O4. 394. 48. 55. MONTENEGRO. 359. MOREIRA. M. 126. J. Melo . MORAIS FILHO. 357. 361. 4O3. 275. 4O4. NIETZSCHE . M. T. Jacy . 49. 4O8. MORAIS. MOTA. NAPOLEÃO I . 154. NOGUEIRA. 417.371.33. 369. 12O. Mário .152-153. NEVES. 349-35O.247. . 83. 334-335. 338. 7O.37O. Acaiaba 48.4O7. 36O. MUSSET . 23. 151.246. MONTEZUMA.15On.19. Thiers M. 418. 4O4.38. da . 15O. C. .76. Olívio . 252. 416. R. Josué .16.4O2.122.63.374. NORBERTO. 7576. MOTA FILHO. MONTELO.12. 416.323. . 184. C. 4O2.

A. 1O1-1O4. . . 418-419. PASSOS. . 4O4. PEREIRA. 12On. 68.4O8. 52. 369.52. PEDRO I. 258259.18. 387. PEIXOTO. 347. OLIVEIRA. 399. OVÍDIO . 47. 199. PALMEIRIM. Astrogildo . 4O3. 42O. 143. 4O6.217.OLIVEIRA. OTTONI. Alberto de . 4O4. 4O8.49. Martins . 97. 382. 286.214. PASSOS. Elói . 36. PEIXOTO. Haroldo . 4O5. Marquês de . PARANÁ. 413.248.329. 4O3. OTTONI. Guimarães . Lafayette R. Artur . 356. Francisco . Constança B. Ramalho . de 379. 427 #PEIXOTO. PEREIRA. OLIVEIRA. 397. 355.118. L. 4O2. José Osório de . 369. Aurélio Gomes de 4O6. PENA.161. PEDRO II.397. 392. OLIVEIRA. Teófilo 248. ORTIGÃO. Alvarenga . 349.154. 79. Soares de . Dom .36. . PASCAL . Afrânio . PARANHOS.4OO. Cândido Batista de 398. 41O. 412. ORLANDO.41. 361.387. 3O9.51. Manuel Botelho de 388. 54. Almir C. 395. PARANAPIACABA. 344-345. 247.391. 75.414. Barão de (Ver João Cardoso de Menezes e Sousa). M. 4O7. 372. OSSIAN (Ver Macpherson) OTAVIANO. OLIVEIRA.264. 352. Dom .67. OLIVEIRA.

PÔRTO-ALEGRE. Marcel . 352. 56. . 339. 394. PONTE. M. Roger . 387. 37O-371. 12. Xavier . 151. PIRES. Homero . 412.188. 346. Fernandes . 42O.393. PRAT. C.35. F. 418. Pessanha . 1O5.397. Teodomiro A. 373.66. PIAVE.PEREIRA.1O5. PINHEIRO. 332-333. 4O6. Mário . 419. 417. 83. 397. 6O. 65.11.4O7. 353. 34. Valbuena . PIO VI . PINDEMONTE . 51. . 349. 126. 55. PÓVOA.397. 257. 48. Lorenzo da . 4O7. PRADO. 4O2. 397. P1CARD. 4O3. 398. 418. 127.4O4.4O2.16n. 13. René . 4O8. 419.351. A. PICHON. 47. POPE . 152. Araújo . 55.254. 68-74. 155n. 361. 369. 391. 392.39. 341.41. . PINTO. PROUST. 397. 378. 4OO. 4O5. 398. 394. 399-4OO. . Marcos . 348.37. 48. 119. 35O. PINHEIRO. Armando . 47. Elzeário L.393.6O. PORTUGAL. PRAZ. J. 417. 342. 398.

391. Baltasar J. REIMAR. Laurindo . Bernardino . 365n. 418. . REIS. RAMOS. RIBEIRO.3O1. 417. 391. RABOU . Ferreira de 4O6. REGO. S.3O1. RACINE .PRUDHOMME. 396. Edgard .117. R RABELO. 121. J. 151. P. Lins do .298. 352. C. 374. PUSHKIN . .47. REIS. 349. P. 136. PUEYRREDON. Flávio (Ver G. QUINET. H. 352. 387. Antônio Simões dos . 419. Ana R. . 387.121. Graciliano . Ricardo J. 162-168.35. 161. Eça de . Sully . 4O7. 36O. F. 323. 397. QUENTAL. REIS. 328-329.4O9. REBELO. dos .374. Sotero dos .21.327. REZENDE. 348. RIBEIRO. REIS. 3O3. PULCI . 388. F.399. 153. 412. de Almeida Braga).368.32. .388. QUEIRÓS. 417.188. Marques .285. Antero de . 66. João .49. 4O5. 349. 3O3. REIS. 347. 353-355.149.388. RABELO. Américo Vespúcio dos 355n. 2O7.

ROSA. SANTA-GERTRUDES.33. SANTOS. Otaviano M. 384. SAMPAIO. Júlio . 3O5. ROCHA. 4O9. Viscondessa de (Ver (pai) - . 299. João Júlio dos . Natividade . 356. 376-377. .372. 252.393. Marquês de . ROMANI. 353.377. 328. 251. 1O2. RIBEYROLLES . Condêssa 378. SAINTE-BEUVE . SAMPAIO. 416.238. SADE. SALVADOR. RÓNAI. 47.397. 349.393. 36O. 382. SAND. 247. 363. 417. SALDANHA.121. 348. ROZWADOWSKA. SALOMÃO . SAFO . . B. RODRIGUES. 247. C. Santiago Nunes .37O. SANTOS.376. 263. ROMERO. Bittencourt 376.382.24925O. A. 398. SAMPSON. Justiniano . 47. Lopes . 352.RIBEIRO. Tristão dos . 2O8n. 336.3O4. 2O2.3O8. ROMERO. 386. 55.397. SAMPAIO. 418. 57. Paulo .12. Georges .321. 29O.164.42. Bittencourt . ROSA. L.416. M.19. 4O8. F.383. Frei Vicente do 349. RUDWIN. SAMPAIO.41O. 284285. 335-339. 365.3O. Marques . G. 351. RODRIGUES. André R. 253. Marqueza de 18. SANTOS. RODRIGUES. 1O5.28. . 414. 412. SANTOS. 419. RONSARD . 412. 4OO. 417. Joana M. 121. 417. 4O9. Maria S. RICHELIEU .52. 428 SAINT-PIERRE. 418. Lery dos .49. 2O3. 126. 383. 323. RIBEIRO. .413. da 372. 12On.367. da . 382. 391. SANTOS. Sílvio . 376. Frei . 4O9. 392. 357. de . 296.42n. Frei . . . 388. J. 399.

Antônio . SILVA.393.32O.416. 223. SCHILLER . 329. 33. Antônio José da . Egon . 396.122. Pereira da . Augusto G. 319-32O. SÉRGIO. 22O. SENANCOUR . 2O52O6. Pinto da . 418. 331n. 327. 17.3O. . Bruno . Mme.11. 396.16. Carolina . SCOTT. 35O. 323. 347. SHELLEY . SCHLEGEL. SEBASTIÃO I.371. 1O4. 349. Visconde de 387. Carl . Diniz da Cruz e . SCHLEGEL. 4O5. 321.321.13. L. 325. SÃO LEOPOLDO.121. SHAKESPEARE . 396. SILVA. Frei Francisco de 16. 338. 3O4. 416. 264. 13. Inocência F. Necker de 32O. SILVA. SILVA. 417.21. 4O3. 385-386. 83.164.1O4. 331332. J. Firmino R. A. J. 59.397. 2O2. 359. 387.382.391. E.18. 351. 247. SILVA. J. 348. SCOT (pseudônimo) . SILVA. 393. Phocion . 338. SCHADEN. SERPA. 32O. 122-123. Felisberto Edmundo . 372. 126. 416. J. 4O9. 12O. 333-334. SCRIBE. 416.4O2. SEABRA. SCHMITT. SCHLICHTHORST . da . 33O. 47. 56. 339.Marqueza de Santos). 331. . 397.341.397. 377. 51. 32. 325. SILVA. 339. 326. 113. 338. 192. Walter . 396. 32O. SARAIVA.35. 188. 3O2. 214. 1O4. .4OO. Frederico . SAUSSURE. . Pereira da . 387. 393. 388. 4OO. M. SÃO CARLOS. 329. 37.121.34. SCHLEGEL. Dom . SILVA.18. SCHOPENHAUER . A. . 417.118.

SOUSA. 33O.121. F. 377.17. 4O3. Sismonde de . 4O2. 429 #SOUTO. 77-8O. 396. SUSANO. M. F. 21. STUDART. 137. C. Luís Pereira de . 394.4O7.123. 136.383. L. 395.33. 295.383. de . da . 395. 47. A. A. SIMONI. 411. 419. 327. 123. 66. 4O8. 217. 32O321.133. 322. de Melo e (ver Antônio Cândido). 395. Valdomiro . Pereira da 385. 416. 319. TAINE . 39. 113. SOARES. SILVEIRA.375. SOUSA. Maria V. TASSO . SOARES.63. 17. Eugène . V. SILVA. 41O. SILVA. Cardoso de Menezes e . Inglês de . 211. 327. 133. SILVEIRA. 329. SOUSA.121.4O8. SILVA. 35. 4O1.327. STOLL. da .416. 338.373. 97.392. Maria S. 3O6. 369. SOUSA. 12O. 51.381. SOUSA.212. 372-373. Professor . 4O5. 4OO. Macedo . SPENGLER . 21. Azambuja . STAÈL. Nogueira da .121. STENDHAL .21. 1O4-1O5. Gabriel . 323. 296. Albert .329.349. 5O.114. 356. 398. . Vieira . 126-135. SOREL.4O7. 34.412. Octavio Tarquínio de 18n. J. 98. 4O8. .4O1. 23O. 395.48.1O. 127. SILVEIRA.319. SOUSA. De . 314. 372. L.396. J.329. 2O1-2O2. 315. SODRÉ. 14O.13. Teixeira e . Miguel J. Barão de . 389. SÓFOCLES . 216. 138. SWIFT . 356. Abreu . SOULIÉ. 114. 3O2. SILVEIRA. Velho da . Maria C.118. 48. SOUSA. SOUVESTRE . Dom Luís de Vasconcelos e . SUE. 82. STERNE . Mme. SISMONDI. Sousa da .

356. C. TÓLSTOI . 212. 114.384. : TROVÃO. 336.129. 385. TÁVORA. Pedro H. TÔRRES-HOMEM. 113. 3O7315.11.284. Baltasar M. TIEGHEM. TERESA CRISTINA. 111112. 297. 114. 296. TIRADENTES . 414-415. 364-367. URE5JA. F. 138. 41O. 296. 47.384.396. 394.38. . 112. 3O9. 6O. 397. 415-416.TAUNAY. 53-54.411. 212. TÁVORA. TELES. 398. 385. 36937O. 363. 42O. 12. 116. 398.1O4. .383. Paul van .14. TAUNAY. 51. TORTI. 295. H.75. Leonor .14. 418. . 412. TEIXEIRA.66. 41O. 384-385. Imperatriz 163.3O4.3O2. 416. Nicolau A. 295. Franklin . Múcio . 298-3O6. THACKERAY . G. . Lopes . . U UHLAND . Silveira . S. Alfredo de . TAUNAY. . F. 221. Felix-Emílio . 334. TÁVORA. 297. 418. 82. 417. 383-384. 4O1.415.

3O9n. Barão Smith de 393. 269.111. 117. I . WOLF.397. 281. VASCONCELOS.327. 4O8. 39O. VASCONCELOS. 391. 3O4. 57. 388. 82. 37O. VICENTE. 245. G. WASHINGTON .:---. Evaristo da . 4O5. 256-266. 4O1. 36. Ferdinand . VIANA. . VOLTAIRE . VIANA. do . 196. VERÍSSIMO. WORDSWORTH . 377.416. 418.387. L. 394. 267. 29. VILLON . 269. 4O4. VARELA. 4OO. VARELA. Ana A.323. . 397. 412. 412-413. 4O9.3O2. 5O. 17O.12. O Nacionalismo Literário -.VALE. 43O VALE. 274. 153. 395.O INDIVÍDUO E A PÁTRIA 7-48 1. R. 26O.168. WELLECK. 4O6. de . 36O. L. 36O. F. 349. F. F. 387. W WACKENRODER . 353-354.381. 17. VEIGA. VIGNY . 276. S. 29O.4O4. E. ZOLA . 4O7. José . C. ZALUAR. Fagundes . 121. L. 58.59. VEIGA. 397. 283. 34.274. 388. 371. J. 121.28. Charlotte . Emiliano Fagundes 38O.393.18. 249. VILLEGAIGNON . 247. VARNHAGEN.12n. Araújo .^" ^* . F. 151. YONGE.391. .53.348.38.246. 32. VITERBO. 347.27. 22O. ÍNDICE Cap. 387-388.371. Barão de . Francisca A. de . 89. 413. 38O. 3O5.356n. . 121.-. Paulo A. 386. 416. A. 4O6. 149. 41.188. VIRGÍLIO . VILHENA. 355. Maria C. VARNHAGEN. 25O. VILLEMAIN . 4O. 415. 4O1. 4O4. ZORRILLA . 247. 419. Gil .37. de . 349. 398. 252. 397. do . 38. 37O.16. 41O.

Ill . Geração vacilante 47 53 2.O TRIUNFO DO ROMANCE 2O9-241 1. II . Gonçalves Dias consolida o Romantismo 81 6. Menores 2O1 194 Cap.2.AVATARES DO EGOTISMO 1.OS PRIMEIROS ROMÂNTICOS 1. O contador de casos Bernardo Guimarães Cap. V . O "belo doce e meigo": Casimiro de Abreu 7. poeta da natureza 5. amigo dos homens e da poesia 4. IV . Sob o signo do folhetim: Teixeira e Sousa 126 4. Novas experiências 211 2.APARECIMENTO DA FICÇÃO 1. O Romantismo como posição do espírito e da sensibilidade 22 3. A viagem de Magalhães 3. As formas de expressão 33 45-1O6 Cap. Menores 97 1O7-145 Cap. Pôrto-Alegre. VI .EXPANSÃO DO LIRISMO 243-291 . Álvares de Azevedo. Os três Alencares 22O 234 4. O honrado e facundo Joaquim Manoel de Macedo Cap. Bernardo Guimarães. As flores de Laurindo Rabelo 162 169 4. Êmulos 75 68 5. Máscaras 149 147-2O8 136 2. Um instrumento de descoberta e interpretação 1O9 2. ou Ariel e Caliban 173 6. Manoel Antônio de Almeida: o romance em moto-contínuo 215 3. Primeiros sinais 119 3. Conflito da forma e da sensibilidade em Junqueira Freire 155 3.

-"- . Transição de Varela 256 245 3. PARA A LIVRARIA MARTINS EDITORA. Novas direções na poesia 2.A CONSCIÊNCIA LITERÁRIA 1..A CORTE E A PROVÍNCIA 1. Teoria da literatura brasileira 3. 63/69. 432 #-* . O regionalismo como programa e critério estético: Franklin Távora 3.1. Sensibilidade e born senso do Visconde de Taunay 3O7 Cap. A crítica viva 356 369 39O Biografias sumárias Notas bibliográficas índice de nomes 421 COMPOSTO E IMPRESSO NAS OFICINAS DE AKTES GRÁFICAS BISOBDI LTD.. Romance de passagem 295 284 267 293-315 2. Poesia e oratória em Castro Alves 4. EDA DO HIPÓDEOMO. VIII . Formação do cânon literário 5. SÃO PAULO. Raízes da crítica romântica 2. VII .:. A morte da águia 431 #Cap. Crítica retórica 343 347 319 328 317-368 298 4. EM 1959.