A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES

AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 1


Índice

A tricotomia humana e a funcionalidade de seus componentes avaliados separadamente.......2
Introdução................................................................................................................................... .2
I. Analisando o contexto remoto e imediato da criação do homem ...........................3
1.1. Exegese de Gn 2.7. .............................................................................................4

II. Segundo a Bíblia, qual é o destino do corpo após a morte?.....................................4

III. A função da alma e sua imortalidade.........................................................................5

3.1. O invisível Plutão (Hades), soberano dos Infernos, senhor absoluto dos
mortos.................................................................................................................5
3.1.1. O Reino das Sombras.......................................................................6
3.2. Alma: vida eterna e imortalidade segundo a Bíblia.............................................6
3.3. Síntese do estudo bíblico sobre a alma...............................................................8
IV. Qual é a função do espírito e para onde ele vai após a morte..................................9
V. Notas do texto.........................................................................................................11
VI. Conclusão do estudo...............................................................................................23
VII. Bibliografia..............................................................................................................24









A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 2



A tricotomia humana e a funcionalidade de seus componentes
avaliados separadamente
1Ts 5.23

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam
plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso SENHOR Jesus Cristo.”

Introdução:
Observando Gn 2.7 veremos que, basicamente, o homem é formado por duas
substancias:
1. Substância física, ou corpórea (“pó da terra”).
2. Substância abstrata, ou espiritual (“fôlego de vida”, “alma vivente”).
Para melhor entendermos este conceito é importante fazermos uma exegese correta,
avaliando o contexto remoto e imediato dos textos bíblicos referente à criação do homem, a
raiz etimológica das palavras chave dos textos envolvidos no original grego/hebraico/aramaico
e outros textos que irão servir como base para as afirmações que seguirão este estudo.

A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 3

I. Analisando o contexto remoto de e imediato da criação
do homem

Nos capítulos um e dois do livro do Gênesis teremos a narrativa da criação da seguinte
forma:
A A criação da terra e de tudo o que existe é obra de Deus (Gn 1.1,2; Sl 90.2; Jo 1.1-3; Cl
1.16,17).
B A criação da luze a separação entre trevas e luz – 1º dia (Gn 1.3-5; Sl 139.11,12; Is 45.7;
Jo 1.5; At 26.18).
C A criação do céu (firmamento) e a separação de águas acima do firmamento e águas
abaixo do firmamento – 2º dia (Gn 1.6-8).
D A criação da terra – 3º dia (Gn 1.9-13).
E A criação dos astros e estrelas e a separação entre dias e noite – 4º dia; veja o 1º dia
da criação (Gn 1.14-19).
F A criação da vida aquática e a pronunciação da primeira bênção de Deus para a criação
– 5º dia; veja o 2º dia da criação (Gn 1.20-23).
G A criação do homem e a pronunciação da segunda bênção de Deus para a criação – 6º
dia; veja o 3º dia da criação (Gn 1.24-31; 2.7).
H Dia conclusivo na criação, Deus descansa de sua atividade criadora – 7º dia (Gn 2.1-3).
Eis ai, resumidamente, o relato da criação. Observe como cada dia, e o que foi criado nele,
aponta para o outro dia da criação, completando assim, com o sétimo dia, a atividade criadora
de Deus.
Analisaremos agora o primeiro versículo que serve como base para a doutrina da
tricotomia do homem:
“E o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da
vida; e o homem se tornou alma vivente.” (Gn 2.7)
É de vital importância compreendermos quais são os verbos que atuam na criação do
homem. Veremos estes verbos e conheceremos suas diferenças agora:
1. “No principio criou Deus…” Gn 1.1: O verbo criar, na sua raiz hebraica, aqui é “bara”,
que significa criar sem qualquer matéria inicial, criar do “nada” (ex-nihilo). Este tipo de
ação criadora só pode ser realizado por Deus.
2. “E disse Deus: Façamos o homem…” Gn 1.26: O verbo fazer, na sua raiz hebraica, aqui
é “asah”, que significa fazer, ser feito, preparado, concluído. É fazer algo tendo em
mãos a matéria prima básica. Envolve criatividade e o uso das matérias adequadas
para se formar o que se deseja criar.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 4

3. “E formou o SENHOR Deus…” Gn 2.7: O verbo formar, na sua raiz hebraica, aqui é
“Yatsar”, que significa plasmar; formar; amoldar; criar. É dar aparência (amoldar) o que
foi ajuntado em um processo anterior à criação. É a última etapa da criação.
Todos estes verbos, envolvidos na criação, estão diretamente ligados na criação do
homem como veremos nos versículos abaixo:
a) Bara: Gn 1.27 (criação inigualável).
b) Asah: Gn 126 (ajuntamento de matéria prima).
c) Yatsar: Gn2.7 (a matéria toma a forma do criador).

.1.1. A exegese de Gn 2.7

“Então, formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego
de vida, e o homem passou a ser alma vivente.”
Observe o comentário feito pelo Dr. Kyle M. Yates, no livro número 1, do COMENTÁRIO
BÍBLICO MOODY, nas páginas 6 e 7:
“Novamente os dois nomes de Deus estão ligados em antecipação ao acontecimento que
marcou época. A palavra “rayitseh” foi usada para dar a ideia de um oleiro trabalhando,
moldando com suas mãos o material plástico que tinha nas mãos (consultar Jr 18. 3,4). O
mesmo verbo foi usado para descrever o quadre da formação de um povo ou nação. O corpo
do homem foi feito do pó da terra enquanto o seu espírito veio do próprio ‘fôlego’ de Deus.
Ele é, literalmente, uma criatura de dois mundos; ambos, a terra e os céus, têm direitos sobre
ele. O primeiro passo foi importantíssimo, mas o pó humedecido estava longe de ser um
homem até que o segundo milagre aconteceu. Deus comunicou a Sua própria vida a essa
massa inerte que Ele já criara e dera forma e dera forma. O fôlego divino permeou o material e
o transformou em um ser vivente. Esta estranha combinação de pó e divindade deu lugar a
uma criação maravilhosa (consultar 1Co 15. 47-49) feita à própria imagem de Deus. Como ser
vivente, o homem estava destinado a revelar as qualidades do Doador da vida. Esta linguagem
das Escrituras não sugere que o homem tivesse semelhança física com Deus. Antes, ele foi
feito semelhante a Deus nos poderes espirituais. Ele recebeu os poderes de pensar e sentir, de
se comunicar com os outros, de discernir e, até um certo ponto, de determinar o seu próprio
caráter.”
Com esta observação do Dr. Kyle, concluímos a argumentação lógica, dentro do ponto de
vista criacionista, da dupla composição do homem: a substância física, ou corpórea e
substância abstrata, ou espiritual.

A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 5

II. Segundo a Bíblia, qual é o destino do corpo após a
morte?

Vejamos a seguinte ordem proposta para abordar este tema como se segue abaixo:
a) O homem foi criado em caráter de perpetuidade só que, por causa de sua
transgressão, a morte foi sua sentença no Éden: Gn 3. 17-19,22; Rm 5. 17-19; Rm 3. 23.
b) Os termos, hebraico e grego, comumente encontrados nas Escrituras associados a
corpo são: “geviyah” (corpo, cadáver), “basar” (carne, parente, corpo, pele) e “Soma”
(corpo). O tempo de vida deste corpo terreno foi diminuindo gradativamente à
medida que o homem se aproximava e praticava o pecado com maior frequência.
Adão viveu 930 anos (Gn 5.5); com a prática do pecado a raça humana teve seus dias
abreviados para 120 anos (Gn 6.3); como a prática do pecado passou a fazer parte do
estilo devida de alguns homens, a estimativa de vida do homem baixou para 70 anos
(Sl 90.10).
c) Por causa do pecado o homem passou a receber, como salário, a morte espiritual e,
em muitos casos, a morte física (Rm 6.23).
d) O corpo do homem é semeado na terra em corrupção (1Co 15.42; Gn 6.5, 11, 12; Jd 5-
16), em desonra (1Co 15.42; Rm 1.24, 25; Ap 22.10, 11), em fraqueza (1Co 15.43; Ec
12.6) e somente o corpo físico (1Co 15.44; Lc 7.12; 2Rs 13. 20, 21; Jd 9; At 5. 1-11) .
e) O ciclo da vida é completado quando o corpo volta à sua origem, o pó da terra (Gn
3.19; Jó 34.14, 15; Sl 103. 14-16; 104.29; EC 3.20; 12.7; Sl 49.10-14).

III. A função da alma e sua imortalidade

Antes de apresentarmos a síntese desse estudo, segundo a Bíblia, veremos o conceito de
imortalidade e a funcionalidade da alma na mitologia greco-romana.
3.1 O invisível Plutão (Hades), soberano dos Infernos, senhor absoluto dos mortos

Após sua vitória sobre Cronos¹ (Saturno) e os Titãns², os três irmãos olímpicos dividiram
entre si o domínio do mundo: a Zeus³ (Júpiter) coube o reino do céu e da terra; a Poseidon
4

(Netuno) o reino dos mares e a Hades
5
(Plutão) o reino das profundezas terrestres, chamadas
Infernos, Érebo
6
, ou ainda Hades, como a própria divindade que as governa.
Os súditos desse deus subterrâneo são os mortos; seus companheiros, as criaturas
infernais
7
, que o ajudam a manter a ordem do reino das sombras. Seu atributo peculiar, o dom
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 6

de ser invisível, tal qual o seu mundo, vedado aos olhos dos vivos. Essa qualidade advinda do
capacete magico que os Ciclópes lhe ofertaram durante a guerra contra Cronos, justifica o
nome Hades:
Aoq, (Hades) significa “invisível”.
Quando invocado, Hades atua no sentido de auxiliar o cumprimento das vinganças,
tornando eficazes as maldiçoes. Entretanto, embora suas funções se refiram à morte e
destruição, ele também tem uma faceta benéfica. É Hades que propicia o desenvolvimento das
sementes, enterradas no limite de seus domínios, e favorece a produtividade dos campos.
Os cabelos desenrolados, a barba longa e em desalinho. Sua vestimenta vermelha
compõe-se de uma túnica e um pesado manto. Senta-se num trono, tendo ao lado o cão
Cérbero
8
. Esta é a representação mais famosa de Hades, que se encontra atualmente na Vila
Borghrse, em Roma.
3.1.1. O Reino das Sombras

Nas primeiras representações dos Infernos não existe conotação de castigo ou
recompensa, como na doutrina cristã. Homero (sec. IX a.c) descreve o Erebo como uma vasta
planície subterrânea, onde os mortos vagueiam como sombras sem inteligência, sem dor nem
alegria
9
. Apenas aqueles que cometeram grandes delitos sofre castigo.
Com o passar do tempo, os gregos se organizaram em cidades, criaram um sistema de
justiça, ordem e disciplina, julgando os criminosos e recompensando os benfeitores. A partir
dessa organização social, modifica-se o conceito dos Infernos, que passam a dividir-se em duas
regiões distintas: de um lado o Tártaro
10
e do outro lado Os Campos Elísios
11
. Para decidir o
destino eterno dos mortos, os gregos imaginaram um tribunal
12
composto por três juízes:
Minos
13
, Éaco
14
e Radamanto
15
, presidido pelo próprio Hades (Plutão).
Transpostos o portão do Hades, as almas desembarcam e postam-se diante dos juízes.
Os que cometeram grandes crimes, especialmente contra os deuses, são condenados às penas
do Tártaro. 0 premio dos bons é a eternidade nos Campos Elísios, lugar de temperatura
amena, suaves brisas e constante felicidades. Ali vivem os heróis, os favoritos do Olimpo, os
que levaram uma vida justa e em respeito às ordens dos deuses.
Na Odisseia, obra literária de Homero, Ulisses
16
consegue se comunicar com as almas
dos Infernos. Para tanto, dirige-se ao país dos Cimérios, situado numa ilha ocidental, onde
sempre era noite. Para alguns poetas, essa região fazia fronteira com o Hades; para outros, era
o próprio Hades, embora a maioria dos gregos localiza-se os Infernos nas profundezas da terra.
No país dos Cimérios, Ulisses abre uma vala profunda, que banha com sangue de
cordeiro e de uma ovelha negra. O túnel subterrâneo transporta o liquido até o lugar onde as
almas possam bebê-lo, pois esta é uma fonte de sua força
17
. Embora não acreditassem, como
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 7

os egípcios, que a vida continuava até fisicamente após a morte, também não consideravam
que a morte constituísse um fim absoluto. Extinguia-se a existência terrena, como processo
ultraterreno. O corpo não persistia, mas a alma e a sombra continuavam através da
eternidade, alimentadas de farinha, de mel e do afeto dos vivos.

3.2. Alma: vida eterna e imortalidade segundo a Bíblia

Para desenvolvermos com equilíbrio e sem equívocos o presente tema, é necessário
distinguirmos entre eternidade, imortalidade e vida eterna:
a. Eternidade: designa a característica daquilo ou de quem nunca nasceu. Deus nunca
nasceu; portanto Deus é eterno. A noção de imortalidade não pode ser usada em
relação a Deus, pois Ele está completamente fora da condição de vida ou morte. Sua
eternidade jamais teve um inicio e jamais terá fim.
b. Imortalidade: é a característica de quem não está sujeito à morte, isto é, de quem
nunca esteve sujeito (os anjos, por exemplo), ou de quem não está mais sujeito (todos
os que morreram salvos em Jesus Cristo).
c. Vida eterna: a imortalidade conduz, necessariamente, à vida eterna, que é uma vida
que não terá fim, seja de gozo e paz no seio de Abraão ou de tormento, no Hades (Lc
16.19-31).
O filosofo e historiador norte-americano Will Durant, discorrendo sobre a concepção de
imortalidade da alma entre os povos primitivos, relaciona fatos curiosos que evidenciam a
infantilidade e a concepção errônea dos homens ainda não alcançados pela Palavra de Deus.
Diz Will Durant que os negros Basutos não caminham pela beira da agua, por terem medo que
os crocodilos lhes “comam” a alma. Certas doenças e desmaios são tidos como momentâneas
“fugas” da alma. Entre os negros da África Ocidental acreditam que a dor de cabeça provém da
“perda” da alma, e mandam o curandeiro procurá-la na floresta: e o curandeiro procura-a e
acha-a, e retorna com a alma “fujona” dentro de uma caixa e novamente no corpo do paciente
pelos ouvidos. Só assim a dor de cabeça desaparece.
Nas Ilhas Celebes, os curandeiros armam anzóis no nariz, no umbigo e nos pés dos doentes
para “fisgar” a alma quando tentar fugir no momento da morte. Espirrar é perigoso, pois o
espirro pode fazer a alma “escapar”. Os Hindus estalam os dedos se alguém espirra perto,
como meio de impedir que alma saia. Algumas tribos recusam-se a ser fotografadas por terem
medo de suas almas serem aprisionadas com a foto e que mais tarde o fotógrafos as devore.
Não se sabe, porém em que período de sua historia os judeus passaram a acreditar que a
alma sobrevive à morte. O certo é que, no decorrer do seu contato com a cultura egípcia, eles
passaram a ver os antigos habitantes das margens do Nilo completamente voltados para as
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 8

“moradas eternas”, as suntuosas pirâmides que lhes serviam de tumulo, em flagrante
contraste com a relativa humildade de seus lares.
Entre os antigos judeus começou a circular a concepção de que a alma do homem – “a
lâmpada de Deus” – não pode jamais extinguir-se, não importa o que aconteça com o corpo.
Pela vontade de Deus, ela é moldada na imortalidade, e para o bem de Israel, e de toda a
humanidade, o homem deve aspirar a uma forma de existência mais elevada e mais pura.
Lembravam os judeus que assim como a alma está pura quando entra no corpo, nas mesmas
condições de pureza deve retornar ao Criador. A finalidade moral e religiosa da vida é,
portanto, proteger a alma contra a perda de sua pureza no mundo material.
Devemos distinguir um segundo conceito humano utilizado com relação a imortalidade, é
o que chamamos de “Glória Humana”. Conversavam um rei e um general gregos, Ulisses, rei
da ilha grega de Ítaca, e Aquiles
18
, comandante de um dos muitos exércitos gregos mobilizados
contra a resistência de Tróia, durante a longa batalha narrada por Homero em um dos mais
antigos monumentos literários da humanidade, Ilíada. Conversavam esses dois homens em
uma noite de trégua, quando Aquiles, o mais temido de todos os combatentes grego, queixou-
se a Ulisses de ter Ajax, outro general grego, adquirido enorme prestigio na opinião de todos,
durante os dois dias em que, devido a ferimentos recebidos, Aquiles não pudera sair para o
campo de batalha.
Reclama Aquiles que, em dois dias todos haviam se esquecido das inúmeras e heroicas
façanhas que ele praticara em meio a sangrentos combates durante quase 20 anos de guerra,
ao que o rei Ulisses respondeu: “o tempo, ó valoroso Aquiles, carrega às costas um alforje de
esmolas para o esquecimento, monstro que a ingratidão torna gigante. Essas migalhas são os
grandes atos praticados no passado, que são devorados no instante em que são feitos,
esquecidos tão logo se afirmam.
Já ter feito é estar fora da moda, por que o tempo com os hospedeiros muito se
assemelha, e estes, aos hóspedes que partem, apertam de leve a mão, enquanto que de
braços abertos recebemos que chegam. A boa vinda sempre sorri; o adeus sai suspirando. Por
isso não te espantes, grande homem, por estarem os gregos agora aclamando a Ajax,
enquanto estais ferido, por que as coisas em movimento atraem mais o olhar do que as que
não se mexem”.
Errada coisa é depositarmos a duração e o valor dos nossos atos na memória transitória
dos homens. Pois, como observou Artur Schopenhauer, “a glória humana é um simples eco, a
imagem, a sombra, o sintoma do verdadeiro valor. Pois aquilo que um homem pode ser de
melhor, é necessariamente para si próprio que deve sê-lo”.
Nenhuma instituição humana criada para preservar o nome dos que a ela se filiam,
conseguiu vencer a erosão do tempo e do esquecimento, pois a glória do homem é transitória,
e este, “quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará” (Sl 41.5), “pois
o homem é uma criatura apanhada pelo drama da salvação, mesmo que não o saiba” (François
Mauriac).
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 9

Diz o antigo pregador que “o pequeno achará os seus ossos em uma humilde sepultura, ou
em um adro sem pedra nem letreiro, e ressuscitará tão ilustre como as estrelas. O grande, pelo
contrário, achará seu corpo embalsamado em caixas de pórfiro, aos ombros de leões ou
elefantes de mármore, com soberbos e magníficos epitáfios, e ressuscitará mais vil que a
própria vileza” (Jo 5.28, 29).

3.3. Síntese do estudo Bíblico da alma:

a) A alma distingue o racional do irracional, a vida humana da vida animal (Gn 1.20).
b) Existe a alma terrena, que vive somente enquanto durar o corpo, esta é a alma dos
animais (Ec 3.19-21), mas como toda carne não é a mesma carne, assim ocorre com a
alma (Gn 1.24).
c) A alma distingue um homem do outro, constituindo a individualidade (Ex 1.5; Rm 13.1
– cada alma significa uma pessoa).

OBS: A palavra alma aprece com vários sentidos nas Sagradas Escrituras, tanto figurativos
como por sinédoque (comparação de várias coisas simultaneamente). Alguns, erroneamente,
dizem que “alma vivente” quer dizer “corpo vivente”, e que quando o corpo morre, nada mais
resta do homem.
Os animais também tem alma, mas muito inferior à dos homens (Gn 1.20, 21, 24; Sl
8.5-8; 1Co 15.39-41; Mt 6.26). Note-se que a mesma palavra original “Nephesh” é usada em
Gn 1, concernente aos homens e aos animais. A alma dos animais, além das muitas
inferioridades como veremos a seguir, acaba com a morte do bruto; já a alma do homem é
eterna. Além disso, Deus ao criar os animais disse “faça-se”, mas, quanto aos homens, disse
“façamos o homem segundo a nossa imagem e semelhança”.
Considerando ainda a superioridade da alma humana à dos animais, vemos que a alma
do homem está no seu “eu”, a sede dos sentimentos, personalidade, caráter, sentidos,
emoções, paixões, instintos, afeiçoes, apetites. A alma, por meio do espirito, põe-nos em
contato com Deus e, por meio do corpo, põe-nos em contato com o mundo. A expressão
“alma vivente”, em Gn 1, não seria necessária se não houvesse gradação nas almas dos
homens e dos animais. Sendo a alma humana tal como foi descrita acima, ao morrer o corpo
ela sobrevive (Gn35.18; Ap20.4-6; Dt 34.6 com Lc 9.28-31; Gn25.8, 9 com Lc 16.22-31).
A referencia de Lc 16.22 mostra que , ao morrer o corpo, resta alguma coisa real e
mortal que “foi levado pelos anjos”. Logo:
a) Quando a alma deixa o corpo, este vem a morrer: Gn 35.18; Lc 12.16-20.
b) O pecado é cometido pela alma humana: Ez 18.1-4; Sl 14.1-3; 53.1-3;78.17-19;Pv 4.20-
23.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 10

c) É na alma que ocorre o processo da salvação e o objetivo da obra vicária de Cristo, é a
salvação da alma: Sl 49.7-9, 14, 15; Lc 16. 19-31; Sl 9.17; Lc 12.4, 5; Mt 18.8, 9; Ap
20.11-15.

IV. Qual é a função do espírito e para onde ele vai após a
morte.

O espírito é a vida divina, imortal, recebida de Deus (Gn 2.7). Essa vida não é a respiração:
é a energia divina que Deus soprou no homem para que vivesse a sua alma. O espírito é
distinto do fôlego (Jó 34.14, 15; Is 42.5). Vê-se ai que fôlego e espírito são duas coisas
independentes.
O espírito identifica o homem, a criatura espiritual, e dá-lhe consciência de Deus. Só o
homem possui espírito (Jó 12.10). É a sede da razão, moral, intelecto, vontade, pensamento,
consciência. É também a sede da adoração (1Co 14.15). A alma e o espírito são distintos,
porém inseparáveis (Hb 4.12; Jó 12.10; 27.2-4). Por ter o homem vontade própria, ele é um ser
moral e responsável por seus atos e conduta (Jo 3.16, 17; 7.16, 17;Rm 7.17, 18; 1Co 9.17).
Devido a alma e o espírito serem parte da substância espiritual do homem, e, por ser o
espírito que vivifica a alma, os dois são, na Bíblia, muitas vezes mencionados indistintamente.
Os dois interpenetram-se de modo profundo e misterioso. É no espírito que dá-se o
testemunho do Espírito Santo de que somos filhos de Deus (Rm 8.16).
Um texto maravilhoso e profundo para o estudo da tricotomia humana é 1Co 15.44, onde
encontramos os termos oeµo ¢u_ikov
19
(somma psukikon) e ooµo tvcuµotikov
20
(somma
pneumatikon).
O texto de 1Co 15.38 diz: “mas Deus dá-lhe o corpo como quer , e a cada semente o seu
corpo, semente o seu próprio corpo”, isto significa que teremos a mesma identidade e
individualidade (funções proporcionadas pela alma), porém será um corpo transformado (1Co
15.52). Logo:
a. O espírito liga nossa alma a Deus, nos dando conhecimento dele: Sl 77.2, 3; 51.10-13;
Pv 23.17.
b. O espírito dá vida ao corpo, sem ele o homem morre: Pv 17.22; 18.14; Ec 12.7; Ez 37.1-
10; Jo 6.63; Tg 2.26.
c. É o elo de testificação do Espírito santo conosco: Rm 8.16.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 11

V. Notas do texto

1. Cronos: É um dos principais filhos de Gaia (Terra) que, antes de tê-lo, pela força de
Éros, uniu-se à Urano (céu). É conhecido como Saturno pelos romanos. Na mitologia
grega, o poeta Hesíodo se refere a estes primeiros filhos de Gaia e Urano da seguinte
forma: “alguns sobressaem pelo poder, outros se destacam pela tragédia… trágico é
Cronos, com seu destino desesperado, com as muitas tarefas que o futuro do mundo
lhe reserva. Por que ele é o deus do tempo –tudo regula, tudo comanda – cabe-lhe
criar uma nova ordem nos ares e nas coisas. Revolucionar constantemente a natureza.
Alterar o palco da vida, retirando dele seu próprio pai. Cronos é insaciável. O tempo
devora tudo: seres, momentos, destinos. O que importa é construir o futuro. Só
Mnemósine contesta Cronos, preservando, quando pode, a lúcida matéria sobre a qual
reina: a memória. Mas Cronos vence sempre. E continua sem medo sua implacável
cavalgada”. Segundo o poeta Hesíodo, Urano aprisionou no ventre de Gaia alguns de
seus filhos que ele detestava, os Ciclópes e os Hecatônquiros. No sofrimento, Gaia
convocava todos os seus filhos para se insurgirem contra Urano, que constantemente
a fecundava e por isso Gaia não parava de gerar, mas nenhum deles aceitaram, exceto
Cronos. Observe este ato nas palavras do poeta: “todos se recusaram. Só Cronos
aceita a incumbência da mãe, pois já estava revoltado com os seus sofrimentos. O
valente guerreiro do tempo promete a Gaia que a vingará. Ela entrega-lhe a afiada
foice que vinha trabalhando há muito tempo, com terrível intenção. Quando Urano se
aproxima da esposa para novamente fecunda-la, Cronos atira-se sobre o pai. Luta com
ele. Subjuga-o. Urano sangra e se contorce. Um grito de dor ecoa pelos quatro cantos
do planeta. Os testículos de Urano voam pelo espaço. O sangue escorre sobre a terra e
sobre as águas. E mais uma vez a natureza é fecundada. No mar, os órgãos com o
sêmem expelido formam uma espuma alvíssima, da qual emerge Afrodite (Vênus),
deusa do amor e da beleza. Na terra, o sangue o sangue origina as Melíades, ninfas dos
carvalhos, e as Erínias, vingadoras dos crimes semelhantes ao de Cronos. Mas elas
nada fizeram contra o vencedor de Urano. Todo poder do mundo lhe pertence. O titã
soberano une-se a Réia (Cibele), sua irmã, e nela engendra uma multidão de filhos,
porém devora-os, logo ao nascerem, para que não lhe tomem o reino. Apenas uma de
suas criaturas escapou-lhe à voracidade, e o destronou do centro do mundo: Zeus
(Júpiter), o poderoso olímpico.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 12


Saturno devorando a um hijo – Goya // Urano sendo mutilado por Cronos, de iorgio Vasari e Cristofano Gherardi.

2. Titãs: Designação dos filhos do Céu (Urano) e da Terra (Gaia), são eles Ceo, Crio,
Cronos, Hipérion, Iápeto e Oceano. Tão logo nasciam, os titãs, bem como seus irmãos
– Ciclópes e Hecatônquiros – eram encerrados no Tártaro por seu pai. Instigado pela
Terra, Cronos mutilou o pai e destronou-o. Entretanto, manteve os Ciclópes e os
Hecatônquiros em sua prisão subterrânea. Com tal atitude incorreu na ira de sua mãe,
que lhe previu sorte idêntica à do Céu. Mais tarde, ao fim de uma luta que durou dez
anos, Cronos e os titãs foram derrotados por Zeus (Júpiter). Após a vitória, o senhor do
Olimpo lançou-os no Tártaro, onde ocupam o lugar dos Ciclópes e Hecatônquiros,
libertos pelo deus.

3. Zeus: Nome grego para Júpiter (de origem latina). A maior divindade do Olimpo. Filho
de Cronos (Saturno) e Cibele. Para evitar que o pai o devorasse como havia feito com
os outros filhos, sua mãe o escondeu numa gruta situada, segundo a versão mais
corrente do mito, no monte Ida, em Creta. Foi confiado, então, aos cuidados dos
Curetes, dos Dáctilos e das Ninfas. Os Curetes dançavam, entoando cantos de guerrae
entrechocando as lanças em volta do bebê, impedindo que seu choro fosse ouvido por
Saturno. A criança foi alimentada por Amaltéia (ou Aíx). Assim tratado e protegido,
cresceu e adquiriu toda a sua força divina. Com uma droga, fornecida por sua
companheira Métis, fez com que o pai vomitasse seus irmãos. Auxiliado por estes e
pelos Hecatônquiros e Ciclópes, que libertou do Tártaro, atacou Cronos e os Titãs. Ao
fim da luta, que durou dez anos, o deus e seus irmãos – Poseidon (Netuno) e Hades
(Plutão) – repartiram entre si o universo, cabendo a Zeus o domínio do céu e da terra.
Para assegurar definitivamente o domínio do mundo, entretanto, os olímpicos lutaram
ainda contra os Gigantes, os Aloídas e Tifão, vencendo-os. Depois destas vitórias,
consolidou-se o poder de Zeus. Concebido inicialmente como divindade dos céus e dos
fenômenos atmosféricos, pouco a pouco adquiriu o caráter de deus supremo, imagem
da justiça, e da razão, da ordem e da autoridade. Onipotente, tudo vê e sabe,
possuindo o dom de prever o futuro. Sua esposa era Hera (Juno), mas teve, além dela,
muitos amores. Uniu-se a várias deusas e ninfas, como Têmis, Mnemósine, Ceres,
Eurínome, Latona, Métis, Maia e Égina. Amou ainda numerosas mortais, entre as quais
Níobe, Io, Europa, Dânea, Sêmele, Leda e Alcmena. Destas uniões nasceram deuses,
heróis e ninfas. Entretanto, nem sempre Zeus teve êxito em seus amores. Renunciou a
Tétis, temendo ser destronado pelo filho que nascesse dessa união. Apesar de seus
poderes, não conseguiu vencer a resistência da ninfa Astéria. Possuía importantes
templos em todo o mundo greco-romano. Na Grécia, o mais importante era o de
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 13

Dodona, no Epiro, onde o deus expressava seus oráculos. Outro notável centro de
culto era Olímpia, onde estava uma estátua do deus esculpida por Fídias. Essa imagem
constitui o tipo ideal da divindade, no qual buscariam inspiração os artistas
posteriores. Comumente, Zeus era representado com traços de homem maduro,
robusto, de semblante grave e majestoso, coroado por folhas de carvalho. Seus
atributos são o raio, o cetro e a águia.
Zeus, o poderoso do Olimpo

4. Poseidon: Divindade também conhecida por Netuno (de origem Latina). Na partilha do
mundo, enquanto Hades (Plutão) recebeu os infernos e Zeus (Júpiter) ficou com o céu
e a terra, Posseidon obteve a supremacia sobre o reino do mar. Sua função,
entretanto, não se limitava ao domínio das ondas; provocavas as tempestades,
abalava os rochedos e, golpeando-os com seu tridente, fazia brotar as fontes. Seu
poder estendia-se também ás águas correntes e aos lagos, embora os rios tivessem
divindades próprias. Quanto às terras, podia condená-las a súbita e mortal seca,
extinguindo as fontes ou os rios. Vivia num palácio nas profundezas do mar. Percorria
seu vasto domínio num carro puxado por cavalos brancos, empunhando seu tridente.
Acompanhava-se de um cortejo de Nereidas, centauros-marinhos, Hipocampos e
Delfins. À sua passagem, as vagas abriam-se em suave ondulação e as borrascas
apaziguavam-se. Unindo-se a Apolo, Juno e Minerva, conspirou para encarcerar Zeus.
Recuou, porém, anta as ameaças do gigante Briareu. Dominada a revolta, recebeu o
castigo de servir Laomedonte, rei de Tróia. De seu desentendimento com o soberano,
originou-se o rancor que dispensava aos troianos. Durante a guerra de Tróia, tomou
partido dos gregos. Sob os traços de Calcante, estimulou Ájax, encorajou Teucro e
Idomeneu, até o momento em que, sob ordens de Zeus, deixou o combate. Salvou
Enéias de ser morto por Aquiles; isto por que esse troiano não pertencia á
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 14

descendência de Laomedonte. Quando os homens se organizaram em cidades, os
deuses resolveram escolher aquelas em que seriam particularmente venerados. Como
dois ou três optassem pela mesma cidade, exigia-se a arbitragem de outras divindades
ou de mortais. E, nesses julgamentos, Poseidon era preterido. Assim perdeu Corinto
para o deus Hélios (Sol); Egina para Zeus; Naxos para Baco; Atenas e Trezena para
Atenas (Minerva); Argos para Juno; e Delfos para Apólo. Possuía, contudo, sua própria
ilha, a Atlântida. Teve diversos amores, todos fecundos. Unindo-se a Halia, teve seis
filhos e uma filha, Rodes. Esposou legitimamente Anfitrite e de sua união nasceu
Tritão. Muitas das suas aventuras amorosas tornaram-se célebres: com Toosa, teve
Polifemo; com Meduza, Crisaor e Pégaso. Com Amimone, Náuplio; com Ifimedia, os
Aloídas; com Teófana (Bisáltides), Crisómalos; com Ceres, Arião; Com Etra, Teseu; com
Líbia, Belo e Agenor. Contavam-se, ainda, entre seus filhos, Cércion, Círon e Orião. O
principal santuário de Poseidon encontrava-se me Mícale, montanha da Jônia, onde
era realizada a Panionia, festa nacional dos habitantes da região. Em Corinto, a cada
dois anos, era homenageado com os Jogos Ístmicos, constituídos de disputas de
caráter físico e torneios de música e poesia. Na Tessália, organizavam-se corridas de
carro em seu louvor. Nas festas Tauréia, sacrificavam-se lhe touros negros que, ainda
com vida, eram atirados ao mar. Poseidon era venerado na Beócia e no Peloponeso.
Em Roma, era considerado o deus da fecundidade e da vegetação (Netuno). Não
possuía lenda própria até ser identificado ao Poseidon grego. Suas festas, as
Netunálias, eram celebradas no verão, a 23 de Julho. Possuía um templo no Vale do
Circo Máximo, entre o Platino e o Avntino. Na tradição romana, tinha uma
companheira chamada Salácia (Venília). Consagravam-se lhe o cavalo, símbolo das
fontes e o touro, símbolo de seu poder fertilizador e de sua impetuosidade. É
representado com o tridente e sobre um carro puxado por cavalos brancos; cerca-se
de toda a espécie de seres marinhos

Estátua de Poseidon Pintura de Poseidon (aproximadamente 530aC)
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 15


5. Hades: Conhecido como Plutão ente os Latinos, é uma das doze divindades Olímpicas.
Filho de Cronos e Cibele participou da luta contra o pais e os titãs. Nessa ocasião, os
Ciclópes armaram-no com um capacete mágico que o tornava invisível. Vencido os
adversários, Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre si o império do universo.
Enquanto o primeiro ficou com o céu e a terra, Poseidon recebeu o reino dos mares e
Hades tornou-se o deus das profundezas subterrâneas, os infernos. Reinava sobre os
mortos. Era assistido em suas funções por múltiplas divindades: Hécate, as fúrias, as
Parcas, as Harpias, a Morte, o Sono, as Górgonas. Presidia o tribunal composto por
Minos, Éaco e Radamanto, destinados a julgar as almas. Estas, se condenadas, eram
atiradas ao Tártaro e, se absolvidas, encaminhadas aos Campos Elísios ou Ilha dos
Bem-Aventurados. Hades habitava um palácio circundado de álamos e salgueiros
estéreis.; o solo era recoberto de asfódelo, planta das ruinas e cemitérios.raramente o
deus interferia nos assuntos terrestres ou olímpicos. Só deixou seu reino duas vezes:
para raptar Prosépina, a quem tomou como esposa, e para curar-se, no Olimpo, de
uma ferida provocada por Hércules. Era invocado no sentido de fazer cumprir as
vinganças e tornar eficazes as maldiçoes. Entretanto, embora seu principal papel se
ligasse a morte e destruição. Hades apresentava também uma faceta benéfica:
propiciava o desenvolvimento das sementes e favorecia a produtividade dos campos.
Como divindade agrícola, seu culto associava-se ao de Ceres. Juntamente com a deusa,
era celebrado nos mistérios de Elêusis, ritos comemorativos da fertilidade, das
colheitas e das estações. Era venerado sobre vários epítetos, que procuravam destacar
seus aspectos mais favoráveis aos mortais: Eubuleu (o que dá bons conselhos);
Polidectes (oque acolhe muitos hóspedes); Agesilao (o que reúne os povos); Trofônio
(oque torna a terra mais fértil). Para pedirem sua proteção, os devotos batiam no solo
com suas mãos ou com varas. Ofereciam-lhe em sacrifício carneiros ou cabras negras.
Consagravam-lhe o narciso e o cipreste. Entre os romanos, suas festas eram
celebradas a 12 de Junho e durante sua realização somente o templo do deus infernal
permanecia aberto. Hades é retratado de cenho franzido, cabelos e barba
desalinhados, veste túnica e manto vermelho. Está sentado num trono, tendo ao seu
lado o cão Cerbero. Como deus da vegetação, é apresentado com traços mais suaves,
levando uma cornucópia nas mãos.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 16


O Rapto de Perséfone


6. Érebo: Primitivamente designava o lugar mais sombrio e inacessível dos Infernos.
Depois passou a indicar toda a região infernal. Ao atribuir-lhe uma genealogia, Hesíodo
apresenta-o como filho do Caos e irmão da Noite. Da união de Érebo e Noite nasceram
o Éter e o Dia.

7. As criaturas Infernais: Para manter sempre atuante o Tribunal dos infernos e sempre
povoado o mundo das sombras, existe Tánatos, a Morte, principal auxiliar de Hades,
embora não estivesse submetido a ele. Para os gregos, Tánatos é um deus; para os
romanos, uma deusa, a quem chamam Mors. Filho da Noite, Tánatos é descrito por
Eurípedes (480? – 406 aC.) coberto de negro, passeando entre os homens com uma
faca na mão. A atuação de Tánatos, porém, depende da vontade do Destino, força
maior, e bem superior aos homens e aos deuses. Quando o Destino decide que é
chegada a hora final, Tánatos envia as Queres para executarem a determinação. Essas
divindades infernais apoderam-se do mortal designado, golpeiam-no, e arrastam-no
para o Érebo. Quando o mortal apontado para morrer é um perjuro, ou cometeu
crimes contra pessoas de sua família, Tánatos manda em lugar das Queres as Erínias
ou Fúrias. Filhas de Gaia, fecundadas pelo sangue de Urano, as Erínias figuram entre as
mais antigas divindades dos gregos. Eram imaginadas como três deusas negras, aladas,
com cabeleira eriçadas de serpentes e levando nas mãos tochas e açoites. Sentam-se
no umbral da casa do criminoso e dali não se afastam até enlouquecerem o culpado e
levarem-no sob suplícios aos infernos. Minos, Éaco e Radamanto eram os juízes que
determinavam, no tribunal das almas presidido por Hades, o destino das almas
segundo os seus feitos: o Tártaro ou os Campos Elisíos. Cérbero, o cão de múltiplas
cabeças eram que guardava a entrada dos Infernos.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 17


Hipnos e Tânatos, de Jhon Willian Waterhouse O remorso de Orestes, (1862) por William-Adolphe Bouguereau

8. Cérbero: Filho de Tifão e Equidná. Era um cão de multiplas cabeças, serpentes em
torno do pesoço e mordida tão venenosa quanto à de uma víbora. Guardião dos
Infernos ficava do outro lado do Aqueronte; permitia a entrada das almas, porém as
impedia de sair. Quanto aos mortais, despedaçava os que se atreviam pelo Reino dos
Mortos. Entretanto, Psiquê, enviada aos Infernos por Vênus, conseguiu entrar,
oferecendo um bolo a Cérbero. Do mesmo modo, Deífobe, a sibila de Cumas, quendo
conduziu Enéias ao mundo das sombras, deu ao monstruoso cão uma pasta sonífera.
Orfeu, na sua busca a Eurídice, adormeceu-o ao som de sua lira. E Hércules derrotou-o
(V Trabalhos de Hércules). Encarregado por Euristeu de procurar o cão e trazê-lo a
terra, o heroi, depois de várias façanhas, chegou até Hades e falou-lhe de seu intento.
Obteve permissão para levar Cérbero, desde que conseguisse capiturá-lo utilizando
apenas sua couraça e sua pele de leão. Hércules atacou o cão, apertou-lhe o pescoço
entre as mãos, e levou-o a euristeu. Depois, reconduziu-o aos Infernos.


Cérbero, de Gustave Doré para a Divina Comédia Hércules e Cérbero, mosaico romano
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 18


9. O estádo da alma após a morte na visão primitiva grega: A regra geral nessa concepção
p´rimitiva dos Infernos, é a apatial total dos mortos, a existência sem vontade, sem
prêmios nem castigos.

10. Tártaro: Primitivamente, região do mundo localizada abaixo dos infernos, dos quais
esra separada por uma distância igual à que existe enter o céu e a terra. Aos poucs,
entretanto, passou a ser considerado um lugar especial dos Infernos, onde eram
supliciados os grandes criminosos. Neste sentido, opunha-se aos Campos Elísios,
destinado aos justos. O tártaro era um abismo insondável, tenebroso, cercado por
uma triplice muralha e pelo rio Flegetonte. Defendia sua entrada uma torre muito alta,
cujas portas eram guardadas pela fúria Tisífone. Os próprios deuse temiam o Tártaro,
onde podiam ser precipitados por Zeus. Segundo uma versão, o Tártaro constituia um
dos elementos primordiais do mundo. Unindo-se à Gaia, teve Tifião e Equidná,
conforme uma tradição.

11. Campos Elísios: Ou Ilha dos Bem-Aventurados, também imaginada nas profundezas
terrestres, onde bons usufruem as recompesas de suas ações.


12. Tribunal: Com o passar do tempo, od gregos organizaram-se em cidades, criaram um
sistema de justiça, ordem e disciplina, julgando os criminosos e recompensando os
benfeitores. A partir dessa organização social, modifa-se o conceito dos Infernos, que
passa a se dividir em duas regioes distintas: de um lado o Tártaro, lugar de expiação,
onde os maus pagam suas culpas; do outro lado, os Campos Elísios, ou Iha dos Bem-
Avennturados, também imaginada nas profundezas terrestres, onde os bons usufruem
as recompensas de suas ações. Para decidir i destino dos mortos, os gregos
imaginaram um tribunal composto por três juízes: Minos, Éaco e Radamanto, presidido
pelo próprio Hades.

13. Mínos: Filho de Zeus e Europa. Sucedeu Astério, seu pai adotivo, no trono de Creta.
Quando seus irmãos, Sarpedão e Radamanto, contestaram essa herança, Mínos
respondeu que o reino lhe tinha sido destinado pelos deuses. Acrescentou que tudo
que pedisse às divindades lhe seria concedido. Para provar essa afirmação, ofereceu
um sacrifício a Poseidon e solicitou-lhe que fizesse sair um touro do mar; prometeu,
em agradecimento, que o animal seria imolado em homenagem ao deus. Este o
atendeu, mas o soberano, impressionado com a beleza do animal, deixou de sacrificá-
lo. Poseidon vingou-se, enlouquecendo o animal. Mínos esposou Pasífae, filha de
Hélios e Pérse, ou, segundo outra versão, Cretéia, filha de Astério. Seus filhos legítimos
foram: Catreu, Deucalião, Glauco, Androgeu, Acacális, Xenódice, Ariadne e Fedra. Além
deles, teve, com uma ninfa da Ilha de Pacos, Eurimedonte, Crises, Nefalião e Filolau, e,
com a ninfa Dexitéria, Euxântio. Atribuem-lhe grande numero de aventuras amorosas
e costumam apontar-lhe como o primeiro a praticar a pederastia. Segundo uma
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 19

tradição, foi ele que raptou Ganimedes. Entre seus amores femininos, destacam-se
ainda Britomártis e Peribéia. Indignada com as infidelidades de Mínos, Pasífae lançou
uma maldição sobre o leito do marido e, a partir dai, todas as suas concubinas eram
mortas pelas serpentes e escorpiões que saiam de seu corpo. O soberano livrou-se
desse encanto graças a Prócris. Para vingar seu filho Androgeu, cuja morte tinha sido
causada por Egeu, rei de Atenas, Mínos impôs aos atenienses um tributo periódico de
sete moças e sete rapazes. Os jovens eram devorados pelo minotáuro. Teseu, graças a
um ardil que Dédalo confiou a Ariadne, penetrou no labirinto e matou o animal. Desse
modo, livrou seu país do pesado tributo. Irritado com Dédalo, Mínos perseguiu-o e, ao
saber que seu prisioneiro se encontrava escondido na corte siciliana, usou um
estratagema para que ele se revelasse: prometeu recompensa a quem fizesse passar
um fio pelas espirais de um caracol. Cócalo propôs a questão a Dédalo e este, ligando
o fio a uma formiga, fê-la enveredar pelo labirinto. Ao receber o soberano o problema
resolvido, Mínos teve a prova de que Dédalo, o homem engenhoso por excelência,
encontrava-se naquelas paragens. Cócalo confirmou suas suspeitas e prometeu-lhe
entregar o hóspede. Entretanto, ao invés disso, incumbiu suas filhas de jogarem água
fervente em Mínos durante o banho. Após sua morte, o rei cretense passou a
constituir, ao lado de seu irmão Radamanto e de Éaco, o Tribunal dos Infernos. Foi
considerado o primeiro civilizador de Creta. Segundo uma versão, seus atos eram
inspirados por Zeus, com quem conversava frequentemente em uma caverna no
Monte Ida.

Face de Minos

14. Éaco: Filho de Zeus e da ninfa Egina. Vivia em Enone, ilha despovoada, que depois
recebeu o nome de sua mãe. Desejando amigos e súditos, Éaco pediu ao pai que
transformasse as formigoas da ilha em homens. Desse modo originou-se a raça dos
mirmidões (Myrmikes, em grego, significa formigas). Mais tarde os gregos
encarregaram-no de conseguir dos deuses que cessasse a seca que desolava os
campos. E Zeus novamente o atendeu. Éaco esposou Endeis, com quem teve Telamão
e Peleu. Depois uniu-se a Psâmate e gerou Foco. Após sua morte, Éaco tornou-se um
dos juízes dos infernos, função que partilhava com Mínos e Radamanto. Em Egina
ergueram-lhe um templo. Era considerado o mais piedoso dos gregos.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 20


Éaco e Telamón, por Jean-Michel Moreau
15. Radamanto: Herói cretense, filho de Zeus e Europa. Foi criado por Astério, rei de Creta.
Sábio e justo organizou o código jurídico cretense. De acordo com uma versão, foi
obrigado por Minos, seu irmão e herdeiro do trono, a fugir da ilha; asilou-se na Beócia,
onde teria esposado Alcmena. Promulgou as leis das cidades, atribuindo-se lhe a
autoria da Lei de Talião. Depois da morte, foi feito juiz do tribunal dos Infernos, ao lado
de Éaco e Minos. Era encarregado particularmente de julgar as almas dos mortos
provenientes da Ásia e da África. Uma variante da lenda conta que Radamanto foi
levado para a Ilha dos Bem-Aventurados, onde esposou Alcmena.

16. Ulisses: Nome latino de Odisseu. Filho de Sísifo e Aticléia. Segundo putra versão, era
fiho de Laertes, reis de Ítaca, a quem a jovem esposou depois de sua união com Sísifo.
Ainda adolescente, Ulisses viajou até a corte do avô Autólio e participou de uma caça
ao javali, no monte Parnaso,; nessa ocasião, foi ferido no joelho por um dos animais.
Dirigiu-se também à Lacedônia, onde Ífito lhe deu, como presente de hospitalidade, o
arco de Êurito. Ao atingir a idade adulta, recebeu de Laertes o trono de Ítaca e
candidatou-se à mão de Helena, filha de Tíndaro. Entretanto, ao tomar conhecimento
do elevado número de pretendentes, desistiu de seu propósito. Sugeriu a Tíndaro que,
para evitar uma guerra entre os pretendentes, os fizesse jurar que respeitariam a
escolha de Helena e auxiliariam o eleito, se necessário. Em agradecimento, ajudou a
Ulisses a obter a mão de Penélope. Dessa união nasceu Telêmaco. Quando Agamenão
convocou os chefes gregos contra Tróia, o herói procurou esquivar-se, lançando mão
de um estratagema. Desmascarado por Palamedes, viu-se constrangido a acompanha-
lo. Antes, porém, foi buscar Aquiles, que, disfarçado em mulher, se escondia na corte
do rei Licômedes. Simulando um ataque, o herói invadiu o palácio. Enquanto suas
companheiras, amedrontadas, se esconderam, Aquiles pegou em armas para resistir,
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 21

fazendo se reconhecer. Ulisses seguiu para Tróia no comando de doze navios. Durante
a guerra, combateu com bravura e destacou-se por sua prudência e astúcia. Serviu
como intermediário na reconciliação entre Agamenão e Aquiles. Encarregou-se de
reconduzir Criseide ao pai. Castigou Tersites quando este incitou os soldados a se
rebelarem; persuadiu os gregos a continuarem na luta. Para preencher as condições
indicadas por Heleno, foi em busca de Filoctetes, possuidor das flechas de Hércules;
conseguiu a participação de Neoptólemo na luta; apoderou-se do Paládio. Inspirado
por Minerva propôs a construção do cavalo de madeira, graças ao qual os gregos
conseguiram invadir a cidade inimiga. Terminada a guerra, partiu de Tróia com
Agamenão, do qual se separou durante uma tempestade. Fez sua primeira escala no
país dos cícomos. A seguir, atingiu o Cabo Maléia e o país dos Lotófagos. Continuando
a viagem, chegou a Sicília, onde foi vitima da violência do ciclope Polifeno. Por meio
de um ardil, conseguiu vencê-lo e retomou seu caminho. Éolo recebeu-o
hospitaleiramente em seus domínios. No pais dos Lestrigões, a frota do herói
naufragou, salvando-se apenas seu próprio navio. Aportando em Ea, foi recebido por
Circe. Ao retomar a viagem, conseguiu passar incólume pela Ilha das Sereias. Pouco
depois, vários de seus marinheiros foram devorados por Cila. O navio escapou aos
redemoinhos de Caribde e chegou à Ilha de Trinácria. Ali os companheiros do herói
mataram alguns bois pertencentes ao deus Hélios. Como castigo, segundo uma
tradição, foram exterminados numa tempestade enviada por Zeus. Ulisses não
participara do ato sacrílego, foi poupado. Apos nove dias, aportou na Ilha de Calipso,
onde permaneceu longo tempo. Pondo-se novamente ao mar, teve sua embarcação
destroçada por uma tormenta que Poseidon provocara. Foi lançado à Ilha Esquéria,
habitada pelos feácios. Esgotado, adormeceu na praia. Nausícaa, a filha de Alcino,
soberano local, encontrou-o e levou-o ao palácio. Na corte, Ulisses recebeu
hospitaleira acolhida. Durante um banquete realizado em sua homenagem, narrou as
aventuras que vivera. Como persistisse no desejo de retornar à pátria, Alcino ofereceu-
lhe um navio. Disfarçado em mendigo, dirigiu-se a Eumeu, em quem depositava
grande confiança. Em sua cabana, avistou-se com Telêmaco. Nesse momento, Minerva
fez desaparecer o disfarce. O herói deu-se a conhecer. Numa prova de arco, sugerida
por Penélope, Ulisses venceu os pretendentes. Em seguida, empreendeu o massacre
dos rivais. Eles não puderam resistir, pois Telêmaco havia recolhido todas as armas do
palácio. Ulisses revelou sua identidade a Penélope e, para desfazer qualquer dúvida,
descreveu-lhe o quarto nupcial, que apenas ambos conheciam. Na manhã seguinte
dirigiu-se ao campo e apresentou-se a Laertes. Atacado pelos familiares dos
pretendentes, venceu-os com a ajuda do pai e de Minerva, que tomara os traços de
Mentor. Algum tempo depois, Ulisses foi morto por Telégono. Numa variante da lenda,
morreu de tristeza ao saber da morte de Circe e Telêmaco.

A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 22


O Naufrágio de Odisseu Odisseu e sua fiel esposa Penélope
17. O alimento das almas: A idéia de que os mortos precisavam de alimento encontra-se
clara nos ritos fúnebres dos gregos. Era costume realizarem grandes libações no
cemitérios jogando farinha e mel sobre os túmulos, na crença de que assim
revigorariam as almas.

18. Aquiles: Filho de Peleu, rei de Ftia, na Tessália, e de Tétis. Para torná-lo imortal, sua
mãe passou-lhe ambrosia no corpo e manteve-o sobre o fogo; depois mergulhou-o no
Rio Estige, cujas águas deviam fazê-lo invulnerável. Mas, ao submergi-lo, segurou-o
por um calcanhar que, desta forma, não foi tocado pela água e ficou sendo o único
ponto vulnerável do herói. Confiado a Fenix, aprendeu a arte da eloquência e o
manejo das armas com ele. Passou, depois, aos cuidados do centauro Quirão, que o
alimentou com entranhas de leões e javalis, para transmitir-lhe a força dos animais, e
ensinou-lhe medicina. Aquiles foi o principal herói grego na guerra de Tróia. Tendo
ouvido o célebre adivinho Calcante que Aquiles morreria na guerra de Tróia, Tétis
disfarçou o filho de mulher e levou-o para a corte de Licomedes, onde ele se dedicou a
trabalhos femininos. Aquiles sigilosamente revelou sua identidade a Deidâmia, filha de
Licomedes, pela qual se apaixonara; de sua união com ela, nasceu Pirro ou
Neoptólemo. Descoberto por Ulisses, seguiu com o herói para Tróia. Apesar dos
conselhos de sua mãe, preferiu uma vida curta, mas gloriosa, a uma existência mais
longa, porém obscura. Logo se tornou conhecido por suas façanhas; conquistou várias
cidades da Cilícia. Desentendeu-se com Agamenão, que lhe arrebatara Briseis, cativa
de guerra; em seguida, retirou-se da luta, acarretando inúmeras derrotas para os
gregos. Quando seu amigo Pátroclo foi morto por Heitor, retornou ao combate.
Usando uma armadura mágica, forjada por Vulcano, a pedido de Tétis. Matou Heitor,
arrastou seu corpo em torno de Tróia, e entregou-o depois, a Príamo. Foi morto por
Páris, com uma flechada no calcanhar, quando ia ao encontro de Polixena.
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 23



A fúria de Aquiles, de Geovanni Battista Tiepolo The education of Achilles, by James Barry -1772

19. Somma Psukikon: É uma expressão grega que significa, literalmente, “corpo-alma”.
Refere-se ao corpo humano tal qual entra neste mundo, dominado e controlado pela
alma, com sua natureza pecaminosa herdada de Adão. É o homem puramente
psicológico, cuja consciência e reconhecimento de Deus estão amortecidos. Sua mente
tornou-se puramente terrena (ver 1Co 2.14)

20. Somma Pneumatikon: è uma expressão grega que significa, literalmente, “corpo-
espírito” (ou corpo espiritual). Refere-se ao homem já ressuscitado. O corpo
ressuscitado será um corpo mesmo glorificado, superior à matéria. Esse corpo é
chamado, no texto de 1Co 15, de corpo espírito por que o espírito será, então, a parte
dominante dai por diante. Como ressuscitado, o individuo se ocupará com Deus, Sua
adoração, comunhão e serviço (ver 1Co 15.38, 52).
VI. Conclusão do estudo

Após uma profunda abordagem sobre o tema da existência da “trindade” humana (a
tricotomia), concluímos que a Bíblia nos dá uma abundancia de referencias que, ao serem
observadas dentro de seu contexto, corroboram a crença no seguinte esquema abaixo:
A. Corpo: Voltará ao pó (Gn 3.19; Jó 34.14, 15; Sl 103.14-16; sl 104.29; Ec 3.19, 20; 12.7);
é semeado em corrupção (Gn 6.5-13; 1Co 15.42; Jd 5-16); é semeado em desonra (Rm
A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 24

1.24, 25; 1Co 15.42; Ap 22.10, 11); é semeado em fraqueza (Ec 12.6; 1Co 15.43); é
semeado somente o corpo “in natura” (2Rs 13.20, 21; Lc 7.12; At 5.1-11; 1Co 15.44, Jd
9).
B. Alma: Diferencia o ser racional do irracional (Gn 1.20); diferencia um homem do outro,
constituindo a individualidade (Ex 1.5; Rm 13.1); o pecado é cometido pela alma do
homem (Sl 14-1-3; 53.1-3; 78.17-19; Pv 4.20-23; Ez 18.1-4); é a alma que será salva
para a vida eterna ou que perecerá, sofrendo o dano da segunda morte (Sl 9.17; 49.7-
15; Mt 18.8, 9; Lc 12. 4, 5; 16. 19-31; Ap 20.11-15).
C. Espírito: liga nossa alma a Deus nos dando discernimento d’Ele (Sl 51.10-13; Sl 77.2, 3;
Pv 23.17); ele dá vida ao corpo e sem ele o homem morre (Pv 17.22; 18.14; Ec 12.7;
Ez37.1-10; Jo 6.63; Tg 2.26); é no nosso espírito que o Espírito Santo testifica que
somos filhos de Deus (Rm 8.16).
Embora haja algumas teorias sobre a origem e o destino da alma e do espírito, bem como
suas funcionalidades, a saber, a teoria da dicotomia, que afirma que a alma morre junto com o
corpo e a teoria da tricotomia, que afirma ser o homem composto por corpo, alma e espírito,
sendo que a alma e o espírito, são imortais e que a alma do homem é o que se pode salvar,
pela fé em Jesus Cristo, ou sofrer o dano da segunda morte, pela falta de fé e aceitação do
sacrifício vicário de Jesus Cristo.
Logo, torna-se necessário saber que, em meio a tantas teorias existentes sobre o assunto –
aqui só mencionamos as duas mais conhecidas – “em todas as coisas temos liberdade, nas
coisas essenciais para a salvação, temos que ter unidade, e nas coisas não essenciais,
tenhamos sempre caridade!” Que Deus te abençoe e edifique a sua vida por meio deste
estudo!

A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES
AVALIADOS SEPARADAMENTE
6 de
outubro de
2011

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH
Página 25

VII. Bibliografia

1. Bíblia Hebraica.
2. Tanáh.
3. Biblia de Estudo Alfalite (tradução direta da versão Septuaginta).
4. Bíblia de Estudo Genebra.
5. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia (editora Vida – Myer Pearlman).
6. Dicionário Hebraico-português /Português-hebraico (editora Sêfer).
7. Dicionário Hebraico/Aramaico/Português.
8. Léxo grego do Novo Testamento.
9. Comentário bíblico Moody vl. 1.
10. Comentário bíblico Moody vl. 5.
11. Enciclopédia Mitológica Greco-romana (editora Abril).
12. Dicionário Mitológico Greco-romano (editora Abril).
13. Revista “A Seara” (CPAD – edição 224, novembro de 1983).
14. Teologia Sistemática (editora Juerp – A. B. Langston).

A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE

6 de outubro de 2011

A tricotomia humana e a funcionalidade de seus componentes avaliados separadamente 1Ts 5.23

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso SENHOR Jesus Cristo.”

Introdução:
Observando Gn 2.7 veremos que, basicamente, o homem é formado por duas substancias: 1. Substância física, ou corpórea (“pó da terra”). 2. Substância abstrata, ou espiritual (“fôlego de vida”, “alma vivente”). Para melhor entendermos este conceito é importante fazermos uma exegese correta, avaliando o contexto remoto e imediato dos textos bíblicos referente à criação do homem, a raiz etimológica das palavras chave dos textos envolvidos no original grego/hebraico/aramaico e outros textos que irão servir como base para as afirmações que seguirão este estudo.

Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério - IBNRMH

Página 2

14-19). aqui é “asah”. É fazer algo tendo em mãos a matéria prima básica.” (Gn 2. aponta para o outro dia da criação. At 26. criar do “nada” (ex-nihilo). veja o 2º dia da criação (Gn 1.3-5.11.16.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 I.1-3.1. 2. ser feito.IBNRMH Página 3 . preparado. Is 45.9-13). Analisando o contexto remoto de e imediato da criação do homem Nos capítulos um e dois do livro do Gênesis teremos a narrativa da criação da seguinte forma: A A criação da terra e de tudo o que existe é obra de Deus (Gn 1.20-23). com o sétimo dia.12. “No principio criou Deus…” Gn 1. e o homem se tornou alma vivente.5. e o que foi criado nele.2.7) É de vital importância compreendermos quais são os verbos que atuam na criação do homem. concluído. Sl 90. que significa fazer. e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida.17). Jo 1.18).6-8). aqui é “bara”. B A criação da luze a separação entre trevas e luz – 1º dia (Gn 1. Eis ai. veja o 1º dia da criação (Gn 1. C A criação do céu (firmamento) e a separação de águas acima do firmamento e águas abaixo do firmamento – 2º dia (Gn 1. 2. na sua raiz hebraica.7). Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . veja o 3º dia da criação (Gn 1.1: O verbo criar. resumidamente. Jo 1. E A criação dos astros e estrelas e a separação entre dias e noite – 4º dia.26: O verbo fazer. G A criação do homem e a pronunciação da segunda bênção de Deus para a criação – 6º dia. a atividade criadora de Deus.24-31. que significa criar sem qualquer matéria inicial.7. Cl 1. completando assim. “E disse Deus: Façamos o homem…” Gn 1. na sua raiz hebraica. Deus descansa de sua atividade criadora – 7º dia (Gn 2. Veremos estes verbos e conheceremos suas diferenças agora: 1. H Dia conclusivo na criação. D A criação da terra – 3º dia (Gn 1. Sl 139. Envolve criatividade e o uso das matérias adequadas para se formar o que se deseja criar. o relato da criação. F A criação da vida aquática e a pronunciação da primeira bênção de Deus para a criação – 5º dia.1-3). Analisaremos agora o primeiro versículo que serve como base para a doutrina da tricotomia do homem: “E o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra.2. Observe como cada dia. Este tipo de ação criadora só pode ser realizado por Deus.

do COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY. É a última etapa da criação.1. ou espiritual. criar. 47-49) feita à própria imagem de Deus. formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida. . Esta estranha combinação de pó e divindade deu lugar a uma criação maravilhosa (consultar 1Co 15.7 (a matéria toma a forma do criador).4). uma criatura de dois mundos. ou corpórea e substância abstrata. a terra e os céus.7: O verbo formar. Kyle.1. ambos. 3. no livro número 1.” Observe o comentário feito pelo Dr. moldando com suas mãos o material plástico que tinha nas mãos (consultar Jr 18. envolvidos na criação. estão diretamente ligados na criação do homem como veremos nos versículos abaixo: a) Bara: Gn 1. O corpo do homem foi feito do pó da terra enquanto o seu espírito veio do próprio ‘fôlego’ de Deus.A exegese de Gn 2. O primeiro passo foi importantíssimo. literalmente. o homem estava destinado a revelar as qualidades do Doador da vida. aqui é “Yatsar”.” Com esta observação do Dr. Como ser vivente.27 (criação inigualável). “E formou o SENHOR Deus…” Gn 2. da dupla composição do homem: a substância física. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . b) Asah: Gn 126 (ajuntamento de matéria prima). concluímos a argumentação lógica. formar. Ele recebeu os poderes de pensar e sentir. nas páginas 6 e 7: “Novamente os dois nomes de Deus estão ligados em antecipação ao acontecimento que marcou época. de se comunicar com os outros. ele foi feito semelhante a Deus nos poderes espirituais. dentro do ponto de vista criacionista. Deus comunicou a Sua própria vida a essa massa inerte que Ele já criara e dera forma e dera forma. A palavra “rayitseh” foi usada para dar a ideia de um oleiro trabalhando. Ele é. c) Yatsar: Gn2. até um certo ponto. de discernir e. Antes. mas o pó humedecido estava longe de ser um homem até que o segundo milagre aconteceu. amoldar. Kyle M. O fôlego divino permeou o material e o transformou em um ser vivente. Yates. que significa plasmar.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 3. têm direitos sobre ele.7 “Então. É dar aparência (amoldar) o que foi ajuntado em um processo anterior à criação.IBNRMH Página 4 . Todos estes verbos. e o homem passou a ser alma vivente. de determinar o seu próprio caráter. Esta linguagem das Escrituras não sugere que o homem tivesse semelhança física com Deus. na sua raiz hebraica. O mesmo verbo foi usado para descrever o quadre da formação de um povo ou nação.

Adão viveu 930 anos (Gn 5.3). o pó da terra (Gn 3. Gn 6.24.10. 15. Jó 34. comumente encontrados nas Escrituras associados a corpo são: “geviyah” (corpo. 104.12. por causa de sua transgressão. como a prática do pecado passou a fazer parte do estilo devida de alguns homens. cadáver). b) Os termos. e) O ciclo da vida é completado quando o corpo volta à sua origem.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 II. Jd 9.10).42. segundo a Bíblia. O tempo de vida deste corpo terreno foi diminuindo gradativamente à medida que o homem se aproximava e praticava o pecado com maior frequência. ou ainda Hades. 3. em fraqueza (1Co 15.42.29.44. 14-16.1 O invisível Plutão (Hades). III. chamadas Infernos. 12. em desonra (1Co 15.5. Rm 1.20. a morte foi sua sentença no Éden: Gn 3. 25. a estimativa de vida do homem baixou para 70 anos (Sl 90. Rm 5. Os súditos desse deus subterrâneo são os mortos. 11.IBNRMH Página 5 .19. o dom Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . A função da alma e sua imortalidade Antes de apresentarmos a síntese desse estudo. d) O corpo do homem é semeado na terra em corrupção (1Co 15. Rm 3. 2Rs 13.23). Jd 516). a morte física (Rm 6. que o ajudam a manter a ordem do reino das sombras. a Poseidon4 (Netuno) o reino dos mares e a Hades5 (Plutão) o reino das profundezas terrestres.5). 21. At 5. Lc 7. parente.43. as criaturas infernais7.7. Segundo a Bíblia.10-14). como salário. 17-19.6) e somente o corpo físico (1Co 15. como a própria divindade que as governa. Ec 12. Sl 103. os três irmãos olímpicos dividiram entre si o domínio do mundo: a Zeus³ (Júpiter) coube o reino do céu e da terra. Sl 49. com a prática do pecado a raça humana teve seus dias abreviados para 120 anos (Gn 6.22. 20. senhor absoluto dos mortos Após sua vitória sobre Cronos¹ (Saturno) e os Titãns². c) Por causa do pecado o homem passou a receber. Érebo6. corpo. em muitos casos. 1-11) . 12. “basar” (carne. hebraico e grego. pele) e “Soma” (corpo). seus companheiros. Ap 22. 17-19. 23. Seu atributo peculiar. soberano dos Infernos.14. veremos o conceito de imortalidade e a funcionalidade da alma na mitologia greco-romana. EC 3. qual é o destino do corpo após a morte? Vejamos a seguinte ordem proposta para abordar este tema como se segue abaixo: a) O homem foi criado em caráter de perpetuidade só que. a morte espiritual e. 11).

A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 de ser invisível. ordem e disciplina. pois esta é uma fonte de sua força17. presidido pelo próprio Hades (Plutão). embora suas funções se refiram à morte e destruição. enterradas no limite de seus domínios. A partir dessa organização social. onde os mortos vagueiam como sombras sem inteligência. os que levaram uma vida justa e em respeito às ordens dos deuses. para outros. em Roma. Homero (sec. No país dos Cimérios. que se encontra atualmente na Vila Borghrse.1. tornando eficazes as maldiçoes.IBNRMH Página 6 . que passam a dividir-se em duas regiões distintas: de um lado o Tártaro10 e do outro lado Os Campos Elísios11. Essa qualidade advinda do capacete magico que os Ciclópes lhe ofertaram durante a guerra contra Cronos. lugar de temperatura amena. Para alguns poetas. É Hades que propicia o desenvolvimento das sementes. e favorece a produtividade dos campos. Os cabelos desenrolados. que banha com sangue de cordeiro e de uma ovelha negra.1. suaves brisas e constante felicidades. ele também tem uma faceta benéfica. embora a maioria dos gregos localiza-se os Infernos nas profundezas da terra. Sua vestimenta vermelha compõe-se de uma túnica e um pesado manto. Ali vivem os heróis. os gregos se organizaram em cidades. Na Odisseia. tal qual o seu mundo. Quando invocado. Esta é a representação mais famosa de Hades. O túnel subterrâneo transporta o liquido até o lugar onde as almas possam bebê-lo. Para decidir o destino eterno dos mortos. Apenas aqueles que cometeram grandes delitos sofre castigo. os favoritos do Olimpo. a barba longa e em desalinho. Os que cometeram grandes crimes. criaram um sistema de justiça. modifica-se o conceito dos Infernos. vedado aos olhos dos vivos. dirige-se ao país dos Cimérios. O Reino das Sombras Nas primeiras representações dos Infernos não existe conotação de castigo ou recompensa. Embora não acreditassem. Hades atua no sentido de auxiliar o cumprimento das vinganças. Éaco14 e Radamanto15. obra literária de Homero. onde sempre era noite. sem dor nem alegria9. os gregos imaginaram um tribunal12 composto por três juízes: Minos13. justifica o nome Hades:  (Hades) significa “invisível”. 3.c) descreve o Erebo como uma vasta planície subterrânea. Com o passar do tempo. Para tanto. as almas desembarcam e postam-se diante dos juízes. são condenados às penas do Tártaro. Ulisses16 consegue se comunicar com as almas dos Infernos. IX a. era o próprio Hades. Transpostos o portão do Hades. como Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . Entretanto. tendo ao lado o cão Cérbero8. essa região fazia fronteira com o Hades. Senta-se num trono. como na doutrina cristã. 0 premio dos bons é a eternidade nos Campos Elísios. Ulisses abre uma vala profunda. especialmente contra os deuses. julgando os criminosos e recompensando os benfeitores. situado numa ilha ocidental.

pois Ele está completamente fora da condição de vida ou morte. como processo ultraterreno. pois o espirro pode fazer a alma “escapar”. seja de gozo e paz no seio de Abraão ou de tormento. Diz Will Durant que os negros Basutos não caminham pela beira da agua.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 os egípcios. de quem nunca esteve sujeito (os anjos. de mel e do afeto dos vivos. porém em que período de sua historia os judeus passaram a acreditar que a alma sobrevive à morte. O corpo não persistia. Eternidade: designa a característica daquilo ou de quem nunca nasceu. que a vida continuava até fisicamente após a morte. à vida eterna. eles passaram a ver os antigos habitantes das margens do Nilo completamente voltados para as Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério .Alma: vida eterna e imortalidade segundo a Bíblia Para desenvolvermos com equilíbrio e sem equívocos o presente tema. os curandeiros armam anzóis no nariz. c. é necessário distinguirmos entre eternidade.IBNRMH Página 7 . Entre os negros da África Ocidental acreditam que a dor de cabeça provém da “perda” da alma. Certas doenças e desmaios são tidos como momentâneas “fugas” da alma. O certo é que. O filosofo e historiador norte-americano Will Durant. também não consideravam que a morte constituísse um fim absoluto. Nas Ilhas Celebes. Só assim a dor de cabeça desaparece. e mandam o curandeiro procurá-la na floresta: e o curandeiro procura-a e acha-a. isto é. por exemplo). Algumas tribos recusam-se a ser fotografadas por terem medo de suas almas serem aprisionadas com a foto e que mais tarde o fotógrafos as devore. A noção de imortalidade não pode ser usada em relação a Deus. Deus nunca nasceu. Vida eterna: a imortalidade conduz. e retorna com a alma “fujona” dentro de uma caixa e novamente no corpo do paciente pelos ouvidos. no Hades (Lc 16. relaciona fatos curiosos que evidenciam a infantilidade e a concepção errônea dos homens ainda não alcançados pela Palavra de Deus. discorrendo sobre a concepção de imortalidade da alma entre os povos primitivos. ou de quem não está mais sujeito (todos os que morreram salvos em Jesus Cristo). por terem medo que os crocodilos lhes “comam” a alma. necessariamente. como meio de impedir que alma saia. Imortalidade: é a característica de quem não está sujeito à morte. que é uma vida que não terá fim. 3.19-31). imortalidade e vida eterna: a. no umbigo e nos pés dos doentes para “fisgar” a alma quando tentar fugir no momento da morte. alimentadas de farinha. Os Hindus estalam os dedos se alguém espirra perto. portanto Deus é eterno. no decorrer do seu contato com a cultura egípcia. Espirrar é perigoso. mas a alma e a sombra continuavam através da eternidade. Não se sabe. Sua eternidade jamais teve um inicio e jamais terá fim.2. Extinguia-se a existência terrena. b.

proteger a alma contra a perda de sua pureza no mundo material. ela é moldada na imortalidade. “quando morrer. nas mesmas condições de pureza deve retornar ao Criador. a sombra. rei da ilha grega de Ítaca. A finalidade moral e religiosa da vida é. durante a longa batalha narrada por Homero em um dos mais antigos monumentos literários da humanidade. esquecidos tão logo se afirmam. a imagem. “pois o homem é uma criatura apanhada pelo drama da salvação. grande homem. o sintoma do verdadeiro valor. Entre os antigos judeus começou a circular a concepção de que a alma do homem – “a lâmpada de Deus” – não pode jamais extinguir-se. é o que chamamos de “Glória Humana”. Ulisses. como observou Artur Schopenhauer. é necessariamente para si próprio que deve sê-lo”. e para o bem de Israel. nem a sua glória o acompanhará” (Sl 41. e estes. Nenhuma instituição humana criada para preservar o nome dos que a ela se filiam. Pois aquilo que um homem pode ser de melhor. monstro que a ingratidão torna gigante. enquanto que de braços abertos recebemos que chegam. Ilíada. por que as coisas em movimento atraem mais o olhar do que as que não se mexem”. portanto. carrega às costas um alforje de esmolas para o esquecimento. Pela vontade de Deus. Conversavam um rei e um general gregos. queixouse a Ulisses de ter Ajax. adquirido enorme prestigio na opinião de todos. Devemos distinguir um segundo conceito humano utilizado com relação a imortalidade. Aquiles não pudera sair para o campo de batalha. quando Aquiles. “a glória humana é um simples eco. nada levará consigo. Reclama Aquiles que. Errada coisa é depositarmos a duração e o valor dos nossos atos na memória transitória dos homens. aos hóspedes que partem. A boa vinda sempre sorri. enquanto estais ferido. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . mesmo que não o saiba” (François Mauriac). Por isso não te espantes. em dois dias todos haviam se esquecido das inúmeras e heroicas façanhas que ele praticara em meio a sangrentos combates durante quase 20 anos de guerra.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 “moradas eternas”. Lembravam os judeus que assim como a alma está pura quando entra no corpo. o adeus sai suspirando.IBNRMH Página 8 . e Aquiles18. e este. outro general grego. pois a glória do homem é transitória. as suntuosas pirâmides que lhes serviam de tumulo. Conversavam esses dois homens em uma noite de trégua. comandante de um dos muitos exércitos gregos mobilizados contra a resistência de Tróia. não importa o que aconteça com o corpo. por que o tempo com os hospedeiros muito se assemelha. Já ter feito é estar fora da moda. durante os dois dias em que. o homem deve aspirar a uma forma de existência mais elevada e mais pura. devido a ferimentos recebidos. ao que o rei Ulisses respondeu: “o tempo. ó valoroso Aquiles. por estarem os gregos agora aclamando a Ajax. apertam de leve a mão.5). Essas migalhas são os grandes atos praticados no passado. Pois. conseguiu vencer a erosão do tempo e do esquecimento. que são devorados no instante em que são feitos. em flagrante contraste com a relativa humildade de seus lares. o mais temido de todos os combatentes grego. e de toda a humanidade.

resta alguma coisa real e mortal que “foi levado pelos anjos”. por meio do corpo. Os animais também tem alma. constituindo a individualidade (Ex 1. Dt 34. disse “façamos o homem segundo a nossa imagem e semelhança”. achará seu corpo embalsamado em caixas de pórfiro. b) Existe a alma terrena. mas como toda carne não é a mesma carne.19-21). pelo contrário. Sl 8.1-3.39-41. 53. e ressuscitará mais vil que a própria vileza” (Jo 5. OBS: A palavra alma aprece com vários sentidos nas Sagradas Escrituras. vemos que a alma do homem está no seu “eu”. A expressão “alma vivente”. 3. A alma. Alguns. 9 com Lc 16. O grande. b) O pecado é cometido pela alma humana: Ez 18. a vida humana da vida animal (Gn 1.Síntese do estudo Bíblico da alma: a) A alma distingue o racional do irracional. Ap20.17-19.Pv 4. caráter. Gn25. mas muito inferior à dos homens (Gn 1. nada mais resta do homem. Note-se que a mesma palavra original “Nephesh” é usada em Gn 1. sentidos.1 – cada alma significa uma pessoa). A referencia de Lc 16. aos ombros de leões ou elefantes de mármore. instintos. mas. emoções. este vem a morrer: Gn 35.20). por meio do espirito.5-8. paixões.18. A alma dos animais.24).1-4. com soberbos e magníficos epitáfios. erroneamente. a sede dos sentimentos.3. esta é a alma dos animais (Ec 3. personalidade.28-31. e que quando o corpo morre. 29). Rm 13. ao morrer o corpo ela sobrevive (Gn35. ao morrer o corpo. não seria necessária se não houvesse gradação nas almas dos homens e dos animais. apetites. acaba com a morte do bruto. Logo: a) Quando a alma deixa o corpo.26).18.28.5. 1Co 15. ou em um adro sem pedra nem letreiro. põe-nos em contato com Deus e. c) A alma distingue um homem do outro.20. e ressuscitará tão ilustre como as estrelas. Lc 12.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 Diz o antigo pregador que “o pequeno achará os seus ossos em uma humilde sepultura. Considerando ainda a superioridade da alma humana à dos animais. que vive somente enquanto durar o corpo.8. dizem que “alma vivente” quer dizer “corpo vivente”. concernente aos homens e aos animais.6 com Lc 9. Deus ao criar os animais disse “faça-se”.4-6. Sendo a alma humana tal como foi descrita acima. em Gn 1.IBNRMH Página 9 . já a alma do homem é eterna.78. 24. além das muitas inferioridades como veremos a seguir. tanto figurativos como por sinédoque (comparação de várias coisas simultaneamente). Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério .1-3.16-20.22-31). Além disso.2023. Mt 6. 21. Sl 14. põe-nos em contato com o mundo. quanto aos homens.22 mostra que . assim ocorre com a alma (Gn 1. afeiçoes.

onde encontramos os termos (somma psukikon) e  (somma pneumatikon). Jó 12. sem ele o homem morre: Pv 17. imortal. 18. 14.17). por ser o espírito que vivifica a alma. Por ter o homem vontade própria.63. 7. na Bíblia. recebida de Deus (Gn 2. os dois são. 15.2. Só o homem possui espírito (Jó 12.8.16. 27. 15. 18. Os dois interpenetram-se de modo profundo e misterioso. consciência.7). 9. e dá-lhe consciência de Deus. É a sede da razão. Lc 12.2-4). vontade. isto significa que teremos a mesma identidade e individualidade (funções proporcionadas pela alma). Jo 6. e a cada semente o seu corpo. Ez 37. b.5).14. O espírito é distinto do fôlego (Jó 34. porém será um corpo transformado (1Co 15.10-13. Essa vida não é a respiração: é a energia divina que Deus soprou no homem para que vivesse a sua alma. Ec 12. A alma e o espírito são distintos. Logo: a. É o elo de testificação do Espírito santo conosco: Rm 8. O espírito liga nossa alma a Deus. IV.14.10.Rm 7. Mt 18. 17.15). O espírito identifica o homem.52). O espírito dá vida ao corpo.22.16.IBNRMH Página 10 .16. O espírito é a vida divina. Ap 20. e. porém inseparáveis (Hb 4. 5. O texto de 1Co 15. Qual é a função do espírito e para onde ele vai após a morte. Um texto maravilhoso e profundo para o estudo da tricotomia humana é 1Co 15. pensamento.17. ele é um ser moral e responsável por seus atos e conduta (Jo 3. É no espírito que dá-se o testemunho do Espírito Santo de que somos filhos de Deus (Rm 8.11-15.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 c) É na alma que ocorre o processo da salvação e o objetivo da obra vicária de Cristo.110. muitas vezes mencionados indistintamente. c. Lc 16. Devido a alma e o espírito serem parte da substância espiritual do homem. 3. 1Co 9. nos dando conhecimento dele: Sl 77.17. 51. semente o seu próprio corpo”. Vê-se ai que fôlego e espírito são duas coisas independentes. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério .44.12.4. Sl 9. É também a sede da adoração (1Co 14.17. intelecto. Is 42. a criatura espiritual.38 diz: “mas Deus dá-lhe o corpo como quer .7. é a salvação da alma: Sl 49. 17.26.7-9. Pv 23.16). 19-31. Tg 2. moral.10).

exceto Cronos. Só Cronos aceita a incumbência da mãe. quando pode. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . Na terra. Luta com ele. Observe este ato nas palavras do poeta: “todos se recusaram. Gaia convocava todos os seus filhos para se insurgirem contra Urano. e nela engendra uma multidão de filhos. Urano sangra e se contorce. Mas Cronos vence sempre. ninfas dos carvalhos. tudo comanda – cabe-lhe criar uma nova ordem nos ares e nas coisas. E continua sem medo sua implacável cavalgada”. os Ciclópes e os Hecatônquiros. e o destronou do centro do mundo: Zeus (Júpiter). destinos. Notas do texto 1. a lúcida matéria sobre a qual reina: a memória. Mas elas nada fizeram contra o vencedor de Urano. e as Erínias. mas nenhum deles aceitaram. o poeta Hesíodo se refere a estes primeiros filhos de Gaia e Urano da seguinte forma: “alguns sobressaem pelo poder. O sangue escorre sobre a terra e sobre as águas. É conhecido como Saturno pelos romanos. Subjuga-o. com seu destino desesperado. logo ao nascerem. Um grito de dor ecoa pelos quatro cantos do planeta. porém devora-os. pela força de Éros. O tempo devora tudo: seres. sua irmã. vingadoras dos crimes semelhantes ao de Cronos. Segundo o poeta Hesíodo. com terrível intenção. pois já estava revoltado com os seus sofrimentos. O que importa é construir o futuro. outros se destacam pela tragédia… trágico é Cronos. No mar. Só Mnemósine contesta Cronos. Urano aprisionou no ventre de Gaia alguns de seus filhos que ele detestava. Revolucionar constantemente a natureza. que constantemente a fecundava e por isso Gaia não parava de gerar. deusa do amor e da beleza. Por que ele é o deus do tempo –tudo regula. Os testículos de Urano voam pelo espaço. preservando. os órgãos com o sêmem expelido formam uma espuma alvíssima. momentos. E mais uma vez a natureza é fecundada. Cronos atira-se sobre o pai. para que não lhe tomem o reino.IBNRMH Página 11 . Na mitologia grega. O titã soberano une-se a Réia (Cibele). Cronos: É um dos principais filhos de Gaia (Terra) que. O valente guerreiro do tempo promete a Gaia que a vingará. antes de tê-lo. Apenas uma de suas criaturas escapou-lhe à voracidade. o poderoso olímpico. Quando Urano se aproxima da esposa para novamente fecunda-la. o sangue o sangue origina as Melíades. Ela entrega-lhe a afiada foice que vinha trabalhando há muito tempo. No sofrimento. retirando dele seu próprio pai. Todo poder do mundo lhe pertence. da qual emerge Afrodite (Vênus). Alterar o palco da vida. Cronos é insaciável.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 V. com as muitas tarefas que o futuro do mundo lhe reserva. uniu-se à Urano (céu).

cabendo a Zeus o domínio do céu e da terra. possuindo o dom de prever o futuro. entre as quais Níobe. Na Grécia. Latona. Mnemósine. que durou dez anos. e da razão. imagem da justiça. Ao fim da luta. Métis. Entretanto.IBNRMH Página 12 . Depois destas vitórias. Para assegurar definitivamente o domínio do mundo. impedindo que seu choro fosse ouvido por Saturno. manteve os Ciclópes e os Hecatônquiros em sua prisão subterrânea. Filho de Cronos (Saturno) e Cibele. Crio. Cronos. Apesar de seus poderes. além dela. da ordem e da autoridade. fornecida por sua companheira Métis. Entretanto. Iápeto e Oceano. Sua esposa era Hera (Juno). em Creta. entoando cantos de guerrae entrechocando as lanças em volta do bebê. consolidou-se o poder de Zeus. Assim tratado e protegido. atacou Cronos e os Titãs. Io. Tão logo nasciam. mas teve. Com uma droga. Instigado pela Terra. Hipérion. Mais tarde. bem como seus irmãos – Ciclópes e Hecatônquiros – eram encerrados no Tártaro por seu pai. tudo vê e sabe. Os Curetes dançavam. Foi confiado. vencendo-os. Auxiliado por estes e pelos Hecatônquiros e Ciclópes. Sêmele. os Aloídas e Tifão. Concebido inicialmente como divindade dos céus e dos fenômenos atmosféricos. entretanto. não conseguiu vencer a resistência da ninfa Astéria. heróis e ninfas. então. Onipotente. Uniu-se a várias deusas e ninfas. Zeus: Nome grego para Júpiter (de origem latina). Europa. Com tal atitude incorreu na ira de sua mãe. aos cuidados dos Curetes. sua mãe o escondeu numa gruta situada. os olímpicos lutaram ainda contra os Gigantes. 3. fez com que o pai vomitasse seus irmãos. Ceres. o senhor do Olimpo lançou-os no Tártaro. no monte Ida. muitos amores. Maia e Égina. Dânea. cresceu e adquiriu toda a sua força divina. que lhe previu sorte idêntica à do Céu. segundo a versão mais corrente do mito. Cronos e os titãs foram derrotados por Zeus (Júpiter). temendo ser destronado pelo filho que nascesse dessa união. como Têmis. pouco a pouco adquiriu o caráter de deus supremo.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 Saturno devorando a um hijo – Goya // Urano sendo mutilado por Cronos. nem sempre Zeus teve êxito em seus amores. Cronos mutilou o pai e destronou-o. dos Dáctilos e das Ninfas. 2. Após a vitória. Eurínome. o mais importante era o de Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . são eles Ceo. A maior divindade do Olimpo. Para evitar que o pai o devorasse como havia feito com os outros filhos. o deus e seus irmãos – Poseidon (Netuno) e Hades (Plutão) – repartiram entre si o universo. A criança foi alimentada por Amaltéia (ou Aíx). Amou ainda numerosas mortais. Renunciou a Tétis. Possuía importantes templos em todo o mundo greco-romano. que libertou do Tártaro. os titãs. Destas uniões nasceram deuses. de iorgio Vasari e Cristofano Gherardi. Leda e Alcmena. Titãs: Designação dos filhos do Céu (Urano) e da Terra (Gaia). onde ocupam o lugar dos Ciclópes e Hecatônquiros. libertos pelo deus. ao fim de uma luta que durou dez anos.

podia condená-las a súbita e mortal seca. robusto. Outro notável centro de culto era Olímpia. Zeus era representado com traços de homem maduro. golpeando-os com seu tridente. encorajou Teucro e Idomeneu. extinguindo as fontes ou os rios. isto por que esse troiano não pertencia á Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . de semblante grave e majestoso. estimulou Ájax. Unindo-se a Apolo. Sua função. Comumente. recebeu o castigo de servir Laomedonte.IBNRMH Página 13 . o cetro e a águia. entretanto. as vagas abriam-se em suave ondulação e as borrascas apaziguavam-se. Durante a guerra de Tróia. Vivia num palácio nas profundezas do mar. Na partilha do mundo. empunhando seu tridente. Recuou. Zeus. Quanto às terras. Poseidon: Divindade também conhecida por Netuno (de origem Latina). anta as ameaças do gigante Briareu.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 Dodona. Dominada a revolta. Salvou Enéias de ser morto por Aquiles. onde o deus expressava seus oráculos. Seus atributos são o raio. deixou o combate. no qual buscariam inspiração os artistas posteriores. embora os rios tivessem divindades próprias. rei de Tróia. até o momento em que. Acompanhava-se de um cortejo de Nereidas. Percorria seu vasto domínio num carro puxado por cavalos brancos. tomou partido dos gregos. conspirou para encarcerar Zeus. Sob os traços de Calcante. porém. coroado por folhas de carvalho. abalava os rochedos e. originou-se o rancor que dispensava aos troianos. não se limitava ao domínio das ondas. fazia brotar as fontes. no Epiro. Juno e Minerva. De seu desentendimento com o soberano. o poderoso do Olimpo 4. Hipocampos e Delfins. Posseidon obteve a supremacia sobre o reino do mar. À sua passagem. Essa imagem constitui o tipo ideal da divindade. centauros-marinhos. provocavas as tempestades. enquanto Hades (Plutão) recebeu os infernos e Zeus (Júpiter) ficou com o céu e a terra. Seu poder estendia-se também ás águas correntes e aos lagos. onde estava uma estátua do deus esculpida por Fídias. sob ordens de Zeus.

era considerado o deus da fecundidade e da vegetação (Netuno). festa nacional dos habitantes da região. Cércion. O principal santuário de Poseidon encontrava-se me Mícale. a cada dois anos. constituídos de disputas de caráter físico e torneios de música e poesia. com Teófana (Bisáltides). Com Etra. ainda com vida. nesses julgamentos. Teseu. Atenas e Trezena para Atenas (Minerva). organizavam-se corridas de carro em seu louvor. ainda. símbolo das fontes e o touro. sacrificavam-se lhe touros negros que. Muitas das suas aventuras amorosas tornaram-se célebres: com Toosa. Não possuía lenda própria até ser identificado ao Poseidon grego. Náuplio. teve Polifemo. e Delfos para Apólo. onde era realizada a Panionia. Possuía um templo no Vale do Circo Máximo. Quando os homens se organizaram em cidades. cerca-se de toda a espécie de seres marinhos Estátua de Poseidon Pintura de Poseidon (aproximadamente 530aC) Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . Poseidon era preterido. Com Amimone. Arião. É representado com o tridente e sobre um carro puxado por cavalos brancos. Em Roma. Argos para Juno. símbolo de seu poder fertilizador e de sua impetuosidade. a 23 de Julho. Suas festas. Unindo-se a Halia. com Líbia. tinha uma companheira chamada Salácia (Venília). com Ifimedia. os Aloídas. Na tradição romana. Crisómalos. E. Naxos para Baco. Crisaor e Pégaso. Consagravam-se lhe o cavalo. todos fecundos. montanha da Jônia.IBNRMH Página 14 . Na Tessália. Possuía. Belo e Agenor.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 descendência de Laomedonte. era homenageado com os Jogos Ístmicos. exigia-se a arbitragem de outras divindades ou de mortais. entre o Platino e o Avntino. Teve diversos amores. Contavam-se. Assim perdeu Corinto para o deus Hélios (Sol). teve seis filhos e uma filha. as Netunálias. Como dois ou três optassem pela mesma cidade. com Meduza. Esposou legitimamente Anfitrite e de sua união nasceu Tritão. Egina para Zeus. contudo. a Atlântida. sua própria ilha. Nas festas Tauréia. os deuses resolveram escolher aquelas em que seriam particularmente venerados. Em Corinto. Círon e Orião. eram atirados ao mar. Poseidon era venerado na Beócia e no Peloponeso. com Ceres. Rodes. eram celebradas no verão. entre seus filhos.

Hades: Conhecido como Plutão ente os Latinos. Hades é retratado de cenho franzido. o solo era recoberto de asfódelo. das colheitas e das estações. que procuravam destacar seus aspectos mais favoráveis aos mortais: Eubuleu (o que dá bons conselhos). de uma ferida provocada por Hércules. Zeus. Entretanto. o Sono. Filho de Cronos e Cibele participou da luta contra o pais e os titãs.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 5. Enquanto o primeiro ficou com o céu e a terra. era celebrado nos mistérios de Elêusis. e para curar-se. Trofônio (oque torna a terra mais fértil). os devotos batiam no solo com suas mãos ou com varas. as Górgonas. Éaco e Radamanto. Agesilao (o que reúne os povos). Vencido os adversários. Era assistido em suas funções por múltiplas divindades: Hécate. tendo ao seu lado o cão Cerbero. a quem tomou como esposa. Consagravam-lhe o narciso e o cipreste. suas festas eram celebradas a 12 de Junho e durante sua realização somente o templo do deus infernal permanecia aberto. Como divindade agrícola. destinados a julgar as almas. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . Reinava sobre os mortos. seu culto associava-se ao de Ceres. Hades habitava um palácio circundado de álamos e salgueiros estéreis. Era invocado no sentido de fazer cumprir as vinganças e tornar eficazes as maldiçoes. planta das ruinas e cemitérios. Ofereciam-lhe em sacrifício carneiros ou cabras negras. encaminhadas aos Campos Elísios ou Ilha dos Bem-Aventurados. se absolvidas. Entre os romanos.IBNRMH Página 15 . Poseidon e Hades partilharam entre si o império do universo. as fúrias. as Parcas. se condenadas. Como deus da vegetação.. Presidia o tribunal composto por Minos. Para pedirem sua proteção.raramente o deus interferia nos assuntos terrestres ou olímpicos. Hades apresentava também uma faceta benéfica: propiciava o desenvolvimento das sementes e favorecia a produtividade dos campos. os Ciclópes armaram-no com um capacete mágico que o tornava invisível. Era venerado sobre vários epítetos. eram atiradas ao Tártaro e. Juntamente com a deusa. veste túnica e manto vermelho. Está sentado num trono. no Olimpo. a Morte. Estas. as Harpias. ritos comemorativos da fertilidade. Poseidon recebeu o reino dos mares e Hades tornou-se o deus das profundezas subterrâneas. Nessa ocasião. embora seu principal papel se ligasse a morte e destruição. levando uma cornucópia nas mãos. cabelos e barba desalinhados. é apresentado com traços mais suaves. os infernos. é uma das doze divindades Olímpicas. Só deixou seu reino duas vezes: para raptar Prosépina. Polidectes (oque acolhe muitos hóspedes).

principal auxiliar de Hades. com cabeleira eriçadas de serpentes e levando nas mãos tochas e açoites. passeando entre os homens com uma faca na mão. Minos. Para os gregos. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . Tánatos é descrito por Eurípedes (480? – 406 aC. Filhas de Gaia. a quem chamam Mors.IBNRMH Página 16 . as Erínias figuram entre as mais antigas divindades dos gregos. Eram imaginadas como três deusas negras. e arrastam-no para o Érebo. Éaco e Radamanto eram os juízes que determinavam. força maior. Quando o mortal apontado para morrer é um perjuro. golpeiam-no. Sentam-se no umbral da casa do criminoso e dali não se afastam até enlouquecerem o culpado e levarem-no sob suplícios aos infernos. Tánatos manda em lugar das Queres as Erínias ou Fúrias. As criaturas Infernais: Para manter sempre atuante o Tribunal dos infernos e sempre povoado o mundo das sombras. Tánatos é um deus. embora não estivesse submetido a ele. depende da vontade do Destino. Hesíodo apresenta-o como filho do Caos e irmão da Noite. uma deusa. para os romanos. fecundadas pelo sangue de Urano. porém. aladas. Ao atribuir-lhe uma genealogia.) coberto de negro. Quando o Destino decide que é chegada a hora final. e bem superior aos homens e aos deuses. Tánatos envia as Queres para executarem a determinação. 7. A atuação de Tánatos. Filho da Noite. no tribunal das almas presidido por Hades. Essas divindades infernais apoderam-se do mortal designado.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 O Rapto de Perséfone 6. Cérbero. Depois passou a indicar toda a região infernal. ou cometeu crimes contra pessoas de sua família. o destino das almas segundo os seus feitos: o Tártaro ou os Campos Elisíos. Érebo: Primitivamente designava o lugar mais sombrio e inacessível dos Infernos. Da união de Érebo e Noite nasceram o Éter e o Dia. existe Tánatos. a Morte. o cão de múltiplas cabeças eram que guardava a entrada dos Infernos.

Cérbero: Filho de Tifão e Equidná. Entretanto. de Gustave Doré para a Divina Comédia Hércules e Cérbero. a sibila de Cumas. Quanto aos mortais. mosaico romano Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério .IBNRMH Página 17 . na sua busca a Eurídice. apertou-lhe o pescoço entre as mãos. adormeceu-o ao som de sua lira. Deífobe. Orfeu. (1862) por William-Adolphe Bouguereau 8. permitia a entrada das almas. reconduziu-o aos Infernos. chegou até Hades e falou-lhe de seu intento. enviada aos Infernos por Vênus. conseguiu entrar. de Jhon Willian Waterhouse O remorso de Orestes. Cérbero. quendo conduziu Enéias ao mundo das sombras. Depois. Era um cão de multiplas cabeças. Guardião dos Infernos ficava do outro lado do Aqueronte. desde que conseguisse capiturá-lo utilizando apenas sua couraça e sua pele de leão. Hércules atacou o cão. despedaçava os que se atreviam pelo Reino dos Mortos.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 Hipnos e Tânatos. serpentes em torno do pesoço e mordida tão venenosa quanto à de uma víbora. o heroi. Psiquê. Encarregado por Euristeu de procurar o cão e trazê-lo a terra. oferecendo um bolo a Cérbero. e levou-o a euristeu. depois de várias façanhas. Obteve permissão para levar Cérbero. E Hércules derrotou-o (V Trabalhos de Hércules). deu ao monstruoso cão uma pasta sonífera. porém as impedia de sair. Do mesmo modo.

ordem e disciplina. O tártaro era um abismo insondável. ou. Unindo-se à Gaia.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 9. Mínos esposou Pasífae. em agradecimento. Este o atendeu. segundo outra versão. a existência sem vontade. julgando os criminosos e recompensando os benfeitores. onde eram supliciados os grandes criminosos. impressionado com a beleza do animal. onde os bons usufruem as recompensas de suas ações. opunha-se aos Campos Elísios. Segundo uma Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . 12. teve Tifião e Equidná. Quando seus irmãos. A partir dessa organização social. o Tártaro constituia um dos elementos primordiais do mundo. que o animal seria imolado em homenagem ao deus. contestaram essa herança. 10. Além deles. que passa a se dividir em duas regioes distintas: de um lado o Tártaro. Defendia sua entrada uma torre muito alta. seu pai adotivo. 13. passou a ser considerado um lugar especial dos Infernos. Os próprios deuse temiam o Tártaro. Sucedeu Astério. Poseidon vingou-se. Neste sentido. prometeu. tenebroso. Mínos respondeu que o reino lhe tinha sido destinado pelos deuses. Acrescentou que tudo que pedisse às divindades lhe seria concedido. deixou de sacrificálo. filha de Astério. conforme uma tradição. Para provar essa afirmação. os gregos imaginaram um tribunal composto por três juízes: Minos. Acacális. presidido pelo próprio Hades. cercado por uma triplice muralha e pelo rio Flegetonte. é a apatial total dos mortos. Euxântio. entretanto. no trono de Creta. com a ninfa Dexitéria. onde podiam ser precipitados por Zeus. Sarpedão e Radamanto. Tribunal: Com o passar do tempo. enlouquecendo o animal. destinado aos justos. Deucalião. O estádo da alma após a morte na visão primitiva grega: A regra geral nessa concepção p´rimitiva dos Infernos. od gregos organizaram-se em cidades. Éaco e Radamanto. Glauco. Tártaro: Primitivamente. cujas portas eram guardadas pela fúria Tisífone. modifa-se o conceito dos Infernos. Ariadne e Fedra. dos quais esra separada por uma distância igual à que existe enter o céu e a terra. região do mundo localizada abaixo dos infernos. ofereceu um sacrifício a Poseidon e solicitou-lhe que fizesse sair um touro do mar. Para decidir i destino dos mortos. Aos poucs. Campos Elísios: Ou Ilha dos Bem-Aventurados. filha de Hélios e Pérse. também imaginada nas profundezas terrestres. onde bons usufruem as recompesas de suas ações. Nefalião e Filolau. lugar de expiação. com uma ninfa da Ilha de Pacos. Xenódice. também imaginada nas profundezas terrestres. os Campos Elísios. sem prêmios nem castigos. 11. Atribuem-lhe grande numero de aventuras amorosas e costumam apontar-lhe como o primeiro a praticar a pederastia.IBNRMH Página 18 . ou Iha dos BemAvennturados. mas o soberano. teve. Segundo uma versão. Androgeu. Eurimedonte. Crises. onde os maus pagam suas culpas. e. Cretéia. do outro lado. Mínos: Filho de Zeus e Europa. criaram um sistema de justiça. Seus filhos legítimos foram: Catreu.

Após sua morte. Foi considerado o primeiro civilizador de Creta. seus atos eram inspirados por Zeus. Pasífae lançou uma maldição sobre o leito do marido e. Segundo uma versão.IBNRMH Página 19 . Era considerado o mais piedoso dos gregos. Cócalo propôs a questão a Dédalo e este. fê-la enveredar pelo labirinto. usou um estratagema para que ele se revelasse: prometeu recompensa a quem fizesse passar um fio pelas espirais de um caracol. Indignada com as infidelidades de Mínos. Éaco pediu ao pai que transformasse as formigoas da ilha em homens.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 tradição. Irritado com Dédalo. penetrou no labirinto e matou o animal. Cócalo confirmou suas suspeitas e prometeu-lhe entregar o hóspede. Após sua morte. Desse modo originou-se a raça dos mirmidões (Myrmikes. Éaco esposou Endeis. Teseu. Depois uniu-se a Psâmate e gerou Foco. graças a um ardil que Dédalo confiou a Ariadne. o homem engenhoso por excelência. foi ele que raptou Ganimedes. todas as suas concubinas eram mortas pelas serpentes e escorpiões que saiam de seu corpo. cuja morte tinha sido causada por Egeu. significa formigas). incumbiu suas filhas de jogarem água fervente em Mínos durante o banho. ligando o fio a uma formiga. o rei cretense passou a constituir. E Zeus novamente o atendeu. Vivia em Enone. a partir dai. Desse modo. Entre seus amores femininos. ao lado de seu irmão Radamanto e de Éaco. Em Egina ergueram-lhe um templo. que depois recebeu o nome de sua mãe. Os jovens eram devorados pelo minotáuro. encontrava-se naquelas paragens. Mínos teve a prova de que Dédalo. O soberano livrou-se desse encanto graças a Prócris. Desejando amigos e súditos. Éaco: Filho de Zeus e da ninfa Egina. Entretanto. Éaco tornou-se um dos juízes dos infernos. em grego. ao invés disso. ilha despovoada. função que partilhava com Mínos e Radamanto. Mínos perseguiu-o e. Mínos impôs aos atenienses um tributo periódico de sete moças e sete rapazes. Para vingar seu filho Androgeu. ao saber que seu prisioneiro se encontrava escondido na corte siciliana. com quem teve Telamão e Peleu. com quem conversava frequentemente em uma caverna no Monte Ida. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . livrou seu país do pesado tributo. Ao receber o soberano o problema resolvido. Mais tarde os gregos encarregaram-no de conseguir dos deuses que cessasse a seca que desolava os campos. o Tribunal dos Infernos. rei de Atenas. destacam-se ainda Britomártis e Peribéia. Face de Minos 14.

Dirigiu-se também à Lacedônia. onde esposou Alcmena. Foi criado por Astério. reis de Ítaca. o herói invadiu o palácio. Antes. foi feito juiz do tribunal dos Infernos. filho de Zeus e Europa. disfarçado em mulher. Filho de Sísifo e Aticléia. o arco de Êurito. para evitar uma guerra entre os pretendentes. se necessário. ao tomar conhecimento do elevado número de pretendentes. ao lado de Éaco e Minos. filha de Tíndaro. atribuindo-se lhe a autoria da Lei de Talião. Ainda adolescente. Entretanto. porém. lançando mão de um estratagema.IBNRMH Página 20 . Promulgou as leis das cidades. amedrontadas. por Jean-Michel Moreau 15. Radamanto: Herói cretense. se escondia na corte do rei Licômedes. Quando Agamenão convocou os chefes gregos contra Tróia. rei de Creta. onde Ífito lhe deu. asilou-se na Beócia. os fizesse jurar que respeitariam a escolha de Helena e auxiliariam o eleito. seu irmão e herdeiro do trono. onde teria esposado Alcmena. Ao atingir a idade adulta. 16. foi buscar Aquiles. foi ferido no joelho por um dos animais. Segundo putra versão. o herói procurou esquivar-se. Em agradecimento. Dessa união nasceu Telêmaco. Depois da morte. Era encarregado particularmente de julgar as almas dos mortos provenientes da Ásia e da África. nessa ocasião. desistiu de seu propósito. Ulisses viajou até a corte do avô Autólio e participou de uma caça ao javali. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . como presente de hospitalidade. Desmascarado por Palamedes.. Enquanto suas companheiras. se esconderam. Ulisses: Nome latino de Odisseu. Aquiles pegou em armas para resistir. Sugeriu a Tíndaro que. a fugir da ilha. viu-se constrangido a acompanhalo. recebeu de Laertes o trono de Ítaca e candidatou-se à mão de Helena. foi obrigado por Minos. que. Simulando um ataque. ajudou a Ulisses a obter a mão de Penélope. era fiho de Laertes. a quem a jovem esposou depois de sua união com Sísifo.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 Éaco e Telamón. Uma variante da lenda conta que Radamanto foi levado para a Ilha dos Bem-Aventurados. no monte Parnaso. Sábio e justo organizou o código jurídico cretense. De acordo com uma versão.

soberano local. Esgotado. Éolo recebeu-o hospitaleiramente em seus domínios. Para preencher as condições indicadas por Heleno. Ulisses recebeu hospitaleira acolhida. para desfazer qualquer dúvida. encontrou-o e levou-o ao palácio. Atacado pelos familiares dos pretendentes. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . a filha de Alcino. Durante um banquete realizado em sua homenagem.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 fazendo se reconhecer. apoderou-se do Paládio. Em sua cabana. em quem depositava grande confiança. que tomara os traços de Mentor. Inspirado por Minerva propôs a construção do cavalo de madeira. aportou na Ilha de Calipso. Aportando em Ea. foi recebido por Circe. Durante a guerra. Pouco depois. Como persistisse no desejo de retornar à pátria. morreu de tristeza ao saber da morte de Circe e Telêmaco. descreveu-lhe o quarto nupcial.IBNRMH Página 21 . Terminada a guerra. venceu-os com a ajuda do pai e de Minerva. onde permaneceu longo tempo. persuadiu os gregos a continuarem na luta. Como castigo. chegou a Sicília. Eles não puderam resistir. habitada pelos feácios. Numa prova de arco. segundo uma tradição. avistou-se com Telêmaco. adormeceu na praia. narrou as aventuras que vivera. a frota do herói naufragou. graças ao qual os gregos conseguiram invadir a cidade inimiga. Ulisses não participara do ato sacrílego. combateu com bravura e destacou-se por sua prudência e astúcia. O navio escapou aos redemoinhos de Caribde e chegou à Ilha de Trinácria. Foi lançado à Ilha Esquéria. Ali os companheiros do herói mataram alguns bois pertencentes ao deus Hélios. Apos nove dias. Castigou Tersites quando este incitou os soldados a se rebelarem. foram exterminados numa tempestade enviada por Zeus. Por meio de um ardil. O herói deu-se a conhecer. foi poupado. Nesse momento. possuidor das flechas de Hércules. pois Telêmaco havia recolhido todas as armas do palácio. Na corte. Ao retomar a viagem. Nausícaa. atingiu o Cabo Maléia e o país dos Lotófagos. partiu de Tróia com Agamenão. Encarregou-se de reconduzir Criseide ao pai. Fez sua primeira escala no país dos cícomos. No pais dos Lestrigões. Disfarçado em mendigo. Pondo-se novamente ao mar. Ulisses seguiu para Tróia no comando de doze navios. Ulisses revelou sua identidade a Penélope e. teve sua embarcação destroçada por uma tormenta que Poseidon provocara. Serviu como intermediário na reconciliação entre Agamenão e Aquiles. Minerva fez desaparecer o disfarce. Numa variante da lenda. foi em busca de Filoctetes. que apenas ambos conheciam. Em seguida. A seguir. sugerida por Penélope. Na manhã seguinte dirigiu-se ao campo e apresentou-se a Laertes. Ulisses foi morto por Telégono. salvando-se apenas seu próprio navio. vários de seus marinheiros foram devorados por Cila. dirigiu-se a Eumeu. conseguiu passar incólume pela Ilha das Sereias. conseguiu vencê-lo e retomou seu caminho. Algum tempo depois. onde foi vitima da violência do ciclope Polifeno. conseguiu a participação de Neoptólemo na luta. Ulisses venceu os pretendentes. Alcino ofereceulhe um navio. empreendeu o massacre dos rivais. Continuando a viagem. do qual se separou durante uma tempestade.

aos cuidados do centauro Quirão. não foi tocado pela água e ficou sendo o único ponto vulnerável do herói. cativa de guerra. O alimento das almas: A idéia de que os mortos precisavam de alimento encontra-se clara nos ritos fúnebres dos gregos. cujas águas deviam fazê-lo invulnerável. ao submergi-lo. porém obscura. nasceu Pirro ou Neoptólemo. acarretando inúmeras derrotas para os gregos. filha de Licomedes. que lhe arrebatara Briseis. depois. 18. Tétis disfarçou o filho de mulher e levou-o para a corte de Licomedes. Desentendeu-se com Agamenão. arrastou seu corpo em torno de Tróia. a uma existência mais longa. Passou. de sua união com ela. quando ia ao encontro de Polixena. Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . retornou ao combate. Tendo ouvido o célebre adivinho Calcante que Aquiles morreria na guerra de Tróia. Mas. Aquiles foi o principal herói grego na guerra de Tróia. Para torná-lo imortal. forjada por Vulcano. segurou-o por um calcanhar que. mas gloriosa. Apesar dos conselhos de sua mãe. Quando seu amigo Pátroclo foi morto por Heitor. a Príamo. Logo se tornou conhecido por suas façanhas.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 O Naufrágio de Odisseu Odisseu e sua fiel esposa Penélope 17. Aquiles: Filho de Peleu. aprendeu a arte da eloquência e o manejo das armas com ele. e de Tétis. Descoberto por Ulisses. para transmitir-lhe a força dos animais. Aquiles sigilosamente revelou sua identidade a Deidâmia.IBNRMH Página 22 . na Tessália. a pedido de Tétis. com uma flechada no calcanhar. Usando uma armadura mágica. onde ele se dedicou a trabalhos femininos. Era costume realizarem grandes libações no cemitérios jogando farinha e mel sobre os túmulos. Confiado a Fenix. pela qual se apaixonara. rei de Ftia. depois mergulhou-o no Rio Estige. sua mãe passou-lhe ambrosia no corpo e manteve-o sobre o fogo. preferiu uma vida curta. e ensinou-lhe medicina. desta forma. Matou Heitor. conquistou várias cidades da Cilícia. Foi morto por Páris. que o alimentou com entranhas de leões e javalis. na crença de que assim revigorariam as almas. seguiu com o herói para Tróia. retirou-se da luta. em seguida. e entregou-o depois.

IBNRMH Página 23 .19. concluímos que a Bíblia nos dá uma abundancia de referencias que. sl 104. Refere-se ao corpo humano tal qual entra neste mundo. Esse corpo é chamado. dominado e controlado pela alma. Somma Pneumatikon: è uma expressão grega que significa. de corpo espírito por que o espírito será. literalmente.7).14-16. a parte dominante dai por diante. 52). então. corroboram a crença no seguinte esquema abaixo: A. o individuo se ocupará com Deus.19. by James Barry -1772 19. superior à matéria. 12. Sua adoração. 1Co 15. Jó 34. Ec 3. no texto de 1Co 15. 20.42. VI. Refere-se ao homem já ressuscitado. 15. de Geovanni Battista Tiepolo The education of Achilles.38. literalmente. “corpoespírito” (ou corpo espiritual). Jd 5-16). ao serem observadas dentro de seu contexto. É o homem puramente psicológico.14) 20. comunhão e serviço (ver 1Co 15. é semeado em corrupção (Gn 6. Como ressuscitado.29. é semeado em desonra (Rm Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . com sua natureza pecaminosa herdada de Adão. “corpo-alma”.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 A fúria de Aquiles. Somma Psukikon: É uma expressão grega que significa.14. Sl 103.5-13. Sua mente tornou-se puramente terrena (ver 1Co 2. Conclusão do estudo Após uma profunda abordagem sobre o tema da existência da “trindade” humana (a tricotomia). cuja consciência e reconhecimento de Deus estão amortecidos. Corpo: Voltará ao pó (Gn 3. O corpo ressuscitado será um corpo mesmo glorificado.

715. torna-se necessário saber que. 19-31. ou sofrer o dano da segunda morte. diferencia um homem do outro.12. Espírito: liga nossa alma a Deus nos dando discernimento d’Ele (Sl 51. são imortais e que a alma do homem é o que se pode salvar. 49.24.26). alma e espírito. pela falta de fé e aceitação do sacrifício vicário de Jesus Cristo. é semeado somente o corpo “in natura” (2Rs 13. constituindo a individualidade (Ex 1. pela fé em Jesus Cristo. e nas coisas não essenciais. é a alma que será salva para a vida eterna ou que perecerá. Rm 13. Alma: Diferencia o ser racional do irracional (Gn 1. Lc 12. 1Co 15. 5.1). 25. 4. 3.17). sofrendo o dano da segunda morte (Sl 9. 11). o pecado é cometido pela alma do homem (Sl 14-1-3. Sl 77. Pv 23. Ez 18.1-3. 9. At 5. Jd 9). em meio a tantas teorias existentes sobre o assunto – aqui só mencionamos as duas mais conhecidas – “em todas as coisas temos liberdade. Jo 6. Logo. B.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 1.5. sendo que a alma e o espírito. 16. que afirma que a alma morre junto com o corpo e a teoria da tricotomia. Ec 12. C. 78.1-11. que afirma ser o homem composto por corpo. Ez37.43). a saber. é semeado em fraqueza (Ec 12.2. Lc 7. Pv 4.6. tenhamos sempre caridade!” Que Deus te abençoe e edifique a sua vida por meio deste estudo! Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério .IBNRMH Página 24 .7.22. Mt 18. nas coisas essenciais para a salvação. Embora haja algumas teorias sobre a origem e o destino da alma e do espírito.1-10.20-23.11-15). Tg 2.17-19.20.8. 18.44. 1Co 15.16).14.10. Ap 20.10-13.1-4). 21. Ap 22. é no nosso espírito que o Espírito Santo testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.42.20).63. bem como suas funcionalidades.17. ele dá vida ao corpo e sem ele o homem morre (Pv 17. a teoria da dicotomia. 1Co 15. temos que ter unidade. 53.

Comentário bíblico Moody vl. 12.IBNRMH Página 25 . 5. 6. Léxo grego do Novo Testamento. Bibliografia 1. 13. Dicionário Hebraico-português /Português-hebraico (editora Sêfer). Dicionário Hebraico/Aramaico/Português. 3. Teologia Sistemática (editora Juerp – A. Bíblia Hebraica. 14.A TRICOTOMIA HUMANA E A FUNCIONALIDADE DE SEUS COMPONENTES AVALIADOS SEPARADAMENTE 6 de outubro de 2011 VII. 8. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia (editora Vida – Myer Pearlman). Revista “A Seara” (CPAD – edição 224. Comentário bíblico Moody vl. 7. 4. Bíblia de Estudo Genebra. 5. 2. novembro de 1983). Langston). Dicionário Mitológico Greco-romano (editora Abril). Enciclopédia Mitológica Greco-romana (editora Abril). Tanáh. 10. Biblia de Estudo Alfalite (tradução direta da versão Septuaginta). Por Adriano Aparecido Rodrigues Silvério . 1. 9. B. 11.