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Formação Continuada

CIÊNCIAS CONTÁBEIS
TEMA: CONTABILIDADE DE CUSTOS

Rodovia BR 470, km 71, n° 1.040, Bairro Benedito Caixa postal n° 191 - CEP: 89.130-000. lndaial-SC Fone: (0xx47) 3281-9000/3281-9090 Home-page: www.uniasselvi.com.br Ciências Contábeis Centro Universitário Leonardo da Vinci Organização Valdecir Knuth Conteudista Reitor da UNIASSELVI Prof. Ozinil Martins de Souza Pró-Reitor de Ensino de Graduação a Distância Prof. Janes Fidélis Tomelin Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância Prof. Hermínio Kloch Diagramação e Capa Júlia Carolina Moser Revisão: Nélson Dellagiustina
Todos os direitos reservados à Editora Grupo UNIASSELVI - Uma empresa do Grupo UNIASSELVI Fone/Fax: (47) 3281-9000/ 3281-9090 Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2011. Proibida a reprodução total ou parcial da obra de acordo com a Lei 9.610/98.

Contabilidade de Custos

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1 INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) acadêmico(a)! Bem-vindo(a) aos estudos da disciplina de Contabilidade de Custos. Aqui, estudaremos os conceitos e classificação dos gastos industriais. Mas, você saberia dizer o que são esses gastos? Esses gastos são provenientes do processo de produção, que, por sua vez, é um conjunto de atividades para transformar bens em novos produtos, podendo ser denominado de custos e despesas para a manutenção do sistema produtivo da empresa. Então, podemos entender que os Custos são aqueles gastos efetuados para produzir algum produto até deixá-lo em condições de vendas. Certo! E as despesas? Fazem parte dos custos? A resposta é não! As despesas são necessárias para a manutenção das atividades da empresa, as quais estão relacionadas com os departamentos Administrativo, Financeiro e de Vendas. E essas despesas serão utilizadas para a formação dos preços de vendas, embora não têm relação com o processo industrial de produção. Vamos aos estudos?

2 CONCEITUAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS
Você já ouviu falar sobre os gastos industriais? Provavelmente, você já se questionou sobre quanto uma empresa gasta para produzir algo ou alguma coisa. Mas, será que esse gasto é custo? Se sua resposta for sim, então você está certo! As empresas incorrem em diversos tipos de gastos que são necessários para deixar seus produtos em condições de vendas. Não podemos esquecer que fabricar algum produto não envolve apenas o processo de produção
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Ciências Contábeis e os custos necessários para essas atividades. Além de todas as atividades produtivas, é necessário controlar todas as atividades administrativas, como as cobranças de duplicatas, a relação com os fornecedores e demais atividades necessárias para a aquisição de insumos. Veja, caro(a) acadêmico(a), que a Figura 1 demonstra a diferença entre setor industrial e administrativo.
FIGURA 1 − DIFERENÇA ENTRE SETOR INDUSTRIAL E ADMINISTRATIVO

FONTE: O autor

Então, isto significa que o setor industrial é o local onde se fabricam os produtos, e o setor administrativo é onde está localizado o administrador e todo o seu pessoal de apoio que contribui para o controle e acompanhamento de todas as atividades da empresa. Perfeito! É necessário haver a área de produção e a área de controle administrativo. Setor Industrial  Processo Produtivo Setor Administrativo  Processo de Administrar a empresa É importante fazer esta distinção para compreender por que existem as diferenças entre custos e despesas.

3 CUSTOS
Então, caro(a) acadêmico(a)! Para compreender os custos, vejamos a contribuição de Crepaldi (1998, p. 56): “[...] custos são gastos (ou sacrifícios econômicos) relacionados com a transformação de ativos (exemplo: consumo de matéria-prima ou pagamento de salários)”.
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Contabilidade de Custos Então, podemos entender que os custos são os gastos atribuídos na transformação e produção de novos bens utilizando os bens materiais da empresa, como a matéria-prima e demais componentes necessários ao processo industrial, para transformar e/ou criar outros tipos de bens materiais. Enfim, tudo o que é gasto no setor de produção. Os gastos do setor administrativo, por exemplo, despesas bancárias e material de expediente da área administrativa não são considerados custos e sim despesas. Isso mesmo! No processo industrial utilizam-se determinados bens para transformar novos bens! Vamos novamente buscar outro conceito deste mesmo autor: “Custogasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens e serviços são todos os gastos relativos à atividade de produção”. (CREPALDI, 1998, p. 57). Então, podemos concluir que: a) Custo é um gasto que aplicamos ao bem ou serviço que estamos utilizando na produção e transformação de outros bens ou serviços. Sem estes gastos não teríamos as condições necessárias para criar ou desenvolver os produtos. b) Para entendermos um pouco mais sobre insumos de capitais, precisaremos entender qual é a influência monetária destes fatores de produção. Mas, o que é uma influência monetária? A empresa adquire produtos em um valor “X”, e esse valor permanece estocado em forma física. Este tipo de estocagem somente vai gerar riqueza quando a empresa transformar os produtos em recursos financeiros, ou seja, a VENDA. A empresa precisa gerar riqueza com esses valores estocados, por esse motivo se chama influência monetária. c) Outro item que devemos atentar, em termos monetários, é que os custos de um determinado produto devem gerar renda. Como se forma a renda? A renda da empresa é gerada através da formação de preços de venda. É um item importante que devemos analisar, pois muitas vezes as empresas concedem determinados descontos e vendem abaixo da margem de lucro.
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Ciências Contábeis E isso é bom? Não, porque a empresa apenas sobrevive no mercado se houver lucros. E não é concedendo descontos sem uma análise acurada do preço de venda e do custo do produto que a empresa se manterá no mercado. Contudo, em termos mercadológicos, há situações em que se torna interessante aplicar descontos para, de certa forma, “garantir” a venda. Em certos casos, os clientes somente compram se houver descontos. d) O custo é também considerado um gasto, pois somente é reconhecido como tal no momento da utilização nos fatores de produção para a fabricação de um novo produto ou na elaboração de um serviço. Então, podemos visualizar as atividades da produção da seguinte forma: Atividade de produção  atividades de transformação de bens materiais e recursos humanos em outros tipos de bens materiais. Quais são os tipos de custos para o processo industrial? Existem diversos tipos. Veremos alguns deles a seguir. Esses recursos utilizados para a transformação e/ou criação de novos produtos podem ser denominados da seguinte maneira:

 Salários do pessoal da produção (mão de obra)  os salários dos funcionários do processo produtivo. Esses salários São
são considerados custos diretos, pois os funcionários são aqueles que trabalham direto na produção.

 Matéria-prima utilizada no processo produtivo  os componentes físicos que serão consumidos no processo industrial. São
São considerados custos diretos porque se aplicam diretamente para a elaboração de novos produtos.

 Combustíveis e lubrificantes usados nas máquinas da fábrica  é outro importante item para a identificação e apuração dos custos dos Este
produtos da empresa, pois, com a energia gerada, é possível movimentar todas as etapas de produção. Esse tipo de gasto é considerado variável, quanto maior for o volume de produção no processo industrial, maior
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Contabilidade de Custos serão os gastos alocados de combustíveis e lubrificantes.

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 Aluguéis e seguros do prédio da fábrica  tipo de gasto está relacionado com as atividades gerais da fábrica, Este
pois os aluguéis são necessários para compor um bem físico na utilização do processo industrial, e os seguros da fábrica também são necessários por questões de segurança patrimonial.

 Depreciação dos equipamentos da fábrica utilizados no processo
industrial de produção Depreciação é o valor da perda monetária de um bem físico determinado pelo seu uso ou obsolescência tecnológica. É um valor meramente monetário que se utiliza do grupo do Imobilizado. Não há um bem sendo consumido fisicamente, como é o caso da matériaprima, mas há um bem sendo utilizado na produção, e essa utilização gera um desgaste que é denominado de depreciação. Como exemplo podemos citar uma máquina utilizada na produção de um bem. Neste caso, a depreciação faz parte dos custos de um produto.

 Gastos com a manutenção das máquinas da fábrica (que são utilizados
no processo industrial de produção) Temos aqui uma situação diferente da depreciação. Enquanto a depreciação é um desgaste pelo uso do bem, as manutenções são os consertos ou ajustes necessários nas máquinas para mantê-las em funcionamento. Isso mesmo. Esses gastos com a manutenção dão uma “sobrevida” ao bem, e a empresa pode utilizar as máquinas e equipamentos por um período maior. Veja a seguir a figura, cuja ilustração mostra como se processam e transformam os insumos (materiais e matéria-prima) em novos produtos no processo industrial da empresa.
FIGURA 2 – INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE ACORDO COM O PROCESSO INDUSTRIAL

FONTE: O autor

Conforme a figura anterior, o resultado de um determinado processo industrial é a disponibilização dos produtos prontos no mercado consumidor.
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Ciências Contábeis Isso mesmo! Assim todos os insumos e demais recursos são utilizados no processo industrial para a geração e transformação de novos produtos que abastecerão o mercado consumidor. Vamos verificar o que um renomado autor diz sobre este assunto:
O Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço. Exemplo: a matéria-prima foi um gasto em sua aquisição que imediatamente se tornou em investimento, e assim foi durante o tempo de sua estocagem; no momento de sua utilização na fabricação de um bem, surge o custo da matéria-prima como parte integrante do bem elaborado. Este por sua vez, é de novo um investimento, já que fica ativado até sua venda. (MARTINS, 2000, p. 25).

Veja o seguinte exemplo: A aquisição de uma máquina é considerada um gasto. Quando for efetuado o seu pagamento, é considerada um desembolso, pois há uma saída de dinheiro de caixa; quando for registrada a nota fiscal dessa máquina na contabilidade, será considerado um investimento permanente; e, quando inicia a sua depreciação e a sua manutenção, é considerada como um custo integrante dos produtos fabricados. Esta classificação se aplica a todos os materiais e insumos que a empresa adquire. Além dos custos, que acabamos de aprender, existem as despesas, que se configuram como outro tipo de gasto. Isso é o que vamos conhecer no próximo item.

4 DESPESAS
Caro(a) acadêmico(a), as despesas também são um item importante na Contabilidade de Custos. Por quê? Elas possuem a conotação ou o mesmo entendimento de custos, podendo muitas vezes se confundir. Isso acontece porque tanto os custos como as despesas precisam ser pagas, no entanto, as despesas possuem um tratamento diferenciado dos custos. Fique atento(a) para a diferença entre custo e despesa. Os custos são os gastos que compõem um produto, e as despesas são todos os gastos necessários para a empresa obter receitas, são os esforços
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Contabilidade de Custos que a empresa tem para fazer a “máquina” girar.

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LEMBRE-SE
CUSTOS  São os gastos para a empresa criar ou fabricar os produtos. DESPESAS  São os gastos envolvidos no esforço para a geração de receitas.

De acordo com Martins (2000, p. 26), as despesas são “bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”. Assim, as despesas estão relacionadas com todos os gastos gerais do:

 departamento de administração;  departamento de vendas; e  departamento financeiro.
Isso significa que as despesas não estão relacionadas com a produção da empresa. Você deve estar se perguntando... Mas, como faço para considerá-las no custo de produção? Na verdade, não poderemos considerar as despesas como custo de produção da empresa. E “onde” elas serão consideradas? Imaginamos que a empresa teve determinados gastos para fabricar um produto. Esses gastos são chamados de CUSTO DE PRODUÇÃO, conforme vimos anteriormente. A partir do instante em que estes produtos estão prontos para a venda, é preciso que a empresa incorra em outros tipos de gastos para fazer com que os produtos cheguem até ao mercado consumidor (cliente final). Esses gastos poderão ser os salários dos vendedores, encargos sociais desses salários, as comissões sobre vendas, entre outros. Mas, como isso acontece?

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8 Vejamos um exemplo:

Ciências Contábeis

A comissão do vendedor e os impostos são gastos que se tornam imediatamente despesas, pois incidem assim que a empresa faturar os produtos vendidos. Vamos imaginar agora um computador utilizado no setor de contas a pagar e contas a receber da empresa. Vai ser o quê? Uma despesa ou um custo? Este equipamento, portanto, não é utilizado para a produção, mas sim para controlar as atividades relacionadas às vendas dos produtos. Logo, esse gasto será despesa. Podemos dizer então que despesa são os bens ou serviços consumidos diretamente para a obtenção de receitas, ou ainda, o gasto aplicado na realização de uma atividade que vai gerar renda para a empresa. Mas como podemos observar isso de forma lógica e sem complicações no momento de aplicar esses conceitos? Veja a sequência nos seguintes procedimentos: ADMINISTRATIVO  Computador do Setor Contas a Pagar e a Receber  Gera Depreciação  Atividades de Controle Administrativo  Controle das Contas a Pagar e a Receber.

OBSERVE:
As contas a pagar referem-se às aquisições das matérias-primas para a produção e outras necessidades para a manutenção da empresa, e as contas a receber referem-se ao controle das cobranças das vendas.

As despesas são itens que reduzem o patrimônio e que têm a característica de representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas. Em outras palavras, precisamos gastar para receber? Sim, e a mesma coisa se aplica em nossas finanças pessoais. Para ganharmos o nosso salário, precisamos gastar com deslocamento até o nosso trabalho, comprar roupas adequadas para trabalharmos na empresa. Enfim, para ganharmos o salário, temos gastos.
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Contabilidade de Custos Da mesma forma, todas as empresas possuem despesas que são decorrentes da geração de receitas, enquanto os gastos decorrentes da produção de bens e serviços são chamados de custos. Vamos agora imaginar um equipamento que está sendo utilizado na fábrica para a produção de um produto. Quando a empresa compra esse equipamento, inicialmente ele é considerado um investimento, com o seu uso ocorre a depreciação que passa a ser custo indireto de fabricação. Os gastos provenientes do desgaste desse equipamento utilizado na fábrica, chamado de depreciação, são considerados custos. E a depreciação dos equipamentos utilizados na área administrativa da empresa é considerada despesa. Porém, existem gastos que em alguns casos não se transformam em despesas. Como exemplo, o terreno que não é depreciado ou que se transforma em recursos de caixa somente quando efetivar a sua própria venda. Neste caso, o terreno é um imobilizado da empresa, mas que pode sofrer valorização ou não durante o decorrer do tempo. Pode ocorrer sim a desvalorização do terreno, mas são raros os casos, possivelmente em casos de substancial comprovação de ocorrência de cheias ou deslizamentos.

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OBSERVE:
DEPRECIAÇÃO  São os gastos com o uso do bem. Ao utilizar um bem, se acaba gastando seu potencial tecnológico e perdendo valor ao longo de um determinado tempo. Recorde o seguinte! Vimos que a comissão do vendedor e os impostos gerados pelas vendas dos produtos da empresa são gastos que se tornam imediatamente despesas (pois incidem assim que faturar esses produtos). Então, vejamos! Um computador é considerado um investimento no momento da aquisição; quando for efetivado o seu pagamento, é considerado um desembolso; no momento do registro da nota fiscal, é considerado um investimento permanente (imobilizado); a sua depreciação e a sua manutenção são consideradas despesas.
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ATENÇÃO:
DESPESA  É a valorização monetária do consumo de recursos realizado para a obtenção de receitas ou de algum benefício. As despesas estão relacionadas com a administração e a comercialização. É um bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas e não está relacionada à produção. Agora vamos estudar o que são os investimentos.

5 INVESTIMENTOS
O investimento que uma empresa realiza consiste em tudo o que é necessário para o desenvolvimento das atividades. Por exemplo: uma indústria necessita de materiais e máquinas. Os materiais são classificados temporariamente como investimentos circulantes, pois serão consumidos no processo produtivo (estão localizados nos estoques da empresa), e as máquinas são classificadas como investimentos permanentes (no ativo imobilizado), pois se restringem ao uso na transformação dos materiais para o produto final. Os terrenos e prédios adquiridos também são considerados investimentos. Martins (2000, p. 25) afirma que investimento é o “[...] gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s)”. São todos os sacrifícios de aquisição de bens ou serviços (gastos) que são estocados no ativo da empresa para baixa quando da sua venda, ou do seu consumo, ou da sua desvalorização.

ATENÇÃO:
INVESTIMENTO  É o gasto que a empresa realiza na compra de um bem ou na obtenção e posse de um direito que vai gerar benefícios no futuro e que não será totalmente consumido ou utilizado em um período ou em um exercício. No caso dos estoques, o investimento é considerado circulante, pois consumo ocorre no momento da produção. Os investimentos são considerados como custos ou despesas à medida que a empresa usa ou consome gradativamente esses bens ou direitos. Exemplo: depreciação dos equipamentos e requisição de material em estoque.
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Contabilidade de Custos Agora que vimos a diferença entre custo e despesa e investimentos, vamos ver o que são os gastos.

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6 GASTOS
Caro(a) acadêmico(a)! Como podemos definir os gastos? Os gastos podem ser aplicados em todos os bens e serviços adquiridos, não importando a forma de pagamento, seja com matéria-prima, material de expediente, máquinas, veículos ou contratação de serviços em geral. Eles podem ser aplicados tanto na produção como na área administrativa e de vendas. Para que possamos compreender melhor este assunto, o autor de várias obras na área de contabilidade de custos Martins (2000) alega que o gasto é a compra de um produto ou serviço qualquer que gera sacrifício financeiro (desembolso), sendo representado pela entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro).
Então, gasto é o primeiro ato que antecede a despesa, o custo e o imobilizado. Este conceito é amplo e se aplica a todas as variações monetárias (saídas), sendo aplicável também em aquisições com pagamento a prazo. Existe o GASTO referente à compra de matéria-prima, à mão de obra na produção e na distribuição, aos honorários da diretoria, à compra de um bem imobilizado, dentre outros.

Mas, quando ocorre o gasto? O gasto só existe no ato da passagem do bem ou serviço para a propriedade da empresa. Ele se efetiva no momento em que existe o reconhecimento contábil da dívida assumida ou da redução do ativo efetuado em pagamento, que pode ser caracterizado como a redução do saldo do dinheiro em caixa, do saldo da conta banco, dentre outras formas.

ATENÇÃO:
GASTO  É o sacrifício, normalmente em moeda, que a entidade faz para a obtenção de um produto ou serviço. Pode ser a entrega de numerário ou assumir um compromisso para pagar em data posterior.
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7 ASPECTOS COMPORTAMENTAIS DOS CUSTOS E DESPESAS
Neste item, caro(a) acadêmico(a), vamos estudar os aspectos comportamentais dos custos e despesas. É importante saber que os custos podem ser classificados de diversas formas conforme o tipo de gasto existente. Os aspectos comportamentais dos custos dizem respeito a essa classificação que, dependendo da sua finalidade, podem ser identificados como custos diretos ou variáveis e custos indiretos ou fixos. Vamos começar entendendo o que significam os custos diretos? Tente imaginar alguém produzindo um pão na sua casa. Leia a receita e veja qual a quantidade de materiais (trigo, fermento, água etc.) que deverão ser consumidos para produzir esse pão. Se você percebeu que é necessário uma quantidade “x” para produzir 1 (um) pão, então para produzir 10 pães, essa quantidade é multiplicada por 10. E assim por diante. Por isso, os custos são diretos quando são identificados e considerados diretamente no consumo e aplicação dos produtos, ou seja, quando têm sua composição consumida diretamente na criação ou produção de um novo bem. Vamos a um cálculo: Produção de um determinado produto: Matéria-prima Componente A Componente B Componente C Componente D Valor Total R$ 120,00 R$ 125,00 R$ 145,00 R$ 174,00 TOTAL Quantidade 0,2 0,8 0,9 1,5 Valor Custo R$ 24,00

R$ 100,00 R$ 130,50 R$ 261,00 R$ 515,50

Observe que no quadro acima há uma lista de componentes de matériaprima que estão sendo consumidos para fabricar uma unidade do produto, e esses componentes possuem uma determinada quantidade de consumo. A
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Contabilidade de Custos multiplicação das quantidades pelo valor nos apresenta o valor final do custo, que, neste exemplo, é R$ 515,50 de custos diretos. Então, se uma unidade do produto custa R$ 515,50, para a produção de 10.000 unidades teríamos como custo direto gasto o valor de R$ 515,50 x 10.000 unidades = 5.155.000,00 E os custos indiretos? Os custos podem ser indiretos quando, mesmo sendo identificados no processo industrial, no processo de produção não têm uma relação direta com esse processo de fabricação e transformação da matéria-prima. Desta maneira, não fazem parte da composição do produto final, mas fazem parte do processo industrial. Podemos dizer que os custos existem e são necessários para a fábrica funcionar, mas não farão parte do componente final. Por exemplo, na depreciação, o uso da máquina provoca um desgaste, mas não existe um “pedaço” da máquina que compõe o produto final. Outros exemplos de custos indiretos podem ser:
 Aluguel do galpão da fábrica.  Telefone utilizado na supervisão industrial. 

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Salário do supervisor industrial.

Os custos indiretos não são apurados de acordo com o volume de produção. Então, como são apurados? São apurados de acordo com o valor total gasto em um determinado período. Vejamos os exemplos: Componentes Indiretos Depreciação Aluguel do Galpão da Fábrica Telefone (Supervisão Industrial) Salário (Supervisor Industrial) TOTAL Valor mês R$ 30.000,00 R$ 10.000,00 R$ 1.000,00 R$ 12.000,00 R$ 53.000,00

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Ciências Contábeis Isso quer dizer que os custos indiretos não são reconhecidos pelo seu consumo, mas sim pelo período de utilização. De acordo com as definições sobre os custos diretos e indiretos, então poderíamos afirmar que os custos diretos são variáveis, já que são determinados conforme o volume de produção, e os indiretos são fixos, uma vez que os valores não mudarão em um determinado período de utilização conforme o volume de produção? Sim, é essa a relação. Além dos gastos diretos e indiretos, existe o comportamento dos custos em variáveis e fixos. Consideram-se custos variáveis aqueles gastos que dependem do volume de produção. Quanto mais a empresa produz, mais componentes de matéria-prima deverão ser consumidos. Podemos dizer que, se para produzir uma unidade de determinado produto, são consumidos R$ 515,50 em matériaprima e demais componentes diretos; então para produzir 10.000 unidades do mesmo tipo de produto, gastar-se-ão em valor de matéria-prima e demais componentes o equivalente a R$ 5.155.000,00. E se produzirmos 11.000 unidades, os custos diretos serão de R$ 5.670.500,00 e assim por diante. Desta forma, os custos variáveis têm relação direta com o processo industrial. Os custos fixos, por outro lado, não variam de acordo com o volume de produção. Imagine que uma empresa possui os gastos conforme vimos no exemplo anterior. Esses gastos fixos são de R$ 53.000,00 e com a produção de 10.000 unidades o valor unitário dos gastos fixos são de R$ 5,30. Mas, se a produção for de 11.000 unidades, o valor do custo fixo será de 4,82, ou seja, quanto maior a produção, menor será o valor do custo unitário. Desta forma, os custos indiretos são fixos durante o determinado período de análise, mas serão melhor ou pior absorvidos se houver mais ou menos produção na empresa. Isso acontece justamente por ser um valor fixo e ser distribuído por rateio. Nas atividades de departamentos que possuem relação apenas com as atividades de controle e gerenciamento da produção, existirão gastos que independem da existência de produção ou não. Por essa característica comportamental, eles são tratados como custos fixos. Depois de entendermos cada conceito separadamente dos custos diretos, indiretos, variáveis e fixos, é importante enfatizarmos que os custos diretos sempre serão variáveis, pois os componentes para a fabricação de um determinado produto terá seu consumo aumentado, se forem aumentados os volumes de produção. Como os custos indiretos não têm relação com o consumo na fabricação do produto, então, eles também não estão relacionados com o volume de produção (como é o caso do aluguel do galpão da fábrica,

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Contabilidade de Custos que tem seu pagamento mensal) e, por isso, são sempre fixos (pago por um determinado período e não pelo seu volume de produção).

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LEMBRE-SE
Custo direto é sempre variável. Custo indireto é sempre fixo. Caro(a) acadêmico(a), agora que vimos as diferenças básicas entre custos diretos e indiretos, variáveis e fixos, vamos estudar de forma mais aprofundada cada uma delas, enfatizando que as despesas também são classificadas em diretas-variáveis e indiretas-fixas.

7.1 CUSTOS DIRETOS OU VARIÁVEIS
Em síntese, conforme já vimos anteriormente, os custos diretos ou variáveis são aqueles que mantêm sua relação direta com o volume de produção ou serviço. Isto é, quanto maior o volume de produção da empresa, maior serão os seus custos de produção. Esse tipo de custo pode ser facilmente quantificado e identificado aos produtos ou serviços e valorizado com relativa facilidade, não necessitando de critérios de rateios para serem alocados aos produtos. Entende-se que são todos os materiais utilizados no processo de transformação para a obtenção de um produto novo. O autor Crepaldi (1998, p. 59) enfatiza que os custos diretos:
São os que podem ser diretamente (sem rateio) apropriados aos produtos, bastando existir uma medida de consumo (quilos, horas de mão de obra ou de máquina, quantidade de força consumida etc). Em geral, identificam-se com os produtos e variam proporcionalmente à quantidade produzida. São aqueles que podem ser apropriados diretamente aos produtos fabricados, porque há uma medida objetiva de seu consumo de fabricação.

É possível, então, afirmar que o material direto é um dos fatores principais na formação do custo do produto? Sim.

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Ciências Contábeis Sem esses custos não haveria a produção. O material ou matéria-prima é o único elemento concreto que pode ser fisicamente reconhecido no produto acabado, uma vez que todos os demais custos (mão de obra direta e gastos indiretos) são alocados neste produto apenas como componentes financeiros.

7.1.1 Principais características dos custos diretos ou variáveis
As principais características dos custos diretos ou variáveis em um processo industrial são as seguintes:

Seu valor total varia na proporção direta do volume de produção. Se utilizar 100 gramas para cada unidade produzida, simulando com 10 unidades em produção, o consumo será de 1.000 gramas ou 1 quilo de matéria-prima para esse produto. O valor é constante por unidade produzida independente da quantidade produzida. O custo de 100 unidades de peso (gramas ou quilos) para cada unidade produzida será sempre o mesmo por unidade, independente de quantas unidades forem produzidas. Exemplificando: Se um produto consome R$ 50,00 de matéria-prima para cada unidade de produção e a empresa produz 100 unidades, o consumo total será de R$ 5.000,00, mas o custo por unidade de matéria-prima continuará em R$ 50,00. alocação dos produtos ou centros de custos é normalmente feita de forma direta, sem necessidade de utilização de critérios de rateios. Continuando no exemplo do consumo da matéria-prima, o custo das 100 unidades de matéria-prima será sempre calculado como uma unidade por produto finalizado.

 A

7.2 DESPESAS DIRETAS OU VARIÁVEIS
Além dos custos, também temos as despesas diretas ou variáveis. Mas, as despesas possuem apenas relação com os gastos operacionais. Essas despesas não possuem relação com a produção, mas sim com o volume de vendas. Contudo, é importante conhecer o que são as despesas diretas ou variáveis, apesar de não haver relação com o sistema de produção. Essas despesas podem ser facilmente quantificadas (identificadas em valor) e apropriadas em relação às receitas de vendas dos produtos e/ou venda de prestação de serviços. Em outras palavras, variam proporcionalmente ao volume das receitas. Exemplo: impostos e comissões sobre as vendas, fretes e

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Contabilidade de Custos seguros. Quanto mais a empresa vende, mais impostos terá para recolher, mais seguros sobre o transporte de produtos e mais fretes de distribuição.

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7.3 CUSTOS INDIRETOS OU FIXOS
Já vimos anteriormente os tipos de custos existentes. Agora, para facilitar a compreensão, vamos aprofundar um pouco mais sobre os custos indiretos ou fixos. São aqueles custos que permanecem constantes em determinada capacidade instalada de produção, independente do volume de produção. Consequentemente, não são identificados como custos de produção do período, mas como custos de um período de produção.

O custo de um período de produção pode ser a depreciação de uma máquina industrial ou o salário da administração da fábrica. Isso quer dizer que esses dois tipos de custos existirão na empresa, havendo ou não produção durante o mesmo período. Por esse motivo, ele se chama fixo (sempre vai existir) e indireto (pois não é aplicado diretamente no produto).

Como esse tipo de custo não é identificável ao produto, não há uma medida objetiva de consumo, existindo a necessidade de distribuir o custo através de rateio, que é, na maioria das vezes, decisão arbitrária. São exemplos de custos indiretos: o aluguel, o material de consumo geral da fábrica e o salário dos encarregados. Conforme Crepaldi (1998, p. 59), os custos fixos ou indiretos “são os que para serem incorporados aos produtos, necessitam da utilização de algum critério de rateio” ou distribuição para sua alocação aos produtos, pois não podem ser apropriados de forma direta nas unidades específicas, ordens de serviços ou produtos e serviços executados.

7.3.1 Principais características dos custos indiretos ou fixos
Vamos verificar as principais características dos custos fixos ou indiretos, que são as seguintes:

 valor total permanece constante dentro de determinado intervalo de O
volume de produção, ou seja, igual. Se a produção for zero, o gasto existe, se a produção for 1.000 unidades, o valor do gasto continuará sendo o mesmo, pois não depende do volume de produção.

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Ciências Contábeis

 O valor por unidade produzida varia à medida da variação no volume de
produção, por se tratar de um valor fixo total diluído por uma quantidade maior ou menor de produção. Supondo que os custos fixos ou indiretos totalizam R$ 10.000,00 e, em um determinado período, a empresa produz 1.000 unidades, o custo fixo ou indireto unitário será de R$ 10,00, mas se no próximo período a empresa produzir 900 unidades, o custo indireto unitário será de R$ 11,11. Em outras palavras, o valor do custo fixo ou indireto por unidade será maior ou menor conforme o volume de produção. Então esses custos aumentam ou diminuem por unidade assim que houver mais ou menos volume de produção.

 alocação para os departamentos ou centros de custos necessita, na Sua
maioria das vezes, de critérios de rateios determinados pela administração. Essa alocação (critérios de rateio) pode ser efetuada de diversas formas. Vejamos dois exemplos: podemos dividir o valor da fatura da água pelo número de colaboradores e o valor da fatura da internet pela quantidade de usuários. Esses critérios devem ser definidos pela administração e variam de uma empresa para outra, procurando-se utilizar o que melhor se adapta para a realidade da empresa.

7.4 DESPESAS INDIRETAS OU FIXAS
É importante conhecermos o que são as despesas indiretas ou fixas, apesar de não haver relação com o sistema de produção, pois são aquelas despesas que permanecem constantes dentro de determinada faixa de atividades geradoras de receitas, independente do volume de vendas de produtos da empresa industrial. São, portanto, os gastos que não podem ser identificados precisamente com as receitas geradas. Geralmente são considerados como despesas do período e não são distribuídos por tipo de receita. Podemos citar como exemplo as despesas administrativas, as despesas financeiras e outras despesas como, imposto de renda, contribuição social, aluguéis, seguros, salários e encargos sociais, alimentação, transporte, telefone e internet.

8 MÉTODOS DE CUSTEIO
Caro(a) acadêmico(a)! Vimos até agora o que são os custos e as despesas. Mas, como podemos apurar os custos dos produtos? Existe alguma ferramenta que diga ou mostre que os custos de um determinado produto
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Contabilidade de Custos são “x” ou “y” valor? Para tanto, vamos identificar aqui quais são os sistemas de custeio existentes. Sabe-se que cada país possui o seu sistema de custeio com base em critérios legais próprios existentes. No Brasil existe apenas 1 (um) método de custeio que é aceito, chamado de sistema de custeio por absorção. Primeiramente, vamos definir o que é um sistema de custeio. Um sistema de custeio estabelece critérios para que, de acordo com o sistema adotado, determinados gastos possam ou não fazer parte dos custos de produção. Assim, é preciso que o gestor interessado nas informações fornecidas pela Contabilidade de Custos considere qual é o sistema de custeio adotado pela empresa e quais os efeitos sobre a composição dos custos de produção. E, principalmente, obedecer aos critérios legais para o cumprimento fiscal.

19

ANOTE!!!
Então, CUSTEIO significa método de aplicação dos custos.

E o que dizem os autores sobre esse assunto? Vamos investigar na obra de Martins (2000, p. 41) o qual destaca que os custeios mais difundidos na literatura especializada são os seguintes: “[...] Custeio por Absorção, Custeio Direto, Custeio Padrão, ABC, RKW etc”. Embora existam outros, aqui abordaremos especificamente dois tipos de sistemas de custeio, que são os dois modelos principais utilizados no mercado brasileiro: o sistema de custeio direto e o sistema de custeio por absorção.

LEMBRE-SE
O sistema de custeio direto é utilizado apenas para fins gerenciais como o cálculo do ponto de equilíbrio e da margem de contribuição. O sistema de custeio por absorção é o que as empresas estabelecidas em território brasileiro precisam utilizar para cumprir as normas legais.

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Ciências Contábeis Bem, agora que já estudamos todas as bases que envolvem os custos, vamos estudar como funciona o método de custeio por absorção e, em seguida, como funciona o método de custeio direto.

8.1 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO 8.1.1 Aspectos conceituais
Olá, caro(a) acadêmico(a)! Iniciaremos pelo sistema de custeio por absorção que possui uma sistemática diferente do sistema de custeio variável ou direto para a apuração dos custos. Vamos analisar suas particularidades. O sistema de custeio por absorção pressupõe que tanto os custos diretos utilizados no processo industrial de produção como os custos e as despesas indiretas ou fixas, também utilizadas no processo de produção, são incluídos nos estoques e nos custos dos produtos vendidos. Então, este método ainda que, quando a empresa opera no volume normal de produção, considera os custos indiretos de produção como custeio do produto. Este sistema consiste em apropriar todos os custos de produção - e somente estes - aos bens elaborados. Assim, todos os gastos obtidos com o esforço de fabricação são distribuídos a todos os produtos feitos. Veja o que dizem os autores Beulke e Bertó (2005, p. 32) sobre esse assunto: “[...] esse sistema de custeio se caracteriza pela apropriação de todos os custos aos produtos (tanto variáveis como fixos, ou então tanto diretos como indiretos)”.

NOTA!
Entende-se que o sistema de custeio por absorção é a apropriação dos produtos elaborados pela empresa, incluindo todos os custos envolvidos no processo de fabricação, quer estejam diretamente vinculados ao produto, quer se refiram à tarefa de produção em geral, e somente podem ser destinados aos bens fabricados indiretamente, isto é, mediante rateio.

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Contabilidade de Custos E como funciona isso na prática? Vejamos! No sistema de custeio por absorção é como se a empresa estivesse separada em duas partes: a fábrica e a atividade comercial; é como se a atividade comercial vendesse os produtos que a fábrica produz por um determinado valor que cobrisse tudo o que ela tenha gasto para produzi-los. A totalidade desses custos é atribuída a todos os produtos e só será deslocado para despesas, afetando o resultado do período quando forem vendidos, ou seja, no CPV - Custos dos Produtos Vendidos. Assim, podemos separar o que são custos e despesas na empresa industrial. O ponto mais importante no sistema de custeio por absorção diz respeito aos custos fixos, visto que estes não sofrem variação em razão do volume da produção. No período de um mês (30 dias), os gastos fixos serão os mesmos, independente do volume de produção realizado.

21

Relembre alguns exemplos de gastos indiretos ou fixos em uma empresa industrial, que são os seguintes:

 Depreciação das máquinas e equipamentos: é o mesmo valor identificado
para cada mês em cada tipo de equipamento, pois mesmo que essas máquinas e equipamentos não sejam utilizados em um determinado período, sofrerão o desgaste tecnológico.

 Aluguel de prédio ou galpão: o valor do aluguel é determinado por
contrato, e é pago por valor fixo em um período, geralmente de 30 dias.

 Salário da supervisão da fábrica: o salário mensal que o supervisor da
fábrica recebe não modifica em função do volume de produção.

Para ratear (distribuir) esses custos, a empresa deve adotar alguns critérios, como: - Rateio por horas trabalhadas. - Rateio por volume de produção. - Rateio por distribuição física na fábrica. E isso deve ir de acordo com as necessidades e realidade da empresa.

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Ciências Contábeis

8.1.2 Metodologia de apresentação do sistema de custeio por absorção
Se você chegou com facilidade até este ponto, significa que podemos apresentar a metodologia da apropriação dos custos diretos e indiretos para o estoque de produtos prontos da empresa, e reconhecer o impacto dos mesmos no resultado da empresa na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. Observe na figura a seguir como os custos dos produtos e os gastos indiretos ou fixos e diretos ou variáveis são apresentados:
FIGURA 3 – FLUXOGRAMA DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO
FLUXOGRAMA DO SISTEMA CUSTEIO POR ABSORÇÃO

FONTE: O autor

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Contabilidade de Custos Como isso se apresenta na demonstração do resultado? Que efeitos isso trará para a empresa? De acordo com o sistema de custeio por absorção, a demonstração de resultado da empresa se apresenta da seguinte forma: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO
 + Receita de Vendas  - ) Custo do Produto Vendido (  = RESULTADO BRUTO  - ) Custo Fixo de Produção (  - ) Despesas Administrativas (  - ) Despesas de Vendas (  = RESULTADO DO PERÍODO

23

Pelo sistema de custeio por absorção, os custos dos produtos vendidos, os estoques finais de produtos em elaboração e os produtos acabados compreendem todos os custos de produção, fixos ou variáveis. Repetindo, aqui se aplica e se identifica somente os CUSTOS DE PRODUÇÃO. Veja que aqui praticamente “sumiram” as contas de despesas diretas/ variáveis de vendas e a margem de contribuição. Essa separação neste tipo de grupo de contas atende o método de custeio direto, que vamos ver mais adiante. Observe que existe apenas a conta do CPV - Custo dos Produtos Vendidos ou CMV - Custo de Mercadorias Vendidas, como alguns autores preferem e, em seguida, as Receitas de Vendas. Este sistema de custeio atende aos princípios fundamentais de contabilidade e é aceito pelas autoridades fiscais. Portanto, a sua utilização está amplamente amparada pela legislação. Bem, caro(a) acadêmico(a)! É importante conhecer os pontos fortes e fracos deste sistema de custeio, pois existem as vantagens e as desvantagens. Para identificar os pontos fortes do sistema de custeio por absorção acreditamos que seja importante buscar apoio nas definições de alguns autores. Pontos fortes: É possível identificar algumas vantagens no sistema de custeio por absorção, que são as seguintes, conforme Leone (1996):
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 O

Ciências Contábeis sistema considera o total dos custos por produto, que aqui são demonstrados pelos custos fixos e variáveis. produtos em elaboração e os produtos acabados, mas somente se aplicam os inerentes ao setor produtivo.
 O

 sistema é utilizado para a formação dos estoques da empresa como os O

sistema permite apurar os custos por “centros de custos”, por departamentos, sendo possível identificar facilmente os valores dos gastos por departamentos da empresa.

 sistema é adotado pela legislação comercial e fiscal vigentes no Brasil. O

Pontos fracos: O sistema de custeio por absorção possui algumas desvantagens, os chamados pontos fracos. Vamos buscar a contribuição de Leone (1996) para ajudar a esclarecer esse assunto, como demonstrado a seguir:
 Poderá

elevar artificialmente os custos de alguns produtos, pois com o critério de absorção utilizado de forma arbitrária, alguns custos indiretos ou fixos, podem estar sendo alocados (distribuídos) “injustamente” aos custos dos produtos. contribui os departamentos indiretos de produção para a formação dos custos dos produtos e qual é sua participação para a sua real formação.

 evidencia a capacidade ociosa da entidade. Não há como prever quanto Não

 Apresenta pouca quantidade de informações para fins gerenciais.

A seguir, veremos de que forma é possível apropriar ou identificar os custos de produção.

8.1.3 Forma da apropriação dos custos por absorção
Vamos apurar os custos dos produtos pelo sistema de custeio por absorção em um determinado período de produção. Suponhamos que a empresa fabrique apenas um único produto e que tenha o volume de produção somado em 9.300 unidades, de acordo com os dados demonstrados no quadro a seguir:

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Contabilidade de Custos
QUADRO 1 − QUANTIDADE DE PRODUTOS EM PRODUÇÃO POR ANO

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Período (Ano) 1 ano 2 ano 3 ano 4 ano Total

Produção 3.000 2.100 2.200 2.000 9.300

Vendas 2.400 2.600 2.000 2.300 9.300

Estoque Final 600 100 300 -

FONTE: O autor

Agora, vamos identificar os custos diretos/variáveis na produção desses respectivos produtos, sendo que os dados constam no quadro a seguir:
QUADRO 2 – ESTRUTURA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

Custos Diretos-Variáveis Matéria-prima Materiais Auxiliares Energia Elétrica Mão de Obra Direta

R$ 30,00 unit. 16,00 unit. 4,00 unit. 20,00 unit. 70,00 unit.

Custos Indiretos-FixosMão de Obra Indireta Depreciação Manutenção Outros TOTAL
FONTE: O autor

R$ 95.000,00 20.000,00 2.100,00 8.900,00 126.000,00 ao ano

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Ciências Contábeis A empresa utiliza o método PEPS de avaliação de estoques e Custo dos Produtos Vendidos.

ANOTE!!!
O método de avaliação de estoques PEPS significa Primeiro a Entrar e Primeiro a Sair. De acordo com o quadro a seguir, o custo unitário do produto é apurado da seguinte forma:
QUADRO 3 − CUSTOS DO 1º PERÍODO (ANO)

R$ Custos Diretos Custos Indiretos Custos Totais R$ 210.000,00 R$ 126.000,00 R$ 336.000,00 3.000pç x R$ 70,00

Custo Unitário

R$ 336.000,00 Custo Total 3.000 unidades

Custo

R$

112,00 unitário CPV

Valor Unit 2.400 Total ESTOQUE FINAL Qtde 600 Total
FONTE: O autor

Valor Total R$ 268.800,00 Atual R$ 268.800,00

R$ 112,00

Valor R$ 112,00 R$ 67.200,00

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Contabilidade de Custos No quadro, observamos que os custos de produção somam o valor de R$ 336.000,00 (incluindo os custos fixos e variáveis), e o valor do CPV com 2.400 unidades vendidas é de R$ 268.800,00. O estoque final de produção permaneceu no valor de R$ 67.200,00. No próximo quadro, apuraremos os custos do 2º período, que se comportou da seguinte forma:
QUADRO 4 – CUSTOS DO 2º PERÍODO (ANO)

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R$ Custos Diretos Custos Indiretos Custos Totais R$ 147.000,00 R$ 126.000,00 2.100 pç x R$ 70,00 R$ 273.000,00

Custo Unitário

R$ 273.000,00 Custo Total 2.100 unidades

Custo

R$ 130,00 unitário CPV

Qtde 600 2.000 Total

Valor Unit R$ 112,00 R$ 130,00

Valor Total R$ 67.200,00 Anterior R$ 260.000,00 Atual R$ 327.200,00

ESTOQUE FINAL Qtde 100 Total
FONTE: O autor

Valor R$ 130,00 R$ 13.000,00

Como sobraram do primeiro período 600 unidades de produção que foram vendidas no segundo período, e foi produzida a quantidade de 2.100
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Ciências Contábeis unidades neste mesmo segundo período, o custo de produção desta vez passou para R$ 130,00, sendo que, no período anterior, era o valor de R$ 112,00. Assim, nesse quadro podemos observar que o valor dos custos de produção é R$ 273.000,00, incluindo os custos diretos/variáveis e indiretos/ fixos, e o valor do CPV com 2.600 unidades vendidas é R$ 327.200,00, sendo 600 unidades ao custo de R$ 112,00 do primeiro período e mais 2.000 unidades ao custo de R$ 130,00 do segundo período. O estoque final de produção permaneceu com 100 unidades ao valor de R$ 13.000,00.
QUADRO 5 − CUSTOS DO 3º PERÍODO (ANO)

R$ Custos Diretos Custos Indiretos Custos Totais R$ 154.000,00 R$ 126.000,00 2.200 pç x R$ 70,00 R$ 280.000,00

Custo Unitário

R$ 280.000,00 Custo Total 2.200 unidades

Custo

R$

127,27 unitário CPV

Qtde 100 1.900 Total

Valor Unit R$ 130,00 R$ 127,27

Valor Total R$ 13.000,00 Anterior R$ 241.818,18 Atual R$ 254.818,18

ESTOQUE FINAL Qtde 300 Total
FONTE: O autor
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Valor R$ 127,27 R$ 38.181,82

Contabilidade de Custos Nesse quadro 5 encontramos a mesma sistemática para a apuração dos custos, porém foram produzidas 2.200 unidades e vendidas 2.000 unidades (100 unidades do saldo do segundo período e mais 1.900 unidades produzidas no terceiro período). Portanto, ainda sobraram 300 unidades em estoques. Podemos observar que no terceiro período o custo de produção é R$ 127,27, porque conseguimos diluir/ratear em um maior número de produtos os valores dos custos indiretos do período que é R$ 126.000,00. O CPV comportou-se da seguinte forma: 100 unidades que sobraram do estoque do segundo período no valor de R$ 130,00 por unidade e mais 1.900 unidades da produção do terceiro período no valor unitário de R$ 127,27, que totalizaram o valor de R$ 254.818,18. O estoque final de produção permaneceu em 300 unidades no valor de R$ 38.181,82.
QUADRO 6 – CUSTOS DO 4º PERÍODO (ANO)

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R$ Custos Diretos Custos Indiretos Custos Totais Custo Unitário R$ 140.000,00 R$ 126.000,00 2.000 pç x R$ 70,00 R$ 266.000,00 R$ 266.000,00 Custo Total 2.000 unidades Custo R$ 133,00 unitário

CPV Qtde 300 2.000 Total ESTOQUE FINAL Qtde Total
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Valor Unit R$ 127,27 R$ 133,00

Valor Total R$ 38.181,82 Anterior R$ 266.000,00 Atual R$ 304.181,82

Valor R$ R$ -

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Ciências Contábeis Neste quarto período, praticamente zeramos as quantidades em estoques para facilitar a confrontação dos resultados finais. Vejamos, a seguir, como se comportou a demonstração do resultado do período para o sistema de custeio por absorção. Aplicando um preço unitário de venda de R$ 150,00, a empresa obteve os seguintes resultados:
QUADRO 7 − APURAÇÃO DO RESULTADO
CUSTEIO ABSORÇÃO Quantidade Vendida Preço Unitário de Vendas Vendas (-) C.P .V. Lucro Estoque Final - Quantidade
Estoque Final - Valor

1º ano 2.400

2ºano 2.600

3º ano 2.000

4ºano 2.300

Total R$

R$ 150,00
R$ 60.000,00
R$ (268.800,00)

R$ 150,00
R$ 390.000,00
R$ (327.200,00)

R$ 150,00

R$ 150,00

R$ 300.000,00 R$ 345.000,00 R$ 1.395.000,00
R$ (254.818,18) R$ (304.181,82) R$ (1.155.000,00)

R$91.200,00 600
R$ 67.200,00

R$62.800,00 100
R$ 13.000,00

R$ 45.181,82 300
R$ 38.181,82

R$40.818,18 R$ -

R$ 240.000,00

FONTE: O autor

8.2 MÉTODO DE CUSTEIO DIRETO OU VARIÁVEL
Caro(a) acadêmico(a), vamos neste item estudar o que é e para que serve o método de custeio direto. Neste método, serão estudados os aspectos conceituais, a metodologia de apresentação do sistema de custeio direto ou variável, a forma de apropriação dos custos variáveis, a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio.

8.2.1 Aspectos conceituais
O sistema de custeio direto ou variável parte do pressuposto que é possível separar os custos em indiretos/fixos e diretos/variáveis. Então, todos os custos variáveis são incluídos no custo do produto e,
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Contabilidade de Custos por sua vez, os fixos são considerados despesas do período e não fazem parte do custo do produto. Os custos e as despesas indiretas ou fixas não devem ser incluídos no estoque e no custo dos produtos vendidos. Eles são considerados despesas do período e lançados diretamente na demonstração de resultados, qualquer que seja o volume de atividade da empresa. Para a produção, são considerados apenas os gastos variáveis, tais como: ∙ matéria-prima; ∙ mão de obra direta de fábrica; ∙ energia elétrica das máquinas industriais; ∙ gastos com comissões de vendedores; ∙ gastos variáveis das vendas dentre outros.

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ANOTE!!!
Os gastos com comissões de vendedores e os gastos variáveis das vendas são na realidade gastos que não estão relacionados com a produção, porque as vendas não estão relacionadas com a produção. O setor de vendas é considerado um departamento de apoio na empresa e não é produtivo. O custeio direto tem um impacto diferente sobre os lucros, se comparado ao custeio por absorção, porque nele os gastos fixos de fabricação são interpretados como custos periódicos debitados imediatamente da receita, e não como custos do produto, aplicados às unidades produzidas. Observe, caro(a) acadêmico(a), que este método de custeio não é aceito para fins fiscais de acordo com a legislação brasileira e, por isso serve apenas para fins gerenciais. Gerenciais em que sentido? Para identificarmos qual é a quantidade necessária que a empresa precisa produzir e vender para atender um determinado volume de produção de vendas, sem lucro. E isso se chama PONTO DE EQUILÍBRIO, que veremos mais adiante.

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Ciências Contábeis

8.2.2 Metodologia de apresentação do sistema de custeio direto ou variável
Caro(a) acadêmico(a)! Se você chegou com facilidade até este ponto, significa que podemos continuar nossa conversa no sentido de apresentar a metodologia da apropriação dos custos diretos ou variáveis. Na figura a seguir, você poderá observar que os custos dos produtos e as despesas de vendas se apresentam da seguinte forma:
FIGURA 4 – FLUXOGRAMA DE CUSTEIO DIRETO
FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE CUSTEIO VARIÁVEL (DIRETO)

FONTE: O autor

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Contabilidade de Custos Observe que a demonstração de resultado da empresa se apresenta da seguinte forma: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO
 + Receita de Vendas  - ) Despesa Variável de Vendas (  - ) Custo do Produto Vendido (  MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO =  - ) Custo Fixo de Produção (  - ) Despesas Administrativas (  - ) Despesas Fixas de Vendas (  = RESULTADO DO PERÍODO

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Pelo sistema de custeio direto, os custos dos produtos vendidos, os estoques finais de produtos em elaboração e os produtos acabados conterão somente CUSTOS VARIÁVEIS DIRETOS.

IMPORTANTE
Os princípios contábeis e a legislação do Imposto de Renda determinam a utilização do custeio por absorção. Assim, o custeio direto é adotado para fins gerenciais e processos decisórios, pois permite a produção de informações importantes como a MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO e o PONTO DE EQUILÍBRIO.

É importante também estudar os pontos fortes e fracos, pois neste sistema de custeio também existem as vantagens e as desvantagens. Acreditamos que seja importante buscar apoio nas definições de alguns autores. Vamos lá?

Pontos fortes: É possível identificar algumas vantagens no sistema de custeio direto que, conforme Leone (1996), são as seguintes:
 custo fixo independe do processo fabril e por não ser alocado ao custo O

do produto não precisa de maiores cálculos para rateio aos produtos. Esses

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Ciências Contábeis custos fixos são reconhecidos na demonstração do resultado do período.
 Os

dados necessários para análise da relação custo/lucro/volume são rapidamente obtidos. sistema evita manipulações nos valores apurados dos custos. Não há como “jogar” mais ou menos valores de custos aos produtos.

 fato de não ocorrer critério de rateio de custos fixos aos produtos, o Pelo

 sistema fornece subsídios para o cálculo do ponto de equilíbrio (voltamos O

a lembrar que o ponto de equilíbrio será estudado mais adiante).
 sistema possui enfoque gerencial, pois podemos identificar com facilidade O

o volume mínimo necessário que a empresa pode e deve produzir para cobrir todos os gastos de produção e gerais.
 O

sistema identifica o número de unidades que a empresa necessita produzir e comercializar para saldar seus compromissos de caixa. técnicas torna-se mais fácil apurar os padrões de consumo na produção de cada item, e com o orçamento flexível, pois a cada momento de maior ou menor demanda de produção, existe a possibilidade de revisar todos os custos necessários para um novo cenário econômico.

 sistema é totalmente integrado com o custo padrão, pois com as fichas O

Pontos fracos: É possível identificar as seguintes desvantagens que o sistema de custeio variável pode apresentar conforme segue:
 custo variável não é aceito pela auditoria externa das entidades que O têm capital aberto, pela legislação do Imposto de Renda e por uma parcela significativa de contadores. A razão disto é que o custeio variável fere os princípios fundamentais de contabilidade, em especial os princípios de realização da receita, da confrontação e da competência (este princípio você conhecerá ou já conheceu na disciplina de Contabilidade).  valor do estoque não mantém relação com o custo total e, isoladamente, O

não se aplica para formação do preço de venda. Para isso é necessário englobar todos os custos e isto não ocorre com este sistema de custeio.
 A

fixação do preço de venda não é baseada no custo direto. No custeio

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Contabilidade de Custos por absorção a situação é a mesma, pois o custo total de fabricação também ignora certos gastos, como os administrativos. Além disso, há evidências que a demanda do consumidor e o comportamento da concorrência são fatores que possuem maior influência sobre os preços do que sobre os custos. Esse tipo de evidência aumenta quando se fala em preço baseado no mercado.
 há um único custo unitário que possa ser usado como guia ou como Não referência, enquanto o volume for variável.  o processo de tomada de decisão ser mais efetivo, o custeio direto Para

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exige a participação de pessoas mais qualificadas do que no custeio por absorção. Existe a necessidade de identificar criteriosamente “quanto” de gastos variáveis de vendas é incorporado aos produtos, ou seja, qual é a participação das vendas com essa produção. Agora, vamos estudar a forma de apropriar os custos variáveis apresentando um exemplo com a apuração de valores.

8.2.3 Forma da apropriação dos custos diretos/variáveis
Neste tópico, serão apurados os custos variáveis em um determinado período de produção. Suponhamos que a empresa fabrique apenas um único produto e que tenha os seguintes volumes de produção, de vendas e custos necessários para a fabricação:
QUADRO 8 – QUANTIDADE DE DADOS SOBRE PRODUÇÃO POR ANO

Período (Ano) 1 ano 2 ano 3 ano 4 ano Total

Produção 3.000 2.100 2.200 2.000 9.300

Vendas 2.400 2.600 2.000 2.300 9.300

Estoque Final 600 100 300 -

FONTE: O autor

Agora, vamos identificar os custos diretos na produção destes respectivos produtos conforme o quadro a seguir:

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Ciências Contábeis
QUADRO 9 – ESTRUTURA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

Custos Variáveis-Diretos Matéria-prima Materiais Auxiliares Energia Elétrica Mão de Obra Direta

R$ 30,00 16,00 4,00 20,00 70,00 unit. unit. unit. unit. unit.

Custos Fixos-Indiretos Mão de Obra Indireta Depreciação Manutenção Outros TOTAL

R$ 95.000,00 20.000,00 2.100,00 8.900,00 126.000,00
FONTE: O autor

ao ano

A empresa utiliza o método PEPS de avaliação de estoques e custo dos produtos vendidos.

ANOTE!!!
O Método de avaliação de estoques PEPS significa Primeiro a Entrar e Primeiro a Sair

De acordo com o quadro a seguir, o custo unitário do produto é apurado da seguinte forma:

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Contabilidade de Custos
QUADRO 10 – CUSTOS DO 1º PERÍODO (ANO)

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R$ Custos Diretos Custos Totais R$ 210.000,00 R$ 210.000,00 3.000pç x R$ 70,00

Custo Unitário

R$ 210.000,00 Custo Total 3.000 unidades

Custo

R$

70,00 unitário CPV

Valor Unit 2.400 Total R$ 70,00

Valor Total R$ 168.000,00 Atual R$ 168.000,00

ESTOQUE FINAL Qtde 600 Total
FONTE: O autor

Valor R$ 70,00 R$ 42.000,00

No quadro, observamos que os valores relacionados aos custos da produção totalizam R$ 210.000,00, mas o CPV com 2.400 unidades vendidas é de R$ 168.000,00. O estoque final de produção permaneceu com 600 unidades e no valor de R$ 42.000,00. No próximo quadro, vamos apurar os custos do segundo período que se comportou da seguinte forma

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Ciências Contábeis
QUADRO 11 − CUSTOS DO 2º PERÍODO (ANO)

R$ Custos Diretos Custos Totais R$ 147.000,00 R$ 147.000,00 2.100 pç x R$ 70,00

Custo Unitário

R$ 147.000,00 2.100

Custo Total unidades

Custo

R$

70,00 CPV

unitário

Qtde 600 2.000 Total

Valor Unit R$ 70,00 R$ 70,00

Valor Total R$ 42.000,00 Anterior R$ 140.000,00 Atual R$ 182.000,00

ESTOQUE FINAL Qtde 100 Total
FONTE: O autor

Valor R$ 70,00 R$ 7.000,00

Como sobraram do primeiro período 600 unidades de produção que foram vendidas no segundo período, e foi produzida a quantidade de 2.100 unidades no segundo período, o custo de produção é padrão. No próximo quadro, vamos apurar os custos do terceiro período que se comportou da seguinte forma:

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QUADRO 12 – CUSTOS DO 3º PERÍODO (ANO)

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R$ Custos Diretos Custos Totais R$ 154.000,00 R$ 154.000,00 2.200 pç x R$ 70,00

Custo Unitário

R$ 154.000,00 2.200

Custo Total unidades

Custo

R$

70,00 CPV

unitário

Qtde 100 1.900 Total ESTOQUE FINAL

Valor Unit R$ 70,00 R$ 70,00

Valor Total R$ 7.000,00 Anterior R$ 133.000,00 Atual R$ 140.000,00

Qtde 300 Total
FONTE: O autor

Valor R$ 70,00 R$ 21.000,00

No quadro anterior, encontramos a mesma sistemática para a apuração dos custos, porém foram produzidas 2.200 unidades e vendidas 2.000 unidades (100 unidades do saldo do segundo período e mais 1.900 unidades produzidas no terceiro período). Portanto, sobraram 300 unidades em estoques. É possível identificar que todos os custos variáveis dos produtos somam o valor de R$ 70,00 por unidade. No próximo quadro, vamos apurar os custos do quarto período que se comportou da seguinte forma:

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QUADRO 13 − CUSTOS DO 4º PERÍODO (ANO)

R$ Custos Diretos Custos Totais R$ 140.000,00 R$ 140.000,00 2.000 pç x R$ 70,00

Custo Unitário

R$ 140.000,00 Custo Total 2.000 unidades

Custo

R$ 70,00 unitário CPV

Qtde 300 2.000 Total

Valor Unit R$ 70,00 R$ 70,00

Valor Total R$ 21.000,00 Anterior R$ 140.000,00 Atual R$ 161.000,00

ESTOQUE FINAL Qtde Total
FONTE: O autor

Valor R$ R$ -

Neste quarto período, praticamente zeramos as quantidades em estoques para facilitar a confrontação dos resultados finais. Vejamos, a seguir, como se comportou a demonstração do resultado do período. Aplicando um preço unitário de venda em R$ 150,00, a empresa obteve os seguintes resultados:

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QUADRO 14 – APURAÇÃO DO RESULTADO
CUSTEIO DIRETO/ VARIÁVEL Quantidade Vendida Custo Unitário dos Produtos Preço Unitário de Vendas Vendas (-) C.P Direto/ .V. Variável Margem de Contribuição (-) Custos Indireto/Fixos Lucro Estoque Final Quantidade Estoque Final Valor 1º ano 2.400 R$ 70,00 R$ 150,00 2ºano 2.600 R$ 70,00 R$ 150,00 3º ano 2.000 R$ 70,00 R$ 150,00 R$ 300.000,00 4º ano 2.300 R$ 70,00 R$ 150,00 R$ 345.000,00 R$ 1.395.000,00 Total R$

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R$ 360.000,00 R$ 390.000,00

R$ (168.000,00) R$ (182.000,00) R$ (140.000,00) R$ (161.000,00) R$ (651.000,00) R$ 192.000,00 R$ 208.000,00 R$ 160.000,00 R$ 184.000,00 R$ 744.000,00

R$ (126.000,00) R$ (126.000,00) R$ (126.000,00) R$ (126.000,00) R$ (504.000,00) R$ 66.000,00 600 R$ 42.000,00 R$ 82.000,00 100 R$ 7.000,00 R$ 34.000,00 300 R$ 21.000,00 R$ 58.000,00 R$ 240.000,00

FONTE: O autor

Observe o comportamento dos custos e da formação dos resultados durante os períodos avaliados. Ao final, o valor e a quantidade em estoques é R$ 0,00 (ZERO), mas ocorreu uma distribuição de resultados diferente do ocorrido no sistema de custeio por absorção. Observe no quadro, um comparativo dos resultados entre as informações apuradas no item “Forma da apropriação dos custos variáveis” e as informações apuradas no item “Forma da apropriação dos custos por absorção”.

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Ciências Contábeis
QUADRO 15 − APURAÇÃO DO RESULTADO CUSTEIO DIRETO /VARIÁVEL X CUSTEIO POR ABSORÇÃO
CUSTEIO DIRETO/ VARIÁVEL Quantidade Vendida Custo Unitário dos Produtos Preço Unitário de Vendas Vendas (-) C.P Direto/ .V. Variável Margem de Contribuição (-) Custos Indireto/Fixos Lucro Estoque Final Quantidade Estoque Final Valor 1º ano 2.400 R$ 70,00 R$ 150,00 2º ano 2.600 R$ 70,00 R$ 150,00 3º ano 2.000 R$ 70,00 R$ 150,00 R$ 300.000,00 4º ano 2.300 R$70,00 R$ 150,00 R$ 345.000,00 R$ 1.395.000,00 Total R$

R$ 360.000,00 R$ 390.000,00

R$ (168.000,00) R$ (182.000,00) R$ (140.000,00) R$ (161.000,00) R$ (651.000,00) R$ 192.000,00 R$ 208.000,00 R$ 160.000,00 R$ 184.000,00 R$ 744.000,00

R$ (126.000,00) R$ (126.000,00) R$ (126.000,00) R$ (126.000,00) R$ (504.000,00) R$ 66.000,00 600 R$ 42.000,00 R$ 82.000,00 100 R$ 7.000,00 R$ 34.000,00 300 R$ 21.000,00 R$ 58.000,00 R$ R$ 240.000,00

CUSTEIO 1º ano 2º ano 3º ano 4º ano Total R$ ABSORÇÃO Quantidade 2.400 2.600 2.000 2.300 Vendida Preço Unitário R$ 150,00 R$ 150,00 R$ 150,00 R$ 150,00 de Vendas Vendas R$ 360.000,00 R$ 390.000,00 R$ 300.000,00 R$ 345.000,00 R$ 1.395.000,00 (-) C.P .V. R$ (268.800,00) R$ (327.200,00) R$ (254.818,18) R$ (304.181,82) R$ (1.155.000,00) Lucro R$ 91.200,00 R$ 62.800,00 R$ 45.181,82 R$ 40.818,18 R$ 240.000,00 Estoque Final 600 100 300 Quantidade Estoque Final R$ 67.200,00 R$ 13.000,00 R$ 38.181,82 R$ Valor

FONTE: O autor

Observe o comportamento dos custos e a formação dos resultados durante os períodos avaliados e o valor do estoque final. Comparando os dois sistemas de custeio, os resultados são diferentes no período apurado. A alocação dos custos e a formação do resultado variam de um sistema para o outro.

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ANOTE!!!
Existem outros tipos de critérios de rateios que envolvem as despesas indiretas como, o aluguel por metro quadrado e os materiais auxiliares, conforme o consumo da matéria-prima. O nível do detalhamento é realizado com base na necessidade de informação de cada gestor. Mas também é bom lembrar a seguinte situação.

LEMBRE-SE!!!
Sistema de Custeio Direto/Variável  Não é aceito pelo fisco brasileiro, mas é utilizado para fins gerenciais. Sistema de Custeio por Absorção  Aceito pela legislação fiscal brasileira. É de uso restrito para fins fiscais, pois critérios injustos de distribuição dos custos indiretos ou fixos por utilização arbitrária de rateio podem distorcer os valores dos custos finais dos produtos. Caro(a) acadêmico(a), vamos agora estudar o que é margem de contribuição.

8.2.4 Margem de contribuição
A margem de contribuição pode ser definida como sendo a diferença entre a receita, o custo e a despesa variável de cada produto. É o valor que cada unidade traz efetivamente à empresa como sobra entre a receita e o custo. Existem outras denominações, que são as seguintes: a contribuição para o lucro, contribuição para o custo fixo, saldo marginal, receita marginal e lucro marginal. A fórmula para o cálculo é a seguinte: MC = PREÇO DE VENDA - CUSTOS E DESPESAS VARIÁVEIS MC = Margem de Contribuição Objetivos da margem de contribuição:

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 Auxilia

Ciências Contábeis na tomada de decisões de que produtos merecem maior esforço de venda. os administradores a decidir se determinada linha de produção deve ser abandonada ou recuperada. descontos, campanhas publicitárias, prêmios sobre vendas, dentre outros.
 Identifica

 Auxilia

 Auxilia na avaliação de alternativas que se criam em relação à redução de preços,

o valor com o qual cada produto contribui na amortização dos gastos fixos e formação do lucro.

Este método só admite a apropriação dos custos variáveis na determinação do custo dos produtos, isto é, inclui os custos primários e os custos indiretos variáveis, sendo que os custos indiretos fixos são registrados como gastos do período em que o produto é fabricado. Os centros geradores de receitas precisam produzir o suficiente para manter os custos dos setores que não possuem receitas, mas executam atividades de apoio necessárias aos setores produtivos, além, é claro, da geração do lucro. A margem de contribuição também pode ser analisada em relação a cada produto comercializado, de modo que possamos avaliar a margem de contribuição individual, e também pode contribuir para a identificação do ponto de equilíbrio. Vamos continuar?

8.2.5 Ponto de equilíbrio
Caro(a) acadêmico(a)! Você já ouviu falar nesta ferramenta de gestão chamada ponto de equilíbrio? O ponto de equilíbrio é uma ferramenta utilizada para apurar os custos necessários à sobrevivência da empresa sem apresentar lucro ou prejuízo. Esse parâmetro determina o ponto em que o empreendimento equilibra seus custos com as receitas. É o resultado zero! A geração de lucros ocorrerá com as vendas adicionais após ter atingido o ponto de equilíbrio. Conforme apresentado por Megliorini (2001, p.151), “[...] qualquer produto cujo preço de venda seja superior aos seus custos e despesas variáveis, contribui primeiramente para a cobertura dos custos e despesas fixos e depois para o lucro”. Conforme exposto por Bornia (2002, p. 336), “o ponto de equilíbrio, ou ponto de ruptura, é o nível de vendas em que o lucro é nulo”. Vejamos um exemplo a seguir.
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Contabilidade de Custos Determinada empresa produz e vende 20 (vinte) unidades de determinado produto. Considerando os dados a seguir, podemos calcular o ponto de equilíbrio: Custos e despesas variáveis unitários: Custos e despesas fixos mensais: Preço de venda unitário O resultado será: Receita de Vendas (-) Custos de Despesas Variáveis: (=) Margem de Contribuição: (-) Custos e Despesas Fixos (=) Lucro Operacional R$ R$ R$ 5.000,00 50.000,00 9.000,00

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R$ R$ R$ R$ R$

180.000,00 100.000,00 80.000,00 50.000,00 30.000,00

É possível observar que a margem de contribuição de cada unidade é R$ 4.000,00 (quatro mil reais), (R$ 80.000,00 M.C / 20 Unidades). O valor resultante da margem de contribuição é superior aos custos e despesas fixos que é R$ 30.000,00 (trinta mil reais). Desta forma, são necessárias R$ 12,50 de margem de contribuição para cobrir os custos e despesas fixos (12,50 x R$ 4.000,00) e atingir o ponto de equilíbrio. A margem de contribuição das demais unidades comercializada é o lucro. Graficamente, a figura a seguir demonstra o ponto em que as receitas e os custos se cruzam, atingindo o Ponto de Equilíbrio (E). Do Ponto de Equilíbrio para baixo é prejuízo e acima é o Lucro.
FIGURA 5 – GRÁFICO DO PONTO DE EQUILÍBRIO

FONTE: O autor
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Ciências Contábeis Levando em consideração que cada empreendimento tem suas particularidades, o ponto de equilíbrio irá variar. Não é possível afirmar que determinado ponto de equilíbrio seja ideal. Ele deve ser o mais baixo possível - quanto menor for, maior será a segurança para que a empresa não entre na área de prejuízo. Para iniciar um empreendimento é necessário analisar o mercado em que a empresa atua. Conforme exposto por Warren, Reeve e Fess (2001, p.107):
Na maioria das empresas que vendem mais de um produto, cada produto é vendido por um preço. Além disso, os produtos sempre têm diferentes custos variáveis unitários e cada um deles contribui diferentemente para os lucros. Assim, o volume de vendas necessário ao ponto de equilíbrio ou para gerar um lucro-meta, para uma empresa que vende dois ou mais produtos, depende do mix de vendas.

O ponto de equilíbrio é um dos parâmetros mais importantes na avaliação da viabilidade de um empreendimento. Se a matéria-prima utilizada for produzida em safras esporádicas, mesmo que o ponto de equilíbrio seja baixo, o empreendimento pode ser inviável. Nesses casos, podemos dizer que o mesmo não é confiável e torna-se necessário utilizar dados que compreendem um ciclo completo de produção para encontrá-lo, e, assim obter confiança nos dados apresentados. Como já vimos, o ponto de equilíbrio busca igualar custos de despesas com receitas. Mas há estudos que desconsideram certos custos e despesas e acrescentam outros, tais como a depreciação. Nesse caso, seria suficiente definir tais condições na metodologia adotada para sua determinação. Alguns conceitos já estão consagrados e subdividem o ponto de equilíbrio em: Ponto de Equilíbrio Contábil. Ponto de Equilíbrio Econômico. Ponto de Equilíbrio Financeiro. De acordo com Megliorini (2001, p. 154), “o Ponto de Equilíbrio Contábil é aquele em que a margem de contribuição se torna capaz de cobrir todos os custos e despesas fixos de um período”. Este considera meramente os aspectos contábeis. Em se tratando de ponto de equilíbrio econômico, Megliorini (2001, p. 155) diz que este “diferencia-se do ponto de equilíbrio contábil ao considerar que, além de suportar os custos e despesas fixos, a margem de contribuição deve, também, cobrir o custo de oportunidade do capital investido na
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Contabilidade de Custos empresa”. Este custo de oportunidade pode ser um rendimento alternativo em condições normais de uma aplicação de recursos, considerando-se taxas de juros sem risco e taxas de risco do empreendimento. O mínimo que se espera é que o valor resultante do empreendimento seja superior ao da aplicação. Quanto ao ponto de equilíbrio financeiro, Bornia (2002, p. 79) afirma que este “[...] informa o quanto a empresa terá de vender para não ficar sem dinheiro e, consequentemente, ter de fazer empréstimos, prejudicando ainda mais os lucros”. Dessa forma, a margem de contribuição deverá suportar os custos e despesas fixos sem a depreciação, mas com as amortizações de empréstimos. Caro(a) acadêmico(a)! Com isso terminamos nossos estudos sobre Contabilidade de Custos. Aqui você estudou o que são os custos diretos ou variáveis, custos indiretos ou fixos e conheceu também os métodos de custeio por absorção e direto, lembrando que o primeiro serve para atender ao fisco brasileiro e o segundo para atender a fins gerenciais, como a apuração da Margem de Contribuição e o cálculo do Ponto de Equilíbrio. Abraços e Sucesso em seus estudos!

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AUTOATIVIDADE
1) Existem diferenças entre Custo e Despesa. Discorra um pouco sobre esses dois tipos de gastos. 2) Em uma empresa no ramo industrial, existem os Custos e as Despesas. Porém, há uma segregação entre elas que se chamam Diretos e Indiretos. Em sua opinião, o que são os Custos Diretos? 3) Cite alguns pontos forte do Sistema de Custeio por Absorção.

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REFERÊNCIAS
BEULKE, Rolando; BERTÓ, Dalvio José. Gestão de custos. São Paulo: Saraiva, 2005. BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas: São Paulo: Bookman, 2002. CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade gerencial: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 1998. LEONE, George S.G. Planejamento, implantação e controle. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1996. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2000. MEGLIORINI, Evandir. Custos. São Paulo: Makron Books, 2001. WARREN, Carl S.; REEVE, James M.; FESS, Philip E. Contabilidade gerencial. Tradução de Managerial accounting. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.

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GABARITO
1) Existem diferenças entre Custo e Despesa. Discorra um pouco sobre esses dois tipos de gastos. R: Os custos são os gastos que compõem um produto, e as despesas são todos os gastos necessários para a empresa obter receitas, são os esforços que a empresa tem para fazer a “máquina” girar. Então, CUSTOS  São os gastos para a empresa tem para criar ou fabricar os produtos. Enquanto, DESPESAS  São os gastos envolvidos no esforço para a geração de receitas. 2) Em uma empresa no ramo industrial, existem os Custos e as Despesas. Porém, há uma segregação entre elas que se chamam Diretos e Indiretos. Em sua opinião, o que são os Custos Diretos? R: Os custos são Diretos quando são identificados e considerados diretamente no consumo e aplicação dos produtos, ou seja, quando tem sua composição consumida diretamente na criação ou produção de um novo bem. 3) Cite alguns pontos forte do Sistema de Custeio por Absorção. R: É possível identificar algumas vantagens no sistema de custeio por absorção, que são as seguintes, conforme Leone (1996):
 O

sistema considera o total dos custos por produto, que aqui são demonstrados pelos custos fixos e variáveis. os produtos em elaboração e os produtos acabados, mas somente se aplicam os inerentes ao setor produtivo.

 sistema é utilizado para a formação dos estoques da empresa como O

 O

sistema permite apurar os custos por “centros de custos”, por departamentos, sendo possível identificar facilmente os valores dos gastos por departamentos da empresa. sistema é adotado pela legislação comercial e fiscal vigentes no Brasil.

 O

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