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— Para um cristo nao existe a morte, ou melhor, ela é um simples ponto de partida e nado um termo. A Igreja canta nos funerais: “A vida do cristéo nao é roubada, é transfigurada”. E ao dia aniversdrio da morte dos justos ela chama “Dia Natalicio”, dia do nascimento. Santa Teresa de Lisieux no leito de morte murmurava: “Nao estou morrendo, estou entrando na vida”. Nossos mortos vivem, e se nao so condenados eternamente, podemos reencontra-los em DEUS. Se queremos viver eternamente com eles precisamos encontrar 0 CRISTO, ouvi-lo, comungar com ELE. “Eu sou a ressurreigdo e a vida!” (Jo 11, 25) “Em verdade vos digo. se algu¢ém guarda minha palavra, jamais vera a morte” (Jo 8, 51) “Eu sou 0 pao da vida ,... aquele que me come vivera” (Jo 6, 51) Se se prega que 0 CRISTO ressuscitou dos mortos, como é que alguns, no meio de vés, podem pretender que nao exista ressurreigdo dos mortos?... Se o CRISTO nao ressuscitou, nossa pregagao fica vazia, dca a nossa fé... Se foi s6 para esta vida que depusemos nossa esperanga em CRISTO, somos os mais desgragados dos homens.” (prim. carta do apéstolo Paulo aos cristios de Corinto, 15. 12-14-19). © pessoal acompanhava: Gente de preto chorando, Gente também de preto e com cara de choro, Na frente, pessoas sem luto, algumas chorando, Mais gente sem luto, que nem chorava nem nada, ou melhor, se aborrecia ou conversava. A saida do cemitério, As pessoas de preto solugavam: tudo acabado. As segundas pessoas de preto fungavam: vamos, menina, coragem, acabou- se. As primeiras pessoas sem luto murmuravam: coitado, tudo se acaba nessa vida! E os outros respiravam: ufa! acabou-se! Eu, dentro de mim, pensava que tudo estava comegando. Sim, é verdade; acabava o ensaio geral, comegava_poré1 eterna. representagao ‘tminara o aprendizado, comecava porém a execucdo.eterna. rminara a lenta gestagao, comegava porém a vida eterna. Acabava de nascer, De nascer para a vida; A vida que é para valer, A vida que é de verdade, A VIDA m Como se os mortos existissem! Nao ha mortos, SENHOR, Ha vivos ¢ s6 vivos: uns na terra, outros além. A morte existe, SENHOR, Mas é um momento apenas, Um instante, um segundo, um passo, O passo do provisorio ao definitivo, O passo do temporal ao eterno. Assim morte a crianga ao nascer o adolescente: a lagarta, quando alga véo a borboleta; a semente, quando a espiga anuncia. Morte, personagem grotesco, bicho-papfo para as criangas, fantasma inexistente, Fazes-me rir. No entanto, Aterrorizas 0 Mundo, Assustas € enganas os homens, E entretanto, so para a vida existes, nem és capaz de arrancar-nos aqueles a quem amamos. Mas onde estéo, SENHOR, os que amei quando viviam? Estado em &xtase, santamente ocupados em amar face a Santissima Trindade? Estdo sendo torturados dentro da noite, ardendo no desejo de amar ao infinito? Estao desesperados, condenados a si proprios porque se preferiram aos outros, consumidos de ddio porque ndo podem mais amar ? SENHOR, esto perto de mim, os meus mortos, Eu os conhego, vivendo na sombra. Eu nao os vejo mais com os olhos porque por um momento abandonaram seu invélucro de carne, como quem despe uma veste estragada ou fora de moda. Privadas deste disfarce, suas almas de ora em diante néo me acenam mais. Mas em vés, SENHOR, ougo-as a me chamarem; vejo-as a me convidarem, Escuto-as a me aconselharem, Pois agora me sd muito mais presentes. Outrora tocavam-se nossas carnes, mas nao nossas almas, Agora eu as encontro quando TE encontro’ Recebo-as em mim, quando TE recebo, Amo-as quando TE amo. © meus mortos, vivos eternos que vivem em mim, Ajudai-me nesta vida breve, a aprender como viver eternamente. SENHOR, eu VOS amo € quero amar-VOS sempre mais Sois VOS quem eterniza 0 amor E quero amar eternamente. (MICHAEL QUOIST - Poemas Para Rezar) BSB. 16/07/95.