“Reumatismos e Artrites” do Dr.

André Passebecq

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DR. ANDRÉ PASSEBECQ
(Presidente de "Vie et Actiun"

Reumatismos e artrites
Tratamentos naturais das: algias, artrites, artrose, epicondilite, gota, lumbago, osteartrite, osteoporose, poliartrite, reumatismo articular agudo, ciática, tendinite, etc.

LITEXA PORTUGAL Av. Rainha D. Amélia, 22-A — 1600 Lisboa Praça D. Filipa de Lencastre, 22, 6.°, sala 99 — 4000 Porto

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Conteúdo
Prólogo .......................................................................................................................................... 9 1. Uma mensagem de esperança ................................................................................................ 9 2. A minha experiência pessoal ................................................................................................... 9 3. Como estudar este livro?....................................................................................................... 10 Agradecimentos .......................................................................................................................... 11 Primeira Parte PROCESSOS PATOLÓGICOS DAS AFECÇÕES REUMÁTICAS 1. Classificação convencional dos reumatismos ....................................................................... 13 2. Síndromes de aptidão mórbida ............................................................................................. 13 a) As orientações patológicas...................................................................................................... 13 b) As raízes comuns ..................................................................................................................... 14 c) Desmineralização e artritismo................................................................................................. 14 d) Problemas na descendência ................................................................................................... 14 e) Problemas circulatórios .......................................................................................................... 14 f) A insuficiência metabólica ....................................................................................................... 15 g) Os ácidos ................................................................................................................................. 15 h) Perturbações por desmineralização ....................................................................................... 15 3. Causas das afecções artríticas e reumáticas ......................................................................... 16 a) Avaliação e transferência ........................................................................................................ 16 b) Os tratamentos falaciosos ...................................................................................................... 16 c) As causas de base .................................................................................................................... 16 4. Gota, reumatismo gotoso e reumatismo deformante ......................................................... 17 a) O terreno ................................................................................................................................. 17 b) As carências............................................................................................................................. 17 c) A síntese nutricional ................................................................................................................ 17 5. Ácido úrico: o inimigo nº 1 .................................................................................................... 17 a) Bioquimia ................................................................................................................................ 17 b) Homem e carnívoros ............................................................................................................... 18 c) As precipitações ...................................................................................................................... 18 d) Para uma alimentação atóxica ................................................................................................ 19 e) A infiltração urática ................................................................................................................. 19 6. Síntese, a intoxicação (ou toxemia) causa de doenças ......................................................... 19 a) Um factor essencial ................................................................................................................. 19 b) Origem da toxemia.................................................................................................................. 20 “Reumatismos e Artrites” do Dr. André Passebecq Página 3

c) A energia nervosa e enervação ............................................................................................... 20 d) Causas longínquas da doença ................................................................................................. 20 e) Cálcio e ácido úrico ................................................................................................................. 21 f) As "etiquetas" .......................................................................................................................... 21 g) Os falsos tratamentos ............................................................................................................. 22 h) Sintomas e complicações cardíacas ........................................................................................ 22 i) As dores do crescimento .......................................................................................................... 23 j) Hipóteses científicas recentes .................................................................................................. 23 7. Artrose, dores nas costas e coluna vertebral ........................................................................ 24 a) Nota anatómica ....................................................................................................................... 24 b) As algias ................................................................................................................................... 24 c) Causas das dores nas costas .................................................................................................... 24 d) Desportos e dores lombares ................................................................................................... 33 8. Riscos dos medicamentos anti-reumáticos e anti-artríticos ................................................. 34 9. Osteoporose e desmineralização .......................................................................................... 35 a) Causas iatrogénicas e medicamentosas .................................................................................. 35 b) Um exemplo: Responsabilidade da heparina ......................................................................... 37 10. Dados psicossomáticos sobre a artrite e o reumatismo ..................................................... 37 a) Os processos habituais ............................................................................................................ 37 b) Artrite e tensão nervosa ......................................................................................................... 38 c) Hostilidade e rebelião.............................................................................................................. 38 d) Medo e ansiedade................................................................................................................... 38 e) O reumatismo psicogénico ..................................................................................................... 39 f) A segurança emocional ............................................................................................................ 39 g) As doenças das costas ............................................................................................................. 39 h) A linguagem das costas ........................................................................................................... 39 11. Artrite, reumatismo e "placebo" ......................................................................................... 40 Segunda Parte AS TERAPÊUTICAS NATURAIS 12. Tratamentos naturais nas doenças agudas ......................................................................... 42 a) A doença é uma só .................................................................................................................. 42 b) Permitir a autocura ................................................................................................................. 42 c) O repouso ................................................................................................................................ 43 d) O sono ..................................................................................................................................... 43 e) O calor ..................................................................................................................................... 44 f) A limpeza.................................................................................................................................. 44 g) Banhos de água, de ar e de sol ................................................................................................ 44 “Reumatismos e Artrites” do Dr. André Passebecq h) Os intestinos............................................................................................................................ 44 Página 4

i) A dor ......................................................................................................................................... 44 j) A febre ...................................................................................................................................... 44 k) Intervenções complementares ............................................................................................... 45 13. Higiene de vida nos casos crónicos ..................................................................................... 45 a) Deve-se deixar agir a natureza? .............................................................................................. 45 b) Um modo de vida correcto ..................................................................................................... 45 c) O repouso ................................................................................................................................ 46 d) A alimentação ......................................................................................................................... 46 e) A bebida .................................................................................................................................. 47 f) O exercício físico ...................................................................................................................... 48 g) Ar e banho de ar ...................................................................................................................... 48 h) Sol e banho de sol ................................................................................................................... 48 i) A mudança de clima ................................................................................................................. 48 j) O factor mental ........................................................................................................................ 49 k) Febre e dor .............................................................................................................................. 49 m) Os intestinos, a prisão de ventre e a diarreia ........................................................................ 50 n) Modo de vida depois de recobrar a saúde ............................................................................. 50 o) Compensação e sobrevivência ................................................................................................ 51 14. A água e a hidroterapia ....................................................................................................... 51 a) Calor e transpiração ................................................................................................................ 51 b) A reacção ................................................................................................................................. 52 c) Com conta e medida! .............................................................................................................. 52 d) Equipamento e compressas .................................................................................................... 52 e) Banho completo ...................................................................................................................... 53 15. A alimentação saudável....................................................................................................... 53 a) A alimentação moderna, fonte de desequilíbrio .................................................................... 53 b) Conselhos para a composição da ração alimentar ................................................................. 54 c) Repartição da ração................................................................................................................. 54 d) A alimentação normal ............................................................................................................. 55 e) Casos particulares ................................................................................................................... 55 f) Conselhos importantes ............................................................................................................ 55 g) Complementos alimentares e remineralização ...................................................................... 56 16. Esquemas alimentares ........................................................................................................ 56 a) Durante a crise aguda ............................................................................................................. 56 b) Readaptação alimentar ........................................................................................................... 56 17. Alimentos autorizados e interditos ..................................................................................... 57 a) Alimentos aconselhados ou permitidos aos artríticos ............................................................ 57 “Reumatismos e Artrites” do Dr. André Passebecq b) Alimentos desaconselhados ou proibidos aos artríticos ........................................................ 58 Página 5

c) Os ovos são aconselhados aos reumáticos ............................................................................. 59 18. O jejum nas afecções reumáticas ........................................................................................ 59 19. Técnica dos pontos de Knap ................................................................................................ 60 a) Poder andar instantaneamente .............................................................................................. 60 b) Agir por via reflexa .................................................................................................................. 60 c) Bases científicas....................................................................................................................... 61 d) Uma certa clientela ................................................................................................................. 61 e) As zonas dolorosas .................................................................................................................. 61 f) Uma técnica fundamental ....................................................................................................... 62 20. Outros cuidados .................................................................................................................. 63 a) Talassoterapia ......................................................................................................................... 63 b) Termalismo-crenoterapia ....................................................................................................... 64 c) Argila........................................................................................................................................ 64 d) fitoaromaterapia ..................................................................................................................... 65 e) A sauna .................................................................................................................................... 65 f) Ortoterapia .............................................................................................................................. 65 g) Osteopatia, quiroprática e métodos manuais (Mézières, etc.) .............................................. 65 h) Homeopatia, acupunctura ...................................................................................................... 65 i) Técnicas anexas ........................................................................................................................ 65 Terceira Parte INDICE TERAPÊUTICO Algias generalizadas .................................................................................................................... 68 Artralgias ..................................................................................................................................... 68 Artrites ........................................................................................................................................ 69 Artrite blenorrágica ..................................................................................................................... 71 Artrose......................................................................................................................................... 73 Bursite ......................................................................................................................................... 77 Ciática .......................................................................................................................................... 77 Epicondilite (ou Epicondilose, Tennis elbow, Tennis arm, Cotovelo do jogador de ténis) ........ 78 Espondilartrite anquilosante ....................................................................................................... 79 Espondilodiscite .......................................................................................................................... 79 Febres e dores "de crescimento" ................................................................................................ 80 Gota ............................................................................................................................................. 80 Hallux valgus................................................................................................................................ 81 Lumbago ...................................................................................................................................... 81 Osteoartrite tuberculosa (ou tumor branco) ............................................................................ 81 Osteoporose ................................................................................................................................ 82 “Reumatismos e Artrites” do Dr. André Passebecq Poliartrite infantil ........................................................................................................................ 82 Página 6

Poliartrite reumatóide ................................................................................................................ 83 Reumatismo articular agudo (R.A.A.) (ou doença de Bouillaud) ................................................ 83 Tarsalgia dos adolescentes.......................................................................................................... 84 Tendinite ..................................................................................................................................... 85 Torcicolo ...................................................................................................................................... 86 Bibliografia .................................................................................................................................. 88

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O AUTOR
André Passebecq é, em França e em muitos países estrangeiros, tanto de expressão francesa (Canadá, Bélgica, Suíça...) como em Inglaterra. Itália, Espanha, Portugal, etc, reconhecido como um dos pioneiros mais activos dos métodos naturais de saúde. Ele adquiriu um conhecimento vasto e preciso dos problemas fisiológicos e psicológicos no decurso das diversas orientações da sua vida. Aos 30 anos foi obrigado a abandonar uma carreira profissional devido à doença (úlcera gástrica em planalto, reumatismo articular agudo, arritmia cardíaca, perturbações cutâneas, etc.). Felizmente, teve oportunidade de encontrar no seu caminho guias, graças aos quais, evoluiu com segurança no campo imenso dos métodos ortobiológicos. Doutorado em medicina e em psicologia, diplomado em naturopatia, fisioterapia, osteopatia, reeducação visual (método Bates), é igualmente diplomado em organização científica do trabalho (factor humano) grafologia, etc. Contribuiu para a criação da associação Vie et Action-CEREDOR em Vence (França) cujos cursos são reconhecidos pela Academia de Nice, assim como pelo Instituto de psicossomálica natural de Lausanne (Suíça). Vie et Action assegura a formação de muitas pessoas de todos os meios profissionais e sociais, graças a cursos por correspondência, estágios práticos, seminários de grupo, congressos... Uma brilhante equipa de colaboradores assegura também com dinamismo e competência, a vida desta associação, dos seus grupos regionais e das suas edições. Recentemente, André Passebecq foi encarregado de cursos de naturoterapia na faculdade de medicina Paris-XIII. Todos os livros escritos por este autor só, ou em colaboração -sintetizam portanto o fruto de uma experiência pouco comum.

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Prólogo
"Felizes aqueles que podem conhecer a razão das coisas"
(Virgílio)

1. Uma mensagem de esperança
As estatísticas médicas mostram-nos uma recrudescência do reumatismo e do artritismo. A importância destas afecções é considerável para a nossa sociedade. Com efeito, 4 milhões de franceses são atingidos de reumatismo (afecções repartidas numa centena de variedades); cerca de meio milhão são atingidos de poliartrite reumatóide; 70 000 sofrem de espondilartrite anquilosante (frequentemente depois da idade de 30 ou 40 anos), 95 000 homens e 5000 mulheres têm gota; 800 000 franceses sofrem de artrose da anca. Um inválido sobre 10 sofre de reumatismo. São dispendidas 20 milhões de jornadas de trabalho todos os anos devido ao reumatismo; por causa desta afecção, 65 000 franceses são obrigados a reformarem-se antecipadamente. Procura-se um micróbio ou um vírus; recorre-se a medicações cada vez mais agressivas. Como em muitos outros domínios da sua actividade, a medicina falhou na sua tentativa de combater a doença em vez de procurar conhecer as causas profundas das perturbações de saúde. A medicina natural apresenta uma concepção alternativa da doença e do restabelecimento. Graças a ela, muitos pacientes, julgados incuráveis, puderam ver as suas perturbações estacionarem ou mesmo desaparecerem. Tornou-se possível que alguns paralisados pudessem andar; pessoas que viviam subjugadas à dor podem agora conhecer uma existência confiante e calma. Não é necessário para isso, recorrer ao arsenal perigoso das drogas farmacêuticas. Como nos outros domínios da vida, a aplicação individualizada dos factores naturais de saúde é necessária e suficiente. Ainda aqui, portanto, temos que procurar as causas profundas das perturbações e rectificá-las. O organismo vivendo, graças à força medicadora natural de que é provido, fará espontaneamente o necessário.

2. A minha experiência pessoal
Tinha 20 anos quando vi morrer a minha avó. Aos 75, depois de ter tido uma dúzia de filhos, no termo de uma vida que foi quase sempre muito difícil, ela apagou-se suavemente, como uma vela chegada ao seu fim. Não sofreu. Não sabia o que era uma droga. Tinha vivido de sopas, legumes e frutos, com queijo fresco e por vezes um pouco de carne. De tempos a tempos bebia um chá de ervas que ela própria apanhava. Tinha eu 22 anos quando assisti à agonia de meu pai, aos 46 anos de idade. Desde a primeira guerra mundial, pela qual tinha passado, sofria de reumatismo articular e os seus medicamentos eram principalmente o salicilato de soda e a colquicina, que havia chegado a tomar permanentemente. Sofria atrozmente. O seu fim foi um indescritível calvário. Os rins e fígado estavam muito atingidos; assaltava-o constantemente uma sede insaciável. Tinha 25 anos quando conheci a minha primeira crise de reumatismo articular agudo (doença de Bouillaud). Desde então, entrei no ciclo infernal da droga. Quatro anos mais tarde, sem estar ainda livre do reumatismo, estava no estádio da úlcera gástrica em planalto, com neoformação. Os médicos militares (eu era oficial) aconselhavam a ressecção dos nervos do estômago ou a ablação deste órgão... na espera de algo melhor sem dúvida. O regresso à vida civil permitiu-me aplicar os cuidados de higiene natural depois de receber uma formação médica e naturopática e de beneficiar de uma considerável experiência no domínio dos métodos naturais. Esta experiência de cerca de trinta anos permitiu-me estudar e experimentar os diferentes métodos naturistas e apresentar um ensinamento ainda imperfeito, certamente, mas útil e correspondendo às vias naturais. Sei agora, pela minha experiência pessoal e pelos casos que pude estudar, que a artrite e o reumatismo, afecções extremamente dolorosas, são consideradas erradamente como incuráveis. Estas afecções são incuráveis se nos limitarmos aos tratamentos clássicos, tratamentos muitas sintomáticos, que só têm em vista a supressão dos sinais e da dor, mas não atingem as causas profundas.

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Estas doenças têm cura na maior parte dos casos. Sim, na sua grande maioria, os reumáticos e os artríticos podem curar-se através de meios simples, pouco custosos e nada perigosos. Podem praticamente ter uma vida normal, se aceitarem muito simplesmente modificar a sua higiene de vida. Uma vez rectificadas as causas das perturbações, a força medicadora natural entrará em acção. Devemos apenas confiar nela...

3. Como estudar este livro?
Uma nota preliminar: não procure encontrar aqui termos sábios, explicações bioquímicas aprofundadas, que não seriam compreendidas pela maioria dos leitores aos quais se destina este livro de vulgarização. A minha preocupação é de procurar ser útil à maioria das pessoas. Além disso, ter-me-ia sido mais fácil recopiar centenas de indicações tiradas ao acaso das minhas leituras. Quis no entanto, integrar nos meus livros dados dos quais tive oportunidade de provar a eficácia. Separar o trigo do joio, é uma das preocupações mais urgentes da nossa época, em que abundam os mais estranhos ensinamentos. Alguns médicos acharão que este livro dá pouca atenção às terapêuticas actuais, que têm no entanto para muitos o maior crédito. Para isso transportemo-nos ao capítulo intitulado "Riscos das medicações antireumatismais e antiartríticas". Temos coisas mais importantes a fazer na vida do que nos envenenarmos! Amigo leitor, tem portanto, possibilidades de resolver o seu problema. 1) Procure no Índex terapêutico, o ou os títulos correspondentes ao seu caso e leia o estudo que é apresentado sobre esse problema. 2) Depois estude em detalhe a primeira parte deste livro, relativa às causas assim como às medidas correctivas e cuidados naturais a pôr em acção na generalidade das perturbações artríticas e reumatismais. É um ensinamento que temos a transmitir-lhe e não uma "pílula natural". Com tempo e calma, procure compreender bem e aplicar com seriedade, perseverança e confiança os preceitos da psicossomática natural. Não terá de que se arrepender.

DR. ANDRÉ PASSEBECQ Presidente de Vie et Action Encarregado do curso de naturoterapia na faculdade de medicina

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Agradecimentos
A minha gratidão vai para aqueles graças aos quais, há mais de trinta anos, pude compreender o sentido dos males de que sofria. Estes "naturopatas" eram pioneiros navegando em águas extremamente hostis. Considerados como charlatães malignos, bons apenas para serem entregues à justiça, isto é, pouco recomendáveis, exerciam a sua arte com a convicção de serem úteis aos seus semelhantes e reuniam incansavelmente os frutos das suas observações e das suas experiências. Persuadidos de estarem na boa via, eles deploravam os erros, as ignorâncias, o ódio e a estreiteza de espírito dos seus adversários. Nos nossos dias, sob a pressão dos factos económicos, os problemas de saúde são reexaminados. A amplidão do desastre pode já ser apercebida; é preciso, com urgência, mudar a orientação tomada pela medicina. Anuncia-se uma revolução médica. Formam-se novas gerações de médicos e de conselheiros de vida sã, que difundirão sempre mais profundamente a higiene e a medicina herdeiras da fecunda tradição hipocrática. O meu reconhecimento vai também para o professor Raymond Lautié, que foi — e é ainda — um eminente pioneiro desta medicina da vida e da saúde. Ao meu editor, M. Anstet-Dangles, renovo uma vez mais os meus agradecimentos pela confiança de que me honra ao me encarregar, depois de outros seis livros, da redacção deste.

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PRIMEIRA PARTE

Processos patológicos das afecções reumáticas

"A vida é curta, a Arte é longa, a ocasião fugitiva, a experiência enganosa, o julgamento difícil." Hipócrates (Aforismos)

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1. Classificação convencional dos reumatismos
1. Reumatismos agudos A) Articulares: 1.Doença de Bouillaud (ou reumatismo articular agudo, R.A.A.). 2.Reumatismos infecciosos: gonocócicos, tuberculosos, escarlatinos, sifilíticos, bacilares. 3. Artrites agudas: alérgicas. B) Extra-articulares: Periartrite escapo-humeral, nevralgia cervico-braquial, doença de Dupuytrem, lumbago, ciática. 2. Reumatismos crónicos A) Poliartrite crónica evolutiva (P.C.E.) B) As artroses: coxartrose, gonartrose, rizartrose do polegar, reumatismo vertebral, gota. Devemos acrescentar aqui o que a medicina chama "as complicações do reumatismo", em particular certas inflamações cardíacas (miocardite, endocardite, pericardite, "sopro no coração", etc). Há outras perturbações que podem estar próximas da patologia articular: — tendinites, lesões dos tendões; — discopatias, hérnias discais, certas lesões da coluna vertebral.

Um pouco de etimologia A palavra reumatismo vem do grego rheo significando "correr". Com efeito, segundo a antiga teoria dos humores, as dores e as perturbações parecem "correr" de uma localização ou de uma articulação à outra. A palavra artrite vem do grego arthron significando articulação. A terminação ite (por exemplo artrite) designa perturbações inflamatórias; a terminação ose (por exemplo artrose) designa as doenças degenerativas.

2. Síndromes de aptidão mórbida
a) As orientações patológicas
A expressão "síndrome de aptidão mórbida" é do doutor Carton, que a estudou particularmente bem no seu notável tratado de medicina, de alimentação e de higiene naturistas (esgotado). Vamos dar um resumo relativo ao artritismo e ao reumatismo. O estudo das doenças do estado geral do organismo deve preceder e unificar o estudo das doenças locais. A medicina clássica só se ocupa do estudo clínico das doenças declaradas. Ela é assim levada a tratar unicamente as doenças que acabam e a deixar substituir as suas causas determinantes. A medicina naturista, pelo contrário, dá uma grande importância descritiva às grandes síndromes premonitórias. Ela procura principalmente despistá-las e discerni-las através das fixações mórbidas secundárias. Assim ela luta directamente contra as infecções que começam ou contra as causas deficientes das doenças declaradas. Nos livros de medicina clássica, as doenças são catalogadas e descritas isoladamente, como entidades independentes, a maior parte das vezes, do estado íntimo da pessoa e susceptíveis de se abater sobre ela sob a influência de certas circunstâncias puramente exteriores, fortuitas e múltiplas como mal determinadas (micróbios, intempéries, etc).

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b) As raízes comuns
A medicina naturista, em contrapartida, procura antes de tudo conhecer as alterações principais do estado geral que constituem as raízes comuns das doenças catalogadas, mesmo as mais diversas. Ela orienta então logicamente os seus esforços terapêuticos em direcção à correcção das viciações humorais que são as fontes das doenças locais. Síndromes de aptidão mórbida precedem e preparam a eclosão das doenças secundárias. Existem portanto, atrás das múltiplas afecções detalhes dos grandes síndromes ou processos mórbidos de ordem geral que preparam a sua eclosão e dirigem a sua evolução. Elas são ao mesmo tempo premonitórias e essenciais. Se pudermos pô-las em relevo e agrupá-las, somos capazes de tomar precauções úteis em tempo desejado, de evitar perturbações graves e de cultivar a saúde em vez de nos debatermos contra a doença declarada. A aptidão mórbida pode-se revelar ao clínico sob aspectos variados que, embora muito diferentes primeiramente, não deixam de estar quase todas sob a comum e estreita dependência de um conjunto sintomático primitivo e fundamental. É a síndrome de intoxicação digestiva, com múltiplas faces, com predominâncias individuais muito diferenciadas, cujas expressões locais e a repercussão à distância constituem o que se chama pequeno artritismo.

c) Desmineralização e artritismo
Entre os grupos de perturbações secundárias saídas desta síndrome inicial, há dois principais que desempenham um papel preponderante na génese e na persistência das doenças que definem: — a síndrome de desmineralização; — a síndrome de hiposistolismo por reflexo digestivo e pletora artrítica. Por fim, quando por outro lado, a aptidão mórbida se declara, seguida de insuficiência nutritiva, quer seja por verdadeiro defeito de alimentação (carência nutritiva, vitamínica, etc), quer seja pela incapacidade assimiladora do organismo, encontrar-nos-emos em presença da síndrome de desnutrição. No síndrome de intoxicação digestiva, aparecem perturbações tróficas electivas que se apresentam raramente no estado isolado. Elas alternam a maior parte das vezes com outras manifestações secundárias, as doenças do sistema locomotor, isto é dos músculos, dos ossos e das articulações. Dá-selhe o nome genérico de artritismo. As dores osteoarticulares, primeiramente vagas, móveis, fugazes, fixam-se sobre certas articulações que obstruem pouco a pouco os resíduos da nutrição. Elas provocam com a continuação tensões, estalidos, retracções e finalmente conduzem ao aparecimento de acidentes maiores da mesma categoria, isto é. reumatismos articulares agudos, crónicos, deformantes, anquiloses (espondilose rizomélica, artrite seca, etc), gota. O sistema muscular, primeiramente hiperatrofiado, na fase florida de intoxicação, lembra então a hipertrofia irrazoável de alguns anormais dos meios atléticos, cujos sucessos extraordinários e de curta duração são devidos a um hiperfuncionamento vindo em resposta adaptativa a excitantes alimentares demasiado copiosos ou perniciosos.

d) Problemas na descendência
E não é raro observarmos nestas gerações de músculos exuberantes, porque o organismo novo pode restabelecer a compensação reaccional, sucederem-lhes descendentes enfezados, afectados por insuficiência muscular e deformações esqueléticas. São então constatados mialgias, derreamentos, atrofias e relaxamentos do tónus muscular, que se estendem a todos os músculos da economia, superficiais e viscerais, e provocam perturbações de astenia, de ptoses viscerais, das dilatações gastro-intestinais, das debilidades miocárdicas e respiratórias, etc. Por outro lado, o tecido conjuntivo responde às irritações tóxicas segundo dois processos que muitas vezes se associam: a esclerose e a invasão gordurosa.

e) Problemas circulatórios
O sistema circulatório sofre de duas maneiras o contragolpe do envenenamento alimentar, primeiramente pela irritação directa que os resíduos nocivos passados no sangue provocam sobre o endotélio vascular, depois pelas perturbações vasomotoras que resultam de poderosos reflexos que partem das vias digestivas lesadas.

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No princípio, estas perturbações são puramente funcionais e consistem em hipertensão por pletora e vaso constrição, em indisposições cardíacas, palpitações, angústias, falsas cardiopatias 1. Mais tarde, elas provocam pouco a pouco lesões anatómicas de arteriosclerose geral ou visceral, de ateroma, alterações valvulares, problemas arteriais ou venosos (anevrismos, varizes, acne), rupturas vasculares diversas (hemorragias viscerais, cerebrais, hemorroidais, etc). Observamos também perturbações digestivas muito variadas (estômago, intestinos, fígado, etc). É preciso igualmente ter em conta o síndrome de desmineralização.

f) A insuficiência metabólica
A desmineralização resulta principalmente de uma insuficiência metabólica das substâncias ácidas. Esta incapacidade de assimilar e de utilizar correctamente os ácidos da alimentação é a fonte, pouco mais ou menos ignorada dos clássicos, de uma quantidade de afecções anemiantes, descalcificantes, corrosivas e secundariamente infecciosas, que têm nelas a sua principal razão de ser e que, em seguida, se curam pela dietética anti-acidificante. Podemos tornar-nos tuberculosos depois de viciações metabólicas das substâncias azotadas, hidrocarbonadas, cloretadas ou ácidas, segundo formos, reumáticos, diabéticos, brighticos, ou simplesmente desmineralizados. As carnes, as gorduras e os açúcares, transformados incompletamente, espalham-se na circulação sob a forma de produtos ácidos (úrico, láctico, etc), que o organismo se mostra incapaz de queimar, de oxidar, transformar em produtos alcalinos antes de os eliminar. Por outro lado, esta impotência metabólica revela-se ao mesmo tempo em relação aos materiais ácidos que existem em grande número de alimentos (tomates, azedas, vinagre, frutos acídulos).

g) Os ácidos
Normalmente, com efeito, os sais ácidos dos frutos sofrem no organismo uma oxidação que os transforma em carbonatos alcalinas e que faz que definitivamente uma dose muito copiosa de ácidos, de sumo de limão por exemplo, se saldem por uma forte alcalinização das urinas, operada por reacção, tal é o mecanismo da metamorfose dos ácidos nas pessoas possuidoras de uma vitalidade celular integral ou pelo menos indemnes de uma perturbação sobre a elaboração dos ácidos. Mas, naqueles, cujas células esgotadas são lesadas nas suas capacidades de metabolismo dos ácidos, a neutralização dos ácidos e sais ácidos naturais permanece imperfeita, inacabada, e a sua passagem nos meios humorais faz-se sem que eles sejam inteiramente modificados. É então necessário que, para evitar a circulação de ácidos incompletamente transformados no sangue e no seio dos tecidos, assim como para neutralizar os de origem endogénica que resultam do metabolismo inacabado das carnes, gorduras e açúcares, os meios de preservação natural intervenham. O que a célula digestiva foi incapaz de realizar pelas suas próprias forças demasiado deficientes, o resto do organismo esforçar-se-á por realizar. O mecanismo regulador da alcalinidade humoral intervém neste momento. Ele exige uma rápida correcção dos ácidos vindos dos acto digestivo incompleto ou anormal, porque a alcalinidade do sangue e dos humores é indispensável na continuidade da vida e a sua flexão a uma taxa inferior à normal significa a perda das imunidades naturais e cria a aptidão mórbida e infecciosa. É então que o organismo opera a correcção necessária e provê à insuficiência metabólica das células digestivas em relação aos ácidos por uma mobilização, um deslocamento das bases alcalinas e dos sais minerais extraídos do fundo constitucional do organismo. Os minerais alcalinizantes são portanto subtraídos aos ossos, aos dentes, às células de todos os tecidos por uma degradação defensiva e combinarse-ão aos' ácidos prestes a entrar em circulação, de maneira a neutralizá-los.

h) Perturbações por desmineralização
Ao mesmo tempo, observamos uma outra defesa natural. Os emunctórios entram em acção para eliminar os infelizes produtos ácidos ao mesmo tempo que a sobrecarga de sais minerais tirados ao organismo. O intestino, o rim, a pele, a mucosa respiratória, o útero, as glândulas salivares e lacrimais, etc, são então atingidos por estas eliminações corrosivas e tornam-se focos de perturbações: inflamações, infecções chamadas microbianas, litíases. etc.

Ver do mesmo autor: Truitements naturels des afections circulatoires, (Collection santé naturelle, Editions Dangles).

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A acidificação humoral, com as suas perturbações de desmineralização cria uma aptidão mórbida especial em relação às infecções e sobretudo à tuberculose. Pode-se compreender que é necessário uma alimentação bem estudada, ao mesmo tempo que a vitalidade do organismo será mantida ou aumentada por medidas bem concebidas de higiene geral de vida: ar puro e sol, com prudência e progressivamente, exercício, repouso, equilíbrio emocional, etc. Os factores de desmineralização serão, é claro, procurados e eliminados sistematicamente. Voltaremos a falar nisto na parte consagrada à alimentação e aos factores naturais de saúde.

3. Causas das afecções artríticas e reumáticas
a) Avaliação e transferência
As causas do reumatismo e da artrite são de duas espécies, e estamos aqui de perfeito acordo com o doutor Paul Carton: — Por um lado, as causas de avaliação do corpo, que resultam de uma alimentação hiperprotídica e hipermineralizada, obstruem as articulações. Está igualmente em causa uma insuficiência de desgaste físico, conduzindo a uma espécie de enferrujamento dos tecidos. Em certos casos, são de incriminar a sobrecarga física e os excessos, porque eles conduzem a uma fragilização das articulações. — É preciso também contar com o que Carton chamava as "causas de transferência mórbida", que ele tinha assinalado "a propósito da acção prejudicial das imunidades artificiais, criadas pelos tratamentos vacinadores e seroterápicos, que deslocam o eixo das determinações mórbidas. Com efeito, o entrave provocado nas doenças agudas, estranguladas pelos séruns e as vacinas (varíola, febre tifóide, difteria) ou impedidas pelos cuidados antimicrobianos (sarampo, escarlatina, cólera, etc.) só provoca o retardamento e a deslocação da obra da selecção natural uma vez que, as condições de vida antifisiológicas não são tornadas claras nem corrigidas, o estado de preparação mórbida, de intoxicação humoral e de deterioração do terreno perpetua-se e acha-se mesmo agravado pelos desarranjos humorais que os séruns, vacinas e picadas químicas violentas provocam. Não podendo estas faltas ficar impunes, a obra obrigatória da selecção natural, afastada da sua via directa, exerce-se agora indirectamente por doenças crónicas e taras de degenerescência. Tal é a explicação certa do recrudescimento das infecções e das desordens crónicas que se constatam na humanidade, depois da era pastoriana, que ao lado de reformas químicas importantes, negligenciou totalmente o reforço da cultura essencial das imunidades naturais do terreno orgânico, que podem e devem permanecer soberanas. Às doenças agudas são então substituídas as afecções e taras crónicas, isto é o aumento desesperante dos casos de loucura, de suicídio, câncer, diabetes, insuficiências glandulares, escleroses neuro-vasculares, artritismo e reumatismos."

b) Os tratamentos falaciosos
Na sua diatribe, o doutor Carton prossegue: "Como se tratam os reumáticos e os artríticos'.' Sãolhes aplicadas todas as medidas de degradação da espécie: alimentação tóxica e ácida, medicações químicas, vacinas, picadas endocrinianas, tão ofensivas à especificidade humoral como os séruns, substâncias irradiadas e raios destruidores do capital vital das células nobres do corpo, enfim falsificações dos cérebros, orientados em direcção às causas irreais e cada vez mais cegos sobre as justas regras de cura e sobre as verdadeiras leis da saúde. "Isto é o mesmo que dizer que o tratamento exacto do reumatismo, em vez de ser o objecto de cuidados especializados, prescritos por teóricos sem ideias gerais, deveria consistir primeiramente na aplicação do quadro geral da vida sã: — alimentação correcta, completa e natural; — exercício e repouso alternados logicamente e individualizados; — banho de ar e hidroterapia."

c) As causas de base
"Os três grandes factores alimentares do reumatismo são: 1. A sobrecarga protídica. Excesso alimentar; excesso de carne; carnes muito putrescíveis; pão integral; excesso de legumes secos. 2. A sobrecarga mineral por excesso de alimentos em geral, mesmo de legumes e de frutos. 3. A acidificação humoral, resultante da presença de ácidos endogéneos, (láctico, úrico) e exogéneos (frutos de má qualidade, insuficientemente maduros, ruibarbo, azeda, ameixas...). Estes

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ácidos, para serem neutralizados, mobilizam com efeito, os sais calcários dos ossos e dos tendões, o que obstrói finalmente de depósitos patológicos as zonas peri-articulares e os emunctórios (com formação de litíases)."

4. Gota, reumatismo gotoso e reumatismo deformante
a) O terreno
O doutor Carton insistiu sobre o facto de que, para se declarar, a gota e o reumatismo gotoso devem encontrar um terreno orgânico especial e condições de regime e de higiene bastante particulares, agindo tudo como causas determinantes. "A tara hereditária artrítica do terreno, com as suas insuficiências orgânicas e as suas incapacidades metabólicas, é uma condição necessária do desenvolvimento das alterações gotosas. É preciso primeiramente que os ascendentes tenham cometido abuso de mesa (alimentação muito azotada) ou de bebidas (bebidas fermentadas ou destiladas) ou das duas ao mesmo tempo, para que a segunda ou a terceira geração fique camada, esgotada organicamente, e já não possa transformar tão facilmente as bebidas e os alimentos fortes. "As lesões gotosas são constituídas principalmente pelos depósitos de urato de cal que se fixam nos tecidos articulares e periarticulares. É por esta razão que tudo o que, no regime e na higiene, produz um depósito exagerado de uratos (materiais azotados copiosos ou concentrados ou tóxicos: carnes pretas, caça, porco, toucinho, legumes descascados, queijos em excesso, alimentos fortes, azedas, ruibarbos) e de sais minerais (legumes verdes cozidos sem mudar a água da cozedura, leite e derivados, pão integral, caldo de legumes forte, água calcária) favorece a aparição e a permanência da gota."

b) As carências
"Ao mesmo tempo, a insuficiência da marcha e do exercício muscular contribui muito para aumentar a inutilização dos materiais nutritivos já em sobrecarga, e o engorduramento dos tecidos. "Além disso, os materiais azotados fortes ou tóxicos podem, em certos períodos da evolução da doença, proceder dos tecidos do próprio doente, se ele for submetido a um regime demasiado hipoazotado ou a um jejum demasiado rigoroso. Aqui, como para qualquer afecção, a insuficiência nutritiva azotada mostra-se quase tão nociva como o excesso."

c) A síntese nutricional
"Por outro lado, a boa síntese de todos os materiais alimentares é muito útil para assegurar a nutrição correcta e a utilização mineral das rações normais, nos gotosos. A ração açucarada, entre outras, deve sempre ser atentamente regulada, bem suficiente e apropriada segundo as estações, os anos e as tolerâncias individuais. " Vulgarmente os tratamentos clássicos da gota são mal dirigidos. Por vezes, eles limitam-se à prescrição de medicamentos: cólquico, salicilato, aspirina, piramido, etc. Se for prescrito um regime, ele passa quase sempre ao lado da verdade clínica, porque é baseado sobre teorias de laboratório desmentidas pela experiência clínica. "É assim que o laboratório proscreve todos os alimentos chamados purinas, tais como as carnes brancas, que no entanto são sempre mais bem toleradas que as vermelhas, os espinafres e os feijões verdes que, se forem cozidos em várias águas, para perderem a sua mineralização, são tolerados, salvo no decurso de verões muito secos e de anos de grande actividade das manchas solares. Ao lado disto, os legumes secos tão perigosos, o leite e derivados demasiado ricos em cal, os caldos de legumes fortes, o tomate, o toucinho (perna de porco) são especialmente recomendados por estes médicos ignorantes."

5. Ácido úrico: o inimigo nº 1
a) Bioquimia
O ácido úrico é uma das substâncias mais nocivas para o organismo. O seu estudo necessita primeiramente de ser acompanhado pelo dos nucleo-proteínas. As nucleo-proteínas resultam da combinação de um ácido fosfórico orgânico (ácido nucleico) com uma proteína das histonas básicas. As nucleo-proteínas e as nucleínas são constituintes dos núcleos das

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células e elas são muito abundantes nos tecidos glandulares animais tais como o timo, o baço e o pâncreas. As nucleo-proteínas encontram-se em todos os prótidos alimentares de origem animal, salvo nos ovos e leite. Durante os processos metabólicos e os de degeneração, as nucleo-proteínas sofrem uma hidrólise e uma acção enzimática e decompõe-se ou dividem-se primeiro em proteínas e nucleína. Da nucleína deriva o ácido nucleico. Este decompõe-se em ácido fosfórico, ácido sulfúrico e purinas. As purinas decompõem-se ulteriormente em substâncias tais como a adenina a guanina que, por oxidação, dão a xantina e a hipoxantina. O produto final é o ácido úrico.

b) Homem e carnívoros
O ácido úrico excretado pelo homem é o sub-produto terminal da decomposição das purinas. Nos animais carnívoros, o produto terminal não é o ácido úrico mas uma substância mais simples: a alantoína. O ácido úrico do homem é derivado das nucleínas da alimentação ingerida ou das nucleo-proteínas dos próprios tecidos do corpo. Acrescentemos que duas causas principais favorecem a formação do ácido endogénico (interno, sub-produto do metabolismo celular): a actividade muscular interna e os estados febris acompanhados de uma aceleração do metabolismo azotado. O ácido úrico, sob a sua forma química, é um sólido branco e cristalino inodoro e insípido, dificilmente solúvel na água (1/15000), o que explica que ele se deposita rapidamente nos tecidos. Consequências: Esclerose, endurecimento, formação de concreções especialmente no fígado, nos rins, nas cartilagens das articulações, nos músculos, daí resultam cálculos hepáticos, biliares, renais, reumatismo, gota, ciática, nevrite.

c) As precipitações
O ácido úrico é solúvel nos ácidos concentrados e nos alcalis. Quando há soluções coloidais que contêm substâncias opostas, muitos colóides são precipitados por outras soluções coloidais. É o que acontece quando o constituinte activo de alcalóides tal como o cacau, chá, o café (isto é teobronina, tanino e cafeína) vêm em contacto com o ácido úrico, causando a sua precipitação em cristais de uratos muito pouco solúveis. O processo de precipitação do ácido úrico e o seu depósito nos tecidos é ilustrado pela experiência seguinte: Acrescentemos clara de ovo (colóide) ao chá ou ao café quente: o colóide combina-se com os elementos amargos do chá ou do café (ácido tânico ou cafeína) e precipita-os, retirando o gosto amargo destas bebidas e tornando-as mais doces e mais saborosas. Produz-se uma reacção semelhante no corpo pela cafeína, o ácido tânico e a teobronina quando eles se combinam com o ácido úrico do sangue, uma vez que o ácido úrico possui as mesmas propriedades coloidais que a clara de ovo. Os alcalóides aqui mencionados (ácido úrico, xantinas e bases úricas) podem também ser precipitadas pelos ácidos minerais ou orgânicos de igual modo que pelo álcool, a nicotina, certos medicamentos (numerosos).
QUADRO DAS PURINAS (segundo o doutor Moller) Alimentos animais Extracto de carne Liebig Extracto de carne Liebig Molejos 3 063 de vaca ....... 1 050 Sardinhas no óleo ..... Fígado ................. Carne de vaca .......... Linguado .............. Vaca ................. 315 244 155 136 108 100 76 58 58 Alimentos vegetais Chá ............... Kola ......... Cacau em pó . Café torrado Lentilhas ......... Aveia ........ Ervilhas verdes Espinafres Espargos . . . Couve-flor Cogumelos 2 800 2 200 1 880 1 160 142 79 71 52 50 21 13

Queijo .................

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A tapioca (mandioca), a couve branca, as cebolas, os frutos secos frutos frescos não e os contêm purinas.

Os carnívoros absorvem, além do ácido úrico, outros produtos de resíduos tóxicos presentes nos tecidos animais no momento em que são abatidos: creatina, creatinina, leucomaínas, ptomaínas, ureia, D.D.T., antibióticos, etc. Assim o consumo de carne, leguminosas, chá, café, cacau, etc, aumenta consideravelmente o trabalho exigido destes dois órgãos vitais que são o fígado e os rins. O ácido úrico, se não é rapidamente e correctamente eliminado, torna-se um veneno para o organismo humano. Ora, a capacidade de eliminar o ácido úrico é muito limitada no homem. Os seus rins não parecem estar aptos a eliminar este veneno tão rapidamente como é formado, se a alimentação contiver um excesso de alimentos ricos em purinas.

d) Para uma alimentação atóxica
Análises de urinas de grupos diversos de homens mostraram que, durante 24 horas: — os homens vivendo exclusivamente de pão eliminam 0,25 g de ácido úrico; — os homens vivendo exclusivamente de carne eliminam 1,30 g de ácido úrico; — os homens recebendo uma alimentação mista eliminam 0,55 g de ácido úrico. Podemos pensar que uma alimentação de legumes verdes, de frutas e de frutos oleaginosos teria dado lugar a uma emissão ainda mais fraca de ácido úrico do que no caso do regime exclusivo de pão. Um regime cárneo produz no corpo 4 ou 5 vezes mais ácido úrico que um regime vegetariano. Os animais carnívoros (cão, gato, tigre, etc.) são melhor equipados que o homem para decompor e eliminar o ácido úrico. Eles possuem proporcionalmente um fígado mais volumoso e uma enzima chamada uricase, que tem a propriedade de transformar o ácido úrico num sub-produto: a alantoína mais facilmente eliminada. Mas a uricase não é encontrada no organismo humano, daí a dificuldade que este sente para eliminar o ácido úrico. Experiências mostraram que, nos cães de diversas espécies, 98% do ácido úrico é oxidado para formar a alantoína antes da excreção. O organismo dos animais normalmente vegetarianos (incluindo o homem) não está adaptado para a eliminação eficiente do ácido úrico. No homem e nos macacos chamados "superiores", a percentagem de ácido úrico convertido em alantoína é de 0 a 2% somente. Assim, no homem e nos animais vegetarianos, uma parte do ácido úrico formado é eliminado tal qual, por excreção forçada, através dos rins, que o ácido irrita e degrada. O ácido úrico não eliminado é, sabemo-lo, precipitado por ácidos ou alcalóides e deposita-se nos tecidos (músculos e articulações). Concebemos portanto melhor agora, a importância do papel desempenhado pelo ácido úrico e os alimentos ricos em purinas no processo de esclerose de artritismo e de formação dos cálculos biliares e renais.

e) A infiltração urática
É uma forma de petrificação de certos tecidos caracterizada por um depósito de urato de sódio e de uma certa quantidade de bicarbonatos e de fosfatos. Causas da infiltração urática: principalmente, ingestão de quantidades excessivas de alimentos fornecedores de ácido úrico (carne, peixe, leguminosas).

6. Síntese, a intoxicação (ou toxemia) causa de doenças
a) Um factor essencial
Nas doenças reumáticas e artríticas como na maioria das outras, um factor importante é representado pelo fenómeno que nós chamamos toxemia. Damos a seguinte definição geral da toxemia: Estado orgânico caracterizado pela presença no sangue, na linfa, nas secreções e nas células, de toda substância (de alguma fonte e de qualquer natureza que seja) contrária às necessidades das células e do organismo. Para lá de um certo princípio, a toxemia causa uma alteração do funcionamento (e por vezes da estrutura) do organismo.

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b) Origem da toxemia
O metabolismo da célula forma sub-produtos, resíduos tóxicos. Normalmente, as células rejeitam estes resíduos na linfa, que os transporta no sangue, o qual os arrasta por sua vez até aos órgãos de excreção encarregados da sua eliminação (fígado, rins, pele, pulmões, intestinos, etc.) Trata-se aqui de uma intoxicação. Acrescenta-se a isto frequentemente uma intoxicação devida à introdução fraudulosa no sangue, de humores e células de substâncias tóxicas (medicamentos e drogas, aditivos alimentares, produtos vindos da cultura, armazenamento, criação, etc. Enquanto a eliminação se operar de uma maneira satisfatória e normal, isto é, enquanto as células, o sangue e a linfa se purificarem regularmente, a saúde das células e a saúde geral são asseguradas. Quando a eliminação se torna insuficiente, as toxinas e os tóxicos acumulam-se na célula.

c) A energia nervosa e enervação
A eliminação é assegurada normalmente enquanto a energia nervosa da qual dispõe o organismo está no seu nível mais elevado. Quando este nível baixa, as funções orgânicas enfraquecem-se. O abaixamento do potencial nervoso (enervação) tem por consequência uma redução da eliminação. A toxemia é portanto um efeito da enervação. Como portanto sobrevêm a enervação? A energia nervosa é utilizada pelas diferentes funções do organismo: nutrição, motilidade, reprodução, actividade cerebral. Cada acção do organismo, mesmo ligeira e de muito curta duração, de uma parte qualquer do corpo provoca uma perda ou um desgaste de energia. Esta é normalmente recuperada no decurso do sono e do repouso. Quando o desgaste energético é superior à recuperação, as reservas de que o organismo dispõe esgotam-se. A enervação aparece e aumenta progressivamente enquanto persistem os mesmos hábitos.

d) Causas longínquas da doença
A enervação é a causa imediata da doença. Ela própria é devida às seguintes causas longínquas: — Excessos. Os excessos de toda a espécie provocam sempre um desgaste inútil de energia. O excesso alimentar o cansaço, os banhos excessivamente quentes ou frios prolongados, as temperaturas extremas, a exposição demasiada ao sol, o excesso de trabalho não compensado pelo repouso, a tensão nervosa permanente, etc, conduzem à enervação. — Deficiências e carências. A alimentação carenciada, desnaturada, a insuficiência de sol, de ar puro, água pura, exercício, etc, reduzem a recuperação da energia nervosa. — A excitação. O hábito geral de tomar excitantes e drogas (medicamentos para combater a fadiga, café, chá forte, coca cola e bebidas aparentadas, uso do tabaco, do álcool, condimentos irritantes, etc.) conduz a uma insuficiência de repouso celular e à enervação. Causas psicológicas e psicosociológicas: medo, ansiedade, ódio, insatisfação, exaltação, inveja, ciúme, complexos de abandono, de inferioridade, de culpabilidade, etc, são factores de enervação. Por outro lado, o barulho, os riscos de guerra e de desemprego, os excessos de espectáculos excitantes, a fadiga excessiva de vida, a televisão, etc, o meio sociológico actual são causas de enervação a não negligenciar. Meio físico e radiações: os climas frios e húmidos ou demasiado quentes, a ionização excessivamente positiva do ar, certos fenómenos telúricos (que estuda nomeadamente a geobiologia) podem ser factores patogénicos muito negligenciados. A doença tem portanto causas muito complexas. A doença é a consequência de antecedentes muito variados, próprios do indivíduo ou dos seus genitores assim como do seu meio de vida. Não existe causa única neste domínio. Quando um indivíduo está saturado de toxinas e de tóxicos, toda a influência enervante adicional que vem inibir a eliminação elevará o nível de toxemia para além do ponto de tolerância e tornará necessário um processo orgânico de eliminação libertadora. Esta influência adicional poderá ser: uma temperatura muito elevada ou muito baixa, uma refeição demasiado copiosa, um excitante, emoções excessivas, um excesso momentâneo de desgaste físico, uma emoção... Num indivíduo supertoxémico, aparecerá portanto uma crise de desintoxicação a que se chamará doença e que se imputará à influência adicional, ou causa desencadeadora, enquanto esta não é com efeito senão secundária e absolutamente ocasional: a causa das perturbações é com efeito a toxemia.

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A crise de desintoxicação, que se chama doença aguda, é caracterizada pela febre, aumento de transpiração, eliminações pela boca, ânus, pele, rins, pulmões..., urinas carregadas, hálito fétido.

e) Cálcio e ácido úrico
Em certos indivíduos, depositaram-se microcristais de pirofosfato de cálcio ou de ácido úrico nomeadamente nas articulações. À temperatura normal do sangue (37°), estes cristais são sólidos e lesam as articulações (nomeadamente as cartilagens) assim como os músculos e os nervos, produzindo dores. Quando a temperatura do corpo aumenta o suficiente, estes cristais podem tornar-se líquidos e ser levados pelo sangue, transformados no decurso da sua passagem no fígado e eliminados pelos rins e a pele nomeadamente. A febre localizada na inflamação reumatismal é portanto normal e mesmo necessária. Graças à crise de desintoxicação induzida espontaneamente pelo organismo, o indivíduo encontrar-se-á progressivamente livre das substâncias que o perturbaram.

Articulação normal Articulação artrítica: metabolismo cálcico perturbado

f) As "etiquetas"
As perturbações agudas são etiquetadas segundo as suas formas aparentes e a sua localização. No reumatismo, temos assim uma inflamação das articulações e dos tecidos musculares ou outros.

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A palavra "gota" aplica-se habitualmente às inflamações das articulações dos dedos dos pés. O termo "reumatismo" pode também designar a inflamação muscular. O lumbago é o reumatismo das costas na região lombar. Podem-se citar muitas outras formas, por exemplo o reumatismo intelectual. A artrite reumatóide e a artrite deformante são processos no decurso dos quais as articulações se inflamam, depois deformam-se. Na crise aguda de desintoxicação, como vimos, a dor é muitas vezes muito forte e é acompanhada de febre, de inflamação e de tumefacção.

g) Os falsos tratamentos
Formas agudas e subagudas podem reaparecer várias vezes e tornar-se progressivamente crónicas. Com efeito, a crise aguda dá geralmente lugar a um tratamento supressivo, por medicamentos ou outras práticas. Todavia, a causa de base — a toxemia — não é suprimida. Os sintomas foram muito simplesmente escondidos, recalcados: ainda mais, a intoxicação medicamentosa acentuou a toxemia. Desde então, o organismo e as células perdem progressivamente a sua energia nervosa. Já não podem eliminar suficientemente as toxinas e os tóxicos que receptam. Senilizam-se e esclerosam-se. A evolução contra a qual não se pode lutar orienta-se portanto para a cronicidade. A gota e a artrite crónica (artrose) tendem a ganhar progressivamente outras articulações e outros grupos musculares, onde se produz uma degradação e se acentua: destroem-se cartilagens; soldam-se articulações; a anquilose desenvolve-se. Tumeficam-se estruturas ósseas de uma maneira crónica e as deformações tornam-se por vezes monstruosas (nomeadamente na periartrite evolutiva). Deveremos portanto imputar a um micróbio ou a um vírus uma perturbação que na realidade está em ligação fundamental com: — uma diátese (terreno, tendência patológica) reumatismal, ainda chamada diátese gotosa litiásica; — ao mesmo tempo, um estado de enervação e de toxemia engendrado por hábitos incorrectos de alimentação, de vida, de habitat?

h) Sintomas e complicações cardíacas
No reumatismo articular agudo, e aliás nas outras formas de reumatismo e de artrite, as articulações são habitualmente mais ou menos tensas e anquilosadas. As dores e o incómodo são muitas vezes mais acentuados depois da refeição e ao levantar. A angina chamada estreptococica aparece muitas vezes ao mesmo tempo que o reumatismo articular agudo. É por isto que se considera habitualmente a angina como a causa do reumatismo, que se chama então reumatismo infeccioso. Não haverá aqui, em vez de uma relação de causa a efeito, dois efeitos concomitantes de causas mais profundas? Observamos igualmente lesões cardíacas tais como o aperto mitral ou a insuficiência aórtica. Estas lesões são frequentemente chamadas reumatismos cardíacos. Depositam-se pequenos grãos de fibrina ao longo das válvulas do coração; estes depósitos impedem o fecho normal das válvulas e resultam daí perturbações tais como o sopro no coração, acompanhando muitas vezes a miocardite, a endocardite e a pericardite (inflamações do músculo cardíaco). Será que podemos consequentemente afirmar que o reumatismo é a causa das perturbações cardíacas? Ainda aqui, não serão estes, dois efeitos concomitantes de uma causa mais profunda, a toxemia, cujos micróbios seriam apenas sub-produtos? As perturbações cardíacas têm igualmente causas muitas vezes ignoradas ou dissimuladas. Por exemplo, no princípio do século, um médico inglês, Sir Lauter Brenton, assinalava que o salicilato, que reduz as dores reumáticas, acrescenta provavelmente perturbações cardíacas às perturbações inflamatórias locais. A antipirina e o piramido podem levar à hipotensão, cianose, edema, acidentes sanguíneos, como muitos barbitúricos (Véronal, Dial, Sonéryl, Gardénal...).

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Observam-se perturbações cardíacas depois da administração de extractos supra-renais e outros extractos de síntese. A vitamina D sintética pode ela própria produzir, em forte dose, hipertensões.

i) As dores do crescimento
Na criança certas perturbações são muitas vezes consideradas como "dores normais de crescimento". Não se observa nem febre nem transpiração e a criança atravessa longos períodos sem sofrer. Não é considerado como doente e a família pensa que atravessa um "mau período" do qual se recomporá facilmente e que não apresenta nenhuma importância particular. Não se procura saber a causa; talvez nos contentemos em administrar medicamentos de que esperamos uma redução dos sintomas. Os efeitos de um tal comportamento aparecerão a mais longo prazo; mais tarde descobriremos um coração em mau estado e uma diátese artrítica já bem avançada. Esta relação entre as dores do crescimento e a afecção do coração chamada estenose mitral (ou insuficiência mitral) é incontestável. As crianças sub-mineralizadas, com tendência raquítica, apresentam muitas vezes problemas articulares que se traduzem por inchaços, dores periódicas com, um pouco mais tarde, destruição progressiva das artilagens, donde resultarão outras fontes de dor e de inflamação, na adolescência ou na idade adulta. A atenção deve ser atraída tanto sobre os riscos da subnutrição e da insuficiência de mineralização como sobre os efeitos dos excessos protídicos por exemplo. O reumático e o artrítico poder-se-ão restabelecer? É em favor da crise de desintoxicação (doença aguda), como vimos, que o organismo tenta libertar-se da sua intoxicação e restabelecer a integridade das suas estruturas. As vias às quais ele recorre espontaneamente são então muito variadas. Com efeito, ele deve neutralizar, expulsar ou, quando a expulsão não é possível, encapsular as substâncias nocivas, tóxicas. Fará portanto intervir secreções diversas assim como meios tais como a aceleração do peristaltismo intestinal, a aceleração do ritmo cardíaco, a transpiração, a micção mais abundante, com urina carregada, a inflamação com febre e catarro, as erupções cutâneas, o aumento de emissões pela boca, etc, mas também medidas conservadoras tais como a fadiga, que tende a obrigar o indivíduo a pôrse em repouso. Lembremos também que graças à elevação da temperatura que intervirá localmente, onde existem depósitos de ácido úrico especialmente, a dissolução e a eliminação destes cristais tornar-se-á possível. A inflamação local indica portanto um trabalho orgânico que está em curso, e é preciso evitar perturbá-lo ou interrompê-lo por intervenções sintomáticas desastrosas tais como as compressas de água fria, a mobilização forçada, as drogas anti-inflamtórias, etc. É graças a este trabalho de desintoxicação, que se traduz por sintomas locais, que o organismo opera a sua própria cura. O reumatismo articular agudo, se for tratado correctamente, isto é, se ele for respeitado, conduz à cura do organismo, ou mais exactamente indica que o organismo está a curar-se. Nas perturbações crónicas (poliartrite reumatóide, espondilartrite anquilosante, artrose...), o recomeço de uma inflamação, isto é, de uma crise aguda, indica que o organismo recuperou suficientemente energia nervosa, vitalidade, para estar à altura de realizar um esforço de liberação, de restabelecimento. Evidentemente, este não será perfeito à primeira vista e, frequentemente, intervirão sucessivamente crises de desintoxicação a níveis diferentes. É assim que a inflamação do cotovelo, por exemplo, será seguida pela inflamação do ombro, depois pela articulação do punho, do joelho, etc. O paciente atravessará portanto períodos de desintoxicação que deverá aceitar com lucidez, paciência e esperança porque elas são para ele — que era considerado como incurável — o sinal de uma libertação progressiva, que será mais ou menos activa segundo a energia nervosa de que dispõe o organismo. Esta energia nervosa, poderá fortificá-la e reencontrá-la gradualmente, graças à aplicação judiciosa dos factores naturais de saúde e à paz terapêutica.

j) Hipóteses científicas recentes
Considerou-se a artrite uma desordem imunitária (do sistema H.L.A.: Human Leucocyte Antigen) ou uma sobrecarga em ferro. Quaisquer que sejam as perturbações observadas, é necessário procurar as causas. Estas situam-se num defeito recíproco de ajustamento no indivíduo e seu meio. Somos portanto conduzidos à noção de factores naturais de saúde, cuja acção personalizada assegura o mais alto nível de defesas naturais e a harmonia interna das funções biológicas e psicológicas, condição essencial da saúde.

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7. Artrose, dores nas costas e coluna vertebral
a) Nota anatómica
A fim de melhor fazer compreender as explicações que vamos dar, é útil lembrar algumas noções de anatomia e de fisiologia da coluna vertebral (ou ráquis). Esta é constituída por vértebras, discos intervertebrados, ligamentos, músculos e por uma estrutura nervosa: a espinal medula. Constituem a coluna vertebral propriamente dita vinte e quatro vértebras: 7 vértebras cervicais (que formam o pescoço), 12 vértebras dorsais que trazem cada uma um par de costelas, 5 vértebras lombares, com um prolongamento em direcção ao braço: sacro e cóccix. Entre duas vértebras existe um disco intervertebral flexível unindo estas vértebras, permitindo a mobilidade e a flexibilidade da parte em questão. As vértebras são unidas entre si por ligamentos que asseguram a solidez da estrutura geral. Os músculos da coluna vertebral asseguram os diferentes movimentos desta mesma estrutura. Partindo da espinal medula, observam-se raízes nervosas (nervos raquidianos). A espinal medula é protegida na coluna vertebral e os nervos vão inervar os membros, o tronco e diferentes órgãos, assegurando a sensibilidade e a motricidade da parte correspondente do corpo. Lesões vertebrais e intervertebrais podem comprimir um nervo raquidiano e repercutir sobre a parte do corpo correspondente: esta é uma das explicações das nevralgias cervico-braquiais (lesões dos ráquis cervicais repercutindo sobre o braço), cruralgias e ciáticas (lesões do ráquis lombar).

b) As algias
A algia é uma dor: cervicalgia, dor no pescoço; lombalgia: dor na região dos rins, etc. As estatísticas médicas actuais mostram que 50% da clientela dos reumatólogos é constituída por vítimas de "dores nas costas". Os nossos contemporâneos são demasiado sedentários, sentados no seu carro ou escritório, em frente à televisão; sofrem trepidações por vezes muito duras. A coluna vertebral do civilizado já não está em estado de efectuar os movimentos e de suportar os esforços necessitados pelo porte de certas cargas. Acontece mesmo frequentemente que sobrevêm algias no decurso dos simples movimentos quotidianos. Não se deve entretanto confundir o sofrimento do ráquis (coluna vertebral) e a dor nas costas.

c) Causas das dores nas costas
Na mulher grávida, o peso e o centro da gravidade variam na projecção para a frente, donde resulta um desequilíbrio pelo menos temporário na repartição do peso do corpo e das cargas transportadas. A criança sofre frequentemente de deformações, nomeadamente de escoliose (sendo a coluna desviada em forma de S). As causas podem ser o uso de carteiras demasiado pesadas ou uma má postura do estudante no seu assento. Em certos casos pode ser encontrada uma origem hereditária na escoliose da criança.

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O adulto pode igualmente sofrer de dores dorsais devidas a esforços inadaptados quando da manipulação de cargas pesadas, o que inflige grandes violências com posições em falso para a coluna vertebral. Algumas profissões agravam os riscos de dor nas costas: agricultores sobre o seu tractor, condutores de máquinas de aterro, dactilógrafas, certas profissões de mecânica, etc. Por volta dos 30 ou 40 anos, observa-se muitas vezes dores articulares crónicas devidas a um processo ósseo degenerativo, a artrose, acompanhada de uma descalcificação (ou de uma desmineralização) mais ou menos importante, podendo conduzir à osteoporose. Em certos casos, observa-se uma tetanização de músculos intoxicados pelo ácido úrico ou láctico. Certas dores dorsais são sinal de uma infecção pulmonar ou de uma lesão do pulmão ou da pleura (tecido que envolve o pulmão). As perturbações digestivas ou pancreáticas podem igualmente manifestar-se sob forma de "reflexo nas costas" (sob a omoplata) ou no ângulo das vértebras e das costelas. As dores em forma de "punhaladas", na região do ráquis, podem indicar um sofrimento cardíaco. As dores nas costas ou nos rins não se devem confundir com uma doença renal, muitas vezes acompanhada de uma fadiga geral ou de perturbações urinárias. Alguns movimentos suscitam ou favorecem e agravam a dor nas costas. Os desenhos que vos apresentamos fornecem as explicações necessárias.

d) Desportos e dores lombares
A maioria dos desportos afectam negativamente a coluna vertebral, esta pode resistir a traumatismos ou atentados fisiológicos enquanto o estado da sua musculatura o permite. "A melhor prevenção é o estado da musculatura. O desportista cujos músculos lombares são potentes será em parte protegido contra as lombalgias que o ameaçam uma vez por outra", escreve o doutor Chiaraviglio, citando igualmente o professor Sicard. Os acidentes disco-vertebrais são mais frequentes no desportista que no indivíduo não praticante. Observam-se lombalgias mais frequentes na idade do trabalho ou dos desportos. Em certas profissões ou exercícios, o esforço exigido ultrapassa a margem de segurança orgânica própria a cada indivíduo. Levantar ou carregar cargas pesadas, trabalhar em posição inclinada do tronco, suportar trepidações contínuas são causas profissionais frequentes nos trabalhadores que carregam pesos, fazem manobras, nos pedreiros, carpinteiros, mineiros, distribuidores, empreiteiros, cultivadores, jardineiros, calceteiros, ladrilhadores, sobretudo quando começam a trabalhar prematuramente, antes da idade de vinte anos. A repetição dos microtraumatismos devidos às acelerações e vibrações do veículo que se repercutem sobre a charneira lombosagrada afecta os profissionais da estrada, os condutores de pesados e de tractores. É preciso velar pela boa disposição do condutor, a posição em relação ao volante, assento e pedais, porque falhas nestes domínios favorecem as distorções vertebrais e as atitudes dos escolióticos que acabam por se fixar. Mais de um indivíduo sobre cinco apresenta uma deformação ou uma mal formação do ráquis que o torna inapto, pelo menos parcialmente, com certos esforços físicos importantes e sobretudo repetidos. Os desportos mais traumatizantes: o rugby, o judo, o pára-quedismo, o ski náutico, o ensino de educação física (pela fadiga que ele impõe) são mais especialmente responsáveis de acidentes lombosagrados (o caso do football, sendo actualmente discutido). A alterofilia, os saltos, os desportos mecânicos terrestres, o ski, não deixam de ter inconvenientes. O ténis desenvolve assimetricamente o corpo e pode, praticado em excesso, causar alterações do ráquis. Sobre duzentos e sessenta e oito atletas examinados clinicamente e radiologicamente, cento e setenta e seis apresentaram manifestações dolorosas lombo-ciáticas. A inactividade habitual de muitos indivíduos provoca um relaxamento e uma atrofia muscular que agravam a lordose lombar e a fragilidade dos últimos discos. A sobrecarga mecânica que intervém em certos desportos ou na vida profissional pode favorecer uma degenerescência disco-vertebral.
"Treinadores e responsáveis desportivos constatam com uma certa ansiedade o aumento das lombalgias nos jovens" (Dr. Chiaraviglio, Médecine et Hygiène, 1978, 1184). Nota: devemos reportar-nos também, na terceira parte "Index alfabético", às rubricas Artrose e Lumbago.

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8. Riscos dos medicamentos anti-reumáticos e anti-artríticos
Medicação áurica (sais de ouro): albuminúria, dores articulares, diarreia, urticária, prurido, eosinófilia, "gripe áurica", eritema e erupções tomando o aspecto da escarlatina ou da rubéola, com complicações adenoidianas, expoliação, febre, perturbações digestivas, acidentes renais, hepáticos, encefálicos. Certas afecções cutâneas tornam-se húmidas, com largas placas liquenóides; a pele pode tomar definitivamente uma cor bistrada (tatuagens). Os órgãos genitais podem ser afectados. Impregnação da córnea do olho, estomatite estendendo-se à faringe, ulcerações com forma aftosa, diabete renal, nefrose lipoidica, púrpura, agranulocitose, acidentes nervosos e nevrálgicos (ciática, dores faciais, polinevrites, albuminose, modificação do líquido céfalo-raquidiano. Antipirina e piramido: vertigens, cefaleias, colapsos, delírio, dores digestivas, vómitos, cianose, bradicardia, hipotensão, albuminúria, oligúria, eritema, edema, "vara negra" por cianose, acidentes sanguíneos, agranulocitose, leucemia. Ácido salicílico e seus compostos (aspirina, salicilato de soda, P.A.S., etc): perturbações digestivas, dores gástricas, surdez passageira, zumbido nos ouvidos, inchaço da cara, acne, acidocetose, glicosúria, alteração do carácter, acidentes hemorrágicos, acidose, anemia, agranulocitose, hemoglobinúria, nefrite, edema pulmonar, agitação, delírio, ansiedade, torpor, coma, crises convulsivas, morte. O tratamento salicilado aumenta a eliminação da vitamina C. Barbitúricos (Véronal, Dial, Sonéryl, Gardénal, etc): "Os barbitúricos são uma das quimioterapias que mais provocam incidentes cutâneos e mucosos" (Dr. Albahary): eritemas, acrocianose. Para além disso, dores reumáticas, perturbações digestivas, icterícia, acidentes urinários, frigidez, impotência, envenenamento do leite da ama, alteração do sangue, anemia, púrpura hemorrágica, perturbações neurológicas e psíquicas consecutivas às toxicomanias, anomalias caracteriais, desorganização da personalidade, quebra do rendimento físico e intelectual. Ácido niflúmico: osteose. Cloroquina: Retinopatia (risco sério). Cólquico e colquicina: diarreias, cefaleias, náuseas, excitação, síndrome coleriforme de envenenamento por vezes grave e mortal, alteração da composição do sangue. Extractos supra-renais e hormonas de síntese (adrenalina, cortisona, etc): vómitos, diarreias com sangue, hematúrias, perturbações cardíacas, hiperglicemia, edema do pulmão fibrilação cardíaca (um doente sucumbiu depois de ter recebido 0,4 mg sob a pele). Graves complicações nos asmáticos. "Simples
aplicações locais de pomadas ou de soluções adrenalizadas, sobre a pele ou as mucosas, são susceptíveis também de engendrar doenças" (Dr. Albahary). Modificação da fórmula sanguínea. Hipertensão arterial definitiva.

Alteração do fundo do olho, insuficiência renal e cardíaca. Perturbações articulares, pseudo-paralisias. Despertamento de foco tuberculoso. Gordura, obesidade, vergões, ceratose, acne, transpiração, modificação da libido, papeira, diabete, perturbações do metabolismo da água e do sal, aceleração patológica do metabolismo azotado, osteoporose, fracturas espontâneas, gastrite hiper clorídrica, úlcera, perturbação, redução da reserva ascórbica, púrpura, hemorragia, hipercoagulabilidade do sangue (trombose, embolia), perturbações nervosas e mentais, crises convulsivas, complicações infecciosas, agravamento das doenças, abcesso, choque. Vitamina D: perturbações digestivas, anorexia, náuseas, vómitos, disfagia, sede, aquilia gástrica, prisão de ventre tenaz, astenia, emagrecimento, febre, hipertensão, cefaleias, fenómenos meníngeos, convulsões, icto apopléctico, meningite, convulsões, icterícia, coma, morte. Perturbações renais, sede extrema, poliúria, hiperazotemia, rim edematoso. Perturbações do metabolismo cálcico: hipercalciúria ou diabete cálcico, hipercalcemia, aglomerações cálcicas em certas articulações nos pulmões, nos rins, córnea e conjuntiva do olho, evolução fatal. Certas perturbações afectam a forma de uma nefrite subaguda, de uma síndrome de hipertensão intracraniana ou de uma meningite, etc.

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Perturbações de crescimento, raquitismo, deformações, hipertrofia dos seios, escoamentos de colostro, edema dos pulmões, do tubo digestivo. Perturbações devidas às radiações (raios X, U.-V): perturbações do estado geral, excitação depois depressão, despertamento de tuberculose, evolução cancerosa, perturbações da pele, lesões de órgãos, malformação do feto, "mutações" patológicas, perturbações digestivas e nutricionais, etc. Esta visão de efeitos secundários é muito incompleta. Teria sido preciso mencionar outros tratamentos tais como a butazolidina e ainda muitos outros. Procurámos entretanto chamar a atenção sobre os riscos gerais dos tratamentos sintomáticos (e insuficientes ou falaciosos) do reumatismo e do artritismo.
"Na poliartrite reumatóide, prescrever dois tratamentos de base de uma vez só, é pôr em perigo a vida dos pacientes." Tal é a conclusão formal de dois reumatólogos suíços que constatam também que "muitas vezes, não é o medicamento que é perigoso mas quem o prescreve." (Médecine et Hygiène, 1980, 38, 35.)

9. Osteoporose e desmineralização
a) Causas iatrogénicas e medicamentosas
Numerosos actos médicos e cirúrgicos podem estar na origem de uma perturbação do metabolismo do cálcio ou do fósforo (assim como da vitamina D).
A) Perturbações do metabolismo da vitamina D provocando um raquitismo ou uma osteomalacia CAUSAS Fenitoína, (Doriden). Fenobarbital, MECANISMOS Glutetimida Catabolismo acelerado intra-hepático da 25 OH vitamina D por estimulação mitocondrial.

Colestéramina

Deficiência em sais biliares provocando uma diminuição de absorção da vitamina D.

Abusos de laxativos (Fenolftaleína). Estado Diminuição da absorção intestinal. pós-gastrectomia, Ressecção do intestino delgado ou "bylass" para a obesidade.

Regime mal equilibrado.

Falta de vitamina D.

B) Perturbações do metabolismo do cálcio (Consequência: osteoporose) CAUSAS Ressecção gástrica, "bypass" intestinal e ileostomia. Furosemide (Lasix). MECANISMOS Diminuição de absorção intestinal do cálcio.

Aumento da calciúria se não compensação em depósito de cálcio.

houver

Estado pós-reimplantação sigmoidiana dos Reabsorção do cloro provocando uma acidose e uréteres (deficiente escoamento rectal). uma hipercalciuria. Tratamento por citrato de sódio e aprendizagem de escoamento rectal.

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C) Perturbações do metabolismo do fósforo (Consequência: osteoporose) CAUSAS MECANISMOS

Hemodiálise crónica para insuficiência Diminuição de fosfatemia. renal. Intoxicação por tetraciclinos nulos. Diabete fosforado renal.

Tratamento da hiperacidez gástrica por Celação intra-intestinal do fósforo. hidróxido de alumínio.

D) Terapêutica provocando uma fragilidade óssea por mecanismos multifocais CAUSAS Corticoides. MECANISMOS Efeito anti-metabólico sobre o osso, provocando: a) necrose asséptica das cabeças femorais, humerais, côndilos femurais; b) Osteoporose importante.

Enxerto renal.

Efeito cumulado de hemodiálise préoperatória e dos corticoides pós-operatórios; consequências: necrose óssea e osteoporose.

Alimentação parenteral prolongada bem Desconhecido. Consequências: equilibrada. importante, osteomalacia.

osteopenia

Alimentação parenteral mal equilibrada em Osteoporose com fracturas muito frequentes. fósforo. Penicilamina. Perturbação da síntese do colagéneo. Consequências: fragilidade óssea global, hiper-lassidão ligamentar, perturbação da cicatrização. Fibrose e necrose óssea. - Diminuição dos riscos de fractura se a irradiação é de alta energia. Aumento dos riscos se existirem implantes metálicos causando uma repartição não homogénea da irradiação.

Radioterapia de + de 5000 rad.

Bismuto.

Desnutrição, polinevrite provocando espasmos videntes sobre um terreno osteoporósico. Consequência: fractura das cabeças humerais e dos corpos vertebrados.

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Terapêutica provocando uma fragilidade óssea por mecanismos multifocais (Continuação) CAUSAS Flúor em altas doses. MECANISMOS Fragilização por fibrose óssea.

Disfonato em altas doses (tratamento da Osteopenia por inibição da mineralização. miosite ossificante). Heparina (+ de 15 000 U durante 6 Mecanismo desconhecido. Consequência: semanas). osteoporose vertebral importante acompanhada de fractura. (Segundo os doutores A. Kallin e A. Burckhardt, Genêve).

b) Um exemplo: Responsabilidade da heparina
Entre os medicamentos desfavoráveis à vitalidade dos ossos, figura em primeiro plano a heparina, medicamento anticoagulante, que é largamente utilizado no tratamento dos acidentes trombo-embólicos e das complicações de aterosclerose vascular. Ela é habitualmente empregada como tratamento de urgência num estado agudo, mais ou menos rapidamente substituída pelas antivitaminas K, de mais fácil administração. Mas, a título não excepcional, foi administrada como tratamento a longo curso, nomeadamente da doença coronária. Pode ser responsável por acidentes hemorrágicos, em caso de dose elevada, assim como de alterações do sistema ósseo depois de tratamento heparínico prolongado. A heparina retarda a formação da calosidade óssea no animal. Há igualmente riscos de alterações ósseas no decurso de uma heparinoterapia prolongada. Um estudo de 117 doentes tratados com heparina (todos atingidos de enfarto do miocárdio com recaída, ou de trombo-flebites também com recaídas, ou tromboses vasculares cerebrais) fez ressaltar nomeadamente os seguintes factos: — O aparecimento de acidentes ósseos, osteoporose, fracturas, depende estreitamente da dose injectada. Seis doentes sobre 10 tratados por uma dose superior a 15 000 unidades apresentaram, no fim de 6 semanas ou mais de tratamento, fracturas de diferentes tipos ou, pelo menos uma osteoporose acentuada. — O local predilecto destas fracturas é a coluna vertebral e as costelas. — Os sintomas são "irregulares". As dores locais são a tradução habitual desses sintomas acompanhadas de contracções musculares, produzindo-se tudo sem nenhum traumatismo desencadeador. O diagnóstico só é possível através de exame radiológico das zonas dolorosas. — Estas condições ósseas não são acompanhadas de estigmatas biológicos ou de anomalias metabólicas revelados pela análise corrente. A taxa do cálcio e do fósforo sanguíneo, das fosfatoses alcalinas, etc, foi sempre normal, Só, uma elevação moderada da velocidade de sedimentação foi constatada. — As biopsias ósseas mostraram a existência de alterações da matriz óssea, amolecida, tendo perdido a sua dureza normal. — O mecanismo das complicações ósseas é ainda sujeito a discussão. — A suspensão do tratamento por heparina provoca geralmente uma regressão das perturbações.

10. Dados psicossomáticos sobre a artrite e o reumatismo
a) Os processos habituais
Há cerca de trinta anos, o psiquiatra Kemple, em Nova York, achava que os reumáticos eram em geral passivos, com uma tendência para o masoquismo, o infantilismo, o enfraquecimento e tinham um fundo de histeria. Isto é uma visão um pouco superficial e esquemática do problema. Outros numerosos estudos psicossomáticos puseram em relevo factos interessantes. A artrite crónica é talvez a mais antiga de todas as afecções conhecidas. Os nossos antepassados estavam convencidos que um espírito maléfico estava incarnado nas pessoas doentes e eles iam ao ponto de os sacrificar à cólera dos deuses. Quando crianças, eram abandonados à morte. Foram os Romanos que, primeiro, organizaram a assistência aos inválidos.

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Com os progressos da ciência médica (?), a teoria do foco de infecção teve (e tem ainda) a sua hora de glória. Esta teoria foi explorada com tanta insistência que se sacrificaram, em seu nome, muitas dentaduras, amígdalas e apêndices. "O embaraço que foi mostrado a este respeito está sem dúvida ligado à incapacidade em que se estava de encontrar um remédio para uma afecção tão difundida", escreveram Weiss e English, que acrescentam: "Os magros resultados obtidos em geral em todos os tratamentos incitaram muitos
doentes a se confiarem aos práticos de uma medicina ilícita."

b) Artrite e tensão nervosa
Alguns autores tinham constatado que existia uma relação significativa entre a artrite e a tensão criada por dificuldades de existência. Em muitos casos, nota-se que o próprio paciente acentua a relação verosímil existente entre o seu mal e a tensão psíquica de que é objecto. Aqui se encontra portanto posto em relevo o factor psicossociológico. "As tensões provocadas pelo meio, o pauperismo, os cuidados, as
dificuldades familiares parecem estar em relação directa com a aparição do mal e com as fases da sua evolução".

Jelliffe, nos Estados Unidos, um dos pioneiros da medicina psicossomática, foi um dos primeiros a chamar a atenção sobre a importância do factor psíquico na artrite. Outros autores (Johnson, Shapiro e Alexander) examinaram, do ponto de vista psicodinâmico, 33 doentes afectados pela artrite reumatismal, eles constataram uma impressionante similaridade entre os dados de 29 mulheres, do ponto de vista da situação e da estrutura da personalidade.

c) Hostilidade e rebelião
A maior parte destas mulheres tinham sido adolescentes turbulentas, dadas aos desgostos, depois tinham apresentado na idade adulta uma reserva excessiva na expressão das suas emoções (tendência para o recalcamento). Manifestaram assim o seu desejo de protestar contra o seu papel de mulheres, os maridos, na maior parte dos casos, eram homens submissos e passivos. Para além desta tendência para recusar os atributos da feminilidade, estas mulheres estavam animadas de uma sede apaixonada e masoquista de viver em auxílio dos outros, o que lhes permitia exteriorizar a hostilidade que elas ressentiam e protestar contra a dependência à qual se sentiam votadas. Encontravam-se sempre os seguintes traços característicos: 1) As circunstâncias tinham favorecido um estado de revolta inconsciente e um ressentimento contra os homens. 2) Tinham um exasperado sentimento de culpabilidade. 3) As doentes tinham uma atitude que traía uma recusa para aceitar a sua condição de mulher. A maior parte dos trabalhos mostraram que certos factores emocionais parecem encontrar expressão numa tensão ou nos espasmos da musculatura voluntária e exerce assim uma influência sobre as articulações. Por consequência, em presença de outros factores como a predisposição (diátese artrítica, fadiga, infecção), podem contribuir para desencadear a artrite.

d) Medo e ansiedade
Na osteoartirte, alguns autores constataram a presença bastante constante de estados anteriores de medo, ansiedade e de preocupações. Em muitos casos, eles descobriram um traumatismo psíquico na origem da artrite. Constataram igualmente que um alívio na situação moral provocava um alívio também nas dores e inchação local. Certos problemas particulares aparecem quanto ao reumatismo chamado fibropiosito. Trata-se aqui de pacientes que se queixam de dores nos músculos e nas articulações e de fadiga crónica. Há por vezes um pouco de temperatura, mas de resto, os exames e análises são negativos. Os sintomas mais frequentes são a insónia, a deficiência sexual, a hipocondria, mas certos doentes sofrem também de histeria, de ansiedade ou de depressão mental caracterizada. A maior parte dos pacientes examinados por certos autores sofriam de um conflito conjugal que tinha engendrado um estado de ressentimento inconsciente. O papel dos músculos é servirem de agentes de defesa e de ataque, na luta pela existência: o que explica que a tensão muscular serve também de meio de expressão para uma tendência interior. O médico é então tentado a interpretar esta tensão dos músculos como uma celulite ou um reumatismo muscular. Quando se explica ao paciente que esta tensão está com efeito ligada à impossibilidade em que se encontra de se relaxar moralmente, ele geralmente protesta com a última energia que possui.

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e) O reumatismo psicogénico
É por esta razão que certos autores fazem notar que em vez de se tratar este reumatismo psicogénico de celulite ou de reumatismo muscular, deveria ser aplicado um diagnóstico psicossomático. Pôde-se assim estabelecer que o reumatismo psicogénico constituía a causa de invalidez mais frequente, em 450 doentes observados num hospital militar americano. Um dos caracteres predominantes, nos pacientes, era uma dor dorsal de origem psicogénica, que tinha provocado a invalidez apesar dos períodos prolongados na cama. É preciso então incitar o paciente a ir para diante a despeito dos seus sintomas. Quando se consegue dissociar as dores da fobia de uma doença orgânica (artrite, doença de coração, câncer ou outra), ficamos surpreendidos em ver com que rapidez as dores desaparecem. Halliday chamou a atenção sobre o perigo que havia de fixar no espírito dos pacientes o medo de uma doença orgânica tentando sobre eles mil e um tratamentos, fisioterápicos ou outros. Se devemos, naturalmente, fazer algumas concessões e conduzir gradualmente o doente a uma mudança de orientação, do tratamento médico ao tratamento psíquico, é preciso entretanto fazer apelo assim que for possível à colaboração do paciente para o levar a mudar de atitude e fazê-lo compreender o verdadeiro sentido destes sintomas.

f) A segurança emocional
No que diz respeito à fisioterapia, Weiss e English acrescentam uma observação a propósito dos aparelhos por meio dos quais se procura aliviar os pacientes. Em vez de lhes prescrever muletas ou suportes abdominais, estes psicoterapeutas estão convencidos que é preciso proporcionar-lhes um suporte interior que, oferecendo-lhes a segurança emocional que lhes falta, lhes permitirá evitar o uso de suportes exteriores que só os fazem agarrar-se ao seu estado de invalidez.

g) As doenças das costas
O doutor Weintraub, de Zürich, escreveu: "cada vez mais, as ideias psicossomáticas se introduzem em reumatologia e permitem reconhecer a importância dos factores psíquicos na origem de certas afecções chamadas reumatismais. "Vemos espondilopatias e discopatias sem nenhuma dor e, por outro lado, temos de tratar de fortes dores das costas, onde a radiografia da coluna vertebral não explica nada. Nestes casos, a medicina psicossomática pode ajudar-nos na compreensão do diagnóstico e na terapia. "A escolha do órgão reflecte a fenomenologia, o conteúdo profundo de uma doença psicossomática."

h) A linguagem das costas
As costas, em particular, "falam uma linguagem que é preciso saber interpretar." A pessoa que está enlutada mantém-se curvada; o cobarde, o hipócrita, o adulador tem as costas redondas, enquanto que a pessoa orgulhosa e franca nos afronta bem direita, com firmeza. O autor reparte as dores das costas em três secções correspondendo às partes relativas da coluna vertebral: a região da nuca, a região torácica e a região lombar. A pessoa teimosa, pertinente, obstinada, tenaz tem a nuca rígida. Se a obstinação se torna a atitude predominante que exige um esforço suplementar quotidiano, cria-se a síndrome cervical, uma síndrome que resiste demasiadas vezes a todos os nossos esforços terapêuticos. A região torácica está em relação com a depressão e a ansiedade. A cronicidade manifestar-se-á em discopatias e espondilopatias mesmo anquilosantes. A lombalgia indica muitas vezes uma discordância psíquica. Estes pacientes são incapazes de ultrapassar ou suportar com paciência a mínima irritação exogénea ou endogénea. As dores de cansaço, situadas na região lombar, indicam uma opressão psíquica. Os doentes, sobretudo as mulheres, abandonaram toda a resistência deixando-se esmagar pelo peso da vida quotidiana, que já não podem suportar. Muitas vezes, estas dores devem ser compreendidas como um protesto social ou uma defesa contra as exigências da feminilidade. No homem, não é por vezes outra coisa senão uma demonstração inconsciente da sua falta de energia em relação à vida, tanto em trabalho, como em virilidade.
"O problema mais importante é o diálogo compreensivo e dirigido entre médico — psiquiatra ou não — e o doente", conclui o doutor Weintraub.

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11. Artrite, reumatismo e "placebo"
O "placebo" é de certa maneira um "medicamento em branco", isto é uma substância sem efeito farmacológico, administrada para melhorar ou curar uma perturbação de saúde, para reduzir uma dor ou um outro sintoma. Desde 1957, os doutores Traut e Passarelli dão uma grande importância ao efeito "placebo" nas afecções de longa duração e particularmente na artrite reumatóide onde "se deve reconhecer que a A.C.T.H.,
a cortisona ou a fenilbutazona não modificaram o curso natural da doença durante um longo período, para uma importante série de doentes, e isto de maneira significativa." Eis aqui o resumo do seu estudo. Estes médicos

tratam 88 pessoas atingidas de artrite reumatóide com a ajuda de "placebos" administrados pela boca, e observam melhoras em 50% dos casos. As melhoras são tanto mais importantes quanto a afecção é mais grave; ela traduz-se por critérios subjectivos mas igualmente objectivos: baixa da velocidade de sedimentação, aumento do peso, recomeço da natação etc. Tratam em seguida as pessoas que resistiram aos "placebos" por um "placebo" em picadas subcutâneas (sérum salgado isotónico). Observam então 64% de melhoras. Os mesmos autores tiveram a mesma percentagem de êxito com outras afecções reumatismais crónicas tais como o reumatismo psoríaco, a artrite gotosa, lombalgias, escapolalgias. Eles concluem que o número das pessoas reumáticas que respondem favoravelmente ao "placebo", ou seja 82%, justifica a continuação deste tratamento, tanto mais que a proporção é pouco diferente da obtida pelos outros métodos conhecidos, que vão dos salicilados às hormonas. Citemos por outro lado, uma observação interessante: a do doutor Coste que, em 1962, publica os seus resultados de tratamento de 4375 ciáticos graves necessitando de ir para a cama. Com o "placebo" (500 cm3 de sérum fisiológico intravenoso), ele obtém 7% de resultados excelentes e 18% de bons resultados. Os medicamentos inflamatórios deram respectivamente 5% e 13%, para as alongações, 6% e 15%. Só são superiores as infiltrações, a quinesiterapia e a cirurgia. O doutor Coste observa que os resultados são geralmente melhores quando existe uma artrose radiológica; assim, nas pessoas tratadas por "placebo", ele observa 34% de resultados bons e excelentes neste grupo, contra 21% na ausência de artrose. O efeito "placebo" depende da via de administração do produto "placebo" (a injecção é preferível à via oral), assim como das relações com o médico e condições de hospitalização. Evocamos, por outro lado, a possibilidade de mecanismos endocrinianos: uma picada ou a simples administração medicamentosa provocaria um estímulo cerebral central, na origem de uma secreção de A.C.T. H. que provoca uma analgesia. A depressão e a dor teriam um suporte comum: o aumento anormal de um mediador cerebral, a serotonina. Estes dados sobre o "placebo" permitem compreender que medicamentos e intervenções, de qualquer natureza que sejam, podem ser geradores de melhoras em muitas perturbações de saúde, e especialmente, aqui, na artrite, reumatismo e ciática. Contudo não nos enganemos: trata-se de um efeito geralmente temporário que pode ser aniquilado se o medicamento administrado for nocivo por outro lado. O problema do "placebo" está omnipresente em medicina. Conduz a numerosos erros de apreciação no que respeita os sintomas e os medicamentos (naturais ou não). É por isso que aconselhamos, antes de tudo, a aplicação de factores naturais de saúde, que não somente podem ter uma influência "placebo", mas podem ainda permitir ao organismo desempenhar livremente e eficazmente sem complicações, o seu papel de desintoxicação, de reparação e de regeneração.

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SEGUNDA PARTE

As terapêuticas naturais

"Duas coisas a ter em vista: ser útil ou pelo menos não ser prejudicial."

Hipócrates

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12. Tratamentos naturais nas doenças agudas
a) A doença é uma só
A) A unidade etiológica geral das doenças, artríticas, reumáticas ou outras. As razões da saúde e da doença são gerais e longínquas. O acaso, a sorte, causas exteriores (micróbios, calor excessivo, frio excessivo, humidade excessiva, radiações ionizantes e outras, emanações pestilenciais...) não são as únicas a ter em conta. Antes de tudo, os erros cometidos contra as leis naturais (falta cometida pelo indivíduo mas também por seus genitores) devem ser cuidadosamente procurados e rectificados. Estas causas longínquas são as mais subtis e as menos facilmente aceites pelo paciente quando ele incrimina as razões de desencadeamento mórbido que só são ocasionais e determinantes. As faltas gerais de alimentação e de higiene são as causas reais da toxemia e do desencadeamento do terreno orgânico. B) A unidade patogénica geral. A aparição da doença, que é apenas uma eventualidade, é precedida de viciações tumorais, de perturbações funcionais e de alterações orgânicas, elas próprias devidas à repetição dos mesmos erros de regime alimentar e de higiene geral. Teria sido preciso estar atento aos sinais premonitórios, essas campainhas de alarme revelando que o organismo se desequilibra e se orienta em direcção à doença libertadora. Bastará fazer apelo aos factores naturais de saúde, corrigindo as causas deste desequilíbrio. O doutor Paul Carton escreve: "Conseguimos assim curar as perturbações locais
apenas tratando o mau estado humoral e aplicando um quadro único de verdades gerais que constitui uma ordem normal de saúde, tanto para os doentes que querem curar verdadeiramente como para as pessoas robustas que querem manter a sua resistência e reforçar as suas imunidades naturais."

C) A unidade clínica essencial. Encontramos sempre, antes ou durante as manifestações locais das doenças declaradas, os mesmos sintomas gerais: febre, cansaços, perturbações nervosas, eliminações variadas pelos emunctórios naturais ou patológicos, assinalando os esforços comburentes (febre) e evacuadores (eliminações) do organismo que procura assim purificar-se, desintoxicar-se, reequilibrar-se. D) A unidade mórbida essencial. A doença, sendo de ordem humoral, é essencialmente e originariamente uma. É só na aparência que ela reside nas doenças localizadas. Os diferentes sintomas simultâneos ou sucessivos podem estar sempre ligados uns aos outros se retornarmos às causas longínquas imediatas (faltas alimentares, erros de higiene, calor, frio, vacinações, medicamentos e tratamentos agressivos). Os micróbios não causam a doença: eles proliferam sobre as células e as matérias em decomposição ou em vias de degeneração. E) A unidade terapêutica essencial. Tratamentos locais, conformes à terapêutica médica (oficial ou não) são sempre insuficientes e a maior parte das vezes inadequados. A medicina das especialidades e das aplicações locais falha sempre. Em todas as formas de doenças agudas ou crónicas, reina a unidade de método de cuidados e estes são simples uma vez que dizem respeito essencialmente à correcção das causas longínquas e imediatas e põem em acção métodos naturais de saúde.

b) Permitir a autocura
Não se trata portanto de combater uma doença, isto é de procurar destruir um processo vital visando restaurar naturalmente a saúde. O programa de tratamentos higienistas visa pôr o organismo nas condições higiénicas favoráveis ao desenvolvimento da acção vital de autocura e de proporcionar o menor sinal de cargas susceptíveis de reduzir a intensidade desta acção. Como não existem "substâncias ou influências curativas" fora do poder inerente à estrutura viva, é em vão que se procuram "agentes curativos" externos e que se procuram suprimir ou controlar os sintomas da doença. Deixar agir a natureza. Quanto mais os tratamentos se aproximam do "deixar andar", mais rápido, completo e durável é o restabelecimento do paciente. A forma e a localização dos sintomas interessam pouco. A doença é uma só. Quaisquer que sejam os sintomas de perturbações, o programa de tratamentos naturais é sempre semelhante e deve ser aplicado sem tardar, sem esperar que, como nos diferentes sistemas terapêuticos, uma etiqueta possa ser atribuída à doença. "Enquanto o alopata espera o desenvolvimento da doença, o higienista realiza o seu melhor trabalho." (Shelton.)
"Todas as doenças agudas evoluem naturalmente para a cura e o paciente restabelece-se sem tratamento. Restabelece-se melhor sem tratamento. Não fazer nada... mas inteligentemente." (Dr. Trall.)

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c) O repouso
Ele é importante para permitir ao organismo salvaguardar a sua energia a fim de que possa lutar eficazmente contra a toxemia. Como agir portanto para evitar a dispersão das forças vitais? É o que se produz sem falta quando o paciente se faz torturar, picar, golpear, excitar, perturbar a toda a hora por intervenções chamadas terapêuticas! O primeiro imperativo é o repouso: físico, mental, sensorial, fisiológico. A) Repouso físico O paciente fica na cama e procede de maneira a sentir-se o mais à vontade possível. Cama bem adaptada, com mantas leves, suficientemente, mas não demasiado quentes. Quartos claros, calmos, arejados, sem corrente de ar frio. Nenhuma ou pouca leitura na cama. Mais completo será o repouso, mais intensas serão a desintoxicação e a regeneração. Em período de crise aguda, evitar a exposição ao frio, grande calor, cansaço, à excitação, choques emocionais, esforços físicos, etc. O sono, o verdadeiro sono (e não o coma provocado pelas drogas) é a forma mais eficaz de repouso. B) Repouso fisiológico Este é assegurado em parte pelo repouso físico e sobretudo pela abstenção da alimentação. A alimentação causa ao organismo um duro trabalho de digestão e de assimilação. Parar com a alimentação provoca portanto um alívio considerável de trabalho orgânico e, por esta razão, permite à força vital consagrar-se mais activamente nas funções de desintoxicação e de regeneração. Todo o sistema digestivo, o coração, os pulmões, os rins repousam-se pelo menos parcialmente. O jejum deve ser prolongado, se possível, pelo menos até que os sintomas agudos tenham desaparecido. Enquanto houver dores, inflamação, febre ou outras perturbações alimentares o paciente torna mais desconfortáveis estes fenómenos vitais: a digestão é reduzida ou inexistente durante as crises agudas; a alimentação ingerida mas não digerida estagna no estômago e nos intestinos onde se decompõe e provoca fermentações, inchaços, gás, putrefacções, prisão de ventre ou diarreia. As secreções digestivas são quase esgotadas e dão lugar, se o organismo dispõe de uma força vital suficiente, a secreções de defesa. Numerosas complicações — e por vezes mesmo uma evolução fatal — podem ser devidas ao facto de o paciente e os que o rodeiam crerem, sem razão, que é preciso alimentar o doente a fim de que possa melhor resistir à "doença". Salvo extrema magreza, e em certos casos particulares, o jejum total é essencial. Só a água é então admitida; uma água pouco mineralizada, limpa, isenta de substâncias químicas (do tipo Mont-Roucous, Volvic ou Katell-Roc). O paciente bebe segundo a sede que tem, nem mais, nem menos. C) Repouso mental O doente deve sentir-se seguro. Cada um à sua volta deve-se mostrar optimista e calmo. É preferível informar exactamente o paciente do sentido e da finalidade da doença. Nada de rádio, televisão, salvo excepcionalmente se o paciente encontrar nisso prazer — e mesmo assim, muito pouco tempo. Nada de preocupações relativas à família, ao trabalho, aos acontecimentos políticos ou internacionais. Tranquilidade. D) Repouso sensorial Decorre do que acaba de ser dito: evitar a luz que cega, os barulhos, os gritos das crianças e as vozes altas, as intervenções dolorosas, etc.

d) O sono
A insónia e a agitação são muitas vezes devidas à excitação por influências externas (barulhos, excessos de sol, frio, calores excessivos, alimentação inoportuna, frutos e sumo de frutos ácidos tomados à noite, medicamentos, etc.) e internos (toxemia, angústia...). As drogas hipnóticas são nocivas porque elas intoxicam e só provocam um sono que não é natural, perturbado, mais próximo da prostração que do verdadeiro repouso.

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e) O calor
Sem calor, o arrefecimento é retardado ou impossível. A crise de reumatismo agudo necessita mais que qualquer outra uma temperatura bastante elevada (mas não excessiva). O arrepio é um sinal que é preferível evitar: o frio é ou foi excessivo e há o risco de aparecerem complicações. Os pés devem ser objecto de uma atenção particular: botija, manta ou édredon são úteis em tempo frio. Em tempo quente, bastará um lençol fino; o essencial é que o paciente se sinta bem.

f) A limpeza
O quarto, a cama e as roupas devem ser alvos de uma limpeza rigorosa. Os olhos, o nariz, a boca, as orelhas, os cabelos, as mãos e unhas, o ânus, a vagina, o prepúcio, os pés, em baixo dos braços, tudo isto não deve ser esquecido. Água clara e limpa para a "toilette". Um pouco de sumo de limão é preferível ao sabão e aos antisépticos para os olhos, as orelhas, etc, assim como para as feridas e crostas eventuais. Em certos casos, uma composição (a diluir) à base de essências vegetais naturais pode ser utilizada para a toilette. Reportar-nos-emos por exemplo às fórmulas do professor Lautié intituladas "Agua
dermonutritiva", "Água dermoprotectora" e "Agua vivificante".

g) Banhos de água, de ar e de sol
Devem ser evitados em período de crise aguda, por causa do gasto de energia que podem provocar.

h) Os intestinos
Pílulas, lavagens, laxativos e purgativos mais ou menos drásticos são frequentemente utilizados para combater a prisão de ventre, frequente nas doenças agudas. Estes medicamentos, mesmo chamados naturais, são nocivos salvo se são utilizados durante um período muito curto, por exemplo no princípio do jejum, e sob certas condições. Podem resultar daí apendicites, colites, úlceras. Em certos casos, pode ser feita uma pequena lavagem: água morna, só ou com um pouco de óleo de mesa; o sal deverá ser evitado e os produtos cáusticos igualmente assim como o óleo de parafina e o óleo de rícino.

i) A dor
Procurar suprimir a dor é cometer um erro por vezes grave. As substâncias que suprimem a dor num primeiro tempo são aquelas que, por reacção, causarão em seguida outras perturbações e sofrimentos. A supressão artificial da dor não suprime as causas das perturbações mas, frequentemente, retarda ou impede o restabelecimento. Em certos casos, aplicações locais de água quente reduzirão a duração ou a intensidade das crises inflamatórias. Frequentemente, o simples facto de jejuar ou de ter uma alimentação crua e suprimir os medicamentos reduz consideravelmente ou mesmo suprime totalmente o desconforto e a dor, mesmo nos cancerosos.

j) A febre
Como já pudemos constatar, a febre é um factor e uma condição de cura. Quanto mais interna for, mais rápido é o restabelecimento. Se os tratamentos higienistas foram correctamente aplicados e se nenhum medicamento, vacina ou sérum tiver intervido recentemente, o organismo terá todas as oportunidades de conduzir a sua febre nas mais favoráveis condições para o restabelecimento. Delírio e convulsões: são sintomas de acção vital correcta e não devem ser suprimidos artificialmente, excepto se são devidos à administração de medicamentos e drogas.

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Prostração: a fraqueza acentuada e o abatimento são também eles, a consequência de envenenamento, e a sensação de força não pode ser encontrada senão quando o veneno for neutralizado ou expulso. O repouso — e não a excitação — é o remédio para a fadiga extrema. Complicações: elas sobrevêm frequentemente com os sintomas terapêuticos supressivos, por razões agora bem conhecidas. Cirurgia abusiva, medicamentos, alimentação inadequada e processos de excitação vão perturbar o organismo no seu esforço de purificação e de regeneração. Outros sintomas aparecem e os mesmos sintomas se reproduzirão, e isto durará enquanto persistirem a toxemia e a enervação. A recuperação da saúde: a crise aguda é normalmente de curta duração se as condições de aplicação dos factores naturais forem respeitados. O paciente deve poder levantar-se ao fim de alguns dias. Depois de ter tido febre, transpirar, tossir, escarrar, espirrar, perder o apetite, ver aparecer uma erupção cutânea... ele constata que os seus sofrimentos param e que acede a um estado mais suportável. Aparecerão outras crises de desintoxicação, que ele tratará da mesma maneira, até ao restabelecimento cada vez mais profundo. Então, as actividades físicas poderão ser retomadas e intensificadas, a mobilização articular será mais ampla, as excrescências serão reduzidas, o bem-estar geral reaparecerá.

k) Intervenções complementares
Acabamos de esboçar o esquema geral mais simples de aplicações dos cuidados higienistas. Algumas medidas complementares são susceptíveis de trazer uma ajuda ou de reduzir a dor. Contentarnos-emos em os citar aqui porque voltaremos a falar mais adiante e a propósito de cada situação (no Index terapêutico). São elas: a osteopatia, a cranioterapia, a técnica de Mézières, a quiroprática, a fitoaromaterapia, a acupunctura, a homeopatia, as massagens, a técnica dos pontos de Knap, a quiromassagem, a ortoterapia, a relaxação, a psicoterapia, a hidroterapia, a talassoterapia, o termalismo, etc. (cap. 19 e 20).

13. Higiene de vida nos casos crónicos
a) Deve-se deixar agir a natureza?
Como na doença aguda, os cuidados naturais são conformes às necessidades do organismo vivo, isto é de certa maneira às leis da vida, às necessidades bem compreendidas dos processos vitais. A cura é a consequência de uma acção do próprio organismo e não o facto de uma intervenção exterior. Os sistemas de cura visando a supressão, a modificação, a paliação dos sintomas não têm caminho na via ortobiológica. A doença crónica, como a doença aguda, comporta causas, e são estas causas que é preciso descobrir e corrigir. É inútil, eventualmente recorrer a medidas supressivas; este trabalho só é superficial e gerador de decepções. Mostrámos como as perturbações evoluem do estado agudo à fase crónica, chamada incurável, isto é ao estado de degenerescência. Esta evolução é devida, em boa parte, a tratamentos incorrectos: medicamentos, vacinas, séruns, cirurgia abusiva, raios.

b) Um modo de vida correcto
O retorno da saúde é condicionado pela adopção de um modo de vida são. Nada de válido nem de durável pode ser realizado sem modificação e correcção dos hábitos antibiológicos que causaram a toxemia. O abandono puro e simples das práticas anti-higiénicas é a via mais fácil. Os factores inconscientes da doença devem ser postos claramente e admitidos pelo paciente. Quando aparecem dificuldades mentais, um estudo cuidadoso deve ser empreendido pelo higienista, que deve portanto ser também um psicólogo informado. Recorrer a medicamentos e drogas para males benignos faz entrar num círculo infernal dos quais poucos se conseguem libertar. Nada é certamente mais pernicioso que esta constante procura de uma panaceia ou de uma influência mágica que faria desaparecer maravilhosamente as consequências de falhas em relação às leis da vida e que, sem esforço do paciente, lhe restituiria saúde, beleza, juventude, vigor físico, mental, etc. Na doença crónica assim como nas crises agudas de desintoxicação, a procura das causas representa o primeiro trabalho a realizar. A determinação dos erros cometidos pelo paciente permitirá a restauração da sua higiene de vida. Graças a esta medida, os processos vitais de regeneração entrarão em

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acção e operarão a restauração da energia nervosa, a desintoxicação, a reconstrução das estruturas orgânicas, o regresso da harmonia funcional. "Pára de te prejudicares e aprende a viver", é a regra de ouro. O programa dos tratamentos higienistas a aplicar nas perturbações crónicas é simples mas preciso. Deve ser aplicado sem tardar e com perseverança. Na maioria das situações, o resultado é favorável. Alguns indivíduos não conseguem recobrar a saúde pelos seus próprios meios; abusaram muito tempo da sua resistência e dos seus meios. Os problemas que o organismo sofreu não podem ser reparados; a sua força vital é diminuída; algumas outras situações necessitam da intervenção cirúrgica assim como de medidas de excepção.

c) O repouso
O repouso físico: aqui como na doença aguda, o repouso e a recuperação da energia nervosa, são as condições, os imperativos essenciais do retorno progressivo a uma situação cada vez mais normal. Nenhuma perturbação funcional ou orgânica pode ser corrigida se as comportas de desperdício da força vital permanecerem largamente abertas.
"A ignorância e a cegueira dos infortunados que exigem fortificantes para se remontarem são portanto fenomenais. Os excitantes farmacêuticos, as picadas químicas, as vitaminas industriais, os extractos opoterápicos, os enxertos do órgão são engodos e meios de aceleração da decrepitude vital." (Dr. Paul Carton, l'Art medical).

Na maior parte das doenças crónicas, um período bastante longo de repouso na cama (algumas vezes de várias semanas) constitui a medida mais salutar capaz de assegurar o restabelecimento mais rápido. Repouso na cama não significa inactividade absoluta. Fora das crises agudas, o doente crónico deve, cada vez que for possível, e se não há contra-indicação absoluta, fazer um pouco de exercício físico várias vezes ao dia. Pode igualmente praticar o respirator em diferentes posições 2. Se o trabalho habitual não pode ser interrompido, é bom reduzi-lo o mais possível e assegurar muito repouso, relaxação e sono desde que as circunstâncias o permitam, ir para a cama muito cedo e levantar-se tarde. Um repouso de uma duração de 30 minutos a 2 horas, depois da refeição do almoço, é muito útil ao doente crónico. O repouso mental: é preferível, em período de mau estado de saúde, desligar-se provisoriamente dos "afazeres do mundo", do estudo muito intenso, do trabalho profissional demasiado duro, da leitura de jornais "combativos", dos espectáculos televisivos "crispantes". Tudo o que aumenta a tensão nervosa e tudo o que torna a pessoa pessimista, tudo o que comporta o receio do revés, a ideia de combate odioso, todas as suas fontes de dissipação da energia nervosa, são nefastas. É portanto bom forjar uma filosofia sorridente da vida. A compreensão dos acontecimentos favorece o desapego e a calma emocional. O repouso fisiológico: o doente crónico tem necessidade de reencontrar ao máximo as suas funções de digestão e de assimilação. A sua alimentação deve ser perfeita, sã, natural, o mais possível crua. O sono: é durante o sono que a recuperação da energia se opera ao máximo e que as estruturas se regeneram mais eficazmente 3. A cama deve ser muito confortável, os cobertores quentes e leves. Em certos casos, uma botija quente assegurará o calor dos membros. O quarto deve ser bem ventilado, sem corrente de ar. Os raios do sol devem penetrar aí abundantemente durante o dia. Na estação quente, a cama pode mesmo ser transportada para o exterior mas o paciente deve ficar à sombra fora dos períodos de banhos de sol. O sono não é evidentemente o único meio de restaurar a energia nervosa. Em caso de insónia, o paciente deve aprender a manter-se tranquilo, calmo, confiante, relaxado. Não deve pensar que tudo está perdido só porque a noite foi passada em claro; aliás, a insónia é muitas vezes devida ao receio de não poder dormir. Lembramos ainda que a relaxação antes das refeições e o sono, ou o repouso depois da refeição do almoço, são favoráveis ao doente crónico.

d) A alimentação
"O apetite deve ser disciplinado tanto na saúde como na doença. Através da alimentação e do repouso, atingimos o âmago do problema e da saúde. A disciplina alimentar imposta na quantidade de alimentação e na combinação dos alimentos é uma via prática e segura de controlo e de prevenção da doença." (Dr. Weger,

higienista do último século). O alimento deve ser natural e tomado em quantidade moderada, no limite do poder de digestão e de assimilação. Só a alimentação natural impõe um gasto mínimo de energia para uma melhor

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Ver, por André Passebecq: Traitements naturels cies affections respiraloires (colecção santé naturelle. Edições Dangles). Ver a obra de Pierre Fluchaire: Bien dormir pour mieux vivre (colecção santé naturelle, Edições Dangles).

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utilização. Ela está praticamente isenta de substâncias tóxicas cujos efeitos, sós ou em sinergia com certos medicamentos, são inegavelmente nocivos — por vezes ao extremo. A alimentação deficiente em certos factores indispensáveis não sintetizáveis pelo organismo está na base de perturbações de carências causando ou agravando a maior parte das doenças crónicas. Por uma reacção em cadeia, outras carências aparecerão inevitavelmente. Encontram-se certos factores indesejáveis nos falsos alimentos (álcool, especiarias, alimentos industrializados...) assim como naqueles que resultam de hábitos nocivos (tabaco, medicamentos, por exemplo) e causarão também perturbações neutralizando ou transformando em venenos certos alimentos biológicos. O excesso alimentar é a fonte de fermentações gastrointestinais de onde resultarão: acidificação, desmineralização, fadiga e doenças. Enquanto que o organismo vigoroso pode sobreviver em tais condições, a maior parte dos humanos evoluem lentamente ou rapidamente para a doença e concebe-se que o doente crónico não se possa restabelecer facilmente (quando pode) se não tomar as decisões que se impõem quanto a melhorar a sua alimentação: tanto em qualidade como em quantidade. As vitaminas e oligo-elementos são encontrados em quantidade suficiente e em proporções adequadas na alimentação natural equilibrada preconizamos a este propósito, a fórmula 60/20/20 descrita na presente obra). Houve uma altura em que o colomel era bom para o fígado, a quinina para o baço, a digitalina para o coração, a estriquinina para os nervos, o ferro para o sangue, o fósforo para o cérebro, o cálcio para os ossos. Nos nossos dias, a moda da terapêutica alimentar faz cometer um erro semelhante (menos grave mesmo assim, é verdade). A cenoura cura a doença dos olhos, o aipo cura os reumatismos, as cebolas são boas para os nervos e os rins, os espinafres para o sangue e o tumor das pálpebras, a melancia para a erisipela, o agrião para o raquitismo, a alface para a insónia, o alho para o coração e a circulação, a uva para o sangue, os alimentos alcalinos para a acidose... Andamos ainda à procura de curas específicas. De facto, se um factor (alimento ou influência) é favorável à vida de uma célula e de um órgão, é favorável a todo o organismo — e reciprocamente. O problema da alimentação não pode portanto ser resolvido senão de uma maneira global, fazendo intervir os diferentes aspectos da nutrição. Na doença crónica, será muitas vezes bom começar por um jejum curto (de um a três dias). Todavia, se o paciente tiver sido anteriormente muito intoxicado por medicamentos ou outras substâncias nocivas, é preferível não jejuar de repente mas reduzir progressivamente a alimentação durante algumas semanas até à aplicação do regime cru de desintoxicação durante uma ou duas semanas. Pode então intervir um jejum de alguns dias, que será seguido de um novo período de alimentação de desintoxicação 4. Se aparecer febre, será necessário imperativamente cessar toda a alimentação até ao retorno da temperatura normal do corpo. As indicações dadas no capítulo 15 são plenamente válidas para o doente crónico.

e) A bebida
A sede deve ser o único guia do paciente. Beber apenas nos limites da necessidade fisiológica, e para isso aprender a conhecer bem as necessidades do organismo. A única bebida que recomendamos de uma maneira geral é a água potável pouco mineralizada, de excelente qualidade. As águas do Mont-Roucous-Volvic, Katell-Roc são bons exemplos. A água para beber não deve ser adicionada de substâncias sintéticas ou tóxicas. Eventualmente, poderemos recorrer às infusões leves (nomeadamente de rainha-dos-prados) ou a certas decocções (por exemplo, de bagas de zimbro). Para além do jejum, deverão ser tomados com proveito, de manhã em jejum, e talvez várias vezes ao dia, se a alimentação for extremamente leve, frutas ou sumos de frutos frescos ou de origem biológica perfeitamente conservados: uva ou maçã nomeadamente. Não devemos esquecer o sumo de limão, cujo interesse, na primeira bebida da manhã, é incontestável. Se aparecerem sinais de sub-mineralização, será preferível parar com as frutas durante várias semanas. Um programa de remineralização deverá então ser posto em acção, com progressividade. As frutas poderão ser substituídas em boa parte por legumes crus e eventualmente cozidos em tempo frio, mas sempre em quantidade moderada e progressista.

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Ver a obra de Alain Saury: Régénération par le jeûne (Edições Dangles).

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f) O exercício físico
Muitos doentes crónicos são, em larga medida, preguiçosos. A sua actividade física foi e é ainda insuficiente. Muitos inválidos reencontraram um estado de saúde conveniente livrando-se da sua inactividade física e evitando o sedentarismo excessivo. Desde que não haja uma contra-indicação a proibi-la, a ginástica quotidiana ( 5) é uma regra. Os exercícios devem ser ligeiros e moderados no princípio, mas a intensidade e a duração serão progressivamente aumentadas à medida que o regresso das forças e a flexibilidade das articulações o permitam. É bem evidente que, quando da inflamação das articulações e dos músculos, estes deverão ser deixados em repouso. Uma mobilização (muito prudente e progressiva) só intervirá quando a febre e a inflamação tiver desaparecido. Certos exercícios são particularmente aconselhados: a ortoterapia (especialmente para a coluna vertebral e as articulações dos braços e da pernas), os exercícios oxigenantes, a técnica do desbloqueamento torácico de Plent-Martin de Beauce, com utilização do respirator.

g) Ar e banho de ar
Ar são em abundância (o ar "purificado" com a ajuda de anti-sépticos químicos não é são). Janelas abertas sobre o exterior, segundo a intensidade do frio. Nada de fumo de tabaco, de odores mais ou menos nauseabundos ou poluídos pelo tabaco ou emanações das caçarolas. O ar demasiado seco pelo aquecimento central deve ser humidificado. As pinturas frescas são nocivas. A ionização negativa do ar é importante. Um ar ionizado positivamente é desfavorável à vitalidade e aos processos de desintoxicação e de regeneração. Quanto ao banho de ar, o seu carácter benéfico é inegável. É bom recorrer a ele todos os dias, de manhã por exemplo, no decurso da toilette. O banho de sol é também uma boa ocasião para isso. É possível acompanhá-lo por uma fricção do corpo com as mãos nuas, secas ou mergulhadas na água fria. Os banhos frios prolongados, que requerem um gasto de energia nervosa considerável, não são favoráveis ao restabelecimento da saúde.

h) Sol e banho de sol
Um quarto bem iluminado é uma das condições essenciais do bem-estar do paciente. Ela contribui eficazmente para a rapidez do restabelecimento. O banho de sol será progressivo; o doente crónico habituar-se-á a ele lentamente. Excepto certas raras contra-indicações (hipertensão grave, câncer da pele, etc), os efeitos dos banho de sol curto são eminentemente benéficos nas doenças crónicas. Tomar-se-à de preferência o banho de sol de manhã, antes das 11 horas (e mesmo antes das 10 horas em pleno verão). No decurso deste banho, não se deve ficar imóvel mas, pelo contrário, mobilizar lentamente as diferentes partes do organismo. Cobrir cuidadosamente a cabeça e a nuca. Não ultrapassar 15 ou 20 minutos para o banho de sol descoberto.

i) A mudança de clima
Nos países chamados "economicamente avançados", muitas pessoas se acham submetidas a poluições gerais e profissionais, a promicuidade, a agitação, os factores de ansiedade acentuam outros factores desfavoráveis relativos ao clima da região (humidade demasiado fria ou demasiado quente, ventos do tipo foehn...). Os ansiosos e esgotados podem graças à mudança de ar, esquecer por um momento os seus cuidados familiares e profissionais, mas o seu problema é muitas vezes muito mais profundo e eles carregam os seus conflitos com eles. é por essa razão, que passado o primeiro tempo favorável, a maior parte retomam às suas perturbações psíquicas e físicas. Sem dúvida nenhuma, uma estadia num clima particularmente são (temperado ou um pouco quente e relativamente seco) é útil aos artríticos e aos reumáticos. Todavia, há outros factores que não devem ser negligenciados: é necessário aos nervosos, aos agitados, aos angustiados, aos cansados que não devem trabalhar e viver habitualmente com excessiva tensão. A chave dos seus problemas de saúde encontra-se portanto antes de tudo numa mudança de estado de espírito.

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Ver a obra do doutor J.-E. Ruffier: Gymnastique quotidienne (colecção santé naturelle. Edições Dangles).

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Não esqueçamos também que o "repouso" e as férias podem ser ocasião de desgaste excessivo.

j) O factor mental
O paciente deve fazer face a obstáculos psicológicos variados e poderosos: o receio da doença, ancorado desde há séculos no espírito dos homens e cuidadosamente mantido por alguns: O medo da família que comunica a sua ansiedade ao paciente; eis a razão pela qual a maior parte dos doentes são incitados a recorrer aos exames e às práticas "rápidas". Aquele que quer aplicar a processo de cuidados naturais encontra-se alvo da oposição dos seus, das censuras, ameaças e muitas vezes duvida e abandona tudo para sua infelicidade. Se persistir, guardará dificilmente a calma e a serenidade perante as manobras dos que o rodeiam: as suas dificuldades serão maiores se for tratado em casa do que se puder ir para uma clínica de higiene natural ou de naturoterapia. Quando se trata de uma criança, os pais assustam-se com o aparecimento da primeira crise (portanto benéfica) de desintoxicação: febre, erupções da pele, expectorações, derramamentos... Estas disposições de espírito não são de natureza a facilitar o restabelecimento do paciente. Por vezes mesmo, elas impedem ou retardam longamente a cura. Tecnicamente, a aplicação dos tratamentos higienistas é relativamente simples, mas o trabalho mais árduo consiste em ultrapassar as dificuldades devidas aos hábitos milenários ilógicos, as tradições médicas estereotipadas, às opiniões erróneas, às ideias falaciosas, a uma ignorância quase geral dos imperativos da saúde e do restabelecimento. Somente, aqueles que possuem uma sólida convicção e são mentalmente fortes podem resistir aos perigos que os ameaçam. O paciente deve ler e reler obras higienistas e naturopáticas assim como relatos de casos vividos; ele deve ser encorajado pelo conselheiro higienista e o médico naturopata. Para além de tudo, deve empenhar-se em compreender o sentido e o alcance dos sintomas que conhece no decurso da sua "doença" e das crises sucessivas. É-lhe difícil curar-se sem compreender. O essencial é portanto permanecer relaxado e ter confiança nos processos naturais de restabelecimento, lembrando-se que as melhoras fictícias obtidas pelo recurso aos medicamentos químicos e aos excitantes se pagam muito caro afinal.

k) Febre e dor
Não tornaremos a falar aqui sobre o problema da febre, tratado noutra parte deste livro (§ 12 j). No que diz respeito à dor, com que terrível preço se pagam umas leves tréguas conseguidas por um narcótico qualquer? A dor e indisposições param e desaparecem sem complicações nem sequelas se as suas causas forem corrigidas. Pelo contrário, as substâncias utilizadas para atenuar a dor contribuem largamente para aumentar esta e a tornar durável, depois do primeiro período (muito curto) de tréguas, independentemente dos seus efeitos desastrosos quanto ao próprio restabelecimento. Muitas doenças são imputáveis a estes métodos impotentes e nocivos, causas de complicações bem mais difíceis de curar que as perturbações primárias. A dor não é a doença assim como a causa desta: é um sintoma de perturbação da saúde. Os medicamentos "anti-dores" acalmam a paralisia e a depressão dos nervos sensitivos mas não controlam a continuação das perturbações. Não são as consequências que é preciso combater mas as causas que é preciso corrigir. 1) Crises de desintoxicação ou de retorno Abordaremos aqui um ponto capital quando do retorno à vida sã do doente crónico. Quando a crise aparece, cada um é tentado a ver aí um agravamento da "doença" ou uma complicação que se deve combater sem tardar. Ora, qual é o sentido exacto destas crises? Já vimos noutra parte (cap. 12), mas é bom voltarmos a ele. O organismo do doente crónico, enfraquecido, tem a possibilidade, graças aos cuidados de higiene natural, de restaurar progressivamente a sua energia nervosa, o que lhe permitirá, no momento que achar oportuno, empenhar-se numa acção de desintoxicação mais ou menos violenta. Depois de um período de calmia no decurso do qual o paciente retoma confiança, a acentuação de sintomas considerados como mórbidos provoca a angústia e por vezes o desencorajamento. A crise que aparece deve ser interpretada e tratada como uma doença aguda. Índice de uma evolução favorável, esta crise deve ser acolhida com confiança, alegria e esperança. As perturbações que tinham desaparecido tornam a vir; uma bronquite passada reaparece com os seus sintomas (inflamação, expectorações, febre, etc); um reumatismo agudo imobiliza de novo as articulações

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do ossos, uma após a outra; as urinas tornam-se carregadas, a fadiga, a febre, as cefaleias, as inflamações... tudo indica o recrudescimento de certas acções orgânicas tendendo à neutralização e à eliminação de substâncias tóxicas apresentadas no sangue, nos tecidos e células. Eis a explicação geral das crises de retorno. Os pacientes crónicos tratados correctamente conhecem portanto períodos de recessão e períodos de exacerbação das suas perturbações. O doente sente-se melhor num determinado momento e pior noutros, mas ele deve compreender que é quando se sente mal que o trabalho orgânico mais intenso se opera em favor da saúde. A maior parte das dores ressentidas durante as crises podem ser minoradas ou mesmo evitadas se o paciente souber jejuar quando é preciso, alimentar-se correctamente, viver segundo os princípios higienistas. Previdente, o crónico que compreendeu o sentido da doença será sóbrio e sábio antes, como durante as crises, porque as medidas, mesmo as melhores, tomadas durante as crises nunca serão paliativos. Mais vale prevenir que remediar. A situação patológica é uma enervação começando suavemente e insidiosamente mas acentuandose até ao estado crónico passando pelas doenças agudas, que são habitualmente reprimidas por meios artificiais. O retorno à saúde efectua-se pelo caminho inverso — e não será razoável esperar apagar num dia as consequências de uma falta repetida desde há anos. Alguns doentes crónicos não conhecem crises de retorno apreciáveis. Neles, a desintoxicação opera-se progressivamente, sem problemas. Mas parece que os resultados mais rápidos e espectaculares são obtidos naqueles que, dotados de uma poderosa vitalidade, apresentam reacções violentas e por vezes mesmo alarmantes: febre intensa, transpiração abundante, prostração...

m) Os intestinos, a prisão de ventre e a diarreia
A acção intestinal é automática e reflexa, como as pulsações do coração e os movimentos rítmicos do tórax na respiração. Se os órgãos em causa são suficientemente tónicos e se há fisiologicamente necessidade de movimento, este operar-se-á. Se há necessidade fisiológica de repouso seguida de uma deficiência de energia nervosa, os intestinos repousar-se-ão. É possível excitá-los através dos medicamentos, dos calmantes dos dilatadores rectais, etc, mas estas intervenções agravam a situação. O melhor programa consiste em deixar agir os órgãos em causa, permitir-lhes regular o seu próprio trabalho. São toleradas excepções, nomeadamente as seguintes; Caso de hemorróidas: aqui, a inacção prolongada dos intestinos pode conduzir a uma agravação das perturbações. Raros casos em que as nádegas se tornam duras e secas durante um jejum e têm grandes dificuldades, dores e mesmo ferimentos. Casos ocasionais em que o paciente aprendeu a "viver no seu intestino", de tal maneira que a preocupação da espera das fezes faz pior que uma lavagem. Cefaleias internas. A lavagem pode ser administrada com um pouco de água morna e de óleo de mesa, sem sal nem produto irritante.

n) Modo de vida depois de recobrar a saúde
Pode a cura ser definitiva? Dito por outras palavras, pode o paciente crer-se imunizado contra a doença depois do restabelecimento da saúde? Esta questão não tem sentido para aquele que compreendeu o alcance das leis naturais. Não existem produtos nem práticas capazes de neutralizarem as consequências de violações das leis da vida. Paliação não é cura porque esta só é assegurada se o organismo vive em condições convenientes. Quando a pessoa super alimentada, o intemperante, o sedentário retorna aos seus antigos hábitos, ele recai nas condições responsáveis da enervação e da toxemia, causas das perturbações. A doença parece inevitável. A imunidade não pode ser assegurada. A boa saúde só pode ser fundada sobre uma higiene de vida correcta. A qualidade da colheita depende (entre outros factores) da das sementeiras. É preciso dar atenção ao valor dos grãos postos na terra.

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o) Compensação e sobrevivência
Em certas doenças crónicas, por exemplo artríticas ou reumáticas, encontramo-nos perante o seguinte paradoxo: não é possível intervir senão em fraca medida, mas no entanto muito pode ser feito para salvaguardar a vida. Nos processos de esclerose, na atrofia dos segmentos vertebrais, na doença de Pott, na osteoartrite, na artrite deformante, etc, quais são os nossos recursos? A destruição de certas estruturas nem sempre é definitiva; pode intervir uma regenerescência dos tecidos, em certa medida. Certas estruturas são entretanto destruídas inexoravelmente, por exemplo certas cartilagens. A degenerescência atingiu então um estado a partir do qual já não é possível uma regeneração perfeita. São casos aparentemente desesperados. O estado do paciente agravou-se progressivamente, insidiosamente, e talvez sem advertência ou quase. Que a pessoa se sinta bem, pareça em boa saúde, seja capaz de trabalhar e de comer não prova que o seu modo de vida é válido. Pode estar à beira do túmulo enquanto que ela própria e aqueles que a rodeiam não desconfiam disso. De facto, muito pode e deve ser realizado, mesmo se as probabilidades de sucesso parecem infinitamente reduzidas. As forças de regeneração inerentes à natureza desempenham um trabalho de que não duvidamos. Produzem-se compensações, suprimentos, se as medidas de higiene vital são postas em acção com paciência e perseverança. Muitas pessoas consideradas como incuráveis, como inválidas para a vida, puderam, com força de vontade e de disciplina, graças à aplicação dos factores naturais de saúde, melhorar consideravelmente o seu estado de saúde e voltar a ter uma existência normal. Sem dúvida que podem ainda existir dores, limitações na mobilidade das articulações; certos músculos não têm a mesma flexibilidade nem o mesmo tónus; em contrapartida, outras estruturas se puderam desenvolver e compensar as insuficiências dos tecidos lesados. Muito pode portanto ser feito para parar e fazer retroceder o processo degenerativo de esclerose, necrose, paralisia. A condição é simples: a rectificação das causas de perturbações e a adopção de um modo de vida sã. A vida e a aptidão ao trabalho podem ser prolongadas. O modo de existência deve ser regulado de maneira a não impor excesso de trabalho aos tecidos e órgãos que tomarão em carga a compensação fisiológica.
"A natureza tolera um certo grau de patologia incurável e permite viver para além da nossa espera se soubermos aliviar o seu trabalho. Ela não pode suportar a dupla carga de uma alteração de função e, ao mesmo tempo, uma alteração da energia nervosa causada pelo excesso alimentar que impõe ao organismo um trabalho duas ou três vezes superior àquele que corresponderia normalmente às necessidades do momento." (Dr. J. Tilden.)

As doenças chamadas incuráveis podem ser prevenidas por uma higiene de vida correcta. É desde a infância que devem ser tomadas medidas para evitar a alteração da saúde. Comprometida esta, as medidas de paliação não trarão a solução procurada. Os cuidados de higiene vital permitirão restaurar e salvaguardar o que ainda o pode ser. Nada de válido pode ser realizado fora das vias da natureza. As forças de vida inerentes ao indivíduo nunca devem ser forçadas nem contrariadas. O que destrói a vida não a pode salvar. Em contrapartida, o que é conforme aos imperativos da vida assegura a salvaguarda e o restabelecimento da verdadeira saúde.

14. A água e a hidroterapia
Eis aqui, resumidas, as práticas de base mais úteis em hidroterapia ao reumático e ao artrítico.

a) Calor e transpiração
É preciso, em hidroterapia, como para as outras técnicas, desconfiar da ilusão. Por exemplo, de todas as características dos banhos de vapor, a mais enganosa é aquela que dá a impressão de uma abundante transpiração. De facto, a produção excessiva de transpiração visível é um sinal de esgotamento, e não de saúde. Para ser benéfica, a transpiração deve evaporar-se desde que ela atinja a superfície da pele; ela ajuda assim a refrescar o sangue da circulação superficial. A transpiração demasiado abundante é quase sempre um sinal de excessiva tensão vital e é então nociva, a menos que ela seja o resultado de uma febre natural (neste caso. ela é um sinal de eliminação activa). As provas mostraram que o suor produzido durante os primeiros minutos contém uma boa proporção de toxinas; em seguida, ele só contém água e sais minerais. A perda destes não é em caso nenhum vantajosa; ela pode mesmo ser prejudicial.

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O calor aplicado exteriormente não tem, em geral, efeito benéfico durável sobre o organismo. Para um período relativamente breve, ele pode reduzir ou aliviar uma dor articular, artrítica ou reumática. Entretanto, a tendência é de aumentar a aplicação, de tal maneira que os nervos se entorpecem, a circulação diminui e a produção calórica própria ao organismo se deprime. A temperatura interna é compreendida nos limites precisos, e a regulação térmica é rápida e fortemente influenciada pela temperatura da pele. Quando a temperatura superficial baixa, a produção de calor aumenta automaticamente, antecipando assim sobre uma perda contínua de calor pela pele. Se, paralelamente, a pele é aquecida, a combustão é diminuída a fim de evitar todo o risco de aquecimento interno. Um efeito do aquecimento contínuo da superfície do corpo é o facto de o sangue se tornar mais denso. Este fenómeno apresenta uma semelhança com a solidificação da clara de ovo sob o efeito do calor. Pode seguir-se uma obstrução da circulação geral. Os efeitos do calor prolongado à superfície da pele podem ser constatados em pessoas que se encontram constantemente em frente do fogo ou de uma fonte de calor; o sangue espesso e imobilizado pode figurar uma equimose, com descoloração de certas partes da pele, que são manchadas de cor castanha e podem persistir durante dias ou meses. Esta pele está evidentemente estragada; está também desvitalizada, embora este fenómeno não apareça de uma maneira evidente ao observador superficial. Ela tem falta de elasticidade, de firmeza, tónus, e perdeu uma parte da sua possibilidade de reparar, num prazo normal, o prejuízo que lhe foi infligido. Embora os problemas assim provocados em superfície sejam consideráveis, o aquecimento que os causou parecia suave e não tinha provocado nenhuma sensação desagradável. Tais inconvenientes podem ser produzidos por qualquer outra forma de calor seco irradiante, por cataplasmas quentes ou por queimaduras superficiais resultando de aplicações quentes (com botijas de água quente, nomeadamente).

b) A reacção
Quando a pele recebe uma aplicação fria, os efeitos são quase sempre exactamente contrários. O mecanismo de produção de calor activa-se e, depois de uma série de reacções, a circulação do sangue é mais viva e efectiva. A parte lesada torna-se capaz de se regenerar mais normalmente.

c) Com conta e medida!
Em medicina natural, insistimos sobre a necessidade de aplicações muito bem contadas e curtas. O objectivo é favorecer o funcionamento orgânico mas não de o obstruir ou de o paralisar, nem de o excitar. Quanto mais fria for a água, mais forte será a reacção quando da aplicação. É esta reacção, ou resposta, que consideramos como a fase essencial de uma hidroterapia esclarecida. As capacidades de resposta do indivíduo devem ser avaliadas. Neste problema vital, é tão perigoso tomar meias-medidas como arrefecer excessivamente um organismo que não seja saudável. As medidas heróicas datando do século passado não se devem mais ter em conta senão como exemplos aterradores. Os remédios "drásticos" não entram no quadro das nossas concepções; um dos nossos princípios é que, quanto mais grave for a doença, mais importante é evitar toda a violência na aplicação dos métodos de higiene natural.

d) Equipamento e compressas
Duches e jactos de qualquer espécie, imersões, banhos de assento, envolvimento em lençóis molhados, compressas e outras aplicações tais como o passeio na erva coberta de orvalho (Kneipp), são já bem conhecidos de todos aqueles que se interessam pelos métodos naturais ( 6). Em higiene natural, as aplicações de água encontram-se entretanto reduzidas ao mínimo. Embora em geral nós recomendemos, para a produção de calor pelo organismo, a reacção a partir de uma aplicação de água fria, no caso da artrite e do reumatismo, recorremos sobretudo à compressa quente, produzindo calor húmido num lugar escolhido do corpo e durante em período que vai de 15 a 60 minutos segundo a quantidade de tecidos que envolvem a compressa. O calor húmido apresenta provavelmente a condição ideal para a actividade de autocura do organismo. Estão à nossa disposição duas possibilidades para conseguirmos isso: A compressa morna ou quente (independentemente do banho local ou completo), que produz uma reacção superficial mas arrisca-se a provocar um arrefecimento se o paciente não se encontrar num ambiente suficientemente quente, se apanhar frio, seguir-se-á uma reacção desfavorável.

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Ver o livro de Gilles Lassard: L'eau pour votre santé (colecção santé naturelle. Edições Dangles).

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A compressa morna ou quente, eventualmente mantida por uma botija, pode ser útil nas pessoas que não fazem espontaneamente uma subida suficiente de temperatura. Mas não se deve exagerar a duração da aplicação. A compressa fria ou o envoltório frio húmido. É requerida uma aplicação correcta porque a reacção, a resposta orgânica, deve ser dinâmica e conduzir rapidamente a uma elevação de temperatura local (e, em certos casos, geral). Uma compressa mal aplicada pode ser nociva. Com os indivíduos subvitais, desconfiemos das compressas frias aplicadas sem consideração, sobretudo se os pés estão frios e se o paciente se sente arrepiado logo depois da sua aplicação. É preciso então, substituir imediatamente a compressa ou a aplicação fria por uma aplicação quente. A compressa compreende duas partes: um bocado de algodão fino ou de tela de algodão, e um bocado maior de tecido de lã, de preferência da lã tricotada em vez de tecida. Depois do primeiro choque produzido pela aplicação fria, a compressa deve normalmente começar a aquecer ao fim de 1 ou 2 minutos, e geralmente torna-se completamente agradável depois de 3 a 5 minutos. Se subsistir uma sensação de frio depois de 3 a 5 minutos a compressa deverá ser substituída, repetimos, por uma aplicação quente. Depois de uma meia hora, permitindo ao corpo que torne a readquirir um estado normal de temperatura, a compressa pode ser de novo aplicada.

e) Banho completo
Na artrite e no reumatismo, como aliás em muitas outras perturbações de saúde (gripe, por exemplo), o banho quente a temperatura progressiva pode ser considerado uma intervenção natural conduzindo à hipertermoterapia. A temperatura inicial da água pode ser cerca de 34 a 36°, depois faz-se subir esta temperatura até 39, 40, 41 e mesmo 42°, salvo contra-indicação médica em relação, por exemplo, com a hipertensão, uma tendência para a hemorragia cerebral, etc. É habitualmente seguido de um duche rápido com água fria, depois de uma esfregadela vigorosa para secar e mesmo de uma fricção com luva de crina. À água do banho, é muitas vezes vantajoso acrescentar uma colher de sopa de cloreto de magnésio assim como cerca de vinte gotas de essências vegetais de alecrim, tomilho... As algas micro partidas são interessantes a muitos títulos. A alga absorve os íons assim como numerosos elementos contidos na água do mar mas não os deixa "repartir" porque está revestida de uma parede absorvente e protectora. Deitar simplesmente algas numa banheira não tem interesse. A alga só é eficaz quando se pode extrair dela os íons e os oligo-elementos. Ela deve ser tratada de maneira que as suas células possam rebentar. As algas utilizadas habitualmente são os fucos, as laminárias, o ascofilo e por vezes os litotâmios (algas fósseis contendo em grande quantidade cálcio e magnésio, de 10 a 50%). O fuco e as laminárias são ricas em iodo, brómio e flúor; as outras em magnésio e em cálcio. Encontramos aí igualmente vitaminas A, B, C, D, etc, assim como princípios antibióticos e antivirais. O efeito dos banhos de algas micro partidas é particularmente interessante nas seguintes situações: descanso e relaxação, problemas celulíticos, obesidade, efeito sobre as perturbações cutâneas, influência favorável em todos os problemas de origem circulatória. São então preconizadas curas de 2 e 3 banhos por semana, durante 8 a 10 semanas, tendo cada banho sido seguido de uma aplicação de geleia de algas antes do repouso na cama para a noite. A acção relaxante das algas liberta, ao nível dos tegumentos e das terminações neuro-vasculares cutâneas, os elementos biológicos ionizantes, os minerais, vitaminas e hormonas agindo directamente sobre a tonicidade capilar e venosa ( 7).

15. A alimentação saudável
Eis as bases de uma alimentação sã e racional. A importância da ração de cada um deverá ser individualizada em função das necessidades orgânicas do momento (as quais dependem do trabalho, do clima, do apetite). Em nenhum caso, se devem entregar ao excesso alimentar.

a) A alimentação moderna, fonte de desequilíbrio
Uma alimentação composta de produtos desvitalizados, industrializada, alterada por uma conservação defeituosa e pelas substâncias químicas, envenenada, só pode trazer ao corpo as substâncias e que ele tem necessidade, em particular os minerais, vitaminas e oligo-elementos.

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Ver o livro de Alaim Saurv: Les ALgues, source de vie (colecção santé naturelle. Edições Dangles).

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Por seu lado, o excesso alimentar é causado por fermentações e putrefacções gastro-intestinais com destruição de nutrimentos e alteração da mucosa digestiva. O consumo insuficiente ou excessivo de prótidos, o consumo excessivo de prótidos animais, de gorduras animais de má qualidade, a utilização regular de gorduras e de óleos aquecidos o abuso de alimentos farináceos e açucarados, o consumo de excitantes e de condimentos demasiado fortes têm as consequências mais desastrosas sobre o estado de saúde. Perturbações tais como o artritismo, o raquitismo, a arteriosclerose, as afecções dos rins, do fígado, do tubo digestivo, passam quase desapercebidas durante um certo tempo mas anunciam a degenerescência orgânica. A eficiência dos órgãos sensoriais baixa, progressivamente mas, sob a influência dos medicamentos habituais, ninguém lhe dá mais atenção. O tabaco, o álcool e as drogas complicam ainda mais a situação. Incrimina-se a idade mas esta só intervém normalmente em fraca medida. Os animais em liberdade guardam a integridade das suas funções até ao último suspiro, salvo raras excepções.

b) Conselhos para a composição da ração alimentar
Os nossos alimentos são geralmente classificados em várias categorias, em função da sua destinação nutricional: — Os alimentos chamados vitalizantes ou alcalinizantes ou limpadores: os legumes e os frutos (saladas, salsa, cerefólio, etc, e também alguns legumes — raízes: cenouras, beterraba vermelha). As frutas que entram nesta categoria são frutas aquosas: maçãs, peras, ameixas, cerejas, figos frescos, laranjas, etc. Estes alimentos são ricos em vitaminas e em oligo-elementos ( 8). — Os alimentos plásticos ou reparadores: prótidos ou azotados. Eles intervêm no crescimento, nomeadamente muscular, e nos fenómenos de reparação orgânica (depois de ferimentos ou doença, mas também na mulher grávida ou que amamenta, na criança, etc). São nomeadamente o leite, os queijos, a carne, os frutos oleaginosos (noz, avelãs, amêndoas, sésamo), as leguminosas (feijão, ervilhas, favas, lentilhas, etc). — Os alimentos energéticos que em princípio, fornecem as calorias e produzem o açúcar sob diversas formas: a) Em primeiro lugar: os alimentos farináceos (cereais, pão, batatas, arroz, massas alimentares, castanhas, etc). b) Em segundo lugar: os açúcares, o mel e seus derivados. c) Em terceiro lugar: os óleos e as gorduras.

c) Repartição da ração
Um bom meio mnemotécnico é a fórmula 60/20/20. Em peso cerca de 60% de legumes e de frutas, crus e cozidos + 20% de alimentos protídicos + 20% de alimentos glucídicos (farináceos e açúcares). No que diz respeito aos alimentos gordurosos, é preciso muito pouco e não os incluímos na fórmula acima descrita para não a complicar. Digamos, a título aproximativo, que 5% da ração bastam em óleo e gorduras acrescentadas. Há portanto razão em reunir os alimentos a fim de evitar os excessos ou as carências de uma ou de outra categoria. Por exemplo, uma refeição equilibrada pesando no total 500 gramas será composta de: — 60% (ou seja 300 gramas de legumes e frutos crus ou cozidos); — 20% (ou seja 100 gramas) de alimentos farináceos e açucarados (pão, batatas, arroz, etc); — 20% (ou seja 200 gramas de alimentos protídicos, isto é, 2 ovos ou queijo, leguminosas (ou, para aqueles que quiserem: carne magra ou peixe). É a proporção aplicável ao sedentário. Se é requerido um trabalho físico ou se a temperatura está baixa, deve-se aumentar a ração de alimentos farináceos e açucarados e reduzir a proporção dos legumes e das frutas. Em tempo quente, diminui-se a ração de alimentos farináceos e açucarados e aumenta-se a dos legumes e das frutas. Não é possível dar indicações mais precisas, sobre um plano geral, porque pertence a cada um de entre nós agir segundo a sua própria experiência, começando por uma determinada ração e aumentando progressivamente em função dos sintomas sentidos. Cada um deve tornar-se o seu próprio guia e, em grande medida, o seu próprio médico.

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Ver o livro de Alaim Saury: Manuel diététique des fruits e legumes (colecção santé naturelle. Edições Dangles).

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d) A alimentação normal
Alimentação muito leve, composta essencialmente de produtos biológicos obtidos em solos regenerados. Eis portanto um esquema de regime alimentar correcto, a adoptar habitualmente fora dos períodos de desintoxicação (excepto contra-indicação médica): — De manhã em jejum: apenas água (ou sumo de frutos biológico), ou fruta (se bem tolerada). — Pequeno almoço (a tomar 1/2 hora ou 1 hora depois, não depois das 8h30): variável segundo a temperatura e o trabalho: — uma fruta fresca ou frutos secos demolhados + 1 chávena de leite não fervido (ou coalhado, ou em pó) ou queijo fresco ou iogurte; — ou 1 infusão leve (malte, mate, chá leve, salva, tomilho, lavanda, mas não café); — ou 1 ou 2 torradas integrais (ou bolachas integrais ou de arroz, ou ainda pão de mistura com fermento) + mel, infusão, 1 colher de café de puré de frutos oleaginosos ou queijo fresco bem escorrido. — ou uma fatia de pão de mistura com fermento e um ovo escalfado ou 50 gramas de queijo de massa firme; — pode ser ainda... absolutamente nada se não tiver fome ou se a refeição da véspera à noite foi copiosa. De todas as maneiras, varie a fórmula de um dia para o outro. — Almoço: salada e alimentos crus: um pouco de legumes verdes cozidos cuidadosamente; 50 a 100 g de carne magra ou de peixe magro, sem molho. Substituir frequentemente a carne por 50 ou 80 g de queijo de massa firme ou por 90 a 100 g de queijo de massa mole, ou por 1 ovo fresco escalfado, cozido mole ou incorporado. Mais, um pouco de pão de mistura, ou outro alimento farináceo (torradas, castanhas, etc.) À sobremesa (facultativo): uma maçã bem madura, ou qualquer sobremesa caseira. Não tomar mais nada, para não perturbar a digestão. — À tarde: não tomar nada excepto água, ou infusão leve. Comer cedo à noite. (Se houver trabalho físico, ou para as crianças: lanche leve possível). — A noite: salada, eventualmente sopa fresca; e legume cozido; comer mais, se se tiver vontade: 1 fatia de pão de mistura ou um pouco de arroz integral, massas, sémola, pastelaria seca caseira; queijo, ovo incorporado. Facultativamente: sobremesa (por exemplo flan ou creme caseiro). Fazer desta refeição da noite a mais simples e mais leve possível.

e) Casos particulares
Os que sofrem de prisão de ventre farão bem em compor a refeição da noite unicamente de legumes cozidos e crus, sós ou com sopa de legumes verdes e algumas ameixas secas demolhadas (evitar as frutas ácidas à noite). Eventualmente também, infusão leve (tília, verbena, laranjeira) depois desta refeição ou ao deitar (com açúcar integral ou mel). As refeições do almoço e da noite podem ser invertidas. Pode-se acrescentar regularmente, de manhã e à noite: levedura alimentar, trigo germinado, etc. Para a salada: óleo de amendoim virgem, azeite, óleo de girassol, de sésamo, cártamo, de abóbora, etc. (variando sempre). No caso de trabalho ou de exercício físico intenso, ou ainda de exposição ao frio, tomar uma refeição leve "calórica" por volta das 10 horas e 16h30 (alguns frutos secos ou biscoitos secos). Esta observação aplica-se também a quase todas as crianças. São dados exemplos de menus para cada estação (52 dias) no nosso livro Votre Sante par la diététique (Edições Dangles). Não esquecer o carácter essencial do recurso aos factores naturais de saúde: ar, sol, repouso, equilíbrio emocional, etc. Todos os dias, exercício físico ao ar livre, nomeadamente sob forma de marcha rápida (sem ir até ao cansaço) ou de ginástica (Ruffier( 9 ), exercícios oxigenantes, Respirator...). Depois da refeição, descanso e relaxação.

f) Conselhos importantes
— É preferível comer salada e alimentos crus no princípio da refeição. — Refeições simples: poucos alimentos diferentes em cada refeição, mas varie de uma refeição para outra. Nada de alimentação monótona. Apresente pratos atraentes mas sãos. — Coma sempre muito moderadamente. Mastigue bem, lentamente. Ensalive cuidadosamente os alimentos. Calma e alegria à mesa. Aprecie os sabores naturais.

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Ver. do doutor J.-E. Ruffier: Gymnastique quotidienne (colecção santé naturelle. Edições Dangles).

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— Não coma se não tiver verdadeiramente fome. Se estiver cansado, nervoso, indisposto, se não se sentir bem, se estiver constipado, friorento, com muita prisão de ventre, com diarreia, salte a refeição e repouse: só água e sumo de legumes verdes, crus ou cozidos. Salte tantas refeições quantas forem precisas até ao desaparecimento das indisposições até voltar a ter fome. É bom, aliás, saltar sistematicamente uma ou duas refeições por semana, ou mesmo mais. — Nunca coma entre as refeições (bombons, torradas, biscoitos, frutas...) — As refeições indicadas para o almoço e a noite podem ser trocadas. Coma pouco à noite. — Tenha cuidado com os excessos de frutas ácidas! As frutas tomadas inoportunamente estão na origem de fermentações, inchaços, diarreia, emagrecimento, desmineralização. — Durma pelo menos 8 horas por dia. Repouse, todas as vezes que for possível, antes e depois da refeição (sobretudo ao almoço). Em caso de astenia, repouso em vez de alimentação em excesso. O fraco que se alimenta em excesso enfraquece-se ainda mais. A alimentação deve ser reequilibrada.

g) Complementos alimentares e remineralização
Em certas formas de artrite e de reumatismo, são observados sinais de desmineralização: há carência de cálcio ou insuficiência de assimilação de outros oligo-elementos. Complementos alimentares naturais podem então revelar-se particularmente benéficos: — Levedura alimentar seca: traz em abundância vitaminas B (equilíbrio nervoso). — Óleo de sementes de abóbora: 13 ou 1/4 de colher de café todos os dias. — Pólen: 1 colher de café ou de sopa por dia. — Trigo germinado: uma colher de café ou de sopa por dia, de manhã de preferência (a luzerna germinada é igualmente benéfica). — Cloreto de magnésio: aconselhado pelo professor Raymond Lautié; a ração de manutenção pode comportar uma ou duas gramas com um sumo de frutas ou de legumes, de preferência de manhã em jejum. Os alimentos seguintes devem figurar na ração de todos os dias: alimentos crus (cenoura, beterraba vermelha, nabo, salsa...); algumas frutas oleaginosas (avelãs, amêndoas, pistácia, noz do Brasil); queijo fresco, queijo de massa firme, ovo biológico. Deveremos abster-nos imperativamente de certas bebidas tóxicas susceptíveis de provocar perturbações do metabolismo: álcool, café, bebidas chamadas higiénicas comportando coca cola, ácido fosfórico, cafeína, etc. Deveremos preferir sumos de frutas de proveniência biológica, em quantidade moderada, fora das refeições. Um factor nutricional a não negligenciar é a heliose (o banho de sol é indispensável ou, à falta dele, durante a estação má, o banho de ar). Estas medidas favorecem o metabolismo geral.

16. Esquemas alimentares
a) Durante a crise aguda
É preferível jejuar durante vários dias, enquanto persistir a febre, a transpiração, as dores locais intensas, a língua carregada, o hálito fétido e a inapetência. Bebida: água pouco mineralizada (Mont-Roucous, Volvic, Katell-Roc). Pode-se acrescentar algumas gotas de limão ou de pamplemousse, por exemplo.

b) Readaptação alimentar
Primeiro dia Em jejum: um ou dois copos de água pouco mineralizada + algumas gotas de sumo de limão ou de frutas frescas. Pequeno almoço: uma maçã bem madura, morangos ou uvas, por exemplo; na estação em que não houver, algumas frutas secas demolhadas (pêssegos, uvas secas). Almoço: algumas folhas de salada; alimentos crus (nabo, cenoura, beterraba, cebola, alho, pepino, couve...), com um pouco de azeite virgem e de sumo de limão. Noite: como ao almoço, ou ainda uma sopa de legumes (sem esquecer as urtigas, pequenos rebentos de primavera, todas as vezes que for possível). Entre as refeições: água exclusivamente.

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Segundo dia De manhã: água + sumo de fruta Pequeno almoço: como na véspera, aumentando um pouco a ração. Almoço: salada, alimentos crus. "Ratatouille" de "courgettes" ou legumes cozidos. À noite: sopa fresca de legumes. Alimentos crus. Terceiro dia De manhã: água + sumo de fruta. Pequeno almoço: como na véspera ou ainda 1 ou 2 maçãs cozidas. Almoço: alimentos crus. Legumes cozidos. 1/2 fatia de pão de mistura; 20 g de queijo de massa firme ou 50 g de queijo fresco. À noite: salada e alimentos crus. Sopa. "Ratatouille" muito leve de arroz meio integral com legumes. Quarto dia De manhã: água + sumo de fruta. Pequeno almoço: uma fatia de pão com manteiga. Um pouco de queijo fresco ou de queijo de massa firme (50 g). Almoço: alimentos crus. Legumes cozidos. Arroz ou massas alimentares, castanhas ou sémola... Incorporar um pouco de queijo ou 1/2 ovo. Meia maçã à sobremesa. À noite: sopa fresca. Alimentos crus. Legumes de estação. 20 ou 30 g de queijo. Dever-se-à aumentar progressivamente a ração para chegar à fórmula 60/20/20 (ver § 15 c).
Nota: esta fórmula de readaptação alimentar sem dieta pode ser utilizada todas as vezes que se desejar recomeçar com um regime chamado de desintoxicação ou de eliminação, durante um ou vários dias, por exemplo depois de um período marcado de excessos alimentares. Segundo as conclusões dos trabalhos do doutor Paul Delbet e do professor Raymond Lautié, o cloreto de magnésio extraído da água do mar seria favorável à defesa orgânica e reordenação celular. Segundo as necessidades e a tolerância individuais, esta substância pode ser tomada em dose de 10 a 20 g por dia (para os adultos) em período de crise aguda e durante 3 dias, depois numa dose mais reduzida, de 1 a 5 g por dia durante os períodos de eliminação e de desintoxicação. Deve ser pensado um suplemento regular da alimentação com um ou dois gramas, todas as manhãs, de cloreto de magnésio.

17. Alimentos autorizados e interditos
Aos reumáticos e artríticos crónicos (e àqueles que o quiserem evitar.

a) Alimentos aconselhados ou permitidos aos artríticos
Todas as frutas frescas, aquosas, bem maduras, sempre de excelente qualidade, cruas de preferência, algumas vezes (excepcionalmente) um pouco cozidas, sem adição de açúcar nem de mel. Estas frutas são: o limão, a toranja, a laranja, o figo, o ananás, a uva, a maçã, a pêra, o pêssego, a groselha verde, a madura, etc. Acrescentemos: o melão e a melancia que são frutos e não legumes, propriamente ditos. As frutas ácidas e semi-ácidas não devem ser tomadas senão com grande moderação; é preciso abstermo-nos delas durante as crises, com excepções de algumas gotas diluídas na água; os indivíduos fortes suportam-nas melhor que os magros desmineralizados. As frutas secas, consumidas com moderação e introduzidas progressivamente na alimentação. A consumir tais como estão (tâmaras) ou demolhadas durante 12 ou 24 horas num pouco de água fria não fervida, não açucarada. São: as ameixas, os damascos secos, as uvas secas, as bananas secas, os figos secos, etc. As bananas frescas devem ser bem maduras e de excelente qualidade, senão são farinhentas e indigestas; as bananas secas demolhadas são muitas vezes melhor toleradas, em doses moderadas. Os frutos farinhentos, tais como as castanhas-da-índia e as outras castanhas, a consumir com moderação no princípio da readaptação, cozidas rapidamente. Os legumes verdes, não amiláceos, crus ou, ocasionalmente, cozidos com precaução de maneira a conservar-lhes a maior parte das suas propriedades e das suas vitaminas. São, em particular: as saladas, alface, erva-benta, chicória, beldroega, dente-de-leão, endívia, escarola, o agrião, a couve, o feijão verde e todas as folhas verdes dos vegetais. As folhas da azeda, da acelga e do ruibarbo devem ser evitadas. Os espinafres devem ser cozidos em duas ou três águas.

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Podem-se também classificar nesta categoria vegetais não amiláceos: as "courgettes", beringelas, abóboras, pepinos, funcho, o pimento. Os legumes de fraco teor em hidratos de carbono, a consumir no decurso da readaptação alimentar, de preferência aos cereais. Comê-los crus ou um pouco cozidos (duros). São eles: a cenoura, o nabo, o aipo-rábano, a beterraba vermelha, o cercefi, o topinambo, a alcachofra, os "crosnes" etc. As batatas, muito carregadas de hidrato de carbono. Cozê-las sempre inteiras, com casca, ao vapor ou em muito pouca água, excepcionalmente no forno, e a consumir imediatamente. As frutas oleaginosas, sem serem torradas, a consumir com moderação, começando por quantidades pouco importantes, bem mastigadas (20 gramas, por exemplo) uma ou duas vezes por semana no princípio. São elas as amêndoas, nozes, avelãs, pinhões, pistácia. Notemos que os amendoins pertencem à família das leguminosas, como os feijões, ervilhas, lentilhas, etc; não vos aconselhamos o seu consumo, excepto em raras ocasiões. Diremos o mesmo da soja. Os óleos serão utilizados em quantidades moderadas. Dar preferência ao azeite, óleo de amendoim e de girassol, extraídos a frio e sem produtos químicos. Nunca os aquecer. As frutas gordas, tais como a noz de coco são aconselhadas em pequenas doses ( 10). Os cereais poderão ser de novo introduzidos progressivamente na alimentação. Eles devem ser cozidos muito rapidamente, mastigados muito demoradamente e cuidadosamente ensalivados, como todos os farináceos. Trata-se do trigo, arroz, cevada, centeio, aveia, etc, sob forma de farinha, sémola, "quakers", pão integral ou semi-integral com fermento, massas, torradas, excepcionalmente ( 11). Devemos desconfiar dos purés, sêmolas, produtos farináceos incorporados às sopas, porque estes alimentos são insuficientemente mastigados e ensalivados. A digestão é por isso bastante difícil. Evitar a farinha branca e o arroz branco. Estes alimentos perderam uma parte notável dos seus elementos nutritivos. O leite e seus derivados (manteiga, queijo), assim como os ovos, são a consumir de preferência aos alimentos protídicos tais como a carne, as criações, etc, mas sempre em quantidade muito moderada. O queijo não fermentado é preferível. A clara de ovo deve ser tomada ligeiramente cozida (mole ou escalfada). Estes alimentos devem ser evitados em caso de crise aguda. A carne pode, em boas combinações, ser comida pelo artrítico e pelo reumático (salvo contraindicação). Trata-se de carne vermelha ou magra, ligeiramente cozida, sem molho. A carne de vaca, o carneiro, a galinha, o peixe magro são aceitáveis. Não aconselhamos a carne de porco, demasiado gordurosa, e desconfiamos mesmo do presunto magro. A carne de cavalo contém muitas purinas. Não aconselhamos os outros alimentos. Se o artrítico os consumir que o faça só excepcionalmente, com os seus riscos e perigos. Única bebida aconselhada: a água natural, pouco carregada em minerais (Volvic, MontRoucous, Katell-Roc, por exemplo). As águas tratadas quimicamente devem ser evitadas. Notemos que a necessidade de água se torna insignificante se a alimentação se compõe, por um lado, de frutas e legumes frescos e crus, carregados de água vital preciosa, a melhor de todas. Os açúcares encontram-se nas frutas, em estado natural e facilmente assimiláveis. Se quisermos usar açúcar, ou mel, deve ser com a maior prudência. Dever-se-à dar preferência aos alimentos provenientes de cultura e tratamento biológico ( 12).

b) Alimentos desaconselhados ou proibidos aos artríticos
Não aconselhamos nenhum dos alimentos não mencionados na lista que acabamos de dar. Citemos, para precisar: — os bolos, preparados com farinha, ovos, leite, açúcar. Estes alimentos são indigestos e acidificantes; - os enchidos e os produtos tais como o "pâté", as "rillettes" (carne de porco picada e frita em gordura) as conservas, o salpicão, a morcela, as tripas e mesmo o presunto; — os caldos de carne, as carnes de caça em decomposição, as carnes gelatinosas...; — as gorduras animais (excepto a manteiga) e as carnes gordas em geral. As gorduras cozidas (óleo, manteiga, gorduras animais, etc); — a criação (fígado, coração, pulmões, rins, etc). Os moluscos revestidos de conchas e crustáceos, certos peixes (harenque, sardinha, leitança, anchovas, caviar, sopa de peixe...); — o álcool,, sob todas as suas formas (vinho, cerveja, cidra, pêra, aperitivos e digestivos, rhum, etc);
10 11 12

Ver o livro de Alaim Saury: Huiles végétales d'alimentation (colecção santé naturelle. Edições Dangles). Ver o livro de Jeam-Luc Dairigol: Les Céréales pour votre santé (colecção santé naturelle. Edições Dangles). Ver o livro de Vincent Gerbe: Votre potager biologique (colecção santé naturelle. Edições Dangles).

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— certos vegetais ricos em ácido oxálico ou em produtos de fermentações: azeda, espinafres, sumo de tomates e concentrado de tomates, espargos, cogumelos; — os queijos muito fermentados; — as águas e bebidas gasosas; os alimentos preparados de uma maneira destrutiva pelo fogo, o calor, os produtos químicos, as conservas; — os alimentos produzidos em más condições: rebentos com excesso de adubos, branqueados, etc; — os alimentos que sofreram um princípio de fermentação, depois de tratamentos ou de uma estocagem defeituosa. Não esquecer a nocividade das batatas verdes ou germinadas; — o café, o chá o cacau, o chocolate devem ser eliminados. A sua riqueza em purinas é excessiva; — o sal, o vinagre, a mostarda, as especiarias è condimentos em geral, ao mesmo tempo que depravam o gosto, perturbam a digestão, entravam a assimilação, fatigam o organismo. Devem ser rejeitadas; — um anti-alimento a evitar formalmente: o tabaco; — as bebidas do género coca cola são anti-alimentos cuja nocividade real é insidiosa. Deve ser chamada a atenção tanto dos pequenos como dos grandes sobre os riscos que elas apresentam para a saúde física e nervosa.

c) Os ovos são aconselhados aos reumáticos
Considera-se frequentemente que os ovos, ricos em purinas, são desfavoráveis aos artríticos e aos reumáticos. Estudos bastante intensos parecem negar esta crença. Os ovos são ricos em vitamina B (colina), extremamente importante para a saúde do fígado. Esta vitamina intervém na formação de uma substância gordurosa do sangue, os fosfolípidos, elementos que intervêm na luta contra a infecção estreptococica. Parece portanto que a ingestão de ovo possa intervir na aparição e no controlo das crises reumáticas. O ovo deve ser usado cozido (mole ou escalfado) (experiências relatadas no B.M.J., 17 de Abril de 1957; Am. Journ. of Diseases of Children, vol. 65, p. 744, 1943; Journ of Amer. Dietetic Assoe, vol. 26, p. 345; Journ. of Experim. Med., vol. 100, p. 245, 1954). De uma maneira geral, parece que o regime alimentar das crianças que se tornarão mais tarde reumáticas foi carenciado em lípidos naturais. A febre reumática só aparece nas pessoas cujo sangue é rico em lípidos. Uma nota final importante: aconselhamos os ovos biológicos, chamados "normais". Com efeito, desconfiamos dos produtos industriais obtidos à força de hormonas, antibióticos e alimentos duvidosos.

18. O jejum nas afecções reumáticas
Eis aqui duas observações fornecidas pelo doutor Yves Vivini: 1) Senhora P., 70 anos. Entrada em clínica em Março de 1960 devido a uma artrose lombar e coxofémoral direita, evoluindo desde há dois anos e sendo acompanhada de dores nos joelhos, tantas e tão fortes que devia andar com duas bengalas. Nos seus antecedentes, notava-se uma crise de reumatismo articular agudo aos 11 anos; aos 14 anos, um eritema nodoso e aos 41, uma peritonite tuberculosa com ascite. Esta doente jejuou 19 dias e, depois da sua cura, ela já não ressentia nenhuma dor e andava sem bengala. Três meses depois da sua cura, escrevia-me:
"Estou feliz por lhe poder dizer que os seus prognósticos se realizaram completamente e que estou de perfeita saúde. Já não sofro de artrose e ando sem cansaço, bastante ou pouco conforme for preciso..."

Este caso mostra-nos que o jejum é indicado nas afecções de origem tuberculosa. 2) Agora, vou citar-vos um caso mais demonstrativo, porque eu próprio, cheguei a sentir receio. Era uma mulher jovem de 35 anos que tinha dado uma queda da qual ressentia dores em várias articulações. Ela consultou então vários médicos que prescreveram calmantes depois anti-reumáticos até e incluindo a cortisona. Tudo isto sem nenhum exame nem análise. Quando ela me veio ver, esta história durava desde há um mês. Estava quase impotente, de tal modo as articulações dos pés e das mãos, dos joelhos, dos cotovelos e dos ombros estavam doridas e inchadas. Hospitalizei-a de urgência e fiz-lhe análises que revelaram uma velocidade de sedimentação a 5091 e uma taxa de antiestreptolisina a 910 U. Portanto, estávamos em face de um reumatismo articular agudo em plena evolução, tanto mais que ela tinha então 39°-40° de temperatura, Não era muito difícil fazer o diagnóstico! Queixava-se do coração; fiz-lhe fazer, imediatamente depois da entrada, um

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electrocardiagrama: negativo. O reumatismo articular agudo é completamente diferente do reumatismo vulgar porque provoca problemas cardíacos muito frequentemente e mesmo o médico clássico diz que, sem os medicamentos químicos que eram até aí: salicilato de soda que se tornaram depois a cortisona, passando pela penicilina e os antibióticos, sem estes medicamentos portanto, numa forte crise de reumatismo articular agudo, com temperatura, violentas dores, várias articulações atingidas e taxas de antiestreptolisina, como era o caso da senhora e..., há sempre problemas cardíacos se não se fizer este tratamento clássico. Ela jejuou 24 horas. À saída da clínica, a velocidade de sedimentação era normal, já não sofria de nada. Um electrocardiograma praticado três semanas depois da sua saída revelava-se negativo, como o que tinha feito à entrada. Por outras palavras, esta é bem a prova indiscutível que num caso de reumatismo articular agudo, doença considerada como extremamente grave, o jejum consegue muito e mesmo mais que os tratamentos habituais porque, mesmo com a cortisona, os antibióticos e o salicilato de sódia, creiam-me, aparecem perturbações cardíacas...!

19. Técnica dos pontos de Knap
Uma técnica de vitalização e de relaxamento útil tanto na artrite como no reumatismo.

a) Poder andar instantaneamente
Maravilhoso prático dos métodos naturais, Martin de Beauce era massagista-quinesiterapeuta mas ao mesmo tempo aluno do célebre Geórgia Knap, que difundiu em França, durante uns trinta anos, métodos de saúde de um interesse capital. Entre estes métodos, figura na primeira fila a técnica da punção dos pontos dolorosos, chamados de Knap. Antes de descrever os fundamentos e as aplicações desta técnica, é talvez interessante citar uma história autêntica contada por um prático de métodos naturais.
"Estava convidado para um casamento, na minha família. Infelizmente, no momento da cerimónia, faltava o padrinho da noiva, o seu próprio irmão. Este, disse-nos a sua mulher, estava de cama desde a véspera, vítima de um ataque violento de reumatismo articular agudo. Não se podia levantar. "Fui imediatamente a casa do padrinho e encontrei-o efectivamente na cama, a transpirar, o que provocava um odor acre no quarto. Sofria a ponto de não poder mobilizar nenhum dos seus membros sem gemer. Apoiado no ensino que tinha recebido de Martin de Beauce, propus-lhe aplicar a técnica dos pontos de Knap, fazendo-lhe sobressair que, se ele aceitasse a minha intervenção, provavelmente poderia participar no casamento da irmã. Ele aceitou mas cada punção lhe provocava dores muito fortes. Depois de uns vinte minutos de aplicação, ele relaxou alguns minutos e disse que para sua grande surpresa, sofria muito menos e que tinha a intenção de se levantar. "Tomou um banho rápido e, de carro, chegou ao registo civil, depois à igreja. Eu tinha-lhe recomendado bem para evitar a carne e o álcool mas ele não pôde impedir-se disso. Participou mesmo assim não somente nas cerimónias civil e religiosa, mas ainda no "ágape" e mesmo no baile que terminou muito tarde naquele dia memorável. "Infelizmente, devido aos seus poucos cuidados com a alimentação e com a bebida, no dia seguinte o reumatismo tornou a voltar — e eu já lá não estava, de todas as maneiras. Mas esta anedota mostra bem o partido que se pode tirar desta técnica de Knap, combinada com outros métodos, nomeadamente a alimentação de desintoxicação e, de preferência, o jejum total."

b) Agir por via reflexa
Todas as manhãs, Knap fazia sobre ele mesmo uma vigorosa massagem "com os punhos fechados", na região da coluna vertebral e sob as paredes adjacentes, especialmente na região lombar, isto é nesta zona onde tantas dores aparecem, nomeadamente devido à lordose. Esta zona apresenta uma importância considerável porque o músculo quadrado dos lombos condiciona a força da coluna vertebral toda. Age-se assim, por via reflexa, sobre as suprarenais, isto é, sobre o sistema sanguíneo. Knap, que fazia numerosas experiências sobre ele próprio, pôs-se um dia a cavar com intensidade durante várias horas. Sentia dificuldade em se endireitar e, normalmente, este excesso tê-lo-ia deixado imóvel durante vários dias. Realizou, imediatamente depois do esforço, uma punção da região lombar e, depois de um curto repouso, pôde recomeçar sem dificuldade as suas actividades habituais que obrigavam a andar, a permanecer de pé aplicando cuidados corporais aos seus pacientes.

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c) Bases científicas
Reportemo-nos agora a alguns dados científicos, que foram aliás expostos com muito talento pelo doutor André de Sambucy. Na superfície exterior do homem, ele é vestido por 7 kg de pele. Este casaco, que a natureza nos ofereceu, é com efeito uma roupa com muitos forros, dos quais apenas conhecemos os princípios. Uma boa digestão e uma bela pele estão em relação com o intestino. Esta pele está em relação com este segmento "ventre" do ser humano cortado em fatias, segmento primordial pelo qual o ser humano se constrói, se modifica e se conserva. A pele vale o que valem o ventre e o intestino. A pele é o que é o intestino, tanto no que diz respeito ao seu lustrado, ao satinadoe e sua superfície. Ela é também o que é a assimilação do intestino, no seu tecido adiposo que protege do frio e contribui para equilibrar o sistema nervoso. Se as toxinas e os micróbios invadem o intestino, será a vez da celulite, espécie de colchão doloroso envolver o indivíduo. A pele está em relação com os pulmões, que lhe trazem o oxigénio, a sua frescura, a sua cor e o seu "prana". A qualidade e a profundeza da respiração lêem-se sobre a pele do rosto e sobre a pele das extremidades. Quantas acrocianoses foram influenciadas pelo desbloqueamento respiratório e a cultura física respiratória! A pele está também em relação com as glândulas endócrinas. Para a temperatura do corpo, ela está ligada à tiróide, nomeadamente. Em caso de arrepios de frio, por ruptura da termoregulação, são as endócrinas que estão transtornadas. Algumas mulheres aliás provocam, com terapêuticas loucas, o transtorno desta termoregulação. A pele delas fica arrepiada por tudo e por nada. A pele está em relação com as suprarenais, glândulas do cansaço, e a doença de Addison, que as afecta, provoca este estado perpétuo de esgotamento com pele cinzenta que nenhuma terapêutica pôde ainda realmente curar. A pele está em relação com a hipófise, que é de certa maneira o chefe principal das glândulas. Há actualmente mais de dez funções da hipófise conhecidas. A neurofibromatose, a pele acinzentada, um certo granito friorento e magro de pele tensa sobre costas dolorosas é ainda a hipófise a responsável. A perda, a destruição do tecido elástico, este tecido que faz a juventude ou o envelhecimento do ser humano é ainda a hipófise. Ora, uma certa posição das costas (da coluna vertebral) provoca na superfície destas costas, na sua sustentação muscular, na arquitectura óssea que puxa estes músculos, grupos de forças e abaixamentos de forças. Há pontos que, sem falhar, se tornam dolorosos, e estes pontos serão os "pontos de Knap". A cada atitude psicológica corresponde uma atitude de sistema locomotor. O receio, o medo, a angústia, os complexos de inferioridade, as atitudes ortopédicas chamadas pelos ginastas "deformação tipo", têm a sua correspondência postural. O desbloqueamento da vesícula biliar, os problemas hepáticos, o frio, o desejo de se endireitar com umas costas fracas ou abatidas, engendram um estado de tensão nos vínculos musculares da cabeça ao tronco. O trapézio é o músculo-mestre desta região; ele facilmente se torna doloroso, apresenta uma hipersensibilidade localizada, sobretudo na parte superior. Eis um ponto de Knap que se encontra em todos estes doentes. Todos os renais, todos os lombálgicos, todos os ciáticos, todos os reumáticos, todos os engripados, todos os intoxicados têm debaixo da caixa torácica e no alto dos rins um ponto doloroso.

d) Uma certa clientela
"À minha sala de ortopedia e ao meu ginásio, escreve o doutor de Sambucy, vejo chegar regularmente, telefonistas, estenógrafas e secretárias, costureiras, bordadeiras, mecanógrafas. Estas mulheres, devido à educação física inexistente na França ser incapaz de pôr no lugar as colunas vertebrais e assegurar-lhes umas costas fortes e musculadas em boa posição, trabalham toda a sua vida na elongação, na derrocada, na suspensão de todo um sistema, o sistema posterior do ser humano que efeito para estar em diminuição e em tensão. O resultado combinado da cifose e da descalcificação da zona vertebral provoca aquilo a que chamei por esta razão "zona ingrata". Nestes infelizes acabrunhados, todos os pontos de Knap das costas são dolorosos. Basta fazê-los sentar ou deitar de barriga para baixo para constatar com segurança que todas as emergências nervosas, das quais conhecemos evidentemente perfeitamente o mapa, são dolorosas."

e) As zonas dolorosas
Actualmente o médico é levado a contar um certo número de ciáticas na saliência dos últimos discos da coluna vertebral, no canal medular. A aproximação das vértebras, devido a um abatimento e a uma contracção do ráquis, aperta os filamentos nervosos nos desfiles ósseos tornados demasiado estreitos.

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Manifestam-se dores violentas, que se projectam no exterior em zonas bem conhecidas. Mas certos pontos da parte baixa das costas são tipicamente dolorosos neste caso. São os pontos de Knap. Consideremos um indivíduo apresentando zonas dolorosas em certo grau. Procuremos não tocar nos lugares da espessura cutânea especialmente dolorosa, isto é onde existem fenómenos anormais, ao longo da cintura nervosa, por exemplo. Na profundidade da coluna vertebral, 5 ou 6 lugares sucessivos podem ser tocados entre o ângulo saliente posterior da medula e a pele. Qualquer que seja a localização e a causa da dor, o ponto de Knap correspondente será doloroso. Qualquer que seja o ponto tocado e tratado, o resultado, se o diagnóstico foi correcto, será a sedação da dor, e o ponto de Knap cessará de ser doloroso. Mas há também uma maneira de pensar inversa. Sem se preocupar com a origem exacta do mal, ataca-se a sua periferia, sobre a pele e na pele. O próprio ponto se torna então muito importante; basta trabalhá-lo e modificá-lo para enviar sobre o percurso do nervo modificações profundas e duradouras. Se a saúde de um órgão esteve em causa, aparece na periferia um ponto doloroso especial, ao nível da pele; trata-se então este ponto para obter um efeito favorável ao nível do órgão em causa. O doutor Leprince escreveu: "O segredo de knap, para triunfar da fadiga, da dor, seja ela reumática ou nevrálgica, não é outro senão a procura, ao nível da coluna vertebral do tronco ou dos membros, dos pontos sensíveis correspondendo à emergência cutânea dos filamentos nervosos em relação com os diferentes plexos: cervical, braquial, solar, lombar, sagrado, etc. Os resultados obtidos são incontestáveis: "O processo utilizado por Knap é a pressão forte com o polegar nos pontos sensíveis determinados com precisão, este tratamento manual age: 1) Directamente sobre as alterações da pele e as suas terminações nervosas (revitalização cutânea, eliminação das rugas, rejuvenescimento dos tecidos). 2) Indirectamente, por via reflexa, sobre as perturbações funcionais profundas. "Quanto aos resultados imediatos, eles são, na grande maioria dos casos, os seguintes: — sedação das dores nos casos recentes (lumbago agudo desde a primeira sessão); — desaparecimento ou diminuição das sensações de peso, fadiga, curvatura; — melhoria das funções, sobretudo digestivas, mas também cérebroespinais. "Os resultados longínquos consistem num rejuvenescimento relativo aos tecidos orgânicos que se manifesta por uma restauração mais ou menos profunda da saúde geral. "As indicações mais frequentes destas diversas modalidades de tratamento compreendem: 1) As dores (algias essenciais,, reumatismos musculares, pseudo-anginas e anginas verdadeiras de peito, lumbago agudo e crónico, torcicolo, distensões, etc). 2) As cãibras profissionais (pianistas, escritores, etc). 3) Os traumatismos e as suas consequências. 4) A cronicidade ginecológica, as perturbações da menstruação, etc. 5) As perturbações digestivas funcionais não dependem de uma lesão orgânica. 6) As perturbações da circulação (varizes, edemas, etc). 7) Os estados de fadiga geral, aliás muitas vezes associados nas mulheres à celulite." O método de Knap representa um verdadeiro método de higiene de prevenção e de restabelecimento, e também de reflexoterapia.

f) Uma técnica fundamental
A bem dizer, não se trata de uma técnica médica mas higiénica porque ela é estritamente sem perigo. Os efeitos em todas as idades, da infância à velhice, são tais que cada um deveria adquirir a prática deste método, cujo estudo necessita no máximo de uma hora de atenção. A todos aqueles que se queixam de tensão permanente, de crispação, de perda de vitalidade e de força física, de perturbações da memória e de concentração, de dificuldades digestivas, de dores articulares e musculares, de asma, angústia, etc, a aplicação da punção de Knap pode ser aconselhada. Os pais podem praticar este método sobre os filhos. Conhecemos professores que praticam a punção nalgumas crianças demasiado agitadas, cansadas ou instáveis. Temos mesmo visto crianças aplicá-lo entre eles, de tal modo este método é simples.

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Sobre um plano mais preciso de psicoterapia individual e de grupo, esta técnica merece também um lugar de escolha. Ela permite, na espera de melhor, uma melhor tomada de consciência de si e do seu próprio esquema corporal, daí uma atitude mais tónica e positiva face aos problemas da vida física, psicológica e social. Cada prático de saúde deveria ser formado nesta técnica: médico, quinesiterapeuta, professor de cultura física, conselheiro higienista-dietetista, psicólogo, etc.

20. Outros cuidados
a) Talassoterapia
Trata-se aqui do tratamento de certas perturbações de saúde pelo clima marinho e os banhos de mar. Certas intervenções neste domínio podem ser eficazes em certas formas de reumatismos. Sem dúvida é exagerado pretender que o mar cura tudo; no entanto não há dúvida que a estadia em certos lugares marinhos e certas intervenções em estabelecimentos especializados podem trazer uma ajuda considerável. Geralmente, os tratamentos fazem apelo à quinesiterapia e mesmo à vertebroterapia, à

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utilização da água do mar fria ou quente, com algas ou lodos marinhos. As massagens têm aí grande importância. O professor Leroy, criador da quinebalneoterapia, declarou: "No ataque poliomielítico, a maior parte
das fibras musculares são perdidas, mas nunca totalmente. Se só resta um décimo, este décimo será suficiente graças à água, e mais ainda à água do mar. Suprimindo os 9/10 da massa, o mar permitiria ao 1/10 das unidades motoras restantes de fazer reaparecer o movimento, de o repetir, refazer fibras, manter a motricidade muscular motora."

Este método de reeducação transborda o quadro das sequelas de polio e permite intervir nas perturbações da motricidade. O tratamento marinho fez maravilhas em muitas afecções reumáticas, mesmo no período de quase paralisia. Existem, nomeadamente na Bretanha, estabelecimentos de talassoterapia conduzidas por médicos e práticos sérios e competentes. No que diz respeito aos cuidados a domicílio ou em certos estabelecimento não marítimos, a importância da adjunção de sal marinho, de cloreto de magnésio e de algas marinhas micropartidas é de ter em conta muito particularmente. Citemos alguns dos múltiplos — e cada vez mais numerosos - estabelecimentos de talassoterapia: Berck, Trouville, Deauville, Siouville-Hague, Lion-sur-Mer, Paramé, Perros-Guirec, Roscoff, Tréboul, Quiberon, Saint-Trojan (ilha d'Oléron), Collioure, La Ciotat, Saint-Raphael-Boulouris, Cannes, Porticcio (Córsega). Em Marselha, sobre a Comiche, banhos de mar quentes — Alguns destes centros albergam os seus "curistas".

b) Termalismo-crenoterapia
Certas estações termais são famosas pela sua "acção" benéfica em matéria de artrite e de reumatismos. Efectivamente, a crenoterapia (terapêutica pelas curas termais) pode ser útil a diversos títulos: — o doente pode aí repousar, relaxar numa atmosfera em princípio pouco poluída — e sabemos a importância do factor psicossomático em tais afecções; — determinadas águas são favoráveis à desintoxicação celular e à revitalização; — são praticados tratamentos de quinesiterapia, acupunctura, hidroterapia, fangoterapia (com lodos), etc. Desejamos que seja chamada a atenção dos doentes para a importância do repouso, do exercício físico e da dietética — seria bom que os estabelecimentos termais procurassem educar os seus clientes nestes domínios e que os pudessem pôr igualmente de sobreaviso contra os perigos do tabaco, do álcool e dos medicamentos administrados despropositadamente. Eis aqui uma lista das estações termais aconselhadas na artrite e no reumatismo 13: — Águas cloretadas-sódicas: Bourbonne-les Bains, Bourbon-l'Archambault. — Águas cálcicas-sódicas: Barèges, Ax-les-Thermes, Luchon. — Águas cálcicas e cloretadas-sódicas: Digne, Uriage. — Águas sulfuradas-cálcicas: Aix-les-Bains, Enghien. — Lodos: Saint-Amand, Dax. — Para as ciáticas: Lamalou, Chaudes-Aigues, Néris, Bagnères-de-Bigorre, etc. Citemos ainda a estação de cura de Vittel.

c) Argila
Envoltórios frios, mornos ou quentes podem ser úteis em certas formas de perturbações artríticas ou reumáticas. Poder-se-à acrescentar certas essências vegetais ou decocções de plantas (ver o Index alfabético)( 14).
13

Em Portugal temos estâncias termais — para o artritismo: na Curia, Luso e Entre-os-rios. — Gota: Luso. — Reumatismo: Curia, Luso, Caldas das Taipas. Unhais da Serra. Caldas de Monchique, Caldas da Rainha e S. Pedro do Sul.
14

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Ver L'Argile pour votre sante por André Passebecq (Edições Dangles).

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Nas afecções traumáticas ou inflamatórias (contusão, entorse, furúnculos, linfangite, nevralgia, frieiras, reumatismos)! pode-se utilizar a terra fina ou, melhor, o caulino ou a argila em geral, diluída no dobro do seu peso de glicerina pura. Esta mistura, aquecida em banho-maria, aplicada em camada espessa sobre a parte inflamada, depois recoberta de algodão cardado e de um penso, goza de propriedades antiflogistas calmantes e resolutivas verdadeiramente notáveis (segundo o Dr. Paul Carton: Traité de Médecine naturiste obra esgotada).

d) fitoaromaterapia
No índex alfabético, enunciamos para certas perturbações, fórmulas de banhos, cataplasmas, infusões ou decocções, segundo os escritos do professor Raymond Lautié (os seus livros figuram na rubrica bibliográfica) ( 15).

e) A sauna
A sauna, mais em voga na Europa nórdica, pode ser muito útil a título preventivo e no período agudo ou crónico de afecção artrítica ou reumática. Basta uma sessão diária. Uma utilização correcta da sauna comporta muito poucas contraindicações. Será contudo útil consultar um médico competente nesta técnica.

f) Ortoterapia
Trata-se de uma série de 6 exercícios assegurando o relaxamento e o reequilíbrio de músculos essenciais (mas demasiado desprezados) assim como a redução de dores ou mesmo de perturbações funcionais por tensões normais. Estes músculos situam-se principalmente na região da nuca e dos ombros, ao longo do ráquis, e na região da bacia. Os dois músculos psoas ilíacos, frequentemente implicados nos problemas de "lumbago", encontram-se assim reeducados. Os exercícios de ortoterapia foram explicados pelo texto e as fotografias no nosso livro: Traitements naturels des affections circulatoires (Edições Dangles). A sua prática quotidiana prevenirá muitos problemas, desde certas cefaleias até às perturbações mais variadas de ordem digestiva, circulatória, respiratória ou locomotora.

g) Osteopatia, quiroprática e métodos manuais (Mézières, etc.)
Aplicadas correctamente, estas técnicas prestam eminentes serviços na prevenção e restabelecimento. No entanto prevenimo-lo contra métodos inadequados e médicos formados incorrectamente, cuja intervenção pode complicar os problemas, ao inverso do objectivo procurado.

h) Homeopatia, acupunctura
Elas podem ter o seu papel a desempenhar, em complemento dos factores de saúde. Indicamos brevemente, no índex alfabético (3.a parte), medicamentos homeopáticos eventualmente úteis ou benéficos( 16).

i) Técnicas anexas
Somos obrigados a mencionar técnicas, cuja eficácia se revela, em certas situações, incontestável. Escolheremos duas que se referem à mesma palavra: o magnetismo. 1) O doutor Constantinescu concebeu um gerador magnético destinado a modular sobretudo a actividade tónica dos músculos quando esta se encontra anormalmente modificada. Basta, segundo ele, aplicar pulsações magnéticas controladas através destes músculos, lesados ou contraídos, para lhes restituir a flexibilidade, o que restabelece o equilíbrio natural. A nossa objecção será entretanto que não se trata, provavelmente, senão de uma intervenção sintomática, útil, certo, em determinados casos mas que não resolve o problema de fundo: quais são as
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Ver igualmente o livro de Mareei Bernadet: La Phyto-aromathérapie pratique (Edições Dangles). Consultar os livros do doutor Claude Binet: L'Homéopathie pratique et thérapeutique homéopathique.

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causas das lesões e contracções musculares e como rectificar estas causas para obter um restabelecimento duradouro? 2) Certos magnetizadores obtêm sem dúvida alguma, pela sua intervenção, uma sedação das dores e um relaxamento muscular, favorável em muitas artralgias.

Você está sentada 5, 6, 7 horas e mais por dia. A imobilidade e a atenção sustida contribuem para o entorpecimento e para o cansaço. Saiba tomar alguns minutos, três ou quatro vezes ao dia para se relaxar com alguns exercícios... sem deixar o seu trabalho é claro! Para aliviar as suas costas descontraindo-se: Sente-se o mais confortavelmente possível, pés bem apoiados no chão. Incline o busto para diante, a cabeça sobre os braços cruzados. Descontraia a nuca. Mantenha a posição uns vinte segundos ou mais sobretudo se ela é confortável para si. Levante lentamente cinco a dez vezes seguidas inspirando calmamente. Outro exercício: Sente-se sobre uma cadeira com as costas bem apoiadas às costas da cadeira. Deixe cair os braços atrás desta, dedos entrecruzados, palmas no ar. Baixe os dedos o mais possível. Estenda as pernas na horizontal, levantando a ponta dos pés. Mantenha a posição uns vinte segundos. Este exercício de "stretching" é um movimento de relaxamento das costas e da descontracção dos membros inferiores. (Extraído do Courrier d'l.B.M.)

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TERCEIRA PARTE

Índex terapêutico

"A medicina deveria abandonar a ideia de que o ser humano é tão frágil que necessita sem cessar de recorrer a medicamentos ou a tratamentos. O que é preciso, é aprender a conhecer as potencialidades da natureza humana."

René Dubos, Chercher (Edições Stock)

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Algias generalizadas
Paz terapêutica e supressão do tabaco O doutor J. Toulet conta que lhe foi levado um operário pela sua mulher. — O senhor já mo salvou por duas vezes, disse ela, mas ele está agora mais doente do que das outras vezes. Desde há vários anos, ele piorava cada vez mais: cefaleias intoleráveis, crises gástricas, dores nas pernas etc; tinha pouco a pouco despedido os seus trabalhadores e desde há dois meses, ele próprio renunciava trabalhar, tinha fechado a sua garagem. Pus as questões habituais: — O que é que sente? O que faz? Ele enumerou-me um grande volume de receitas recolhidas no decurso das suas viagens junto dos consultantes de renome, Tinha-as para a cabeça, o estômago, as pernas, etc. Chocado com a sua tez e aspecto de intoxicado, perguntei-lhe: — Fuma? — Sim, um pouco, respondeu ele. — Muito, acrescentou a mulher. — Ainda bem, respondi, vai talvez poder curar-se facilmente (adepto do saber-viver, eu deveria ter dito: "Eu vou poder salvá-lo"). — O que é que me vai dar? — Nada! Vou simplesmente suprimir-lhe primeiramente todos os medicamentos, e em seguida o tabaco. Nem um único cigarro durante 15 dias. Voltará cá no 15.° dia. Ao 14.° dia, como passei em frente da casa dele, resolvi parar. Vejo-o avançar, alegre, com um semblante ligeiramente colorido que nunca lhe tinha visto. — Olá, você tem melhor aspecto. Como tem passado? — Muito melhor, estou mesmo curado, desde há 4 dias não sinto mais nada senão um furioso desejo de trabalhar e conto consigo para me ajudar. Este doente de que aqui falámos, 2 dias depois da sua cura, exprimiu-me esta queixa: — Apesar de tudo o que me aconteceu de mal desde há 2 anos, sinto-me maravilhosamente bem. E dizer que fiquei 23 anos doente sem que nenhum médico, nem mesmo você, tenha podido encontrar a única razão do meu mal. Sem ter passado pela guerra, cheguei mesmo a ter de ser operado ao estômago. — Que quer? Há 40 anos, eu era, sobre esta questão, tão ignorante como muitos outros e foi preciso deixar passar mais de 60 anos para realizar a frequente, e por vezes extraordinária, nocividade do tabaco. Mas enfim, cheguei lá, felizmente para você e alguns mais. Eis aqui ainda um outro doente, que por simples supressão de uma falta contra a ciência do bem viver, reencontra uma saúde que já não sentia desde a sua juventude e que mantém ainda! Como é que acontece que nenhum dos médicos consultados durante 25 anos tenha suspeitado do mecanismo deste estado patológico e não tenha conseguido descobrir a causa?

Artralgias
Dores, muitas vezes transitórias, podem estar unicamente localizadas nas zonas interessadas pelos movimentos; elas podem aparecer igualmente na palpação. São correntemente consideradas como o equivalente das nevralgias ou das mialgias (dores musculares) correntes. Podem ser associadas a uma periartrite ou a uma lesão articular verdadeira. É bem evidente que estas dores constituem uma campainha de alarme. Aqui põe-se um problema de diagnóstico. Cuidados da higiene natural Repouso da região em causa; jejum curto ou de alimentação crua, de desintoxicação (ver § 15). Compressas locais de água quente adicionada de algumas gotas de essências vegetais de eucalipto, de tomilho, de pinheiro. Infusões de rainha-dos-prados, de cones de lúpulo, de vara-de-oiro, de carvalhinha (uma planta para cada chávena; 3 ou 4 infusões todos os dias durante os momentos dolorosos). Um banho quotidiano morno ou quente poderá ser útil, segundo a conveniência; acrescentar-lhe algas micro-partidas e eventualmente uma colher de sopa da fórmula do professor R. Lautié "Banho
repousante".

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Massagens muito suaves (afloramentos) poderão ser úteis ( 17), assim como a técnica dos pontos de Knap (§ 19). Homeopatia: Actaea racemosa, Bryonia, Dulcamara (depois de exposição ao frio húmido), Kali carbonicum, Rhus toxicodendron, Sanguinária.

Artrites
Neste grupo, contam-se as artrites de natureza classicamente infecciosa, susceptíveis de problemas inflamatórios, podendo acontecer em qualquer idade e parecendo representar a forma crónica dos reumatismos infecciosos. Sinais: as artrites chamadas infecciosas traduzem-se em primeiro lugar por uma tumefacção da sinóvia e das partes moles (as lesões só interessam tardiamente as cartilagens depois as epífises com descalcificação). Observamos um aumento notável da velocidade de sedimentação globular. Citamos classicamente neste grupo: — as formas crónicas do reumatismo infeccioso (gonocócico, estreptocócico, sifilítico, etc); — o reumatismo de Poncet, o reumatismo psoriásico, etc; — a poliartrite evolutiva crónica (ou reumatismo deformante generalizado) e a espondilose rizomélica (ou espondilartrite anquilosamente). Evoluções: afirma-se, classicamente, que as artroses não provocam a verdadeira anquilose e nunca a fusão óssea total; com a diferença das artrites que, embora se possam curar, têm muitas vezes tendência a provocar um endurecimento progressivo, seguido de uma verdadeira soldadura das superfícies articulares, por vezes mesmo em posição viciosa. Aqui ainda, vamos fazer apelo aos ensinamentos do doutor Tilden. Eis portanto o que ele escreve da artrite deformante: Definição: segundo o doutor William Osler, trata-se de uma doença crónica das articulações de etiologia duvidosa. Segundo a minha própria experiência, creio que esta doença é o resultado da sobrecarga do organismo em geral e, em particular, das funções digestivas nas pessoas de diátese artrítica (gotosa). Etiologia: é uma doença que se encontra, a maior parte das vezes, nas pessoas com 30 a 50 anos mais do que noutros períodos. Entretanto, encontramo-la por vezes também nas crianças e jovens, antes ou no momento da puberdade. As mulheres são mais facilmente atingidas que os homens, se julgar segunda a minha experiência. Causa de predisposição: diátese artrítica (gotosa). Causas excitantes ou desencadeantes: a artrite deformante pode aparecer imediatamente depois de uma forte emoção: a morte de um ser querido, um medo súbito, um acidente, etc. Naturalmente, para que a causa desencadeante possa ocasionar a artrite deformante, a nutrição deve ser alterada a tal ponto que de repente pode desencadear a doença. Alguns autores médicos consideram que esta doença tem a sua origem numa perturbação do sistema nervoso. Existe, com efeito, uma forma de artrite deformante deste género: aquela que deforma as articulações por anquilose (soldadura dos ossos). Todas as doenças têm pelo menos um elemento de origem nervoso; de facto, uma doença não se pode declarar sem uma redução antecedente da energia nervosa e esta enervação é causada pelos factores de esgotamento do sistema nervoso. A perturbação nutricional que provoca a doença objecto deste estudo provém de uma alimentação incorrecta prolongada, em excesso ou em carências. Se a diátese da pessoa é escrofulosa, ela orientar-se-á em breve, sobre o plano da patologia, em direcção à tuberculose dos rins, fígado, cérebro, etc; se a diátese é artrítica (gotosa), a orientação patológica conduzirá à inflamação das camadas articulares, por exemplo por causa de depósitos cálcicos, úricos ou outros. Este processo, uma vez em marcha, nunca cessará de se manifestar, a menos que sejam tomadas medidas nutricionais e outras: por exemplo, uma alimentação não super mineralizada.

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Consultar o livro do doutor J.-E. Ruffier: Traité pratique de massage (colecção santé naturelle, Edições Dangles — Volume 7 desta Colecção).

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Sintomas Por vezes, a doença declara-se nos rins, por vezes nos dedos dos pés; formam-se então aí nodosidades; as articulações dos dedos tornam-se insensíveis, incham e aparecem pequenas bossas de depósitos ósseos. Se o paciente modifica o seu modo devida e a sua alimentação, por vezes também se muda de clima (se abandonar um clima frio e húmido por um clima mais quente e seco), pode sentir melhoras mais ou menos importantes das suas perturbações, com ou sem uma modificação da forma dos dedos, dos quais algumas partes estão em geral inchadas. Quando se desencadeia a doença, se a causa não for suprimida — acidentalmente ou de outra maneira — as articulações deformar-se-ão cada vez mais. Outras serão afectadas por sua vez e as dores e modificações dos tecidos propagar-se-ão dos punhos aos cotovelos e dos dedos dos pés aos tornozelos e joelhos. Acontece mesmo que esta doença chega muito à coluna vertebral; neste caso, a anquilose pode ser total em poucos meses. Os pacientes que sofrem de artrite deformante das ancas poderão ver a articulação das ancas anquilozar-se em pouco tempo; não podendo mais sentar-se, eles deverão permanecer deitados ou de pé. Se os joelhos forem atingidos de tal maneira que a sua articulação seja perdida, a marcha tornar-se-á impossível; para os deslocamentos serão necessárias muletas se o uso dos braços tiver sido salvaguardado. Em regra geral, não se pode sofrer de nodosidades nos dedos se não tiver havido previamente preparação do terreno para uma nutrição incorrecta. Os erros de vida e de alimentação nem sempre conduzem rapidamente às perturbações de saúde; são por vezes necessários anos ou dezenas de anos antes que se desencadeiem as perturbações. Em certos casos, estas perturbações podem reduzir-se a favor de uma modificação, temporária ou definitiva, de certos hábitos de vida: supressão do álcool, do tabaco, mudança de clima, cura termal, talassoterapia, etc. A doença poderá retomar o seu curso e progredir de novo se as antigas causas patológicas tornam a voltar ou se aparecem outras. As estações frias e húmidas são as mais favoráveis no retorno e agravação dos males. Diagnóstico: no seu começo, a artrite deformante pode ser confundida como reumatismo inflamatório. Este erro não durará entretanto muito tempo porque se formarão depósitos e serão suficientemente significativos. O inchaço nunca é tão importante aqui como nos casos de reumatismo inflamatório: a inflamação não é tão desenvolvida; a febre é menos elevada que no reumatismo articular agudo. Cuidados naturais: Uma articulação perdida permanece assim em princípio para sempre por quer ela se deformou e as cartilagens essenciais são destruídas. Todavia, o desenvolvimento da doença pode ser impedido. A primeira medida a ter em conta será um jejum mais ou menos prolongado segundo o estado do paciente; seria bom prosseguir o jejum até ao desaparecimento das dores. Em seguida virá o regime de desintoxicação, constituído quase inteiramente de alimentos crus durante várias semanas. A febre e os sinais de desintoxicação serão provavelmente intensos. Mais do que nunca são requeridas a perseverança e a confiança. Devemos acrescentar que a alimentação e o modo de vida deverão ser cuidadosamente estudados a fim de evitar o retorno à toxemia (doutor J.-H. Tilden). Outros factores naturais: - Punção dos pontos dolorosos de Knap: todos os dias, se possível com grande suavidade (§ 19). - Banhos mornos ou quentes, com algas marinhas micro-partidas (1 colher de sopa) e, se possível, cloreto de magnésio (1 colher de sopa) ou sais para o banho repousante (fórmula do professor R. Lautié). — Evitar os climas frios e húmidos. Preferir os climas secos, antes quentes. — Suprimir todos os tóxicos: tabaco, café, álcool, drogas... Homeopatia: Bryonia, Kali bichromicum, Phytolacca, Rhus toxicodendron. Fito-aromaterapia (segundo o professor R. Lautié): para reduzir o ácido úrico: infusões de folhas de bétula (30 g por litro), de lavanda (30 g/l), de rainha-dos-prados (30 g/l), de zimbro (5 bagas esmagadas por chávena). De manhã em jejum, em água com magnésio (cerca de 20 g de cloreto de magnésio por litro de água potável, 1 copo médio), acrescentar 1 ou 2 gotas de essência de limão.

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Ao despertar, 5 gotas de essência de alho sobre um bocado de açúcar escuro. As decoções ou infusões de harpagófito podem ser úteis. Ver também reumatismo articular agudo. Anexo — Um paralisado restabelece-se através da higiene natural M.E.S., de 65 anos, professor de relojoaria na reforma, perito junto dos tibunais. Hepático. Sofre desde há 6 meses de ciática e de artrite progressivas. Foi submetido aos mais variados tratamentos médicos. Entra por 2 vezes em casas de cura onde recebe tratamentos de acupunctura, vertebroterapia, hidroterapia, injecções, etc. Teve de ser transportado para sua casa numa padiola. As dores, segundo a sua expressão, são atrozes. Está na impossibilidade de se levantar. O mínimo movimento fá-lo crispar-se e gritar. Ele está abatido. Transpira abundantemente. Um eczema persistente ocasiona-lhe comichões intoleráveis. Aparecem furúnculos periodicamente. Teve de cessar toda a actividade e foi mandado para a reforma. A "Sécurité sociale" classificou-o de "incurável". Gastou 5250 F (de 1960) em 6 meses. Ao fim de algumas semanas de aplicação dos cuidados de higiene vital, sem jejum absoluto, porque já não tinha confiança, as dores apaziguam-se. O estado geral melhora. As transpirações tornam-se raras. Três meses mais tarde, o paciente pode andar, lentamente, mas mantém-se de pé e retomou alento. Recomeça a alimentar-se com curtos períodos de jejum e de alimentação de desintoxicação. Quatro meses mais tarde, ele pode passear. Os movimentos tornam-se cada vez mais fáceis. Recomeçou um pouco com a actividade profissional. Sete ou 8 meses depois, o apêndice torna-se doloroso. O paciente receia também a catarata de uma vista (a outra vista tinha precedentemente sofrido já uma operação da catarata). Recusa a operação à apendicite; as perturbações oculares retrocedem. Jejua inteiramente durante 14 dias. Os resultados obtidos são notáveis. M. E. sente-se melhor que nunca. Perdeu a sua obesidade e está agora "transformado num jovem", segundo a sua própria expressão. Ele anda e corre, salta, sem nenhuma dificuldade nem problema. As perturbações da pele desapareceram mas, de tempos a tempos, quando a alimentação se torna demasiado rica, elas manifestam-se de novo (excelente "campainha de alarme", indispensável neste homem precedentemente habituado ao excesso alimentar.) M. E. S. retomou a sua actividade em relojoaria. Pediu e obteve (depois de algumas dificuldade!) para não mais ser considerado como "incurável" pela "Sécurité sociale". O médico-chefe recusava admitir o restabelecimento neste caso considerado como "desesperado". Foi preciso que M. S. lhe desse uma demonstração da sua cura saltando com os pés juntos sobre uma mesa! Este homem morreu 10 anos depois, de ter sido, na sua região, um dos melhores propagandistas dos métodos naturais. Morreu de câncer, afecção que se tinha preparado sem dúvida alguma, desde longa data e que estava talvez em relação com o modo de vida anterior, neste antigo militar estrangeiro que teve de emigrar para França depois de duras atribulações. O seu caso não deixa de ser particularmente interessante. Ele mostra que os cuidados de higiene vital podem ajudar muito, mesmo em situações consideradas sem solução.

Artrite blenorrágica
Trata-se aqui de uma descrição puramente clássica. O diagnóstico afastou a possibilidade de um reumatismo articular agudo. As artrites blenorrágicas são as mais frequentes das artrites agudas não reumáticas. Elas manifestam-se por vezes por uma simples dor de artrite passageira, sobretudo nocturna; outras vezes, observa-se um derramamento serofibrinoso ou purulento. A maior parte das vezes, há sintomas de poliartrite de carácter reumatóide, a infecção fixa-se somente depois sobre uma ou duas articulações. Por vezes, observa-se um inchaço fleimoso, de aparição brusca, nocturna, de carácter sobre agudo e geralmente muito doloroso. Incorrectamente tratadas, estas lesões provocam infecções prolongadas e recaídas ou artrites crónicas (anquilosantes, nodosas, espondiloses, etc). Causas: para a medicina física, são de esperar antecedentes blenorrágicos: dever-ser-ia portanto procurar o gonococo no líquido articular e praticar uma gono-reacção. A origem microbiana destas afecções não é admitida por todos os praticantes das medicinas naturais. Problema de terreno, segundo eles. A afecção veneriana (blenorrágica, gonocócica é pouco provável e, de toda a maneira, os cuidados naturais não fazem nada.

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Tratamentos médicos: tratar e apagar o foco inicial, imobilizar a articulação, fazer desaparecer os fenómenos inflamatórios, reduzir a dor e fazer baixar a febre; recorrer às sulfamidas e aos fúngicos, com administração de penicilina, de aureomicina, teraciclina, etc, sem esquecer uma vacina antigonocócica. Tratamento natural: no que diz respeito à blenorragia, reportemo-nos à obra do doutor Tilden, não que aconselhemos a não se preocuparem com a afecção venérea mas com o cuidado de pôr em guarda o paciente e sobretudo o médico em relação a certos processos clássicos, que seriam eventualmente a reexaminar. O doutor Tilden escreve: "no que diz respeito à blenorragia (gonorreia), tenho ideias pouco ortodoxas, como no que diz respeito à sífilis. Tudo o que tenho a dizer como prova da realidade das minhas ideias, é que o meu tratamento age melhor que os outros que eu conheci e apliquei. "Admite-se geralmente que a blenorragia provém de um micróbio, o gonococo. Como já descrevi, todas as infecções sépticas são, na base, sépticas ou tóxicas. A inflamação séptica tem por companheiro o gonococo. Uma inflamação séptica dos gânglios de Peyer, nos intestinos, ocasiona uma febre tifóide e encontramos o bacilo da febre tifóide nas matérias sépticas. A toxina essencial que acompanha as inflamações supurativas é séptica. A localização da doença determina o carácter do micróbio que se encontra nos tecidos necrosados ou em mau estado assim como nas excreções. Não encontraremos nunca os micróbios nos primeiros estádios da doença. "A partir do momento em que esta é descoberta, o paciente deve parar de se alimentar. Ele deve libertar os intestinos através de lavagens ou de água mineral, bebida em abundância. Deverá usar um cinto, depois dobrará um pano em dois e prendê-lo-á a este cinto, pela frente, com um objectivo higiénico e para que as supurações não manchem as roupas interiores. Quando este pano estiver sujo, deve ser substituído por um limpo. "Lavar o prepúcio em água quente — tão quente quanto possível — durante 10 a 15 m e 3 vezes por dia. As partes genitais devem permanecer num absoluto estado de limpeza, mesmo se os banhos de água quente forem repetidos todas as três horas. "O paciente não deve ingerir nada até que não sinta mais nenhum mau estar. O jejum deve portanto ser total durante este período. Depois, durante os três primeiros dias seguindo a alimentação normal, deve-se tomar cerca de meio-litro de leite batido (depois do fabrico da manteiga), ao meio-dia e à noite. Deitar-se cedo, com o espírito livre de qualquer excitação. Pode tomar um banho completo à noite, antes de deitar; a água será tão quente quanto possível e deve ficar nela durante 5 m. Este banho será seguido de um duche com água fria, ele próprio seguido de uma fricção seca. "Quando o paciente pode ficar na cama, uma doença desta espécie pode durar de uma a quatro semanas. Se isto for impossível, é preciso contar com uma duração de três a seis semanas. "Se o paciente tem de se entregar a um trabalho penoso, é preciso contar com um aumento da duração da doença. "Muitos pacientes que eu tratei estavam considerados curados em duas semanas, mas ainda não o estavam verdadeiramente. É preciso ser prudente e vigiar porque os excessos alimentares ou outros tornam a trazer a doença, que pode tornar-se crónica. Quanto mais prolongada é uma doença, mais difícil é o restabelecimento. "Este tratamento é portanto muito simples e algumas pessoas, que crêem na virtude de um tratamento complicado, pensarão que não se trata de tratamentos eficazes. Mas no decurso de um ano, constato numerosos casos que estão ainda à procura de uma cura depois de terem sido tratados com medicamentos." Infecções do organismo "Conheci casos de reumatismo blenorrágico muito difíceis; É uma doença que resiste ao tratamento. Ela é muitas vezes seguida de infecção dos testículos pelo gonococo. Formam-se abcessos frequentemente e aderem de tal maneira que acabam por atingir a bexiga. Lembro-me de um caso que vi há 30 anos e no qual a urina continha 50% de pus: nenhuma micção se produzia sem arrastar com ela pelo menos 10 a 25% deste pus. Tratava-se, parecia, segundo o médico que seguia o caso, de uma infecção pelo gonococo do rim esquerdo e tinha sido aconselhada uma operação quando o jovem em questão me veio consultar. A minha opinião foi baseada sobre o estado geral do paciente, que era demasiado elevada para que qualquer coisa de grave se passasse nos rins. Aconselhei-o a vigiar de muito perto a sua alimentação; submeti-o a um regime muito severo. Três anos mais tarde, não tinha mais pus nas urinas. "Esta doença tem tendência a agravar-se nas pessoas que vivem imprudentemente, nos alcoólicos e fumadores, nos sensuais que não se sabem dominar. "Nas mulheres, a gonorreia, não se desenvolve tanto como nos homens porque a drenagem por injecções vaginais é muito mais fácil. Estas injecções serão eficazes nas mulheres em menos de metade

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do tempo que é preciso nos homens. Entretanto, as mulheres com a infelicidade de contrair esta doença deverão tomar muita atenção depois. Devem renunciar absolutamente a todo o acto sexual enquanto a sua saúde não estiver perfeitamente restabelecida. Quando a doença estiver no estádio mais agudo, devem-se prescrever grandes injecções alcalinas (uma colher de sobremesa de bicabornato de soda) 2 a 4 vezes por dia, segundo a gravidade da supuração. A alimentação deverá ser seguida segundo a mesma regra que para os homens. Se existe uma inflamação crónica catarral do útero, é preciso também tomar muitos cuidados fazendo as injecções para que a infecção não passe o colo do útero. Quando acontece esta complicação, não se pode saber quanto tempo durarão as perturbações. Uma infecção intra-uterina pode passar nas trompas de falópio e infectar as trompas depois os ovários. Neste caso, é preciso muitas vezes fazer apelo ao cirurgião ou ficar na cama durante cerca de quatro meses." Nota: sulfamidas e antibióticos vão trazer, durante algum tempo, uma aparente solução. Recorreuse a elas depois da morte do doutor Tilden, em 1940. Todavia, a resistência dos germes aos antibióticos e às sulfamidas conduz agora a um recrudescimento das doenças venérias e a dificuldades cada vez maiores de tratamento. Outros cuidados: ver Artrite.

Artrose
A artrose diz respeito a uma grande parte da população dos países da Europa ocidental. Ela é sobretudo observada nos adultos próximos da terceira idade mas pode existir artrose de uma articulação num jovem, depois de um traumatismo por exemplo. As artroses afectam sobretudo as pessoas que ultrapassam os 40; elas são de evolução prolongada e clinicamente não inflamatórias mas degenerativas deformantes. Manifestações clínicas: hipertrofia ou deformações articulares ou ósseas, estalidos, dores, limitações nos movimentos. Formas mais frequentes: Poliartroses da menopausa, artroses das mãos, das ancas, dos joelhos, da coluna vertebral, reumatismos falagianos d'Heberden, etc. Associa-se igualmente as artroses-escleroses consecutivas a um traumatismo ou uma infecção acabada, e cuja característica é que elas são "fixas" e não evolutivas (?). Origem: quando uma articulação trabalha de maneira incorrecta ou excessiva, ou sofre agressões (entorses, fracturas...), vibrações ou outros micro-traumatismos, ou se ela se acha de maneira prolongada numa posição defeituosa, pode haver desenvolvimento de uma artrose. Certas vértebras são particularmente sensíveis à artrose, no pescoço, na região lombar e no sacro. Quando a pessoa está de pé, direita, sem peso nenhum, o último disco intervertebral (situado entre a quinta vértebra lombar e o sacro: disco L.5-S. 1) traz o peso do corpo situado por cima, isto é, cerca de 2/3 do peso total da pessoa. Quando esta se inclina para diante, a este peso acrescentam-se os das forças musculares que servem para equilibrar o corpo. Com mais forte razão se a pessoa traz um peso. Calculouse assim que, quando uma pessoa traz um peso de 40 kg, o seu disco L.5-S.1 suporta de 600 a 900 kg. Os trabalhos de força ou os trabalhos efectuados numa posição penosa fazem a coluna vertebral sofrer uma verdadeira agressão. Os desenhos aqui juntos precisam as posições mais traumatisantes ou perigosas, a evitar, e dão outras sugestões úteis (ver § 7, Artrose, dor nas costas e coluna vertebral, assim como a rubrica Lumbago, no presente Index terapêutico). Tratamentos naturais 1) Formas agudas (lumbago, ciática...) jejuar totalmente e repousar na cama na posição menos dolorosa. Por vezes, é bom colocar uma prancha debaixo do colchão ou colocá-lo sobre uma superfície dura. Deve ser consultado um osteopata ou um quiroprático muito competente, o mais depressa possível. Ver também Reumatismo articular agudo. 2) Dores crónicas: a mobilização deve ser prudente e, de todas as maneiras, deve ser consultado um prático osteopata ou quiroprático.

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Homeopatia: Lycopodium, Phytolacca, Bryonia.

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A acupunctura pode ser útil. Os pontos de Knap podem trazer uma sedação temporária da dor. Se esta for devida a tensões excessivas na região vertebral. exercícios de ortoterapia podem ser precisos. Eles foram rapidamente descritos na nossa obra intitulada Traitements naturels des troubles circulatoires (ver também § 19). Passemos agora ao estudo nutricional que o doutor J.-H. Tilden, médico naturoterapeuta deu. "Esta doença é devida, também, a uma alteração da nutrição. A diátese é "gotosa" (artrítica). Ela afecta quase invariavelmente as pessoas que comem muitos feculentos, muito pão. As pessoas que trabalham em lugares húmidos, sobre terrenos baixios e pantanosos, regiões mal drenadas, são susceptíveis de contrair esta doença." Sintomas "As articulações estão tensas. As pessoas que sofrem de reumatismo crónico só dificilmente podem andar de manhã. As articulações dos joelhos, dos tornozelos e outras doem-lhes muito; todavia, algumas horas mais tarde, o paciente sente-se melhor. Se ele se deita de dia para fazer uma sesta, ou ainda se se senta durante um certo tempo, levanta-se tenso e entorpecido. "Diz-se que estas pessoas são barómetros. Elas são efectivamente muito sensíveis às mudanças de tempo. Certas articulações são muito sensíveis ao serem tocadas e um pouco inchadas, mas nem sempre são vermelhas. Geralmente, várias articulações são afectadas ao mesmo tempo mas deparei com casos em que a doença ficou limitada durante anos a um ombro ou um ponto particular das costas, às ancas, ou a um joelho. O estado geral nem sempre é mau. O apetite é bom e o paciente tem especial tendência para as doçarias. "A doença não é tida como séria até que apareçam por vezes complicações do lado do coração. A arteriosclerose aparece muitas vezes e a pessoa vive raramente até uma idade avançada embora algumas possam atingir os 60 ou mesmo 70 anos. "Quando o reumatismo atingiu a sua fase crónica, raramente há febre; algumas vezes, ela está ausente. No princípio, a tempe ratura pode subir até 39° ou 40°. O paciente que se encontra neste estado deve então tomar apenas água morna até que a dor e o inchaço desapareça.

1: Para se sentar, preferir um assento com lugar para apoiar os braços reguláveis e encosto ajustável com contra-apoio lombar. De automóvel, paragem curta de 10 minutos todas as horas. 2: Para subir a escada, inclinar-se ligeiramente para diante como para subir uma encosta. 3: Para trabalhar de pé, evitar arquear-se demasiado; apoiar-se sobre os braços de tempos a tempos. 4: Para se levantar, virar-se de lado, sentar-se lateralmente com ajuda dos braços e baloiçando o tronco todo. 5: Para se vestir, evitar ao máximo as flexões do tronco para diante; para enfiar "collants" e meias ou calçar-se, apoiar o pé sobre uma cadeira sem arquear os rins. 6: Em período de crise, deitar-se sobre a barriga, depois levantar-se sobre as mãos e os joelhos mantendo as costas redondas. (Extraído de Le point, 25-2-80)

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Mecanismo do levantamento de pesos: atenção às tensões anormais ao nível dos lombares! _

Esquerda: Peso do corpo mal distribuído, tensões anormais ao nível de todas as vértebras; discos deformados no canto. Direita: Flectir os joelhos e expirar levantando o peso; são as pernas e não as costas que levantarão o peso.

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Deve-se evitar a todo o custo as posições instáveis, as pernas pendentes do bordo da cama, o peso do bebé sobre os braços, o que provoca contracções dorsais que ao fim de alguns dias, se tornam francamente dolorosas.

Boa posição sentada: Costas bem rectilíneas, apoiadas a um encosto ou a almofadas, os joelhos são levantados ao nível da bacia, o cotovelo poderia estar melhor apoiado que aqui, o bebé está sentado sobre as coxas. (Extraído "Médicographie") de Allaiter aujour d'hui,

1: Diagnóstico de postura 2: Correcção de postura

1: Bom hábito se sente cansaço ao trabalhar em frente de unia mesa. 2 e 4: Alivie em baixo das costas. 3: Uma almofada destas mantém a curvatura normal do pescoço. 5: Posição que não cansa nem deforma. 6: Exercício para tonificar os músculos do pescoço. 7: Repouse a sua coluna.

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Tratamentos naturais "Deve-se reexaminar o regime alimentar. É impossível sofrer de reumatismo crónico se a alimentação for correcta e se os outros factores naturais de saúde forem respeitados (exercício físico bem adaptado, ar puro, água pura, repouso suficiente, equilíbrio dos ritmos psico-orgânicos, boa qualidade de vida...). "Não existem casos reclamando exactamente os mesmos cuidados. Cada indivíduo põe um problema particular. "É indispensável libertar os intestinos (com uma lavagem se puder ser). Os hábitos incorrectos devem ser abandonados: supressão do café. do chá. das bebidas alcoólicas, do tabaco. "Comer uma fruta ao pequeno almoço (uvas, maçã...). Até que o reumatismo tenha completamente desaparecido, consumir frutas frescas (com excepção de certos citrinos tais como as laranjas) segundo a tolerância habitual. É preferível não comer mais de uma vez por dia alimentos amiláceos (pão, batata, feijão, etc); carne duas ou três vezes por semana se não se puder passar sem ela; um ou dois ovos por dia, ovos quentes ou incorporados; as saladas e alimentos crus são indispensáveis. "Devemos dizer que a ração alimentar deve ser muito equilibrada; é preciso evitar cuidadosamente o excesso alimentar." Localmente, compressas de água quente e cataplasmas de argila. Uma ou duas vezes por semana, um banho bem quente ou, uma vez por semana, uma sessão de sauna. Regularmente, banho de sol, ou na falta de sol, banho de ar. Mobilização progressiva da articulação, se não houver dor ou perturbação excessiva. Paciência e confiança!
Nota importante: consultar bem os capítulos sobre os tratamentos das doenças agudas e crónicas. Quando aparecem as crises de desintoxicação, o paciente está na via da cura verdadeira, profunda, duradoura.

Bursite
Definição: inflamação das bolsas serosas (isto é, das cavidades revestidas de células que segregam o líquido sinovial, por exemplo em frente do joelho ou do cotovelo). Causas: geralmente, a inflamação é devida a um choque ou a uma fricção prolongada (bursite dos joelhos nos construtores de pavimentos ou nas religiosas, bursite dos cotovelos nos pintores que trabalham demorando-se sobre os cotovelos.) Notamos também que a bursite pode aparecer nos alcoólicos que ficam apoiados aos cotovelos longas horas sobre o balcão. Cuidados naturais: repouso da articulação. Envoltórios de água morna ou fria, segundo a melhor tolerância, ou cataplasmas de argila fria (2 por dia, manter de 30 a 60 minutos). Ver também Epicondilite. Homeopatia: Bryonia, Rhus toxecodendron.

Ciática
Definição: perturbação caracterizada por perturbações irradiadas ao longo do trajecto do nervo ciático. Sintomas: o seu trajecto varia segundo o tipo de ciática: — ou a partir da primeira vértebra sagrada; — ou sem lombalgia, mas com perturbação difusa na perna e em todo o pé. Certas formas são acompanhadas de uma paralisia motora mais ou menos extensa. Causas: atitudes corporais viciosas; choques; traumatismo vertebral quando se levantam pesos incorrectamente, depois do trajecto de carro ou sobre um tractor, etc. Uma anomalia (deslocamento vertebral, hérnia ou contracção disco vertebral, por exemplo) pode não ser reduzida espontaneamente.

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Certas formas são devidas a uma inflamação ou a uma degenerescência das estruturas da vértebra ou do disco intervertebral (doença de Pott, tuberculose óssea, inflamação não tuberculosa, etc). Cuidados naturais: repouso absoluto, compressas quentes ou frias segundo a preferência do paciente, jejum hídrico total, se possível. Intervenção indispensável do osteopata ou do quiroprática (que tomará em conta a existência eventual de uma lesão inflamatória proibindo as manipulações). Ver também Artrose. Homeopatia: Bryonia, Colocynthis, Rhus toxicodendron. Fito-aromaterapia: infusões de artemísia + centáurea. Compressas de folhas frescas de hera. Três vezes por dia, sobre um bocado de açúcar escuro, tomar 4 gotas de essência de pinho. Hidroterapia: banhos mornos (segundo conveniência e contra-indicações eventuais) locais ou gerais. Acrescentar-lhe, de cada vez. 1 colher de sopa de cloreto de magnésio, 1 colher de sopa da fórmula do professor R. Lautié. "Banho repousante", ou I colher de sopa de algas marinhas micro-partidas.

Epicondilite (ou Epicondilose, Tennis elbow, Tennis arm, Cotovelo

do jogador de ténis)
Definição: a epicondilite, ou cotovelo do jogador de ténis, é uma inflamação dos nós de certos músculos ao nível do cotovelo, estes músculos são extensores do punho. Agarrados ao cotovelo e partindo em direcção ao punho e aos dedos para levantar a mão contra o ante-braço, eles podem estar duramente ou demasiado tempo mobilizados quando se executam trabalhos repetidos: o carpinteiro ao serrar ou aplainar, a dona de casa ao lavar as suas panelas, o jogador de ténis ao segurar a sua raquete (mais de 25% dos jogadores de ténis muito activos são atingidos, pelo menos uma vez na sua vida, por esta inflamação do cotovelo.) Sintomas: dor sobre o epicôndilo. Inflamação local. Causas: excesso de trabalho do ante-braço ou ligeiro traumatismo provocando uma irritação perióstea desta região. Deveria tratar-se de um processo degenerativo doloroso dos nós musculares sobre o epicôndilo. Estas dores lancinantes podem ser provenientes de uma má posição, nos jogadores de ténis, sobretudo quando jogam pela esquerda. Quando se bate bem uma esquerda, o cotovelo deve orientar-se para baixo; a bola é então acelerada pela torção do busto e a direcção da bola é dada pela parte inferior do braço. Se se apanhar mal uma esquerda, os músculos do braço, sozinhos fornecem o esforço e daí resulta uma torsão da articulação. Para evitar a epicondilite, é preciso bater na bola com um movimento que passe por todo o corpo, pondo o peso do corpo para diante sobre o pé. Agarrar o cabo de maneira descontrída. excepto, é claro, no momento em que se bate a bola. Evitar os cabos espessos. Dar preferência às bolas com compressão interna. Nada de raquete dura, mas antes flexível. Jogar apenas quando o corpo e a articulação estiverem bem aquecidos (usar roupas quentes até esta altura). Em caso de fragilidade do cotovelo, bater "a esquerda" com as duas mãos. Tratamento médico: por medicamentos que suprimem a dor, especialmente. Tratamentos naturais: em primeiro lugar, repouso total do braço. Massagens muito leves, não dolorosas. Todos os dias, punção muito suave dos pontos de Knap da omoplata, do braço e da mão do lado da dor (ver § 19). Todos dias. envolver o cotovelo com um cataplasma de argila ou. na falta deste, de batata ou de cenoura ralada. Acrescentar-lhe, se for possível, algumas gotas de fórmula do professor Lautié: Ar suave de SãoBarnabé (duração: 1 hora). Alimentação muito leve durante vários dias: legumes e frutas. Retomar progressivamente seguindo um programa de alimentação sã composta de produtos ortobiológicos (ver § 15). Treino muito prudente e progressivo, assim que as dores tenham desaparecido totalmente quando da mobilização do cotovelo. Não mais maltratar esta articulação que, permanecerá frágil e sensível ao esforço durante muito tempo.

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Homeopatia: Bryonia, Kali bichromicum, Rhus toxicodendron, Arnica 5 CH.

Espondilartrite anquilosante
Artrite que afecta a coluna vertebral. Primeiro aguda, depois crónica, se os tratamentos e o modo de vida forem incorrectos. Ver Artrite e Artrose

Espondilodiscite
Chamada também: ostomielite benigna da coluna vertebral, espondilartrite, osteite da coluna, espondilite não específica, discite, infecção do disco intervertebral, contracção do disco intervertebral, lesão destrutiva do disco intervertebral. Definição: a inflamação de um disco intervertebral. Bastante frequente na criança. Sintomas: atípicos. O diagnóstico é por vezes desconhecido ou feito tardiamente. Esta afecção intervém essencialmente ao nível de um disco vertebral de maneira isolada. Podem resultar daí dores abdominais, que se atribuirão a outras causas. Estado ligeiramente febril não excedendo geralmente 39°. Irritabilidade, perturbações digestivas, dores mais ou menos vagas, mal localizadas (ao andar ou em posição sentada): a posição deitada melhora espontaneamente os sintomas. Na criança mais velha, a afecção começa geralmente por dores abdominais irradiando para o umbigo ou a sínfase pubiana fazendo suspeitar uma apendicite. É preciso estar atento às dores dorsolombares. Foram observados sinais pseudomeníngeos que se conduziam erroneamente à punção lombar ou mesmo a uma mielografia. Se o médico não pensa examinar cuidadosamente as costas da criança, o diagnóstico de espondilodiscite é difícil ou impossível. A rigidez anormal da coluna vertebral pode ser encontrada na região em causa, assim como uma fixação em lordose ou em escoliose, contracções da musculatura paravertebral, apófises espinhosas dolorosas à pressão e à percurssão. A velocidade de sedimentação é característica. Ela muitas vezes ultrapassa 40 mn/hora. A radiografia do ráquis põe em evidência o problema discai mas no estado inicial, as alterações são muito discretas ou ausentes. Em seguida, aparece uma contração discai acompanhada por vezes de irregularidade e de erosões dos tabuleiros vertebrais adjacentes. Causas: há autores que consideram que se trata de uma reacção inflamatória secundária a agentes infecciosos variados, vírus ou bactérias, de relativamente fraca importância e eventualmente eliminados por mecanismos de defesa imunológica do organismo. O estafilococo dourado foi muitas vezes incriminado. Todavia, alguns autores confundiram a osteomielite vertebral e a discite. Incriminou-se o bacilo de Hansen, o equinococo, o meningococo, a goma sifilítica (!). Contrariamente ao adulto, em quem o disco intervertebral não é vascularizado, o disco infantil é vascularizado a partir dos vasos sanguíneos provenientes dos corpos vertebrais adjacentes. Um problema primitivamente discai por disseminação no sangue é portanto teoricamente possível, sobretudo nas crianças. Em contrapartida, a restauração do espaço discai pode ser completa, depois do restabelecimento. As alterações observadas ao nível dos tabuleiros vertebrais reflectem antes fenómenos de pressão e relativos à hérnia do disco, sem implicar que o processo infeccioso tenha começado na vértebra (doutores Markwalder, Godard, Burkhalter, Dutoit). Todos os discos podem ser atingidos, desde C.5.-C.6 até L.5.-S.1, mas a localização mais frequente é na coluna lombar. Idade mais frequente: de 2 a 6 anos, mas ela pode acontecer noutras crianças de um sexo ou de outro. Tratamento médico: a maior parte das vezes, imobilização estrita na cama, eventualmente com o apoio de uma coca de gesso. Alguns utilizam também a antibioterapia, mas este tratamento é controverso.

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Cuidados naturais: consistem numa vitalização geral. Os sintomas locais são apenas uma manifestação de uma carência nutricional. Deve-se portanto proporcionar à criança uma alimentação correctamente doseada 60/20/20) e uma alimentação de origem biológica. Deve-se insistir sobre a importância dos prótidos de primeira categoria (ovo, queijo e eventualmente carne ou peixe, para os não vegetarianos). Grande ração de alimentos crus. Complementos alimentares: cloreto de magnésio para favorecer a assimilação do cálcio: trigo germinado, óleo de sementes de abóbora; pólen. Banhos de sol para estimular a remineralização. Jogos ao ar livre. Reeducação cardio-pulmonar indispensável, com Respirator e utilização da almofada spina: 2 sessões todos os dias de relaxação sobre esta almofada, de um duração cada uma de 1 a 2 horas. A intervenção de um osteopata ou de um quiroprático muito competente é muitas vezes necessária. O paciente é geralmente de tendência raquítica e catarral (ver Traitements naturels cies affections respiratoires, mesmo autor, edições Dangles).

Febres e dores "de crescimento"
Estes termos englobam toda uma série de situações patológicas tais como: a osteomielite, as inflamações gerais ou localizadas do sistema ósseo (incluindo a coluna vertebral), ou reacções articulares diversas, com febre de 38°-39° prolongando-se vários dias. Tratamento clássico: considera-se que estas manifestações só exigem repouso na cama, aplicação de compressas húmidas quentes e alcoolizadas ou laudanizadas sobre as zonas dolorosas e a utilização moderada dos antibióticos se a febre assim exigir. Em geral, ao fim de alguns dias, tudo entra na ordem e a criança levanta-se tendo crescido notavelmente, depois do crescimento em comprimento das zonas interessadas. Cuidados naturais: repouso na cama numa atmosfera calma e favorável. Se o paciente se sente bem aí, banho quente a 39 ou 40°, de uma duração de 15 a 30 minutos acrescentando cloreto de magnésio: uma colher de sopa; algas micronizadas: uma colher de sopa; eventualmente também de essências vegetais de tomilho, alecrim e de alfazema: algumas gotas. Durante alguns dias, haverá cansaço e perda de apetite; serão então indicados o jejum ou a alimentação puramente crua, muito leve. A alimentação deve ser retomada progressivamente, segundo a fórmula 60/20/20, acrescentando complementos alimentares naturais de remineralização (ver Tarsalgia dos adolescentes). Não esquecer o banho de sol, substituí-lo pelo banho de ar em período em que não há sol. As massagens muito suaves são aconselhadas (1 ou 2 quotidianamente).

Gota
Definição: perturbações do metabolismo das nucleoproteínas conduzindo a um excesso de ácido úrico nas articulações (crise de gota). Podemos distinguir: a gota aguda (com crise articular) e a gota crónica (com cólicas nefríticas ao nível dos rins, tofo da pele, etc.) Causas: a causa desencadeadora pode ser um agente terapêutico tal como a penicilina, um diurético, um sulfamida, mas as causas profundas são nutricionais: alimentação demasiado rica em carne, por exemplo, com sedentariedade excessiva, etc. Estas causas são detalhadas no § 4. Cuidados naturais: ver Artrite e Artrose (segundo a forma aguda ou crónica). Homeopatia: Lycopodium.

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Hallux valgus
Definição de causas: a artrose do dedo grande do pé é chamado hallux valgus. Esta deformação dolorosa do dedo grande do pé, com formação de uma excrescência do lado interno, é de origem reumática. Certas fracturas de uma das articulações do dedo grande podem evoluir para uma artrose e provocar uma deformação. Uma vez que esta perturbação se produz quase exclusivamente nas mulheres, há talvez uma predisposição do pé à qual se junta o incómodo de certo calçado muito apertado. Tratamentos naturais: como para a artrite e a artrose, sobre um plano geral (ver estas palavras). Localmente, afloramentos. Punção suave dos pontos de Knap do pé. Banhos quentes do pé afectado, 1 ou 2 vezes por dia, duração de 15 a 30 minutos. Acrescentar 2 ou 3 gramas de cloreto de magnésio e, se possível, uma colher de café de algas micronizadas. A fórmula do professor R. Lautié, "Pedilúvio dos desportistas", pode ser muito útil para reduzir as dores. Homeopatia: Kali bichromicum, Mercurius solubilis.

Lumbago
É a verdadeira "dor de costas". As causas foram expostas na primeira parte deste livro, no § 7
(Artrose, dor nas costas e coluna vertebral), assim como na rubrica Artrose, no presente índex terapêutico

Prevenção: tomar as precauções que evitarão as tensões musculares anormais e demasiado violentas, em posição de pé, sentada, etc, assim como por ocasião de alguns trabalhos físicos (jardinagem, carregar pesos...) Estar consciente dos riscos apresentados pelo excesso de condução automóvel, de trabalho sobre um tractor, etc. Manter o hábito de relaxamento no trabalho, aprender e praticar a relaxação ou a eutimia. Punçar os pontos de Knap desde que a dor apareça. Saber que a tensão nervosa está frequentemente implicada na tensão ou espasmo muscular. A prática quotidiana da ortoterapia é de uma utilidade incontestável. Cuidados naturais: desde a aparição de uma dor nas costas, considerá-la séria. Por si próprio: — Punçar os pontos de Knap dolorosos ou praticar uma quiromassagem vibratória ao nível da coluna lombar e sagrada. — Praticar imediatamente, repetindo-os umas vinte vezes cada um, os 6 exercícios de ortoterapia, se as dores o permitirem. — Deitar-se na posição menos desconfortável e aplicar assim que for possível compressas frias sobre os lugares contorsionados ou dolorosos. — Recorrer ao médico: osteopata, quiroprático. — Ao mesmo tempo manter um repouso alongado até que a marcha se torne mais fácil. — Tomar uma alimentação muito leve, ou jejuar totalmente de 1 a 3 dias. Homeopatia: Colocynthis, Ferrum metallicum, Natrum muriaticum, Natrum sulfuricum, Rhus toxicodendron. Nunca deixar de tomar a sério um lumbago. Este pode desaparecer espontaneamente, mas indica que "algo não vai bem" modo de alimentação, de vida e de trabalho. As causas das perturbações devem portanto ser procuradas e rectificadas. As origens psicológicas são aparentes em numerosos casos (ver Dados psicosomáticos na artrite e no reumatismo, § 10).

Osteoartrite tuberculosa (ou tumor branco)
Esta afecção não se deve confundir com as outras artrites agudas. Algumas de entre elas tomam por vezes a forma de um verdadeiro reumatismo tuberculoso. Sintomas: em geral, os sinais iniciais são propriamente funcionais: dores, perturbações nos movimentos, contracções musculares cedendo ao repouso mas recomeçando com o cansaço.

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Em seguida, nota-se um agravamento de todos os sinais funcionais, a tomada de atitudes viciosas e o aparecimento de sinais locais: gordura, tumefação globulosa em pele branca (tumor branco), atrofia muscular, adenopatias, dores provocadas com a palpação epifisária. Mais tardiamente, aparecem abcessos frios de origem óssea ou sinovial intra ou extra-articulares, podendo abrir-se ao exterior, por vezes muito longe da origem e ser causa de infecção banal e de luxações patológicas. Tratamentos médicos: são numerosos e compreendem raios U.-V., a calciterapia, a vitaminoterapia O, os antibióticos, etc. Estes tratamentos são muitas vezes completados por uma cura heliomarinha (Bereck, Roscoff...) se o problema osteo-articular não é acompanhado de lesões pulmonares. Cuidados de higiene natural: pela nossa parte, tivemos oportunidade de aconselhar um homem atingido de um tumor branco desde há dez anos. Ele coxeava e nenhumas melhoras se tinham produzido. Depois de algumas semanas de jejum, seguido de um período de alimentação crua, o joelho abriu-se espontaneamente num ponto e deixou correr para fora uma massa purulenta branca. O paciente fez então aplicações de argila ( 18). Depois de algumas semanas, o joelho tinha desinchado. A mobilização da articulação intervém progressivamente, depois a marcha. Tendo em conta um regime alimentar muito são e uma vida equilibrada, com exercício físico, ar puro e banhos de sol, o paciente recomeça uma vida pessoal e profissional, sem recaída nem complicações.

Osteoporose
Esta perturbação é frequentemente associada aos estados artríticos e reumatismais. É por essa razão que aqui lhe consagramos um estudo. Definição: desmineralização, descalcificação do osso, que se torna localmente poroso, leve, translúcido aos raios X (ver § 9, Osteoporose e desmineralização). Causas: sobre um terreno que pode ser predisposto a isso, desenvolve-se uma insuficiência de mineralização geral e óssea; ou ainda, numa pessoa normal, aparece e intensifica-se uma desmineralização muitas vezes progressiva. Podem então aparecer inflamações e dores, qualquer que seja a idade, e dir-se-à, por exemplo, que são dores de crescimento no jovem! O modo de vida e de alimentação está então a causa. Cuidados naturais: em todos os casos, o essencial é reequilibrar o terreno (tanto quanto possível e procurar uma mineralização normal graças a uma alimentação sã e bem equilibrada (regime 60/20/20, por exemplo), evitando as combinações alimentares desfavoráveis (por exemplo, a mistura de frutos ácidos e de glúcidos na mesma refeição, ou ainda o excesso de sumos de frutas, ou as bebidas do tipo coca-cola (ver § 15). Para o detalhe desta alimentação de remineralização, consultar o nosso livro Votre santé par la diététique et 1'alimentation saine (edições Dangles). Por outro lado, o exercício físico ao ar puro, o banho de ar e o banho de sol são indispensáveis. Ver também o § 13: Tratamentos de higiene vital nas perturbações crónicas. Homeopatia: Calcarea como remédio de fundo + Silicea.

Poliartrite infantil
Ver Poliartrite reumatóide.

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Ver L'argile pour votre santé (do mesmo autor, Edições Dangles — Volume 11 desta Colecção).

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Poliartrite reumatóide
Afecção considerada como perigosa em medicina clássica. Pode aparecer desde a infância até à idade adulta. Ela aparece 8 vezes sobre 10 na mulher, mas a gravidez parece suspender a evolução. Sintomas:
— Precursores: dores, inchaços em forma de fuso, rijeza e entorpecimento (muitas vezes matinal) das articulações dos dedos, por vezes dos punhos, tornozelos e pés. — Período de estado: evolução para manifestações repentinas, com extensão das artrites nas mãos, punhos, ancas, joelhos, pés, com nodosidades, emagrecimento muscular, estado geral afectado. Na criança, podem-se citar formas de prognóstico severo ou fatal (em medicina clássica): — a doença de still, poliartrite com adenopatias, baço hiperatrofiado; — a poliartrite deformante, etc.

Cuidados naturais: o paciente deverá fazer prova de disciplina, de autocontrolo e de perseverança. O factor psicológico deve intervir ao mesmo título que o estudo do clima e do habitat, com ar ionizado negativamente, procura da rede Hartmann fitoterapia, alimentação muito sã, exercício físico suave ao ar puro e ao sol, fito e aromaterapia individualizadas. Os climas frios e húmidos, o álcool, o tabaco, o café, as bebidas do género coca-cola, a carne devem ser totalmente abolidas. Consultar os detalhes apresentados na rubrica Artrite e ler atentamente toda a primeira parte deste livro. Aqui, mais que nas outras afecções, repetimos: confiança! Homeopatia: Bryonia, Kali bichromicum, Rhus toxicodendron..

Reumatismo articular agudo (R.A.A.) (ou doença de Bouillaud)
Várias articulações são em geral afectadas e as análises de laboratório podem fazer descobrir sinais de infecção. Classicamente, esta afecção é considerada como devida a um vírus filtrante; alguns autores associam-na a um estreptococo neurolítico do grupo A. Ela comporta-se como uma doença infecciosa geral cujas localizações articulares seriam apenas manifestações. Deve-se por isso imputar a responsabilidade a um micróbio? No que diz respeito à medicina natural, existe antes o terreno para a multiplicação dos germes. É o terreno que se deve tratar e modificar. Sintomas principais: aparece uma angina vermelha, depois sobrevêm inflamações e congestões que afectam estruturas articulares. As dores são muito fortes. A febre é de intensidade variável e ela é acompanhada de transpiração e por vezes de anemia e albuminúria. São igualmente observadas certas localizações viscerais: reumatismo cardíaco, pleuropulmonar ou cerebral. Evolução: o R.A.A. desaparece geralmente sem deixar sequelas aparentes. Em contrapartida, lesões cardíacas podem ser mais duradouras e mesmo definitivas se os cuidados forem incorrectos. Se sobrevêm localizações cerebrais elas são consideradas como mortais em mais de metade dos casos, com os tratamentos clássicos. , Tratamentos de higiene natural: desde o início das perturbações, jejum total enquanto durar a febre e a inflamação, depois readapatação alimentar progressiva. Durante muito tempo, deve-se reduzir fortemente os alimentos protídicos mesmo com supressão temporária ou definitiva da carne e das leguminosas. Regime predominantemente cru. A febre e a inflamação são, entre outros, meios naturais de cura; devem-se favorecer com compressas quentes adicionadas de algumas essências vegetais, nomeadamente o tomilho. Mesmo se se observar arritmia cardíaca ou "sopro de coração", os tratamentos naturais permitem a maior parte das vezes um restabelecimento geral. Se é associada a ela uma angina: gargarejos e banhos de boca, várias vezes ao dia, com água fervida adicionada com algumas gotas de essências vegetais tais como badiana, tomilho, anis, canela, cravo-da-índia, hortelã...

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Infusão de rainha-dos-prados e decocção de bagas de zimbro. A argila pode intervir da seguinte maneira: cataplasmas de argila sobre as regiões dolorosas e inflamadas. Acrescentar à argila 10 a 20 gotas de essência de tomilho ou de hissopo. Durante os primeiros dias, pode-se tomar um banho quotidiano a temperatura progressiva (até cerca de 41-42" se não houver contra-indicação médica), acrescentar-lhe 1 ou 2 colheres de sopa de argila e umas vinte gotas de essências vegetais como em cima. As algas micronizadas são um factor vitalizante a não sub-estimar. Duração do banho: 15 a 30 minutos. Podem-se também aplicar localmente cataplasmas de argila quente com alho esmagado ou essências como acima descrevemos. Manter 1 hora. É possível que apareçam flictenas (bolsas de exsudação); parar então os cataplasmas durante 1 ou 2 dias. Quando as crises de desintoxicação se acentuam, os processos de restabelecimento são mais rápidos. Suportar a dor e o desconforto com confiança e paciência. A cura será isenta de complicações ou de sequelas. Eis agora dados complementares extraídos do livro do doutor Tilden. O reumatismo agudo é a consequência de permanências prolongadas ao ar frio ou na água fria. Os candidatos a esta forma de reumatismo fazem muitas vezes uma fermentação ácida no estômago; eles consomem alimentos pobres em elementos protectores, com reacções digestivas ácidas. O seu modo de vida é incorrecto. Uma forma é o lumbago; o doente endurece muitas vezes os seus músculos de maneira a impedir qualquer movimento na zona sensível e, no fim do dia, os músculos assim contraídos cansam-se a um ponto tal que se tornam por sua vez sensíveis e dolorosos, de maneira que o lumbago associado ao cansaço muscular faz crer que é uma doença que se estende sobre uma larga zona. O repouso e a calma são então indispensáveis. Se as dores aparecem no pescoço (por exemplo com torcicolo), as indicações gerais permanecem semelhantes. Tratamento natural Repouso primeiramente. Se o paciente sofre muito, deve deitar-se a fim de melhor relaxar. Depois, toma um banho quente, estando a água a temperatura tão elevada quanto ele possa suportar; este banho dura até que as dores sejam aliviadas, no limite de uma hora. Em seguida, repouso com cobertores leves. É bom evitar a estase intestinal; eventualmente, serão necessárias lavagens. O doente poderá tomar tanta água quanto desejar, durante vários dias (2 ou 3 litros ao dia). Deve tratar-se de água pouco mineralizada (Mont-Roucous, Volvic, Katell-Roc).

Tarsalgia dos adolescentes
Esta perturbação é geralmente observada por volta dos 14 ou 15 anos, na época do crescimento, sobretudo nos rapazes. Sinais: abaixamento da abóbada plantar provocando deformações ósseas progressivas: hipertrofia e abaixamento do astrágalo e do escafoide, rotação para fora do calcâneo. Sintomas: O paciente sente dores lancinantes nos períodos de fadiga. Os pés viram-se para fora e deformam-se. Ulteriormente, aparecem contrações musculares. Pouco a pouco, as posições viciosas tornam-se difíceis de reduzir e temos assim o pé chato inveterado com anquilose osteofibrosa "definitiva", segundo a expressão utilizada em medicina clássica. Tratamentos naturais: Impõe-se o recurso a um osteopata muito competente, assim que for possível. Independentemente do trabalho deste médico, a alimentação deve ser examinada com o maior cuidado. A fórmula 60/20/20 pode ser aplicada sem dificuldade ao adolescente. Devem-se suprimir totalmente certas bebidas anunciadas pela publicidade (coca-cola e semelhantes). Única bebida: água, supressão igualmente do álcool, tabaco, drogas, medicamentos aditivos. O peso normalizar-se-á, o que é importante para as pessoas obesas cujos pés são submetidos a uma sobrecarga considerável. O jovem deve evitar as longas marchas e permanecer de pé muito tempo. A reeducação física deve ser suave e progressiva.

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A hidroterapia do tipo Kneipp é útil. Depois de cada aplicação, o jovem paciente deve aquecer-se bem. Deve, de uma maneira geral, evitar ter os pés frios. Se necessário, os banhos de pés e de pernas podem ser realizados todos os dias, durante o dia ou à noite antes de deitar. Podem-se acrescentar aos banho algas micronizadas e eventualmente a fórmula do professor Lautié, "Pedilúvio dos desportistas." A massagem e a reflexoterapia dos pés são benéficas. A nutrição geral deve ser estimulada pela respiração, pelos exercícios ao Respirator de Plent, o banho de sol e o banho de ar. Os complementos alimentares naturais devem ser principalmente: o cloreto de magnésio em pequenas doses, todas as manhãs na água adicionada de sumos de frutas; os grãos germinados (trigo, luzerna, feno grego); o pólen, óleo de sementes de abóbora (§ 15). Ver também Febres e dores de crescimento. Nada de comida enquanto a dor persistir. Somente então, a alimentação deve ser retomada progressivamente suprimindo a carne, excepto 3 vezes por semana se não se poder passar sem ela. As frutas (com a excepção das laranjas) deverão ser tomadas no decurso de 2 refeições por dia, de manhã e ao meio-dia. À refeição do almoço, pode-se acrescentar queijo fresco. A refeição da noite consistirá em legumes cozidos, pouco feculentos, e em salada com um pouco de carne 3 vezes por semana se ela for desejada. Se não houver carne, poder-se-á comer um pouco de queijo ou um ovo quente ou incorporado num prato leve (doutor J.-H. Tilden). Ver os parágrafos 15 e seguintes. Devemos reportar-nos ao parágrafo 12 sobre as medidas a tomar nas perturbações agudas. Homeopatia: Bryonia, Ferrum phosphoricum, Phytolacca, Rhus toxicodendron. Fitoterapia: infusões de rebentos ou de casca de bétula, de borragem, das extremidades superiores floridas de urze, cones de lúpulo, de alfazema, amores-perfeitos selvagens, casca de salgueiro, folhas e flores de sabugueiro, de tasneira, samo de tília, raiz de valeriana, rainha-dos-prados. Infusões ou decocções de harpagófito. Aromaterapia: 3 vezes por dia, sobre um bocado de açúcar escuro, tomar 4 gotas de essência de pinheiro ou orégão. Sobre as regiões doridas (articulações ou músculos), fazer fricções frequentes com óleo de amêndoa doce, de amendoim, ou azeite com 5% de cânfora (a evitar para as crianças) e 5% da mistura essência de camomila, tomilho e alecrim.

Tendinite
Definição: a tendinite é a inflamação de um ou vários tendões. Ela pode ser acompanhada de uma tenosinovite, inflamação das bainhas sinoviais situadas à volta dos tendões e permitindo a deslocação destas. Causas: certas tendinites são reumáticas e podem acompanhar outras perturbações reumáticas. Pode também haver inflamação ou sobrecarga de trabalho, por exemplo na tendinite aquileana: o tendão de Aquiles está inflamado nas pessoas que andam muito, os desportistas... Muitos praticantes de jogging podem sofrer desta afecção, nomeadamente quando correm sem aquecimento prévio sobre terrenos demasiado duros (por exemplo o macadame) e com bossas. A tendinite do tendão de Aquiles aparece mais frequentemente num desportista brevilíneo hipermusculado do que num longilíneo pouco musculado. Podem ser visados alguns indivíduos espasmódicos. Algumas anomalias do esqueleto do pé favorecem as tendinites, assim como perturbações da bacia e dos membros inferiores ou ainda entorses fracturas, roturas musculares e traumatismos anteriores. O ponto doloroso fica tumeficado, quente e por vezes vermelho. A palpação desencadeia a dor. Tratamentos naturais: repouso da região dolorosa e inflamada. Envoltórios de água fria ou morna, segundo a conveniência cataplasmas de argila. Afloramentos leves da região em causa. Os pontos de Knap podem ser punçados levemente nesta região (ver também Epicondilite). A osteopatia pode ser preciosa. Andar ou correr com sapatos macios, com grossas meias de lã, sobre um terreno "suave" estilo relva. Alimentação muito leve, pouco cárnea, hipotóxica. Lembremos a necessidade de um aquecimentos prévio das regiões que fornecerão o esforço com intensidade.

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Homeopatia: Bryonia, Rhus toxicodendron.

Torcicolo
Definição: dor aguda da nuca com impossibilidade de mobilizar a cabeça num determinado sentido. Geralmente, é ao acordar que a nuca está tensa e dorida. Origem: geralmente, produziu-se uma anomalia ao nível do ráquis (cervical nomeadamente). Existe também um torcicolo de origem muscular. Cuidados naturais: ver um osteopata ou um quiroprático. Certas atitudes viciosas podem estar igualmente em causa e será preciso rectificá-las. A título preventivo, os exercícios de ortoterapia são muito recomendáveis, assim como a acupressão e especialmente a técnica dos pontos de Knap. Para reduzir a tensão muscular e as dores locais, aplicar 3 ou 4 vezes por dia, à volta do pescoço, um cataplasma de argila e ou de batata ralada, e ou de cenoura ralada; este cataplasma pode ser quente ou frio, morno ou quente, segundo a melhor conveniência do paciente. Todavia se, depois de 5 minutos, o cataplasma frio não for aquecido pela pele, retirá-lo e aplicar compressas quentes. Fórmula do professor R. Lautié: em partes iguais, picar orégão, alecrim e tomilho; aquecer em seco e pôr numa gaze, aplicar quente à volta do pescoço. Em todos os casos se impõe a escolha judiciosa de um travesseiro bem adaptado. Este deve ser (excepto quando há má formação ou deformação do ráquis) alto com alguns centímetros e ter a forma de um rolo suave sobre o qual se vem apoiar a nuca (ver um osteopata, um quiroprático ou um conselheiro de vida sã para esta individualização). Homeopatia: Colocynthis.

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"Aquele que penetrou o sentido da vida não se esforça mais pelo que não contribui para a vida."

Tchouang Tzeu

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CONCLUSÃO

Para si, a verdadeira saúde!
É uma mensagem de esperança, amigo leitor, o que eu lhe quis lançar, tendo eu próprio sido reumático e ulceroso, pude medir o verdadeiro valor de uma ajuda positiva. Desejo de todo o coração que numerosos sejam os doentes que poderão, graças a este livro, sair do círculo vicioso para o qual foram arrastados por medicinas mal adaptadas, cuja orientação se revelou errónea. Tenha confiança na natureza, na sua natureza medicamentosa. Rejeite as drogas e paliativos. Reencontre a sua liberdade de espírito e procure as causas das suas perturbações. O leitor pode tudo para encontrar a saúde, o vigor, a alegria de viver; está nas suas mãos consegui-lo. Sentiu-se tantas vezes ludibriado e decepcionado! Desta vez, está no bom caminho; lucidez, paciência e boa vontade devem conduzi-lo também a si ao objectivo. Compreenderá melhor, então porque razão lutamos há decénios por uma renovação da medicina, e sem dúvida nenhuma vai associar-se à acção conduzida em favor do homem e da vida. Talvez, mesmo se torne, por sua vez, um destes conselheiros de vida são dos quais o nosso mundo, fatigado e desamparado, tem tanta necessidade, porque já não poderá guardar unicamente para si esta mensagem de saúde.
André Passebecq. M.D.. N.D.. D.Ps Presidente de Vie et Action. Encarregado do ensino da naturoterapia na faculdade de medicina Paris-XIII.

Bibliografia
Remi Alexandre: Votre lit est-il à la bonne place? (Editions Ka). Martin de Beauce: Rajeunir selon Knap — Planches despoints de Knap (Editions Vie et Action, Vence). Mareei Bernardet: La Phyto-aromathérapie pratique (Editions Dangles). Dr. Claude Binet: L'Homéopathie pratique et Thérapeutique homéopathique (Editions Dangles). Dr. Paul Carton: L'Art medicai et La Tuberculose par arthritisme (Editions le François). Gerard Edde: Manuel pratique de digitopuncture (Editions Dangles). Georges Faure: Les Métaux pour votre santé (Editons Dangles). Louis Faurobert: Vos enfants en pleine forme! (Editions Dangles). Dr. Gillard: Aquathérapie et aquapuncture (Editions Présence). Gilles Laissard: L'Eau pour votre santé (Editions Dangles). Professeur Raymond Lautié: Parmi les plantes bienfaisants — Parmi les essences végétales bienfaisantes (C.E.V.I.C.) — Magnésiothérapie — Vieillir jeune — Le Sang et ses maladies — Ta maisonfait to câncer ou ta santé (Editions Vie et Action). Désiré Mérien: Les Clés de la nutrition (Editions Dangles). Dr. André Passebecq: Votre santé par la diététique et 1'alimentation saine — L'Argile pour votre santé (Editions Dangles). Dr. J.-E. Ruffier: Gymnastique quotidienne— Traité pratique de massage (Editions Dangles). Dr. A. de Sambucy: Gymnastique correctivo vertébrale — Defendei vos vertèbres — Nouvelle médecine vertébrale (Editions Dangles). Alain Saury: Régénération par le jeûne — Manuel diététique des fruits et legumes — Les Algues, source de vie — Huiles végétales d'alimentation (Editions Dangles). Robert Tocquet: Manuel de thérapeutique naturelle (Editions Dangles).

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