Dimensionamento de Vigas e Eixos

9.0 – Dimensionamento de eixos e vigas. 9.1 – Critérios de Resistência. No dimensionamento dos elementos de máquinas e estruturas, como os eixos e as vigas, vários são os critérios que podem ser utilizados para o estabelecimento de suas dimensões mínimas, compatíveis com as propriedades mecânicas dos materiais utilizados, obtidas nos ensaios em laboratório. Tais critérios surgem quando se busca a resposta à seguinte questão básica: - quando ocorrerá a ruína* do material da peça carregada? *(entendemos como “ruína” a deterioração do material, por ruptura, por plastificação, por
ser ultrapassado o limite de proporcionalidade, ou de escoamento etc, dependendo de seu uso).

Várias poderiam ser as hipóteses (teorias) para sustentar uma resposta a tal questão:
- a ruína ocorre quando a maior tensão normal presente ultrapassar o valor da tensão normal ocorrente quando da ruína do corpo de prova no ensaio de tração (ou compressão) do material; - a ruína ocorre quando a maior tensão tangencial presente ultrapassar o valor da tensão tangencial ocorrente quando da ruína do corpo de prova no ensaio do material correspondente; - a ruína ocorre quando a maior deformação longitudinal presente ultrapassar o valor da deformação longitudinal ocorrente quando da ruína do corpo de prova no ensaio do material; - a ruína ocorre quando a maior energia específica de distorção presente ultrapassar o valor da energia de distorção por unidade de volume ocorrente quando da ruptura do corpo de prova no ensaio do material. - outras...

Como se verá, não há resposta única, válida para qualquer situação: o critério que mais se coaduna com os resultados obtidos em laboratório dependerá do tipo do material e do tipo do carregamento. 9.2 – Teorias das Máximas Tensões. Válido para materiais frágeis (duros, quebradiços, que se rompem nos planos onde a tensão normal é extrema) é o critério da máxima tensão normal, segundo o qual haverá ruína quando, em certo ponto do corpo, a tensão principal ultrapassar o valor da tensão de ruína no ensaio uniaxial do material. Portanto, o dimensionamento, para um dado
CS, deve ser feito atendendo ao requisito (Critério de Coulomb):

½ (σx + σy) + √ [½ (σx - σy)] 2 + (τxy )2 < σlim/CS...(9.2.1) Para materiais dúteis (macios, flexíveis, que se rompem nos planos onde a tensão tangencial é extrema), é o critério da máxima tensão tangencial o que melhor se coaduna, considerando que haverá ruína quando, em certo ponto, a tensão máxima de cisalhamento ultrapassar o valor da tensão tangencial ocorrente (a 45º) no ensaio de tração do material (τmáx = ½ σlimite). O dimensionamento (para
um dado CS) deve atender a que (Critério de Tresca):
45º

Planos de Clivagem

(a)

(b)

√ [½ (σx - σy)] 2 + (τxy )2 < ½ σlim/CS .....(9.2.2) dá por cisalhamento até que a redução
28

Fig.9.1 – Tipos de fratura no ensaio de tração (a) material frágil; b) material dútil (inicialmente, a fratura se
da área provoca a ruptura por tração).

Dimensionamento de Vigas e Eixos

Exemplo 9.2.1 – Dimensionar o eixo maciço a ser fabricado em aço 1020 (tensão limite de escoamento σesc = 200MPa), de forma a transmitir um torque T = 10 kN.m, sob um momento fletor M = 15 kN.m., com um coeficiente de segurança 1,6 ao escoamento.

Solução: Para um eixo de seção circular submetido a um torque T e um momento fletor M, o ponto da periferia mais solicitado estará submetido às seguintes tensões (a tensão tangencial devido a Q é desprezível para um eixo maciço) σ = (Μ/Ι) (d/2); τ = (Τ/JP) (d/2); sendo JP = πd4/32 e I = ½ JP Como se trata de um material dútil (baixo teor de Carbono), utilizaremos o critério da máxima tensão tangencial. τmáx = √ [½ (σx - σy)] 2 + (τxy )2 =√[½ (Μ/Ι)d/2]2+ [(T/JP )2d/2]2

τmáx = [( M2 + T2 )1/2 / JP] (d/2)
2 2 1/2

Interessante notar que o termo (M + T ) representa o módulo do vetor momento total atuante na seção (M + T) (chamado momento “ideal”). Para o caso em análise, como τmáx =(200/2):1,6 = 62,5MPa teremos:

d3 = 32 [(10x103)2 + (15x103)2 ]1/2 / π (62,5x106 = 2,9838x10-3 m3
d = 1,432 x 10-1 m → d = 143 mm (Resposta)

τmáx = 32 ( M2 + T2 )1/2 / πd3

τ

σ

Exemplo 9.2.2 – Para o perfil “I” esquematizado, determinar o coeficiente de segurança para a ruptura do material, supondo tratar-se de aço 1080, de alto teor de carbono, dureza Brinell 248, e resistência à tração de 78 kgf/mm2.
210kN

Solução: O momento de inércia da seção em relação à LN valerá: ILN = [100 x (165)3 / 12] – [95 (150)3 / 12 = 10,72 x 106 mm2]. Na seção do engastamento teremos: Q = 210 kN e M = - 210x103 x 0,150 = - 31,5 kNm. Para o ponto A (no topo, onde ocorre a máxima tensão normal de tração e onde a tensão de cisalhamento é nula), teremos:

8

5

150

σ = (M/ I)y = (31,5x103 / 10,72x10-6 )x0,083 = 243,9 MPa.
Considerando o estado duplo: (tração Pura) - σP1 = 243,9MPa τ
121,9 243,9 150

τmáx = ½ (243,9)= 121,9MPa
Para o ponto C (na LN, onde ocorre a máxima tensão tangencial e onde a tensão normal é nula), teremos: τ = (QMS / b I ) sendo MS = (0,008x0,100x0,079 + 0,005x0,075x0,0375)=77,26x10-6 m3 B

σP2 = 0,000

σ

100

8

A

τ = 210x103x77,26x10-6 / 0,005 x 10,72x10-6 = 302,7MPa
τ Considerando o estado duplo: (Corte Puro) - σP1 = 302,7MPa
302,7

302,7

C σ

σP2 = - 302,7MPa τmáx = 302,7MPa
29

Dimensionamento de Vigas e Eixos Para o ponto B (na interface entre a mesa e a alma, onde ocorre uma tensão normal elevada, embora não seja a máxima, estando presente uma tensão tangencial também elevada, embora não seja a máxima), teremos:

σ = (M/ I)y = (31,5x103 / 10,72x10-6)x0,075 = 220,4MPa τ = (QMS / b I) sendo MS = (0,008x0,100x0,079) = 63,20x10-6 m3 τ = 210x103 x 63,20x10-6 / 0,005 x 10,72x10-6 = 247,6MPa
Considerando o estado duplo: (Tração+Corte) - σP1 = 381,2MPa τ
381,2 - 160,8

247,6 220,4 247,6

θ1

σP2 = -160,8MPa τmáx = 271MPa Como tg 2θp = τxy / ½ (σx - σy) = = -247,6 / ½ (220,4) = - 2,247;

σ θ1

2θp = - 66,0º; θp1 = - 33,0º; θp2 = 57,0º 2 Como σ (máx) = 78kgf/mm = 765MPa,
O coeficiente de segurança para o perfil, segundo o critério de Coulomb valerá 765/381,2 = 2,00

9.3 – Teorias das Máximas Energias de deformação Poder-se-á cogitar que a deterioração do material ocorre quando, no ponto considerado, a energia de deformação, por unidade de volume (u), ultrapassar o valor de tal grandeza quando da deterioração do material por ocasião do ensaio de tração correspondente (Critério de Saint-Venant). Como vimos nos capítulos 1.7 e 1.8, considerando os planos principais (onde não ocorrem tensões tangenciais), em um estado triplo de tensões: utotal = U/V = ( ½ ) (σ1 ε1 + σ2 ε2 +σ3 ε3 ), sendo: ε1 = (1/E) [ σ1 - ν (σ2 + σ3 )] ε2 = (1/E) [ σ2 - ν (σ3 + σ1 )] ε3 = (1/E) [ σ3 - ν (σ1 + σ2 )], que nos leva a: 2 utotal = [1/2E] [ (σ1 + σ22 +σ32 − 2ν (σ1 σ2 + σ2 σ3 + σ3 σ1)]........... (9.3.1)
Segundo o critério da máxima energia específica de deformação total não haverá deterioração do material se:

σ12 + σ22 +σ32 − 2ν (σ1 σ2 + σ2 σ3 + σ3 σ1) < ( σlimite )2 .......................... (9.3.2) que, no caso do estado duplo de tensões (com σ3 = 0) e considerando um certo C.S., se torna: σ12 + σ22 − 2ν (σ1 σ2) < ( σlim/CS )2 .............................. (9.3.3)

Observa-se experimentalmente que os materiais suportam tensões muito mais elevadas do que a ao ensaio uniaxial de tração, quando submetidos a estados hidrostáticos de tensão (quando as 3 tensões principais são todas iguais, ficando os círculos de Mohr reduzidos a um ponto sobre o eixo dos σ), não ocorrendo tensão tangencial em qualquer plano (ficando o estado de tensão definido pela grandeza escalar “pressão”, invariante para todas as direções). As rochas sob a crosta terrestre são um bom exemplo do que se comenta. Tal comportamento fica compreendido quando se leva em conta que a energia total de deformação pode ser desdobrada em duas componentes: a energia para variação de volume e a energia para variação de forma (distorção). Assim é que podemos estabelecer a composição:

σ2

p

σ2 - p

σ3

σ1

=

p
30

p

+
σ3 - p

σ1 - p

Dimensionamento de Vigas e Eixos

Admite-se que a ação inelástica ocorrerá sempre que a energia de distorção exceder o valor correspondente no ensaio de tração (onde apenas uma das tensões principais não é nula). Este é o chamado critério da máxima energia de distorção (Von Mises). O valor da energia específica de distorção (ud) será computado subtraindo do valor da energia total, a parcela correspondente a energia de variação volumétrica decorrente da tensão média p, fazendo em (9.3.1) σi = p = ( σ1 + σ2 + σ3 )/3, nos dando: uvolume = [(1 – 2ν)6E]( σ1 + σ2 + σ3 )2. Efetuando a diferença obtem-se: udistorção = [(1+ν)/6E] [(σ1 − σ2)2 + (σ2 − σ3)2 + (σ3 − σ1)2] ..................... (9.3.4) Segundo tal critério, não haverá a deterioração do material se: [(σ1 − σ2)2 + (σ2 − σ3)2 + (σ3 − σ1)2] < 2(σlimite)2 ......................................(9.3.5) Tratando-se do caso comum de um estado duplo de tensões (com σ3 = 0), e dado um certo CS, a
equação se torna:

(σ12 + σ22 − σ1σ2) < (σlim / CS)2 . σ Sendo σ1 = σmédio + τmáx e σ1 = σmédio - τmáx, obtemos: (σmédio2 + 3τmáx2 ) < (σlimite)2 ......................................................................(9.3.6) T τr τ τr

Adotou-se certa margem de segurança, considerando como tensão admissível: σadm = σlimite / (Coeficiente de Segurança). Interessante comentar que, no caso do estado de corte puro (ocorrente no ensaio de torção de eixos) teremos: σ1 = τr; σ2 = − τr; σ3 = 0; que nos dá: 3τr 2 < (σlimite)2 → τr < 0,577 σlimite −τr (valor confirmado experimentalmente para os materiais dúteis – cerca de 60% da tensão normal do ensaio de tração, e não os 50% preconizados pelo critério da máxima tensão tangencial). Exemplo 9.3.1 – O recipiente cilíndrico de parede fina esquematizado (diâmetro d = 200mm e espessura e = 2,8mm) contém ar comprimido na pressão manométrica de 32 atmosferas e deve ser submetido à uma força F = 10kN para aperto dos parafusos de vedação. Pedese avaliar o coeficiente de segurança ao escoamento admitindo que o material da chapa seja aço com tensão normal limite de escoamento 250MPa, E = 210GPa e ν = 0,300, segundo os quatro critérios de resistência estudados (não considerar os efeitos da proximidade da chapa do fundo do recipiente na seção da base onde os esforços solicitantes são extremos). Solução: Na seção da base temos: N = p.πD2/4= 3,2x106 x π (0,200)2/ 4=100,5kN;
Q = 10,0kN; M = 10x10 x 0,500 = 5,00kN.m; T =10x10 x 0,350 = 3,50kN.m. -3 2 2 -6 4 A = π D x e = 1,759 x 10 m ; JP = A x (D/2) = 17,59 x 10 m ; I = ½ J P
3 3

σ

p

350

10kN A
500 D=200

Analisaremos as tensões ocorrentes nos pontos da seção da base (na parte interna, onde atua uma tensão de compressão σ3 = - p):
A – onde a tensão longitudinal trativa devido à p se soma à devido à M; B – onde a tensão tangencial devido ao torque T se soma à devido à Q; C – onde a tensão longitudinal pode ser compressiva.

C

B

31

Dimensionamento de Vigas e Eixos PONTO A σL σC p τLC σC σL σC σL Superfície interna σC = pD/2e =
= 3,2 x10 x 0,2 / 0,0056 = 114,3MPa
3 -3 = 100,5 x 10 / 1,759x10 = = 57,13 MPa
6

PONTO B τLC σL σC σC

PONTO C σL τLC

p

p σC

σL Superfície interna σC = pD/2e =
= 3,2 x10 x 0,2 / 0,0056 = 114,3MPa
3 -3 = 100,5 x 10 / 1,759x10 6

Superfície interna σC = pD/2e =
= 3,2 x10 x 0,2 / 0,0056 = 114,3MPa
6

= 100,5 x 103 / 1,759x10-3 +

σL = N/A + (M/I)(D/2) =

σL = N/A =

σL = N/A - (M/I)(D/2) =

+(5x103 / 8,795x10-6) x 0,100 = = 57,13 + 56,85 = 114,0 MPa =(3,5x103 / 17,59x10-6)x0,100= = 19,90 MPa σ3 = -p = -3,2MPa

τLC = (T/JP)(D/2) =

=(3,5x103 / 17,59x10-6)x0,100 + + 2 (10x103 / 1,759 x 10-3) = = 19,90 + 11,37 = 31,27MPa σ3 = -p = -3,2MPa

τLC = (T/JP)(D/2) + ξ(Q/A) =

+(5x103 / 8,795x10-6) x 0,100 = = 57,13 + 56,85 = 0,28 MPa =(3,5x103 / 17,59x10-6)x0,100= = 19,90 MPa σ3 = -p = -3,2MPa

τLC = (T/JP)(D/2) =

σmédio = ½ (114,3 + 114,0) = 114,2
R = {[½ (114,3 - 114,0)]2 + 19.92}1/2=

σmédio = ½ (114,3 + 57,13) = 85,72 R = {[½ (114,3 – 57,13)]2 + 31,272}1/2= σ1 = 85,72 + 42,37 = 128,1MPa σ2 = 85,72 – 42,37 = 43,45MPa σ3 = - 3,2MPa τmáx = ½ (σ1 − σ3) =
=1/2 [128,1 – (-3,2)] = 65,65MPa
= 42,37

σmédio = ½ (114,3 + 0,28) = 57,29 R = {[½ (114,3 – 0,28)]2 + 19.92}1/2= σ1 = 57,29 + 60,38 = 117,7MPa σ2 = 57,29 – 60,38 = - 3,09 MPa σ3 = - 3,2MPa τmáx = ½ (σ1 − σ3) =
=1/2 [117,7 – (-3,2)] = 60,45MPa
=60,38

σ1 = 114,2 + 19,9 = 134,1MPa σ2 = 114,2 - 19,9 = 94,3MPa σ3 = - 3,2MPa τmáx = ½ (σ1 − σ3) =
=1/2 [134,1 – (-3,2)] = 68,65MPa

=19,90

τ σ

τ σ

τ σ

Dos pontos analisados, é o ponto A o mais crítico, para o qual teremos:

σ1 = 134,1MPa; σ2 = 94,3 MPa; σ1 = -3,20M Pa; τmáx = 68,65 MPa
Pelo critério da máxima tensão normal (Coulomb); C.S. = 250 / 134,1 = 1,86. Pelo critério da máxima tensão tangencial (Tresca); C.S. = ½ 250 / 68,65 = 1,82. Pelo critério da máxima energia específica total (Saint-Venant);
(134,1)2 + (94,3)2 + (-3,2)2 – 2x0,300(134,1x 94,3 + 94,3x(-3,2) + (-3,2)x 134,1=(250/CS)2→ CS = 1,78

[(σ1)2 + (σ2)2 + (σ3 )2 − 2ν(σ1σ2 +σ2σ3 +σ3σ1)] = (σlimite /CS)2 ; [(σ1 − σ2)2 + (σ2 − σ3)2 + (σ3 − σ1)2] = 2(σlimite /CS)2 ;
32

Pelo critério da máxima energia específica de distorção (Von Mises);

(134,1 – 94,3)2 + (94,3 + 3,2)2 + (-3,2 + 134,1)2 = 2(250 / C.S.)2 → C.S. = 2,10.

Dimensionamento de Vigas e Eixos Uma outra forma de representar os estados limites em função dos critérios de resistência adotados para os materiais dúteis é a apresentada na fig. 9.3, sendo os eixos cartesianos representativos das tensões principais σ1 σ2 para um estado duplo de tensões. (a) segundo o critério da máxima tensão tangencial (Tresca) o estado de tensão representado pelo par σ1 , σ2 deve ficar limitado ao hexágono ABCDEFH, que corresponde às condições: | σ1 | < σesc, |σ2 | < σesc, para σ1 e σ2 com o mesmo sinal e | σ1 − σ2 | < σesc , caso σ1 e σ2 tenham sinais contrários.
σp2 σesc B
C 0,577 0,500 A

−σesc
D

σesc
G

H

σp1

E

F

−σesc

(b) segundo o critério da máxima energia de distorção (Von Mises) o limite passa a ser a elipse ABCDEFGHA, para a qual: σ12 − σ1σ2 + σ22 = σesc2. O caso da torção pura, quando σ1 = τ e σ2 = −τ evidencia a distinção dos dois critérios obtendo-se τlim = 0,500 σesc (segundo Tresca) e τlim = 0,577 σesc (segundo Von Mises).

Fig.9.3 – Critérios de Tresca e de Von Mises

9.4 – Outras teorias. (Teoria de Mohr)
Observa-se experimentalmente que os materiais frágeis suportam tensões de compressão bem mais elevadas que as de tração (um exemplo clássico é o concreto). Traçando-se os círculos de Mohr correspondentes aos ensaios de tração e de compressão do material (bem como o de corte puro, por torção, quando disponível), será lógico admitir (Critério de Mohr) que o estado (duplo) de tensões será seguro para um dado material se o círculo de Mohr correspondente ficar inteiramente dentro da área delimitada pela envoltória dos círculos correspondentes aos dados obtidos nos ensaios.

(σrupt )Compressão

τ

(τrupt )Corte (σrupt )Tração
σ

Fig, 9.4 – Teoria de Mohr para os critérios de ruptura de materiais frágeis em estado plano de tensões.

9.5 - Aplicações.
São apresentados a seguir dois exemplos de aplicação para dimensionamento de elementos de máquinas e estruturas. Ex. 9.5.1 – Eixos (árvores). 250 Dimensionar o eixo de aço ABCD (E = 200 GPa, ν = 0,3; τescoam = 125 MPa) utilizando o critério da máxima tensão tangencial, com um coeficiente de segurança 2,5 ao escoamento e para um ângulo de torção admissível de 2,5º/m. Dados: Motor M – Potência: 20 CV Rotação: ω = 1.720 rpm Polias B e C – diâm. = 300 mm Correias planas paralelas: F1 = 600N; F2 = 300N; F3 = 3 F4 (Obs.: o mancal A transmite tão-somente o torque do motor) D C B A F1 F2 F3 ω M
450 200

F4

33

Dimensionamento de Vigas e Eixos Solução: P = 20 CV = 20 x 736 = 14.720 w TMotor = 14.720 x 60 / 1.720 x 2 π = 81,72 Νm TC = F1 x r – F2 x r = (600 – 300) x 0,150 = 45,0 Nm TB = TM - TC = 81,72 – 45 = 36,72 Nm = (F3 – F4)x r = Diagramas de Esforços 108,8N 900N D 45,00 Nm C 489,6N B 45,0 Nm z 27,2 Nm y 162,5 Nm 50,0 Nm 76,16 Nm My x Mz M 250N 81,72 Nm T 36,72 Nm A 380,8N

= (3F4 – F4 )x 0,150 → F4 = 122,4N; F3 = 367,2N. Compondo os esforços externos ativos teremos: 650N F1 + F2 = 900N; F3 + F4 = 489,6N; Os esforços externos reativos valerão: 900x0,250 = Ay x0,900; Ay=250N; Dy=900 – 250= 650N 489,6x0,700 = AZx0,900; AZ = 380,8N; DZ = 108,8N Os diagramas do torque T e dos momentos fletores MY e MZ são apresentados na figura ao lado, destacando-se os seguintes momentos extremos (em Nm): (B)–T=81,72; MY =380,8x0,2=76,16; MZ=250x0,2=50,0 (C)–T=45,0; MY =108,8x0,25=27,2; MZ=650x0,25=162,5 Computando o momento total (denominado “momento ideal” como visto no ex. 9.2.1): Mi = (MY2 + MZ2 + T2)1/2 , teremos: (B)- Mi = (76,162 + 50,02 + 81,722)1/2 = 122,4 Nm; (C)- Mi = (27,22 + 162,52 + 45,02)1/2 = 170,8 Nm. Verifica-se que a seção do eixo onde está enchavetada a polia C é a mais solicitada.

τmáx = 16 Mi / πd3 e para o material do eixo:

τadm = 125 / 2,5 = 50 MPa, teremos, pelo critério da máxima tensão tangencial:
d3 = 16x 170,8 / π 50x106 → d = 25,9 mm Pelo critério da máxima deformação por torção, teríamos:

δθ/L = T / G JP = 32 T / G π d4, sendo G = E / 2 (1 + ν) = 200 / 2,6 = 76,9 GPa. No caso: (δθ/L)adm = 2,5º/m = 2,5 / 57,3 = 0,04363 rad/m, e
0,04363 = 32 x 81,72 / 76,9x109 x πx d4 → d = 22,3 mm. Portanto, o diâmetro admissível para o eixo será de 26 mm (Resp.).
67 7,4

Ex. 9.5.2 – Vigas.
A viga AB é apoiada em seus extremos sobre o meio dos vãos das vigas CD e EF, sendo as três constituídas por perfis S100 x 11,5 (I = 2,53 x 106 mm4). Adotando como tensões limites σe = 150MPa e τe = 90MPa, pede-se calcular o coeficiente de segurança do conjunto de vigas. Solução: o cálculo das reações nos apoios de cada uma das vigas e o traçado dos respectivos diagramas de momento fletores mostram que as seções críticas das vigas são: VIGA AB – seção junto à carga P = 10kN, no trecho PB, onde Q = 9kN e M = 3,6 kN.m; VIGA EF – no meio do vão, junto ao contato em B, onde Q = 4,5kN e M = 4,05kN.m. 34

2,0m 2,0m

P = 10kN
3,6m

4,8

102

A C

D
0,4m 0,9m 0,9m

B F

1kN

E
1kN 10kN 9kN 0,5kN 1,0kN.m 3,6kN.m 9kN 4,5kN

4,05kN.m 4,5kN

Dimensionamento de Vigas e Eixos

VIGA AB – (tensões no plano da seção transversal crítica)
Máxima tensão σ de tração/compressão: (3,6 x 103 /2,53x10-6) 0,051 =72,57MPa Máxima tensão τ: (9,0 x 103 x(0,067x0,0074x0,0473+ 0,0048x0,04362/2) /
/ (2,53x10-6x0,0048) =20,76MPa Tensões na união entre a mesa e a alma do perfil: tensão σ de tração/compressão: (3,6 x 103 /2,53x10-6) 0,0436 =62,04MPa tensão τ: (9,0 x 103 x(0,067x0,0074x0,0473)/(2,53x10-6x0,0048) =17,38MPa

Considerando o estado triplo de tensões: Nos topos da viga: σP1 = 72,57MPa; σP2 = 0; σP3 = 0; τmáx = ½ 72,57 = 36,29MPa; No ponto médio da alma: : σP1 = 20,76MPa; σP2 = 0; σP3 = - 20,76 MPa; τmáx = 20,76MPa; Nas junções mesa-alma: σP1 = ½ (62,04) + [(½ 62,04) 2 + 17,382]1/2 = 31,02 + 35,56 = 66,58MPa σP2 = 0; σP3 = ½ (62,04) - [(½ 62,04) 2 + 17,382]1/2 = 31,02 – 35,56 = - 4,54 MPa τmáx = [(½ 62,04)2 + 17,382]1/2 = 35,56MPa Portanto, para a viga AB teremos: σmáx = 72,57 MPa e τmáx = 36,29MPa
Máxima tensão σ de tração/compressão: (4,05 x 103 /2,53x10-6) 0,051 =81,64MPa Máxima tensão τ: (4,5 x 103 )x(0,067x0,0074x0,0473 + 0,0048x0,04362/2) /
/ (2,53x10-6x0,0048) =10,38MPa Tensões na união entre a mesa e a alma do perfil: tensão σ de tração/compressão: (4,05 x 103 /2,53x10-6) 0,0436 =69,79MPa tensão τ: (4,5 x 103 x(0,067x0,0074x0,0473)/(2,53x10-6x0,0048) =8,69MPa

VIGA EF – (tensões no plano da seção transversal crítica)

Considerando o estado triplo de tensões: Nos topos da viga: σP1 = 81,64MPa; σP2 = 0; σP3 = 0; τmáx = ½ 81,64 = 40,82MPa; No ponto médio da alma: : σP1 = 8,69 MPa; σP2 = 0; σP3 = - 8,69 MPa; τmáx = 8,69 MPa; Nas junções mesa-alma: σP1 = ½ (69,79) + [(½ 69,79) 2 + 8,692]1/2 = 34,90 + 35,96 = 70,86MPa σP2 = 0; σP3 = ½ (69,79) - [(½ 69,79) 2 + 8,692]1/2 = 34,90 – 35,96 = - 1,06 MPa τmáx = [(½ 69,79)2 + 8,692]1/2 = 35,96MPa Portanto, para a viga AB teremos: σmáx = 81,64 MPa e τmáx = 40,82MPa
Conclusão: para o conjunto de vigas teremos como tensões extremas:

σmáx

= 81,64 MPa e τmáx = 40,82MPa (ocorrentes no meio do vão da viga EF) e, portanto, o coeficiente de segurança será o menor dos valores: 150 / 81,64 = 1,837; 90 / 40,82 = 2,20................................................ C.S = 1,84 (Resposta)

v Exercício proposto – Mostre: I) que, para um par de eixos ortogonais (u,v) defasado de um ângulo θ em relação ao par de referência (x,y), os momentos e produtos de inércia de uma área A se relacionam através das equações: Ιu = ½ (Ιx + Ιy) + ½ (Ιx - Ιy) cos 2θ + (−Pxy sen 2θ) - Puv = - ½ (εx - εy) sen 2θ + (- Pxy) cos 2θ. II) que, para os eixos principais de inércia, (P12 = 0): Ι1,2 = (Ιx + Ιy)/2 ± {[(1/ 2) (Ιx - Ιy)]2 + (-Pxy)2}1/2

y A dA

y u

v

u

θ
x

(Puv)máx = {[(1/ 2) (Ιx - Ιy)]2 + (-Pxy)2}1/2

-Pu v I2 Iy

x

III) que se pode utilizar o Círculo de Mohr para momentos e produtos de inércia, nos mesmos moldes em que foi utilizado para as análises das tensões e das deformações.
Obs.: u = x cos θ + y sen θ; v = y cos θ - x sen θ.

I1 Ix

Iu

35

Dimensionamento de Vigas e Eixos

9.6 – Cargas Variáveis. Fadiga 9.6.1 - Fadiga A experiência mostra que uma peça, submetida a uma carga cíclica, em geral se deteriora, depois de um certo tempo, sob tensões muito mais baixas do que as obtidas nos ensaios estáticos do respectivo material. É a chamada fratura por fadiga.Tal decorre do fato de que o efeito sobre o material provocado pela ação de uma carga alternativa é diferente daquele produzido pela carga, quando aplicada de forma gradual, até seu valor final. A ruína devido à ação de um esforço estático provoca uma fratura (com superfície rugosa) bem diferente daquela provocada pela fadiga do material (com duas regiões distintas na superfície fraturada: uma polida, esmerilhada, e outra rugosa – Fig. 9.5.1). Sob o carregamento alternado, uma pequena trinca (em geral na superfície, onde as tensões são trinca mais elevadas, tanto as normais devido à flexão, como as tangenciais, devido à torção) provoca uma concentração de tensões no entorno da fenda. Como a carga se alterna, invertendo o sentido da tensão, há uma propagação da fenda para o interior da peça, diminuindo a área da parte ainda íntea gra da seção, até a danificação total. Tal fenômeno é responsável por mais da metade das quebras dos eixos das máquinas e ferramentas, pois, a cada giro, um ponto da periferia do eixo, mesmo b submetido a um torque e a um momento fletor invariantes, passa da condição de tracionado a M M M comprimido, retornando a ser tracionado a cada tração tração rotação. Por exemplo, num eixo de motor elétrico girando a 1.800 rpm, a cada segundo ocorrerão 30 desses ciclos de esforços alternados, provocando um “abre e fecha” da trinca, que prossegue aprocompressão ω fundando. É importante não confundir tal fenôω ω M meno (que ocorre após milhares de ciclos) com o M M fenômeno da plastificação alternada, ocorrente c quando se provoca deformações ultrapassando o limite de escoamento de materiais dúteis, invertendo o sentido da deformação e, após uns poucos Fig. 9.6.1–Seção de um eixo fraturado por fadiga: ciclos, o material encruado sofre fratura frágil, (a) Região esmerilhada; (b) região rugosa; c) alcom grande dissipação de energia (caso de arames ternância do sentido da tensão normal decorrente que ficam aquecidos quando partidos). A máxima do momento fletor, causada pela rotação do eixo. tensão alternada à qual o material pode ser submetido, sem ruptura, mesmo após um milhão (106) de ciclos de solicitação, é a denominada tensão limite de fadiga (σn), medida através da máquina de Moore (Fig.9.5.2), obtendo-se o gráfico representado abaixo (tensão ruptura x nº de ciclos de solicitação).
500 MPa Corpo de Prova Espelhado 90% probabilidade de ruína

M

M

Motor

σn
250 10% probabilidade de ruína 10
1

Conta-Giro 10
5

10

2

10

3

10

4

106

Carga
7 10 ciclos

36

Fig.9.6.2 – Máquina de Moore (FADIGA)

Alguns Materiais Aço Estrutural Aço 1040 laminado Aço Inoxidável recozido Ferro Fundido Cinzento Alumínio Trabalhado

Dimensionamento de Vigas e Eixos Tensão Limite Tensão Limite de Escoamento de Ruptura

σe (MPa)
250 360 250 280

σr (MPa)
450 580 590 170 430

Tensão Limite de Fadiga

Relação

σn (MPa)
190 260 270 80 120

σn / σr
0,42 0,45 0,46 0,47 0,28

Os valores adotados para a tensão limite de resistência à fadiga - σn (obtidos utilizando-se corpo de prova com acabamento superficial espelhado, diâmetro de 7,62mm = 1/3 polegada, para até 106 ciclos, submetido à flexão, a uma temperatura que não ultrapasse 71ºC) devem ser corrigidos em função das peculiaridades da peça real (quanto a seu acabamento, tamanho, tipo de solicitação, vida limitada, temperatura de trabalho), através de fatores cujas ordens de grandeza são apresentadas na tabela a seguir (para aços com tensão de ruptura entre 300 e 600MPa *).

σf = σn (a) (b) (c) (d) (e) ............................ (9.6.1)
(c) vida limitada c=
(d) tipo de solicitação

(a) acabamento a= Espelhado ...............1,00 Retificado.....0,93 a 0,90 Usinado........0,90 a 0,83 c/ ranhura.....0,83 a 0,68 Laminado.....0,70 a 0,50 c/ corrosão...0,60 a 0,40 Corrosão água salgada.. ....................0,42 a 0,28

(b) tamanho da peça

(e) temperatura e= e = 1,0 (t< 71ºC)

b= D=10mm..........1,0 D=20mm..........0,9 D=30mm..........0,8 D=50mm..........0,7 D=100mm........0,6 D>200mm…..0,58

d= Flexão – 1,0 Axial – 0,8

c = (106/ n)0,09
n < 106 ciclos

e = 344/ (273 + tºC)

Torção – τ = 0,6 σ

para t > 71ºC

* (Nota: os valores apresentados, repete-se, indicam ordens de grandeza, objetivando, tão-somente, apontar os fatores que devem ser levados em conta na análise do problema, devendo ser consultadas as normas técnicas e a bibliografia especializada para a efetiva atribuição das grandezas envolvidas).

9.7 – Concentração de Tensões Como a falha por fadiga se dá no ponto de alta tensão localizada, qualquer descontinuidade, seja ela acidental (falha de fundição, bolha, risco na usinagem,...) ou intencional (rasgo de chaveta, furo para pino, escalonamento de diâmetro,...) poderá iniciar tal tipo de deterioração. Um coeficiente de segurança (CS) deve ser adotado para cobrir os casos de falha acidental. Já as descontinuidades previstas no projeto (para montagens, uniões, juntas, etc) devem ser consideradas com adoção de fatores apropriados (K) relacionados com a concentração de tensões. Assim, as equações básicas da Resistência dos Materiais para cálculo das tensões serão corrigidas escrevendo-se (*, para o caso de eixos circulares): σN = K (N/A); σM = K (M/I)y; τT = K (T/JP)r (*); τQ = K (QMS/bI) sendo os valores de K (coeficiente de concentração de tensões) obtidos experimentalmente (Foto-Elasticidade) ou analiticamente (Teoria da Elasticidade). Os gráficos a seguir apresentam alguns exemplos de valores para o coeficiente K.
37

4,0

Dimensionamento de Vigas e Eixos
d
15

K

b

K

a
3,0 10

h b d
h/b = 0,35

b

Fig. 9.6
2,0 5 h/b = 0,50

h/b > 1,0 1,0 0,0 1 0,5

Relação d/b 1,0

c

0,0

0,5

Relação d/b 1,0

M K D
2,0

r

M M d K

d

d
M

D/d = 1,1

D/d = 1,5
1,5

D/d = 4,0

Observação: Os valores indicados tanto podem ser utilizados para eixos circulares com seções torneadas como para barras chatas.

3,0

h b h/d > 3

2,0

h/d < 0,33

1,0 0,0

0,5 Relação r/d

1,0 1,0

e
T

0,5 Relação d/b

1,0

K
3,0

T
D

r d

K
3,0 D/d = 2

T
D

r d

f
T

(D-d)/2r = 4 2,0 (D-d)/2r = 2 (D-d)/2r = 1 1,0 0,0 1,0 2,0

D/d = 1,2 D/d = 1,2

0,5

Relação r/d 1,0

38

0,0

0,05

0,10

0,15

0,20 Relação r/d

Dimensionamento de Vigas e Eixos

9.8 – Cargas Pulsantes. σvar No caso de peças submetidas a cargas variáveis, que correspondem a um valor de tenσ σméd máx são média diferente de zero (σm), ao qual se σmín t sobrepõe um valor alternativo (σv), observa-se experimentalmente que a falha ocorrerá quando σv o par de valores (σm; σv) for plotado acima da σfad/CS linha reta que une o pontos representativos das σfad duas tensões limites correspondentes, para a resistência estática (σest) e para a fadiga (σfad), como mostrado na figura ao lado. A equação da reta limite, no plano carteσest/CS siano (σm; σv), será (na forma normal): [σm / (σest)] + [σv / (σfad)] = 1 Adotando um mesmo coeficiente de segurança (CS) para as tensões consideradas adσest σm missíveis, tanto para a fadiga como para a reFig. 9.8.1 – Cargas pulsantes sistência estática do material, teremos: [σm / (σest)] + [σv / (σfad)] = 1/(CS)............(9.8.1) (Equação de Soderberg) Como tensão limite para a resistência estática, nos materiais dúteis, adota-se a tensão de escoamento (σe), enquanto que para os materiais frágeis, adota-se a tensão de ruptura (σr)

O efeito da concentração de tensões nos materiais dúteis é geralmente ignorado, quando se trata de um carregamento estático, porque o material irá escoar na região de elevada tensão e o equilíbrio pode se restabelecer por redistribuição das tensões sem qualquer dano. Já se o material é frágil, mesmo uma carga estática pode causar a ruptura pelo efeito da concentração de tensões. Por isso a equação de Soderberg é modificada para levar em conta o efeito da concentração de tensões nas formas:

σe

frágil

dútil

[σm / (σest)] + [ Κσv / (σfad)] = 1/(CS) ..............(9.8.2) Material dútil [σm / (σest)] + [σv / (σfad)] = 1/(K . CS)..............(9.8.3) Material Frágil

39

Dimensionamento de Vigas e Eixos Exemplo 9.8: A viga bi-apoiada esquematizada na figura, fabricada por laminação em aço com tensão de escoamento 250MPa e tensão limite de fadiga 190MPa, tem seção quadrada (90x90 mm2) e um furo vertical circular, de diâmetro 20mm, no meio do vão. A viga é submetida a uma carga vertical pulsante P, que varia em módulo entre 8kN e 4kN, na posição indicada. Pede-se determinar o coeficiente de segurança considerando a fadiga e a concentração de tensões. Solução: o diagrama de momentos fletores, para o caso do valor máximo da força P (8kN) nos indica como momentos críticos: MM = 6kNm (valor máximo, na seção sob a carga) MF = 4kNm (valor na seção onde há o furo). As tensões correspondentes valerão: σΜ = {6x103 / [(0,090)4/12]}0,045= 49,38MPa σF ={4x103/[(0,07)(0,09)3/12]}0,045= 42,33MPa Furo - D = 20mm P pulsante entre 8kN e 4kN

2,0m 1,0m 1,0m 8kN

2kN

6kN

MF= 4kNm MM = 6kNm

Para o valor mínimo de P (4kN) (metade do valor máximo) as tensões correspondentes terão a metade do valor, o que leva a concluir que as tensões críticas serão: Na seção onde M é máximo - σM pulsando entre: 49,38 e 24,69 - σm = 37,04; σV = 12,35MPa Na seção onde há o furo - σF pulsando entre: 42,33 e 21,17 - σm = 31,35; σV = 10,58MPa Tratando-se de material dútil e, a favor da segurança, corrigindo o limite de fadiga indicado (σn= 190MPa) para considerar o acabamento superficial (laminado – a = 0,7) e o tamanho da peça (90x90 – b = 0,6), teremos σf = 190 x 0,7 x 0,6 = 79,8MPa. Considerando o efeito de concentração de tensões provocado pelo furo no meio do vão da viga tiramos do gráfico “d” da fig. 9.4: (para d/b = 20/90 = 0,22 e k/d 90/20 = 4,5 > 3) →K = 2,4 . Teremos então, levando em conta a equação 9.3 (material dútil):

[σm / (σest)] + [ Κσv / (σfad)] = 1/(CS)

a) para a seção sob a carga: (37,04 / 250) + (12,35/79,8) = 1/CS → CS = 3,3 b) para a seção no meio do vão (onde há o furo): (31,35/250) + 2,4 x (10,58/79,8) = 1/CS → CS = 2,3 Resp. CS = 2,3

Exercício proposto: faça um re-dimensionamento do eixo analisado no exercício 9.5.1 (pág. 33) considerando: • que a tensão normal calculada varia alternadamente devido à rotação (σfadiga = 0,7 σescoam) • que a tensão tangencial calculada é constante; • que há escalonamentos no diâmetro do eixo para a montagem das polias (K = 1,5); • que há chavetas conectando as polias ao eixo (K = 1,7).

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