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Geologia - Estabilização de Taludes

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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO

ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES

São Paulo

2

2012

Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO FERNANDA DACCORONE CAROLINE RIBEIRO TORRES RODRIGO SOARES DIEGO DOS SANTOS JHONATA BORTOLETTO ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES Trabalho de Estabililização de Taludes da disciplina de Geologia do curso superior de Engenharia Civil do Instituto Federal de Educação. Professor: Isac São Paulo 2012 .3 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO.

.........................................................................................................SOLUÇÕES ALTERNATIVAS EM ATERROS...................................................................OBRAS ESPECIAIS DE ESTABILIZAÇÃO............................INTRODUÇÃO...............................................28 .............................COMO DETERMINAR O TIPO DE CONTENÇÃO....................................................7 4...........................17 20 7....PROTEÇÕES DE TALUDES................BIBLIOGRAFIA...5 2...21 8.............14 6.27 9.........OBRAS DE CONTENÇÕES.......6 3..........................................CAUSAS DA INSTABILIDADE DOS TALUDES.............8 5........................................................................................................................................................................................................CONCLUSÃO.........................4 SUMÁRIO 1..

gerando escorregamentos. as formas de implantação e também alguns meios para evitar a movimentação destes. ligados quase sempre a processos de instabilidade das massas. por natureza. Com a identificação adequada solo local e do tipo de movimentação enfrentada. Estes problemas podem ser evitados caso haja a identificação durante os estágios iniciais da movimentação das massas.INTRODUÇÃO Os taludes formados por solos e rochas são. Seguem descrito neste trabalho os meios de estabilização de taludes. . poderemos assim aplicar um meio de contornar a instabilidade dos taludes. passíveis de problemas geotécnicos.5 1. erosões e recalque.

regime de águas meteóricas e Gravidade. ou uma mesma causa. estado de alteração por (orientação e mergulho). do agente água. Complexo morfológico – inclinação superficial. Chama-se a atenção para as condições próprias aos termos agente e causa. o encharcamento do material. a causa será o aumento da pressão neutra. no caso de liquefação espontânea. Entende-se por causa o modo de atuação de determinado agente ou.6 2. É o caso. massa. Chama-se de agentes predisponentes ao conjunto de condições geológicas. pode-se fazer uma primeira distinção entre agentes predisponentes e efetivos. forma de relevo.clima. geométricas e ambientais em que o movimento de massa irá ter lugar. provocado por degelo. pode ser responsável por diferentes formas de movimentos coletivos de rocha e de solo. . em outros termos. ao passo que. deve-se considerar que um mesmo agente. será a causa do movimento. por exemplo. Trata-se de um conjunto de características intrínsecas. subterrâneas. dobramentos). Chama-se de agentes efetivos ao conjunto de elementos diretamente responsáveis pelo desencadeamento no movimento de massa. acidentes tectônicos (falhamentos. função apenas de condições naturais. Tipo de vegetação original. intensidade de intemperismo. que pode influir na estabilidade de uma determinada massa de material das mais diversas formas: no desencadeamento de um processo de solifluxão. CAUSAS DA INSTABILIDADE DOS TALUDES Tratando-se de agentes e causas de movimentos de massas. formas estratigráficas. neles se incluindo a ação humana. atitude das camadas • • • • • diaclasamento. Calor solar. nelas não atuando. etc. Complexo climático-hidrológico . Dentro da conceituação de agentes. Representam o “pano de fundo” para a ação que será desfechada. um agente pode se expressar por meio de uma ou mais causas. sob qualquer forma. Pode-se distinguir: • Complexo geológico – natureza petrográfica. a ação do homem.

causas intermediárias. topográficos. ondas. Entre os agentes efetivos imediatos citam-se: chuva intensa. erosão. . etc • Concepção e elaboração do projeto de estabilização.7 Podem atuar de forma mais ou menos direta. que nos fornecerão um conhecimento adequado das condições locais. COMO DETERMINAR O TIPO DE CONTENÇÃO Antes de se determinar o tipo de contenção ou serviço que irá promover a maior estabilidade dos taludes é necessária a aplicação de fases de trabalho preliminares. As causas. inclusive desflorestamento. ação do homem. erosão retrogressiva). congelamento e degelo. em função de sua forma de participação. podem ser separadas dependendo de sua composição com relação ao talude. que resultam de efeitos causados por agentes externos no interior do talude (liquefação espontânea. • Execução das obras. por sua vez. diminuição de coesão e de ângulo de atrito interno por processo de alteração). Constituem esses trabalhos as seguintes etapas: • Estudos de investigação: sondagens. fusão de gelo e neve. causas externas. em preparatórios e imediatos. rebaixamento rápido. que são as que levam ao colapso sem que se verifique qualquer mudança nas condições geométricas do talude e que resultam de uma diminuição da resistência interna do material (aumento da pressão hidrostática. ação humana e de animais. dissolução química. sem que haja diminuição da resistência do material (aumento do declive do talude. erosão pela água ou vento. Entre os agentes efetivos preparatórios citam-se: pluviosidade. ação de fontes e mananciais. que provocam aumento das tensões de cisalhamento. abalos sísmicos e vibrações). • Manutenção periódica. terremoto. variação de temperatura. requerendo assim nova subdivisão. 3. assim: causas internas. vento. oscilação de nível dos lagos e marés e do lençol freático. etc. Distinguem-se.

1996) Analisando taludes rodoviários sujeitos aos efeitos dos cortes e aterros. (Fonte: Fundações.8 Figura 1 . que podem ser divididas basicamente em: Muros de arrimo. são observadas as principais características destes e os cuidados a serem tomados na sua implantação. Obras especiais de estabilização e soluções alternativas em aterros. que apresentam rigidez distinta daquela do terreno que conterá.Método de análise e estabilização Com a adoção destas etapas. A contenção é feita pela introdução de uma estrutura ou de elementos estruturais compostos. que são responsáveis por oferecer resistência à movimentação ou à ruptura destes. OBRAS DE CONTENÇÕES Para estabilizar os taludes é necessário realizar as devidas contenções. Teoria e Prática . que são obtidos por meio das contenções. . dificilmente ter-se-á transtornos quanto à estabilidade dos taludes. 4.

blocos de pedra. para a contenção de aterros junto às estruturas do vertedouro e da tomada d’água. evitando seu deslizamento. portanto. b) por flexão (Fonte: Baud). (Fonte: FERREIRA CARDOSO. não exigindo o uso de equipamentos mais sofisticados.9 Muros De Arrimo Um muro de arrimo não é propriamente uma contenção de escavações. estas devem ter dimensões . cuja resistência depende exclusivamente do embricamento dessas pedras. Devem ser. já que ele e normalmente executado junto a um talude (inclusive de aterro) e depois o vazio entre a sua face interna e a superfície deste e preenchida com solo. entre outros. Figura 2 – Muros de Arrimo – Fonte IPT Muros de Gravidade (a) São estruturas em que o peso próprio é responsável pela sua estabilidade. São muito utilizados em projetos de barragens. estabelecendo uma continuidade entre ambos. Muros de pedra seca São muros feitos com pedras arrumadas manualmente. fazendo com que surja uma força de atrito na sua interface com o solo. Francisco -2002) São de simples execução. pesados e devem ter grandes dimensões sendo construídos de concreto (geralmente concreto ciclópico). Alternativas para a execução de muros de arrimo: a) por gravidade.

argamassada e concreto ciclópico . deve-se executar o sistema de drenagem através de barbacãs e dreno de areia. Muros de concreto ciclópico São estruturas constituídas de concreto e agregados de grandes dimensões. aproximadamente até 1. conferindo maior rigidez ao muro. É indicado para contenção de taludes de pequena altura. em que sua execução se baseia no preenchimento de fôrmas com concreto e blocos de rochas com dimensões variadas.Muros de pedra seca.5m. entretanto contem argamassa de areia e cimento entre os vazios.5m apoiada em horizontes resistentes. argamassada e concreto ciclópico Figura 4 .Muro de pedra seca. Figura 3 . além disso.0 m. Muros de pedra argamassada São semelhantes ao muro de pedra seca. podendo ser aplicado em contenções de taludes com alturas superiores a 3. As principais vantagens são facilidade de construção.10 regulares para a estabilidade e a base do muro deve ter espessura mínima de 0. O conjunto garante maior resistência. podendo este ser utilizado para contenção de taludes com alturas de até 3m. baixo custo e capacidade de autodrenagem.

em que produz uma faixa externa ao talude. obtém mais resistência. As principais vantagens desse muro são o seu baixo custo e o fato de não requerer mão de obra ou equipamentos especializados. que após reagir com o cimento. Podem sofrer grandes recalques sem ruptura e são auto-drenantes. denominada “gabiões”. São geralmente utilizados para pontes. Quando utilizado “ensacado” tem estas duas funções.0m de altura e 1. servindo para recomposição do relevo afetado voçorocas ou outras formas erosivas menos severas. É recomendável para alturas máximas de 4 a 5 metros.3 a 1. Pode ser aplicado em áreas arenosas sujeitas a erosão acentuada. Outra aplicação na contenção de taludes é a execução compactada em camadas. construídos com blocos confeccionados de pedras colocadas dentro de gaiolas de tela metálica. Figura 5 – Muro de arrimo de solo-cimento ensacado Muro de Gabião São muros de gravidade. . como por exemplo. em que o solo cimento é acondicionado em sacos de aniagem ou geossintéticos.11 Muro de arrimo de solo-cimento ensacado Consiste em uma técnica alternativa que utiliza sacos de solo estabilizado com cimento para construir muros de arrimo ou proteger o talude superficialmente. e podem ser facilmente construídos dentro da água.0m de comprimento e 0. As dimensões do bloco variam entre 1. na obturação de pequenas rupturas em taludes de grande extensão.0m de largura.5 a 3.

a seção do muro é reduzida. requerida armação para observar os esforços de tração que aparecem. resultante da economia de concreto. .Muros tipo gabião .Muro de gabião Muros de Gravidade Aliviados Quando há vantagem. sendo.Fonte DER Figura 7 .12 Figura 6 . entretanto.

bem como impede o seu tombamento. e a execução de contrafortes. Sua geometria característica compensa seu menor peso: o fato de ter uma forma de "T" invertido faz com que o peso do próprio terreno auxilie na obtenção da força de atrito que combate o deslizamento. sendo usualmente executados em concreto armado.13 Crib-walls Trata-se de um muro de arrimo por gravidade. Figura 8 – Muro crib-wall Muros de Flexão Já os muros por flexão são mais leves. Como consequência os esforços de flexão na união do "T" são bastante grandes. que são encaixadas entre si. ou ainda entulho. cujo interior é preenchido com material terroso compactado ou preferencialmente com blocos de rocha. confeccionado com peças de concreto armado. formando uma espécie de gaiola ou caixa.Muros de flexão . exigindo pesadas armaduras de aço. Figura 9 .

dentre as quais são: os esforços são transmitidos ao longo de todo o comprimento e não é aplicado proteção. esta capaz de absorver o esforço externo. . usualmente barras. o comprimento livre. fios ou cordoalhas. OBRAS ESPECIAIS DE ESTABILIZAÇÃO Tirantes e Chumbadores: Tirante é um elemento linear capaz de transmitir esforços de tração entre suas extremidades que são a cabeça. responsável pela transferência dos esforços e o bulbo que recebe esses esforços do comprimento livre e transmite para uma camada resistente do solo.Fonte IPT 5. com algumas diferenças. sendo que a distância entre eles são colocadas pranchões de madeira ou de concreto armado). o trabalho é passivo.Cortina cravada . Os Chumbadores são similares aos tirantes. A sua vantagem se da através de suportar uma grande carga com peças de pequeno porte e sua grande desvantagem talvez seja o aspecto econômico por se tratar de uma técnica onde precise de equipamentos próprios e pessoas especializadas. trabalhando a flexão e resistindo pelo apoio da ficha (parte enterrada do perfil). Trata-se de obras contínuas (estacas pranchas ou estacas justapostas) ou descontínuas (nas quais os perfis metálicos são cravados um no outro. sabe-se que um elemento que resiste bem a tração é o aço e desta forma grande parte dos tirantes são constituídos por um ou mais elementos de aço. Dá pratica da engenharia.14 Cortinas Cravadas São constituídas por estacas ou perfis cravados no terreno. Figura 10 .

Já no caso de contenções de aterros em encostas.Tirante e chumbadores Cortinas Atirantadas Trata-se da execução elementos verticais ou subverticais de concreto armado.15 Figura 11 . iniciando-se de baixo para cima. o processo executivo tem a sequência inversa. executa-se a obra por patamares em que um patamar só começa depois do outro ter terminado. .Detalhe executivo tirante Figura 12 . com a execução das placas e dos tirantes na medida em que o terreno vai alteando. No caso de contenção de topo. que funcionam como parâmetro e que são ancorados no substrato resistente do maciço através de tirantes protendidos.

Cortinas atirantadas Microestacas Podem ser aplicadas na estabilização de encostas com reticulado de estacas.16 Figura 13 . A ligação da cabeça das estacas é feita por vigas armadas em filas ou em malhas. Assim numa comparação simplista com o concreto armado. Se o terreno é constituído por rocha alterada a tendência ao deslizamento ocorre por efeito da estratificação no sentido desfavorável ao faturamento. em que as estacas suprem a deficiência do solo no que diz respeito a sua resistência. na estrutura reticular o equivalente ao concreto é o terreno e as estacas correspondem à armadura. porém sem interceptar o livre fluxo descendente das águas. No caso de taludes em terrenos soltos as estacas são distribuídas em uma ou mais paredes de interceptação destinadas a fracionar a massa em movimento descendente. . Neste caso as estacas são distribuídas nessa massa convenientemente. contendo-as analogamente aos murros de arrimo. que resistem aos empuxos de montante. criando uma camada de espessura considerável. O conceito de estruturas reticular tridimensional de estacas escavadas injetadas é baseado no principio do concreto armado.

Microestacas . uma vez solicitados. impedindo .17 Figura 14 . de elementos de materiais mais resistentes que. equilíbrio ao tombamento. através da introdução. As mantas são responsáveis por resistir aos esforços de tração no maciço. Solo reforçado: Aterro reforçado com geotêxtil Consiste em um maciço composto basicamente por solo e mantas geotêxteis. passam a trabalhar em conjunto com o solo compactado. Dos vários processos desenvolvidos . permitindo a realização verificações usuais de estabilidade. SOLUÇÕES ALTERNATIVAS EM ATERROS No caso de aterros. enquanto que a face do talude proporciona proteção ao geotêxtil. como resistência ao deslizamento na base. que funciona como uma estrutura de contenção convencional. muitos processos já foram desenvolvidos para reforço dos solos.patenteado) ou de geotêxteis (como os desenvolvidos pelo IPT). os mais conhecidos são aqueles de reforço de aterros pela introdução de fitas metálicas(como por exemplo. o da “terra armada”. análise da capacidade de carga da fundação e segurança à ruptura.Fonte IPT 6. no corpo do aterro. (Fonte: Manual de Geotecnia-Taludes de Rodovias).

como a utilização de pneus usados e bambus.Manta geotêxtil Materiais Alternativos Para proporcionar uma resistência maior ao solo podem ser utilizados alguns materiais alternativos como elementos de reforço. 2004). Diversas alternativas consideradas de baixo custo e ecologicamente corretas podem ser citadas. Pneus radiais amarrados com fitas de poliéster é uma matéria-prima barata e eficiente para a construção de aterros sem comprometer a qualidade da obra. As principais vantagens dessa solução são a rapidez.18 que se deteriore com a radiação solar.Utilização de pneus para contenção . Figura 15 . (CARVALHO apud MARTINS. Figura 16 . o baixo custo e a facilidade de execução. principalmente para aterros.

A aderência das tiras de aço com o solo garantem a estabilidade das placas. Tecnicamente a solução exige a execução de um aterro rigorosamente controlado entre o corte e o tardo junto as placas. com encaixe próprio e contendo uma tira de aço galvanizado.Terra Armada . (Fonte: MOLITERNO. Antonio.19 Terra Armada São fornecidas placas pré-moldadas. Figura 17 – Terra Armada – Fonte DERSA Figura 18 . 1927).

Os grampos não são protendidos. Andréa Sell Dyminski . Figura 19 – Solo grampeado Figura 20 . A cabeça do prego pode ser protegida. introdução da barra metálica no furo e preenchimento do mesmo com nata de cimento. bem como a face do talude. com argamassa de cimento ou com concreto jateado. Sua execução é composta das seguintes fases: perfuração do maciço.NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE TALUDES E CONTENÇÕES).Fonte IPT . revestidas ou não. sendo solicitados somente quando o maciço sofre pequenos deslocamentos. em maciços naturais ou em aterros.( Fonte: Profa.20 Solo Grampeado (ou Pregado) Consiste na introdução de barras metálicas.Solo grampeado .

de evitarmos a presença de vibrações e de sobrecargas. chamados de bermas. Estabilização de taludes através da alteração do ângulo de inclinação Atuar alterando a inclinação do talude e uma alternativa evidente: quanto mais distante o seu ângulo de inclinação estiver do limite do talude natural. Além disso. (Fonte: FERREIRA CARDOSO. mais estável ele será (Fonte: FERREIRA CARDOSO. além. que também auxiliam na estabilidade. é claro. Figura 21 .21 7. 2002).2002). PROTEÇÕES DE TALUDES Algumas escavações podem ser delimitadas por taludes.Taludes e bermas . em vez de serem contidas por paredes construídas verticalmente.Retaludemento Figura 22 . Francisco. podem-se realizar cortes. evitando que a água nele se infiltre e adicionando a ele um material que melhore suas características de resistência. Podemos proteger um talude basicamente atuando em três aspectos: alterando sua inclinação. Francisco.

Figura 23 . utilizado conjuntamente com obras de contenção. retaludamento ou proteções diversas. Canaletas transversais de berma – consiste em canais construídos no sentido transversal das bermas de equilíbrio dos taludes e que têm por finalidade evitar que . Drenagem Superficial Consiste basicamente na captação do escoamento das águas superficiais através de canaletas. em seguida. Através da drenagem superficiais evitamse os fenômenos de erosão na superfície dos taludes e reduz-se a infiltração da água nos maciços. sarjetas ou caixas de captação e. condução destas águas para um local conveniente. Canaletas Longitudinais de berma – consiste em canais construídos no sentido longitudinal das bermas (patamares) dos taludes e que têm por finalidade coletar águas pluviais que escoam nas superfícies desses taludes.22 Estabilização de taludes através da drenagem Têm por finalidade a captação e o direcionamento das águas do escoamento superficial.Elementos de drenagem As obras de drenagem podem ser classificadas em dois grupos. quanto naqueles em que ela é um recurso adicional. tanto nos casos em que a drenagem é utilizada como único recurso. a drenagem superficial e a drenagem profunda. Representa um dos procedimentos mais eficientes e de mais larga utilização na estabilização de todos os tipos de taludes. valetas. resultando numa diminuição dos efeitos nocivos da saturação do solo sobre sua resistência. Tanto a posição relativa das canaletas como sua inclinação devem ser tal que a velocidade da água superficial não atinja valores excessivos e que facilite o escoamento da mesma. assim como a retirada de parte da água de percolação interna do maciço.

Para sua perfeita funcionalidade devem ser aliadas às obras de drenagem superficial para que se encaminhe de forma adequada a água retirada do interior do maciço. Tem por objetivo direcionar melhor o escoamento das águas e possibilitar a dissipação de energia hidráulica. construídas nas extremidades das escadas d´água e canaletas de drenagem para dissipação da energia hidráulica das águas coletadas. acompanhando a declividade longitudinal da rodovia. Canaletas de pé (base) – canais construídos no pé dos taludes para coletar as águas superficiais provenientes da superfície desses taludes. Caixas de transição – caixas construídas nas canaletas e escadas d´água. velocidades elevadas de escoamento. Esse sistema impede que se iniciem processos erosivos junto ao pé dos taludes. Têm por objetivo coletar e conduzir as águas superficiais captadas pelas canaletas não deixando que as mesmas atinjam velocidades de escoamento elevadas devido à dissipação de energia. evitando assim a erosão nesta superfície. nas mudanças bruscas de direção de escoamento e na união de canaletas de seções transversais distintas. para interceptar o fluxo de água superficial proveniente do terreno a montante. com o objetivo de captação das águas superficiais provenientes da pista ou plataforma lateral. Canaletas de pista – canais construídos lateralmente à pista. em geral de concreto. Caixas de dissipação – caixas. evitando que esse fluxo atinja a superfície do talude de corte. evitando. Drenagem profunda Objetiva essencialmente promover processos que redundem na retirada de água da percolação interna dos maciços (do fluxo através de fendas e fissuras de um maciço terroso ou através de fendas e fissuras de maciços rochosos) reduzindo a vazão de percolação e as pressões neutras intersticiais. tendo por objetivo interceptar as águas das canaletas e encaminhá-las para as drenagens naturais ou para bueiros próximos. Saídas laterais – canais construídos junto e obliquamente às canaletas de pista. dessa forma.23 as águas pluviais que atingem a berma escoem longitudinalmente. Canaletas de crista – canais construídos próximos a crista de um talude de corte. Escadas d´água – canais construídos em forma de degraus geralmente segundo a linha de maior declive do talude. e não pela canaleta longitudinal. .

24 É realizada por drenos sub-horizontais. ponteiras (com bombeamento por sucção). a atuação da cobertura vegetal se dá no sentido de reduzir a intensidade da ação dos agentes do clima no maciço natural. Estabilização de taludes através da cobertura vegetal De um modo global. trincheiras drenantes ou galerias. poços de alívio (com ou sem bombeamento d´água). È utilizado frequentemente associadas às pistas de rodovias. rebaixando o nível do lençol freático junto ao muro e reduzindo o desenvolvimento de subpressões nas paredes internas do muro. Drenos sub-horizontais profundos (DHP) – são tubos de drenagem. evitando a colmatação e o carreamento do solo. geralmente de PVC rígido. Os efeitos diretos desta proteção se dão no sentido de evitar bruscas variações na umidade e temperatura da encosta. A ação específica dos diversos componentes da cobertura vegetal pode ser exposta como segue: A) O conjunto das copas e demais partes aéreas da cobertura vegetal atua de três modos principais: • Interceptando e defendendo o maciço da ação dos raios solares. . instalados em perfurações sub-horizontais e têm por finalidade a captação de parte da água de percolação interna de aterros ou cortes saturados. que funciona como um filtro. utilizado tanto para captar a água que percola pelo maciço de solo como para conduzir esta água até pontos de captação e/ou lançamento a superfície. Deve-se tomar cuidado para que o tubo tenha a extremidade interna obturada através de um plug e que o trecho perfurado do tubo seja revestido com geotêxtil ou tela de nylon. para coletar águas subterrâneas dos maciços situados a montante dos muros. dos ventos e da chuva. assim favorecendo a estabilidade das encostas. cujo funcionamento se dá por fluxo gravitacional. com claras vantagens do ponto de vista da estabilidade. Trincheiras drenantes– consiste em drenos enterrados. Barbacãs – consiste em tubos sub-horizontais curtos instalados em muros de concreto ou de pedra rejuntada. longitudinalmente junto às bordas do pavimento com o objetivo de impedir a subida do nível d´água no subleito do pavimento.

C) O sistema radicular promove a estabilização das encostas atuando sob dois aspectos principais. que desvia e/ou reduz a intensidade da infiltração efetiva no maciço. na prática. mecânico e hidráulico: • O aspecto mecânico pode se manifestar. A cobertura vegetal tem sido considerada como fator de estabilização de encostas não somente em relação à consumação de grandes escorregamentos. indiretamente. através do molhamento da ampla superfície de folhagem. assim. diretamente. grande volume de água excedente do metabolismo vegetal. na forma de vapor. •O aspecto hidráulico pode se manifestar.25 • Retendo substancial volume de água da chuva. em termos de volume de água que atinge o terreno. permitindo assim a adução desta parcela de água para o regime de escoamento. verdadeira malha. galhos e troncos e epífitas associadas. . na forma de vapor. como também em relação a movimentos lentos de rastejo. Indiretamente. A parcela assim subtraída da água de infiltração reduz de modo benéfico a infiltração efetiva no maciço. equivale. diretamente. como parte da ação biológica. por sua vez. a coesão do solo e. finalmente. sendo este efeito tanto mais significativo quanto mais espessa for a camada e frenando o escoamento superficial. em condições de máxima pluviosidade. através do estabelecimento de escoamento hipodérmico. parte da água destinada à infiltração efetiva no maciço. por meio da evapotranspiração. • Eliminando. B) Os detritos vegetais. subtraindo. A eliminação desta água retida. aumentando. evitando os efeitos erosivos que poderiam comprometer a estabilidade. conferindo a este um acréscimo substancial de resistência ao cisalhamento e. que distribui na encosta as tensões originadas em pontos críticos. através da estruturação do solo. o sistema promove a sucção. através da continuidade de sua estrutura. através de sua alta capacidade de retenção. atuam imobilizando boa parte da água que atinge o terreno. em contínua acumulação no terreno da floresta. com dois efeitos benéficos: criação de pressões neutras negativas. a uma redução de igual volume na pluviosidade da área.

combinadas ou não com o cimento.2002) É importante ressaltar que os solos argilosos não são passiveis de receberem injeções por serem naturalmente impermeáveis.da ordem de até 0.constituídos de areias médias e finas. (Fonte: FERREIRA CARDOSO.1 mm . Figura 24 . quando visamos principalmente diminuir a permeabilidade. o que impede o espalhamento das soluções por entre suas grãos (muito finos e compactos).Utilização de cobertura vegetal Estabilização de taludes através da injeção de produtos químicos Nata De Cimento: A injeção de nata de cimento é uma opção bastante comum em solos com partículas de grandes dimensões .2002) Silicato De Sódio: Combinado ou não com o cloridrato de cálcio.da ordem de 0.26 Outro benéfico da cobertura vegetal é a limitação da área atingida por escorregamentos. . através da retenção da massa escorregada. Aumentando a resistência do solo através da formação de um gel que endurece ligando suas partículas.da ordem de 1 mm . como argilas (inclusive a bentonita) e cinzas volantes. compostos basicamente por areias grossas e de cascalhos.conferindo a ele maior resistência e impermeabilidade. Francisco. (Fonte: FERREIRA CARDOSO. Francisco. diminuindo também sua permeabilidade. minimizando os danos em terrenos situados à jusante do escorregamento. injetamos suspensões de outras partículas sólidas de menor custo. O seu efeito frenados e dissipador de energia do material em deslocamento circunscreve a área afetada. Nesses tipos de solo. Compostos Polimerizáveis: Solos siltosos.01 mm. formados por partículas mais finas ainda . utilizado em solos de partículas de menores dimensões .

os maiores problemas de erosão e movimentação serão evitados. sendo que para todo tipo de conformação do terreno. uma vez que esse procedimento vai ser o responsável por reencaminhar o principal agente erosivo dos solos. uma vez que. para assim proporcionar a estabilidade desejada sem a possibilidade de eventos de movimentação ou desprendimento inesperados. CONCLUSÃO Existem atualmente muitos métodos para proporcionar estabilidade aos taludes. Nota-se ainda que para se garantir a estabilidade do terreno é necessária a adoção de métodos preventivos. que é a água. A drenagem é a prevenção essencial para evitar a movimentação das massas. a drenagem das águas pluviais. Faz-se necessário ressaltar que se deve avaliar o custo benefício dos meios de contenção e prevenção. Devidamente direcionada. poderemos executar os sistemas de contenção específicos. sejam eles de ocorrência natural ou conformados artificialmente. verificando a possibilidade de se utilizar materiais alternativos e também as dificuldades a serem encontradas no processo de execução. . os estudos geológicos e geotécnicos aliados ao conhecimento do clima local indicarão com precisão a metodologia executiva a ser realizada. com características próprias quanto ao processo de execução e resultado obtido. o que se mostrou o mais eficaz. Para isso o estudo preliminar do caso. existe uma tipologia de contenção que será a mais adequada a ser implantada. Cada método estudado tem aplicação específica. a aplicação de produtos para consolidar as partículas do solo e.27 8. como a utilização de cobertura vegetal. Uma vez implantados os meios de prevenção adequados.

pcc. • MANUAL DE GEOTECNIA – TALUDES DE RODOVIAS..pdf • http://pcc2435. Antonio.pdf .br/pdf/sistemas_contencao.28 9.arq.ufpr.pdf • http://wwwp. orientação de diagnóstico e solução de problemas – DER.usp.br/docente/andrea/TC422_aula1. • http://www.cesec.pdf • http://soniaa.unesp. editora Edgard Blücher LTDA. 2º edição. ano 1991.br/pbastos/concreto4/Muros%20Arrimo/Ap%20Obras %20Terra%202.feb. 1927.BIBLIOGRAFIA • MOLITERNO.ufsc.br/arq1206/2003/Temba/EstabilidadedeTaludes. Muros de Arrimo.prof.

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